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domingo, 26 de maio de 2013

Por que o Barcelona é a melhor opção para Neymar

Futuro parceiro de Messi, Neymar será importante para o argentino (getty images)

Neymar é do Barcelona. Uma das novelas mais demoradas do futebol brasileiro chegou ao fim ontem, quando o (ex) craque do Santos confirmou em seu Instagram a ida ao clube catalão na próxima temporada. Os valores ainda não foram oficialmente divulgados, mas é provável que tenha sido algo em torno de 32-35 milhões de euros.

A ida de Neymar ao futebol europeu chega em excelente hora, já que ele estava estagnado e sem nada a fazer no futebol brasileiro. Agora, num time totalmente oposto ao desorganizado e bagunçado taticamente Santos, o brasileiro começará uma nova história em sua carreira. Abaixo, os motivos que mostram por que a escolha pelo Barcelona foi a melhor que Neymar poderia ter feito.

Menos pressão
Apesar da expectativa alta, a torcida do Barcelona não é tão exigente com seus jogadores. O maior exemplo é Alexis Sánchez, contratado em 2011, que nunca mostrou sua versão Udinese no Camp Nou. Nem por causa disso os torcedores deixam de apoiar. E no caso de Neymar, em que haverá todo um tempo para se adaptar a um estilo de futebol novo, a torcida certamente será paciente. Em Madrid, por outro lado, os torcedores costumam pegar no pé. Cristiano Ronaldo só foi ganhar respeito máximo após ser o protagonista do título da Liga 2011-2012. Por suas frequentes fracas apresentações diante do Barcelona, o gajo era criticado por uma parte da torcida.

Questão tática
De acordo com um dossiê que o clube vinha preparando desde 2009, "Neymar é um jogador que irá se encaixar de forma perfeita no lado esquerdo do ataque". Só do brasileiro ter a garantia que, inicialmente, é opção para jogar no setor do campo onde mais gosta de atuar já é uma grande vantagem. No Real Madrid, por exemplo, ele esbarraria na presença de Cristiano Ronaldo pelo lado do campo. Aberto à esquerda do 4-3-3, com Messi se aproximando para tabelar, e Iniesta e Xavi armando atrás, Neymar tem tudo para brilhar.

Ser o parceiro ideal de Messi
Num time onde 80% dos gols são concentrados em um jogador, Neymar chega para "dividir essa responsabilidade", com bem frisou Daniel Alves. Com 138 gols em 228 jogos, o brasileiro é um exímio finalizador. É claro que o cargo de protagonista vai continuar com Messi, mas em situações onde o argentino é anulado pelo esquema adversário (em outras palavras: contra retranca como as do Milan, Chelsea ou Inter) Neymar pode servir para dar liberdade ao camisa dez, até mesmo trocando de posição e aparecendo como falso nove, função que já desempenhou em alguns jogos com Mano Menezes na seleção brasileira.

Local onde brasileiros brilham
Nos últimos anos, os torcedores do Barcelona se acostumaram a ver os brasileiros se destacaram vestindo a camisa azulgrená. Romário, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho ganharam títulos e foram Bola de Ouro. Lá atrás, Evaristo de Macedo virou ídolo da torcida culé. O mais supersticioso acredita que Neymar dará continuidade aos grandes brasileiros que brilharam no clube. Além disso, o Barcelona já está pensando em fazer uma versão em português de seu site oficial.

Filosofia
O Barcelona tem uma filosofia de jogo simples e direta: privilegiar o futebol ofensivo, baseado na troca de passes. Num time que em situação nenhuma vai optar por um esquema defensivo, Neymar vai se sentir em casa. Com o plus de ganhar uma disciplina tática que dificilmente ganharia no futebol brasileiro. Ainda que Pedro cumpra o papel de marcar o lateral adversário no lado direito, Neymar terá que fazer isso em algumas situações para desafogar Alba.

sábado, 1 de setembro de 2012

As melhores do deadline

 Se Mourinho conseguir recuperar o futebol do Essien de 2007 a 2009, o Real Madrid terá em seu elenco um dos melhores volantes do mundo (Article)

Não foram tantas surpresas na Espanha, mas o último dia do mercado de verão sempre dá o que escrever. Por isso, o blog separa as sete melhores contratações fechada ontem.

7 - Park Chu Young no Celta Vigo
Iago Aspas é o melhor atacante do elenco galego, mas a concorrência do coreano Park Chu Young fará com que o espanhol trabalhe mais. Young, de passagem apagada pelo Arsenal, espera dar a volta por cima no Balaídos e voltar a Londres com outro status. A depender de sua motivação, será um sucesso. Logo de cara, prometeu: o desafio é marcar mais de 15 gols.

6 - Álvaro Vázquez no Getafe
Artilheiro da Espanha no último Mundial Sub-20, o jovem chega a Madrid para ser titular após o empréstimo de Miku ao Celtic. O outro lado da moeda leva à curiosidade: por que o Espanyol libertou-se de seu principal atacante? Vázquez, vale lembrar, já marcou nesta Liga BBVA. Os péricos também se desfizeram de Thievy, emprestado ao Las Palmas.

5 - Javier Saviola e Roque Santa Cruz no Málaga
O Málaga precisava de um centroavante de respeito após perder Rondón. Saviola e Santa Cruz seriam contratações tops há dez anos, mas ainda hoje podem dar um caldo, sobretudo o argentino. O paraguaio teve uma passagem nota 6 pelo Bétis e, provavelmente, será apenas uma alternativa. Os blanquiazules ganham também em variação tática, já que Pellegrini, se quiser encaixar os dois, pode utilizar o amado 4-4-2. No caso, o desenvolvimento de Fabricie não seria barrado porque ele possui 16 anos ainda. Se der liga, os andaluzes podem, quem sabe, sonhar em avançar de fase na LC.

4 -Oguchi Onyewu no Málaga
Jesus Gámez começou a temporada bem, mas é quase certeza o estadunidense será titular. Ou, ao menos, uma opção confiável, já que Sérgio Sánchez não inspira confiança. Ele irá oferecer velocidade pela direita e pode ser um complemento interessante a Joaquín ou a quem cair pela direita da linha de três. Se jogar o que sabe, Pellegrini terá um bom lateral à disposição. Mas ainda falta um zagueiro confiável e uma alternativa a Camacho e Toulalan na volância.

3 - Cristian Sapunaru no Zaragoza
Após quatro temporadas no Porto, onde ganhou Copa, Liga e Liga Europa, o rômeno chega ao Zaragoza mais pragmático dos últimos anos. Ele é um bom potencial que havia atraído interesse de Sevilla e Málaga e até do Villarreal em outros tempos. Em mercado fraco dos maños que a cada temporada parecem próximos da Liga Adelante, Sapunaru é um ponto fora da curva e deve dar certo no La Romareda.

2 - Michael Essien no Real Madrid
Um pedido de transferência a uma hora do fechamento da janela, uma proposta relâmpago do blancos, e José Mourinho contratava o jogador que ele mesmo levou ao Chelsea em 2005. Bom para o Real Madrid, que tem mais uma opção para o meio, onde Essien deve brigar por vaga com Khedira e Modric ou mesmo ser uma alternativa torta a Arbeloa na lateral. O marfinense não chega a Chamartin para ser titular, mas é um ótimo reforço. Mesmo que não volte a ser o mesmo de antes, Mourinho tem à disposição um jogador a quem confiar. Após boa pré-temporada com o Chelsea, Essien promete bom futebol na capital espanhola.

1 - Giovanni dos Santos no Mallorca
Sim, Giovanni dos Santos. Num Mallorca tão carente de drible e sem extremos genuínos, ele chega como peça-chave. Giovanni fracassou em Barcelona e Londres e teve lampejos no Racing Santander, onde foi o principal jogador da equipe cantabriana em 2010/2011, mas Joaquín Caparrós, que sabe trabalhar com jogadores desse naipe, pode tirar muito do mexicano e transformá-lo num bom parceiro a Hemed, que começou a temporada voando. Giovanni é talentoso, possui um bom passe e chuta muito bem com a esquerda. Se desempenhar o futebol que costuma jogar na seleção mexicana, ajudará muito o Mallorca que, logicamente, tende a sentir a falta de Gonzalo Castro nos momentos mais propícios da temporada.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Sobrando na turma

 "Melhor equipe humana" do futebol espanhol, Valencia deve manter o terceiro lugar na atual temporada (getty images)

A cada vez mais polarizada disputa por título entre Barcelona e Real Madrid tem tirado muito glamour da Liga Espanhola, batizada de Liga das Estrelas anos atrás. É evidente que, em questão de qualidade, La Liga hoje está atrás da Premier League e Bundesliga entre os principais campeonatos da Europa. A disparidade da dupla para os restantes das equipes é notório. Na temporada passada, por exemplo, a diferença entre o campeão Real Madrid e o terceiro colocado Valencia terminou em exagerados 39 pontos. Em relação ao Barcelona, vice-colocado, os chés ficaram 30 pontos atrás. E é exatamente essa disputa paralela pela terceira colocação que tem colocado uma emoção a mais na Liga. Há duas temporadas, o Marca apelidou de "campeão humano" quem terminava naquela colocação.

E quem vem mantendo esse status por duas temporadas consecutivas é justamente o Valencia. Em 2010/2011, não teve muito trabalho para desbancar o Villarreal, enquanto teve que suar mais um pouco para jogar o Málaga à quarta colocação em 2011/2012. Os chés possuem uma equipe coesa, segura e consistente o bastante para disputarem um campeonato de 38 rodadas em busca de seu objetivo: conquistar uma vaga na Champions League. Se a equipe viveu um período de ostracismo principalmente entre 2007 e 2009, hoje não tem mais com o que se preocupar: é muito superior aos demais times, o que deve ser ratificado nesta nova temporada que está prestes a começar. Em um período de forte crise na Espanha, a lógica é que os clubes não se reforcem com tanta intensidade em relação aos outros anos.

Entre os que vão disputar as duas vagas na próxima Champions League, apenas Valencia e Atlético de Madrid deram prosseguimento à certeza. O Sevilla ainda é uma incógnita e o Athletic Bilbao pode estar a um passo de perder duas peças-chaves de seu elenco: Javi Martínez e Llorente. Hoje, fontes do Bild e do Transfermarket confirmaram a proposta de 40 milhões de euros feita pelo Bayern de Munich para tirar o zagueiro-volante de Lezama, justamente o preço estabelecido pela diretoria. O Rei Leão, por sua vez, comunicou a Josu Urrutia, presidente do clube, que não irá renovar seu vínculo que termina em janeiro de 2013. Para não sair de graça, deve ser negociado com a Juventus, que, através de seu diretor-geral, Beppe Marota, confirmou o início das negociações.

O Valencia é justamente o mais forte porque soube utilizar bem o dinheiro da venda de Jordi Alba ao Barcelona. Os blanquinegros trouxeram Guardado, Gago, João Pereira e Haedo Valdez. O presidente Manuel Llorente ainda prometeu mais uma contratação para o meio-campo, que deve ser Ali Cissokho, para substituir Pablo Hernández, de provável saída ao Swansea. Com um elenco leve, o Valencia precisava dessa profundidade para se prevenir. O problema mais esdrúxulo da temporada passada foi resolvido. A contratação de João Pereira, ex-Sporting Lisboa, já será o bastante para o irregular Barragán não ser titular absoluto na lateral direita e evitar o deslocamento de Ricardo Costa ao setor. O zagueiro português pode formar uma boa dupla de zaga com o bom Adil Rami, de temporada positiva em 2011/2012. Para a lateral esquerda, Nacho Monreal está muito próximo de chegar. O propósito de Pellegrino é aproveitar bem a polivalência de Mathieu, que atua tanto na lateral esquerda, quanto na extrema esquerda na linha de três.

A chegada de Guardado tem duas importâncias: o acréscimo de mais técnica ao meio-campo e o retorno de Jonas ao ataque. O brasileiro, muito utilizado por Unai Emery centralizado atrás de Soldado, pode não ser tão subutilizado porque hoje não tem a concorrência de Aduriz no ataque. A saída do basco ao Athletic Bilbao abre espaço para o paulista de Bebedouro atuar na posição mais próxima ao gol, onde brilhou no Grêmio. Isso sem contar com Haedo Valdez, que chega prometendo uma disputa saudável com Jonas e Soldado, e Paco Alcácer, promissor atacante das canteras valencianista que se destacou na pré-temporada e teve seu nome cobrado pela torcida para ganhar mais chances ao longo do ano. O jovem é taxado como novo Villa nas divisões de base. Juan Bernat foi outro canterano que se destacou nos jogos amistosos e deve ter uma utilização mais constante no Mestalla. Aliás, o garoto foi titular na estreia do Valencia na Liga passada.

O esquema tático é que anda balançando a cabeça do treinador. Ainda que tenha adotado um discurso de que pretende impor uma nova "filosofia" no clube, a verdade é que com tanto nomes à disposição, sobretudo do meio para frente, o módulo não fuja do 4-2-3-1. Na pré-temporada, ele não ousou em mudá-lo, mas variou durante boas partidas para o 4-3-2-1 que prometeu encaixar. A proposta é um futebol mais pegado no meio-campo, onde Gago seria essencial. A escalação com essa trinca de volantes deve aparecer em confrontos que pedem mais cautela, como contra o Real Madrid (na estreia domingo), Barcelona e até mesmo os rivais pela LC em seus domínios. Fazer bonito em âmbito continental também é uma obrigação. Após cair nas oitavas-de-finais e na fase de grupos nas últimas duas temporadas, o Valencia precisa saber que tem equipe para, a depender de um sorteio acessível, avançar às quartas. Potencialmente, os chés possuem o terceiro melhor conjunto de La Liga.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Planificando-se cedo

Guardiola passa por uma experiência negativa e começa a planificar o Barcelona para a próxima temporada mais cedo do que o costume (AP Photos)

Especulações sobre o mercado de verão costumam começar a aparecer somente no fim de abril ou início de maio, quando a temporada está chegando ao seu fim. Muitas delas, claro, não passam de "notícias para vender jornal", como costumam a apelidar aquelas especulações baratas, que acabam dando em nada. Em relação ao Barcelona, começou cedo. No início da semana, o Marca deu destaque a uma possível negociação dos azulgrenás junto ao Milan por Thiago Silva. Chama a atenção o fato do periódico, que é conhecido por cobrir as equipes de Madrid, ter dado a notícia primeiro em relação ao Mundo Deportivo e Diário Sport, jornais da Catalunha.

Com poucas opções para a defesa, Guardiola vai atrás de reforços para o setor no mercado de verão e o primeiro nome da lista é justamente o do brasileiro do Milan. No entanto, a negociação não é nem um pouco fácil. O jogador é visto como fundamental no Milan e já foi apontado por diversos companheiros, ex-jogadores e até dirigentes como um possível novo Paolo Maldini ou Franco Baresi. Ainda assim, o Barcelona não desiste. O preço pedido para que as conversas se iniciem, no entanto, é alto: 30 milhões de euros.

Soa como curiosidade o fato do Barcelona ir atrás de Thiago Silva para, entre outros fatores, rejuvenescer sua defesa. De acordo com o Marca, Pep vê com bons olhos uma futura parceria do Monstro com Piqué. Paralelamente ao desejo do treinador, joga contra o fato do zagueiro espanhol estar fazendo uma temporada muito abaixo da média. Ainda não adaptado à linha de três, quando joga mais na cobertura e fica exposto ao contra-ataque e a velocidade do atacante rival, Piqué não parece nem de longe o zagueiro que por três temporadas consecutivas vem sendo eleito pela Fifa um dos três melhores do mundo. Além disso, Puyol faz uma temporada irretocável. Hoje, é o melhor zagueiro do elenco blaugrana.

A ideia de Guardiola é contratar um zagueiro de alto nível, já que, para a posição, ele conta apenas com seus dois titulares. Os outros que atuam por ali quando algum deles está machucado jogam improvisados, como Busquets, Mascherano e Abidal. Caso a transferência de Thiago não dê certo, o francês Adil Rami, do Valencia, é considerado o plano B. Outros dois nomes em pauta são Neymar e Gareth Bale, do Tottenham. Andrés Villas-Boas afirmou numa coletiva recente que o Chelsea foi atrás da contratação do brasileiro, mas que seu futuro já está selado. Não revelou o clube, mas este parece ser o Barcelona. O mistério é para quando. A cúpula azulgrená o quer para depois dos Jogos Olímpicos de Londres.

Talvez, o nome de Bale pode parecer como forçado. Atualmente, seja no 4-3-3 ou no 3-4-3, o destaque do Tottenham na temporada não teria espaços no onze inicial. Vale lembrar que o galês não joga mais de lateral há um bom tempo, tendo que, em uma iminente ida à Catalunha, disputar uma posição com Iniesta. Aí entra o porquê da preferência de Guardiola. É sabido por todos que El Albino convive com lesões musculares. Só em 2011/2012 foram três. Bale seria uma reposição de nome para suprir as ausências de Iniesta.

Trazer os três será difícil. Caso as duas contratações se concretizem, os culés gastarão cerca de 130 milhões de euros somente na dupla, fora o preço de Neymar, bastante alto. Mas a aposta é que o mercado vai ser bastante movimentado. Guardiola está passando por uma experiência negativa que pode servir de aprendizado: lesões à rodo redimesionando uma temporada que tinha tudo para ser perfeita (os 14 jogadores à disposição para uma semifinal de Copa do Rei é a prova). A Liga está indo por água abaixo a cada rodada e a UCL, apesar de favorito, vai depender do físico do elenco. Hoje, o Real Madrid está mais preparado.

Copa del Rey
O Barcelona venceu o Valencia por 2 x 0 e avançou à final. Os blaugranas se vingaram da eliminação de 2007/2008 e irão reencontrar o Athletic Bilbao, rival de três temporadas atrás. Ao contrário daquela noite de Valencia, onde o Barcelona era muito favorito, o atual momento das duas equipes diminui um pouco o favoritismo barcelonista. Mas até chegar o dia da final (ainda indefinido) muito água irá rolar.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A despedida do herói


A venda de Forlán, concluída nas últimas horas de mercado para a Inter de Milão, irá deixar o Atlético de Madrid sem um de seus maiores jogadores nas últimas temporadas. Após 96 gols, uma chuteira de ouro e dois títulos, o uruguaio parte para Milão para substituir Samuel Eto'o, que saiu da Inter rumo ao Anzhi. Ironicamente, Forlán chega para o lugar daquele com o qual protagonizou um histórico duelo pela artilharia na temporada 2008/09: o camaronês ficou à frente do uruguaio durante boa parte do campeonato; porém, sucumbiu na reta final e viu um Forlán avassalador levar o Pichichi para a casa.

A chegada de Forlán ao Atlético de Madrid foi semelhante com a ida a Milão. Em 2007/2008, logo após a saída de Fernando Torres para o Liverpool, a diretoria colchonera agiu rápida e anunciou o nome do El Brujo por 10 milhões de euros junto ao Villarreal. Após uma passagem ruim no Manchester United e convincente no clube amarillo, Forlán se firmou com um dos melhores atacantes do mundo justamente em Manzanares e não demorou para ouvir muitos gritos de "uruguaio, uruguaio!" vindo dos aficionados rojiblancos logo após um gol seu.

Em sua primeira temporada como jogador do Atléti, Forlán anotou 23 gols, sendo 16 deles na Liga Espanhola, que ajudaram a equipe a se classificar a Champions League pela primeira vez em onze temporadas. Uma cifra aceitável para sua temporada de estreia, mas que fica em segundo plano se comparada com a da temporada posterior, que acabou resultando em sua segunda chuteira de ouro na carreira. Uma reta final de temporada espetacular permitiu terminar com 32 tentos, ficando à frente de Eto'o na artilharia da Liga.

Foi um período em que El Brujo parecia, de fato, um bruxo: tudo que tocava acabava em gol. Seja com a direita, com a esquerda, de cabeça, de pênalti e, até mesmo, de falta: Forlán estava impossível. No fim, seu tremendo final de campeonato escondeu muitas carências de uma equipe para lá de inconstante, e que acabou classificada à LC pela segunda temporada consecutiva. A grande decepção da temporada foi justamente na competição europeia. Não pelo que Forlán fez, mas pelo que deixou de fazer. Em uma atitude para lá de maluca, Javier Aguirre, treinador do Atlético à época, optou por deixar Forlán no banco no jogo decisivo contra o Porto pelas oitavas-de-finais. Resultado: empate por 0 a 0 e eliminação colchonera, já que o jogo de ida, no Vicente Calderón, havia sido 2 a 2.


A terceira temporada de Forlán teve muitos altos e baixos, mas o resultado final não deixou dúvidas: 18 gols na Liga, três na Copa do Rei e sete na Liga Europa, onde foi campeão e melhor jogador. Se, nos numeros, houve uma queda significante em relação à temporada anterior, no plano coletivo a temporada 2009/2010 acabou sendo a melhor de Cavachava quanto jogador atleticano. Para terminar, com chave de ouro, o terceiro lugar na Copa do Mundo com o Uruguai, onde foi eleito o melhor jogador da competição. Autor de dois gols na semifinal da competição europeia contra o Liverpool e também na final contra o Fulham, Forlán será eterno no clube rojiblanco por muitas coisas, mas em especial pelo seu gol ante os Cottagers no minuto 116 da prorrogação. O tento que definiu o título europeu para o Atlético de Madrid tirou os colchoneros de uma fila de 14 anos sem ganhar um título de expressão (46 anos sem título em âmbito continental).

Após esses momentos de glórias, El Brujo viveu muitos momentos duros em sua última temporada. Cavachava não rendeu como em temporada anteriores e sua relação com Quique Sánchez Flores foi bastante controversa. Sua cifra goleadora foi a pior desde que chegou à Espanha: oito gols na liga e dois na Liga Europa. Ao final da temporada, acabou proclamando-se campeão da Copa América com o Uruguai, onde mostrou novamente todo seu poderio decisivo: marcou dois gols na final contra o Paraguai.

Agora, Forlán desembarca na Beneamata com a responsabilidade de ser a grande referência de uma equipe que irá tentar volta a conquistar títulos, após uma temporada decepcionante após a saída de José Mourinho. Os torcedores do Atlético de Madrid jamais esquecerão o uruguaio bastante carismático e seus gols, sobretudo aqueles marcados no fatídico 12 de maio de 2010, em Hamburgo.

domingo, 21 de agosto de 2011

Amigos e rivais

Pablo Sarabia foi o último jogador das canteras do Real Madrid a chegar no Getafe (getafecf.es)

A rivalidade existente entre Real Madrid e Getafe não é das mais intensas. A começar pelas relações extracampo. O Getafe, vale lembrar, foi fundado por parte de sócios do Real Madrid que estavam insatisfeito com a gestão do clube merengue à época. Algo que vem se tornando comum na política de contratação azulona é a compra (ou empréstimo em alguns casos) de jogadores das divisões de base do Real Madrid. Em uma lista levantada pelo Marca, nada mais nada menos que 11 jogadores saíram de Valdebebas rumo a Getafe nas últimas seis temporadas.

Ángel Torres, presidente do Getafe, e Toni Muñoz, diretor esportivo, são os principais responsáveis por isso: desde que chegaram aos respectivos cargos que o clube tem investido nesse tipo de contratação. A mais recente é uma das maiores promessas do futebol espanhol: Pablo Sarabia. Um dos principais nomes da campanha da Espanha no título do europeu sub-19, o jovem de 19 anos assinou um contrato pelas próximas cinco temporadas com o Getafe. O Real Madrid, no entanto, colocou na cláusula do meio-campista uma opção que tem se tornado comum em negociações como esta: a recompra. Se pagar seis milhões de euros, os blancos poderão ter Sarabia de volta já na próxima temporada.

O meio-campista canhoto não deverá ser, a princípio, titular em seu novo time. As saídas de Manu Del Moral e Dani Parejo a Sevilla e Valencia, respectivamente, tiraram uma das principais espinhas-dorsais do Getafe nos últimos anos, mas a diretoria acertou com Lacen (Racing Santander) e Rodríguez (Deportivo), além de Sarabia, para suprir a ausência dos dois jogadores. Na prática, Sarabia irá brigar por uma vaga de titular com três jogadores mais experientes e que custaram alguns euros a mais.

A primeira aposta de sucesso veio com Riki (hoje no Deportivo), em 2004/2005. O atacante chegou a custo-zero após boa campanha com o Real Madrid Castilla na Segunda División B. Em duas temporadas, e apenas uma como títular incontestável, foram 25 gols, bom número àquele que chegou sem pressão alguma e de graça. Em 2006/2007, Augusto César Lendoiro, presidente do Deportivo, desembolsou 3 milhões de euros para levá-lo à Galícia. Nesta mesma temporada, o Getafe pagou 1,5 milhões de euros ao Real Madrid pelo lateral do Castilla, Javier Paredes. Ficou apenas uma temporada e, pelo mesmo preço, rumou ao Zaragoza.

Dos que vingaram
Ángel Torres voltou a evidenciar seu olfato pelas canteras blanca em 2007/2008. Naquela temporada, após boa campanha na temporada 2006/2007 (confirmada após a virada espetacular na Copa do Rei para cima do Barcelona), chegaram ao Coliseum Álfonso Pérez Esteban Granero e Rúben De La Red. Por ambos, a diretoria pagou 3 milhões de euros. A aposta deu certo: os dois viraram os principais nomes do Getafe na temporada, sendo os principais responsáveis pela excelente campanha na Copa da Uefa e pelo vice-campeonato da Copa do Rei. A De La Red, rendeu até uma convocação à Fúria, onde fez parte do plantel campeão da Eurocopa, e a volta ao Real Madrid, por 5 milhões de euros.

Porém, como todos sabem, a volta de De La Red ao principal clube da capital não foi as das mais sonhadas: após alguns jogos como titular, Rúben desmaiou em campo em um jogo pela Copa do Rei contra o Real Unión devido a um problema cardíaco e nunca mais voltou a disputar uma partida oficial, aposentando-se do futebol. Hoje, o ex-jogador faz parte da equipe técnica do Real Madrid. “Este é o clube que me viu crescer e hoje anuncio minha retirada dos gramados. Um problema me obriga a parar, mas meu coração continua batendo pelo Real Madrid”, afirmou De La Red, entre lágrimas, no dia que anunciou sua aposentadoria.

Um ano depois da volta e do problema de De La Red, Florentino Pérez voltou a presidência do Real Madrid e pagou 4 milhões de euros para repatriar Granero. Inicialmente, El Pirata surpreendeu ao deixar, em meados da temporada, Kaká, que havia custado 57 milhões de euros a mais, no banco. Porém, após a chegada de Özil, Granero viu o banco de reservas por muitas vezes na temporada. No entanto, o meio-campista afirmou em entrevista ao Marca que Mourinho confia em seu futebol e que não pensa em sair do clube. Dani Parejo chegou a ser especulado com força para voltar, mas o Valencia ofereceu uma proposta melhor e El Niño de Ouro acabou acertando com os Chés.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Abalando

Em sua segunda temporada à frente do Málaga, o sheikh Abdullah Al Thani resolveu tirar as mãos dos bolsos. Projeto de transformar o Málaga em potência espanhola dará certo? (futbol_español)

Quando fechou oficialmente por 4 milhões de euros junto ao Hamburgo, da Alemanha, a compra de Ruud van Nistelrooy, o sheikh Abdullah Al Thani, proprietário do Málaga desde julho de 2010, começava para valer um processo definido por ele de "Euro Málaga". Na temporada passada, fez algumas contratações cirúrgicas, e resolveu apostar em uma base que terminou a temporada 2009/2010 em alta. Porém, a equipe não resistiu ao primeiro semestre infernal e o Al-Thani não teve outra opção a não ser reforçar seu elenco. Contratou o técnico Manuel Pellegrini, o zagueiro Demichelis e o meia-atacante Julio Baptista para salvar o clube do rebaixamento. Objetivo nº 1 conquistado, é momento de ir mais fundo para chegar à parte de cima da tabela.

No primeiro dia de venda de carnês para a temporada 2011/2012, 13.400 torcedores já garantiram um lugar em todos os jogos no La Rosaleda. O segundo lote de carnês também fora esgotados rapidamente e, para o terceiro lote, já há 500 pessoas na lista de espera. Mais da metade dos 26 mil lugares disponíveis no estádio (conta que exclui a cota obrigatória dos visitantes). É esse o tamanho da empolgação da torcida malaguenha com as perspectivas dos boquerones para o futuro imediato. Além disso, o número de seguidores do twitter do clube da Andaluzia subiu altamente em relação à temporada passada. Hoje, 55 mil pessoas seguem o clube boquerón na rede virtual.

Segundo dados do Transfermarket, até o presente momento desta janela de transferências, a sociedade boquerona é a que mais gastou com contratações em toda a Europa. Já foram gastos em torno de 60 milhões de euros, uma quantia absurda se levada em consideração o dinheiro gasto na última temporada antes da chegada de Al Thani à presidência do clube: em 2009/2010, ainda com Fernando Sánz, foram apenas 4 milhões de euros gastos no mercado veraneio. O fair-play financeiro não deve ser problema. Hoje em dia, o Málaga é um dos times que mais tem lucrado no futebol espanhol com a venda de ingressos e o número de sócios. Vale lembrar que o clube pagou para jogar com uniformes da Nike nesta temporada. Sim, Al Thani não aceitou ofertas de nenhuma fornecedora menor e comprou um conjunto de uniformes da empresa norte-americana para vestir seus atletas. Para completar, ainda pagou para estampar o logo da Unesco (como mostrado na foto que abre o este texto) no manto, como o Barcelona faz com a Unicef durante anos.

A euforia do sheikh é tão grande que já há planos para a construção de um novo estádio. Em 2010, assim que a Espanha anunciou a candidatura ibérica, junto com Portugal, para sede da Copa do Mundo de 2018, Al Thani ficou interessado e lançou um projeto para um novo estádio do Málaga. Mas mesmo após a derrota para a Rússia, que sediará o torneio, o qatari não abandonou a ideia de ter um moderno caldeirão, com capacidade para 65 mil pessoas. Inicialmente, o projeto "imitaria" o Santiago Bernabéu, que tem espaço para cerca de 80 mil torcedores, mas Al Thani resolveu contactar um dos arquitetos responsáveis pelos novos estádios da Copa do Mundo do Qatar, em 2022, em busca de algo inovador. O chamado "Qatar Stadium" tem um orçamento que gira em torno de 200 milhões de euros, mas segundo o Sur (jornal da Andaluzia), o valor pode aumentar ainda mais. Al Thani também adquiriu uma área próximo ao local onde ficará o estádio para construir a "cidade esportiva do Málaga", um complexo de 120 mil metros quadrados. Na ocasião, o proprietário se mostrou empolgado com o projeto.

O staff do clube também é preocupação para o qatariano. Internamente, houve uma troca geral na diretoria do clube. A contratação mais comentada foi a de Fernando Hierro, novo representante de relações instituicionais do Málaga. Ex-diretor esportivo da seleção espanhola, Hierro ficará responsável por representar o clube em eventos oficiais. Manuel Pellegrini, técnico da equipe, por sua vez, já assinou seu vínculo por mais quatro anos, um prêmio após ter livrado a equipe do rebaixamento na temporada passada.

Os blanquiazules ainda têm o mérito de terem evitado gastos nesta temporada, por mais que os números possam parecer dizer o contrário, adicionando qualidade ao plantel, sem que o elenco fosse necessariamente ampliado. Entre os jogadores que estavam fora dos planos de Pellegrini, o Málaga conseguiu negociar Mtiliga, Javi López e Xavi Torres. O bom Quincy, um dos destaque da equipe no primeiro turno, ficou sem espaços após a chegada em demasia de jogadores para o meio-campo e acabou rumando para o Panathinaikos. Só para esse setor foram contratados Toulalan, Joaquín, Isco Román e, por último, Cazorla, a contratação mais cara da história do clube (20 milhões de euros).

Entretanto, há um problema para fechar oficialmente a contratação do promissor Isco. O Valencia, clube que tinha os direitos federativos do jogador, reclama que o Málaga ainda não pagou os 6 milhões de euros da multa rescisória e até ameaça levar o caso à justiça. A pergunta que não quer calar é por que o Valencia ainda não viu um único euro da transferência, se logo após os boquerones pagaram uma enorme quantia pelo meio-campista do Villarreal. Se for levado a sério a denúncia do clube ché, o Málaga não teria como inscrever Cazorla nas competições da LFP. Em contrapartida, sentido-se humilhado, Al Thani decidiu por romper as relações que tinha com Manuel Llorente, presidente do Valencia, e ainda provocou dizendo que "o Valencia está assim porque nós conseguimos levar o tão querido canterano".

Adepto ao 4-2-3-1, Pellegrini terá "problemas" para escalar a equipe na nova temporada. Com muitos jogadores de bom valor no meio-campo, disputas para o time titular estão em aberto. Nas coletivas da pré-temporada, o chileno tem procurado dizer que não há nada em mente para a estreia na Liga - que ironicamente será contra o Barcelona. Nem mesmo Júlio Baptista, grande herói na temporada passada, está com a sua vaga cravada na equipe titular, mesmo após, ao término de 2010/2011, Pellegrini ter dito que seria eternamente grato ao brasileiro. Rondón, artilheiro da equipe na Liga passada, irá disputar uma vaga no ataque com van Nistelrooy, que vem se destacando na pré-temporada.

O elenco já está fechado; as interrogações, abertas. Mesmo com a contratação de Cazorla, que deve jogar mais centralizado na linha de três para armar as jogadas da equipe, em tese ainda falta um fantasista. Pastore e Sneijder chegaram a serem especulado - Al Thani, segundo especulou a imprensa andaluza, poderia oferecer 40 milhões de euros pelo holandês -, mas os clubes não chegaram a um consenso. O plantel está fechado e as contratações tão pedidas pelos aficionados foram conretizadas. O futuro é bastante promissor e, primeiramente, uma vaga na Liga Europa é a primeira coisa para se cavar na próxima temporada. Se o sheikh tiver disposição para investir por muitos anos, o Málaga dificilmente vai virar uma bolha e explodir durante sua gestão. No entanto, todo o clube, a começar pelo proprietário, precisa saber que é preciso ações planejadas, e não impulsivas, para ter sucesso em campo.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Onde encaixar Fàbregas?

Fàbregas no Barcelona? Brincadeira de Puyol e Reina na comemoração do título mundial da Espanha no verão passado está próximo de se tornar realidade (BBC)

Algo que já vem se tornado praxe no Barcelona são, a cada mercado, as especulações em torno de Cesc Fàbregas. Após várias negativas do Arsenal nas temporadas passadas, a novela parece estar enfim próximo de chegar ao fim. O presidente do Arsenal, Peter Hill-Wood, admitiu pela primeira vez que o time está disposto a vender o meia para o Barcelona. De acordo com o jornal inglês Daily Star, a expectativa é de que o negócio se resolva antes da estreia do Barcelona na Liga Espanhola (23 de agosto), caso se pague um "preço justo" pelo catalão.

Caso o desfecho positivo não aconteça, Fàbregas ainda tem mais um recurso, o que vem sendo especulado pela imprensa catalã: solicitar formalmente a transferência. No futebol inglês, existe a figura do "Transfer Request", uma petição de transferência assinada pelo jogador e pelo clube quando firmam contrato, que obriga o clube a facilitar sua saída caso queira. A proposta final do clube azulgrená pelo seu canterano pode chegar a 45 milhões de euros mais cinco milhões de variáveis, o que o tornaria, ironicamente, a contratação mais cara da história do Barcelona.

Desses 45 milhões, Cesc teria direito a 15% do valor. No entanto, ele abre mão do seu direito para que o Barça possa pagar um pouco menos pela sua contratação. A ideia de Fàbregas é fazer com que o clube catalão, que encontra dificuldades financeiras para contratar todos os jogadores que deseja, possa ter um abatimento no valor pedido pelo Arsenal, que não estaria disposto a aceitar menos do que o valor pedido, mas com esta atitude de Cesc, não teria como recusar. Os diretores esportivos do Barcelona, Andoni Zubizarreta e Josep Bartomeu, junto com o presidente Sandro Rosell se encontram junto com a equipe nos EUA, mas podem a qualquer momento viajar à Inglaterra para concretizar a transferência do jogador gunner. Segundo especula o Mundo Deportivo, esta semana será decisiva na novela em torno do jogador.

A mudança tática

Barcelona no 3-4-3? Clique na imagem para ampliar

O provável retorno de Fàbregas à sua casa abre outro(s) debate(s): será ou não titular? Dificilmente um jogador que custa 45 milhões de euros será reserva, concordam? Mas como encaixar Fàbregas no esquema utilizado por Josep Guardiola? E mais: como ficará a situação de Thiago Alcântara no plantel? O canterano, que joga na mesma posição que o catalão, é o maior destaque da equipe na pré-temporada até então e já assinou um contrato exclusivo para ser jogador apenas do time A. Em uma das coletivas da nova temporada, Xavi afirmou que os dois são compatíveis e podem sim jogarem juntos. A torcida, pelo visto, concorda: em uma enquete do Sport perguntando se os dois são compatíveis a opção "sim" vai vencendo com uma disparidade de 82,25%.

Para todas as perguntas, Guardiola pensa numa única solução: mudar o módulo tático de sua equipe. O 4-3-1-2 daria vez ao 3-4-3. O meio-campo ficaria em losango com Busquets de volante, Xavi e Iniesta um pouco mais abertos e Fàbregas na ponta da frente, como meia de armação mais próximo dos atacantes. Isso, porém, pode inflacionar a área de flutuação de Messi, que já faz, mais ou menos, essa função de Cesc no módulo tático atual. A defesa ficaria com Daniel Alves, Puyol e Piqué e o brasileiro teria mais liberdade para subir. Quando isso ocorresse, Pedro (ou Alexis Sánchez, como queiram) ajudaria na cobertura do lado direito e Busquets recuaria para recompor o trio defensivo.

Talvez, ao invés de um losango/diamante, o meio-campo se posicionasse de modo mais conservador, com um volante atrás (Busquets) e um trio de meias em linha. No entanto, o lado direito da defesa, com Daniel Alves aprendendo uma nova posição e tendo de se articular com Pedro/Sánchez e Busquets no esquema de cobertura, pode ficar muito vulnerável. A não ser que o brasileiro fosse para o banco, o que, convenhamos, seria extremamente difícil (possibilidade essa que nem deve passar na cabeça de Guardiola). Claro, tudo isso é suposição, pois Fàbregas ainda é jogador do Arsenal. Mas Guardiola já deve estar desenhando pontinhos e setas em seu caderninho de anotações. Uma coisa é fato: vai ser difícil encaixar tanta gente boa em um time de 11.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O futuro de Osvaldo

Dias de Osvaldo trajando o branco e azul do Espanyol parece estar próximo do fim (cadenaser)

Segurar um jogador que está insatisfeito no elenco é algo bastante difícil. Vimos, nos últimos meses, um dos muitos exemplos disso: Agüero estava disposto a deixar o Atlético de Madrid e fez de tudo para isso acontecer. Resultado: o jogador não se reapresentou no dia pedido pelo Atlético de Madrid e, sem mais opções, a diretoria colchonera não teve outra escolha a não ser vender seu (ex) camisa 10. Na quinta-feira (28), dia da estreia dos rojiblancos na Liga Europa, o Manchester City fez de oficial a contratação de Agüero, desembolsando cerca de 45 milhões de euros.

No outro lado da país, o Espanyol tem vivido situação semelhante à do Atlético de Madrid: os péricos estão brigando para segurar seu artilheiro e destaque na temporada passada, o ítalo-argentino Osvaldo. Ou, em melhores palavras, brigando para vendê-lo por um preço, digamos, decente. O futuro do jogador tem deixado em segundo plano até mesmo a pré-temporada dos blanquiazules e a situação de Kameni, também insatisfeito na equipe e condenado ao "ostracismo". Hoje, quem parece mais próximo de contratar o atacante - e o único clube a dar uma proposta oficial pelo jogador, diga-se de passagem - é o Atlético de Madrid, justamente para suprir a ida de Agüero à Premier League. No entanto, o Espanyol parece não querer facilitar a saída de seu killer: os periquitos já negaram uma proposta de 12 milhões de euros do clube de Manzanarez.

Os dirigentes do Espanyol fixaram em 20 milhões de euros o preço final de Osvaldo. Ou seja: só pagando esse preço que o clube libera o atacante para o Atlético de Madrid. O alto preço estabelecido pelos dirigentes têm uma justificativa: a quantidade daria uma enorme injeção de capital para os cofres da instituição, que está enfraquecida. Caso o Atléti resolva pagar os 20 milhões pedidos, Osvaldo se tornaria a venda mais cara da história do segundo principal clube da Catalunha. Hoje, o Sport publicou que a intenção do Atlético de Madrid é subir a oferta para 16 a 18 milhões de euros mais o passe de dois canteranos. Fontes do clube blanquiazul asseguraram que, se essa oferta for oficial, o Espanyol estaria disposto a vender o jogador.

A provável venda do ítalo-argentino seria ótima para a caixa do clube, mas há quem esteja disposto a não querer a partida de El Matador à capital: os líderes dos ultrás do Espanyol já prometeram um protesto em caso de a negociação se concretizar. Após perder Callejón para o Real Madrid, a diretoria agiu rápido e logo anunciou o bom Albin, ex-Getafe. Mas e no caso de Osvaldo? Qual atacante do quilate dele está à disposição no mercado?

Há, também, de se fazer ressalvas: desses prováveis 20 milhões da venda de Osvaldo, nem tudo iria diretamente para o clube. Quando, no verão passado, o Espanyol o comprou em definitivo junto ao Bologna, incluiu em sua cláusula que, em caso de transferência, ele (junto com seu agente) ganharia 15% do valor da venda. Na melhor das hipóteses, Ramón Planes, novo presidente do Espanyol, teria 8 ou 9 milhões de euros disponíveis para buscar um novo centroavante para o lugar do seu homem-gol.

No caso de ambos os clubes não chegarem a um acordo pela transferência, o Espanyol teria que arcar com alguns problemas. Não só perderia uma bela oportunidade de fazer caixa econômica, como El Killer pediria um aumento de salário. O ex-Bologna já é o jogador com o maior salário do elenco, teve seu cachê aumentando no final da temporada passada e quer que sua nova condição reflita-se em sua remuneração. Com a situação que vive a instituição periquita, este seria o maior problema: agir de uma maneira oposta (aumentar o salário) com a qual vem fazendo (diminuir o salário, devido aos problemas econômicos).

sábado, 30 de julho de 2011

"Reyes" do sofrimento

O Atlético de Madrid estreou vencendo, mas gol sofrido no final deixou o alerta ligado (reuters)

Na quinta-feira (28), o Atlético de Madrid entrou em campo para seu primeiro jogo oficial na temporada 2011/2012. Pela fase eliminatória da Liga Europa, os colchoneros receberam os noruegueses do Stromsgodset e estrearam com o pé direito. Porém, a vitória por 2 a 1 deixa o alerta do Atléti ligado: no jogo da volta, uma vitória simples do Stromsgodset elimina os rojiblancos da segunda principal competição europeia.

O jogo deu algumas dicas de como deverá jogar o Atlético de Madrid de Gregório Manzano na temporada, mas deixou clara a deficiência da equipe na falta de um armador. Adepto do 4-4-2 a rombo (esquema que depende de um enganche), Manzano optou pelo esquema na forma de um quadrado. Nos flancos, Juanfran e, principalmente, Reyes imprimiram bastante velocidade. O camisa 18 foi o principal destaque da equipe na estreia: autor de um doblete, Reyes mostrou que segue voando após o final de temporada abaixo da média devido ao desgaste físico. Vale lembrar que, na temporada passada, o meio-campista foi um dos mais utilizados pelo técnico Quique Sánchez Flores.

Os estreantes Silvio, Miranda e Adrián tiveram desempenhos opostos: enquanto Silvio não teve nenhum problema no lado direito da zaga, Miranda mostrou-se bem enrolado quando os noruegueses atacavam pelo seu setor. Para completar a estreia bem fraca, o brasileiro foi expulso diretamente após falta em Sankov. Adrián, por sua vez, foi um dos artífice da vitória colchonera e mostrou uma invejável forma física para quem, praticamente, não teve férias. Destaque do rebaixado Deportivo na temporada passada, o atacante mostrou que pode ser um bom substituto de Agüero, apesar do adversário não ser dos melhores. Dos pés do atacante, nasceram os dois gols de Reyes na partida.

Após muitas especulações e um fim de temporada como verdade incógnita, Forlán está disposto a recuperar o tempo perdido. Quatro dias após comemorar o título de Copa América, o uruguaio dispensou a folga dada por Manzano e se reapresentou dois dias depois para jogar a partida. El Cachavacha, apesar do lançamento para Adrián ajeitar para Reyes no primeiro gol, sentiu um pouco o cansaço e foi substituído no segundo tempo, sendo ovacionado pelos aficionados da casa. Apesar do bom jogo do setor ofensivo, a zaga voltou a assustar. Storflor, autor do gol do Stromsgodset, aproveitou erro de posicionamento de Perea e Alvaro Domínguez para marcar.

Na coletiva pós-jogo, Manzano lamentou o erro da zaga e acomodação da equipe após o segundo gol. De acordo com o técnico, o jogo da volta irá requer uma séria de atenção, pois o adversário, certamente, estará bastante confiante. Manzano também aproveitou para dizer que, com apenas 24 dias de trabalho, não pode exigir tanto de seus comandados, mas deixou claro que a principal característica desse time já se mostrou: volume de jogo e velocidade. O jogo de volta acontece na quinta-feira (4), na Noruega.

Mercado
No dia do confronto contra os noruegueses, a novela Agüero chegou ao fim: o Manchester City desembolsou cerca de 45 milhões de euros para tirar Kun do Atlético de Madrid. Sem seu destaque na temporada passada, a diretoria colchonera segue atrás de um atacante para suprir a ausência do argentino. Por enquanto, quatro nomes estão em pauta: Giuseppi Rossi (Villarreal), Falcão García (Porto), Haedo Valdez (Hércules) e Osvaldo (Espanyol) são os nomes mais especulados para o ataque rojiblanco. O ítalo-argentino do Espanyol teve uma proposta de 12 milhões de euros negada no início da semana (o Espanyol está pedindo 20 milhões de euros, o que o Atlético de Madrid não está disposto a pagar). No momento, o mais acessível é o paraguaio do Hércules. Sua cláusula de rescisão é de 5 milhões de euros, o que teria feito os dirigentes colchoneros olharem de bons olhos. Em enquete feita pelo AS, os torcedores preferem Rossi para fazer dupla com Forlán. Porém, o alto preço do ítalo-americano e do colombiano do Porto fazem com que a dupla seja descartada.

Para o problema da criação, a solução pode ser o brasileiro Diego. Hoje, o pai e agente do meio-campista, Djair Ribas, afirmou ao AS que a transferência de seu filho pode ser concluída em breve. Segundo Djair, Diego vê o Atlético de Madrid com bons olhos e só está esperando o acordo de ambos os clubes para se transferir para Manzanares. O objetivo do Atlético de Madrid é pagar menos de 10 milhões pelo brasileiro, que foi comprado pelo Wolfsburg junto à Juventus por 16 milhões de euros. Outro meio-campista (mas não armador) especulado é Griezmann (Real Sociedad). O francês declarou publicamente que deseja reforçar o Atlético de Madrid, mas isso depende de seu clube atual. A primeira proposta pelo extremo foi negada pelo clube basco: 7 milhões de euros + Raúl García e o empréstimo de Mérida. O clube donostiarra já avisou que só vende seu prodígio se multa rescisória (25 milhões de euros) for paga.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Mercado: as primeiras movimentações

A janela de transferências do futebol espanhol, aberta oficialmente no dia 1º de julho, está, a cada dia, esquentando. Segundo fontes do Transfermarket, o Atlético de Madrid foi o clube que mais gastou dinheiro em contratações até o momento, mas quem mais vem chamando a atenção é o Málaga: comprado pelo Sheikh Abdullah Al Thani no início da temporada passada, os blanquiazules adicionaram bons nomes ao elenco e prometem brigar por Europa na nova temporada. No mercado de treinadores, apenas seis equipes resolveram apostar em novos técnicos.

Os clubes terão de respeitar o fair play financeiro da Uefa e gastar menos, para reduzir as dívidas e estarem aptos para quando a cobrança da entidade máxima do futebol europeu chegar, em quatro temporadas. Isto, no entanto, não quer dizer que os clubes investirão pouco - alguns, até, já estão bastante ativos e, procurando gastar pouco, investem em nomes menos badalados.

van Nistelrooy está de volta à Espanha e, em meio à surpresa, chega para comandar o ataque do Málaga: fadado ao sucesso ou ao fracasso? (reuters)

No Atlético de Madrid, o assunto não é outro senão Agüero. Kun teve alguns dias de folga até a data de sua reapresentação devido a eliminação da Argentina na Copa América. No entanto, o argentino não se reapresentou e ratificou a ideia de que não irá ficar em Manzanares para a nova temporada. Durante o período da Copa América, Agüero chegou a ser especulado com força no Real Madrid e na Juventus, que, segundo o presidente Enrique Cerezo, teria oferecido os 35 milhões da multa rescisória. Porém, o destino do camisa dez rojiblanco parece ser o Manchester City. Roberto Mancini, treinador dos citizens, já declarou publicamente que o clube da cidade de Manchester pode fechar a contratação de Agüero nesta semana. A camisa 10 do jogador, aliás, já foi retirada da loja oficial do Atlético de Madrid na capital. No entanto, Kun foi inscrito na Liga Europa pelo Atlético de Madrid, que irá estrear nesta quarta-feira contra Stromsgodset, da Noruega, e não será multado pelo clube.

Para suprir a ausência de Agüero, Osvaldo (Espanyol) pode chegar. De acordo com o Marca, Atlético de Madrid e Espanyol já chegaram a um acordo pela transferência do ítalo-argentino, que custaria exagerados 20 milhões de euros. Giuseppe Rossi e Radamel Falcão chegaram a serem especulados, mas Gregório Manzano prefere o artilheiro do Espanyol. Vale lembrar que Adrián López, destaque do Deportivo e da Espanha Sub-21, teve sua contratação fechada na semana passada e Forlán deve ficar, após rumores de que iria se transferir para o Galatasaray. Para o gol, o jovem Courtois chega de empréstimo junto ao Chelsea para substituir De Gea, que se transferiu para o Manchester United. Para a zaga, calcanhar de aquiles da equipe, foram contratados o brasileiro Miranda e o português Silvio junto a São Paulo e Benfica, respectivamente. O clube ainda comprou em definitivo o volante Tiago (Juventus) e trouxe o bom e experiente Gabi (ex-capitão do Zaragoza) para fazer companhia ao português na volância.

O Real Madrid, conhecido por torrar dinheiros em estrelas, segue a mesma tendência da temporada passada. Até agora, nenhum jogador de nome foi contratado, ainda que Neymar seja fortemente especulado na equipe. A ideia de José Mourinho, novo manager do clube, é contratar jogadores jovens, que possam formar um elenco para quatro, cinco anos. E a política de contratação dos blancos não foge disso: Sahin (19), Fábio Coentrão (23), Varane (18) e Callejón (22) foram contratados. Apenas Altintop (29) foi contratado mas não é "novo". Com isso, o forte meio-campo da equipe tem tudo para ficar ainda mais preciso. Mourinho ainda está à espera de um atacante, e este pode ser Neymar ou Adebayor, que (ainda) não foi comprado em definitivo pelo Real Madrid. Na primeira coletiva do português na temporada, Mourinho falou que o togolês é quem está mais próximo da equipe merengue, já que não está nos planos do treinador do Manchester City.

O multicampeão Barcelona segue bastante frio no mercado: apenas Alexis Sánchez foi confirmado como nova contratação. Cesc Fàbregas, como não poderia deixar de ser, é nome em pauta, mas o Arsenal insiste em não vendê-lo. O provável retorno de Cesc pode significar mudança no módulo tático do Barça (do 4-3-1-2 para o 3-4-3). Por enquanto, o clube se desfez apenas de seus queridos canteranos: Bojan (Roma), Oriol Romeu (Chelsea), Víctor Sánchez (Neuchatel) Edu Oriol e Abraham (Zaragoza) já rumaram para outras equipes. A defesa é a principal preocupação: Puyol segue com problemas físicos e um zagueiro ainda pode chegar. Especula-se que possa ser Thiago Silva, que admitiu ter entrado em contato com o clube em entrevista ao Esporte Interativo, mas o Milan não está disposto a liberar seu melhor zagueiro no elenco. Fontás e Thiago Alcântara assinaram um contrato exclusivo com o time A e irão aparecer com mais frequência na equipe.

Valencia e Villarreal, que disputarão a Liga dos Campeões, ainda movem-se discretamente no mercado. Os amarillos, por exemplo, contrataram apenas quatro jogadores: César Sánchez (Valencia), Zapata (Udinese), Camuñas (Osasuna) e Edu Ramos (Málaga). O ex-jogador do Osasuna foi contratado, provavelmente, para substituir Cazorla, que foi confirmado no Málaga hoje por 22 milhões de euros. Em sua despedida do Villarreal, Cazorla afirmou que sua venda foi para sanar as dívidas do clube (o presidente Roig havia dito no início da temporada que o clube precisaria se desfazer de um dos seus craques para fazer "caixa"). Com a saída do meio-campista, é provável que Giuseppe Rossi deva ficar, ainda que a Juventus esteja oferecendo 24 milhões de euros pela contratação do ítalo-americano. Em Valencia, por sua vez, o objetivo é segurar gente como Mata e Pablo Hernández. Para formar o tão amado 4-3-3 (que não deu certo quando utilizado no Valencia) de Unai Emery foram contratados Dani Parejo (Getafe) e Piatti (Almería). Nos primeiros jogos da pré-temporada, porém, o 4-2-3-1 foi utilizado pelo treinador, com uma linha de três formada por Mata, PH e Parejo, embora o treinador seja adepto às variações táticas e às rotações na equipe. Piatti também pode fazer a função de meia aberto pelo lado esquerdo do campo.

No pelotão intermediário, o Málaga não para. Após uma temporada opaca, Abdulla Al-Thani resolveu tirar as mãos do bolso. Nove contratações já foram fechadas para a nova temporada: Isco (Valencia), Buonanotte (River Plate), van Nistelrooy (Hamburgo), Monreal (Osasuna), Mathijsen (Hamburgo), Toulalan (Lyon), Sergio Sánchez (Sevilla), Joaquin (Valencia) e Cazorla (Villarreal). O clube ainda segurou bons valores da temporada passada, como Rondón, Duda, Quincy e o brasileiro Júlio Baptista, que irá brigar por uma vaga na equipe titular. Em teoria, é um pacote em condições de brigar por vaga na Liga Europa, eventualmente até pela Liga dos Campeões. Há jogadores experientes, alguns jovens com potencial para crescer, um técnico capaz de transformar o grupo em uma equipe propriamente dita e um financiador disposto a tomar prejuízo em nome do sucesso do clube. Porém, sobram interrogações em torno do novo Málaga. Os blanquiazules poderão mostrar que não estão de brincadeira na estreia na Liga Espanhola: logo de cara, o sorteio da LFP determinou que a equipe de Manuel Pelegrinni irá encarar o Barcelona no La Rosaleda.

Sevilla e Athletic Bilbao, que junto com o Atlético de Madrid irá disputar a Liga Europa, fazem um mercado diametralmente oposto ao dos colchoneros: os leones só contrataram apenas um jogador, enquanto que os rojiblancos contrataram quatro (fora a compra em definitiva de Cáceres junto ao Barcelona). O Athletic Bilbao manteve a boa base responsável pela classificação à competição europeia e, de praxe, trouxe o ótimo Ander Herrera (Zaragoza) para reforçar o seu já forte meio-campo. Para o cargo técnico, Joaquin Caparrós deu adeus à equipe após quatro temporadas com a vitória de Josu Urrutia para a presidência. Para seu lugar, chegou o experiente Marcelo Bielsa, que estreou com o pé direito no clube: em três jogos de pré-temporada, foram três vitória. A ordem da casa é segurar Javi Martínez e, principalmente, Fernando Llorente. O centroavante tem sido assediado pelo Tottenham, que teria oferecido 20 milhões de euros.

Os andaluzes, por sua vez, vão fazendo contratações cirúrgicas. À defesa, ponto fraco da equipe na temporada passada, chegaram os bons Trochowski (Hamburgo) e Spahic (Montpellier), além da compra em definitiva do polivalente Cáceres junto ao Barcelona. O meio-campo, que perdeu o extremo Diego Capel para o Sporting, Zokora para o Trabzonspor e Renato para o Botafogo, foi reforçado com o bom Manu Del Moral (Getafe) e, para fazer companhia a Romaric na volância, o experiente Coke (Rayo Vallecano). Após passar perrengues com seus treinadores na temporada passada (Antonio Álvarez e Gregório Manzano), a diretoria parece ter acertado na mosca agora: o bom Marcelino Toral, responsável por ter tirado o Racing Santander da degola, foi contratado junto aos cantabrianos. A imprensa da Andaluzia especula que o extremo Giovanni dos Santos, um dos destaques da Liga passada, possa ser contratado, mas o presidente Del Nido negou qualquer tipo de negociação, por ora. Apesar de ter, em tese, uma equipe capaz de brigar por Champions League, o Sevilla precisará, como disse o zagueiro Alexis na primeira coletiva da temporada, mostrar na prática a força de seu elenco.

ATUALIZAÇÃO 27/07: Com a compra de Cazorla, o Málaga passa a ser a equipe do futebol espanhol que mais investiu até o momento (já foram mais de 60 milhões de euros gastos). O diretor esportivo do clube, Antonio Fernández, afirmou que, temporariamente, a equipe irá dar uma pausa em suas contratações e só irá comprar alguém se necessário.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Raro retorno

O verão europeu de 2011 está se destacando pelos poucos movimentos que os clubes espanhóis estão realizando até o momento para reforçar suas equipes. A preparação do plantel, definindo quem sai e quem fica, está em primeiro plano, atualmente. Dentro deste tímido mercado, o Málaga vem chamando a atenção pelo alto investimento na equipe. Em segundo lugar, mas distante dos blanquiazules, aparece o Atlético de Madrid, que gastou 12 milhões de euros para levar a Manzanares Silvio e Gabi (vale lembrar que a contratação de Adrián já havia sido definida em janeiro).

Em uma lista divulgada pelo Marca, e com alguns dados do Transfermarket, a diretoria colchonera gastou em volta de 300 milhões de euros em contratações desde que voltou à Liga BBVA em 2003. A temporada de maior gasto, até então, foi 2007/2008, quando o Atléti gastou 74 milhões de euros para reforçar a equipe como nomes como Forlán (21), Simão (20), Raúl García (13) e Reyes (12), que havia acabado de ser "herói" no lado branco de Madrid ao marcar duas vezes contra o Mallorca e levar o Real Madrid ao título da Liga, interrompendo uma sequência de quatro temporadas sem ganhar nenhum título. Embora o mercado dessa temporada tenha sido marcado pela saída de Fernando Torres ao Liverpool, num contexto geral, a diretoria rojiblanca fora bastante elogiada.

Nessa temporada, o Atlético de Madrid entrara como um dos favoritos a vencer o escudeto, mas o máximo que conseguiu - e que foi bastante festejado - fora conquistar uma vaga na Liga dos Campeões da Uefa após quase treze temporadas distante da principal competição do velho continente. Vale lembrar que Forlán adaptou-se rapidamente ao esquema de Aguirre e Agüero se consolidou de vez no posto de um dos melhores atacantes de sua geração. Atuações inesquecíveis como contra o Barcelona, que é tida por muitos como o melhor jogo da carreira de Kun, somadas aos gols decisivos de Forlán, que já havia sido artilheiro do campeonato jogando pelo Villarreal, ajudaram ao time colchonero a voltar à Europa.

Na temporada 2006-2007 foram 49 milhões de euros gastados, no qual boa parte foi devido a contratação do, à época, promissor Agüero. A temporada passada foi também uma das mais caras da equipe de Enrique Cerezo. Os 38 milhões de euros foram repartidos em contratações de nomes como Godín (11), Filipe Luis (13, 5) e Elias (7). Porém, todos eles decepcionaram: chegaram com status elevados após boas temporadas em seus antigos clubes, mas fizeram uma temporada bastante mediana. Esperava-se, com as chegadas de Godín e Filipe Luis, que o problema crônico da defesa fosse acabar, mas vimos mais uma vez os velhos erros sendo cometidos.

Na lista, há jogadores que já não estão mais no plantel rojiblanco e resultaram em bom negócios. Jurado custou três milhões e foi vendido por onze e Roberto custou um milhão e meio e saiu por sete. Há, também, o outro lado da moeda: jogadores que saíram por um preço menor do que haviam chegado. Caso de Kezman, que chegou em 2006 por oito milhões e saiu em março de 2007 por sete. Nesta mesma linha estão Sinama Pongolle (7 - 7,5), Gronkjaer (2-3) e Petrov (8,5 - 8). Simao, Javi Moreno, Emerson e Maniche são exemplos de jogadores que custaram um fortuna mas saíram por um preço bem baixo.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Sem pressão

Guardiola, Bartomeu e Zubizarreta trabalham para reforçar o Barcelona sem gastar muito (getty images)

Reforçar o plantel, sim. À qualquer preço, não. Desde que chegou ao Barcelona, a mensagem de Guardiola a cada mercado é exatamente esta. Após a experiência negativa com o Ibrahimovic, contratação mais cara da história do Barcelona (45 milhões de euros + Eto'o), o trauma por jogadores caros aumentou. Pep, segundo a imprensa catalã, já recusou nomes como Benzema, Robinho, Özil, Mascherano - este teve que voltar atrás - e, recentemente, Neymar. Entretanto, Luis Alvaro, presidente do Santos, confirmou ontem que o Barcelona ofereceu sim uma proposta oficial pelo ídolo da Vila Belmiro.

Para a nova temporada, a ideia de Guardiola é reforçar a equipe com, no máximo, quatro jogadores. Estes, como vêm sendo especulado com força, seriam Cesc Fàbregas, Alexis Sánchez, Giuseppi Rossi e Javier Pastore/Kiko Femenia. No caso do chileno da Udinese e do jovem do Hércules, os respectivos presidentes de seus atuais clubes já confirmaram a transferência ao clube azulgrená, restando, apenas, a confirmação oficial do clube. Rossi parecia muito próximo do Barça, mas a pressão do empresário do jogador e o preço estabelecido pelo Villarreal teria feito com que a diretoria blaugrana, com o aval do treinador catalão, tivesse ficado insatisfeita em levá-lo à Catalunha. A experiência com um empresário chato (Mino Raiola, gerente de Ibrahimovic e Maxwell), que fica criticando frequentemente as atitudes do treinador, também foi um dos motivos para que, temporariamente, o Barcelona desistisse de Rossi para focar em outras contratações.

Contudo, mesmo Guardiola sendo bastante temerário quanto a economia do clube, isso não significa que o Barcelona irá desistir fácil de seus planos de contratações. O treinador já ratificou que está em sintonia absoluta com as decisões de Josep Maria Bartomeu e Andoni Zubizarreta, diretor esportivo do clube, encaminhados a pagar um preço definido pelos jogadores e não protagonizar um leilão. O caso Fàbregas é o mais comentado a cada mercado. Futebolista tido como essencial para uma equipe para Guardiola, os problemas são os mesmos dos verões passados: o capitão do Arsenal deseja regressar ao Barcelona (já reiterou seu desejo em entrevista ao site da Uefa) e o Arsène Wenger já até teria disposto a liberá-lo. Entretanto, a diretoria do clube londrino reclama que os 40 milhões de euros propostos pelo Barcelona não é o suficiente para levar a bandeira de seu clube de volta à sua terra natal.

Zubizarreta e Bartomeu estão cientes de todos os problemas econômicos do clube, que, através de seu presidente, confirmou que tem apenas 50 milhões de euros para gastar no mercado de verão. Além disso, seguir uma política de transferência semelhante à do rival da capital, que torra dinheiro em estrelas, nunca foi do estilo do Barcelona e de Guardiola. Portanto, mesmo que a torcida exerça uma pequena pressão para que a diretoria reforçe o plantel, subir alguns jogadores da base será, novamente, um "tapa-buraco" para o clube, que não promete fazer chover no mercado.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

A oportunidade de Bojan

Bojan foi do mais a menos no Barcelona e a transferência para a Roma de Luis Enrique pode ser sua grande oportunidade (reuters)

O ida de Bojan Krkic à Roma merece uma maior reflexão sobre o papel que exerce a cantera barcelonista. Está claro que o primeiro objetivo é formar jogadores capazes de triunfar no Camp Nou, mas a de reconhecer que isso não cabe a todos, pois o desafio é tão abundante que, sem oportunidades, muitos jovens acabam escolhendo por buscar seu futuro longe da Catalunha. A estrutura do futebol base de La Masia é uma fábrica de produzir talentos, mas em circustâncias normais o plantel A incorpora apenas um ou dois jogadores a cada temporada, sendo que, raramente, esse jogador se fixa na equipe titular, como Pedro na temporada 2009/2010.

Como consequência, as transferências dos jovens promissores para outros clubes é algo que a diretoria blaugrana já está acostumada. Buscando progressão, muitos canteranos ficam insatisfeitos no clube e o aval do presidente do Barcelona é sempre compreendido nesse tipo de situação. Porém, desde a saída de Cesc Fàbregas ao Arsenal, e a consequente briga do clube com o Arsenal para trazê-lo de volta a cada mercado, há o caso da opção de recompra. E é esse o caso de Bojan. Na última terça-feira, Walter Sabatini, diretor esportivo da Roma, confirmou a transferência do Principito ao principal clube da capital italiana, por 10 milhões de euros e a opção de recompra após duas temporadas. A também ida de Luis Enrique ao clube, onde será o novo treinador, acabou influenciando muito o jovem, pois o técnico preza pelo estilo semelhante ao de Guardiola. Portanto, é de se esperar que Bojan adapte-se com facilidade ao esquema de Luis Enrique. Em Roma, no entanto, o obstáculo será grande: Totti, Borriello, Vucinic e Menéz são alguns dos atacantes que El Principito irá "rivalizar" para ganhar uma vaga na equipe titular.

De olho em Aléxis Sanchez, da Udinese, a quem o Sport já diz que será jogador do Barcelona nesta noite, o dinheiro pela venda de Bojan caiu como uma luva. No início da semana, Sandro Rosell havia dito que o clube só teria 45 milhões de euros para gastar no mercado, preço que a Udinese está pedindo pela transferência do chileno. Os 10 milhões de euros conseguidos por Bojan, no caso, já é suficiente para que se concretize a ida de Sanchez ao clube azulgrená sem a necessidade de envolver Jeffren no negócio. Embora ainda não tenha nada confirmado, Marco Branca, diretor esportivo da Inter de Milão, que estava atrás do chileno, disse que houve uma negativa por parte do jogador devido à vontade de jogar no Barcelona.

No final das contas, acabou pesando para Bojan sua precocidade: aos 17 anos, promovido por Frank Rijkaard, já fazia parte do elenco A e, ao término da temporada 2007/2008, foi um dos responsáveis pela saída de Ronaldinho, que acabou promovido ao banco de reservas em dentrimento do garoto-prodígio. As comparações frequentes com grandes estrelas do futebol espanhol e a ascensão de Pedro na equipe titular também foram problemas. Desde que Josep Guardiola assumiu o comando da equipe, procurou, sempre que possível, promover Pedro à equipe A. No início, os aficionados culés chegaram a "protestar" contra o técnico por preferir Pedro à Bojan, que havia terminado a temporada anterior com saldo extremamente positivo com a torcida. Entretanto, não houve mais jeito: Pedro se fixou na equipe titular decidindo jogos importantes e decisivos, tornando-se o novo xodó da torcida culé.

Fato é que a estadia de Bojan no Barcelona acabou progredindo inversamente. Na temporada de estreia, surgiu como um meteoro, e marcou 11 vezes em 40 partidas, sendo que tornou-se o jogador mais jovem a marcar na Liga Espanhola trajando azulgrená e o segundo mais jovem a marcar na LC (17 anos e 22 dias). Em 2008/2009, anotou 7 vezes em 36 e foi o artilheiro da Copa do Rei ao lado de Lionel Messi conquistada pelo Barcelona. Na temporada seguinte, 12 vezes em 35. No total, e contando com a temporada passada, El Principito marcou 37 vezes em 148 encontros. Sem confiança e necessitando de mais minutos e gols, Bojan parte para a Roma com um "até breve". Tem apenas 20 anos e um mundo pela frente.

domingo, 19 de junho de 2011

Gregório Manzano no Atlético de Madrid

Manzano fez bons trabalhos em equipes pequenas como Valladolid, Mallorca, Rayo Vallecano e Racing Santander, mas fracassou no médio Sevilla. Agora, ele retorna ao Atlético de Madrid, disposto a colocar a equipe entre os grandes da Espanha novamente (EFE)


Há duas semanas, o Atlético de Madrid confirmou a contratação de Gregório Manzano para substituir Quique Sánchez Flores no comando técnico da equipe. Apesar de ser reconhecidamente conhecido como um bom motivador e trabalhar bem na parte psicológica de seus comandados, a contratação de Manzano não foi vista por bons olhos pelos aficionados colchoneros. Na última vez que treinou o Atléti, Manzano não foi bem. Chegou com a moral elevada após comandar o Mallorca campeão da Copa do Rei na temporada 2002-2003, mas foi um fracasso na capital. A equipe rojiblanca terminou em sétimo no campeonato espanhol, não conseguindo vaga na Copa da Uefa, e caiu nas quartas-de-finais da Copa do Rei, ao perder para o Sevilla num agregado de 6 a 1.

Gregório Manzano, ao contrário da maioria dos técnicos do futebol mundial, não foi jogador antes de se aventurar no futebol. Professor do IES Valle, em Jaén, e psicólogo, ingressou ao futebol em 1983. Após passagens bem sucedidas pelo Racing Santander, Rayo Vallecano e Valladolid, quando evitou a queda das três equipes para a Liga Adelante, El Professor - como é carinhosamente chamado - ficou conhecido como resucitador, pelo fato de pegar suas equipes em posições preocupantes e salvá-las do descenso.

Em 28 anos como treinador, porém, Manzano só ganhou um único título - a Copa del Rey com o Mallorca, citada acima. No clube balear, foi onde mais se identificou. Além da Copa, disputou duas Copa da Uefa e por pouco não conseguiu classificar a equipe à Champions League 2010/2011, quando perdeu a vaga para o Sevilla na última rodada. No Atlético de Madrid, terá a dura missão de fazer a equipe voltar a disputar títulos. Inicialmente, Manzano terá que conseguir uma vaga na Champions League, competição cujo o Atlético de Madrid participou pela última vez em 2008/2009. Seus primeiros dias em Manzanares estão sendo bastante conturbado: a diretoria está brigando para segurar Agüero, De Gea e Forlán. O staff do clube, no entanto, é a maior prioridade de Manzano no momento. O treinador já anunciou o nutricionista Antonio Escribano, muito badalado na Espanha, e corre atrás para contratar a psicóloga Patrícia Ramírez, que atualmente trabalha para Pepe Mel no Bétis.

Manzano costuma implantar em sua equipe o módulo 4-4-2 a rombo. O esquema conta com um meia mais próximo do ataque, fazendo a ligação entre os setores, e precisa de um jogador mais cerebral para exercer tal função, como foi com Borja Valero no Mallorca e Rakitic no Sevilla. No Atlético de Madrid, até o momento, os únicos jogadores capazes de jogar neste setor são Raúl García e Mário Suárez, além do canterano Koke, que deve ganhar mais minuto na nova temporada. Thiago Alcântara e Goucurff são nomes especulados para essa posição. A efetividade do sistema está na pressão constante sobre o adversário e na ocupação dos espaços do campo. Para isso, o bom condicionamento físico do time é essencial.

Apesar de já deixar bem claro que gostaria de contar com Agüero e Forlán, o técnico declarou não há nenhum problema em Agüero joga no Real Madrid desde que o clube lucre o máximo possível com isso. Segundo ele, é melhor ganhar mais para vê-lo jogando no rival do que receber menos dinheiro para que o jogador vá para outro clube. Não há garantia de que a escolha de Manzano para o comando do time é a certa, mas aposta pode ser boa sim. O ex-professor sabe o tamanho do Atlético de Madrid e carrega consigo uma mentalidade que falta ao clube há alguns anos. Passando por problemas internos com seu presidente e seu mandatário, Manzano chega ao clube querendo mudar o estilo, trabalhar mais com a base e na parte estrutural do Atlético de Madrid. O treinador terá tempo para se dedicar ao campeonato espanhol e o primeira passo é recolocar os colchoneros entre os grandes do futebol espanhol novamente. É esperar para ver.

Leia aqui (em espanhol) a entrevista de Gregório Manzano ao Marca.

sábado, 28 de maio de 2011

Kunfusão

Em semana de Barcelona na final de UCL, o destino de Agüero foi um dos assuntos mais falados na imprensa espanhola (reuters)

Na segunda-feira, 21 de maio, Agüero escreveu em seu twitter: "meu ciclo no Atléti está chegando ao fim. Quero partir". Logo após as palavras escritas por Kun, as especulações sobre o futuro do atacante aumentaram. Manchester City, Chelsea, Real Madrid, Juventus e Inter de Milão correm atrás para contratar o argentino, dono de uma temporada brilhante. Thomas Ujfalusi, (ex) companheiro de Agüero no Atlético de Madrid, deixou vazar que o atacante queria continuar em Madrid, mas no Real Madrid. Gil Marín, conselheiro do Atlético de Madrid, logo tratou de acalmar os ânimos da torcida, enfurecida pela provável venda de seu melhor jogador: "a Juventus foi a única equipe que oficializou a proposta. Mas só liberaremos o jogador se pagarem a multa recisória, de €45 milhões", afirmou.

Enquanto o atacante está de férias na Argentina, aguardando a confirmação da lista de Sérgio Batista, técnico da seleção argentina, que disputará a Copa América, o assunto em Manzanares não é outro senão o futuro do argentino. Nas próximas horas, quando o treinador da albiceleste anunciará os jogadores que farão parte do elenco que disputará a competição, o já ex-Atléti dará uma coletiva de imprensa para esclarecer seu futuro no futebol. O Real Madrid segue sendo o maior objetivo do jogador, de acordo com o AS, que até especula que já chegou a um acordo com Florentino Pérez para as próximas cinco temporadas. O presidente merengue, porém, não quer iniciar uma espécia de hostilidade com a diretoria colchonera em torno da contratação do bonaerense. Florentino, todavia, já chegou a afirmar que Kun não está nos planos do clube merengue, que já anunciou as contratações de Sahin, Altintop e Callejón.

Gil Marín já chegou a afirmar que "seria impossível que Agüero se transferisse para o Real Madrid", mas a possibilidade é, sim, remota, como próprio disse o atacante. A diretoria rojiblanca tem em mente evitar o máximo possível uma transferência de Agüero para seu maior rival, algo que, muito provavelmente, os torcedores não perdoariam. Uma possível ida de Agüero a Chamartín poderia ser o ápice de uma relação sempre conflituosa (torcida x diretoria). Apesar da suposta existência de um pacto "de não agressão" entre os dois clubes, contemplado por Florentino Pérez, a existência da "cláusula" antimadridista poderia quebrar qualquer acordo entre os clubes. O preço de mercado de Agüero é de 45 milhões de euros, como anunciado anteriormente.

Há também outros clubes em que Kun está na órbita. Uma possível transferência a outra liga é o máximo interesse do Independiente, clube de origem do atacante, que receberia 2,5 milhões de euros do que 500 mil se Kun acabar assinando com alguma outro clube espanhol. Fato é que já não há mais nenhuma chance de Agüero permanecer em Manzanares, pois muito possivelmente uma das equipes pagarão a multa rescisória. Para isso, o Atlético de Madrid começa a se mexer.

O ataque é o setor onde muito provavelmente será mais reformulado para a próxima temporada. Osvaldo, do Espanyol, Hulk e Falcão, do Porto, são os mais especulado para o setor ofensivo colchonero, que também não terá Forlán. O promissor Adrian González, do Deportivo, já fora contratado em janeiro e tem futebol suficiente para suprir a ausência de Kun: para isso, basta ter seu futebol lapidado na capital.
Outro que está de saída do Atléti é o jovem De Gea, que será anunciado nesta segunda como novo jogador do Manchester United. Com tantas saídas, fica claro que o segundo maior clube da capital espanhola passará por um processo de redimensionamento (ou seria apequenamente, de fato?).

sábado, 7 de maio de 2011

As melhores contratações da temporada

Di María, Özil e Ricardo Carvalho estão entre as melhores contratações do futebol espanhol nesta temporada (realmadrid.com)

Segundo dados do site alemão Transfermarkt, se somados, os clubes da Liga BBVA investiram pouco mais de 495 milhões de euros nas últimas janelas de transferências, relativas a esta temporada. O Quatro Tiempos selecionou os melhores negócios. Estão elencados por ordem alfabética, a partir do sobrenome.

Júlio Baptista, da Roma para o Málaga, por 11 milhões de euros
Ao começar a próxima temporada na primeira divisão, o Málaga saberá que deve muito a Júlio Baptista. O brasileiro foi um dos reforços providenciados pelos novos donos do clube em janeiro, quando a ameaça de descenso era forte, mas a princípio pareceu um tiro pela culatra. Lesionado em fevereiro, teve de passar por uma cirurgia e só retornou dois meses depois. De volta, acabou salvando quase sozinho os andaluzes, que venceram cinco jogos seguidos entre as rodadas 32 e 36, com nada menos que sete gols de Baptista.

Iván Cáceres, emprestado do Barcelona ao Sevilla
Cáceres não convenceu no Barcelona e na Juventus, mas o empréstimo para o clube da Andaluzia o fez bem. Assumiu a responsabilidade no Sevilla e foi uma das poucas apostas de Antonio Álvarez a permanecer na equipe titular. Até aqui, fez todas as partidas do Sevilla na Liga BBVA, quase sempre em alto nível, e o reconhecimeno já apareceu: especulações dizem que Guardiola quer contar com o jogador para a próxima temporada, já que o Barcelona passa por perengues com seus zagueiros. Uma lesão na costela, porém, irá impedi-lo de jogar o restante da temporada e até a Copa América com o Uruguai.

Ángel Di María, do Benfica ao Real Madrid, por 33 milhões de euros.
Destaque do Benfica campeão português, Di María foi a segunda transferência mais cara do futebol espanhol, ficando atrás apenas de David Villa, do Barcelona. No Real Madrid, chegou sob dúvidas após a má Copa do Mundo. E os primeiros jogos como merengues não ajudaram. Sempre aberto à esquerda, o argentino não estava convencendo e era coadjuvante de Özil, que começou voando. Porém, Mourinho tratou de, nas coletivas, injetar ânimos ao meio-campista, que deslanchou. Líder de assistências na UCL, Di María foi eleito em votação do Marca o principal jogador do Real Madrid na maratona de jogos contra o Barcelona. Fato que foi dele o cruzamento para o gol de Cristiano Ronaldo na Copa e a jogadaça para o gol de Marcelo na Champions, que deu esperanças à torcida madridista.

Mesut Özil, do Werder Bremen ao Real Madrid, por 18 milhões de euros
Um dos destaques da Alemanha e da Copa do Mundo, o alemão chegou a Madrid em meio a polêmicas: durante a Copa do Mundo, o meia havia dito, em uma entrevista, que seu time favorito na fora da Alemanha é o Barcelona, grande rival do Real Madrid. Uma semana antes de fechar com os merengues, o nome de Özil parecia certo como um dos reforços dos blaugrana, se não fosse Guardiola, que disse "não" à ida do turco-alemão para a Catalunha. Em Chamartin, Özil se adaptou rapidamente ao estilo de jogo do Real Madrid e foi peça-chave no 4-2-3-1 de Mourinho. Nos últimos jogos, seu futebol caiu um pouco devido ao desgaste físico, mas o primeiro turno do alemão foi digno de nota alta. Com onze assistências, o jogador chegou a ser alcunhado de "novo Zidane" pela imprensa espanhola e tem em Jorge Valdano, dirigente do Real Madrid, seu fã número um no clube.

Ivan Rakitic, do Schalke 04 ao Sevilla, por 2, 500 milhões de euros
Ivan Rakitic era o fantasista que o Sevilla precisava. Grande decepção no primeiro turno, a começar pela eliminação precoce na fase pré da Champions, os sevillistas redimesionaram sua temporada após a chegada do croata. Passador e organizador, Rakitic começou sendo utilizado pelos lados do campo, mas subiu demais de produção quando passou a jogar de enganche no 4-4-2 de Gregório Manzano. Fazendo a ligação com o ataque, tornou-se essencial para um Sevilla que parecia morto. Bate bem pro gol de fora da área, fáz ótimos passes de média distância, finta bem, enxerga o jogo com raro talento. Se Renato foi parar no banco e já é dado como saída certa, muito disso deve à ótima - meia - temporada de Rakitic.

Ricardo Carvalho, do Chelsea ao Real Madrid, por 8 milhões de euros
Alto, forte fisicamente, sério e com bom senso de marcação e antecipação, Ricardo Carvalho era o zagueiro que o Real Madrid necessitava. A emergência na defesa blanca chegava nos últimos dias de agosto sem qualquer solução. Homem de confiança de Mourinho, que teve, à exceção da Inter de Milão, o zagueiro português em todos seus times, o gajo recuperou seus prestígios. Dos 36 jogos até aqui pela Liga BBVA, Ricardo Carvalho só perdeu cinco: quatro por lesão, outra por suspensão. Bom no cabeceio, garantiu aquele toque de raça "com o coração na ponta da chuteira", nas palavras de Galvão Bueno. Em termos estatísticos, o Real Madrid só sofreu 26 gols nas 28 partidas em que Ricardo Carvalho jogou sob o comando de José Mourinho. Nos sete jogos que não entraram na conta, foram 13.

Roberto Soldado, do Getafe ao Valencia, por 10 milhões de euros
A saída de David Villa para o Barcelona deixou os torcedores valencianos órfãos de seu principal homem-gol desde Mário Kempes, na década de 80. Entretanto, o canterano logo tratou de ocupar um espaço no coração dos aficionados chés. Nas últimas seis partidas, o centroavante marcou dez gols, uma média de 1,6 por partida - à Messi. Os 16 gols na atual edição da Liga já iguala sua melhor temporada na carreira, que havia sido com o Getafe, em 2008/2009. Desde que estreou na Liga BBVA, em 2005/2006, Soldado vive sua melhor temporada na carreira, sendo referência no ataque blanquinegro. Se, no começo da temporada, havia entre o atacante de nome militaresco e Aritz Áduriz uma disputa para quem seria o titular no 4-3-2-1 de Unai, Soldado logo tratou de vencê-la.

David Villa, do Valencia ao Barcelona, por 40 milhões de euros.

Joan Laporta, ex-presidente do Barcelona, acertou em cheio em acertar com Villa antes do início da Copa do Mundo: em território africano, El Guaje foi um dos principais nomes - senão o principal - da campeã mundial, sendo responsável por cinco dos oito gols da Fúria na competição. Obviamente, seu preço iria aumentar muito após a Copa, caso Villa não houvesse se transferido ao Barcelona antes. Em campo, Villa chegou como grande esperança para gols, já que em 2009/10 Ibrahimovic não foi o que a torcida do Barcelona esperava e Messi teve que decidir tudo. Nesta temporada, Messi vem decidindo até mais que na temporada passada, mas Villa tem feito seus gols: já são 23 na temporada, três a mais que o sueco, que foi emprestado ao Milan. Passou por seu maior jejum de gols na carreira, é verdade, mas o primeiro turno do asturiano foi digno de listá-lo aqui. De destaque, os jogos contra Real Madrid (5 a 0 ) e Arsenal, no Emirates, onde El Guaje marcou uma vez e foi o melhor barcelonista em campo.