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sábado, 11 de agosto de 2012

Temporada de afirmação

 O Athletic Bilbao de Marcelo Bielsa precisa ir além de uma boa temporada nas copas e sabe que, dessa vez, sua disputa é por uma vaga na Uefa Champions League (getty images)

2011/2012 foi a melhor temporada do Athletic Bilbao em anos. Mesmo sem nenhum título, a equipe deu a oportunidade dos torcedores voltarem a sentirem a sensação de levantar uma taça. A soberana temporada em âmbito europeu preencheu uma parte da lacuna dos aficionados: a de se sentir grande novamente. Os Leones desempenharam um dos mais belos futebol da Europa, chegaram à final de Bucareste sem em momento algum deixa para trás a filosofia ofensivista de Marcelo Bielsa, mas acabaram sucumbindo ao Atlético de Madrid.

O fato de, além da Liga Europa, o Athletic Bilbao ter disputado a Copa do Rei até a final, onde também foi vice-campeão, para o Barcelona, acabou deixando a Liga Espanhola em segundo plano. Sem ter um elenco profundo e homogêneo, El Loco promoveu muitos turnovers durante janeiro e abril, um dos maiores motivos para a irregularidade mostrada em solo nacional. O 10º lugar explica isso. O Athletic de futebol vistoso e envolvente que bateu Manchester United, Schalke 04, PSG e Sporting Lisboa com contundência só apareceu no Campeonato Espanhol em poucos momentos. Compreensível. Àquela altura, Bielsa optou por priorizar as copas em dentrimento de uma vaga na Champions League, um objetivo que, parando para pensar, era bem viável devido à irregularidade apresentada pelas outras equipes que estavam nessa disputa. Os cinco jogos consecutivos sem vitórias e as quedas para Valencia e Osasuna jogando com a equipe titular no San Mamés foi o preço final para o argentino deixar o campeonato de lado.

No entanto, uma polêmica marcou a reapresentação do elenco e da comissão técnica após as férias e colocou em xeque o futuro do ex-treinador do Chile. Insatisfeito com as obras em Lezama, centro de treinamento do Athletic Bilbao, Bielsa discutiu com a empresa responsável pelas reformas. Quando chegou ao local para iniciar os treinos de pré-temporada, viu que não tinha condições de trabalho. Dois dias depois (5 de julho), deu uma coletiva explicando o ocorrido, onde não deixou de alfinetar o grupo. Contudo, para sua surpresa, o clube não ficou ao seu lado e emitiu um comunidade em seu site oficial pedindo desculpas pela forma com a qual o treinador se expressou. Foi o estopim para Bielsa tomar uma decisão: sair do Athletic Bilbao. Ele se reuniu com os diretores no mesmo dia durante duas horas. O twitter oficial do clube chegou a dar como oficial sua saída, mas apagou a mensagem minutos depois. O nome de Ernesto Valverde, que quase foi rebaixado com os bilbaínos em 2006, chegou a estar na órbita; mas, após duas semanas de decisão, ele resolveu ficar e renovou contrato por mais um ano. 

Passada a polêmica, El Loco enfim pode iniciar seu trabalho nesta temporada, mas ainda havia que finalizar duas novelas do mercado: Javi Martínez e Llorente. O zagueiro-volante foi assediado pelo Barcelona durante todo verão, mas sua alta multa fez com que os blaugranas desistissem de sua contratação. O centroavante, por sua vez, vive um imbróglio com a diretoria. À primeira vista, ele está satisfeito, mas não decide seu futuro e não dá andamento ao plano de renovação. Nesta semana, especularam uma ida à Juventus. A imprensa inglesa o liga frequentemente a Manchester United, Manchester City, Tottenham e Liverpool Até Bielsa falou em tom de despedida: "espero apenas que ele seja feliz", disse na coletiva após a derrota para o Slovan na quinta-feira.

Sem tanto dinheiro e mantendo uma política histórica de contratar apenas bascos ou descendentes de bascos, o clube não garimpa muitos grandes reforços e, eventualmente, corre o risco de perder jogadores importantes, como no caso de Llorente. Mesmo assim, se reinventa e impressiona a maioria dos críticos. Com Bielsa, ficou mais evidenciado até do que na época de Joaquín Caparrós. Ele abandonou sua louca ideia de jogar no 3-1-3-3 que quase o levou à demissão no primeiro semestre da temporada e fixou sua tática no 4-2-3-1 variando para o 4-3-3 dependendo da situação de jogo. 

A contratação de Ander Herrera deu vazão à criatividade. O treinador improvisou Javi Martínez na zaga e deu espaço para a entrada de Iturraspe na volância. Javi demorou, mas quando se adaptou à nova função mostrou-se muito importante - na opinião deste colunista, só ficou atrás de Sergio Ramos na Liga BBVA passada. Com Iraola, na lateral direita, e Susaeta, na extrema direita, promovendo muita corrida pelo lado do campo, além de Muniain aberto à esquerda, a ofensividade foi triplicada. A forma de jogar é, até certo ponto, suicida porque deixa o sistema defensivo exposto a todo momento aos contra-ataques, mas agrada os torcedores e os fãs de futebol espanhol. Foi o terceiro time do campeonato 11/12 em posse de bola e o quarto em acerto de passes

Tudo foi tão bonito na temporada passada, mas Bielsa sabe que em 2012/2013 tem a obrigação de conquistar (ou ao menos tentar) uma vaga na Champions League. Com o Málaga, principalmente, e Sevilla ainda sob incógnita, os principais rivais são Valencia e Atlético de Madrid. Na prática, os chés são os mais consistentes - e vem demonstrando isso nos últimos três anos -, enquanto todos sabem como são os colchoneros. Brigar pelo quarto lugar é totalmente plausível. Porém, apenas a manuntenção do elenco não será o suficiente nesta equilibrada e difícil disputa.

Praticamente sem reservas de boa qualidade, o time e o esquema se desgastam a certa altura. O Bilbao precisa de peças de reposição para possíveis lesões e alternativa a Llorente. Aduriz foi repatriado e se identifica com o clube a torcida. O bom Beñat, do Bétis, foi especulado e seria uma excelente aquisição para o já brilhante meio-campo, mas nada saiu do papel. O certo é que o Bilbao precisar ir além de uma boa temporada em copas. Curiosamente, a estreia em La Liga reserva um embate com um rival direto: na próxima segunda (20), visita o Atlético de Madrid no Vicente Calderón, em jogo que já deu - e ainda dá - o que falar*.

*A LFP marcou a partida para um horário inédito: 23h. O fato desagradou a diretoria do Atlético de Madrid, que, quatro dias depois, irá disputar a final da Supercopa da Uefa contra o Chelsea. Os colchoneros ameaçaram entrarem em greve e tiveram o reforço de mais 12 clubes, incluíndo o Athletic Bilbao. Inicialmente, a rodada está confirmada, mas haverá uma reunião entre os clubes e a federação nesta semana para decidir.

domingo, 5 de agosto de 2012

Ele é o cara

 Llorente não decidiu seu futuro e a torcida do Athletic Bilbao começa a mostrar destemperamento (getty images)

Fernando Llorente é um dos protagonistas do mercado na Espanha. E não é difícil entender por quê. Com mais um ano de contrato, ele está satisfeito no Athletic Bilbao, mas as consequentes embromações na hora de firmar a renovação começam a ganhar contornos de insatisfação, pelo menos na teoria. A imprensa, tão quanto sensacionalista, não demorou a tratar esse episódio como novela. Na última quinta-feira, os bascos Bilbao estrearam na fase preliminar da Liga Europa com vitória ante o Slovan por 3x1. Llorente atuou por 73 minutos e saiu sob vaias de boa parte da torcida, que mostra impaciência com seu principal jogador.

A relação torcida-jogador no Athletic Bilbao sempre foi a melhor possível. Muito porque os jogadores bascos abraçam a causa do clube de só aceitar nascidos ou descendentes do País Basco. Para um clube tirar um jogador que se destaca no Athletic a proposta tem que ser bastante convincente (o exemplo de Javi Martínez está aí). Mas a possibilidade dos Leones perderem sua estrela sem compensação financeira em 2013 é o ponto-chave da história porque derruba o preço dele. Os torcedores têm motivos para mostrarem desconfiança. Nas duas temporadas anteriores, Real Madrid, Liverpool, Tottenham e Arsenal tentaram levar El Rey León, mas receberam um não do jogador. Hoje, seu silêncio quando perguntado do futuro e a falta de acordo com os diretores dão razão ao destemperamento dos aficionados.

O culebrón tende a não ter solução a curto prazo. Enquanto o clube garante que o esforço realizado para uma oferta definitiva é mais que suficiente, o jogador continua sem decidir seu futuro. O Marca fala em mais de quatro milhões de euros por temporada no novo contrato, embora o vice-presidente José Ángel Corres negue. Por outro lado, a cada declaração Llorente demonstra gratidão pelo clube que o criou. Suas manifestações deixam claro que ele quer mesmo é seguir em Lezama, mas recebendo seu real valor. Até há pouco, Llorente não tinha status para reclamar. No entanto, a enorme evolução nas últimas três temporadas dá voz ao centroavante e dor de cabeça a diretoria.

No mercado interno, Real Madrid e Barcelona mostraram interesse. Quando Tito Vilanova foi apresentado como novo treinador dos azulgrenás, as especulações de que ele queria um centroavante para cenários semelhantes ao dos confrontos contra o Chelsea, quando a equipe sentiu a falta de um homem de área, foram enormes. Llorente seria uma alternativa a Messi, que é titular justamente na única posição onde o Rei Leão atua. Pensar em Messi deslocado à ponta direita novamente ou o basco atuando em uma das pontas é algo inimaginável. Ao blancos, pode brigar por titularidade com Benzema e Higuaín. Llorente tem uma característica que Mourinho admira em seus jogadores: a movimentação. O camisa 18 não fica somente preso na área, saindo para fazer tabelas e abrindo espaços para inflitrações dos homens de meio-campo.

Mas, se há um time que realmente precisa dele, este é o Athletic Bilbao. Os Leones repatriaram Aduriz, mas sua irregularidade não "serve" para os momentos decisivos. Apesar da idolatria da torcida por Toquero, no fundo todos sabem que ele é limitado tecnicamente. Na temporada passada, Marcelo Bielsa chegou a improvisar Susaeta de falso nove, numa ação que naufragou em campo. Assim, não será tão surpreendente se, mesmo contrariado, Llorente ficar mais um ano no San Mamés, com o clube assumindo o risco de perdê-lo de graça em 2013.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O Real Madrid inspirou o Atlético de Madrid

 Em Neptuno, a festa é do Atléti. Bi-campeão da Liga Europa, colchoneros se inspiraram o rival merengue para bater Athletic Bilbao (getty images)

Há três semanas, o Real Madrid foi ao Camp Nou para vencer o Barcelona e sentenciar o campeão espanhol da temporada. Ao vencer por 2x1, os merengues, paralelamente, deixaram uma lição ao rival Atlético de Madrid. Para parar um futebol baseado na troca de passes, é preciso inteligência, aplicação tática e acerto na hora do contra-ataque. Foi assim que os principais clubes de Madrid conseguiram seus maiores resultados na temporada. Os colchoneros, jogando de maneira semelhante, conquistaram o bi-campeonato da Liga Europa ao derrotar o Athletic Bilbao, equipe espanhola que mais próxima chega do estilo de jogo barcelonista.

Embora diga bastante sobre as equipes, a estatística menos relevante do confronto foi a posse de bola, que, claro, ficou com o conjunto basco em 63% do tempo. O número não significa que o Athletic Bilbao, segundo time que mais troca passes na Liga BBVA, tenha sido melhor, pelo contrário. O Atlético de Madrid simplesmente abdicou da bola e apostou na força da trinca do meio-campo formado por Diego, Adrián e Arda Turan, que impusseram aos rojiblancos de Bilbao uma avalanche futebolística que a equipe de Bielsa ainda não havia presenciado na Liga Europa. Na frente, bola para Falcão que ele decide. Foram dois gols que ratificaram a artilharia da competição pela segunda temporada consecutiva. Também pela segunda temporada consecutiva, El Tigre marca na final e é campeão. Literalmente, o Mister Europe League, como é chamado.

A estratégia dos colchoneros, executada à perfeição, era evidente: desarmar e acionar os meio-campistas pelo flanco ou o artilheiro no comando do ataque, já que o Athletic Bilbao descia ao ataque desesperado, deixando a retaguarda desprotegida. Porém, assim como o Real Madrid no Camp Nou, o Atléti jamais se limitou a ficar apenas na defesa. Com a bola, o time de Simeone sabia o que fazer. Gabi e Suárez foram perfeitos na volância, combatendo Iturraspe e Ander Herrera. A dupla do Bilbao, aliás, ficara extremamente preocupado com Diego, Arda Turan e Adrián López em determinados momentos do jogo.

Por exemplo, o estilo de jogo dos Leones passa necessariamente pelo encaixe de seus meio-campistas. Em Bucareste, Ander foi decepção, pois não criou nada, mostrou-se nervoso, errou finalizações bobas e foi substituído cedo. Assim, Llorente passou despercebido e foi presa fácil para Miranda, que, talvez, fez sua melhor partida na temporada e na carreira no Atlético de Madrid. Susaeta, pela direita, foi anulado por um Filipe Luís que cada vez parece mais com aquele do Deportivo La Coruña que quase acabou contratado pelo Barcelona. Apenas Muniain tentou e teve (pouco) sucesso. A entrada de Ibai Gómez e Iñigo Pérez no segundo tempo foi uma alternativa de Bielsa para colocar velocidade pelos flancos do campo. Com o meio-campo congestionado, as inflitrações seriam necessárias para bater a meta de Courtois.

A escolha da postura e sua execução do Atlético de Madrid foram ótimas. Méritos para Simeone, que pegou uma equipe eliminada na Copa do Rei para o pequeno Albacete (no Vicente Calderón, vale lembrar) e a transformou na campeã da Liga Europa pela segunda vez em três anos. É um time totalmente diferente da época de Manzano. Simeone ajustou a defesa, soube usar o jogo de seus laterais e, sobretudo, apostar no contra-ataque, talvez maior mérito de El Cholo desde seu retorno a Manzanares. A jogada, que inexistiu com Manzano, foi, para muitos, a principal responsável pelo título. Agora, como bem avisou Simeone, é hora de esquecer um pouco o título e seguir adiante na Liga. Contra o Villarreal, na última rodada, os rojiblancos entram em campo necessitando da vitória e torcendo para uma derrota do Málaga para fechar a temporada com chave de ouro: a vaga na Liga dos Campeões da Uefa.

Ao Athletic Bilbao, resta levantar a cabeça. A base é boa, promissora e mostrou ao mundo um dos mais belos futebol da temporada. O País Basco, certamente, está orgulhoso do time. Cair é permitido, claro, mas se levantar é essencial. O choro dos jogadores ao término da partida foi comovente, mas tem mais final pela frente, ainda que seja difícil derrotar o Barcelona, que vem à todo na despedida do Guardiola. Ainda não era hora de título, entretanto a taça pode estar próxima de Gabarra. "Voltamos já", disse Marcelo Bielsa, que deve ter seu contrato renovado. A Liga Europa o espera, Athletic.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Vamos a Bucareste

Athletic Bilbao e Atlético de Madrid garantiram seus bilhetes para Bucareste ao eliminarem, respectivamente, Sporting de Lisboa e Valencia. No Mestalla, os colchoneros atuaram com inteligência, foram atacados à exaustão na primeira etapa, mas mataram a partida e esfriaram os ânimos chés no segundo tempo, num balaço de Adrián. Por sua vez, o Athletic Bilbao teve mais trabalho. Derrotado no jogo de ida, abriu o placar, mas viu os lisboetas empatarem e deixarem a Catedral de San Mamés numa situação tensa. Mas Llorente, nome do jogo, apareceu nos minutos finais para explodir o estádio, fazer a festa e chorar de emoção ao levar os Leones à grande final. Veja por que você deve assistir à final da Liga Europa, em 9 de maio.

 Dramático: Athletic Bilbao conseguiu classificação à final da Liga Europa aos 44 minutos do segundo tempo (getty images)

Prêmio ao futebol arte. É unanimidade a todos que a equipe que mais desempenha o dito futebol arte na competição é o Athletic Bilbao. A equipe mostrou duas virtudes irrefutáveis ao longo do torneio. A primeira é individual, de ótimos jogadores como Javi Martínez, De Marcos, Muniain, Susaeta, Ander Herrera e Llorente, que derrubam o conceito preconceituoso de que o clube, limitado a atletas bascos, não pode competir em alto nível. A segunda e mais importante é coletiva: os habituais ataques em bloco, pressão à defesa adversária e zelo com a posse de bola que fazem de Marcelo Bielsa um treinador brilhante.

Para entrar para a história. Marcelo Bielsa, em sua primeira temporada no clube, tem tornado-se um ídolo na cidade de Bilbao. Além da elogiável concepção de futebol, El Loco é profissional e detalhista a ponto de ter assistido a 126 horas de seu time em ação para traçar perfis do elenco e conhecer um terreno que se apresentou como um desafio inédito em sua carreira. Uma das inspirações de Pep Guardiola, o argentino é valorizado agora pela capacidade de implantar ideias que fogem ao trivial mesmo em equipes com recursos bem mais escassos que os do Barcelona. A oportunidade de disputar duas finais logo de cara é o passaporte que o argentino recebeu para entrar para a história do clube rojiblanco.

Um título para Llorente. El Rey León. O jogador preferido dos aficionados bascos vem se mostrando decisivo há bastante tempo. Suas belas atuações chamaram a atenção de Del Bosque, e o centroavante esteve no elenco campeão mundial. Dois anos depois, é cotado até para ser titular na Eurocopa. Porém, falta preencher uma lacuna: ser campeão pelo seu clube. Em terras de Real Madrid e Barcelona, essa missão é quase impossível, mas Llorente nunca desistiu. Recusou convites de clubes ingleses e agora tem a oportunidade de realizar seu sonho. Seu choro após o término do jogo contra o Sporting revela o árduo caminho que percorreu até que chegasse esse dia.

Jogando com inteligência, Atlético de Madrid despacha Valencia novamente e vai atrás do bicampeonato da Liga Europa (reuters)

Falcão García e Adrián López. Se do lado bilbaíno há El Rey León, no madrilenho tem El Tigre. Falcão García já havia entrado para a história da Liga Europa na temporada passada. Campeão com o Porto, foi artilheiro com 17 gols, superando a marca história de Klinsmann. O melhor jogador do Atlético de Madrid na temporada tem a oportunidade de ser bicampeão e conquistar de vez o coração dos torcedores colchoneros. Seu grande companheiro é Adrián López, artilheiro da atual edição da Liga Europa. Campeão europeu com a Espanha Sub-21, Adrián tem números bons e pode conquistar seu primeiro título na carreira em clubes. Será uma final especial para o atacante.

Não subestime o Atlético de Madrid. Os holofotes estão voltados ao Athletic Bilbao, pelo motivo explicado no primeiro tópico. Mas não cometam o erro de subestimar o Atlético de Madrid e, num provável título rojiblanco, levar propensão à zebra. Os colchoneros sabem como jogar a Liga Europa. Em âmbito europeu, estão invictos há 11 jogos, onde ganharam todos, e conquistaram a competição há duas temporadas. É time de chegada, tem um meio-campo forte e aguerido capaz de parar a troca de passes bilbaína e um contra-ataque fatal. Na Liga Espanhola, no último confronto entre as equipes, ganhou por 2x0.

Simeone merece. A chegada de El Cholo ao comando técnico do Atléti foi um divisor d'águas para o time. Fadado ao fracasso com Manzano, os rojiblancos se recuperaram de maneira espetacular e chegam a segunda final europeia em três anos. O argentino, que foi campeão com o Atlético de Madrid como jogador, vê que o status de ídolo do clube permanece intacto As comemoração efusiva do treinador com a vaga na decisão certamente serão multiplicadas em caso de conquista. O entusiasmo dele é emocionante.

domingo, 25 de março de 2012

Muito difícil

Muniain lamenta: conquistar uma vaga na próxima Uefa Champions League tornou-se algo muito difícil para o Athletic Bilbao (getty images)

O novo tropeço do Athletic Bilbao na Liga Espanhola deixou a equipe a 9 pontos do Málaga, última equipe da zona de rebaixamento. A sequência negativa de quatro tropeços consecutivos (sendo três derrotas) esquiva o time basco do pelotão de cima. Em suas declarações após o empate contra o Sporting Gijón hoje, Marcelo Bielsa deu a entender que, no momento, conquistar uma vaga na próxima Uefa Champions League tornou-se tarefa árdua.

Iñigo Pérez, por outro lado, mantém uma visão otimista. O meio-campista citou que há muitos jogos ainda pela frente, mas afirmou que o sentimento do vestiário é de pessimismo e dor. Com mais nove jogos a serem disputados, é muito difícil acreditar que os leones ainda possam alcançar o quarto lugar. Por mais que a disputa esteja muito embolada, os últimos resultados do Málaga quebra o protocolo de que até o Rayo, na 11ª colocação, poderia sonhar com a competição europeia. A única situação imaginável é Levante ou Osasuna (ou até mesmo o Espanyol) roubando a vaga da equipe blanquiazul, que, aliás, chegou aos mesmos 47 pontos do Valencia. Até o Atlético de Madrid de Simeone está numa situação delicada. Hoje, perdeu em Aragão para o lanterna Zaragoza.

Porém, o canterano basco, em sua declaração, condicionou uma possível vaga a um fato importante: o Athletic Bilbao precisa de uma sequência de vitórias para manter o sonho vivo. É esse fato, entretanto, que quase liquida as chances de retornar à Champions. A campanha feita pelos leones na competição não reserva grandes sequência de vitórias. Apesar de ter ganho os holofotes nas últimas semanas pelo excelente futebol desempenhado na eliminatória contra o Manchester United na Liga Europa, quem acompanha o futebol espanhol sabe que o Athletic Bilbao tem feito uma competição muito irregular. Acreditem: a maior sequência de vitórias da equipe de Bielsa foram duas, em outubro. Exatamente as duas primeiras: venceu a Real Sociedad e, no final de semana posterior, o Osasuna. A equipe vive de altos e baixos e não dá pinta de que vá engrenar justo nessa reta final.

Muito disso passa pela fase do elenco. O plantel é limitado e criou-se uma Llorentedependência absurda, que tem-se evidenciada nos últimos confrontos. O treinador argentino ainda não achou soluções para a ausência do centroavante. Sem escolhas, chegou até a improvisar Susaeta na derrota de semana passada para o Valencia, por 3x0, na Catedral de San Mamés. As múltiplas lesões musculares condicionam a temporada do principal centroavante do elenco, que, quando apto, já provou ser muito mais do que essencial. Os bascos também sofrem por terem vários atletas com um desempenho abaixo do ideal: San José, principalmente, Toquero e Iraola foram acometidos por esse mal. Poucos são os jogadores de destaque: apenas Muniain, Ander Herrera, De Marcos e Llorente fazem temporadas aceitáveis e de elogios.

Atualmente, o mais importante para o Athletic Bilbao é apostar suas fichas na Liga Europa, ainda mais após a classificação perante os Reds Devils. Nas quartas-de-finais, os bascos encararão o bom time do Schalke 04, terceiro colocado da Bundesliga e comandado por Raúl e Huntelaar, que, durante seu pequeno período no Real Madrid, marcou duas vezes ante os leones. O clube tem dois trunfos na maga: a imprevisibilidade do mata-mata e o técnico Marcelo Bielsa, que mostrou no último jogo que entende do torneio. Além disso, o Athletic tem pela frente mais uma final de Copa do Rei contra o Barcelona. Mais do que nunca, são nas duas competições que El Loco e seus comandados devem se apegar.

sábado, 24 de março de 2012

Quem quer ser o 9?


A menos de três meses da estreia na Eurocopa 2012 contra a Irlanda, a posição de centroavante no grupo espanhol está mais aberta do que nunca. A disputa mantém uma competência constante entre os cinco principais atacantes espanhóis no momento. A decisão não é facil e as diferenças entre eles são claras. Até o dia 15 de maio, data em que se conhecerá por parte de Vicente Del Bosque a lista definitiva para a competição, David Villa, Fernando Torres, Álvaro Negredo, Roberto Soldado e Fernando Llorente deverão convencer ao treinador nacional que é a melhor opção para ser a referência da Roja.

A lógica é que Del Bosque leve dois atacantes à Euro, mas existem outras opções que não se podem descartar. Esses planos alternativos aos principais terão maior ou menor peso em função do estado físico dos cinco supracitados acima nas semanas prévias ao segundo principal torneio de seleções. As deveras utilizações de Fàbregas como falso nove no Barcelona, as aparições de nomes como Muniain e Adrián e a polivalência de jogadores como Silva e Iniesta poderiam até descartar a opção de jogar com uma óbvia referência. Entretanto, parece improvável que o treinador madrilenho opte por uma dessas opções, embora seja importante lembrar. Há, também, a dúvida quanto a parte tática. Del Bosque não sabe se joga no 4-3-3 ou no 4-2-3-1 utilizado na reta final da Copa do Mundo.

Deste modo, e salvo algum imprevisto maiúsculo, o treinador campeão europeu com o Real Madrid deverá depositar em um desses cinco nomes suas esperanças de gols na busca pelo bi da Eurocopa. A incógnita quanto ao estado de Villa, a desastrosa temporada de Fernando Torres, a falta de experiência de Soldado em competições desse nível, a brusca queda de produção recente de Negredo e o perfil de Llorente levam o treinador a um dilema e abre um debate: quem deverá ser o '9' na Polônia e Ucrânia? Abaixo, o que os candidatos têm contra e a favor para ganhar a disputa.

David Villa
El Guaje vem fazendo um trabalho específico para chegar em forma à competição. Há algumas semanas, declarou que seu maior desejo é disputar a Eurocopa e poder ajudar o Barcelona na reta final da temporada. Na temporada, foram 15 jogos disputados (893 minutos) e 7 gols.

A favor: É o maior goleador da história da seleção, é decisivo em momentos cruciais e, em condições de jogo, sua presença é indiscutível. Unanimidade, não tem nem discussão se será titular ou não caso vá ao torneio.
Contra: Sua lesão no Mundial de Clubes, em dezembro, manteve-o inativo durante quase toda a temporada. Há quem diga que seja bastante difícil que chegue a tempo de disputar a competição.

Fernando Torres
Sua discreta temporada valeu até pela exclusão na última partida da Espanha, ante a Venezuela. Del Bosque citou que foi um alerta a El Niño, mas deixou claro que, se possível, irá sim deixá-lo de fora da competição. O apelo do povo espanhol já não é tão grande, como em outras ocasiões. Há uma semana, voltou a reconciliar-se com as redes, marcando dois gols contra o Reading, pela Copa da Inglaterra. Na temporada, foram 22 jogos disputados (1232 minutos) e apenas 5 gols.

A favor: Del Bosque o esperou até o último momento na Copa do Mundo e não hesitará em fazê-lo novamente, apesar de suas últimas declarações. Além disso, conta - e muito - com a confiança do treinador.
Contra: Dentre os cinco, é o que tem menos gols. Ficou quase seis meses sem marcar um golzinho sequer

Fernando Llorente
Presente habitualmente nas listas de Del Bosque, faz uma temporada muito boa. Mantém uma relação de amor com as redes e contribui de maneira decisiva para a temporada positiva do Athletic Bilbao. Na temporada, foram 23 jogos disputados (1782 minutos) e 19 gols.

A favor: Provavelmente, é quem faz melhor temporada entre os candidatos. Vive um grande momento, é um homem gol sedento por ir às redes e é presença indiscutível nas listas de Del Bosque.
Contra: Por não ter a velocidade como principal característica, foge do perfil de jogo proposto por Del Bosque. Ironicamente, é quem menos se encaixa no sistema e na forma de jogar da Fúria.

Roberto Soldado
Seu melhor argumento é marcar gols. Tem 20, sendo o atacante espanhol com mais número de gols na temporada. Contra a Venezuela, praticamente garantiu sua vaga no plantel anotando um hat-trick. Na temporada, foram 26 jogos disputados (2150 minutos) e 20 gols.

A favor: É o máximo goleador espanhol na temporada e aproveitou sua única oportunidade que teve com Del Bosque.
Contra: A principal desvantagem de Soldado perante os outros concorrentes é o fato de não ter sido testado outras vezes. A falta de partidas contra seleções de alto nível em seu histórico é bastante relevante.

Álvaro Negredo
Individualmente, o sevillista vinha em boa temporada. Porém, o fato de sua equipe estar fazendo uma temporada muito irregular acaba gerando consequência drásticas no desempenho de Negredo. Nos últimos meses, caiu de produção. Na temporada, foram 20 jogos disputados (1535 minutos) e 6 gols.

A favor: Foi a alternativa habitual nas ausências de Torres ou Villa. É totalmente adaptado ao grupo e ao esquema proposto por Del Bosque.
Contra: Seu recente histórico de lesões provocou uma queda considerável no rendimento. É muito provável que não chegará em seu melhor momento na temporada.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Visita ao Old Trafford

Em seu melhor momento da temporada, o Athletic Bilbao vai encarar o Manchester United confiante (getty images)

Nesta quinta-feira, 8 de março, o Athletic Bilbao vai a Manchester encarar o Manchester United pelo jogo de ida das oitavas-de-finais da Liga Europa. A partida marca um divisor d'águas na história do Athletic Bilbao nos últimos tempos. Brigando para voltar a disputar Champions League, a equipe tem condições de fazer história na segunda principal competição do velho continente. O treinador escocês Alex Ferguson, o volante Carrick e o goleiro espanhol De Gea já destacaram os pontos fortes dos bascos. O ex-Atlético de Madrid deixou claro que o desempenho tem que melhorar caso o Manchester queira se classificar. Em âmbito europeu, os Red Devils têm deixado a desejar. A eliminação precoce na LC foi marcada por derrotas para Basel e Benfica e empate contra Otelul Galati.

Marcelo Bielsa parece ter claro em mente que irá ao Old Trafford com sua melhor equipe disponível. O onze de gala, contudo, não terá a presença do suspenso Amorebieta, expulso contra o Lokomotiv Moscou por ter recebido dois cartões amarelos. Em sua ausência, provavelmente deve jogar Iturraspe, que, aliás, foi titular no dérbi vasco. O provável também é que Javi Martínez volte ao centro da zaga puxando Iturraspe para a volância. Nada deve mudar em relação aos jogos importantes da temporada. Iraizoz; Iraola, Javi Martínez, San José, Aurtenetxe; Iturraspe, De Marcos, Ander Herrera; Susaeta, Llorente, Muniain é a equipe que deve entrar no Old Trafford, salvo algum imprevisto.

A cidade de Bilbao está uma verdadeira loucura com a temporada de seu principal representante no futebol. A 6ª colocação na Liga Espanhola, somadas a final da Copa do Rei e o duelo contra o Manchester elevam à condições de heróis o clube. É algo histórico e os aficionados sabem disso. De acordo com o Mundo Deportivo, a viagem da torcida basca a Manchester será o maior movimento de uma torcida a outro país, excetuando as finais de LC e Liga Europa/Copa da Uefa. Além das 4.138 entradas iniciais recebidas pelo Athletic por parte dos Reds Devils, o escasso interesse que a torcida mancuniana demonstra pela Liga Europa provocou um aumento na carga: mais 2.500 cargas estão à disposição dos torcedores rojiblancos. O esperado é que 8.000 torcedores vão à Inglaterra assistir ao duelo. Por questão de segurança, a Ertzaintza, departamento policial do País Basco, também viaja a Manchester para coordenar, junto com a polícia local, a segurança referente ao encontro.

Confiante, os leones irão para o jogo de ida sem medo. O poder de fogo do Athletic Bilbao contrasta com o interesse aparente do Manchester United na competição. Hoje, o Athletic Bilbao, em desempenho, é a terceira melhor equipe da espanha. Chegou à maturidade com os reforços cirúrgicos, a manuntenção da base, a progressão de alguns jogadores da era Caparrós, o resgate do melhor Llorente, uma defesa mais segura, um meio-campo técnico e combatente e um Muniain cheio de gás na esquerda. O futebol de toque de bola, marcação pressão e paciência para chegar ao gol lembra, de longe, o do Barcelona. E, como sabemos, os blaugranas derrotaram por duas vezes o time de Ferguson em finais de LC recentemente. O favoritismo está do lado vermelho, mas os rojiblancos estão no topo do País Basco e no trilho certo para voltarem à Champions League e avançarem de fase na Liga Europa.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Coragem para mudar

Del Bosque lamentou, mas foi obrigado a não convocar Fernando Torres, evidenciando que o jogador não é mais seu plano A na Euro (reuters)

Na Copa do Mundo, Vicente Del Bosque teve medo de constatar a óbvia superioridade de Pedro e Llorente sobre um Fernando Torres para lá de omisso. Em benefício de uma tática que desse mais espaço para Villa jogar pelos flancos do campo, onde mais brilhou na competição da África do Sul, relegou ao banco, injustamente, o centroavante do Athletic Bilbao, que havia feito uma temporada superior a de El Niño e, além disso, havia jogado melhor nos amistosos pré-Copa. A fase negra do à época atacante do Liverpool levou o treinador campeão europeu pelo Real Madrid a fazer algo que não estava em seus planos: mudar o posicionamento de Villa, escalando Pedro, e levando Torres ao banco de reservas.

Foi assim contra Alemanha e Holanda, nos dois jogos finais da Fúria no caminho à taça. Villa, antes com mais liberdade, passara a ser a referência de Xavi, Iniesta e Xabi Alonso, enquanto Pedro passara a atuar à Villa. O canário não decepcionou (excluindo o fato do lance individualista e com um toque de inexperiência contra a Alemanha - que, ironicamente, poderia acabar em gol de Fernando Torres, que acabara de entrar no lugar do Guaje), mas não fora tão decisivo quanto o camisa sete, autor do gol da classificação contra Paraguai e Portugal. O barcelonista, por sua vez, teve uma queda no rendimento. Muito preso aos zagueiros adversários, não marcou em nenhuma das duas partidas, tendo uma chance real de comemorar um tento somente na final.

Hoje, ao revelar a lista de convocados para o amistoso contra a Venezuela, que será disputada na quarta que vem, em Málaga, Del Bosque evidencia que Fernando Torres não é mais seu plano A. E, também, que o medo de não escalá-lo já passou: se for preciso, como contra Inglaterra, República Tcheca e Escócia, em 2011, até improvisar David Silva e Fàbregas como falso nove vale mais a pena. Na coletiva, comentou a não convocação do atacante do Chelsea. "Torres não está bem. Me doeu deixar de fora, mas não posso ser injusto com quem está melhor no momento e merece convocação", disse, referindo-se a Llorente, que já é convocado, e Soldado, este convocado pela primeira vez em cinco anos, a primeira com Del Bosque.

O treinador deixou claro que "a lista é uma base para a Euro, mas não é definitiva". Ou seja: a volta de Torres é plausível, mas El Niño terá que suar. Soldado e Llorente, atualmente, fazem temporadas totalmente superiores a um atacante de clube top que marcou apenas 3 gols na temporada. A moral com a torcida, que o idolatrava tanto, também está caindo por água abaixo. Em enquete do Marca, 89% concordaram com a ação do treinador de não convocar Torres. É a primeira vez que o jogador fica fora, sem ser por lesão, desde 2006, quando o técnico ainda era Luis Aragonés. Com 91 jogos pela seleção, Fernando Torres tem rendimento baixo no Chelsea, onde perdeu a posição de titular mais uma vez. O atacante está há 24 partidas consecutivas sem marcar um gol.

É cedo para projetar com exatidão o futuro do canterano colchonero na seleção, mas alguns pontos têm que ser destacados. A seleção parece não ter se adaptado ao 4-3-3 com Iniesta aberto pela esquerda, Villa na referência e Silva à direita; Busquets, Xabi Alonso e Xavi não emplacaram e sentiram a ausência de Iniesta no setor; e as improvisações de Fàbregas e Silva como falso centroavante não deu certo quando a Fúria enfrentou uma seleção de nível maior (Inglaterra). Um Torres em condições faz falta. A partida contra a Venezuela vai servir para Vicente Del Bosque testar Llorente. A indefinição tática ainda prossegue. Mesmo insistindo no 4-3-3, a tática que mais deu retorno no pós-Copa foi o 4-2-3-1. Sem Villa, Llorente seria o nome perfeito para fazer a função de referência numa tática com a qual está acostumada.

Goleiros: Iker Casillas (Real Madrid), Victor Valdés (Barcelona), Pepe Reina (Liverpool-ING);
Defensores: Álvaro Arbeloa (Real Madrid), Sergio Ramos (Real Madrid), Gerard Piqué (Barcelona), Carles Puyol (Barcelona), Jordi Alba (Valencia), Andoni Iraola (Athletic Bilbao), Javi Martinez (Athletic Bilbao);
Meio-campistas: Xabi Alonso (Real Madrid), Thiago Alcântara (Barcelona), Cesc Fàbregas (Barcelona), Sergio Busquets (Barcelona), Santi Cazorla (Malaga), Xavi (Barcelona), Andrés Iniesta (Barcelona);
Atacantes: David Silva (Manchester City-ING), Iker Muniain (Athletic Bilbao), Roberto Soldado (Valencia), Fernando Llorente (Athletic Bilbao), Juan Mata (Chelsea-ING), Jesus Navas (Sevilla), Alvaro Negredo (Sevilla).

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Volta por cima

O mau início de temporada do Athletic Bilbao foi deixado para trás com a vaga na final da Copa do Rei (AS)

Quando lançou sua candidatura à presidência do Athletic Bilbao, Josu Urrutia antecipou que tinha um antigo desejo de contratar Marcelo Bielsa. Não deu em outra: o presidente ganhou com uma vantagem considerável do rival Fernando García Macua e o argentino desembarcou no País Basco para susbstituir Joaquín Caparrós. No início, a torcida não ficara muito satisfeita. Caparrós era um treinador querido, que estava no clube desde 2007. Mas não demorou para o pensamento dos bascos irem mudando. Conhecido por sua proposta de jogo voltada ao ataque, Bielsa herdou de Caparrós uma excelente base para continuar seu trabalho.

Entretanto, os primeiros jogos de El Loco no comando técnico bilbaense não foram agradáveis. A equipe começou a Liga num ritmo lento, perdendo três e empatando dois nos primeiros cinco jogos. O fato de somar apenas dois pontos em 15 disputados começou a deixar a torcida com um pé atrás com o argentino, que, por sua vez, manteve-se tranquilo e pediu sequência, necessário em um trabalho como esse. O divisor d'águas para Bielsa veio exatamente naquele que os aficionados consideram um dos jogos mais importantes da temporada: o dérbi basco. Contra a Real Sociedad, que à época era a equipe sensação da Liga, um doblete de Llorente em pleno Anoeta deu uma vitória que mudou os rumos de Bielsa e do Athletic Bilbao na temporada.

Hoje, quatro meses após o dérbi, o Athletic Bilbao é outro. Ao golear o Mirandés por 6 x 2, garantiu o retorno à final da Copa do Rei, três anos depois de ser vice-campeão perante o Barcelona. Não bastasse isso, os leones também garantiram automaticamente uma vaga nas competições europeias em 2012/2013. Na Liga, ocupa a 6ª posição e é um candidato real a tomar a vaga do Levante na zona de Champions League. Atualmente, o único time que duela de igual para igual com os leones é o Atlético de Madrid, apesar de Espanyol, Osasuna e Málaga também estarem vivos.

A sensação é de evolução. É difícil basear-se num jogo contra um adversário inferior em todos os aspectos, mas o Athletic que despachou o Mirandés o fez com louvor. Sem nenhum poupado, deu uma aula de futebol à equipe da Segunda División B. A troca de passes no meio-campo e as tabelas frente à área do Mirandés enlouqueceram a equipe do treinador Carlos Pouso, que foi sucumbindo à medida que o jogo passava. Quanto mais forçava, mais o Athletic ficava perto do gol. E os trabalhos iniciou-se cedo, com Muniain marcando aos 10. Foi um recital. Iturraspe, Ander Herrera e De Marcos formam um excelente trio de meio-campo, enquanto Susaeta, Llorente e Muniain se completam na frente. O centroavante recuperou a forma do primeiro semestre de 2011 e faz 2012, por ora, impecável.

Bielsa implantou no Athletic Bilbao uma característica fundamental que, pelo visto, o elenco parece ter se adaptado com completo: a marcação pressão. Com três jogadores pressionando o adversário, a bola é recuperada com facilidade e fica com os jogadores. A posse de bola também aumentou consideravelmente em relação à temporada passada. Há duas semanas, quando foi goleado pelo Real Madrid, o Athletic saiu do Bernabéu com 52% da posse de bola. Bielsa já avisou: o objetivo não é jogar a final da Copa, e sim ganhar. Seja contra quem for. A vocação ofensiva e a marcação pressão que pode chegar a diminuir a posse de bola do Barcelona (58% foi a posse do Barça no confronto do San Mamés, no primeiro turno) podem levar o Athletic ao título.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

7ª rodada: A primeira vez de Marcelo Bielsa

Gols de Llorente dão primeira vitória ao Athletic Bilbao de Marcelo Bielsa na Liga Espanhola (getty images)

CONTEÚDO REMOVIDO PELO BLOGGER

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Alívio

Athletic Bilbao convence contra o PSG, esfriando a batata de Marcelo Bielsa (AP Photos)

Se o Athletic Bilbao ainda não tem convencido no Campeonato Espanhol, ao menos na Liga Europa a campanha é satisfatória. Jogando em casa contra o PSG, novo milionário da Europa, os rojiblancos do País Basco venceram bem por 2 a 0 e chegaram à liderança do grupo F. Uma vitória para aliviar a pressão exercida sobre Marcelo Bielsa, que não poupou ninguém para o dérbi contra a Real Sociedad no domingo. O time francês não conseguiu fazer frente ao Athletic Bilbao, especialmente depois da expulsão do meio-campista Sissoko, no segundo tempo. Javier Pastore, maior contratação da história do futebol francês, teve atuação apagada e foi substituído durante a partida, assim como o brasileiro Nenê, que deu lugar a seu compatriota Ceará.

Apesar de o Paris Saint-Germain ter esboçado uma pressão nos primeiros cinco minutos, o Athletic Bilbao logo tomou conta da partida, tentando, especialmente, jogadas aéreas para Llorente. Assim, foi desta forma que a equipe de Bilbao abriu o placar: aos 20', foi Llorente quem cruzou da direita, e Gabilondo, na segunda trave, acertou um belo voleio, abrindo o placar no San Mamés. Com a vantagem, os donos da casa seguiam em cima do PSG, que não tinha forças para resistir à pressão. Aos 28', Erdinç recebeu livre, arrumou para o chute, mas desperdiçou boa chance para o empate.

Nos dois lances seguintes, Nenê apareceu com destaque: em falta na direita, o jogador cruzou direto, obrigando Iraizoz a fazer boa defesa; no outro, porém, o camisa 10 desperdiçou um bom contra-ataque para o time parisiense. Animado, o PSG esteve perto do empate aos 43': Nenê fez a jogada pela esquerda e rolou para Bodmer, que, na meia-lua, bateu mal, por cima da meta de Iraizoz. O castigo veio três minutos depois: em um bom contra-ataque, Gabilondo cruzou para área, e Sussaeta, livre, tocou para o gol, ampliando a vantagem euskara na partida.

Precisando descontar a diferença no placar, o PSG sofreu um duro golpe logo aos 8' da segunda etapa: após dar um carrinho por trás em Muniain, Sissoko deixou o time francês com um a menos por mais de meia hora. A desvantagem numérica diminuiu o ímpeto do Paris Saint-Germain, que não chegava com perigo na área do Athletic. Assim, os rojiblancos passaram a controlar o jogo como queria, tocando a bola no meio de campo. Sem grandes chances nesse período, o Athletic Bilbao rodava a bola, e o PSG não gerava problemas.

Na próxima rodada, o Athletic joga novamente na Espanha, desta vez contra o Salzburgo, enquanto o PSG vai enfrentar o Slovan Bratislava, fora de casa. Os dois jogos estão marcados para o dia 20 de outubro.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Nada a temer

Italianos celebram o gol da vitória diante da Campeã Mundial. Apesar do revés, a seleção de Vicente Del Bosque continua firme no caminho certo (uefa.com)

O estádio San Nicola, casa do Bari, foi palco de um dos principais amistosos dessa quarta-feira de data FIFA. Com a pré-temporada na sua fase final e os jogadores ainda pregados fisicamente por causa dos inúmeros testes físicos, o Itália x Espanha de hoje não deixou a desejar. Para a campeã do mundo, nada que possa assustar. Para a Itália, a confirmação de que o caminho a seguir é este mesmo.

Vicente Del Bosque, respeitando acordos com Barcelona e Real Madrid, que disputam no próximo final de semana a Supercopa Espanhola, optou por uma escalação mista no início dos 90 minutos, abdicando de seu 4-3-3 utilizado após a Copa do Mundo para jogar no 4-2-3-1. Já Cesare Prandelli montou a Azurra em um 4-3-1-2, apostando em Montolivo, da Fiorentina, como trequartista.

A primeira etapa começou com amplo domínio dos donos da casa. Cassano, que jogava no estádio da cidade onde nasceu e que pertence ao clube que o projetou, investia forte em cima de Arbeloa pela esquerda defensiva da Fúria. Do outro lado, David Silva não acompanhava as subidas de Criscito ao ataque. E foi do quatro italiano a primeira real chance de gol, logo aos quatro minutos, quando Casillas viu tremer sua meta após um chutaço na trave vindo da entrada d'área. A Azurra era melhor e, em jogada pela esquerda, Criscito deixou o meia Montolivo cara a cara com o camisa um espanhol e o jogador da Fiorentina tocou por cima do goleiro, abrindo o placar para a Itália.

Quatro minutos depois, Fernando Torres - isolado no ataque e sem tocar na bola - aparentemente sentiu uma lesão muscular e deixou o gramado para a entrada de Fernando Llorente. Mas nada parecia fazer voltar o ritmo natural do jogo da Fúria, que acusava a falta de Xavi na meia cancha. A solução que Del Bosque achou para igualar o jogo foi pedir para o time marcar pressão o campo todo, o que gerou a primeira chance de gol espanhola com Cazorla, que chutou por cima do gol aos 33 minutos após jogada de Iniesta.

Logo em seguida, em jogada pela esquerda do próprio Cazorla, Llorente foi agarrado pelo braço por Chiellini: pênalti. Bola no meio do gol, Buffon caído para o lado esquerdo e gol de Xabi Alonso: 1 a 1. Ainda na primeira etapa, o selecionado italiano perdeu duas boas chances, uma com cada atacante: primeiro Rossi, depois Cassano pararam em grandes intervenções de Casillas. No último minuto, mais uma baixa na Fúria: Piqué sentiu desconforto muscular e deu lugar a Sergio Busquets. Problemas maiores para o Barcelona, porque o volante, ao término da partida, também deixou o estádio com problemas musculares.

Para a segunda etapa, Vicente Del Bosque continuou a poupar algumas de suas estrelas: saíram Iniesta, Casillas e Iraola para as entradas de David Villa, Victor Valdés e a tão aguardada estreia do menino Thiago Alcântara. As mudanças acarretaram algumas improvisações na equipe espanhola, nada que fosse alterar o 4-2-3-1 idealizado pelo comandante: Busquets, mostrando mais uma vez sua polivalência, jogou na lateral direita. Javi Martinez formou dupla de zaga com Albiol, enquanto Thiago jogou ao lado de Xabi Alonso na volância.

O ritmo italiano diminuiu na segunda etapa, o que facilitou o domínio dos campeões do mundo. David Villa e, principalmente, David Silva obrigaram Buffon a fazer pelo menos três boas defesas. Juan Mata, que entrou no lugar de Cazorla durante o segundo tempo, protagonizou o lance mais curioso do jogo: após centro da esquerda de Silva, o camisa treze conseguiu volear a bola, mas Llorente, que tentava sair da linha da bola ao jogar-se no chão, impediu a bola de chegar ao gol italiano.

Mas o castigo para o bom segundo tempo espanhol veio no final por intermédio de dois suplentes. Pazzini recebeu a bola na grande área e rolou para trás onde estava Aquilani, que chutou de primeira e contou com o desvio em Javi Martinez para enganar Valdés e dar a vitória para a Azurra. Balotelli e Bonucci ainda desperdiçaram chances de ampliar o marcador, cuja justiça apontaria para uma igualdade, já que os italianos começaram melhor, mas os espanhóis dominaram a segunda metade do amistoso.

Como podemos notar pela ausência no texto, a estreia de Thiago Alcântara na Fúria foi bem discreta. Atuando ao lado de Xabi Alonso, mais recuado que o de costume no Barcelona, e tendo que auxiliar a marcação pelo lado do improvisado Busquets no setor mais forte de ataque adversário, o jovem talento participou pouco das ações ofensivas espanholas. Ao que tudo indica, ele deverá ter uma continuidade no grupo de Vicente Del Bosque e pode receber chances na linha ofensiva que abstece o isolado atacante do esquema 4-2-3-1 da Fúria.

Outro destaque dos campeões do mundo no jogo foi David Silva, que parece estar disposto a recuperar seu futebol da época de Valencia. Silva merece menção pelo grande segundo tempo, quando trocou sistematicamente de posição com Cazorla e Mata, confundindo a marcação adversária.

A campanha tranquila nas Eliminatórias da Euro 2012 deve ter sequência no mês que vem sem maiores dificuldades. Apesar de não superar nenhuma seleção das chamadas "de grande porte" após vencer a Copa do Mundo, a Fúria deve fazer o dever de casa e patrolar a fraca seleção de Liechtenstein.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Campeones Del Mundo: Fernando Llorente

Fernando Llorente ergue a taça de campeão do mundo, o maior título de sua carreira, que foi alcançado com apenas 25 anos - FIFA

Grandalhão, mas com muita técnica. Do alto de seu 1,95m, Fernando Llorente é sinônimo de gols, seja com a perna direita, perna esquerda e, principalmente, de cabeça. No Mundial, com Pedro, Villa e Fernando Torres no plantel, ele teve pouco espaço. O camisa 19 jogou pouco mais de 30 minutos, contra Portugal, nas oitavas de final.

O futuro atacante nasceu em um hospital de Pamplona, onde uma tia sua trabalhava. Mas sua infância ocorreu em Rincón de Soto. A partir daí, Llorente começa a mostrar o talento para o futebol. Para jogar o esporte que amava, o ainda pequeno Fernando teve de voltar à região onde nasceu: Navarra, onde jogou pelo FC Funes. Logo depois, ele chegou ao River Ebro também das rendondezas de sua base.

Finalmente aos 11 anos, o atacante se tornou um dos leones, ao ingressar nas canteras do Athletic Bilbao. Desde o início da trajetória no clube basco, Llorente chamou a atenção, principalmente de José María Amorrortu, que indicou que ele fosse emprestado para ganhar experiência. O atacante, a princípio, rejeitou a ideia; porém, em 2003, acabou indo para o Baskonia (clube ligado aos leones).

No clube satélite foram 12 gols em 33 partidas, o que lhe rendeu a transferência para o time B do Athletic. No Athletic B foram apenas 16 jogos e quarto gols. Aos 19 anos, a partir daí, tudo começou a acontecer mais rápido em sua carreira. Logo estreou pelos bilbaínos e foi elogiado pela boa estreia. Três depois do debute, em um jogo da Copa del Rey anotou um triplete. Ao final do ano, os bons desempenhos lhe renderam a convocação para o Mundial sub-20, onde acabou como vice-artilheiro, perdendo apenas para Messi, que acabou ganhando o Mundial e o prêmio de melhor jogador.

Após o Mundial, Llorente voltou aos leones e viveu a pior e mais difícil fase da carreira. Foram duas temporadas lutando contra o rebaixamento, mas o Athletic conseguiu permanecer na elite. Depois do período em que marcou apenas sete vezes, em quase 50 jogos. O Rey León se concretizou, assumindo finalmente uma vaga entre os 11 de Joaquín Caparrós.

Ele inciou a temporada de 2008-09 embalado e foi pela primeira vez convocado pela seleção principal. O primeiro jogo ocorreu contra o Chile, mas ele passou em branco e só marcou pela roja em 11 de fevereiro de 2009, no 2 a 0, contra a Inglaterra. A partir daí, convocações se tornarão comuns na vida do centroavante basco. Ao final do ano, ele havia 18 vezes, sendo o principal artilheiro da equipe.

O feito foi repetido em 2009-10, foram 23 gols ao longo do ano e, no final da temporada, a sonha presença na lista dos 23 que iriam à África do Sul. Como dito no início, Llorente jogou apenas pouco mais de 30 minutos, mas ainda jovem já foi campeão do mundo, mostrando que sua trajetória com a fúria deve ser longa.

Nos primeiros jogos oficiais pós-Copa, o camisa 19 do Mundial decidiu: foi dele a metade dos seis gols, contra Lituânia e Escócia, jogos pelas Eliminatórias da Eurocopa 2012. No clube, o Rey León segue reinando e, nesta temporada, ajudou os bilbaínos com 18 gols. Assim o Athletic se classificou para a Liga Europa de 2011-12.

Fernando Llorente
Nascimento: 26 de fevereiro de 1985, em Pamplona, Espanha
Posição: Atacante
Clubes: FC Funes (1994-95), River Ebro (1995-96), Athletic Bilbao (1996-2003 e 2004-atualmente) e Baskonia (2003-04)
Títulos: Europeu sub-19 (2006) e Copa do Mundo (2010)
Seleção espanhola: 13 partidas e 7 gols

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Balanço Final: Athletic Bilbao

David López é abraçado por Iraola: a dobradinha no lado direito foi fundamental. Na foto, eles são ladeados por Llorente e Muniaín, outros destaques da campanha rojiblanca (bilbao.theoffside.com)

Campanha: 6ª colocação, 58 pontos, 18 vitórias, 4 empates e 16 derrotas. 59 gols pró 55 gols contra. Classifcado à Liga Europa 2011-12.
Competição europeia: Não participou.
Copa del Rey: Eliminado nas oitavas de final pelo vice-campeão Barcelona.
Time-base: Iraizoz; Iraola, Mikel San José, Amorebieta, Castillo; Gurpegui, Javier Martínez; David López, Toquero, Munain; Llorente
Os artilheiros: Fernando Llorente (18 gols), Gaizka Toquero (7 gols) e David López (6 gols)
O técnico: Joaquín Caparrós
O destaque: Fernado Llorente
A decepção: Óscar De Marcos

O Barcelona por apostar nas canteras é sempre exaltado, mas esta temporada mostrou, mais uma vez, que o Athletic Bilbao também tem um modelo de sucesso: a valorização dos jogadores bascos. Os bilbaínos jamais foram rebaixados e, em 2010-11, conseguiram a importante classificação à Liga Europa 2011-12. A equipe descrita por Caparrós como quem tem “muita alma”, mostrou isso, pois só garantiu a participação na competição continental na última rodada. Essa importante classificação se deve muito ao centroavante isolado no 4-2-3-1 dos leones: Fernando Llorente marcou 18 vezes em La Liga e chegou aos 84 gols com a camisa rojiblanca, alcançando a vigésima colocação na lista de artilheiros da história do clube. Além disso, o artilheiro jogou todas as 38 partidas do Athletic Bilbao no campeonato.

Com a política de contratar pouco, a manutenção dos campeões mundiais Llorente e Javier Martínez foi fundamental para se manter no topo. Como os leones mudam pouco, o entrosamento dos 11 que jogam é muito bom e um fator de desequilibrio, em uma liga que há muita disputa abaixo de Barcelona e Real Madrid. O “mago de aiegui”, após fazer parte do grupo campeão mundial, demorou a engrenar e, a partir da 16ª rodada, ele passou a marcar gols, que ajudaram no crescimento do Athletic em La Liga, e também se tornou mais constante. Além dos dois, outro jogador mostra que terá muito futuro na Furia: o jovem Iker Muniaín marcou cinco vezes e vem crescendo a cada temporada e ainda tem apenas 18 anos.

A dupla Iraola e David López, que atua pelo lado direito, também se destacou, juntos eles deram 13 assistências no Campeonato Espanhol. Eles também ajudaram nos gols, o meia conseguiu seis e o lateral fez quatro, produção muito boa. Mas, existem as grandes decepções: o atacante De Marcos é a maior delas, jogou 13 vezes e não balançou as redes em nenhuma delas, seguindo apenas como promessa, com 22 anos. Para o próximo ano, a tendência é que o elenco bilbaíno não mude muito, portanto seguirá forte, mas existe a ressalva. Em 2011-12 serão três competições, incluindo a LE, ou seja, o modelo de gestão rojiblanco poderá atrapalhar, pois temporada promete ser longa. Como o Athletic só contrata bascos ou descendentes de bascos, reforçar este elenco com a qualidade necessária será o grande desafio do presidente Fernando García Macua, que ainda enfrentará eleições em breve.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

100%

Em seu jogo de número 101 com a camisa roja, Xavi marcou e aproximou a Fúria da fase final da Euro (reuters)

Atual campeã da Eurocopa e da Copa do Mundo, a Espanha vem repetindo as boas campanhas nas eliminatórias para a Eurocopa 2012. Mesmo sem dar show, a "Fúria" foi à Lituânia nesta terça-feira e bateu os donos da casa por 3 a 1, garantindo assim os 100% de aproveitamento e a liderança isolada do grupo I. Por outro lado, os lituanos se mantiveram com quatro pontos, na quarta colocação.

A partida, que ocorreu na cidade de Kaunas, quase não ocorreu devido ao mau estado do gramado do estádio Steponas Darius e Stasys Girenas. Porém, após a autorização da Uefa e da arbitragem, os espanhóis superaram as adversidades para o seu jogo de toque de bola e conseguiram o triunfo com gols de Xavi, Kijankas (contra) e Mata (Stankevicius diminuiu para a Lituânia).

Apesar de prejudicada pelo mau estado do campo de jogo, a seleção espanhola tomou a iniciativa ofensiva nos primeiros minutos de jogo e começou a impor a sua característica de toque de bola. Assim, não demorou muito para a Fúria abrir o placar. Aos 19 minutos, Xavi recebeu de David Villa e bateu para o gol de fora da área. Após um desvio na zaga lituana, a bola encobriu o goleiro Karcemaskas, que não conseguiu evitar o tento adversário.

Ainda no primeiro tempo, a Espanha teve a chance de ampliar a sua vantagem. Aos 40 minutos, Cazorla cruzou para Llorente, que recebeu sozinho na grande área e chutou para o gol. No reflexo, Karcemaskas defendeu com o pé e afastou o perigo da meta lituana.

No segundo tempo, incentivada pela sua torcida, a Lituânia chegou ao empate em pouco tempo. Aos 12 minutos, após um bate-rebate na entrada da área, a bola sobrou Stankevicius, que chutou rasteiro da intermediária no canto direito do goleiro Casillas.

Mesmo com o gol sofrido, a Espanha não se abalou na partida e conseguiu recuperar a dianteira no placar pouco depois, quando Mata recebeu lançamento na esquerda e cruzou para a área. Tentando se antecipar ao atacante Llorente, o lituano Kijankas acabou pegando errado na bola e marcou um gol-contra.

Tranquila com a vantagem, a Espanha ainda chegou ao seu terceiro gol, na jogada mais bonita da partida. Após uma triangulação pelo lado direito, Silva tocou para Mata dentro da área, e o meia só teve o trabalho de deslocar o goleiro lituano com a perna esquerda, para garantir a vitória espanhola e mais três pontos nas Eliminatórias para a Euro 2012.

Momento várzea

Camisa que Llorente usou na Lituânia foi a mesma utilizada na Copa do Mundo: ainda sem a estrela de campeã mundial (AP Photos)

Não era só o campo do estádio de Kaunas, capital da Lituânia, que remetia ao Desafio ao Galo na partida entre os donos da casa e a Espanha na terça. Um fato curioso – e, até certo ponto, bizarro – foi o destaque da partida. Lloriente entrou em campo com o uniforme que a seleção espanhola utilizou na Copa do Mundo, cujos detalhes são bem diferentes do atual. De fato, é estranho ver tal erro num jogo oficial da Uefa, ainda mais quando se trata da atual campeã mundial; mas, de fato, essas coisas acontecem também com as "melhores famílias".

quarta-feira, 2 de março de 2011

Resumo: 25ª rodada (2ª parte)

Jonas entrou no segundo tempo e marcou um gol importantíssimo para o Valencia, seu primeiro com a camisa naranja (reuters)

Nos dois principais jogos de domingo, brasileiros foram responsáveis pelo resultado de suas equipe: na Cantábrio, um gol de Nilmar aos 89' evitou uma queda do Villarreal perante o Racing Santander, enquanto que no País Basco, Jonas marcou o gol que decretou a virada do Valencia ante o Athletic Bilbao. Confira a segunda parte do resumo da rodada.

Athletic Bilbao 1x2 Valencia
O Valencia conquistou três pontos fundamentais na luta pela terceira posição (ou campeonato paralelo a Barcelona-Real Madrid, como já está sendo apelidado). Com o triunfo, o Valencia chegou a 51 pontos, enquanto que o Athletic estacionou nos 38. Unai mandou a campo um 4-2-3-1, até um certo ponto surpreendente, já que havia elogiado Jonas no meio da semana e resolveu preterí-lo em última hora. O jogo começou bem truncado e, aos 13', Llorente abriu o placar, após dividir e levar a melhor sobre Navarro. O zagueiro ché, aliás, foi o nome negativo da partida. Além de sofrer verdadeiro carnaval de Llorente, Navarro resolveu apelar na segunda etapa: o defensor desceu o sarrapo nos jogadores leones, principalmente em Llorente, que criticou ferrenhamente Muniz Fernández, o árbitro da partida. Aos 37', mais polêmica: Bruno cometeu pênalti claríssimo em cima de Susaeta, não assinalado por Muñiz, para desespero dos aficionados presentes na Catedral.

No segundo tempo, Unai lançou Jonas e Tino Costa e simplificou as coisas: a entrada dos dois jogadores foi providencial para a virada ché chegar. Após tanto pressionar, o Valencia chegou ao empate. Após toque de calcanhar de Soldado, Joaquín recebeu em profundidade na direita e cruzou à área. A zaga basca, em um lance de infelicidade, não cortou, e a bola sobrou limpa na esquerda para Mata só ter o trabalho de empurrar às redes. Dez minutos mais tarde, a virada: Tino Costa arriscou um chute de longe e, após Iraizoz dar rebote, Jonas apareceu completamente livre para decretar a vitória naranja, bem comemorada ao término da partida. Na quarta, o Valencia tem um desafio bem complicado ante o Barcelona, no Mestalla. Nas coletivas, Unai dá a entender que ainda não é a hora de Jonas ser titular - é provável que Mata seja utilizado estranhamente de falso nove.

Racing Santander 2x2 Villarreal
Valeu o ditado de que quem não faz leva no El Sardinero. Os anfitriões tiveram o jogo nas mãos por duas vezes, mas não souberam segurar. Pior: pecaram ao extremo nas finalizações e viram Nilmar castigar aos 89'. Por outro lado, Marcelino Toral segue invicto no comando técnico dos verdiblancos, mas desperdiçou uma boa oportunidade de lograr sua terceira vitória consecutiva. Pelo lado amarillo, Garrido revolucionou no seu onze inicial: Nilmar, Cazorla, Capdevilla e Gonzalo ficaram no banco e o técnico deu oportunidades a alguns canteranos (como o promissor Gulón, que sentiu o peso da estreia e não foi bem). A zaga amarilla esteve em noite bem infeliz. No primeiro gol dos cantabrianos, por exemplo, a linha burra foi feita e Ariel chutou no contra-pé de Diego López. No segundo, erro de posicionamento de Musacchio, que deixou Giovanni dos Santos livre. O mexicano, principal contratação do Racing no inverno, finalmente deu as caras e, com categoria, chutou no canto esquerdo do arqueiro amarillo. É de se elogiar a bela partida de Diego López, verdadeiro paredão nas redes do Villarreal. O ataque do Racing pecou, mas muitas vezes o goleiro evitou o gol.