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terça-feira, 18 de junho de 2013

Os melhores da Liga BBVA 2012-2013

Após as revelações, chegou a vez dos melhores. O Quatro Tiempos votou para eleger os melhores da temporada dividido em três categorias: a seleção da temporada, o melhor jogador e o melhor jovem (considerando até 21 anos). Dessa vez, contamos com a colaboração mais do que agradável da equipe do Futebol Espanhol, jornalistas brasileiros e espanhol. Agradecemos a cada um dos participantes desta votação e também a você, leitor, que nos acompanha diariamente. E se a Liga BBVA entra de férias, não se preocupem: o blog continuará na ativa no período da pré-temporada. Boa leitura.

Isco Román, o Golden Boy europeu e o melhor jovem da Liga BBVA 2012-2013 (UEFA)

Seleção da temporada
Courtois (Atlético de Madrid); Carlos Martínez (Real Sociedad), Iñigo Martínez (Real Sociedad), Sergio Ramos (Real Madrid), Filipe Luís (Atlético de Madrid); Xabi Alonso (Real Madrid), Iniesta (Barcelona), Özil (Real Madrid); Messi (Barcelona), Falcao García (Atlético de Madrid), Cristiano Ronaldo (Real Madrid). Treinador: Diego Simeone (Atlético de Madrid).

Melhor jovem: Isco Román, do Málaga
O Golden Boy europeu brilhou por mais uma temporada. Pelo segundo ano consecutivo, Isco termina a Liga Espanhola como o melhor jovem. Dessa vez, teve a concorrência de Varane (Real Madrid), Iñigo Martínez (Real Sociedad), Illarramendi (Real Sociedad) e Courtois (Atlético de Madrid), que tiveram seus nomes mencionados entre os votantes. Invertendo posição com Joaquín e ora Eliseu, ora Júlio Baptista na veloz linha de três do Málaga, Isco brilhou. Jogando numa posição em que ficava mais próxima do gol, o espanhol deixou o rótulo de promessa de lado para virar realidade: com apresentações de gente grande contra Real Madrid e Barcelona, além das brilhantes partidas na UCL, ele está sendo disputado por Real Madrid e Manchester City. Em entrevista ao AS no início da semana, Isco afirmou que irá pensar no melhor para o Málaga e para ele na hora da decisão. Hoje, ele tornou-se campeão da Eurocopa Sub-21 com a seleção espanhola e foi consagrado com o troféu  de melhor jogador da competição.

Melhor goleiro: Thibaut Courtois, do Atlético de Madrid
O sucessor de Peter Cech vai construíndo uma carreira de ouro em Manzanares. No topo de seus 21 anos, Courtois é bastante querido pela torcida colchonera, especialmente após a grande partida que fez na final da Copa do Rei contra o Real Madrid. Se o principal rival do Atlético era a pedra no sapato do belga, que costumava falhar perante Cristiano Ronaldo, dessa vez ele parece ter quebrado esse obstáculo. A temporada de ouro de Courtois foi premiada com a conquista do Troféu Zamora, que premia o goleiro menos vazado. Após quatro temporadas, enfim alguém superou Víctor Valdés no troféu dado pelo Marca. Menções honrosas a Caballero, do Málaga, e Diego López, do Real Madrid.

Melhor defensor: Iñigo Martínez
O salto na carreira de Iñigo Martínez foi dado nesta temporada. Um ano depois de ter aparecido na lista das revelações da temporada 2011-2012, o basco, em apenas seu segundo ano como profissional do time A da Real Sociedad, foi um dos principais pilares do time que alcançou a vaga na fase preliminar da Uefa Champions League. Foi, também, por que não, uma temporada de redenção ao jovem, que sofreu uma lesão no menisco em abril do ano passado, retornando apenas em agosto. Bom no jogo aéreo, seguro no mano-a-mano e com um bom arremate de fora da área, ele começa a ter seu nome ligado a uma possível transferência ao Barcelona. Quem também recebeu votos foram Sergio Ramos (Real Madrid), Demichelis (Málaga), Varane (Real Madrid), Miranda (Atlético de Madrid) e Piqué (Barcelona). 

Melhor meio-campista: Andrés Iniesta
Em crescente desde o título da Eurocopa, Iniesta voou na temporada. Bem fisicamente, o espanhol foi o segundo melhor blaugrana no ano e terminou a Liga com sensacionais 16 assistências. Na primeira parte da temporada, foi escalado aberto à esquerda do ataque por Tito Vilanova, numa tentativa de encaixar Fàbregas ao lado de Xavi e Andrés. Deu certo, com os três atuando num nível positivo. No entanto, após as derrotas para Milan e Real Madrid, Tito/Roura resolveram colocar Villa no ataque e atrasar Iniesta à sua posição de origem, onde ele atua melhor. Ao lado de Xavi, Iniesta controla mais a armação das jogadas. Menções honrosas: Xabi Alonso (Real Madrid), Beñat (Bétis), Kondogbia (Sevilla), Illarramendi (Real Sociedad), Xavi (Barcelona), Busquets (Barcelona), Özil (Real Madrid), Isco (Málaga) e Xabi Prieto (Real Sociedad).

Lionel Messi: artilheiro da Liga pela segunda vez consecutiva e terceira em sua carreira, o argentino foi o melhor jogador da competição (Getty Images)

Melhor atacante: Lionel Messi
Melhor jogador: Lionel Messi

Mesmo não tendo sido, tecnicamente, a melhor temporada da carreira de Messi, o argentino novamente assombrou. Com 46 gols em 32 jogos, o argentino deixou os rivais bem para trás na disputa pela artilharia. Seu principal rival, o português Cristiano Ronaldo, foi o vice-artilheiro com 34 gols. Mesmo com o título espanhol, o Barcelona viveu uma temporada difícil, com muitos problemas de lesão e Tito Vilanova tendo que sair no meio do campeonato para se tratar de um câncer em Nova Iórque. 

No entanto, nenhuma outra lesão foi tão sentida pelo torcedor como a de Messi, que se lesionou numa partida da Uefa Champions League contra o PSG e, a partir daí, foi utilizado esporadicamente em jogos especiais. Nesse período a Messi-dependência que vem sendo criada desde o fim da era Guardiola foi escancarada. O melhor jogador do mundo também não foi ameaçado na nossa votação: dos oito votantes, seis votaram no argentino como melhor jogador- os outros dois votaram em Cristiano Ronaldo. Na categoria melhor atacante, menção honrosa a Falcao García, que só não recebeu um voto dos oito participantes.

Votantes da seleção dos melhores da Liga BBVA 2012-2013
Josep Capdevila (Diário Sport, Catalunha)
Leonardo Bertozzi (Espn)
Marcelo Bechler (Rádio Globo)
Maurício Bonato (Sports +)
Pedro Pedroso (Futebol Espanhol)
Pierre Andrade (Futebol Espanhol)
Vitor Sergio (Esporte Interativo)
Victor Mendes (Quatro Tiempos/Doentes Por Futebol)

sábado, 18 de maio de 2013

San Simeone

Diego Simeone sorri à toa: ele é o principal nome do atual Atlético de Madrid (AS)

23 de dezembro de 2011. Após uma fraca primeira parte de temporada, que culminou numa eliminação precoce na Copa do Rei diante do modesto Albacete, a diretoria do Atlético de Madrid resolveu demitir Gregório Manzano, que, durante cinco meses, não conseguiu definir uma tática e dar um padrão jogo à equipe. Sem muitos treinadores disponíveis no mercado, o jeito foi recorrer a Diego Simeone, ex-jogador e ídolo do clube. Hoje, quase um ano e cinco meses depois, não há mais dúvidas de que a diretoria acertou em cheio na contratação do argentino.

Ontem, Simeone conseguiu, por tudo que envolveu, o maior título de sua carreira: a Copa do Rei 2012-2013. Diante do Real Madrid, no Santiago Bernabéu, um tabu perseguia o Atlético de Madrid: há 14 anos que o clube de Manzanares não vencia o rival de Chamartín. No entanto, numa das melhores apresentações do Atléti em tempos, a equipe manteve a concentração após o gol de Cristiano Ronaldo, empatou ainda no primeiro tempo com Diego Costa e levou o jogo à prorrogação, quando Miranda decretou o fim do pesadelo e o primeiro título de um clube-não-Real-Madrid-e-Barcelona em solo nacional desde a Copa do Rei do Sevilla em 2010, justamente contra o Atlético de Madrid.

Mas os méritos de Simeone vão muito além das taças levantadas (Liga Europa, Supercopa da Uefa e Copa do Rei). A começar pelo sistema defensivo, inconstante há anos, que El Cholo ajustou de maneira brilhante. Com Juanfran, Miranda, Godin e Filipe Luís, o argentino formou uma retaguarda sólida, capaz aguentar a pressão adversária. Coincidência ou não, Miranda e Filipe Luís fizeram suas melhores temporadas na Europa, enquanto a adaptação de Juanfran à lateral direita foi um golpe de mestre do treinador - Juanfran, aliás, chegou até a ser chamado para a seleção espanhola.

O segredo dos bons resultados na atual temporada passa, em partes, pela forte marcação no meio-campo, que desarma à rodo e aciona os contra-ataques. A marcação pressão no campo adversário, principalmente em jogos decisivos, gera um cenário de desconforto ao rival. O Atlético adora jogar sem a bola, mas sabe que tem obrigação. Executa contra-ataques à perfeição e se defende com grande aplicação tática. Personalidade e raça são as principais características da equipe.

Outro dos acertos de Simeone foi ter conseguido encaixar Diego Costa ao lado de Falcao García sem necessariamente abrir mão dos atributos dos dois jogadores, embora para privilegiar o faro de gol do colombiano o brasileiro tenha cumprido outro papel em 90% da temporada. Sem seu principal armador, Diego, que voltou ao futebol alemão, El Cholo encarregou o cerebral Arda Turan (que mostrou, durante o período que ficou ausente, ser tão essencial quanto Falcao) à função da armação, deslocando Diego Costa ao flanco esquerdo do 4-2-3-1.

Os 34 gols em 40 jogos, sendo 28 na Liga Espanhola, cravam Falcao García como o melhor jogador do Atlético de Madrid na temporada. E os gritos da torcida de "Falcao, quedate" (especulações o colocam no Monaco, novo rico da Europa) na comemoração do título da Copa do Rei prova isso. Além dos méritos do próprio Falcao, Simeone também tem a ver com a excelente fase do centroavante. Com Manzano, até pela bagunça que era o time, o camisa 9 não se encontrou. Com um time moldado para ele brilhar, El Tigre não decepcionou. Colecionou aparições decisivas (gols na final da Liga Europa e da Supercopa, assistência na final da Copa do Rei) e tornou-se querido pelos aficionados.

Os resultados estão aí. O Atlético de Madrid aguentou até onde pôde acompanhar o Barcelona na Liga Espanhola, terminou o primeiro turno em segundo lugar, mas não suportou o pique e acabou ultrapassado pelo Real Madrid. No entanto, soube manter os jogadores em alta e não pressioná-los, porque, apesar do título ter ficado difícil, ainda havia a disputa por uma vaga na Champions em jogo. E, dessa forma, sem ser pressionado por Real Sociedad, Valencia e Málaga, times que disputam o quarto lugar, os rojiblancos confirmaram, com três rodadas de antecedência, o retorno à maior competição de clubes do mundo, após três temporadas disputando Liga Europa.

Agora, Simeone tem novos desafios. Conquistar UCL e Liga é uma missão difícil, porém o Atléti precisa fazer campanhas aceitáveis para ganhar mais força e respeito em âmbito europeu. Por exemplo, o time precisa ir além das oitavas de finais como em 2008/2009 ou de uma queda precoce na fase de grupos como em 2009/2010. Na Liga, a equipe é o melhor time humano e, em CNTP, não deve ter muito trabalho para terminar em terceiro (ou, quem sabe, brigar com Barcelona e Real Madrid novamente). Contudo, o momento agora é de aproveitar a melhor temporada rojiblanca desde 1995-96.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Brasileiros e a Liga Espanhola

 O ex-palmeirense Cicinho caiu nas graças da torcida do Sevilla e é o melhor lateral direito da Liga até o momento (getty images)

Os fãs de futebol europeu, em geral, sabem que a Liga Espanhola é uma das vitrines para os jogadores brasileiros aparecerem positivamente. Recentemente, vimos Ronaldinho Gaúcho conquistar o mundo após atuações mágicas vestindo a camisa do Barcelona. Na mesma época, Ronaldo não cansava de ir às redes pelo Real Madrid - isso sem dizer sua fase fenomenal pelo Barcelona, em 1996. Um pouco antes, Rivaldo e Djalminha viraram reis de Catalunha e Galícia. No entanto, nos últimos dois anos, o número de destaques tornaram-se escassos. À exceção de Daniel Alves e Marcelo, nenhum brasileiro apareceu na mídia europeia recebendo muita atenção. Porém, baseado neste início de temporada, isso está chegando ao fim. Em 2012/2013, praticamente cada setor do campo tem um ou dois brasileiros como destaque de seus times.

A grande exceção é o homem de referência, o que evidencia um problema que o futebol brasileiro passa de maneira geral. Hoje, a maioria dos jogadores de área com poder de decisão atuam no futebol brasileiro. Fred, Luis Fabiano e Leandro Damião, por exemplo, foram os últimos convocados por Mano Menezes para atuar de nove. Até podemos comentar sobre Pato, mas este não vive sua melhor fase no Milan e se lesiona com frequência. Até por isso, o ex-treinador utilizou Neymar de falso nove em suas últimas partidas, até, também, para poder encaixar o santista com Oscar e Kaká na equipe titular. ale comentar sobre Diego Costa, que fez um bom primeiro semestre no Rayo Vallecano atuando de referência, mas no Atlético de Madrid foi "recuado" à posição de segundo atacante por causa de Falcao García.

Mas voltando ao tema central do texto começamos pelo gol. Diego Alves nunca foi titular absoluto do Valencia por causa do sistema de rotação que os ex-treinadores Unai Emery e Mauricio Pellegrino faziam. Contudo, desde a época de Almería, onde chegou a ser especulado com força no Real Madrid, ele vem aparecendo de modo positivo. Nesta temporada, logo na primeira rodada, fechou com o gol contra o Real Madrid no Santiago Bernabéu. Exímio pegador de pênaltis, já parou Messi e Cristiano Ronaldo no mano a mano. No último sábado, foi um dos únicos poupados pela exigente torcida valenciana após a goleada sofrida em pleno Mestalla para a Real Sociedad, por 5x2. Os números apontam uma contradição, mas não fosse por Diego Alves o vexame poderia ser muito maior.

Pouco conhecido do grande público, Leo Baptistao (19) é a principal reveleção da temporada. Natural de Santos, jogou salão com Neymar quando garoto (AS)

Na setor defensivo, os colchoneros brilham: Miranda é o melhor zagueiro da temporada e Filipe Luís, no mínimo, aparece no top 3 na lateral esquerda. O ex-são paulino, após um início conturbado, se adaptou à forma de jogo do Atlético de Madrid e principalmente após a chegada de Simeone viu seu futebol crescer bastante. O mesmo vale para Filipe Luís. Atualmente, ele está numa versão semelhante ou superior àquela dos tempos de Deportivo La Coruña, onde foi eleito o melhor lateral esquerdo da Liga 07/08. O polivalente Adriano, que faz as vezes de lateral esquerdo, direto e até zagueiro, também merece uma menção honrosa. Homem de confiança de Tito Vilanova, seu único porém é se lesionar bastante. Apto, tem feito boas partidas. No sábado, saiu de campo aplaudido pelos torcedores presentes no Camp Nou.

Mas o grande destaque é o ex-palmeirense Cicinho. Após um início de temporada a mil, ele tem caído substancialmente de produção nos últimos jogos, mas continua sendo o melhor lateral direito da Liga. Parceria com Jesus Navas pela direita é o principal trunfo do Sevilla. Após tirar onda com Cristiano Ronaldo no duelo da sexta rodada, caiu definitivamente nas graças da torcida. Cicinho é disciplinado taticamente e aparece com sobressaliência nas jogadas ofensivas.

Na parte ofensiva, a grande revelação é Leo Baptistao, jovem de 19 anos do Rayo Vallecano. Natural de Santos, transferiu-se ainda cedo, aos 15 anos, para o clube de Vallecas, mostrando uma progressão madura em seu futebol. Em 2011/2012, passou boa parte da temporada no departamento médico graças a uma grave lesão na clavícula, mas está 100% curado e vê, em 2012/2013, um ano de redenção. Apesar de muleque, tem futebol de gente grande e vem justificando isso nesses primeiros quatro meses de temporada. São sete gols e quatro assistências em 13 jogos, o principal artilheiro brasileiro nas principais ligas europeias. Por outro lado, Jonas, após um suposto atrito com Pellegrino, foi relegado ao banco nos últimos jogos, mas tem moral com a torcida ché e pode voltar à equipe titular com Ernesto Valverde, confirmado como novo treinador do Valencia hoje pela manhã.

Em tempos de mudança de treinador na seleção brasileira, vale a pena ficar de olhos em alguns desses nomes. Diego Alves e Adriano eram figurinhas carimbadas nas convocações de Mano Menezes, e devem continuar fazendo parte das listas de Felipão. Valeria a pena testar os outros?

sábado, 3 de novembro de 2012

Sequência de fogo

Falcao García, com média de gols tão boas quanto as de Messi e Cristiano Ronaldo, é o principal trunfo de Simeone na sequência que irá mostrar se o Atlético de Madrid é candidato ou não ao título (getty images)

Hoje, às 19h, o Atlético de Madrid irá à Comunidade Valenciana enfrentar o Valencia no Mestalla. É o primeiro de quatro jogos que a equipe treinada por Diego Simeone terá para fazer fora de casa que irá mostrar se é candidata ou não ao título. Invicto na temporada, essa é a "prova final" dos rojiblancos, que ainda são visto com olhares de desconfiança. As próximas visitas são ao Carménes (Granada), Santiago Bernabéu (Real Madrid) e Camp Nou (Barcelona). Em jogo, mais do que provar que pode brigar pelo título. No dérbi de Madrid, o Atléti, pela primeira vez em anos, chega com status para quebrar um tabu que dura 13 anos: vencer o principal rival.

O calendário irá requer bastante concentração. Simeone, atento a isso, tenta tirar o peso da responsabilidade de seus jogadores a cada coletiva. "Podemos brigar pelo título, mas vamos com calma", disse o argentino após a vitória do último domingo, contra o Osasuna. As estatísticas mostram que os colchoneros são capazes. Se derrotar o Valencia hoje, irão chegar ao melhor início de campeonato em sua história. As coincidências também são históricas: assim como em 1996/1997, temporada na qual ganhou a Liga pela última vez, divide a liderança com o Barcelona e está oito pontos à frente do Real Madrid em dez rodadas. A distância para o terceiro colocado Málaga, que começa a dar sinais de cansaço - até por conciliar Liga e Champions -, é de sete pontos.

Acima de tudo, Simeone irá precisar contar com o melhor Falcao, principalmente contra Real Madrid e Barcelona. Na temporada passada, o colombiano marcou dois gols contra a dupla, mas viu sua equipe sucumbir. Atualmente, a fase do Tigre é de outro mundo. Com a mesma média de gols de Messi e Cristiano Ronaldo, ele tem sido cotadíssimo para disputar a Bola de Ouro com os dois principais jogadores do mundo. Vice-artilheiro da Liga ao lado do português, Falcao, com 17 gols nos últimos 11 jogos, superou no final de semana passado o melhor início de temporada de Messi. Em enquete do Marca e do As, consideram o momento do centroavante melhor que do gajo e do argentino.

A defesa, em especial, também irá precisar manter o ritmo elevado que vem mostrando até o momento. Miranda, melhor zagueiro deste início de Liga, é homem de confiança de Simeone. O argentino, aliás, tem bastante méritos por ter ajustado uma defesa bastante criticada há muitos anos. Hoje, a retaguarda é sólida e passa por pouco apuros. Na lateral esquerda, El Cholo conseguiu recuperar o melhor Filipe Luís, em nível semelhante ao apresentado no Deportivo La Coruña, quando foi o melhor lateral esquerdo da Liga Espanhola 07/08.

O Atlético de Madrid 2012/2013 joga menos tempo com a bola, mas sabe se virar sem ela. Dificilmente eles terão uma maior posse de bola contra Valencia, Real Madrid e, sobretudo, Barcelona, mas não se enganem com isso. Simeone gosta de cedê-la para, num escape, sair no contra-ataque, outra característica dessa equipe. O Atléti, também, busca o resultado até o último minuto, uma marca registrada do clube historicamente. Há duas semanas, um gol de falta de Falcao no último lance da partida deu uma vitória suada à equipe contra a Real Sociedad, em San Sebastian, rival que irá dar trabalho aos grandes em casa. Se o Atlético é ou não capaz de, após anos, brigar pelo título com Real Madrid e Barcelona, saberemos nas próximas semanas. Mas os colchoneros mostraram que são capazes de desafiar os gigantes espanhóis.

Próximos jogos do Atlético de Madrid
Valencia - Atlético
Atlético - Getafe
Granada - Atlético
Atlético - Sevilla
Real Madrid - Atlético
Atlético - Deportivo
Barcelona - Atlético

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O Real Madrid inspirou o Atlético de Madrid

 Em Neptuno, a festa é do Atléti. Bi-campeão da Liga Europa, colchoneros se inspiraram o rival merengue para bater Athletic Bilbao (getty images)

Há três semanas, o Real Madrid foi ao Camp Nou para vencer o Barcelona e sentenciar o campeão espanhol da temporada. Ao vencer por 2x1, os merengues, paralelamente, deixaram uma lição ao rival Atlético de Madrid. Para parar um futebol baseado na troca de passes, é preciso inteligência, aplicação tática e acerto na hora do contra-ataque. Foi assim que os principais clubes de Madrid conseguiram seus maiores resultados na temporada. Os colchoneros, jogando de maneira semelhante, conquistaram o bi-campeonato da Liga Europa ao derrotar o Athletic Bilbao, equipe espanhola que mais próxima chega do estilo de jogo barcelonista.

Embora diga bastante sobre as equipes, a estatística menos relevante do confronto foi a posse de bola, que, claro, ficou com o conjunto basco em 63% do tempo. O número não significa que o Athletic Bilbao, segundo time que mais troca passes na Liga BBVA, tenha sido melhor, pelo contrário. O Atlético de Madrid simplesmente abdicou da bola e apostou na força da trinca do meio-campo formado por Diego, Adrián e Arda Turan, que impusseram aos rojiblancos de Bilbao uma avalanche futebolística que a equipe de Bielsa ainda não havia presenciado na Liga Europa. Na frente, bola para Falcão que ele decide. Foram dois gols que ratificaram a artilharia da competição pela segunda temporada consecutiva. Também pela segunda temporada consecutiva, El Tigre marca na final e é campeão. Literalmente, o Mister Europe League, como é chamado.

A estratégia dos colchoneros, executada à perfeição, era evidente: desarmar e acionar os meio-campistas pelo flanco ou o artilheiro no comando do ataque, já que o Athletic Bilbao descia ao ataque desesperado, deixando a retaguarda desprotegida. Porém, assim como o Real Madrid no Camp Nou, o Atléti jamais se limitou a ficar apenas na defesa. Com a bola, o time de Simeone sabia o que fazer. Gabi e Suárez foram perfeitos na volância, combatendo Iturraspe e Ander Herrera. A dupla do Bilbao, aliás, ficara extremamente preocupado com Diego, Arda Turan e Adrián López em determinados momentos do jogo.

Por exemplo, o estilo de jogo dos Leones passa necessariamente pelo encaixe de seus meio-campistas. Em Bucareste, Ander foi decepção, pois não criou nada, mostrou-se nervoso, errou finalizações bobas e foi substituído cedo. Assim, Llorente passou despercebido e foi presa fácil para Miranda, que, talvez, fez sua melhor partida na temporada e na carreira no Atlético de Madrid. Susaeta, pela direita, foi anulado por um Filipe Luís que cada vez parece mais com aquele do Deportivo La Coruña que quase acabou contratado pelo Barcelona. Apenas Muniain tentou e teve (pouco) sucesso. A entrada de Ibai Gómez e Iñigo Pérez no segundo tempo foi uma alternativa de Bielsa para colocar velocidade pelos flancos do campo. Com o meio-campo congestionado, as inflitrações seriam necessárias para bater a meta de Courtois.

A escolha da postura e sua execução do Atlético de Madrid foram ótimas. Méritos para Simeone, que pegou uma equipe eliminada na Copa do Rei para o pequeno Albacete (no Vicente Calderón, vale lembrar) e a transformou na campeã da Liga Europa pela segunda vez em três anos. É um time totalmente diferente da época de Manzano. Simeone ajustou a defesa, soube usar o jogo de seus laterais e, sobretudo, apostar no contra-ataque, talvez maior mérito de El Cholo desde seu retorno a Manzanares. A jogada, que inexistiu com Manzano, foi, para muitos, a principal responsável pelo título. Agora, como bem avisou Simeone, é hora de esquecer um pouco o título e seguir adiante na Liga. Contra o Villarreal, na última rodada, os rojiblancos entram em campo necessitando da vitória e torcendo para uma derrota do Málaga para fechar a temporada com chave de ouro: a vaga na Liga dos Campeões da Uefa.

Ao Athletic Bilbao, resta levantar a cabeça. A base é boa, promissora e mostrou ao mundo um dos mais belos futebol da temporada. O País Basco, certamente, está orgulhoso do time. Cair é permitido, claro, mas se levantar é essencial. O choro dos jogadores ao término da partida foi comovente, mas tem mais final pela frente, ainda que seja difícil derrotar o Barcelona, que vem à todo na despedida do Guardiola. Ainda não era hora de título, entretanto a taça pode estar próxima de Gabarra. "Voltamos já", disse Marcelo Bielsa, que deve ter seu contrato renovado. A Liga Europa o espera, Athletic.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Cultura de Madrid

O Mister Liga Europa: mais uma vez decisivo, Falcão García marcou dois e colocou o Atlético de Madrid próximo da final da segunda principal competição de clubes da Europa (AP Photos)

O Valencia sucumbiu ao Atlético de Madrid, no jogo de ida da semifinal da Liga Europa. Querendo uma revanche pela eliminação na mesma competição duas temporadas atrás, os chés só viram pela frente uma avalanche de cores vermelha e branca e, não bastasse, estão muitos próximos de uma nova eliminação. O discursso em Paterna, contudo, é de confiança. E há motivos para isso: as estatísticas mostram que o Valencia costuma marcar mais de um gol jogando no Mestalla na temporada. Além disso, o gol marcado por Ricardo Costa no final deu sobrevida à equipe.

Derrotado mais uma vez em jogo decisivo, não é unanimidade dizer que Unai Emery está balançado no comando técnico valenciano. Hoje, notícias do periódico Superdeporte, que cobre os clubes de Valencia (acima de tudo o Valencia), informou que o treinador teria revelado ao plantel que não irá permanecer sob comando da equipe para a próxima temporada (como a imprensa espanhola vem especulando há tempos) e deixou uma última mensagem: "quero sair pela porta da frente. Vamos em busca do terceiro lugar na Liga e do título europeu", teria dito Unai Emery.

Enquanto isso, no lado capitolino, Simeone esbanja prestígio. Após sua chegada, em janeiro, a temporada atleticana ganhou uma nova dimensão. O plantel era forte, mas o psicológico estava derrubado. Simeone, mestre nessa função, consegue tirar o melhor de cada jogador independente da partida. El Cholo, para começar, definiu uma tática. Se, por um lado, Manzano mexia no módulo tático rojiblanco a cada jogo e sempre mudava o onze inicial, um dos motivos para seu mau trabalho, o argentino estacionou no 4-2-3-1, variando sempre durante a partida para o 4-3-3 ou 4-4-2 em linha. Dá certo porque Adrián e Arda Turan, que compõe a linha de três ofensivo atrás de Falcão García inicialmente, se movimentam muito e recompõe bem na marcação, sobretudo o turco, quando atacado. Adrián, artilheiro da Espanha no Europeu Sub-21 e do Atléti no primeiro turno, tem se sacrificado em prol do time: joga mais aberto à direita e ajuda na marcação pelo seu setor em dentrimento de uma disputa de gols sadia com Falcão García. Não que isso bloqueie o faro de gol do "atacante": são 20 na temporada.

A vitória sobre o Valencia serve para alimentar esperanças de mais um título em solo europeu. Os colchoneros jogaram com muita intensidade, pressão e agressividade. Lembrando o futebol desempenhado pelo maior rival Real Madrid. É um estilo de jogo muito físico, mas os estereótipos não podem encobrir as outras qualidades do time. Filipe Luís enfim encontrou seu futebol após a saída do Deportivo. O lateral, que chegou a ser vaiado no Calderón, ataca com contudência e tem sido importante na marcação pela esquerda. O AS, em sua crônica do jogo, definiu como "cultura de Madrid". Fato é que o Atléti foi bastante superior aos blanquinegros e não abaixaram a cabeça após o gol de empate de Jonas.

Simeone tem dois jogadores em ótima fase no meio: Arda Turan e Diego. O primeiro, instável durante a temporada, quebra as defesas adversárias, como quando serviu Falcão García no gol que abriu o marcador ontem. Diego é mais técnico, mas também impõe correria quando necessário. Após uma passagem apagada pelo Wolfsburg, o brasileiro tem feito valer a confiança depositada nele pela cúpula rojiblanca. Ele orquestra o meio-campo e arma as jogadas para Adrián ou Falcão. Diego sabe que é essencial para o esquema de El Cholo e voltou melhor após a lesão que o deixou fora dois meses. 

O colombiano, por sua vez, merece um parágrafo à parte. Que temporada fenomenal faz El Tigre. Dono de 30 gols na temporada, Falcão mostra-se mais uma vez decisivo em âmbito europeu. Campeão e artilheiro com o Porto na temporada passada, quando superou o recorde goleador de Klinsmann, com 17 gols. Em 2011/2012, são 13. A vitória também estabeleceu dois recordes para a segunda principal equipe da capital espanhola. O Atlético de Madrid tornou-se o primeiro clube a chegar a 15 vitórias numa única temporada em competições europeias e o segundo que ganha 10 jogos consecutivos, atrás apenas do Barcelona (11) de 2002/2003. Individualmente, Falcão e Adrián tornaram-se a primeira dupla a produzir 10 gols um um ano na Europa. Isso é o Atlético, a equipe que, pelo visto, abrangiu a cultura madrilenha de jogar futebol.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Fazendo feio

O Atlético de Madrid de Juanfran não viu a cor da bola na primeira etapa, mas os gols da Udinese só saíram nos quarenta e cinco minutos finais (AP Photos)

O Atlético de Madrid somou ontem mais uma decepção para sua interminável coleção. Jogando fora de casa contra a Udinese, pela terceira rodada da Liga Europa, os colchoneros sofreram dois gols nos minutos finais e terão que apostar todas as fichas no jogo no Vicente Calderón, daqui a duas rodadas, caso queira avançar de fase na segunda principal competição da Europa. Para piorar, a equipe dirigida pro Gregório Manzano completou seis jogos sem marcar ao menos um golzinho.

O início foi avassalador, com Armero e Badu armando as principais tramas ofensivas, mas sem sucesso na hora da conclusão, já que Floro Flores não cansou de desperdiçar chances reais de abrir o placar aos dois, aos oito e aos 17 minutos, quando bateu por cima do gol de Courtois. A partir dos 20 minutos, a equipe espanhola se reorganizou e deu menos espaços. Foi quando o lateral brasileiro Felipe Luís teve a bola nos pés para armar o time, pois Diego e Juanfran tinham dificuldades em penetrar a sólida defesa da Udinese. Se no final do primeiro tempo, aos 44, o goleiro Courtois falhou e quase ofereceu a oportunidade para a Udinese marcar, o final do segundo tempo seria ainda mais emocionante e alucinante.

A entrada de Reyes no Atlético melhorou a movimentação espanhola e fez com que os visitantes passasem a criar mais chances de gol. Mais confortável, o time rojiblanco partiu para cima e passou a deixar espaços em sua defesa. Apesar da facilidade para armar contra-ataques, a Udinese só apostava em Armero, enquanto Isla via o jogo do banco, e mal chegava ao gol adversário. Quando o Atlético de Madri começou a trocar passes de lado com a missão de voltar para casa com um ponto conquistado, a Udinese se atirou à frente e, em dois momentos de muita felicidade, fez o que esteve para fazer durante toda a partida: gols.

O caminho natural para o jogo seria um empate sem gols, mas já beirando os 45 minutos da etapa final, Benatia aproveitou desvio de Fabbrini após cobrança de falta e abriu o placar, fazendo explodir o Friuli. A perda do ótimo ponto que seria conquistado fora de casa fez os madrileños se desesperarem. Desorganizado, o Atlético partiu para o ataque na base do desespero e abriu ainda mais brechas para os friulanos. E em contra-ataque puxado por Badu aos 48 minutos, o desacreditado Floro Flores finalmente fez o dele.

Dessa forma, os italianos tomam a liderança do grupo I com sete pontos, deixando o time do brasileiro Diego na segunda colocação com quatro. Por sorte, os espanhois não perderam mais uma posição, já que Rennes e Celtic empataram na França e seguem na terceira e quarta colocação, respectivamente.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Balanço Final: Atlético de Madrid

Palmas para mim: excelente temporada de Agüero, que já deixou claro que quer sair do clube (getty images)

Campanha: 7ª colocação. 38 jogos, 58 pontos, 17 vitórias, 7 empates e 14 derrotas. 62 gols pró e 53 gols contra. Classifcado à Liga Europa 2011-12.
Competição europeia: Campeão da Supercopa da Uefa em cima da Inter de Milão e eliminação na fase de grupos da Liga Europa
Time-base: De Gea; Ujfalusi, Perea, Godín, Filipe Luís; Tiago, Mário Suárez, Elias, Reyes; Agüero, Diego Costa
Os artilheiros: Agüero (20 gols), Reyes (7) Forlán e Diego Costa (6)
O técnico: Quique Sánchez Flores
O destaque: Sergio Agüero
A decepção: Filipe Luís

Recapitulando: na temporada passada, o Atlético de Madrid foi campeão da Liga Europa e, logo no início da temporada, bateu a poderosa Inter de Milão e conquistou a Supercopa; De Gea se consolidou como goleiro de nível internacional; Jurado foi a única grande baixa do time no mercado, que trouxe um lateral-esquero decente, Filpe Luís, para o elenco; e o clube conseguiu manter Diego Forlán, vindo de uma excelente Copa do Mundo, onde foi o melhor jogador, e Agüero, melhor jogador da final da Supercopa da Uefa. Com isso, obviamente, os rojiblancos foram considerados única equipe a bater de frente com Barcelona e Real Madrid. E, no início da temporada, demonstrou isso: bateu Sporting Gijón e Athletic Bilbao nas primeiras rodadas com resultados convincentes. Porém, as quedas para Aris, na Liga Europa, e Barcelona, na Liga BBVA, marcaram um divisor d'águas para o time. Na competição europeia, eliminação ainda na fase de grupo, que tinha Aris, Rosenborg e Bayer Leverkusen, enquanto que a esperança de conquistar a Copa do Rei parou no rival Real Madrid, que já não perde do Atléti há onze temporadas.

Mas nem tudo foi negativo no clube de Gil Marín, novamente muito contestado ao fim de temporada. A arrancada rumo à classificação para a Liga Europa (que acabou ficando de bom tamanho para uma equipe com condições de pegar uma vaga para a Champions League) e os excelente desempenhos de Agüero e Reyes foram algos para se elogiar na temporada colchonera. Com a "crise" de Forlán, Kun desempenhou papel importante no ataque rojiblanco. Foram 20 gols na Liga (terceiro artilheiro, ao lado de Negredo, do campeonato) e o "prêmio" de melhor jogador do Atléti na temporada. O meio-campista, por sua vez, se achou: em sua melhor temporada na carreira, Reyes abusou do bom futebol, sobretudo no primeiro semestre, e dos gols bonitos e teve papel importante na temporada da equipe: foram sete gols e sete assistências.

Após mais um fracasso, o redimensionamento deverá ser grande. A começar por Agüero, que já publicou em seu twitter o desejo de sair do clube de Manzanares. O destino do argentino poderá ser um entre Juventus, Chelsea, Real Madrid e Barcelona. Em uma enquete do Marca, 56,07% dos internautas escolheram Agüero como atacante preferido para defender o Real Madrid na nova temporada (entre os nomes, estava o de Neymar). Outros nomes que não deverão mais integrar o elenco colchonero é De Gea e Forlán. Após o insucesso frustrante do uruguaio, que perdeu vez para Diego Costa no ataque e sofreu com as lesões musculares, o destino de Forlán deve ser o Besiktas, que levou o capitão Simão à Turquia no mercado de inverno. O jovem goleiro (que, para alguns, já é realidade), apesar de negar, já foi anunciado por Alex Ferguson como o substituto de van der Sar no gol do Manchester United.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Resumo: 31ª Rodada (2ª parte)

Espetacular. Digno de aplausos, o Valencia enfiou uma impiedosa manita em seu rival Villarreal e se consolidou na terceira colocação (getty images)

O domingo prometia na Liga BBVA. A noite espanhola seria fechada com um incrível dérbi valenciano entre Valencia e Villarreal, que há tempos não disputavam uma partida com um importante valor. Em campo, o Valencia fez uma de suas melhores partidas em anos e garantiu uma manita histórica para cima de seu rival, colocando seis pontos de vantagem para cima dos amarillos e garantindo, praticamente, a vaga direta na próxima Champions League. Antes, às 14h, o Atlético de Madrid também fez uma de suas melhores partidas em anos e venceu a Real Sociedad, chegando à sétima colocação. O Espanyol, que só empatou com o Hércules, "conseguiu" o que "queria": saiu da disputa pela Liga Europa. Confira a segunda parte do resumo da trigésima primeira rodada. Boa leitura!

Valencia 5x0 Villarreal (Pedro Spiacci)
O Mestalla recebeu o clássico da comunidade valenciana, envolvendo Valencia e Villarreal. Antes da bola rolar, o palco da final da Copa del Rey homenageou Guaita, goleiro reserva do time da casa, que perdeu o pai nessa semana. Ao ver os cartezes com imagens suas e do patriarca, o goleiro se emocionou muito. Unai Emery armou os ches no 4-3-2-1, com Pablo Hernández cirando à direita e Mata fazendo o mesmo papel pela esquerda. No ataque, apenas o homem de 11 gols em La Liga, Soldado. Já o Villarreal veio no 4-1-3-2. Marchena era o “1” que funcionava muitas vezes como um terceiro zagueiro; no ataque, a ótima dupla Nilmar e Rossi. Mesmo atuando com praticamente cinco defensores, o Submarino Amarelo não conseguia conter Soldado, que recebendo passes de Hernández e Mata aparecia na cara de Diego López. Em uma das jogadas, Miguel recebeu do camisa 19 e descobriu o centroavante, que aproveitou a chance para abrir o placar.

Os ches “transpiravam” muito e não davam espaço para os visitantes. Com isso, na primeira etapa, Nilmar e Rossi pouco fizeram. O Valencia ainda perdeu Tino Costa, por lesão. A saída do volante e a entrada do zagueiro Dealbert resultou em uma mudança tática: saiu o 4-3-2-1 e entrou em ação o 5-4-1. Entre o final do primeiro tempo e o início do segundo, o Villarreal cresceu e deu sinais de que poderia dificultar a vida dos donos da casa. Porém, quando parecia que se complicaria na partida, o Valencia explorou os contra-ataques e matou a partida. Primeiro, através de muitas trocas de bolas, Mata recebeu livre e fez o segundo. O gol foi um balde de água fria nos visitantes. O submarino amarelo sumiu em campo após o 2 a 0, e Nilmar e Rossi sofriam muito com isso, pois não recebiam bolas em condições de criar chances de gols.

Depois Banega fez o terceiro, Mata o quarto e Soldado recebeu de Topal para fazer o quinto, garantindo a manita para os mandantes. O 5 a 0 agora é a maior vitória alcançada pelo Valencia no clássico da região. E hoje, o resultado não poderia ser diferente, pois os ches controlaram as ações durante praticamente todos os 90 minutos. Com os três pontos de hoje, a diferença entre as duas equipes na classificação pulou para seis. Assim, o Villarreal não tem muito o que fazer e deve ficar mesmo com a quarta vaga à Liga dos Campeões 2011-12 e terá que jogar os Play-offs.

Atlético de Madrid 3x0 Real Sociedad (Pedro Spiacci)
Antes do jogo, a torcida colchonera que lotou o Vicente Calderón, prostestou contra a gestão do presidente Enrique Cerezo e da família Gil, que controla as ações do clube. Mas durante a partida, os donos da casa não deixaram a torcida reclamar. Diego Costa, após o triplete na última rodada, deixou Diego Forlán no banco. Quique Sánchez Flores armou o Atlético de Madrid no 4-4-2 ortodoxo, com Suárez e Tiago na volância e Reyes e Koke mais à frente encostando na dupla de ataque Diego Costa e Agüero. Do outro lado, a Real Sociedad veio no tradicional 4-2-3-1, tendo apenas Tamudo no ataque. O Atléti decidiu o jogo cedo. Sem receber pressão alguma, o time controlou a posse de bola, pressionou e atacou muito até Filipe Luís abrir o placar. A bela jogada iniciada com ótimo lançamento de Agüero, que teve a assistência de Diego Costa, resultou no primeiro gol do brasileiro com a camisa rojiblanca.

O Atlético podia ter feito mais gols nos 45 minutos iniciais; porém, o segundo tento só saiu no final da primeira etapa. Reyes fez o que quis com Martínez pelo lado esquerdo da área, passou pelo marcador e rolou para trás, onde Suárez apareceu para marcar o seu primeiro gol em La Liga 2010-11. No segundo tempo, a Real Sociedad ameaçou nos minutos iniciais. Mas não levou muito tempo para o Atlético retomar o domínio total da partida. Bravo, o goleiro rival, teve que se virar para impedir que colchoneros fizessem o terceiro. Porém, o Atléti tinha Agüero, que conseguiu o terceiro tento em um contra-ataque que puxou sozinho. Forlán também foi destaque no segundo tempo. O uruguaio entrou aos 70 minutos de partidas sob vaias e pouco participou do jogo. Cada vez fica mais claro que o tempo do Cachavacha no atléti já está se esgotando. Com os três pontos, o Atlético alcança a sétima colocação, que hoje lhe garantiria a vaga à Liga Europa.

Hércules 0x0 Espanyol
Na segunda partida de Miroslav Djukic no comando técnico do Hércules, um avanço. O empate com o Espanyol no Rico Pérez não tirou os herculinos da zona de rebaixamento, mas já é um grande passo segurar uma equipe da parte de cima da tabela, mesmo que esta esteja em clara má fase. Os blanquiazules atuaram com contudência e até poderiam sair com os três pontos, mas a falta de pegada e a boa partida de Kameni impediram isso. Drenthe parece ser mesmo o pilar da equipe de Djukic. Hoje o holandês chamou para si a responsabilidade e deu muito trabalho a Galán. No lado do Espanyol, Pochettino está preocupado. E não é para menos: há dois meses, o Espanyol estava brigando pela terceira posição. Hoje, a equipe está na oitava posição, fora da zona de Liga Europa e faz na próxima rodada uma final: irá receber no Cornellà o Atlético de Madrid, sétimo colocado. A sete rodadas do fim, os blanquiazules ainda receberão até o término do campeonato, além do Atléti, o Athletic Bilbao e o Sevilla, dois adversário diretos. A vantagem é que irá disputar as partidas em casa, com o apoio da torcida.

Málaga 0x0 Deportivo La Coruña
Num La Rosaleda com mais de trinta mil espectadores, o Málaga não conseguiu furar o bloqueio galego, que jogou com um a menos durante quarenta e cinco minutos finais, e deu continuidade ao inferno do descenso. De volta ao 5-3-2, os comandados de Garrido saíram de campo com a noção de que o ponto conquistado pode ter sido importante para o futuro da equipe, a cinco da zona de rebaixamento. Mesmo após a expulsão de Lopo, os jogadores continuaram exercendo um muro à frente da meta de Aranzubia e abafaram os constantes ataques malagueses, que tiveram uma posse de bola na casa dos 73%. Os acontecimentos desta tarde na Andaluzia só refletem como o Málaga está sem confiança. Manuel Pelegrinni se esgoelou no banco de reservas e não conseguiu mudar a postura de um time com bons valores, mas que não forma um conjunto digno de permanecer na elite. Contra o Hércules, na 33ª rodada, o La Rosaleda voltará a presenciar um confronto direto, mas, desta vez, o peso será outro: só a vitória interessa para o conjunto de Pelegrinni, que irá encarar uma equipe que subiu de produção após a ida de um novo técnico.

Racing Santander 1x1 Levante
No jogo das duas equipes que mais subiram de produção no segundo semestre, um empate com sabor de derrota para o Racing. O gol de empate dos levantinos, marcado por Rafa Jordá, saiu aos 44 minutos do segundo tempo e após erro clamoroso de Torrejón. Os racinguistas também podem lamentar as oportunidades perdidas e a grande jornada de Reina. O catalão fez, pelo menos, três defesas providenciais quando o Racing mais atacava em busca do gol da vitória. A má notícia que fica é a lesão de Bolado, que provavelmente o tira dos gramados por dois meses. O atacante foi o que mais cresceu após o retorno de Marcelino Toral ao comando técnico dos verdiblancos. Para o Levante, que fez uma má partida, fica a notícia de que a invencibilidade de um mês e meio ainda dura. Desde a derrota para o Real Madrid, em fevereiro, a equipe disputou sete jogos e não perdeu nenhum (dois empates e cinco vitórias).

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Novo ano, novas contratações e mesmos apuros

Forlán lamenta por não ter uma defesa boa o suficiente para proteger o Atlético de Madrid (getty images)

No início da temporada, o Atlético de Madrid era apontada por boa parte dos analistas esportivos como o time que poderia desbancar Real Madrid e Barcelona e lutar pelo título de La Liga. A cúpula rojiblanca preparava a temporada com esse mesmo pensamento e também esperava que a equipe brigasse com mais contundência pelo título e, na Liga Europa, conseguisse a manuntenção do título. Enrique Cerezo, presidente do clube, permitiu que o diretor esportivo gastasse cerca de 40 milhões de euros com contratações de destaques, de jogadores que eram destaques de seus clubes. O problema crônica na zaga e na lateral parecia praticamente resolvido, com as contratações de Godin e Filipe Luís.

Porém, os mesmo erros estão sendo mostrados. Após investir 21 milhões de euros com os dois jogadores para quebrar a sequência de maus resultados devido, na maioria das vezes, à falhas de seus zagueiros, os diretores colchoneros vão vendo, porém, o mesmo filme se repetir. Após os dois jogadores frequentarem o banco de reservas nos últimos jogos, a defesa mais uma vez provou não estar afinco a uma equipe que deseja participar de competições europeias e tem aspirações maiores. Se na ida do dérbi os erros responsáveis pela derrota rojiblancas vieram dos pés de Filipe Luís, que parece ter esquecido seu futebol na Galícia, e Alvaro Dominguez, no jogo contra o Sporting Gijón (resumo mais detalhado na segunda parte do resumo da rodada) foi a vez de Perea e Raúl García (ok, este passa longe de ser zagueiro). Ambos os jogadores desistiram na simples tarefa de limpeza de uma bola que estava andando em paralelo na entrada da área e acabou caindo suavemente nos pés de Barral, que não desperdiçou e definiu a partida. Três pontos que tiraram o Atlético de Madrid da zona de Liga Europa, já que o Athletic Bilbao aproveitou-se deste fato e cumpriu sua tarefa de casa, vencendo o Hércules por 3 a 0.

O conjunto treinado por Quique Sanchéz Flores vai a cada partida vendo uma vaga da Champions League ficando distante. Sucessivos combinações perdidas em campos, desorganização defensiva, principalmente, e erros individuais de sua linha de quatro vão escancarando o problema crônico desta equipe. Durante o jogo contra o Levante, no Ciutat de Valencia, onde o Atléti perdeu por 2 a 0, Godín começou a abrir as dúvidas sobre os reforços veraniegos. Dúvidas que converteram em absoluta desconfiança por parte de Quique, que, a partir daí, começou a deixar o uruguaio no banco, retornando sua confiança aos criticados Ujfalusi e Perea como dupla de zaga. Os afetados seriam aqueles que acabaria por convencer Quique de sua incapacidade de sustentar a defesa da equipe na partida desastrosa contra o Hércules, em que Filipe Luís, Domínguez e Godín deram uma exibição de horrores.

A partida acabou com um humilhante 4 a 1 a favor dos herculinos. A goleada retumbante acendeu as luzes do alerta no Calderón, que se culminaria no três dias depois, no dérbi da Copa, e na partida nas Asturias, onde ficou escancarado o climax desta temporada desastrosa dos colchoneros.

A guinada na Europa
Detentor do título da Liga Europa e querendo a manuntenção do torneio, o Atlético de Madrid entrava como favorito da competição. O paradigma, porém, mudou para o Atléti, a começar pela vexatória eliminação precoce na competição europeia, jogando no próprio estádio Vicente Calderón. Como se não fosse o bastante ficar atrás do Aris, inferior tecnicamente, o Atlético de Madrid recebeu uma virada para o time grego atuando em Madrid, quando só precisava de um simples empate para se classificar. Na última rodada, a vaga viria a se decidir no frio de Leverkusen contra o Bayer e o resultado foi um empate, eliminando o time de Manzanares.

A temporada do Atlético ainda não está perdida, mas já é catastrófica. Só uma improvável vaga na Champions - e põe improvável nisso - salva.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Complicado, Atlético...

Ambiente tenso: com mais uma derrota em um dérbi, Quique Sanchéz Flores começa a ficar com as cordas bambas (getty images)

Como deixar de confiar em um time que tem em seu plantel jogadores como Agüero, Forlán, Reyes, De Gea, Filipe Luís, Juanfran? Mas como confiar em um time que, ano após ano, se planifica da melhor maneira possível, gasta muito dinheiro com contratações e, principalmente, não vence o seu maior rival a 35 partidas (12 anos, para exemplificar melhor)? Este dilema pauta o Atlético de Madrid. Os rojiblancos são, sem sombra de dúvidas, um dos times mais difícil de entender em cenário espanhol (e, quem sabe, mundial). Vindos de uma derrota acachapante ante o Hércules, o Atlético de Madrid chegou para o dérbi de ontem pressionado - mais uma vez, diga-se de passagem.

Quando Forlán abriu o placar aos sete minutos, parecia que o tabu estaria prestes a cair. Só parecia. Em nenhum momento o Real Madrid "ajudou" para que a racha negativa colchonera pudesse acabar. Com Cristiano Ronaldo e Özil em dia inspirado, os merengues enlouqueceram a zaga rival, e De Gea era obrigado a fazer grandes defesas para evitar um resultado maior. O jovem goleiro, aliás, só não foi o melhor jogador da partida porque o português e o turco-alemão tiveram um destaque maior. De Gea fez defesas de tudo que é jeito e sem tem alguém a se elogiar neste Atlético de Madrid é o arqueiro. Agüero e Forlán também deram trabalhos à defesa blanca, mas no todo da partida, Sergio Ramos - deslocado para função de zagueiro - e Ricardo Carvalho souberam conter bem os ataques da dupla sul-americana.

O time de José Mourinho se manteve bem ofensivo no primeiro tempo. Teve quase 70%de posse de bola e finalizou oito vezes, contra apenas uma dos visitantes. Na segunda etapa, o ímpeto merengue aumentou mais e orquestrados por Özil, que, até então, fazia uma partida tímida, o Real Madrid virou. A saída de Benzema e a entrada de Kaká também foi um dos fatores da virada merengue. Não que o brasileiro tenha tido participação nos gols, mas a movimentação da equipe mudou e ficou mais veloz, já que Benzema estava muito parado. Antes do gol da virada, porém, Forlán jogou na trave a chance de desempatar o marcador. Um minuto depois, Özil partiu para jogada individual pela direta, deixou Filipe Luís para trás e cruzou na medida para Cristiano Ronaldo aumentar.

No final da partida, Özil fez um de seus gols mais fáceis, mas que serviu para consagrar o melhor jogador da partida. O turco-alemão tabelou com Cristiano Ronaldo e a bola acabou batendo em Filipe Luís e voltando para a canhota mágica do meio-campista, que jogou no canto esquerdo de De Gea para definir a partida. "Falha feia do Filipe Luís, que parece ter ficado na Galícia e mandado um irmão gêmeo pra Chamartín", bem definiu o amigo Leonardo Bertozzi. O lateral brasileiro ainda não se encontrou em Manzanares e parece ter esquecido aquele futebol que quase o levou ao Barcelona.

Sobrou para Quique Sanchéz Flores. O treinador se reuniu com Jesus García Pitarch, diretor esportivo rojiblanco, por duramente uma hora. Quem também não gostou nada da postura dos seus jogadores em campo foi o presidente do clube, Enrique Cerezo. Nas palavras do presidente "os seus jogadores não têm nada do que reclamar do árbitro e que já está cansado de ver a mesma postura exercida em jogos contra o Real Madrid". Apesar de Quique Sanchéz Flores ter mudado totalmente o discurso, ao falar que o Atlético tem chances de classificação por ser "supercompetitivo" em jogos eliminatórios, o ambiente rojiblanco está muito conturbado. E só uma classificação pode inverter a situação, além de dar uma grande injeção de ânimo para a continuidade da temporada.

Na Andaluzia...
Pela primeira vez em sua história, o Almería entrava a campo disputando uma quarta-de-final de Copa del Rey. Disposto a levar o jogo para o Riazor, Lotina montou seu Deportivo no 5-4-1. Porém, não contava com a má sorte de Rindaroy, que marcou o único gol da partida. Um gol contra. Em uma partida bem fraca tecnicamente, as emoções que tomaram o restanta da Copa del Rey não deram as caras no Juegos Mediterráneos por ao menos um minuto. Apenas cinco chutes ao gol em 90 minutos explica porque de uma partida tão fraca. De destaque, apenas Piatti. Presente em todas as ocasiões de perigos do time rojiblanco, o argentino foi o nome da partida, já na vigília para o jogo contra o Real Madrid, no domingo.

Veja também:
Villarreal 3x3 Sevilla
Barcelona 5x0 Real Bétis

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Resumo: 5ª Rodada(3ª parte)

Apos a má estreia, o Villarreal só vence: na vice-liderança, o Villarreal derrotou o Málaga em um jogo polêmico e com cinco gols (AFP)

O Villarreal deu grandes passos no Campeonato Espanhol trás superar o Málaga por 3 a 2, reassumindo a segunda posição - antes, do Barcelona. Um encontro de tempos opostos e marcado pela expulsão de Eliseu ainda na primeira etapa - expulsão controversa, diga-se de passagem. Todos os gols saíram na primeira parte. O Málaga abriu o placar com um trallazo de Eliseu. A equipe andaluz, que havia perdido os três jogos disputados em casa na temporada, parecia que tinha a situação do jogo nas mãos, porém em apenas três minutos o Villarreal mapeou para empatar e virar a partida.

Um chute de Cazorla fora da área blanquiazul despistou Rubén após desviar na defesa e uma bela assistência de Nilmar rematada com sutileza por Rossi levaram a desilusão ao afficionados malacitano, que acabou recuperando as esperanças quando Rondón empatou de cabeça uma jogada do grande destaque dos blanquiazules de momento: Quicy Owusu-Abeyie. Após um segundo tempo morno e com o Málaga se defendendo dos ataques amarillos, aos trinta e três veio o lance que decidiria a partida. Cazorla, cada vez mais mostrando sua melhor versão, quebrou a retranca andaluza com um chute seco e cruzado de fora da área que Rubén não pôde alcançar.

Embora não tenha feito gols, Nilmar foi um dos destaques da partida. O atacante fez boas tabelas e ajudou o time a prender a bola em seu campo ofensivo. O Málaga ainda teve chances de empatar. Fernando chegou a balançar as redes, mas o gol foi anulado – o jogador estava impedido. O Villarreal prendia bem a bola em seu ataque, sobretudo com Nilmar e Rossi. Rúben salvou o Málaga com belas defesas e evitou uma derrota ainda pior para os donos da casa.

Algo qualificado pela imprensa espanhol como mais "importante" que a vitória do Villarreal foi Carlos Marchena. O zagueiro provocou a expulsão de Eliseu em uma jogada idêntica a que ele fez há dois anos, quando provocou o então jogador do Getafe Roberto Soldado. A LFP já se pronunciou sobre o caso e decidiu retirar o cartão do português Com dez homens em campo, o Málaga se quer inquietou a Diego López na segunda parte. O Málaga segue sem vencer em casa desde o dia 21 de março.

Para saber dos jogos de sábado, clique aqui
Para saber dos jogos de domingo, clique aqui

CRAQUES DA RODADA
David Trézéguet (Hércules)
Xavi Hernández (Barcelona)
Fernando Cavenaghi (Mallorca)
Filipe Luís (Atlético de Madrid)

Escalação da rodada
Calatayud (Hércules), Daniel Alves (Barcelona), Abraham Paz (Hércules), Piqué (Barcelona, Filipe Luís (Atlético de Madrid); Busquets (Barcelona), Xavi (Barcelona), Cavenaghi (Mallorca); Soldado (Valencia), Trezeguet (Hércules), Áduriz (Valencia)

domingo, 22 de agosto de 2010

Cumprir às expectativas

O Atlético de Madrid conseguiu segurar os seus dois principais jogadores, e ainda trouxe mais dois de enorme qualidade. Resta saber se finalmente os rojiblancos vão almejar algo maior para a nova temporada (elatleticodemadrid.com)

O Atlético de Madrid vem ganhando ao longos desses últimos 10 anos a fama de ser um time perdedor. E não é por enorme zuação dos torcedores rivais, não. Incrivelmente, o Atlético de Madrid sempre montou grandes times, que ganhavam ar de favoritos às competições que disputasse, mas sempre pecava em alguns pontos. Times bons, mas que fracassavam e mostravam uma cara perdedora. Até a temporada passada, quando conquistou a Liga Europa, o Atlético de Madrid estava há 14 anos sem vencer uma única competição qualquer - 46 sem vencer uma competição europeia. Algo que explica o porquê da fama de time perdedor.

Para a nova temporada, o Atlético de Madrid começou muito bem. O Atléti conseguiu se livrar de Pablo, conseguiu segurar a sua ótima dupla de ataque - Forlán e Agüero - e trouxe um lateral esquerdo de altíssima qualidade - Filipe Luís - , para ser titular em uma das posições mais carente do clube. Com a chegada do promissor Fran Mérida, o Atlético segue como uma das equipes mais fortes da Espanha. O problema é que a defesa - leia-se, zagueiros - continua fraca, pois é difícil imaginar que apenas a chegada de Godín resolva os crônicos problemas da retaguarda colchonera. Falta contratar mais um zagueiro e um lateral direito, para evitar as improvisações - ridículas - de Perea e Ujfalusi. O time precisa que o jovem goleiro De Gea amadureça e Simão, Ujfalusi e Antonio López joguem um futebol compatível com a esperança que a diretoria tem neles para dar passos adiantes.

Para o meio-campo, a ótima notícia é que o clube conseguiu mais um ano de empréstimo do português Tiago, que se encaixou perfeitamente no esquema colchonero. Além do gajo, está de retorno a Manzanarez, Mário Suárez, um dos destaques da bela temporada do Mallorca. Mais amadurecido do que na primeira vez que jogou no Atléti, Suárez, caso mostre o seu "verdadeiro" futebol, deve ser titular da meiuca rojiblanca. Diego Costa é outro que está de retorno. Ainda que seja uma icógnita (boatos do Marca dizem que o brasileiro deve retornar ao Valladolid, porém dessa vez em definito), Diego foi um dos destaques da ótima pré-temporada do Atléti e pode até figurar no time titular, caso Quique volte com o 4-3-3 - o que é difícil.

Ainda que este time seja o melhor nos últimos anos, sempre tem alguém que fique com o pé atrás. Os colchoneros podem acabar com essa dúvida no primeiro grande teste na temporada: o jogo da Supercopa da Uefa na sexta, contra a toda poderosa Inter de Milão. Caso vença, o time pode começar a ter uma mentalidade vencedor. Se perder, a fama de perdedora irá continuar, mas ainda terá três campeonatos inteiros para provar o contrário.

sábado, 31 de julho de 2010

Balanço Final: Deportivo La Coruña

No primeiro turno, Filipe Luís era o destaque do Deportivo que parecia disposto a pegar a vaga à Champions League. Quando lesionou-se, o Deportivo caiu... e muito (reuters)

DEPORTIVO LA CORUÑA

Técnico: Miguel Ángel Lotina
Competição europeia: não disputou nenhuma
Copa do Rei: caiu nas quartas de final
Destaque: Filipe Luís (defensor)
Artilheiro: Riki (8 gols)
Nota da temporada: 5,5

Um time que tem o segundo pior ataque do campeonato precisa contar com a defesa para se salvar. A trajetória do Deportivo deixou isso bastante evidente. No primeiro turno, a defesa foi uma das menos vazadas do campeonato, mascarando a baixa produtividade ofensiva.

Quando os adversários começaram a fazer gols nos galegos, o time despencou e acabou no meio da tabela. A lesão de Filipe Luís tem relação direta com isso, mas o estilo de jogo do time ficou viciado e atacantes como Mista, Bodipo e Adrián decepcionaram.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A falta que fez um lateral

Filipe Luís está de volta: estará na lista de Dunga? (AS)

À primeira vista muitos iriam estranhar um pouco o título da matéria. Mas isso aconteceu, de fato. E com o Deportivo La Coruña. O clube blanquiazul fazia uma temporada muito boa e estava cotado para assumir uma das vagas para a Champions League. Brigava fortemente com Sevilla, Mallorca e até mesmo o Valencia.

Até que, na vitória por 3 a 1 contra o Athletic Bilbao, no dia 23 de Janeiro, uma lesão mudou a temporada dos galegos. Aos 5 minutos do segundo tempo, com o jogo 0 a 0, Filipe Luís dividiu com o goleiro Goirka Iraizoz, do Athletic, e acabou mandando a bola para as redes. Mas, além do gol, sofreu um choque pior: o jogador fraturou o tornozelo direito quando sua perna ficou presa sobre o goleiro adversário, quando este caiu após o lance e, segundo os médicos, estava praticamente de fora da Copa do Mundo. O brasileiro, que foi convocado pela primeira vez por Dunga para a seleção em agosto, deixou os gramados de maca e vou levado imediatamente para o hospital local.

Filipe Luís dividindo com Iraizoz no lance ao qual se lesionou (getty images)

De lá pra cá, o Deportivo sofreu uma queda surreal, caindo da 4ª posição e chegando até a 12ª (hoje está em 10º). Mesmo contando com jogadores de alta produção, o Deportivo sentiu muito a falta de Filipe quando este esteve lesionado. Desde o jogo contra o Athletic Bilbao, o time somava 10 vitórias, 4 derrotas e 6 empates. Após o jogo contra os leones, a queda foi incrível: o time perdeu 12 vezes, incluindo a queda do tabu contra o Real Madrid, e venceu apenas DUAS vezes, empatando quatro vezes. Além disso, foi eliminado da Copa del Rey pelo Sevilla, perdendo em casa por 0 a 3.

Quando entrara em campo, contra o Mallorca, a torcida galega o ovacionou e fez um gesto semelhante à que a torcida do Barça faz para Messi. Uma reverência. Quando entraste em campo, o jogo estava 0 a 0, e o brasileiro mostrou ter estrela e "justificou" o motivo da queda de rendimento do Deportivo no período à qual ficou lesionado: em um jogo em que o Mallorca comandava e tinha mais chances reais de abrir o placar, logo após o retorno do brasileiro, Riki abriu o placar para o Deportivo, dando a vitória para os blanquiazules.

Filipe Luís marcando Messi: o brasileiro, na maioria das vezes, leva a melhor sobre o argentino... só individualmente (reuters)


Amanhã, Dunga dilvugará a lista com os nomes dos jogadores que irão à Copa representando a seleção brasileira. Filipe Luís tem esperança: ele será chamado?

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ATUALIZADO (11/03):

Filipe Luís não foi convocado. Nem na lista de espera o lateral está. Dos que atuam no futebol espanhol, apenas Daniel Alves (Barcelona) e Kaká (Real Madrid) foram convocados. Marcelo (Real Madrid) está na lista de espera.