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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A recuperação merengue

Özil levanta Cristiano Ronaldo: o português começou o ano voando e impulsiona um Real Madrid que parecia morto na temporada (getty images)

Se tudo ocorrer da maneira que o madridismo deseja, o Real Madrid da temporada 2012-2013 pode ser dividido em dois: o de agosto a dezembro e o de janeiro ao restante da temporada. Isso porque o "segundo" Real Madrid dá mostras de recuperação em relação àquele que deu vexame na primeira parte da temporada. Nesta quarta-feira, às 18h (horário de Brasília), os merengues recebem o Barcelona no Santiago Bernabéu. É o primeiro confronto da fase de ida da semifinal da Copa do Rei. Em três confrontos contra o rival na atual temporada, uma vitória, uma derrota e um empate. Equilíbrio, que valeu o título da Supercopa em agosto.

Já é sabido por todos os múltiplos problemas nos vestiários merengues. É algo que o clube convive desde a chegada de Mourinho, mas teve seu estopim no final do ano passado, quando o treinador português, indiretamente, confirmou o conflito de relações ao barrar Casillas do difícil compromisso na Andaluzia ante o Málaga. Após a derrota por 3x2, ele desafiou: "Vejo que Adan está melhor no momento. Tenho a consciência tranquila", disse. O gajo cavava a própria cova. Como não poderia deixar de ser, imprensa e torcida madrilenha ficaram ao lado do capitão.

Dentro de campo, a proposta de jogo era executada num ritmo mais lento. O Real Madrid sofreu contra o Borussia Dortmund na Champions League, perdendo na Alemanha e empatando em Madrid, e só não saiu do Camp Nou derrotado pelo Barcelona pela bola na trave de Montoya e um chute desperdiçado por Pedro no minuto final. A bem da verdade, também por Cristiano Ronaldo, em noite mágica e autor de dois gols. As peças-individuais, como o próprio craque da camisa sete, não faziam tanto a diferença. Ronaldo se destacava, mas faltava mais contudência. E essa contundência aparece com perfeição em 2013. Em sete jogos no ano, foram dez gols (dois hat-tricks). 

Quando o seu principal jogador atua de maneira assim anima os demais. Isso explica a recuperação do bom futebol de Di María e Benzema.  Özil, por sua vez, mostra-se bem irregular. No entanto, o alemão tem crescido de produção nos jogos mais pegados da temporada (atuou bem contra Borussia Dortmund, Barcelona e Atlético de Madrid), diminuindo um pouco o ritmo contra os pequenos. É uma irregularidade paradoxal, mas que ele precisa acabá-la. O aspecto que precisa evoluir mesmo são os fundamentos defensivos, uma das virtudes da equipe na temporada passada. Laterais, proteção à defesa e, especialmente, concentração são essenciais.

Em meio ao aparecimento repentino de uma boa fase, uma má notícia. Após disputa de bola pelo alto, Arbeloa acabou, sem querer, lesionando a mão de Casillas, que irá ficar de fora por três meses. A lesão de Iker, que havia recuperado a titularidade na guardameta, cai como uma bomba, que Mourinho logo tratou de desarmar. Um dia após a confirmação de que não teria o goleiro multicampeão até abril, o treinador nascido em Setúbal pediu a Florentino Pérez a contratação urgente de um goleiro. Foi atendido, claro: na sexta-feira (25), o clube anunciou a contratação de Diego López, canterano que fez parte do elenco entre 2005-2008. Diego López não vive boa fase desde sua saída do Villarreal, mas é um goleiro confiável pelo seu histórico no passado (já foi terceira opção para gol da seleção espanhola - ok, não é grande coisa).

O Real Madrid está invicto em 2013. Isso porque Mourinho resgatou uma equipe mais sólida e recuperou o contra-ataque mais mortal do mundo, que fez estragos em 2011-2012. Por enquanto, a ascensão dos jogadores citados acima e a perspicácia tática para superar a coleção de problemas assegura paz e tranquilidade no ambiente em Chamartin. Mas vem aí um Barcelona confiante pela temporada que faz e com Messi e Iniesta em estados de graças. É a chance do elenco blanco ratificar a ressurreição na temporada e confirmar, acima de tudo, por que o Manchester United tem de abrir o olho na Liga dos Campeões da Uefa.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O Real Madrid aprendeu a lição

 Mourinho e Cristiano Ronaldo são os principais responsáveis pelos recentes resultados positivos do Real Madrid contra o Barcelona (zimbio)

Casillas; Arbeloa, Sergio Ramos, Pepe, Marcelo; Xabi Alonso, Khedira; Di María, Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema. Há dois anos, 10 desses 11 nomes começaram como titulares na humilhante derrota de 5x0 para o Barcelona. Naquele dia, apenas Arbeloa começou no banco, entrando no segundo tempo. Os blaugranas continuam sendo superiores, mas atualmente o Real Madrid já consegue enfrentá-los de igual para igual. Os resultados dos superclássicos apenas em 2012 evidencia tal evolução madrilenha: duas vitórias barcelonistas, dois empates e duas vitórias merengues. Ontem, mais um capítulo da história do Superclássico foi escrito. Em partida de gala, o 2x2 mostrou as carências das duas equipes na temporada, mas ratificou o novo peso do duelo. 

Atualmente, o Real Madrid sabe como jogar contra o Barcelona sem se acovardar (muito). Nesse cenário, dois personagens merecem destaque: Cristiano Ronaldo e José Mourinho. O treinador português conseguiu dar um padrão de jogo à equipe que Florentino Pérez tanto tentou achar com Manuel Pellegrini. A lição da manita foi aprendida em peso: para jogar contra o Barcelona, a aplicação tática precisa estar à mil. Após muitos confrontos, Mourinho, estrategista que é, conseguiu encaixar seu jogo ao do rival. Com intensidade, compactação dos setores negando espaços a Messi e velocidade para surpreender a zaga adiantada e em linha do Barça com Cristiano Ronaldo se infiltrando em diagonal, o Real Madrid, hoje, sabe como jogar contra os catalães.

Aí, o craque português tem seus méritos. Sempre taxado por amarelar nos clássicos, ele virou a página. Ao marcar de esquerda o gol que abriu o placar, Ronaldo tornou-se o primeiro jogador da história da rivalidade a marcar em seis confrontos consecutivos. Quem vê o Ronaldo de 2012 e o Ronaldo das temporadas anteriores sabe que houve uma mudança. O atual não tem medo de ousar. Chuta, dribla, toca, provoca. Aquele Cristiano Ronaldo apagado, com medo e displicente que enfrentava o Barcelona é coisa do passado.

Na parte defensiva, houve mudanças substanciais. Ainda que Pepe saia do sério a todo momento (e, convenhamos, se ele não saísse estranharíamos), ele mantém a cabeça no lugar a ponto de não comprometer. A emblemática expulsão no confronto da Champions League 10/11 mudou seus nervos - ainda que, na ida do jogo da Copa do Rei, ele tenha pisado em Messi. E isso ajuda em seu desempenho em campo. Na vitória de abril, por exemplo, o luso-brasileiro teve atuação de gala.

Quem também merece menção é Özil e Di María. O argentino é a válvula de escape dos blancos, sempre impussionando velocidade na parte esquerda da zaga blaugrana e sendo importante na recomposição. A marcação a Daniel Alves (ou Montoya, como no caso de ontem), anula uma dos trunfos do Barcelona. O alemão, por sua vez, vive cenário semelhante ao de Cristiano Ronaldo. E a parceria entre os dois é alta: em superclássicos, são cinco assistências do camisa dez ao gajo, quatro apenas nos confrontos deste ano.

O cenário é tão favorável ao Real Madrid que o empate foi comemorado do lado barcelonista. Tudo bem que deveria ser mesmo, afinal os oito pontos de vantagem se mantém e os azulgrenás atuaram com a zaga reserva, mas fatalmente isso seria lamentado há um ano, por exemplo. E a volta por cima dos merengues favorecem os fãs do futebol espanhol. A equipe de José Mourinho se concentra em jogar bola e não ficar à base de pancadas. Assim, mesmo sendo inferior, conseguiu achar uma fórmula de encarar o Barcelona.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Ritmo leve

 Pepe pede calma: logo você, cara? (getty images)

O Santiago Bernabéu recebeu uma partida com toda a pinta da temporada passada. Enquanto um Real Madrid bem abaixo da condição física e sem nenhum reforço mostrou pouca objetividade, o Valencia já com Gago e Guardado teve em Jonas, coadjuvante de luxo, seu principal destaque. Por outro lado, o empate por 1x1 nada teve de estranho. O Valencia costuma dificultar para o Real Madrid em Chamartín e emplaca sua segunda temporada sem perder na capital espanhola. José Mourinho, na coletiva pré-jogo, havia avisado: encarar uma equipe como o Valencia logo na primeira rodada seria complicado.

Além das peças, os times mantiveram os seus estilos. No entanto, o Real Madrid, posicionado no 4-2-3-1, teve problemas para bater a retaguarda protegida por Diego Alves. O aspecto positivo foi a capacidade de infiltração de Di María e a demonstração de vontade de Higuaín, destaques da parte ofensiva dos merengues. O meio-campista argentino, por mais uma temporada, começa voando fisicamente e foi o responsável pela bela assistência para Pipita anotar. O atacante, por sua vez, promete uma disputa mais igualada com Benzema pelo posto de centroavante. José Mourinho ratificou essa "briga saudável" entre a dupla, e aproveitou para dizer que isso é importante para toda a equipe, já que eles dão o melhor de si.

O Valencia evidenciou que é a melhor equipe humana do futebol espanhol. Os chés atuaram sem medo, não ficaram nervosos após o gol de Higuaín e tiveram coragem para empatar. A postura exercida no segundo tempo foi semelhante a que Unai Emery utilizou no confronto da temporada passada. Maurício Pellegrino deu uma recuada natural na sua equipe e tentou vencer o jogo apostando nos contra-ataques. Num desses ataques, Soldado saiu na cara de Casillas e anotou, mas teve o gol invalidado. Não obstante, o lance gerou bastante polêmica. A TVE, responsável pela transmissão e geração das imagens, não mostrou a jogada num ângulo favorável. O Super Deporte afirma que Soldado estava em condição legal, enquanto o Marca nega.

Ficou claro que o Real Madrid ainda precisa contratar. É louvável a aposta em Luka Modric para melhorar a qualidade da volância, mas existem necessidades muito mais urgentes. Há meio-campistas em demasia (Callejón, Kaká, Granero), porém poucas opções para a lateral e nenhuma alternativa confiável a Pepe. O zagueiro se lesionou após choque com Casillas e teve que ser substituído por Raúl Albiol. Fora de forma, o ex-valenciano não comprometeu, mas vacilou na jogada que poderia ter dado a vitória ao Valencia caso não tivesse sido anulada. Mourinho, que ainda não sabe se terá Pepe contra o Barcelona no jogo de ida da Supercopa quinta-feira, será obrigado a utilizar Albiol. Aposta totalmente arriscada. Hoje, ao contrário da temporada passada, quem está em melhor condição física é o Barcelona, que fez uma pré-temporada mais saudável.

No Valencia, só alegria. As linhas retraídas e o trivote defensivo no meio-campo para segurar o ímpeto madridista na reta final da segunda etapa confirmou que Pellegrino ainda não abandonou a ideia de propor uma filosofia mais defensiva - porém segura - ao elenco. Ele iniciou o duelo no 4-2-3-1, mas não teve vergonha de variar ao 4-3-2-1 tirando de campo Soldado e colocando Piatti, adiantando Jonas à referência, e depois Guardado para colocar Dani Parejo. Gago não foi o que o treinador espera dele e deu espaços suficiente para Di María raciocinar e assistir Higuaín marcar. O ponto conquistado em Madrid dá uma moral relevante ao Valencia. Pellegrino avisou: o empate não foi casualidade. Talvez não. Daqui a duas semanas, ele irá ao Camp Nou visitar o Barcelona. É a chance de comprovar isso.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Falta um algo a mais ao Real Madrid?

Özil e Cristiano Ronaldo são símbolos de um Real Madrid que, por ora, padece nos momentos decisivos (getty images)

"Talvez esse Real Madrid tenha um pouco menos de fantasia do que no passado", disse Jupp Heynckes, técnico do Bayern de Munich. Embora tenha admitido que os blancos são muito perigosos e uma das melhores equipes do mundo, o treinador campeão europeu com o Real Madrid em 98 não hesitou em soltar essa. Os números mostram o contrário: só o fato de contar com 108 gols na Liga Espanhola joga por água baixo a confirmação do alemão. Mas a análise de Heynckes, baseada nos jogos contra equipes grandes do Real Madrid, teve sua validade comprovada há pouco, na derrota por 2x1 para o Bayern de Munich na partida de ida das semifinais da Uefa Champions.

Quando falamos em fantasia, quase toda comparação que se faça com o Madrid campeão pela última vez da Uefa Champions League será ingrata. Afinal, a força motriz daquele time era um meio-campo com Makélélé, Figo, Zidane e Mcnamanam. A formação inicial de hoje não foi diferente da habitual. Teve Xabi Alonso, Khedira, Di María, Özil e Cristiano Ronaldo. Mas aí vem o questionamento sobre o poderio dessa equipe em partidas que requer múltiplo esforço. Di María esteve bastante opaco e errou quase tudo que tentou. Cristiano Ronaldo não foi nem 40% do jogador de 53 gols na temporada e passou em branco perante Phillip Lahm. Özil e Benzema tentaram, mas não tiveram muito sucesso. O alemão teve lampejos, marcou até o gol de honra, mas em certos momentos da partida foi anulado pelo compatriota Schweinsteiger.

Talvez faltasse mais ousadia por parte de Mourinho. O recuo inexplicável após o tento de Özil, quando o Real Madrid dominava, chamou o Bayern ao jogo. Saíram Di María e Özil, entraram Marcelo e Granero. Aí vem mais um questionamento: por que não apostar na ofensividade da equipe e tentar sentenciar ainda em Munich. Havia espaços para isso. A defesa do Bayern, como explicada no preview, não é nada confiante. Tirar Di María, que ainda mostra uma falta de forma física ideal em relação ao pré-lesão, não é nada anormal, mas por que não Kaká? O brasileiro vem crescendo de produção e é mais confiável nesses tipos de jogos.

É também importante entender a cabeça de Mourinho em grandes jogos. O tímido 4-3-2-1 após o gol de empate, com Cristiano Ronaldo distante do gol, é mais uma mostra de que ele prioriza a defesa nessas circunstâncias. A opção por Fábio Coentrão no lugar de Marcelo (aquele que "é tudo, menos um lateral" na visão do treinador português à época de Inter de Milão) só evidencia essa tese. Acontece que a temporada do brasileiro é mais sólida de sua carreira na Europa. O lateral tem balanceado as subidas ao ataque com a ajuda na marcação na hora do contra-ataque adversário. Em campo, Coentrão sofreu. Na primeira etapa, quando Robben caia pela seu setor; em partes da segunda etapa, quando Ribéry inverteu de lado; e nos minutos finais, quando, precisando de qualquer forma da vitória, Lahm abandonou a marcação a Cristiano Ronaldo e se lançou ao ataque. Fez a jogada do gol de Mario Gómez justamente driblando o lateral gajo.

É preciso ver a importancia do gol de Özil por um lado. "Não precisaremos de milagre nenhum. Basta jogarmos o nosso futebol e fazer, pelo menos, um gol para irmos à final", disse Mourinho após o jogo. Ainda que possa sofrer um gol num contra-ataque bem encaixado pelos bávaros no Bernabéu, as palavras de Mourinho tem um quê de realista. O problema é a atenção necessária ao Bayern na partida de volta. O outro é como irá se comportar o Real Madrid caso receba o primeiro gol ou volte do intervalo com o marcador zerado. Mais uma vez ficou ratificado que os blancos não sabem jogar pressionado. A falta para expulsão de Marcelo em Thomas Müller exemplifica o nervosismo em situações adversas. Enquanto isso, antes da última parada rumo à final, o Real Madrid tem pela frente o Barcelona. Tudo que Mourinho não queria.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Prévia: Bayern de Munich x Real Madrid

José Mourinho, atento: português briga pelo terceiro título europeu e verá o Bayern de Munich, adversário da última conquista, pela frente nas próximas semanas (getty images)

Quando voltou à presidência do Real Madrid, Florentino Pérez apostou todo seus milhões de euros em Cristiano Ronaldo e Kaká, naquilo que batizou de projeto galáticos 2.0. Um ano depois, após mais uma eliminação nas oitavas-de-finais da Champions League, o presidente resolveu ir para o tudo ou nada e gastou mais milhões em José Mourinho. Nesse meio tempo, o treinador foi campeão europeu com a Inter de Milão, desbancou o arquirrival Barcelona na principal competição europeia e conquistou a tríplice coroa, sonho antigo dos merengues.

Mais cedo, logo na introdução à temporada, Florentino Pérez, disposto a minar todos os jogadores comprados à época da gestão de seu antecessor, Ramón Calderón, praticamente chutou Arjen Robben do clube, que o vendeu ao Bayern de Munich. A primeira parte da vingança do holandês foi levar o time de Munich à final da LC justamente no Santiago Bernabéu, onde caiu para os milaneses da Inter. Mas, três anos depois, o destino coloca Robben frente a frente com o ex-clube e com o homem que o vendeu a troco de nada.

O confronto marca um dado especial: Bayern e Real Madrid já se enfrentaram 18 vezes em âmbito europeu, um recorde entre equipes de países diferentes (saiba mais aqui). O ringue da LC os unirão para o novos combates nos dias 17 e 25 de abril, na Allianz Arena e no Bernabéu respectivamente. É a última parada antes da tão sonhada final de Munique. A partir de agora, acompanhe o que de melhor e pior as equipes têm, a temporada até aqui da dupla e as expectativas para o eletrizante duelo. Quem escreve sobre os bávaros é Luan Cláudio, do site Bundesliga Brasil, especialista sobre o futebol tri-campeão mundial. Confira a prévia de Bayern de Munich x Real Madrid e depois, nos dois endereços, o resumo do embate. Boa leitura!

A temporada até aqui
Bayern de Munich: Pode-se dizer que a temporada do Bayern é boa e equilibrada: chegamos na reta final e o time está na briga para conquistar a tríplice coroa (Campeonato Alemão, Copa da Alemanha e a Liga dos Campeões). Na Bundesliga, ficou distante do título ao perder o confronto direto para o Borussia Dortmund e ver o rival abrir seis pontos de diferença na liderança, faltando quatro rodadas para o fim. Na DFB-Pokal, o time está na final e enfrentará o mesmo Borussia Dortmund, para tentar dar o troco pela provável perda do campeonato e conseguir um título contra o seu maior rival atualmente. Já na Champions, os confrontos contra o Real Madrid deverão ser decididos no detalhe, sendo talvez o duelo mais equilibrado desta edição da LC, onde parecem estar juntos duas equipes praticamente no mesmo nível e as únicas capazes de derrubar o favorito Barcelona no território europeu. O Bayern "dará a vida" nestes jogos para manter o sonho de conquistar o título na Allianz Arena, seu estádio e palco da grande final de 2012.

Real Madrid: Com a atenção mais voltada à Liga dos Campeões e com muita gordura para gastar, o rendimento na Liga Espanhola caiu e o Real Madrid deixou escapar uma larga vantagem que tinha sobre o Barcelona, agora atrás somente 4 pontos e com um superclássico para ser feito no Camp Nou, no próximo sábado, 21. Os blancos, que costumam perseguir os azulgrenás na tabela, se veem pela primeira vez em muito tempo na situação oposta e prometem não deixar escapar essa enorme chance de quebrar a sequência de títulos do principal rival. A vitória no dérbi contra o Atlético de Madrid, na melhor partida de Cristiano Ronaldo na temporada, anima os merengues para a disputa de mais um objetivo: o título da LC. Não obstante a queda de rendimento em âmbito nacional, esta é a mais sólida temporada blanca nos últimos anos, já que a equipe de José Mourinho, que merece muita parte dos créditos por isso, está disputando os dois principais títulos no momento. Mesmo após ter caído para o Barcelona na Copa del Rey e não ter a chance da manuntenção do título, a postura e o futebol desempenhados no Camp Nou, na partida da volta, recuperaram o orgulho madridista perante os catalães.

Pontos fortes
Bayern de Munich: Jupp Heynckes, treinador do Bayern, conseguiu dar ao time um equilíbrio maior nesta temporada, fazendo com que defesa, meio campo e ataque estejam sempre em sintonia. O ponto forte com certeza está no ataque. Os bávaros passaram das oitavas com um 7x1 contra o Basel no placar agregado e nas quartas com um 4x0 contra o Olympique de Marseille. Já são 22 gols marcados na competição, com o artilheiro Mario Gomez sendo protagonista e artilheiro do time com 11 tento, sendo ajudado e muito pelos inspirados Robben e Ribéry, que fazem uma ótima temporada e reencontraram o futebol de alto nível, sem sofrer lesões. Outro ponto forte dos bávaros são as laterais. Lahm efetivou-se como lateral direito por ser destro, tem muita facilidade de atuar no setor e muitos dizem que é melhor na direita do que na esquerda. Na outra lateral, Heynckes tirou da cartola David Alaba. O meia assumiu a posição e se encaixou perfeitamente no esquema do treinador, sendo forte na marcação e bastante efetivo nas chegadas ao ataque.

Real Madrid: O meio-campo. Seja quem for o companheiro de Cristiano Ronaldo na linha de três, a ofensividade merengue é avassaladora. Atualmente, Kaká e Özil têm começado mais entre os titulares, mas a volta de Di María, que até então apto era o melhor jogador da equipe na temporada, pode abrir uma nova disputa. Sem falar no coringa Callejón, que sempre entra muito bem em campo. Acostumado a enfrentar o Bayern na época de Schalke 04 e Werder Bremen e companheiro de seleção alemã de alguns jogadores bávaros, Özil recuperou a boa forma do primeiro semestre de 2011 e já é um jogador imprescindível no esquema de Mourinho. Ao lado de Kaká, seu futebol fica menos sobrecarregado e, assim, o camisa 10 consegue ditar o ritmo da partida. Benzema e Xabi Alonso também merecem destaques. O volante espanhol vive uma fase de gala às vésperas da Eurocopa, enquanto o francês é dono de 30 gols. Mas, claro, o destaque maior é para o craque: Cristiano Ronaldo. Na temporada, são 53 gols, sendo 41 na Liga Espanhola, quebrando seu próprio recorde histórico de gols, alcançado em 2010/2011. Ele dribla, arranca, pede bola, chama a responsabilidade, dá assistência, ajuda na marcação pelo setor esquerdo e marca gols. Polivalente, ainda pode ser deslocado para a função de falso nove numa emblemática postura voltada à defesa de Mourinho. O trio Benzema + Cristiano Ronaldo + Higuaín são donos de 108 gols em 2011/2012.

Pontos fracos
Bayern de Munich: Difícil encontrar um ponto fraco em um time tão forte e semifinalista de uma Liga dos Campeões, mas o Bayern de Munique tem os seus. A falta de peças de reposição é grande, principalmente no ataque. Se Mario Gomez não joga, Olic vai pro jogo, ou senão o garoto Petersen. E só. Na defesa, só há três zagueiros à disposição no elenco: Badstuber e Boateng (que jogam com frequência) e Van Buyten, tendo que improvisar por vezes o volante Tymoshchuk. Nas laterais, falta qualidade aos suplentes Rafinha e Contento, que, quando jogam, não vão bem, e em algumas oportunidades o volante Luiz Gustavo atua na lateral esquerda. Outro ponto fraco é a dupla de zaga. Badstuber e Boateng dão muitos sustos no torcedor bávaro e passam insegurança ao goleiro Neuer, apesar da equipe só ter sofrido 7 gols até aqui na UCL.

Real Madrid: O Real Madrid chegou em um momento complicado e crucial na temporada: jogando duas competições diferentes e passando por altos níveis de stress, é muito complicado manter a concentração. Até agora, Mourinho e sua comissão técnica tem conseguido sucesso em focar o grupo para as partidas da LC, torneio ao qual os blancos parecem totalmente dedicado. Mas, é bom lembrar, o Bayern de Munich será o primeiro teste real na competição europeia: até agora, os adversários foram de níveis totalmente inferiores, do naipe de Dínamo Zagreb, Lyon, Ajax, CSKA e Apoel. Porém, o cansaço mental é forte e tem feito o time errar um pouco mais do que de costume, vide o empate contra o Valencia há duas semanas. O peso de atuar em mais de uma competição cansa também o corpo. Mourinho, nem um pouco afeito a rodízio de jogadores, contribui um pouco para este desgaste ao dar pouco descanso para os titulares em momentos importantes da temporada. Por outro lado, os jogadores também não deram tanta chance para o treinador ousar um turnover mais radical ao caírem de rendimento e permitirem a aproximação do Barcelona. Fato é que jogar cansado contra uma equipe veloz como o Bayern pode ser mortal caso os jogadores não ocupem bem os espaços em campo.

Expectativas
Bayern de Munich: Quase impossível de se apontar um favorito no duelo, mas o time alemão tem totais possibilidades de passar por esta difícil semifinal e chegar a tão sonhada final em seu estádio, Allianz Arena. "Queremos ganhar o que der e teremos grandes jogos pela frente", disse o treinador Jupp Heynckes. Uma frase que explica tudo sobre o time nesta reta final de temporada, onde só terá jogos decisivos pela frente. É esperar que a dupla "Robbery" mantenha o nível de atuações, Mario Gomez continue marcando e que a defesa esteja sólida e passe segurança ao time e aos torcedores. Assim o Bayern de Munique tem enormes condições de conquistar não só a Liga dos Campeões, como também qualquer competição que disputar, mesmo que, na Bundesliga, não dependa mais de si.

Real Madrid: Em momento crucial na temporada, a comunidade madridista deseja a conquista do doblete, que só pode ser conquistado pelo próprio Real Madrid ou pelo Bayern e o Barcelona, esses dois últimos na disputa pela tríplice coroa. Nos poucos jogos que restam na temporada, o Real Madrid pode ser campeão de tudo ou terminar sem nada. Zero tituli, uma expressão popularizada por José Mourinho em tempos de Inter e que não passa na cabeça de nenhum torcedor ou simpatizante merengue. Na Liga BBVA, a tabela não irá requer muito esforço, mas dois jogos podem colocar em xeque o título blanco: o superclássico contra o Barcelona e o Athletic Bilbao, que já vê seus torcedores cobrando por uma atuação histórica a fim de tirar a taça das mãos do Real Madrid. Os blancos devem apostar tudo nos confrontos contra o Bayern para chegarem à histórica final e à possibilidade de conquistar La Décima. Bayern de Munich e Real Madrid; Real Madrid e Bayern de Munich. Duas das equipes que, segundo muitos, são as únicas capazes de acabar com a hegemonia do Barcelona se enfrentam na briga pela vaga na tão sonhada final. Não há dúvidas que os dois jogos serão os mais esperados da temporada europeia.

Provável escalação
Bayern de Munich: Neuer; Lahm, Boateng, Badstuber, Alaba; Luiz Gustavo, Kroos; Ribéry, Muller (Schweinsteiger), Robben; Mario Gomez.
Real Madrid: Casillas; Arbeloa, Pepe, Sergio Ramos, Marcelo; Xabi Alonso, Khedira; Di María (Kaká), Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Prévia: CSKA Moscou x Real Madrid

Cristiano Ronaldo e José Mourinho: estão nos portugueses as esperanças dos torcedores madridistas na Champions League (gettty images)

O estigma de amarelar nas oitavas-de-finais foi deixado para trás após a chegada de José Mourinho. Após seis anos caindo precocemente, os merengues chegam como máximos favoritos ao lado do Barcelona para copar a orelhuda. Se na temporada passada caíram diante do arquirrival na semifinal, as esperanças dos merengues estão em José Mourinho: o português costuma ter muitos êxitos em suas equipes nas suas segundas temporadas. Foi assim à frente de Porto, Chelsea e Inter, onde, no clube português e no italiano, conquistou a principal competição europeia.

Para seguir adiante no sonho de conquistar La Décima, Cristiano Ronaldo e cia terão pela frente o CSKA Moscou, que passou em segundo colocado num grupo com Inter de Milão e Lille. O Real Madrid fará jus às expectativas e irá avançar de fase? Ou o CSKA irá fazer valer a zebra? Para a prévia do confronto, contamos com ótima colaboração de Gilmar Siqueira, responsável pelo site Futebol Russo e grande entendedor do futebol do Leste Europeu. Confira a prévia de CSKA Moscou x Real Madrid e depois, nos dois endereços, o resumo do embate. Boa leitura.

A temporada até aqui
CSKA: Para adaptar seu calendário ao das outras ligas, a Russian Premier League está passando por uma “temporada de transição”. Em suma, além dos pontos corridos, os times disputarão play-offs pelo título (no caso dos 8 primeiros) e contra o rebaixamento (no caso dos 8 últimos). Durante a “temporada regular”, o CSKA liderou a RPL por várias rodadas e hoje está na segunda colocação com 59 pontos, seis atrás do Zenit. Ainda que se mantenha com boas chances de título, o time não convence dentro de campo. O futebol pragmático e alguns erros defensivos marcaram o CSKA na temporada. O mesmo time que venceu bem o Lokomotiv Moscow sofreu para ganhar de outros times tecnicamente inferiores. Não fossem Seydou Doumbia e Vagner Love se esforçarem ao extremo, a situação seria um pouco mais complicada.

Real Madrid: Após três anos terminando a Liga Espanhola na segunda colocação e tendo que aguentar o maior rival Barcelona comemorar, o Real Madrid parece perto de inverter a situação. Na Liga Espanhola, já é tratado como o virtual campeão e até o próprio Barcelona dá a entender que a Liga está acabada. Os retumbantes 10 pontos de diferença representam bem a temporada das duas equipes até aqui. Os blancos são avassaladores longe ou não do Santiago Bernabéu, enquanto o Barça tem sofrido e desperdiçado muitos pontos fora da Catalunha. Na Copa do Rei, a equipe de José Mourinho não conseguiu a manuntenção do título, caindo justamente para os azulgrenás. Mas a postura e o futebol desempenhados no Camp Nou, na partida da volta, recuperaram o orgulho madridista perante os catalães. Perdendo de 2 x 0, a equipe saiu atrás da classificação no segundo tempo, buscou o empate, ficando a apenas um gol da passagem à semifinal, mas não conseguiu bater a meta de Pinto. A esperança é que esse futebol se sobressaia num apocalíptico confronto contra o Barça na LC.

Pontos fortes
CSKA: Os 24 gols de Seydou Doumbia na temporada dizem tudo. O ponto forte do CSKA é o ataque. O “time do exército” marcou 60 gols -um a menos que o Zenit- e apavora as defesas adversárias. A potência do setor ofensivo –composto do Love e Doumbia- compensou todo o desequilíbrio tático do CSKA, que jogava com 2 volantes fixos e dois meias abertos pelos lados. Destes meias, o que teve maior destaque foi o japonês Keisuke Honda. Atuando pelo lado esquerdo, Honda foi um dos melhores jogadores da RPL na reta inicial da temporada. Sua lesão no joelho o prejudicou demais e o time do exército passou a depender ainda mais da dupla de ataque, que por vezes precisava voltar até o meio-campo para auxiliar na criação.

Real Madrid: O meio-campo. Seja quem for o companheiro de Cristiano Ronaldo na linha de três, a ofensividade merengue é avassaladora. Atualmente, Kaká e Özil têm começado mais entre os titulares, mas a volta de Di María, que até então apto era o melhor jogador da equipe na temporada, pode abrir uma nova disputa. Sem falar no coringa Callejón, que sempre entra muito bem em campo. Özil recuperou a boa forma do primeiro semestre de 2011 e já é um jogador imprescindível no esquema de Mourinho. Ao lado de Kaká, seu futebol fica menos sobrecarregado e, assim, o camisa 8 consegue ditar o ritmo da partida. Benzema e Xabi Alonso também merecem destaques. O volante espanhol vive uma fase de gala às vésperas da Eurocopa. Mas, claro, o destaque maior é para o craque: Cristiano Ronaldo. Há uma semana, contra o Levante, o português chegou a 120 gols pelo clube, dois a mais do que fez pelo Manchester United. Um detalhe curioso: com 170 jogos a menos. Ele dribla, arranca, pede bola, chama a responsabilidade, dá assistência, ajuda na marcação pelo setor esquerdo e marca gols. Polivalente, ainda pode ser deslocado para a função de falso nove numa emblemática postura voltada à defesa de Mourinho.

Pontos fracos
CSKA: Apesar de Ignashevich, Nababkin e os irmãos Berezustki, o principal ponto fraco da equipe moscovita foi a defesa. A situação ficou ainda pior quando o goleiro Akinfeev sofreu uma grave lesão na partida contra o Spartak Moscow. Como já foi mencionado, o CSKA tem um grande desequilíbrio tático e isso também contribuiu para sua oscilação dentro de algumas partidas. Na tentativa de compensar as falhas defensivas, Slutsky vinha utilizando dois volantes de marcação à frente da área: Aldonin e Mamaev. O problema é que nenhum dos dois tem qualidade na saída de bola. Como se não bastasse isso, o jogador com maior potencial técnico do time, Alan Dzagoev, atua deslocado pelo flanco direito. Não é segredo para ninguém que o camisa “10” não rende bem nesta posição e, na maioria das jogadas, corta para o meio.

Real Madrid: Na temporada passada, a zaga gerava confiança em José Mourinho. Atualmente, não. A lesão de Ricardo Carvalho foi sentida, apesar de Sergio Ramos, utilizado como zagueiro durante o período de ausência do zagueiro português, ter saído-se muito bem ao lado de Pepe, este que não vive uma boa fase. Voltou a aparecer negativamente na mídia após o lance em que pisou nos dedos de Messi e falha com frequência. Foi eleito, vale citar, o vilão do futebol atual. Os laterais, antes problemas, contudo, aparecem bem. Marcelo já é uma boa opção de marcação pela esquerda e, contundente, ajuda nas jogadas ofensivas. O maior problema do Real Madrid está no perigo real que representa as bolas aéreas. Só em 2012, Málaga, Granada, Mallorca, Barcelona, Athletic Bilbao, Zaragoza e Levante venceram Casillas com bolas alçadas à área. Taí, por exemplo, uma forma do CSKA, quem sabe, conseguir uma vitória jogando em casa.

Expectativas
CSKA: Já que a RPL está na sua longa pausa de inverno (que já dura 3 meses), o CSKA vem disputando uma série de amistosos pela Europa. Não que os comandados de Leonid Slutsky tenham perdido seu ritmo, mas o fato de não jogarem uma competição séria há algum tempo pode fazer a diferença. Contudo, as maiores expectativas giram em torno da escalação do time. É fato que a perda de Vagner Love foi grande, mas as chegadas do sueco Pontus Wernbloom e do sul-coreano Kim In-Sung podem fazer a diferença. Além disso, Ahmed Musa é um excelente reserva para Doumbia. Na partida coontra o Real Madrid, Slutsky deve seguir os mesmos moldes dos amistosos e armar o time em um 4-2-3-1, com Werbloom ao lado de Aldonin no “doble pivote” e Dzagoev mais centralizado em uma linha de 3 meias. Honda já voltou a treinar, mas ainda não há como garantir sua presença em campo.

Real Madrid: A expectativa não é outra senão avançar de fase e continuar vivo no sonho de voltar a conquistar a Europa 10 anos depois. José Mourinho ainda não falou sobre o confronto, no qual tenta minimizar o favoritismo de sua equipe, em suas coletivas; mas, nas últimas partidas, o sinal de desatenção com a partida ganha parece mostrar que a cabeça do elenco está no jogo de ida, em Moscou. Nos bastidores, rola uma especulação de que o gajo afirmou ao presidente Florentino Pérez que não vai embora de Chamartín sem a orelhuda. Por ora, a campanha blanca em âmbito europeu é perfeita. Literalmente. Na fase de grupos, foram seis jogos e seis vitórias. 18 pontos em 18 possíveis. Desde 2003 não acontecia isso. Na escalação, há algumas dúvidas: Lass Diarra ou Khedira na volância ao lado de Xabi Alonso?; Granero pode aparecer ao lado de Xabi numa proposta ter a bola e decidir a partida no jogo de ida?; Di María, que voltou no final de semana contra o Racing Santander, já irá voltar ao onze inicial? Só saberemos quando a bola rolar.

Prováveis escalações
CSKA: Chepchugov; Nababkin, Vassili Berezutski, Ignashevich, Alexei Berezutski; Aldonin, Wernbloom; Tosic (In-Sung), Dzagoev, Honda (Tosic); Doumbia.

Real Madrid: Casillas; Sergio Ramos, Pepe, Ricardo Carvalho, Marcelo; Xabi Alonso, Lass (Khedira; Granero); Di María (Kaká), Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema.

domingo, 27 de novembro de 2011

Ángel de Mourinho

Di María e sua comemoração tradicional: pelo menos neste início de temporada, El Angelito tem sido o melhor jogador do Real Madrid (getty images)

Cristiano Ronaldo continua sendo o grande goleador do Real Madrid. Com 16 gols, o gajo já é o artilheiro da Liga Espanhola, após marcar dois no dérbi de Madrid e Messi não marcar nenhum no tropeço do Barcelona contra o Getafe. Entretanto, engana-se quem acha que, ao contrário da temporada passada, o camisa sete é o melhor jogador do Real Madrid. Esse cargo, pelo menos no momento, é de Di María. O argentino vive fase excepcional na carreira, a ponto de virar peça-chave de Mourinho: o técnico de Setúbal comemorou sua alta publicamente e, mesmo estando fora dos gramados por um mês, o colocou como titular no dérbi vencido novamente pelos merengues.

Ainda que seja reconhecido negativamente pela fama de cai-cai, não se pode negar o talento do argentino. Seu poder de decisão começa a aparecer em jogos importantes para o Real Madrid. Na temporada passada, por exemplo, cruzou na medida a bola que permitiu a Cristiano Ronaldo dar o único título dos blancos em quatro anos. O camisa 22, que havia se lesionado contra o Osasuna, foi novidade da lista e surpreendeu ao ser escalado como titular. Bastou 62 minutos de Di María em campo para Mourinho e os aficionados verem que El Ángelito está de volta: deu o passe para o pênalti sofrido por Benzema, e convertido por Ronaldo, e marcou o gol da virada, que sentenciou os rojiblancos.

Di María é um adicional a uma equipe que joga num ritmo veloz, intenso e com toque de bola. Todas essas características fazem parte do jogo do argentino. Ontem, principalmente na primeira etapa, quando o Real Madrid encontrou-se "perdido", foi um dos poucos, senão o único, a revolucionar os ataques merengues com suas ações. Agudo, encara de frente a marcação adversária, sendo um jogador destacável por, devido à sua habilidade, quebrar retranca adversária. Na atual temporada, marcou apenas três gols, mas lidera o ranking de assistências, com sete passes para gols. Assim, chega afinco e tinindo para o superclássico de daqui a duas semanas, sendo uma das grandes esperanças da torcida.

Provocador, Di Magía, como tem sido apelidado pela imprensa espanhola, "chama" cartões ao adversário. No dérbi, provocou o cartão amarelo de Diego, que dominava o meio-campo blanco. Um cartão que custou a substituição do brasileiro, quando Manzano teve que mexer para colocar Asenjo, na ausência de Courtois, expulso pela inexperiência no lance com Benzema. Ao ser substituído, minutos após seu gol, foi ovacionado pelo Bernabéu. Saiu de campo com a língua para fora, abaixando o meião e com um enorme sorriso. Um sorriso de quem vive grande fase. Um sorriso de quem foi o protagonista da noita. Apertou as mãos de Mourinho, certamente orgulhoso, e sentou no banco de reservas com a sensação de dever cumprido. Di María trabalha em prol do grupo, dando assistências, fazendo gol e, também, ajudando sempre na marcação pelo lado direito. Di Magía é hoje, certamente, o melhor jogador do Real Madrid.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Perfeição na Champions

Cristiano Ronaldo cobra pênalti para vencer Lloris: o segundo gol do português foi o centésimo como jogador merengue (getty images)

Classificado, único time 100%, único a não sofrer gol. O Real Madrid 2.0 de José Mourinho tem sido impecável em solo europeu. O Lyon, que foi pesadelo em outras temporadas, foi facilmente domado nas duas partidas. José Mourinho repete a história da última temporada e passa sem sustos pela fase de grupos. O Real Madrid conseguiu quebrar um tabu com a vitória dessa quarta. Os merengues nunca tinham vencido o Lyon na França. Derrotados, os franceses agora vão brigar com o Ajax pela segunda vaga no grupo D da Liga dos Campeões. Os holandeses estão com sete pontos, contra quatro dos franceses, faltando duas rodadas para o final da fase de grupos. Com a vitória desta quarta, o Real Madrid já soma 12.

O Real Madrid começou a partida dominando. Jogando em casa, o Lyon não conseguia fazer frente ao gigante espanhol, comandado por Jose Mourinho. Sem Kaká e Marcelo, lesionados, o time apostava nos avanços de Sergio Ramos e Di Maria, que acionavam Benzema e Cristiano Ronaldo no ataque. Aos 24 minutos do primeiro tempo, após criar duas chances claras de gol, o Real Madrid abriu o placar.

Cristiano Ronaldo cobrou falta na entrada da área e, com um chute forte de perna direita, fez o gol. Com a vantagem, os blancos continuaram pressionando. O Lyon quase não conseguia passar do meio campo e o Real criava outras chances gol. O placar de 1 a 0 já era pouco para o que acontecia em campo. Mesmo assim, com esse placar que o primeiro tempo encerrou.

Na segunda etapa, o Lyon conseguiu voltar melhor. Pela primeira vez na partida, os franceses tinham mais posse de bola e conseguiam se manter no campo de defesa do rival. Foi assim durante os primeiros quinze minutos do segundo tempo. Apesar da pressão, o Lyon não conseguiu criar uma chance clara de gol. Após ser pressionado, o Real Madrid conseguiu se organizar em campo. Mourinho trocou Fábio Coentrão por Albiol e o time ficou mais seguro na defesa. Quando tinham a bola, os espanhóis levavam perigo em jogadas articuladas por Di Maria e Özil. Aos 23 minutos do segundo tempo, Özil tocou para Cristiano Ronaldo dentro da área.

O português, que estava apagado na partida, tentou passar por Dado e caiu. O árbitro Nicola Rizzoli marcou pênalti. Na cobrança, Ronaldo ampliou o placar e chegou ao seu centésimo gol como jogador madridista. Em desvantagem, o Lyon até tentava atacar. Nos últimos 15 minutos de jogo, os franceses criaram as primeiras chances claras de gol. Após cobrança de escanteio, Briand colocou a bola no travessão do gol de Casillas. Foi máximo que o Lyon fez na partida, que terminou com vitória espanhola.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

10ª rodada: Encantando

Jogando bonito, o Real Madrid encanta: contra o Villarreal, o resultado foi construído com meia hora de jogo (getty images)

Real Madrid 3x0 Villarreal
Encantador é a palavra que define o futebol do Real Madrid. Jogando numa intensidade bem alta, os merengues passaram com facilidade pelo Villarreal. O resultado foi construído nos primeiros 31 minutos de jogo, quando o Real Madrid, marcando sob pressão, não deixou o Villarreal tocar a bola e sair para o jogo. Di María, melhor em campo, lançou Benzema a mais de 30 metros para o francês fazer o primeiro gol, tocou entre Musacchio e Bruno para Kaká ampliar e, após um contra-ataque perfeito, deixou o seu e carimbou o resultado. A velha incógnita sobre os três homens titulares da linha de três parece estar chegando ao fim com a bela partida do argentino e do brasileiro. Özil, pelo visto, deve deixar de vez a titularidade, embora Mourinho, após a partida, voltara a afirmar que, nesse Real Madrid, não há jogadores titulares e reservas: com talento à disposição, todos irão jogar.

Derrota e na antepenúltima colocação, a palavra rebaixamento já começa a virar realidade no ambiente do Villarreal. Jogando um futebol feio, totalmente oposto aos dos últimos anos, o Villarreal não consegue emplacar e, principalmente, fazer seu jogo de passes fluir com naturalidade. Falta um Cazorla, que De Guzmán, inexplicavelmente adiantado, obviamente não consegue suprir. E, quando a fase não é boa, nada vai bem. Substituido por Marco Rúben logo na volta do intervalo, Rossi rompeu os ligamentos do tendão direito e foi operado na quinta-feira. Resultado: o ítalo-americano estará de quatro a seis meses de baixa. Sem Nilmar, também lesionado, Garrido, com a batata muito quente, terá que abrir a cabeça para escalar o ataque para enfrentar o Rayo.

Athletic Bilbao 3x0 Atlético de Madrid (Claudio Araujo)
Na melhor partida do Athletic Bilbao desde a chegada de Marcelo Bielsa, os bascos convenceram. O time do País Basco foi melhor no primeiro tempo, mas não conseguiu aproveitar as chances que teve. As melhores foram do centroavante Fernando Llorente, que não conseguia transformá-las em gols. A segunda etapa foi mais movimentada, com o Athletic voltando a desperdiçar oportunidades. Até que aos 22 minutos, Llorente finalmente abriu o placar, em boa jogada individual. Logo depois, aos 25', o artilheiro voltou a marcar, dessa vez após receber belo cruzamento de Toquero. Com o jogo caminhando para o fim, Diego fez falta perigosa perto da área do Atlético, que Ander cobrou e Toquero tratou de colocar para o fundo do gol, fazendo 3 a 0.

Enquanto o Athletic Bilbao bai dando boas vindas à boa fase, no Atlético de Madrid o clima é quente nos bastidores. Após ser substituido por Manzano, Reyes insultou o treinador no banco de reservas. Arrependido, o jogador pediu desculpas publicamente na sexta-feira, justificando que estava de cabeça quente no momento. De cabeça quente devem estar os aficionados colchoneros. Quem acompanha futebol pelos números estão preocupados com a situação do Atléti. No ano do rebaixamento rojiblanco, o Atléti apresentava números similares aos que apresenta hoje. Nas primeiras 10 rodadas da Liga, logrou 3 vitórias, um empate e cinco derrotas, tendo os mesmos 10 pontos que atualmente. A diferença é que, à essa altura da temporada, aquele Atlético apresentava uma vitória a mais (mas vale lembrar que este Atlético tem um jogo a menos).

Levante 3x2 Real Sociedad (Claudio Araujo)
O líder da Liga BBVA também vence com emoções. A Real Sociedad precisou de apenas três minutos para abrir o placar diante do Levante, que entrou em campo brigando pela liderança, mas encontrou muitas dificuldades diante dos visitantes, que impuseram forte ritmo nos primeiros minutos de bola rolando. Após a batida de Aranburu, Munúa espalmou para frente e o Estrada pegou o rebote para converter. Depois de ver o mesmo Aranburu dos primeiros minutos de jogo errar o cabeceio no início da segunda etapa, o Levante conseguiu igualar o placar apenas aos 11 minutos, quando Nano arrematou e o zagueiro Demidov desviou contra as próprias redes. Menos de cinco minutos depois, a glória foi encontrada pela cabeça de Valdo, que recebeu grande lançamento de Barkero e saltou mais alto que De La Bella para virar a favor do Levante que, a partir de então, só administrou o resultado.

A questão é que o time se acuou demais no campo de defesa e deixou o Real Sociedad fazer seu jogo com cruzamentos na área e muita movimentação. O resultado não podia ser diferente: aos 41, depois de exercer certa pressão, Iñigo Martínez voltou a deixar o placar igualado. E foi justamente Rúben, que entrou para cadenciar o jogo no meio-de-campo, o homem do gol da vitória do Levante sobre o Real Sociedad. Em cobrança de falta a mais de 40 metros de distância, o time da casa conseguiu se sobrepor ao adversário e anotou o tento da vitória, para a festa da torcida de Valencia, que levantou das cadeiras e comemorou a vitória e a liderança da Liga Espanhola.

Granada 0x1 Barcelona (Claudio Araujo)
O Barcelona não encontrou a facilidade esperada para bater o Granada. Com Iniesta e Villa no banco, Guardiola começou com Fàbregas e Cuenca, grande novidade do onze inicial. O canterano saiu-se bem em seu debut como titular da equipe blaugrana e, certamente, ganhou pontos com Guardiola. Dentrou de campo, a equipe de Guardiola tinha dificuldades de invadir a área adversária, mas não demorou para abrir o placar devido à falta de pontuaria e ao goleiro Roberto. O gol só veio aos 33 minutos, quando Xavi cobrou falta com perfeição. Acuado, o Granada pouco produziu durante o primeiro tempo. Foram só dois chutes de fora da área que pouco incomodaram Valdés. Os anfitriões voltaram com uma postura ainda mais defensiva para a etapa final, que se intensificou com a expulsão de Romero Gómez, aos cinco minutos. O Barça continuava a construir as jogadas, porém pecava nas finalizações. Keita, Iniesta e David Villa entraram em campo, mas não conseguiram mudar o panorama da partida. Antes do apito final, o Granada ainda perdeu mais um jogador expulso: González Benítez.

Sevilla 2x2 Racing Santander
É curioso e paradoxal que em um começo de Liga tão cheio de obstáculos, um calendário complicado, repleto de rivais diretos, com um Sánchez-Pizjuán lotado em um dia de semana contra o lanterna, foi ele mesmo quem roubou os primeiros pontos sevillistas em Nervión. E resulta curioso, além disso, que seja a única equipe, junto com o Villarreal, que conseguira fazer mais de um gol em Javi Varas. É curioso, ou talvez nem tanto. Porque esse Sevilla que já deixou claro que quando quer defender, defende como ninguém,t ambém evidenciou nesses nove primeiros encontros de Liga que atacar é complicado. Custa a encontrar fórmulas, vias de penetração nas zagas rivais. Tem pouca clareza para fazer o gol e, até o momento, os gols conseguidos pelos nervionenses foram rentabilizados no máximo em pontos. Se a isso for somado o cansaço (nove dos onze titulares no Camp Nou jogaram novamente), a equipe nervionense esteve com ausência de idéias. Portanto, foi mais lógico o empate. O Sevilla conseguiu ao menos se manter invicto, após nove partidas, o que não é pouco. Porém, perdeu uma chance de ouro para começar a fazer uma gordura e se estabilizar nas posições mais altas da tabela. Talvez isso dependa da margem de melhora do Sevilla no ataque. Porque é evidente que para os objetivos planejados, o time precisará atacar, e bem.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Resultado injusto?

Higuain e Messi se abraçam: resultado da partida de ida da Supercopa não condiz com o que foi o jogo (AP Photos)

Real Madrid e Barcelona abiraram oficialmente a temporada 2011/2012 do futebol espanhol decidindo a partida de ida da Supercopa espanhola. O 2 a 2 no Santiago Bernabéu dá ao Barcelona a chance de jogar por uma vitória ou um simples 0 a 0 atuando em seu domínio, no Camp Nou. Entretanto, para quem não viu o jogo, o resultado pode ser considerado mentiroso. Muito mais centrado na partida que seu rival, os merengues atuaram como se estivessem disputando uma final da LC e, desde os primeiro minutos, não deixaram o Barcelona respirar.

A boa preparação física preparada exclusivamente por José Mourinho feita na pré-temporada se sobressaiu durante os noventa minutos. Com uma condição física invejável para quem está retornando de férias, os comandados do português só não saíram do Bernabéu com uma vitória convincente pois faltou mais capricho na hora das finalizações. Cristiano Ronaldo e Benzema levaram muito perigo às redes de Víctor Valdés, mas ora por defesas do goleiro catalão e ora por chutes errados, acabaram não conseguindo marcar.

O francês, entretanto, ainda pode se alegrar de ter sido o jogador mais perigoso do Real Madrid na partida. Benzema, que anotou nove gols na pré-temporada, parece estar deixando de lado a figura de um jogador displicente e, sobretudo, preguiçoso. Ontem, se movimentou com maestria, enlouquecendo a marcação de Abidal, improvisado como zagueiro devido à má condição física de Piqué, no banco. Ponto negativo do Real Madrid na partida foi Di María. Titular por causa da ótima temporada feita em 2010/2011, o argentino parecia cansado por ser o único jogador em campo a ter menos tempo de férias e caiu facilmente na marcação de Adriano, que não se preocupou muito em ficar mais tempo no campo de defesa.

Tanto Adriano quanto Daniel Alves, na direita, subiram muito ao ataque, não balanceando muito a defesa. Vale lembrar que, quando Abidal atua na esquerda, são raros as jogadas ofensivas por aquele lado. O Barcelona sai satisfeito da partida: muito aquém do que pode produzir, os azulgrenás chegaram aos dois tentos graças aos lâmpejos de seus craques. Primeiro Villa, que acertou um feliz chute no ângulo de Casillas, e depois Messi, que aproveitou bobeira de Khedira e Pepe para chutar na saída do goleiro espanhol.

Novo camisa 10 do Real Madrid, Özil está arcando com as novas responsabilidades. O turco-alemão esbanjou, novamente, muita classe em campo e organizou com maestria os merengues. Além disso, marcou pela primeira vez em seis jogos contra o Barcelona, firmando seu primeiro ótimo jogo contra os rivais da Catalunha. Se antes alguma parte dos torcedores ficavam com um pé atrás com o germânico, após a partida a desconfiança caiu por água abaixo: mesmo jogando centralizado - onde seu futebol aparece menos do que na ponta, Özil mostrou-se muito polivalente, correndo por todo o campo e ajudando na marcação.

Entre os jogadores que estrearam, destaque para o chileno Alexis Sánchez, do Barcelona. Muito tímido no começo (muito por causa da pressão pela estreia no superclássico), El Niño Maravilha foi pouco a pouco entrando na partida e deu muito trabalho a Marcelo, que subiu pouco ao ataque no segundo tempo para ter mais atenção com o camisa nove blaugrana. No lado merengue, Callejón e Fabio Coentrão entraram apenas na segunda etapa e, sobretudo o português, ofereceram boa imagem a José Mourinho. Inicialmente no lugar de Di María, o meia-ofensivo deu mais mobilidade ao setor direito, passando, depois, a atuar ao lado de Xabi Alonso na volância, onde jogou durante boa parte dos amistosos da pré-temporada.

A atuação do Real Madrid foi tão notável, que os números ficaram contra o Barcelona após a partida: os blancos chutaram incríveis 20 vezes à meta de Valdés, enquanto os barcelonistas só o fizeram apenas quatro vezes. A posse de bola, recurso do Barcelona mais elogiado, também não foi as das mais impressionantes: apenas 52% - sendo que, ao término do primeiro tempo, o Real Madrid ficou à frente no quesito. Para o Barcelona, os desfalques fizeram falta, pois as improvisações foram muitas. O meio-campo pesado, com Keita fazendo a função de Busquets e Thiago a de Xavi, não fez diferença como nas outras partidas. Messi, apesar do gol, também esteve abaixo da média. Para a volta, o Barcelona poderá contar com um reforço estrelar: Cesc Fàbregas, que foi confirmado como novo jogador da equipe durante o intervalo da partida. Mas onde Guardiola irá encaixá-lo?

Real Madrid 2x2 Barcelona
Real Madrid: Casillas; Sergio Ramos, Pepe, Ricardo Carvalho, Marcelo; Xabi Alonso, Khedira (Callejón); Di María (Fabio Coentrão), Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema (Higuain).
Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Mascherano, Abidal, Adriano (Piqué); Keita, Thiago Alcântara (Xavi), Iniesta; Messi; Villa (Pedro), Alexis Sánchez.
Árbitro: Teixera Vitienes.
Gols: Mesut Özil e Xabi Alonso (Real Madrid); David Villa e Lionel Messi (Barcelona)
Cartões amarelos: Xabi Alonso, Sami Khedira, Fabio Coentrão (Real Madrid); Daniel Alves e Alexis Sánchez (Barcelona).

domingo, 12 de junho de 2011

Balanço Final: Real Madrid

O dono da bola: super artilheiro do espanhol, Cristiano Ronaldo encerrou uma excelente temporada individualmente. Coletivamente, porém, o Real Madrid ficou devendo (reuters)

Campanha: 2ª colocação. 38 jogos, 29 vitórias, 5 empates e 4 derrotas. 102 gols pró e 33 gols contra.. Classificado à fase de grupos da Liga dos Campeões.
Time-base: Casillas; Sergio Ramos, Pepe, Ricardo Carvalho, Marcelo; Xabi Alonso, Khedira; Özil, Di María, Cristiano Ronaldo; Benzema.
Os Artilheiros: Cristiano Ronaldo (40 gols), Benzema (15), Higuain (10)
O Técnico: José Mourinho
O Destaque: Cristiano Ronaldo
A decepção: Sergio Canales

A temporada do Real Madrid acabou com uma pergunta no ar: como irá se comportar os comandados de Mourinho na segunda temporada do treinador no clube blanco? Em sua apresentação no clube merengue, Mou deixou claro que a primeira temporada em seus clubes nem sempre é a mais esperada pelos torcedores. Porém, não hesitou em dizer que na segunda a sede de títulos é a maior possível. A temporada do Real Madrid teve aspectos positivos, como a evolução do jogo coletivo em relação às últimas temporadas e a recuperação do espírito conquistador que está no sangue madridista. O time goleou vários adversários, Cristiano Ronaldo bateu recorde histórico de gols em um Campeonato Espanhol e o time passou das oitavas de final da LC. No entanto, ser superado tantas vezes pelo Barcelona não faz bem ao ego merengue e deixa a sensação de que a temporada foi um insucesso.

O ex-técnico da Inter fez o estilo paizão, conquistou os jogadores, conseguiu recuperar a coesão do grupo após a sacolada no primeiro superclássico e incentivou a briga contra o Barcelona. Até deu certo em alguns pontos: na maratona de superclássicos em abril, a equipe mostrou em alguns momentos ser capaz de parar o Barcelona, como na "vitória moral" no jogo da Liga e no título da Copa do Rei. Na Champions League, a solidez do Real Madrid apareceu cedo, como na vitória soberana para cima do Milan, e a equipe avançou para as quartas-de-finais pela primeira vez desde 2003/2004. Porém, contra os blaugrana, a expulsão correta de Pepe jogou por água abaixo todo o esquema de Mourinho, pois o português era responsável diretamente pela marcação em Messi, que, com espaços após o vermelho do zagueiro improvisado de volante, decidiu o jogo com um doblete. Outro momento negativo do Real Madrid na temporada foi a derrota no Santiago Bernabéu para o Sporting Gijón, que além de dar ao Barcelona a oportunidade de abrir sete pontos de vantagens, acabou com uma invencibilidade de nove anos de José Mourinho sem perder em casa por campeonatos nacionais.

No plano individual, alguns nomes brilharam. Ricardo Carvalho e Pepe formaram uma dupla de zaga bastante sólida e sofreram apenas 33 gols no campeonato, sendo a segunda defesa menos vazada da competição. Além disso, o número de gols sofridos foi o menor da equipe da capital em sete temporadas. Marcelo foi o jogador que mais evoluiu com a chegada de Mourinho na equipe de Chamartin. Se antes o brasileiro era constantemente criticado por abusar das subidas ao ataque e deixar o lado esquerdo da defesa madridista exposta, nesta temporada o ex-Fluminense conseguiu balancear tal tipo de jogada. Ainda que continuasse pecando na marcação, os erros foram bem menores em relação às outras temporadas e o brasileiro se consolidou no posto de melhor lateral esquerdo do mundo. Özil e Di María caíram como uma luva no 4-2-3-1 de Mou: o turco-alemão foi o grande maestro da equipe na temporada e terminou-a com 23 assistências, líder máximo no quesito na temporada europeia. O argentino, por sua vez, começou mal, mas rapidamente se adaptou à Liga e foi peça importante em jogos-chaves na temporada.

Mas nenhum jogou como Cristiano Ronaldo. Regular na temporada inteira, o gajo foi o motor da equipe desde as primeiras rodadas do campeonato e, polivalente, atuou em quase todas as funções do meio para frente - chegando a ser escalado como falso nove em alguns jogos de janeiro. Com 53 gols na temporada, sendo 40 na Liga (maior artilheiro da história da LFP), Ronaldo, de praxe, ainda decidiu a Copa do Rei ante o Barcelona. Já são 86 gols em 89 partidas trajando blanco. Para a próxima temporada, já foram confirmadas as contratações de Yuri Sahin e Altintop, além da repatriação de Callejón, que estava no Espanyol. A base para brigar por títulos já está formada e a equipe não precisa ser refundada, como diziam alguns nos piores momentos de 2010.

sábado, 7 de maio de 2011

As melhores contratações da temporada

Di María, Özil e Ricardo Carvalho estão entre as melhores contratações do futebol espanhol nesta temporada (realmadrid.com)

Segundo dados do site alemão Transfermarkt, se somados, os clubes da Liga BBVA investiram pouco mais de 495 milhões de euros nas últimas janelas de transferências, relativas a esta temporada. O Quatro Tiempos selecionou os melhores negócios. Estão elencados por ordem alfabética, a partir do sobrenome.

Júlio Baptista, da Roma para o Málaga, por 11 milhões de euros
Ao começar a próxima temporada na primeira divisão, o Málaga saberá que deve muito a Júlio Baptista. O brasileiro foi um dos reforços providenciados pelos novos donos do clube em janeiro, quando a ameaça de descenso era forte, mas a princípio pareceu um tiro pela culatra. Lesionado em fevereiro, teve de passar por uma cirurgia e só retornou dois meses depois. De volta, acabou salvando quase sozinho os andaluzes, que venceram cinco jogos seguidos entre as rodadas 32 e 36, com nada menos que sete gols de Baptista.

Iván Cáceres, emprestado do Barcelona ao Sevilla
Cáceres não convenceu no Barcelona e na Juventus, mas o empréstimo para o clube da Andaluzia o fez bem. Assumiu a responsabilidade no Sevilla e foi uma das poucas apostas de Antonio Álvarez a permanecer na equipe titular. Até aqui, fez todas as partidas do Sevilla na Liga BBVA, quase sempre em alto nível, e o reconhecimeno já apareceu: especulações dizem que Guardiola quer contar com o jogador para a próxima temporada, já que o Barcelona passa por perengues com seus zagueiros. Uma lesão na costela, porém, irá impedi-lo de jogar o restante da temporada e até a Copa América com o Uruguai.

Ángel Di María, do Benfica ao Real Madrid, por 33 milhões de euros.
Destaque do Benfica campeão português, Di María foi a segunda transferência mais cara do futebol espanhol, ficando atrás apenas de David Villa, do Barcelona. No Real Madrid, chegou sob dúvidas após a má Copa do Mundo. E os primeiros jogos como merengues não ajudaram. Sempre aberto à esquerda, o argentino não estava convencendo e era coadjuvante de Özil, que começou voando. Porém, Mourinho tratou de, nas coletivas, injetar ânimos ao meio-campista, que deslanchou. Líder de assistências na UCL, Di María foi eleito em votação do Marca o principal jogador do Real Madrid na maratona de jogos contra o Barcelona. Fato que foi dele o cruzamento para o gol de Cristiano Ronaldo na Copa e a jogadaça para o gol de Marcelo na Champions, que deu esperanças à torcida madridista.

Mesut Özil, do Werder Bremen ao Real Madrid, por 18 milhões de euros
Um dos destaques da Alemanha e da Copa do Mundo, o alemão chegou a Madrid em meio a polêmicas: durante a Copa do Mundo, o meia havia dito, em uma entrevista, que seu time favorito na fora da Alemanha é o Barcelona, grande rival do Real Madrid. Uma semana antes de fechar com os merengues, o nome de Özil parecia certo como um dos reforços dos blaugrana, se não fosse Guardiola, que disse "não" à ida do turco-alemão para a Catalunha. Em Chamartin, Özil se adaptou rapidamente ao estilo de jogo do Real Madrid e foi peça-chave no 4-2-3-1 de Mourinho. Nos últimos jogos, seu futebol caiu um pouco devido ao desgaste físico, mas o primeiro turno do alemão foi digno de nota alta. Com onze assistências, o jogador chegou a ser alcunhado de "novo Zidane" pela imprensa espanhola e tem em Jorge Valdano, dirigente do Real Madrid, seu fã número um no clube.

Ivan Rakitic, do Schalke 04 ao Sevilla, por 2, 500 milhões de euros
Ivan Rakitic era o fantasista que o Sevilla precisava. Grande decepção no primeiro turno, a começar pela eliminação precoce na fase pré da Champions, os sevillistas redimesionaram sua temporada após a chegada do croata. Passador e organizador, Rakitic começou sendo utilizado pelos lados do campo, mas subiu demais de produção quando passou a jogar de enganche no 4-4-2 de Gregório Manzano. Fazendo a ligação com o ataque, tornou-se essencial para um Sevilla que parecia morto. Bate bem pro gol de fora da área, fáz ótimos passes de média distância, finta bem, enxerga o jogo com raro talento. Se Renato foi parar no banco e já é dado como saída certa, muito disso deve à ótima - meia - temporada de Rakitic.

Ricardo Carvalho, do Chelsea ao Real Madrid, por 8 milhões de euros
Alto, forte fisicamente, sério e com bom senso de marcação e antecipação, Ricardo Carvalho era o zagueiro que o Real Madrid necessitava. A emergência na defesa blanca chegava nos últimos dias de agosto sem qualquer solução. Homem de confiança de Mourinho, que teve, à exceção da Inter de Milão, o zagueiro português em todos seus times, o gajo recuperou seus prestígios. Dos 36 jogos até aqui pela Liga BBVA, Ricardo Carvalho só perdeu cinco: quatro por lesão, outra por suspensão. Bom no cabeceio, garantiu aquele toque de raça "com o coração na ponta da chuteira", nas palavras de Galvão Bueno. Em termos estatísticos, o Real Madrid só sofreu 26 gols nas 28 partidas em que Ricardo Carvalho jogou sob o comando de José Mourinho. Nos sete jogos que não entraram na conta, foram 13.

Roberto Soldado, do Getafe ao Valencia, por 10 milhões de euros
A saída de David Villa para o Barcelona deixou os torcedores valencianos órfãos de seu principal homem-gol desde Mário Kempes, na década de 80. Entretanto, o canterano logo tratou de ocupar um espaço no coração dos aficionados chés. Nas últimas seis partidas, o centroavante marcou dez gols, uma média de 1,6 por partida - à Messi. Os 16 gols na atual edição da Liga já iguala sua melhor temporada na carreira, que havia sido com o Getafe, em 2008/2009. Desde que estreou na Liga BBVA, em 2005/2006, Soldado vive sua melhor temporada na carreira, sendo referência no ataque blanquinegro. Se, no começo da temporada, havia entre o atacante de nome militaresco e Aritz Áduriz uma disputa para quem seria o titular no 4-3-2-1 de Unai, Soldado logo tratou de vencê-la.

David Villa, do Valencia ao Barcelona, por 40 milhões de euros.

Joan Laporta, ex-presidente do Barcelona, acertou em cheio em acertar com Villa antes do início da Copa do Mundo: em território africano, El Guaje foi um dos principais nomes - senão o principal - da campeã mundial, sendo responsável por cinco dos oito gols da Fúria na competição. Obviamente, seu preço iria aumentar muito após a Copa, caso Villa não houvesse se transferido ao Barcelona antes. Em campo, Villa chegou como grande esperança para gols, já que em 2009/10 Ibrahimovic não foi o que a torcida do Barcelona esperava e Messi teve que decidir tudo. Nesta temporada, Messi vem decidindo até mais que na temporada passada, mas Villa tem feito seus gols: já são 23 na temporada, três a mais que o sueco, que foi emprestado ao Milan. Passou por seu maior jejum de gols na carreira, é verdade, mas o primeiro turno do asturiano foi digno de listá-lo aqui. De destaque, os jogos contra Real Madrid (5 a 0 ) e Arsenal, no Emirates, onde El Guaje marcou uma vez e foi o melhor barcelonista em campo.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

De volta ao lugar da consagração

O Barcelona comemorou, de uma vez só, a passagem para a final e a volta de Abidal aos gramados (reuters)

A Liga dos Campeões desta temporada já reservou partidas memoráveis. Depois do duelo entre Arsenal e Barcelona e Bayern Munique e Inter, Barcelona e Real Madrid protagonizaram um confronto que entrou para a história da competição. A intensidade do confronto era tão grande que mesmo após a absoluta vantagem obtida na ida, o Barcelona ainda não era cravado por boa parte da crítica como um dos finalistas. Após parar no muro de José Mourinho e sua Inter, os blaugranas voltam a ter grande dimensão europeia e irá encarar um velho conhecido na final: o Manchester United, adversário de seu último título de Champions League, em 2008-2009. Dezenove anos depois de comemorar seu primeiro título europeu contra a Sampdoria de Vialli e Roberto Mancini, com gol de Ronaldo Koeman de falta, o Barcelona volta ao estádio de sua consagração: o mítico Wembley, em Londres, será o palco de Barcelona x Manchester United.

A partida de ontem já seria histórico "apenas" por isso, mas a forma como os blaugranas se classificaram ante o Real Madrid impõe ainda mais peso à conquista: precisando tirar uma vantagem de dois gols para ir à final, o Real Madrid entrou em campo totalmente ofensivo, mas não conseguiu chegar com muito perigo à meta de Valdés nos primeiros quarenta e cinco minutos. Pelo contrário: foram os azulgrenás quem atacaram como se estivessem precisando do resultado. Até por isso, Casillas foi o grande nome dos primeiro tempo, quando parou Messi, duas vezes, e Villa. Durante todo o primeiro tempo, o ímpeto do Barcelona foi claramente maior do que o Real Madrid, que, acanhado, apenas rezou para Casillas parasse os frequentes ataques do Barcelona. Os blancos começaram a partida marcando a saída de bola do Barcelona, empurrando o adversário para o campo defensivo e forçando erros de passe pouco característicos da equipe catalã. Mesmo com a forte pressão inicial, a equipe merengue não conseguiu traduzir o domínio territorial em chances claras de gol.

O Barça desta temporada tem mostrado, em algumas partidas, que tem a capacidade de ser atacado a exaustão, oferecendo poucas oportunidades para seus adversários, já que deixa poucos espaços para que a bola seja trabalhada pelos adversários. Especialmente ontem, foi essencial a participação de Puyol, que mais uma vez atuou com o coração na mão na lateral esquerda. Por ali, Di María, na primeira etapa, e Cristiano Ronaldo, na segunda etapa, pouco fizeram para levar perigo pelo setor. Kaká, mais centralizado, foi figura tão anulada quanto Özil, que substituiu o brasileiro no segundo tempo. Ontem, a expectativa era de que o alemão começasse a partida como titular. Entretanto, depois de uma reunião entre José Mourinho e o presidente Florentino Pérez teria sido decidido que Kaká seria escalado.

No final do jogo, Guardiola ainda deu chances para Abidal, que substituiu el capitán. O francês, que entrou ovacionado pelos aficionados culés em campo, voltou aos gramados menos de dois meses depois de se recuperar de um tumor no fígado. Guardiola, mais uma vez, esteve em foco: após vencer o confronto contra José Mourinho, que não assistiu à partida em um hotel, o treinador não teve nem muito tempo para comemorar, pois partiu em um voo rumo a Manchester, para acompanhar o Manchester United encarar o Schalke 04. A mentalidade vencedora do Barcelona no campeonato espanhol ampliou-se em solo nacional e também se mostra presente em solo continental: em quatro temporadas, os blaugranas estiveram em quatro semifinais e, contando com essa, duas finais. Os merengues ainda ensaiaram pressionar como fizeram no início dos dois tempos, mas logo o Barça se assentou e passou a administrar o jogo longe de seu próprio gol. As longas trocas de passes foram provocando faltas e mantinham a equipe segura na defesa para garantir o resultado favorável.

Se, na eufórica vitória barcelonista, Guardiola e Messi podem ter saído como os principais artífices e vencedores, certamente há também o principal perdedor do lado merengue. Cristiano Ronaldo, que passou a ser cobrado pela torcida blanca por uma atuação convincente na Champions, novamente foi figura decepcionante contra o Barcelona e, além de ser eliminado, certamente deixou o caminho livre para o extraterrestre Messi poder comemorar o seu terceiro título de melhor jogador do mundo. Embora a postura defensiva de Mourinho não ajudou para que o futebol de Cristiano Ronaldo aparecesse, em cinco jogos contra os blaugranas na temporada o meio-atacante português foi nulo (à exceção da final da Copa, quando marcou o gol do título).

Enquanto Cristiano Ronaldo fracassa em superclássicos, Messi só brilha: após os dois gols no jogo de ida, La Pulga foi um verdadeiro demônio para a defesa remendada do Real Madrid ontem, sendo responsável pelo cartão amarelo a Ricardo Carvalho e Lassana Diarra, que não "tiraram os pés" das divididas. O maior artilheiro europeu da temporada não ajuda sua equipe apenas com gols, mas com o coletivo: na temporada, já são vinte e duas assistências - poderia ser vinte e três, se Casillas não tivesse feito uma defesaça em chute de Villa, no primeiro tempo. No 4-3-1-2 de Guardiola, o argentino desempenha uma função mais cerebral e mais preocupada com a armação das jogadas: se com Frank Rijkaard e o 4-3-3, Messi ficava mais preso à direita, com Guardiola é notável que seu futebol cresceu, passando a assumir mais a função de homem-gol da equipe, principalmente após a saída de Eto'o.

Na segunda partida das semifinais da Champions League, o Barcelona teve 64% de posse de bola, contra apenas 36% do rival. Desde que Guardiola treina a equipe, há dois anos e meio, o Barça sempre tem mais posse que seus adversários. Mas foi outro dado que chamou mais a atenção: juntos, os três jogadores da linha de três do meio-campo do Barcelona – Xavi, Busquets e Iniesta – acertaram 263 passes. Mais do que todo o time do Real Madrid, que acertaram 261. Xavi acertou 123 dos 134 passes dados na partida, com 92% de aproveitamento. O jogador do Real Madrid que acertou mais passes foi Lass Diarra, com 37. Xavi também aparece em destaque na lista dos jogadores que mais correram. O ‘motor’ do Barcelona percorreu 11.417 metros em campo. Na segunda colocação, ficou Xabi Alonso, do Real Madrid, por 11.154 metros. O atacante Pedro Rodríguez, autor do gol do Barcelona, percorreu 10.695 metros e ficou em terceiro lugar na lista.

Com a moral em alta após a classificação para Wembley e a calorosa festa feita por cinco mil torcedores em Canaletes, centro da cidade de Barcelona, em plena madrugada, o Barcelona receberá o rival Espanyol no final de semana para comemorar o provável primeiro título da temporada: no derby barceloní, basta uma simples vitória ante os péricos e uma derrota do Real Madrid para o Sevilla na Andaluzia para a festa do tri-campeonato ser feita. Agora, mais do que tudo, é fato que os comandados de Guardiola se concentrarão na grande final, em que entrará em campo, ao contrário de Roma 2009, como favorito. Sonhar tão alto é possível.

Barcelona 1x1 Real Madrid
Barcelona
: Valdés; Daniel Alves, Piqué, Mascherano e Puyol (Abidal); Xavi, Busquets e Iniesta; Pedro (Afellay), David Villa (Keita) e Lionel Messi. Técnico: Josep Guardiola.
Real Madrid: Casillas; Arbeloa, Ricardo Carvalho, Albiol e Marcelo; Lass Diarra; Xabi Alonso, Cristiano Ronaldo, Kaká (Özil) e Di María; Higuaín (Adebayor). Técnico: José Mourinho.
Árbitro: Frank de Bleeckere (BEL)
Gols: Pedro (Barcelona); Marcelo (Real Madrid)
Cartões Amarelos: Pedro (Barcelona); Ricardo Carvalho, Lass Diarra, Xabi Alonso, Marcelo, Adebayor (Real Madrid)

sábado, 16 de abril de 2011

Vitória moral

Aplausos para nós: com um a menos, o Real Madrid buscou o empate (em pênalti polêmico) contra o Barcelona. O segundo round é na quarta-feira (getty images)

O que pensar de uma equipe que consegue um empate ante o melhor time do mundo com um a menos? O empate em 1 a 1 no Bernabéu praticamente sacramentou o titulo espanhol a favor do Barcelona, mas mostrou ao mundo que o Real Madrid é capaz de anular a equipe de Guardiola. Na primeira etapa, o 4-3-2-1 de Mourinho sufocou a saída de bola do Barcelona, que teve a posse de bola mas não levaram muito perigo à meta de Casillas. Os espaços, porém, não estiveram totalmente fechados em alguns contra-ataques azulgrenás e Messi acabou desperdiçando duas boas oportunidades. Na primeira, o argentino foi tentar encobrir Casillas e não executou a jogada do jeito que queria; na segunda, fez um carnaval no meio-campo blanco e chutou com força para bela defesa do capitão blanco.

O Real Madrid atuou no 4-3-2-1 que, às vezes, parecia com um 4-1-4-1. Pepe fazia a função de primeiro homem de meio-campo e à frente dele vinha uma linha com Di María, Xabi Alonso, Khedira e Cristiano Ronaldo, este último com mais liberdade para se juntar ao ataque. Na frente Benzema jogava centralizado. O Barcelona veio a campo no seu habitual 4-3-3 (4-2-3-1), com uma surpresa de última hora: Puyol, que não jogava há três meses, foi convocado e, não obstante, iniciou o superclássico como titular. El capitán blaugrana, porém, voltou a sentir dores musculares e saiu na segunda etapa por precaução, segundo o site oficial do Barcelona. Messi, Pedro e Villa compunham o ataque, sempre alternando-se nas funções de homem mais central.

A opção de um meio-campo mais defensivo que o comum deu certo durante todo o primeiro tempo. Porém, no segundo tempo, a entrada de Özil condicionou o jogo: o turco-alemão mudou a característica do Real Madrid e foi importante para que a equipe chegasse ao gol de empate. Na volância, Pepe não deixou passar batido: marcou Messi com solidez na primeira etapa, evitando que o argentino pudesse oferecer resistência ao gol merengue. O argentino pouco fez nos primeiros 45 minutos, mas seu brilhantismo ainda permitiu a criação de boa jogada individual aos 43 minutos, quando Casillas fez bela defesa. Apesar de ceder a posse de bola (que em momentos superou 80%), o Real Madrid também poderia ter aberto o placar: cabeçada de Cristiano Ronaldo salva em cima da linha por Adriano, no último lance da etapa inicial.

Messi comemora: gol no Bernabéu foi o primeiro da Pulga em equipes treinadas por Mourinho (getty images)

O lateral esquerdo brasileiro foi dono de uma grande partida. Marcou Cristiano Ronaldo com contundência quando este bordava pelo seu setor e evitou as subidas de Sergio Ramos ao ataque. O brasileiro, também, evitou por duas vezes um gol do gajo. Além da cabeçada ao fim da primeira etapa, Adriano tirou na hora exata uma bola que o português já preparava para chutar para as redes de Valdés. Cristiano Ronaldo recebeu de Marcelo mas acabou adiantando muito, o que facilitou a chegada de Adriano. Daniel Alves, na outra lateral, também fez boa partida. Apesar do pênalti, muito mal marcado pelo desastrado Muñiz Fernández, o baiano anulou Di María, em péssima noite, e, assim como Adriano na esquerda, praticamente impediu as subidas de Marcelo ao ataque. Porém, Daniel Alves não acrescentou nenhum poder de fogo ao Barcelona quando subiu para o ataque e se preocupou mais na marcação do extremo argentino.

Durante a semana, José Mourinho havia dito que, para jogar contra o Barcelona, estava treinando sua equipe para jogar com um homem a menos, insinuando que sempre alguém era expulso contra a equipe catalã. E, dessa vez, não foi diferente. Xavi lançou com maestria Villa, que ganhou na corrida de Raúl Albiol e acabou empurrado pelo zagueiro. O cartão vermelho, porém, foi mostrado corretamente, já que Villa iria finalizar para as redes de Casillas. Na cobrança, Messi converteu e abriu o placar para o Barcelona. O 49º gol do argentino na temporada destruiu o plano original de Mourinho, e a impressão era de que os dois times aproveitariam a circunstância para se poupar.

Villa, que vem brigado com as redes há alguns jogos, poderia ter matado o jogo, mas não o fez. A atuação do Guaje, e consequentemente sua fase, preocupa. Destaque no primeiro turno, hoje o atacante asturiano foi inoperante caindo às costas de Sergio Ramos, que teve facilidade para marcá-lo. Além disso, não foi por falta de oportunidades que Villa fez uma má partida: o ex-Valencia teve, no mínimo, três ótimas oportunidades de vencer Casillas; mas, na maioria das vezes, por displicência, acabou desperdiçando. Sem contar a falta de domínio na última chance da partida, quando Xavi lançou e o Guaje não conseguiu dominar uma bola, teoricamente, fácil.

Com a expulsão de Albiol, Mourinho refez sua tática com algumas alterações. A princípio, Pepe iria ocupar a vaga de Albiol na defesa, mas com a entrada de Arbeloa (e a de Adebayor, saindo Xabi Alonso e Di María) e o deslocamento de Sergio Ramos para a zaga, o luso-brasileiro voltou à função que vinha exercendo bem. Mas foi a primeira substituição, com a entrada de Özil no lugar de um nulo Benzema, logo após o gol sofrido, que deu novo gás aos merengues na partida. Com participação do turco-alemão, que deu inicio à jogada, Marcelo recebeu de Cristiano Ronaldo e "sofreu" pênalti de Daniel Alves. Com extrema categoria, Cristiano Ronaldo converteu e chegou ao seu primeiro tento contra o Barcelona em sete confrontos.

"Marcelo reconheceu e me disse que tinha que se jogar no lance", disse Daniel Alves após a partida. Fato é que houve falta de critério por parte de Muñiz Fernández. Em um lance bem semelhante, na primeira etapa, Villa foi derrubado por Casillas e caiu na área, mas o árbitro mandou seguir. No fim, o Real Madrid quase chegou à virada. Em jogada iniciada por Özil, que fez o que quis com Keita, Adebayor partiu em velocidade na direita e rolou para Khedira. O alemão, que tinha como opção Cristiano Ronaldo livre na esquerda, arriscou um belo chute de canhota, mas Valdés caiu para defender.

O empate foi justo pela superioridade do Barça e pela entregar do Real Madrid quando estava com um homem a menos. O 1 a 1 foi um bom placar para o primeiro de quatro clássicos. Com o empate, o Barça praticamente se define como o campeão espanhol mantendo a diferença de 8 pontos na ponta da tabela. Para a final da Copa do Rei, quarta-feira, o Barça terá de se preocupar com o possível desfalque de Puyol, que saiu machucado. Porém, Mascherano já estará de volta e, pelo menos contra o Shakthar, foi bem como zagueiro. O Real Madrid pode comemorar: apesar do empate ter selado o tri-campeonato barcelonista, a equipe jogou de igual para igual na primeira etapa e parece ter afastado seus complexos e se convencido de que pode acabar com a seca de vitórias contra o rival.