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sábado, 11 de maio de 2013

O título da regularidade

O abraço entre Messi e Iniesta, os protagonistas do título de Liga Espanhola do Barcelona 2012-13 (getty images)

Soa como clichê dizer que o campeão de um torneio de pontos corridos se destaca pela regularidade apresentada durante a competição. Mas essa é a palavra que mais se encaixa ao Barcelona de Tito Vilanova, campeão espanhol em sua primeira temporada como treinador profissional e líder do início ao fim. Em temporada inconstante e com alguns problemas extracampos, a equipe não deu sopa ao azar e capitalizou positivamente os tropeços de Atlético de Madrid e Real Madrid, seus principais rivais durante boa parte da Liga. 

Com um primeiro turno de alto nível, com 18 vitórias e um empate em 19 jogos, os blaugranas puderam atuar com mais tranquilidade na segunda parte, onde a queima de gordura foi permitida. Mais concentrado na parte decisiva da Uefa Champions League, o Barça caiu naturalmente de rendimento, mas nada que assustasse bastante: apenas duas derrotas (Real Sociedad e Real Madrid) em 15 jogos, até o momento. Ainda que não tenha derrotado o Real Madrid nos dois superclássicos, não há do que reclamar da campanha catalã.

Taticamente, Tito Vilanova deixou a desejar. O treinador manteve o 4-3-3 natural da filosofia azulgrená, mas não o utilizou em essência. Sem marcação pressão, poucas infiltrações dos ponteiros e uma recomposição mais lenta em relação ao time de Guardiola, a defesa ficou vulnerável aos contra-ataques. Outro problema foi as jogadas aéreas, sempre um Deus nos acuda ao sistema defensivo. A bem da verdade, o aparecimento repêntino de um câncer na glândula paródita acabou por colocar em xeque seu trabalho. É injusto julgar negativamente Tito Vilanova e esquecer do bom futebol que o Barcelona parecia estar recuperando até sua ida a Nova Iórque para o tratamente de quimioterapia. A vitória contra o Málaga por 1x3 na Andaluzia, com 74% da posse de bola e um tiki-taka ao fino, é a prova disso. Com Jordi Roura, os blaugranas viveram seu pior momento em 2012-2013.

Dos personagens, dois se destacaram: Andrés Iniesta e Lionel Messi. Apesar dos números assustadores do argentino, o espanhol talvez tenha se destacado tanto quanto. Em fevereiro, num momento crucial da temporada, Messi padeceu, enquanto o meio-campista (que atuou durante 60% da temporada aberto à esquerda do ataque) manteve-se bem. Até esse período, a temporada de Iniesta era de outro mundo. Para muitos críticos, foi o melhor ano do jogador de Albacete, que vem mantendo a boa fase desde a Eurocopa, quando foi campeão e melhor jogador. 

Mas o camisa 10 não pode se esquecido. Pichichi da Liga pela segunda vez consecutiva e terceira em sua carreira, Messi alcançou, mais uma vez, registros sobrenaturais. Ele se tornou o primeiro jogador a marcar gols em 19 rodadas consecutivas, o que dá, em outras palavras, um turno inteiro indo às redes. Além disso, marcou pelo menos um gol em todas as equipes da competição (à exceção do Barcelona, óbvio), feito que só Cristiano Ronaldo, na temporada passada, havia conseguido. Com 46 gols em 34 rodadas, La Pulga está a quatro de igualar seu recorde de 50 anotados em 2011-2012.

Com o título, o Barcelona se torna o clube espanhol com o maior número de títulos oficiais (79), dois à frente do Real Madrid, que disputa a final da Copa do Rei na próxima sexta-feira. Esse é o título de número 24 da carreira de Xavi, o jogador espanhol com mais títulos em toda a história. Em campo, no entanto, foi uma temporada atípica do maestro catalão, que já não foi tão dominante no meio-campo quanto nos últimos anos. Ainda que em janeiro e fevereiro tenha tido uma excelente sequência, o camisa seis barcelonista fez sua pior temporada desde 2008.

Agora, a diretoria começa a se planificar visando a próxima temporada. Principalmente pela eliminação acachapante na Uefa Champions League para o Bayern de Munique, com direito a 4x0 na Alemanha e 0x3 na Catalunha, o elenco precisa de uma renovação, sobretudo na retaguarda. Com Piqué inconstante e Puyol dando sinais claros de decadência, é necessário contratar, ao menos, dois zagueiros. Dentre os especulados, o nome de Hummels, do Borussia Dortmund, aparece com mais força, embora o preferido de Tito Vilanova e Andoni Zubizarreta seja o brasileiro Thiago Silva, sonho antigo dos espanhóis. 

No gol, o clube vive um dilema: Víctor Valdés revelou não querer renovar seu contrato, que se encerra em julho de 2014, e o desejo do corpo técnico é contratar um novo arqueiro já na próxima temporada. Ter Stegen, Guaita, Handanovic e De Gea são os que têm o nome ligado a uma possível transferência ao Camp Nou. Nas laterais, Daniel Alves mostrou-se irregular, enquanto Alba se adaptou perfeitamente ao time titular. Do meio para frente, o nome mais desejado é o de Neymar. O santista, que parece estar com um pé e meio em Barcelona, voltou a ser atacado pelo Real Madrid, de acordo com a imprensa espanhola, embora seu desejo seja o de atuar com Messi e cia. Além de Neymar, Tito prefere contar com mais um atacante de lado do campo.

Abaixo, os principais jogos, em ordem de acontecimento, que marcaram o título barcelonista. Para ver os gols, clique em cima do resultado.

Barcelona 5x1 Real Sociedad, 1ª rodada. Gols de Messi (2), Puyol, Pedro e Villa.
Nada melhor começar o campeonato goleando. No retorno (e com gol) de Villa, a Real assustou nos primeiros minutos, mas Messi deu seu cartão de visita à temporada com um doblete.

Osasuna 1x2 Barcelona, 2ª rodada. Gols de Messi (2).
Em um jogo extremamente difícil em Navarra, onde o Barcelona sempre encontra dificuldades, o time de Tito Vilanova não se encontrava em campo. Mas eis que Messi, como de praxe, decidiu marcando os gols da virada aos 31 e 35 minutos do segundo tempo. Na mesma rodada, o Real Madrid perdeu para o Getafe por 1x0 e os azulgrenás abriram distância na tabela.

Sevilla 2x3 Barcelona, 6ª rodada. Gols de Fàbregas (2) e David Villa.
A uma semana do primeiro superclássico contra o Real Madrid, o Barcelona iria à Andaluzia encarar o Sevilla, que à época viveu sua melhor fase na temporada. Com uma marcação forte, perigoso nos jogos aéreos e um contra-ataque fatal, os nervionenses abriram 2x0 e, indiretamente, ressuscitavam os merengues. Mas aí o Barcelona acordou, impulsionado por Fàbregas, autor de um doblete providencial. No último suspiro do jogo, Villa mostrou estar recuperado ao tabelar com Messi e anotar o gol da remontada.

Barcelona 2x2 Real Madrid, 7ª rodada. Gols de Messi (2).
No Camp Nou, tanto Barcelona quanto Real Madrid chegavam ao superclássico rodeado de dúvidas. E Cristiano Ronaldo e Messi, que anotaram dois gols cada, trataram de mascarar os problemas das duas equipes, num jogo não tão espetacular tecnicamente.

Barcelona 4x1 Atlético de Madrid, 16ª rodada. Gols de Adriano, Busquets e Messi (2)
À época, o confronto do líder contra o vice-líder. O Atlético de Madrid de Simeone chegava ao Camp Nou  com uma grande campanha e a segunda colocação. Dentro de campo, nos primeiros 45 minutos, os rojiblancos se comportaram muito bem e chegaram a abrir o placar com Falcao García. O golaço de Adriano trouxe o Barcelona de volta ao jogo e, depois, o Atléti inexistiu.

Málaga 1x3 Barcelona, 19ª rodada. Gols de Messi, Fàbregas e Thiago Alcântara.
O Málaga vivia um ótimo momento, era o quarto colocado e havia derrotado o Real Madrid um mês antes. Era um compromisso bastante difícil ao Barcelona. No entanto, o que se viu em campo foi um time à Guardiola, com muita pegada na marcação, infiltrações pelos lados do campo e belas trocas de passes.

Barcelona 2x1 Sevilla, 16ª rodada. Gols de Messi e Villa
Era o jogo depois da derrota em Milão para o Milan e antes do confronto decisivo pela Copa do Rei contra o Real Madrid. A virada marcou uma espécie de mudança na equipe titular: Villa aproveitou a chance dada por Roura, marcou o gol do empate e ganhou a vaga de Fàbregas no onze inicial, com Iniesta sendo recuado à sua posição original, no meio-campo.

Barcelona 4x2 Bétis, 34ª rodada. Gols de Alexis Sánchez, Villa e Messi (2)
Os blaugranas acabavam de sair da eliminação humilhante na Champions para o Bayern e pareciam estar sentindo a queda em âmbito europeu. Messi, que começou no banco, teve que entrar para decidir: no primeiro toque na bola, sofreu uma falta. No segundo, cobrou com perfeição. Com uma nova postura, o Barcelona virou e aliviou a relação com a torcida, que acabou o primeiro tempo vaiando a equipe.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Prévia: Milan x Barcelona

Na temporada passada, o Milan parou Messi no San Siro e segurou o 0x0 contra o Barcelona com uma pequena retranca. E agora? (AP Photos)

Por mais um ano consecutivo, o sorteio da Uefa Champions League colocou frente a frente Barcelona x Milan. Se, nos confrontos da temporada, houve um leve favoritismo ao lado do Barcelona, principalmente depois da lesão de Thiago Silva, que ficou de fora dos dois jogos, atualmente o peso do favoritismo por parte blaugrana é ainda maior. À época, no entanto, o Milan deixou a competição de cabeça erguida, após segurar os azulgrenás no San Siro com uma competente retranca e chegar a assustar os mais de 90 mil torcedores culés presentes no Camp Nou, quando Nocerino empatou a partida por 1x1, resultado que classificava os rossoneros (logo depois, Messi, de pênalti, e Iniesta decidiram a classificação barcelonista).

Pelo lado catalão, o respeito pelo time de Milão é alto. Jordi Roura, na coletiva desta segunda-feira, afirmou ser altamente difícil encarar o Milan em seus domínios. O diretor esportivo Zubizarreta, por sua vez, admitiu não estar 100% confiante na classificação e que os rossoneros merecem respeito não importa a situação. O mesmo disse o capitão Puyol, reconhecidamente um seguidor do Milan.

Para a prévia deste confronto, que terá seu jogo de ida nesta quarta, 20 de fevereiro, às 16h45 (horário de Brasília), e volta no dia 5 de março, contaremos com a colaboração, por mais uma vez, dos parceiros do Quattro Tratti, especializado no calcio italiano. Quem fala sobre o Milan é Arthur Barcelos. Boa leitura.

A temporada até aqui
Milan: Depois de um início tenebroso, com seis derrotas, dois empates e apenas quatro vitórias, gerando um aproveitamento de 33,3%, o time de Massimiliano Allegri vem conseguindo se recuperar na Serie A. Nos últimos 13 jogos pelo campeonato, o Diavolo teve um aproveitamento de 69,2%, com nove vitórias, três empates e apenas uma derrota, marcando 26 gols e sofrendo outros 15. Atualmente, o clube de Milanello é o quarto colocado, com 44 pontos em 25 jogos, empatado com a Lazio, a última equipe na zona de classificação para a próxima Champions League. Pela Coppa Italia, o Milan parou nas quartas de finais, contra a Juventus, após ter batido sem dificuldades a Reggina nas oitavas. Já na fase de grupos da Champions, os comandados de Allegri fizeram campanha irregular, surpreendidos pela ótima campanha do Málaga, conseguindo uma vaga no mata-mata apenas na penúltima rodada.

Barcelona: Líder isolado e virtual campeão da Liga Espanhola, nem tudo foi mil maravilhas para o Barcelona no início da temporada. Sem Josep Guardiola, que em abril, logo após a eliminação para o Chelsea, havia anunciado que não renovaria seu contrato para 2012-13, a equipe demorou a engrenar. Em campo, Tito Vilanova não mexeu na filosofia de jogo de Pep, dando continuidade ao estilo do ex-treinador. No entanto, o jogo encantandor dos últimos quatro anos não fluia. Especialmente na Uefa Champions League, o Barcelona não convencia. O estopim foram dois jogos muito abaixo da média contra o Celtic, que resultou em uma derrota por 2x1 e uma vitória pelo mesmo placar com o gol da vitória aos 47 minutos do segundo tempo, através de Jordi Alba. A perda da Supercopa para o Real Madrid, quando foi amplamente dominado pelo time de Mourinho, foi moralmente absorvida pela campanha louvável em âmbito doméstico: enquanto os merengues iniciaram a temporada pecando na busca pela manuntenção do título, os blaugranas, por sua vez, firmaram o melhor início de um time em toda história do campeonato, vindo a perder sua invencibilidade apenas na primeira rodada do returno (derrota para a Real Sociedad por 3x2 no País Basco). Pela Copa do Rei, o Barça conseguiu boa vantagem ao empatar contra o Real Madrid no Bernabéu por 1x1.

Pontos fortes
Milan: A sequência de bons resultados deve dar um gás a mais para a equipe milanesa, mas são poucos os pontos fortes do atual Milan. Allegri tem no jovem El Shaarawy sua principal arma ofensiva, o artilheiro do time na Serie A e na Champions League, com 15 e 2 gols, respectivamente, contribuindo também com 4 assistências na temporada. Outros destacáveis dos rossoneri são Montolivo, Constant e De Sciglio. O primeiro vem rendendo bem na função de regista, correspondendo as expectativas, enquanto o segundo, por sua vez, talvez seja a grande surpresa na temporada, indo bem na lateral esquerda, e mesmo lhe faltando técnica, compensa com entrega e bom posicionamento. Já o último é a grande revelação do Diavolo, fazendo valer toda a expectativa criada após seu ótimo desempenho na base rossonera, desbancando o antes titularíssimo Abate e conquistando, inclusive, uma lembrança de Prandelli na Nazionale.

Barcelona: Lionel Messi e Andrés Iniesta vivem estados de graça. O primeiro, eleito pela quarta vez consecutiva o melhor jogador do mundo pela Fifa e France Football no início de janeiro, caminha para registrar sua melhor temporada nos números, após assombrosos 72 gols na temporada passada - 91 no ano. São 48 gols em 36 jogos, uma média de 1.33 por partida. Iniesta, por sua vez, é o motor do time. Adaptado ao setor esquerdo do ataque, em uma tentativa de encaixar Fàbregas no meio-campo, o espanhol, segundo muitos especialistas, faz a melhor temporada de sua carreira. Impulsionado pelo título e o troféu de MVP da Eurocopa, o camisa 8 é fundamental para o esquema do treinador, fazendo ótima parceria com Jordi Alba pelo lado esquerdo. Fàbregas é outro grande nome do Barça na temporada. Após um início fulminante, ele caiu de rendimento nos últimos jogos, mas nada de tão impressionante. Por outro lado, quem cresceu consideravelmente na temporada foi Xavi. O camisa 6 começou de maneira tímida, não tão dominante no meio-campo, mas desde dezembro tem feito partidas com selo Xavi.

Pontos fracos
Milan: Apesar do bom momento dos últimos quatro meses, o time de Allegri não apresenta bom futebol, que, certamente, não enche os olhos dos rossoneri. Suas vitórias geralmente vêm de placares apertados e/ou decididos no final dos 90 minutos, tendo muitas dificuldades contra equipes que jogam mais fechados e que usam contra-ataque e bola longa. O Milan tem a segunda maior média de posse de bola, 57,9%, atrás apenas da Juventus, contudo apresenta problemas quando com a posse, aproveitá-la para abrir espaços na defesa adversária, fazer infiltrações, chutar ao gol e, claro, converter suas chances, mesmo tendo o quarto melhor ataque da Serie A, 34% de gols do menino El Shaarawy, sobrecarregado no ataque. Balotelli, contratado no mercado de inverno, conseguiu amenizar um pouco a situação, marcando quatro gols em três jogos, porém não poderá jogar pelo Diavolo na Champions League, por já ter atuado pelo Manchester City. Não bastasse isso, a defesa segue falha, especialmente os zagueiros. Os veteranos Mexès, Yépes e Bonera não conseguem substituir a altura Nesta e Thiago Silva, e ainda apresentam certa irregularidade, enquanto Zapata não consegue repetir as atuações dos tempos de Udinese, também apresentando irregularidade.

Barcelona: Desde a Era Guardiola a zaga não inspirava confiança. Com Tito Vilanova tem exagerado. Os erros são múltiplos e cruciais. A recomposição é feita com muita lentidão, o que gera muitas bolas nas costas, sobretudo pelo lado de Daniel Alves, lateral que ataca com mais frequência que Alba, o lateral esquerdo. O catalão, talvez, seja o grande destaque desse sistema defensivo. Inteligente taticamente, ele comete poucos erros e ajuda substancialmente o ataque. Com Puyol apto, a melhoria é considerável, porém não garante 100% de confiança. Piqué, após bom início de temporada, voltou a falhar em janeiro, mas ganhou moral após anular Cristiano Ronaldo no superclássico de três semanas atrás. Outro ponto fraco conhecido desse time do Barça é a dificuldades de encarar retrancas. A eliminação para o Chelsea ratificou essa deficiência. Contra o próprio Milan, pelas quartas-de-finais da LC 2011-12, os azulgrenás passaram por dificuldades no San Siro, quando os rossoneros retraíram as linhas e diminuiram os espaços de Messi e Xavi. 

Expectativas
Milan: Bom momento, futebol burocrático, as expectativas do Milan contra o líder espanhol e soberano Barcelona não são das melhores. Contra o eficiente time de Tito Vilanova, Allegri já não conta mais com Ibrahimovic e Thiago Silva, além da disposição tática da equipe das últimas duas temporadas, fatores que seriam fundamentais contra o clube catalão, que também vem apresentando problemas na defesa, problemas esses que poderiam ser explorados pelo trio Niang-Balotelli-El Shaarawy, que não poderá se repetir nos dois confrontos pela ausência do camisa 45. Além de tudo isso, o retrospecto da equipe de Milanello contra o Barcelona também pesa contra: nos últimos seis jogos, foram três vitórias dos culés, sendo duas em pleno San Siro, e três empates. Os comandados de Allegri terão de se superar caso ainda sonhem com o avanço para as quartas, mas pelo visto as atenções do time de Berlusconi estão todas voltadas para a Serie A, na briga por uma vaga na próxima Champions.

Barcelona: O Barcelona recuperou o bom futebol dos últimos tempos, após um fraco início quanto ao desempenho em campo, e chega ao confronto com muita confiança e com o peso do favoritismo ao seu lado. 12 pontos à frente do vice-líder Atlético de Madrid, os azulgrenás podem se concentrar com mais atenção à competição europeia. O treinador Tito Vilanova não estará presente nos confrontos devido a uma ida a Nova York para o início da quimioterapia para curar o câncer. O auxiliar Jordi Roura, nos últimos três jogos, tem feito alguns turnovers no time titular especialmente para evitar algumas lesões, principalmente de jogadores "frágeis" fisicamente, casos de Iniesta, Fàbregas, Daniel Alves, Puyol e Xavi. Em quatro confrontos contra o Milan na temporada passada, o Barcelona venceu dois, enquanto os outros dois terminaram empatados. Por tudo que as equipes vem apresentando na atual temporada, é fácil imaginar os catalães avançando de fase com certa facilidade. Mas uma camisa como a do Milan merece respeito, como frisou Roura na coletiva pós-jogo contra o Granada, no sábado.

Prováveis escalações
Milan: Abbiati; De Sciglio (Abate), Mexès (Zapata), Yépes, Constant; Nocerino, Montolivo, Boateng (Muntari); Niang, Pazzini (Bojan), El Shaarawy. Técnico: Allegri.

Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Piqué, Puyol, Alba; Busquets, Xavi, Fàbregas; Pedro, Messi, Iniesta. Técnico: Jordi Roura

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Ao resgate

 Nas últimas duas semanas, o Barcelona recuperou o bom futebol e promete voltar a encantar (getty images)

No Ciutat de Valencia, o Barcelona, na teoria, teria um confronto difícil contra o Levante. Quarto colocado da Liga Espanhola e com a moral em alta após conseguir uma inédita e histórica classificação ao mata-mata da Liga Europa, os levantinos prometiam vida difícil aos blaugranas, assim como nos dois últimos confrontos em Valencia. O que aconteceu, sobretudo no segundo tempo, foi justamente o contrário. O gol de Messi logo na volta do intervalo abriu o caixão e serviu para fazer o Barcelona relaxar e chegar a mais três gols naturalmente, construindo as jogadas e exercendo um belo futebol.

É um desafio escrever sobre o Barcelona de Tito Vilanova sem entrar em comparações com o de Josep Guardiola (em evidência no Brasil após a suposta vontade de treinar a seleção brasileira). Mas esse é um desafio que deve ser encarado, porque não há nada mais vazio do que dizer que "o elenco é o mesmo" ou que "o time de Guardiola encantava mais", o que ainda é um equívoco, visto que a equipe de Vilanova poucas vezes fez um jogo completo com o onze que o novo treinador pretender levar a campo nos momentos decisivos. Ontem, por exemplo, Tito iniciou o duelo que fechou a noite com esses jogadores, ainda que tenha colocado Iniesta aberto à esquerda do ataque. Com Villa ainda sem estar no auge da forma e Tello e Alexis Sánchez em más fases, é perfeitamente plausível ver o meio-campista fazendo as vezes no ataque, como faz costumeiramente pela seleção espanhola.

O Barcelona de Tito Vilanova cumpre com competência, ainda que não com excelência, o que se espera dele: ele vence. Ontem, nos 4x0 diante do Levante, o Tito Team igualou o melhor arranque da história da Liga Espanhola, que, até o momento, pertencia em solitário ao Real Madrid de 91/92. À época, a equipe treinada por Antic somou 12 vitórias e um empate nas 13 primeiras rodadas, exatamente os mesmos registros que apresenta o Barça atual. No futebol espanhol, considerando Liga BBVA, Liga Adelante e Segunda División B, os blaugranas são os únicos a não conhecerem a derrotam em território doméstico, após o Tenerife perder sua primeira partida no sábado. Em âmbito continental, foram derrotados pelo Celtic por 2x1, pela quarta rodada da Uefa Champions League. Mais cedo, no início da temporada, uma derrota para o Real Madrid por 2x1 que custou a Supercopa Espanhola.

Mas essa excelência, pelo visto, começa a dar as caras. Contra Zaragoza, Spartak Moscou (primeiro tempo) e Levante, o Barcelona fez jogadas e gols semelhantes aos dos tempos áureos com o treinador anterior. Coincidentemente, o bom futebol retornou justamente quando Puyol se recuperou de lesão e formou a zaga ao lado de Piqué. A melhora defensiva é considerável. A recomposição também é feita com mais atenção. Pelo menos nesses três jogos, o Barcelona ofereceu pouca chances aos adversários e os laterais sofreram poucas bolas nas costas, algo que tornou-se praxe nos três meses anteriores. Jordi Alba iniciou a temporada em alto nível e não é exagero dizer que, atualmente, ele é o melhor lateral esquerdo do mundo, enquanto Marcelo não está apto por lesão.

No meio-campo, uma figura cresce e impussiona o Barcelona: Andrés Iniesta. Após um início de temporada modorrento, onde não engatou sequência na equipe titular graças à fase de Fàbregas, ele está fazendo jus ao prêmio de melhor jogador da Europa. Contra o Levante, ratificou a boa fase com atuação espetacular, ofuscando Messi. Foram três assistências e um golaço para dissipar as dúvidas. Por outro lado, o grande maestro Xavi permanece tímido. Fàbregas, quando escalado no setor do camisa 6, mostrou mais serviço e apresentou um leque de jogadas maiores que os do atual Xavi. Cesc deu oito assistências para gols e anotou quatro tentos, enquanto Xavi assistiu apenas uma vez e foi às redes três vezes.

O craque do time tem correspondido até num nível acima do normal. Após apresentar uma versão mais humana, Lionel Messi já desempenha um futebol digno de melhor do mundo. Se movimentando com mais contundência e arriscando mais dribles e arrancadas, ele está bem longe do Messi tímido que iniciou a temporada, muito preso à função de um verdadeiro nove. Seus números assustam. São 82 gols em 2012 e 26 na temporada 2012/2013. Após ultrapassar a maior marca de Pelé num único ano, La Pulga está a um passo de chegar em Gerd Müller, o maior artilheiro, que marcou 85 gols em 1972. Agora é questão de tempo. Artilheiro isolado da Liga Espanhola com 19 gols e da Champions League com 5 (ao lado de Artur e Cristiano Ronaldo), o dado a seguir assusta: equipes como Liverpool e Milan marcaram 71 e 81 gols ao longo do ano, menos do que o argentino sozinho.

Ainda assim, há quem viva um pesadelo. Antes tratado como peça-chave, Daniel Alves já não é mais tão fundamental. Mais uma vez lesionado (pela quarta vez em três meses), ele ficará duas semanas fora do gramado. Montoya não é um substituto à altura, mas tem sido essencial porque está servindo para contrabalancear as subidas de Alba pela esquerda. Até por ser mais conservador que o baiano, o canterano deixa o sistema defensivo menos exposto. Sua atuação no superclássico do início de outubro foi positiva. Daniel Alves, por ter boa qualidade ofensiva, poderia ser opção para jogar aberto à direita no ataque, papel este que desempenhou em algumas partidas com Guardiola, quando o treinador optou pelo uso do 3-4-3. O entendimento com Xavi e Messi pode ajudá-lo.

Finalmente, após algumas críticas e especulações de fim de ciclo, o Barcelona mostrou capacidade de ser avassalador novamente. Com o bom futebol de volta, será que veremos a melhor equipe dessa geração encantar em campo novamente, como vimos com tanta frequência nos últimos quatro anos?

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O paradoxo de Tito Vilanova

 Tito Vilanova e a árdua missão de substituir Josep Guardiola (getty images)

Mudança de ciclo sempre são bastante complicadas. Ainda mais em clubes grandes, onde a pressão por um trabalho bem feito começam desde os primeiros meses. No Barcelona, logicamente, não é diferente. Tito Vilanova passa por um processo semelhante ao que seu antecessor, Josep Guardiola, passou quando assumiu o lugar de Frank Rijkaard em 2008: a cobrança pelo resultado. A perda da Supercopa para o Real Madrid deixou boa parte de torcedores e simpatizantes do clube catalão com um pulga atrás da orelha.

É natural que Tito Vilanova seja pressionado, mas as análises mais ponderadas precisam esperar pelo verdadeiro Barcelona 2012/13. O novo treinador fez uma pré-temporada bem saudável e tinha tudo nas mãos para começar a temporada voando, mas não é isso que os jogadores mostraram nos primeiros cinco jogos antes da pausa para a Data Fifa. É arriscado e pesado chamar de pragmático o futebol da equipe que mais encantou o mundo nos últimos quatro anos; mas, baseando nos duelos contra Real Madrid no Santiago Bernabéu, Osasuna e Valencia, a definição é cabível. O toque de bola, tão refinado e objetivo, parece ser utilizado somente para passar o tempo e esperar o jogo acabar. Mal comparando, parece a Espanha em boa parte da Eurocopa 2012.

A linha defensiva está mais frágil. Vilanova falhou na tentativa de contratar um zagueiro, que seria o substituto de Puyol, passando por consecutivos problemas físicos, e por isso mudou a atenção para a contratação de um substituto para Busquets. Efetivar o jovem Marc Bartra foi a alternativa utilizada para preencher a lacuna da não contratação de um defensor, mas colocar as esperanças num canterano que, por mais promissor que seja, ainda é inexperiente é arriscado. Contra o Real Madrid, Adriano, Piqué, Mascherano e Alba sofreram, principalmente no primeiro tempo, com a velocidade imposta pelos fortes contra-ataques merengues. A expulsão de Adriano foi simbólica. 

O ataque, pelo menos neste início de temporada, parece continuar bastante dependente de Lionel Messi. Paradoxalmente, isso representa o maior perigo para Tito Vilanova: e quando Messi não decidir?; e quando Messi for anulado pelo esquema adversário, como contra nos duelos contra o Chelsea? Não há um Samuel Eto'o ou um Thierry Henry, que cansavam de decidir, durante a primeira temporada de Guardiola no Barcelona, quando o argentino não estava em boa noite. Alexis Sánchez não é um goleador nato e Tello é só incógnita, apesar da (cega) insistência do treinador no garoto. A esperança é David Villa, que ainda não recebeu alta médica, retornar em um bom nível e Pedro reencontrar o caminho dos gols decisivos. Contra o Real Madrid, na partida de ida da Supercopa, o canário marcou um importante gol que recolocou o Barça no duelo.

O que tem chamado a atenção são as substituições de Tito Vilanova. Ele demora a mexer na equipe e, quando o faz, não é da maneira que deveria ser. O caso mais lembrado é a entrada de Tello no Bernabéu, quando o treinador tinha à disposição dois campeões do mundo no banco de reservas, Villa e Fàbregas. Ainda que o Guaje não possa atuar num ritmo mais pesado, por que não tentar Fàbregas? O catalão é outro capítulo à parte do início da era Vilanova. Displicente, tem limitado-se a dar passes para o lado e parece fora de conexão com o restante dos jogadores. Escalado no setor onde mais gostaria de atuar, Cesc não foi bem quando jogou no lugar de Xavi, na armação, nem de Iniesta, ao lado do camisa seis no meio-campo.

No entanto, acontece que é praxe o Barcelona iniciar a temporada num ritmo mais leve. A exemplo de comparação, o Barcelona de Guardiola em 2008/2009 somou quatro pontos nas três primeiras rodadas (uma derrota, um empate e uma vitória). O da atual temporada, pelo menos, tem nove pontos, o que dá margem para um descanso lá na reta final, se a equipe tiver disputando as fases finais da Champions League. Em 2010/2011, ano que ganhou Liga e Champions League, o Barcelona só foi convencer no final de novembro, quando derrotou o Real Madrid por 5x0 e, a partir dali, explodiu definitivamente. Por isso, a pressa quanto ao trabalho de Vilanova é, em certo ponto, exagerada. Quem acompanha os azulgrenás veementemente nos últimos anos sabe que eles tendem a começar a "voar" a partir do final de outubro ou começo de novembro. Porém, por outro lado, Vilanova já deveria dar demonstração de que acerta mais que erra e não criar mais dúvidas.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Superjogo

 No último jogo, Cristiano Ronaldo decidiu e tirou onda... (getty images)

Não poderia haver confronto melhor para "abrir" a temporada de elite espanhola. Tradicionalmente, a disputa da Supercopa é o pontapé inicial para a Liga Espanhola, porém a LFP decidiu inverter os valores e começou a temporada com a primeira rodada da Liga BBVA. O que mais importa, no entanto, é que amanhã, às 17h30, horário de Brasília, o Camp Nou recebe o jogo de ida entre Barcelona e Real Madrid. Pela segunda vez consecutiva, os maiores clubes do futebol espanhol se enfrentam na decisão do torneio. No ano passado, o Barcelona, maior vencedor da competição, teve um Messi mágico e levantou a taça.

Nos bastidores, polêmicas. Expulsos no confronto de 2011, Marcelo, Mesut Özil e David Villa poderão atuar normalmente amanhã. O novo comitê de arbitragem espanhol considerou que a multa paga pelo trio em setembro passado "compensa" a lógica suspensão que eles deveriam cumprir. Na coletiva pré-jogo, José Mourinho e Tito Vilanova se alfinetaram de leve. O português considerou que "não quebrou nenhuma hegemonia ao conquistar a Liga Espanhola porque não há hegemonia alguma quando um time não consegue vencer a Champions League, torneio mais difícil de clubes, duas vezes consecutivas". Irônico, o catalão rebateu: "verdade, não há hegemonia quando você vence 14 de 19 campeonatos".

Com Alex Song, novo contratado junto ao Arsenal, à disposição, o Barcelona parece mais preparado para os duelos. Ao contrário da temporada passada, os blaugranas fizeram uma pré-temporada mais estável que a dos merengues e contam com os retornos de David Villa e Ibrahim Afellay como opções. O Guaje voltou em alto estilo, marcando contra a Real Sociedad, mas é difícil pensar na sua escalação como titular. Com base nos amistosos e na estreia na Liga, existe a tendência de que Pedro comece os 45 minutos iniciais. A dúvida de Tito é o último homem de ataque. Ele ainda não se rendeu à ideia de jogar com Fàbregas mais adiantado - nem Iniesta, por exemplo, que só deve aparecer nesta posição em caso de urgência - e, com o retorno de Alexis Sánchez, pode iniciar com o chileno. Arriscar Tello, titular na derrota de abril, é improvável.

Mourinho esconde, mas sabe o quão importante é começar a temporada desbancando o rival novamente. Ele afirmou que prefere "perder a Supercopa, mas ganhar a Liga BBVA ao final da temporada". Blefe? A depender dessa declaração, o gajo mostra que não se importa em fazer experiências e priorizar a preparação para a temporada de fato. Assim, não é improvável a presença da trinca de volantes no meio-campo e o retorno do 4-3-3. Mourinho havia dado mostras de que abdicara dessa tática mais conservadora desde que jogara bem contra o Barcelona no 4-2-3-1. Em janeiro, no confronto da Copa do Rei, o Real Madrid dominou os azulgrenás no Camp Nou e saíram de campo satisfeitos com o empate por 2x2, apesar da eliminação na competição. O resultado foi a vitória no mesmo estádio três meses depois, no jogo que decretou o título espanhol.

A aplicação tática de jogadores como Özil, Di María, Xabi Alonso, Khedira e até Cristiano Ronaldo é essencial para a fluência da tática sem que haja covardias. É claro que há um recuo natural das linhas para se proteger do poderio barcelonista, mas já é bem diferente da proposta utilizada, por exemplo, no confronto de ida da semifinal da Champions League, em 2010/2011. Os merengues são programados para se protegerem com solidez encurtarem o máximo possível os espaços do Barcelona, evitarem a presença de Messi no setor onde ele mais gosta de atuar e saírem com perfeição no contra-ataque. O simbólico gol de Cristiano Ronaldo no último jogo evidencia isso. Foi uma bola roubada no campo de defesa, lançada para Özil e definida pelo português. Tudo como o script manda. O problema será a defesa, que não terá Pepe, lesionado, e sim o inconstante e nada confiável Raúl Albiol.

... mas Messi e o Barcelona pretendem dar a volta por cima. Quem largará na frente? (zimbio)

Apesar de ser cedo para chegar a alguma conclusão, o Barcelona ilusiona. Com um elenco bem mais homogêneo em relação ao de 2011/2012, o triunfo contra a Real Sociedad mostrou uma faceta que há tempos não se via no jogo azulgrená: a utilização em demasia dos ponteiros. As chamadas infiltrações que tanto aterrorizou os adversários durante três temporadas e meia da era Guardiola raramente foi vista no segundo semestre da campanha passada. A escolha de jogar no 3-4-3 por parte de Pep foi o principal responsável pela perda de uma das principais jogadas. Com quatro meio-campistas, o jogo tendia a se concentrar mais pelo centro, o que explica um pouco os mais de 70 gols de Messi.

Na defesa, Puyol oferece segurança a quaisquer parceiros. Em forma fisicamente, o capitão iniciou muito bem a temporada e deve ser acompanhado de Mascherano ou Piqué, o que só será definido em última hora. Alba, na esquerda, não é um marcador nato e precisa balancear as investidas ao ataque com a defesa. Se, com Daniel Alves, o lado direito fica mais vulnerável, com o Alba o setor esquerdo também ficará bastante exposto, o que pode ser um perigo para Vilanova: é exatamente os ponteiros merengues (Cristiano Ronaldo e Di María) que fazem a diferença nesse tipo de jogo. Busquets, que costuma fazer a cobertura do lado direito para deixar o baiano livre para subir, terá que se redobrar nos dois flancos.

No confronto das principais estrelas, o momento é inverso. Cristiano Ronaldo, sempre cobrado por atuações positivas no superclássico, vem de três jogos consecutivos marcando gols contra o Barcelona, enquanto Lionel Messi já não marca há quatro partidas contra o Real Madrid. A média do argentino, que era praticamente de um gol por partida, diminuiu. Até por sinalizar menos alterações em relação à temporada passada e mostrar um estado físico melhor nesta abertura da temporada, o Barcelona parece ter certa vantagem para amanhã, mas nada que transforme uma eventual vitória do Madrid em surpresa. Os blancos sabem o caminho para a vitória.

Málaga
Os blanquiazules fizeram a lição de casa e venceram o Panathinaikos por 2x0 no jogo de ida da última fase classificatória da Uefa Champions League. Atuando com sobresaliência, os boquerones não deram espaços para o time grego e mereceram sair com a vitória. Marcaram sob pressão desde o campo de ataque, tiveram o controle da posse de bola e levaram muito perigo nos ataques. A movimentação do trio de meio-campistas foi o segredo da vitória. Isco, Eliseu e Joaquín - até ele, veja bem - se revezaram bastante e levaram a zaga rival à loucura. A vantagem é considerável, mas Manuel Pellegrini precisa abrir o olho, pois o Panathinaikos costuma atuar muito bem em Athenas. Assim, os andaluzes estão a 90 minutos de alcançarem a fase de grupos da principal competição de clubes do mundo.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Parado

Messi e Ibrahimovic passaram em branco e pouco apareceram no empate em Milão. Decisão fica para o Camp Nou (getty images)

Cercado de expectativas, o duelo entre Milan e Barcelona não chegou a cumprir as promessas de uma grande partida. Quem aguardava um jogo cheio de emoções, igual o da fase de grupos, teve de se contentar com uma partida em que pouquíssimas chances claras de gol aconteceram, para ambos os lados. A decisão fica para o jogo no Camp Nou, na terça que vem: qualquer empate com gols dá a classificação ao Milan, enquanto se o zero não sair do marcador leva a partida à prorrogação.

O Barcelona teve 62% da posse de bola, mas apenas três chances reais de gols. No jogo de ida das quartas-de-finais da Champions League, os azulgrenás tiveram a bola durante os 90 minutos, mas o insuficiente para bater a meta defendida pelo italiano Abbiati, ex-Atlético de Madrid. No 0x0 no San Siro, todos os elogios vão para a equipe de Milão. Massimiliano Allegri mandou a campo sua equipe no 4-3-1-2. Quando atacado, Boateng, que jogava no auxílio a Ibrahimovic e Robinho, na posição de trequartista, voltava para fechar a linha de três formada por Seedorf, Nocerino e Ambrosini. Os azulgrenás não conseguiam criar jogadas tão incisivas, já que o Milan fechava os espaços. Se, nas jogadas ofensivas, os rossonero mostram ser totalmente dependentes de Ibrahimovic, na parte tática a equipe é muito encaixada. A aplicação tática da equipe de Milão é louvável e digna de elogios.

A escalação inicial que Guardiola mandou a campo revela um ponto importante: mesmo tendo um plantel extremamente superior, o treinador teve respeito pelo atual campeão italiano. Abdicou de Fàbregas para colocar Keita, a fim de ganhar mais força na marcação. A preocupação quanto às jogadas aéreas também ficou clara com a presença do malinês, bom pelo alto. Mas soa como inexplicável a não entrada de Cesc à medida que os minutos passavam e o Barça controlava mais o jogo. Ao substituir Iniesta, Pep optou por Tello, jogador da base, que nem ficha na equipe A tem, ao invés do meio-campista. A imprensa catalã ainda não comentou nada sobre uma possível lesão ou algo como uma possível intriga nos bastidores. Inicialmente - e continua sendo -, a presença de Fàbregas os noventa minutos no banco de reservas tem a ver como uma opção técnica de Guardiola. De fato, o rendimento de Cesc tem sido baixo em relação ao seu início no Barcelona nos últimos jogos. Contudo, em determinado momentos do jogo sua presença seria fundamental: Xavi, Iniesta, Messi e Alexis Sánchez pouco chutaram a gol, um dos melhores atributos do camisa 4.

Em termos de ataque, Messi e Xavi foram os mais lúcidos, mas aquém do que podem fazer. Jogando às costas dos volantes, Messi não teve paz: quando dominava a pelota, Ambrosini e até Nesta saía de seu posicionamente original para tentar desarmá-lo. Caindo mais pela direita na primeira etapa, levou perigo à meta de Abbiati nos primeiros 15 minutos. Embora não estivesse em uma boa noite, suas arrancadas levaram os aficionados rossoneros a calafrios. Segundo Paulo Andrade, narrador dos canais Espn que transmitiu o jogo in loco, a cada drible de Messi próximo da área era possível perceber a expressão de nervosismo vindo dos torcedores. Os erros de La Pulga eram comemorados como gol.

Outra evidência clara é a temporada abaixo da média de Iniesta. Muito preso à esquerda, tem produzido pouco. As deveras lesões ao longo de 2011/2012 limita seu futebol, mas o fato é que também tem a ver com a parte tática. Mais adiantado à última linha, não aparece muito na fluência de jogo - que sobrecarrega mais Xavi. Hoje, quem jogou à Iniesta, mas com as atenções voltadas mais a parte defensiva, foi Keita. Nos outros jogos, Fàbregas, com quem reveza posição com El Albino, e Thiago Alcântara foram titulares por ali.

Por um lado, a linha defensiva não deixou a desejar. Mascherano e Puyol fizeram partidas seguras e foram importante na marcação a Ibrahimovic, que passou nulo. O argentino, aliás, foi o responsável direto pela marcação de Robinho, que também fez uma partida muito ruim. Na única chance real que teve, logo no início do jogo, o brasileiro desperdiçou frente a frente com Valdés. Piqué merece comentário à parte. Ainda não é o zagueiro da temporada passada, que foi eleito o melhor do mundo, mas parece disposto a voltar a ser. Hoje, mostrou atenção nas jogadas aéreas, foi soberbo na marcação a Ibrahimovic e voltou a aparecer em algumas jogadas ofensivas: em determinado momento do jogo, deu uma arrancada e tocou para Xavi tabelar com Alexis Sánchez e quase marcar.

Se Guardiola lamentou o empate sem gols e retornou a afirmar que o jogo no Camp Nou será terrível, ao menos a partida teve um gosto especial a Puyol. O capitão chegou a 549 jogos oficiais com o uniforme azulgrená e igualou Migueli como segundo jogador que mais entrou em campo pelo clube da Catalunha, sendo superado apenas por Xavi (617). A bandeira blaugrana estreou em 1999 contra o Valladolid. Van Gaal, treinador à época, o derreteu de elogios e resolveu mandá-lo a campo. Enquanto isso, as expectativas já se renovam para o jogo de volta entre as duas equipes. A eliminatória está aberta e a vida dos atuais campeões da competição não está fácil.

Já o Real Madrid...
... colocou um pé e meio na semifinal. Para ser justo, os merengues já estavam virtualmente na semifinal desde quando o sorteio definiu que o seu adversário seria o APOEL. José Mourinho inovou na escalação: iniciou o jogo com Sahin no lugar do ausente Xabi Alonso, suspenso. O turco não deixou a desejar: no primeiro tempo insonso do Real Madrid, foi dele as duas enfiadas de bola para Cristiano Ronaldo levar perigo ao gol do Apoel e o toque para o gol incrivelmente perdido por Benzema. Autor de dois gols, o francês faz sua melhor temporada na capital: são 28 gols e 13 assistências, números de atacante top.

Kaká merece menção honrosa. O brasileiro entrou quando o jogo parecia encaminhado ao empate sem gols e deu dinamismo às jogadas blancas. Marcou um gol e deu uma assistência preciosa para outro tento. Com o Bayern vencendo o Olympique de Marseille na França por 2x0, a probabilidade de Bayern de Munich x Real Madrid nas oitavas são enormes. Portanto, vem aí Robben, Real Madrid. O ex-merengue, que saiu chutado de Chamartín, deve estar sedento por vingança e disposto a deixar o Madrid fora da tão sonhada final.

terça-feira, 27 de março de 2012

Prévia: Milan x Barcelona

Messi e Xavi já aprontaram no San Siro nesta temporada, quando o Barcelona venceu por 3x2. A torcida culé espera uma nova exibição de seus craques nos próximos dois confrontos contra os rossonero (reuters)

O sorteio dos grupos da Liga dos Campeões marcava o decantado reencontro de Zlatan Ibrahimovic com Josep Guardiola, seu desafeto reconhecido. O sueco saiu do Barcelona disparando contra o treinador, a quem apelidou de "destruidor de sonhos". Para Ibrahimovic, Pep foi o principal responsável por seu fracasso no clube no qual ele sempre sonhava em atuar quando criança, quando assistia ao seu ídolo Ronaldo desfilar magia com a camisa azulgrená. Pois bem, a competência de Milan e Barcelona, que eliminaram Arsenal e Bayer Leverkusen respectivamente nas oitavas-de-finais, e novamente o sorteio colocaram Ibrahimovic e Guardiola frente a frente novamente. Entretanto, não será um "mero" confronto de fase de grupos. Os jogos de agora valerão muito mais: está em xeque a classificação para as semifinais do torneio, que terá sua final em Munich, na Allianz Arena.

Ibrahimovic, que marcou no confronto em San Siro, conseguirá liderar o Milan à primeira semifinal de UCL em cinco temporadas ou o Barcelona de um cada vez mais extraterrestre Lionel Messi confirmará o favoritismo e continuará vivo rumo ao penta? Para a prévia deste principal confronto das quartas-de-finais da principal competição de clubes do mundo, contaremos com a excelente colaboração de Nelson Oliveira, do blog Quattro Tratti, especializado em futebol da Itália. Confira a prévia de Milan x Barcelona e depois, nos dois endereços, o resumo do embate. Boa leitura!

Temporada até aqui
Milan: O Milan é o atual líder do campeonato, com 63 pontos, vantagem de quatro sobre a Juventus. A ultrapassagem rossonera, que aconteceu entre janeiro e fevereiro deste ano, marca o período positivo da equipe, que não perde desde o fim de janeiro, quando saiu derrotada contra a Lazio. No campeonato italiano, a disputa pelo scudetto continua aberta, mas o Milan tem tabela mais simples que a Juve e, ao contrário da rival, não tem perdido pontos contra equipes menores. Na Coppa Italia, o Milan caiu nas semifinais justamente frente à Velha Senhora, na semana passada. Na Liga dos Campeões, a equipe fez seu melhor e seu pior jogo na temporada: respectivamente, a vitória por goleada sobre o Arsenal e a derrota por 3 a 0 no jogo de volta. É o Milan do primeiro jogo contra os ingleses que será necessário para o duelo contra o Barça.

Barcelona: O meio de semana passado marcou um novo rumo na temporada barcelonista. O tropeço do Real Madrid frente ao Villarreal ressuscitou o Barcelona na Liga Espanhola e o discurso agora é outro: a Liga está aberta. Se o vestiário havia jogado a toalha com a vantagem de 10 pontos, afirmando que era praticamente impossível reverter a situação, a atual diferença de 6 pontos aumenta a confiança desse espetacular grupo, que está convicto de que a remontada é possível. Vale citar que a tabela merengue é mais complicada que a blaugrana e que há um superclássico a ser disputado, no Camp Nou. Na Copa do Rei, a equipe se classificou à terceira final em quatro temporadas e é favorita máxima ao confronto contra o Athletic Bilbao, na final de Madrid.

Pontos fortes
Milan: Sem dúvidas, o Milan tem no ataque seu principal ponto forte. O Diavolo tem o melhor ataque do campeonato italiano, com 59 gols marcados (cinco a mais que o Napoli, o segundo colocado no quesito, e 13 a mais que a Juventus), e tem também o artilheiro da competição: Zlatan Ibrahimovic, com 21 tentos. O sueco faz uma de suas melhores temporadas no futebol europeu - comparável com a de 2008-09, pela Inter - e é o grande responsável pela ótima temporada da equipe de Via Turati. No ataque, Robinho tem sido um ótimo coadjuvante e, se não acerta a pontaria nas conclusões, abre muitos espaços e também dá assistências. O meio-campo, sempre participativo, também é uma das chaves para o bom desempenho ofensivo da equipe: Nocerino e Boateng, na melhor fase de suas carreiras, são importantíssimos para a fluência do jogo do Milan e serão fundamentais no confronto, já que é através do toque e da posse de bola que o Barcelona envolve seus adversários.

Barcelona: A ofensividade da equipe continua sendo a principal arma dos blaugranas. Com os oponentes mais atentos, Guardiola vem apostando numa equipe mais móvel e mutante no desenho tático. Cesc Fàbregas e Alexis Sánchez, as novidades entre os titulares, promovem intensa movimentação com seus companheiros e o time foge da marcação adversária em qualquer esquema. Esquema este que está em indefinição. Após passar metade da temporada no 3-4-3, Pep resolveu voltar ao antigo esquema, 4-3-3, exatamente quando o plantel parecia adaptado às novas funções. Com a lesão de Adriano e a descoberta do novo problema de Abidal, é bastante provável que o 3-4-3 seja a tática a ser utilizada. A outra probabilidade é a utilização de Puyol na lateral esquerda, como no confronto contra o Real Madrid na semifinal da temporada passada. O atual campeão europeu não tem deixado a desejar na competição continental: passou da fase de grupos com tranquilidade, vencendo o Milan em Milão. A LC é palco das melhores exibições de Messi, que, contra o Bayer Leverkusen, anotou cinco para chegar ao topo da artilharia da atual edição.

Pontos fracos
Milan: O grande problema do Milan nos jogos contra o Barcelona será a ausência de Thiago Silva. Lesionado na partida de sábado contra a Roma, o zagueiro brasileiro deve fazer falta: é um dos principais nomes da posição na atualidade e seus prováveis substitutos estão bem aquém de sua fase. Bonera é temerário por si só e Nesta, além de atravessar problemas físicos constantes, não joga desde o fim de janeiro. Sem Thiago Silva - e também sem Abate no primeiro jogo -, as chances de a equipe sofrer gols crescem bastante. Pela vulnerabilidade na defesa, o Milan também pode acabar perdendo a verve ofensiva de seus meias, que serão ainda mais exigidos para auxiliar na marcação do que seriam caso a defesa estivesse completa. Sacrifício certo para Ambrosini, Nocerino e Seedorf, que correrão muito durante o jogo. Considerar a participação de Gattuso ao menos em parte da partida poderia fazer a diferença na combatividade no meio-campo.

Barcelona: A fase de Piqué gera desconfiança. Desatento, tem falhado à rodo e colocado em xeque sua titularidade. O gol contra o Mallorca, no final de semana, pode elevar a moral do catalão, que precisa recuperar a boa fase da temporada passada para ajudar seus companheiros de zaga na difícil missão de marcar Ibrahimovic. O Barcelona da Era Guardiola também costuma passar por momentos de dificuldade quando enfrenta equipes que procuram desempenhar a mesma função que os blaugranas estão acostumados a exercer: atacar e dominar o jogo. Outras fraquezas da equipe aparecem quando o adversário pressiona a saída de bola, obrigando Piqué, Puyol ou Busquets a darem chutões para frente, e também quando Xavi sofre forte marcação. Mesmo dispondo de outros jogadores decisivos, o Barcelona perde em criação quando seu maestro é bem marcado. Na épica semifinal contra a Inter em 2009-2010, José Mourinho soube anular as peças-chaves do time da Catalunha: montou um esquema que asfixiou Xavi e não deixou Messi receber bolas perto da área.

Expectativas
Milan: Apesar de todo seu histórico na Liga dos Campeões, o Milan entra praticamente como um franco-atirador contra o Barcelona. A superioridade técnica da equipe de Messi, Xavi, Iniesta e companhia é inegável e, por um lado, dá certa despreocupação ao Milan, já que a obrigação de passar de fase é barcelonista. Se for eliminado, mas permanecer de cabeça erguida, o time rossonero continuará tranquilamente no seu percurso rumo ao bicampeonato nacional, enquanto um vexame poderá atrapalhar o restante da temporada e abrir feridas já latentes, como a do departamento médico da equipe. O Milan Lab não tem conseguido resolver os problemas crônicos de lesão na equipe e foi recentemente criticado por Ibrahimovic. Do sueco, aliás, a torcida espera uma grande exibição. Muito contestado por não fazer grandes atuações em jogos decisivos, Ibra foi o responsável pela classificação ante ao Arsenal e, motivado, tentará vitimar também a sua ex-equipe e dar uma resposta a Guardiola, seu desafeto.

Barcelona: Com a moral elevada após a sobrevida na liga espanhola, o Barcelona chega como favorito para o duelo. Guardiola, contudo, mantém um discurso humilde e tenta tirar o favoritismo de sua equipe. Na coletiva pré-jogo contra o Sevilla, há duas semanas, afirmou que preferia enfrentar outra equipe e citou que serão duas terríveis partidas. Dentro de campo, o catalão tem dúvidas quanto à parte tática. Contra o Mallorca, Pep não gostou nada da atuação de sua linha defensiva no 3-4-3 e viu a equipe deslanchar exatamente após mudar para o usual 4-3-3. Xavi, poupado no final de semana, volta à equipe titular, assim como Daniel Alves. Por mais que o Barcelona seja favorito por todo futebol que tem mostrado nos últimos anos, o Milan é um grande europeu, caminha para o bicampeonato italiano e vai para a partida com um sentimento de revanche, pelos recentes resultados entre as duas equipes. Não há dúvidas que os dois jogos serão os mais esperados da temporada europeia até o momento.

Prováveis escalações
Milan: Abbiati; Zambrotta (Bonera), Nesta, Mexès, Antonini; Nocerino, Ambrosini, Seedorf; Boateng; Robinho, Ibrahimovic.

Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Mascherano, Piqué, Puyol; Busquets, Xavi, Iniesta; Alexis Sánchez, Messi, Fàbregas.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Prévia: Bayer Leverkusen x Barcelona

Mesmo numa fase não tão boa, os torcedores do Barcelona depositam em Iniesta, Xavi e Messi suas esperanças para manter o título europeu em suas mãos (AP Photos)

A Champions League está de volta. A principal competição de clubes do mundo retorna com a fase mata-mata, onde os jogos começam a esquentar e o clima de tensão é sempre maior. Na próxima terça-feira, Lyon x Apoel e Bayer Leverkusen entram em campo para os jogos de ida da fase oitavas-de-finais. O atual 6º colocado do Campeonato Alemão tem uma tarefa ingrata: enfrenta o atual campeão da competição, que apesar de não viver um ano tão bom, sempre se destaca na LC. O Barcelona, vice-colocado da Liga Espanhola, a dez pontos do líder do Real Madrid, quer a manuntenção da orelhuda e começa sua caminhada rumo a Munich. Contra equipes alemães, os azulgrenás têm saído-se excelentes: nas últimas 20 partidas, 16 vitórias, incluindo classificações na Champions ante Bayern de Munich e Schalke 04, e apenas uma derrota, justamente para o rival desta terça, Bayer Leverkusen.

Se classificará o atual campeão Barcelona, que passa por uma fase incomum, ou o surpreendente Bayer Leverkusen, que já deixou para trás uma equipe espanhola (Valencia) nesta edição da Champions? Para a prévia deste confronto de oitavas de finais, contaremos com a ótima colaboração de Luan Claudio, do site Bundesliga Brasil, especializado no futebol da Alemanha. Confira a prévia de Bayer Leverkusen x Barcelona e depois, nos dois endereços, o resumo do embate.

A temporada até aqui

Bayer Leverkusen: Para um time com um elenco bastante limitado no que diz respeito ao número de peças de reposição, o Bayer Leverkusen até que vem conseguindo conciliar as competições que disputa na atual temporada. Na Bundesliga, é o atual 6º colocado e até aqui não está na briga pelo título, estando 12 pontos atrás do líder Borussia Dortmund. Na Champions League, a equipe comandada pelo treinador Robin Dutt passou sem sustos pela fase de grupos, com a segunda colocação em um grupo que contava também com Chelsea (passou em primeiro), Valencia e Genk. O Leverkusen chegou a última rodada com a liderança, mas acabou perdendo-a com um empate péssimo na Bélgica, contra o eliminado Genk, e com a vitória do Chelsea sobre o Valencia. Passar de fase já era até esperado na Alemanha, mas a equipe deu um grande azar no sorteio, ao enfrentar o atual campeão e melhor time da atualidade, o Barcelona. Passar das oitavas será uma missão difícil, ou quase impossível, mas caso seja eliminado, ainda há tempo para o Leverkusen buscar algo melhor na Bundesliga.

Barcelona: O momento é de incerteza. A Era Guardiola passa pelo seu pior momento nos últimos anos e o plano de jogo vem caindo consideravelmente nos últimos jogos. Após um domínio de três anos na Espanha, o Real Madrid parece muito próximo de quebrar a sequência de títulos azulgrená: a distância entre as duas equipes é de 10 pontos e, vivendo fases opostas, os merengues não dão chance ao erro. Não há motivos para raciocínios apocalípticos ou o prenúncio do fim de uma era. O time é favorito na Copa do Rei e o duelo com na Liga dos Campeões não parece tão complicado. Contudo, fica apenas a impressão de que Guardiola tem motivos para começar a ficar preocupado. O declínio de uma equipe que jogou futebol em alto nível durante 4 anos era esperado, mas o Barcelona já provou outras vezes o porquê de não ser subestimado.

Pontos fortes
Bayer Leverkusen: Sem muito a se fazer diante do Barcelona, melhor equipe do mundo e temida por todos, o Bayer Leverkusen apostará na partida em casa para construir um bom resultado diante de sua apaixonada torcida. Para a primeira partida, o time terá os desfalques importantes do meia Sidney Sam e do artilheiro Derdiyok. Robin Dutt armará a equipe no tradicional 4-2-3-1, onde a maior esperança está nos meias Andre Schürlle e no brasileiro Renato Augusto, que voltou a jogar após longo período lesionado. Na defesa, destaque para o jovem goleiro Bernd Leno, que vem sendo um dos melhores no Campeonato Alemão e se destacou na partida contra o Chelsea, onde o Bayer venceu por 2 a 1.

Barcelona: A ofensividade da equipe continua sendo a principal arma dos blaugranas. Com os oponentes mais atentos, Guardiola vem apostando numa equipe mais móvel e mutante no desenho tático. Fàbregas e Sánchez, as novidades entre os titulares, promovem intensa movimentação com seus companheiros e o time foge da marcação adversária, em qualquer esquema. Esquema este que está em indefinição. Após passar metade da temporada no 3-4-3, Pep resolveu voltar ao antigo esquema, 4-3-3, exatamente quando o plantel parecia adaptado às novas funções. Com a volta de Iniesta para o jogo na Alemanha, é bastante provável que o 3-4-3 seja a tática a ser utilizada. O atual campeão europeu não tem deixado a desejar na competição continental: passou da fase de grupos com tranquilidade, vencendo o Milan em Milão, e é palco das melhores exibições de Messi.

Pontos fracos
Bayer Leverkusen: Com lesões importantes para o confronto, identifica-se um dos pontos fracos do time alemão: a falta de reservas à altura. Apesar de Sam e Derdiyok serem substituídos por Renato Augusto e Derdiyok, que são de ótimo nível, a equipe terá pouquíssimas opções no banco de reservas que possam "mudar o jogo". Outro problema na equipe é a defesa, que sofreu oito gols em seis jogos até aqui na Champions League e vem sendo constantemente modificada por Dutt, que muda as peças e, em certas ocasiões, até o esquema tático. Além de todos esses problemas, o jogador de maior "nome" do time, Michael Ballack, pouco vem produzindo na temporada, fica no banco em muitas partidas e cogita-se que ele deixará o clube em julho. O meio-campista já é baixa no jogo da ida devido a uma lesão.

Barcelona: Nos últimos jogos, a zaga não tem passado confiança. Piqué, em especial, passa por uma fase negra: desatento, tem falhado à rodo e colocado em xeque sua titularidade. O nome de Mascherano já é pedido por alguns torcedores para fazer dupla com Puyol (ou trio, com o capitão e Abidal no 3-4-3), que, paralelamente à fase de Piqué, faz uma temporada incrível. As lesões também é um fator negro na temporada azulgrená. Guardiola passa por uma experiência negativa que pode servir de aprendizado: lesões à profusão redimensionando uma temporada que tinha tudo para ser perfeita (os 14 jogadores à disposição para uma semifinal de Copa do Rei é a prova). Jogadores-chaves como Busquets, Xavi e Alexis Sánchez têm atuado sentindo dores, enquanto Iniesta e Fàbregas volta e meia se lesionam. Isso sobrecarrega Messi, que, mesmo sem se lesionar, é utilizado em todos os jogos e dá mostras clara de cansaço.

Expectativas
Bayer Leverkusen: Na Alemanha, assim como em todo o mundo talvez, todos consideram mínimas as chances de o Bayer Leverkusen eliminar o Barcelona e avançar às quartas de finais da Liga dos Campeões. Mas a equipe alemã tem condições de conseguir uma vitória (ao menos por 1 a 0) na Bay Arena, e jogar fechado, no contra ataque, no Camp Nou, para tentar surpreender, assim como muitos já fizeram contra o Barça. Claro que se for para apostar em alguém, vá no Barcelona, mas um classificação do Bayer não é impossível. Existem pequenas, mas verdadeiras chances.

Barcelona: Eliminação precoce não passa pela cabeça de Guardiola. Vencer com autoridade e espantar a má fase, sim. É o que o Barcelona necessita no momento: uma vitória notória. A derrota para o Osasuna no final de semana afastou mais o Barcelona do tetra espanhol, fato esse que serve para os catalães se concentrarem mais na Champions League, como afirmou o treinador catalão na coletiva pós-jogo em Navarra, no sábado. A volta de Iniesta será um adicional positivo à equipe: junto com Fàbregas, Xavi e Messi, espera-se que o futebol vistoso de 2011 volte. Se na Liga a equipe tem se mostrado preguiçosa, não há dúvidas de que na principal competição de clubes do mundo a raça e a disposição prevalecerá. As únicas incógnitas quanto a escalação ficam por conta de Busquets e a indefinição tática. O volante foi convocado para a partida, mas ainda não recebeu alta médica. Se não for escalado, a vaga será disputada entre Mascherano e Thiago Alcântara.

Prováveis escalações
Bayer Leverkusen: Leno; Corluka (Schwaab), Friedrich, Reinartz (Toprak), Kadlec; Rolfes, Lars Bender; Gonzalo Castro, Renato Augusto (Ballack), Schürrle; Kiessling.

Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Puyol, Piqué, Abidal; Mascherano (Busquets/Thiago Alcântara), Xavi, Iniesta; Alexis Sánchez, Messi, Fàbregas.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Castigado

Cabisbaixo: Barcelona dominou o Milan durante 90 minutos, mas não conseguiu vencer (reuters)

Cercado de expectativas, Barcelona e Milan fizeram um bom jogo no Camp Nou. Se, no último sábado contra a Real Sociedad, os blaugrana já haviam se acomodado muito na partida e permitiram o empates em dois minutos, que custou dois pontos, contra os italianos a história voltou a se repetir: após sofrer um gol logo aos vinte e cinco segundos, o Barcelona virou com Pedro e Villa, mas voltar a mostrar acomodação, não matou a partida, e sofreu o gol de empate no final de Thiago Silva, que testou firme para as redes de Víctor Valdés.

Após uma boa atuação frente aos catalães, o nome de Thiago Silva começou a ser especulado pela imprensa de Barcelona. Um dos melhores zagueiros do mundo, o brasileiro atuou com grande personalidade, e parou alguns contra-ataques do Barcelona, sobretudo no segundo tempo, quando o Barça passou a subiu mais ao ataque. Thiago Silva, por sinal, já havia sido sondado pelo Barça no início da temporada: em declarações a rede de tv Esporte Interativo, no final de julho, o ex-Fluminense admitiu estar em negociações avançadas com o principal clube da Catalunha. Atualmente, dizem, com o aval do presidente Sandro Rosell, o diretor esportivo Andoni Zubizarreta já havia recomeçado os contatos com o clube de Milão para ter o jogador, que também interessa ao Real Madrid, mas que dificilmente deve deixar o Milan. A investida em Thiago Silva por parte do Barcelona deve-se ao dinheiro da venda de Ibrahimovic no verão passado, que ainda não foi pago por completo.

Apesar do belo cabeceio de Thiago Silva no gol de empate, é inegável que o Barcelona deste início de temporada vem sofrendo sem Piqué e Puyol na zaga. Dos seis jogos oficiais até o momento, apenas na goleada contra o Villarreal que nenhum homem de zaga comprometeu em alguma jogada ou sofreu com as jogadas ofensivas dos adversários. As improvisações de Mascherano e Busquets como zagueiros também não fizeram bem à equipe. Além disso, a baixa estatura do onze inicial foi um dos motivos do empate. Com uma média igual a 1, 78m, nenhum jogador subiu junto com o zagueiro brasileiro no gol de empate ontem. A partida contra a Real Sociedad já havia sido um aviso: o gol de Agirretxe de cabeça foi muito semelhante ao de Thiago Silva. Na Supercopa, três de quatro gols do Real Madrid foram em bolas alçadas à área.

Os problemas do Barcelona, porém, não se resumem apenas à altura do elenco. Especialmente no empate de ontem, o Barcelona esbarrou em uma coisa muito comum desde que Guardiola assumiu: a acomodação. Em alguns jogos, o Barça não mata a partida, mas consegue "segurar" o resultado a favor. Nos dois últimos, entretanto, sofreu o castigo e deixou de levar três pontos. Guardiola já havia reiterado que haverá jogos que, se os seus comandados tirarem o pé da forma, irá se lamentar no final. Entretanto, os dois últimos resultados não devem ser preocupação. Como bem avisou Pep na coletiva pós-jogo, sua equipe só começa a mostrar todo seu poderio de verdade depois de dois, três meses do arranque da temporada. E, curiosamente, Barcelona e Milan voltam a se enfrentar em novembro, quando o Barcelona, provavelmente, já deve estar voando na temporada.

Outra coisa que Guardiola deve lamentar é a lesão de Iniesta. Após um lance isolado com Abate, o meio-campista lesionou o bíceps femoral da perna esquerda e estará de fora dos gramados por um mês. Curioso é que as outras lesões deste início de temporada foram justamente por esse músculo da perna: Adriano, Piqué, Afellay e Alexis Sánchez ficaram (o espanhol e o chileno ainda estão) inapto devido ao mesmo tipo de lesão. Zubizarreta lamentou a lesão de Iniesta, mas tocou em um outro assunto: a profundidade do elenco. Com a ascensão de Thiago ao plantel A e a contratação de Fàbregas, que começa a temporada muito bem, Guardiola tem duas excelentes opções para suprir a ausência de Iniesta, ao contrário das temporada anteriores, quando tinha que improvisar Keita (foi assim nas últimas duas semifinais de LC, contra Inter e Real Madrid).

Valencia empata na Bélgica
Outro espanhol a entrar em campo na abertura da nova temporada da Champions foi o Valencia. No início do jogo, os chés sufocaram o Genk e pareciam até que iriam vencer facilmente. Contudo, o nível do jogo foi caindo e o zero não saiu do marcador. Para uma partida, teoricamente, fácil, Unai Emery jogou no seu querido 4-3-3, mas mais uma vez a formação mais estragou do que ajudou o Valencia. Adil Rami, melhor em campo, teve a chance de abrir o placar após bela cabeçada, mas a jogada mais perigosa da partida foi um chute de Simayes, defendido por Diego Alves, titular ontem.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Campeones Del Mundo: Carles Puyol

Multicampeão, Puyol é um dos maiores ídolos da história do Barcelona (getty images)

Capitão por toda a vida. É assim que Carles Puyol, El Tarzan, é definido pelos torcedores do Barcelona. E não é por muito: o zagueiro é cria das canteras do clube blaugrana e está na equipe principal do time da Catalunha desde 1999. Apesar de começar sua carreira profissional como lateral direito, Puyol se consolidou no posto de um dos melhores zagueiros do mundo. Tecnicamente, é verdade, Tarzan deixa a desejar, mas compensa com uma raça invejável. Exemplo de jogador para os mais novos da filial do Barcelona, destaca-se por sua força física e pela dedicação dada em campo sempre que vesta a camisa azulgrená, principalmente.

El Capitán deu seus primeiros passos futebolísticos em uma pequena equipe de sua cidade natal, o Pobla de Segur. Com o passar dos anos, mostrou ser diferentes de seus companheiros de equipes e não demorou muito para que ingresasse no principal time da cidade: o Barcelona. Em 1995, incorporou-se ao futebol de base do Barça e passou a morar na residência da famosa La Masía. No Barcelona B, tornou-se uma das peças-chaves da equipe que militava na segunda división B e, em 1999, passou a ser frequentemente convocado por Louis Van Gaal para a equipe A. No dia 2 de outubro de 1999, fez sua estreia na Liga BBVA em uma partida contra o Valladolid, no Camp Nou. O Barcelona venceu por 4 a 1 e Puyol acabou o jogo sendo bastante elogiado pela crítica espanhola. Atuando de lateral direito, mostrou serviço e despertou mais o interesse do treinador holandês. A partir de então, Puyol passou a treinar regularmente com o plantel principal e, na temporada seguinte, assinou um contrato exclusivo para ser jogador somente da equipe A. Nessa temporada, ganhou o prêmio Dón Balón de revelação da temporada espanhola.

Polivalente, chegou a atuar até como volante, numa época escassa de jogadores para esse setor no Barcelona. Mas graças a sua determinação em melhorar sempre e sua grande capacidade, adaptou-se mesmo na posição de central, onde se converteu em nome certo em todas as escalações do Barça à época. Na temporada 2003/2004, com a chegada de Joan Laporta para a presidência, a crise que imperava no clube parecia estar chegando ao fim. Com a contratação de Frank Rijkaard para o cargo de treinador, Puyol passou a ser o terceiro capitão da equipe e foi uma das peças básicas da equipe que superou o primeiro turno horrível para dar a volta por cima e terminar o campeonato espanhol na segunda colocação, conseguindo na vaga na liga dos campeões da uefa da temporada posterior.

Apesar de já ter ficado conhecido internacionalmente, faltava a Puyol conquistar um título, seja pelo Barcelona ou pela seleção espanhola, com quem havia feito parte do elenco quarto-finalista da Copa do Mundo de 2002 e medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Sidney 2000. Na temporada 2004/2005, já como capitão do Barça após a partida de Cocu ao futebol holandês, supriu a grande lacuna de sua carreira profissional. Com um time que já começava a encantar o mundo, Puyol sagrou-se campeão espanhol pela primeira vez e o Barcelona encerrou um jejum de seis temporadas sem títulos. Foi o estopim para Puyol, enfim, tornar uma realidade.

Na temporada seguinte, El Capitán levantou a taça da Liga BBVA pela segunda vez e encerrou a temporada com sua maior glória até então: o título da Liga dos Campeões da Uefa, conquistada contra o Arsenal. Naquela temporada, Puyol só perdeu cinco jogos da equipe durante todo a campanha. No final da temporada posterior, Tarzan sofreu a pior lesão de sua carreira: rompeu o ligamento do tendão esquerdo e ficou parado cinco meses, voltando somente na temporada 2007/2008, que viu o Real Madrid sagra-se bi-campeão espanhol e o Barcelona cair de pé para o Manchester United de Cristiano Ronaldo na Champions League. Contra o português, um dos melhores do mundo, El Capitán sempre faz bonito: em dez jogos marcando diretamente Ronaldo, Puyol sempre o anulou, inclusive na Copa do Mundo de 2010. O gajo nunca marcou quando Puyol está em campo.

Com a chegada de Guardiola ao comando técnico blaugrana, a polivalência de Puyol foi colocada em xeque. Adepto às rotações, Guardiola optou por utilizar o jogador ora com zagueiro, ora como lateral esquerdo ou ora com lateral direito. Na última posição, aliás, foi quando atuou no jogo mais importante do Barcelona naquela temporada: a final da Champions League ante o Manchester United, quando o Barcelona venceu por 2 a 0 e Puyol sagrou bi-campeão europeu. A taça levantada pelo zagueiro o consolidou como o capitão blaugrana que mais taça levantou como jogador do Barcelona. Contra o Getafe, em abril de 2009, roubou 32 bolas, um recorde nunca antes visto na história da LFP.

Ao término da temporada 2008/2009, o Barcelona conquistou o inédito Triplete e o capitão adicionou a seu currículo uma Copa do Rei. Foi nessa temporada em que Puyol marcou pela primeira - e única, até então - vez diante do Real Madrid. Foi o gol que sacramentou a virada blaugrana em pleno Bernabéu, num jogo histórico que terminou 6 a 2 para o time da Catalunha. Após conquistar a Liga Espanhola pela quarta vez, conquistou o único título que faltava em sua carreira no verão de 2010: a Copa do Mundo. Na África do Sul, disputou todos os minutos das sete partidas da Fúria e, de praxe, ainda marcou um gol decisivo ante da Alemanha nas semifinais.

Na temporada recém-concluída, sofreu uma nova lesão grave em janeiro e ficou três meses parado. Porém, nos jogos finais, à medida que se aproximava a hora da verdade para o Barcelona e Guardiola tinha muitos jogadores no departamento médico, Puyol ressurgiu e mostrou que é um dos mais sólidos zagueiros do mundo. A atuação magnífica contra o Real Madrid na Champions League mostrou o porquê disso. Na final da LC, contudo, El Capitán voltou a sentir desconfortos musculares e, para não forçar, Guardiola preferiu poupá-lo. Entrou no final do jogo somente para poder levantar sua terceira orelhuda; porém, mostrou um novo gesto de solidariedade: deu a braçadeira de capitão para Abidal, que retornava dos gramados após uma recuperação recorde de tumor, e o francês ergue a taça da Liga dos Campeões, consolidando o terceiro título europeu da carreira de Puyol e o quarto da história do Barcelona.

Carles Puyol
Nome completo: Carles Puyol Saforcada.
Data de nascimento: 13 de abril de 1978, em Lérida, Catalunha.
Posição: Zagueiro
Clubes: Barcelona B e Barcelona
Títulos: Campeonato Espanhol 2004/2004, Campeonato Espanhol 2005/2006, Campeonato Espanhol 2008/2009, Campeonato Espanhol 2009/2010, Campeonato Espanhol 2010/2011, Copa do Rei 2008/2009, Supercopa 2005, Supercopa da Espanha 2006, Supercopa da Espanha 2009, Liga dos Campeões da Uefa 2005/2006, Liga dos Campeões da Uefa 2008/2009, Liga dos Campeões da Uefa 2010/2011, Mundial de Clubes da FIFA 2009, Supercopa da Uefa 2009, Eurocopa 2008 e Copa do Mundo de 2010

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Próximo do final feliz

Guardiola em foco: o treinador está a uma partida de conquistar sua segunda Champions League como técnico - terceira se contar o período como jogador (getty images)

O Barcelona, com três títulos de Liga dos Campeões, quatro Recopas europeias, quatro Supercopas da Uefa, vinte e uma ligas espanholas e vinte e cinco Copas do Rei, chega embalado para tentar o seu quarto título europeu - terceiro da história do clube na moderna fase da principal competição do velho continente. Nas casas de apostas europeias, o Barcelona é tido como favorito pelo título que será disputado neste sábado, em Londres, no estádio Wembley, às 15:45 (horário de brasília). Messi, porém, tratou logo de tirar a "pressão" exercida para cima do Barcelona ao afirmar, na coletiva de hoje, que "esse é um tipo de partida onde não há favorito. As duas equipes chegaram à final por méritos".

A temporada do Barcelona é praticamente perfeita até aqui. Soberano na Espanha, onde conquistou o tricampeonato nacional, a equipe treinada por Josep Guardiola teve raros momentos de incerteza na temporada. O mercado, bastante frio, teve apenas David Villa, ex-Valencia e um dos artilheiros da Copa do Mundo de 2010, conquistada pela Espanha, como grande nome, além das saídas de Ibrahimovic, para o Milan, e Yaya Touré, para o Manchester City. Além disso, foram contratados Adriano, do Sevilla, Javier Mascherano, do Liverpool, e Ibrahim Afellay, do PSV, este último vindo do mercado de inverno, em janeiro.

A temporada não começou tão bem em campo. Apesar do título de Supercopa da Espanha contra o Sevilla - agregado de 6 a 3 -, a derrota em pleno Camp Nou para o Hércules, o empate também no estádio para o Mallorca e a lesão de Messi, que ficou parado por três semanas, condicionaram o início de temporada blaugrana, que viu seus principais jogadores bastante cansado devido à má preparação pós-Copa. Porém, tudo começou a ganhar novo rumo após a vitória na raça ante o Valencia, até então líder da competição, de virada no Camp Nou. A fraquíssima exibição no primeiro tempo, quando saiu perdendo, deu vez ao futebol arte e envolvente já conhecido por todos. Resultado: 2 a 1 e mudança de postura.

A partir de então, a desconfiança do início de Liga deu vez à confiança já conhecida e depositada. O primeiro turno dos azulgrenás foi arrasador: escalado no 4-3-1-2, com Messi jogando atrás de Villa e Pedro, como um enganche, o Barcelona passou a primeira parte da temporada conseguindo bons resultados e conquistando por diversas vezes a famosa manita, como no superclássico do Camp Nou e as vitórias ante Real Sociedad e Espanyol. Os oito pontos de vantagens sobre o Real Madrid deram um pouco de tranquilidade à equipe de Guardiola no mês de janeiro, que viu a equipe avançar até a final da Copa do Rei (deixou para trás Athletic Bilbao, Real Bétis e Almería).

Na LC, classificou-se na primeira posição em grupo fácil, no qual empatou com o Rubin Kazan e o Copenhaguen fora de casa e venceu o Panatinaikos - duas vezes - e as duas equipes citadas anteriormente atuando em seu domínio. O sorteio das oitavas-de-finais reservou um velho conhecido na primeira fase do mata-mata: o Arsenal, adversário da final de Paris em 2006 e das quartas-de-finais de 09/10, seria a equipe a tentar desbancar o gigante da Catalunha. Em alguns jogos de janeiros, Guardiola optou por um módulo que privilegiava mais o faro de gol de Messi, que atuou de falso nove na volta - que não durou muito - do 4-3-3 implantando por Cruyff na era do primeiro Dream Team: Villa aberto à esquerda; Pedro, à direita; e Messi enfiado entre os zagueiros.

Jogando no 4-3-1-2, o Barcelona acabou derrota pelo Arsenal no Emirates por 2 a 1, apesar da boa exibição da equipe. Naquela partida, porém, Messi, tão acostumado a decidir, teve seu momento de "vilão": La Pulga, apesar da assistência espetacular para o tento de Villa, deixou de decidir a partida querendo "enfeitar" demais em suas jogadas. No jogo de volta, entretanto, Messi "voltou a ser Messi": dois gols, entre eles um "gol à Playstation", e a vitória por 3 a 1 que fez com que o Barcelona avançasse de fase - o outro gol foi marcado por Xavi. Na Liga, a confortável vantagem de oito pontos havia caído para cinco, mas a margem de perda de pontos do Barcelona ainda era muito pequena.

No sorteio das quartas-de-finais, o sorteio garantiu um adversário acessível, mas não reservou uma boa notícia no emparelhamento para o estágio seguinte: primeiro, o Shakthar Donetsk, recheado de brasileiros, e depois, caso se classificasse, o Tottenham ou o arquirrival Real Madrid, que àquela altura havia desenvolvido um belo padrão de jogo. No confronto das quartas contra os ucranianos, a maior dificuldade aconteceu nos primeiros quarenta e cinco minutos da partida da ida, no Camp Nou: o Barcelona foi atacado a exaustão, mas, mesmo assim, saiu de campo com um 5 a 1 que o colocou a um passo e meio das semifinais. Após a confirmação da classificação para a próxima fase da Champions, conseguido no 1 a 0 na Donbass Arena, viria pela frente uma maratona de superclássicos: em um período de dezoito dias, Real Madrid e Barcelona viriam a se enfrentar quatro vezes - uma pela Liga, uma pela Copa do Rei, e duas pela Champions League.

No primeiro confronto, o empate por 1 a 1 no Bernabéu pela Liga colocou o Barcelona a um passo e meio da taça do campeonato espanhol, mas o jogo mostrou que os merengues eram capazes de parar o Barcelona. A confirmação dessa tese veio no embate seguinte: na final da Copa do Rei, no Mestalla, o Real Madrid de Mourinho e Cristiano Ronaldo venceu os azulgrenás por 1 a 0, gol do camisa sete português, e tornou-se o campeão da competição. Sem sofrer qualquer abalo aparente, os jogadores a comissão técnica do Barcelona demonstraram que o foco total estava na LC. Na partida de ida no Bernabéu, uma vitória para entrar na história: com dois do monstro Lionel Messi, o Barcelona venceu o Real Madrid por 2 a 0 e foi para a partida da volta com uma excelente vantagem obtida em plena capital.

No jogo de volta, o Barcelona estava mais tranquilo: a vantagem na Liga havia aumentado para nove pontos e poedria até perder por um gol de diferenças para o rival blanco. José Mourinho, como não havia feito em nenhum dos confrontos anteriores, resolveu atacar o Barcelona, mas deixou espaços para os blaugranas chegaram com certa facilidade à meta de Casillas. O 1 a 1 polêmico - um gol legal de Higuain foi invalidado por suposta falta de Cristiano Ronaldo em Mascherano - deu ao Barcelona o passaporte para a desejada final de Wembley, palco de sua primeira conquista europeia, que seria contra o Manchester United, mesmo adversário de seu último título europeu, conquistado em 2009, em Roma.

Com o título da Liga BBVA assegurada, o doblete é a pequena obsessão de um time que já está na história, sobretudo por ser a base da seleção campeão mundial e ter Messi, que a cada jogo quebra marca atrás de marca. Na temporada, o argentino já foi às redes 52 vezes, mas, com a cabeça na final, acabou deixando o português Cristiano Ronaldo disparar na artilharia da Liga Espanhola. O time que deve ir a campo na final de sábado não foi definido por Josep Guardiola, embora todos, até Abidal, que se recuperou de um tumor no fígado, estejam disponíveis. Na primeira coletiva da semana, Guardiola não quis falar sobre a escalação que irá a campo, mas deixou no ar a possibilidade de escalar Mascherano ao lado de Piqué, deslocando Puyol para a lateral esquerda. Segundo o treinador, seria arriscado demais escalar Abidal e Puyol, que se ficaram muito tempo parados, em uma partida tão decisiva como esta. Pedro, que vem reclamando de fortes dores musculares, também é dor-de-cabeça para o treinador: se o canário não jogar, a opção mais plausível será a titularidade de Keita, com Iniesta sendo adiantado para a ponta esquerda e Villa para a direita.

A notícia de que um vulcão pode atrapalhar a viagem do Barcelona à Inglaterra tem causado certo receio em Guardiola. O motivo é simples: com a erupção do vulcão islandês Grimsvötn no último sábado, o espaço aéreo da Islândia já foi fechado e o mesmo poderá acontecer com a Inglaterra, dificultando o acesso ao país. Não é a primeira vez que os blaugranas sofrem com os vulcões islandeses. Pouco antes da semifinal da Liga dos Campeões em 2009/10, o vulcâo Eyjafjallajokull, também islandês, entrou em erupção, causando o fechamento do espaço aéreo de vários países europeus, incluindo a Itália. A diretoria já estuda alternativas para resolver o problema. Caso a viagem seja antecipada, há duas possibilidades: ir de ônibus a Paris (cerca de 1200km, 15 horas) e depois pegar o trem Eurostar, que atravessa o Canal da Mancha e vai até Londres. Outra opção é viajar de avião enquanto o espaço aéreo inglês estiver aberto.