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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Futebol ofensivo

Antes de mais nada, gostaria de pedir de desculpa pela escassa atualização no blog nos últimos meses. De fato, o tempo está pegado para mim até em janeiro. Ainda que num período menor, no entanto, uma coisa eu prometo: não deixarei esse espaço acabar, atualizando-o semanalmente. Aproveitem e conheçam um projeto no qual faço parte há mais ou menos cinco meses, o Doentes Por Futebol, clicando aqui.

Vitória da Real Sociedad ante o Barcelona não surpreende (AP Photos)

2006/2007 foi a última temporada que uma equipe sem ser Barcelona e Real Madrid conseguiu disputar o título com a dupla até a rodada final. Naquela temporada, o Sevilla de Juande Ramos demonstrou poder de força ao ganhar Copa do Rei e Copa da Uefa e terminar em terceiro na Liga com 71 pontos, cinco a menos que os gigantes. Na temporada posterior, o Villarreal até ficou à frente do Barcelona (dez pontos), num campeonato decidido com quatro rodadas de antecedência - o Real Madrid, campeão, ficou oito pontos à frente do Submarino Amarelo. 

A monopolização da Liga Espanhola nos últimos anos criou uma espécie de preconceito por parte de quem não assiste. "Ah, mas só tem Barcelona e Real Madrid", diz um. Está mais que claro que a diferença deles para os demais é abissal, o que não quer dizer que o campeonato vive só de jogos de merengues ou blaugrana. E é esse motivo que me leva à criação desse texto. Sobretudo na atual temporada, quase 80% das equipes do futebol espanhol tem adotado uma proposta de jogo ofensiva, baseada no estilo direto de buscar o gol. É algo que vem em ascensão desde o início do Barcelona de Guardiola e, consequentemente, do período vencedor da seleção espanhola.

É claro que, atualmente, a Liga BBVA está muito longe da Premier League e da Bundesliga como campeonatos, em geral. A média de público do campeonato espanhol é muito inferior aos campeonatos da Inglaterra e da Alemanha, muito por causa dos altos ingressos cobrados pelos clubes. Nem o líder Barcelona tem atraído muitos fãs em alguns locais em relação às temporadas anteriores. Em setembro, na visita ao Getafe, pouco mais de dez mil pessoas acompanharam a vitória azulgrená por 4x1 com dois gols de Messi. No aspecto técnico, no entanto, a diferença não é tão notável. Dentro de campo as equipes da primeira divisão têm proporcionado jogos agradáveis.

Um exemplo recente foi o duelo entre Real Sociedad e Deportivo há uma semana. Lanterna do campeonato, o Deportivo foi a San Sebastián disposto a vencer, enquanto os mandantes crescem atuando no Anoeta, onde tiraram a invencibilidade do Barcelona neste sábado. O 1x1 foi pouco porque os dois times pecaram na finalização, mas o duelo divertiu o público e quem assistiu. Foram mais de 30 chutes a gols, 56% da posse de bola para os bascos e aplausos ao término da partida. A mentalidade ofensiva da Real, adquiridade desde a chegada do hoje contestado Phillipe Montánier, apelidado na França de Guardiola francês, vem colhendo frutos à equipe, que hoje briga por uma vaga na Liga Europa, e tira o melhor de seus principais jogadores, como Vela, Griezzmann e o subestimado Xabi Prieto.

Athletic Bilbao no Old Trafford em 2011-2012: aula de futebol ao Manchester United (BBC)

Na temporada passada, o Athletic Bilbao de Bielsa chamou a atenção da Europa pela proposta de jogo levada a campo. Alcançou as finais da Copa do Rei e da Liga Europa, mas perdeu para o Atlético de Madrid e Barcelona. Ainda assim, fica na cabeça dos torcedores a lembranças das classificações ante Manchester United e Schalke 04. Em sua visita a Old Trafford, os Leones mostraram duas virtudes irrefutáveis. A primeira foi individual, de ótimos jogadores como Javi Martínez, De Marcos, Muniain, Susaeta e Llorente, que derrubaram o conceito preconceituoso de que o clube, limitado a atletas bascos, não pode competir em alto nível. A segunda e mais importante foi coletiva: os habituais ataques em bloco, pressão à defesa adversária e zelo com a posse de bola que fazem de Marcelo Bielsa um treinador brilhante. Atualmente, os bilbaínos fazem temporada muito abaixo da média, muito pelo fato dos problemas internos terem refletixo nas atuações em campo. O jogo não flui, as peças-individuais não brilham, mas mesmo assim a equipe não abdica do estilo de jogo que encantou o futebol europeu na temporada passada.

A grande ironia disso tudo, talvez, é que a Liga Espanhola mais agradável para se assistir nos últimos anos já parece ter um campeão definido. O Barcelona, que está oito pontos à frente do Atlético de Madrid e 15 do Real Madrid, não deve deixar o título escapar. O virtual campeão tenta agora alcançar e ultrapassar os registros do Real Madrid de José Mourinho, que é, nos números, o maior campeão espanhol da história. As atenções se voltam à disputa por vagas na Liga dos Campeões. Além do Barcelona, é difícil imaginar a dupla de Madrid de fora do torneio, o que faz restar uma última vaga. Atualmente, Bétis, Rayo, Valencia e, em menor proporção, Levante e Real Sociedad se mantém na disputa. Em comum entre eles, além do esquema tático (4-2-3-1), está o estilo de jogo ofensivo.

Os milionários elencos de Barcelona e Real Madrid e a criticada divisão de receitas das cotas de televisão tendem a ainda deixar, pelos próximos anos, a Liga BBVA bipolarizada - a não ser que campanhas como a do atual Atlético de Madrid apareça no meio do caminho. No entanto, as demais equipes apresentam espírito competitivo das demais equipes e um estilo de jogo atrativo. Assim, a Liga Espanhola, definitivamente, tem argumentos para ganhar novos fãs e diminuir o preconceito por quem não assiste.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O dérbi de Reyes

 Reyes brilha no dérbi de Sevilha, recupera moral com torcedores e ressurge na temporada (El Desmarque)

José Antonio Reyes é um paradoxo difícil de entender e mais ainda de explicar. Dotado de técnica, o meio-campista possui uma habilidade incomum entre os espanhóis. Fatalmente, tinha futebol suficiente para se tornar um jogador world-class, sem exageros. Dono de uma perna esquerda mágica, no entanto, nunca chegou a ser o que prometia. Hoje, quando se pensa em Reyes o rótulo de eterna promessa vem à cabeça.

Nas categorias de base do Sevilla, Reyes já demonstrava todo seu potencial. Em 1999/2000, com apenas 16 anos, fez sua estreia pelo clube de Nervión. À época, a fase sevillista era negra. Rebaixado para a segunda divisão e vivendo uma grave crise financeira, a diretoria resolveu apostar nos canteranos. Na Liga Adelante, treinado por Joaquín Caparrós, o conjunto andaluz sagrou-se campeão e retornou à elite. Ali, começava a história do jovem nascido em Ultrera no futebol espanhol. Mais jovem jogador da história da primeira divisão a marcar um gol, Reyes converteu-se no protagonista do time, liderando uma magnífica geração de canteranos que havia conquistado a Copa do Rei juvenil nos dois anos anteriores.

Após passar por Arsenal, Real Madrid e Atlético de Madrid, Reyes retornou ao Sevilla no início do ano. Àquela altura da temporada, os hispalenses precisavam de um jogador de seu naipe para brigar por uma vaga na Champions League. Canterano e querido pelos torcedores, chegou sob confiança dos aficionados, que esperavam que suas esporádicas atuações mágicas passassem a ser mais frequentes. Não aconteceu. Em cinco meses, ele nada fez. Nem chegou a alternar partidas boas com ruins, algo praxe em sua carreira. O estopim foram as vaias sofridas após ser substituído no dérbi de Sevilha no Pizjuán, a duas rodadas do fim. O Sevilla perdeu para o Bétis em casa por 2x1, emplacou o quarto clássico consecutivo sem vencer o maior rival e deu adeus às chances de conseguir uma vaga na Liga Europa.

A partir dali, ele voltou ao ostracismo. Esquecido e relegado ao banco para um Perotti que voava, viu o Sevilla iniciar a atual temporada de maneira positiva sem sua presença na equipe titular. Mas o dérbi, que o levou ao inferno, serviu para fazer ressurgi-lo. Ontem, no principal jogo da rodada, o Sevilla esmagou o Bétis no Pizjuán por 5x1. Reyes teve atuação de gala. Logo aos 17 segundos de jogo, mostrara que aquela seria sua noite. O gol mais rápido do atual campeonato e da história do dérbi (superando, curiosamente, marca de Pepe Mel, atual treinador do Bétis, que havia marca um gol aos 35 segundos no dérbi de 90/91) foi o largar da reconciliação com os torcedores que o aplaudiram ao término do duelo. Doblete, assistência e jogadas importantes pelo lado esquerdo foram os ingredientes que tornaram Reyes o melhor em campo.

Em sua melhor partida desde o retorno a Nervión, Reyes pode ter visto um divisor d'águas. Os rojiblancos recuperaram a moral e ratificaram a briga por uma vaga na Champions League. No próximo final de semana, tem uma missão complicada: encara o Atlético de Madrid no Vicente Calderón. Desde já, Reyes é assunto. Não só pelo reencontro com o estádio no qual saiu brigado, mas pelo o que poderá fazer. Em paz após momentos conturbados, fica a pergunta: ele terá continuidade? Uma interrogação eterna quando se trata de Reyes.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Guia: Liga BBVA (parte 1)


 Pela primeira vez em quatro anos, o Real Madrid inicia a Liga Espanhola defendendo o título. Irá conseguir a manuntenção da taça ou sucumbirá ao Barcelona de Tito Vilanova? (reuters)

Neste sábado, dia 18, está previsto o pontapé inicial da Liga BBVA 2012/2013, com o duelo entre Málaga e Celta Vigo. Após a ameaça de boicote de 13 clubes em relação aos direitos televisivos do torneio e à realização de oito partidas das três primeiras rodadas às 23 horas, a federação e as sociedades entraram em acordo para a disputa da rodada. Em campo, nada irá mudar: mais uma vez, Barcelona e Real Madrid irão polarizar o campeonato à parte entre as duas equipes. E, desta vez, de maneira diferente em comparação aos outros anos: quem irá defender o título é a equipe merengue.

A terceira força espanhola continua a cargo do Valencia. Os chés se reforçaram bastante e têm a missão de diminuir a alta vantagem em relação ao segundo colocado. Um pouco atrás aparece o Atlético de Madrid, que pretende incomodar o pelotão de cima e brigar pau-a-pau com o clube valenciano pela terceira colocação. Um Athletic Bilbao prestes a perder Javi Martínez e Llorente pode sofrer, mas ainda sim pretende disputar uma vaga na Champions League, ainda que como azarão. No pelotão intermediário, Deportivo, Osasuna, Celta Vigo, Real Sociedad e Espanyol prometem vida dura a qualquer visitante que adentrem seus domínios. E ainda tem o Sevilla, que possui bons jogadores no elenco, mas carece de fantasia. Os andaluzes têm time para brigar pela principal competição europeia de clubes?

Faltando pouco mais de duas semanas para o fim do mercado, muita água ainda deve rolar. O Real Madrid pode garantir, depois de tantas especulações, o croata Luka Modric. O Barcelona, por sua vez, está a um passo de oficializar a contratação de Alex Song. O Valencia pode completar seu elenco com Monreal e mais um meio-campista, enquanto o Athletic Bilbao tentará investir o dinheiro das prováveis venda de Javi Martínez e Llorente em Antoine Griezmann e Beñat Etxebarria, dois ótimos meio-campistas.

Assim como no ano passado, repetiremos a parceria de enorme sucesso com o Futebol Espanhol de Pierre Andrade. Edgley Lemos, colaborador do site, também embarca nesses dois posts especiais de apresentação das 20 equipes da primeira divisão espanhola. E se você é muito fanático pelo futebol da terra das touradas, não deixe de ler nosso preview da Liga Adelante, clicando aqui. Boa leitura!

Athletic Bilbao (Victor Mendes)
Cidade: Bilbao, País Basco
Estádio: Catedral de San Mamés
Em 2011/2012: 10º colocado
O cara: Iker Muniain (meio-campista, foto)
O treinador: Marcelo Bielsa
A promessa: Ruiz de Galarreta (meio-campista)
Principal reforço: Aritz Aduriz (atacante, Valencia)
Principal perda: -
Objetivo: vaga na Champions League
Time base (4-2-3-1): Iraizoz; Iraola, Amorebieta, Javi Martínez (Ekiza, San José, Gurpegi), Aurtenetxe; Iturraspe, Ander Herrera; Susaeta, De Marcos, Muniain; Llorente (Aduriz)

Após uma temporada gratificante em 2011/2012, o Athletic Bilbao promete mais. Passada a novela com Marcelo Bielsa, que decidiu renovar por mais um ano, os Leones estão prestes, no entanto, a perder dois de seus principais jogadores: Javi Martínez e Llorente (por isso, o destaque do time ficou nas mãos de Muniain). O zagueiro-volante está bem perto do Bayern de Munich, enquanto o centroavante está de partida para a Juventus. Fato é que o Athletic ainda possui uma boa equipe titular e pode chegar com mais força. O problema é até onde a questão física dos jogadores pode atrapalhar na reta final.

Praticamente sem reservas de boa qualidade, o time e o esquema se desgastam a certa altura. O Bilbao precisa de peças de reposição para possíveis lesões e alternativa a Llorente. Aduriz foi repatriado e se identifica com o clube a torcida. O bom Beñat, do Bétis, foi especulado e seria uma excelente aquisição para o já brilhante meio-campo, mas nada saiu do papel, assim com Griezmann. O certo é que o Bilbao precisar ir além de uma boa temporada em copas. Melhorar o aproveitamento sobretudo em San Mamés é o primeiro passo. Devido ao fato de ter dado mais importância à Liga Europa, os rojiblancos desperdiçaram pontos bobos atuando em seus domínios.

Atlético de Madrid (Pierre Andrade)
Cidade: Madrid
Estádio: Vicente Calderón
Em 2011/2012: 5º colocado
O cara: Falcão Garcia (atacante, foto)
O treinador: Diego Simeone
A promessa: Olíver Torres (meio-campista)
Principal reforço: Emre (meio-campista, Fenerbahçe)
Principal perda: Diego (meio-campista, Wolfsburg)
Objetivo: Vaga na Champions League
Time base (4-2-3-1): Courtois; Juanfran, Miranda, Godín, Filipe Luís; Gabi, Mario Suárez; Adrián, Arda Turan, Emre; Falcão Garcia

Nos últimos tempos, o Atlético de Madrid se caracterizou por encher de esperanças a torcida no começo da temporada e decepcioná-la ao término. Todavia, neste ano as coisas tendem a ser diferentes. Com a manutenção da equipe que conquistou o bicampeonato da Europa League, o Atlético entra forte para disputar com o Valencia o terceiro posto da Liga. Porém, com uma importante baixa. Sem participar da Champions League por dois anos consecutivos, os rojiblancos não conseguiram manter Diego, que fez uma temporada impecável pela equipe da Manzanares. O brasileiro era o cérebro do time, posto que deve ser ocupado por Arda Turan, atuando mais centralizando em campo.

No comando da equipe está Simeone, que conta com total apoio da torcida e da direção do clube. Não é para menos. Desde a sua chegada, o Atlético ganhou consistência tática e solidificou sua defesa. Outro que continuará é Falcão Garcia. Com um tremendo faro goleador, El tigre despertou o interesse dos maiores clubes da Europa, mas preferiu continuar. O jovem Olíver Torres atuou bem na pré-temporada e deve entrar gradativamente no time.

Barcelona (Victor Mendes)
Cidade: Barcelona, Catalunha
Estádio: Camp Nou
Em 2011/2012: 2º colocado
O cara: Lionel Messi (atacante, foto)
O treinador: Tito Vilanova
A promessa: Sergi Roberto (meio-campista)
Principal reforço: Jordi Alba (lateral-esquerdo, Valencia)
Principal perda: -
Objetivo: título
Time base (4-3-3): Víctor Valdés; Daniel Alves, Piqué, Puyol, Alba; Busquets, Xavi, Iniesta; Alexis Sánchez, Messi, David Villa (Fàbregas).

Melhor time do mundo? Durante os últimos quatro anos, ninguém ousou em definir o Barcelona dessa forma. No entanto, bastou uma temporada sem os principais títulos para colocarem em xeque o futuro da era vitoriosa de Messi, Xavi e Iniesta na Catalunha. Sem Josep Guardiola, o novo treinador Tito Vilanova tem a dura missão de recolocar os azulgrenás no topo. Elenco para isso, ele tem. Da equipe titular, Vilanova não perdeu ninguém e ainda fechou a contratação de Alba, melhor lateral esquerdo da competição passada e da Eurocopa. A zaga, por outro lado, não teve uma atenção tão forte no mercado. Principal ponto fraco da equipe, os blaugranas sondaram Javi Martínez e Thiago Silva, mas o alto valor pedido pelas suas respectivas equipes fez com que o clube desistisse. 

A profundidade do elenco sempre foi um tema debatido durante a Era Guardiola. Na temporada passada, o treinador encheu a equipe de improvisações devido ao fato de não contar com muitas peças de reposição ou, quando as teves, perdê-las por lesão. Os retornos de Villa e Afellay mais a iminente chegada de Song dará mais qualidade e quantidade ao plantel. Ainda há quem especule Agger. Vilanova tem o carinho dos senadores barcelonistas e está no caminho certo para ter sucesso no Camp Nou. Para isso, precisa rezar, principalmente, para que as lesões não afete o desempenho de seu comandados.
Bétis (Edgley Lemos)
Cidade: Sevilla, Andaluzia
Estádio: Benito Villamarín
Em 2011/2012: 13º colocado
O cara: Beñat Etxeberria (meio-campista, foto)
O treinador: Pepe Mel
A promessa: Alejandro Pozuelo (meio-campo)
Principal reforço: Paulão (zagueiro, Saint-Étienne)
Principal perda: Iriney (meio-campo, Granada)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-2-3-1): Casto; Nelson, Paulão, Dorado, Nacho; Beñat, Rubén Perez; Agra, Campbell, Juan Carlos; Rubén Castro.

Na última temporada, o Bétis conseguiu se manter no meio da tabela ficando numa posição bem tranquila. Para esta temporada, a expectativa mais otimista deve ser novamente o mesmo lugar. A debandada de alguns jogadores como Ustaritz, que retornou ao Bilbao após o fim do empréstimo à equipe andaluz, e Iriney, meio-campista brasileiro que se transferiu para o Granada, deixa o Bétis de mãos atadas. O dinheiro está mais curto que na última temporada; portanto, as contratações terão de ser pontuais, já que a temporada está batendo à porta.

A defesa é, sem dúvidas, o setor mais necessitado de reforços. A falta de, pelo menos, dois bons zagueiros e um lateral direito não podem deixar de ser sentida. No meio-campo, falta um jogador de criação para substituir Iriney e ser alternativa ao Beñat. Alejandro Pozuelo, cria do Bétis, é uma aposta interessante, mas ainda é jovem. Resta aos “aficionados” torcerem para que a diretoria consiga suprir as necessidades do time para que o início de temporada não seja desastroso, resultando em novo rebaixamento.


Celta Vigo (Pierre Andrade)
Cidade: Vigo, Galícia
Estádio: Balaídos
Em 2011/2012: 2º colocado na Liga Adelante
O cara: Iago Aspas (atacante)
O treinador: Paco Herrera
A promessa: Jonny Castro (lateral-direito)
Principal reforço: Javi Varas (goleiro, Sevilla)
Principal perda: Orellana (meio-campista, Granada)
Objetivo: Meio da tabela
Time base (4-2-3-1): Javi Varas; Hugo Mallo, Tuñez, Gustavo Cabral, Roberto Lago; Bustos, Obiña; Augusto Fernández, Bermejo, Alex López; Iago Aspas

Apesar de ficar cinco anos longe da elite, o Celta é um dos times mais tradicionais da Espanha, tendo disputado a principal divisão do país em 46 oportunidades. Sendo assim, a direção do clube colocou como meta terminar na parte de cima da tabela, e, se possível, beliscar uma vaga nas competições europeias. Para isso, está se reforçando. Trouxe o goleiro Javi Varas, melhor do primeiro semestre em 2011, por empréstimo junto ao Sevilla, e assinou por quatro anos com o meia Augusto Fernández, que atuava no Velez Sasfield, da Argentina. 

Se mantiver em seu elenco os cobiçados Hugo Mallo e Iago Aspas, o Celta terá uma bom time para disputar La Liga. Mas o principal reforço do clube vem das arquibancadas do Balaídos. Contentes com a ascensão de divisão, os célticos esgotaram os 22.800 carnês disponibilizados para a venda, garantindo, assim, casa cheia em cada partida do time em Vigo.

Deportivo La Coruña (Victor Mendes)
Cidade: La Coruña, Galícia
Estádio: El Riazor
Em 2011/2012: campeão da Liga Adelante
O cara: Valerón (meio-campista)
O treinador: José Luis Oltra
A promessa: Juan Domínguez (meio-campista)
Principal reforço: Nelson Oliveira (atacante, Benfica)
Principal perda: Guardado (meio-campista, Valencia)
Objetivo: meio da tabela ou vaga na Liga Europa
Time base (4-2-3-1): Aranzubia; Laure; Zé Castro, Aythami, Evaldo; Juan Domínguez, Valerón; Pizzi, Abel Aguillar, Camuñas (Nelson Oliveira); Nelson Oliveira (Pizzi).

A atual fase de Vasco e Corinthians é tão boa que tem quem atribua o rebaixamento das duas equipes a isso. Eles se repaginaram por completo, passaram por uma série drásticas de mudanças e hoje estão disputando títulos. Obviamente, o Deportivo não irá chegar a um nível assim, mas podemos dizer que o rebaixamento não foi "mau" negócio. Os galegos venceram a Liga Adelante com um pé nas costas, tendo uma queda considerável apenas num período entre fevereiro e março, e voltam à elite prometendo uma boa temporada.

O entusiasmo da fanática torcida é grande porque a diretoria age para tal. As contratações de Roderick, Evaldo, Abel Aguillar, André Santos, Salomão, Pizzi e Nelson Oliveira asseguram uma equipe competitiva, que pode até terminar abocanhando uma vaga na Liga Europa, ainda que o objetivo real do treinador José Luis Oltra seja o meio da tabela e a permanência. Hoje, o clube alcançou uma marca de mais de 25 mil sócios, algo que não acontecia desde o Superdepor do final do século passado, que ganhou a Liga Espanhola. A depender do estado físico de Valerón, ele será novamente o cérebro do Deportivo, que promete uma temporada promissora.

Espanyol (Pierre Andrade)
Cidade: Barcelona, Catalunha
Estádio: Cornellà El-Prat
Em 2011/2012: 14º colocado
O cara: Verdú (meio-campista, foto)
O treinador: Maurício Pochettino
A promessa: Cristian Gómez (meio-campista)
Principal reforço: Colotto (zagueiro, Deportivo)
Principal perda: Philippe Coutinho (meia-atacante, Internazionale)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-2-3-1): Cristian Alvaréz; Raúl Rodriguez, Colotto, Héctor Moreno, Capdevila; Raúl Baena, Javi López; Sergio García, Verdú, Sergio Tejera; Álvaro Vázquez.

A crise financeira que assola o mundo inteiro também afeta o futebol, especialmente na Espanha. Uns dos clubes que mais sofrem com a escassez de dinheiro é o Espanyol. Por isso, as contratações chegam de pouco em pouco. O pior é que a equipe tem um plantel enxuto, ainda mais após a saída de dez atletas, entre eles o brasileiro Philippe Coutinho e o eslovaco Vladimir Weiss. A alternativa será, por mais uma temporada, recorrer a jovens promessas das divisões de base. Algo que já é do costume de Mauricio Pochenttino, que está no clube há 18 anos e é conhecido por revelar bons jogadores, especialmente no setor defensivo.

Além da falta de atletas, os periquitos sofrem com as constantes lesões. Raúl Baena, Colloto e Sergio García desfalcarão o time no começo da temporada, algo que certamente será sentido. Para não passar por apuros neste ano, mais uma vez o time fará de Cornellà El-Prat uma fortaleza, e com o apoio da sua torcida, espera conquistar pontos importantes em sua casa.

Getafe (Edgley Lemos)
Cidade: Madrid
Estádio: Coliseum Alfonso Pérez
Em 2011/2012: 11º colocado
O cara: Miku Fedor (atacante, foto)
O treinador: Luis García
A promessa: Pablo Sarabia (meio-campista)
Principal reforço: Xavi Torres (meio-campista, Levante)
Principal perda: Cata Díaz (zagueiro, Atlético de Madrid)
Objetivo: vaga na Liga Europa
Time base (4-2-3-1): Moyá; Valera Alexis, Abraham, Miguel Torres; Xavi Torres, Míchel; Pedro León, Diego Castro, Lafita; Miku Fedor.·

Após uma temporada 2011/2012 conturbada, a última foi consideravelmente mais tranquila. O Getafe conseguiu fazer uma temporada sólida e se manteve no meio da tabela. Agora, os planos do presidente Angél Torres são de levar o time a uma competição continental, mais precisamente a Liga Europa. Para isso, o time do subúrbio de Madrid precisava manter a base do bom time da última temporada. E foi o que fez. Conseguiu manter seus principais jogadores, renovou os empréstimos de Moyá (Valencia), Alexis (Sevilla) e Pedro León (Real Madrid) e fez contratações pontuais, como o bom meia Xavi Torres, junto ao Levante, e tenta se mover rapidamente para repor a perda de Cata Díaz ao Atlético de Madrid.

O meio-campista Barrada, destaque da última temporada, tem atraído olhares de alguns clubes. Angél Torres, no entanto, já bateu o pé e disse que só vende o marroquino se for pago o valor de sua multa rescisória (24 milhões de euros). Caso consiga manter Barrada, Luis García terá ótimo material humano em mãos e pode até levar os azulones à Liga Europa.


Granada (Edgley Lemos)
Cidade: Granada, Andaluzia.
Estádio: Nuevo Los Cármenes.
Em 2011/2012: 17º colocado
O cara: Dani Benítez (atacante, foto)
O treinador: Anquela
A promessa: Gabriel Torje (meio-campista)
Principal reforço: Floro Flores (atacante, Udinese)
Principal perda: Carlos Martins (meio-campista, Benfica)
Objetivo: luta contra o rebaixamento
Time base (4-2-3-1): Roberto; Nyom, Iñigo López, Borja Gomez, Guilherme Siqueira; Mikel Rico, Iriney; Dani Benítez, El-Arabi, Orellana; Floro-Flores.

Após uma campanha de fortes emoções e indefinição, o Granada conseguiu se manter na primeira divisão. Contudo, o antigo treinador, Fabriciano González, não faz mais parte da equipe, dando lugar a Juan Antonio Albacete Anquela. Anquela tem à disposição um time limitado, mas que pode conseguir se manter na elite com a ajuda do ala esquerdo Guilherme Siqueira, que fez boa temporada pela equipe andaluz e continua para a 2012/2013, apesar dos rumores de que se transferiria para o Valencia. Além dele, o novo treinador também conta com o atacante experiente Floro Flores, emprestado pela Udinese, e com o jovem meia romeno Gabriel Torje para evitar o descenso.

No entanto, Anquela não poderá contar com o goleador Dani Benítez, que está suspenso até novembro. Benítez é elemento chave na equipe do Granada. Homem-gol e ídolo da torcida, está, contudo, suspenso pela Federação Espanhola por ter atirado uma garrafa em Clos Gómez, um dos árbitros da partida entre Granada e Real Madrid na penúltima rodada de 2011/2012. Anquela e a torcida do Granada certamente esperam que a garrafada no árbitro não custe caro demais durante a temporada.

Levante (Victor Mendes)
Cidade: Valencia
Estádio: Ciutat de Valencia
Em 2011/2012: 6º colocado
O cara: José Javier Barkero (meio-campista, foto)
O treinador: Juan Ignácio Martínez
A promessa: José Higón (meio-campista)
Principal reforço: Christian Lell (zagueiro,  Hertha Berlin)
Principal perda: Aruna Koné (atacante, Wigan)
Objetivo: permanência na elite
Time base (4-2-3-1): Munúa; Lell, Ballesteros, David Navarro, Juanfran; Iborra, Papa Diop; Pedro Rios, Juanlu, Barkero; Gekas.

EuroLevante. Pela primeira vez em 103 anos de história, a equipe azulgrená do leste de Valencia irá disputar uma competição europeia. Sensação do futebol espanhol em 2011/2012 (e, quem sabe, de todo futebol europeu), os granotas conseguiram uma vaga na Liga Europa após ter ficado as 38 rodadas do campeonato entre as oito primeiras posições. Apesar dessa magnífica campanha, o conjunto de Orriols é consciente de suas limitações e da dificuldade em alcançar novamente os postos europeus pelo segundo ano consecutivo. Assim como na temporada passada, o objetivo inicial do Levante é a permanência na elite. O presidente Quico Catalán tratou de dar continuidade ao projeto esportivos que trouxe bastante alegria aos torcedores.

Juan Ignácio Martínez, treinador que se adaptou bem aos vestiários após a ida de Luis García ao Getafe, renovou por mais um ano. A perda irreparável de Koné, autor de 17 gols na temporada passada, foi reposta rápida com a contratação do veterano atacante grego Gekas. A situação não é nova. Há duas temporadas, o Levante perdeu Javi Guerra e encontrou em Caicedo um substituto perfeito. O equatoriano foi o principal jogador azulgrená e acabou vendido ao Lokomotiv Moscou para fazer caixa. Se Gekas der prosseguimento ao faro de gol de Koné, a equipe estará bem sucedida. Assim, o Levante irá tentar fazer um bom papel na Liga Europa e se consolidar como equipe de primeira divisão pelo terceiro ano consecutivo.

sábado, 2 de junho de 2012

Balanço Final: Análise da temporada (segunda parte)

Abaixo, a continuação da Análise da temporada, com os restantes dos times. Se você quiser conferir a primeira parte, clique aqui. Para saber quem foram as revelações, clique aqui.

GETAFE
Classificação: 11º
Copa nacional: quarta fase (1/32 de final)
Copas europeias: não disputou
Destaque: Miku (foto, Marca)
Revelação: Abdel Barrada
Decepção: Daniel Güiza
Nota da temporada: 6
Se alguém falar que o Getafe não disputou o Campeonato Espanhol, é capaz de muita gente acreditar. O time ficou no meio da tabela toda a temporada, redefinindo o conceito de não chamar a atenção de ninguém. A campanha não teve uma boa fase destacada (a maior série de vitórias foram de duas seguidas, em três momentos diferentes), tampouco uma muito ruim (a maior seqüência de derrotas foi de três, uma vez). O único destaque individual foi o atacante venezuelano Miku Fedor, autor de 12 gols. Tudo bem, o oleiro Moyá também merece menção pelo bom desempenho.

REAL SOCIEDAD
Classificação: 12º
Copa nacional: oitavas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Xabi Prieto (foto, Diário de Navarra)
Revelação: Iñigo Martínez
Decepção: Mikel Aranburu
Nota da temporada: 6
É uma equipe decente, mas que teve dificuldades para deslanchar no campeonato. A falta de uma sequência de bons resultados deixou o time perto da zona de rebaixamento por muito tempo. A defesa foi o destaque, com boas apresentações de Illarramendi, González e De la Bella. O ataque ficou muito dependente da inspiração de Griezmann e Vela, mas a dupla fez o suficiente para garantir um final de temporada mais tranquilo em San Sebastián.

BETIS
Classificação: 13º
Copa nacional: quarta fase (1/32 de final)
Copas europeias: não disputou
Destaque: Beñat (foto, AS)
Revelação: Álex Pozuelo
Decepção: Ustaritz
Nota da temporada: 6,5
A estabilidade quase monótona do Getafe teve como contraponto a trajetória cheia de emoções do Betis. O time de Sevilha começou o campeonato, seu primeiro após retornar da segunda divisão, com quatro vitórias. A torcida até achou que o time podia brigar pela Liga Europa, mas os béticos perderam os cinco jogos seguintes. E a equipe ficou nesses altos e baixos durante quase toda a temporada. Faltou um pouco mais de paciência para gerenciar os jogos e a campanha como um todo. O Betis reagia de forma emocional às partidas, muitas vezes se deixando levar pelo impulso e perdendo oportunidades de fazer bons resultados controlando seus esforços.

ESPANYOL
Classificação: 14º
Copa nacional: quartas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Joan Verdú (foto, Mundo Deportivo)
Revelação: Thievy Bifouma
Decepção: Vladimir Weiss
Nota da temporada: 5
Esteve na briga pela Liga Europa em boa parte do campeonato, mas afundou no final, fazendo um ponto nas últimas cinco rodadas. A defesa foi um problema em toda a temporada, e custou ao time barcelonês pontos fundamentais. No entanto, o ataque também tem sua responsabilidade. A falta de um artilheiro de vocação atrapalhou uma equipe que tinha meias de armação de nível razoável. O único jogador do elenco com essa característica era o uruguaio Pandiani, reserva de 36 anos que segue no clube mais em consideração a seu passado do que pela real capacidade de ajudar durante uma temporada completa.

RAYO VALLECANO
Classificação: 15º
Copa nacional: quarta fase (1/32 de final)
Copas europeias: não disputou
Destaque: Michu (foto, Rayistas)
Revelação: Lass Bangoura
Decepção: David Cobeño
Nota da temporada: 6,5
A campanha do Rayo Vallecano foi um milagre. O time tem um elenco bastante modesto, atrasa salários desde a temporada passada, teve troca de direção e acabou o campeonato sob intervenção para evitar a falência. Mesmo assim, o Rayo ficou boa parte do campeonato no meio da tabela e, mesmo quando o fôlego acabou e o time se afundou numa sequência de seis derrotas, encontrou forças para vencer na última rodada e evitar um rebaixamento que seria mais que compreensível. Destaques? O brasileiro Diego Costa, o argentino Armenteros e a dupla espanhola Michu e Javi Fuego.

ZARAGOZA
Classificação: 16º
Copa nacional: quarta fase (1/32 de final)
Copas europeias: não disputou
Destaque: Hélder Postiga (foto, Reuters)
Revelação: Franco Zuculini
Decepção: Ruben Micael
Nota da temporada: 4,5
O Zaragoza era um caso perdido a um mês e meio do final do campeonato. O time ocupava a lanterna desde o meio do primeiro turno e não parecia ter forças para reagir, ainda que o elenco fosse de um time de meio de tabela. De repente, tudo se encaixou em La Romareda. O trabalho de Manolo Jiménez, que havia assumido a equipe na virada do ano, demorou para fazer efeito, mas acabou aparecendo. O time recuperou a confiança, lideranças como Ponzio, Roberto e Luís García, além do artilheiro Helder Postiga, surgiram e comandaram o crescimento zaragocista. Uma série de cinco vitórias nos últimos seis jogos impulsionou os maños, que escaparam do rebaixamento na última rodada.

GRANADA
Classificação: 17º
Copa nacional: quarta fase (1/32 de final)
Copas europeias: não disputou
Destaque: Carlos Martins (foto, Marca)
Revelação: Álex Carmona
Decepção: Alexandre Geijo
Nota da temporada: 5,5
A regra dos três pontos por vitória salvou o Granada. O time é tecnicamente fraco e não cumpriu a promessa de revelar jogadores (ou de ajudar no desenvolvimento de jovens para seu primo rico, a Udinese), mas teve o mérito de empatar pouco. Com o terceiro pior ataque do campeonato, os andaluzes conseguiram um número alto de vitórias apertadas (das 12, apenas uma foi por mais de um gol de diferença). Mas esses triunfos foram fundamentais: dos times que lutaram contra o rebaixamento, apenas o Rayo Vallecano não perdeu para os granadistas.

VILLARREAL
Classificação: 18º (rebaixado)
Copa nacional: quarta fase (1/32 de final)
Copas europeias: Liga dos Campeões (fase de grupos)
Destaque: Borja Valero (foto, Getty Images)
Revelação: Joselu
Decepção: Nilmar
Nota da temporada: 2
Temporada ridícula. O Villarreal começou o ano sofrendo com contusões de jogadores importantes como Rossi e Nilmar. Isso explica o início ruim no campeonato, mas a incapacidade de reagir é indesculpável. O Submarino Amarillo até teve um brilhareco na metade do segundo turno, quando chegou a abrir uma vantagem que parecia confortável em relação à zona de rebaixamento, mas se acomodou com isso. Por mais que alguns jogadores (como Marcos Senna, Borja Valero e Marchena) mostrassem real disposição de evitar a queda, faltou futebol. O esquema tático era burocrático e o técnico Miguel Ángel Lotina, contratado no final da temporada para evitar o rebaixamento, primou pela série de escolhas equivocadas. Tentou endurecer um time que, por vocação, joga com leveza e foi punido com a queda à segunda divisão após mais de uma década na elite.

SPORTING DE GIJÓN
Classificação: 19º (rebaixado)
Copa nacional: quarta fase (1/32 de final)
Copas europeias: não disputou
Destaque: David Barral (foto, David Barral)
Revelação: Alejandro Gálvez
Decepção: Sebastián Egurén
Nota da temporada: 3,5
O Sporting de Gijón sobreviveu nas duas últimas temporadas devido a sua defesa. O técnico Manolo Preciado montou um esquema para tomar poucos gols e, com isso, conseguir vitórias apertadas para garantir uma temporada segura. Mas, em 2011/12, essa retaguarda não funcionou. O time foi uma peneira atrás, e não estava preparado para compensar isso com seu ataque. Tornou-se um alvo fácil para qualquer adversário, mesmo os da parte de baixo da tabela. As trocas de treinadores no segundo turno (entraram Iñaki Tejada, Javier Clemente e Manolo Sánchez) só deixou a equipe mais confusa, sem esquema e sem planejamento claro para buscar a reação. Na base da raça, o time venceu três jogos entre a 34ª e a 37ª rodadas, mas já chegou ao último jogo matematicamente rebaixado – e com a segunda defesa mais vazada do campeonato.

RACING DE SANTANDER
Classificação: 20º (rebaixado)
Copa nacional: oitavas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Christian Stuani (foto, Racinguistas)
Revelação: Álvaro González
Decepção: Lautaro Acosta
Nota da temporada: 3
Equipe muito fraca, que conseguiu passar o segundo turno inteiro sem uma vitória sequer. Excetuando o atacante uruguaio Stuani, artilheiro da equipe com 9 gols, nada funcionou. Nem seus jogadores símbolos, como o goleiro Toño e o meia-atacante Munitis, tiveram uma boa temporada para liderar um time tecnicamente ruim e taticamente sem direção. Uma queda traumática, que indica a necessidade de mudanças profundas para a disputa da segunda divisão na próxima temporada.

domingo, 20 de novembro de 2011

13ª rodada: Show de gols

Todos em cima de Teixera Vitienes: o árbitro não assinalou um pênalti claro de Higuaín e deixou os valencianistas indignados (getty images)

Após uma semana de pausa devido aos jogos da Data Fifa, o Campeonato Espanhol voltou com tudo. Nos três jogos que abriram a rodada, à exceção de Villarreal 1 a 0 Bétis, que marcou a recuperação dos amarillos, a tônica foram os gols. No Camp Nou, o Barcelona, que costuma passar sempre por apuros após Data Fifa, mandou a zica para longe e goleou sem problemas o Zaragoza por 4 a 0. No principal jogo da noite, equilíbrio e polêmica foram as palavras-chaves. Num Mestalla lotado, o Real Madrid derrotou o Valencia por 3 a 2, mas um possível pênalti não marcado a favor dos chés aos 47 minutos do segundo tempo foi o principal assunto do fim de semana futebolístico na Espanha. Confira, abaixo, o resumo dos três jogos de sábado.

Valencia 2x3 Real Madrid
Num campo onde o Barcelona deixou dois pontos, o Real Madrid foi fatal e deixou para trás qualquer chance de desperdício de pontos. A comemoração de Mourinho no gol de Cristiano Ronaldo só mostra o quã importante foi a vitória merengue. Sem Kaká e Di María, Mourinho resolveu se preservar: atuando num 4-3-2-1 vistos na temporada passada somente na maratona de jogos contra o Barcelona, o técnico português, que havia acenado com a possibilidade de titularidade de Callejón na linha de três ofensiva, optou por Lass Diarra ao lado de Xabi Alonso e Khedira, para ganhar o combate contra o meio-campo ché. Ainda que Soldado fizesse a lei do ex evaporar ao marcar um doblete, Mourinho ficou extremamente satisfeito ao conseguir seu objetivo: não deixou o meio-campo valencianista ficar com a bola e construir jogadas.

O pós-jogo ficou marcado por polêmicas. O Valencia ainda não engoliu o pênalti não marcado por Teixera Vitienes e um vídeo capturado pela La Sexta mostra muito bem Higuaín colocando propositadalmente a mão na bola, evitando o que seria o gol de empate ché. Os jogadores também ficaram indignados pela comemoração provocativa de Mourinho no gol de Sergio Ramos, e Alba e Albelda chegaram a discutir com o gajo. Mathieu, por sua vez, foi claro: "Mourinho não respeitou o Valencia". Unai Emery, contudo, não deu uma opinião mais claro sobre o assunto. "Eu não posso dizer nada a respeito, pois discuti com Xabi Alonso", disse o treinador. A vitória no Mestalla marcou um registro histórico para o técnico de Setubal: chegou a 11 vitórias consecutivas, seu melhor registro na carreira, e igualou a melhor sequência de vitórias de Guardiola no Barcelona. O próximo desafio será duro: no Bernabéu, os merengues farão o dérbi da capital contra o Atlético de Madrid.

Barcelona 4x0 Zaragoza
Dificuldades após a Data Fifa, saia de mim. Com Piqué e Puyol juntos novamente na zaga, o Barcelona não passou por dificuldades contra o Zaragoza e ganhou moral para a visita que fará a Milão para o jogo decisivo contra o Milan, no meio da semana, decidindo o primeiro lugar do grupo H da Liga dos Campeões da Uefa. Messi e Fàbregas voltaram a se entender: o meio-campista fez boa jogada e tocou para La Pulga concluir e chegar ao décimo-quinto gol na competição. A curiosidade por conta da partida ficou pelo fato de Piqué, Fàbregas e Messi iniciarem uma partida juntos pela primeira vez desde a divisão de base. Os três, que representam a geração 88' dos blaugranas, ainda não haviam começado uma partida desde que Cesc retornou à Catalunha.

A outra boa notícia que Guardiola poderia receber na partida foi o gol de Villa, que começou no banco. El Guaje revelou após a partida que Pep havia dito, minutos antes de colocá-lo em campo, que ele iria entrar para marcar. Dito e feito: após jogada de Cuenca, que começou como titular novamente, o camisa sete testou firme às redes de Roberto. Na comemoração, o primeiro abraço foi de Messi, acabando com as dúvidas que os dois andavam brigados. Os azulgrenás seguem imparável em casa: já foram 30 gols pró e nenhum recebido. Os maños, por sua vez, voltaram à má fase que o assolou no início da Liga. Após ganhar algumas gordurinhas, o Zaragoza voltou a cair de produção, retornando à zona de rebaixamento.

Villarreal 1x0 Bétis
O contra-ataque nunca foi uma característica do Villarreal. Mas foi essa jogada, concluida por Borja Valero, que decidiu a vitória contra o Bétis, que em um pesadelo sem fim. Após sentir o gostinho da liderança, o momento dos andaluzes é preocupante. A oito rodadas sem marcar (472 minutos), a equipe de Pepe Mel já vê a zona de rebaixamento perto. No lado amarillo, a vitória deu uma moral a mais para Garrido, que segue no 4-2-3-1 sem seus principais atacantes, Rossi e Nilmar. Quem vem carregando a responsabilidade é Borja Valero, que decidiu novamente a favor do Villarreal. Agora, os comandados de Garrido irão até Munich para enfrentar o poderoso Bayern com uma pretensão: ganhar e continuar vivo na esperança de jogar a Liga Europa. A obrigação do Submarino Amarelo é pontuar seis vezes dos seis possíveis (Bayern e Napoli são os adversários) para continuar jogando uma competição europeia. Complicado, mas Garrido manteve um discurso otimista e com contornos de clichê: a esperança é a última que morre.

domingo, 6 de novembro de 2011

12ª rodada: Quem manda aqui somos nós

O dono da cidade: Valencia vence dérbi local contra o Levante e ultrapassa os rivais na tabela, ficando a quatro pontos do líder Real Madrid. Brigará por título? (getty images)

Três jogos abriram a décima-segunda rodada da Liga BBVA. Entre eles, destaque para o dérbi valenciano mais importante dos últimos anos: Levante e Valencia entraram no Ciutat de Valencia pela primeira vez em um dérbi onde as duas equipes chegavam em posições favoráveis na tabela. O resultado final foi uma decepção para os torcedores granotas: o Levante foi derrotado em casa por 2 a 0 e deixou de vez as primeiras posições. O Valencia, por sua vez, chegou aos 24 pontos e, de praxe, ultrapassou os rivais locais, ganhando moral para o próximo desafio: a quatro pontos do Real Madrid, receberá na próxima rodada os merengues, querendo diminuir a diferença e se estabelecer na briga pelo título. Nos outros jogos, dois 0-0 insonssos entre Mallorca-Sevilla e Bétis-Málaga.

Levante 0x2 Valencia (Victor Mendes)
A cidade de Valencia tem um novo dono: o tradicional Valencia venceu o dérbi local e já está à frente na tabela dos ex-líderes do campeonato. A vitória foi motivo de zoação da Curva Nord, torcida organizada ché, que entoaram após o jogo que "Valencia é blanquinegra!". Em um dérbi quente, o Levante começou melhor e teve a oportunidade de abrir o placar cedo: após boa jogada de Barkero pela direita, Koné chutou de primeira para bela defesa de Guaita. À medida que o Valencia foi tomando conta da posse de bola, os chés começavam a criar mais oportunidades reais. E em uma enfiada de bola sensacional de Tino Costa para Jordi Alba, o lateral saiu na cara de Munúa, mas acabou travado por um desastrado Javi Venta, que marcou contra a própria porteira. Tino Costa ainda viria a aparecer positivamente na segunda etapa: o volante arriscou um chute de longe e Munúa aceitou, no gol que sentenciou o resultado.

O argentino, que inventou o um a zero e marcou o dois a zero, fez uma partida impecável e foi com justiças eleito o melhor em campo. Num período de vacas magras para os armadores do Valencia, com as lesões de Banega e Canales, o argentino substituiu à altura seu compatriota na volância e mostrou a Unai Emery que é uma excelente opção no período de baixa de Banega. Feghouli, substituto de Canales, voltou a fazer uma partida notável: escalado pelo flanco direito no 4-4-2 - tática que foi bastante elogiado pelos críticos espanhóis -, o francês mostrou o futebol que o consagrou no Grenoble e levou a Paterna. Um verdadeiro furacão para Juanfran, que não conseguiu pará-lo em nenhum momento.

Outro ponto destacável na partida ché foi a dupla de zaga formada por Rami e Víctor Ruíz, que vai esbanjando confiança. A atuação soberba da dupla é uma esperança de Unai Emery para parar o poderoso ataque do Real Madrid, próximo adversário do Valencia. Derrotado e, agora, na quarta colocação, o Levante perdeu também a invencibilidade em casa. Juan Ignácio Martínez colocou uma equipe bastante ofensiva, mas seu 4-2-3-1, inicialmente, foi a campo para fechar os espaços blanquinegros. Entretanto, como bem destacou Ballesteros após a partida, faltou aos azulgrenás mais agressividade. Nem de longe o Levante lembrou a equipe que vinha encantando nos jogos anteriores. Acuados, os granotes pareciam sentir o peso de um dérbi importante e foram engolidos por um Valencia que, a cada jogo, vai encontrando o caminho do sucesso.

Mallorca 0x0 Sevilla
O melhor Mallorca desde a chegada de Joaquín Caparrós ao comando técnico balear não foi o suficiente para bater Javi Varas, surpresa mais do que positiva da temporada. Em mais uma grande partida do goleiro andaluz, o Sevilla conseguiu levar um ponto suado a Nervion. Se não vence fora de casa há quatro partidas, ao menos Marcelino Toral tem algo a comemorar: não tem sofrido gols. Escudé e principalmente Spahic têm atuado com bastante solidez e a retranca feita contra o Barcelona já havia sido notável. Um dos méritos do treinador foi ter recuperado o bom futebol de Jesus Navas e se conseguir tal feito com Rakitic seria uma boa. O croata está distante do futebol que o levou à seleção do campeonato passado feito pelo blog no Balanço Final e está longe da forma física ideal. Na ausência de Negredo e Rakitic, o treinador optou estranhamente por jogar com Manu Del Moral na referência. Pelo lado balear, como bem destacou Caparrós, essa é a linha a seguir, mas falta concluir com mais êxitos.

Bétis 0x0 Málaga
Em uma das piores partidas da temporada, Bétis e Málaga fizeram um clássico regional sem nenhuma emoção e sem nenhum gol. O empate teve sabor quase que igual para as duas equipes: enquanto o Málaga vai perdendo o contato com o pelotão da Champions e vê Rayo Vallecano e Espanyol se aproximarem na tabela, o Bétis somou seu sétimo jogo sem conhecer os três pontos. Após viver um paraíso, os verdiblancos já sem veem no inferno: com 13 pontos, está a quatro pontos da primeira equipe da zona de rebaixamento, o Granada. A boa notícia para os anfitriões foi a boa partida da promessa Pozuelo, que começou como titular e saiu de campo aplaudido para a entrada de Matilla. Jogando aberto pela direita, o jogador, que foi comparado a Messi quando mais novo, levou perigo duas vezes à meta de Caballero. O Málaga, por sua vez, sentiu a goleada sofrida para o Levante há quatro rodadas. Desde a partida contra os granotes, quando vivia uma boa fase, os blanquiazules não conseguem atuar com brilhantes. Apesar de ter à disposição jogadores com talento, falta algo a mais para a equipe de Pellegrini, que, pelo incrível que pareça, não está preocupado com os últimos resultados.

domingo, 16 de outubro de 2011

8ª rodada: Criando problemas

Higuaín, reverenciado: boa fase do argentino cria problemas para Mourinho (AS)


Real Madrid 4x1 Bétis
No jogo que abriu a rodada, o Bétis até ensaiou surpreender o Santiago Bernabéu, mas a noite inspirada de Higuaín e a nova boa partida de Kaká não deixaram. O primeiro tempo insonsso dos merengues deixaram dúvidas quanto se a vitória viria. O Bétis, ousado e à espera de um contra-ataque, não se intimidou com a visita à capital. Pepe Mel jogou num super-ofensivo 4-3-3, quebrando qualquer tipo de especulação que dizia que, pelo menos contra o Real Madrid, o técnico adotaria uma postura mais defensiva. O resultado, pode-se dizer, foi um pouco "mentiroso". Porém, o gol de Higuaín no primeiro suspiro do segundo tempo fez com que o Real Madrid voltasse à realidade.

O terceiro hat-trick em três semanas de Higuaín (o segundo consecutivo com o Madrid) ratifica sua excelente fase. Se, na temporada passada, La Pipita voltou de lesão muito mal e, ainda por cima, viu Benzema jogar muito bem, na atual temporada a disputa por uma vaga no ataque promete: Benzema realizou uma pré-temporada excelente e começou a liga espanhola em alta estilo, contrabalanceando com o fato de Higuaín começar a desencantar. Mesmo negando que não terá problemas, Mourinho sabe que terá. Possibilidades de rodízios? "Para mim, não existe essa de jogador titular quando se tem tanto talento disponível", disse Mourinho após o jogo. A fase de Higuaín é excelente: já são nove gols no mês de outubro, uma média de um gol a cada 38 minutos.

Não é só no ataque que Mourinho terá problemas. No meio-campo, setor mais forte da equipe, Kaká voltou a atuar com sobressaliência, marcando um belo gol, e Di María, que entrou no segundo tempo, deu duas assistências. Özil, que ontem foi titular, também fez boa partida, apesar de não ter feito nenhum gol e não ter dado nenhuma assistência. O turco-alemão ganha pontos com Mourinho por ser essencial para o esquema do português. Já vimos, por exemplo, na partida contra o Rayo os blancos quebrarem a cabeça para criar alguma situação de gol sem a presença de Özil no meio-campo, fato totalmente diferente quando o camisa dez entrou em campo. Em uma enquete do Marca, a torcida foi clara: hoje, do meio para frente, os titulares seriam Kaká, Özil, Cristiano Ronaldo e Higuaín.

Barcelona 3x0 Racing Santander
Dez minutos. Esse foi o período em que o Racing Santander conseguiu aguentar o Barcelona. Os blaugranas, que não costumam se dar bem após a Data Fifa, superaram as adversidades do vírus e venceram com contundência os cantabrianos. A grande notícia que Guardiola poderia receber após a partida foi a volta em alto estilo de Iniesta. O meio-campista, que recebeu alta antes do previsto, se entendeu muito bem com Messi, não sentiu a falta de ritmo por ter ficado um mês fora dos gramados e participou, diretamente, de dois gols - os dois da Pulga. Guardiola, aliás, voltou ao 4-3-3 ontem, mas com uma curiosidade: os três homens do meio-campo foram Xavi, Thiago e Iniesta, um setor sem nenhum volante de marcação.

Quem também fez grande partida foi Messi. La Pulga, pichichi do campeonato, anotou um doblete (sendo um deles um golaço) e não lembrou nem um pouquinho aquele Messi apático visto no duelo da Argentina contra a Venezuela. Mas nem tudo são flores no paraíso de Guardiola. As lesões, mais precisamente o bíceps femoral, voltaram a assolar o vestiário dos catalães. Ontem, foi Piqué: o zagueiro, que já havia pedido substituição por precaução no duelo da seleção espanhola contra a Escócia, se lesionou no início do primeiro tempo e será baixa por 15 dias. O Racing Santander de Héctor Cúper continua vivendo num pesadelo: já são seis jogos sem vencer, e a possibilidade de rebaixamento já é real em Santander.

Granada 0x0 Atlético de Madrid (Claudio Araujo)
Será mais uma temporada decepcionante do Atlético de Madrid? O jogo contra o Granada, antepenúltimo colocado, seria uma excelente oportunidade de afastar qualquer resquício de crise em Manzananares. Entretanto, os rojiblancos não jogaram melhor que os anfitriões e, pela partida, saíram satisfeito dos Los Carménes. Ante a ausência de Silvio e o jat-leg de Perea, Manzano optou por colocar Juanfran de lateral direito. Pouco acostumado à função, sofreu com Dani Benítez, melhor jogador da partida.

A falta de gols assusta: apesar do início promissor de Falcão García, o colombiano caiu de rendimento e, junto ao Atlético de Madrid, já não marca há cinco partidas seguidas. Adrián teve uma boa oportunidade no final da segunda etapa, mas acabou desperdiçando frente a Roberto. O goleiro esteve em uma boa noite: parou, além da defesa no chute de Adrián, Reyes e Diego em duas oportunidades. Se há uma boa notícia para Manzano, esta é Courtois: o goleiro vem substituindo De Gea à altura e, apesar da juventude, parece um veterano em campo.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Andaluzes em alta

Mesmo sem ainda convencer, o Sevilla aparece no alto da tabela, assim como Málaga e Bétis, outras equipes da região da Andaluzia (AP Photos)

Se a zona de classificação às competições europeias pudesse ser representada por alguma região da Espanha, ela seria, certamente, a Andaluzia. Cinco semanas e seis rodadas após o início do campeonato, três dos quatro times das região somam, juntos, 37 pontos e ocupam a zona conhecida como Europa. Enquanto o projeto de Euro Málaga vai dando certo neste início de temporada, com a equipe blanquiazul sendo a única representante da Andaluzia a estar entre os quatro primeiros, os rivais Sevilla e Bétis ameaçam: os verdiblancos chegaram a liderarem a competição, mas caíram de rendimento nos últimos jogos e ocupam a sexta colocação, logo atrás dos nervionenses.

Dentre os quatro representantes da região, apenas o novato Granada está destoando: recém-chegado à Liga Espanhola, os horizontales só conseguiram quatro pontos até o momento e já são candidatos reais à briga pelo rebaixamento. No último sabado, diante do Valencia no Mestalla, mostrou uma evolução, ao jogar de igual para igual contra os chés. Contudo, o empate - ou até mesmo a vitória - acabou não saindo por falta de experiência: os rojiblancos pecaram bastante na finalização e mostraram-se bastante acuados nos primeiros minutos, quando sofreram o gol de Canales. A vitória contra o Villarreal, há três rodadas, foi um lâmpejo do bom futebol que o elenco granadense pode mostrar.

O Sevilla, por sua vez, está pouco a pouco se encontrando. O mercado tímido no verão somado à vergonha pela eliminação precoce na Liga Europa colocaram em xeque o cargo de Marcelino Toral como treinador da equipe e a temporada dos nervionenses. Porém, quebrando qualquer tipo de prognósticos negativos, o Sevilla começou a Liga BBVA disposto a recuperar-se: em seis jogos, ainda mantem-se invicto, com duas vitórias e quatro empates. O treinador ainda não é nenhuma unanimidade, mas vai encontrando um padrão de jogo ao time.

Ainda há algumas escolhas a se corrigir. Marcelino arriscou e resolveu mexer no esquema tático da equipe, mudando o 4-4-2 a rombo que deu certo com Manzano no primeiro semestre deste ano para usar o 4-2-3-1. Acontece que, com a nova tática, Rakitic é recuado para jogar na volância ao lado de Medel, posição totalmente diferente da época de Manzano. O croata, que caiu como uma bênção na equipe de Manzano (jogando centralizado, no suporte a Kanouté e Negredo), ainda não "estreou" na temporada.

O Bétis foi a grande surpresa deste início de temporada (clique aqui e leia uma análise mais completa do Bétis). Do time-base, apenas quatro jogadores (Chica, Mario, Montero e Santa Cruz) não estavam no clube no título da Liga Adelante na temporada passada. Quem também já estava em Heliópolis era o técnico Pepe Mel. De carreira discreta, com apenas uma passagem pela elite (em 2001/02, no comando do Tenerife), ele soube agrupar o elenco. Montou o time em um 4-5-1 que pode se transformar em 4-2-3-1, mas os números são secundários. O fundamental é a confiança que esse time tem, mesmo sem grife.

Voltou à primeira divisão falando em entrar em campo como protagonista e disposto a brigar por competições europeias. E é isso que tem feito nestas primeiras rodadas. Mesmo com as duas derrotas consecutivas, a discurso no Benito Villamarín é otimista. É evidente que esse time não tem fôlego para ocupar as primeiras posições por muito tempo. De qualquer modo, é um novo Betis que se vê na primeira divisão. Um Betis sem megalomania e sem gastar mais do que pode.

No Málaga, as aquisições poderosas no mercado já não são mais incógnitas. Com quatro vitórias, um empate e uma derrota em seis jogos, os blanquiazules estabeleceram o melhor início de temporada desde 1983 e chegaram a liderarem a competição por pelo menos oito horas. O clube de Martirico ainda não tem rendido 100% do que pode, mostrando carências em alguns setores, mas a torcida está ilusionada: a cada jogo no La Rosaleda, o alto-falante do estádio colocar a música oficial da Champions League para tocar antes da bola rolar.

Em campo, Pellegrini não tem inventado: mesmo afeito a rodízios, o treinado pouco tem trocado jogadores de um jogo para outro e, mesmo acenando com a possibilidade de voltar ao 4-4-2 utilizado na pré-temporada, tem jogado no 4-2-3-1, a melhor tática para a equipe. Com Júlio Baptista tinindo após a volta da lesão, Cazorla justificando os milhões de euros pago junto ao Villarreal e a capacidade goleadora de van Nistelrooy começando a aparecer, os blanquiazules prometem muito.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

5ª rodada: E agora, Del Nido?

Pepe Mel, eufórico: Bétis vence mais uma chega, continua com 100% de aproveitamento e, de praxe, chega à liderança da liga bbva (AS)

Logo após a primeira rodada (na prática), marcada pelas goleadas de Real Madrid e Barcelona, Fernando Roig, presidente do Villarreal, e Josep Maria Del Nido, presidente do Sevilla, ficaram indignados pela facilidade com a qual os dois gigantes espanhóis chegaram ao resultado e soltaram o verbo, criticando, principalmente, a cota dos contratos de televisão proposto pela federação espanhola, que separa 60% para Barça e Madrid e divide o restante para equipes da primeira e segunda divisão espanhola. Além disso, há os problemas do país em recessão, fuga de patrocinadores, queda brusca nas receitas.

O presidente andaluz foi além e convocou uma reunião com os outros presidentes dos clubes da Liga BBVA, excetuando os gigantes, para debater sobre o atual estado do campeonato espanhol. Hoje, três rodadas após o cenário criado por Del Nido, o presidente "respira aliviado": apesar de seu Sevilla estar na quinta colocação, os primeiros três colocados não são nem Barcelona e nem Real Madrid: Bétis, Valencia e Málaga, respectivamente, ocupam as três primeiras posições. Veja como foram os jogos de quarta e quinta.

Bétis 4x3 Zaragoza
Principal contratação do Bétis no mercado, Roque Santa Cruz andava tímido. Porém, o paraguaio mostrou por que a torcida bética lotou o Benito Villamarín em sua apresentação e marcou um doblete providencial para a vitória e, consequentemente, liderança verdiblanca. A vitória que quase foi por água abaixo pela reação maña não pode diminuir a boa partida dos anfitriões. A equipe de Pepe Mel começou a partida num ritmo atônito e foi para o intervalo com um três a zero convincente no placar. O Zaragoza voltou a mostrar muitas fragilidades defensivas e, além disso, começou a partida dormindo, postura totalmente oposta à dos andaluzes. Na segunda etapa, as posturas se inverteram: o Bétis passou a dormir ante um adversário que não dava sinais de vida. A expulsão de Casto foi o diferencial: com um a mais e após o gol de Juárez, os blancos viram que dava para vencer ou, pelo menos, empatar. Os dois gols de Juan Carlos colocaram fogo na partida, mas a vitória ficou mesmo com o líder Bétis.

A vitória contra o Athletic Bilbao deixou claro que os béticos não voltaram à elite para ser saco de pancadas. Apesar do mau início dos bascos, sempre é difícil batê-los em seus domínios, e os verdiblancos passaram com facilidades, apesar do resultado, de um de seus mais complicados desafio deste início de Liga. Após admitir que sua equipe irá brigar por competições europeias, Pepe Mel tocou em um assunto chave: saber como será o segundo semestre do Bétis. Desgaste físico pelo elenco curto sempre bate, sobretudo, em equipes que voltam da Liga Adelante, mas o treinador tratou de acalmar os aficionados dizendo que o departamento médico já está preparando um trabalho especial para isso não acontecer. Na temporada passada, quando disputava a Liga Adelante, os verdiblancos passaram por algo semelhante: iniciaram a temporada voando, caíram muito de produção, mas se recuperaram no final e conseguiram o título. Na Liga BBVA, Pepe sabe que não terá essa facilidade toda. Entretanto, para os torcedores, o futuro não deve ser pensado agora: somente comemorar uma liderança que já não vem desde 2001/2002.

Valencia 2x2 Barcelona
Após dois empates nos quais dominava a partida e sofreu o castigo no final, o Barcelona pôde rir da situação: contra os chés, os azulgrenás jogaram muito abaixo da média - sobretudo no primeiro tempo -, sofreram com os contra-ataques valencianista e com os espaços deixados pelo lado direito da defesa, mas conseguiram levar um pontinho à Catalunha. Messi novamente foi o diferencial: mesmo sem marcar (teve ótima oportunidade na segunda etapa, após belo toque de Thiago), La Pulga deu duas milimétricas assistências para os tentos de Pedro e Fàbregas. Cesc, aliás, segue muito bem: com o gol, tornou-se o primeiro espanhol da história do clube a marcar consecutivamente nas primeiras quatro rodadas.

A opção de Guardiola pelo 3-4-3 não deu certo. Daniel Alves, jogando como ala, subiu muito ao ataque e voltava atrasado para recompor à marcação, deixando o lado direito da defesa blaugrana muito exposto. Foi ali, por exemplo, que saíram as jogadas dos dois gols chés e da incrível chance desperdiçada por Soldado, além de vários outros lances perigosos do Valencia. Na volta do intervalo, já no 4-3-3, o Barcelona controlou a partida, passou a passar por menos apuros e chegou ao tento de empate. Ao Valencia, restou lamentar: os gols perdidos na primeira etapa fizeram muita falta e a equipe perdeu uma ótima oportunidade de voltar a triunfar frente ao Barcelona, o que já não acontece desde 2007/2006. Soldado, grande esperança de vitória, decepcionou: além do gol perdido, o canterano do Real Madrid foi anulado por Mascherano, que fez uma partidaça, sobretudo na segunda etapa.

Racing Santander 0x0 Real Madrid
O Real Madrid tropeçou contra uma equipe que, segundo José Mourinho (ironicamente), é seu adversário direto na luta pela permanência na elite nacional. Os merengues, novamente, sofreram: muito abaixo do que pode jogar, o Real Madrid só não perdeu mais uma porque Casillas fez uma linda defesa em chute de Óscar Serrano. As rotações de Mourinho também fizeram mal à equipe: Di María, que começou no banco, adicionou um gas a mais ao time na segunda etapa, sendo responsável pelas principais jogadas de perigo dos blancos. Özil e Cristiano Ronaldo foram mais uma vez mal: o português, após começar a temporada bem, parece distante daquele letal da temporada passada. O Real Madrid de José Mourinho, muitas vezes elogiado pelo seu poder de fogo, parece estar sem pólvora: acreditem, foram apenas dois chutes a gol durante os noventa minutos. Quem comemora o resultado é Héctor Cúper. O treinador, que estava balançando no cargo, motou muito bem seu Racing. A zaga mostrou segurança, enquanto Stuani saiu muito de sua posição para ajudar na marcação.

Atlético de Madrid 4x0 Sporting Gijón
Falcão García. Contratado por 45 milhões de euros nos últimos dias de mercado, o colombiano chegou sob olhares de desconfiança. Entretanto, a cada jogo, El Tigre vai justificando o alto valor pago ao Porto para sua contratação. Contra os gijoneses, marcou dois - três se não fosse o gol contra de Lora - e empatou no Pichichi com Messi e Soldado. O suficiente para Gregório Manzano, após a partida, declarar que Falcão irá, sim, brigar pela artilharia junto com o argentino e Cristiano Ronaldo. O treinador, por sua vez, vê seu trabalho dar certo. Desde que chegou ao Atlético de Madrid, Manzano testou por diversas vezes uma dupla de defesa, até que conseguiu achar em Álvaro Domínguez e Miranda uma segurança. Calcanhar de aquiles da equipe nos últimos anos, a defesa só sofreu um gol nas quatro partidas disputadas. Além disso, o plantel grande dá ao treinador a opção das rotações. E, pensando no duelo contra o Barcelona no Camp Nou no sábado, Manzano fez isso: começou a partida com Adrián e Reyes no banco, além de Diego, que não jogou. Será que, enfim, agora vai, Atlético de Madrid?

Málaga 1x0 Athletic Bilbao
Cazorla está se tornando a cada jogo um xodó da torcida blanquiazul. O craque ex-Villarreal está provando por que foi a contratação mais cara do Málaga no verão. Com direito a mais um golaço de falta, seu terceiro na Liga, definiu a complicada vitória dos andaluzes no La Rosaleda. Pelo lado basco, Marcelo Bielsa segue pressionado. Após acenar com a possibilidade de atuar num controverso 3-3-1-3, o argentino novamente mostrou variações táticas: entrou em campo num enxuto 5-4-1, que teve três improvisações. A mais complicada de se entender foi Llorente jogando pela esqueda na linha de quatro, com Gabilondo como referência. Enquanto Bielsa vai morrendo enforcado em seus próprios erros, Pelegrinni vê sua equipe jogar bonito e segue em alta em Málaga. O treinador espanhol é o oposto do argentino: não inventa e entra em campo com o que tem de melhor em seu elenco. Júlio Baptista voltou a jogar na equipe titular e, mais centralizado do que de costume, participou de algumas jogadas de perigo, mas ainda sente o desgaste físico.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

4ª rodada: Surpresas

Irritado, Mourinho soltou o verbo na coletiva e não digeriu a derrota para o Levante (getty images)

Os jogos de domingo pela quarta rodada foram marcados pelas surpresas. Em seis jogos, três deles tiveram resultados que, antes da bola rolar, poucas pessoas apostariam. A principal, é claro, veio de Valencia: o Real Madrid de José Mourinho caiu para o Levante em um jogo polêmico e perdeu a invencibilidade na Liga Espanhola. Rayo Vallecano e Real Bétis, duas equipes vindas da Liga Adelante, também surpreenderam seus adversários: longe de seus domínios, venceram Getafe e Athletic Bilbao, respectivamente. A vitória no San Mamés garantiu à equipe verdiblanca a liderança da Liga Espanhola ao lado do Valencia.

Levante 1x0 Real Madrid
"Isento de culpa pela derrota apenas Kaká. O restante, incluindo eu, foram abaixo da média". As palavras de José Mourinho após o jogo no Ciutat de Valencia deixou claro que o Real Madrid fez sua pior partida na temporada. No meio da semana, contra o Dínamo Zagreb, já haviam atuado bastante mal, mas conseguiram sair com a vitória. Com Cristiano Ronaldo e Özil poupados (o português por sentir dores no tornozelo), o Real Madrid voltou a demonstrar muitos defeitos. E, pela terceira vez em seis jogos, teve um expulso. O cartão vermelho dado a Khedira tirou Mourinho do sério: "eles provocaram e Khedira caiu", disse o treinador, visivelmente irritado na coletiva pós-jogo.

O mal início dos jogadores da volância (Xabi Alonso, Khedira e Fabio Coentrão) já fazem Mourinho sentir falta daquele que nem estreou, mas é dado pelo treinador como a principal contratação no verão: Sahin. Contra o Levante, não houve jogo por esse setor e Kaká muitas vezes teve que recuar para fazer a bola chegar a Benzema. A opção por poupar Özil foi inexplicável: sem o turco-alemão e com a má partida de Xabi, os merengues bateram cabeça durante todo o jogo. O Levante pode se dar satisfeito não só pela vitória. Além de ganhar mais três pontos e parar o Real Madrid, os blaugrana chegaram à vitória através de Koné, contratado para substituir Caicedo, artilheiro da equipe na temporada passada e que rumou ao Lokomotiv. Se a grande incógnita da pré-temporada era saber que se a diretoria iria achar um substituto natural ao equatoriano, a resposta veio com um pouco de atraso, é verdade, mas em alto estilo.

Athletic Bilbao 2x3 Bétis
Antes do jogo, Marcelo Bielsa havia comentado que o crescimento do Athletic Bilbao após a vitória em Bratislava, pela Liga Europa, seria testado, de verdade, no duelo contra o Bétis. Acertou em cheio, ironicamente, o treinador argentino: os bascos foram sufocados pelos verdiblancos e perderam em plena Catedral. O 3-1-3-3 que El Loco tanto insiste novamente deu errado e os euskaras foram um caos. Os aficionados já têm demonstrado impaciência: após o término da primeira etapa e do jogo, vaiaram o treinador, a quem havia creditado muita confiança. Muniain e Llorente foram os únicos que se salvaram da "ira" da torcida. O jovem, diga-se de passagem, a cada dia tem deixado de se tornar o xodó da torcida para tornar-se um ídolo.

A vitória no País Basco ratificou que o Bétis não voltou à elite à toa: segundo palavras de seu treinador, Pepe Mel, após o jogo, os andaluzes vão brigar por alguma competição europeia. O Bétis jogou como quis na Catedral: inteligente, marcou sob pressão e não deixou a bola rodar no meio-campo rojiblanco. Jonathan Pereira foi um demônio na esquerda e impediu que Iraola subisse para ajudar o ataque. Na frente, Santa Cruz, apesar de não ter marcado, teve papel importante. Contudo, Pepe Mel ainda tem algo a corrigir em sua equipe: nos minutos finais, o Bétis passou por apuros justamente por não ter matado a partida. Foram, na segunda etapa, mais de cinco ocasiões para sentenciar a partida. No mais, início verdiblanco é digno de aplausos e boa fase pode continuar. Os próximos cinco jogos não irão requer mais esforço dos comandados de Mel.

Atlético de Madrid 4x0 Racing Santander
De pouco em pouco o Atlético de Madrid vai se encontrando na temporada. Após deixar uma imagem positiva no jogo contra Valencia e Celtic, o Atléti enfim convenceu. Escalado no 4-2-3-1 tornava-se um 4-3-3 nas jogadas de ataque, os rojiblancos parecem, após muito tempo, ter um meio-campo de respeito. Reyes, à direita, Diego, centralizado, e, principalmente, Arda, à esquerda deram um recital. À frente, Falcão García decidiu e confirmou sua fama de goleador: triplete e promessa de briga pela artilharia. A consistência defensiva também começa a aparecer. Já adaptado à equipe, Mirando brilha a cada jogo e Álvaro Domínguez é um bom companheiro de zaga. Se, por um lado, Manzano comemora o aparecimento do bom futebol de sua equipe, por outro lado Héctor Cúper começa a se preocupar. O Racing Santander foi inócuo no Vicente Calderón. Não criou nenhuma oportunidade de perigo e mostrou bastante insegurança defensiva. Desse jeito, como disse o treinador, vai ser bastante complicado.

Zaragoza 2x1 Espanyol
No primeiro jogo entre Luis García e o Espanyol, o meio-campista deitou e rolou para cima de seu ex-clube. Além do doblete providencial, sendo o gol da vitória aos 49 da segunda etapa, o veterano esbanjou classe jogando aberto à esquerda na linha de quatro. Apesar da derrota, o Espanyol sai de campo com a cabeça erguida: fez um primeiro muito bom, mas não teve muita sorte na finalização. Javier Aguirre, treinador do Zaragoza, admitiu que "um empate seria o resultado mais justo". O Zaragoza, por sua vez, teve de positivo o poder de reação: após a expulsão de Javi López e a lesão de Verdú, melhor em campo, o Espanyol recuou, chamando mais os maños para seu campo. Quando parecia que o um a um seria o placar final, eis que apareceu Luis García para decretar a vitória maña, que se recupera no campeonato após a má estreia. Os aragoneses ainda não convenceram, mas já deram um passo à frente. Os catalões, por outro lado, vão de mal a pior a cada rodada.