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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A recuperação merengue

Özil levanta Cristiano Ronaldo: o português começou o ano voando e impulsiona um Real Madrid que parecia morto na temporada (getty images)

Se tudo ocorrer da maneira que o madridismo deseja, o Real Madrid da temporada 2012-2013 pode ser dividido em dois: o de agosto a dezembro e o de janeiro ao restante da temporada. Isso porque o "segundo" Real Madrid dá mostras de recuperação em relação àquele que deu vexame na primeira parte da temporada. Nesta quarta-feira, às 18h (horário de Brasília), os merengues recebem o Barcelona no Santiago Bernabéu. É o primeiro confronto da fase de ida da semifinal da Copa do Rei. Em três confrontos contra o rival na atual temporada, uma vitória, uma derrota e um empate. Equilíbrio, que valeu o título da Supercopa em agosto.

Já é sabido por todos os múltiplos problemas nos vestiários merengues. É algo que o clube convive desde a chegada de Mourinho, mas teve seu estopim no final do ano passado, quando o treinador português, indiretamente, confirmou o conflito de relações ao barrar Casillas do difícil compromisso na Andaluzia ante o Málaga. Após a derrota por 3x2, ele desafiou: "Vejo que Adan está melhor no momento. Tenho a consciência tranquila", disse. O gajo cavava a própria cova. Como não poderia deixar de ser, imprensa e torcida madrilenha ficaram ao lado do capitão.

Dentro de campo, a proposta de jogo era executada num ritmo mais lento. O Real Madrid sofreu contra o Borussia Dortmund na Champions League, perdendo na Alemanha e empatando em Madrid, e só não saiu do Camp Nou derrotado pelo Barcelona pela bola na trave de Montoya e um chute desperdiçado por Pedro no minuto final. A bem da verdade, também por Cristiano Ronaldo, em noite mágica e autor de dois gols. As peças-individuais, como o próprio craque da camisa sete, não faziam tanto a diferença. Ronaldo se destacava, mas faltava mais contudência. E essa contundência aparece com perfeição em 2013. Em sete jogos no ano, foram dez gols (dois hat-tricks). 

Quando o seu principal jogador atua de maneira assim anima os demais. Isso explica a recuperação do bom futebol de Di María e Benzema.  Özil, por sua vez, mostra-se bem irregular. No entanto, o alemão tem crescido de produção nos jogos mais pegados da temporada (atuou bem contra Borussia Dortmund, Barcelona e Atlético de Madrid), diminuindo um pouco o ritmo contra os pequenos. É uma irregularidade paradoxal, mas que ele precisa acabá-la. O aspecto que precisa evoluir mesmo são os fundamentos defensivos, uma das virtudes da equipe na temporada passada. Laterais, proteção à defesa e, especialmente, concentração são essenciais.

Em meio ao aparecimento repentino de uma boa fase, uma má notícia. Após disputa de bola pelo alto, Arbeloa acabou, sem querer, lesionando a mão de Casillas, que irá ficar de fora por três meses. A lesão de Iker, que havia recuperado a titularidade na guardameta, cai como uma bomba, que Mourinho logo tratou de desarmar. Um dia após a confirmação de que não teria o goleiro multicampeão até abril, o treinador nascido em Setúbal pediu a Florentino Pérez a contratação urgente de um goleiro. Foi atendido, claro: na sexta-feira (25), o clube anunciou a contratação de Diego López, canterano que fez parte do elenco entre 2005-2008. Diego López não vive boa fase desde sua saída do Villarreal, mas é um goleiro confiável pelo seu histórico no passado (já foi terceira opção para gol da seleção espanhola - ok, não é grande coisa).

O Real Madrid está invicto em 2013. Isso porque Mourinho resgatou uma equipe mais sólida e recuperou o contra-ataque mais mortal do mundo, que fez estragos em 2011-2012. Por enquanto, a ascensão dos jogadores citados acima e a perspicácia tática para superar a coleção de problemas assegura paz e tranquilidade no ambiente em Chamartin. Mas vem aí um Barcelona confiante pela temporada que faz e com Messi e Iniesta em estados de graças. É a chance do elenco blanco ratificar a ressurreição na temporada e confirmar, acima de tudo, por que o Manchester United tem de abrir o olho na Liga dos Campeões da Uefa.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

A vitória e os erros

 José Mourinho comemorou acintosamente o gol de Cristiano Ronaldo, mas colaborou para a vitória sair de maneira tão dramática (AS)

A Champions League voltou com tudo. No Santiago Bernabéu, Real Madrid e Manchester City protagonizaram o melhor jogo do dia, que terminou numa virada épica dos merengues por 3x2. A vitória, sobretudo neste grupo, considerado o da morte, deve ser bastante comemorada, muito porque a fase da equipe da capital já começava a ganhar contornos de crise. No entanto, não deve deixar de lado os erros cometidos por José Mourinho na escalação inicial. Abaixo, alguns comentários:

1) O trivote defensivo. Se você parar para pensar e lembrar que o Real Madrid de Mourinho derrotou Milan, Bayern de Munich e Barcelona jogando no 4-2-3-1, a escalação do confronto de hoje tem que ser mais contestada ainda. Mourinho voltou a repetir o 4-3-3 com uma trinca de meio-campistas. Essien, Khedira e Xabi Alonso não jogaram mal, mas o domínio territorial amplo dos merengues na primeira etapa sentiu a falta de um cérebro. O gajo não poderia, necessariamente, utilizar Modric e Özil juntos, mas um deles seria ideal.

2) Benzema ou Higuaín? Mourinho, em suas duas primeiras temporadas, costumava revezar a posição de centroavante a cada jogo. Nesta temporada, no entanto, tem dado preferência a Higuaín. Ainda que seja o artilheiro da equipe com três gols ao lado de Cristiano Ronaldo, o jogo parece fluir menos com Pipita. Ele é bom centroavante, mas desperdiça mais chances do que marca. Benzema, novamente relegado ao banco, teve apenas uma chance real e marcou. Higuaín, no primeiro tempo, perdeu duas.

3) Mesut Özil é fundamental. Uma grande verdade. Quando ele está bem, todo o meio-campo funciona. Quando ele está mal, o jogo cai. Hoje, o alemão entrou no segundo tempo quando ainda estava 0x0. Participou, diretamente, apenas do primeiro gol, mas passa outra qualidade ao setor. Logo após o tento de empate de Benzema, deu um toque atrás do meio-campo para o francês que terminou em defesa de Hart. No escanteio, Cristiano Ronaldo, contando com a colaboração do goleiro inglês, definiu. O português, que tanto tentou, mereceu. Hart, que tanto salvou, não merecia sofrer um gol assim.

4) A questão Sérgio Ramos. Durante a semana, o periódico El País, especializado e confiável quando o assunto é bastidores do Real Madrid, divulgou uma matéria sobre uma possível discussão do treinador português com os senadores do elenco após a derrota para o Sevilla. A ida de Sergio Ramos ao banco logo no jogo seguinte só coloca mais panos quentes no assunto. Varane, que começou em seu lugar, não comprometeu, mas não é tão confiável quanto o espanhol. Na coletiva, Mourinho fugiu da pergunta: "foi por questão técnica", disse. Ok.

Málaga 3x0 Zenit
Estreia perfeita do Málaga. Contra um rival direito, os blanquiazules fizeram o dever de casa, essencial caso queria avançar às oitavas de finais. A vitória só ratifica o excelente início de temporada dos andaluzes. Ao contrário de Mourinho, Manuel Pellegrini não teve medo de ousar: mandou a campo uma equipe totalmente ofensiva, armada no 4-1-3-2, que teve Portillo e Saviola escalados como dupla de ataque. O argentino voltou a marcar e não deve mais sair da equipe titular. Agredir os russos desde o início foi a chave da vitória. Na esquerda, Monreal foi bem no combate a Hulk. 

Mas quem merece um parágrafo à parte é Isco Román, que a cada dia vai deixando de lado o rótulo de promessa para virar realidade. Disputando um jogo de fase de Champions League pela primeira vez, o jovem não teve medo de ser feliz e foi o principal nome do jogo, marcando dois gols, incluíndo um golaço. Joaquín, aberto à direita, foi outra válvula de escape. 

Pellegrini exagerou na comemoração ao dizer que "em 2005/2006, ninguém confiava no Villarreal chegando até a semifinal", mas esse Málaga tem direito a sonhar. Ainda mais num grupo onde o cabeça-de-chave, Milan, está bastante enfraquecido em relação a outrora e não passou de um empate por 0x0 contra o Anderletch, próximo adversário dos boquerones.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Falta um algo a mais ao Real Madrid?

Özil e Cristiano Ronaldo são símbolos de um Real Madrid que, por ora, padece nos momentos decisivos (getty images)

"Talvez esse Real Madrid tenha um pouco menos de fantasia do que no passado", disse Jupp Heynckes, técnico do Bayern de Munich. Embora tenha admitido que os blancos são muito perigosos e uma das melhores equipes do mundo, o treinador campeão europeu com o Real Madrid em 98 não hesitou em soltar essa. Os números mostram o contrário: só o fato de contar com 108 gols na Liga Espanhola joga por água baixo a confirmação do alemão. Mas a análise de Heynckes, baseada nos jogos contra equipes grandes do Real Madrid, teve sua validade comprovada há pouco, na derrota por 2x1 para o Bayern de Munich na partida de ida das semifinais da Uefa Champions.

Quando falamos em fantasia, quase toda comparação que se faça com o Madrid campeão pela última vez da Uefa Champions League será ingrata. Afinal, a força motriz daquele time era um meio-campo com Makélélé, Figo, Zidane e Mcnamanam. A formação inicial de hoje não foi diferente da habitual. Teve Xabi Alonso, Khedira, Di María, Özil e Cristiano Ronaldo. Mas aí vem o questionamento sobre o poderio dessa equipe em partidas que requer múltiplo esforço. Di María esteve bastante opaco e errou quase tudo que tentou. Cristiano Ronaldo não foi nem 40% do jogador de 53 gols na temporada e passou em branco perante Phillip Lahm. Özil e Benzema tentaram, mas não tiveram muito sucesso. O alemão teve lampejos, marcou até o gol de honra, mas em certos momentos da partida foi anulado pelo compatriota Schweinsteiger.

Talvez faltasse mais ousadia por parte de Mourinho. O recuo inexplicável após o tento de Özil, quando o Real Madrid dominava, chamou o Bayern ao jogo. Saíram Di María e Özil, entraram Marcelo e Granero. Aí vem mais um questionamento: por que não apostar na ofensividade da equipe e tentar sentenciar ainda em Munich. Havia espaços para isso. A defesa do Bayern, como explicada no preview, não é nada confiante. Tirar Di María, que ainda mostra uma falta de forma física ideal em relação ao pré-lesão, não é nada anormal, mas por que não Kaká? O brasileiro vem crescendo de produção e é mais confiável nesses tipos de jogos.

É também importante entender a cabeça de Mourinho em grandes jogos. O tímido 4-3-2-1 após o gol de empate, com Cristiano Ronaldo distante do gol, é mais uma mostra de que ele prioriza a defesa nessas circunstâncias. A opção por Fábio Coentrão no lugar de Marcelo (aquele que "é tudo, menos um lateral" na visão do treinador português à época de Inter de Milão) só evidencia essa tese. Acontece que a temporada do brasileiro é mais sólida de sua carreira na Europa. O lateral tem balanceado as subidas ao ataque com a ajuda na marcação na hora do contra-ataque adversário. Em campo, Coentrão sofreu. Na primeira etapa, quando Robben caia pela seu setor; em partes da segunda etapa, quando Ribéry inverteu de lado; e nos minutos finais, quando, precisando de qualquer forma da vitória, Lahm abandonou a marcação a Cristiano Ronaldo e se lançou ao ataque. Fez a jogada do gol de Mario Gómez justamente driblando o lateral gajo.

É preciso ver a importancia do gol de Özil por um lado. "Não precisaremos de milagre nenhum. Basta jogarmos o nosso futebol e fazer, pelo menos, um gol para irmos à final", disse Mourinho após o jogo. Ainda que possa sofrer um gol num contra-ataque bem encaixado pelos bávaros no Bernabéu, as palavras de Mourinho tem um quê de realista. O problema é a atenção necessária ao Bayern na partida de volta. O outro é como irá se comportar o Real Madrid caso receba o primeiro gol ou volte do intervalo com o marcador zerado. Mais uma vez ficou ratificado que os blancos não sabem jogar pressionado. A falta para expulsão de Marcelo em Thomas Müller exemplifica o nervosismo em situações adversas. Enquanto isso, antes da última parada rumo à final, o Real Madrid tem pela frente o Barcelona. Tudo que Mourinho não queria.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Prévia: Bayern de Munich x Real Madrid

José Mourinho, atento: português briga pelo terceiro título europeu e verá o Bayern de Munich, adversário da última conquista, pela frente nas próximas semanas (getty images)

Quando voltou à presidência do Real Madrid, Florentino Pérez apostou todo seus milhões de euros em Cristiano Ronaldo e Kaká, naquilo que batizou de projeto galáticos 2.0. Um ano depois, após mais uma eliminação nas oitavas-de-finais da Champions League, o presidente resolveu ir para o tudo ou nada e gastou mais milhões em José Mourinho. Nesse meio tempo, o treinador foi campeão europeu com a Inter de Milão, desbancou o arquirrival Barcelona na principal competição europeia e conquistou a tríplice coroa, sonho antigo dos merengues.

Mais cedo, logo na introdução à temporada, Florentino Pérez, disposto a minar todos os jogadores comprados à época da gestão de seu antecessor, Ramón Calderón, praticamente chutou Arjen Robben do clube, que o vendeu ao Bayern de Munich. A primeira parte da vingança do holandês foi levar o time de Munich à final da LC justamente no Santiago Bernabéu, onde caiu para os milaneses da Inter. Mas, três anos depois, o destino coloca Robben frente a frente com o ex-clube e com o homem que o vendeu a troco de nada.

O confronto marca um dado especial: Bayern e Real Madrid já se enfrentaram 18 vezes em âmbito europeu, um recorde entre equipes de países diferentes (saiba mais aqui). O ringue da LC os unirão para o novos combates nos dias 17 e 25 de abril, na Allianz Arena e no Bernabéu respectivamente. É a última parada antes da tão sonhada final de Munique. A partir de agora, acompanhe o que de melhor e pior as equipes têm, a temporada até aqui da dupla e as expectativas para o eletrizante duelo. Quem escreve sobre os bávaros é Luan Cláudio, do site Bundesliga Brasil, especialista sobre o futebol tri-campeão mundial. Confira a prévia de Bayern de Munich x Real Madrid e depois, nos dois endereços, o resumo do embate. Boa leitura!

A temporada até aqui
Bayern de Munich: Pode-se dizer que a temporada do Bayern é boa e equilibrada: chegamos na reta final e o time está na briga para conquistar a tríplice coroa (Campeonato Alemão, Copa da Alemanha e a Liga dos Campeões). Na Bundesliga, ficou distante do título ao perder o confronto direto para o Borussia Dortmund e ver o rival abrir seis pontos de diferença na liderança, faltando quatro rodadas para o fim. Na DFB-Pokal, o time está na final e enfrentará o mesmo Borussia Dortmund, para tentar dar o troco pela provável perda do campeonato e conseguir um título contra o seu maior rival atualmente. Já na Champions, os confrontos contra o Real Madrid deverão ser decididos no detalhe, sendo talvez o duelo mais equilibrado desta edição da LC, onde parecem estar juntos duas equipes praticamente no mesmo nível e as únicas capazes de derrubar o favorito Barcelona no território europeu. O Bayern "dará a vida" nestes jogos para manter o sonho de conquistar o título na Allianz Arena, seu estádio e palco da grande final de 2012.

Real Madrid: Com a atenção mais voltada à Liga dos Campeões e com muita gordura para gastar, o rendimento na Liga Espanhola caiu e o Real Madrid deixou escapar uma larga vantagem que tinha sobre o Barcelona, agora atrás somente 4 pontos e com um superclássico para ser feito no Camp Nou, no próximo sábado, 21. Os blancos, que costumam perseguir os azulgrenás na tabela, se veem pela primeira vez em muito tempo na situação oposta e prometem não deixar escapar essa enorme chance de quebrar a sequência de títulos do principal rival. A vitória no dérbi contra o Atlético de Madrid, na melhor partida de Cristiano Ronaldo na temporada, anima os merengues para a disputa de mais um objetivo: o título da LC. Não obstante a queda de rendimento em âmbito nacional, esta é a mais sólida temporada blanca nos últimos anos, já que a equipe de José Mourinho, que merece muita parte dos créditos por isso, está disputando os dois principais títulos no momento. Mesmo após ter caído para o Barcelona na Copa del Rey e não ter a chance da manuntenção do título, a postura e o futebol desempenhados no Camp Nou, na partida da volta, recuperaram o orgulho madridista perante os catalães.

Pontos fortes
Bayern de Munich: Jupp Heynckes, treinador do Bayern, conseguiu dar ao time um equilíbrio maior nesta temporada, fazendo com que defesa, meio campo e ataque estejam sempre em sintonia. O ponto forte com certeza está no ataque. Os bávaros passaram das oitavas com um 7x1 contra o Basel no placar agregado e nas quartas com um 4x0 contra o Olympique de Marseille. Já são 22 gols marcados na competição, com o artilheiro Mario Gomez sendo protagonista e artilheiro do time com 11 tento, sendo ajudado e muito pelos inspirados Robben e Ribéry, que fazem uma ótima temporada e reencontraram o futebol de alto nível, sem sofrer lesões. Outro ponto forte dos bávaros são as laterais. Lahm efetivou-se como lateral direito por ser destro, tem muita facilidade de atuar no setor e muitos dizem que é melhor na direita do que na esquerda. Na outra lateral, Heynckes tirou da cartola David Alaba. O meia assumiu a posição e se encaixou perfeitamente no esquema do treinador, sendo forte na marcação e bastante efetivo nas chegadas ao ataque.

Real Madrid: O meio-campo. Seja quem for o companheiro de Cristiano Ronaldo na linha de três, a ofensividade merengue é avassaladora. Atualmente, Kaká e Özil têm começado mais entre os titulares, mas a volta de Di María, que até então apto era o melhor jogador da equipe na temporada, pode abrir uma nova disputa. Sem falar no coringa Callejón, que sempre entra muito bem em campo. Acostumado a enfrentar o Bayern na época de Schalke 04 e Werder Bremen e companheiro de seleção alemã de alguns jogadores bávaros, Özil recuperou a boa forma do primeiro semestre de 2011 e já é um jogador imprescindível no esquema de Mourinho. Ao lado de Kaká, seu futebol fica menos sobrecarregado e, assim, o camisa 10 consegue ditar o ritmo da partida. Benzema e Xabi Alonso também merecem destaques. O volante espanhol vive uma fase de gala às vésperas da Eurocopa, enquanto o francês é dono de 30 gols. Mas, claro, o destaque maior é para o craque: Cristiano Ronaldo. Na temporada, são 53 gols, sendo 41 na Liga Espanhola, quebrando seu próprio recorde histórico de gols, alcançado em 2010/2011. Ele dribla, arranca, pede bola, chama a responsabilidade, dá assistência, ajuda na marcação pelo setor esquerdo e marca gols. Polivalente, ainda pode ser deslocado para a função de falso nove numa emblemática postura voltada à defesa de Mourinho. O trio Benzema + Cristiano Ronaldo + Higuaín são donos de 108 gols em 2011/2012.

Pontos fracos
Bayern de Munich: Difícil encontrar um ponto fraco em um time tão forte e semifinalista de uma Liga dos Campeões, mas o Bayern de Munique tem os seus. A falta de peças de reposição é grande, principalmente no ataque. Se Mario Gomez não joga, Olic vai pro jogo, ou senão o garoto Petersen. E só. Na defesa, só há três zagueiros à disposição no elenco: Badstuber e Boateng (que jogam com frequência) e Van Buyten, tendo que improvisar por vezes o volante Tymoshchuk. Nas laterais, falta qualidade aos suplentes Rafinha e Contento, que, quando jogam, não vão bem, e em algumas oportunidades o volante Luiz Gustavo atua na lateral esquerda. Outro ponto fraco é a dupla de zaga. Badstuber e Boateng dão muitos sustos no torcedor bávaro e passam insegurança ao goleiro Neuer, apesar da equipe só ter sofrido 7 gols até aqui na UCL.

Real Madrid: O Real Madrid chegou em um momento complicado e crucial na temporada: jogando duas competições diferentes e passando por altos níveis de stress, é muito complicado manter a concentração. Até agora, Mourinho e sua comissão técnica tem conseguido sucesso em focar o grupo para as partidas da LC, torneio ao qual os blancos parecem totalmente dedicado. Mas, é bom lembrar, o Bayern de Munich será o primeiro teste real na competição europeia: até agora, os adversários foram de níveis totalmente inferiores, do naipe de Dínamo Zagreb, Lyon, Ajax, CSKA e Apoel. Porém, o cansaço mental é forte e tem feito o time errar um pouco mais do que de costume, vide o empate contra o Valencia há duas semanas. O peso de atuar em mais de uma competição cansa também o corpo. Mourinho, nem um pouco afeito a rodízio de jogadores, contribui um pouco para este desgaste ao dar pouco descanso para os titulares em momentos importantes da temporada. Por outro lado, os jogadores também não deram tanta chance para o treinador ousar um turnover mais radical ao caírem de rendimento e permitirem a aproximação do Barcelona. Fato é que jogar cansado contra uma equipe veloz como o Bayern pode ser mortal caso os jogadores não ocupem bem os espaços em campo.

Expectativas
Bayern de Munich: Quase impossível de se apontar um favorito no duelo, mas o time alemão tem totais possibilidades de passar por esta difícil semifinal e chegar a tão sonhada final em seu estádio, Allianz Arena. "Queremos ganhar o que der e teremos grandes jogos pela frente", disse o treinador Jupp Heynckes. Uma frase que explica tudo sobre o time nesta reta final de temporada, onde só terá jogos decisivos pela frente. É esperar que a dupla "Robbery" mantenha o nível de atuações, Mario Gomez continue marcando e que a defesa esteja sólida e passe segurança ao time e aos torcedores. Assim o Bayern de Munique tem enormes condições de conquistar não só a Liga dos Campeões, como também qualquer competição que disputar, mesmo que, na Bundesliga, não dependa mais de si.

Real Madrid: Em momento crucial na temporada, a comunidade madridista deseja a conquista do doblete, que só pode ser conquistado pelo próprio Real Madrid ou pelo Bayern e o Barcelona, esses dois últimos na disputa pela tríplice coroa. Nos poucos jogos que restam na temporada, o Real Madrid pode ser campeão de tudo ou terminar sem nada. Zero tituli, uma expressão popularizada por José Mourinho em tempos de Inter e que não passa na cabeça de nenhum torcedor ou simpatizante merengue. Na Liga BBVA, a tabela não irá requer muito esforço, mas dois jogos podem colocar em xeque o título blanco: o superclássico contra o Barcelona e o Athletic Bilbao, que já vê seus torcedores cobrando por uma atuação histórica a fim de tirar a taça das mãos do Real Madrid. Os blancos devem apostar tudo nos confrontos contra o Bayern para chegarem à histórica final e à possibilidade de conquistar La Décima. Bayern de Munich e Real Madrid; Real Madrid e Bayern de Munich. Duas das equipes que, segundo muitos, são as únicas capazes de acabar com a hegemonia do Barcelona se enfrentam na briga pela vaga na tão sonhada final. Não há dúvidas que os dois jogos serão os mais esperados da temporada europeia.

Provável escalação
Bayern de Munich: Neuer; Lahm, Boateng, Badstuber, Alaba; Luiz Gustavo, Kroos; Ribéry, Muller (Schweinsteiger), Robben; Mario Gomez.
Real Madrid: Casillas; Arbeloa, Pepe, Sergio Ramos, Marcelo; Xabi Alonso, Khedira; Di María (Kaká), Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema.

quinta-feira, 15 de março de 2012

A evolução que impulsiona o Real Madrid

Real Madrid 2.0 de Mourinho atropela seus adversários, faz uma temporada incrível e é taxado por muitos como melhor do mundo (getty images)

"Atualmente, o Real Madrid tem jogado mais até do que o Barcelona", sentenciou Maurício Pochettino. Embora tenha admitido que não sabe em quem apostar num embate entre os gigantes na Liga dos Campeões, o treinador argentino não hesitou em soltar essa após a goleada sofrida pelo seu Espanyol ante os merengues, há duas semanas. Minha intenção não é comparar as duas equipes ao longo desse texto, mas o fato é que a análise de Pochettino, baseada no jogo maximalista dos espanhóis, tem sua validade comprovada. E nem é por causa da vitória contra o CSKA, onde o Madrid jogou pro gasto, mas sim pela temporada num todo.

Cristiano Ronaldo é o melhor jogador da equipe da capital desde Zidane. O gajo é também o principal goleador do time de José Mourinho na temporada com impressionantes 41 tentos em 37 jogos e no próprio torneio continental com seis em igual número de partidas. No clube, já são 128, também no mesmo número de jogos. Dados históricos. Ainda que falte a Ronaldo participação mais efetiva em jogos contra o Barcelona, o dono da camisa 7 faz mais uma temporada sobrenatural. Além disso, conquistou o coração dos torcedores, que passaram a pegar em seus pés após consecutivas partidas ruins frente ao Barça. Nos últimos jogos, a Ultra Sur tem dedicado músicas em homenagem ao Pichichi da Liga. "É muito bom se sentir querido, amado", disse antes da partida contra o CSKA.

Apesar de ter o segundo melhor jogador do mundo no plantel, o Real Madrid deixa claro que não é dependente dele. Ao contrário da temporada 2009/2010, desde a chegada de Mourinho isso já vem se exemplificando. Ontem, por exemplo, CR7, apesar dos dois gols, não fez uma partida muito inspirada, mas os blancos souberam se saírem bens. O excelente André Rocha, do Olho Tático, explica melhor: acima de tudo, o Real de Mourinho é um time. Ou melhor, um timaço que nem precisa do fulgor de seu craque quando a vantagem técnica e tática sobre o oponente permite. Com Özil e Kaká promovendo com Ronaldo uma intensa movimentação em torno de Higuaín no 4-2-3-1 habitual, atacando pela esquerda com Marcelo e criando espaços para o apoio no lado oposto de Khedira que compensava o posicionamento mais conservador de Arbeloa, o Real Madrid consegue se impor.

A progressão nítida do Real Madrid é fruto de um trabalho que começou em 2009. Atenção especial a Florentino Pérez, que desde que retornou à presidência do Madrid tem feito contratações usuais. À exceção da temporada do retorno, quando gastou à rodo, Florentino tem evitado gastar milhões em estrelas e reforço o plantel com jogadores necessários. O retorno do presidente, aliás, é um divisor d'águas no recente caminho merengue. Jogadores como Özil, Di María, Xabi Alonso, Cristiano Ronaldo, Benzema, Khedira, todos contratados em sua gestão, são peças-chaves no time de José Mourinho. Antes chacota a âmbito europeu, hoje tão temido quanto o Barcelona. Essa é a evolução que impulsiona o Real Madrid.

O desempenho e o estilo de jogo são foram do comum. Nesse ponto, José Mourinho é o principal responsável. O Real Madrid propõe-se a ser agressivo e com a qualidade técnica de seus jogadores, aliando sempre com velocidade e precisão. A marcação melhora a cada partida. Mais avançada, até Cristiano Ronaldo, Özil e Kaká voltam para ajudar. Em relação a temporada passada, quando ficaram no quase, está aí a principal diferença. Povoado de jogadores, o Real Madrid sempre leva a melhor na batalha do meio-campo e congestiona o jogo do adversário. Os merengues impõem pressão física, praticamente atropelando seu rival. Com a bola, toca rápido, chega em velocidade pelos dois lados ou pela faixa central. Sem ela, marca forte, desarma muito e tem contra-ataque feroz. O título da Liga já está praticamente selado. A Europa é um sonho bastante provável.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Prévia: CSKA Moscou x Real Madrid

Cristiano Ronaldo e José Mourinho: estão nos portugueses as esperanças dos torcedores madridistas na Champions League (gettty images)

O estigma de amarelar nas oitavas-de-finais foi deixado para trás após a chegada de José Mourinho. Após seis anos caindo precocemente, os merengues chegam como máximos favoritos ao lado do Barcelona para copar a orelhuda. Se na temporada passada caíram diante do arquirrival na semifinal, as esperanças dos merengues estão em José Mourinho: o português costuma ter muitos êxitos em suas equipes nas suas segundas temporadas. Foi assim à frente de Porto, Chelsea e Inter, onde, no clube português e no italiano, conquistou a principal competição europeia.

Para seguir adiante no sonho de conquistar La Décima, Cristiano Ronaldo e cia terão pela frente o CSKA Moscou, que passou em segundo colocado num grupo com Inter de Milão e Lille. O Real Madrid fará jus às expectativas e irá avançar de fase? Ou o CSKA irá fazer valer a zebra? Para a prévia do confronto, contamos com ótima colaboração de Gilmar Siqueira, responsável pelo site Futebol Russo e grande entendedor do futebol do Leste Europeu. Confira a prévia de CSKA Moscou x Real Madrid e depois, nos dois endereços, o resumo do embate. Boa leitura.

A temporada até aqui
CSKA: Para adaptar seu calendário ao das outras ligas, a Russian Premier League está passando por uma “temporada de transição”. Em suma, além dos pontos corridos, os times disputarão play-offs pelo título (no caso dos 8 primeiros) e contra o rebaixamento (no caso dos 8 últimos). Durante a “temporada regular”, o CSKA liderou a RPL por várias rodadas e hoje está na segunda colocação com 59 pontos, seis atrás do Zenit. Ainda que se mantenha com boas chances de título, o time não convence dentro de campo. O futebol pragmático e alguns erros defensivos marcaram o CSKA na temporada. O mesmo time que venceu bem o Lokomotiv Moscow sofreu para ganhar de outros times tecnicamente inferiores. Não fossem Seydou Doumbia e Vagner Love se esforçarem ao extremo, a situação seria um pouco mais complicada.

Real Madrid: Após três anos terminando a Liga Espanhola na segunda colocação e tendo que aguentar o maior rival Barcelona comemorar, o Real Madrid parece perto de inverter a situação. Na Liga Espanhola, já é tratado como o virtual campeão e até o próprio Barcelona dá a entender que a Liga está acabada. Os retumbantes 10 pontos de diferença representam bem a temporada das duas equipes até aqui. Os blancos são avassaladores longe ou não do Santiago Bernabéu, enquanto o Barça tem sofrido e desperdiçado muitos pontos fora da Catalunha. Na Copa do Rei, a equipe de José Mourinho não conseguiu a manuntenção do título, caindo justamente para os azulgrenás. Mas a postura e o futebol desempenhados no Camp Nou, na partida da volta, recuperaram o orgulho madridista perante os catalães. Perdendo de 2 x 0, a equipe saiu atrás da classificação no segundo tempo, buscou o empate, ficando a apenas um gol da passagem à semifinal, mas não conseguiu bater a meta de Pinto. A esperança é que esse futebol se sobressaia num apocalíptico confronto contra o Barça na LC.

Pontos fortes
CSKA: Os 24 gols de Seydou Doumbia na temporada dizem tudo. O ponto forte do CSKA é o ataque. O “time do exército” marcou 60 gols -um a menos que o Zenit- e apavora as defesas adversárias. A potência do setor ofensivo –composto do Love e Doumbia- compensou todo o desequilíbrio tático do CSKA, que jogava com 2 volantes fixos e dois meias abertos pelos lados. Destes meias, o que teve maior destaque foi o japonês Keisuke Honda. Atuando pelo lado esquerdo, Honda foi um dos melhores jogadores da RPL na reta inicial da temporada. Sua lesão no joelho o prejudicou demais e o time do exército passou a depender ainda mais da dupla de ataque, que por vezes precisava voltar até o meio-campo para auxiliar na criação.

Real Madrid: O meio-campo. Seja quem for o companheiro de Cristiano Ronaldo na linha de três, a ofensividade merengue é avassaladora. Atualmente, Kaká e Özil têm começado mais entre os titulares, mas a volta de Di María, que até então apto era o melhor jogador da equipe na temporada, pode abrir uma nova disputa. Sem falar no coringa Callejón, que sempre entra muito bem em campo. Özil recuperou a boa forma do primeiro semestre de 2011 e já é um jogador imprescindível no esquema de Mourinho. Ao lado de Kaká, seu futebol fica menos sobrecarregado e, assim, o camisa 8 consegue ditar o ritmo da partida. Benzema e Xabi Alonso também merecem destaques. O volante espanhol vive uma fase de gala às vésperas da Eurocopa. Mas, claro, o destaque maior é para o craque: Cristiano Ronaldo. Há uma semana, contra o Levante, o português chegou a 120 gols pelo clube, dois a mais do que fez pelo Manchester United. Um detalhe curioso: com 170 jogos a menos. Ele dribla, arranca, pede bola, chama a responsabilidade, dá assistência, ajuda na marcação pelo setor esquerdo e marca gols. Polivalente, ainda pode ser deslocado para a função de falso nove numa emblemática postura voltada à defesa de Mourinho.

Pontos fracos
CSKA: Apesar de Ignashevich, Nababkin e os irmãos Berezustki, o principal ponto fraco da equipe moscovita foi a defesa. A situação ficou ainda pior quando o goleiro Akinfeev sofreu uma grave lesão na partida contra o Spartak Moscow. Como já foi mencionado, o CSKA tem um grande desequilíbrio tático e isso também contribuiu para sua oscilação dentro de algumas partidas. Na tentativa de compensar as falhas defensivas, Slutsky vinha utilizando dois volantes de marcação à frente da área: Aldonin e Mamaev. O problema é que nenhum dos dois tem qualidade na saída de bola. Como se não bastasse isso, o jogador com maior potencial técnico do time, Alan Dzagoev, atua deslocado pelo flanco direito. Não é segredo para ninguém que o camisa “10” não rende bem nesta posição e, na maioria das jogadas, corta para o meio.

Real Madrid: Na temporada passada, a zaga gerava confiança em José Mourinho. Atualmente, não. A lesão de Ricardo Carvalho foi sentida, apesar de Sergio Ramos, utilizado como zagueiro durante o período de ausência do zagueiro português, ter saído-se muito bem ao lado de Pepe, este que não vive uma boa fase. Voltou a aparecer negativamente na mídia após o lance em que pisou nos dedos de Messi e falha com frequência. Foi eleito, vale citar, o vilão do futebol atual. Os laterais, antes problemas, contudo, aparecem bem. Marcelo já é uma boa opção de marcação pela esquerda e, contundente, ajuda nas jogadas ofensivas. O maior problema do Real Madrid está no perigo real que representa as bolas aéreas. Só em 2012, Málaga, Granada, Mallorca, Barcelona, Athletic Bilbao, Zaragoza e Levante venceram Casillas com bolas alçadas à área. Taí, por exemplo, uma forma do CSKA, quem sabe, conseguir uma vitória jogando em casa.

Expectativas
CSKA: Já que a RPL está na sua longa pausa de inverno (que já dura 3 meses), o CSKA vem disputando uma série de amistosos pela Europa. Não que os comandados de Leonid Slutsky tenham perdido seu ritmo, mas o fato de não jogarem uma competição séria há algum tempo pode fazer a diferença. Contudo, as maiores expectativas giram em torno da escalação do time. É fato que a perda de Vagner Love foi grande, mas as chegadas do sueco Pontus Wernbloom e do sul-coreano Kim In-Sung podem fazer a diferença. Além disso, Ahmed Musa é um excelente reserva para Doumbia. Na partida coontra o Real Madrid, Slutsky deve seguir os mesmos moldes dos amistosos e armar o time em um 4-2-3-1, com Werbloom ao lado de Aldonin no “doble pivote” e Dzagoev mais centralizado em uma linha de 3 meias. Honda já voltou a treinar, mas ainda não há como garantir sua presença em campo.

Real Madrid: A expectativa não é outra senão avançar de fase e continuar vivo no sonho de voltar a conquistar a Europa 10 anos depois. José Mourinho ainda não falou sobre o confronto, no qual tenta minimizar o favoritismo de sua equipe, em suas coletivas; mas, nas últimas partidas, o sinal de desatenção com a partida ganha parece mostrar que a cabeça do elenco está no jogo de ida, em Moscou. Nos bastidores, rola uma especulação de que o gajo afirmou ao presidente Florentino Pérez que não vai embora de Chamartín sem a orelhuda. Por ora, a campanha blanca em âmbito europeu é perfeita. Literalmente. Na fase de grupos, foram seis jogos e seis vitórias. 18 pontos em 18 possíveis. Desde 2003 não acontecia isso. Na escalação, há algumas dúvidas: Lass Diarra ou Khedira na volância ao lado de Xabi Alonso?; Granero pode aparecer ao lado de Xabi numa proposta ter a bola e decidir a partida no jogo de ida?; Di María, que voltou no final de semana contra o Racing Santander, já irá voltar ao onze inicial? Só saberemos quando a bola rolar.

Prováveis escalações
CSKA: Chepchugov; Nababkin, Vassili Berezutski, Ignashevich, Alexei Berezutski; Aldonin, Wernbloom; Tosic (In-Sung), Dzagoev, Honda (Tosic); Doumbia.

Real Madrid: Casillas; Sergio Ramos, Pepe, Ricardo Carvalho, Marcelo; Xabi Alonso, Lass (Khedira; Granero); Di María (Kaká), Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Orgulho resgatado

Özil e Cristiano Ronaldo são as imagens do novo Real Madrid. Antes criticados por não renderem contra o Barcelona, deram a volta por cima e saíram de campos exaltados (reuters)

Guardiola assumiu o comando técnico do Barcelona em 2008. Estamos em 2012 e desde que o treinador chegou à equipe principal dos barcelonistas foram disputados 13 superclássicos nesse período. Em 10 deles o Barcelona foi totalmente superior ao Real Madrid, até mesmo quando foi derrotado na final da Copa do Rei 2010/2011. Já teve 5 x 0, 6 x 2, 3 x 1. Em dois deles, os merengues conseguiram neutralizar o poderio azulgrená e fizeram uma partida igualada. Quatro anos depois de ser superior ao rival catalão pela última vez, o Real Madrid voltou a ser o Real Madrid.

O empate por 2 x 2 pelo jogo da volta da Copa classificou o Barcelona à semifinal da competição. Mas se teve uma notícia positiva no lado perdedor foi o fato da equipe ter recuperado a áurea merengue, o sangue de vencedor. Demorou, mas enfim o Real Madrid voltou a se comportar como um gigante num superclássico. Voltou a honrar o clube mais vencedor da história do futebol mundial. Jogou com a dignidade daquele que tem 9 Ligas dos Campeões da Uefa, 31 Campeonatos Espanhóis, 3 Mundiais de Clubes, 18 Copas do Rei. O orgulhou do madridismo foi resgatado. Estavam soterrados, humilhados, cabisbaixos, enterrados. Mas ressuscitaram das cinzas como uma fênix. E, como a mítica ave da mitologia grega, querem dar a volta por cima. A vida longa da fênix e o seu dramático renascimento das próprias cinzas transformaram-na em símbolo da imortalidade e do renascimento espiritual. É o que quer José Mourinho daqui para frente.

A excelente partida do Real Madrid no Camp Nou envia uma mensagem de esperança aos torcedores blancos. Foi confirmado que, por melhor que seja o Barcelona, melhor equipe do mundo, apequenar-se não é o mais indubitável em jogos como esses. Excelência se combate com excelência. Talento se combate com talento. História se combate com história. Foi isso que o Madrid desta quarta-feira fez no Camp Nou. Faltou sorte, também. Um chute perfeito de Özil acertou a trave de Pinto. Um chute perfeito de Daniel Alves, por sua vez, morreu no ângulo direito de Casillas. Uma arrancada de Messi parou perfeitamente nos pés de Pedro, que colocou no contra-pé do capitão merengue para vencê-lo. Uma arrancada de um repentino Kaká caiu no pé esquerdo de Cristiano Ronaldo, mas que acabou carimbando a placa publicitária às costas do gol de Pinto.

Os blancos perderam na soma de resultados, mas ganharam em dignidade. Isso revela uma situação emblemática para José Mourinho: por que arriscar tudo no campo do adversário quando se pode definir um duelo atuando em seus domínios? O 4-3-3 com Altintop na lateral direita, Özil, Callejón e Kaká no banco e Lass, Xabi Alonso e Khedira no meio-campo soa como inacreditável se comparado ao 4-2-3-1 usual utilizado ontem. Teve Özil, Kaká, Cristiano Ronaldo, Arbeloa, Fabio Coentrão. O novo Real Madrid, a equipe do futuro, jogou melhor que seu adversário quando resolveu jogar que um gigante do futebol mundial.

O Real Madrid do futuro tem Mesut Özil, camisa 10 raro, que joga de terno e gravata. Özil tem vocação técnica para ditar o ritmo de jogo do time em que joga. Ontem foi o motor do Real Madrid na partida. A imagem de um meio-campista craque mas displicente deu lugar a um jogador de aura energética. Foi para isso que José Mourinho o contratou. O Real Madrid do futuro tem Cristiano Ronaldo, craque com dna de vencedor. Chegou a ser vaiado pelos torcedores por não render nem 25% do que pode num superclássico. Mas os dois duelos pela Copa foram a rendenção do português, único jogador capaz de rivalizar com Messi o posto de melhor do mundo.

O Real Madrid do futuro tem Benzema, homem-gol sempre sedento por ir às redes. Bate com as duas, cabeceia, se posiciona bem. O Real Madrid do futuro tem Xabi Alonso, meia que marca, arma e finaliza. É o ponto de equilíbrio da equipe, o jogador que faz a bola rodar e que comanda o meio-campo. O Real Madrid do futuro tem Marcelo, lateral-esquerdo arisco, ousado e agudo. O Real Madrid do futuro tem Sergio Ramos, lateral direito que já teve o mundo aos seus pés. Utilizado de zagueiro, como no início da carreira, não tem comprometido. Foram longos quatro anos para o Real Madrid voltar a ser o Real Madrid.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Ataque invejável

Higuaín e Benzema se abraçam: sociedade entre os dois no ataque madridista tem dado certo (AP Photos)

Na temporada passada, Cristiano Ronaldo polarizou os gols no Real Madrid. O português (53 gols) terminou a campanha com 23 gols a mais que o vice-artilheiro da equipe, Benzema (30). O francês só começou a vingar a partir de fevereiro, após a chegada de Adebayor. A lesão de Higuaín, que vinha seguindo de perto o gajo, condicionou o ataque merengue, que chegou a ter Cristiano Ronaldo atuando como falso nove, numa tentativa de Mourinho evitar a gastança no inverno. Na atual temporada, para felicidade de Mourinho, La Pipita e o francês têm feito bonito: os dois, juntos, já marcaram 24 gols (12 para cada) e seguem de perto Cristiano Ronaldo, que tem 18. O diferencial para o português estar à frente dos dois é que, no sistema de rotações imposto por Mourinho do meio para frente, ele não entra, jogando a maioria dos jogos.

Ontem, com a classificação à fase mata-mata da Champions League já garantida, e tendo um adversário de nível inferior pela frente (Dínamo Zagreb), Mourinho testou algo que já estava aguardado há tempos: Benzema e Higuaín juntos no ataque desde o início. Sem Cristiano Ronaldo, o técnico de Setubal foi a campo num inédito 4-4-2 (que já havia sido utilizado outras duas vezes). O resultado foi positivo: os blancos não deram chances ao rival, golearam por 6 a 2 e tanto Benzema quanto Higuaín deixaram suas marcas. O francês marcou duas vezes, enquanto Higuaín, que marcou uma vez, ficou com o prêmio de gol mais bonito da noite. A sociedade Benzema-Higuaín tem dado muito certo desde que passara a ser utilizada. Em 211 minutos juntos, já foram sete gols.

Mourinho tem à disposição uma artilharia pesada em plena forma. O tridente goleador do Madrid, formado por Benzema, Higuaín e Cristiano Ronaldo, é uma maquina de gols. Já são 42 gols em 19 partidas oficiais, o que representa o melhor trio ofensivo da Europa no momento. Aliás, vale lembrar, contra o Dínamo Zagreb os dois atuaram até o fim. A outra boa notícia que Mourinho recebeu foram as boas partidas de Özil e Callejón. O turco-alemão não andava muito bem e vivia de lampejos do Özil 2010/2011, um dos destaques da temporada. O grito, no quarto gol merengue, representou um desabafo. O espanhol, por sua vez, já havia sido o protagonista do jogo em Valencia mesmo sem ter sido ao menos utilizado nos noventa minutos: Mourinho subiu em suas costas no gol de Ronaldo, numa espécie de cavalinho.

A boa partida da dupla de ataque dá mais opções a Mourinho, que não é nada afeito a rodízios, mas se vê obrigado a mudar sempre, devido a qualidade de seu elenco. Com a lesão de Di María, que segue como dúvida para o superclássico, e a ainda inconstância de Özil, o português pode testar, em maiores desafios, o 4-4-2 utilizado contra o Dínamo, com Cristiano Ronaldo, Kaká, Higuaín e Benzema juntos. Na parte defensiva, Sergio Ramos e Pepe vêm formando uma defesa sólida, com Arbeloa fazendo partidas notáveis (ainda que seja o ponto fraco da equipe merengue) e Marcelo e Coentrão em ótima fase na lateral esquerda. Assim, Mourinho vai, a cada jogo, encontrado a equipe ideal para o confronto da temporada contra o Barcelona, no dia 10 de dezembro.

Vergonha espanhola
O Villarreal entrou na Allianz Arena eliminado, mas com chances de conseguir ao menos uma classificação à Liga Europa. O resultado, contudo, foi mais uma catastrófica derrota: 3 a 1 contra o poderoso Bayern de Munich, que aparece como opções a Real Madrid e Barcelona na briga pelo título. Com cinco derrotas em cinco jogos, o Villarreal vai fazendo uma campanha pior até que a do Atlético de Madrid há duas temporadas. Para piorar, o departamento médico amarillo recebeu mais um jogador para sua extensa lista. Com uma lesão muscular, Catalá será baixa por seis semanas. Páreo duro para o Submarino Amarelo, que recebe o Napoli na última rodada com a pretensão de somar ao menos um pontinho, e terminar a pior campanha de uma equipe espanhola em competições europeias nos últimos anos.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Perfeição na Champions

Cristiano Ronaldo cobra pênalti para vencer Lloris: o segundo gol do português foi o centésimo como jogador merengue (getty images)

Classificado, único time 100%, único a não sofrer gol. O Real Madrid 2.0 de José Mourinho tem sido impecável em solo europeu. O Lyon, que foi pesadelo em outras temporadas, foi facilmente domado nas duas partidas. José Mourinho repete a história da última temporada e passa sem sustos pela fase de grupos. O Real Madrid conseguiu quebrar um tabu com a vitória dessa quarta. Os merengues nunca tinham vencido o Lyon na França. Derrotados, os franceses agora vão brigar com o Ajax pela segunda vaga no grupo D da Liga dos Campeões. Os holandeses estão com sete pontos, contra quatro dos franceses, faltando duas rodadas para o final da fase de grupos. Com a vitória desta quarta, o Real Madrid já soma 12.

O Real Madrid começou a partida dominando. Jogando em casa, o Lyon não conseguia fazer frente ao gigante espanhol, comandado por Jose Mourinho. Sem Kaká e Marcelo, lesionados, o time apostava nos avanços de Sergio Ramos e Di Maria, que acionavam Benzema e Cristiano Ronaldo no ataque. Aos 24 minutos do primeiro tempo, após criar duas chances claras de gol, o Real Madrid abriu o placar.

Cristiano Ronaldo cobrou falta na entrada da área e, com um chute forte de perna direita, fez o gol. Com a vantagem, os blancos continuaram pressionando. O Lyon quase não conseguia passar do meio campo e o Real criava outras chances gol. O placar de 1 a 0 já era pouco para o que acontecia em campo. Mesmo assim, com esse placar que o primeiro tempo encerrou.

Na segunda etapa, o Lyon conseguiu voltar melhor. Pela primeira vez na partida, os franceses tinham mais posse de bola e conseguiam se manter no campo de defesa do rival. Foi assim durante os primeiros quinze minutos do segundo tempo. Apesar da pressão, o Lyon não conseguiu criar uma chance clara de gol. Após ser pressionado, o Real Madrid conseguiu se organizar em campo. Mourinho trocou Fábio Coentrão por Albiol e o time ficou mais seguro na defesa. Quando tinham a bola, os espanhóis levavam perigo em jogadas articuladas por Di Maria e Özil. Aos 23 minutos do segundo tempo, Özil tocou para Cristiano Ronaldo dentro da área.

O português, que estava apagado na partida, tentou passar por Dado e caiu. O árbitro Nicola Rizzoli marcou pênalti. Na cobrança, Ronaldo ampliou o placar e chegou ao seu centésimo gol como jogador madridista. Em desvantagem, o Lyon até tentava atacar. Nos últimos 15 minutos de jogo, os franceses criaram as primeiras chances claras de gol. Após cobrança de escanteio, Briand colocou a bola no travessão do gol de Casillas. Foi máximo que o Lyon fez na partida, que terminou com vitória espanhola.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

10ª rodada: Encantando

Jogando bonito, o Real Madrid encanta: contra o Villarreal, o resultado foi construído com meia hora de jogo (getty images)

Real Madrid 3x0 Villarreal
Encantador é a palavra que define o futebol do Real Madrid. Jogando numa intensidade bem alta, os merengues passaram com facilidade pelo Villarreal. O resultado foi construído nos primeiros 31 minutos de jogo, quando o Real Madrid, marcando sob pressão, não deixou o Villarreal tocar a bola e sair para o jogo. Di María, melhor em campo, lançou Benzema a mais de 30 metros para o francês fazer o primeiro gol, tocou entre Musacchio e Bruno para Kaká ampliar e, após um contra-ataque perfeito, deixou o seu e carimbou o resultado. A velha incógnita sobre os três homens titulares da linha de três parece estar chegando ao fim com a bela partida do argentino e do brasileiro. Özil, pelo visto, deve deixar de vez a titularidade, embora Mourinho, após a partida, voltara a afirmar que, nesse Real Madrid, não há jogadores titulares e reservas: com talento à disposição, todos irão jogar.

Derrota e na antepenúltima colocação, a palavra rebaixamento já começa a virar realidade no ambiente do Villarreal. Jogando um futebol feio, totalmente oposto aos dos últimos anos, o Villarreal não consegue emplacar e, principalmente, fazer seu jogo de passes fluir com naturalidade. Falta um Cazorla, que De Guzmán, inexplicavelmente adiantado, obviamente não consegue suprir. E, quando a fase não é boa, nada vai bem. Substituido por Marco Rúben logo na volta do intervalo, Rossi rompeu os ligamentos do tendão direito e foi operado na quinta-feira. Resultado: o ítalo-americano estará de quatro a seis meses de baixa. Sem Nilmar, também lesionado, Garrido, com a batata muito quente, terá que abrir a cabeça para escalar o ataque para enfrentar o Rayo.

Athletic Bilbao 3x0 Atlético de Madrid (Claudio Araujo)
Na melhor partida do Athletic Bilbao desde a chegada de Marcelo Bielsa, os bascos convenceram. O time do País Basco foi melhor no primeiro tempo, mas não conseguiu aproveitar as chances que teve. As melhores foram do centroavante Fernando Llorente, que não conseguia transformá-las em gols. A segunda etapa foi mais movimentada, com o Athletic voltando a desperdiçar oportunidades. Até que aos 22 minutos, Llorente finalmente abriu o placar, em boa jogada individual. Logo depois, aos 25', o artilheiro voltou a marcar, dessa vez após receber belo cruzamento de Toquero. Com o jogo caminhando para o fim, Diego fez falta perigosa perto da área do Atlético, que Ander cobrou e Toquero tratou de colocar para o fundo do gol, fazendo 3 a 0.

Enquanto o Athletic Bilbao bai dando boas vindas à boa fase, no Atlético de Madrid o clima é quente nos bastidores. Após ser substituido por Manzano, Reyes insultou o treinador no banco de reservas. Arrependido, o jogador pediu desculpas publicamente na sexta-feira, justificando que estava de cabeça quente no momento. De cabeça quente devem estar os aficionados colchoneros. Quem acompanha futebol pelos números estão preocupados com a situação do Atléti. No ano do rebaixamento rojiblanco, o Atléti apresentava números similares aos que apresenta hoje. Nas primeiras 10 rodadas da Liga, logrou 3 vitórias, um empate e cinco derrotas, tendo os mesmos 10 pontos que atualmente. A diferença é que, à essa altura da temporada, aquele Atlético apresentava uma vitória a mais (mas vale lembrar que este Atlético tem um jogo a menos).

Levante 3x2 Real Sociedad (Claudio Araujo)
O líder da Liga BBVA também vence com emoções. A Real Sociedad precisou de apenas três minutos para abrir o placar diante do Levante, que entrou em campo brigando pela liderança, mas encontrou muitas dificuldades diante dos visitantes, que impuseram forte ritmo nos primeiros minutos de bola rolando. Após a batida de Aranburu, Munúa espalmou para frente e o Estrada pegou o rebote para converter. Depois de ver o mesmo Aranburu dos primeiros minutos de jogo errar o cabeceio no início da segunda etapa, o Levante conseguiu igualar o placar apenas aos 11 minutos, quando Nano arrematou e o zagueiro Demidov desviou contra as próprias redes. Menos de cinco minutos depois, a glória foi encontrada pela cabeça de Valdo, que recebeu grande lançamento de Barkero e saltou mais alto que De La Bella para virar a favor do Levante que, a partir de então, só administrou o resultado.

A questão é que o time se acuou demais no campo de defesa e deixou o Real Sociedad fazer seu jogo com cruzamentos na área e muita movimentação. O resultado não podia ser diferente: aos 41, depois de exercer certa pressão, Iñigo Martínez voltou a deixar o placar igualado. E foi justamente Rúben, que entrou para cadenciar o jogo no meio-de-campo, o homem do gol da vitória do Levante sobre o Real Sociedad. Em cobrança de falta a mais de 40 metros de distância, o time da casa conseguiu se sobrepor ao adversário e anotou o tento da vitória, para a festa da torcida de Valencia, que levantou das cadeiras e comemorou a vitória e a liderança da Liga Espanhola.

Granada 0x1 Barcelona (Claudio Araujo)
O Barcelona não encontrou a facilidade esperada para bater o Granada. Com Iniesta e Villa no banco, Guardiola começou com Fàbregas e Cuenca, grande novidade do onze inicial. O canterano saiu-se bem em seu debut como titular da equipe blaugrana e, certamente, ganhou pontos com Guardiola. Dentrou de campo, a equipe de Guardiola tinha dificuldades de invadir a área adversária, mas não demorou para abrir o placar devido à falta de pontuaria e ao goleiro Roberto. O gol só veio aos 33 minutos, quando Xavi cobrou falta com perfeição. Acuado, o Granada pouco produziu durante o primeiro tempo. Foram só dois chutes de fora da área que pouco incomodaram Valdés. Os anfitriões voltaram com uma postura ainda mais defensiva para a etapa final, que se intensificou com a expulsão de Romero Gómez, aos cinco minutos. O Barça continuava a construir as jogadas, porém pecava nas finalizações. Keita, Iniesta e David Villa entraram em campo, mas não conseguiram mudar o panorama da partida. Antes do apito final, o Granada ainda perdeu mais um jogador expulso: González Benítez.

Sevilla 2x2 Racing Santander
É curioso e paradoxal que em um começo de Liga tão cheio de obstáculos, um calendário complicado, repleto de rivais diretos, com um Sánchez-Pizjuán lotado em um dia de semana contra o lanterna, foi ele mesmo quem roubou os primeiros pontos sevillistas em Nervión. E resulta curioso, além disso, que seja a única equipe, junto com o Villarreal, que conseguira fazer mais de um gol em Javi Varas. É curioso, ou talvez nem tanto. Porque esse Sevilla que já deixou claro que quando quer defender, defende como ninguém,t ambém evidenciou nesses nove primeiros encontros de Liga que atacar é complicado. Custa a encontrar fórmulas, vias de penetração nas zagas rivais. Tem pouca clareza para fazer o gol e, até o momento, os gols conseguidos pelos nervionenses foram rentabilizados no máximo em pontos. Se a isso for somado o cansaço (nove dos onze titulares no Camp Nou jogaram novamente), a equipe nervionense esteve com ausência de idéias. Portanto, foi mais lógico o empate. O Sevilla conseguiu ao menos se manter invicto, após nove partidas, o que não é pouco. Porém, perdeu uma chance de ouro para começar a fazer uma gordura e se estabilizar nas posições mais altas da tabela. Talvez isso dependa da margem de melhora do Sevilla no ataque. Porque é evidente que para os objetivos planejados, o time precisará atacar, e bem.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Virtualmente eliminado

Agüero comemora, para desespero de Gonzalo, ao fundo: o Villarreal está próximo da eliminação precoce na Champions (getty images)

O Villarreal viajou a Manchester com a sensação de final de campeonato. Contra o poderoso Manchester City, líder da Premier League, o Submarino Amarelo fez sua melhor partida na temporada, chegou, inclusive, a estar vencendo por um a zero, mas sucumbiu nos finais da primeira e segunda etapa e saiu da Inglaterra virtualmente eliminado da Champions League. Com nenhum ponto em três jogos, sonhar com a Liga Europa também complicou: Manchester City e Napoli, seus "concorrentes", estão com quatro e cinco pontos, respectivamentes. Aos amarillos, restam fazer uma returno perfeito e saber o usar o fator casa: irá enfrentar os azuis de Manchester e Napoles no El Madrigal. O Bayern lidera o grupo com folgas: com sete pontos, já está praticamente classificado à próxima fase.

Curiosamente, o gol que decretou a vitória mancuniana veio através de um velho conhecido dos aficionados amarillos: Agüero, que entrou em meados do segundo tempo, sacramentou a virada dos anfitriões e chegou ao seu oitavo gol em dez partidas contra a equipe de Castilla e Leão. David Silva, que vive bela fase, passou em branco e, bem marcado pelo meio-campo amarillo nos primeiros quarenta e cinco minutos da partida, passou a crescer apenas no segundo tempo, com a saída de Nasri, muito marcado por Zapata, que liberou o espanhol para jogar mais aberto à esquerda. A defesa do Villarreal se comportou muito bem, mas falhou em dois lances capitais que decidiram a partida: no gol de empate do City, marcado por Marchena contra, e no de Kun, quando, mal posicionado, deixou três jogadores dos sky blues sozinhos (Silva chegou a desviar) e Agüero completou.

O capitão Gonzalo Rodríguez se comportou, de fato, como um capitão. Limpo e seguro, foi um dos melhores em campo. Dzeko, isolado no 4-2-3-1 de Roberto Mancini, foi anulado pelo camisa dois. Marchena foi do céu ao inferno: o ex-Valencia fazia uma partida bastante correta até o momento que, numa jogada de infelicidade e falta de comunicação com Diego López, cortou para o gol um cruzamento de Kolarov. Talvez faltou ao Villarreal mais ousadia. Atuando num inédito 4-2-3-1 (até pela lesão de Nilmar), o Submarino Amarelo dominou o City na primeira etapa e levaram muito perigo à meta de Hart. No segundo tempo, Garrido recuou demais o Villarreal, chamando o Manchester para cima. Ao tirar De Guzmán e Cani, dois dos melhores em campo, e colocar o canterano Gullón e Mário, o treinador deu um tiro pela culatra: além de perder em experiência, Garrido mudou o módulo tático da equipe paraum 4-4-1-1, o suficiente para tirar, praticamente, Rossi da partida, que ficou mais isolado do que já estava.

O pós-jogo foi marcado por polêmicas. José Manuel Llaneza, vice-presidente do Villarreal, acusou Agüero de zombar do clube e dos jogadores no caminha para os vestuários. "O que o Agüero fez foi falta de ética, respeito e, acima de tudo, companheirismo", esbravejou Llaneza. "É uma pena que um jogador tão talentoso como Agüero tenha uma cabeça tão pequena", disse Marchena. Por sua vez, Agüero negou qualquer tipo polêmica: "todos conhecem minha trajetória e minha conduta. Não sou e jamais farei isso", afirmou Kun. José Ortiz, zagueiro do Almería, colocou mais lenha no fogo ao afirmar que, em 2007, o atacante já havia tido uma atitude semelhante a este após uma vitória do Atlético de Madrid. Os castellonenses, agora, não poderão nem pensar em empatar: se ainda pensa em classificação - muito improvável, agora - terão que somar, no mínimo, sete pontos dos nove possíveis.

A Espanha que dá certo

Benzema e Özil, melhores em campo, comemoram: enquanto o Villarrel está praticamente fora, os merengues estão a um empate da classificação (getty images)

Diante de um Lyon tímido e omisso e sentindo a falta do artilheiro Lisandro López, o Real Madrid passou como um rolo compressor e aplicou 4 a 0 em Santiago Bernabéu para disparar na liderança do Grupo D da Liga dos Campeões. A postura agressiva do time espanhol, que tinha toque de bola e capacidade de chegar à frente, rendeu os tentos marcados por Benzema, Khedira, Özil e Sérgio Ramos.

Mesmo com o ótimo final de semana de Kaká e Higuaín, Mourinho fez jus às palavras ditas após a partida contra o Racing Santander, no qual havia afirmado que, com tanto talento à disposição, não existe jogador titular e reserva: iniciou o jogo com Benzema e Di María, em dentrimento da dupla citada acima. O francês voltou a ser uma pedra no sapato de sua ex-equipe: além de ser um dos melhores em campo, ao lado de Özil, marcou o primeiro gol e deu a assistência para o tento de Khedira. O turco-alemão, por outro lado, lembrou Zidane, dominando o meio-campo e deixando Cristiano Ronaldo e Benzema na cara de Lloris por muitas vezes.

Se, por um lado, o craque português não marcou um dos últimos 12 gols do Real Madrid nas últimas três partidas, isso serve para mostrar que uma possível "CR7dependência" inexiste. Ao contrário da temporada passada, quando o gajo foi disparado o artilheiro merengue, na atual temporada os gols estão bem divididos: Cristiano Ronaldo permanece como o máximo artilheiro, com nove gols, mas seguido de perto por Higuaín (9), Benzema (6) e Kaká (4). O que surpreende nesta seca de Ronaldo é uma versão mais solidária do craque: foram cinco passes para gols nesses 12 tentos.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Porque Messi é barcelonista

Barcelona começa temporada do jeito que terminou a última: comemorando título - e com Messi decidindo, de praxe (getty images)

Na temporada passada, logo após a primeira semifinal da Liga dos Campeões entre Real Madrid e Barcelona, Mourinho soltou uma célebre frase sobre a expulsão de Pepe: "por que expulsaram Pepe se ele não fez nada? Por quê?". De maneira irônica, o "por que" proferido pelo técnico de Setubal virou até cântico da torcida do Barcelona (no ritmo de olé). Ontem, após a vitória do Barcelona contra o Real Madrid no jogo de volta da Supercopa, confirmando o título dos blaugrana, Mourinho novamente deve ter soltado um "por que", seguindo de "eu não entendo como eles nos venceram mesmo jogando um futebol inferior ao nosso". A resposta para a vitória azulgrená tem nome e sobrenome: Lionel Messi.

Ontem, o argentino domou o Real Madrid. Foram, além de dois gols e um assistência genial, muitas jogadas objetivas e boas tabelas com Pedro e Villa. Mesmo com a marcação direta de Khedira e cobertura de Pepe, La Pulga mostrou a raça argentina com a habilidade e maestria em suas conclusões em chutes a gol que lhe é peculiar. Destaque também para Daniel Alves: o brasileiro pouco apareceu nas jogadas ofensivas do Barcelona preocupado com a marcação em Cristiano Ronaldo. Mesmo assim, o lateral baiano anulou o gajo em todo o segundo tempo, e jogando limpo, sempre com carrinhos leais, na bola.

Os blancos começaram a partida marcando em cima, obrigando Piqué, Mascherano e Abidal a darem chutes para frente. A estratégia, utilizada por Mourinho nas semifinais contra a Inter de Milão em 2009/2010, quase deu certo, não fosse por três detalhes: Messi, Iniesta e, como de praxe, posicionamento adiantado de Sergio Ramos. O andaluz voltou a jogar muito em linha e deu condições para que Iniesta não ficasse em impedimento no lance do primeiro gol blaugrana. O lance lembrou muito o segundo tento de Villa no primeiro confronto entre as duas equipes na temporada passada, pela Liga Espanhola. O Real Madrid já vinha por merecer um gol, e chegou a este através de Cristiano Ronaldo (ou Sergio Ramos), após boa jogada de Benzema na esquerda.

Entretanto, o Barcelona continuou exercendo seu futebol ofensivo, não se abalando com a pressão merengue. O gol de desempate mostrou por que o time da Catalunha é o dono do futebol no momento. Após escanteio cobrado por Xavi, Messi dominou na entrada da área e tabelou com Piqué. O zagueiro, por sua vez, mostrou uma categoria enorme ao devolver a bola à Pulga utilizando o calcanhar. Frente a Casillas, Messi, após deixar Pepe, Ricardo Carvalho e Cristiano Ronaldo para trás, tocou por cima do capitão merengue com a direita para (re)colocar o Barcelona à frente do marcador novamente.

O primeiro tempo tão parelho animou Mourinho, que resolveu colocar sua equipe para cima nos quarenta e cinco minutos finais. A entrada de Marcelo no lugar de Khedira deu mais dinamismo ao Real Madrid, que passou a jogar mais pelo meio do campo com o deslocamento de Fabio Coentrão à volância. Com a saída do alemão, Xabi Alonso passou a ficar mais atento a Messi, que passou uma parte do segundo tempo sumido. A opção de jogar mais pelo flancos deu-se pela má partida de Özil. O turco-alemão, que foi substituído por Kaká em meados da segunda etapa, passou batido da partida e, novamente, foi anulado por Busquets.

Disposto a empatar a partida à qualquer custo, Mourinho mexeu novamente e trocou o módulo tático da equipe: saiu Di María (dessa vez bem) e entrou Higuaín, o que fez com que o Real Madrid passasse a jogar no 4-4-2 como na época de Pelegrinni. Logo após a troca, os blancos chegaram ao gol de empate com Benzema. O francês começa a temporada a mil e, somando os gols da pré-temporada, já contabiliza 10 tentos. Como no Bernabéu, Karim foi de novo o melhor em campo pelo lado madrilenho e, com o futebol que Higuaín vem jogando, dificilmente não será titular (a não ser que se lesione) no início do campeonato espanhol.

Perto do final do jogo, e com o marcador marcando 2 a 2, Guardiola promoveu a estreia de Fàbregas, que entrou no lugar de Busquets. Cesc mostrou ter estrela: aos 43 minutos, o ex-Arsenal recebeu de Xavi e tocou para Messi, que, por sua vez, acionou Adriano rapidamente na direita. O brasileiro cruzou na medida para a Pulga, que finalizou com força para vencer Casillas, chegar ao doblete na partida e tornar-se o maior artilheiro da história das Supercopas espanholas com oito gols. Este foi, aliás, o décimo-quarto gol do argentino em cima do goleiro espanhol.

Os minutos finais ficaram reservados para confusão. Após uma tesoura de Marcelo em cima de Fàbregas, que gerou a expulsão a expulsão do brasileiro, os jogadores barcelonistas ficaram furiosos. No meio da confusão, dois lances capitais: a dedada de Mourinho no olho de Tito Villanova, assistente técnico de Guardiola, e a briga entre Özil e Villa, que acabou na expulsão dos dois. Hoje, o turco-alemão, sempre muito reservado e quieto em campo, declarou que o asturiano ofendeu o islamismo, religião de Özil. No caso de Mou, o Barcelona resolveu não denunciá-lo à RFEF.

O título do Barcelona garantiu algumas marcas. Os azulgrenáis chegaram a 77 títulos nacionais e internacionais, igualando a marca do rival da capital. Guardiola e Xavi, por sua vez, fizeram história: o treinador chegou a onze títulos como comandante do Barcelona, igualando a marca de Cruyff. A diferença é que Pep conseguiu isso em quatro temporadas, enquanto o holandês conseguiu em oito. O meio-campista chegou aos 17 títulos como jogador blaugrana, superando Guillermo Amor.

Maior nome da conquista e próximo de conquistar o terceiro prêmio de melhor jogador do mundo, Messi adicionou mais uma marca para seu extenso currículo: com oito gols, superou Raúl como maior artilheiro da Supercopa Espanhola. Mesmo não participando da pré-temporada junto com o grupo e treinando apenas uma vez após a Copa América, La Pulga mostrou que é decisivo e participou diretamente dos cinco gols do Barcelona no torneio que abre a temporada espanhola de futebol. Mesmo não estando no 100% da forma, Messi e o Barcelona começam a temporada à toda, mas o Real Madrid mostrou ser capaz de acabar com hegemonia barcelonista.

Barcelona 3x2 Real Madrid
Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Piqué, Mascherano, Abidal; Busquets (Fàbregas), Xavi, Iniesta; Messi; Pedro (Keita), Villa (Adriano).
Real Madrid: Casillas; Sergio Ramos, Pepe, Ricardo Carvalho, Fabio Coentrão; Xabi Alonso, Khedira (Marcelo); Di María (Higuaín), Özil (Kaká), Cristiano Ronaldo; Benzema).
Árbitro: David Fernández Borbalán
Gols: Iniesta, Messi, Messi (Barcelona); Cristiano Ronaldo, Benzema (Real Madrid).
Cartões amarelos: Khedira, Cristiano Ronaldo, Pepe, Sergio Ramos e Fabio Coentrão (Real Madrid); Xavi, Mascherano e Víctor Valdés (Barcelona).
Cartões vermelhos: Marcelo e Özil (Real Madrid); Villa (Barcelona).

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Resultado injusto?

Higuain e Messi se abraçam: resultado da partida de ida da Supercopa não condiz com o que foi o jogo (AP Photos)

Real Madrid e Barcelona abiraram oficialmente a temporada 2011/2012 do futebol espanhol decidindo a partida de ida da Supercopa espanhola. O 2 a 2 no Santiago Bernabéu dá ao Barcelona a chance de jogar por uma vitória ou um simples 0 a 0 atuando em seu domínio, no Camp Nou. Entretanto, para quem não viu o jogo, o resultado pode ser considerado mentiroso. Muito mais centrado na partida que seu rival, os merengues atuaram como se estivessem disputando uma final da LC e, desde os primeiro minutos, não deixaram o Barcelona respirar.

A boa preparação física preparada exclusivamente por José Mourinho feita na pré-temporada se sobressaiu durante os noventa minutos. Com uma condição física invejável para quem está retornando de férias, os comandados do português só não saíram do Bernabéu com uma vitória convincente pois faltou mais capricho na hora das finalizações. Cristiano Ronaldo e Benzema levaram muito perigo às redes de Víctor Valdés, mas ora por defesas do goleiro catalão e ora por chutes errados, acabaram não conseguindo marcar.

O francês, entretanto, ainda pode se alegrar de ter sido o jogador mais perigoso do Real Madrid na partida. Benzema, que anotou nove gols na pré-temporada, parece estar deixando de lado a figura de um jogador displicente e, sobretudo, preguiçoso. Ontem, se movimentou com maestria, enlouquecendo a marcação de Abidal, improvisado como zagueiro devido à má condição física de Piqué, no banco. Ponto negativo do Real Madrid na partida foi Di María. Titular por causa da ótima temporada feita em 2010/2011, o argentino parecia cansado por ser o único jogador em campo a ter menos tempo de férias e caiu facilmente na marcação de Adriano, que não se preocupou muito em ficar mais tempo no campo de defesa.

Tanto Adriano quanto Daniel Alves, na direita, subiram muito ao ataque, não balanceando muito a defesa. Vale lembrar que, quando Abidal atua na esquerda, são raros as jogadas ofensivas por aquele lado. O Barcelona sai satisfeito da partida: muito aquém do que pode produzir, os azulgrenás chegaram aos dois tentos graças aos lâmpejos de seus craques. Primeiro Villa, que acertou um feliz chute no ângulo de Casillas, e depois Messi, que aproveitou bobeira de Khedira e Pepe para chutar na saída do goleiro espanhol.

Novo camisa 10 do Real Madrid, Özil está arcando com as novas responsabilidades. O turco-alemão esbanjou, novamente, muita classe em campo e organizou com maestria os merengues. Além disso, marcou pela primeira vez em seis jogos contra o Barcelona, firmando seu primeiro ótimo jogo contra os rivais da Catalunha. Se antes alguma parte dos torcedores ficavam com um pé atrás com o germânico, após a partida a desconfiança caiu por água abaixo: mesmo jogando centralizado - onde seu futebol aparece menos do que na ponta, Özil mostrou-se muito polivalente, correndo por todo o campo e ajudando na marcação.

Entre os jogadores que estrearam, destaque para o chileno Alexis Sánchez, do Barcelona. Muito tímido no começo (muito por causa da pressão pela estreia no superclássico), El Niño Maravilha foi pouco a pouco entrando na partida e deu muito trabalho a Marcelo, que subiu pouco ao ataque no segundo tempo para ter mais atenção com o camisa nove blaugrana. No lado merengue, Callejón e Fabio Coentrão entraram apenas na segunda etapa e, sobretudo o português, ofereceram boa imagem a José Mourinho. Inicialmente no lugar de Di María, o meia-ofensivo deu mais mobilidade ao setor direito, passando, depois, a atuar ao lado de Xabi Alonso na volância, onde jogou durante boa parte dos amistosos da pré-temporada.

A atuação do Real Madrid foi tão notável, que os números ficaram contra o Barcelona após a partida: os blancos chutaram incríveis 20 vezes à meta de Valdés, enquanto os barcelonistas só o fizeram apenas quatro vezes. A posse de bola, recurso do Barcelona mais elogiado, também não foi as das mais impressionantes: apenas 52% - sendo que, ao término do primeiro tempo, o Real Madrid ficou à frente no quesito. Para o Barcelona, os desfalques fizeram falta, pois as improvisações foram muitas. O meio-campo pesado, com Keita fazendo a função de Busquets e Thiago a de Xavi, não fez diferença como nas outras partidas. Messi, apesar do gol, também esteve abaixo da média. Para a volta, o Barcelona poderá contar com um reforço estrelar: Cesc Fàbregas, que foi confirmado como novo jogador da equipe durante o intervalo da partida. Mas onde Guardiola irá encaixá-lo?

Real Madrid 2x2 Barcelona
Real Madrid: Casillas; Sergio Ramos, Pepe, Ricardo Carvalho, Marcelo; Xabi Alonso, Khedira (Callejón); Di María (Fabio Coentrão), Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema (Higuain).
Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Mascherano, Abidal, Adriano (Piqué); Keita, Thiago Alcântara (Xavi), Iniesta; Messi; Villa (Pedro), Alexis Sánchez.
Árbitro: Teixera Vitienes.
Gols: Mesut Özil e Xabi Alonso (Real Madrid); David Villa e Lionel Messi (Barcelona)
Cartões amarelos: Xabi Alonso, Sami Khedira, Fabio Coentrão (Real Madrid); Daniel Alves e Alexis Sánchez (Barcelona).

sábado, 23 de abril de 2011

33ª rodada: Pasillo e passeio

Trio ternura: Kaká, Higuain e Benzema deram show no Mestalla e estão à disposição de Mourinho para os duelos contra o Barcelona na Champions League (reuters)

Com o título da Liga praticamente definido, as atenções da primeira parte da 33ª rodada ficaram voltadas para o derby vasco. Em campo, um Athletic Bilbao (5º, 51) que briga por competições europeias contra uma Real Sociedad (13º, 38) que vive seu pior momento na temporada, lutando contra o rebaixamento. Nas quatro linhas, vimos uma Real Sociedad diametralmente inferior ao seu rival e praticamente não ofereceu resistência ao Athletic Bilbao, que ainda teve o luxo de "dar" um gol aos blanquiazules, através de Javi Martínez, que mandou para as próprias redes um cruzamento vindo da esquerda de Griezmann. O francês, aliás, foi derrotado também no duelo dos dois melhores jovens da atual edição da Liga Espanhola. Muniain, que pôde jogar devido a um recurso apresentado pelo Athletic Bilbao à CEDD, conduziu sua equipe à vitória.

A opção de Caparrós de adiantar Muniain para o flanco esquerdo, e consequentemente a troca para o 4-3-3, tem dado certo. Veloz e inteligente, Muniain não sente mais a necessidade de ajudar sua equipe na marcação e fica concentrado apenas nas jogadas de ataques. Hoje, deu muito trabalho a Martínez e saiu de campo merecidamente ovacionado para a entrada de Susaeta. Llorente, que fez apenas um gol em oito partidas, continuou sem marcar, mas teve papel importante na vitória: participou diretamente do gol de Muniain e de Toquero. No gol do jovem, El Rey León ganhou no alto de Ansotegi e Rivas e Muniain só teve o trabalho de empurrar para as redes. No gol do camisa dois, dominou entre dois marcadores e, rapidamente, lançou Toquero na direita, que chegou batendo e venceu Bravo. A vitória contra o maior rival colocou o Athletic Bilbao a um passo da próxima Liga Europa e a comemoração pode se extender ao término da rodada: seus adversários diretos farão confrontos difíceis no complemento da rodada. Para a Real Sociedad a situação é crítica: até o fim da rodada, a equipe cair duas posições e tem uma tabela bem complicada até o término do campeonato. A cinco rodadas do fim, os txuri-urdins terá pela frente Barcelona (c), Valencia (f), Zaragoza (c), Sevilla (f), Getafe (c).

No Mestalla, o Valencia (3º, 63) recebeu o Real Madrid (2º, 80), que entrou em campo com seu time B. Em campo, uma atuação de gala do trio Benzema, Kaká e Higuain, que participaram dos seis gols merengues. Higuain, com um hat-trick, voltou a marcar depois de cinco meses e deixou o campo com uma sensação de que ainda pode brigar pela vaga no ataque do time. Assim como Kaká, autor de dois gols (sendo um golaço) e duas assistências, que está disponível para a vaga no meio-campo blanco. Desde os primeiros minutos o Real Madrid tomou conta da partida. Escalado no 4-3-3 da vitória contra o Getafe, o Valencia parecia com medo e tomou um banho ainda no primeiro tempo. Benzema e Kaká eram os mais ligados na partida e tomaram conta do meio-campo. A partir dos 22 minutos, o Real Madrid foi começando a matar a partida. Primeiro, Higuain cruzou da direita, Guaita passou batido e Benzema completou para as redes. Aos 30, Mathieu falhou gravemente na frente de Higuain, que se esticou todo e venceu Guaita, que já estava batido. Aos 38, Benzema fez o carnaval na zaga ché, abriu na direita para Higuain, que novamente serviu de garçom e Kaká marcou o terceiro. Para completar, aos 41, Kaká retribuiu a gentileza e tocou para Higuain marcar o quarto e silenciar um Mestalla dominado pela ira.

Para fechar, o Barcelona (1º, 88) entrou em campo para esquecer a derrota na Copa e recuperar a confiança para os duelos finais contra o seu maior rival. Com a cabeça na semifinal da Champions e, por que não, preguiçoso, o Barcelona jogou para o gasto contra o Osasuna (16º, 35). Sem Messi, no banco, Guardiola voltou ao 4-3-3 de outrora, com Jeffren e Afellay nos flancos e Villa enfiado entre os zagueiros adversários. El Guaje, que vive sua pior fase na carreira, espantou a fase negra para longe: após cruzamento de Jeffren, Villa se esticou todo para abrir o placar para o Barcelona e quebrar um incômodo jejum de onze jogos sem marcar. Vendo sua equipe jogando de maneira insonssa, Guardiola promoveu as entradas de Iniesta, Messi e Xavi na segunda etapa, o que melhorou na forma de jogo blaugrana. E, aos 46 minutos, Messi recebeu bom passe de Daniel Alves e, cara a cara com Ricardo, tocou na saída do português chegando ao seu 50º gol, superando uma marca histórica de Puskas: La Pulga é o primeiro jogador numa temporada espanhola a chegar em tal marca e, além disso, caminha para ser o chuteira de ouro pela segunda vez consecutiva. Vale lembrar que, além de ser o pichichi da Liga BBVA, Messi é o artilheiro da LC e terminou empatado na artilharia da Copa do Rei (sete gols) ao lado de Cristiano Ronaldo. Qual o limite de Messi?

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Um Real Madrid diferente

O Real Madrid começou muito bem sobre o comando de José Mourinho, com uma boa sequência de vitórias e um futebol muito rápido e objetivo, mas aí veio a derrota dolorosa para o arquirrival Barcelona: 5 a 0 no Camp Nou. Com certeza esse jogo é um divisor de águas para o elenco merengue na temporada e desde lá o Real não foi mais o mesmo. A partir do jogo no Camp Nou, o Real Madrid tropeçou mais algumas vezes, porém Mourinho buscou um novo padrão de jogo para equipe e com o tempo os muitos jogadores contratados para esta temporada se assentaram em seu esquema.

Taticamente, a pequena mudança de Mourinho fez efeito e o Real Madrid mostra sua força a cada jogo (getty images)

No último jogo antes da Data FIFA, diante do Atlético de Madrid, o time merengue parece ter encontrado o melhor posicionamento em campo. No dérbi da capital, o Real entrou em campo no 4-1-4-1, com uma linha defensiva, mais um volante (Lassana Diarra e Xabi Alonso se revezando na função) à frente desta linha defensiva. Logo a frente uma linha composta por Ronaldo pela esquerda, Xabi Alonso e Khedira centralizados e Özil aberto pela direita. No comando do ataque, Benzema. Com essa formação, o Real se fechava para sustentar a pressão do Atlético e tinha rápidos contra-ataques com Özil e Ronaldo pelas beiradas do campo, além de ser um esquema que favorece a subida dos laterais, pela grande cobertura dada pelos três volantes (Diarra, Alonso e Khedira).


Nessa partida, o Real teve o seu lado esquerdo como determinante para a vitória. Marcelo, de grande inspiração ofensiva, junto a Cristiano Ronaldo e Özil, quando este caía por ali, armavam a maior parte das jogadas de ataque. Outro ponto positivo no Real atualmente tem sido o reencontro de Benzema com seu bom futebol, fazendo lembrar o jogador dos tempos de Lyon. Benzema não só tem feito os gols, como tem participado efetivamente das jogadas de ataque da equipe, com grande qualidade nos passes e muita movimentação. Essa nova formatação merengue dá maior estabilidade ao setor defensivo, principalmente pelas laterais do campo, onde Marcelo tem o apoio de pelo menos dois jogadores capazes de fazerem a sua cobertura, o que diminui suas falhas defensivas, ao meu ver, sua maior deficiência.

Essa equipe do Real está se tornando mais madura e prestes a enfrentar seu algoz novamente. Contra o Barcelona, o Real será testado novamente, porém desta vez não vejo as mesmas deficiências defensivas, apesar de ser uma equipe com menor capacidade de retenção de bola do que os catalães. O grande ponto que Mourinho ainda necessita corrigir é o espaço atrás de seus volantes, principalmente quando se utiliza de um esquema com duas linhas de quatro e dois atacantes. Nesse espaço, Messi participa constantemente do jogo, além de Iniesta e Xavi que infiltram por ali diversas vezes. O esquema utilizado contra o Atlético pode ser a prova de que o Real encontrou esse equilíbrio, pois ali Diarra faz a cobertura desses espaços atrás da linha de meio-campo.

Já no 4-4-2 (uma variação defensiva do 4-2-3-1 para quando a equipe não possui a bola), Mourinho normalmente opta pela utilização de Arbeloa pelo lado esquerdo, principalmente pela necessidade de uma melhor marcação naquele lado do campo, já que sem Diarra, Marcelo acabaria por ficar muito exposto aos ataques adversários. Nesse esquema, quando o Real tem a bola a equipe se articula no 4-2-3-1, com Ronaldo fechando uma linha com Di María e Özil, para armar o jogo. No 4-4-2, Mourinho ainda não encontrou o mesmo equilíbrio defensivo, ainda que tenha maior efetividade ofensiva. Com a nova lesão de Ronaldo, Mourinho deve optar pela manutenção do esquema 4-1-4-1, com Di María sendo o substituto natural para o craque português.

O Real Madrid ainda não atingiu seu auge, tendo ainda um potencial muito alto pelas peças que Mourinho possui no elenco. É uma equipe mais pronta que aquele que fora derrotada pelo Barcelona no 1º turno do espanhol, mas isso não garante que vá sair vencedora do próximo confronto. O Real é uma equipe que está subindo de produção, o que pode ser crucial para sua campanha na Champions League. No último jogo, uma prova de sua força: a equipe goleou o surpreendente Tottenham por 4 a 0 e deu um passo enorme rumo à semifinal.