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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Futebol ofensivo

Antes de mais nada, gostaria de pedir de desculpa pela escassa atualização no blog nos últimos meses. De fato, o tempo está pegado para mim até em janeiro. Ainda que num período menor, no entanto, uma coisa eu prometo: não deixarei esse espaço acabar, atualizando-o semanalmente. Aproveitem e conheçam um projeto no qual faço parte há mais ou menos cinco meses, o Doentes Por Futebol, clicando aqui.

Vitória da Real Sociedad ante o Barcelona não surpreende (AP Photos)

2006/2007 foi a última temporada que uma equipe sem ser Barcelona e Real Madrid conseguiu disputar o título com a dupla até a rodada final. Naquela temporada, o Sevilla de Juande Ramos demonstrou poder de força ao ganhar Copa do Rei e Copa da Uefa e terminar em terceiro na Liga com 71 pontos, cinco a menos que os gigantes. Na temporada posterior, o Villarreal até ficou à frente do Barcelona (dez pontos), num campeonato decidido com quatro rodadas de antecedência - o Real Madrid, campeão, ficou oito pontos à frente do Submarino Amarelo. 

A monopolização da Liga Espanhola nos últimos anos criou uma espécie de preconceito por parte de quem não assiste. "Ah, mas só tem Barcelona e Real Madrid", diz um. Está mais que claro que a diferença deles para os demais é abissal, o que não quer dizer que o campeonato vive só de jogos de merengues ou blaugrana. E é esse motivo que me leva à criação desse texto. Sobretudo na atual temporada, quase 80% das equipes do futebol espanhol tem adotado uma proposta de jogo ofensiva, baseada no estilo direto de buscar o gol. É algo que vem em ascensão desde o início do Barcelona de Guardiola e, consequentemente, do período vencedor da seleção espanhola.

É claro que, atualmente, a Liga BBVA está muito longe da Premier League e da Bundesliga como campeonatos, em geral. A média de público do campeonato espanhol é muito inferior aos campeonatos da Inglaterra e da Alemanha, muito por causa dos altos ingressos cobrados pelos clubes. Nem o líder Barcelona tem atraído muitos fãs em alguns locais em relação às temporadas anteriores. Em setembro, na visita ao Getafe, pouco mais de dez mil pessoas acompanharam a vitória azulgrená por 4x1 com dois gols de Messi. No aspecto técnico, no entanto, a diferença não é tão notável. Dentro de campo as equipes da primeira divisão têm proporcionado jogos agradáveis.

Um exemplo recente foi o duelo entre Real Sociedad e Deportivo há uma semana. Lanterna do campeonato, o Deportivo foi a San Sebastián disposto a vencer, enquanto os mandantes crescem atuando no Anoeta, onde tiraram a invencibilidade do Barcelona neste sábado. O 1x1 foi pouco porque os dois times pecaram na finalização, mas o duelo divertiu o público e quem assistiu. Foram mais de 30 chutes a gols, 56% da posse de bola para os bascos e aplausos ao término da partida. A mentalidade ofensiva da Real, adquiridade desde a chegada do hoje contestado Phillipe Montánier, apelidado na França de Guardiola francês, vem colhendo frutos à equipe, que hoje briga por uma vaga na Liga Europa, e tira o melhor de seus principais jogadores, como Vela, Griezzmann e o subestimado Xabi Prieto.

Athletic Bilbao no Old Trafford em 2011-2012: aula de futebol ao Manchester United (BBC)

Na temporada passada, o Athletic Bilbao de Bielsa chamou a atenção da Europa pela proposta de jogo levada a campo. Alcançou as finais da Copa do Rei e da Liga Europa, mas perdeu para o Atlético de Madrid e Barcelona. Ainda assim, fica na cabeça dos torcedores a lembranças das classificações ante Manchester United e Schalke 04. Em sua visita a Old Trafford, os Leones mostraram duas virtudes irrefutáveis. A primeira foi individual, de ótimos jogadores como Javi Martínez, De Marcos, Muniain, Susaeta e Llorente, que derrubaram o conceito preconceituoso de que o clube, limitado a atletas bascos, não pode competir em alto nível. A segunda e mais importante foi coletiva: os habituais ataques em bloco, pressão à defesa adversária e zelo com a posse de bola que fazem de Marcelo Bielsa um treinador brilhante. Atualmente, os bilbaínos fazem temporada muito abaixo da média, muito pelo fato dos problemas internos terem refletixo nas atuações em campo. O jogo não flui, as peças-individuais não brilham, mas mesmo assim a equipe não abdica do estilo de jogo que encantou o futebol europeu na temporada passada.

A grande ironia disso tudo, talvez, é que a Liga Espanhola mais agradável para se assistir nos últimos anos já parece ter um campeão definido. O Barcelona, que está oito pontos à frente do Atlético de Madrid e 15 do Real Madrid, não deve deixar o título escapar. O virtual campeão tenta agora alcançar e ultrapassar os registros do Real Madrid de José Mourinho, que é, nos números, o maior campeão espanhol da história. As atenções se voltam à disputa por vagas na Liga dos Campeões. Além do Barcelona, é difícil imaginar a dupla de Madrid de fora do torneio, o que faz restar uma última vaga. Atualmente, Bétis, Rayo, Valencia e, em menor proporção, Levante e Real Sociedad se mantém na disputa. Em comum entre eles, além do esquema tático (4-2-3-1), está o estilo de jogo ofensivo.

Os milionários elencos de Barcelona e Real Madrid e a criticada divisão de receitas das cotas de televisão tendem a ainda deixar, pelos próximos anos, a Liga BBVA bipolarizada - a não ser que campanhas como a do atual Atlético de Madrid apareça no meio do caminho. No entanto, as demais equipes apresentam espírito competitivo das demais equipes e um estilo de jogo atrativo. Assim, a Liga Espanhola, definitivamente, tem argumentos para ganhar novos fãs e diminuir o preconceito por quem não assiste.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Brasileiros e a Liga Espanhola

 O ex-palmeirense Cicinho caiu nas graças da torcida do Sevilla e é o melhor lateral direito da Liga até o momento (getty images)

Os fãs de futebol europeu, em geral, sabem que a Liga Espanhola é uma das vitrines para os jogadores brasileiros aparecerem positivamente. Recentemente, vimos Ronaldinho Gaúcho conquistar o mundo após atuações mágicas vestindo a camisa do Barcelona. Na mesma época, Ronaldo não cansava de ir às redes pelo Real Madrid - isso sem dizer sua fase fenomenal pelo Barcelona, em 1996. Um pouco antes, Rivaldo e Djalminha viraram reis de Catalunha e Galícia. No entanto, nos últimos dois anos, o número de destaques tornaram-se escassos. À exceção de Daniel Alves e Marcelo, nenhum brasileiro apareceu na mídia europeia recebendo muita atenção. Porém, baseado neste início de temporada, isso está chegando ao fim. Em 2012/2013, praticamente cada setor do campo tem um ou dois brasileiros como destaque de seus times.

A grande exceção é o homem de referência, o que evidencia um problema que o futebol brasileiro passa de maneira geral. Hoje, a maioria dos jogadores de área com poder de decisão atuam no futebol brasileiro. Fred, Luis Fabiano e Leandro Damião, por exemplo, foram os últimos convocados por Mano Menezes para atuar de nove. Até podemos comentar sobre Pato, mas este não vive sua melhor fase no Milan e se lesiona com frequência. Até por isso, o ex-treinador utilizou Neymar de falso nove em suas últimas partidas, até, também, para poder encaixar o santista com Oscar e Kaká na equipe titular. ale comentar sobre Diego Costa, que fez um bom primeiro semestre no Rayo Vallecano atuando de referência, mas no Atlético de Madrid foi "recuado" à posição de segundo atacante por causa de Falcao García.

Mas voltando ao tema central do texto começamos pelo gol. Diego Alves nunca foi titular absoluto do Valencia por causa do sistema de rotação que os ex-treinadores Unai Emery e Mauricio Pellegrino faziam. Contudo, desde a época de Almería, onde chegou a ser especulado com força no Real Madrid, ele vem aparecendo de modo positivo. Nesta temporada, logo na primeira rodada, fechou com o gol contra o Real Madrid no Santiago Bernabéu. Exímio pegador de pênaltis, já parou Messi e Cristiano Ronaldo no mano a mano. No último sábado, foi um dos únicos poupados pela exigente torcida valenciana após a goleada sofrida em pleno Mestalla para a Real Sociedad, por 5x2. Os números apontam uma contradição, mas não fosse por Diego Alves o vexame poderia ser muito maior.

Pouco conhecido do grande público, Leo Baptistao (19) é a principal reveleção da temporada. Natural de Santos, jogou salão com Neymar quando garoto (AS)

Na setor defensivo, os colchoneros brilham: Miranda é o melhor zagueiro da temporada e Filipe Luís, no mínimo, aparece no top 3 na lateral esquerda. O ex-são paulino, após um início conturbado, se adaptou à forma de jogo do Atlético de Madrid e principalmente após a chegada de Simeone viu seu futebol crescer bastante. O mesmo vale para Filipe Luís. Atualmente, ele está numa versão semelhante ou superior àquela dos tempos de Deportivo La Coruña, onde foi eleito o melhor lateral esquerdo da Liga 07/08. O polivalente Adriano, que faz as vezes de lateral esquerdo, direto e até zagueiro, também merece uma menção honrosa. Homem de confiança de Tito Vilanova, seu único porém é se lesionar bastante. Apto, tem feito boas partidas. No sábado, saiu de campo aplaudido pelos torcedores presentes no Camp Nou.

Mas o grande destaque é o ex-palmeirense Cicinho. Após um início de temporada a mil, ele tem caído substancialmente de produção nos últimos jogos, mas continua sendo o melhor lateral direito da Liga. Parceria com Jesus Navas pela direita é o principal trunfo do Sevilla. Após tirar onda com Cristiano Ronaldo no duelo da sexta rodada, caiu definitivamente nas graças da torcida. Cicinho é disciplinado taticamente e aparece com sobressaliência nas jogadas ofensivas.

Na parte ofensiva, a grande revelação é Leo Baptistao, jovem de 19 anos do Rayo Vallecano. Natural de Santos, transferiu-se ainda cedo, aos 15 anos, para o clube de Vallecas, mostrando uma progressão madura em seu futebol. Em 2011/2012, passou boa parte da temporada no departamento médico graças a uma grave lesão na clavícula, mas está 100% curado e vê, em 2012/2013, um ano de redenção. Apesar de muleque, tem futebol de gente grande e vem justificando isso nesses primeiros quatro meses de temporada. São sete gols e quatro assistências em 13 jogos, o principal artilheiro brasileiro nas principais ligas europeias. Por outro lado, Jonas, após um suposto atrito com Pellegrino, foi relegado ao banco nos últimos jogos, mas tem moral com a torcida ché e pode voltar à equipe titular com Ernesto Valverde, confirmado como novo treinador do Valencia hoje pela manhã.

Em tempos de mudança de treinador na seleção brasileira, vale a pena ficar de olhos em alguns desses nomes. Diego Alves e Adriano eram figurinhas carimbadas nas convocações de Mano Menezes, e devem continuar fazendo parte das listas de Felipão. Valeria a pena testar os outros?

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O Real Madrid aprendeu a lição

 Mourinho e Cristiano Ronaldo são os principais responsáveis pelos recentes resultados positivos do Real Madrid contra o Barcelona (zimbio)

Casillas; Arbeloa, Sergio Ramos, Pepe, Marcelo; Xabi Alonso, Khedira; Di María, Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema. Há dois anos, 10 desses 11 nomes começaram como titulares na humilhante derrota de 5x0 para o Barcelona. Naquele dia, apenas Arbeloa começou no banco, entrando no segundo tempo. Os blaugranas continuam sendo superiores, mas atualmente o Real Madrid já consegue enfrentá-los de igual para igual. Os resultados dos superclássicos apenas em 2012 evidencia tal evolução madrilenha: duas vitórias barcelonistas, dois empates e duas vitórias merengues. Ontem, mais um capítulo da história do Superclássico foi escrito. Em partida de gala, o 2x2 mostrou as carências das duas equipes na temporada, mas ratificou o novo peso do duelo. 

Atualmente, o Real Madrid sabe como jogar contra o Barcelona sem se acovardar (muito). Nesse cenário, dois personagens merecem destaque: Cristiano Ronaldo e José Mourinho. O treinador português conseguiu dar um padrão de jogo à equipe que Florentino Pérez tanto tentou achar com Manuel Pellegrini. A lição da manita foi aprendida em peso: para jogar contra o Barcelona, a aplicação tática precisa estar à mil. Após muitos confrontos, Mourinho, estrategista que é, conseguiu encaixar seu jogo ao do rival. Com intensidade, compactação dos setores negando espaços a Messi e velocidade para surpreender a zaga adiantada e em linha do Barça com Cristiano Ronaldo se infiltrando em diagonal, o Real Madrid, hoje, sabe como jogar contra os catalães.

Aí, o craque português tem seus méritos. Sempre taxado por amarelar nos clássicos, ele virou a página. Ao marcar de esquerda o gol que abriu o placar, Ronaldo tornou-se o primeiro jogador da história da rivalidade a marcar em seis confrontos consecutivos. Quem vê o Ronaldo de 2012 e o Ronaldo das temporadas anteriores sabe que houve uma mudança. O atual não tem medo de ousar. Chuta, dribla, toca, provoca. Aquele Cristiano Ronaldo apagado, com medo e displicente que enfrentava o Barcelona é coisa do passado.

Na parte defensiva, houve mudanças substanciais. Ainda que Pepe saia do sério a todo momento (e, convenhamos, se ele não saísse estranharíamos), ele mantém a cabeça no lugar a ponto de não comprometer. A emblemática expulsão no confronto da Champions League 10/11 mudou seus nervos - ainda que, na ida do jogo da Copa do Rei, ele tenha pisado em Messi. E isso ajuda em seu desempenho em campo. Na vitória de abril, por exemplo, o luso-brasileiro teve atuação de gala.

Quem também merece menção é Özil e Di María. O argentino é a válvula de escape dos blancos, sempre impussionando velocidade na parte esquerda da zaga blaugrana e sendo importante na recomposição. A marcação a Daniel Alves (ou Montoya, como no caso de ontem), anula uma dos trunfos do Barcelona. O alemão, por sua vez, vive cenário semelhante ao de Cristiano Ronaldo. E a parceria entre os dois é alta: em superclássicos, são cinco assistências do camisa dez ao gajo, quatro apenas nos confrontos deste ano.

O cenário é tão favorável ao Real Madrid que o empate foi comemorado do lado barcelonista. Tudo bem que deveria ser mesmo, afinal os oito pontos de vantagem se mantém e os azulgrenás atuaram com a zaga reserva, mas fatalmente isso seria lamentado há um ano, por exemplo. E a volta por cima dos merengues favorecem os fãs do futebol espanhol. A equipe de José Mourinho se concentra em jogar bola e não ficar à base de pancadas. Assim, mesmo sendo inferior, conseguiu achar uma fórmula de encarar o Barcelona.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Modric é realmente necessário?

Modrid x Xavi: vai virar rotina? (getty images)

Há nove anos, o Real Madrid contratou um jogador de que não precisava: David Beckham, por generosos 25 milhões de euros ao Manchester United. Os Red Devils, que estavam negociando o jogador com o Barcelona, aceitaram prontamente a oferta do clube merengue, o que acabou fazendo o Barcelona ir até Paris contratar Ronaldinho Gaúcho. Makélélé, que estava no auge e era peça essencial no esquema de Vicente Del Bosque, foi relegado ao banco em prol da titularidade do inglês e resolveu abandonar o clube, se transferindo para o Chelsea de José Mourinho. No final das contas, a contratação de Beckham não deu certo. Ele não chegou a fracassar, mas sua entrada na equipe titular do Real Madrid desmontou todo esquema que, durante três anos, vinha dando certo e conquistando título atrás de título. O Spice Boy só foi conquistar seu primeiro troféu relevante na capital quatro anos depois de sua chegada, a Liga BBVA 2006/2007.

O meio-campo, tão forte e seguro, ficou frágil e sentiu bastante a ausência de um roubador de bola. Claramente, a equipe sobrava em fantasia e magia, mas sentia o baque quando atacada. No final, o projeto megalomaníaco de Florentino Pérez teve consequências contrárias: muito sonho, pouco resultado. De pouco em pouco, os galáticos foram se desfazendo. Hoje, o excesso de armadores no elenco continua. José Mourinho tem à disposição quatro criadores de jogadores: Xabi Alonso, Granero, Sahin e até mesmo Özil. Porém, estaria disposto a oferecer 40 milhões de euros para tirar o croata Modric do Tottenham. A qualidade do volante é inegável, mas ele seria realmente necessário nessa equipe do Real Madrid? 

Dificilmente um jogador que custa tão caro chega para ser reserva. Como Xabi Alonso é o cérebro da volância, a bomba acabaria caindo em Khedira, que provavelmente seria rejeitado ao banco. Mas isso daria certo? Numa equipe tão cheia de grife, é difícil prestar atenção em jogadores que quase não marca gols e dá assistências. Mas, se for parar para reparar, o camisa 5 é tão importante quanto Xabi Alonso na proposta de jogo do treinador português. O alemão marca, desarma, tem carta branca para chegar à área rival e deixa Xabi menos sobrecarregado na criação de jogadas. É, mal comparando, o Makélélé da equipe atual.

A lateral direita é a maior - e talvez a única, aliás - carência do elenco. Ainda assim, Mourinho prefere não arriscar. Ele não dá margem de erro a esse negócio e só admite contratar o jogador certo. Num mercado tão escasso de lateral direito, é difícil imaginar o Real Madrid gastando dinheiro com algum jogador para o setor. Mou teria ficado satisfeito com a Eurocopa de Arbeloa, com quem não pensa em se desfazer. Lass Diarra seria a solução caseira para substituir o espanhol (até faz sentido porque o francês foi bem jogando na lateral com Mourinho). Na base, um jogador chama a atenção: Juanfran, destaque do Castilla na temporada passada e que apareceu com sobressaliência na partida amistosa contra o Oviedo, semana passada. Carjaval é o canterano mais promissor para a posição, mas rumou para o Bayer Leverkusen, em mais uma pataquada da diretoria merengue com seus canteranos.

Atualmente, todas as especulações da imprensa madrilenha falam em uma contratação para a volância. O alvo preferencial de Mourinho é Modric, mas a negociação não é simples. Axel Witsel é alternativa ideal, só que o Benfica também não está disposto a liberar o belga tão facilmente. Calculista para promover as necessárias mudanças, Mourinho afirmou há duas semanas que o desejo para a temporada é a conquista da Liga dos Campeões. No fundo, ele sabe que está à frente de muitas equipes e que o título europeu bateu na trava na temporada passada. Aliás, uma das missões de Mourinho já foi cumprida: descanbar o Barcelona à nível nacional. Falta a conquista europeia, que transformaria o gajo numa lenda na capital. Seu time está pronto há duas temporadas e não precisa de reparo, sobretudo do meio para frente. Então, para que a contratação de Modric?

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O dilema de Ander Herrera

Confirmado como titular da final da Liga Europa mais tarde, Ander Herrera vive sob dúvidas nos últimos dias. O meio-campista faz uma temporada que sonhava quando resolveu sair do Zaragoza e assinar com o Athletic Bilbao. Além de estar na final da competição europeia e da Copa do Rei, ganhou o aspecto de peça-chave do esquema de Marcelo Bielsa, participando de 46 jogos na temporada. Mas essa marca tem ganhado uma sombra negativa que leva a comissão técnica e o departamento médico do Athletic Bilbao à preocupação.

Em 23 oportunidades, o treinador argentino o substituiu. E não foi por casualidade. O jovem sofre com problemas crônicos no púbis desde o início da temporada que o obrigam a jogar com dores na maioria das partidas. A temporada bilbaína o desgastou mais que o habitual. Fora as 38 rodadas da Liga BBVA, os Leones disputaram mais 8 da Copa do Rei (9 contando a final) e 17 da Liga Europa. Mesmo que o fato de chegar às finais das Copas seja gratificante e de ter um elenco bom, certamente quando preparou a pré-temporada, Bielsa não esperava que sua equipe só não disputaria mais jogos na temporada que o Barcelona (três jogos a mais que o Real Madrid). Isso trás consequência ao grupo, que é limitado e curto, e os resultados são os maus resultados em âmbito nacional. Na Liga Espanhola, por exemplo, o Athletic não teve forças para disputar vaga na Champions League. Além disso, El Loco Bielsa é pouco afeito a rodízios.

Llorente sofreu bastante, mas sem dúvidas o maior prejudicado da história é Ander Herrera. Por isso, passa por um dilema. A ideia inicial era aguentar até o limite da temporada para tomar uma decisão. Ander foi um dos principais responsáveis dos méritos dos rojiblancos na temporada e desejou muito estar na parte mais decisiva da campanha bilbaína. Na hora da verdade, ele quer estar presente. Na cabeça de Bielsa, nem se passa não utilizar seu xodó. Contudo, há situações que obrigam o jogador e o serviço médico do clube a repensar a situação. Um exemplo notório é quando Susaeta não está em campo. O ex-jogador do Zaragoza, em momentos como esse, é o encarregado a cobrar faltas e escanteios. Em três oportunidades na temporada, pediu substituição ao sentir dores justamente na hora da execução dessas jogadas. "Força muito os músculos", disse Laura Martínez, médica do clube.

A última solução seria operar agora, após a final da Copa contra o Barcelona. O que leva a seguinte conclusão: provavelmente, Ander ficaria de fora das Olimpíadas. Também peça-chave do esquema de Luis Millá, o jovem faria falta em Londres. Entretanto, ao contrário do Athletic Bilbao, a seleção sub-23 espanhola tem substituto em caso de ausência de seu armador. Thiago poderia ser deslocado à função de armador e Muniain jogar aberto à esquerda; Adrián pode ser adiantado e jogar como no Atlético de Madrid (não necessariamente como referência do 4-2-3-1, onde, porém, foi o artilheiro da seleção na Euro Sub-21), abrindo espaços para Álvaro Vázquez no ataque; ou Milla pode mudar o esquema para o 4-3-3, jogando com Mata, Adrián e Muniain na frente e Javi Martínez, Busquets e Thiago na meiuca, o que poderia deixar o meio-campo pesado com dois primeiros volantes.

Operar no início da próxima temporada não passa pela cabeça de Ander. Independente do resultado da seleção principal na Eurocopa, as chances de Vicente Del Bosque começar a renovar o grupo em busca do bi-mundial são grandes e o nome de La Perla já é pedido por muitos. À medida que a temporada passa, ficava evidenciado que Ander Herrera já não era mais capacitado de oferecer seu melhor rendimento graças as dores. Na semana passada, não treinou com os companheiros, apesar de estar confirmado contra o Atlético de Madrid. No momento, tudo que passa por Ander é uma incógnita.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Falta um algo a mais ao Real Madrid?

Özil e Cristiano Ronaldo são símbolos de um Real Madrid que, por ora, padece nos momentos decisivos (getty images)

"Talvez esse Real Madrid tenha um pouco menos de fantasia do que no passado", disse Jupp Heynckes, técnico do Bayern de Munich. Embora tenha admitido que os blancos são muito perigosos e uma das melhores equipes do mundo, o treinador campeão europeu com o Real Madrid em 98 não hesitou em soltar essa. Os números mostram o contrário: só o fato de contar com 108 gols na Liga Espanhola joga por água baixo a confirmação do alemão. Mas a análise de Heynckes, baseada nos jogos contra equipes grandes do Real Madrid, teve sua validade comprovada há pouco, na derrota por 2x1 para o Bayern de Munich na partida de ida das semifinais da Uefa Champions.

Quando falamos em fantasia, quase toda comparação que se faça com o Madrid campeão pela última vez da Uefa Champions League será ingrata. Afinal, a força motriz daquele time era um meio-campo com Makélélé, Figo, Zidane e Mcnamanam. A formação inicial de hoje não foi diferente da habitual. Teve Xabi Alonso, Khedira, Di María, Özil e Cristiano Ronaldo. Mas aí vem o questionamento sobre o poderio dessa equipe em partidas que requer múltiplo esforço. Di María esteve bastante opaco e errou quase tudo que tentou. Cristiano Ronaldo não foi nem 40% do jogador de 53 gols na temporada e passou em branco perante Phillip Lahm. Özil e Benzema tentaram, mas não tiveram muito sucesso. O alemão teve lampejos, marcou até o gol de honra, mas em certos momentos da partida foi anulado pelo compatriota Schweinsteiger.

Talvez faltasse mais ousadia por parte de Mourinho. O recuo inexplicável após o tento de Özil, quando o Real Madrid dominava, chamou o Bayern ao jogo. Saíram Di María e Özil, entraram Marcelo e Granero. Aí vem mais um questionamento: por que não apostar na ofensividade da equipe e tentar sentenciar ainda em Munich. Havia espaços para isso. A defesa do Bayern, como explicada no preview, não é nada confiante. Tirar Di María, que ainda mostra uma falta de forma física ideal em relação ao pré-lesão, não é nada anormal, mas por que não Kaká? O brasileiro vem crescendo de produção e é mais confiável nesses tipos de jogos.

É também importante entender a cabeça de Mourinho em grandes jogos. O tímido 4-3-2-1 após o gol de empate, com Cristiano Ronaldo distante do gol, é mais uma mostra de que ele prioriza a defesa nessas circunstâncias. A opção por Fábio Coentrão no lugar de Marcelo (aquele que "é tudo, menos um lateral" na visão do treinador português à época de Inter de Milão) só evidencia essa tese. Acontece que a temporada do brasileiro é mais sólida de sua carreira na Europa. O lateral tem balanceado as subidas ao ataque com a ajuda na marcação na hora do contra-ataque adversário. Em campo, Coentrão sofreu. Na primeira etapa, quando Robben caia pela seu setor; em partes da segunda etapa, quando Ribéry inverteu de lado; e nos minutos finais, quando, precisando de qualquer forma da vitória, Lahm abandonou a marcação a Cristiano Ronaldo e se lançou ao ataque. Fez a jogada do gol de Mario Gómez justamente driblando o lateral gajo.

É preciso ver a importancia do gol de Özil por um lado. "Não precisaremos de milagre nenhum. Basta jogarmos o nosso futebol e fazer, pelo menos, um gol para irmos à final", disse Mourinho após o jogo. Ainda que possa sofrer um gol num contra-ataque bem encaixado pelos bávaros no Bernabéu, as palavras de Mourinho tem um quê de realista. O problema é a atenção necessária ao Bayern na partida de volta. O outro é como irá se comportar o Real Madrid caso receba o primeiro gol ou volte do intervalo com o marcador zerado. Mais uma vez ficou ratificado que os blancos não sabem jogar pressionado. A falta para expulsão de Marcelo em Thomas Müller exemplifica o nervosismo em situações adversas. Enquanto isso, antes da última parada rumo à final, o Real Madrid tem pela frente o Barcelona. Tudo que Mourinho não queria.

sábado, 24 de março de 2012

Quem quer ser o 9?


A menos de três meses da estreia na Eurocopa 2012 contra a Irlanda, a posição de centroavante no grupo espanhol está mais aberta do que nunca. A disputa mantém uma competência constante entre os cinco principais atacantes espanhóis no momento. A decisão não é facil e as diferenças entre eles são claras. Até o dia 15 de maio, data em que se conhecerá por parte de Vicente Del Bosque a lista definitiva para a competição, David Villa, Fernando Torres, Álvaro Negredo, Roberto Soldado e Fernando Llorente deverão convencer ao treinador nacional que é a melhor opção para ser a referência da Roja.

A lógica é que Del Bosque leve dois atacantes à Euro, mas existem outras opções que não se podem descartar. Esses planos alternativos aos principais terão maior ou menor peso em função do estado físico dos cinco supracitados acima nas semanas prévias ao segundo principal torneio de seleções. As deveras utilizações de Fàbregas como falso nove no Barcelona, as aparições de nomes como Muniain e Adrián e a polivalência de jogadores como Silva e Iniesta poderiam até descartar a opção de jogar com uma óbvia referência. Entretanto, parece improvável que o treinador madrilenho opte por uma dessas opções, embora seja importante lembrar. Há, também, a dúvida quanto a parte tática. Del Bosque não sabe se joga no 4-3-3 ou no 4-2-3-1 utilizado na reta final da Copa do Mundo.

Deste modo, e salvo algum imprevisto maiúsculo, o treinador campeão europeu com o Real Madrid deverá depositar em um desses cinco nomes suas esperanças de gols na busca pelo bi da Eurocopa. A incógnita quanto ao estado de Villa, a desastrosa temporada de Fernando Torres, a falta de experiência de Soldado em competições desse nível, a brusca queda de produção recente de Negredo e o perfil de Llorente levam o treinador a um dilema e abre um debate: quem deverá ser o '9' na Polônia e Ucrânia? Abaixo, o que os candidatos têm contra e a favor para ganhar a disputa.

David Villa
El Guaje vem fazendo um trabalho específico para chegar em forma à competição. Há algumas semanas, declarou que seu maior desejo é disputar a Eurocopa e poder ajudar o Barcelona na reta final da temporada. Na temporada, foram 15 jogos disputados (893 minutos) e 7 gols.

A favor: É o maior goleador da história da seleção, é decisivo em momentos cruciais e, em condições de jogo, sua presença é indiscutível. Unanimidade, não tem nem discussão se será titular ou não caso vá ao torneio.
Contra: Sua lesão no Mundial de Clubes, em dezembro, manteve-o inativo durante quase toda a temporada. Há quem diga que seja bastante difícil que chegue a tempo de disputar a competição.

Fernando Torres
Sua discreta temporada valeu até pela exclusão na última partida da Espanha, ante a Venezuela. Del Bosque citou que foi um alerta a El Niño, mas deixou claro que, se possível, irá sim deixá-lo de fora da competição. O apelo do povo espanhol já não é tão grande, como em outras ocasiões. Há uma semana, voltou a reconciliar-se com as redes, marcando dois gols contra o Reading, pela Copa da Inglaterra. Na temporada, foram 22 jogos disputados (1232 minutos) e apenas 5 gols.

A favor: Del Bosque o esperou até o último momento na Copa do Mundo e não hesitará em fazê-lo novamente, apesar de suas últimas declarações. Além disso, conta - e muito - com a confiança do treinador.
Contra: Dentre os cinco, é o que tem menos gols. Ficou quase seis meses sem marcar um golzinho sequer

Fernando Llorente
Presente habitualmente nas listas de Del Bosque, faz uma temporada muito boa. Mantém uma relação de amor com as redes e contribui de maneira decisiva para a temporada positiva do Athletic Bilbao. Na temporada, foram 23 jogos disputados (1782 minutos) e 19 gols.

A favor: Provavelmente, é quem faz melhor temporada entre os candidatos. Vive um grande momento, é um homem gol sedento por ir às redes e é presença indiscutível nas listas de Del Bosque.
Contra: Por não ter a velocidade como principal característica, foge do perfil de jogo proposto por Del Bosque. Ironicamente, é quem menos se encaixa no sistema e na forma de jogar da Fúria.

Roberto Soldado
Seu melhor argumento é marcar gols. Tem 20, sendo o atacante espanhol com mais número de gols na temporada. Contra a Venezuela, praticamente garantiu sua vaga no plantel anotando um hat-trick. Na temporada, foram 26 jogos disputados (2150 minutos) e 20 gols.

A favor: É o máximo goleador espanhol na temporada e aproveitou sua única oportunidade que teve com Del Bosque.
Contra: A principal desvantagem de Soldado perante os outros concorrentes é o fato de não ter sido testado outras vezes. A falta de partidas contra seleções de alto nível em seu histórico é bastante relevante.

Álvaro Negredo
Individualmente, o sevillista vinha em boa temporada. Porém, o fato de sua equipe estar fazendo uma temporada muito irregular acaba gerando consequência drásticas no desempenho de Negredo. Nos últimos meses, caiu de produção. Na temporada, foram 20 jogos disputados (1535 minutos) e 6 gols.

A favor: Foi a alternativa habitual nas ausências de Torres ou Villa. É totalmente adaptado ao grupo e ao esquema proposto por Del Bosque.
Contra: Seu recente histórico de lesões provocou uma queda considerável no rendimento. É muito provável que não chegará em seu melhor momento na temporada.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Muito mais que dois times

Antes de mais nada: a classificação do Athletic Bilbao, sobretudo, levou-me a escrever esse texto. A Liga Espanhola nunca esteve tão desvalorizada como atualmente. A antes Liga das Estrelas, de grandes craques e grandes time, hoje é ridicularizada por muitos. "É feio você ver um clube jogar fora de casa e ganhar de sete, oito. Várzea", dizem muitos. Historicamente, Barcelona e Real Madrid são os maiores vencedores do país. Dois clubes que sempre dominaram o futebol do país, mas nunca de maneira tão clara e simultânea.

Minha posição é claríssima. Não são os outros que são ruins, mas Barcelona e Real Madrid, os dois clubes de futebol mais famosos do mundo, que são bons demais. O Barça é possivelmente o melhor time da história. O Real Madrid tem o time mais milionário da sua (rica) história, o melhor treinador da década, o segundo melhor jogador do mundo, é tão bom, mas tão bom, que vai ganhar todo um campeonato do… melhor da história. O domínio dos gigantes leva um monte de gente a dizer que o Campeonato Espanhol é ridículo, é um campeonato de apenas dois times, como citado. Insinua-se que Real Madrid e Barcelona só ganham tantos jogos, só marcam tantos gols, porque os rivais são fracos. Todos fracos.


É óbvio que o futebol espanhol precisa olhar para dentro, fazer uma autocrítica e mudar regras. É lógico que não é saudável ter dois times tão superiores. Está claro que a divisão de dinheiro precisa ser mais bem feita para evitar o abismo. Ninguém aqui está falando que o modelo é perfeito. Mas é simplesmente um erro dos grandes, dos grandes mesmo, menosprezar os times e o futebol da Espanha. Seria oportunista me apegar somente aos resultados. Merengues e azulgrenás só não farão a final da Champions League se caírem do mesmo lado da chave no sorteio de amanhã cedo. Os especialistas do mundo todo consideram Real e Barcelona proporcionalmente tão favoritos na Champions como o são no Campeonato Espanhol. O domínio exacerbado deles não é apenas doméstico, é continental. Na outra Copa, a Europa League, Valencia, Atlético de Madrid e Athletic Bilbao estão garantidos nas quartas de final. Três espanhóis entre os oito. Cinco entre os 16 das duas competições continentais.

A Liga Espanhola tem que repensar várias coisas e é difícil repensar quando o país está afundado em crise e só o esporte salva a autoestima. Logicamente há times fracos, como em todas as ligas do mundo. Mas não há só dois times bons, não. Há dois que são os melhores do mundo, há vários taticamente arrumados e alguns muito bons. O Athletic, com o gênio, genioso e genial Bielsa, é um deles. Esse time acaba de mudar de patamar. O Valencia com a proposta de jogo voltada ao ataque é outro exemplo. E o Atlético de Madrid de Simeone, bem sólido na defesa, jogando no contra-ataque e contando com um atacante nato como Falcão García na frente, é mais um exemplo. É evidente que a questão dos direitos de TV deve ser resolvida, e que isto facilitaria que esses times médios conseguissem competir melhor com os grandes na Espanha. Mas se isso acontecer, não quero nem imaginar quantas equipes espanholas trunfariam na Europa

domingo, 25 de setembro de 2011

Raúl: você levaria?

Raúl trajando o uniforme da seleção espanhola: ainda há possibilidades para isso? (reuters)

O início de temporada do futebol europeu não reservou aos atuais atacantes que são frequentementes convocados por Vicente Del Bosque uma fase boa. Porém, de jogo em jogo, Villa e Fernando Torres vão recuperando a forma de algumas temporadas e começam a desencantar. Llorente, que apareceu como titular no último jogo da Fúria, ainda está bem opaco num Athletic Bilbao bem confuso com Marcelo Bielsa. Apenas Negredo vive uma fase interessante: em cinco jogos, balançou a redes três vezes.

A má fase destes traz à tona um velho conhecido do povo espanhol e de Vicente Del Bosque: Raúl Gonzáles Blanco, segundo maior artilheiro da história da Espanha e bi campeão europeu e espanhol com Vicente Del Bosque no início do século. Raúl Madrid, como é conhecido, ainda tem esperanças de ser convocado à Eurocopa de 2012, mas mantem-se cauteloso: "se for convocado, ficarei muito feliz. Ir à seleção é um grande privilégio, mas não vou perder o sono. Estou tranquilo, a situação não mudou e não vai variar", disse em entrevista recente ao AS. Ontem, esbanjou classe, junto com Jurado (ex-Atlético de Madrid), ao marcar o quarto gol da vitória do Schalke 04 contra o Freiburg. A última participação de Raúl na seleção foi em 6 de setembro de 2006, na derrota de 3 a 2 para a Irlanda do Norte em Belfast.

Com 34 anos, o artilheiro madridista ainda pode mostrar mais pela seleção espanhola. Em questão de números, é soberano. Mas há uma lacuna bem vazia: a questão de títulos. Foi apenas um, que, vale lembrar, foi com a seleção de base (Eurocopa Sub-21 de 1996). Com a principal, colecionou fracassos: Copa do Mundo e Eurocopa, além das Olímpiadas de 2000, onde foi medalha de prata. O início de temporada com o Schalke 04 é excelente, o que mostra que o craque é o atacante espanhol que vive em uma melhor fase no momento: seis gols em sete jogos. Na temporada passada, quando "surpreendeu" a Europa ao comandar o Schalke 04 semifinalista de Uefa Champions League - ratificando que essa é a sua competição -, foram 19 gols em 30 jogos.

Hoje, ainda há alguns aspectos que afasta Raúl da seleção. Vicente Del Bosque tem, teoricamente, um grupo fechado, além de prezar por jogadores jovens (vide a convocação de Pedro à Copa do Mundo em última hora). Há, também, a questão do atual esquema que o treinador utiliza: o 4-3-3 não oferece garantias ao atacante. É difícil saber até se, no fundo, ele tem essa pretensão. Vale lembrar que, na Copa do Mundo, o esquema utilizado foi totalmente oposto ao das eliminatórias (mudou do 4-4-2 de Aragones para o 4-5-1 com Villa como referência). Um esquema com três meias e um atacante também não seria o ideal para El grán capitán blanco.

A decisão precisa passar pela análise do aproveitamento dele e de outros atacantes na temporada (Villa, Fernando Torres, Llorente, Negredo, Pedro). Fisicamente bem, aos 34 anos, Raúl seria alguém com potencial decisivo em minutos finais. A pergunta final que fica: se ele continuar em uma boa fase, com aproveitamento melhor que os atacantes da seleção, será possível?