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sábado, 25 de agosto de 2012

Mini-clássico

 No último duelo de filiais de Barcelona e Real Madrid, Xavi e Puyol foram os destaques (Zimbio)

Daqui a pouco, às 16h, o futebol espanhol assistirá ao duelo mais curioso e até esperado da temporada. No estádio Alfredo Di Stéfano, o Real Madrid Castilla recebe o Barcelona B pela segunda rodada da Liga Adelante. Na rodada de estreia, as duas filiais perderam. No melhor jogo da rodada, o Barcelona teve um Deulofeu inspirado, que marcou três gols, mas expôs a carência defensiva e sofreu duas viradas do Almería na derrota por 5x4. Os merengues, por sua vez, deram mais trabalho ao Villarreal, que suou para virar no El Madrigal por 2x1. A partida é especial por, entre outros motivos, ser disputada justamente entre os dois jogos da Supercopa.

Este será o primeiro confronto entre os dois em 15 temporadas. Os últimos precedentes é favorável aos catalães. Em 97/98, à época Barça Atlètic e Real Madrid, as equipes caíram no grupo C da fase de acesso à Segunda Divisão B, o que gerou dois confrontos nas últimas duas rodadas. Os blancos lideravam o grupo com oito pontos, um a mais que os azulgrenás, que viraram o quadro. Liderados por Xavi e Puyol, o Barça Atlètic impussionou uma humilhante goleada ao rival no Mini Estádi, em Barcelona, por 5x0. O zagueiro, aliás, foi o autor do terceiro gol. Nomes conhecidos como Gabri, que também anotou um gol, e Luis García estiveram presente neste duelo. Em Madrid, nova vitória blaugrana: 2x0. A festa nos vestiários foi enorme, e contou com a presença do até então treinador da equipe A Louis van Gaal e o diretor esportivo das divisões de base Llorenç Serra Ferrer.

Atualmente, o mais promissor jogador barcelonista é Gerard Deulofeu (foto, Zimbio). Após a exibição de gala na primeira rodada, o jovem será encarregado de comandar o time B em Madrid. Ao seu lado, terá a companhia de Rafinha Alcântara, que reclamou de desconfortos durante a semanas mas está confirmado para o mini-clássico, e Jean Marie Dongou, o homem-gol de apenas 17 anos e considerado o herdeiro Samuel Eto'o. Se o hispano-brasileiro começar no banco, seu provável substituto é Lobato. A grande novidade e comemorada pelo treinador Eusébio Sacristán é o "reforço" de Sergi Roberto, que treinou com a equipe A durante toda a pré-temporada e foi liberado por Tito Vilanova a disputar o jogo. Sergi se destacou nos amistoso de preparação e ganhou muitos pontos com o treinador da equipe principal, podendo até assinar contrato com a equipe A em janeiro. Juste, machucado, e Carles Planas, expulso ante o Almería, serão desfalques de peso.

O substituto de Planas é o jogador mais jovem da Liga Adelante, o lateral Alejandre Grimaldo (16 anos e 243 dias). Ele terá a missão de ajudar a dissipar as dúvidas que pairam sobre a defesa após a primeira rodada. Grimaldo é uma espécie de Jordi Alba, pois ataca com frequência, mas deixa a desejar na marcação, ao contrário de Planas, mais completo. No meio-campo Illie e Espinosa devem acompanhar Sérgio Roberto. Se não houver mudanças de última hora, o provável é a escalação de Oier; Balliu, Sergi Gómez, Lombán e Grimaldo; Illie, Espinosa e Sergi Roberto; Deulofeu, Dongou e Rafinha.

No Castilla, a promessa é de apoio total da torcida. O treinador Alberto Toril tratou de convocar os aficionados na coletiva pré-jogo. "É uma partida bonita e única, em uma categoria bastante disputada, entre duas das principais divisões de base do futebol espanhol. Queremos muito que o público possa no ajudar a conseguir os três pontos". Em campo, Toril tem algumas dúvidas. Morata é dúvida por seguir treinando com a equipe A e sua presença no onze inicial só será confirmada às vésperas da bola rolar. José Mourinho, perguntado sobre isso em sua coletiva para o jogo contra o Getafe, não deu uma resposta concreta. A principal estrela do Castilla é Jesé Rodríguez (foto, Mirror), artilheiro e melhor jogador do último Europeu Sub-19 de seleções. Ele deverá ter ao lado no atacante Denis e Borja García, que disputa a posição do flanco esquerdo com Óscar Plano.

Na defesa, o xerifão Casado, que treinou com a equipe principal na pré-temporada, se recuperou dos desconfortoso musculares e está à disposição para formar dupla com Nacho, novidade do banco de reservas na partida de ida da Supercopa no Camp Nou. Sem Carjaval e Joselu, que saíram para Bayer Leverkusen e Hoffenhein, os blancos perdem parte do poderio ofensivo que apresentou na disputa da Segunda B na temporada passada. É provável que o Castilla inicie com Mejias; Fabinho, Nacho, Casado e Mateos; Mosquera, Álex e Juanfran; Jesé, Denis e Borja García. Quem se dará melhor nesse duelo? La Fábrica ou La Masía?

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O herdeiro de Eto'o?

 Dongou: homem-gol, as comparações com Eto'o são inevitáveis (Fórum Blaugrana)

*Postado originalmente no site Olheiros

As características dos atacantes lançados pelo Barcelona nas últimas temporadas não se diferem muito. Guardiola nunca pôde reclamar da falta de canteranos que atuassem abertos nas pontas, adicionando velocidade e profundidade aos blaugranas. Entre aqueles que ainda hoje permanecem no Camp Nou estão Pedro, Cuenca e Tello, em uma lista que contou outrora com Bojan e Jeffren, hoje na Roma e no Sporting Lisboa, respectivamente. Ou o próprio Lionel Messi, deslocado da ponta direita para a faixa central do campo apenas em tempos mais recentes. A nova sensação de La Masía, porém, dará uma opção extra para o ataque culé encher as redes adversárias com ainda mais gols. Jean Marie Dongou é camisa 9 de ofício. Não possui grande estatura, mas combina força e velocidade. E, como é de se esperar, uma fome insaciável por gols, capaz de finalizar com as duas pernas com precisão e encontrar espaços mínimos, mas suficientes para arrombar defesas. Todos predicados visíveis já aos 17 anos.

O estilo de jogo torna indissociável a comparação com o seu patriota Samuel Eto’o, o último homem de área (e seus arredores) a dar certo na Catalunha. E as ligações com o jogador do Anzhi são mais profundas que a aparência possa sugerir. Dongou chegou ao Barcelona graças à Fundação Eto’o, entidade que oferece treinamento a jovens no Camarões. Depois de um torneio infantil disputado pela seleção camaronesa em 2008, o interesse blaugrana foi imediato e a parceria com a fundação possibilitou o ingresso do garoto nas cantera. Desde seu ano de estreia em La Masía, Dongou já ostentava marcas impressionantes. Passou os primeiros meses servindo a equipe Infantil A, pela qual marcou 70 gols. Os números sólidos permitiram que o atacante pulasse categorias e atuasse pelo time Cadete A, onde repetiu o sucesso. Em 2010/11, transitou entre Cadete A, Juvenil B e Juvenil A, um fenômeno visto antes apenas com prodígios do nível de Lionel Messi.

Na temporada 2011/2012, o camaronês passou o primeiro semestre servindo ao Juvenil A, pelo qual se sagrou artilheiro da NextGen Series, junto com Viktor Fisches, dinamarquês do Ajax. Sua melhor partida foi na fase de grupos contra o Celtic, onde marcou três gols (vídeo-resumo de sua atuação abaixo). Seu faro de gol, no entanto, não ajudou o Barcelona a ir longe na competição: os azulgrenás caíram nas quartas-de-finais justamente para o Ajax de seu rival Viktor, que brilhou mais no jogo com dois gols. A boa forma, contudo, combinada com a ascensão de alguns jovens para o time principal, permitiu que Dongou passasse a figurar no elenco do Barcelona B a partir de janeiro de 2012. Com cautela, o técnico Eusebio Sacristán começou a lançar a promessa durante o final das partidas da segunda divisão espanhola. Foram necessários 60 minutos – divididos entre oito partidas – até que o goleador balançasse as redes pela primeira vez, garantindo a vitória por 2 a 1 sobre o Alcoyano.

Neste momento, a volta de Dongou ao Juvenil A parece impensável. A condição de titular no Barça B, contudo, também deverá ser um pouco custosa, considerando que a “idade mínima” na filial seja 19 anos – ou seja, aqueles que completaram todo o ciclo da base. Em outros tempos, o estágio Barcelona C seria obrigatório e o camaronês teria todo o espaço para ganhar tarimba em competições profissional. Entretanto, com o fim do terceiro elenco blaugrana, o empréstimo para algum clube da terceira divisão pode até ser vislumbrado. A prática tem se tornado usual e, pelo observado nos últimos anos, é totalmente aprovado por Guardiola. Foi assim com Isaac Cuenca, por exemplo. O atacante foi cedido e teve destaque no Sabadell, pequeno clube catalão com quem conseguiu o acesso pela primeira vez em 18 anos, na Segunda División B. Para Dongou, a única barreira seria a grande badalação já existente em cima de sua pessoa. Valeria mais a pena protegê-lo dentro dos portões de La Masía ou deixá-lo vivenciar uma realidade totalmente diferente, usufruindo da estrutura de um clube pequeno?

A única certeza que se tem é a de que o Barcelona deverá proteger ao máximo a joia que tem em mãos. Ao contrário do que acontecia em meados da década passada, Guardiola preferiu desenvolver ao máximo seus canteranos antes de deixá-los desabrochar no time principal. Uma precaução bastante pertinente, considerando alguns tiros n’água, como o ocorrido com Bojan – recordista de juventude em vários patamares no clube, mas que nunca rendeu o esperado no elenco principal. Com Tito Vilanova, que segue bastante os ideais do ex-treinador, não deve ser diferente. Por exemplo, ele negou qualquer tipo de transferência de Tello a outras equipes, considerando o garoto peça-chave de seu projeto.

Com trabalho e talento, é improvável pensar no camaronês atuando no elenco principal já na nova temporada. Dongou talvez faça sua estreia somente em 2013/2014, na Copa do Rei ou em outra partida de pouca validade. Uma trajetória meteórica como a de Messi no primeiro time, porém, só deve mesmo ser vista nas categorias de base. As ordens atuais no clube são de dar passo após passo, até o amadurecimento completo. Mas, desde já, é bom ficar de olho para ver o que o futuro pode reservar aos blaugranas.

sábado, 23 de julho de 2011

Campeones Del Mundo: José Reina

Reina seguiu uma tradição familiar de goleiros bem sucedidos (divulgação: Premier League)

Ele cumpriu a risca o ditado: filho de peixe, peixinho é. No caso de José Reina, troque o peixe pelo goleiro e tenha uma história familiar de sucesso. Miguel Reina, o pai, começou a atuar na Liga Espanhola em 1964, pelo Córdoba. Duas temporadas depois, chegou ao Barcelona para fazer história. Até hoje, o Reina Pai é detentor do recorde de minutos seguidos sem levar gol pelos blaugranas: 824 minutos durante a temporada 1972/73. Miguel ainda jogou pelo Atlético de Madrid antes de aposentar-se, em 1980, após 312 partidas na primeira divisão espanhola e dois troféus Zamora de goleiro menos vazado da temporada - em 1972/73 com o Barça e em 1976/77 com os Colchoneros.

Em 1982, Miguel resolveu dar continuidade a saga familiar de goleiros. Nascia José Manuel Reina Páez, o Pepe. Com 13 anos, o adolescente resolveu seguir os passos do progenitor e começou sua carreira nas canteras do Barcelona, clube defendido pelo pai por sete temporadas. Em 1999, debutava no Barcelona B para a Segunda Divisão B, a terceirona espanhola. Mas as seguidas lesões dos goleiros da matriz, o francês Richard Dutruel, ex-Celta de Vigo, e Francesc Arnau, também goleiro formado nas canteras, fizeram o comandante holandês Louis Van Gaal chamar o jovem arqueiro para a equipe principal.

Reina agradou no time de cima e ficou com o grupo na temporada 2000/01, sob o comando de Lorenzo Serra Ferrer. Alcançar as semifinais da antiga Copa da Uefa, atual Europa League, não foi suficiente para a direção continuar a aposta no jovem goleiro. Por isso, em 2001/02, o experiente argentino Roberto Bonano foi contratado do River Plate para ser o camisa #1 blaugrana, tomando o espaço de Pepe. A situação de revesamento entre os goleiros blaugranas na temporada 2001/02 não agradava Pepe, que buscava uma continuidade como titular para, quem sabe, figurar entre os selecionáveis para a Copa do Mundo da Ásia, no Japão e na Coreia. Reina não foi chamado por José Antonio Camacho para o Mundial e resolveu trocar de ares.

Em uma transação que envolveu a ida do brasileiro Belletti para o Barça, o goleiro desembarcou no El Madrigal, onde viria a se tornar um dos pilares que elevou o status do Villarreal na Espanha e na Europa. Pepe foi o titular do gol do "Submarino Amarelo" nos dois títulos da Intertoto em 2003 e 2004. Seu auge no clube foi na temporada 2004/05, quando ajudou a equipe comandada por Manuel Pellegrini a chegar na Uefa Champions League pela primeira vez na história. No ano seguinte, Reina trocou o El Madrigal por Anfield para ser reserva do veterano polonês Jerzy Dudek, protagonista da monumental virada do Liverpool na final da Liga dos Camepões diante do Milan em Istambul.

Na Inglaterra, Pepe Reina firmou-se como um dos melhores do mundo na sua posição. Vencedor da Luva de Ouro na Premier Legue por quatro vezes - 2006, 2007, 2008 e 2010 - o goleiro espanhol só não alçou ao posto de titular da seleção de seu país. Na Fúria, Casillas faz história desde que assumiu a camisa um e, por ser da mesma faixa etária de Pepe, o submete a reserva na quase totalidade das partidas.

No entanto, não foi por isso que ele deixou de fazer parte da maior geração de futebolistas da Espanha. Presente nas conquistas da Euro 2008 e da Copa 2010, Pepe conseguiu superar os feitos de seu pai, ídolo e referência na carreira. Com média de 0.91 gol sofrido por jogo, era de se esperar o sucesso. Afinal, ser bom goleiro, nesse caso, é tradição de família.

José Reina
Nome: José Manuel Reina Páez
Apelido: Pepe
Nascimento: 31/08/1982 - 28 anos
Local: Madrid, Espanha
Clubes que defendeu: Barcelona B, Barcelona, Villarreal, Liverpool
Títulos: Duas Uefa Intertoto (2004 e 2005 - Villarreal), Supercopa Europeia (2005 - Liverpool), FA Cup (2006 - Liverpool), Community Shield (2006 - Liverpool)
Prêmios Individuais: Quatro Luvas de Ouro da Premier League (2006, 2007, 2008 e 2010)
Seleção: 22 jogos
Títulos pela Seleção: Eurocopa 2008, Copa do Mundo de 2010

terça-feira, 5 de julho de 2011

Campeones Del Mundo: Carles Puyol

Multicampeão, Puyol é um dos maiores ídolos da história do Barcelona (getty images)

Capitão por toda a vida. É assim que Carles Puyol, El Tarzan, é definido pelos torcedores do Barcelona. E não é por muito: o zagueiro é cria das canteras do clube blaugrana e está na equipe principal do time da Catalunha desde 1999. Apesar de começar sua carreira profissional como lateral direito, Puyol se consolidou no posto de um dos melhores zagueiros do mundo. Tecnicamente, é verdade, Tarzan deixa a desejar, mas compensa com uma raça invejável. Exemplo de jogador para os mais novos da filial do Barcelona, destaca-se por sua força física e pela dedicação dada em campo sempre que vesta a camisa azulgrená, principalmente.

El Capitán deu seus primeiros passos futebolísticos em uma pequena equipe de sua cidade natal, o Pobla de Segur. Com o passar dos anos, mostrou ser diferentes de seus companheiros de equipes e não demorou muito para que ingresasse no principal time da cidade: o Barcelona. Em 1995, incorporou-se ao futebol de base do Barça e passou a morar na residência da famosa La Masía. No Barcelona B, tornou-se uma das peças-chaves da equipe que militava na segunda división B e, em 1999, passou a ser frequentemente convocado por Louis Van Gaal para a equipe A. No dia 2 de outubro de 1999, fez sua estreia na Liga BBVA em uma partida contra o Valladolid, no Camp Nou. O Barcelona venceu por 4 a 1 e Puyol acabou o jogo sendo bastante elogiado pela crítica espanhola. Atuando de lateral direito, mostrou serviço e despertou mais o interesse do treinador holandês. A partir de então, Puyol passou a treinar regularmente com o plantel principal e, na temporada seguinte, assinou um contrato exclusivo para ser jogador somente da equipe A. Nessa temporada, ganhou o prêmio Dón Balón de revelação da temporada espanhola.

Polivalente, chegou a atuar até como volante, numa época escassa de jogadores para esse setor no Barcelona. Mas graças a sua determinação em melhorar sempre e sua grande capacidade, adaptou-se mesmo na posição de central, onde se converteu em nome certo em todas as escalações do Barça à época. Na temporada 2003/2004, com a chegada de Joan Laporta para a presidência, a crise que imperava no clube parecia estar chegando ao fim. Com a contratação de Frank Rijkaard para o cargo de treinador, Puyol passou a ser o terceiro capitão da equipe e foi uma das peças básicas da equipe que superou o primeiro turno horrível para dar a volta por cima e terminar o campeonato espanhol na segunda colocação, conseguindo na vaga na liga dos campeões da uefa da temporada posterior.

Apesar de já ter ficado conhecido internacionalmente, faltava a Puyol conquistar um título, seja pelo Barcelona ou pela seleção espanhola, com quem havia feito parte do elenco quarto-finalista da Copa do Mundo de 2002 e medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Sidney 2000. Na temporada 2004/2005, já como capitão do Barça após a partida de Cocu ao futebol holandês, supriu a grande lacuna de sua carreira profissional. Com um time que já começava a encantar o mundo, Puyol sagrou-se campeão espanhol pela primeira vez e o Barcelona encerrou um jejum de seis temporadas sem títulos. Foi o estopim para Puyol, enfim, tornar uma realidade.

Na temporada seguinte, El Capitán levantou a taça da Liga BBVA pela segunda vez e encerrou a temporada com sua maior glória até então: o título da Liga dos Campeões da Uefa, conquistada contra o Arsenal. Naquela temporada, Puyol só perdeu cinco jogos da equipe durante todo a campanha. No final da temporada posterior, Tarzan sofreu a pior lesão de sua carreira: rompeu o ligamento do tendão esquerdo e ficou parado cinco meses, voltando somente na temporada 2007/2008, que viu o Real Madrid sagra-se bi-campeão espanhol e o Barcelona cair de pé para o Manchester United de Cristiano Ronaldo na Champions League. Contra o português, um dos melhores do mundo, El Capitán sempre faz bonito: em dez jogos marcando diretamente Ronaldo, Puyol sempre o anulou, inclusive na Copa do Mundo de 2010. O gajo nunca marcou quando Puyol está em campo.

Com a chegada de Guardiola ao comando técnico blaugrana, a polivalência de Puyol foi colocada em xeque. Adepto às rotações, Guardiola optou por utilizar o jogador ora com zagueiro, ora como lateral esquerdo ou ora com lateral direito. Na última posição, aliás, foi quando atuou no jogo mais importante do Barcelona naquela temporada: a final da Champions League ante o Manchester United, quando o Barcelona venceu por 2 a 0 e Puyol sagrou bi-campeão europeu. A taça levantada pelo zagueiro o consolidou como o capitão blaugrana que mais taça levantou como jogador do Barcelona. Contra o Getafe, em abril de 2009, roubou 32 bolas, um recorde nunca antes visto na história da LFP.

Ao término da temporada 2008/2009, o Barcelona conquistou o inédito Triplete e o capitão adicionou a seu currículo uma Copa do Rei. Foi nessa temporada em que Puyol marcou pela primeira - e única, até então - vez diante do Real Madrid. Foi o gol que sacramentou a virada blaugrana em pleno Bernabéu, num jogo histórico que terminou 6 a 2 para o time da Catalunha. Após conquistar a Liga Espanhola pela quarta vez, conquistou o único título que faltava em sua carreira no verão de 2010: a Copa do Mundo. Na África do Sul, disputou todos os minutos das sete partidas da Fúria e, de praxe, ainda marcou um gol decisivo ante da Alemanha nas semifinais.

Na temporada recém-concluída, sofreu uma nova lesão grave em janeiro e ficou três meses parado. Porém, nos jogos finais, à medida que se aproximava a hora da verdade para o Barcelona e Guardiola tinha muitos jogadores no departamento médico, Puyol ressurgiu e mostrou que é um dos mais sólidos zagueiros do mundo. A atuação magnífica contra o Real Madrid na Champions League mostrou o porquê disso. Na final da LC, contudo, El Capitán voltou a sentir desconfortos musculares e, para não forçar, Guardiola preferiu poupá-lo. Entrou no final do jogo somente para poder levantar sua terceira orelhuda; porém, mostrou um novo gesto de solidariedade: deu a braçadeira de capitão para Abidal, que retornava dos gramados após uma recuperação recorde de tumor, e o francês ergue a taça da Liga dos Campeões, consolidando o terceiro título europeu da carreira de Puyol e o quarto da história do Barcelona.

Carles Puyol
Nome completo: Carles Puyol Saforcada.
Data de nascimento: 13 de abril de 1978, em Lérida, Catalunha.
Posição: Zagueiro
Clubes: Barcelona B e Barcelona
Títulos: Campeonato Espanhol 2004/2004, Campeonato Espanhol 2005/2006, Campeonato Espanhol 2008/2009, Campeonato Espanhol 2009/2010, Campeonato Espanhol 2010/2011, Copa do Rei 2008/2009, Supercopa 2005, Supercopa da Espanha 2006, Supercopa da Espanha 2009, Liga dos Campeões da Uefa 2005/2006, Liga dos Campeões da Uefa 2008/2009, Liga dos Campeões da Uefa 2010/2011, Mundial de Clubes da FIFA 2009, Supercopa da Uefa 2009, Eurocopa 2008 e Copa do Mundo de 2010

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O homem por trás do sucesso

Rexach foi o responsável por levar Messi à Catalunha e é um dos grandes nomes por trás das canteras blaugrana (mundo deportivo)

Além de seu estilo de jogo voltado ao ataque, uma das principais características associadas ao Barcelona é o trabalho prolífico feito nas categorias de base do clube catalão. Famoso por ter lançado jogadores da estirpe de Amor, Guardiola e Xavi, a formação de atletas, porém, nem sempre foi colocada em primeiro plano pelos blaugranas. Contratações de jogadores de renome e poucos atletas criados em casa no time principal eram políticas comuns até as décadas de 1970 e 1980. A partir da adoção de La Masia como casa dos jovens culés, em 1979, a situação ganhou novos rumos e a lapidação de novos jogadores tornou-se prioridade. E, dentre os principais articuladores do projeto, nada melhor que um ex-atleta formado no Camp Nou para contribuir com sua própria experiência. Ícone durante mais de uma década com a camisa blaugrana, Carles Rexach era um dos principais nomes envolvidos no fortalecimento das bases do Barça.

Inicialmente técnico de times inferiores, Rexach ganhou projeção por seus serviços prestados no início da década de 1990, quando, ao lado do técnico Johan Cruyff, montou o chamado Dream Team com diversas pratas da casa. Seu trabalho, no entanto, não se limita somente a esse período. Muitos dos atletas que, hoje consagram o Barcelona como uma das melhores equipes do planeta, antes foram aprovados pelo o olhar clínico de Rexach.

Assim como muitos dos garotos que ajudou a lançar, Rexach também subiu para a equipe principal do Barcelona ainda na adolescência. Sua estreia entre os profissionais aconteceu em abril de 1965, quando ainda tinha 18 anos. E a futura lenda blaugrana não decepcionou: logo em seu debute, Rexach marcou o seu primeiro gol pelo clube catalão, o último na goleada por 4 a 0 sobre o Racing Santander. A partir da temporada 1967/68, quando tinha 20 anos, o ponta direita tornou-se figura constante no time titular, de onde só saiu quando pendurou as chuteiras. Em 16 anos de carreira, todos eles dedicados ao Barcelona, Rexach foi a campo em 656 oportunidades. É o segundo atleta com o maior número de partidas pelos culés. Além disso, anotou 197 gols, sendo o oitavo maior artilheiro da história dos catalães.

Em meio a tantos números significativos, Rexach venceu quatro Copas do Rei, uma Recopa Europeia e uma Copa das Feiras (atual Liga Europa). No entanto, vivendo um período de domínio do Real Madrid na liga nacional, de sua estreia até a aposentadoria, em 1981, o jogador só conquistou uma única vez o Campeonato Espanhol. A vitória na temporada 1973/74, aliás, foi conduzida por um dos melhores amigos de “Charly” no Barcelona, o holandês Johan Cruyff. Logo depois de se afastar dos gramados, Carles Rexach foi convidado para trabalhar nas divisões inferiores do Barcelona. Além disso, em 1984, o ex-ponta também fundou uma escola especializada no ensino de futebol, em parceria com Antoni Torres, Juan Manuel Asensi e Joaquim Rifé, todos ex-companheiros nos tempos de profissional.

Rexach permaneceu treinando as equipes menores blaugranas até 1987, quando passou a ser assistente do técnico Luís Aragonés no time principal. E, apesar de estar entre os atletas profissionais do clube, o ex-atleta sempre deu sinais de que nunca esqueceu as joias que o Barcelona formava em suas canteras.

Promovido após a saída de Aragonés, Rexach comandou o time até a o fim daquela temporada, mas voltou ao cargo de assistente técnico pouco tempo depois. Com a chegada de Johan Cruyff para o banco de reservas barcelonista, mesmo que fora das quatro linhas, Rexach formaria com o holandês uma das duplas mais importantes da história do clube. Ambos foram os mentores de um dos períodos mais vitoriosos dos blaugranas. Mesmo com contratações de craques do futebol mundial, como Ronald Koeman, Michael Laudrup, Hristo Stoichkov e Romário, os comandantes do Dream Team não deixaram de promover talentos das canteras culés, exemplificados por Guillermo Amor, Pep Guardiola, Albert Ferrer e Sergi.

Mais que o lançamento de novos craques, contudo, Rexach ajudou a implementar uma verdadeira revolução no modo de os blaugranas lidarem com as suas categorias de base. Antes de qualquer aspecto físico, os garotos do clube passaram a ser avaliados por sua técnica. Comprovada a qualidade do jovem com a bola nos pés, somente depois eram trabalhadas as outras características de jogo.

A parceria com Cruyff durou até 1996, quando o holandês foi destituído do cargo, após seguidos desentendimentos com Josep Lluís Núñez, presidente do clube. Na temporada seguinte, já sem desempenhar a função assistente técnico, Rexach permaneceu prestando serviços no Camp Nou. Além de indicar jogadores de clubes rivais, estava incumbido também de apontar os valores gerados nas canteras do próprio clube. Após uma rápida passagem pelo futebol japonês, onde treinou o Yokohama Flügels, Rexach retornou à Catalunha, reintegrando o staff principal do Barcelona e chegando mesmo a comandar o time durante a temporada 2001/02. Seu principal trabalho no período, no entanto, foi como diretor técnico, quando ajudou a promover alguns dos principais jogadores do elenco atual, como Xavi, Puyol e Iniesta.

Capítulo à parte em sua passagem de mais de 40 anos pelo Barcelona, o fato de ter levado Lionel Messi à Espanha se sobressai entre tantos feitos de Rexach no clube catalão. E mesmo que várias versões surjam para narrar como o argentino ingressou nas canteras culés, o então diretor técnico não deixa de ser um dos personagens centrais da trama.

A história mais difundida conta que Messi, enquanto treinava no Newell’s Old Boys, da Argentina, teve diagnosticado um problema hormonal, que só poderia ser solucionado com a aplicação de caros medicamentos. A previsão aos nove anos era de que, quando o garoto chegasse à idade adulta, não passaria de 1,40 m de altura. Quando o garoto tinha 13 anos, com problemas financeiros para custear o tratamento, os familiares de Messi recorreram ao Newell’s. O clube, contudo, afirmou que não poderia pagar os remédios e abriu as suas portas para a saída do prodígio. Sem alternativas, o pai de Messi foi atrás de outras equipes do país, mas também não obteve sucesso.

O futuro do argentino só ganhou novos rumos algum tempo depois. Em 2000, durante uma passagem por Brasil e Argentina para observar jovens talentos sul-americanos, Carles Rexach conheceu Messi e encantou-se com o futebol daquele menino mirrado. O garoto, ainda com 13 anos de idade, seria levado ao Barcelona, onde teria o seu tratamento pago e treinaria com os outros atletas das categorias de base. A família de Messi, por sua vez, ganharia novos empregos na Catalunha. Há ainda versões que dizem que o argentino passou por uma bateria de testes no Camp Nou e que só teve a garantia que ficaria no clube após seu pai pressionar Rexach. Conta-se ainda que nem sempre seu tratamento foi bancado pelo Barcelona (o responsável pelo futebol amador, Juan Lacueva, teria pago parte das contas) e que, somente em 2001, após muita insistência, o vice-presidente blaugrana assinou o primeiro contrato de Messi.

Em meio a tantas especulações, o certo é que, com ou sem brigas internas, o prodígio se firmou como um dos maiores ídolos da história do clube centenário ainda nos primeiros anos de carreira. E, de uma forma ou de outra, mesmo que se isentando do feito, foi Rexach quem o levou para La Masia. Três anos depois de descobrir Messi na argentina, Rexach desligou-se das atividades que desempenhava no Barcelona. Ao todo, permaneceu mais de 20 anos na administração da equipe, entre passagens como assistente técnico, técnico e dirigente. O legado de Rexach, no entanto, não deixa de ser reconhecido. Sete anos depois de sua saída do clube, os torcedores ainda têm grande consideração por seu ex-ídolo. No ano passado, em tempos de eleições no Camp Nou, seu nome recebeu grande apoio dos culés em uma possível candidatura à presidência, mesmo que ele tenha afirmado posteriormente que não disputaria o cargo.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Promessas: Rafael Alcântara

Irmão mais novo de Thiago Alcântara, Rafael já começa a despontar como nova promessa da cantera blaugrana (fcbarcelona.cat)

Texto de Artur Capuani

Aos 18 anos, o meio-campista Rafael Alcântara certamente já se acostumou com comparações. Afinal, o jovem atleta do Barcelona faz parte de uma ilustre família de futebolistas. Rafael é filho do tetracampeão mundial Mazinho e irmão mais novo de outra revelação azul-grená: o também meia Thiago Alcântara. Se não bastassem os laços sanguíneos, Rafinha, como é chamado na Espanha, atrai naturalmente paralelismos com seus familiares já que atua na mesma posição de seus parentes. Assim como Thiago e Mazinho, o garoto joga no meio de campo.

Entretanto, seu estilo cada vez mais ofensivo vem destacando suas atuações das de seu irmão. Enquanto seu irmão Thiago prefere investir em passes precisos, munindo os atacantes, a revelação barcelonista possui um drible veloz, quase incapturáve. Mas a grande qualidade de Rafael está sem dúvida na potência de seu chute, e a facilidade nas finalizações é uma ameaça constante aos goleiros adversários. Nascido no dia 12 de janeiro de 1993, em Bari, na Itália, Rafael chegou à capital da Catalunha, em companhia de Thiago, para integrar as equipes de base de um dos maiores clubes do mundo. Nessa época, tinha somente 12 anos e apenas sonhava em seguir os passos do pai dentro das quatro linhas.

Amadurecimento
Quando iniciou na Espanha, o jogador chegou a ser apontado como um volante mais marcador, um estilo muito diferente do que apresenta atualmente. Contudo, dentro da “fábrica de craques” do Barça, a jovem promessa se tornou realidade, e transformou taticamente seu papel dentro de campo. Com um talento inquestionável, não demorou muito para que Rafael atraísse os olhos de diversos times ingleses e alguns espanhóis, que tentaram, sem sucesso, contar com seu futebol. Afinal, ele não esconde a vontade de triunfar com a camisa do Barcelona.

Com o tempo, o “irmãozinho de Thiago” ganhou cada vez mais espaço e chegou, com naturalidade, às equipes de base da seleção espanhola, já que possui a cidadania local. Infelizmente, em 2010, já jogando como meia-atacante, o caçula de Mazinho ficou impossibilitado de disputar o Europeu Sub-17 pela Fúria, pois estava lesionado. Mas já neste ano o juvenil irá integrar a equipe sub-19 do país – Rafael já foi convocado para o período de treinos da categoria na “Ciudad del Fútbol”, o centro de treinamentos da Federação Espanhola de Futebol.

Filho de brasileiros, criado na Espanha e italiano no papel. Rafael Alcântara definidamente não é dos casos mais comuns, se tratando de nacionalidades. Apesar de jogar pelas seleções de base da Fúria e ter nascido na Velha Bota, o garoto ainda poderá vestir a camisa da seleção brasileira, assim como fez seu pai. Afinal, como filho de brasileiros, segundo o estatuto da Fifa, Rafinha tem condições de atuar pelo Brasil. A expectativa fica por conta de sua primeira convocação para uma seleção principal. Caso jogue uma vez sequer na equipe principal de outro país, o jovem meia não poderá voltar atrás. Há alguns meses, seu pai deixou claro que a possibilidade de seus filhos atuarem pelo Brasil chega a zero.

“Eu não acho que corre o risco de perder, eu acho que já perdeu. Eu adoraria vê-los (Rafael e Thiago) defendendo o Brasil, mas hoje eles já são mais espanhóis do que brasileiros. A vida toda deles está aqui. E também eu não interfiro. A decisão é deles. O que eles quiserem fazer, eu apoio”, disse Mazinho.

Porém, pouco tempo depois, para deleite do povo brasileiro, Rafael apimentou a polêmica, afirmando seu desejo de jogar com a amarelinha. “Eu sempre me considerei brasileiro. Meu sonho é jogar nessa seleção”, disse o atleta, quando teve que enfrentar o time verde-amarelo em um jogo-treino, durante o período de treinamentos da equipe de Mano Menezes, em Barcelona. Nesta oportunidade, o técnico teria tido inclusive uma conversa particular de cerca de dez minutos com Mazinho. O ex-jogador também diz ter entrado em contato com representantes da CBF, que teriam negado a possibilidade de atletas formados em outros países atuarem pela seleção.

Em 2011, o garoto hispano-brasileiro deixou a equipe juvenil do Barcelona para integrar o time B, que disputa a Liga Adelante. Sua estreia ocorreu no dia 8 de janeiro, na derrota do time de Luis Enrique para o Girona, por 2 a 1. Mesmo com um revés logo de cara, o mais novo dos Alcântara tem conquistado seu espaço na equipe, contribuindo, por exemplo, com um gol na vitória por 3 a 2 sobre o Salamanca.

Se Mazinho não esconde o orgulho que tem por seus rebentos, o pai coruja deve ter escorrido lágrimas de felicidade ao ver seus dois filhos jogando juntos no mesmo time. Ainda que já tenha estreado pelo time principal ao lado de Messi, Xavi e outras estrelas, Thiago continua jogando pelo time B do Barça, onde agora faz parceria com seu irmão mais novo. Juntos, os irmãos Alcântara comandaram o meio de campo azul-grená na vitória por três gols de diferença contra o Cartagena, ensaiando uma parceria de sucesso pelo clube espanhol e, quem sabe, pela seleção – espanhola ou brasileira, só o tempo dirá. Agora, resta saber se o caçula de Mazinho irá despontar no ambiente profissional com o mesmo brilho que vem demonstrando nas categorias de base. Em parceria com seu irmão, Rafael Alcântara tem tudo para trilhar os caminhos, já explorados por seu pai, nos campos de futebol.

Rafael Alcântara
Nome completo: Rafael Alcântara do Nascimento
Data de Nascimento: 12/02/1993
Local de Nascimento: Bari, Itália
Clubes que defendeu: Barcelona
Seleções de base que defendeu: Espanha Sub-19 e Sub-17

sábado, 16 de abril de 2011

Liga Adelante: O iminente retorno béltico e franjiroyo

O Rayo Vallecano driblou os problemas extracampos envolvendo seu presidente e está a um passo de assegurar sua vaga na elite do f utebol espanhol (marca)

Um mês atrás, quando falávamos de Liga Adelante, alertávamos sobre uma ligeira queda de produção do Bétis (líder, 63 pontos), que havia perdido a liderança naquele mês. Pois bem, depois dos tropeços, o time do técnico Pepe Mel iniciou uma sequência de três vitórias e um empate para praticamente se garantir na próxima Liga BBVA, disputando o título da segundona com o Rayo Vallecano, outra equipe que está praticamente com a vaga assegurada na primeira divisão. Foi contra os rayistas, entretanto, que o Bétis tropeçou durante esse período e chegou a perder a liderança por duas rodadas.

A vaga na próxima Liga BBVA deve premiar uma equipe que soube administrar a saída de nove jogadores importantes e que conseguiu substitui-los com bons golpes de mercado, como Jorge Molina, Rubén Castro e o bom lateral Isidoro. Além do mais, a permanência de Pepe Mel no cargo, não obstante à decepção da temporada passada, ajudou a diminuiu o impacto e foi uma atitude louvável dos dirigentes do clube. Dentre os últimos resultados dos verdiblancos, destacam-se o que fechou o ciclo: jogando no Chapín, a equipe da Andaluzia venceu o Xerez (12º, 45) após estar perdendo por dois a zero e, mesmo com um a menos, conseguir anotar três gols num período de quinze minutos, graças aos tentos de Rubén Castro, Pereira e Emaná

Apesar da liderança e do ótimo torneio feito pelo Bétis, a equipe que mais tem chamado a atenção é o Rayo Vallecano (2º, 63). Os franjiroyos estão passando por problemas extracampos, ligados ao presidente Ruiz-Mateos, que colocou o clube à venda, desde o início da temporada e, mesmo assim, tem conseguido vencer estes problemas. No jogo mais importante da temporada, os aficionados do Rayo protestaram contra o presidente, chegando a quimar um veículo da policia de Madrid. Dentro das quatro linhas, o Rayo Vallecano fez sua melhor partida no ano e em um chutaço de Piti, garantiu uma vitória que o deixou na liderança. Porém, a equipe do treinador Sandoval deixou a primeira colocação escapar uma semana depois, quando a equipe só empatou com o Valladolid (7º, 49) no El Zorilla.

Falando em Valladolid, os pucelanos tiveram um mês muito bom e se juntaram a briga - cada vez mais acirrada - que definirá os play-offs. O excelente sprint do Valladolid resultou em quatro vitórias em cinco partidas e redimensionou os objetivos do clube: agora, os comandados de Antonio Bianchi lutam pelo retorno imediato para a elite, o que parecia impensável durante todo o desenrolar da competição. Além disso, com elenco mais qualificado e extenso do que seus rivais diretos, é possível dizer que o clube de Castilla y León é favorito para a vaga e terá dois confrontos diretos, atuando em seu estádio, contra Elche (5º, 53) e Granada (6º, 50).

O Barcelona B (3º, 58) segue em campanha impecável. Os blaugranas interromperam a sequência de vitória do Celta (4º, 56) em pleno Balaídos na 29ª rodada. O show de Soriano, autor de um doblete, decretou a má fase dos galegos, que veem a vaga direta na elite ficar mais distante. Jonathan Soriano é o principal nome da campanha espetacular da equipe treinada por Luis Enrique. O atacante, de 25 anos, tornou-se neste mês o pichichi da competição, com 22 gols. Nolito, outro destaque, já tem seu nome especulado em equipes como Benfica e Aston Villa, mas os dirigentes do clube já informaram que o canterano irá assinar um contrato exclusivo com a equipe A na próxima temporada. Luis Enrique, que vem sendo chamado como "novo Guardiola", também tem seu nome especulado em outros clubes. Com a confirmação de que Quique Sánchez Flores não ficará no Atlético de Madrid ao término da temporada, o rojiblancos foram atrás de El Tourero, que já afirmou que não ficará mais um ano na filial blaugrana.

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domingo, 13 de março de 2011

Liga Adelante: O bom trabalho das filiais

Nolito é um dos destaques do Barcelona B e, como premiação, já apareceu no time comandando por Pep Guardiola (abola.pt)

A atual edição da Liga Adelante tem três times brigando ferrenhamente pelo título (Rayo Vallecano, Bétis e Celta Vigo), mas dois têm chamado a atenção. Trata-se das duas únicas filiais disputando a competição, Villarreal B e Barcelona B. De maneira surpreendente, as duas equipes estão entre os oito primeiro times e, caso fosse permitido, estariam disputando os play-offs, se o campeonato acabasse hoje. O Barcelona B, aliás, vai além: com jogadores que já marcaram presença em jogos de menos importância na Champions e Copa del Rey, tem o melhor ataque da competição (56 gols) e o vice-artilheiro, Jonathan Soriano (17 gols), ao lado de Quini, do Granada.

O processo de mudança do Barcelona B e a mudança da mentalidade dos jovens começou há algum tempo. Houve reestruturação do Atlètic, a começar pela designação de uma figura identificada com a instituição para comandar o projeto. Guardiola assumiu, foi terceiro colocado na Tercera División (a quarta), conseguiu a promoção da equipe e acabou confirmado para treinar o time principal na temporada seguinte. Guardiola tem sido vitorioso, como todo mundo deve saber. Mas o Barcelona Atlètic (em 2010 voltou a ser apenas “Barcelona B”) também vai bem, obrigado. O time já retornou à Segundona (onde não aparecia desde 1998-99) e briga pela ponta desde as primeiras rodadas. O estopim da má fase do ex-líder Bétis foi justamente contra os blaugrana, onde, atuando no Benito Villamarín, as duas equipes fizeram um dos melhores jogos da competição. O 1 a 1 foi bastante comemorado por Luis Enrique, técnico do Barcelona B, que viu que tem um promissor plantel em suas mãos.

O trabalho de Luis Enrique tem agradado aos dirigentes e o presidente Sandro Rosell, que chegou a afirmar que o ex-jogador pode ser um substituto de Guardiola no comando do time principal. Durante o início da competição, El Tourero teve seu contrato renovado pela diretoria culé, que demonstrou satisfação com o trabalho do treinador. A base do treinado tem sido Miño (Oier); Montoya, Bartra, Fontàs, Muniesa; Oriol, Carmona, Sergi Roberto, Jonathan dos Santos; Nolito, Soriano. Desses, Fontàs, Sergi Gómez, Oriol, Nolito, Victor Vázquez, Jonathan do Santos e Bartra já defenderam o time principal nesta temporada, por Liga dos Campeões, Campeonato Espanhol, Copa do Rei ou Supercopa da Espanha. Mas os nomes de mais destaque é do mexicano Jonathan, irmão de Giovanni dos Santos, e do atacante Nolito, que vem sendo assediado pelo Benfica. O Barcelona já ofereceu ao bom jogador um contrato exclusivo com o time A para a próxima temporada, mas segundo Josep Maria Bartomeu, vice-presidente do clube, o jogador não deseja seguir no time.

O Villarreal B, por sua vez, aparece na oitava colocação, com 44 pontos, mesmos de Elche e Cartagena, na sexta e sétima colocação, respectivamente. Na rodada, calou os 13.000 espectadores presentes no Balaídos, onde derrotou o então líder Celta Vigo por 1 a 0. O principal jogador do clube é o promissor Iago Falqué, que, ironicamente, começou na base do Barcelona (passou pela Juventus e Bari também). Outro que vem recebendo bastante elogios é o volante Gullón e o extremo direito Cristóbal, que apareceram no time A como titulares no empate ante o Racing Santander. A boa campanha das duas filiais tem servido de exemplo na Espanha.

Depois de muito tempo, um time B consegue mostrar como ele pode ser importante para o irmão rico. Os jogadores não apenas têm uma boa formação técnica na cantera (como tinha o Real Madrid Castilla de 2005/06), mas podem também visualizar como o caminho ao topo está desobstruído. É só olhar para Xavi, Iniesta, Messi, Sergio, Valdés, Pedro, Puyol e Bojan para perceber que haverá oportunidades para os melhores. É só olhar para o modo como Thiago Alcântara (filho de Mazinho) já vem aparecendo nos jogos do Barcelona A.

E os líderes?
Continuam bem, obrigado. Desde nossa última coluna temática sobre a competição, houve três trocas de lideranças. Após viver uma mini-má fase e ver Celta e Rayo Vallecano se distanciarem, o Bétis se recuperou na competição e emplacou uma sequência de quatro vitórias consecutivas, para retornar à briga pelo título. Os verdiblancos, na segunda posição com 56 pontos, terão dois jogos em sequência que poderá decidir seu rumo na temporada: na 31ª e 32ª rodada, respectivamente, irá enfrentar Rayo Vallecano e Celta Vigo, em duelos que poderão decidir o torneio.

A má fase do Bétis parece ter passado ao Celta Vigo. O time da Galícia perdeu três em consecutivas, sendo duas em seus domínios, e quem aproveitou foi o Rayo Vallecano: apesar do tropeço nesta rodada contra o bom e veloz time do Granada, os franjiroios vem em ascensão em 2011 e, pela primeira vez na temporada, assumiram a liderança da competição. Em 2011, foram 10 vitórias em 12 jogos, o que justifica a liderança. O big match contra o Real Bétis será decisivo e certamente o Teresa Rivero estará lotado.

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sábado, 6 de novembro de 2010

Liga Adelante: Bétis em alta

Mesmo com a perda de Sergio García para o Espanyol, o Bétis tem o melhor ataque e retorno para a Liga BBVA é questão de tempo (getty images)

Se na temporada passada o Real Bétis ficou no quase após um início de temporada fraco e, com os mesmos 71 pontos de Hércules e Levante, não conseguiu o acesso à Liga BBVA, a tônica desta temporada é diferente: líder isolado da competição com 25 pontos, melhor ataque e a melhor defesa, o time de Pepe Mel já dá passos largos rumo à primeira divisão espanhola. Fazendo uma rápida comparação com a campanha da temporada anterior, os verdiblancos mostram-se um time bem superior àquele. Prova maior disso é lembrar que, na temporada passada, o time andaluz terminou o primeiro turno com apenas 30 pontos, cinco a menos do que tem hoje, na liderança da Liga Adelante e com apenas 10 rodadas. Nessas 10 rodadas, o Bétis venceu oito vezes, empatou uma e só perdeu uma única vez, para o Albacete na sétima rodada.

Internamente, a equipe também passou por mudanças. O Conselho Administrativo do clube verde passou por reformas e Rodríguez Sacristán comprou as ações do clube, passando a ser o novo presidente, em substituição a Pepe León (o Bétis é um clube empresa, ou seja, Pepe León só iria embora se alguém comprasse as ações do clube). Nomes como o de Joaquín Zulategui, Luis Rementería e Juan Carlos Roldán também passaram a integrar o Conselho do clube. O estádio do clube também mudou de nome, passando a se chamar Benito Villamarín, denominação que teve antes de 1997, após uma votação de sócios. O nome Benito Villamarín obteve 6.107 votos, que preferiram esta denominação à Heliópolis (2786) e Cidade do Betis (655). O estádio do Bétis já se chamou Benito Villamarín, antes de ser rebatizado em 1997 com o nome daquele que foi presidente e acionista majoritário na época, Manuel Ruíz de Lopera. Benito Villamarín, falecido em 1966, foi presidente do clube entre 1955 e 1965.

À exceção do Bétis, não está fácil apostar em que equipes irão subir para a Liga BBVA nesta temporada. Geralmente, a Liga Adelante é uma competição extremamente nivelada, mas a atual edição está se desenvolvendo de maneira bastante peculiar: a diferença de pontos entre o Valladolid, 6º colocado e último classificado para os play-offs, para o Huesca, 18º e primeiro acima da zona de rebaixamentos, é de apenas seis pontos. Isso sem falar que a Ponferradina, 19ª colocada e primeira da zona de rebaixamento, está a apenas 7 pontos da equipe pucelana. A tônica do torneio é a incostância. A irregularidade de equipes que lutariam para subir, como Recreativo, Numancia, Tenerife e Gimnàstic, contrasta com a campanha acima da média de alguns times que há algum tempo não sonhavam em jogar a Liga BBVA, como Rayo Vallecano, Granada, Las Palmas e Cartagena.

Voltando a ser feliz

A torcida do Celta Vigo voltou a lotar o Balaídos e o time nunca esteve tão próximo de retornar à elite do futebol espanhol (eldesmarque)

Hoje, fora o Bétis, quem estaria classificado diretamente para a próxima Liga BBVA seria o Celta Vigo (o sistema de classificação mudou. A partir desta temporada os 2 primeiros sobem e do 3º ao 6º jogam play-offs). Caso confirme a classificação, o time de Balaídos voltaria a jogar a Liga BBVA desde 2006-07. Após a 12ª colocação na temporada anterior, os celestes, desta vez, já brigam por título. Após manter a liderança nas primeiras cinco rodadas, o time do técnico Paco Herrera parece ter chegado, em tão pouco tempo, a má fase. Com um time jovem - média de idade de apenas 22 anos - os célticos somaram nas últimas três rodadas apenas três pontos - empataram três vezes - e viram o Bétis confirmar o favoritismo e abrir quatro pontos de diferença. Neste domingo, a equipe da Galícia faz o seu jogo de maior importância neste primeiro semestre: no Balaídos, o Celta receberá o Bétis tentando diminuir a vantagem dos verdiblancos. A torcida celeste sabe mais do que nunca da importância desta partida: com todos os ingressos já vendidos, o estádio registrou sua melhor venda de ingressos desde junho de 2009, quando o Celta jogara para não cair à Segunda B. Esperam-se 31.820 espectadores para o estádio que só comporta 32.50.

E o que dizer da campanha do Barcelona B? A filial do clube blaugrana não vive uma fase tão boa desde que conseguiu o acesso à Segunda B em 2007-08, no time que era treinado por Josep Guardiola. A campanha dos comandados de Luis Enrique é histórica: nunca na história da filial, o time brigou pelas pontas. Apesar de não poder jogar a Liga BBVA (apenas se o Barcelona for rebaixado - coisa que, convenhamos, é muito difícil) o discurso de Luis Enrique é continuar jogando da mesma maneira. Na quarta posição, o duelo desta rodada é bastante atrativo: os azulgrenás enfrentarão, no Mini Estadí, o Villarreal B, no duelo da únicas filiais nesta edição da Liga Adelante. Porém, ao contrário dos rivais da Catalunha, a realidade é outra: na 16ª colocação com 13 pontos, o Submarino Amarelo se encontra a 4 do descenso.

A de se destacar o lance que chocou o mundo. Duas rodadas atrás, no jogo entre Bétis x Salamanca, o meia Miguel García, do Salamanca, teve uma parada cardíaca dentro de campo (ver vídeo), ficou desacordado e foi salvo pelos médicos do clube com o uso de um desfibrilador. Alguns atletas chegaram a chorar achando que o coleta estava morto. Apesar de salvo, o meio-campista não poderá voltar a jogar futebol. A informação foi dada por médicos que atenderam o atleta e divulgada pela emissora BBC. De acordo com o último boletim médico, García poderá deixar a UTI do Hospital Clínico Universitário, onde foi internado, na próxima terça-feira.

Quem encabeça a zona de rebaixamento e é a grande decepção é a Ponferradina. Os blanquiazules foi a equipe que mais trouxe jogadores da Liga BBVA no mercado, mas sucumbe diante de uma nova oportunidade de disputar a Liga Adelante. Com um time recheado de jogadores experientes que poderiam fazer com que o clube ficasse pelo menos no meio da tabela, nada deu certo para os ponfe, que devem retornar para a Segunda B.

A partir de agora, o Quatro Tiempos trará uma coluna mensal sobre a Liga Adelante.