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sábado, 11 de maio de 2013

O título da regularidade

O abraço entre Messi e Iniesta, os protagonistas do título de Liga Espanhola do Barcelona 2012-13 (getty images)

Soa como clichê dizer que o campeão de um torneio de pontos corridos se destaca pela regularidade apresentada durante a competição. Mas essa é a palavra que mais se encaixa ao Barcelona de Tito Vilanova, campeão espanhol em sua primeira temporada como treinador profissional e líder do início ao fim. Em temporada inconstante e com alguns problemas extracampos, a equipe não deu sopa ao azar e capitalizou positivamente os tropeços de Atlético de Madrid e Real Madrid, seus principais rivais durante boa parte da Liga. 

Com um primeiro turno de alto nível, com 18 vitórias e um empate em 19 jogos, os blaugranas puderam atuar com mais tranquilidade na segunda parte, onde a queima de gordura foi permitida. Mais concentrado na parte decisiva da Uefa Champions League, o Barça caiu naturalmente de rendimento, mas nada que assustasse bastante: apenas duas derrotas (Real Sociedad e Real Madrid) em 15 jogos, até o momento. Ainda que não tenha derrotado o Real Madrid nos dois superclássicos, não há do que reclamar da campanha catalã.

Taticamente, Tito Vilanova deixou a desejar. O treinador manteve o 4-3-3 natural da filosofia azulgrená, mas não o utilizou em essência. Sem marcação pressão, poucas infiltrações dos ponteiros e uma recomposição mais lenta em relação ao time de Guardiola, a defesa ficou vulnerável aos contra-ataques. Outro problema foi as jogadas aéreas, sempre um Deus nos acuda ao sistema defensivo. A bem da verdade, o aparecimento repêntino de um câncer na glândula paródita acabou por colocar em xeque seu trabalho. É injusto julgar negativamente Tito Vilanova e esquecer do bom futebol que o Barcelona parecia estar recuperando até sua ida a Nova Iórque para o tratamente de quimioterapia. A vitória contra o Málaga por 1x3 na Andaluzia, com 74% da posse de bola e um tiki-taka ao fino, é a prova disso. Com Jordi Roura, os blaugranas viveram seu pior momento em 2012-2013.

Dos personagens, dois se destacaram: Andrés Iniesta e Lionel Messi. Apesar dos números assustadores do argentino, o espanhol talvez tenha se destacado tanto quanto. Em fevereiro, num momento crucial da temporada, Messi padeceu, enquanto o meio-campista (que atuou durante 60% da temporada aberto à esquerda do ataque) manteve-se bem. Até esse período, a temporada de Iniesta era de outro mundo. Para muitos críticos, foi o melhor ano do jogador de Albacete, que vem mantendo a boa fase desde a Eurocopa, quando foi campeão e melhor jogador. 

Mas o camisa 10 não pode se esquecido. Pichichi da Liga pela segunda vez consecutiva e terceira em sua carreira, Messi alcançou, mais uma vez, registros sobrenaturais. Ele se tornou o primeiro jogador a marcar gols em 19 rodadas consecutivas, o que dá, em outras palavras, um turno inteiro indo às redes. Além disso, marcou pelo menos um gol em todas as equipes da competição (à exceção do Barcelona, óbvio), feito que só Cristiano Ronaldo, na temporada passada, havia conseguido. Com 46 gols em 34 rodadas, La Pulga está a quatro de igualar seu recorde de 50 anotados em 2011-2012.

Com o título, o Barcelona se torna o clube espanhol com o maior número de títulos oficiais (79), dois à frente do Real Madrid, que disputa a final da Copa do Rei na próxima sexta-feira. Esse é o título de número 24 da carreira de Xavi, o jogador espanhol com mais títulos em toda a história. Em campo, no entanto, foi uma temporada atípica do maestro catalão, que já não foi tão dominante no meio-campo quanto nos últimos anos. Ainda que em janeiro e fevereiro tenha tido uma excelente sequência, o camisa seis barcelonista fez sua pior temporada desde 2008.

Agora, a diretoria começa a se planificar visando a próxima temporada. Principalmente pela eliminação acachapante na Uefa Champions League para o Bayern de Munique, com direito a 4x0 na Alemanha e 0x3 na Catalunha, o elenco precisa de uma renovação, sobretudo na retaguarda. Com Piqué inconstante e Puyol dando sinais claros de decadência, é necessário contratar, ao menos, dois zagueiros. Dentre os especulados, o nome de Hummels, do Borussia Dortmund, aparece com mais força, embora o preferido de Tito Vilanova e Andoni Zubizarreta seja o brasileiro Thiago Silva, sonho antigo dos espanhóis. 

No gol, o clube vive um dilema: Víctor Valdés revelou não querer renovar seu contrato, que se encerra em julho de 2014, e o desejo do corpo técnico é contratar um novo arqueiro já na próxima temporada. Ter Stegen, Guaita, Handanovic e De Gea são os que têm o nome ligado a uma possível transferência ao Camp Nou. Nas laterais, Daniel Alves mostrou-se irregular, enquanto Alba se adaptou perfeitamente ao time titular. Do meio para frente, o nome mais desejado é o de Neymar. O santista, que parece estar com um pé e meio em Barcelona, voltou a ser atacado pelo Real Madrid, de acordo com a imprensa espanhola, embora seu desejo seja o de atuar com Messi e cia. Além de Neymar, Tito prefere contar com mais um atacante de lado do campo.

Abaixo, os principais jogos, em ordem de acontecimento, que marcaram o título barcelonista. Para ver os gols, clique em cima do resultado.

Barcelona 5x1 Real Sociedad, 1ª rodada. Gols de Messi (2), Puyol, Pedro e Villa.
Nada melhor começar o campeonato goleando. No retorno (e com gol) de Villa, a Real assustou nos primeiros minutos, mas Messi deu seu cartão de visita à temporada com um doblete.

Osasuna 1x2 Barcelona, 2ª rodada. Gols de Messi (2).
Em um jogo extremamente difícil em Navarra, onde o Barcelona sempre encontra dificuldades, o time de Tito Vilanova não se encontrava em campo. Mas eis que Messi, como de praxe, decidiu marcando os gols da virada aos 31 e 35 minutos do segundo tempo. Na mesma rodada, o Real Madrid perdeu para o Getafe por 1x0 e os azulgrenás abriram distância na tabela.

Sevilla 2x3 Barcelona, 6ª rodada. Gols de Fàbregas (2) e David Villa.
A uma semana do primeiro superclássico contra o Real Madrid, o Barcelona iria à Andaluzia encarar o Sevilla, que à época viveu sua melhor fase na temporada. Com uma marcação forte, perigoso nos jogos aéreos e um contra-ataque fatal, os nervionenses abriram 2x0 e, indiretamente, ressuscitavam os merengues. Mas aí o Barcelona acordou, impulsionado por Fàbregas, autor de um doblete providencial. No último suspiro do jogo, Villa mostrou estar recuperado ao tabelar com Messi e anotar o gol da remontada.

Barcelona 2x2 Real Madrid, 7ª rodada. Gols de Messi (2).
No Camp Nou, tanto Barcelona quanto Real Madrid chegavam ao superclássico rodeado de dúvidas. E Cristiano Ronaldo e Messi, que anotaram dois gols cada, trataram de mascarar os problemas das duas equipes, num jogo não tão espetacular tecnicamente.

Barcelona 4x1 Atlético de Madrid, 16ª rodada. Gols de Adriano, Busquets e Messi (2)
À época, o confronto do líder contra o vice-líder. O Atlético de Madrid de Simeone chegava ao Camp Nou  com uma grande campanha e a segunda colocação. Dentro de campo, nos primeiros 45 minutos, os rojiblancos se comportaram muito bem e chegaram a abrir o placar com Falcao García. O golaço de Adriano trouxe o Barcelona de volta ao jogo e, depois, o Atléti inexistiu.

Málaga 1x3 Barcelona, 19ª rodada. Gols de Messi, Fàbregas e Thiago Alcântara.
O Málaga vivia um ótimo momento, era o quarto colocado e havia derrotado o Real Madrid um mês antes. Era um compromisso bastante difícil ao Barcelona. No entanto, o que se viu em campo foi um time à Guardiola, com muita pegada na marcação, infiltrações pelos lados do campo e belas trocas de passes.

Barcelona 2x1 Sevilla, 16ª rodada. Gols de Messi e Villa
Era o jogo depois da derrota em Milão para o Milan e antes do confronto decisivo pela Copa do Rei contra o Real Madrid. A virada marcou uma espécie de mudança na equipe titular: Villa aproveitou a chance dada por Roura, marcou o gol do empate e ganhou a vaga de Fàbregas no onze inicial, com Iniesta sendo recuado à sua posição original, no meio-campo.

Barcelona 4x2 Bétis, 34ª rodada. Gols de Alexis Sánchez, Villa e Messi (2)
Os blaugranas acabavam de sair da eliminação humilhante na Champions para o Bayern e pareciam estar sentindo a queda em âmbito europeu. Messi, que começou no banco, teve que entrar para decidir: no primeiro toque na bola, sofreu uma falta. No segundo, cobrou com perfeição. Com uma nova postura, o Barcelona virou e aliviou a relação com a torcida, que acabou o primeiro tempo vaiando a equipe.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

O desafio de Munique

Há quatro anos, o trio Messi-Eto'o-Henry fez o carnaval contra o Bayern de Munich. Agora, no entanto, a fase bávara é outra (BBC)

Após eliminar Milan e PSG, vem aí o Bayern de Munich para o Barcelona, no último passo rumo a Wembley, local onde os blaugranas ganharam duas de suas quatro UCL. Para muitos, o jogo do ano. Nesta terça, às 15h45 (horário de Brasília), a Allianz Arena verá a melhor equipe dos últimos anos contra o melhor time da temporada 2013/14. Nos últimos quatro anos, era automático colocar o Barcelona como o mais      cotado a vencer algum confronto de UCL. Contra o Bayern, o favoritismo é dividido em 50% para cada. Os números domésticos do time que Jupp Heynckes entregará a Pep Guardiola são incríveis. O aproveitamento na Bundesliga é de 86%. O saldo é de 75 gols – 89 marcados e 14 sofridos. Como mandantes, os bávaros perderam apenas uma vez, para o Bayer Leverkusen, em outubro de 2012.

O Bayern que perdeu o título europeu para o Chelsea ainda não tinha Dante, Javi Martínez e Mandzukic, reforços do mercado de verão. Eles se distribuíram por três dos quatro setores do 4-2-3-1 de Heynckes: o brasileiro oferece mais segurança à defesa, o espanhol garante estabilidade e saída de bola qualificada, e o croata aproveitou a lesão de Gómez para assumir o posto de centroavante titular (apesar de que, nesta terça-feira, Gómez irá jogar devido a suspensão de Mandzukic). O outro setor, dos meias, teve a consolidação do excelente Kroos e a recuperação de Müller, que não fazia uma grande temporada desde a Copa do Mundo de 2010.  Com a lesão de Kroos, Robben recuperou sua titularidade, e será ameaça real a Jordi Alba.

No final de semana, Tito Vilanova usou um time misto contra o Levante. Apesar da partida sonolenta e previsível do Barça, a equipe venceu por 1x0 nos minutos finais, com gol de Fàbregas, após boa jogada de Alexis Sánchez. No entanto, a melhor notícia que Vilanova poderia receber foi o excelente rendimento de Abidal na zaga ao lado de Piqué. O francês passou segurança a um sistema defensivo bastante vulnerável e pela primeira vez desde seu retorno ficou em campo os 90 minutos. É claro que o ritmo dos alemães será outro em relação ao dos levantinos, mas Abidal pode aparecer como um elemento mais confiável do que Bartra ou Song para o duelo de Munique (Adriano está suspenso, e Mascherano e Puyol estão lesionados).

Outra notícia positiva que o treinador barcelonista recebeu é sobre Lionel Messi. O argentino treinou normalmente com os companheiros no domingo e viajou para Munique. Ainda sem alta médica, no entanto, sua participação como titular está 80% confirmada. De acordo com o periódico Mundo Deportivo, o camisa 10 fará exames médicos na Alemanha para poder, enfim, receber a tão esperada liberação. Iniesta e Daniel Alves, que fizeram um trabalho específico após o duelo do final de semana, também estão confirmados.

Daniel Alves é uma questão à parte no duelo. O baiano, autor de uma temporada inconstante, irá combater diretamente Franck Ribéry, um dos melhores jogadores do mundo. Na temporada passada, o francês abusou de Arbeloa e foi um dos caminhos para a classificação bávara sobre o Real Madrid. Contra o Bayern, Daniel Alves irá precisar controlar suas subidas ao ataque para não deixar espaços ao francês. Precisará ser mais o Daniel Alves de 2009/2011, que anulava Cristiano Ronaldo, e não o de 2013, que deixou espaços para Pastore marcar no Camp Nou.

No meio-campo, talvez o duelo que irá condicionar o jogo: Busquets, Xavi e Iniesta contra Javi Martínez (ou Luiz Gustavo), Schweinsteiger e Müller. Ainda que Iniesta faça uma temporada de ouro, Xavi vive de lampejos e Busquets vem de partida fraca contra o PSG, na qual não conseguiu controlar Verrati. É preciso mais concentração a um meio que já não consegue ditar tanto o ritmo da partida como outrora. Xavi conhece bem Schweinsteiger, que foi anulado pelo espanhol no confronto entre Espanha x Alemanha na Copa do Mundo. Porém, desta vez, Xavi irá encontrar uma versão mais evoluída do alemão.

Os duelos também reservarão outra questão, a mais interessante: a posse de bola. Há cinco anos (ou 301 jogos, se você preferir) que ninguém tem mais posse de bola jogando contra o Barcelona. Os blaugranas lideram todas as estatísticas referentes à manutenção da bola na Liga dos Campeões 2012/13: é o líder de posse e o time que mais acertou passes. Atrás, nos dois quesitos, está exatamente o Bayern de Munich, que tem poderio suficiente para agredir os azulgrenás e fazer eles correrem atrás da bola. Para isso, indico o texto de Marcelo Bechler, da Rádio Globo, falando mais sobre o assunto.

Prováveis escalações.
Bayern: Neuer; Lahm, Dante, Van Buyten, Alba; Javi Martínez (Luiz Gustavo), Schweinsteiger; Robben, Müller, Ribéry; Mário Gómez.
Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Piqué, Bartra (Abidal), Jordi Alba; Busquets, Xavi, Iniesta; Pedro, Messi, Villa (Alexis Sánchez)

segunda-feira, 1 de abril de 2013

PSG x Barcelona

Pela segunda vez consecutiva, o sorteio da Uefa Champions League colocou frente a frente Barcelona contra Zlatan Ibrahimovic, que teve uma pequena passagem pelo clube blaugrana, de onde saiu de maneira controversa. Se na temporada passada seu Milan não conseguiu parar o tetracampeão europeu, dessa vez cabe ao sueco tentar levar o Paris Saint Germain à semifinal da principal competição europeia de clubes. Nas oitavas de finais, o clube da capital francesa eliminou um clube espanhol: vitória, no agregado, por 3x2 contra o Valencia. Mas os confrontos não teve um Ibrahimovic protagonista, muito pelo contrário. Expulso na partida de ida, quando ele passou em branco, coube a Pastore, Lavezzi e Lucas liderar os parienses.

Especialmente após eliminar o Milan, o Barcelona parece ter retornado à velha forma. O futebol total, que andava em modo lento, dá mostras que voltou com maestria e, como bem deixou claro o brasileiro Leonardo, diretor técnico do PSG, os azulgrenás são os favoritos para avançar de fase. Na última sexta-feira, o representante do Parc des Princes jogou para o gasto e derrotou o Montpellier por 1x0, gol de Gameiro. A derrota do Lyon para o Souchaux, no domingo, por 1x2, dá total liberdade à equipe de Carlo Ancelotti se concentrar nos confrontos contra o Barça.

Ao contrário dos catalães, o PSG não é um primor coletivo. A maioria das vitórias tem saído à base da invidualidade de seus principais jogadores, sobretudo Ibrahimovic, artilheiro do time na temporada com 31 gols. A velocidade de Lucas pela direita do 4-2-3-1 é uma arma importante da equipe, que costuma ter no brasileiro uma válvula de escape para a armação dos contra-ataques. No outro flanco, Ezequiel Lavezzi tem se destacado em âmbito europeu, onde é o principal goleador do PSG na LC, com cinco gols. No auxílio a Ibrahimovic, Javier Pastore, após um início opaco, atua mais à vontade, como nos tempos de Palermo.


Dizer que Ibrahimovic é uma ameaça real à zaga barcelonista é chover no molhado. Sem Puyol, que pode ficar de fora do restante da temporada, cabe a Piqué e Mascherano total atenção. Aliás, o argentino está a um cartão amarelo da suspensão, que poderia complicar a vida barcelonista visando o jogo da volta. Na esquerda, Jordi Alba irá precisar ser preciso como contra Di María no superclássico de outubro para encarar Lucas. Até por ser um lateral ofensivo, ele terá, acima de tudo, que contrabalancear suas subidas ao ataque para não deixar espaços ao brasileiro, que, certamente, também precisará marcar o espanhol nas jogadas ofensivas barcelonista.

Outra peça-chave para o Barça será Iniesta. O camisa oito jogará no setor do mapa da mina dos parienses: o lado direito da zaga, onde atua o fraco Christophe Jallet. Além dele, Villa é outro que cumprirá função importante. A versatilidade do Guaje oferece flexibilidade ao Barcelona. Tito pode orientá-lo a centralizar e puxar a marcação de Thiago Silva e Alex para Messi entrar em diagonal (um dos caminhos para a vitória contra o Milan) ou fechar o lado esquerdo do ataque. Na direita, Tello, com moral alta após a excelente partida na Galícia contra o Celta, deve ganhar a vaga de Alexis Sánchez e substituir Pedro, suspenso.

Contra dois jogadores velozes pela ponta e um dos melhores centroavantes do mundo, o Barcelona não pode deixar os franceses contra-atacarem. Trabalhar a bola com mais velocidade, acionar os ponteiros (para isso, Xavi on fire será primordial), aproveitando-se da carência do adversário na marcação pela bandas, é a chave para a vitória.

O pesadelo de todo o elenco do PSG certamente atende-se por Lionel Messi. Ibrahimovic, Thiago Silva, Lucas, Pastore e Lavezzi rasgaram elogios ao argentino antes do duelo. É provável que Ancelloti repita a "fórmula Inter-Chelsea-Celtic-Milan", com duas linhas de quatro protegendo a retaguarda de Sirigu para ilhar o camisa dez. Trocar de posição com frequência com Tello e cair pelo lado direito é essencial. A marcação frouxa do ex-blaugrana Maxwell não deve aguentar nem o catalão e muito menos o argentino. Com 56 gols na temporada, Messi voltou aos melhores momentos e deixou claro que "está animado e com boas sensações para enfrentar o PSG". Que o virtual campeão francês se cuide.

segunda-feira, 25 de março de 2013

A hora da verdade

Na coletiva, Vicente Del Bosque mostrou-se confiante. O treinador afirmou que só irá forçar Xavi se o catalão estiver 100% (AS)

Na última quinta-feira, na coletiva pré-jogo contra a Finlândia, Vicente Del Bosque havia afirmado que seria necessário concentrar seus jogadores para o duelo contra os finlandeses antes de ir a Paris para o jogo decisivo contra a França. Para o treinador, os dois jogos teriam valores iguais. Ele parecia adivinhar do que viria pela frente. Na sexta-feira, a Fúria pecou por aquilo em que mais é criticada: o preciosismo. Durante o primeiro tempo, encarou uma super-retranca montada pelo técnico Paatelainen, que fixou duas linhas de quatro protegendo a retaguarda do arqueiro Menp. No entanto, em relação ao Barcelona quando encara retrancas, a Roja apostou nos chutes de fora da área, especialmente de Iniesta e Villa, mas sem resultados. 

O gol de Sérgio Ramos no início do segundo tempo jogou por água abaixo o esquema de Paatelainen. Obrigada a sair ao jogo, a Finlândia deixou espaços, não aproveitado pela Espanha, que preferiu cadenciar o jogo. O castigo veio a dez minutos do fim, quando Arkivuo aproveitou a lacuna deixado por Arbeloa na direita e cruzou para Pukki marcar. O lance gerou uma pequena discussão entre o lateral do Real Madrid e Piqué, que teve que cobrir a lateral direita, deixando espaço suficiente para o atacante finlandês anotar seu gol.

Amanhã, às 17h, horário de Brasília, a Fúria irá precisar emular, acima de tudo, seus melhores momentos nos últimos anos para sair do Saint-Denis com três preciosos pontos. No confronto em Madrid, há quatro meses, uma cínica França relegou a bola aos espanhóis durante 90% do tempo e levou perigo ao gol de Casillas em contra-ataques. Deve repetir a estratégia que serviu para tirar dois pontos da seleção de Del Bosque no Vicente Calderón, quando Giroud silenciou o estádio do Atlético de Madrid aos 47 minutos do segundo tempo.

Antes de encarar a Roja, os Bleus fizeram o dever de casa. Contra a Geórgia, uma tranquila vitória por 3×1, que teve Paul Pogba como destaque. O volante de 20 anos é autor de uma grande temporada pela Juventus e começa a mostrar desempenho positivo pela seleção. Ele dominou o meio-campo e fez excelente dupla com Valbuena, autor de um gol e uma assistência para Ribéry marcar. Por outro lado, Didier Deschamps vive um dilema com Benzema. Sem marcar pela França há 10 jogos, o atacante merengue, ainda por cima, foi cobrado por um grupo de extrema direita francês por não cantar o hino nacional do país. Em entrevista à Rádio Marca, Deschamps deixou em evidência sua confiança em Benzema, que “vem jogando bem, mas está dando azar de não ir às redes”.

Na Espanha, Vicente Del Bosque irá esperar por Xavi até o último momento. Com desconfortos musculares, ele foi poupado na última sexta e tem sua participação colocada em xeque. O treinador madrilenho afirmou não querer forçar o uso do meio-campista catalão: se ele não estiver em condições, não irá jogar. Se Xavi não jogar, é provável que Iniesta continue no meio-campo e Mata e Fàbregas disputem uma posição no ataque. À exceção de um apagão que gerou o gol de empate da Finlândia, os defensores têm se comportado bem. Mas encarar uma França que irá apostar no contra-ataque irá requer mais atenção de Arbeloa, que deixa muitos espaços às suas costas. Monreal, pela esquerda, terá que ser tão incisivo quanto Alba, fora da partida por lesão. Del Bosque tende a insistir com Villa no ataque, pois Silva, suspenso, é desfalque confirmado. 

Os espanhóis têm a vantagem da alta posse de bola. Mas há a ressalva de que especialmente amanhã será necessário mais profundidade e rapidez na troca de passes para desgastar o meio-campo francês. Diminuir o jogo pelo centro a fim de procurar mais os pontas será crucial. Com Pedro, de fato, a Espanha irá ganhar em incisão pelo flanco. A França, por sua vez, trocou o esquema nos dois últimos jogos contra o selecionado de Del Bosque. Ainda com Laurent Blanc, os Bleus entraram com uma trinca de volantes, abdicando de um meio-campista de ligação. Líder do grupo com 10 pontos, uma vitória colocará os franceses a um passo e meio da Copa. 

Para os mais supersticiosos, Paris costuma ser o local de glórias para o esporte espanhol. O maior exemplo é Rafael Nadal, heptacampeão de Roland Garros na capital francesa. Além dele, o ciclista Alberto Contador ganhou duas etapas do Tour da França em Paris, Manuel Maldonado foi medalha de ouro da prova de 1.500 no Europeu de pista coberta de atletismo em 2011 e o Barcelona de Puyol, Xavi e Iniesta voltou a ganhar uma Uefa Champions League no Saint-Denis, palco do clássico desta terça-feira. 

Prováveis escalações, de acordo com o Marca. 
FRANÇA: Lloris; Jallet, Varane, Sakho, Clichy; Pogba, Matuidi, Valbuena; Benzema, Giroud, Ribery.

ESPANHA: Víctor Valdés; Arbeloa, Piqué, Sergio Ramos, Monreal; Busquets, Xabi Alonso, Iniesta; Villa, Fàbregas (Mata), Pedro.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Prévia: Milan x Barcelona

Na temporada passada, o Milan parou Messi no San Siro e segurou o 0x0 contra o Barcelona com uma pequena retranca. E agora? (AP Photos)

Por mais um ano consecutivo, o sorteio da Uefa Champions League colocou frente a frente Barcelona x Milan. Se, nos confrontos da temporada, houve um leve favoritismo ao lado do Barcelona, principalmente depois da lesão de Thiago Silva, que ficou de fora dos dois jogos, atualmente o peso do favoritismo por parte blaugrana é ainda maior. À época, no entanto, o Milan deixou a competição de cabeça erguida, após segurar os azulgrenás no San Siro com uma competente retranca e chegar a assustar os mais de 90 mil torcedores culés presentes no Camp Nou, quando Nocerino empatou a partida por 1x1, resultado que classificava os rossoneros (logo depois, Messi, de pênalti, e Iniesta decidiram a classificação barcelonista).

Pelo lado catalão, o respeito pelo time de Milão é alto. Jordi Roura, na coletiva desta segunda-feira, afirmou ser altamente difícil encarar o Milan em seus domínios. O diretor esportivo Zubizarreta, por sua vez, admitiu não estar 100% confiante na classificação e que os rossoneros merecem respeito não importa a situação. O mesmo disse o capitão Puyol, reconhecidamente um seguidor do Milan.

Para a prévia deste confronto, que terá seu jogo de ida nesta quarta, 20 de fevereiro, às 16h45 (horário de Brasília), e volta no dia 5 de março, contaremos com a colaboração, por mais uma vez, dos parceiros do Quattro Tratti, especializado no calcio italiano. Quem fala sobre o Milan é Arthur Barcelos. Boa leitura.

A temporada até aqui
Milan: Depois de um início tenebroso, com seis derrotas, dois empates e apenas quatro vitórias, gerando um aproveitamento de 33,3%, o time de Massimiliano Allegri vem conseguindo se recuperar na Serie A. Nos últimos 13 jogos pelo campeonato, o Diavolo teve um aproveitamento de 69,2%, com nove vitórias, três empates e apenas uma derrota, marcando 26 gols e sofrendo outros 15. Atualmente, o clube de Milanello é o quarto colocado, com 44 pontos em 25 jogos, empatado com a Lazio, a última equipe na zona de classificação para a próxima Champions League. Pela Coppa Italia, o Milan parou nas quartas de finais, contra a Juventus, após ter batido sem dificuldades a Reggina nas oitavas. Já na fase de grupos da Champions, os comandados de Allegri fizeram campanha irregular, surpreendidos pela ótima campanha do Málaga, conseguindo uma vaga no mata-mata apenas na penúltima rodada.

Barcelona: Líder isolado e virtual campeão da Liga Espanhola, nem tudo foi mil maravilhas para o Barcelona no início da temporada. Sem Josep Guardiola, que em abril, logo após a eliminação para o Chelsea, havia anunciado que não renovaria seu contrato para 2012-13, a equipe demorou a engrenar. Em campo, Tito Vilanova não mexeu na filosofia de jogo de Pep, dando continuidade ao estilo do ex-treinador. No entanto, o jogo encantandor dos últimos quatro anos não fluia. Especialmente na Uefa Champions League, o Barcelona não convencia. O estopim foram dois jogos muito abaixo da média contra o Celtic, que resultou em uma derrota por 2x1 e uma vitória pelo mesmo placar com o gol da vitória aos 47 minutos do segundo tempo, através de Jordi Alba. A perda da Supercopa para o Real Madrid, quando foi amplamente dominado pelo time de Mourinho, foi moralmente absorvida pela campanha louvável em âmbito doméstico: enquanto os merengues iniciaram a temporada pecando na busca pela manuntenção do título, os blaugranas, por sua vez, firmaram o melhor início de um time em toda história do campeonato, vindo a perder sua invencibilidade apenas na primeira rodada do returno (derrota para a Real Sociedad por 3x2 no País Basco). Pela Copa do Rei, o Barça conseguiu boa vantagem ao empatar contra o Real Madrid no Bernabéu por 1x1.

Pontos fortes
Milan: A sequência de bons resultados deve dar um gás a mais para a equipe milanesa, mas são poucos os pontos fortes do atual Milan. Allegri tem no jovem El Shaarawy sua principal arma ofensiva, o artilheiro do time na Serie A e na Champions League, com 15 e 2 gols, respectivamente, contribuindo também com 4 assistências na temporada. Outros destacáveis dos rossoneri são Montolivo, Constant e De Sciglio. O primeiro vem rendendo bem na função de regista, correspondendo as expectativas, enquanto o segundo, por sua vez, talvez seja a grande surpresa na temporada, indo bem na lateral esquerda, e mesmo lhe faltando técnica, compensa com entrega e bom posicionamento. Já o último é a grande revelação do Diavolo, fazendo valer toda a expectativa criada após seu ótimo desempenho na base rossonera, desbancando o antes titularíssimo Abate e conquistando, inclusive, uma lembrança de Prandelli na Nazionale.

Barcelona: Lionel Messi e Andrés Iniesta vivem estados de graça. O primeiro, eleito pela quarta vez consecutiva o melhor jogador do mundo pela Fifa e France Football no início de janeiro, caminha para registrar sua melhor temporada nos números, após assombrosos 72 gols na temporada passada - 91 no ano. São 48 gols em 36 jogos, uma média de 1.33 por partida. Iniesta, por sua vez, é o motor do time. Adaptado ao setor esquerdo do ataque, em uma tentativa de encaixar Fàbregas no meio-campo, o espanhol, segundo muitos especialistas, faz a melhor temporada de sua carreira. Impulsionado pelo título e o troféu de MVP da Eurocopa, o camisa 8 é fundamental para o esquema do treinador, fazendo ótima parceria com Jordi Alba pelo lado esquerdo. Fàbregas é outro grande nome do Barça na temporada. Após um início fulminante, ele caiu de rendimento nos últimos jogos, mas nada de tão impressionante. Por outro lado, quem cresceu consideravelmente na temporada foi Xavi. O camisa 6 começou de maneira tímida, não tão dominante no meio-campo, mas desde dezembro tem feito partidas com selo Xavi.

Pontos fracos
Milan: Apesar do bom momento dos últimos quatro meses, o time de Allegri não apresenta bom futebol, que, certamente, não enche os olhos dos rossoneri. Suas vitórias geralmente vêm de placares apertados e/ou decididos no final dos 90 minutos, tendo muitas dificuldades contra equipes que jogam mais fechados e que usam contra-ataque e bola longa. O Milan tem a segunda maior média de posse de bola, 57,9%, atrás apenas da Juventus, contudo apresenta problemas quando com a posse, aproveitá-la para abrir espaços na defesa adversária, fazer infiltrações, chutar ao gol e, claro, converter suas chances, mesmo tendo o quarto melhor ataque da Serie A, 34% de gols do menino El Shaarawy, sobrecarregado no ataque. Balotelli, contratado no mercado de inverno, conseguiu amenizar um pouco a situação, marcando quatro gols em três jogos, porém não poderá jogar pelo Diavolo na Champions League, por já ter atuado pelo Manchester City. Não bastasse isso, a defesa segue falha, especialmente os zagueiros. Os veteranos Mexès, Yépes e Bonera não conseguem substituir a altura Nesta e Thiago Silva, e ainda apresentam certa irregularidade, enquanto Zapata não consegue repetir as atuações dos tempos de Udinese, também apresentando irregularidade.

Barcelona: Desde a Era Guardiola a zaga não inspirava confiança. Com Tito Vilanova tem exagerado. Os erros são múltiplos e cruciais. A recomposição é feita com muita lentidão, o que gera muitas bolas nas costas, sobretudo pelo lado de Daniel Alves, lateral que ataca com mais frequência que Alba, o lateral esquerdo. O catalão, talvez, seja o grande destaque desse sistema defensivo. Inteligente taticamente, ele comete poucos erros e ajuda substancialmente o ataque. Com Puyol apto, a melhoria é considerável, porém não garante 100% de confiança. Piqué, após bom início de temporada, voltou a falhar em janeiro, mas ganhou moral após anular Cristiano Ronaldo no superclássico de três semanas atrás. Outro ponto fraco conhecido desse time do Barça é a dificuldades de encarar retrancas. A eliminação para o Chelsea ratificou essa deficiência. Contra o próprio Milan, pelas quartas-de-finais da LC 2011-12, os azulgrenás passaram por dificuldades no San Siro, quando os rossoneros retraíram as linhas e diminuiram os espaços de Messi e Xavi. 

Expectativas
Milan: Bom momento, futebol burocrático, as expectativas do Milan contra o líder espanhol e soberano Barcelona não são das melhores. Contra o eficiente time de Tito Vilanova, Allegri já não conta mais com Ibrahimovic e Thiago Silva, além da disposição tática da equipe das últimas duas temporadas, fatores que seriam fundamentais contra o clube catalão, que também vem apresentando problemas na defesa, problemas esses que poderiam ser explorados pelo trio Niang-Balotelli-El Shaarawy, que não poderá se repetir nos dois confrontos pela ausência do camisa 45. Além de tudo isso, o retrospecto da equipe de Milanello contra o Barcelona também pesa contra: nos últimos seis jogos, foram três vitórias dos culés, sendo duas em pleno San Siro, e três empates. Os comandados de Allegri terão de se superar caso ainda sonhem com o avanço para as quartas, mas pelo visto as atenções do time de Berlusconi estão todas voltadas para a Serie A, na briga por uma vaga na próxima Champions.

Barcelona: O Barcelona recuperou o bom futebol dos últimos tempos, após um fraco início quanto ao desempenho em campo, e chega ao confronto com muita confiança e com o peso do favoritismo ao seu lado. 12 pontos à frente do vice-líder Atlético de Madrid, os azulgrenás podem se concentrar com mais atenção à competição europeia. O treinador Tito Vilanova não estará presente nos confrontos devido a uma ida a Nova York para o início da quimioterapia para curar o câncer. O auxiliar Jordi Roura, nos últimos três jogos, tem feito alguns turnovers no time titular especialmente para evitar algumas lesões, principalmente de jogadores "frágeis" fisicamente, casos de Iniesta, Fàbregas, Daniel Alves, Puyol e Xavi. Em quatro confrontos contra o Milan na temporada passada, o Barcelona venceu dois, enquanto os outros dois terminaram empatados. Por tudo que as equipes vem apresentando na atual temporada, é fácil imaginar os catalães avançando de fase com certa facilidade. Mas uma camisa como a do Milan merece respeito, como frisou Roura na coletiva pós-jogo contra o Granada, no sábado.

Prováveis escalações
Milan: Abbiati; De Sciglio (Abate), Mexès (Zapata), Yépes, Constant; Nocerino, Montolivo, Boateng (Muntari); Niang, Pazzini (Bojan), El Shaarawy. Técnico: Allegri.

Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Piqué, Puyol, Alba; Busquets, Xavi, Fàbregas; Pedro, Messi, Iniesta. Técnico: Jordi Roura

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Os melhores do primeiro semestre

 Lionel Messi: 25 gols, pichichi absoluto e, por ora, o melhor jogador do campeonato (getty images)

Com 2012 chegando ao fim e, com ele, o primeiro semestre da temporada europeia, já podemos montar com convicção a seleção do primeiro turno da Liga Espanhola, ainda que falte mais duas rodadas para o final. Com incríveis 49 pontos em 17 rodadas (16 vitórias, 1 empate e nenhuma derrota), o Barcelona fincou seu nome na história do campeonato ao ter os melhores registros da Liga, com os números acima. O campeonato retorna neste final de semana, e os líderes terão dérbi para fazer contra o Espanyol. Abaixo, o 11 do primeiro turno, escalado no 4-3-3 por ser a tática do líder e virtual campeão Barcelona.

Willy Caballero (Málaga)
A melhor defesa do campeonato é impulsionada pelo excelente arqueiro Caballero, que vem numa crescente desde a temporada passada, onde foi um dos principais responsáveis pela boa temporada do Málaga, que culminou com a vaga na Champions. Há duas semanas, teve atuação de ouro contra o Real Madrid, ratificando por que é, até o momento, o melhor goleiro da elite espanhola

Cicinho (Sevilla)
Na lateral direita, Cicinho surpreende. Questionado em sua chegada pela saída conturbada do Palmeiras, o brasileiro caiu nas graças da torcida ainda na pré-temporada. Taxado de "novo Daniel Alves", ganhou destaque após a partida contra o Real Madrid no início da temporada, onde anulou Cristiano Ronaldo e ainda fez graça com o português. Ele caiu consideravelmente de rendimento nos últimos jogos, mas não apaga as brilhantes partidas feitas nas primeiras dez rodadas.

Gerard Piqué (Barcelona)
Piqué veio de uma temporada apagada. Durante a reta final de 11/12, perdeu a titularidade para Mascherano, ficando no banco nos jogos decisivos da Liga e da Champions League. Porém, tem recuperado à medida que a atual temporada passada sua melhor versão. Piqué garante segurança e excelência na saída de bola a um sistema defensivo que ainda não é perfeito.

Miranda (Atlético de Madrid)
É outro brasileiro que vai bem na temporada. Assim como Cicinho, teve uma queda no rendimento, mas é homem de confiança de Simeone e um dos principais jogadores da excelente temporada rojiblanca. Chefão da zaga, é importante também no jogo aéreo e faz uma dupla coesa com o uruguaio Godin.

Jordi Alba (Barcelona)
Alba repete, por ora, as atuações de alto nível que o levaram de volta ao Barcelona. O melhor lateral esquerdo da Eurocopa é, sem dúvidas, um dos três principais jogadores dos blaugranas na atual temporada na opinião deste colunista. Disciplinado taticamente, tem em Iniesta seu principal "ajudante" na ponta esquerda, uma parceria que deu certo durante a disputa da Euro. É provável que Abidal retorne como zagueiro, porque é difícil imaginar Alba perdendo a titularidade com Tito Vilanova.

Sergio Busquets (Barcelona)
"O jogador silencioso", assim definiu Diego Torres, colunista do El País em uma de suas recentes colunas no periódico. Jogador que equilibra o meio-campo barcelonista, é imprescindível ao estilo de jogo azulgrená. Você pode questionar Guardiola por ele ter deixado Touré sair de maneira tão fácil, mas, mesmo sendo inferior ao marfinense, o catalão encaixa mais na tática blaugrana. Aos 23 anos, é um dos melhores volantes do mundo.

Cesc Fàbregas (Barcelona)
Em 2011/2012, Fàbregas retornou ao Barcelona. No primeiro semestre, foi importante e fez excelentes partidas. No entanto, a partir da reta final, caiu drasticamente de rendimento, criando dúvidas quanto ao seu poder de decisão. Na Eurocopa, atuando de falso nove, foi importante, mas restava mostrar isso com mais regularidade no Barça. Por enquanto, repete o que fez na primeira parte da temporada passada com mais sobressaliência, atuando no meio-campo, ora fazendo a função de Xavi (onde se sai melhor, diga-se de passagem), ora exercendo o papel de Iniesta.

Andrés Iniesta (Barcelona)
Iniesta faz juz ao título de melhor jogador da Europa conquistado em agosto do ano passado. Se durante a era Guardiola (e a parte final da era Rijkaard), atuava num baixo nível quando escalado aberto à esquerda do ataque, o espanhol parece adaptado à função que cumpre tanto na seleção espanhola quanto agora no Barcelona. Versátil e incisivo o bastante para atuar por ali, tem contribuido à exaustão para Messi alimentar mais recordes. Com Iniesta em forma, é muito mais difícil do que o normal derrotar o esquadrão da Catalunha.

Lionel Messi (Barcelona)
25 gols em 17 jogos, 91 em 2012, seis rodadas consecutivas anotando ao menos dois gols numa mesma partida. Não há palavras para descrever Lionel Messi, o melhor jogador do campeonato. La Pulga começou a temporada num ritmo menos elevado, ficando muito preso à função de centroavante, mas já recuperou a forma avassaladora. Daqui a uma semana, tem tudo para receber mais um prêmio de melhor do mundo.

Falcao García (Atlético de Madrid)
El Tigre, mas pode chamá-lo de El Demolidor. O colombiano faz uma temporada dos sonhos e não é exagero dizer que, atualmente, ele é o melhor centroavante do mundo. Vice-artilheiro com 17 gols, é o protagonista da melhor campanha do Atlético de Madrid em muito tempo.

Cristiano Ronaldo (Real Madrid)
O gajo pode atuar melhor do que vem atuando, mas no ambiente mais do que conturbado que vive o Real Madrid não há mais o que pedir dele. Mesmo "triste" com pessoas do clube, não falta entrega dentro de campo. Será um verdadeiro baque para o Real Madrid perdê-lo ao final da temporada, como vem especulando a imprensa espanhola - prováveis destinos: retorno a Manchester ou ida ao PSG.

Menções honrosas: Courtois (Atlético de Madrid), Adriano (Barcelona), Filipe Luís (Atlético de Madrid), Godin (Atlético de Madrid), Demichelis (Málaga), Isco Román (Málaga), Joaquín (Málaga), Hemed (Mallorca), Leo Baptistão (Rayo Vallecano), Piti (Rayo Vallecano)Soldado (Valencia), Vela (Real Sociedad).

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Ao resgate

 Nas últimas duas semanas, o Barcelona recuperou o bom futebol e promete voltar a encantar (getty images)

No Ciutat de Valencia, o Barcelona, na teoria, teria um confronto difícil contra o Levante. Quarto colocado da Liga Espanhola e com a moral em alta após conseguir uma inédita e histórica classificação ao mata-mata da Liga Europa, os levantinos prometiam vida difícil aos blaugranas, assim como nos dois últimos confrontos em Valencia. O que aconteceu, sobretudo no segundo tempo, foi justamente o contrário. O gol de Messi logo na volta do intervalo abriu o caixão e serviu para fazer o Barcelona relaxar e chegar a mais três gols naturalmente, construindo as jogadas e exercendo um belo futebol.

É um desafio escrever sobre o Barcelona de Tito Vilanova sem entrar em comparações com o de Josep Guardiola (em evidência no Brasil após a suposta vontade de treinar a seleção brasileira). Mas esse é um desafio que deve ser encarado, porque não há nada mais vazio do que dizer que "o elenco é o mesmo" ou que "o time de Guardiola encantava mais", o que ainda é um equívoco, visto que a equipe de Vilanova poucas vezes fez um jogo completo com o onze que o novo treinador pretender levar a campo nos momentos decisivos. Ontem, por exemplo, Tito iniciou o duelo que fechou a noite com esses jogadores, ainda que tenha colocado Iniesta aberto à esquerda do ataque. Com Villa ainda sem estar no auge da forma e Tello e Alexis Sánchez em más fases, é perfeitamente plausível ver o meio-campista fazendo as vezes no ataque, como faz costumeiramente pela seleção espanhola.

O Barcelona de Tito Vilanova cumpre com competência, ainda que não com excelência, o que se espera dele: ele vence. Ontem, nos 4x0 diante do Levante, o Tito Team igualou o melhor arranque da história da Liga Espanhola, que, até o momento, pertencia em solitário ao Real Madrid de 91/92. À época, a equipe treinada por Antic somou 12 vitórias e um empate nas 13 primeiras rodadas, exatamente os mesmos registros que apresenta o Barça atual. No futebol espanhol, considerando Liga BBVA, Liga Adelante e Segunda División B, os blaugranas são os únicos a não conhecerem a derrotam em território doméstico, após o Tenerife perder sua primeira partida no sábado. Em âmbito continental, foram derrotados pelo Celtic por 2x1, pela quarta rodada da Uefa Champions League. Mais cedo, no início da temporada, uma derrota para o Real Madrid por 2x1 que custou a Supercopa Espanhola.

Mas essa excelência, pelo visto, começa a dar as caras. Contra Zaragoza, Spartak Moscou (primeiro tempo) e Levante, o Barcelona fez jogadas e gols semelhantes aos dos tempos áureos com o treinador anterior. Coincidentemente, o bom futebol retornou justamente quando Puyol se recuperou de lesão e formou a zaga ao lado de Piqué. A melhora defensiva é considerável. A recomposição também é feita com mais atenção. Pelo menos nesses três jogos, o Barcelona ofereceu pouca chances aos adversários e os laterais sofreram poucas bolas nas costas, algo que tornou-se praxe nos três meses anteriores. Jordi Alba iniciou a temporada em alto nível e não é exagero dizer que, atualmente, ele é o melhor lateral esquerdo do mundo, enquanto Marcelo não está apto por lesão.

No meio-campo, uma figura cresce e impussiona o Barcelona: Andrés Iniesta. Após um início de temporada modorrento, onde não engatou sequência na equipe titular graças à fase de Fàbregas, ele está fazendo jus ao prêmio de melhor jogador da Europa. Contra o Levante, ratificou a boa fase com atuação espetacular, ofuscando Messi. Foram três assistências e um golaço para dissipar as dúvidas. Por outro lado, o grande maestro Xavi permanece tímido. Fàbregas, quando escalado no setor do camisa 6, mostrou mais serviço e apresentou um leque de jogadas maiores que os do atual Xavi. Cesc deu oito assistências para gols e anotou quatro tentos, enquanto Xavi assistiu apenas uma vez e foi às redes três vezes.

O craque do time tem correspondido até num nível acima do normal. Após apresentar uma versão mais humana, Lionel Messi já desempenha um futebol digno de melhor do mundo. Se movimentando com mais contundência e arriscando mais dribles e arrancadas, ele está bem longe do Messi tímido que iniciou a temporada, muito preso à função de um verdadeiro nove. Seus números assustam. São 82 gols em 2012 e 26 na temporada 2012/2013. Após ultrapassar a maior marca de Pelé num único ano, La Pulga está a um passo de chegar em Gerd Müller, o maior artilheiro, que marcou 85 gols em 1972. Agora é questão de tempo. Artilheiro isolado da Liga Espanhola com 19 gols e da Champions League com 5 (ao lado de Artur e Cristiano Ronaldo), o dado a seguir assusta: equipes como Liverpool e Milan marcaram 71 e 81 gols ao longo do ano, menos do que o argentino sozinho.

Ainda assim, há quem viva um pesadelo. Antes tratado como peça-chave, Daniel Alves já não é mais tão fundamental. Mais uma vez lesionado (pela quarta vez em três meses), ele ficará duas semanas fora do gramado. Montoya não é um substituto à altura, mas tem sido essencial porque está servindo para contrabalancear as subidas de Alba pela esquerda. Até por ser mais conservador que o baiano, o canterano deixa o sistema defensivo menos exposto. Sua atuação no superclássico do início de outubro foi positiva. Daniel Alves, por ter boa qualidade ofensiva, poderia ser opção para jogar aberto à direita no ataque, papel este que desempenhou em algumas partidas com Guardiola, quando o treinador optou pelo uso do 3-4-3. O entendimento com Xavi e Messi pode ajudá-lo.

Finalmente, após algumas críticas e especulações de fim de ciclo, o Barcelona mostrou capacidade de ser avassalador novamente. Com o bom futebol de volta, será que veremos a melhor equipe dessa geração encantar em campo novamente, como vimos com tanta frequência nos últimos quatro anos?

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Cenário diferente

 Iniesta e Pedro: o canário, melhor em campo contra a Bielorrúsia, deve começar novamente como titular contra a França (getty images)

Em Donetsk, há quatro meses, a Espanha entrou em campo contra a França sob dúvidas. Após uma fase de grupos onde mostrou um futebol bastante pragmático, a Fúria precisava se desligar dos rótulos. Nos primeiros 30 minutos, a seleção encaminhava-se para tal. Nesse período, o time de Vicente Del Bosque pressionou a França como ainda não havia feito com nenhum adversário nos três primeiros jogos. E abriu o placar, após passe incisivo de Iniesta, arrancada e cruzamento de Alba na medida para Xabi Alonso testar. Depois disso, a Roja voltou ao modo preguiça. Tocou, tocou, tocou, pouco foi ameaçada e achou mais um gol no final do jogo, novamente com Xabi Alonso, convertendo pênalti controverso sofrido em cima de Pedro.

Amanhã, às 16h, as seleções se enfrentam no Vicente Calderón, em Madrid. A partida marca o retorno de Fernando Torres ao estádio onde teve suas primeiras grandes exibições como profissional. El Niño, provavelmente, não será titular, mas o reencontro com a torcida colchonera será emocionante. Os aficionados do Atlético de Madrid prometeram uma homenagem ao seu ídolo antes da bola rolar. Em campo, Del Bosque deve manter Fàbregas como falso nove. O barcelonista se adaptou à posição e sente-se à vontade em campo com uma maior liberdade de movimentação. Mais cedo, na coletiva antecedente ao duelo, Cesc afirmou que a posição é relativa, ainda que prefira atuar de meio-campista. O Marca fez um levantamento afirmando que, nesse sistema, a Fúria marca mais gols.
As prováveis escalações, segundo o Marca

Há quatro meses, o duelo, válido pelas quartas-de-finais da Euro, foi naturalmente estudado durante boa parte da primeira etapa. Amanhã deve ser diferente. Com as duas seleções dividindo o poderio de favoritas do grupo, o confronto tende a ser mais disputado. Ainda mais pelo fato de haver mais uma partida a ser feita entre eles, daqui a um ano, o que mostra que tanto França quanto a Espanha devem ousar mais. Ninguém tem convicção de que a dupla irá superar Geórgia, Finlândia e Bielorrúsia.

As lesões de Piqué e Puyol deixa a defesa espanhola sem seus donos. Del Bosque tem Raúl Albiol à disposição, mas deve optar pela improvisação de Busquets, como no confronto de sexta. O treinador, também, não sabe se irá contar com Sergio Ramos, com desconfortos musculares. Embora o andaluz esteja apto pelo departamento médico, Del Bosque afirmou que só irá se decidir em última hora, pois não pretende forçar seu uso. No ataque, após a ótima atuação com direito a hat-trick ante a Bielorrúsia, Pedro larga na frente de Villa e Jesus Navas para iniciar o jogo. A defesa de Laurent Blanc atua bem adiantada, e a dupla formada por Rami e Sakho é muito lenta. Koscielny, do Arsenal, parecia ser uma alternativa interessante para minimizar a questão, mas Blanc prefere os zagueiros de Valencia e PSG pelo fato do gunner não viver boa fase. A capacidade de Pedro de se infiltrar nas defesas adversária  pode ser a chave da vitória espanhola. Xavi, que irá atuar no setor onde mais gosta, provavelmente irá abusar das bolas lançadas às costas de Debuchy.

Do meio para frente, em compensação, a França é ótima. Ainda que M’Vila seja desfalque, Matuidi  pode substituí-lo em alto nível. A tendência é o meio-campo francês sentir-se mais "à vontade" em relação ao confronto de junho pelo fato do meio-campo espanhol estar desfalcado de seu principal marcador, Busquets. Com Xabi Alonso, que não é marcador nato, jogando de primeiro volante e organizando o time à frente da defesa, a Fúria fica mais "exposta". O contra-ataque francês exigirá concentração da defesa Roja. Ribéry, à esquerda, deve centralizar para criar jogadas, trocando posição com Benzema, que, assim como contra o Japão, irá jogar no auxílio ao centroavante Giroud. Menéz, à direita, irá dar trabalho extra ao ofensivo Alba, que terá que fazer uma marcação semelhante a que fez em Di María, no superclássico - onde se saiu bem, diga-se de passagem.

A França perdeu para o Japão num lance de azar na última sexta-feira. Os Bleus controlaram a partida, tiveram quase 60% da posse de bola, mas sofreram um contra-ataque fatal que resultou no gol de Kagawa. Amanhã, a equipe de Blanc irá trabalhar como os nipônicos. Vicente Del Bosque sabe disso. A seleção espanhola tem armas mais do que suficientes para levar os três pontos, mas a França, como bem disse Iniesta, promete dificultar e muito a vida dos atuais campeões mundiais e europeus.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Eu quero você, Brasil

 Nos bastidores, os amigos Casillas e Xavi não escondem o desejo de enfrentar a seleção brasileira. É o confronto que todo o povo espanhol quer ver (Reuters)

Pareceu uma declaração boba, despretensiosa. Em outubro de 2010, logo após o título mundial da Espanha, Fernando Hierro, ex-jogador e diretor esportivo da RFEF, disse que “todos” gostariam de ver um duelo entre Espanha e Brasil na reabertura do Maracanã, em 2013. A entidade negou que negocie essa partida, como fez a CBF. O que não significa que o assunto esteja morto. Nesta semana, o amistoso voltou a ficar em pauta. Segundo informações do AS, Xavi e Casillas teriam pedido ao presidente Justo Villar que negocie o confronto com a seleção brasileira. Curiosamento, o amistoso iria acontecer no final do ano passado, mas por "divergências" acabou cancelado.

A questão não é se a Espanha enfrentará o Brasil. A questão é que a Espanha quer enfrentar o Brasil. Não foi só a declaração de Hierro ou as de Xavi e Casillas. Iniesta, em entrevista à da Revista ESPN de dezembro de 2010, afirmou que o Brasil é uma “conta pendente” para os campeões do mundo e contou que Casillas fez o mesmo comentário na concentração espanhola, observando que faz tempo que as seleções não se encontram. David Villa afirmou que seu sonho quando criança era enfrentar o Brasil numa final de Copa do Mundo. Está claro que enfrentar os brasileiros é um desejo espanhol. Mas por quê?

É perfeitamente defensável que a Espanha tem, hoje, a melhor seleção do mundo. É a atual campeã da Eurocopa e da Copa do Mundo. Conquistou os três títulos consecutivos mostrando superioridade técnica, eliminando equipes fortes e tradicionais como Alemanha (duas vezes), Holanda, França, Itália e Portugal. Mas, para a nova realidade espanhola, não basta ser reconhecida como a melhor. É preciso ser reconhecida como uma das grandes seleções do mundo, aquele clube em que só estavam brasileiros, alemães, argentinos, italianos e, dependendo da referência, ingleses e franceses.

A última vez que as duas seleções se confrontaram foi em Vigo, em 13 de novembro de 1999. O Brasil de Candinho (acredite se quiser) entrou em campo com Marcos; Cafu, Antônio Carlos, Aldair e Roberto Carlos; Marcos Assunção, Émerson, Zé Roberto (Giovanni) e Rivaldo (Zé Elias); Sonny Anderson (Jardel) e Élber. A Espanha da época, treinada por José Antonio Camacho, foi ao Balaídos com Molina; Míchel Salgado, Paco, Abelardo e Sergi; Guardiola, Etxeberria (Urzaiz), Valerón (Engonga) e Luís Enrique (Mendieta); Raúl (Alfonso) e Morientes (Munitis). Atualmente, Guardiola é lembrado mais como técnico do Barcelona e Alfonso por dar nome do estádio do Getafe. Reparem que, das duas seleções, nem passam próximos dos times de Mano Menezes e Vicente Del Bosque

O jogo foi bem fraco e terminou em 0x0. Foi um amistoso como tantos outros, sem nenhum peso especial para os dois lados. Tanto que o Brasil foi comandado por seu auxiliar técnico, deixando Luxemburgo na Austrália, onde esteve com a seleção olímpica para dois amistosos. Desde então, o mais perto que o Brasil esteve de enfrentar a Espanha foram dois amistosos contra a Catalunha em Barcelona: vitórias brasileiras por 3x1, em 18 de maio de 2002, e 5x2, em 25 de maio de 2004, com direito a golaço de bicicleta de Júlio Baptista, que viria a brilhar no estádio novamente três anos depois, marcando o gol da vitória do Real Madrid ante o Barcelona por 1x0.

Um reencontro hoje entre esses dois países seria diferente. Seria a melhor seleção do mundo na atualidade contra a maior seleção da história do futebol, ainda que passe por um momento ruim dois anos antes da Copa de 2014. Torcedores de todo o planeta reconheceriam a importância simbólica do duelo. Grandes times se mostram em grandes eventos, realizam grandes duelos e se desafiam com o respeito que se tem pelo igual. A Espanha vê no Brasil o adversário que a legitimaria como novo membro do grupo de “grandes”. Por isso a Espanha quer jogar com o Brasil. Mesmo sabendo que isso pode não acontecer tão cedo. Ou, quem sabe, na Copa das Confederações. Ou, indo mais além, num hipotético confronto de mata-mata na Copa.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O paradoxo de Tito Vilanova

 Tito Vilanova e a árdua missão de substituir Josep Guardiola (getty images)

Mudança de ciclo sempre são bastante complicadas. Ainda mais em clubes grandes, onde a pressão por um trabalho bem feito começam desde os primeiros meses. No Barcelona, logicamente, não é diferente. Tito Vilanova passa por um processo semelhante ao que seu antecessor, Josep Guardiola, passou quando assumiu o lugar de Frank Rijkaard em 2008: a cobrança pelo resultado. A perda da Supercopa para o Real Madrid deixou boa parte de torcedores e simpatizantes do clube catalão com um pulga atrás da orelha.

É natural que Tito Vilanova seja pressionado, mas as análises mais ponderadas precisam esperar pelo verdadeiro Barcelona 2012/13. O novo treinador fez uma pré-temporada bem saudável e tinha tudo nas mãos para começar a temporada voando, mas não é isso que os jogadores mostraram nos primeiros cinco jogos antes da pausa para a Data Fifa. É arriscado e pesado chamar de pragmático o futebol da equipe que mais encantou o mundo nos últimos quatro anos; mas, baseando nos duelos contra Real Madrid no Santiago Bernabéu, Osasuna e Valencia, a definição é cabível. O toque de bola, tão refinado e objetivo, parece ser utilizado somente para passar o tempo e esperar o jogo acabar. Mal comparando, parece a Espanha em boa parte da Eurocopa 2012.

A linha defensiva está mais frágil. Vilanova falhou na tentativa de contratar um zagueiro, que seria o substituto de Puyol, passando por consecutivos problemas físicos, e por isso mudou a atenção para a contratação de um substituto para Busquets. Efetivar o jovem Marc Bartra foi a alternativa utilizada para preencher a lacuna da não contratação de um defensor, mas colocar as esperanças num canterano que, por mais promissor que seja, ainda é inexperiente é arriscado. Contra o Real Madrid, Adriano, Piqué, Mascherano e Alba sofreram, principalmente no primeiro tempo, com a velocidade imposta pelos fortes contra-ataques merengues. A expulsão de Adriano foi simbólica. 

O ataque, pelo menos neste início de temporada, parece continuar bastante dependente de Lionel Messi. Paradoxalmente, isso representa o maior perigo para Tito Vilanova: e quando Messi não decidir?; e quando Messi for anulado pelo esquema adversário, como contra nos duelos contra o Chelsea? Não há um Samuel Eto'o ou um Thierry Henry, que cansavam de decidir, durante a primeira temporada de Guardiola no Barcelona, quando o argentino não estava em boa noite. Alexis Sánchez não é um goleador nato e Tello é só incógnita, apesar da (cega) insistência do treinador no garoto. A esperança é David Villa, que ainda não recebeu alta médica, retornar em um bom nível e Pedro reencontrar o caminho dos gols decisivos. Contra o Real Madrid, na partida de ida da Supercopa, o canário marcou um importante gol que recolocou o Barça no duelo.

O que tem chamado a atenção são as substituições de Tito Vilanova. Ele demora a mexer na equipe e, quando o faz, não é da maneira que deveria ser. O caso mais lembrado é a entrada de Tello no Bernabéu, quando o treinador tinha à disposição dois campeões do mundo no banco de reservas, Villa e Fàbregas. Ainda que o Guaje não possa atuar num ritmo mais pesado, por que não tentar Fàbregas? O catalão é outro capítulo à parte do início da era Vilanova. Displicente, tem limitado-se a dar passes para o lado e parece fora de conexão com o restante dos jogadores. Escalado no setor onde mais gostaria de atuar, Cesc não foi bem quando jogou no lugar de Xavi, na armação, nem de Iniesta, ao lado do camisa seis no meio-campo.

No entanto, acontece que é praxe o Barcelona iniciar a temporada num ritmo mais leve. A exemplo de comparação, o Barcelona de Guardiola em 2008/2009 somou quatro pontos nas três primeiras rodadas (uma derrota, um empate e uma vitória). O da atual temporada, pelo menos, tem nove pontos, o que dá margem para um descanso lá na reta final, se a equipe tiver disputando as fases finais da Champions League. Em 2010/2011, ano que ganhou Liga e Champions League, o Barcelona só foi convencer no final de novembro, quando derrotou o Real Madrid por 5x0 e, a partir dali, explodiu definitivamente. Por isso, a pressa quanto ao trabalho de Vilanova é, em certo ponto, exagerada. Quem acompanha os azulgrenás veementemente nos últimos anos sabe que eles tendem a começar a "voar" a partir do final de outubro ou começo de novembro. Porém, por outro lado, Vilanova já deveria dar demonstração de que acerta mais que erra e não criar mais dúvidas.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Superjogo

 No último jogo, Cristiano Ronaldo decidiu e tirou onda... (getty images)

Não poderia haver confronto melhor para "abrir" a temporada de elite espanhola. Tradicionalmente, a disputa da Supercopa é o pontapé inicial para a Liga Espanhola, porém a LFP decidiu inverter os valores e começou a temporada com a primeira rodada da Liga BBVA. O que mais importa, no entanto, é que amanhã, às 17h30, horário de Brasília, o Camp Nou recebe o jogo de ida entre Barcelona e Real Madrid. Pela segunda vez consecutiva, os maiores clubes do futebol espanhol se enfrentam na decisão do torneio. No ano passado, o Barcelona, maior vencedor da competição, teve um Messi mágico e levantou a taça.

Nos bastidores, polêmicas. Expulsos no confronto de 2011, Marcelo, Mesut Özil e David Villa poderão atuar normalmente amanhã. O novo comitê de arbitragem espanhol considerou que a multa paga pelo trio em setembro passado "compensa" a lógica suspensão que eles deveriam cumprir. Na coletiva pré-jogo, José Mourinho e Tito Vilanova se alfinetaram de leve. O português considerou que "não quebrou nenhuma hegemonia ao conquistar a Liga Espanhola porque não há hegemonia alguma quando um time não consegue vencer a Champions League, torneio mais difícil de clubes, duas vezes consecutivas". Irônico, o catalão rebateu: "verdade, não há hegemonia quando você vence 14 de 19 campeonatos".

Com Alex Song, novo contratado junto ao Arsenal, à disposição, o Barcelona parece mais preparado para os duelos. Ao contrário da temporada passada, os blaugranas fizeram uma pré-temporada mais estável que a dos merengues e contam com os retornos de David Villa e Ibrahim Afellay como opções. O Guaje voltou em alto estilo, marcando contra a Real Sociedad, mas é difícil pensar na sua escalação como titular. Com base nos amistosos e na estreia na Liga, existe a tendência de que Pedro comece os 45 minutos iniciais. A dúvida de Tito é o último homem de ataque. Ele ainda não se rendeu à ideia de jogar com Fàbregas mais adiantado - nem Iniesta, por exemplo, que só deve aparecer nesta posição em caso de urgência - e, com o retorno de Alexis Sánchez, pode iniciar com o chileno. Arriscar Tello, titular na derrota de abril, é improvável.

Mourinho esconde, mas sabe o quão importante é começar a temporada desbancando o rival novamente. Ele afirmou que prefere "perder a Supercopa, mas ganhar a Liga BBVA ao final da temporada". Blefe? A depender dessa declaração, o gajo mostra que não se importa em fazer experiências e priorizar a preparação para a temporada de fato. Assim, não é improvável a presença da trinca de volantes no meio-campo e o retorno do 4-3-3. Mourinho havia dado mostras de que abdicara dessa tática mais conservadora desde que jogara bem contra o Barcelona no 4-2-3-1. Em janeiro, no confronto da Copa do Rei, o Real Madrid dominou os azulgrenás no Camp Nou e saíram de campo satisfeitos com o empate por 2x2, apesar da eliminação na competição. O resultado foi a vitória no mesmo estádio três meses depois, no jogo que decretou o título espanhol.

A aplicação tática de jogadores como Özil, Di María, Xabi Alonso, Khedira e até Cristiano Ronaldo é essencial para a fluência da tática sem que haja covardias. É claro que há um recuo natural das linhas para se proteger do poderio barcelonista, mas já é bem diferente da proposta utilizada, por exemplo, no confronto de ida da semifinal da Champions League, em 2010/2011. Os merengues são programados para se protegerem com solidez encurtarem o máximo possível os espaços do Barcelona, evitarem a presença de Messi no setor onde ele mais gosta de atuar e saírem com perfeição no contra-ataque. O simbólico gol de Cristiano Ronaldo no último jogo evidencia isso. Foi uma bola roubada no campo de defesa, lançada para Özil e definida pelo português. Tudo como o script manda. O problema será a defesa, que não terá Pepe, lesionado, e sim o inconstante e nada confiável Raúl Albiol.

... mas Messi e o Barcelona pretendem dar a volta por cima. Quem largará na frente? (zimbio)

Apesar de ser cedo para chegar a alguma conclusão, o Barcelona ilusiona. Com um elenco bem mais homogêneo em relação ao de 2011/2012, o triunfo contra a Real Sociedad mostrou uma faceta que há tempos não se via no jogo azulgrená: a utilização em demasia dos ponteiros. As chamadas infiltrações que tanto aterrorizou os adversários durante três temporadas e meia da era Guardiola raramente foi vista no segundo semestre da campanha passada. A escolha de jogar no 3-4-3 por parte de Pep foi o principal responsável pela perda de uma das principais jogadas. Com quatro meio-campistas, o jogo tendia a se concentrar mais pelo centro, o que explica um pouco os mais de 70 gols de Messi.

Na defesa, Puyol oferece segurança a quaisquer parceiros. Em forma fisicamente, o capitão iniciou muito bem a temporada e deve ser acompanhado de Mascherano ou Piqué, o que só será definido em última hora. Alba, na esquerda, não é um marcador nato e precisa balancear as investidas ao ataque com a defesa. Se, com Daniel Alves, o lado direito fica mais vulnerável, com o Alba o setor esquerdo também ficará bastante exposto, o que pode ser um perigo para Vilanova: é exatamente os ponteiros merengues (Cristiano Ronaldo e Di María) que fazem a diferença nesse tipo de jogo. Busquets, que costuma fazer a cobertura do lado direito para deixar o baiano livre para subir, terá que se redobrar nos dois flancos.

No confronto das principais estrelas, o momento é inverso. Cristiano Ronaldo, sempre cobrado por atuações positivas no superclássico, vem de três jogos consecutivos marcando gols contra o Barcelona, enquanto Lionel Messi já não marca há quatro partidas contra o Real Madrid. A média do argentino, que era praticamente de um gol por partida, diminuiu. Até por sinalizar menos alterações em relação à temporada passada e mostrar um estado físico melhor nesta abertura da temporada, o Barcelona parece ter certa vantagem para amanhã, mas nada que transforme uma eventual vitória do Madrid em surpresa. Os blancos sabem o caminho para a vitória.

Málaga
Os blanquiazules fizeram a lição de casa e venceram o Panathinaikos por 2x0 no jogo de ida da última fase classificatória da Uefa Champions League. Atuando com sobresaliência, os boquerones não deram espaços para o time grego e mereceram sair com a vitória. Marcaram sob pressão desde o campo de ataque, tiveram o controle da posse de bola e levaram muito perigo nos ataques. A movimentação do trio de meio-campistas foi o segredo da vitória. Isco, Eliseu e Joaquín - até ele, veja bem - se revezaram bastante e levaram a zaga rival à loucura. A vantagem é considerável, mas Manuel Pellegrini precisa abrir o olho, pois o Panathinaikos costuma atuar muito bem em Athenas. Assim, os andaluzes estão a 90 minutos de alcançarem a fase de grupos da principal competição de clubes do mundo.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Assustador

 O dono da bola: Iniesta trouxe o protagonismo para si, foi eleito o melhor jogador da Eurocopa e dá a volta por cima após uma turbulenta temporada (getty images)

Pode parecer exagero, mas o título que encabeça esse texto tem tudo a ver com o futebol da Espanha. Bastante criticado durante toda a Eurocopa, taxado de pragmático, chato e sonolento até mesmo pela imprensa espanhola, a Fúria deixava no ar uma interrogação: seria capaz de vencer e convencer? Pois bem, o tri-campeonato europeu, o segundo consecutivo (algo inédito na história da competição), serviu para jogar todas as argumentações anti-Espanha por ladeira abaixo. A Roja venceu, convenceu e foi campeã. Em sua melhor exibição em terras ucranianas, a equipe treinada por Vicente Del Bosque deu um enorme passo rumo à galeria dos maiores do esporte. Os 4x0 ante a Itália, tetra-campeã mundial, representa muito bem o poderio absurdo desse grupo.

Em campo, Del Bosque repetiu a mesma escalação que usou contra a mesma Itália na estreia na Eurocopa. Um onze inicial que, semanas atrás, criou dúvidas quanto ao estilo de jogo espanhol e gerou críticas ao treinador. Porém, o campeão mundial e agora europeu deu andamento ao que faltava: a ousadia. Se é para comparar, como a imprensa espanhola tanto gosta de fazer, a Espanha da final lembrou aquela avassaladora que conquistou a Eurocopa em Viena há quatro anos. Foi incisiva, utilizou bastante seus pontas, com destaque para a grande partida de David Silva, viu em Fàbregas um falso nove de excelente nível e, sobretudo, teve em Xavi seu principal articulador. 

O dono da camisa oito foi outro nome que decepcionava na competição. Como o blog já previa, o fato de Del Bosque adiantá-lo para um setor do meio-campo onde não estava acostumado a jogar foi um dos principais fatores para seu mau futebol no torneio. Além disso, o cansaço de uma temporada para lá de cansativa com o Barcelona e o surgimento de novos problemas físicos valeram para Xavi não mostrar nem 80% de seu futebol. Ele mesmo admitiu antes da bola rolar que se sentia um pouco decepcionado com suas exibições. "Gostaria de poder ajudar mais", disse. Na coletiva pré-jogo, porém, os múltiplos elogios de Del Bosque, que mostrou confiança no cérebro da equipe, valeram para seu futebol aparecer. Xavi tomou conta do meio-campo, assistiu Alba e Fernando Torres, cadenciou o jogo e, além disso, tomou conta de Pirlo durante os 90 minutos.

Os grandes trunfos da Roja para parar a Azzurra foram congestionar o meio-campo para evitar a superioridade numérica do losango italiano, alternar Xavi e Fàbregas no cerco a Pirlo e combinar retenção de bola e verticalidade, arriscando mais o passe longo e as ultrapassagens, utilizando bastante das infiltrações, algo que tanto faltava nessa equipe. Tanto que não houve o habitual controle da posse de bola (apenas 53% na primeira etapa e 57% no total), com mais erros de passe e equilíbrio nas conclusões enquanto houve disputa. Os acertos compensaram. A objetividade ficou em primeiro plano. Como bem disse André Rocha, a fantástica atuação não isenta e até enfatiza as críticas ao futebol apresentado nas fases anteriores. Uma verdade. De acordo com Cesare Prandelli, treinador da Itália, a Azurra sentiu problemas físicos, por falta de descanso - vide Chiellini, que chegou lesionado à Euro e se machucou outras duas vezes durante o torneio.

Um título que acrescenta ao currículo respeitável de Vicente Del Bosque a única competição que lhe faltava. Como treinador, o madrilenho pode ser orgulhar de ter conquistado Champions League, Copa do Mundo e Eurocopa, uma trinca desejável por qualquer técnico do planeta. Além disso, pelo Real Madrid, Del Bosque conquistou duas Ligas Espanholas e um Mundial de Clubes. Um título que mostra, de vez, ao mundo o talento de Jordi Alba. O melhor lateral esquerdo da competição abusou do bom futebol e mostrou-se sócio perfeito de Iniesta no setor esquerdo. A dupla, agora, irá se encontrar mais vezes em campo, visto que Alba retornou ao Barcelona. Mais um motivo para temer o time azulgrená e tentar achar mais motivos para pará-lo.

Mas quem merece um parágrafo à parte nessa conquista é justamente Iniesta. Após passar por uma temporada irregular onde as lesões novamente voltaram a atazaná-lo, o meio-campista brilhou. Eleito pela Uefa o MVP da Eurocopa - com justiça, diga-se de passagem -, Iniesta foi o ponto de equilíbrio da Fúria e voltou a ratificar sua importância para a seleção. "O homem mais querido por toda a Espanha"se destacou em todas as partidas da Roja no torneio, sem exceção. É um merecido prêmio a um jogador extremamente profissional, avesso às câmeras, humilde, que só pensa no trabalho. "Não jogo para ganhar Bola de Ouro, e sim para ganhar títulos com meu país e meu clube", afirmou na zona mista. Mas você merece, Don Andrés Iniesta.

domingo, 24 de junho de 2012

Propaganda enganosa

 Com atuações positivas nesta Euro, Xabi Alonso tem saído da sombra de Xavi e é um dos destaques da competição (Marca)

Por Ubiratan Leal

Ver o jogo por cima, sem muitas considerações e reflexões, permite equívocos. É como avaliar o Espanha 2x0 França pelo placar, e pela superioridade espanhola durante a partida. A Fúria praticou seu futebol de toque de bola, não foi ameaçada pelos franceses e não teve dúvidas de que conseguiria se classificar. Boa atuação, então? Não é bem assim. A facilidade da vitória não significa que o desempenho tenha sido bom ou convincente. Foi seguro. E parte da segurança se deveu à passividade da França diante do placar negativo, diante do predomínio do sistema de jogo espanhol sobre o seu. Mas, quando precisou ser mais aguda e incisiva com esse seu futebol, a Espanha sofreu.

A troca incessante de passes neutralizou o meio-campo francês, mas a equipe de Vicente Del Bosque deu razão para quem fala em “futebol improdutivo”. Durante quase todo o jogo, o meio-campo não encontrou o ataque. Os espaços não apareciam, e a movimentação ofensiva não era suficiente para criá-lo. A crônica da falta que David Villa faz a esse time continua válida. O duelo foi modorrento durante os 90 minutos. Só houve um momento em que a dinâmica foi quebrada: quando a Espanha conseguiu jogar pelos lados. No caso, foi o apoio de Jordi Alba pela esquerda. Um lateral que aparece pouco, e, quando o fez, pegou Reveillère desprevenido. O espanhol venceu na velocidade e chegou livre na linha de fundo. Teve temo de olhar para a área e perceber Xabi Alonso livre para receber o cruzamento e cabecear para o gol. Detalhe para o passe de Iniesta, melhor da Espanha e da Eurocopa, no lance oriundo da jogada, que quebrou a linha defensiva dos Bleus.

Detalhe que nenhum jogador do meio-campo e do ataque encontraram esses espaços. Foi um lateral e um volante que apareceram. Isso não tira o mérito da Espanha, já que mostra que o perigo pode vir de diferentes lados. No entanto, também mostra os problemas do meio para frente, o que já ficou evidente nas partidas contra Itália e Croácia. O segundo tempo praticamente não existiu. Foi um time segurando a bola para manter o placar contra outro que olhava jogar. Fàbregas teve uma boa jogada, quando foi lançado por Xavi e só não fez o segundo gol porque Lloris salvou. Fora isso, foi um jogo arrastado, em que a facilidade dos espanhóis de impor seu jogo não significa que tenha pressionado o adversário e feito o que bem entendesse em campo.

Ah, e teve o segundo gol... Mas, convenhamos, só o árbitro viu aquele pênalti em Pedro. De qualquer modo, ele não mudou o andar da partida (o jogo estava nos minutos finais) e só ajudou a construir um marcador que dá uma sensação enganosa de vitória convincente. A Espanha tem mais bola do que jogou contra a França, e não pode se contentar pelo fato de o placar ter ficado em 2 a 0.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Aprendeu, Del Bosque?

 "Dois gols tá bom ou você quer mais?", poderia ter dito Fernando Torres a Del Bosque (getty images)

Antes da estreia na Eurocopa contra a Itália, Vicente Del Bosque se expressou utilizando todas as palavras: não usaria o modo Barcelona de jogar, com um falso nove. Puro blefe. Abdicou de Llorente, Fernando Torres e Negredo e foi a campo com Fàbregas na referência. O meio-campista do Barcelona (meio-campista, é bom deixar claro) marcou, mas a Roja penou para bater a meta defendida por Buffon. Só marcou porque abusou de seu estilo de jogo na jogada, com troca de passes e triangulação entre Iniesta, David Silva e Fàbregas. Minutos depois, Vicente sacou Cesc e colocou Fernando Torres. Em menos de 30 minutos, El Niño criou três oportunidades claras de gols. 

Não obstante, o treinador campeão mundial recebeu uma chuva de críticas após o duelo. Até José Mourinho e Luis Aragonés trataram de criticar a escalação inicial. O madrilenho manteve a calma e até acenou com a possibilidade de atuar novamente com a mesma escalação ante a Irlanda. Novamente, puro blefe. Dessa vez, positivo. Em relação ao jogo contra os italianos, uma única mudança: saiu Fàbregas e entrou Fernando Torres. Uma troca substancial. Não que Fàbregas seja mau jogador, muito longe disso. Acontece que não há como escalá-lo como centroavante. É abdicar das principais características dele. Fica longe da fluência de jogo no meio-campo, do tiki-taka feito pelo setor e, principalmente, da armação das jogadas, que, a bem da verdade, foi muito bem feita por Xabi Alonso contra a Irlanda.

A seleção de Trapattoni nada pôde fazer para segurar o ímpeto espanhol. Conhecido por armar bem uma boa retranca, como um bom e velho italiano, o treinador vê seus comandados decepcionarem. A Irlanda da Eurocopa é a antítese daquela das Eliminatórias. Sentindo o peso da competição, atua em um baixo nível e não consegue segurar os ataques rivais. Havia sofrido com os contra-ataques da Croácia e perdeu a cabeça ante o jogo de troca de passes espanhol. "Foi um golpe psicológico", como apontou José Capdevila, editor-chefe do Diário Sport. Daniel Leite, colunista de futebol inglês do IG, escreveu bem sobre a seleção e a definiu perfeitamente: Trapattoni prioriza a experiência em detrimento do talento. Em momento algum sabe o que fazer com a bola nos raros momentos em que a tem nos pés. Sai do torneio de forma decepcionante, já que o ferrolho que a caracterizou nas eliminatórias não foi eficiente em momento algum. 

Para a Espanha, valeu por três nomes. David Silva reencontrou seu bom futebol. Marcou uma vez e assistiu duas. Dos cinco gols espanhóis em solo ucraniano, participou de quatro. Ainda pode aparecer mais, mas sua evolução é notória. Há duas semanas, escrevi que ele, junto a Iniesta, seriam os candidatos a destaques da seleção e da competição. Quem começa a entrar nessa galeria é justamente o blaugrana. O melhor em campo contra a Itália voltou a repetir uma exibição positiva. Driblou, tocou, chutou. Para esse colunista, é, ao lado de Schweinsteiger, Pirlo e Dzagoev, o craque dessa edição da Eurocopa. 

O maior destaque, contudo, não poderia ser diferente de Fernando Torres. Há dois meses, tinha sua participação na competição colocada em xeque. Após uma temporada negra no Chelsea, sua reta final teve lampejos do velho Torres. O gol contra o Barcelona em pleno Camp Nou, pelo visto, valeu para recuperar a confiança de um dos melhores matadores dos últimos anos. Dentro das quatro linhas, ratificou a confiança de Del Bosque. Se movimento, saiu de fora da área várias vezes para participar das linhas de passes, abria espaço para as infiltrações de Iniesta, Silva e Xavi e marcou duas vezes. Sua boa partida é uma excelente notícia para a Espanha. Agora, a Roja pode contar com um centroavante de confiança e parar de ver as improvisações de meios-campistas no ataque. Com quatro pontos, joga por um empate contra a Croácia para avançar de fase.