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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Os pecados da Espanha nas Olimpíadas

 É, Mata, difícil de entender a eliminação da Espanha na fase de grupos das Olimpíadas (Zimbio)

Espanha 0x1 Japão. Espanha 0x1 Honduras. Espanha 0x0 Marrocos. Em três jogos, nenhuma vitória e nenhum gol marcado. A Espanha que deixa Londres sai pelas portas do fundos. Favorita ao ouro, a equipe em momento algum brilhou, mostrou uma faceta negativa e um futebol diametralmente opostou àquele que deveria ser exercido e que já é costume na seleções de base espanhola. A geração, formada por jogadores como Jordi Alba, Javi Martínez e Juan Mata, campeões europeu com a principal há cerca de um mês, não pode ser totalmente crucificada, mas a falha é inadmissível. O blog tenta traçar alguns motivos da vergonhosa queda precoce da Fúria.

O melhor de Ander Herrera. Em maio, discutimos a forma física de Ander Herrera. Essencial para o Athletic Bilbao, o jovem foi bastante desgastado numa temporada em que a equipe disputou três torneios até o limite. O basco viveu um dilema e teve a opção de operar no final da temporada e perder os Jogos Olímpicos. Preferiu esperar e chegou em Londres totalmente abalado fisicamente. O resultado foi a presença no banco de reservas nos dois primeiros jogos, que culminaram na eliminação da Roja. Koke, seu substituto, assim como toda a Espanha, não brilhou e em momento algum foi o armador de jogadas que se esperava.

Thiago Alcântara. Cortado dos Jogos Olímpicos devido a uma lesão nas costas sofrida no final da temporada passada, o hispano-brasileiro foi a ausência mais sentida. Principal jogador na conquista do Europeu Sub-21 em 2011, o culé não viu em Isco, Rodrigo e Tello substitutos à altura. O senso de liderança do meia, seus dribles e, principalmente, seus passes fizeram a falta na hora da decisão. Faltou o dinamismo que Thiago dava ao meio-campo e suas mágicas jogadas tiradas da cartola.

"Ausências" dos melhores Mata e Adrián. Centralizado para criar jogadas devido a ausência de Thiago, Mata ficou sobrecarregado e naufragou junto à equipe, quando deveria puxar a responsabilidade. Faltou mais vontade do camisa 10, que, mesmo marcando na final da Eurocopa, convive com uma má fase vista desde a reta final da temporada passada com o Chelsea. Indiretamente ao mau torneio do jogador blue, Adrián nada fez. Dependente das enfiadas de bola dos meio-campistas, o colchonero tentou muitas vezes sair da área para construir as jogadas, mas em vão. Acostumado a jogador aberto à direita no Atlético de Madrid, não rendeu dessa vez de falso nove.

Má forma dos titulares. Mesmo se avançasse de fase demonstrando esse futebol, a Espanha dificilmente conquistaria o ouro. À exceção de Jordi Alba, Javi Martínez e David De Gea, que evitou um desastre maior na estreia contra o Japão, todo o resto do grupo mostrou-se abaixo da média. As participações fracas de Botía, Iñigo Martínez, Montoya, Muniain, Tello, Rodrigo, Oriol Romeu e dos já comentados Mata e Adrián fazem a gente recordar da Eurocopa de 2004, quando a Espanha também caiu na fase de grupos: peças-chaves apáticas e alegadamente cansadas. Houve várias decepções, que resultaram nessa queda tão cedo.

O oba-oba pré-Jogos. O clima de "já ganhei" afetou o vestiário. Ainda que Luis Milla ratificasse a cada coletiva que o grupo não estava com a cabeça na medalha de ouro, os jogadores fizeram questão de evidenciar isso nas diversas coletivas pré-Olimpíadas. De Gea, Mata, Azpilicueta e Adrián discursavam como se a Espanha já tivesse conquistado a medalha. O amistoso de preparação feito contra Senegal (perdido por 3x0) mostrou que o buraco seria mais embaixo e no final pode ser interpretado como uma tragédia anunciada. Acabou que a falta de humildade pesou. A bola puniu.

Apatia nas conclusões. O defeito que mais chatou a atenção. Contra a Honduras, um show de horror. Só Mata desperdiçou três claras chances na primeira etapa. Se a seleção principal é criticada justamente por não chutar a gol, ao menos a Sub-21 usa e abusa das finalizações. No entanto, mostrou ao longo do torneio muitas falhas na hora das conclusões. As múltipas chances jogadas para fora fizeram falta. Contra o Marrocos, a falta de contudência para derrotar a seleção mais fraca do grupo resumiu bem a vergonhosa campanha olímpica da Espanha em Londres, que deve ser apagada da recente história vencedora do futebol do país.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Decepcionante

Luis Milla iniciou com uma escalação mais tímida do que a habitual e começa a ser criticado pela imprensa espanhola (getty images)

A estreia da Espanha nos Jogos Olimpícos foi a mais decepcionante possível. A derrota para o Japão por 1x0 foi um duro golpe no psicológico de uma seleção que era taxada por muitas como favorita. Se o povo já temia o Brasil antes mesmo da abertura dos jogos, agora isso ganha mais força: o provável é que, se a Fúria avance, encare a seleção brasileira nas quartas-de-finais. Luis Milla, treinador da seleção, já tem um grupo em mente. A seleção sub-23 da Roja é base da equipe vencedora da Eurocopa Sub-21 há um ano e treina junto há praticamente três anos. Porém, para a partida contra o Japão, foi montada às pressas e evidenciou o peso dos desfalques, como Thiago Alcântara, Iker Muniain, Botía e Ander Herrera, que começou no banco. A esperança é que, com o retorno de três dos quatro nomes acima - o único, de fato, fora do torneio é o hispano-brasileiro -, a Espanha convença ante o Marrocos, em jogo que virou a primeira final para essa seleção.

É preciso entender que a formação espanhola foi ocasional. Luis Milla, que começa a ter seu nome criticado pela opinião pública, porém, contribuiu para o baile japonês, que poderia ter ganhado de mais de três gols. A defesa, exposta, sentiu a falta de Víctor Ruíz, um de seus pilares na competição europeia. O corte do catalão até agora não foi bem explicado. O meio-campo, que pouco criou, não teve em Isco e Rodrigo substitutos à altura de Muniain e Thiago Alcântara. Isso sobrecarregou Mata, que teve uma atuação abaixo da média. Pelo posicionamento de Isco e Rodrigo e o fato de Mata ter começado, durante boa parte dos ataques, a construção das jogadas atrás da linha de meio-campo, a Espanha pareceu ter atuado no 4-3-3.

Nesse módulo tático, Mata deveria desempenhar um papel semelhante ao de Iniesta no Barcelona, mas teve que ser Xavi: Koke, o encarregado de armar as jogadas para a seleção, foi outro que passou batido e não aproveitou a ausência de Ander Herrera para ganhar pontos com o treinador espanhol. O meio-campo teve bom controle de bola, mas foi muito pressionado pelos nipônicos, que fizeram uma marcação implacável nos 90 minutos do jogo. Além disso, com a bola, a seleção mostrou uma faceta negativa, sem objetividade nenhuma. O maior exemplo é o fato de Adrián não ter dado um chute a gol. A expulsão infantil de Iñigo Martínez, a maior revelação da Liga BBVA passada, só serviu para deixar o meio-campo ausente de um ladrão natural, porque Javi Martínez teve que ser recuado. Na hora do desespero, Milla deixou em campo apenas jogadores de centro do campo, retirando os ponteiros - tirou Rodrigo e Isco e colocou Ander e Oriol Romeu.

Mas o fator mais preocupante do jogo foi a defesa. Exposta e, sobretudo, lenta, foi o ponto de festa do Japão, que impôs muita velocidade pelo centro e ocasionou um surto na retaguarda espanhola. Álvaro Domínguez, Iñigo Martínez, Montoya e Jordi Alba não se entenderam e bateram cabeça. Talvez, apenas o novo barcelonista mostrou do que é capaz, mas foi bastante prejudicado pela partida abaixo da média dos companheiros. Botía não é muito melhor que Iñigo, mas já estava acostumado com Domínguez. Quem teve que segurar a barra pela fragilidade defensiva foi De Gea, que salvou a Roja de uma goleada histórica nessa estreia.

O resultado foi ruim, mas não é um desastre total. Honduras e Marrocos empataram no outro jogo do grupo e oferecem à Espanha a maior forma possível de se recuperar. Acontece que dificilmente esse selecionado japonês, que mostrou-se bastante contundente apesar dos deveras erros na hora da conclusão, irá tropeçar, o que coloca a Espanha no caminho do Brasil na segunda fase, sem dúvidas a seleção mais temida pelos espanhóis. Se quiser ganhar o ouro ainda, a seleção espanhola deve ser mais agressiva, nos mesmos moldes da equipe de um ano atrás. É claro que a sagacidade de Thiago Alcântara, que mandava e desmandava no meio-campo, faz falta, mas é precisa achar outros meios. Isco precisa atuar melhor do que foi hoje, porque tem futebol para isso. O retorno de Muniain e Ander Herrera deve dar mais liberdade a Mata, que não deveria se preocupar muito com a marcação como aconteceu hoje. Para pensar em medalha, a Espanha será obrigada a criar soluções.

domingo, 8 de julho de 2012

Missão Londres

 Campeã Europeu Sub-21 em 2011, a Espanha Olímpica vem aí para tentar sua segunda medalha de ouro (getty images)

Passada a Eurocopa, o futebol espanhol se prepara para mais uma competição importante: os Jogos Olímpicos 2012. Dessa vez, contudo, quem irá representar a Espanha são os garotos da equipe sub-21, campeã do europeu da categoria no ano passado. Na última quinta-feira, o técnico Luis Milla deu a conhecer os nomes que irão a Londres tentar a conquista da medalha de ouro pela segunda vez. Na única e primeira vez, em 1992, em Barcelona, o grupo liderado por Guardiola, Luis Enrique, Ferrer e Cañizares passou por Colômbia, Gana, Itália e, na final, Polônia para conquistar a inédita medalha. A última aparição da Roja em Olimpíadas havia sido em 2000, na Austrália, quando a geração de Puyol, Xavi, Tamudo, Luque, Marchena e Albelda foi prata para Camarões de Samuel Eto'o.

Ao contrário do que muitos pensam, a medalha de ouro olímpica está sendo tratada como prioridade. Quando assinou contrato com a RFEF, em 2009, Milla começou a construir todo seu trabalho em função das Olimpíadas. Uma base que vem sendo trabalhada há três anos para chegar em forma em Londres.  Chama a atenção o fato de não haver nenhum jogador acima de 24 anos no elenco. O mais velho? Mata, justamente com 24 anos. Muitos se perguntam sobre por que nomes como Xavi, Iniesta e Villa não foram chamados para ser os jogadores acima de 23 anos. A resposta é simples: para Milla, seu trabalho não deve ser misturado com o de Vicente Del Bosque. Ele possui seu grupo e Del Bosque, o dele. Por isso as convocações de Mata, Adrián e Javi Martínez como os nomes acima de 23 anos. Os três trabalham com Milla desde 2009 e, logicamente, estiveram na conquista da Eurocopa Sub-21 em 2011.

A influência do Barcelona no momento espanhol é inegável. Todos os já tão debatidos valores barcelonistas foram devidamente absorvidos pela seleção principal, incluindo um dos principais deles: a preparação cuidadosa e atenta daqueles que estarão no time A em alguns anos. A Fúria Olímpica não é diferente. Joga com a bola nos pés, tratando-a com paciência e fazendo um jogo psicológico com o adversário.  Aprimorar essa fidelidade ao modus operanti que se estabilizou na Fúria adulta foi um dos marcos do trabalho de Milla. Um grupo bastante coeso e disciplinado tecnicamente. O Brasil, por exemplo, é o maior favorito por ter em Neymar, um dos principais jogadores do mundo, seu principal destaque individual, enquanto a Roja se dá ao luxo de manter uma equipe muito forte coletivamente. Incisiva, utiliza a exaustão seus jogadores ofensivos do lado do campo. Jogando num 4-2-3-1 que varia para um 4-3-3 em determinadas jogadas, Mata e Muniain se juntam a Adrián no ataque para ludibriar os adversários.

A Espanha, entretanto, terá um desfalque de peso. Principal jogador da equipe no Europeu, Thiago Alcântara não estará presente em Londres. Uma lesão nas costas na reta final da temporada passada o deixará de fora dos gramados por mais um mês. É inegável que a ausência de seu principal cérebro fará falta, mas a temporada de Isco, seu provável substituto, poderá não deixar cair a qualidade do meio-campo. Se confirmar mesmo a entrada do jogador do Málaga, Mata deverá ser centralizado para articular as jogadas junto de Ander Herrera. Apesar de jogar mais pelos flancos do campo, o jogador do Chelsea tem talento o suficiente para armar as jogadas no centro do meio-campo. Vale lembrar que ele foi, com 13 assistências, o segundo maior assistente da Premier League passada, perdendo somente para seu compatriota David Silva.

O setor esquerdo do campo será o principal trunfo de ataque. Com Jordi Alba, que foi liberado pelo Barcelona a disputar a competição, e Muniain colocando velocidade, é dali que sairão as principais chances de gols. Se, na Euro, o lateral foi a principal revelação, a lógica é que, com um grupo onde ele joga junto há mais tempo, as Olimpíadas seja seu playground. De acordo com o Diário Sport, Tito Vilanova não teria ficado muito satisfeito com o fato de Alba perder a maior parte da pré-temporada, mas foi convecido a aceitar isso. Em 2008, Messi viveu situação semelhante. Porém, Joan Laporta, à época presidente, declarou que é o sonho de qualquer atleta ganhar uma medalha olímpica.

Além de Alba, a defesa é bastante segura e passa por poucos apuros. No gol, De Gea foi sempre seguro. Não à toa, a maturidade apresentada na Euro Sub-21 atestou as virtudes para que o Manchester United acertasse os últimos trâmites de seu contrato. À sua frente, no miolo de zaga, a dupla formada por Domínguez e Botía é discreta mas sóbria. Na lateral direita, Montoya sobe tanto quanto Alba, mas é possível que se contenha mais um pouco e fique mais na cobertura. Independente das escolhas, existe uma única certeza: com ou sem força máxima, a Fúria é candidatíssima ao título olímpico. 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Rumo ao ouro

Mata e Thiago disputarão a Euro e já afirmaram que estão à disposição de Luis Milla para jogar as Olimpíadas (telegraph)

No calendário da Federação Espanhola de Futebol há duas datas marcadas em negrito. A primeira é o dia 1 de julho, a final da Eurocopa. A segunda, o 11 de agosto. Às vésperas do encerramento dos Jogos Olímpicos, o ouro olímpico no futebol estará em disputa. Conquistar a medalha não é uma obsessão como no Brasil, quando a seleção sempre entra pressionada a ganhar algo nunca conquistado antes em sua história. Até pelo fato de já estar no currículo espanhol uma conquista em Olimpíadas (Barcelona 92'). Mas a seleção que vai a Londres é ambiciosa e chega, talvez, como máxima favorita, ao lado do Brasil.

Chegar à medalha irá requer bastante trabalho e mais futebol. Apesar do título Sub-21 europeu, os comandados de Luis Milla passaram por alguns apuros não previsto antes do torneio. A vitória suada na semifinal ante a Bielorússia evidenciou algums problemas da Rojinha. A marcação pressão feita pelos bielorrussos atrapalhou muito a saída de jogo; Javi Martínez ficou sobrecarregado; e a bola pouco chegou em Adrián. A vitória veio no talento. Quando nervosa e em situação de adversa, a seleção olímpica mostra-se frágil. Hoje, Milla terá pela frente um amistoso para definir e ajustar a equipe. Contra o Egito, são duas as importancias do confronto: o adversário é um dos que estarão em Londres e não há muitas datas específicas para se trabalhar o elenco. Daqui até a estreia nas Olimpíadas, há, além do jogo de hoje, apenas mais uma data FIFA disponível.

Quase todos os adeptos do futebol recordam o gol de Kiko naqueles dias loucos de Barcelona em 1992, mas não tanto que a Fúria leva 12 anos sem participar dos Jogos. A última participação, em 2000, acabou em medalha de prata, após derrota para Camarões na final. A vantagem da seleção hoje é o fato de contar com um grupo forte, coeso e que atua juntos já há algum tempo. Jogadores como Mata, Javi Martínez e Muniain são os principais em suas equipes e Thiago Alcântara é um dos canteranos mais promissores do Barcelona. Os craques do elenco já estão acostumados a lidar com a pressão e os jogos grandes. Há de se destacar que o regulamento do torneio permite levar três futebolistas maiores de 23 anos. A ideia da comissão técnica é não chamar nenhuma estrela da seleção principal, e sim o winger do Chelsea, o zagueiro-volante do Athletic Bilbao e Adrián López, artilheiro do Sub-21. Para Milla, não há de misturar seu trabalho com o de Del Bosque. Outro nome que não está descartado é Capel, sempre com boas apresentações pelas seleções de base e em boa temporada no Sporting de Lisboa.

Trata-se de dar prioridade àqueles que estiveram no título continental. Como a referência da UEFA é o início das eliminatórias, quem nasceu a partir de janeiro de 1988 pode ser chamado. Naturalmente, Milla aproveitou para incluir veteranos no grupo parcial. O treinador convocou seis jogadores que atuaram na principal para o torneio: Azpilicueta, Capel, Javi Martínez, Mata, Thiago Alcântara e Montoya. A Espanha precisa aproveitar como puder as oportunidades de desenvolver um grupo habituado a decidir para suceder a geração vitoriosa de Casillas, Xavi, Iniesta e Villa. Esses jogadores têm a chance de guiar a seleção a mais conquistas futuramente. E, passo a passo, levar o bi olímpico já seria um belo início.

O exemplo germânico está aí. Quando os garotos da Alemanha esmagaram a Inglaterra por 4 a 0 na decisão da Euro sub-21 de 2009, ensaiavam uma inesquecível Copa com a seleção principal no ano seguinte. Neuer, Jerome Boateng, Khedira e Özil, titulares na África do Sul, arrebentaram no torneio. O fato é que a seleção espanhola da categoria é muito boa. E pensar no ouro é algo real.

Time do colunista: De Gea (Manchester United); Montoya (Barcelona B), Botía (Sporting Gijón), Álvaro Domínguez (Atlético de Madrid), Didac Villà (Espanyol); Javi Martínez (Athletic Bilbao), Ander Herrera (Zaragoza); Mata (Chelsea), Thiago Alcântara (Barcelona), Muniain (Athletic Bilbao); Adrián (Atlético de Madrid).

Atualização 18h33
A Seleção Sub-21 acabou de vencer o Egito por 3x1. Enquanto a seleção de Mano suava para virar contra a Bósnia, a remontada roja saiu com tranquilidade e paciência. Álvaro Vázquez (duas vezez) e Koke marcaram. Curiosidade: a dupla é um dos bons valores da equipe Sub-20, a mesma que caiu para o Brasil no Mundial da categoria no ano passado. É difícil pensar nos dois como titular, mas é um plus de nível ao elenco. Milla iniciou o jogo num 4-3-3 ofensivo com Mariño (Villarreal B); Montoya (Barcelona B), Botía (Sporting Gijón), Álvaro Domínguez (Atlético de Madrid), Dídac Villà (Espanyol); Oriol Romeu (Chelsea), Ander Herrera (Athletic Bilbao), De Marcos (Athletic Bilbao); Cuenca (Barcelona), Adrián (Atlético de Madrid), Capel (Sporting Lisboa).

sábado, 8 de outubro de 2011

Foco na missão

Fúria mantém o 100% de aproveitamento nas Eliminatórias para a Eurocopa de 2012 (reuters)

Na coletiva antecedente ao jogo contra a República Tcheca, Vicente Del Bosque havia dito que sua equipe iria entrar em campo centrada na partida, mesmo com o objetivo já cumprido, que é se classificar à fase final da Eurocopa. E seus comandados cumpriram à risca o pedido do treinador: com a cabeça no jogo, venceram com tranquilidade os tchecos por 2 a 0, chegando a 21 pontos dos 21 possíveis. A boa notícia foi as notáveis exibições de David Silva e Juan Mata, reservas que vivem excelentes fases em seus clubes na Premier League e aparecem com boas opções para o torneio. Além disso, é só mais uma prova que Del Bosque tem nas mãos um elenco em profundidade, com jogadores reservas que, quando entram no onze inicial, sabem o que fazer.

Jogando em um 4-3-3 que se transformava em um 4-5-1, a Espanha dominou por completo a partida. Tanto é que, com seis minutos, já vencia a partida por um a zero através de Xavi e Mata. O meia blaugrana, que jogou solto no meio-campo, lançou em profundidade e milimetricamente o meia do Chelsea, que chutou no contrapé de Peter Cech para abrir o placar. Com o placar aberto, esperava-se uma Espanha administrando a partida. Mas o bom jogo e a boa disposição em campo duraram por muito mais tempo do que nas outras partidas, quando a Fúria costuma ter uma postura citada acima após abrir o placar.

Muito bem postada em campo, a Espanha continuava com o ímpeto ofensivo enorme. O adversário, desperado pelo empate e pressionado pela torcida, só assistia a troca de passes envolvente da Fúria. Para se ter uma noção maior, a seleção espanhola terminou a partida com uma porcentagem incrível de posse de bola: 81%, com 587 passes certos ao longo dos noventa minutos. O segundo gol não tardou a chegar: após dividir com Kadlec, Fernando Torres passou a bola meio que sem querer para um esforçado Silva, que, inteligentemente, levantou a cabeça e tocou com a parte externa do pé esquerdo para Xabi Alonso, solto no meio da área, bater à direita de Cech para marcar o segundo gol espanhol. Um balde de água fria para os torcedores tchecos que, antes da partida, confiavam na vitória de sua seleção.

A República Tcheca cometeu um erro primário: entregou de graça a bola à Roja. Busquets, Xabi Alonso, Xavi, David Silva e Mata domaram o meio-campo. O ataque foi o problema. Fernando Torres não aproveitou a chance dada por Del Bosque e parece cada vez mais distante da titularidade na Polônia e Ucrânia em 2012. Villa, que entrou no segundo tempo no lugar do Niño, deu mais mobilidade ao ataque, acertando duas bolas na trave. A postura exercida no segundo tempo foi a supracitada acima: a República Tcheca chegou a ensaiar uma reação, mas não passou de um perigoso chute de Baros defendido por Casillas. O lance crucial do segundo tempo aconteceu aos vinte e dois: Hübschmann chegou dividindo com Xabi Alonso e, por pouco, não quebrou a canela do volante. O tcheco foi expulso imediatamente e mostrou-se bastante culpado pelo lance (concordou com a expulsão e pediu desculpas a todos os espanhóis após o jogo).

Xabi imediatamente saiu de campo e ainda não se sabe a profundidade de sua lesão. A imprensa madrilenha especulou que Mourinho teria ligado a Del Bosque pedindo para que não forçe seu jogador na terça-feira, quando a Fúria encara a Escócia em jogo que promete ser pegado. Outros dois merengues também saíram de campo lesionados: Raúl Albiol e Sergio Ramos estarão inaptos para o duelo contra os escoceses. Enquanto isso, Fernando Torres não aproveitou bem sua chance, David Silva o fez com louvor. Após cutucar o treinador há duas semanas, quando havia dito que só não é titular pelo fato de não jogar no Barcelona ou no Real Madrid, El Mago jogou com tranquilidade no meio-campo e ainda deu uma assistência. E é assim que a Espanha vem firme e forte para a manuntenção do título europeu.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A noite de Diego Alves

O gol foi de Soldado, mas o principal responsável pelo empate do Valencia contra o Chelsea foi Diego Alves (getty images)

Contratado por 6 milhões de euros junto ao Almería, Diego Alves começou a temporada relegado ao banco de reservas do Valencia. A preferência por Guaita sempre foi clara em Unai Emery, que só havia utilizado o brasileiro apenas uma vez antes (contra o Genk, também pela Champions League). Ontem, Diego Alves foi titular novamente e ganhou, certamente, muitos créditos com o técnico: foi, de fato, El Paredón e parou quase todos os ataques do Chelsea, garantindo o empate do Valencia no Mestalla.

Os ingleses foram os primeiros a assustar, e com um espanhol. Fernando Torres recuperou a bola no ataque, invadiu a grande área, mas foi desarmado por Adil Rami aos três minutos. Pouco depois, aos 14, Frank Lampard em cobrança de falta obrigou o goleiro brasileiro Diego Alves a fazer grande defesa. A primeira chance do Valencia só veio aos 26 minutos, quando Jordi Alba cruzou na área e Pablo Hernández desperdiçou uma ótima oportunidade de gol.

No segundo tempo o Chelsea voltou com tudo, pressionando demais o Valencia. Aos seis e nove minutos, Diego Alves salvou duas finalizações de Fernando Torres. Mas aos 11 não teve jeito: Florent Malouda cruzou na área e Frank Lampard bateu cruzado para fazer 1 a 0. Após levar o gol, os donos da casa melhoraram e passaram a atacar mais, principalmente por conta das entradas de Pablo Piatti e Jonas. E finalmente, aos 42 minutos, o Valencia conseguiu a igualdade: Salomon Kalou cometeu pênalti e Roberto Soldado deixou tudo igual.

Messi à Kubala
O outro representante espanhol a entrar em campo nesta quarta-feira foi o Barcelona. E, apesar da goleada por 5 a 0 frente ao Bate Borisov, da Bielorrúsia, a principal notícia da noite foi o fato de Messi, com um doblete, ter alcançado a marca de 194 gols de Kubala, tornando-se o segundo maior artilheiro da história do Barcelona.

A vitória dos blaugranas foi desenhada com tranquilidade desde o começo da partida. Contra um Bate deveras ingênuo na marcação, incapaz de acompanhar a movimentação de um time que encontra espaços onde não parece existir, o placar ficou até barato para o time da casa. Prova maior da ingenuidade bielorrussa foi o fato de três dos cinco gols terem saído por falha diretas da equipe.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Há vida sem Juan Mata?

Pensativo: Unai Emery ainda não tem muito em mente quem escalar no lugar de Mata, que rumou para o Chelsea. Piatti aparece como primeira opção (marca)

Após concluir a venda de Mata para o Chelsea nos últimos dias do mercado de verão, Unai Emery logo se viu numa enrascada: haverá criação no meio-campo sem seu principal jogador na última temporada? O presidente Manuel Llorente não precisou ir ao mercado nos últimos dias para comprar um substituto à altura do ex-camisa 10. No elenco, Emery já conta com sete jogadores das características de Mata para a meia-esquerda.

À disposição de Unai, estão Sergio Canales, Pablo Hernández, Sofiane Feghouli, Pablo Piatti e o canterano Bernat, que irá ganhar mais minutos nesta temporada, além dos laterais esquerdos Jordi Alba e Jerémy Mathieu, que apareceram nessa posição em alguns jogos da pré-temporada. Enquanto Mata estreou com o pé direito no Chelsea, na mesma tarde, o Valencia estreava na Liga BBVA contra o Racing Santander.

O mistério por seu substituto se desfez com bastante surpresa: Emery optou pela titularidade do jovem Bernat, que aparecia como última opção, ao invés dos outros jogadores mais experientes. Dias antes do duelo, o técnico já havia acenado com a possibilidade de Bernat iniciar entre os titulares. Na estreia do Valencia Mestalla na Segunda División B contra o Orihuela, o jogador foi cortado da partida sem motivo algum para reforçar o treinamento da equipe A, que se preparava para a partida. Na pré-temporada, o jovem já havia deixado o treinador bastante satisfeito após uma partida amistosa contra o Sporting, juntamente com Piatti.

O ex-Almería monopolizou a parte esquerda do meio-campo em partidas nas quais Mata não disputou na pré-temporada. Apesar de ter começado no banco contra o Racing Santander (entrou na volta à segunda etapa), o argentino é, hoje, a primeira opção de Unai para ser o substituto natural do jogador blue. Canales também joga muito preso à esquerda, embora tenha se destacado no Racing Santander jogando mais pelo meio, na ligação ao ataque. É essa a ideia inicial de Emery com o jogador pertencente ao Real Madrid: jogador com liberdade pelo meio em 4-2-3-1, esquema que está se tornando praxe na equipe blanquinegra.

O dinamismo dos jogadores ofensivos do Valencia propicia que, na linha de três jogadores atrás do centroavante, os meio-campistas se revezem durante muitos momentos da partida, algo semelhante ao esquema do Real Madrid. Para o duelo de amanhã contra o Atlético de Madrid, válido pela segunda rodada, a opção mais plausível para iniciar é, justamente Piatti, com Dani Parejo no suporte a Soldado. Adepto às rotações, é provável que Unai ainda mude muito até achar, com firme certeza, o substituto de Mata, que, por sua vez, vai se tornando o xodó da torcida do Chelsea.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Reencontros, sorte e azar

Guardiola e Ibrahimovic irão se reencontrar no dia 13 de setembro. Sairá faísca? (reuters)

O dia de hoje foi bastante cheio para o futebol espanhol. O fato mais importante, obviamente, foi o sorteio da Liga dos Campeões, que reservou aos clubes espanhóis um gostinho de dèjá vu. Enquanto Barcelona e Real Madrid caíram em grupos bastantes acessíveis, Valencia e Villarreal não tiveram tanta sorte: os amarillos estão no grupo mais equilibrado da Champions, junto com Manchester City, Napoli e Bayern de Munich; enquanto os chés jogarão contra Chelsea e Bayer Leverkusen, além do Genk, campeão belga, para tentar avançar de fase.

O grande motivo de prazer geral é que a competição terá, na primeira rodada, o jogaço entre Barcelona e Milan, que caíram no mesmo grupo, o H. Adversários de uma semifinal há seis temporadas, o jogo irá marcar o tão esperado reencontro entre Ibrahimovic e Guardiola. O sueco considera o treinador o grande responsável pelo seu fracasso no clube blaugrana e, volta e meia, dispara contra Pep, taxando-o e ironizando-o de filósofo. A disputa entre as duas equipes será "apenas" para definir o primeiro colocado do grupo: os outros dois times do grupo, BATE e Viktoria Plzen, não irão requer tanto para rossoneris quanto para blaugranas um esforço maior.

O Real Madrid, outro cabeça-de-chave espanhol, também teve sorte no sorteio: pegou um grupo acessível, com Lyon - em uma fase não tão boa -, Ajax e Dínamo Zagreb. Os merengues irão encarar novamente o Lyon, após dois confrontos de oitavas-de-finais consecutivos. As duas equipes irão se enfrentarem pela décima vez em menos de oito temporada, com uma vantagem clara para o Lyon: foram três vitórias em oito confrontos, além de quatro empates e apenas uma vitória merengue, na temporada passada. As partidas também irão marcar um novo reencontro entre Benzema e a torcida lionesa.

O Valencia está num grupo traiçoeiro, junto com o Chelsea, que deve terminar em primeiro, e Bayer Leverkusen, que irá disputar com os chés a segunda vaga do grupo. Tanto Valencia quanto o Bayer perderam seus principais jogadores no mercado: enquanto Vidal se transferiu para a Juventus, o Valencia viu Mata se transferir justamente para o Chelsea. Porém, os blanquinegros largam na frente por ter um elenco já mais experientes em competições europeias e que podem até surpreender o poderoso clube londrino. Por ironia do destino, Mata irá se reencontrar com o Valencia logo após ter se transferido para os blues.

Dentre todas as equipes espanholas, o Villarreal foi a que menos pôde sorrir. Junto com Bayern de Munich, Manchester City e Napoli, os castellonenses vão ter que jogar à toda caso queira sonhar em avançar de fase. Em tese, a equipe treinada por Juan Garrido irá disputar a terceira colocação - que dá uma vaga na Liga Europa como prêmio de consolação - com o Napoli. Na temporada passada, as duas equipes se enfrentaram pela semifinal da Liga Europa e, com um empate na Itália e uma vitória na Espanha, o Submarino Amarelo levou a melhor, avançando de fase. Rossi ainda é uma incógnita no mercado, pois a Juventus tem muito interesse em levá-lo de volta à Itália. Entretanto, o italiano já começou a temporada decidindo, e muito dificilmente Fernando Roig irá liberá-lo, já que não precisa fazer mais caixa após a classificação à fase de grupos da Champions.

Liga Europa
O dia também reservou os jogos da Liga Europa. Enquanto o Athletic Bilbao não precisou jogar porque seu adversário, Trabzonspor, herdou a vaga do Fenerbachçe, eliminado pela federação turca por corrupção, na Champions League, Atlético de Madrid e Sevilla entraram em campo para disputar os jogos de volta. O Atlético de Madrid bateu com facilidade o Vitória de Guimarães: 4-0, com mais dois gols de Adrián López e um de Salvio, um dos extracomunitários do clube, que terá que se livrar de um após a chegada de Falcão García ter limitado a cota.

O Sevilla, por sua vez, decepcionou: após ter perdido na Alemanha por 2 a 1, bastava uma simples vitória por 1 a 0 para avançar de fase. Os rojiblancos, entretanto, decepcionaram: empataram por 1 a 1 jogando no Ramón Sánchez Pizjuan e deram adeus precocemente à Liga Europa, assim como, há um ano, foram eliminados nos play-offs da Champions League para o Braga, de Portugal. O jogo será mais detalhado daqui a pouco, em um texto de Claudio Araujo. Amanhã, a Uefa irá sortear os grupos da segunda principal competição europeia. O Atlético de Madrid será um dos cabeças-de-chaves, enquanto o Athletic Bilbao fica no pote 2.

Confira todos os grupos da Liga dos Campeões da Uefa
Grupo A: Bayern de Munique, Villarreal, Manchester City e Napoli
Grupo B: Inter, CSKA Moscou, Lille e Trabzonspor
Grupo C: Manchester United, Benfica, Basel e Otelul Galati
Grupo D: Real Madrid, Lyon, Ajax e Dínamo Zagreb
Grupo E: Arsenal, Marseille, Olympiacos e Borussia Dortmund
Grupo F: Porto, Shakhtar Donetsk, Zenit e APOEL
Grupo G: Chelsea, Valencia, Bayer Leverkusen e Racing Genk
Grupo H: Barcelona, Milan, BATE Borisov e Viktoria Plzen

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Nada a temer

Italianos celebram o gol da vitória diante da Campeã Mundial. Apesar do revés, a seleção de Vicente Del Bosque continua firme no caminho certo (uefa.com)

O estádio San Nicola, casa do Bari, foi palco de um dos principais amistosos dessa quarta-feira de data FIFA. Com a pré-temporada na sua fase final e os jogadores ainda pregados fisicamente por causa dos inúmeros testes físicos, o Itália x Espanha de hoje não deixou a desejar. Para a campeã do mundo, nada que possa assustar. Para a Itália, a confirmação de que o caminho a seguir é este mesmo.

Vicente Del Bosque, respeitando acordos com Barcelona e Real Madrid, que disputam no próximo final de semana a Supercopa Espanhola, optou por uma escalação mista no início dos 90 minutos, abdicando de seu 4-3-3 utilizado após a Copa do Mundo para jogar no 4-2-3-1. Já Cesare Prandelli montou a Azurra em um 4-3-1-2, apostando em Montolivo, da Fiorentina, como trequartista.

A primeira etapa começou com amplo domínio dos donos da casa. Cassano, que jogava no estádio da cidade onde nasceu e que pertence ao clube que o projetou, investia forte em cima de Arbeloa pela esquerda defensiva da Fúria. Do outro lado, David Silva não acompanhava as subidas de Criscito ao ataque. E foi do quatro italiano a primeira real chance de gol, logo aos quatro minutos, quando Casillas viu tremer sua meta após um chutaço na trave vindo da entrada d'área. A Azurra era melhor e, em jogada pela esquerda, Criscito deixou o meia Montolivo cara a cara com o camisa um espanhol e o jogador da Fiorentina tocou por cima do goleiro, abrindo o placar para a Itália.

Quatro minutos depois, Fernando Torres - isolado no ataque e sem tocar na bola - aparentemente sentiu uma lesão muscular e deixou o gramado para a entrada de Fernando Llorente. Mas nada parecia fazer voltar o ritmo natural do jogo da Fúria, que acusava a falta de Xavi na meia cancha. A solução que Del Bosque achou para igualar o jogo foi pedir para o time marcar pressão o campo todo, o que gerou a primeira chance de gol espanhola com Cazorla, que chutou por cima do gol aos 33 minutos após jogada de Iniesta.

Logo em seguida, em jogada pela esquerda do próprio Cazorla, Llorente foi agarrado pelo braço por Chiellini: pênalti. Bola no meio do gol, Buffon caído para o lado esquerdo e gol de Xabi Alonso: 1 a 1. Ainda na primeira etapa, o selecionado italiano perdeu duas boas chances, uma com cada atacante: primeiro Rossi, depois Cassano pararam em grandes intervenções de Casillas. No último minuto, mais uma baixa na Fúria: Piqué sentiu desconforto muscular e deu lugar a Sergio Busquets. Problemas maiores para o Barcelona, porque o volante, ao término da partida, também deixou o estádio com problemas musculares.

Para a segunda etapa, Vicente Del Bosque continuou a poupar algumas de suas estrelas: saíram Iniesta, Casillas e Iraola para as entradas de David Villa, Victor Valdés e a tão aguardada estreia do menino Thiago Alcântara. As mudanças acarretaram algumas improvisações na equipe espanhola, nada que fosse alterar o 4-2-3-1 idealizado pelo comandante: Busquets, mostrando mais uma vez sua polivalência, jogou na lateral direita. Javi Martinez formou dupla de zaga com Albiol, enquanto Thiago jogou ao lado de Xabi Alonso na volância.

O ritmo italiano diminuiu na segunda etapa, o que facilitou o domínio dos campeões do mundo. David Villa e, principalmente, David Silva obrigaram Buffon a fazer pelo menos três boas defesas. Juan Mata, que entrou no lugar de Cazorla durante o segundo tempo, protagonizou o lance mais curioso do jogo: após centro da esquerda de Silva, o camisa treze conseguiu volear a bola, mas Llorente, que tentava sair da linha da bola ao jogar-se no chão, impediu a bola de chegar ao gol italiano.

Mas o castigo para o bom segundo tempo espanhol veio no final por intermédio de dois suplentes. Pazzini recebeu a bola na grande área e rolou para trás onde estava Aquilani, que chutou de primeira e contou com o desvio em Javi Martinez para enganar Valdés e dar a vitória para a Azurra. Balotelli e Bonucci ainda desperdiçaram chances de ampliar o marcador, cuja justiça apontaria para uma igualdade, já que os italianos começaram melhor, mas os espanhóis dominaram a segunda metade do amistoso.

Como podemos notar pela ausência no texto, a estreia de Thiago Alcântara na Fúria foi bem discreta. Atuando ao lado de Xabi Alonso, mais recuado que o de costume no Barcelona, e tendo que auxiliar a marcação pelo lado do improvisado Busquets no setor mais forte de ataque adversário, o jovem talento participou pouco das ações ofensivas espanholas. Ao que tudo indica, ele deverá ter uma continuidade no grupo de Vicente Del Bosque e pode receber chances na linha ofensiva que abstece o isolado atacante do esquema 4-2-3-1 da Fúria.

Outro destaque dos campeões do mundo no jogo foi David Silva, que parece estar disposto a recuperar seu futebol da época de Valencia. Silva merece menção pelo grande segundo tempo, quando trocou sistematicamente de posição com Cazorla e Mata, confundindo a marcação adversária.

A campanha tranquila nas Eliminatórias da Euro 2012 deve ter sequência no mês que vem sem maiores dificuldades. Apesar de não superar nenhuma seleção das chamadas "de grande porte" após vencer a Copa do Mundo, a Fúria deve fazer o dever de casa e patrolar a fraca seleção de Liechtenstein.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Campeones Del Mundo: Juan Mata

Mata ganhou a Eurocopa Sub-19 e Sub-21 com as seleções de base e o Mundial com a seleção principal (getty images)

Na Espanha, poucos meio-campistas são tão completos quanto Juan Manuel Mata. Capitão do Valencia, o jogador alia a técnica para distribuir passes precisos à boa marcação quando necessário, dando-lhe uma capacidade ímpar de organização de jogo. Sua posição natural dentro dentro de campo é a meia-esquerda, ainda que jogue, naturalmete, como segundo atacante ou ponta, dependendo do esquerma. Em 2007/2008, com Ronaldo Koeman como treinador do clube ché, atuou muitas vezes como extremo pelo flanco direito do 4-2-3-1 do holandês. Entretanto, "manifestou" publicamente que, por ser canhoto, o flanco esquerdo é seu lugar preferido. Pedido atendido: Koeman o colocou no setor esquerdo e Mata nunca mais saiu da equipe titular.

El Mágico iniciou sua carreira futebolistica nas canteras do Oviedo, principal clube de sua cidade natal, Burgos. Com 12 anos, já mostrava uma técnica impressionante, além da velocidade e da naturalidade para dar passes e assistências precisas. O assédio do Real Madrid era enorme, e os azulones não conseguiram segurar o jovem Mata. No clube merengue, com 15 anos, chegou com status de grande promessa e foi o principal jogador da equipe juvenil A: na temporada 2005/2006 ganhou a Liga e a Copa del Rey, onde foi eleito o melhor jogador das duas competição. Com 17 anos, foi convocado para a disputar a Eurocopa Sub-19 com a seleção espanhola e seguiu mostrando suas virtudes: acabou o torneio como campeão e melhor jogador, marcando quatro gols e dando cinco assistências.

Não demorou muito para que Mata subisse para o Real Madrid Castilla: em 2006/2007, já era titular da filial merengue que disputava a Segunda División B. Mais deslocado para a esquerda do que de costume, devido ao 4-3-3 de Juan Ferrer, treinador do Castilla à época, terminou a temporada com dez gols (ficando atrás apenas de Álvaro Negredo) e oito assistências. Bernd Schuster, que havia sido eleito o novo treinador da equipe principal do Real Madrid em 2007/2008 após boa campanha com o Getafe, chamou três jogadores da filial para treinos da pré-temporada. Contudo, mesmo sendo um dos principais jogadores da filial e vindo de um bom Mundial Sub-2, Mata não fora chamado pelo alemão, o que acabou gerando bastante controvérsias nos bastidores merengue: o jogador era xodó de Ramón Calderón, presidente do Real Madrid à época.

Sem muitas chances em Chamartin, acabou rumando ao Valencia sem ao menos ter jogado uma partida pela equipe principal dos merengues. Nos blanquinegros, um déjà vu: inicialmente fora jogador do Valencia Mestalla (filial da equipe A) e não sendo aproveitado por Quique Sánchez Flores na equipe principal. Porém, ao contrário do que aconteceu na capital, El Mágico não abaixou os braços e continuou jogando com a filial. Com a chegada de Koeman para substituir Quique, as participações de Mata com a equipe principal passaram a ser mais habituais. Na Liga BBVA, o Valencia passou por uma de suas maiores crises nos últimos anos, o que serviu para os chés concentrarem-se mais na Copa do Rei.

Na segunda principal competição nacional, Mata se destacou: marcou cinco gols, sendo um contra o Barcelona na semifinal decisivo, foi o artilheiro do Valencia (vice-artilheiro da competição) e acabou campeão, após vitória na final ante o Getafe. No campeonato espanhol, foram poucos minutos, mas quatro gols. A partir de 2008/2009, tudo ganhou novo rumo para o meio-campista (e para o Valencia). Após um início bastante promissor, porém, o Valencia acabou falhando na reta final e perde uma vaga na Champions League. Individualmente, a temporada de Mata foi notável. Marcou doze gols e deu assistência para seis, além de formar parte do tridente ché, ao lado de David Villa e David Silva. Os três, juntos, garantiram 71% dos pontos do Valencia na Liga e participaram de 34 dos 55 gols da equipe de Unai Emery, uma porcentagem de 62% de acerto.

Na temporada 2009/2010, o Valencia voltou a se classificar para a Champions League, com Mata mais efetivo e vestindo a camisa dez, procedente de Angulo. Seus números aumentaram: 14 gols e oito assistências. O prêmio pela boa temporada foi a convocação para a Copa do Mundo, onde não titular devido a concorrência com jogadores como Iniesta, Xavi e, se deslocado, Pedro. Nos amistosos de preparação, chegou a ser titular contra a Arábia Saudita, mas não foi bem, atuando mais isolado do que de costume no 4-5-1 de Del Bosque.

No retorno a Paterna, Mata sabia que iria se tornar o protagonista: o Valencia não conseguiu segurar David Villa e David Silva, que rumaram para o Barcelona e para o Manchester City, respectivamente. Em uma de suas enrolações, o Marca chegou a confimar que o Barcelona havia pagado 20 milhões e contratado o jogador. Apesar de Unai ser adepto às rotações, Mata raramente sai da equipe titular e, após pegar a braçadeira de capitão, tornou-se, literalmente, um líder nato dos vestiários, mesmo com apenas 22 anos. Eleito um dos destaques do Valencia no especial Balanço Geral feito pelo blog, renovou seu contrato com os chés em janeiro de 2011. Fechou a temporada com o título do Europeu Sub-21, tornando-se, junto com Javi Martinez, os dois únicos jogadores a conquistarem primeiro a Copa do Mundo e depois a Eurocopa da categoria.

Apesar das muitas investidas do Liverpool, Barcelona, Arsenal e Tottenham, Manuel Llorente, presidente do Valencia, afirmou em uma entrevista ao Superdeporte (leia aqui) que o clube não pretende se desfazer de seu principal jogador. O Barcelona chegou a ficar de olho no jogador caso a contratação de Alexis Sánchez falhasse, mas o chileno está muito próximo dos blaugrana. Possivelmente, Mata irá continuar mesmo no Valencia, que chegará forte para a nova temporada: conseguiu a manuntenção da base terceira colocada da temporada passada e trouxe os bons Piatti e Dani Parejo. É esperar para ver.

Juan Mata
Nome completo: Juan Manuel Mata García
Data de nascimento: 28 de abril de 1988, em Burgos, Espanha.
Posição: Meio-campista.
Clubes: Oviedo, Real Madrid Castilla e Valencia
Títulos: Copa do Rei 2007/2008, Eurocopa Sub-19 2006, Eurocopa Sub-21 2011 e Copa do Mundo de 2010.

domingo, 26 de junho de 2011

A cereja do bolo

Excelente geração espanhola deixou boa imprensão na Euro Sub-21, coroada com o título invicto da competição (AS)

Após garantir a vaga nos Jogos Olímpicos de 2012, restava à Espanha a cereja do bolo: conquistar o título da competição após treze anos. Mantendo seu estilo e sem levar sustos como na semifinal, a Espanha não teve muita dificuldade para bater a Suiça por 2 a 0 e conquistar o tri-europeu da categoria sub-21. Após a decepção contra a Inglaterra, a euforia ante República Tcheca e Ucrânia, e o sofrimento ante a Bielorrúsia, a Roja não quis experimentar um novo tipo de ânimo frente a Suiça, seleção que chegava à final invicta e sem sofrer nenhum gol.

A seleção alpina chegava à final com múltiplas possibilidades de criar problemas à Espanha. Afinal, a base desta seleção, que promete dificultar a vida das principais seleções nas Olimpíadas, é a mesma que ganhou o Mundial Sub-17 em 2009. Porém, a qualidade espanhola praticamente anulou as peças-chaves da seleção suiça. Javi Martínez e Mata, primeiros jogadores da história da competição a ganhar a Copa do Mundo antes da Euro, lideraram uma equipe com bastante jogadores promissores: Thiago Alcântara, Muniain, Ander Herrera, Adrián López - artilheiro e eleito o melhor do torneio -, Montoya e Didac deixaram o campeonato com boas imprensões.

O título é uma premiação ao excelente trabalho de Luis Milla, que não ousou em mexer na equipe até achar o módulo e a escalação perfeita. O 4-4-2 - esquema muito priorizado pelo treinador - da fase eliminatória e da estreia do campeonato não deu certo na competição, e Milla optou por um compacto 4-2-3-1 que variava para um 4-1-4-1 nas jogadas de ataque. Com Ander Herrera dando equilíbrio no meio, uma linha de três letal formada por Mata, Thiago e Muniain e Adrián saindo-se muito bem como única referência na frente, a Fúria desempenhou o futebol mais bonito da Euro e mostrou que a geração campeão europeia e mundial está bem servida para as próximas copas. O corte de Canales, um dos principais jogadores da primeira fase, no final de contas, acabou não fazendo tanta falta, apesar da equipe perder um pouco no drible para ganhar mais na priorização da posse de bola com a entrada de mais um meio-campista (no caso, Muniain).

A final
A primeira chance real de gol aconteceu aos 29 minutos de jogo. Depois de receber um cruzamento, Xherdan Shaqiri pegou de primeira e mandou uma bomba contra as metas espanholas. David de Gea espalmou e a pelota foi para escanteio. A Espanha respondeu sete minutos depois, em uma boa finalização de fora da área de Thiago Alcântara. Mas a bola passou à direita do goleiro Yann Sommer. Aos 41 minutos, a Roja abriu o placar. Didac Villà cruzou na medida para Ander Herrera, que cabeceou e fez o primeiro gol da partida.

No segundo tempo, aos seis minutos, Innocent Emeghara ficou frente a frente de David de Gea. O suíço deu um chute fraco e rasteiro e o goleiro não teve dificuldades para segurar a bola. A Espanha tentou fazer o segundo gol, aos 17 minutos, em chute alto de Javi Martínez, depois que este recebeu de Thiago Alcântara. Os suíços quase igualaram o marcador aos 33. Shaqiri cobrou falta e Timm Klose cabeceou. A pelota passou a direita de David de Gea. Aos 36,' a Roja aumentou o marcador, em um golaço de Thiago Alcântara. O filho do ex-jogador Mazinho cobrou falta e não deu chance de defesa para o goleiro suíço.

Com 2 a 0 no placar final, a Espanha se sagrou tricampeã do Europeu sub-21. A Roja já tinha conquistado a competição em 1986 e 98. A Suíça, por outro lado, nunca tinha alcançado a final do sub-21.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Fúria olímpica

É festa: Espanha bate Bielorrúsia na prorrogação e, onze anos depois, garante vaga nas Olimpíadas (AS)


Custou mais que o previsto, mas a Espanha deu a volta por cima e assegurou a vaga para a final da Eurocopa Sub-21 e para os Jogos Olímpicos de Londres 2012. Onze anos após a última participação em uma Olimpíadas, quando acabou ganhando a medalha de prata após perder para Camarões na final, a Fúria está de volta a competição para tentar a segunda medalha de ouro de sua história (a primeira, em 1992, em Barcelona). Os comandados de Luis Milla começaram perdendo, mas Adrián, com gois gols, e Jeffren viraram para a roja.

Durante os primeiros 90 minutos, a Bielorrúsia dificultou muito a vida da fúria. No momento em que a Espanha jogava melhor, Voronkov acertou um belo chute para vencer De Gea e abrir o placar para os bielorrussos. Daí em diante, a Fúria teve que jogar com a paciência, uma das principais virtudes da seleção sub-21 no torneio. No segundo tempo, a Roja cresceu um pouco de produção. Contudo, não levava muito perigo às redes de Gutor devido a boa defesa da Bielorrúsia.

Para abrir mais o jogo e explorar os lados do campo, Luis Milla optou por sacar Muniain e Ander Herrera, bem abaixo da média na partida, para colocar em campo Jeffren e Capel nos flancos. Com isso, trocou o módulo espanhol para um 4-1-4-1, com Javi Martínez como único jogador atrás da linha de quatro. Jeffren, entretanto, parecia nervoso e entrou errando tudo que tentava. Didac, pela esquerda, deu boas opções ofensivas ao subir bastante e Mata começou a subir de produção.

Antes dos 40', Milla optou por uma nova troca e uma nova formação: Alvaro Domínguez deu vez a Bojan e a seleção espanhola mudou para um 3-1-4-2. Com mais um atacante com presença de área, Adrián passou a se movimentar mais na zaga adversária e cresceu na partida. Aos 43', o novo jogador do Atlético de Madrid recebeu de Jeffren e bateu firme para igualar o marcador e fazer Milla respirar aliviado.

Na prorrogação, a Bielorrúsia mostrou-se claramente cansada, e a Fúria aproveitou para selar a classificação à final. Jeffren e Capel passaram a participar mais da partida e Javi Martínez foi boa opção para o ataque. Aos 15 minutos do primeiro tempo extra, Diego Capel chutou de voleio e Adrián cabeceou e marcou o gol da virada. Jeffrén Suárez balançou as redes para os espanhóis aos oito do segundo tempo da prorrogação. O meia-atacante do Barcelona fez um golaço depois de pegar o rebote. Agora, a seleção de Luis Milla irá encarar a Suiça, que venceu seus quatro jogos na competição. Porém, a concentração na final fica para depois: após doze anos, a seleção espanhola está de volta aos Jogos Olímpicos.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Avante

Melhor jogador da Eurocopa-Sub21 ao lado de Thiago, Mata marcou dois e deu mais uma assistência (reuters)

De forma tranquila, a seleção espanhola sub-21 venceu a Ucrânia por 3 a 0 e garantiu uma vaga na semifinal da Eurocopa da categoria. A vaga nas Olimpíadas de Londres 2012, no entanto, ainda não está garantida: devido a eliminação da Inglaterra, que perdeu para a República Tcheca, a Espanha ainda terá pela frente a seleção da Bielorrúsia para, se vencer, confirmar a classificação ao torneio. Ao término da fase de grupos, a seleção de Luis Milla termina na primeira colocação com sete pontos, duas vitórias e um empate.

Contra a Ucrânia, a Espanha voltou a jogar em alto estilo. Novamente escalada no 4-5-1, os espanhóis não suaram muito para chegas às redes ucraniana. O meio-campo foi o principal setor novamente e ratificou a ideia de que a seleção espanhola está muito bem servida nesta posição. Thiago brilhou, Muniain deu mais dinâmica, Javi Martínez fortaleceu, Ander Herrera deu um toque especial e Mata decidiu: foram dois gols e mais uma assistência para Adrián marcar, contabilizando sua terceira no torneio, líder máximo no quesito. O jogador do Valencia, junto com Thiago Alcântara, está brilhando na competição e, para muitos, já pode ser considerado o melhor jogador desta Euro.

A chave da seleção de Luis Milla é ser uma versão "light" da seleção principal. Aplicados, concentrados e velozes, La Rojinha é disparadamente a seleção favorita a conquistar a Euro Sub-21. Ontem, a Ucrânia, bastante inofensiva, sofreu nas mãos dos comandados de Milla. Um pouco sumido na primeira etapa, Thiago acordou no segundo tempo e mostrou ser bastante decisivo quando explorado. O segundo gol de Mata, de pênalti, teve participação do meia do Barcelona. Outro jogador das canteras do Barcelona que vem fazendo belo torneio é o zagueiro Montoya. Seguro e perigoso nos escanteios ou faltas cobradas para a área adversária, Montoya já vem sendo comparado com Piqué.

Mas nem todos estão satisfeitos nos vestiários. Bojan, reserva de Adrián, está ganhando poucos minutos e "reclamou" abertamente com Luis Milla. Em três partidas, Bojan disputou apenas 20 minutos, o suficiente para, em declarações ao Marca, dizer que "tem potencial e que poderia ser aproveitado mais". A Espanha, campeã europeia sub-21 em 1986 e 1998, caminha firme para o tricampeonato e, na quarta-feira, fará sua primeira final, contra a Bielorrúsia.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Mais tranquilo

Agora sim: com Mata mais efetivo do na estreia e dois gols de Adrián López, a seleção espanhola sub-21 venceu e está a um empate das Olimpíadas de Londres 2012 (getty images)

Após o empate na estreia e a certa decepção pelo futebol não apresentado, a Espanha conseguiu seus três primeiros pontos na Eurocopa Sub-21. Contra a República Tcheca, que ainda não havia perdido nenhuma partida desde a fase eliminatórias, a seleção de Luis Milla animou e, ao contrário da partida contra os ingleses, o ataque mostrou uma enorme evolução. Com Muniain no lugar de Jeffren, a seleção ganhou mais velocidade e drible pelo lado esquerdo do campo e o 4-5-1, com Mata, Thiago e Muniain auxiliando Adrián López, deu certo. A pressão por um retumbante fracasso na competição caiu por água abaixo após o jogo, já que, no momento, um simples empate diante da Ucrânia na última rodada classifica a seleção espanhola.

Com uma única mudança em relação à estreia, a Espanha mostrou desde o início sua proposta de jogo: ter a posse de bola e não deixar o adversário respirar na partida. Escalada na 4-1-4-1, a República Tcheca pouco ameaçou a meta de De Gea, que pela segunda vez consecutiva não teve que se esforçar muito. O meio-campo formado por Javi Martínez, Ander Herrera, Thiago Alcântara e Mata deu muito certo e tomou conta da partida. Com 62% da posse de bola, destaque para a entrada de Muniain na equipe titular, dando mais mobilidade à equipe. Mata, um pouco exausto na estreia, esteve mais solto hoje e provou a condição de maestro desta equipe: deu duas excelentes assistências para os tentos de Adrián López e já vem sendo alcunhado pela imprensa espanhola de "Iniesta da Sub-21".

Javi Martínez, que, junto com Mata, esteve no título mundial da seleção principal na África do Sul, voltou a se destacar na volância. Por ali, anulou Moravek, principal armador da seleção tcheca. Ander Herrera, que teve uma notável estreia, voltou a ter destaque, aliando a elegância com a dura marcação. Na defesa, bela partida de Álvaro Domínguez, que teve a dura missão de marcar Pekhart, maior artilheiro da história da seleção de base da República Tcheca, e Didac, que mostrou um belo físico ao participar frequentemente das jogadas de ataque e ajudar na marcação. Com 2 a 0, Milla promoveu as entradas de Diego Capel e Parejo nos lugares de Muniain e Adrián. Sem um atacante de referência, a Fúria passou a inoperar os ataques, mas, com a posse de bola, não sofreu muito com os tchecos.

Com a vitória e precisando apenas de um empate para confirmar a classificação à final e à Olimpíadas de Londres, a tranquilidade voltou ao ambiente rojo. O pessimismo até exagerado após o jogo contra a Inglaterra se desapareceu por completo e a boa notícia foi que os pendurados Thiago e Ander Herrera, dois dos principais jogadores da seleção na Eurocopa, não receberam cartão amarelo, tendo participação confirmada para o jogo contra a Ucrânia. A partida acontece no sábado, 18, às 15h45, horário de brasília. No outro jogo do grupo, ingleses e ucranianos ficaram no 0 a 0.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Amargo no final

Thiago Alcântara foi eleito o melhor em campo pela Uefa, mas não evitou o empate da seleção espanhola na estreia na Eurocopa Sub-21 (getty images)

A Espanha Sub-21 estreou ontem na Eurocopa da categoria, que dá três vagas para as Olimpíadas de Londres, em 2012, contra a Inglaterra. Apesar de não ter jogado muito bem, a seleção de Luis Milla teve o controle de jogo durante boa parte dos noventa minutos, mas, em um descuido da zaga, acabou sofrendo o empate no final com gol deWelbeck. O próximo compromisso é na quarta-feira (15) contra a República Tcheca. Possivelmente, a equipe entrará pressionada por uma vitória, já que um possível revés a colocaria a um passo da eliminação.

Como previsto, o 4-3-3 especulado pela imprensa espanhola antes da partida tornou-se um 4-4-2, com Mata exercendo a função que costuma desempenhar no Valencia. Com liberdade para jogar, no entanto, o meio-campista sentiu um pouco o cansaço de fim de temporada, levando perigo às redes Fielding apenas em alguns lampejos. Javi Martínez, jogando no lugar de Busquets, que está com a seleção principal, foi bem na proteção a zaga, formada por Botía e Álvaro Domínguez. Tocando bem a bola, a Espanha chegava ao ataque e teve algumas chances depois do gol, em tentativas de penetração pelo meio. O sistema defensivo da Inglaterra conseguiu impedir os espanhóis de criarem chances claras. Sobre o tento, polêmica. Em um escanteio, a bola foi desviada para a segunda trave e Ander Herrera tocou para o gol. O replay mostrou que ele usou a mão no lance, irritando os jogadores da seleção inglesa

Adrián e Jeffren, a dupla de ataque, não se saíram bem. O barcelonista, não muito acostumado a jogar de segundo atacante, foi anulado por Betrand, enquanto Adrián, jogando de referência, foi peça-nula no ataque. O resultado dessas falsas mesclas se traduziu em uma escasses preocupante de ocasiões e profundidade. Faltou para a seleção espanhola mais pegada e, para isso, Canales, que foi cortado, fez falta. Seguros na defesa, os ingleses passaram a ter mais volume ofensivo. Chegando muito pelos lados do campo, o English Team teve duas chances pela esquerda com Danny Rose. O atacante Daniel Sturridge também teve boa chance antes do apito do intervalo.

Depois de terminar o primeiro tempo pressionando a Espanha, a Inglaterra voltou do intervalo cadenciando o jogo. Pouco conseguiu chegar à frente. A Espanha, aos poucos, passou a dominar a posse de bola. Muito por causa do bom futebol apresentado por Ander Herrera. Incansável, o novo jogador do Athletic Bilbao domou o meio-campo inglês, jogando um pouco mais atrasado do que de costume. Extremo direito no 4-2-3-1 do Zaragoza, Ander desempenhou papel à Borja Valero no Villarreal (ajudando na marcação e participando das armações das jogadas). Ao lado de Thiago Alcântara, que foi eleito o melhor em campo pela Uefa, e Didac Villà, que, mal aproveitado pelo Milan, confirmou sua volta ao Espanyol seis meses depois de sua saída, foram os que tiveram estreias aprovadas. Aos 43' do segundo tempo, Kyle Walker fez uma grande jogada pela direita, tocou para Danny Welbeck sozinho dentro da área tocar, colocado, no canto baixo do goleiro e sair para comemorar: 1 a 1.

Milla sabe que tem problema para escalar o ataque: no segundo tempo, promoveu as entradas de Dani Parejo e Bojan nos lugares de Jeffren e Adrian e o setor continuou improdutivo. Parejo, que foi confirmado no Valencia, também foi improvisado como segundo atacante. Diego Capel, opção no banco para a posição, acabou entrando mais recuado como de costume e confirmou a enrolada estreia de Luis Milla na Euro. Como disse Fran Villalobos para o Marca, "o técnico espanhol tem um trabalho pela frente para dar um onze inicial seguro para a seleção, caso não queira ter férias antes do desejado".

sábado, 11 de junho de 2011

Balanço final: Valencia

Que dupla! Soldado e Mata deram o tom no Mestalla e fizeram com que a torcida mal sentisse a falta de David Villa e David Silva (UEFA.com)

Campanha: 3ª colocação. 38 jogos, 71 pontos, 21 vitórias, 8 empates e 9 derrotas. Classificado à fase de grupos da Liga dos Campeões.
Time-base: Guaita; Miguel (Bruno), Ricardo Costa, David Navarro, Mathieu; Topal, Tino Costa, Banega; Joaquín (Pablo Hernández), Juan Mata; Soldado.
Os Artilheiros: Roberto Soldado (18 gols), Aduriz (10) e Juan Mata (8)
O Técnico: Unai Emery
O Destaque: Roberto Soldado
A decepção: Alejandro Domínguez

A temporada 2009-10 terminou e uma incerteza se instalou no Mestalla: como o Valencia iria se virar sem Villa e Silva? O time reagiu bem, Mata e Pablo Hernández cresceram, Soldado chegou muito bem e, com isso, os valencianistas repetiram o terceiro posto, diminuindo a distância para o segundo colocado Real Madrid. Neste ano, a classificação direta à fase de grupos da LC foi ainda melhor, pois foi o rival Villarreal, que ficou pra trás. A 32ª rodada, que marcou o dérbi da comunidade valenciana, praticamente definiu a disputa do terceiro posto e deu muita moral aos ches, pois aplicaram uma manita no grande adversário, com show do centroavante Soldado. O camisa nove, que veio do Getafe, marcou 18 vezes e poderia ter feito mais, caso não tivesse se machucado durante a campanha.

O outrora coadjuvante Juan Mata foi o jogador que ficou por mais minutos em campo pelos ches, marcou oito vezes e cedeu 12 assistências, chamando a responsabilidade em momentos difíceis. Ao seu lado, ora Hernández ora Joaquín, pois nenhum dos dois teve a constância do camisa dez. O ex-jogador do Bétis subiu de produção mais para o meio do campeonato, já Pablo Hernández largou muito bem e voltou à seleção. Depois, ele caiu de nível, mas terminou o ano em alta e contribuiu ao todo com seis passes decisivos e cinco gols. O sistema defensivo também se comportou bem e ficou entre os quatro melhores de La Liga, sendo vazada apenas 44 vezes. Para o ano seguinte, a defesa terá dois reforços de muito peso: Diego Alves, goleiro que caiu com o Almería, mas que novamente mostrou seu valor e Adil Rami, zagueiro campeão francês pelo Lille e titular da seleção francesa de Blanc.

Em uma temporada muito boa, com todos os setores se comportando bem, a grande dúvida dos ches seguiu sendo a mesma: Alejandro Domínguez, que chegou credenciado por ser um dos líderes do Rubin Kazan campeão russo em 2009, mas é apenas mais um no futebol espanhol. Se a diretoria valencianista seguir acreditando no argentino, ele poderá “virar” e, finalmente, ser o reforço contratado no final de 2009. A crise financeira segue, por isso, o Valencia não deve fazer “loucuras” para qualificar o elenco, que terá três competições pela frente. Assim, Emery deverá voltar seus olhos para os jovens. Jordi Alba e Isco Román já apareceram timidamente nesta temporada e deverão ter mais minutos no ano que vem.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Resumo: 31ª Rodada (2ª parte)

Espetacular. Digno de aplausos, o Valencia enfiou uma impiedosa manita em seu rival Villarreal e se consolidou na terceira colocação (getty images)

O domingo prometia na Liga BBVA. A noite espanhola seria fechada com um incrível dérbi valenciano entre Valencia e Villarreal, que há tempos não disputavam uma partida com um importante valor. Em campo, o Valencia fez uma de suas melhores partidas em anos e garantiu uma manita histórica para cima de seu rival, colocando seis pontos de vantagem para cima dos amarillos e garantindo, praticamente, a vaga direta na próxima Champions League. Antes, às 14h, o Atlético de Madrid também fez uma de suas melhores partidas em anos e venceu a Real Sociedad, chegando à sétima colocação. O Espanyol, que só empatou com o Hércules, "conseguiu" o que "queria": saiu da disputa pela Liga Europa. Confira a segunda parte do resumo da trigésima primeira rodada. Boa leitura!

Valencia 5x0 Villarreal (Pedro Spiacci)
O Mestalla recebeu o clássico da comunidade valenciana, envolvendo Valencia e Villarreal. Antes da bola rolar, o palco da final da Copa del Rey homenageou Guaita, goleiro reserva do time da casa, que perdeu o pai nessa semana. Ao ver os cartezes com imagens suas e do patriarca, o goleiro se emocionou muito. Unai Emery armou os ches no 4-3-2-1, com Pablo Hernández cirando à direita e Mata fazendo o mesmo papel pela esquerda. No ataque, apenas o homem de 11 gols em La Liga, Soldado. Já o Villarreal veio no 4-1-3-2. Marchena era o “1” que funcionava muitas vezes como um terceiro zagueiro; no ataque, a ótima dupla Nilmar e Rossi. Mesmo atuando com praticamente cinco defensores, o Submarino Amarelo não conseguia conter Soldado, que recebendo passes de Hernández e Mata aparecia na cara de Diego López. Em uma das jogadas, Miguel recebeu do camisa 19 e descobriu o centroavante, que aproveitou a chance para abrir o placar.

Os ches “transpiravam” muito e não davam espaço para os visitantes. Com isso, na primeira etapa, Nilmar e Rossi pouco fizeram. O Valencia ainda perdeu Tino Costa, por lesão. A saída do volante e a entrada do zagueiro Dealbert resultou em uma mudança tática: saiu o 4-3-2-1 e entrou em ação o 5-4-1. Entre o final do primeiro tempo e o início do segundo, o Villarreal cresceu e deu sinais de que poderia dificultar a vida dos donos da casa. Porém, quando parecia que se complicaria na partida, o Valencia explorou os contra-ataques e matou a partida. Primeiro, através de muitas trocas de bolas, Mata recebeu livre e fez o segundo. O gol foi um balde de água fria nos visitantes. O submarino amarelo sumiu em campo após o 2 a 0, e Nilmar e Rossi sofriam muito com isso, pois não recebiam bolas em condições de criar chances de gols.

Depois Banega fez o terceiro, Mata o quarto e Soldado recebeu de Topal para fazer o quinto, garantindo a manita para os mandantes. O 5 a 0 agora é a maior vitória alcançada pelo Valencia no clássico da região. E hoje, o resultado não poderia ser diferente, pois os ches controlaram as ações durante praticamente todos os 90 minutos. Com os três pontos de hoje, a diferença entre as duas equipes na classificação pulou para seis. Assim, o Villarreal não tem muito o que fazer e deve ficar mesmo com a quarta vaga à Liga dos Campeões 2011-12 e terá que jogar os Play-offs.

Atlético de Madrid 3x0 Real Sociedad (Pedro Spiacci)
Antes do jogo, a torcida colchonera que lotou o Vicente Calderón, prostestou contra a gestão do presidente Enrique Cerezo e da família Gil, que controla as ações do clube. Mas durante a partida, os donos da casa não deixaram a torcida reclamar. Diego Costa, após o triplete na última rodada, deixou Diego Forlán no banco. Quique Sánchez Flores armou o Atlético de Madrid no 4-4-2 ortodoxo, com Suárez e Tiago na volância e Reyes e Koke mais à frente encostando na dupla de ataque Diego Costa e Agüero. Do outro lado, a Real Sociedad veio no tradicional 4-2-3-1, tendo apenas Tamudo no ataque. O Atléti decidiu o jogo cedo. Sem receber pressão alguma, o time controlou a posse de bola, pressionou e atacou muito até Filipe Luís abrir o placar. A bela jogada iniciada com ótimo lançamento de Agüero, que teve a assistência de Diego Costa, resultou no primeiro gol do brasileiro com a camisa rojiblanca.

O Atlético podia ter feito mais gols nos 45 minutos iniciais; porém, o segundo tento só saiu no final da primeira etapa. Reyes fez o que quis com Martínez pelo lado esquerdo da área, passou pelo marcador e rolou para trás, onde Suárez apareceu para marcar o seu primeiro gol em La Liga 2010-11. No segundo tempo, a Real Sociedad ameaçou nos minutos iniciais. Mas não levou muito tempo para o Atlético retomar o domínio total da partida. Bravo, o goleiro rival, teve que se virar para impedir que colchoneros fizessem o terceiro. Porém, o Atléti tinha Agüero, que conseguiu o terceiro tento em um contra-ataque que puxou sozinho. Forlán também foi destaque no segundo tempo. O uruguaio entrou aos 70 minutos de partidas sob vaias e pouco participou do jogo. Cada vez fica mais claro que o tempo do Cachavacha no atléti já está se esgotando. Com os três pontos, o Atlético alcança a sétima colocação, que hoje lhe garantiria a vaga à Liga Europa.

Hércules 0x0 Espanyol
Na segunda partida de Miroslav Djukic no comando técnico do Hércules, um avanço. O empate com o Espanyol no Rico Pérez não tirou os herculinos da zona de rebaixamento, mas já é um grande passo segurar uma equipe da parte de cima da tabela, mesmo que esta esteja em clara má fase. Os blanquiazules atuaram com contudência e até poderiam sair com os três pontos, mas a falta de pegada e a boa partida de Kameni impediram isso. Drenthe parece ser mesmo o pilar da equipe de Djukic. Hoje o holandês chamou para si a responsabilidade e deu muito trabalho a Galán. No lado do Espanyol, Pochettino está preocupado. E não é para menos: há dois meses, o Espanyol estava brigando pela terceira posição. Hoje, a equipe está na oitava posição, fora da zona de Liga Europa e faz na próxima rodada uma final: irá receber no Cornellà o Atlético de Madrid, sétimo colocado. A sete rodadas do fim, os blanquiazules ainda receberão até o término do campeonato, além do Atléti, o Athletic Bilbao e o Sevilla, dois adversário diretos. A vantagem é que irá disputar as partidas em casa, com o apoio da torcida.

Málaga 0x0 Deportivo La Coruña
Num La Rosaleda com mais de trinta mil espectadores, o Málaga não conseguiu furar o bloqueio galego, que jogou com um a menos durante quarenta e cinco minutos finais, e deu continuidade ao inferno do descenso. De volta ao 5-3-2, os comandados de Garrido saíram de campo com a noção de que o ponto conquistado pode ter sido importante para o futuro da equipe, a cinco da zona de rebaixamento. Mesmo após a expulsão de Lopo, os jogadores continuaram exercendo um muro à frente da meta de Aranzubia e abafaram os constantes ataques malagueses, que tiveram uma posse de bola na casa dos 73%. Os acontecimentos desta tarde na Andaluzia só refletem como o Málaga está sem confiança. Manuel Pelegrinni se esgoelou no banco de reservas e não conseguiu mudar a postura de um time com bons valores, mas que não forma um conjunto digno de permanecer na elite. Contra o Hércules, na 33ª rodada, o La Rosaleda voltará a presenciar um confronto direto, mas, desta vez, o peso será outro: só a vitória interessa para o conjunto de Pelegrinni, que irá encarar uma equipe que subiu de produção após a ida de um novo técnico.

Racing Santander 1x1 Levante
No jogo das duas equipes que mais subiram de produção no segundo semestre, um empate com sabor de derrota para o Racing. O gol de empate dos levantinos, marcado por Rafa Jordá, saiu aos 44 minutos do segundo tempo e após erro clamoroso de Torrejón. Os racinguistas também podem lamentar as oportunidades perdidas e a grande jornada de Reina. O catalão fez, pelo menos, três defesas providenciais quando o Racing mais atacava em busca do gol da vitória. A má notícia que fica é a lesão de Bolado, que provavelmente o tira dos gramados por dois meses. O atacante foi o que mais cresceu após o retorno de Marcelino Toral ao comando técnico dos verdiblancos. Para o Levante, que fez uma má partida, fica a notícia de que a invencibilidade de um mês e meio ainda dura. Desde a derrota para o Real Madrid, em fevereiro, a equipe disputou sete jogos e não perdeu nenhum (dois empates e cinco vitórias).

sexta-feira, 1 de abril de 2011

100%

Em seu jogo de número 101 com a camisa roja, Xavi marcou e aproximou a Fúria da fase final da Euro (reuters)

Atual campeã da Eurocopa e da Copa do Mundo, a Espanha vem repetindo as boas campanhas nas eliminatórias para a Eurocopa 2012. Mesmo sem dar show, a "Fúria" foi à Lituânia nesta terça-feira e bateu os donos da casa por 3 a 1, garantindo assim os 100% de aproveitamento e a liderança isolada do grupo I. Por outro lado, os lituanos se mantiveram com quatro pontos, na quarta colocação.

A partida, que ocorreu na cidade de Kaunas, quase não ocorreu devido ao mau estado do gramado do estádio Steponas Darius e Stasys Girenas. Porém, após a autorização da Uefa e da arbitragem, os espanhóis superaram as adversidades para o seu jogo de toque de bola e conseguiram o triunfo com gols de Xavi, Kijankas (contra) e Mata (Stankevicius diminuiu para a Lituânia).

Apesar de prejudicada pelo mau estado do campo de jogo, a seleção espanhola tomou a iniciativa ofensiva nos primeiros minutos de jogo e começou a impor a sua característica de toque de bola. Assim, não demorou muito para a Fúria abrir o placar. Aos 19 minutos, Xavi recebeu de David Villa e bateu para o gol de fora da área. Após um desvio na zaga lituana, a bola encobriu o goleiro Karcemaskas, que não conseguiu evitar o tento adversário.

Ainda no primeiro tempo, a Espanha teve a chance de ampliar a sua vantagem. Aos 40 minutos, Cazorla cruzou para Llorente, que recebeu sozinho na grande área e chutou para o gol. No reflexo, Karcemaskas defendeu com o pé e afastou o perigo da meta lituana.

No segundo tempo, incentivada pela sua torcida, a Lituânia chegou ao empate em pouco tempo. Aos 12 minutos, após um bate-rebate na entrada da área, a bola sobrou Stankevicius, que chutou rasteiro da intermediária no canto direito do goleiro Casillas.

Mesmo com o gol sofrido, a Espanha não se abalou na partida e conseguiu recuperar a dianteira no placar pouco depois, quando Mata recebeu lançamento na esquerda e cruzou para a área. Tentando se antecipar ao atacante Llorente, o lituano Kijankas acabou pegando errado na bola e marcou um gol-contra.

Tranquila com a vantagem, a Espanha ainda chegou ao seu terceiro gol, na jogada mais bonita da partida. Após uma triangulação pelo lado direito, Silva tocou para Mata dentro da área, e o meia só teve o trabalho de deslocar o goleiro lituano com a perna esquerda, para garantir a vitória espanhola e mais três pontos nas Eliminatórias para a Euro 2012.

Momento várzea

Camisa que Llorente usou na Lituânia foi a mesma utilizada na Copa do Mundo: ainda sem a estrela de campeã mundial (AP Photos)

Não era só o campo do estádio de Kaunas, capital da Lituânia, que remetia ao Desafio ao Galo na partida entre os donos da casa e a Espanha na terça. Um fato curioso – e, até certo ponto, bizarro – foi o destaque da partida. Lloriente entrou em campo com o uniforme que a seleção espanhola utilizou na Copa do Mundo, cujos detalhes são bem diferentes do atual. De fato, é estranho ver tal erro num jogo oficial da Uefa, ainda mais quando se trata da atual campeã mundial; mas, de fato, essas coisas acontecem também com as "melhores famílias".