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sábado, 28 de julho de 2012

Fim de brincadeira


Abdulla Al-Thani, o Sheikh preguiçoso. Convivendo com problemas, resolveu colocar o Málaga à venda (El Desmarque)

A temporada 2011/2012 foi perfeita para o Málaga. A excelente campanha na Liga BBVA devolveu o clube a uma competição europeia após 15 anos. Não só a oportunidade de disputar uma competição em âmbito internacional: trata-se da Uefa Champions League, torneio no qual o clube nunca nem passou perto. O Sheikh Abdullah Al-Thani foi sintético em suas palavras no dia de sua apresentação e prometeu que, dentro de três anos, colocaria a equipe na principal competição de clubes do mundo. Não demorou muito e, um ano e meio depois de assumir a presidência do Málaga, a equipe terminou em quarto na Liga, garantindo passaporte para disputar a pré-Champions League. Associado às promessas de investimento e o poderio de seu meio-campo, que tinha como sustentação os ótimos Cazorla e Isco, ao bom trabalho de Pellegrinni, que sempre consegue bons resultados em equipes medianas, nada podia deter os blanquiazules.

A menos que o próprio clube estragasse tudo. Aliás, justamente seu arquiteto. Proprietário do Málaga, Abdulla Al-Thani tem fortuna comparável à de Mansou Al Nahyan, manda-chuva do Manchester City, mas não investiu no atual mercado. As especulações que colocavam Dzeko, Robinho e até Tévez na órbita dos malagueses ficaram apenas nas notas de jornais. Contar com os outros sócios é inútil. Logicamente após as contratações pesadas do PSG, os torcedores imaginavam uma forte ida do Málaga ao mercado. Um dos potenciais protagonistas do mercado virou, no entanto, um coadjuvante atrapalhado e sem grife. 

Acusado de não ter pago ao Villarreal e Osasuna o valor completo pelas transferências de Cazorla e Monreal, respectivamente, o Sheikh perdeu força. Até os jogadores do clube foram à justiça denunciá-lo por atraso nos salários. Cazorla, Mathijsen, Van Nistelrooy, Demichelis e Rondón denunciaram o clube à AFE, mas, após insistência da diretoria, acabaram retirando. O resultado é um mercado apático, desastroso para um time sólido na chamada "liga dos humanos" e que deveria brigar por Champions League durante um bom tempo. Sem se reforçar direito e com múltiplas chances de perder Cazorla para o Arsenal, que apresentou uma proposta de 23 milhões de euros, o sonho de avançar até as oitavas-de-finais da LC fica bastante longe. Hoje, a equipe corre risco até de cair na pré-Champions. Por ora, nenhuma contratação foi feita.

Hoje, o estopim de uma crise repentina chegou ao limite. Segundo informações dadas em primeira mão pela rádio Cope, Al-Thani resolveu colocar o Málaga à venda. O árabe está negociando a venda do clube ao grupo Oil Tiça, do empresário albanês Rezart Taçi, sócio de uma petroleira e que também comanda o Bologna, da Itália. Em 2010, o empresário ofereceu dois milhões de euros ao Real Madrid para disputar um amistoso na Albânia. Fontes do periódico AS afirmam que as negociações estão bastante avançadas. O provável novo dono já fala em "achar soluções para vencer esse drama". Os torcedores, como não poderiam deixar de ser, estão bastante indignados com aquele que era seu herói. Em um fórum oficial do Málaga na internet no site El Desmarque, que cobre as equipes da Andaluzia, várias mensagens contra Al Thani foram lançadas. Perguntar não ofende: aonde o Málaga acha que vai assim?

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Abalando

Em sua segunda temporada à frente do Málaga, o sheikh Abdullah Al Thani resolveu tirar as mãos dos bolsos. Projeto de transformar o Málaga em potência espanhola dará certo? (futbol_español)

Quando fechou oficialmente por 4 milhões de euros junto ao Hamburgo, da Alemanha, a compra de Ruud van Nistelrooy, o sheikh Abdullah Al Thani, proprietário do Málaga desde julho de 2010, começava para valer um processo definido por ele de "Euro Málaga". Na temporada passada, fez algumas contratações cirúrgicas, e resolveu apostar em uma base que terminou a temporada 2009/2010 em alta. Porém, a equipe não resistiu ao primeiro semestre infernal e o Al-Thani não teve outra opção a não ser reforçar seu elenco. Contratou o técnico Manuel Pellegrini, o zagueiro Demichelis e o meia-atacante Julio Baptista para salvar o clube do rebaixamento. Objetivo nº 1 conquistado, é momento de ir mais fundo para chegar à parte de cima da tabela.

No primeiro dia de venda de carnês para a temporada 2011/2012, 13.400 torcedores já garantiram um lugar em todos os jogos no La Rosaleda. O segundo lote de carnês também fora esgotados rapidamente e, para o terceiro lote, já há 500 pessoas na lista de espera. Mais da metade dos 26 mil lugares disponíveis no estádio (conta que exclui a cota obrigatória dos visitantes). É esse o tamanho da empolgação da torcida malaguenha com as perspectivas dos boquerones para o futuro imediato. Além disso, o número de seguidores do twitter do clube da Andaluzia subiu altamente em relação à temporada passada. Hoje, 55 mil pessoas seguem o clube boquerón na rede virtual.

Segundo dados do Transfermarket, até o presente momento desta janela de transferências, a sociedade boquerona é a que mais gastou com contratações em toda a Europa. Já foram gastos em torno de 60 milhões de euros, uma quantia absurda se levada em consideração o dinheiro gasto na última temporada antes da chegada de Al Thani à presidência do clube: em 2009/2010, ainda com Fernando Sánz, foram apenas 4 milhões de euros gastos no mercado veraneio. O fair-play financeiro não deve ser problema. Hoje em dia, o Málaga é um dos times que mais tem lucrado no futebol espanhol com a venda de ingressos e o número de sócios. Vale lembrar que o clube pagou para jogar com uniformes da Nike nesta temporada. Sim, Al Thani não aceitou ofertas de nenhuma fornecedora menor e comprou um conjunto de uniformes da empresa norte-americana para vestir seus atletas. Para completar, ainda pagou para estampar o logo da Unesco (como mostrado na foto que abre o este texto) no manto, como o Barcelona faz com a Unicef durante anos.

A euforia do sheikh é tão grande que já há planos para a construção de um novo estádio. Em 2010, assim que a Espanha anunciou a candidatura ibérica, junto com Portugal, para sede da Copa do Mundo de 2018, Al Thani ficou interessado e lançou um projeto para um novo estádio do Málaga. Mas mesmo após a derrota para a Rússia, que sediará o torneio, o qatari não abandonou a ideia de ter um moderno caldeirão, com capacidade para 65 mil pessoas. Inicialmente, o projeto "imitaria" o Santiago Bernabéu, que tem espaço para cerca de 80 mil torcedores, mas Al Thani resolveu contactar um dos arquitetos responsáveis pelos novos estádios da Copa do Mundo do Qatar, em 2022, em busca de algo inovador. O chamado "Qatar Stadium" tem um orçamento que gira em torno de 200 milhões de euros, mas segundo o Sur (jornal da Andaluzia), o valor pode aumentar ainda mais. Al Thani também adquiriu uma área próximo ao local onde ficará o estádio para construir a "cidade esportiva do Málaga", um complexo de 120 mil metros quadrados. Na ocasião, o proprietário se mostrou empolgado com o projeto.

O staff do clube também é preocupação para o qatariano. Internamente, houve uma troca geral na diretoria do clube. A contratação mais comentada foi a de Fernando Hierro, novo representante de relações instituicionais do Málaga. Ex-diretor esportivo da seleção espanhola, Hierro ficará responsável por representar o clube em eventos oficiais. Manuel Pellegrini, técnico da equipe, por sua vez, já assinou seu vínculo por mais quatro anos, um prêmio após ter livrado a equipe do rebaixamento na temporada passada.

Os blanquiazules ainda têm o mérito de terem evitado gastos nesta temporada, por mais que os números possam parecer dizer o contrário, adicionando qualidade ao plantel, sem que o elenco fosse necessariamente ampliado. Entre os jogadores que estavam fora dos planos de Pellegrini, o Málaga conseguiu negociar Mtiliga, Javi López e Xavi Torres. O bom Quincy, um dos destaque da equipe no primeiro turno, ficou sem espaços após a chegada em demasia de jogadores para o meio-campo e acabou rumando para o Panathinaikos. Só para esse setor foram contratados Toulalan, Joaquín, Isco Román e, por último, Cazorla, a contratação mais cara da história do clube (20 milhões de euros).

Entretanto, há um problema para fechar oficialmente a contratação do promissor Isco. O Valencia, clube que tinha os direitos federativos do jogador, reclama que o Málaga ainda não pagou os 6 milhões de euros da multa rescisória e até ameaça levar o caso à justiça. A pergunta que não quer calar é por que o Valencia ainda não viu um único euro da transferência, se logo após os boquerones pagaram uma enorme quantia pelo meio-campista do Villarreal. Se for levado a sério a denúncia do clube ché, o Málaga não teria como inscrever Cazorla nas competições da LFP. Em contrapartida, sentido-se humilhado, Al Thani decidiu por romper as relações que tinha com Manuel Llorente, presidente do Valencia, e ainda provocou dizendo que "o Valencia está assim porque nós conseguimos levar o tão querido canterano".

Adepto ao 4-2-3-1, Pellegrini terá "problemas" para escalar a equipe na nova temporada. Com muitos jogadores de bom valor no meio-campo, disputas para o time titular estão em aberto. Nas coletivas da pré-temporada, o chileno tem procurado dizer que não há nada em mente para a estreia na Liga - que ironicamente será contra o Barcelona. Nem mesmo Júlio Baptista, grande herói na temporada passada, está com a sua vaga cravada na equipe titular, mesmo após, ao término de 2010/2011, Pellegrini ter dito que seria eternamente grato ao brasileiro. Rondón, artilheiro da equipe na Liga passada, irá disputar uma vaga no ataque com van Nistelrooy, que vem se destacando na pré-temporada.

O elenco já está fechado; as interrogações, abertas. Mesmo com a contratação de Cazorla, que deve jogar mais centralizado na linha de três para armar as jogadas da equipe, em tese ainda falta um fantasista. Pastore e Sneijder chegaram a serem especulado - Al Thani, segundo especulou a imprensa andaluza, poderia oferecer 40 milhões de euros pelo holandês -, mas os clubes não chegaram a um consenso. O plantel está fechado e as contratações tão pedidas pelos aficionados foram conretizadas. O futuro é bastante promissor e, primeiramente, uma vaga na Liga Europa é a primeira coisa para se cavar na próxima temporada. Se o sheikh tiver disposição para investir por muitos anos, o Málaga dificilmente vai virar uma bolha e explodir durante sua gestão. No entanto, todo o clube, a começar pelo proprietário, precisa saber que é preciso ações planejadas, e não impulsivas, para ter sucesso em campo.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Mercado: as primeiras movimentações

A janela de transferências do futebol espanhol, aberta oficialmente no dia 1º de julho, está, a cada dia, esquentando. Segundo fontes do Transfermarket, o Atlético de Madrid foi o clube que mais gastou dinheiro em contratações até o momento, mas quem mais vem chamando a atenção é o Málaga: comprado pelo Sheikh Abdullah Al Thani no início da temporada passada, os blanquiazules adicionaram bons nomes ao elenco e prometem brigar por Europa na nova temporada. No mercado de treinadores, apenas seis equipes resolveram apostar em novos técnicos.

Os clubes terão de respeitar o fair play financeiro da Uefa e gastar menos, para reduzir as dívidas e estarem aptos para quando a cobrança da entidade máxima do futebol europeu chegar, em quatro temporadas. Isto, no entanto, não quer dizer que os clubes investirão pouco - alguns, até, já estão bastante ativos e, procurando gastar pouco, investem em nomes menos badalados.

van Nistelrooy está de volta à Espanha e, em meio à surpresa, chega para comandar o ataque do Málaga: fadado ao sucesso ou ao fracasso? (reuters)

No Atlético de Madrid, o assunto não é outro senão Agüero. Kun teve alguns dias de folga até a data de sua reapresentação devido a eliminação da Argentina na Copa América. No entanto, o argentino não se reapresentou e ratificou a ideia de que não irá ficar em Manzanares para a nova temporada. Durante o período da Copa América, Agüero chegou a ser especulado com força no Real Madrid e na Juventus, que, segundo o presidente Enrique Cerezo, teria oferecido os 35 milhões da multa rescisória. Porém, o destino do camisa dez rojiblanco parece ser o Manchester City. Roberto Mancini, treinador dos citizens, já declarou publicamente que o clube da cidade de Manchester pode fechar a contratação de Agüero nesta semana. A camisa 10 do jogador, aliás, já foi retirada da loja oficial do Atlético de Madrid na capital. No entanto, Kun foi inscrito na Liga Europa pelo Atlético de Madrid, que irá estrear nesta quarta-feira contra Stromsgodset, da Noruega, e não será multado pelo clube.

Para suprir a ausência de Agüero, Osvaldo (Espanyol) pode chegar. De acordo com o Marca, Atlético de Madrid e Espanyol já chegaram a um acordo pela transferência do ítalo-argentino, que custaria exagerados 20 milhões de euros. Giuseppe Rossi e Radamel Falcão chegaram a serem especulados, mas Gregório Manzano prefere o artilheiro do Espanyol. Vale lembrar que Adrián López, destaque do Deportivo e da Espanha Sub-21, teve sua contratação fechada na semana passada e Forlán deve ficar, após rumores de que iria se transferir para o Galatasaray. Para o gol, o jovem Courtois chega de empréstimo junto ao Chelsea para substituir De Gea, que se transferiu para o Manchester United. Para a zaga, calcanhar de aquiles da equipe, foram contratados o brasileiro Miranda e o português Silvio junto a São Paulo e Benfica, respectivamente. O clube ainda comprou em definitivo o volante Tiago (Juventus) e trouxe o bom e experiente Gabi (ex-capitão do Zaragoza) para fazer companhia ao português na volância.

O Real Madrid, conhecido por torrar dinheiros em estrelas, segue a mesma tendência da temporada passada. Até agora, nenhum jogador de nome foi contratado, ainda que Neymar seja fortemente especulado na equipe. A ideia de José Mourinho, novo manager do clube, é contratar jogadores jovens, que possam formar um elenco para quatro, cinco anos. E a política de contratação dos blancos não foge disso: Sahin (19), Fábio Coentrão (23), Varane (18) e Callejón (22) foram contratados. Apenas Altintop (29) foi contratado mas não é "novo". Com isso, o forte meio-campo da equipe tem tudo para ficar ainda mais preciso. Mourinho ainda está à espera de um atacante, e este pode ser Neymar ou Adebayor, que (ainda) não foi comprado em definitivo pelo Real Madrid. Na primeira coletiva do português na temporada, Mourinho falou que o togolês é quem está mais próximo da equipe merengue, já que não está nos planos do treinador do Manchester City.

O multicampeão Barcelona segue bastante frio no mercado: apenas Alexis Sánchez foi confirmado como nova contratação. Cesc Fàbregas, como não poderia deixar de ser, é nome em pauta, mas o Arsenal insiste em não vendê-lo. O provável retorno de Cesc pode significar mudança no módulo tático do Barça (do 4-3-1-2 para o 3-4-3). Por enquanto, o clube se desfez apenas de seus queridos canteranos: Bojan (Roma), Oriol Romeu (Chelsea), Víctor Sánchez (Neuchatel) Edu Oriol e Abraham (Zaragoza) já rumaram para outras equipes. A defesa é a principal preocupação: Puyol segue com problemas físicos e um zagueiro ainda pode chegar. Especula-se que possa ser Thiago Silva, que admitiu ter entrado em contato com o clube em entrevista ao Esporte Interativo, mas o Milan não está disposto a liberar seu melhor zagueiro no elenco. Fontás e Thiago Alcântara assinaram um contrato exclusivo com o time A e irão aparecer com mais frequência na equipe.

Valencia e Villarreal, que disputarão a Liga dos Campeões, ainda movem-se discretamente no mercado. Os amarillos, por exemplo, contrataram apenas quatro jogadores: César Sánchez (Valencia), Zapata (Udinese), Camuñas (Osasuna) e Edu Ramos (Málaga). O ex-jogador do Osasuna foi contratado, provavelmente, para substituir Cazorla, que foi confirmado no Málaga hoje por 22 milhões de euros. Em sua despedida do Villarreal, Cazorla afirmou que sua venda foi para sanar as dívidas do clube (o presidente Roig havia dito no início da temporada que o clube precisaria se desfazer de um dos seus craques para fazer "caixa"). Com a saída do meio-campista, é provável que Giuseppe Rossi deva ficar, ainda que a Juventus esteja oferecendo 24 milhões de euros pela contratação do ítalo-americano. Em Valencia, por sua vez, o objetivo é segurar gente como Mata e Pablo Hernández. Para formar o tão amado 4-3-3 (que não deu certo quando utilizado no Valencia) de Unai Emery foram contratados Dani Parejo (Getafe) e Piatti (Almería). Nos primeiros jogos da pré-temporada, porém, o 4-2-3-1 foi utilizado pelo treinador, com uma linha de três formada por Mata, PH e Parejo, embora o treinador seja adepto às variações táticas e às rotações na equipe. Piatti também pode fazer a função de meia aberto pelo lado esquerdo do campo.

No pelotão intermediário, o Málaga não para. Após uma temporada opaca, Abdulla Al-Thani resolveu tirar as mãos do bolso. Nove contratações já foram fechadas para a nova temporada: Isco (Valencia), Buonanotte (River Plate), van Nistelrooy (Hamburgo), Monreal (Osasuna), Mathijsen (Hamburgo), Toulalan (Lyon), Sergio Sánchez (Sevilla), Joaquin (Valencia) e Cazorla (Villarreal). O clube ainda segurou bons valores da temporada passada, como Rondón, Duda, Quincy e o brasileiro Júlio Baptista, que irá brigar por uma vaga na equipe titular. Em teoria, é um pacote em condições de brigar por vaga na Liga Europa, eventualmente até pela Liga dos Campeões. Há jogadores experientes, alguns jovens com potencial para crescer, um técnico capaz de transformar o grupo em uma equipe propriamente dita e um financiador disposto a tomar prejuízo em nome do sucesso do clube. Porém, sobram interrogações em torno do novo Málaga. Os blanquiazules poderão mostrar que não estão de brincadeira na estreia na Liga Espanhola: logo de cara, o sorteio da LFP determinou que a equipe de Manuel Pelegrinni irá encarar o Barcelona no La Rosaleda.

Sevilla e Athletic Bilbao, que junto com o Atlético de Madrid irá disputar a Liga Europa, fazem um mercado diametralmente oposto ao dos colchoneros: os leones só contrataram apenas um jogador, enquanto que os rojiblancos contrataram quatro (fora a compra em definitiva de Cáceres junto ao Barcelona). O Athletic Bilbao manteve a boa base responsável pela classificação à competição europeia e, de praxe, trouxe o ótimo Ander Herrera (Zaragoza) para reforçar o seu já forte meio-campo. Para o cargo técnico, Joaquin Caparrós deu adeus à equipe após quatro temporadas com a vitória de Josu Urrutia para a presidência. Para seu lugar, chegou o experiente Marcelo Bielsa, que estreou com o pé direito no clube: em três jogos de pré-temporada, foram três vitória. A ordem da casa é segurar Javi Martínez e, principalmente, Fernando Llorente. O centroavante tem sido assediado pelo Tottenham, que teria oferecido 20 milhões de euros.

Os andaluzes, por sua vez, vão fazendo contratações cirúrgicas. À defesa, ponto fraco da equipe na temporada passada, chegaram os bons Trochowski (Hamburgo) e Spahic (Montpellier), além da compra em definitiva do polivalente Cáceres junto ao Barcelona. O meio-campo, que perdeu o extremo Diego Capel para o Sporting, Zokora para o Trabzonspor e Renato para o Botafogo, foi reforçado com o bom Manu Del Moral (Getafe) e, para fazer companhia a Romaric na volância, o experiente Coke (Rayo Vallecano). Após passar perrengues com seus treinadores na temporada passada (Antonio Álvarez e Gregório Manzano), a diretoria parece ter acertado na mosca agora: o bom Marcelino Toral, responsável por ter tirado o Racing Santander da degola, foi contratado junto aos cantabrianos. A imprensa da Andaluzia especula que o extremo Giovanni dos Santos, um dos destaques da Liga passada, possa ser contratado, mas o presidente Del Nido negou qualquer tipo de negociação, por ora. Apesar de ter, em tese, uma equipe capaz de brigar por Champions League, o Sevilla precisará, como disse o zagueiro Alexis na primeira coletiva da temporada, mostrar na prática a força de seu elenco.

ATUALIZAÇÃO 27/07: Com a compra de Cazorla, o Málaga passa a ser a equipe do futebol espanhol que mais investiu até o momento (já foram mais de 60 milhões de euros gastos). O diretor esportivo do clube, Antonio Fernández, afirmou que, temporariamente, a equipe irá dar uma pausa em suas contratações e só irá comprar alguém se necessário.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Inexplicável

Após um péssimo primeiro turno, o sheikh Abdullah Al Thani resolveu abrir o bolso. Mas a situação só piorou, com a equipe entrando na zona de rebaixamento e assumindo a lanterna (getty images)

Nas aulas de história, sempre se ouve falar que o Emirado de Granada era fortemente comandado por árabes, incluindo a capital Ghanarnatah e o importante porto de Malaqah. Mas faltava uma região, ao sul de Al-Andalus. Apenas entre as décadas de 1480 e 1490 que os espanhóis completaram a reconquista de toda a península. A cidade portuária caiu em 1487. Levou mais cinco anos para a capital moura ceder definitivamente. Mais de 500 anos depois, os árabes voltaram à região. Ela não se chama mais Al-Andalus, e sim Andaluzia. O Emirado de Granada é mais lembrado pelas joias artísticas e arquitetônicas que deixou como legado. Malaqah já teve o nome latinizado para Málaga, e seu porto não provoca mais tanto interesse. A cidade foi berço de artistas como Pablo Picasso e Antonio Banderas, mas o que chama a atenção dos neomouros é o futebol.

A mentalidade revolucionária do conterrâneo está, desde junho de 2010, de volta à região. Quando a atual temporada se iniciava, o sheikh Abdullah Al Thani anunciou o processo definitivo de compra do Málaga, após comprar as ações do clube de Fernando Sanz. Foi o primeiro caso de time de futebol da Espanha a pertencer a um árabe. A partir daí, cresceu as expectativas para ver como seria o mercado blanquiazul. No verão, porém, a cúpula foi ao mercado, mas não trouxe nenhum grande nome. Das onze contratações feitas, apenas três deram certo e acabaram tornando-se os destaques da equipe até o momento. O português Eliseu, artilheiro da equipe; o venezuelano Rondón, ponto de equilíbrio; e o ganês Quincy Owusu-Abeyie, extremo direito sempre elogiado por jogar em velocidade pelos flancos.

O jeito foi abrir o bolso. O técnico português Jesualdo Ferreia, contratado devido a seu bom trabalho com orçamento limitado no Porto, foi demitido em novembro. Em seu lugar foi contratado Manuel Pellegrini. A movimentação no mercado de inverno também é intensa: já foram contratados Demichelis (ex-Bayern e seleção argentina), Júlio Baptista (que chegou com ares de ídolo da torcida, provavelmente se baseando no desempenho do brasileiro no também andaluz Sevilla), Asenjo (promissor goleiro que perdeu espaço no Atlético de Madrid com a ascensão de de Gea), Camacho (jovem volante formado no Atlético de Madrid) e Maresca. Um goleiro, um zagueiro, um volante, um meia e um atacante. Ou seja, uma nova base.

Porém, já se passou um turno do Campeonato Espanhol e o Málaga não fez nada que desse grandes alegrias a seu novo dono. Mesmo com todos suas contratações à disposição, os blanquiazules têm uma campanha medíocre, com apenas 17 pontos em 21 partidas. E, acreditem: o time, que antes de seus investimentos era o décimo sexto colocado, hoje é o lanterna da competição.

O que acontece, no fim das contas e com tantas mudanças, é que não se constrói continuidade. O ambiente atribulado, de pura impaciência e busca por resultados positivos, que impera dentro do clube faz com que Pelegrinni pouco insista nos mesmos jogadores. Entretanto, um voto de confiança foi dado aos jogadores. O diretor esportivo dos - hoje - colistas (como são chamados os lanternas na Espanha), Antonio Fernández, já encarregou de dizer que esse plantel é extremamente competente e deve sair da zona de rebaixamento tranquilamente.

Para isso, basta fugir das pressões por grandes resultados e vencer os confrontos diretos (não é tão difícil, até porque receberá Zaragoza, Gijón e Almería em La Rosaleda). Com isso, é possível se estabelecer no meio da tabela, logo abaixo dos times grandes e médios. Se isso acontecer, o primeiro capítulo dessa versão futebolística do retorno árabe ao sul da Espanha terá sucesso. Aí, ficará a expectativa por quais passos Al Thani tentará dar em seguida. Se ficará satisfeito com seu time médio ou tentará uma reconquista de todo o país.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Análise do primeiro turno: Málaga

O sheik Abdullah Al Thani pretendia transformar o Málaga na terceira força do futebol Espanhol, mas o time ainda não andou (reuters)


Campanha
18ª posição. 16 jogos, 13 pontos. 4 vitórias, 1 empate, 11 derrotas. 20 gols pró, 35 gols contra.

Técnico
Jesualdo Ferreira, até a nona rodada; Manuel Pellegrini, a partir da décima primeira rodada. O sheik Abdullah Al Thani comprou o time no início da temporada e, até hoje, pretendia transformar o Málaga em terceira força do futebol espanhol. Com isso, anunciou o português Jesualdo Ferreira para treinar os blanquiazules. Jesualdo, porém, não conseguiu liderar o time que mais se reforçou no mercado e não conseguiu implantar aos boquerones o padrão de jogo necessário para que o desejo de Al Thani tornasse realidade. Com apenas duas vitórias em nove jogos, Ferreira não durou muito tempo no cargo técnico dos boquerones e foi demitido. A cúpula andaluza foi rápida e, horas depois da demissão do português, anunciou o nome de Pellegrini, que já havia feito um ótimo trabalho no Villarreal e um bom trabalho no Real Madrid, onde foi o técnico com maior pontuação em uma única temporada na história do clube merengue. Em oito jogos, porém, Pellegrini só conseguiu duas vitórias e vem de seis derrotas consecutivas. Entretanto, Pellegrini avisou que só começará a trabalhar de "verdade" a partir de janeiro, quando já pediu muitos reforços - principalmente para a defesa - para o time, que promete ser promissor.

Destaque
Quincy Owusu-Abeyie. O jogador, que procedeu do Al Sadd, adaptou-se rapidamente ao esquema utilizado pelos dois técnico. Um extremo direito que se destaca pela velocidade e inteligência. Disputou todas as 16 partidas do Málaga na competição, onde apenas foi reserva em somente duas delas. Se tiver mais companheiros de boa qualidade no meio-campo, pode se tornar mais peça-chave ainda deste Málaga. Rondón também vem se destacando no ataque: após dois meses fora por lesão, voltou para ser o artilheiro da equipe no campeonato, com cinco gols. Apoño era o grande distribuidor da equipe, com uma média de 65% de acertos. Porém, se lesionou e só volta em fevereiro, o que mostra como o Málaga perdeu um pouco do ímpeto com a lesão do meio-campista.

Decepção
A defesa. Com trinta e cinco gols contra, a defesa é a menos vazada da competição. Ponto mais temerário do Sheik e, principalmente, de Pellegrini, que já pediu muitos reforços para o setor. Demichelis, do Bayern de Munich, já chegou com um empréstimo com direito de compra e Asenjo, para o gol, e Camacho estão próximos. Duda, destaque na temporada passada, ainda não encontrou o futebol que o fez ganhar destaque e pouco produziu neste primeiro semestre de Liga.

Perspectiva
Livra-se do rebaixamento e ir mais longe na Copa del Rey. A segunda ficou mais complicada, com a derrota para o atual campeão, Sevilla, por 5 a 3, quando tinha a partida nas mãos - vencia por 3 a 2. Quando Al Thani comprou o time, no início do semestre, parecia que as coisas melhorariam - vale lembrar que o time se salvou do rebaixamento na última rodada da temporada passada, com um empate ante o Real Madrid por 1 a 1 -, mas não foi o que aconteceu. O time tem a defesa mais vazada e o time que mais perdeu. Com os reforços chegando, espera-se que o time salva-se novamente do rebaixamento e que chegue em uma competição europeia, menos provável.