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terça-feira, 18 de junho de 2013

Os melhores da Liga BBVA 2012-2013

Após as revelações, chegou a vez dos melhores. O Quatro Tiempos votou para eleger os melhores da temporada dividido em três categorias: a seleção da temporada, o melhor jogador e o melhor jovem (considerando até 21 anos). Dessa vez, contamos com a colaboração mais do que agradável da equipe do Futebol Espanhol, jornalistas brasileiros e espanhol. Agradecemos a cada um dos participantes desta votação e também a você, leitor, que nos acompanha diariamente. E se a Liga BBVA entra de férias, não se preocupem: o blog continuará na ativa no período da pré-temporada. Boa leitura.

Isco Román, o Golden Boy europeu e o melhor jovem da Liga BBVA 2012-2013 (UEFA)

Seleção da temporada
Courtois (Atlético de Madrid); Carlos Martínez (Real Sociedad), Iñigo Martínez (Real Sociedad), Sergio Ramos (Real Madrid), Filipe Luís (Atlético de Madrid); Xabi Alonso (Real Madrid), Iniesta (Barcelona), Özil (Real Madrid); Messi (Barcelona), Falcao García (Atlético de Madrid), Cristiano Ronaldo (Real Madrid). Treinador: Diego Simeone (Atlético de Madrid).

Melhor jovem: Isco Román, do Málaga
O Golden Boy europeu brilhou por mais uma temporada. Pelo segundo ano consecutivo, Isco termina a Liga Espanhola como o melhor jovem. Dessa vez, teve a concorrência de Varane (Real Madrid), Iñigo Martínez (Real Sociedad), Illarramendi (Real Sociedad) e Courtois (Atlético de Madrid), que tiveram seus nomes mencionados entre os votantes. Invertendo posição com Joaquín e ora Eliseu, ora Júlio Baptista na veloz linha de três do Málaga, Isco brilhou. Jogando numa posição em que ficava mais próxima do gol, o espanhol deixou o rótulo de promessa de lado para virar realidade: com apresentações de gente grande contra Real Madrid e Barcelona, além das brilhantes partidas na UCL, ele está sendo disputado por Real Madrid e Manchester City. Em entrevista ao AS no início da semana, Isco afirmou que irá pensar no melhor para o Málaga e para ele na hora da decisão. Hoje, ele tornou-se campeão da Eurocopa Sub-21 com a seleção espanhola e foi consagrado com o troféu  de melhor jogador da competição.

Melhor goleiro: Thibaut Courtois, do Atlético de Madrid
O sucessor de Peter Cech vai construíndo uma carreira de ouro em Manzanares. No topo de seus 21 anos, Courtois é bastante querido pela torcida colchonera, especialmente após a grande partida que fez na final da Copa do Rei contra o Real Madrid. Se o principal rival do Atlético era a pedra no sapato do belga, que costumava falhar perante Cristiano Ronaldo, dessa vez ele parece ter quebrado esse obstáculo. A temporada de ouro de Courtois foi premiada com a conquista do Troféu Zamora, que premia o goleiro menos vazado. Após quatro temporadas, enfim alguém superou Víctor Valdés no troféu dado pelo Marca. Menções honrosas a Caballero, do Málaga, e Diego López, do Real Madrid.

Melhor defensor: Iñigo Martínez
O salto na carreira de Iñigo Martínez foi dado nesta temporada. Um ano depois de ter aparecido na lista das revelações da temporada 2011-2012, o basco, em apenas seu segundo ano como profissional do time A da Real Sociedad, foi um dos principais pilares do time que alcançou a vaga na fase preliminar da Uefa Champions League. Foi, também, por que não, uma temporada de redenção ao jovem, que sofreu uma lesão no menisco em abril do ano passado, retornando apenas em agosto. Bom no jogo aéreo, seguro no mano-a-mano e com um bom arremate de fora da área, ele começa a ter seu nome ligado a uma possível transferência ao Barcelona. Quem também recebeu votos foram Sergio Ramos (Real Madrid), Demichelis (Málaga), Varane (Real Madrid), Miranda (Atlético de Madrid) e Piqué (Barcelona). 

Melhor meio-campista: Andrés Iniesta
Em crescente desde o título da Eurocopa, Iniesta voou na temporada. Bem fisicamente, o espanhol foi o segundo melhor blaugrana no ano e terminou a Liga com sensacionais 16 assistências. Na primeira parte da temporada, foi escalado aberto à esquerda do ataque por Tito Vilanova, numa tentativa de encaixar Fàbregas ao lado de Xavi e Andrés. Deu certo, com os três atuando num nível positivo. No entanto, após as derrotas para Milan e Real Madrid, Tito/Roura resolveram colocar Villa no ataque e atrasar Iniesta à sua posição de origem, onde ele atua melhor. Ao lado de Xavi, Iniesta controla mais a armação das jogadas. Menções honrosas: Xabi Alonso (Real Madrid), Beñat (Bétis), Kondogbia (Sevilla), Illarramendi (Real Sociedad), Xavi (Barcelona), Busquets (Barcelona), Özil (Real Madrid), Isco (Málaga) e Xabi Prieto (Real Sociedad).

Lionel Messi: artilheiro da Liga pela segunda vez consecutiva e terceira em sua carreira, o argentino foi o melhor jogador da competição (Getty Images)

Melhor atacante: Lionel Messi
Melhor jogador: Lionel Messi

Mesmo não tendo sido, tecnicamente, a melhor temporada da carreira de Messi, o argentino novamente assombrou. Com 46 gols em 32 jogos, o argentino deixou os rivais bem para trás na disputa pela artilharia. Seu principal rival, o português Cristiano Ronaldo, foi o vice-artilheiro com 34 gols. Mesmo com o título espanhol, o Barcelona viveu uma temporada difícil, com muitos problemas de lesão e Tito Vilanova tendo que sair no meio do campeonato para se tratar de um câncer em Nova Iórque. 

No entanto, nenhuma outra lesão foi tão sentida pelo torcedor como a de Messi, que se lesionou numa partida da Uefa Champions League contra o PSG e, a partir daí, foi utilizado esporadicamente em jogos especiais. Nesse período a Messi-dependência que vem sendo criada desde o fim da era Guardiola foi escancarada. O melhor jogador do mundo também não foi ameaçado na nossa votação: dos oito votantes, seis votaram no argentino como melhor jogador- os outros dois votaram em Cristiano Ronaldo. Na categoria melhor atacante, menção honrosa a Falcao García, que só não recebeu um voto dos oito participantes.

Votantes da seleção dos melhores da Liga BBVA 2012-2013
Josep Capdevila (Diário Sport, Catalunha)
Leonardo Bertozzi (Espn)
Marcelo Bechler (Rádio Globo)
Maurício Bonato (Sports +)
Pedro Pedroso (Futebol Espanhol)
Pierre Andrade (Futebol Espanhol)
Vitor Sergio (Esporte Interativo)
Victor Mendes (Quatro Tiempos/Doentes Por Futebol)

segunda-feira, 25 de março de 2013

A hora da verdade

Na coletiva, Vicente Del Bosque mostrou-se confiante. O treinador afirmou que só irá forçar Xavi se o catalão estiver 100% (AS)

Na última quinta-feira, na coletiva pré-jogo contra a Finlândia, Vicente Del Bosque havia afirmado que seria necessário concentrar seus jogadores para o duelo contra os finlandeses antes de ir a Paris para o jogo decisivo contra a França. Para o treinador, os dois jogos teriam valores iguais. Ele parecia adivinhar do que viria pela frente. Na sexta-feira, a Fúria pecou por aquilo em que mais é criticada: o preciosismo. Durante o primeiro tempo, encarou uma super-retranca montada pelo técnico Paatelainen, que fixou duas linhas de quatro protegendo a retaguarda do arqueiro Menp. No entanto, em relação ao Barcelona quando encara retrancas, a Roja apostou nos chutes de fora da área, especialmente de Iniesta e Villa, mas sem resultados. 

O gol de Sérgio Ramos no início do segundo tempo jogou por água abaixo o esquema de Paatelainen. Obrigada a sair ao jogo, a Finlândia deixou espaços, não aproveitado pela Espanha, que preferiu cadenciar o jogo. O castigo veio a dez minutos do fim, quando Arkivuo aproveitou a lacuna deixado por Arbeloa na direita e cruzou para Pukki marcar. O lance gerou uma pequena discussão entre o lateral do Real Madrid e Piqué, que teve que cobrir a lateral direita, deixando espaço suficiente para o atacante finlandês anotar seu gol.

Amanhã, às 17h, horário de Brasília, a Fúria irá precisar emular, acima de tudo, seus melhores momentos nos últimos anos para sair do Saint-Denis com três preciosos pontos. No confronto em Madrid, há quatro meses, uma cínica França relegou a bola aos espanhóis durante 90% do tempo e levou perigo ao gol de Casillas em contra-ataques. Deve repetir a estratégia que serviu para tirar dois pontos da seleção de Del Bosque no Vicente Calderón, quando Giroud silenciou o estádio do Atlético de Madrid aos 47 minutos do segundo tempo.

Antes de encarar a Roja, os Bleus fizeram o dever de casa. Contra a Geórgia, uma tranquila vitória por 3×1, que teve Paul Pogba como destaque. O volante de 20 anos é autor de uma grande temporada pela Juventus e começa a mostrar desempenho positivo pela seleção. Ele dominou o meio-campo e fez excelente dupla com Valbuena, autor de um gol e uma assistência para Ribéry marcar. Por outro lado, Didier Deschamps vive um dilema com Benzema. Sem marcar pela França há 10 jogos, o atacante merengue, ainda por cima, foi cobrado por um grupo de extrema direita francês por não cantar o hino nacional do país. Em entrevista à Rádio Marca, Deschamps deixou em evidência sua confiança em Benzema, que “vem jogando bem, mas está dando azar de não ir às redes”.

Na Espanha, Vicente Del Bosque irá esperar por Xavi até o último momento. Com desconfortos musculares, ele foi poupado na última sexta e tem sua participação colocada em xeque. O treinador madrilenho afirmou não querer forçar o uso do meio-campista catalão: se ele não estiver em condições, não irá jogar. Se Xavi não jogar, é provável que Iniesta continue no meio-campo e Mata e Fàbregas disputem uma posição no ataque. À exceção de um apagão que gerou o gol de empate da Finlândia, os defensores têm se comportado bem. Mas encarar uma França que irá apostar no contra-ataque irá requer mais atenção de Arbeloa, que deixa muitos espaços às suas costas. Monreal, pela esquerda, terá que ser tão incisivo quanto Alba, fora da partida por lesão. Del Bosque tende a insistir com Villa no ataque, pois Silva, suspenso, é desfalque confirmado. 

Os espanhóis têm a vantagem da alta posse de bola. Mas há a ressalva de que especialmente amanhã será necessário mais profundidade e rapidez na troca de passes para desgastar o meio-campo francês. Diminuir o jogo pelo centro a fim de procurar mais os pontas será crucial. Com Pedro, de fato, a Espanha irá ganhar em incisão pelo flanco. A França, por sua vez, trocou o esquema nos dois últimos jogos contra o selecionado de Del Bosque. Ainda com Laurent Blanc, os Bleus entraram com uma trinca de volantes, abdicando de um meio-campista de ligação. Líder do grupo com 10 pontos, uma vitória colocará os franceses a um passo e meio da Copa. 

Para os mais supersticiosos, Paris costuma ser o local de glórias para o esporte espanhol. O maior exemplo é Rafael Nadal, heptacampeão de Roland Garros na capital francesa. Além dele, o ciclista Alberto Contador ganhou duas etapas do Tour da França em Paris, Manuel Maldonado foi medalha de ouro da prova de 1.500 no Europeu de pista coberta de atletismo em 2011 e o Barcelona de Puyol, Xavi e Iniesta voltou a ganhar uma Uefa Champions League no Saint-Denis, palco do clássico desta terça-feira. 

Prováveis escalações, de acordo com o Marca. 
FRANÇA: Lloris; Jallet, Varane, Sakho, Clichy; Pogba, Matuidi, Valbuena; Benzema, Giroud, Ribery.

ESPANHA: Víctor Valdés; Arbeloa, Piqué, Sergio Ramos, Monreal; Busquets, Xabi Alonso, Iniesta; Villa, Fàbregas (Mata), Pedro.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Cenário diferente

 Iniesta e Pedro: o canário, melhor em campo contra a Bielorrúsia, deve começar novamente como titular contra a França (getty images)

Em Donetsk, há quatro meses, a Espanha entrou em campo contra a França sob dúvidas. Após uma fase de grupos onde mostrou um futebol bastante pragmático, a Fúria precisava se desligar dos rótulos. Nos primeiros 30 minutos, a seleção encaminhava-se para tal. Nesse período, o time de Vicente Del Bosque pressionou a França como ainda não havia feito com nenhum adversário nos três primeiros jogos. E abriu o placar, após passe incisivo de Iniesta, arrancada e cruzamento de Alba na medida para Xabi Alonso testar. Depois disso, a Roja voltou ao modo preguiça. Tocou, tocou, tocou, pouco foi ameaçada e achou mais um gol no final do jogo, novamente com Xabi Alonso, convertendo pênalti controverso sofrido em cima de Pedro.

Amanhã, às 16h, as seleções se enfrentam no Vicente Calderón, em Madrid. A partida marca o retorno de Fernando Torres ao estádio onde teve suas primeiras grandes exibições como profissional. El Niño, provavelmente, não será titular, mas o reencontro com a torcida colchonera será emocionante. Os aficionados do Atlético de Madrid prometeram uma homenagem ao seu ídolo antes da bola rolar. Em campo, Del Bosque deve manter Fàbregas como falso nove. O barcelonista se adaptou à posição e sente-se à vontade em campo com uma maior liberdade de movimentação. Mais cedo, na coletiva antecedente ao duelo, Cesc afirmou que a posição é relativa, ainda que prefira atuar de meio-campista. O Marca fez um levantamento afirmando que, nesse sistema, a Fúria marca mais gols.
As prováveis escalações, segundo o Marca

Há quatro meses, o duelo, válido pelas quartas-de-finais da Euro, foi naturalmente estudado durante boa parte da primeira etapa. Amanhã deve ser diferente. Com as duas seleções dividindo o poderio de favoritas do grupo, o confronto tende a ser mais disputado. Ainda mais pelo fato de haver mais uma partida a ser feita entre eles, daqui a um ano, o que mostra que tanto França quanto a Espanha devem ousar mais. Ninguém tem convicção de que a dupla irá superar Geórgia, Finlândia e Bielorrúsia.

As lesões de Piqué e Puyol deixa a defesa espanhola sem seus donos. Del Bosque tem Raúl Albiol à disposição, mas deve optar pela improvisação de Busquets, como no confronto de sexta. O treinador, também, não sabe se irá contar com Sergio Ramos, com desconfortos musculares. Embora o andaluz esteja apto pelo departamento médico, Del Bosque afirmou que só irá se decidir em última hora, pois não pretende forçar seu uso. No ataque, após a ótima atuação com direito a hat-trick ante a Bielorrúsia, Pedro larga na frente de Villa e Jesus Navas para iniciar o jogo. A defesa de Laurent Blanc atua bem adiantada, e a dupla formada por Rami e Sakho é muito lenta. Koscielny, do Arsenal, parecia ser uma alternativa interessante para minimizar a questão, mas Blanc prefere os zagueiros de Valencia e PSG pelo fato do gunner não viver boa fase. A capacidade de Pedro de se infiltrar nas defesas adversária  pode ser a chave da vitória espanhola. Xavi, que irá atuar no setor onde mais gosta, provavelmente irá abusar das bolas lançadas às costas de Debuchy.

Do meio para frente, em compensação, a França é ótima. Ainda que M’Vila seja desfalque, Matuidi  pode substituí-lo em alto nível. A tendência é o meio-campo francês sentir-se mais "à vontade" em relação ao confronto de junho pelo fato do meio-campo espanhol estar desfalcado de seu principal marcador, Busquets. Com Xabi Alonso, que não é marcador nato, jogando de primeiro volante e organizando o time à frente da defesa, a Fúria fica mais "exposta". O contra-ataque francês exigirá concentração da defesa Roja. Ribéry, à esquerda, deve centralizar para criar jogadas, trocando posição com Benzema, que, assim como contra o Japão, irá jogar no auxílio ao centroavante Giroud. Menéz, à direita, irá dar trabalho extra ao ofensivo Alba, que terá que fazer uma marcação semelhante a que fez em Di María, no superclássico - onde se saiu bem, diga-se de passagem.

A França perdeu para o Japão num lance de azar na última sexta-feira. Os Bleus controlaram a partida, tiveram quase 60% da posse de bola, mas sofreram um contra-ataque fatal que resultou no gol de Kagawa. Amanhã, a equipe de Blanc irá trabalhar como os nipônicos. Vicente Del Bosque sabe disso. A seleção espanhola tem armas mais do que suficientes para levar os três pontos, mas a França, como bem disse Iniesta, promete dificultar e muito a vida dos atuais campeões mundiais e europeus.

domingo, 24 de junho de 2012

Propaganda enganosa

 Com atuações positivas nesta Euro, Xabi Alonso tem saído da sombra de Xavi e é um dos destaques da competição (Marca)

Por Ubiratan Leal

Ver o jogo por cima, sem muitas considerações e reflexões, permite equívocos. É como avaliar o Espanha 2x0 França pelo placar, e pela superioridade espanhola durante a partida. A Fúria praticou seu futebol de toque de bola, não foi ameaçada pelos franceses e não teve dúvidas de que conseguiria se classificar. Boa atuação, então? Não é bem assim. A facilidade da vitória não significa que o desempenho tenha sido bom ou convincente. Foi seguro. E parte da segurança se deveu à passividade da França diante do placar negativo, diante do predomínio do sistema de jogo espanhol sobre o seu. Mas, quando precisou ser mais aguda e incisiva com esse seu futebol, a Espanha sofreu.

A troca incessante de passes neutralizou o meio-campo francês, mas a equipe de Vicente Del Bosque deu razão para quem fala em “futebol improdutivo”. Durante quase todo o jogo, o meio-campo não encontrou o ataque. Os espaços não apareciam, e a movimentação ofensiva não era suficiente para criá-lo. A crônica da falta que David Villa faz a esse time continua válida. O duelo foi modorrento durante os 90 minutos. Só houve um momento em que a dinâmica foi quebrada: quando a Espanha conseguiu jogar pelos lados. No caso, foi o apoio de Jordi Alba pela esquerda. Um lateral que aparece pouco, e, quando o fez, pegou Reveillère desprevenido. O espanhol venceu na velocidade e chegou livre na linha de fundo. Teve temo de olhar para a área e perceber Xabi Alonso livre para receber o cruzamento e cabecear para o gol. Detalhe para o passe de Iniesta, melhor da Espanha e da Eurocopa, no lance oriundo da jogada, que quebrou a linha defensiva dos Bleus.

Detalhe que nenhum jogador do meio-campo e do ataque encontraram esses espaços. Foi um lateral e um volante que apareceram. Isso não tira o mérito da Espanha, já que mostra que o perigo pode vir de diferentes lados. No entanto, também mostra os problemas do meio para frente, o que já ficou evidente nas partidas contra Itália e Croácia. O segundo tempo praticamente não existiu. Foi um time segurando a bola para manter o placar contra outro que olhava jogar. Fàbregas teve uma boa jogada, quando foi lançado por Xavi e só não fez o segundo gol porque Lloris salvou. Fora isso, foi um jogo arrastado, em que a facilidade dos espanhóis de impor seu jogo não significa que tenha pressionado o adversário e feito o que bem entendesse em campo.

Ah, e teve o segundo gol... Mas, convenhamos, só o árbitro viu aquele pênalti em Pedro. De qualquer modo, ele não mudou o andar da partida (o jogo estava nos minutos finais) e só ajudou a construir um marcador que dá uma sensação enganosa de vitória convincente. A Espanha tem mais bola do que jogou contra a França, e não pode se contentar pelo fato de o placar ter ficado em 2 a 0.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Aprendeu, Del Bosque?

 "Dois gols tá bom ou você quer mais?", poderia ter dito Fernando Torres a Del Bosque (getty images)

Antes da estreia na Eurocopa contra a Itália, Vicente Del Bosque se expressou utilizando todas as palavras: não usaria o modo Barcelona de jogar, com um falso nove. Puro blefe. Abdicou de Llorente, Fernando Torres e Negredo e foi a campo com Fàbregas na referência. O meio-campista do Barcelona (meio-campista, é bom deixar claro) marcou, mas a Roja penou para bater a meta defendida por Buffon. Só marcou porque abusou de seu estilo de jogo na jogada, com troca de passes e triangulação entre Iniesta, David Silva e Fàbregas. Minutos depois, Vicente sacou Cesc e colocou Fernando Torres. Em menos de 30 minutos, El Niño criou três oportunidades claras de gols. 

Não obstante, o treinador campeão mundial recebeu uma chuva de críticas após o duelo. Até José Mourinho e Luis Aragonés trataram de criticar a escalação inicial. O madrilenho manteve a calma e até acenou com a possibilidade de atuar novamente com a mesma escalação ante a Irlanda. Novamente, puro blefe. Dessa vez, positivo. Em relação ao jogo contra os italianos, uma única mudança: saiu Fàbregas e entrou Fernando Torres. Uma troca substancial. Não que Fàbregas seja mau jogador, muito longe disso. Acontece que não há como escalá-lo como centroavante. É abdicar das principais características dele. Fica longe da fluência de jogo no meio-campo, do tiki-taka feito pelo setor e, principalmente, da armação das jogadas, que, a bem da verdade, foi muito bem feita por Xabi Alonso contra a Irlanda.

A seleção de Trapattoni nada pôde fazer para segurar o ímpeto espanhol. Conhecido por armar bem uma boa retranca, como um bom e velho italiano, o treinador vê seus comandados decepcionarem. A Irlanda da Eurocopa é a antítese daquela das Eliminatórias. Sentindo o peso da competição, atua em um baixo nível e não consegue segurar os ataques rivais. Havia sofrido com os contra-ataques da Croácia e perdeu a cabeça ante o jogo de troca de passes espanhol. "Foi um golpe psicológico", como apontou José Capdevila, editor-chefe do Diário Sport. Daniel Leite, colunista de futebol inglês do IG, escreveu bem sobre a seleção e a definiu perfeitamente: Trapattoni prioriza a experiência em detrimento do talento. Em momento algum sabe o que fazer com a bola nos raros momentos em que a tem nos pés. Sai do torneio de forma decepcionante, já que o ferrolho que a caracterizou nas eliminatórias não foi eficiente em momento algum. 

Para a Espanha, valeu por três nomes. David Silva reencontrou seu bom futebol. Marcou uma vez e assistiu duas. Dos cinco gols espanhóis em solo ucraniano, participou de quatro. Ainda pode aparecer mais, mas sua evolução é notória. Há duas semanas, escrevi que ele, junto a Iniesta, seriam os candidatos a destaques da seleção e da competição. Quem começa a entrar nessa galeria é justamente o blaugrana. O melhor em campo contra a Itália voltou a repetir uma exibição positiva. Driblou, tocou, chutou. Para esse colunista, é, ao lado de Schweinsteiger, Pirlo e Dzagoev, o craque dessa edição da Eurocopa. 

O maior destaque, contudo, não poderia ser diferente de Fernando Torres. Há dois meses, tinha sua participação na competição colocada em xeque. Após uma temporada negra no Chelsea, sua reta final teve lampejos do velho Torres. O gol contra o Barcelona em pleno Camp Nou, pelo visto, valeu para recuperar a confiança de um dos melhores matadores dos últimos anos. Dentro das quatro linhas, ratificou a confiança de Del Bosque. Se movimento, saiu de fora da área várias vezes para participar das linhas de passes, abria espaço para as infiltrações de Iniesta, Silva e Xavi e marcou duas vezes. Sua boa partida é uma excelente notícia para a Espanha. Agora, a Roja pode contar com um centroavante de confiança e parar de ver as improvisações de meios-campistas no ataque. Com quatro pontos, joga por um empate contra a Croácia para avançar de fase.

domingo, 10 de junho de 2012

O erro de Del Bosque

 Vicente Del Bosque sério: no momento, não há motivos para risadas (getty images)

Enquanto treinador da seleção brasileira, Dunga fora severamente criticado por abraçar seu grupo e não fazer mudanças nele de jeito nenhum, não importando a fase de outros jogadores. O treinador, também, era bastante criticado por não repensar nos seus ideais, mesmo estando fora de validade. No Hemisfério Norte, há quem viva situação semelhante. A imagem de Vicente Del Bosque com os meios de comunicações espanhóis, antes mesmo da Eurocopa começar, não era das melhores, mas o fato da Fúria vencer, mesmo não convencendo, blindava e escondia as críticas. Bastou uma jogo fora do eixo para isso explodir.

Durante a semana, especulava-se bastante sobre como o treinador madrilenho iria a campo para encarar a Itália. Em sua primeira coletiva em solo ucraniano, Del Bosque chegou a afirmar que o Barcelona é uma de suas inspirações, mas que não copiaria todo o estilo de jogo blaugrana, sobretudo o fato de usar um falso nove (no caso do Barça, Lionel Messi), pois queria um centroavante de velocidade para poder entrar em sincronia com os meio-campistas nos contra-ataques, principalmente. A declaração chamou a atenção e deixou mais dúvidas no ar: se Fernando Torres e Llorente não se encaixam nesse perfil de referência proposta pelo treinador, Negredo, sua última opção, começaria jogando? O Mundo Deportivo chegou a confirmar a escalação da Roja com o andaluz, o que levava a um novo debate: se, no Sevilla, suas atuações mais abaixo do nível foram jogando exatamente como única referência, qual motivo levaria Del Bosque a utilizá-lo nessa posição num jogo importante de Eurocopa? E outra: se a proposta de jogo, a partir de agora, seria essa, por que o corte de Soldado, que se encaixe perfeitamente nesse estilo?

Porém, tudo não passava de um blefe. Mesmo desmentindo, a escalação inicial não teve nenhum atacante. O madrilenho foi a campo com Fàbregas de falso nove, surpreendendo a muitos. Uma escalação bastante controversa, principalmente pelo fato da Espanha ter criado muito poucas ocasiões na primeira etapa. Apesar de ter feito o gol (que, vale comentar, pareceu de um centroavante), Fàbregas parecia perdido. No Barcelona, chegou a ser testado por Pep Guardiola na posição duas vezes, onde não saiu-se bem. O próprio Del Bosque tem o exemplo negativo, quando utilizou David Silva na posição contra a Inglaterra na derrota por 1x0. O "4-6-0 ", dito por Muricy Ramalho, de fato não dá certo na seleção espanhola. Talvez para tentar surpreender Cesare Prandelli, treinador da Itália, Del Bosque tenha optado por essa escalação, que não deve ser iniciada contra a Irlanda.

A imprensa europeia, no geral, foi contra a falta de referência e até personagens como José Mourinho e Luis Aragonés criticaram o futebol exercido pela Roja. " Não é bom só toque de bola entre Xavi, Iniesta e Cesc sem que se crie uma ameaça a Buffon. É claro que houve um grande esforço dos meias espanhóis, mas sem um centroavante a Espanha teve um ataque estéril", disse o português. Para Aragonés, a fórmula de um falso nove funciona no Barcelona porque Messi é o jogador utilizado para desempenhar a função. O treinador campeão com a Fúria foi sintético e claro em suas declarações. Mesmo tendo desperdiçado três oportunidades, o uso de Fernando Torres (ou Llorente) é obrigatório. El Niño pode não ter feito gol, mas a zaga da Itália entrou em apuros depois que ele entrou. Referência ofensiva deixou De Rossi perdido. O jogador da Roma fez um primeiro tempo impecável e foi o melhor em campo ao lado de Iniesta, que recebeu a honraria da Uefa.

O preciosismo espanhol na hora da arremate final também foi um ponto negativo. A Espanha foi técnica e envolvente, mas quase sempre preferiu o passe ao chute. Xavi, Iniesta, Fàbregas e Silva entravam tocando e promovendo intensa movimentação, mas demoravam a concluir. Algo que vem chamando a atenção desde a Copa do Mundo, mas que Del Bosque insiste em continuar deixando passar batido. Diante de uma Itália que defendia no 5-3-2 – com De Rossi na sobra da zaga e os laterais Maggio e Giaccherini mais contidos – e só arriscava nos passes longos de Pirlo para Balotelli e Cassano, a campeã europeia e mundial não encontrava soluções ofensivas. Com  Arbeloa e Jordi Alba muito conservadores no apoio e Xabi Alonso organizando de trás, não havia o elemento surpresa para desmontar a marcação. 

Xavi, fora de sua posição no 4-3-3 espanhol, passou despercebido. Quem também decepcionou foi David Silva. Apesar da assistência linda para Cesc marcar, o camisa 21 pode atuar melhor do que ontem. Outro emblema da seleção é o fato de não aproveitar uma das principais jogadas do Barcelona. Enquanto os blaugranas são avassaladores e esmagam seus adversários por aproveitaram, à perfeição, as entradas em diagonais e as infiltrações pelos flancos, na Fúria a jogada inexiste. Para muitos, o principal motivo para os catalães golearem e a Fúria ser mais pragmática. Quinta-feira, a Espanha volta a campo e espera espantar todas as dúvidas colocadas em xeque após o empate na estreia. Enquanto isso, as dúvidas também permanece sobre a escalação. Del Bosque vai fazer jus às palavras e não jogar com um falso nove?

terça-feira, 17 de abril de 2012

Falta um algo a mais ao Real Madrid?

Özil e Cristiano Ronaldo são símbolos de um Real Madrid que, por ora, padece nos momentos decisivos (getty images)

"Talvez esse Real Madrid tenha um pouco menos de fantasia do que no passado", disse Jupp Heynckes, técnico do Bayern de Munich. Embora tenha admitido que os blancos são muito perigosos e uma das melhores equipes do mundo, o treinador campeão europeu com o Real Madrid em 98 não hesitou em soltar essa. Os números mostram o contrário: só o fato de contar com 108 gols na Liga Espanhola joga por água baixo a confirmação do alemão. Mas a análise de Heynckes, baseada nos jogos contra equipes grandes do Real Madrid, teve sua validade comprovada há pouco, na derrota por 2x1 para o Bayern de Munich na partida de ida das semifinais da Uefa Champions.

Quando falamos em fantasia, quase toda comparação que se faça com o Madrid campeão pela última vez da Uefa Champions League será ingrata. Afinal, a força motriz daquele time era um meio-campo com Makélélé, Figo, Zidane e Mcnamanam. A formação inicial de hoje não foi diferente da habitual. Teve Xabi Alonso, Khedira, Di María, Özil e Cristiano Ronaldo. Mas aí vem o questionamento sobre o poderio dessa equipe em partidas que requer múltiplo esforço. Di María esteve bastante opaco e errou quase tudo que tentou. Cristiano Ronaldo não foi nem 40% do jogador de 53 gols na temporada e passou em branco perante Phillip Lahm. Özil e Benzema tentaram, mas não tiveram muito sucesso. O alemão teve lampejos, marcou até o gol de honra, mas em certos momentos da partida foi anulado pelo compatriota Schweinsteiger.

Talvez faltasse mais ousadia por parte de Mourinho. O recuo inexplicável após o tento de Özil, quando o Real Madrid dominava, chamou o Bayern ao jogo. Saíram Di María e Özil, entraram Marcelo e Granero. Aí vem mais um questionamento: por que não apostar na ofensividade da equipe e tentar sentenciar ainda em Munich. Havia espaços para isso. A defesa do Bayern, como explicada no preview, não é nada confiante. Tirar Di María, que ainda mostra uma falta de forma física ideal em relação ao pré-lesão, não é nada anormal, mas por que não Kaká? O brasileiro vem crescendo de produção e é mais confiável nesses tipos de jogos.

É também importante entender a cabeça de Mourinho em grandes jogos. O tímido 4-3-2-1 após o gol de empate, com Cristiano Ronaldo distante do gol, é mais uma mostra de que ele prioriza a defesa nessas circunstâncias. A opção por Fábio Coentrão no lugar de Marcelo (aquele que "é tudo, menos um lateral" na visão do treinador português à época de Inter de Milão) só evidencia essa tese. Acontece que a temporada do brasileiro é mais sólida de sua carreira na Europa. O lateral tem balanceado as subidas ao ataque com a ajuda na marcação na hora do contra-ataque adversário. Em campo, Coentrão sofreu. Na primeira etapa, quando Robben caia pela seu setor; em partes da segunda etapa, quando Ribéry inverteu de lado; e nos minutos finais, quando, precisando de qualquer forma da vitória, Lahm abandonou a marcação a Cristiano Ronaldo e se lançou ao ataque. Fez a jogada do gol de Mario Gómez justamente driblando o lateral gajo.

É preciso ver a importancia do gol de Özil por um lado. "Não precisaremos de milagre nenhum. Basta jogarmos o nosso futebol e fazer, pelo menos, um gol para irmos à final", disse Mourinho após o jogo. Ainda que possa sofrer um gol num contra-ataque bem encaixado pelos bávaros no Bernabéu, as palavras de Mourinho tem um quê de realista. O problema é a atenção necessária ao Bayern na partida de volta. O outro é como irá se comportar o Real Madrid caso receba o primeiro gol ou volte do intervalo com o marcador zerado. Mais uma vez ficou ratificado que os blancos não sabem jogar pressionado. A falta para expulsão de Marcelo em Thomas Müller exemplifica o nervosismo em situações adversas. Enquanto isso, antes da última parada rumo à final, o Real Madrid tem pela frente o Barcelona. Tudo que Mourinho não queria.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Prévia: Bayern de Munich x Real Madrid

José Mourinho, atento: português briga pelo terceiro título europeu e verá o Bayern de Munich, adversário da última conquista, pela frente nas próximas semanas (getty images)

Quando voltou à presidência do Real Madrid, Florentino Pérez apostou todo seus milhões de euros em Cristiano Ronaldo e Kaká, naquilo que batizou de projeto galáticos 2.0. Um ano depois, após mais uma eliminação nas oitavas-de-finais da Champions League, o presidente resolveu ir para o tudo ou nada e gastou mais milhões em José Mourinho. Nesse meio tempo, o treinador foi campeão europeu com a Inter de Milão, desbancou o arquirrival Barcelona na principal competição europeia e conquistou a tríplice coroa, sonho antigo dos merengues.

Mais cedo, logo na introdução à temporada, Florentino Pérez, disposto a minar todos os jogadores comprados à época da gestão de seu antecessor, Ramón Calderón, praticamente chutou Arjen Robben do clube, que o vendeu ao Bayern de Munich. A primeira parte da vingança do holandês foi levar o time de Munich à final da LC justamente no Santiago Bernabéu, onde caiu para os milaneses da Inter. Mas, três anos depois, o destino coloca Robben frente a frente com o ex-clube e com o homem que o vendeu a troco de nada.

O confronto marca um dado especial: Bayern e Real Madrid já se enfrentaram 18 vezes em âmbito europeu, um recorde entre equipes de países diferentes (saiba mais aqui). O ringue da LC os unirão para o novos combates nos dias 17 e 25 de abril, na Allianz Arena e no Bernabéu respectivamente. É a última parada antes da tão sonhada final de Munique. A partir de agora, acompanhe o que de melhor e pior as equipes têm, a temporada até aqui da dupla e as expectativas para o eletrizante duelo. Quem escreve sobre os bávaros é Luan Cláudio, do site Bundesliga Brasil, especialista sobre o futebol tri-campeão mundial. Confira a prévia de Bayern de Munich x Real Madrid e depois, nos dois endereços, o resumo do embate. Boa leitura!

A temporada até aqui
Bayern de Munich: Pode-se dizer que a temporada do Bayern é boa e equilibrada: chegamos na reta final e o time está na briga para conquistar a tríplice coroa (Campeonato Alemão, Copa da Alemanha e a Liga dos Campeões). Na Bundesliga, ficou distante do título ao perder o confronto direto para o Borussia Dortmund e ver o rival abrir seis pontos de diferença na liderança, faltando quatro rodadas para o fim. Na DFB-Pokal, o time está na final e enfrentará o mesmo Borussia Dortmund, para tentar dar o troco pela provável perda do campeonato e conseguir um título contra o seu maior rival atualmente. Já na Champions, os confrontos contra o Real Madrid deverão ser decididos no detalhe, sendo talvez o duelo mais equilibrado desta edição da LC, onde parecem estar juntos duas equipes praticamente no mesmo nível e as únicas capazes de derrubar o favorito Barcelona no território europeu. O Bayern "dará a vida" nestes jogos para manter o sonho de conquistar o título na Allianz Arena, seu estádio e palco da grande final de 2012.

Real Madrid: Com a atenção mais voltada à Liga dos Campeões e com muita gordura para gastar, o rendimento na Liga Espanhola caiu e o Real Madrid deixou escapar uma larga vantagem que tinha sobre o Barcelona, agora atrás somente 4 pontos e com um superclássico para ser feito no Camp Nou, no próximo sábado, 21. Os blancos, que costumam perseguir os azulgrenás na tabela, se veem pela primeira vez em muito tempo na situação oposta e prometem não deixar escapar essa enorme chance de quebrar a sequência de títulos do principal rival. A vitória no dérbi contra o Atlético de Madrid, na melhor partida de Cristiano Ronaldo na temporada, anima os merengues para a disputa de mais um objetivo: o título da LC. Não obstante a queda de rendimento em âmbito nacional, esta é a mais sólida temporada blanca nos últimos anos, já que a equipe de José Mourinho, que merece muita parte dos créditos por isso, está disputando os dois principais títulos no momento. Mesmo após ter caído para o Barcelona na Copa del Rey e não ter a chance da manuntenção do título, a postura e o futebol desempenhados no Camp Nou, na partida da volta, recuperaram o orgulho madridista perante os catalães.

Pontos fortes
Bayern de Munich: Jupp Heynckes, treinador do Bayern, conseguiu dar ao time um equilíbrio maior nesta temporada, fazendo com que defesa, meio campo e ataque estejam sempre em sintonia. O ponto forte com certeza está no ataque. Os bávaros passaram das oitavas com um 7x1 contra o Basel no placar agregado e nas quartas com um 4x0 contra o Olympique de Marseille. Já são 22 gols marcados na competição, com o artilheiro Mario Gomez sendo protagonista e artilheiro do time com 11 tento, sendo ajudado e muito pelos inspirados Robben e Ribéry, que fazem uma ótima temporada e reencontraram o futebol de alto nível, sem sofrer lesões. Outro ponto forte dos bávaros são as laterais. Lahm efetivou-se como lateral direito por ser destro, tem muita facilidade de atuar no setor e muitos dizem que é melhor na direita do que na esquerda. Na outra lateral, Heynckes tirou da cartola David Alaba. O meia assumiu a posição e se encaixou perfeitamente no esquema do treinador, sendo forte na marcação e bastante efetivo nas chegadas ao ataque.

Real Madrid: O meio-campo. Seja quem for o companheiro de Cristiano Ronaldo na linha de três, a ofensividade merengue é avassaladora. Atualmente, Kaká e Özil têm começado mais entre os titulares, mas a volta de Di María, que até então apto era o melhor jogador da equipe na temporada, pode abrir uma nova disputa. Sem falar no coringa Callejón, que sempre entra muito bem em campo. Acostumado a enfrentar o Bayern na época de Schalke 04 e Werder Bremen e companheiro de seleção alemã de alguns jogadores bávaros, Özil recuperou a boa forma do primeiro semestre de 2011 e já é um jogador imprescindível no esquema de Mourinho. Ao lado de Kaká, seu futebol fica menos sobrecarregado e, assim, o camisa 10 consegue ditar o ritmo da partida. Benzema e Xabi Alonso também merecem destaques. O volante espanhol vive uma fase de gala às vésperas da Eurocopa, enquanto o francês é dono de 30 gols. Mas, claro, o destaque maior é para o craque: Cristiano Ronaldo. Na temporada, são 53 gols, sendo 41 na Liga Espanhola, quebrando seu próprio recorde histórico de gols, alcançado em 2010/2011. Ele dribla, arranca, pede bola, chama a responsabilidade, dá assistência, ajuda na marcação pelo setor esquerdo e marca gols. Polivalente, ainda pode ser deslocado para a função de falso nove numa emblemática postura voltada à defesa de Mourinho. O trio Benzema + Cristiano Ronaldo + Higuaín são donos de 108 gols em 2011/2012.

Pontos fracos
Bayern de Munich: Difícil encontrar um ponto fraco em um time tão forte e semifinalista de uma Liga dos Campeões, mas o Bayern de Munique tem os seus. A falta de peças de reposição é grande, principalmente no ataque. Se Mario Gomez não joga, Olic vai pro jogo, ou senão o garoto Petersen. E só. Na defesa, só há três zagueiros à disposição no elenco: Badstuber e Boateng (que jogam com frequência) e Van Buyten, tendo que improvisar por vezes o volante Tymoshchuk. Nas laterais, falta qualidade aos suplentes Rafinha e Contento, que, quando jogam, não vão bem, e em algumas oportunidades o volante Luiz Gustavo atua na lateral esquerda. Outro ponto fraco é a dupla de zaga. Badstuber e Boateng dão muitos sustos no torcedor bávaro e passam insegurança ao goleiro Neuer, apesar da equipe só ter sofrido 7 gols até aqui na UCL.

Real Madrid: O Real Madrid chegou em um momento complicado e crucial na temporada: jogando duas competições diferentes e passando por altos níveis de stress, é muito complicado manter a concentração. Até agora, Mourinho e sua comissão técnica tem conseguido sucesso em focar o grupo para as partidas da LC, torneio ao qual os blancos parecem totalmente dedicado. Mas, é bom lembrar, o Bayern de Munich será o primeiro teste real na competição europeia: até agora, os adversários foram de níveis totalmente inferiores, do naipe de Dínamo Zagreb, Lyon, Ajax, CSKA e Apoel. Porém, o cansaço mental é forte e tem feito o time errar um pouco mais do que de costume, vide o empate contra o Valencia há duas semanas. O peso de atuar em mais de uma competição cansa também o corpo. Mourinho, nem um pouco afeito a rodízio de jogadores, contribui um pouco para este desgaste ao dar pouco descanso para os titulares em momentos importantes da temporada. Por outro lado, os jogadores também não deram tanta chance para o treinador ousar um turnover mais radical ao caírem de rendimento e permitirem a aproximação do Barcelona. Fato é que jogar cansado contra uma equipe veloz como o Bayern pode ser mortal caso os jogadores não ocupem bem os espaços em campo.

Expectativas
Bayern de Munich: Quase impossível de se apontar um favorito no duelo, mas o time alemão tem totais possibilidades de passar por esta difícil semifinal e chegar a tão sonhada final em seu estádio, Allianz Arena. "Queremos ganhar o que der e teremos grandes jogos pela frente", disse o treinador Jupp Heynckes. Uma frase que explica tudo sobre o time nesta reta final de temporada, onde só terá jogos decisivos pela frente. É esperar que a dupla "Robbery" mantenha o nível de atuações, Mario Gomez continue marcando e que a defesa esteja sólida e passe segurança ao time e aos torcedores. Assim o Bayern de Munique tem enormes condições de conquistar não só a Liga dos Campeões, como também qualquer competição que disputar, mesmo que, na Bundesliga, não dependa mais de si.

Real Madrid: Em momento crucial na temporada, a comunidade madridista deseja a conquista do doblete, que só pode ser conquistado pelo próprio Real Madrid ou pelo Bayern e o Barcelona, esses dois últimos na disputa pela tríplice coroa. Nos poucos jogos que restam na temporada, o Real Madrid pode ser campeão de tudo ou terminar sem nada. Zero tituli, uma expressão popularizada por José Mourinho em tempos de Inter e que não passa na cabeça de nenhum torcedor ou simpatizante merengue. Na Liga BBVA, a tabela não irá requer muito esforço, mas dois jogos podem colocar em xeque o título blanco: o superclássico contra o Barcelona e o Athletic Bilbao, que já vê seus torcedores cobrando por uma atuação histórica a fim de tirar a taça das mãos do Real Madrid. Os blancos devem apostar tudo nos confrontos contra o Bayern para chegarem à histórica final e à possibilidade de conquistar La Décima. Bayern de Munich e Real Madrid; Real Madrid e Bayern de Munich. Duas das equipes que, segundo muitos, são as únicas capazes de acabar com a hegemonia do Barcelona se enfrentam na briga pela vaga na tão sonhada final. Não há dúvidas que os dois jogos serão os mais esperados da temporada europeia.

Provável escalação
Bayern de Munich: Neuer; Lahm, Boateng, Badstuber, Alaba; Luiz Gustavo, Kroos; Ribéry, Muller (Schweinsteiger), Robben; Mario Gomez.
Real Madrid: Casillas; Arbeloa, Pepe, Sergio Ramos, Marcelo; Xabi Alonso, Khedira; Di María (Kaká), Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema.

quinta-feira, 15 de março de 2012

A evolução que impulsiona o Real Madrid

Real Madrid 2.0 de Mourinho atropela seus adversários, faz uma temporada incrível e é taxado por muitos como melhor do mundo (getty images)

"Atualmente, o Real Madrid tem jogado mais até do que o Barcelona", sentenciou Maurício Pochettino. Embora tenha admitido que não sabe em quem apostar num embate entre os gigantes na Liga dos Campeões, o treinador argentino não hesitou em soltar essa após a goleada sofrida pelo seu Espanyol ante os merengues, há duas semanas. Minha intenção não é comparar as duas equipes ao longo desse texto, mas o fato é que a análise de Pochettino, baseada no jogo maximalista dos espanhóis, tem sua validade comprovada. E nem é por causa da vitória contra o CSKA, onde o Madrid jogou pro gasto, mas sim pela temporada num todo.

Cristiano Ronaldo é o melhor jogador da equipe da capital desde Zidane. O gajo é também o principal goleador do time de José Mourinho na temporada com impressionantes 41 tentos em 37 jogos e no próprio torneio continental com seis em igual número de partidas. No clube, já são 128, também no mesmo número de jogos. Dados históricos. Ainda que falte a Ronaldo participação mais efetiva em jogos contra o Barcelona, o dono da camisa 7 faz mais uma temporada sobrenatural. Além disso, conquistou o coração dos torcedores, que passaram a pegar em seus pés após consecutivas partidas ruins frente ao Barça. Nos últimos jogos, a Ultra Sur tem dedicado músicas em homenagem ao Pichichi da Liga. "É muito bom se sentir querido, amado", disse antes da partida contra o CSKA.

Apesar de ter o segundo melhor jogador do mundo no plantel, o Real Madrid deixa claro que não é dependente dele. Ao contrário da temporada 2009/2010, desde a chegada de Mourinho isso já vem se exemplificando. Ontem, por exemplo, CR7, apesar dos dois gols, não fez uma partida muito inspirada, mas os blancos souberam se saírem bens. O excelente André Rocha, do Olho Tático, explica melhor: acima de tudo, o Real de Mourinho é um time. Ou melhor, um timaço que nem precisa do fulgor de seu craque quando a vantagem técnica e tática sobre o oponente permite. Com Özil e Kaká promovendo com Ronaldo uma intensa movimentação em torno de Higuaín no 4-2-3-1 habitual, atacando pela esquerda com Marcelo e criando espaços para o apoio no lado oposto de Khedira que compensava o posicionamento mais conservador de Arbeloa, o Real Madrid consegue se impor.

A progressão nítida do Real Madrid é fruto de um trabalho que começou em 2009. Atenção especial a Florentino Pérez, que desde que retornou à presidência do Madrid tem feito contratações usuais. À exceção da temporada do retorno, quando gastou à rodo, Florentino tem evitado gastar milhões em estrelas e reforço o plantel com jogadores necessários. O retorno do presidente, aliás, é um divisor d'águas no recente caminho merengue. Jogadores como Özil, Di María, Xabi Alonso, Cristiano Ronaldo, Benzema, Khedira, todos contratados em sua gestão, são peças-chaves no time de José Mourinho. Antes chacota a âmbito europeu, hoje tão temido quanto o Barcelona. Essa é a evolução que impulsiona o Real Madrid.

O desempenho e o estilo de jogo são foram do comum. Nesse ponto, José Mourinho é o principal responsável. O Real Madrid propõe-se a ser agressivo e com a qualidade técnica de seus jogadores, aliando sempre com velocidade e precisão. A marcação melhora a cada partida. Mais avançada, até Cristiano Ronaldo, Özil e Kaká voltam para ajudar. Em relação a temporada passada, quando ficaram no quase, está aí a principal diferença. Povoado de jogadores, o Real Madrid sempre leva a melhor na batalha do meio-campo e congestiona o jogo do adversário. Os merengues impõem pressão física, praticamente atropelando seu rival. Com a bola, toca rápido, chega em velocidade pelos dois lados ou pela faixa central. Sem ela, marca forte, desarma muito e tem contra-ataque feroz. O título da Liga já está praticamente selado. A Europa é um sonho bastante provável.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Prévia: CSKA Moscou x Real Madrid

Cristiano Ronaldo e José Mourinho: estão nos portugueses as esperanças dos torcedores madridistas na Champions League (gettty images)

O estigma de amarelar nas oitavas-de-finais foi deixado para trás após a chegada de José Mourinho. Após seis anos caindo precocemente, os merengues chegam como máximos favoritos ao lado do Barcelona para copar a orelhuda. Se na temporada passada caíram diante do arquirrival na semifinal, as esperanças dos merengues estão em José Mourinho: o português costuma ter muitos êxitos em suas equipes nas suas segundas temporadas. Foi assim à frente de Porto, Chelsea e Inter, onde, no clube português e no italiano, conquistou a principal competição europeia.

Para seguir adiante no sonho de conquistar La Décima, Cristiano Ronaldo e cia terão pela frente o CSKA Moscou, que passou em segundo colocado num grupo com Inter de Milão e Lille. O Real Madrid fará jus às expectativas e irá avançar de fase? Ou o CSKA irá fazer valer a zebra? Para a prévia do confronto, contamos com ótima colaboração de Gilmar Siqueira, responsável pelo site Futebol Russo e grande entendedor do futebol do Leste Europeu. Confira a prévia de CSKA Moscou x Real Madrid e depois, nos dois endereços, o resumo do embate. Boa leitura.

A temporada até aqui
CSKA: Para adaptar seu calendário ao das outras ligas, a Russian Premier League está passando por uma “temporada de transição”. Em suma, além dos pontos corridos, os times disputarão play-offs pelo título (no caso dos 8 primeiros) e contra o rebaixamento (no caso dos 8 últimos). Durante a “temporada regular”, o CSKA liderou a RPL por várias rodadas e hoje está na segunda colocação com 59 pontos, seis atrás do Zenit. Ainda que se mantenha com boas chances de título, o time não convence dentro de campo. O futebol pragmático e alguns erros defensivos marcaram o CSKA na temporada. O mesmo time que venceu bem o Lokomotiv Moscow sofreu para ganhar de outros times tecnicamente inferiores. Não fossem Seydou Doumbia e Vagner Love se esforçarem ao extremo, a situação seria um pouco mais complicada.

Real Madrid: Após três anos terminando a Liga Espanhola na segunda colocação e tendo que aguentar o maior rival Barcelona comemorar, o Real Madrid parece perto de inverter a situação. Na Liga Espanhola, já é tratado como o virtual campeão e até o próprio Barcelona dá a entender que a Liga está acabada. Os retumbantes 10 pontos de diferença representam bem a temporada das duas equipes até aqui. Os blancos são avassaladores longe ou não do Santiago Bernabéu, enquanto o Barça tem sofrido e desperdiçado muitos pontos fora da Catalunha. Na Copa do Rei, a equipe de José Mourinho não conseguiu a manuntenção do título, caindo justamente para os azulgrenás. Mas a postura e o futebol desempenhados no Camp Nou, na partida da volta, recuperaram o orgulho madridista perante os catalães. Perdendo de 2 x 0, a equipe saiu atrás da classificação no segundo tempo, buscou o empate, ficando a apenas um gol da passagem à semifinal, mas não conseguiu bater a meta de Pinto. A esperança é que esse futebol se sobressaia num apocalíptico confronto contra o Barça na LC.

Pontos fortes
CSKA: Os 24 gols de Seydou Doumbia na temporada dizem tudo. O ponto forte do CSKA é o ataque. O “time do exército” marcou 60 gols -um a menos que o Zenit- e apavora as defesas adversárias. A potência do setor ofensivo –composto do Love e Doumbia- compensou todo o desequilíbrio tático do CSKA, que jogava com 2 volantes fixos e dois meias abertos pelos lados. Destes meias, o que teve maior destaque foi o japonês Keisuke Honda. Atuando pelo lado esquerdo, Honda foi um dos melhores jogadores da RPL na reta inicial da temporada. Sua lesão no joelho o prejudicou demais e o time do exército passou a depender ainda mais da dupla de ataque, que por vezes precisava voltar até o meio-campo para auxiliar na criação.

Real Madrid: O meio-campo. Seja quem for o companheiro de Cristiano Ronaldo na linha de três, a ofensividade merengue é avassaladora. Atualmente, Kaká e Özil têm começado mais entre os titulares, mas a volta de Di María, que até então apto era o melhor jogador da equipe na temporada, pode abrir uma nova disputa. Sem falar no coringa Callejón, que sempre entra muito bem em campo. Özil recuperou a boa forma do primeiro semestre de 2011 e já é um jogador imprescindível no esquema de Mourinho. Ao lado de Kaká, seu futebol fica menos sobrecarregado e, assim, o camisa 8 consegue ditar o ritmo da partida. Benzema e Xabi Alonso também merecem destaques. O volante espanhol vive uma fase de gala às vésperas da Eurocopa. Mas, claro, o destaque maior é para o craque: Cristiano Ronaldo. Há uma semana, contra o Levante, o português chegou a 120 gols pelo clube, dois a mais do que fez pelo Manchester United. Um detalhe curioso: com 170 jogos a menos. Ele dribla, arranca, pede bola, chama a responsabilidade, dá assistência, ajuda na marcação pelo setor esquerdo e marca gols. Polivalente, ainda pode ser deslocado para a função de falso nove numa emblemática postura voltada à defesa de Mourinho.

Pontos fracos
CSKA: Apesar de Ignashevich, Nababkin e os irmãos Berezustki, o principal ponto fraco da equipe moscovita foi a defesa. A situação ficou ainda pior quando o goleiro Akinfeev sofreu uma grave lesão na partida contra o Spartak Moscow. Como já foi mencionado, o CSKA tem um grande desequilíbrio tático e isso também contribuiu para sua oscilação dentro de algumas partidas. Na tentativa de compensar as falhas defensivas, Slutsky vinha utilizando dois volantes de marcação à frente da área: Aldonin e Mamaev. O problema é que nenhum dos dois tem qualidade na saída de bola. Como se não bastasse isso, o jogador com maior potencial técnico do time, Alan Dzagoev, atua deslocado pelo flanco direito. Não é segredo para ninguém que o camisa “10” não rende bem nesta posição e, na maioria das jogadas, corta para o meio.

Real Madrid: Na temporada passada, a zaga gerava confiança em José Mourinho. Atualmente, não. A lesão de Ricardo Carvalho foi sentida, apesar de Sergio Ramos, utilizado como zagueiro durante o período de ausência do zagueiro português, ter saído-se muito bem ao lado de Pepe, este que não vive uma boa fase. Voltou a aparecer negativamente na mídia após o lance em que pisou nos dedos de Messi e falha com frequência. Foi eleito, vale citar, o vilão do futebol atual. Os laterais, antes problemas, contudo, aparecem bem. Marcelo já é uma boa opção de marcação pela esquerda e, contundente, ajuda nas jogadas ofensivas. O maior problema do Real Madrid está no perigo real que representa as bolas aéreas. Só em 2012, Málaga, Granada, Mallorca, Barcelona, Athletic Bilbao, Zaragoza e Levante venceram Casillas com bolas alçadas à área. Taí, por exemplo, uma forma do CSKA, quem sabe, conseguir uma vitória jogando em casa.

Expectativas
CSKA: Já que a RPL está na sua longa pausa de inverno (que já dura 3 meses), o CSKA vem disputando uma série de amistosos pela Europa. Não que os comandados de Leonid Slutsky tenham perdido seu ritmo, mas o fato de não jogarem uma competição séria há algum tempo pode fazer a diferença. Contudo, as maiores expectativas giram em torno da escalação do time. É fato que a perda de Vagner Love foi grande, mas as chegadas do sueco Pontus Wernbloom e do sul-coreano Kim In-Sung podem fazer a diferença. Além disso, Ahmed Musa é um excelente reserva para Doumbia. Na partida coontra o Real Madrid, Slutsky deve seguir os mesmos moldes dos amistosos e armar o time em um 4-2-3-1, com Werbloom ao lado de Aldonin no “doble pivote” e Dzagoev mais centralizado em uma linha de 3 meias. Honda já voltou a treinar, mas ainda não há como garantir sua presença em campo.

Real Madrid: A expectativa não é outra senão avançar de fase e continuar vivo no sonho de voltar a conquistar a Europa 10 anos depois. José Mourinho ainda não falou sobre o confronto, no qual tenta minimizar o favoritismo de sua equipe, em suas coletivas; mas, nas últimas partidas, o sinal de desatenção com a partida ganha parece mostrar que a cabeça do elenco está no jogo de ida, em Moscou. Nos bastidores, rola uma especulação de que o gajo afirmou ao presidente Florentino Pérez que não vai embora de Chamartín sem a orelhuda. Por ora, a campanha blanca em âmbito europeu é perfeita. Literalmente. Na fase de grupos, foram seis jogos e seis vitórias. 18 pontos em 18 possíveis. Desde 2003 não acontecia isso. Na escalação, há algumas dúvidas: Lass Diarra ou Khedira na volância ao lado de Xabi Alonso?; Granero pode aparecer ao lado de Xabi numa proposta ter a bola e decidir a partida no jogo de ida?; Di María, que voltou no final de semana contra o Racing Santander, já irá voltar ao onze inicial? Só saberemos quando a bola rolar.

Prováveis escalações
CSKA: Chepchugov; Nababkin, Vassili Berezutski, Ignashevich, Alexei Berezutski; Aldonin, Wernbloom; Tosic (In-Sung), Dzagoev, Honda (Tosic); Doumbia.

Real Madrid: Casillas; Sergio Ramos, Pepe, Ricardo Carvalho, Marcelo; Xabi Alonso, Lass (Khedira; Granero); Di María (Kaká), Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Orgulho resgatado

Özil e Cristiano Ronaldo são as imagens do novo Real Madrid. Antes criticados por não renderem contra o Barcelona, deram a volta por cima e saíram de campos exaltados (reuters)

Guardiola assumiu o comando técnico do Barcelona em 2008. Estamos em 2012 e desde que o treinador chegou à equipe principal dos barcelonistas foram disputados 13 superclássicos nesse período. Em 10 deles o Barcelona foi totalmente superior ao Real Madrid, até mesmo quando foi derrotado na final da Copa do Rei 2010/2011. Já teve 5 x 0, 6 x 2, 3 x 1. Em dois deles, os merengues conseguiram neutralizar o poderio azulgrená e fizeram uma partida igualada. Quatro anos depois de ser superior ao rival catalão pela última vez, o Real Madrid voltou a ser o Real Madrid.

O empate por 2 x 2 pelo jogo da volta da Copa classificou o Barcelona à semifinal da competição. Mas se teve uma notícia positiva no lado perdedor foi o fato da equipe ter recuperado a áurea merengue, o sangue de vencedor. Demorou, mas enfim o Real Madrid voltou a se comportar como um gigante num superclássico. Voltou a honrar o clube mais vencedor da história do futebol mundial. Jogou com a dignidade daquele que tem 9 Ligas dos Campeões da Uefa, 31 Campeonatos Espanhóis, 3 Mundiais de Clubes, 18 Copas do Rei. O orgulhou do madridismo foi resgatado. Estavam soterrados, humilhados, cabisbaixos, enterrados. Mas ressuscitaram das cinzas como uma fênix. E, como a mítica ave da mitologia grega, querem dar a volta por cima. A vida longa da fênix e o seu dramático renascimento das próprias cinzas transformaram-na em símbolo da imortalidade e do renascimento espiritual. É o que quer José Mourinho daqui para frente.

A excelente partida do Real Madrid no Camp Nou envia uma mensagem de esperança aos torcedores blancos. Foi confirmado que, por melhor que seja o Barcelona, melhor equipe do mundo, apequenar-se não é o mais indubitável em jogos como esses. Excelência se combate com excelência. Talento se combate com talento. História se combate com história. Foi isso que o Madrid desta quarta-feira fez no Camp Nou. Faltou sorte, também. Um chute perfeito de Özil acertou a trave de Pinto. Um chute perfeito de Daniel Alves, por sua vez, morreu no ângulo direito de Casillas. Uma arrancada de Messi parou perfeitamente nos pés de Pedro, que colocou no contra-pé do capitão merengue para vencê-lo. Uma arrancada de um repentino Kaká caiu no pé esquerdo de Cristiano Ronaldo, mas que acabou carimbando a placa publicitária às costas do gol de Pinto.

Os blancos perderam na soma de resultados, mas ganharam em dignidade. Isso revela uma situação emblemática para José Mourinho: por que arriscar tudo no campo do adversário quando se pode definir um duelo atuando em seus domínios? O 4-3-3 com Altintop na lateral direita, Özil, Callejón e Kaká no banco e Lass, Xabi Alonso e Khedira no meio-campo soa como inacreditável se comparado ao 4-2-3-1 usual utilizado ontem. Teve Özil, Kaká, Cristiano Ronaldo, Arbeloa, Fabio Coentrão. O novo Real Madrid, a equipe do futuro, jogou melhor que seu adversário quando resolveu jogar que um gigante do futebol mundial.

O Real Madrid do futuro tem Mesut Özil, camisa 10 raro, que joga de terno e gravata. Özil tem vocação técnica para ditar o ritmo de jogo do time em que joga. Ontem foi o motor do Real Madrid na partida. A imagem de um meio-campista craque mas displicente deu lugar a um jogador de aura energética. Foi para isso que José Mourinho o contratou. O Real Madrid do futuro tem Cristiano Ronaldo, craque com dna de vencedor. Chegou a ser vaiado pelos torcedores por não render nem 25% do que pode num superclássico. Mas os dois duelos pela Copa foram a rendenção do português, único jogador capaz de rivalizar com Messi o posto de melhor do mundo.

O Real Madrid do futuro tem Benzema, homem-gol sempre sedento por ir às redes. Bate com as duas, cabeceia, se posiciona bem. O Real Madrid do futuro tem Xabi Alonso, meia que marca, arma e finaliza. É o ponto de equilíbrio da equipe, o jogador que faz a bola rodar e que comanda o meio-campo. O Real Madrid do futuro tem Marcelo, lateral-esquerdo arisco, ousado e agudo. O Real Madrid do futuro tem Sergio Ramos, lateral direito que já teve o mundo aos seus pés. Utilizado de zagueiro, como no início da carreira, não tem comprometido. Foram longos quatro anos para o Real Madrid voltar a ser o Real Madrid.

domingo, 13 de novembro de 2011

Malditos amistosos

Espanha controlou o jogo contra a Inglaterra, mas faltou o gol. Se tem ido bem nos jogos oficiais, nos amistosos a Fúria vai mal (AS)

A Espanha voltou a falhar em um amistoso contra uma seleção de grande expressão após o título mundial em 2010. Em Londres, no Wembley, palco da decisão da Liga dos Campeões da Uefa 2010/2011 entre Manchester United e Barcelona, os espanhóis foram derrotados pelos donos da casa por 1 a 0, gol de Lampard no começo do segundo tempo. A notícia boa referente à partida ficou pela marca histórica alcançada por Casillas, que jogou apenas nos primeiros 45 minutos e igualou o número de jogos de Andoni Zubizarreta (126) com o uniforme rojo.

A escalação inicial de Vicente Del Bosque só ratificou a ideia de que o treinador quer copiar o estilo de jogo do Barcelona a todo custo. Jogando em um 4-3-3 que teve como maior surpresa a escalação de David Silva como falso nove, atuando à Messi, e um meio-campo formado, novamente, por Xabi Alonso, Busquets e Xavi, a seleção espanhola fez uma partida abaixo da média. A dupla Silva e Villa não foi opção de passe para o meio de campo controlador, pois Del Bosque insiste em Busquets e Xabi Alonso, dois volantes que jogam em linha, paralelos. Não se sente seguro para escalar Busquets, Xavi e Iniesta, como Guardiola, talvez único diferencial das duas equipes.

Preocupada com o bom toque de bola do adversário, a Inglaterra usou a defesa para vencer o jogo. E o fez bem, sobretudo no primeiro tempo, quando o goleiro Hart quase não trabalhou. O problema é que o meio-campo inglês foi pouco criativo, tornando raros os lances de perigo dos ingleses.O domínio territorial claro não valeu para a Espanha, dessa vez. Com a posse de bola na casa dos 77%, a Fúria teve a bola nos pés durante os noventa minutos, mas esbarrou no pequeno catenaccio montado pelo italiano Fabio Capello, treinador do English Team. Justamente com esse estilo de jogo que a Fúria foi derrotada pela Suiça na estreia do Mundial da África do sul e o Barcelona (base da seleção) foi eliminado pela Inter de Milão de José Mourinho na LC 2009/2010. Embora tenha perdido o jogo, a Espanha não sofreu muito com os avanços ingleses, que, vale destacar, pouco tenha acontecido, diante da proposta feita por Capello. Sergio Ramos, escalado como central ao lado de Piqué, voltou a ter uma atuação notável, aparecendo como boa opção para substituir Puyol, que passa por problemos musculares infinitos.

Jordi Alba, que havia ido bem contra a Escócia, ganhou novamente a confiança de Del Bosque na lateral esquerda. Vivendo boa fase no Valencia, o lateral, que nos últimos dias teve seu nome ligado a uma possível transferência ao Barcelona na próxima temporada, fez uma partida nota seis, não sendo muito incisivo nos ataques pelo seu setor, que teve Villa bem na frente. A atuação mediana do ché, no entanto, foi destacado pelo AS, que citou Alba como um lateral atrevido que ganha, a cada jogo, pontos com Vicente Del Bosque. Contra a Costa Rica, na terça-feira, o treinador afirmou que quem ganhará chances dessa vez será o malaguês Monreal. Villa, por sua vez, pecou muito nas finalizações, e chegou a perder um gol que, em seus tempos áureos, certamente não perderia.

Se não tem vencido os amistosos de dificuldade maior (perdeu para Argentina, Portugal, Itália e Inglaterra), ao menos a Fúria continua "invicta" em partidas oficiais no pós-copa. Mal orientado taticamente, faltou à Espanha um destinatário para o passe, o que certamente deve corrigir Del Bosque para os próximos duelos. "Faltou mais profundidade e êxito na conclusão", disse Xavi após a partida. Os caprichos na hora das finalizações, sobretudo de Fàbregas, que lamentou as suas chances desperdiçadas, foram fatais. A Inglaterra, que chegou sob dúvidas para o confronto, foi perfeito no que se propôs a fazer. Continua uma verdadeira incógnita para a Europa, mas o futebol simples, dedicado e curto para vencer a competição foi suficiente para ganhar dos espanhóis no momento.

sábado, 8 de outubro de 2011

Foco na missão

Fúria mantém o 100% de aproveitamento nas Eliminatórias para a Eurocopa de 2012 (reuters)

Na coletiva antecedente ao jogo contra a República Tcheca, Vicente Del Bosque havia dito que sua equipe iria entrar em campo centrada na partida, mesmo com o objetivo já cumprido, que é se classificar à fase final da Eurocopa. E seus comandados cumpriram à risca o pedido do treinador: com a cabeça no jogo, venceram com tranquilidade os tchecos por 2 a 0, chegando a 21 pontos dos 21 possíveis. A boa notícia foi as notáveis exibições de David Silva e Juan Mata, reservas que vivem excelentes fases em seus clubes na Premier League e aparecem com boas opções para o torneio. Além disso, é só mais uma prova que Del Bosque tem nas mãos um elenco em profundidade, com jogadores reservas que, quando entram no onze inicial, sabem o que fazer.

Jogando em um 4-3-3 que se transformava em um 4-5-1, a Espanha dominou por completo a partida. Tanto é que, com seis minutos, já vencia a partida por um a zero através de Xavi e Mata. O meia blaugrana, que jogou solto no meio-campo, lançou em profundidade e milimetricamente o meia do Chelsea, que chutou no contrapé de Peter Cech para abrir o placar. Com o placar aberto, esperava-se uma Espanha administrando a partida. Mas o bom jogo e a boa disposição em campo duraram por muito mais tempo do que nas outras partidas, quando a Fúria costuma ter uma postura citada acima após abrir o placar.

Muito bem postada em campo, a Espanha continuava com o ímpeto ofensivo enorme. O adversário, desperado pelo empate e pressionado pela torcida, só assistia a troca de passes envolvente da Fúria. Para se ter uma noção maior, a seleção espanhola terminou a partida com uma porcentagem incrível de posse de bola: 81%, com 587 passes certos ao longo dos noventa minutos. O segundo gol não tardou a chegar: após dividir com Kadlec, Fernando Torres passou a bola meio que sem querer para um esforçado Silva, que, inteligentemente, levantou a cabeça e tocou com a parte externa do pé esquerdo para Xabi Alonso, solto no meio da área, bater à direita de Cech para marcar o segundo gol espanhol. Um balde de água fria para os torcedores tchecos que, antes da partida, confiavam na vitória de sua seleção.

A República Tcheca cometeu um erro primário: entregou de graça a bola à Roja. Busquets, Xabi Alonso, Xavi, David Silva e Mata domaram o meio-campo. O ataque foi o problema. Fernando Torres não aproveitou a chance dada por Del Bosque e parece cada vez mais distante da titularidade na Polônia e Ucrânia em 2012. Villa, que entrou no segundo tempo no lugar do Niño, deu mais mobilidade ao ataque, acertando duas bolas na trave. A postura exercida no segundo tempo foi a supracitada acima: a República Tcheca chegou a ensaiar uma reação, mas não passou de um perigoso chute de Baros defendido por Casillas. O lance crucial do segundo tempo aconteceu aos vinte e dois: Hübschmann chegou dividindo com Xabi Alonso e, por pouco, não quebrou a canela do volante. O tcheco foi expulso imediatamente e mostrou-se bastante culpado pelo lance (concordou com a expulsão e pediu desculpas a todos os espanhóis após o jogo).

Xabi imediatamente saiu de campo e ainda não se sabe a profundidade de sua lesão. A imprensa madrilenha especulou que Mourinho teria ligado a Del Bosque pedindo para que não forçe seu jogador na terça-feira, quando a Fúria encara a Escócia em jogo que promete ser pegado. Outros dois merengues também saíram de campo lesionados: Raúl Albiol e Sergio Ramos estarão inaptos para o duelo contra os escoceses. Enquanto isso, Fernando Torres não aproveitou bem sua chance, David Silva o fez com louvor. Após cutucar o treinador há duas semanas, quando havia dito que só não é titular pelo fato de não jogar no Barcelona ou no Real Madrid, El Mago jogou com tranquilidade no meio-campo e ainda deu uma assistência. E é assim que a Espanha vem firme e forte para a manuntenção do título europeu.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Nada a temer

Italianos celebram o gol da vitória diante da Campeã Mundial. Apesar do revés, a seleção de Vicente Del Bosque continua firme no caminho certo (uefa.com)

O estádio San Nicola, casa do Bari, foi palco de um dos principais amistosos dessa quarta-feira de data FIFA. Com a pré-temporada na sua fase final e os jogadores ainda pregados fisicamente por causa dos inúmeros testes físicos, o Itália x Espanha de hoje não deixou a desejar. Para a campeã do mundo, nada que possa assustar. Para a Itália, a confirmação de que o caminho a seguir é este mesmo.

Vicente Del Bosque, respeitando acordos com Barcelona e Real Madrid, que disputam no próximo final de semana a Supercopa Espanhola, optou por uma escalação mista no início dos 90 minutos, abdicando de seu 4-3-3 utilizado após a Copa do Mundo para jogar no 4-2-3-1. Já Cesare Prandelli montou a Azurra em um 4-3-1-2, apostando em Montolivo, da Fiorentina, como trequartista.

A primeira etapa começou com amplo domínio dos donos da casa. Cassano, que jogava no estádio da cidade onde nasceu e que pertence ao clube que o projetou, investia forte em cima de Arbeloa pela esquerda defensiva da Fúria. Do outro lado, David Silva não acompanhava as subidas de Criscito ao ataque. E foi do quatro italiano a primeira real chance de gol, logo aos quatro minutos, quando Casillas viu tremer sua meta após um chutaço na trave vindo da entrada d'área. A Azurra era melhor e, em jogada pela esquerda, Criscito deixou o meia Montolivo cara a cara com o camisa um espanhol e o jogador da Fiorentina tocou por cima do goleiro, abrindo o placar para a Itália.

Quatro minutos depois, Fernando Torres - isolado no ataque e sem tocar na bola - aparentemente sentiu uma lesão muscular e deixou o gramado para a entrada de Fernando Llorente. Mas nada parecia fazer voltar o ritmo natural do jogo da Fúria, que acusava a falta de Xavi na meia cancha. A solução que Del Bosque achou para igualar o jogo foi pedir para o time marcar pressão o campo todo, o que gerou a primeira chance de gol espanhola com Cazorla, que chutou por cima do gol aos 33 minutos após jogada de Iniesta.

Logo em seguida, em jogada pela esquerda do próprio Cazorla, Llorente foi agarrado pelo braço por Chiellini: pênalti. Bola no meio do gol, Buffon caído para o lado esquerdo e gol de Xabi Alonso: 1 a 1. Ainda na primeira etapa, o selecionado italiano perdeu duas boas chances, uma com cada atacante: primeiro Rossi, depois Cassano pararam em grandes intervenções de Casillas. No último minuto, mais uma baixa na Fúria: Piqué sentiu desconforto muscular e deu lugar a Sergio Busquets. Problemas maiores para o Barcelona, porque o volante, ao término da partida, também deixou o estádio com problemas musculares.

Para a segunda etapa, Vicente Del Bosque continuou a poupar algumas de suas estrelas: saíram Iniesta, Casillas e Iraola para as entradas de David Villa, Victor Valdés e a tão aguardada estreia do menino Thiago Alcântara. As mudanças acarretaram algumas improvisações na equipe espanhola, nada que fosse alterar o 4-2-3-1 idealizado pelo comandante: Busquets, mostrando mais uma vez sua polivalência, jogou na lateral direita. Javi Martinez formou dupla de zaga com Albiol, enquanto Thiago jogou ao lado de Xabi Alonso na volância.

O ritmo italiano diminuiu na segunda etapa, o que facilitou o domínio dos campeões do mundo. David Villa e, principalmente, David Silva obrigaram Buffon a fazer pelo menos três boas defesas. Juan Mata, que entrou no lugar de Cazorla durante o segundo tempo, protagonizou o lance mais curioso do jogo: após centro da esquerda de Silva, o camisa treze conseguiu volear a bola, mas Llorente, que tentava sair da linha da bola ao jogar-se no chão, impediu a bola de chegar ao gol italiano.

Mas o castigo para o bom segundo tempo espanhol veio no final por intermédio de dois suplentes. Pazzini recebeu a bola na grande área e rolou para trás onde estava Aquilani, que chutou de primeira e contou com o desvio em Javi Martinez para enganar Valdés e dar a vitória para a Azurra. Balotelli e Bonucci ainda desperdiçaram chances de ampliar o marcador, cuja justiça apontaria para uma igualdade, já que os italianos começaram melhor, mas os espanhóis dominaram a segunda metade do amistoso.

Como podemos notar pela ausência no texto, a estreia de Thiago Alcântara na Fúria foi bem discreta. Atuando ao lado de Xabi Alonso, mais recuado que o de costume no Barcelona, e tendo que auxiliar a marcação pelo lado do improvisado Busquets no setor mais forte de ataque adversário, o jovem talento participou pouco das ações ofensivas espanholas. Ao que tudo indica, ele deverá ter uma continuidade no grupo de Vicente Del Bosque e pode receber chances na linha ofensiva que abstece o isolado atacante do esquema 4-2-3-1 da Fúria.

Outro destaque dos campeões do mundo no jogo foi David Silva, que parece estar disposto a recuperar seu futebol da época de Valencia. Silva merece menção pelo grande segundo tempo, quando trocou sistematicamente de posição com Cazorla e Mata, confundindo a marcação adversária.

A campanha tranquila nas Eliminatórias da Euro 2012 deve ter sequência no mês que vem sem maiores dificuldades. Apesar de não superar nenhuma seleção das chamadas "de grande porte" após vencer a Copa do Mundo, a Fúria deve fazer o dever de casa e patrolar a fraca seleção de Liechtenstein.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Campeones Del Mundo: Xabi Alonso

Líder dos vestiários, Xabi Alonso é reconhecido por sua inteligência dentro e fora de campo (marca)

De origem basca, Xabi Alonso foi revelado pela Real Sociedad, sendo emprestado ao Eibar antes mesmo de estrear pelo clube de San Sebastián. Permaneceu por apenas uma temporada no Eibar, 2000/01. É filho do ex-jogador e ex-treinador Periko Alonso, membro da Seleção Espanhola na Copa do Mundo de 1982. Os dois irmãos de Xabi também se dedicam ao futebol: Mikel, defende atualmente o Tenerife, e o mais novo, Jon, é árbitro.

Após o retorno do empréstimo, atuou durante três temporadas como titular pelo Real Sociedad, sendo uma das grandes revelações da La Liga na temporada 2002/03, em que seu time por pouco não reconquistou o campeonato, ficando na segunda colocação, apenas dois pontos atrás do campeão Real Madrid.

Na temporada 2004/05, foi contratado pelo Liverpool, da Inglaterra, dirigido pelo espanhol Rafael Benítez. Foi eleito pelos torcedores do clube inglês como a melhor contratação do ano, seguido do seu conterrâneo Luis García. Ambos eram companheiros de clube e de seleção, assim como o também espanhol Pepe Reina.

No Liverpool, se destacou e passou pelo auge de sua carreira até o momento. Foi uma das importantes peças do clube inglês na final da UEFA Champions League 2004/05, iniciando como titular e atuando durante toda a partida. O Liverpool se tornou campeão daquela edição do torneio nas disputas de pênaltis, após um jogo histórico, no qual o clube reverteu um resultado de 3 a 0 em apenas 45 minutos contra o Milan, da Itália.

Foi também graças às suas atuações pelo Liverpool que Xabi Alonso conseguiu se manter durante muito tempo nas convocações da seleção espanhola, sendo titular ou reserva imediato de Xavi Hernández.Em 4 de Agosto de 2009, após uma longa negociação, Alonso acabou sendo contratado pelo Real Madrid, com valores não divulgados, mas especulados pela imprensa internacional em torno de €35 milhões. Foi mais uma das contratações milionárias do presidente Florentino Pérez (que acabava de retornar ao comando) para a temporada 2009/10. Atualmente é titular absoluto como volante da equipe galáctica.

Debutou com a seleção nacional no dia 30 de Abril de 2003 contra o Equador, em Madrid, onde a La Roja venceu por 4 a 0. Participou das fases finais da Euro 2004 e da Copa do Mundo de 2006, em que marcou o primeiro gol da Espanha na competição, o primeiro da goleada por 4 a 0 na estreia da seleção espanhola no torneio, contra a Ucrânia, em 14 de Junho de 2006.

Em 29 de Junho de 2008, Alonso foi, junto a sua equipe, campeão da Euro 2008. Jogou como capitão na terceira partida da fase de grupos, contra a Grécia, e foi eleito o melhor jogador da partida. Também jogou nas eliminatórias do torneio, como reserva na maioria das partidas.

Também esteve presente na Copa das Confederações de 2009, onde foi o autor do gol que deu o terceiro lugar a sua seleção contra a África do Sul, partida que terminou com o placar de 3 a 2. A grande expectativa da maioria dos torcedores para esse torneio era uma final entre Espanha e Brasil, o que não aconteceu, já que a Espanha foi eliminada nas semi-finais, sendo derrotada por 2 a 0 pelos Estados Unidos, que foram derrotados exatamente pelos brasileiros na final.

Ajudou sua seleção a obter 100% de aproveitamento nas eliminatórias europeias para a Copa do Mundo 2010, que será realizada na África do Sul. A Espanha foi a dona da melhor campanha nestas eliminatórias, terminando com a espetacular marca de dez vitórias em dez jogos, pelo grupo 5, com 28 gols marcados e apenas cinco sofridos.

Xabi Alonso
Nome completo: Xabier Alonso Olano
Data de nascimento: 25 de novembro de 1981, em Tolosa, País Basco.
Posição: Volante
Clubes: Eibar, Real Sociedad, Liverpool, Real Madrid
Títulos: Liga dos Campeões da Uefa 2004/2005, Supercopa da Uefa 2005, Copa da Inglaterra 2005/2006, Supercopa da Inglaterra 2006, Copa do Rei 2010/2011, Eurocopa 2008, Copa do Mundo 2010.