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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

18ª rodada: Reencontro com o bom futebol

O Villarreal não venceu, mas o futebol mostrado no primeiro jogo no ano animou (AP Photos)

Villarreal 2x2 Valencia
O Villarreal jogou muito bem durante um tempo e conseguiu encurralar o Valencia e marcar duas vezes. Molina estreou escalando o óbvio: 4-4-2 na forma de um quadrado, com Cani e Borja Valero abertos pelos flancos. Opção confiável. Cani voltou a jogar bem, como ainda não havia feito na atual temporada, e Valero segue regular. Na frente Nilmar deu trabalho à zaga ché e Rúben marcou um belo gol. No segundo tempo, entretanto, o jogo foi mais parelho em relação aos primeiros quarenta e cinco minutos e o Valencia conseguiu achar um gol nos minutos finais com Aduriz, após falha de Gonzalo. Os três pontos não veio, mas a esperança de um 2012 melhor é plausível no ambiente amarillo, que, paradoxalmente ao futebol demonstrado no dérbi, entrou na zona de rebaixamento pelos resultados desfavoráveis na rodada.

Espanyol 1x1 Barcelona
O dérbi de Barcelona foi mais uma vez o dérbi de Maurício Pochettino. Se Guardiola leva a melhor sobre a maioria dos técnicos em confrontos, tem o treinador périco como uma pedra no sapato. Mais uma vez, o argentino conseguiu deter o Barcelona. Armou uma tática interessante, de pressão constante no meio-campo, e conseguiu tirar dois pontos cruciais do rival regional. O promissor Álvaro Vázquez marcou o gol que fez jus à partida nos minutos finais. Messi, muito bem marcado, fez uma partida horrível, assim como Sánchez, que desperdiçou muitos gols, no lado azulgrená. Fàbregas e Daniel Alves foram os mais lúcidos. Notável, no lado blanquiazul, a partida de Sergio García, que deu bastante trabalho a Piqué e Puyol.

Real Madrid 5x1 Granada
O Granada chegou a se iludir. Mikel Rico marcou o gol de empate logo após o tento de Benzema e, num período de dez minutos, os andaluzes mandaram na partida. Mas só foi Sergio Ramos marcar de cabeça o gol de desempate para o jogo fluir. Tudo conspirou a favor dos merengues: Benzema voltou a marcar, ratificando a excelente fase, a zaga se ajustou e não passou perigo no segundo tempo e Özil jogou muito bem. Talvez a melhor notícia. Foram três assistências que podem elevar a moral do turco-alemão. O ponto negativo foi o, quem diria, o gol de Cristiano Ronaldo, que não comemorou e foi criticado pela imprensa espanhola.

Málaga 0x0 Atlético de Madrid
Como no caso do Villarreal, o mesmo se aplica ao Atlético. Na estreia de Simeone, vimos uma equipe séria, centrada e bem no que propôs a fazer. A partida muito aberta foi uma das melhores da rodada. Ofensiva, as duas equipes jogaram para frente; mas, ironicamente, não fizeram o mais importante, gol. O Málaga dominou o segundo tempo e tem o que lamentar, pelo fato de ter jogado duas bolas na trave. Atrevido, tiveram chances reais com Isco e Rondón. Uma boa imagem antes da partida decisiva de logo mais contra o Real Madrid. Por sua vez, o Atlético de Madrid mostrou uma faceta diferente. Demasiadamente sério, incorporaram o melhor Simeone. Com disposição, brigaram por todas as bolas e o empate pode ser comemorado. Demasiadamente sério, as esperanças de um futuro melhor são grandes em Manzanares.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Pagando pela incompetência

Stamford Bridge tem sido um pesadelo para o Valencia nos últimos anos. Chés perdem para o Chelsea e não vão às oitavas da Champions (getty images)

O Valencia deu adeus à Uefa Champions League. A derrota para o Chelsea em Stamford Bridge condicionou a classificação ché, que necessitava apenas de um empate para avançar de fase pela segunda vez consecutiva. Junto com o Villarreal, que já havia sido eliminado da competição há duas rodadas, o Valencia deixa para Barcelona e Real Madrid a representação da Espanha no principal torneio do velho continente. Pela primeira vez desde 2004/2005 apenas duas equipes espanholas seguem vivas na primeira fase fase do mata. Na ocasião, Deportivo e Valencia caíram em seus grupos. Ao Valencia, fica o prêmio de consolação: a vaga na Liga Europa, pela terceira colocação do grupo.

Mesmo tendo quase 69% da posse de bola, perder em Londres é aceitável. A sensação, correta, é de que o Valencia falhou além da conta nos três jogos diante de Chelsea, Genk e Bayer Leverkusen, nas primeiras três rodadas, que acabaram por eliminar da Champions a terceira melhor equipe da Espanha. No entanto, a "lerdeza" futebolística na Bélgica, as falhas capitais na Alemanha e os muitos descuidos defensivos no jogo de ontem não devem sacrificar um trabalho que, de forma geral, tem sido muito bem administrado. O que vai ficar marcado nesta campanha valencianista é a maneira com a qual, principalmente, a equipe perdeu pontos contra Genk e Bayer Leverkusen. Não se pode empatar por 0 a 0 com uma equipe que foi o saco de pancadas do grupo e, na visita ao Mestalla, perdeu de 7 a 1, o que deixa mais claro a incompetência blanquinegra.

O que parece, também, é que alguns jogadores sentiram o peso de uma "final". Ontem, todo o sistema defensivo que, até então, estava bastante sólido pareceu estar em um outro mundo. Já havia sido assim contra Barcelona e Real Madrid, nos dois principais jogos dos comandados de Unai Emery na Liga. Víctor Ruíz, principalmente, falhou quando não poderia: deixou Ramírez se antecipar à marcação e marcar um gol que praticamente sentenciou a classificação londrina. Na frente, mais decepções: Soldado foi um zero à esquerda e caiu levemente na marcação de Terry, muito por causa das partidas desastrosas daqueles que o dão suporte. Feghouli e Jonas erraram tudo que tentaram e não levaram perigo à meta de Cech.

O sorteio impôs aos valencianos um Bayer que mostra-se uma verdadeira incógnita e um Chelsea forte, dedicado e repleto de referências ofensivas treinado pelo competente Andrés Villas Boas. Talvez, algumas ideias de Unai continuam sendo bastantes erradas. Poupar Pablo Hernández em dentrimento de centralizar Jonas, não acostumado à posição, é uma delas. Sem qualidade no passe, o brasileiro foi, de fato, mal improvisado na linha de três. Jordi Alba e Mathieu têm ido muito bem na esquerda, mas o fato de Unai deixar com lateral um garoto franzino ao invés do francês, mais experiente, também é um erro. Por ali, Sturridge deu trabalho, apesar de estar em um mal dia. Mata, mais centralizado, foi um inferno para Tino Costa e Albelda e Drobga deu show contra o esteio defensivo ché. O ex-Valencia só fez valer a lei do ex por completo: deu duas assistências para os gols de Drogba.

O pior é que a iminente eliminação mal tem um lado positivo. Uns dizem que o Valencia pode se dedicar mais à Liga Espanhola e se concentrar para terminar em terceiro novamente. Os chés podem, também, dar mais atenção à Copa do Rei, competição onde não chega ao menos na semifinal há cinco temporadas, e à Liga Europa, para tentar ganhar um dinheiro bom em caso de título (Unai afirmou ontem após a partida que vai, sim, buscar o título europeu). Até vai, mas o elenco é grande e homogêneo o bastante para anular qualquer problema de cansaço. Unai erra, mas não tem outro técnico competente no mercado - talvez Rafa Benítez, que já aprovou uma possível volta ao Mestalla. Os chés não devem maximizar o fracasso, porém tem muito a lamentar.

Lá em Barcelona...
... se alguém falasse que o Barcelona B disputou um jogo de Champions pela primeira vez em sua história não seria nenhuma mentira. Do 11 inicial, mais da metade dos jogadores fazem parte da equipe que disputa a Liga Adelante. Jonathan dos Santos, Sergi Roberto, Marc Bartra, Rafinha Alcântara, Martin Montoya e Isaac Cuenca começaram como titulares e ganharam bastante pontos com Guardiola. Principalmente Cuenca, que volta e meia aparece como titular da equipe A e é, curiosamente, o líder de assistências dos blaugranas na Champions.

A vitória por 4 a 0 ante o BATE foi uma boa para Pedro, que marcou duas vezes e ganhou uma injeção de ânimos. "Ele liderou uma equipe repleta de jovens. Foi magnífico", disse Guardiola na coletiva pós-jogo. Pedro dificilmente será titular no superclássico de sábado, mas começa a reconquistar a confiança do treinador, que, hoje, tem Alexis Sánchez, Villa e até mesmo Cuenca à frente do canário como escolhas para fazer parte do onze inicial da partida no Bernabéu.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Polivalente

A polivalência de Fàbregas caiu como uma bênção para Guardiola (AP Photos)

Já classificados para a fase mata-mata da Uefa Champions League, Milan e Barcelona fizeram um jogo bastante agradável no San Siro, em Milão. A vitória por 3 a 2 garantiu a primeira colocação do grupo H ao Barcelona, que na última rodada recebe o Bate Borisov apenas para cumprir tabela. Além da vitória, outro ponto de destaque foi a formação inicial de Guardiola: um 3-4-3 marcado pela titularidade de Fàbregas como falso nove, ao lado de Messi e Villa, que por muitas vezes no jogo revezaram as posições.

Cesc não fez gol, mas teve uma atuação sobressaliente, provando que foi um grande acerto dos blaugranas no mercado. Hoje, Guardiola pode usá-lo em até quatro posições diferentes no campo. Fàbregas pode substituir Xavi, Iniesta, Messi e também um dos atacantes de lado de campo, como contra os rossoneris, com remanejamento do meio de campo. Faz sentido o esforço do Barcelona e a fortuna de quase 40 milhões de euros para repatriar o jogador. Paulo Calçade, comentarista dos canais Espn e simpatizante do clube catalão, fez um comentário bastante interessante sobre o camisa quatro. Fábregas é um símbolo do que Guardiola pretende para esta temporada: mobilidade e flexibilidade tática.

Outro ponto positivo de Fàbregas é a compatibilidade com Thiago Alcântara. Contra o Milan, foi a quinta vez que os dois começaram uma partida juntos, caindo por água abaixo os comentários de que os dois não dariam certos. A ascensão de Thiago Alcântara é notável mesmo com a chegada Cesc. O hispano-brasileiro tem mostrado personalidade e, substituindo Iniesta, não deixou a fluência da bola no meio-campo escapar. Se, para muitos, Thiago poderia sair dos eixos com a chegada de Fàbregas, Guardiola mostra que tem confiança no jogador, que, por sua vez, aparece como grande opção para desafios maiores.

O ponto negativo do 3-4-3 continua sendo a exposição da defesa. Embora Daniel Alves, talvez um dos que mais tenha não se adaptado ao esquema, não estivesse em campo contra os milaneses, a defesa continuou muito adiantada. A utilização de Puyol no lugar do brasileiro, contudo, acabou com o buraco enorme que ficava no lado direito da defesa quando o baiano jogava neste esquema. Contra o Milan, a defesa com Puyol, Macherano e Abidal, com Busquets saindo pra jogar e retornando pelo centro, perto de Keita, enfrentou um adversário com muita vontade de jogar. Precisando da vitória, a equipe de Alegri buscou o jogo ofensivo sempre, postura diametralmente oposto àquela vista pelo Barcelona nos confrontos contra a Inter, no mesmo estádio, há duas temporadas.

A obsessão de Guardiola pela posse de bola é uma das razões pela continuação do uso do esquema com três defensores. Na nova tática, os azulgrenás tomam por completo o meio-campo adversário. Apesar disso, o 3-4-3 não tem caindo nas graças dos torcedores, que, em uma votação promovida pelo site Mundo Deportivo, querem a volta do 4-3-3 clássico nos jogos de maiores dificuldades. Perguntado sobre um possível uso do esquema contra o Real Madrid, no superclássico do próximo dia 10, Guardiola deixou no ar: "ainda não perdemos jogando com três zagueiros, né? Até lá, muita água ainda vai rolar", disse o treinador.

Os dois lados da moeda
O Valencia cumpriu sua parte e venceu o Genk, no Mestalla, por 7 a 0. Soldado, com um hat-trick, chegou a seis gols e se juntou a Messi e Mário Gomez na artilharia da Champions. Contudo, Unai Emery certamente não contava com a vitória do Bayer Leverkusen contra o Chelsea na Alemanha, que praticamente classificou os alemães e deixou o jogo entre Chelsea e Valencia, na última rodada, em Londres, como decisivo. O treinador contava com uma vitória dos blues, que se classificariam e entrariam em campo contra o Valencia, provavelmente, mais "relaxados". Agora, é decisão. No Mestalla, deu empate por 1 a 1. No Stamford Brigde, o Valencia joga pelo empate. Quem passa?

domingo, 6 de novembro de 2011

12ª rodada: Quem manda aqui somos nós

O dono da cidade: Valencia vence dérbi local contra o Levante e ultrapassa os rivais na tabela, ficando a quatro pontos do líder Real Madrid. Brigará por título? (getty images)

Três jogos abriram a décima-segunda rodada da Liga BBVA. Entre eles, destaque para o dérbi valenciano mais importante dos últimos anos: Levante e Valencia entraram no Ciutat de Valencia pela primeira vez em um dérbi onde as duas equipes chegavam em posições favoráveis na tabela. O resultado final foi uma decepção para os torcedores granotas: o Levante foi derrotado em casa por 2 a 0 e deixou de vez as primeiras posições. O Valencia, por sua vez, chegou aos 24 pontos e, de praxe, ultrapassou os rivais locais, ganhando moral para o próximo desafio: a quatro pontos do Real Madrid, receberá na próxima rodada os merengues, querendo diminuir a diferença e se estabelecer na briga pelo título. Nos outros jogos, dois 0-0 insonssos entre Mallorca-Sevilla e Bétis-Málaga.

Levante 0x2 Valencia (Victor Mendes)
A cidade de Valencia tem um novo dono: o tradicional Valencia venceu o dérbi local e já está à frente na tabela dos ex-líderes do campeonato. A vitória foi motivo de zoação da Curva Nord, torcida organizada ché, que entoaram após o jogo que "Valencia é blanquinegra!". Em um dérbi quente, o Levante começou melhor e teve a oportunidade de abrir o placar cedo: após boa jogada de Barkero pela direita, Koné chutou de primeira para bela defesa de Guaita. À medida que o Valencia foi tomando conta da posse de bola, os chés começavam a criar mais oportunidades reais. E em uma enfiada de bola sensacional de Tino Costa para Jordi Alba, o lateral saiu na cara de Munúa, mas acabou travado por um desastrado Javi Venta, que marcou contra a própria porteira. Tino Costa ainda viria a aparecer positivamente na segunda etapa: o volante arriscou um chute de longe e Munúa aceitou, no gol que sentenciou o resultado.

O argentino, que inventou o um a zero e marcou o dois a zero, fez uma partida impecável e foi com justiças eleito o melhor em campo. Num período de vacas magras para os armadores do Valencia, com as lesões de Banega e Canales, o argentino substituiu à altura seu compatriota na volância e mostrou a Unai Emery que é uma excelente opção no período de baixa de Banega. Feghouli, substituto de Canales, voltou a fazer uma partida notável: escalado pelo flanco direito no 4-4-2 - tática que foi bastante elogiado pelos críticos espanhóis -, o francês mostrou o futebol que o consagrou no Grenoble e levou a Paterna. Um verdadeiro furacão para Juanfran, que não conseguiu pará-lo em nenhum momento.

Outro ponto destacável na partida ché foi a dupla de zaga formada por Rami e Víctor Ruíz, que vai esbanjando confiança. A atuação soberba da dupla é uma esperança de Unai Emery para parar o poderoso ataque do Real Madrid, próximo adversário do Valencia. Derrotado e, agora, na quarta colocação, o Levante perdeu também a invencibilidade em casa. Juan Ignácio Martínez colocou uma equipe bastante ofensiva, mas seu 4-2-3-1, inicialmente, foi a campo para fechar os espaços blanquinegros. Entretanto, como bem destacou Ballesteros após a partida, faltou aos azulgrenás mais agressividade. Nem de longe o Levante lembrou a equipe que vinha encantando nos jogos anteriores. Acuados, os granotes pareciam sentir o peso de um dérbi importante e foram engolidos por um Valencia que, a cada jogo, vai encontrando o caminho do sucesso.

Mallorca 0x0 Sevilla
O melhor Mallorca desde a chegada de Joaquín Caparrós ao comando técnico balear não foi o suficiente para bater Javi Varas, surpresa mais do que positiva da temporada. Em mais uma grande partida do goleiro andaluz, o Sevilla conseguiu levar um ponto suado a Nervion. Se não vence fora de casa há quatro partidas, ao menos Marcelino Toral tem algo a comemorar: não tem sofrido gols. Escudé e principalmente Spahic têm atuado com bastante solidez e a retranca feita contra o Barcelona já havia sido notável. Um dos méritos do treinador foi ter recuperado o bom futebol de Jesus Navas e se conseguir tal feito com Rakitic seria uma boa. O croata está distante do futebol que o levou à seleção do campeonato passado feito pelo blog no Balanço Final e está longe da forma física ideal. Na ausência de Negredo e Rakitic, o treinador optou estranhamente por jogar com Manu Del Moral na referência. Pelo lado balear, como bem destacou Caparrós, essa é a linha a seguir, mas falta concluir com mais êxitos.

Bétis 0x0 Málaga
Em uma das piores partidas da temporada, Bétis e Málaga fizeram um clássico regional sem nenhuma emoção e sem nenhum gol. O empate teve sabor quase que igual para as duas equipes: enquanto o Málaga vai perdendo o contato com o pelotão da Champions e vê Rayo Vallecano e Espanyol se aproximarem na tabela, o Bétis somou seu sétimo jogo sem conhecer os três pontos. Após viver um paraíso, os verdiblancos já sem veem no inferno: com 13 pontos, está a quatro pontos da primeira equipe da zona de rebaixamento, o Granada. A boa notícia para os anfitriões foi a boa partida da promessa Pozuelo, que começou como titular e saiu de campo aplaudido para a entrada de Matilla. Jogando aberto pela direita, o jogador, que foi comparado a Messi quando mais novo, levou perigo duas vezes à meta de Caballero. O Málaga, por sua vez, sentiu a goleada sofrida para o Levante há quatro rodadas. Desde a partida contra os granotes, quando vivia uma boa fase, os blanquiazules não conseguem atuar com brilhantes. Apesar de ter à disposição jogadores com talento, falta algo a mais para a equipe de Pellegrini, que, pelo incrível que pareça, não está preocupado com os últimos resultados.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Classificação possível

Jogadores do Valencia comemoram o gol de Soldado, que decretou a virada ché: classificação às oitavas-de-finais é possível (getty images)

O Valencia entrou em campo para enfrentar o Bayer Leverkusen com a real perspectiva de que, em caso de derrota, daria adeus às possibilidades de avançar de fase. mas bastou o primeiro toque de um jogador ché na bola para a tensão dar lugar a euforia. Com um gol de Jonas aos onze segundos de jogo (segundo gol mais rápido da história da Champions League), o Valencia saiu na frente dos alemães, que chegariam ao empate ainda na primeira etapa, com Kiessling. Os gols da vitória valenciana, contudo, sairiam apenas na segunda etapa, com Soldado e Rami.

Logo após o apito inicial do sueco Jonas Erlkson, o placar foi inaugurada: após saída de bola errada do goleiro Leno, Jonas chutou de esquerda, à direita do alemão, para colocar o Valencia na frente e tranquilizar a situação blanquinegra. Uma má notícia, contudo, assolou a boa partida que o Valencia vinha fazendo. Destaque da equipe nos últimos jogos, Banega sofreu um traumatismo no joelho direito e saiu de campo chorando, ao mesmo tempo em que era ovacionado pelos aficionados chés, para a entrade de Tino Costa. Exames médicos feitos hoje de manhã em Paterna revelaram que o argentino será baixa por um mês e meio.

O episódio deu uma desanimada no ímpeto valenciano, que diminuiu e resultou no gol de empate do Bayer. Após receber na esquerda, Ballack levantou na medida para Kissling, até então muito bem marcado por Víctor Ruíz, cabecear firme às redes de Diego Alves. O ex-Chelsea foi um dos melhores em campo no confronto, sempre ditando o ritmo de sua equipe. Se movimentando com inteligência e jogando centralizado na linha de três, foi um pesadelo para o meio-campo blanquinegro.

Na segunda etapa, o reencontrou o equilibrou e a calma para chegar ao resultado. O Leverkusen manteve um ritmo de jogo rápido e procurou manter o controle do jogo, já que o momentâneo empate era favorável. Contudo, a estratégia do treinador Dutt caiu por água abaixo logo aos 10' da segunda etapa. Mathieu, um dos melhores em campo, desceu em velocidade pela esquerda e cruzou rasteiro para o artilheiro Soldado desviar de calcanhar e desempatar a partida. Depois foi a vez de entrar em cena Tino Costa. O substituo de Banega cruzou na medida para Rami, que subiu mais toda a defesa alemã e cabeceou firme à meta de Leno, sentenciando a vitória do Valencia.

Agora, a sorte está do lado do Valencia. Se o Chelsea, que empatou com o Racing Genk por 1 a 1, derrotar o Leverkusen e, na mesma rodada, o Valencia derrotar o Genk no Mestalla, um empate entre blues e chés, na última rodada, classificaria as duas equipes. Agora, os comandados de Unai Emery se preparam para o dérbi que farão contra o Levante, no domingo, pela Liga Espanhola.

Em Praga...

... Messi marcou mais três, garantiu a classificação blaugrana e seguiu fazendo história: 202 gols com o uniforme azulgrená (reuters)

O resultado do duelo em Camp Nou se repetiu na República Tcheca pelo simples fato de que o Viktoria impôs a mesma dificuldade que no outro confronto, mas não teve qualidade técnica suficiente para derrotar o time espanhol e, mesmo assim, não lamentou. Perderam para os melhores do mundo. O gol saiu aos 23', após o Barça pressionar muito e o Viktória ter tido uma grande oportunidade de abrir o placar, em cobrança de pênalti precisa de Messi, que havia sofrido a infração no minuto anterior. O argentino recebeu na área e foi derrubado por Cisovsky, que acabou devidamente expulso. Na batida, Messi deslocou Pavlik e abriu a contagem, naquele que foi seu gol de número 200 pelo Barcelona. Depois de muito pressionar e detendo quase 70% da posse de bola, o Barcelona aumentaria o placar aos 46', após boa tabela com Adriano, que deixou Messi na cara do gol, para bater na saída do goleiro e aumentar a vantagem.

As limitações do Viktoria eram visíveis e com um a menos ficou ainda mais complicado para o time de Pilsen reagir na partida. Sem sair do campo de defesa, os anfitriões ficaram reféns do ímpeto azulgrená, que quase resultou em gol aos dois minutos, com Fabregas, aos nove com Messi e aos 21', com Thiago Alcântara, que acertou o travessão em cabeceada. O Barça seria premiado aos 26', com o eficiente Fabregas, que recebeu cruzamento preciso no meio da área depois de jogada armada por Cuenca. O camisa 4 cabeceou no canto e selou a vitória da equipe espanhola que, depois disso, lançou mão até mesmo de Aléxis Sánchez, que ficou dois meses afastado dos gramados. Sem que o chileno pudesse mudar o panorama da partida, o Barcelona manteve a absoluta posse de bola e só tocou de lado esperando o apito final. Entretanto, Messi é imprevisível, do mesmo modo que o Barcelona. Com toque de calcanhar do zagueiro Piqué, o argentino marcou o quarto e fechou a conta.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Viktória curta

Enquanto Messi desperdiçou cinco chances claras de gols, Iniesta aproveitou a única que teve para marcar (reuters)

Os prognósticos do duelo do Barcelona contra o Viktória Pilsen indicavam uma goleada acachapante dos azulgrenás. Entretanto, o que se viu na noite de quarta-feira no Camp Nou foi um Barcelona para lá de opaco e preguiçoso e que desperdiçou muitas oportunidades fazer apenas 2 a 0 na equipe da República Tcheca. No outro jogo do grupo, o Milan passou fácil pelo BATE pelo mesmo placar e, como tudo indicava antes, está, assim como o Barcelona, próximo de avançar de fase. Blaugranas e rossoneris farão, portanto, um duelo decisivo em Milão pela liderança do torneio, que, na teoria, reserva um caminho mais fácil nas oitavas-de-finais.

Para enfrentar o Viktória, Guardiola voltou a abdicar do 3-4-3 que havia utilizado nos primeiros jogos da temporada. Assim como na partida contra o Racing Santander, o 4-3-3 voltou a ser o esquema tático. Curiosamente, a volta do módulo tático que consagrou este Barcelona vem após declarações de Pedro "reclamando" de sua nova posição no esquema. O canário, que é o xodozinho de Pep no elenco, havia dito que vai demorar muito para se adaptar à nova forma de jogar, recompondo as subidas de Daniel Alves. Pedro, inclusive, vinha fazendo a cobertura pelo lado direito muito mal: nos jogos contra Milan e, sobretudo, Valencia, viu-se um buraco enorme no setor direito da defesa barcelonista.

O gol de Iniesta logo no início do jogo condicionou a partida. Após isso, o Barcelona até tentou marcar mais, mas pecou muito nas finalizações. Ao término, foram 22 chutes a gol dos blaugranas, sendo que apenas seis foram em direção às redes de Cech. Se há uma notícia relevante para Guardiola é justamente a partida de Iniesta. Se, contra o Racing Santander, o meio-campista já havia ido muito bem mesmo não estando 100% (volta de lesão), contra o Viktória, El Albino voltou a repetir a bela atuação de outrora: melhor em campo, foi um dos poucos barcelonistas a buscar sempre o gol, ao lado de Messi.

Messi foi um caso à parte do jogo. La Pulga esteve muito bem em campo; entretanto, não concluiu suas jogadas com os êxitos vistos antes. Vale lembrar que Messi busca pela quarta vez consecutiva a artilharia do principal torneio do velho continente, algo nunca registrado anteriormente. Se o ataque não esteve em noite feliz, pelo menos a defesa não foi vazada. Até porque, os tchecos não ameaçaram as redes de Valdés em nenhum momento dos noventa minutos. O goleiro catalão, aliás, está a cinco jogos sem receber um gol. No total, já são 517 minutos sem sofrer um gol, o que deixa Valdés a 60 minutos de superar seu recorde de outrora.

O jogo sem sal no Camp Nou não é o primeiro e nem será o último do Barcelona contra essas equipes inferiores pela fase de grupos da LC. Os azulgrenás não costumam, de umas temporadas para cá, dar show atuando em seus domínios (à exceções, como nos duelos contra Inter e Panathinaikos). Na temporada passada, por exemplo, o Barcelona repetiu os 2 a 0 de ontem contra o Copenhagem em um jogo tão chato quanto contra o Viktória. Na coletiva, Iniesta e Mascherano trataram de amenizar a vitória curta, e falaram que nem sempre é possível ganhar dando show.

O dia depois do jogo contra o Viktória foi de festa. A diretoria do Barcelona inaugurou oficialmente nesta quinta-feira a nova sede da La Masia, o famoso centro de treinamento das canteras azulgrenás. Após 31 anos, a estrutura das divisões de base do clube mudou de lugar e agora está em um prédio de 6 mil metros quadrados, dois andares, com capacidade para 83 pessoas e salas para estudo dos jovens. Segundo informou o diretor de La Masia, Carles Folgueroles, a garotada fará reforço escolar diariamente de 12h às 18h. Também há espaço para o lazer: uma sala de jogos conta com videogame e internet sem fio liberada. Ontem, Guardiola promoveu a estreia oficial de Isaac Cuenca, que entrou no final da partida no lugar de Villa. Foi o décimo-oitavo canterano a estrear desde que Guardiola assumiu o clube, em 2008.

Ih, Valencia!
O outro espanhol a entrar em campo nessa quarta-feira foi o Valencia. Mas ao contrário do Barcelona, que está com a vaga caminhada às oitavas-de-finais, os chés se complicaram ao perder para o Bayer Leverkusen por 2 a 1. Jonas abriu o placar na primeira etapa, dominada completamente pelo Valencia. Entretanto, a queda na postura foi nítida nos quarenta e cinco minutos finais e, não fosse por Diego Alves, o resultado poderia até ter sido mais elástico. A derrota não caiu bem em Paterna. Hoje, as peñas oficiais do clube blanquinegro acusou a equipe de falta de dignidade e entrega e exigiram uma mudança radical nas atitudes dos jogadores. Além disso, criticaram Unay Emery, a quem qualificaram como um treinador "sem sangue". Pela Champions, já são seis jogos sem vencer (a última vitória foi contra o Bursaspor, na quarta rodada da LC passada). Na terceira colocação e a quatro do Bayer, os chés farão um jogo decisivo contra os alemães na próxima rodada, atuando no Valencia. Um empate eliminará virtualmente a equipe comandada por Unai Emery.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Campeones Del Mundo: David Villa

David Villa foi artilheiro da Fúria nos dois últimos grandes torneios disputados e o Barcelona o contratou a peso de ouro (fifa.com)

Talvez ele não tenha o devido valor. Mas o reconhecimento que tem, para ele, já é mais que suficiente. Afinal, para o garoto nascido em um vilarejo de Langreo, o que conta são as pequenas coisas da vida. E, para isso, vale levar essa paixão de terceira divisão para o palco da final da Copa do Mundo.

David Villa tem uma trajetória incomum para os modernos tempos do futebol espanhol, recheados de super craques e transferências astronômicas de craques do exterior. "El Guaje" foi galgando espaços em clubes de maior dimensão aos poucos, chegando a um dos gigantes espanhóis apenas aos 28 anos, após já ter inclusive consolidado uma posição entre os titulares da Fúria.

Na infância, David fraturou o fêmur da perna direita. O fato o obrigou a aprender a chutar com o outro pé, moldando desde pequeno um dos ambidestros mais letais do futebol moderno. Mesmo com essa característica, aos nove anos, foi recusado pelas categorias de base do Real Oviedo, sob a alegação de ter pouca força e baixa estatura. A força, com o passar do tempo nas categorias de base do time local de Langreo, ele adquiriu. Já o 1,72m de altura nunca foram problema para um atacante de tantas outras virtudes.

Debutou entre os profissionais já pela equipe B do Sporting Gijón, onde ficou por duas temporadas. Estreou no time principal em uma partida da temporada 2000/01, mas se consolidou na equipe nos dois anos seguintes, onde teve média de quase meio gol por jogo, apesar de não ter conquistado o acesso para a primeira divisão. A vice artilharia na competição chamou atenção do Real Zaragoza, que havia conquistado o acesso com a segunda colocação. Três milhões de euros mais o passe do croata Mateo Bilic.

Em Zaragoza foram dois 12º lugares na Liga Espanhola, um título da Copa do Rei e 31 gols, desempenho que chamou atenção do Valencia, adversário derrotado na final da Supercopa local em 2004. Valendo quatro vezes mais que o valor pago duas temporadas antes, David Villa chegou à Valencia como solução para um ataque que tivera em Marco Di Vaio seu último artilheiro com apenas 11 gols na temporada 2004/05. "El Guaje" foi as redes por 25 vezes na sua primeira temporada, marca que chamou atenção de Luis Aragonés, técnico da Fúria que o convocou para o Mundial da Alemanha.

Seu único título com os "Ches" foi a Copa do Rei de 2007/08, mas o ambidestro asturiano continuava amedrontando as defesas adversárias. Na seleção, o desafio era cumprir de forma inédita o favoritismo e vencer a Euro 2008. Com quatro gols, foi o artilheiro do torneio e ajudou a amenizar o estigma de seleção "amarelona" da Fúria. A performance de Villa na seleção fechou o ciclo de um dos maiores ícones do futebol espanhol com a camisa do país: Raúl foi perdendo o espaço e a camisa sete para o asturiano, que apesar de não considerar-se um rival do ex-madrilenho, quebrou grande parte dos recordes obtidos pelo agora atacante do Schalke 04.

Mais 28 bolas na rede na temporada 2008/09 fizeram de "El Guaje" alvo dos galácticos de Madrid. Mas o clube merengue não entrou em acordo financeiro com o Valencia e Villa permaneceu nos Ches. A consolidação na seleção e no clube eram o trunfo do camisa sete para mais uma temporada de sucesso, mas nem ele, nem ninguém, esperava que tudo fosse ficar ainda melhor.

A temporada 2009/10 seria a última em Valencia e culminou com o título da competição de seleções mais importante do mundo. No Mundial, Villa superou a inoperância de seu companheiro de ataque (leia-se Fernando Torres) e foi co-artilheiro do Mundial com cinco gols. Villa marcou gols de grande importância, como os únicos tentos das vitórias diante de Portugal e Paraguai, sendo reponsável direto pela chegada da Espanha entre os melhores da competição. Nas fases finais, não brilhou com gols, mas já tinha dado sua contribuição efetiva.

O espírito coletivo demonstrado por ele ao longo da carreira, onde sempre procurou ser o mais efetivo quanto fosse possível, nunca chamando a atenção dos holofotes pra si, juntou-se ao fato dele ser o principal atacante de uma geração brilhante no país. E isso o levou para Barcelona, ao preço de 40 milhões de euros.

Em Barcelona, teria uma missão ingrata: substituir o sueco Zlatan Ibrahimovic, contratado a peso de ouro na temporada anterior e que não deu a resposta desejada por Josep Guardiola. Com El Guaje na equipe, o Barcelona impôs seu estilo de jogo contra todos os adversários e ganhou os dois principais campeonatos que poderia conquistar nessa temporada: o título nacional e a Liga dos Campeões. Com seu estilo de entrega total, Villa jogou grande parte da temporada como winger pela esquerda, avançado como todo time para marcar o adversário sobre pressão durante os 90 minutos e deixando o papel de falso nove para Lionel Messi.

Centroavante, ponta, atacante, não importa a nomenclatura. David Villa joga, se entrega, batalha pelo sucesso da equipe. Sua carreira demonstra isso. A trajetória dele é um sucesso, mas ele não quer o protagonismo. Ele gosta mesmo de ser o menino de Langreo, que admira o pequeno C.F. Tuilla, levando o clube consigo até na comemoração do maior título que um jogador pode conquistar. Villa é simples, como chutar com as duas pernas.

David Villa
Nome: David Villa Sánchez
Apelido: El Guaje
Nascimento: 3/12/1981
Local: Langreo, Asturias, Espanha
Clubes que Defendeu: Sporting Gijón, Real Zaragoza, Valencia e Barcelona
Títulos: Copa del Rey (2004 - Zaragoza / 2008 - Valencia); Supercopa (2004 - Zaragoza / 2010 - Barcelona); La Liga (2011 - Barcelona); Liga dos Campeões (2011 - Barcelona).
Seleção: 75 jogos e 47 gols (maior artilheiro da história da seleção espanhola)
Títulos com a Seleção: Euro 2008 e Copa do Mundo 2010 (em ambos, sendo o artilheiro do torneio)

sábado, 11 de junho de 2011

Balanço final: Valencia

Que dupla! Soldado e Mata deram o tom no Mestalla e fizeram com que a torcida mal sentisse a falta de David Villa e David Silva (UEFA.com)

Campanha: 3ª colocação. 38 jogos, 71 pontos, 21 vitórias, 8 empates e 9 derrotas. Classificado à fase de grupos da Liga dos Campeões.
Time-base: Guaita; Miguel (Bruno), Ricardo Costa, David Navarro, Mathieu; Topal, Tino Costa, Banega; Joaquín (Pablo Hernández), Juan Mata; Soldado.
Os Artilheiros: Roberto Soldado (18 gols), Aduriz (10) e Juan Mata (8)
O Técnico: Unai Emery
O Destaque: Roberto Soldado
A decepção: Alejandro Domínguez

A temporada 2009-10 terminou e uma incerteza se instalou no Mestalla: como o Valencia iria se virar sem Villa e Silva? O time reagiu bem, Mata e Pablo Hernández cresceram, Soldado chegou muito bem e, com isso, os valencianistas repetiram o terceiro posto, diminuindo a distância para o segundo colocado Real Madrid. Neste ano, a classificação direta à fase de grupos da LC foi ainda melhor, pois foi o rival Villarreal, que ficou pra trás. A 32ª rodada, que marcou o dérbi da comunidade valenciana, praticamente definiu a disputa do terceiro posto e deu muita moral aos ches, pois aplicaram uma manita no grande adversário, com show do centroavante Soldado. O camisa nove, que veio do Getafe, marcou 18 vezes e poderia ter feito mais, caso não tivesse se machucado durante a campanha.

O outrora coadjuvante Juan Mata foi o jogador que ficou por mais minutos em campo pelos ches, marcou oito vezes e cedeu 12 assistências, chamando a responsabilidade em momentos difíceis. Ao seu lado, ora Hernández ora Joaquín, pois nenhum dos dois teve a constância do camisa dez. O ex-jogador do Bétis subiu de produção mais para o meio do campeonato, já Pablo Hernández largou muito bem e voltou à seleção. Depois, ele caiu de nível, mas terminou o ano em alta e contribuiu ao todo com seis passes decisivos e cinco gols. O sistema defensivo também se comportou bem e ficou entre os quatro melhores de La Liga, sendo vazada apenas 44 vezes. Para o ano seguinte, a defesa terá dois reforços de muito peso: Diego Alves, goleiro que caiu com o Almería, mas que novamente mostrou seu valor e Adil Rami, zagueiro campeão francês pelo Lille e titular da seleção francesa de Blanc.

Em uma temporada muito boa, com todos os setores se comportando bem, a grande dúvida dos ches seguiu sendo a mesma: Alejandro Domínguez, que chegou credenciado por ser um dos líderes do Rubin Kazan campeão russo em 2009, mas é apenas mais um no futebol espanhol. Se a diretoria valencianista seguir acreditando no argentino, ele poderá “virar” e, finalmente, ser o reforço contratado no final de 2009. A crise financeira segue, por isso, o Valencia não deve fazer “loucuras” para qualificar o elenco, que terá três competições pela frente. Assim, Emery deverá voltar seus olhos para os jovens. Jordi Alba e Isco Román já apareceram timidamente nesta temporada e deverão ter mais minutos no ano que vem.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Jogadores Históricos: Santiago Cañizares

Cañizares foi símbolo de um dos melhores time da história do Valencia, clube com o qual mais se identificou (superdeporte)

Posicionamento perfeito, ótimo nas saídas de bola e goleiro de bom reflexo, Cañizares era garantia de segurança sob a baliza. Canterano do Real Madrid, foi campeão europeu e bi espanhol pelo time de Chamartin, mas foi destaque mesmo no Valencia. Em Paterna, Santi ganhou credibilidade nacional, assumiu a titularidade da Fúria e, além disso, colecionou mais dois espanhóis para seu palmarés. Antes de chegar ao auge de sua carreira, Cañizares passou por três clubes diferentes antes de se firmar em um: em 1992, após passagens sem sucessos por Elche, Córdoba e Merida, o goleiro se firmou na equipe titular do Celta Vigo, que disputava a Liga BBVA daquela época.

Nascido em Puertollano, província de Ciudad Real, em 1969, Santi começou a jogar futebol no
Severo Ochoa, pequeno clube de seu bairro. Embora tenha atuado em três posições diferentes durante sua juventude, foi no gol que o pequeno Cañizares sentia-se melhor. Em 1987, Eduardo Caturla, seu treinador à época, o encorajou para que fizesse testes nas canteras do Real Madrid, mas, apesar de ter sido revelado pelo clube merengue, Santi não tardou muito em sua primeira passagem no clube da capital. Em 1990, acertou sua transferência para o Elche, onde não durou muito tempo: em 1991, transferiu-se para o Mérida e um depois, para o Celta.

Porém, apesar de não ter sido titular nos dois primeiros clubes, El Dragón foi convocado para defender a seleção olímpica que iria disputar a medalha de ouro nas Olimpíadas de Barcelona. A Espanha acabou campeã, mas Cañizares foi banco de Toni durante toda campanha vitoriosa da seleção espanhola, que na final derrotou a Polonia por 3 a 2, com o gol da vitória vindo aos 45 minutos do segundo tempo a partir de Kiko. A história da carreira de Santi ganharia um novo rumo no clube de Vigo: em setembro de 1992, Cañizares enfim fez sua estreia na primeira divisão espanhola, em uma partida contra o Salamanca que terminou empatada em 0 a 0. Uma temporada depois, Cañizares assumiu a camisa um dos célticos e foi premiado por Javier Clemente, técnico da Fúria, que o convocou pela primeira vez à equipe principal da roja.

A partida, decisiva para o futuro da fúria, que brigava pela classificação à Copa do Mundo de 1994, marcou a estreia do goleiro com a camisa roja. Zubizarreta, o goleiro titular, acabou se envolvendo em confusão com o atacante norueguês e foi expulso. Sem alternativas, Clemente sacou Luis Enrique para colocar Cañizares, que, em apenas vinte minutos em campo, fez defesas essencias, que garantiu o 1 a 0 espanhol e a vaga direta ao Mundial. Na Copa dos Estados Unidos, viu do banco a eliminação diante da Itália de Baggio, autor de um doblete. Na volta à Galícia, uma grata surpresa: o goleiro acertou seu retorno ao Real Madrid, que queria desbancar a hegemonia barcelonista. No entanto, a segunda passagem do goleiro pelo clube merengue foi bem semelhante à primeira: Cañizares nunca conseguiu se firmar na porteira blanca e, após a ida de Capello ao comando técnico, ficou com a credibilidade baixa.

Foi do banco de reservas do Bernabéu que El Dragón somou seus primeiros títulos espanhol e a Liga dos Campeões da Uefa de 1997/98, competição na qual o Real Madrid não vencia havia 33 temporadas . No clube da capital, Cañizares também ganhou a Supercopa de 1998, onde foi titular nas duas vitórias em cima do rival Atlético de Madrid. No verão de 1998, logo depois de mais um fracasso da Espanha em Mundiais - Santi foi banco de Zubizarreta novamente -, que caiu na primeira fase em grupo que tinha Nigéria, Paraguai e a surpresa de 1994 Bulgária, após as primeiras propostas do Valencia, Cañizares não pensou duas vezes e rumou a Paterna. Em sua primeira temporada trajando blanquinegro, o Valencia conseguiu a classificação para a Champions League de 1999/2000 e El Dragón foi o terceiro goleiro menos vazado do torneio, atrás apenas de Carlos Roa, do Mallorca, e Toni Jiménez, do Espanyol. Santi sofreu 39 gols em 38 partidas, uma média de 1, 03 gols sofridos por jogo.

Se disputar o título com Barcelona e Real Madrid foi bastante difícil no campeonato nacional, restou ao Valencia concentrar suas forças na Copa do Rei. E, na competição, o Valencia teve sucesso sobre as duas equipes. Nas quartas-de-finais, eliminou o Barcelona de Figo e Rivaldo num placar agregado de 7 a 5 (3 a 2 no Mestalla e 4 a 3 no Camp Nou). Nas semifinais, um duelo histórico contra o Real Madrid: no jogo de ida, o Valencia impôs aos merengues um impiedoso 6 a 0, em show de Cláudio López e Mendieta. Na final, os valencianos teriam pela frente uma grande potência à época: o Atlético de Madrid de Juninho Paulista e Solari. No La Cartuja, em Sevilla, o Valencia não deu chance ao azar e derrotou os colchoneros por 3 a 0, sagrando-se campeão da Copa do Rei.

Pelo clube valenciano, Cañizares ainda viria a se tornar campeão nacional por duas vezes: em 2001/02 e 2003/04, desbancando o Real Madrid galáctico. Mas o pior momento da carreira de Cañizares aconteceria logo após a conquista da primeira taça com os chés: cotado para ser o goleiro titular da Fúria na Copa de 2002, que a Espanha chegava com uma das favoritas, Cañete acabou cortando o pé em um acidente doméstico e, sem escolha, teve que ser cortado Iñaki Sáez. O goleiro titular foi Casillas, à época grande revelação do Real Madrid campeão europeu, que não pôde evitar a eliminação diante da anfitriã Coréia do Sul, em um jogo marcado pela péssima arbitragem que prejudicou a seleção espanhola. Em 2007, após adicionar a seu currículo uma Supercopa da Espanha, Copa da Uefa e Supercopa Europeia, Ronaldo Koeman assumiu o comando técnico do Valencia e resolveu afastar Cañizares do elenco, dando mais chances ao jovem Moyà.

Mesmo sem ser convocado às principais partida, Cañizares não se desvinculou do clube, mas viu de longe a extrema má fase que passava sua equipe. Após o titulo de Copa do Rei do Valencia, que venceu o Getafe em Madrid por 3 a 1, Koeman resolveu utilizar o goleiro numa partida contra o Atlético de Madrid, que marcou sua despedida dos gramados. Os blanquinegros venceram por 3 a 1 e, ao término da partida, Santi foi ovacionado por todo o Mestalla. Após rejeitar propostas da MLS e da Premier League, Cañizares decidiu mesmo se aposentar dos gramados, rumando para a televisão. Hoje, El Dragón é comentarista esportivo da Cadena Ser, onde estreou, justamente, num embate entre suas duas ex-equipes: pelo jogo de ida da Supercopa da Espanha de 2008, o Valencia derrotou o Real Madrid por 2 a 1. Em 2009, foi acusado de pedofilia, mas o acusado resolveu tirar todas as queixas.

Santiago Cañizares
Nome completo: José Santiago Cañizares Ruiz
Data de nascimento: 18 de dezembro de 1968, em Puertollano, Espanha
Clubes que defendeu: Elche, Mérida, Córdoba, Real Madrid, Celta Vigo, Valencia
Títulos: Medalha de ouro da Olimpiada de Barcelona 92, 4 Campeonato Espanhol, 2 Copa do Rei, 2 Supercopa da Espanha, 1 Liga dos Campeões, 1 Copa da Uefa, 1 Supercopa da Uefa

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Resumo: 31ª Rodada (2ª parte)

Espetacular. Digno de aplausos, o Valencia enfiou uma impiedosa manita em seu rival Villarreal e se consolidou na terceira colocação (getty images)

O domingo prometia na Liga BBVA. A noite espanhola seria fechada com um incrível dérbi valenciano entre Valencia e Villarreal, que há tempos não disputavam uma partida com um importante valor. Em campo, o Valencia fez uma de suas melhores partidas em anos e garantiu uma manita histórica para cima de seu rival, colocando seis pontos de vantagem para cima dos amarillos e garantindo, praticamente, a vaga direta na próxima Champions League. Antes, às 14h, o Atlético de Madrid também fez uma de suas melhores partidas em anos e venceu a Real Sociedad, chegando à sétima colocação. O Espanyol, que só empatou com o Hércules, "conseguiu" o que "queria": saiu da disputa pela Liga Europa. Confira a segunda parte do resumo da trigésima primeira rodada. Boa leitura!

Valencia 5x0 Villarreal (Pedro Spiacci)
O Mestalla recebeu o clássico da comunidade valenciana, envolvendo Valencia e Villarreal. Antes da bola rolar, o palco da final da Copa del Rey homenageou Guaita, goleiro reserva do time da casa, que perdeu o pai nessa semana. Ao ver os cartezes com imagens suas e do patriarca, o goleiro se emocionou muito. Unai Emery armou os ches no 4-3-2-1, com Pablo Hernández cirando à direita e Mata fazendo o mesmo papel pela esquerda. No ataque, apenas o homem de 11 gols em La Liga, Soldado. Já o Villarreal veio no 4-1-3-2. Marchena era o “1” que funcionava muitas vezes como um terceiro zagueiro; no ataque, a ótima dupla Nilmar e Rossi. Mesmo atuando com praticamente cinco defensores, o Submarino Amarelo não conseguia conter Soldado, que recebendo passes de Hernández e Mata aparecia na cara de Diego López. Em uma das jogadas, Miguel recebeu do camisa 19 e descobriu o centroavante, que aproveitou a chance para abrir o placar.

Os ches “transpiravam” muito e não davam espaço para os visitantes. Com isso, na primeira etapa, Nilmar e Rossi pouco fizeram. O Valencia ainda perdeu Tino Costa, por lesão. A saída do volante e a entrada do zagueiro Dealbert resultou em uma mudança tática: saiu o 4-3-2-1 e entrou em ação o 5-4-1. Entre o final do primeiro tempo e o início do segundo, o Villarreal cresceu e deu sinais de que poderia dificultar a vida dos donos da casa. Porém, quando parecia que se complicaria na partida, o Valencia explorou os contra-ataques e matou a partida. Primeiro, através de muitas trocas de bolas, Mata recebeu livre e fez o segundo. O gol foi um balde de água fria nos visitantes. O submarino amarelo sumiu em campo após o 2 a 0, e Nilmar e Rossi sofriam muito com isso, pois não recebiam bolas em condições de criar chances de gols.

Depois Banega fez o terceiro, Mata o quarto e Soldado recebeu de Topal para fazer o quinto, garantindo a manita para os mandantes. O 5 a 0 agora é a maior vitória alcançada pelo Valencia no clássico da região. E hoje, o resultado não poderia ser diferente, pois os ches controlaram as ações durante praticamente todos os 90 minutos. Com os três pontos de hoje, a diferença entre as duas equipes na classificação pulou para seis. Assim, o Villarreal não tem muito o que fazer e deve ficar mesmo com a quarta vaga à Liga dos Campeões 2011-12 e terá que jogar os Play-offs.

Atlético de Madrid 3x0 Real Sociedad (Pedro Spiacci)
Antes do jogo, a torcida colchonera que lotou o Vicente Calderón, prostestou contra a gestão do presidente Enrique Cerezo e da família Gil, que controla as ações do clube. Mas durante a partida, os donos da casa não deixaram a torcida reclamar. Diego Costa, após o triplete na última rodada, deixou Diego Forlán no banco. Quique Sánchez Flores armou o Atlético de Madrid no 4-4-2 ortodoxo, com Suárez e Tiago na volância e Reyes e Koke mais à frente encostando na dupla de ataque Diego Costa e Agüero. Do outro lado, a Real Sociedad veio no tradicional 4-2-3-1, tendo apenas Tamudo no ataque. O Atléti decidiu o jogo cedo. Sem receber pressão alguma, o time controlou a posse de bola, pressionou e atacou muito até Filipe Luís abrir o placar. A bela jogada iniciada com ótimo lançamento de Agüero, que teve a assistência de Diego Costa, resultou no primeiro gol do brasileiro com a camisa rojiblanca.

O Atlético podia ter feito mais gols nos 45 minutos iniciais; porém, o segundo tento só saiu no final da primeira etapa. Reyes fez o que quis com Martínez pelo lado esquerdo da área, passou pelo marcador e rolou para trás, onde Suárez apareceu para marcar o seu primeiro gol em La Liga 2010-11. No segundo tempo, a Real Sociedad ameaçou nos minutos iniciais. Mas não levou muito tempo para o Atlético retomar o domínio total da partida. Bravo, o goleiro rival, teve que se virar para impedir que colchoneros fizessem o terceiro. Porém, o Atléti tinha Agüero, que conseguiu o terceiro tento em um contra-ataque que puxou sozinho. Forlán também foi destaque no segundo tempo. O uruguaio entrou aos 70 minutos de partidas sob vaias e pouco participou do jogo. Cada vez fica mais claro que o tempo do Cachavacha no atléti já está se esgotando. Com os três pontos, o Atlético alcança a sétima colocação, que hoje lhe garantiria a vaga à Liga Europa.

Hércules 0x0 Espanyol
Na segunda partida de Miroslav Djukic no comando técnico do Hércules, um avanço. O empate com o Espanyol no Rico Pérez não tirou os herculinos da zona de rebaixamento, mas já é um grande passo segurar uma equipe da parte de cima da tabela, mesmo que esta esteja em clara má fase. Os blanquiazules atuaram com contudência e até poderiam sair com os três pontos, mas a falta de pegada e a boa partida de Kameni impediram isso. Drenthe parece ser mesmo o pilar da equipe de Djukic. Hoje o holandês chamou para si a responsabilidade e deu muito trabalho a Galán. No lado do Espanyol, Pochettino está preocupado. E não é para menos: há dois meses, o Espanyol estava brigando pela terceira posição. Hoje, a equipe está na oitava posição, fora da zona de Liga Europa e faz na próxima rodada uma final: irá receber no Cornellà o Atlético de Madrid, sétimo colocado. A sete rodadas do fim, os blanquiazules ainda receberão até o término do campeonato, além do Atléti, o Athletic Bilbao e o Sevilla, dois adversário diretos. A vantagem é que irá disputar as partidas em casa, com o apoio da torcida.

Málaga 0x0 Deportivo La Coruña
Num La Rosaleda com mais de trinta mil espectadores, o Málaga não conseguiu furar o bloqueio galego, que jogou com um a menos durante quarenta e cinco minutos finais, e deu continuidade ao inferno do descenso. De volta ao 5-3-2, os comandados de Garrido saíram de campo com a noção de que o ponto conquistado pode ter sido importante para o futuro da equipe, a cinco da zona de rebaixamento. Mesmo após a expulsão de Lopo, os jogadores continuaram exercendo um muro à frente da meta de Aranzubia e abafaram os constantes ataques malagueses, que tiveram uma posse de bola na casa dos 73%. Os acontecimentos desta tarde na Andaluzia só refletem como o Málaga está sem confiança. Manuel Pelegrinni se esgoelou no banco de reservas e não conseguiu mudar a postura de um time com bons valores, mas que não forma um conjunto digno de permanecer na elite. Contra o Hércules, na 33ª rodada, o La Rosaleda voltará a presenciar um confronto direto, mas, desta vez, o peso será outro: só a vitória interessa para o conjunto de Pelegrinni, que irá encarar uma equipe que subiu de produção após a ida de um novo técnico.

Racing Santander 1x1 Levante
No jogo das duas equipes que mais subiram de produção no segundo semestre, um empate com sabor de derrota para o Racing. O gol de empate dos levantinos, marcado por Rafa Jordá, saiu aos 44 minutos do segundo tempo e após erro clamoroso de Torrejón. Os racinguistas também podem lamentar as oportunidades perdidas e a grande jornada de Reina. O catalão fez, pelo menos, três defesas providenciais quando o Racing mais atacava em busca do gol da vitória. A má notícia que fica é a lesão de Bolado, que provavelmente o tira dos gramados por dois meses. O atacante foi o que mais cresceu após o retorno de Marcelino Toral ao comando técnico dos verdiblancos. Para o Levante, que fez uma má partida, fica a notícia de que a invencibilidade de um mês e meio ainda dura. Desde a derrota para o Real Madrid, em fevereiro, a equipe disputou sete jogos e não perdeu nenhum (dois empates e cinco vitórias).

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Copa del Rey: Elétrico

Rossi liderou o Villarreal a virada histórica ante o Valencia e, com o doblete, tornou-se o maior goleador da história do Submarino Amarelo (AP Photos)

Quando o Valencia abriu 2 a 0 com menos de trinta minutos do primeiro tempo, a vitória, e consequentemente a classificação, estava nas mãos do time ché. Porém, o segundo tempo reservou mais emoções e o Valencia viu um Rossi inspirado pela frente. O atacante marcou seis gols nas últimas seis partidas e chegou a 61 gols com a camisa amarilla, tornando-se o maior goleador da história do clube. O doblete de ontem consolidou uma remontada histórica do time castellonense e a classificação para as quartas de finais da Copa del Rey, onde enfrentará agora o atual campeão Sevilla, que está priorizando a competição.

Com equipes completas, Unai Emery, técnico do Valencia, não hesitou em escalar sua defesa com cinco zagueiros, num 5-4-1 - pela terceira vez utilizada no dérbi da Comunidade Valenciana. Com uma defesa sólida, o Valencia segurou o Villarreal durante todo o primeiro tempo, que sentiu a falta de Nilmar, machucado. No ataque, Rossi tentava sozinho, já que Rúben, substituto do brasileiro, caiu facilmente na marcação de Stankevicius. Se a defesa passava segurança, restou ao ataque do time a missão de mandar a bola às redes. E foi assim que o Valencia abriu dois gols de vantagem, calou o El Madrigal e colocou um pé e meio nas quartas de finais. Primeiro, quando Borja Valero cortou um cruzamento vindo de Bruno na direita em cima de Banega, que arriscou de fora da área e Juan Carlos acabou aceitando. Depois, Maduro deu uma linda assistência para Soldado, que saiu da marcação de Gonzalo e Catalá, dominou a bola no alto e, com estilo, tocou na saída de Juan Carlos.

Com 2 a 0 no marcador, só um desastre eliminaria o Valencia. E o "desastre" veio na segunda etapa. Borja Valero, Rúben e, principalmente, Rossi e Cani passaram a entrar na partida e orquestraram a remontada amarilla. Em três minutos da etapa final, o Villarreal voltou para o jogo ao empatar a partida. Com um minuto, Rossi desceu em velocidade pela esquerda e cruzou na medida para Cazorla completar para as redes de Guaita. Se, até o primeiro gol amarillo, a defesa do Valencia mostrava-se segura, o gol de Cazorla foi o ponto para a estratégia de segurar a partida de Unai cair. Aos três minutos, Rúben, até então inócuo na partida, mostrou que pode ser o substituto de Nilmar. O camisa nove do Villarreal recebeu de Rossi e sofreu pênalti de Stankevicius. Pênalti não lá muito digerido por Unai Emery, que disse ter sido um pênalti muito duvidoso. Na cobrança, Rossi deslocou Guaita para recolocar o Villarreal de volta na partida.

Após o gol de empate, o Valencia inexistiu e não conseguia mais encaixar nenhum contra-ataque. O Villarreal, por sua vez, descia como uma avalanche. E foi em um desses contra-ataques que o Villarreal virou a partida. Cani tabelou com Cazorla e deixou Rúben com o gol vazio para completar para as redes e levar a torcida ao delírio. Com o resultado a favor, Garrido, temendo o gol de empate do Valencia, recuou o time, tirando Cani e Cazorla, aplaudidos pelos torcedores, e promovendo as entradas de Mussachio e Oriol. Rossi, bem isolado na frente após a saída de Rúben e a entrada de Mário, tratou de definir a partida. Aos 45', Mussachio lançou o ítalo-americano, que driblou Guaita e, com frieza, tocou entre Ricardo Costa e Vicente para definir a classificação do Villarreal.

Ao final da partida, Joaquín, com os nervos à flor da pele, foi expulso por chamar o Ramírez Dominguez de burro e o assistente de sem vergonha. O meio-campista ché terá que cumprir a suspensão no dérbi que o Valencia fará contra O Levante, no domingo, pela Liga. Nas quartas de finais, o Villarreal irá encarar o Sevilla, que passou pelo Málaga num agregado de 8 a 3 (5 a 3 na ida e 3 a0 na volta). Outros confrontos: Barcelona x Bétis, Almería x Deportivo La Coruña, Real Madrid x Atlético de Madrid.

domingo, 21 de novembro de 2010

12ª rodada (1ª parte): A noite dos artilheiros

Animado pelo gol contra a seleção brasileiro, Messi marcou três vezes e chegou a 101 gols na Liga com a camisa do Barcelona, na goleada história do Barcelona ante o Almería por 8 a 0 (getty images)

Nos três jogos que abriram a décima segunda rodada de La Liga, gols foram o que não faltaram. Dos 16 gols, oito deles saíram no Juegos Mediterráneos no confronto entre Almería e Barcelona. Mas vale especificar: os oito tentos foram só do Barcelona, em um jogo que os blaugranas não precisaram se esforçarem tanto para chegar aos oito gols. Valencia e Villarreal protagonizaram um confronto direto pela caça aos líderes Real Madrid e Barcelona no Campeonato Espanhol. As equipes bem que tentaram, mas ficaram no empate por 1 a 1 e frustraram suas pretensões no torneio.

A noite, também, foi dos artilheiros: Cristiano Ronaldo e Messi, artilheiro e vice-artilheiro, respectivamente, marcaram um hat-trick, enquanto Llorente, Rossi e Áduriz deixaram suas marcas. Confira a primeira parte do resumo da décima segunda rodada.

Villarreal 1x1 Valencia
No dérbi da Comunidade Valenciana, Unay Emery surpreendeu ao escalar sua defesa com três zagueiros. O esquema manteve a segurança que o técnico Ché precisava, mas não suportou a pressão exercida pelo Villarreal em quase todo o segundo tempo. O 5-2-2-2 de Emery isolou Áduriz lá na frente, mas nem assim foi capaz de impedir o gol do ex-Mallorca. Joaquín, de volta ao time titular, apareceu como um raio na direita e cruzou preciso para o atacante aparecer entre Marchena e Bruno e, de letra, abrir o placar. Após isso, a equipe valenciana cumpria bem seu papel defensivo e mostrava-se mais objetiva no campo de ataque. Dessa forma, o Villarreal se enrolava para sair do jogo e se atrapalhava para criar alguma jogada.

No segundo tempo, o Villarreal se viu obrigado a ir ao ataque e acordou para o jogo, mesmo sofrendo com a forte marcação. O brasileiro Nilmar e Rossi eram os principais responsáveis pelas jogadas de ataque. A partir da metade do segundo tempo, o Valencia recuou e chamou o adversário para o ataque. Aos 27 minutos, saiu o gol. Rossi recebeu cruzamento vindo da esquerda e desviou do goleiro, colocando no canto direito da meta. Após o tento, o jogo ficou aberto. No entanto, as equipes não conseguiram concretizar suas chances de gol. O empate pode ter sabores mais doce para o Valencia. Com sete desfalques, os Chés foram ao El Madrigal com a pretensão de sair com, pelo menos um ponto.

A partida ficou marcada por um momento especial do volante brasileiro naturalizado espanhol Marcos Senna. Ele completou 219 partidas pelo Villarreal e igualou a marca do argentino Rodolfo Arruabarrena como o jogador que mais atuou pela equipe na 1ª divisão do Campeonato Espanhol. Senna começou o duelo contra o Valencia no banco de reservas e entrou no jogo aos 25 minutos da segunda etapa, quando substituiu Borja Valero.

Almería 0x8 Barcelona
Antes do duelo contra o Barcelona, a defesa rojiblanca era a terceira menos vazada. Porém, bastou apenas quarenta e cinco minutos para o time de Lillo receber metade dos gols que havia recebido antes da rodada. Logo no primeiro tempo, os comandados de Pep Guardiola conquistaram um feito histórico. A equipe não marcava cinco gols na etapa inicial desde a temporada 2000/2001 quando fez seis em apenas 40 minutos contra o Real Sociedad. Messi segue quebrando recordes atrás de recordes. Ontem, com o hat-trick, chegou a 101 gols com a camisa azulgrená em território nacional. À frente do argentino, apenas Eto'o, Cesar e Kubala. No segundo tempo, o Barcelona não tirou o pé do acelerador e continuou seu massacre. A parceria Messi e Bojan se mostrou afinada, já que eles foram responsáveis por mais três gols. A humilhação serviu para destituir Lillo do comando técnico do time andaluz. No resumo da semana passada, já haviamos alertado que o técnico estava com as cordas bambas. Marcelino Toral, ex-Zaragoza, e Simeone (esse mesmo que vocês estão pensando) são os mais cotado para assumir o Almería. A goleada imposta, fez com que os comandados de Josep Guardiola igualassem a sua maior vitória fora de casa na Liga BBVA, em 1958-59, contra o Las Palmas.

Real Madrid 5x1 Athletic Bilbao
Depois de ficar marcado pela revolta com a cabeçada de Nani que impediu seu golaço no amistoso entre Portugal e Espanha, Cristiano Ronaldo finalmente pôde comemorar seus gols. O atacante português deixou seu hat-trick, ajudou o Real Madrid a voltar à liderança e, de praxe, reassumiu a artilharia da competiçao, que havia perdido para Messi. Como se não bastasse, ainda provocou o Barcelona: "Ganharam de oito, é? Mas eu quero ver marcar oito vezes na segunda-feira que vem", desdenhou o gajo. Antes do superclássico, porém, o Real Madrid irá à Amsterdãm para encarar o Ajax, pela Champions League, com os desfalques de Higuaín e Khedira. O Athletic Bilbao tentou surpreender e teve domínios das jogadas ofensivas logo no início do jogo. Mas durou pouco. O primeiro gol do Real saiu aos 18 minutos. Di María tocou para Higuaín na entrada da área. Ele girou, saiu da marcação e chutou rasteiro para tirar a bola do goleiro. Após isso, os leones tentaram dificultar a vida dos merengues, mas o individualismo dos comandados de Mourinho prevaleceu.

Os números do Real Madrid de Mourinho já são históricos: este é o melhor aproveitamento obtido pela equipe da capital após 12 rodadas de Campeonatos Espanhóis. Com 32 pontos, dez vitórias, dois empates e nenhuma derrota, o Real Madrid jamais começou tão bem uma campanha na competição nacional.