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sábado, 18 de maio de 2013

San Simeone

Diego Simeone sorri à toa: ele é o principal nome do atual Atlético de Madrid (AS)

23 de dezembro de 2011. Após uma fraca primeira parte de temporada, que culminou numa eliminação precoce na Copa do Rei diante do modesto Albacete, a diretoria do Atlético de Madrid resolveu demitir Gregório Manzano, que, durante cinco meses, não conseguiu definir uma tática e dar um padrão jogo à equipe. Sem muitos treinadores disponíveis no mercado, o jeito foi recorrer a Diego Simeone, ex-jogador e ídolo do clube. Hoje, quase um ano e cinco meses depois, não há mais dúvidas de que a diretoria acertou em cheio na contratação do argentino.

Ontem, Simeone conseguiu, por tudo que envolveu, o maior título de sua carreira: a Copa do Rei 2012-2013. Diante do Real Madrid, no Santiago Bernabéu, um tabu perseguia o Atlético de Madrid: há 14 anos que o clube de Manzanares não vencia o rival de Chamartín. No entanto, numa das melhores apresentações do Atléti em tempos, a equipe manteve a concentração após o gol de Cristiano Ronaldo, empatou ainda no primeiro tempo com Diego Costa e levou o jogo à prorrogação, quando Miranda decretou o fim do pesadelo e o primeiro título de um clube-não-Real-Madrid-e-Barcelona em solo nacional desde a Copa do Rei do Sevilla em 2010, justamente contra o Atlético de Madrid.

Mas os méritos de Simeone vão muito além das taças levantadas (Liga Europa, Supercopa da Uefa e Copa do Rei). A começar pelo sistema defensivo, inconstante há anos, que El Cholo ajustou de maneira brilhante. Com Juanfran, Miranda, Godin e Filipe Luís, o argentino formou uma retaguarda sólida, capaz aguentar a pressão adversária. Coincidência ou não, Miranda e Filipe Luís fizeram suas melhores temporadas na Europa, enquanto a adaptação de Juanfran à lateral direita foi um golpe de mestre do treinador - Juanfran, aliás, chegou até a ser chamado para a seleção espanhola.

O segredo dos bons resultados na atual temporada passa, em partes, pela forte marcação no meio-campo, que desarma à rodo e aciona os contra-ataques. A marcação pressão no campo adversário, principalmente em jogos decisivos, gera um cenário de desconforto ao rival. O Atlético adora jogar sem a bola, mas sabe que tem obrigação. Executa contra-ataques à perfeição e se defende com grande aplicação tática. Personalidade e raça são as principais características da equipe.

Outro dos acertos de Simeone foi ter conseguido encaixar Diego Costa ao lado de Falcao García sem necessariamente abrir mão dos atributos dos dois jogadores, embora para privilegiar o faro de gol do colombiano o brasileiro tenha cumprido outro papel em 90% da temporada. Sem seu principal armador, Diego, que voltou ao futebol alemão, El Cholo encarregou o cerebral Arda Turan (que mostrou, durante o período que ficou ausente, ser tão essencial quanto Falcao) à função da armação, deslocando Diego Costa ao flanco esquerdo do 4-2-3-1.

Os 34 gols em 40 jogos, sendo 28 na Liga Espanhola, cravam Falcao García como o melhor jogador do Atlético de Madrid na temporada. E os gritos da torcida de "Falcao, quedate" (especulações o colocam no Monaco, novo rico da Europa) na comemoração do título da Copa do Rei prova isso. Além dos méritos do próprio Falcao, Simeone também tem a ver com a excelente fase do centroavante. Com Manzano, até pela bagunça que era o time, o camisa 9 não se encontrou. Com um time moldado para ele brilhar, El Tigre não decepcionou. Colecionou aparições decisivas (gols na final da Liga Europa e da Supercopa, assistência na final da Copa do Rei) e tornou-se querido pelos aficionados.

Os resultados estão aí. O Atlético de Madrid aguentou até onde pôde acompanhar o Barcelona na Liga Espanhola, terminou o primeiro turno em segundo lugar, mas não suportou o pique e acabou ultrapassado pelo Real Madrid. No entanto, soube manter os jogadores em alta e não pressioná-los, porque, apesar do título ter ficado difícil, ainda havia a disputa por uma vaga na Champions em jogo. E, dessa forma, sem ser pressionado por Real Sociedad, Valencia e Málaga, times que disputam o quarto lugar, os rojiblancos confirmaram, com três rodadas de antecedência, o retorno à maior competição de clubes do mundo, após três temporadas disputando Liga Europa.

Agora, Simeone tem novos desafios. Conquistar UCL e Liga é uma missão difícil, porém o Atléti precisa fazer campanhas aceitáveis para ganhar mais força e respeito em âmbito europeu. Por exemplo, o time precisa ir além das oitavas de finais como em 2008/2009 ou de uma queda precoce na fase de grupos como em 2009/2010. Na Liga, a equipe é o melhor time humano e, em CNTP, não deve ter muito trabalho para terminar em terceiro (ou, quem sabe, brigar com Barcelona e Real Madrid novamente). Contudo, o momento agora é de aproveitar a melhor temporada rojiblanca desde 1995-96.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Futebol ofensivo

Antes de mais nada, gostaria de pedir de desculpa pela escassa atualização no blog nos últimos meses. De fato, o tempo está pegado para mim até em janeiro. Ainda que num período menor, no entanto, uma coisa eu prometo: não deixarei esse espaço acabar, atualizando-o semanalmente. Aproveitem e conheçam um projeto no qual faço parte há mais ou menos cinco meses, o Doentes Por Futebol, clicando aqui.

Vitória da Real Sociedad ante o Barcelona não surpreende (AP Photos)

2006/2007 foi a última temporada que uma equipe sem ser Barcelona e Real Madrid conseguiu disputar o título com a dupla até a rodada final. Naquela temporada, o Sevilla de Juande Ramos demonstrou poder de força ao ganhar Copa do Rei e Copa da Uefa e terminar em terceiro na Liga com 71 pontos, cinco a menos que os gigantes. Na temporada posterior, o Villarreal até ficou à frente do Barcelona (dez pontos), num campeonato decidido com quatro rodadas de antecedência - o Real Madrid, campeão, ficou oito pontos à frente do Submarino Amarelo. 

A monopolização da Liga Espanhola nos últimos anos criou uma espécie de preconceito por parte de quem não assiste. "Ah, mas só tem Barcelona e Real Madrid", diz um. Está mais que claro que a diferença deles para os demais é abissal, o que não quer dizer que o campeonato vive só de jogos de merengues ou blaugrana. E é esse motivo que me leva à criação desse texto. Sobretudo na atual temporada, quase 80% das equipes do futebol espanhol tem adotado uma proposta de jogo ofensiva, baseada no estilo direto de buscar o gol. É algo que vem em ascensão desde o início do Barcelona de Guardiola e, consequentemente, do período vencedor da seleção espanhola.

É claro que, atualmente, a Liga BBVA está muito longe da Premier League e da Bundesliga como campeonatos, em geral. A média de público do campeonato espanhol é muito inferior aos campeonatos da Inglaterra e da Alemanha, muito por causa dos altos ingressos cobrados pelos clubes. Nem o líder Barcelona tem atraído muitos fãs em alguns locais em relação às temporadas anteriores. Em setembro, na visita ao Getafe, pouco mais de dez mil pessoas acompanharam a vitória azulgrená por 4x1 com dois gols de Messi. No aspecto técnico, no entanto, a diferença não é tão notável. Dentro de campo as equipes da primeira divisão têm proporcionado jogos agradáveis.

Um exemplo recente foi o duelo entre Real Sociedad e Deportivo há uma semana. Lanterna do campeonato, o Deportivo foi a San Sebastián disposto a vencer, enquanto os mandantes crescem atuando no Anoeta, onde tiraram a invencibilidade do Barcelona neste sábado. O 1x1 foi pouco porque os dois times pecaram na finalização, mas o duelo divertiu o público e quem assistiu. Foram mais de 30 chutes a gols, 56% da posse de bola para os bascos e aplausos ao término da partida. A mentalidade ofensiva da Real, adquiridade desde a chegada do hoje contestado Phillipe Montánier, apelidado na França de Guardiola francês, vem colhendo frutos à equipe, que hoje briga por uma vaga na Liga Europa, e tira o melhor de seus principais jogadores, como Vela, Griezzmann e o subestimado Xabi Prieto.

Athletic Bilbao no Old Trafford em 2011-2012: aula de futebol ao Manchester United (BBC)

Na temporada passada, o Athletic Bilbao de Bielsa chamou a atenção da Europa pela proposta de jogo levada a campo. Alcançou as finais da Copa do Rei e da Liga Europa, mas perdeu para o Atlético de Madrid e Barcelona. Ainda assim, fica na cabeça dos torcedores a lembranças das classificações ante Manchester United e Schalke 04. Em sua visita a Old Trafford, os Leones mostraram duas virtudes irrefutáveis. A primeira foi individual, de ótimos jogadores como Javi Martínez, De Marcos, Muniain, Susaeta e Llorente, que derrubaram o conceito preconceituoso de que o clube, limitado a atletas bascos, não pode competir em alto nível. A segunda e mais importante foi coletiva: os habituais ataques em bloco, pressão à defesa adversária e zelo com a posse de bola que fazem de Marcelo Bielsa um treinador brilhante. Atualmente, os bilbaínos fazem temporada muito abaixo da média, muito pelo fato dos problemas internos terem refletixo nas atuações em campo. O jogo não flui, as peças-individuais não brilham, mas mesmo assim a equipe não abdica do estilo de jogo que encantou o futebol europeu na temporada passada.

A grande ironia disso tudo, talvez, é que a Liga Espanhola mais agradável para se assistir nos últimos anos já parece ter um campeão definido. O Barcelona, que está oito pontos à frente do Atlético de Madrid e 15 do Real Madrid, não deve deixar o título escapar. O virtual campeão tenta agora alcançar e ultrapassar os registros do Real Madrid de José Mourinho, que é, nos números, o maior campeão espanhol da história. As atenções se voltam à disputa por vagas na Liga dos Campeões. Além do Barcelona, é difícil imaginar a dupla de Madrid de fora do torneio, o que faz restar uma última vaga. Atualmente, Bétis, Rayo, Valencia e, em menor proporção, Levante e Real Sociedad se mantém na disputa. Em comum entre eles, além do esquema tático (4-2-3-1), está o estilo de jogo ofensivo.

Os milionários elencos de Barcelona e Real Madrid e a criticada divisão de receitas das cotas de televisão tendem a ainda deixar, pelos próximos anos, a Liga BBVA bipolarizada - a não ser que campanhas como a do atual Atlético de Madrid apareça no meio do caminho. No entanto, as demais equipes apresentam espírito competitivo das demais equipes e um estilo de jogo atrativo. Assim, a Liga Espanhola, definitivamente, tem argumentos para ganhar novos fãs e diminuir o preconceito por quem não assiste.

sábado, 3 de novembro de 2012

Sequência de fogo

Falcao García, com média de gols tão boas quanto as de Messi e Cristiano Ronaldo, é o principal trunfo de Simeone na sequência que irá mostrar se o Atlético de Madrid é candidato ou não ao título (getty images)

Hoje, às 19h, o Atlético de Madrid irá à Comunidade Valenciana enfrentar o Valencia no Mestalla. É o primeiro de quatro jogos que a equipe treinada por Diego Simeone terá para fazer fora de casa que irá mostrar se é candidata ou não ao título. Invicto na temporada, essa é a "prova final" dos rojiblancos, que ainda são visto com olhares de desconfiança. As próximas visitas são ao Carménes (Granada), Santiago Bernabéu (Real Madrid) e Camp Nou (Barcelona). Em jogo, mais do que provar que pode brigar pelo título. No dérbi de Madrid, o Atléti, pela primeira vez em anos, chega com status para quebrar um tabu que dura 13 anos: vencer o principal rival.

O calendário irá requer bastante concentração. Simeone, atento a isso, tenta tirar o peso da responsabilidade de seus jogadores a cada coletiva. "Podemos brigar pelo título, mas vamos com calma", disse o argentino após a vitória do último domingo, contra o Osasuna. As estatísticas mostram que os colchoneros são capazes. Se derrotar o Valencia hoje, irão chegar ao melhor início de campeonato em sua história. As coincidências também são históricas: assim como em 1996/1997, temporada na qual ganhou a Liga pela última vez, divide a liderança com o Barcelona e está oito pontos à frente do Real Madrid em dez rodadas. A distância para o terceiro colocado Málaga, que começa a dar sinais de cansaço - até por conciliar Liga e Champions -, é de sete pontos.

Acima de tudo, Simeone irá precisar contar com o melhor Falcao, principalmente contra Real Madrid e Barcelona. Na temporada passada, o colombiano marcou dois gols contra a dupla, mas viu sua equipe sucumbir. Atualmente, a fase do Tigre é de outro mundo. Com a mesma média de gols de Messi e Cristiano Ronaldo, ele tem sido cotadíssimo para disputar a Bola de Ouro com os dois principais jogadores do mundo. Vice-artilheiro da Liga ao lado do português, Falcao, com 17 gols nos últimos 11 jogos, superou no final de semana passado o melhor início de temporada de Messi. Em enquete do Marca e do As, consideram o momento do centroavante melhor que do gajo e do argentino.

A defesa, em especial, também irá precisar manter o ritmo elevado que vem mostrando até o momento. Miranda, melhor zagueiro deste início de Liga, é homem de confiança de Simeone. O argentino, aliás, tem bastante méritos por ter ajustado uma defesa bastante criticada há muitos anos. Hoje, a retaguarda é sólida e passa por pouco apuros. Na lateral esquerda, El Cholo conseguiu recuperar o melhor Filipe Luís, em nível semelhante ao apresentado no Deportivo La Coruña, quando foi o melhor lateral esquerdo da Liga Espanhola 07/08.

O Atlético de Madrid 2012/2013 joga menos tempo com a bola, mas sabe se virar sem ela. Dificilmente eles terão uma maior posse de bola contra Valencia, Real Madrid e, sobretudo, Barcelona, mas não se enganem com isso. Simeone gosta de cedê-la para, num escape, sair no contra-ataque, outra característica dessa equipe. O Atléti, também, busca o resultado até o último minuto, uma marca registrada do clube historicamente. Há duas semanas, um gol de falta de Falcao no último lance da partida deu uma vitória suada à equipe contra a Real Sociedad, em San Sebastian, rival que irá dar trabalho aos grandes em casa. Se o Atlético é ou não capaz de, após anos, brigar pelo título com Real Madrid e Barcelona, saberemos nas próximas semanas. Mas os colchoneros mostraram que são capazes de desafiar os gigantes espanhóis.

Próximos jogos do Atlético de Madrid
Valencia - Atlético
Atlético - Getafe
Granada - Atlético
Atlético - Sevilla
Real Madrid - Atlético
Atlético - Deportivo
Barcelona - Atlético

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Zorilla indesejável, desafiador Atléti e o renascido Valencia

Em quatro jogos feitos no José Zorilla nesta temporada, o Valladolid venceu dois, empatou um e perdeu um. Entre os destaques, as vitórias, que vieram ante Levante (2-0) e Rayo Vallecano (6-1). Fora de casa, o desempenho não é o mesmo: são três derrotas e apenas uma vitória. No último sábado, os pucelanos perderam para o Málaga por 2x1. Em oito rodadas, estão na décima colocação, com dez pontos. A campanha caseira pode não impressionar pelos adversários, mas já mostra que será o carro-chefe da equipe na luta contra o rebaixamento.

Na temporada passada, o Valladolid conseguiu associar um futebol atrativo a uma defesa sólida (a melhor da Liga Adelante ao lado do Celta Vigo). A efeito de comparação, em 2009/2010, havia sido a mais vazada com 74 gols. Em agosto, em entrevista, ao Marca, o treinador Miroslav Djukic prometeu que isso não vai mudar. Num discurso à Pep Guardiola, o sérvio foi sintético: "se for para morrer, que morremos praticando nossa filosofia". Jesus Ruéda, zagueiro que se destacou na temporada passada, também seguiu a mesma linha. Ele afirmou que o time deve manter seu estilo, ousadamente inspirado no Barcelona. O rebaixamento disfarça, mas o Villarreal, que joga um futebol semelhante ao dos pucelanos, colhe frutos na Liga Adelante por não se acovardar mesmo nos momentos de adversidades.

Na segunda divisão de 2011/-12, o Valladolid teve um aproveitamento de 72% como mandante, acumulando 50 de seus pontos 80 pontos na temporada regular. O time de Djukic sofreu apenas 11 gols em 23 partidas no Zorilla, 20 a menos do que levou longe de casa. Se mantiver o aproveitamento de 73% em casa, mesmo que não pontue como visitante, o pucelanos certamente escaparão da queda com seus 42, 43 pontos. É claro que eles devem roubar pontos longe de Castilla e Leão, porém o grande mérito do treinador é mesmo a transformação do Zorilla num estádio indesejado pelas outras equipes.

 Falcão García: o cara (getty images)

Clap, clap, clap
O gol de Falcão García aos 47 minutos do segundo não só colocou o Atlético de Madrid na co-liderança da Liga ao lado do Barcelona, como mostrou que os colchoneros irão desafiar blaugranas e merengues. A equipe jogou bem até certo ponto, mas o suficiente para vencer um adversário que certamente irá incomodar muito no decorrer da temporada, sobretudo em casa, a Real Sociedad.

E o Valencia, hein?
Não jogou bem, mas foi buscar uma virada ante o Athletic Bilbao na bacia das almas. A torcida que vaiava bastante mudou em apenas dois minutos, tempo dos gols de Tino Costa e Haedo Valdez, que começa a mostrar serviço. O 4-4-2 que juntou o paraguaio e Soldado saiu-se muito bem, mas Jonas, melhor ché na temporada até então e que saiu para entrada do ex-Hércules, não pode ficar de fora. Pellegrino tem uma dor de cabeça. O Valencia ainda não convenceu e, na quarta-feira, tem jogo decisivo pela Uefa Champions League. Caso queira passar de fase, precisará somar, pelo menos, quatro pontos nos próximos dois confrontos contra o Bate, que derrotou o Bayern na segunda rodada.

domingo, 23 de setembro de 2012

Yes, we can

 Falcão García e Diego Simeone: os responsáveis pelo momento mágico vivido pelo Atlético de Madrid (getty images)

Não há como negar: a demissão de Gregório Manzano em janeiro deste ano fez muito bem ao Atlético de Madrid, que balançou com o treinador, viveu um período negativo durante o primeiro período da temporada passada e ainda por cima engoliu uma eliminação precoce na Copa do Rei para o pequeno Albacete. Manzano, durante sua pequena estadia em Manzanares, demonstrou uma grande indefinição tática, que variava a cada jogo. Além disso, ele nunca conseguiu achar uma escalação ideal.

O argentino Diego Simeone, campeão da Liga e da Copa com o clube em 1996, mudou o rumo dos colchoneros. Com o mesmo elenco de Manzano, El Cholo não só conquistou títulos relevantes como Liga Europa e Supercopa da Uefa como conseguiu dar um padrão de jogo à equipe. Um dos principais êxitos da gestão do ex-volante é privilegiar o futebol de Falcão García, que cresceu absurdamente de rendimento de janeiro para cá. Hoje, o Atléti derrotou o Valladolid por 2x1 e chegou aos 11 pontos no campeonato. Na quinta colocação, ainda tem um jogo adiado para cumprir contra o Bétis na próxima quarta-feira. Caso vença, os rojiblancos assumirão a vice-liderança, ficando dois pontos atrás do líder Barcelona. A fase é tão boa que a última derrota foi em abril, para o Rayo Vallecano. São 15 partidas consecutivas sem conhecer um revés.

Em campo, é fácil explicar o motivo da boa fase atleticana. O forte e combatente meio-campo é essencial na proposta de jogo de Simeone. As estatísticas mostram que o seu Atlético não joga com a bola nos pés. O Chelsea, no confronto da Supercopa, teve 62% da posse de bola, e perdeu por 4x1. Há uma semana, durante a estreia na Liga Europa, o Apoel teve o domínio territorial com 68% da posse. O resultado? 3x0 para o Atléti. Ironicamente, o único jogo na temporada em que teve mais posse de bola que o adversário terminou empatado: 1x1 contra o Levante, quando teve 58%. Os colchoneros adoram jogar sem a bola, mas sabem que tem obrigação. Têm méritos de armarem contra-ataques à perfeição e se defenderem com solidez, um problema crônico do time nos últimos anos. Personalidade e raça são as principais características da equipe.

O futebol desempenhado lembra muito o do rival Real Madrid (cultura de Madrid, lembram?). A vitória na final da Liga Europa contra o Athletic Bilbao ratificou essa comparação, quando os rojiblancos executaram uma tática à merengues contra o Barcelona. A marcação pesada gera ao adversário um cenário de desconforto. Além disso, o setor ofensivo não deixam a desejar. Arda Turan, Adrián López e Falcão García, principalmente, são provas cabais disso. Ao perder Diego, Simeone ficou sem seu principal articulador, mas vê em Koke, o Xavi rojiblanco, um bom substituto. Cebolla Rodríguez, contratado para esta temporada, tem entrado bem durante as partidas.

O treinador é o principal responsável por esse momento. Outro de seu grande trunfo foi ter acertado uma defesa inconstante há anos. Miranda e Godín formam uma dupla segura e Juanfran (que é improvisado como lateral, outro granda escolha do treinador) e Filipe Luís, pelos lados, são boas opções ofensivas. Eles também são importantes na recomposição porque voltam para marcar. O brasileiro vive sua melhor fase desde que saiu do Deportivo. Após uma temporada sábatica, o lateral-esquerdo, que chegou a ser pedido pela imprensa para ser convocado por Dunga à Copa, é muito importante nas infiltrações pelo flanco esquerdo. Hoje, o Atlético de Madrid é candidato real a uma vaga na próxima Champions League e o caminho é tomar do Valencia, que começou a temporada tímido, o posto de melhor equipe humana da Espanha. Após tanto errar, o presidente Enrique Cerezo acertou em cheio ao fechar com Diego Simeone.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Meio termo

 Agüero vs. Real Madrid: à época de Atlético, o argentino marcava, mas não vencia (getty images)

Não foi a melhor tarde para os espanhóis, mas também não foi a pior. É razoável dizer que somente o Barcelona saiu satisfeito do sorteio dos grupos da Liga dos Campeões. Também cabeça de chave, o Real Madrid terá que trabalhar para não sofrer sustos. Málaga e Valencia, por suas vezes, não esperavam facilidade mesmo, e caíram em grupos traiçoeiros. Acompanhem.

Grupo C: Milan, Zenit, Anderlecht, Málaga. A primeira experiência do Málaga na Liga dos Campeões será bastante trabalhosa. Os blanquiazules, no pote 4, terão dificuldades no grupo de campeões nacionais como Zenit e Anderlecth e do poderoso Milan, que, mesmo enfraquecido em relação aos outros anos, ainda possui elenco superior as demais equipes. O Málaga, se quiser sonhar em avançar de fase, precisará jogar com agressividade, fazer a lição de casa nos três jogos que fará em La Rosaleda e atuar com paciência na Rússia, Bélgica e Itália. Se possível, ainda que seja difícil, tirar pontos do Milan na Andaluzia. Sonhar é possível. Palpite: termina em segundo lugar.

Grupo D: Real Madrid, Manchester City, Ajax, Borussia Dortmund. O grupo da morte. Ainda que seja a mais forte equipe do grupo, o Real Madrid terá trabalho. O palpite do colunista é a primeira posição ao time de José Mourinho, mas as partidas contra Borussia e Manchester City exigirão um certo desgaste. Até porque a dupla, que foram as decepções da Liga dos Campeões 11/12 ao caírem na fase de grupos, estão mais experientes em âmbito europeu e podem complicar. Para um setor defensivo tão carente neste início de temporada, enfrentar Silva, Agüero, Tévez, Nasri e Reus, Götze e Lewandowski pode complicar. Destaque para o reencontro de José Mourinho com Mário Balotelli. Palpite: termina em primeiro lugar.

Grupo F: Bayern de Munich, Valencia, Lille, Bate Borisov. A briga mais relevante deste grupo será a pelo segundo lugar entre franceses e espanhóis. O Bayern é extremamente superior a Lille, Valencia e Bate e não terá trabalho para conquistar o título desta chave. Por outro lado, a briga do Valencia é tão igual à da temporada passada, quando caiu na fase de grupos ao perder a disputa pelo segundo lugar com o Bayer Leverkusen. Em tese, o Lille é um adversário mais fraco do que o Leverkusen, mas os blanquinegros precisarão entrar em campo concentrados. O que não pode acontecer é perder pontos para a equipe mais fraca, o Bate, assim como na temporada passada, quando perdeu na Bélgica para o Racing Genk. Palpite: termina em segundo lugar.

Grupo G: Barcelona, Benfica, Spartak Moscou, Celtic. Assim como nos últimos anos, o Barcelona novamente encontra um grupo bastante acessível na primeira fase. O grupo parece ainda mais simples que o de 2011/2012, quando o Barcelona teve de enfrentar Milan, Bate e Viktoria Pilsen. Dessa vez, não há um gigante como os rossoneros. Por outro lado, Benfica e Celtic, adversários de mata-mata de LC em temporadas passadas, prometem dificultar a vida barcelonista no Estádio da Luz e no Celtic Park, respectivamente. Vale a história do confronto com os portugueses, campeões da Copa dos Campeões ante os blaugranas em 61. Palpite: termina em primeiro

Todos sobrevivem
Além do quarteto da Champions, a Espanha emplacou todos os representantes na fase de grupos da Liga Europa. Athletic Bilbao e Levante passaram, respectivamente, por Helsinki e Motherwell. Além disso, por ser o atual campeão, o Atlético de Madrid já havia garantido presença anteriormente. A por ellos!

Atualização, sexta-feira, 31/08, às 10h47.
O sorteio da Uefa colocou os espanhóis em chaves acessíveis na Liga Europa. Em manhã movimentada pelo última dia do mercado europeu, Atlético de Madrid, Athletic Bilbao e Levante irão encarar, respectivamente, Apoel, Viktória Pilsen, Coimbra; Lyon, Sparta Praga, Apoel Kiryat; Twente, Hannover 96, Heisinborgs. Os granotes terão dificuldades, mas têm tudo para avançarem.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Guia: Liga BBVA (parte 1)


 Pela primeira vez em quatro anos, o Real Madrid inicia a Liga Espanhola defendendo o título. Irá conseguir a manuntenção da taça ou sucumbirá ao Barcelona de Tito Vilanova? (reuters)

Neste sábado, dia 18, está previsto o pontapé inicial da Liga BBVA 2012/2013, com o duelo entre Málaga e Celta Vigo. Após a ameaça de boicote de 13 clubes em relação aos direitos televisivos do torneio e à realização de oito partidas das três primeiras rodadas às 23 horas, a federação e as sociedades entraram em acordo para a disputa da rodada. Em campo, nada irá mudar: mais uma vez, Barcelona e Real Madrid irão polarizar o campeonato à parte entre as duas equipes. E, desta vez, de maneira diferente em comparação aos outros anos: quem irá defender o título é a equipe merengue.

A terceira força espanhola continua a cargo do Valencia. Os chés se reforçaram bastante e têm a missão de diminuir a alta vantagem em relação ao segundo colocado. Um pouco atrás aparece o Atlético de Madrid, que pretende incomodar o pelotão de cima e brigar pau-a-pau com o clube valenciano pela terceira colocação. Um Athletic Bilbao prestes a perder Javi Martínez e Llorente pode sofrer, mas ainda sim pretende disputar uma vaga na Champions League, ainda que como azarão. No pelotão intermediário, Deportivo, Osasuna, Celta Vigo, Real Sociedad e Espanyol prometem vida dura a qualquer visitante que adentrem seus domínios. E ainda tem o Sevilla, que possui bons jogadores no elenco, mas carece de fantasia. Os andaluzes têm time para brigar pela principal competição europeia de clubes?

Faltando pouco mais de duas semanas para o fim do mercado, muita água ainda deve rolar. O Real Madrid pode garantir, depois de tantas especulações, o croata Luka Modric. O Barcelona, por sua vez, está a um passo de oficializar a contratação de Alex Song. O Valencia pode completar seu elenco com Monreal e mais um meio-campista, enquanto o Athletic Bilbao tentará investir o dinheiro das prováveis venda de Javi Martínez e Llorente em Antoine Griezmann e Beñat Etxebarria, dois ótimos meio-campistas.

Assim como no ano passado, repetiremos a parceria de enorme sucesso com o Futebol Espanhol de Pierre Andrade. Edgley Lemos, colaborador do site, também embarca nesses dois posts especiais de apresentação das 20 equipes da primeira divisão espanhola. E se você é muito fanático pelo futebol da terra das touradas, não deixe de ler nosso preview da Liga Adelante, clicando aqui. Boa leitura!

Athletic Bilbao (Victor Mendes)
Cidade: Bilbao, País Basco
Estádio: Catedral de San Mamés
Em 2011/2012: 10º colocado
O cara: Iker Muniain (meio-campista, foto)
O treinador: Marcelo Bielsa
A promessa: Ruiz de Galarreta (meio-campista)
Principal reforço: Aritz Aduriz (atacante, Valencia)
Principal perda: -
Objetivo: vaga na Champions League
Time base (4-2-3-1): Iraizoz; Iraola, Amorebieta, Javi Martínez (Ekiza, San José, Gurpegi), Aurtenetxe; Iturraspe, Ander Herrera; Susaeta, De Marcos, Muniain; Llorente (Aduriz)

Após uma temporada gratificante em 2011/2012, o Athletic Bilbao promete mais. Passada a novela com Marcelo Bielsa, que decidiu renovar por mais um ano, os Leones estão prestes, no entanto, a perder dois de seus principais jogadores: Javi Martínez e Llorente (por isso, o destaque do time ficou nas mãos de Muniain). O zagueiro-volante está bem perto do Bayern de Munich, enquanto o centroavante está de partida para a Juventus. Fato é que o Athletic ainda possui uma boa equipe titular e pode chegar com mais força. O problema é até onde a questão física dos jogadores pode atrapalhar na reta final.

Praticamente sem reservas de boa qualidade, o time e o esquema se desgastam a certa altura. O Bilbao precisa de peças de reposição para possíveis lesões e alternativa a Llorente. Aduriz foi repatriado e se identifica com o clube a torcida. O bom Beñat, do Bétis, foi especulado e seria uma excelente aquisição para o já brilhante meio-campo, mas nada saiu do papel, assim com Griezmann. O certo é que o Bilbao precisar ir além de uma boa temporada em copas. Melhorar o aproveitamento sobretudo em San Mamés é o primeiro passo. Devido ao fato de ter dado mais importância à Liga Europa, os rojiblancos desperdiçaram pontos bobos atuando em seus domínios.

Atlético de Madrid (Pierre Andrade)
Cidade: Madrid
Estádio: Vicente Calderón
Em 2011/2012: 5º colocado
O cara: Falcão Garcia (atacante, foto)
O treinador: Diego Simeone
A promessa: Olíver Torres (meio-campista)
Principal reforço: Emre (meio-campista, Fenerbahçe)
Principal perda: Diego (meio-campista, Wolfsburg)
Objetivo: Vaga na Champions League
Time base (4-2-3-1): Courtois; Juanfran, Miranda, Godín, Filipe Luís; Gabi, Mario Suárez; Adrián, Arda Turan, Emre; Falcão Garcia

Nos últimos tempos, o Atlético de Madrid se caracterizou por encher de esperanças a torcida no começo da temporada e decepcioná-la ao término. Todavia, neste ano as coisas tendem a ser diferentes. Com a manutenção da equipe que conquistou o bicampeonato da Europa League, o Atlético entra forte para disputar com o Valencia o terceiro posto da Liga. Porém, com uma importante baixa. Sem participar da Champions League por dois anos consecutivos, os rojiblancos não conseguiram manter Diego, que fez uma temporada impecável pela equipe da Manzanares. O brasileiro era o cérebro do time, posto que deve ser ocupado por Arda Turan, atuando mais centralizando em campo.

No comando da equipe está Simeone, que conta com total apoio da torcida e da direção do clube. Não é para menos. Desde a sua chegada, o Atlético ganhou consistência tática e solidificou sua defesa. Outro que continuará é Falcão Garcia. Com um tremendo faro goleador, El tigre despertou o interesse dos maiores clubes da Europa, mas preferiu continuar. O jovem Olíver Torres atuou bem na pré-temporada e deve entrar gradativamente no time.

Barcelona (Victor Mendes)
Cidade: Barcelona, Catalunha
Estádio: Camp Nou
Em 2011/2012: 2º colocado
O cara: Lionel Messi (atacante, foto)
O treinador: Tito Vilanova
A promessa: Sergi Roberto (meio-campista)
Principal reforço: Jordi Alba (lateral-esquerdo, Valencia)
Principal perda: -
Objetivo: título
Time base (4-3-3): Víctor Valdés; Daniel Alves, Piqué, Puyol, Alba; Busquets, Xavi, Iniesta; Alexis Sánchez, Messi, David Villa (Fàbregas).

Melhor time do mundo? Durante os últimos quatro anos, ninguém ousou em definir o Barcelona dessa forma. No entanto, bastou uma temporada sem os principais títulos para colocarem em xeque o futuro da era vitoriosa de Messi, Xavi e Iniesta na Catalunha. Sem Josep Guardiola, o novo treinador Tito Vilanova tem a dura missão de recolocar os azulgrenás no topo. Elenco para isso, ele tem. Da equipe titular, Vilanova não perdeu ninguém e ainda fechou a contratação de Alba, melhor lateral esquerdo da competição passada e da Eurocopa. A zaga, por outro lado, não teve uma atenção tão forte no mercado. Principal ponto fraco da equipe, os blaugranas sondaram Javi Martínez e Thiago Silva, mas o alto valor pedido pelas suas respectivas equipes fez com que o clube desistisse. 

A profundidade do elenco sempre foi um tema debatido durante a Era Guardiola. Na temporada passada, o treinador encheu a equipe de improvisações devido ao fato de não contar com muitas peças de reposição ou, quando as teves, perdê-las por lesão. Os retornos de Villa e Afellay mais a iminente chegada de Song dará mais qualidade e quantidade ao plantel. Ainda há quem especule Agger. Vilanova tem o carinho dos senadores barcelonistas e está no caminho certo para ter sucesso no Camp Nou. Para isso, precisa rezar, principalmente, para que as lesões não afete o desempenho de seu comandados.
Bétis (Edgley Lemos)
Cidade: Sevilla, Andaluzia
Estádio: Benito Villamarín
Em 2011/2012: 13º colocado
O cara: Beñat Etxeberria (meio-campista, foto)
O treinador: Pepe Mel
A promessa: Alejandro Pozuelo (meio-campo)
Principal reforço: Paulão (zagueiro, Saint-Étienne)
Principal perda: Iriney (meio-campo, Granada)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-2-3-1): Casto; Nelson, Paulão, Dorado, Nacho; Beñat, Rubén Perez; Agra, Campbell, Juan Carlos; Rubén Castro.

Na última temporada, o Bétis conseguiu se manter no meio da tabela ficando numa posição bem tranquila. Para esta temporada, a expectativa mais otimista deve ser novamente o mesmo lugar. A debandada de alguns jogadores como Ustaritz, que retornou ao Bilbao após o fim do empréstimo à equipe andaluz, e Iriney, meio-campista brasileiro que se transferiu para o Granada, deixa o Bétis de mãos atadas. O dinheiro está mais curto que na última temporada; portanto, as contratações terão de ser pontuais, já que a temporada está batendo à porta.

A defesa é, sem dúvidas, o setor mais necessitado de reforços. A falta de, pelo menos, dois bons zagueiros e um lateral direito não podem deixar de ser sentida. No meio-campo, falta um jogador de criação para substituir Iriney e ser alternativa ao Beñat. Alejandro Pozuelo, cria do Bétis, é uma aposta interessante, mas ainda é jovem. Resta aos “aficionados” torcerem para que a diretoria consiga suprir as necessidades do time para que o início de temporada não seja desastroso, resultando em novo rebaixamento.


Celta Vigo (Pierre Andrade)
Cidade: Vigo, Galícia
Estádio: Balaídos
Em 2011/2012: 2º colocado na Liga Adelante
O cara: Iago Aspas (atacante)
O treinador: Paco Herrera
A promessa: Jonny Castro (lateral-direito)
Principal reforço: Javi Varas (goleiro, Sevilla)
Principal perda: Orellana (meio-campista, Granada)
Objetivo: Meio da tabela
Time base (4-2-3-1): Javi Varas; Hugo Mallo, Tuñez, Gustavo Cabral, Roberto Lago; Bustos, Obiña; Augusto Fernández, Bermejo, Alex López; Iago Aspas

Apesar de ficar cinco anos longe da elite, o Celta é um dos times mais tradicionais da Espanha, tendo disputado a principal divisão do país em 46 oportunidades. Sendo assim, a direção do clube colocou como meta terminar na parte de cima da tabela, e, se possível, beliscar uma vaga nas competições europeias. Para isso, está se reforçando. Trouxe o goleiro Javi Varas, melhor do primeiro semestre em 2011, por empréstimo junto ao Sevilla, e assinou por quatro anos com o meia Augusto Fernández, que atuava no Velez Sasfield, da Argentina. 

Se mantiver em seu elenco os cobiçados Hugo Mallo e Iago Aspas, o Celta terá uma bom time para disputar La Liga. Mas o principal reforço do clube vem das arquibancadas do Balaídos. Contentes com a ascensão de divisão, os célticos esgotaram os 22.800 carnês disponibilizados para a venda, garantindo, assim, casa cheia em cada partida do time em Vigo.

Deportivo La Coruña (Victor Mendes)
Cidade: La Coruña, Galícia
Estádio: El Riazor
Em 2011/2012: campeão da Liga Adelante
O cara: Valerón (meio-campista)
O treinador: José Luis Oltra
A promessa: Juan Domínguez (meio-campista)
Principal reforço: Nelson Oliveira (atacante, Benfica)
Principal perda: Guardado (meio-campista, Valencia)
Objetivo: meio da tabela ou vaga na Liga Europa
Time base (4-2-3-1): Aranzubia; Laure; Zé Castro, Aythami, Evaldo; Juan Domínguez, Valerón; Pizzi, Abel Aguillar, Camuñas (Nelson Oliveira); Nelson Oliveira (Pizzi).

A atual fase de Vasco e Corinthians é tão boa que tem quem atribua o rebaixamento das duas equipes a isso. Eles se repaginaram por completo, passaram por uma série drásticas de mudanças e hoje estão disputando títulos. Obviamente, o Deportivo não irá chegar a um nível assim, mas podemos dizer que o rebaixamento não foi "mau" negócio. Os galegos venceram a Liga Adelante com um pé nas costas, tendo uma queda considerável apenas num período entre fevereiro e março, e voltam à elite prometendo uma boa temporada.

O entusiasmo da fanática torcida é grande porque a diretoria age para tal. As contratações de Roderick, Evaldo, Abel Aguillar, André Santos, Salomão, Pizzi e Nelson Oliveira asseguram uma equipe competitiva, que pode até terminar abocanhando uma vaga na Liga Europa, ainda que o objetivo real do treinador José Luis Oltra seja o meio da tabela e a permanência. Hoje, o clube alcançou uma marca de mais de 25 mil sócios, algo que não acontecia desde o Superdepor do final do século passado, que ganhou a Liga Espanhola. A depender do estado físico de Valerón, ele será novamente o cérebro do Deportivo, que promete uma temporada promissora.

Espanyol (Pierre Andrade)
Cidade: Barcelona, Catalunha
Estádio: Cornellà El-Prat
Em 2011/2012: 14º colocado
O cara: Verdú (meio-campista, foto)
O treinador: Maurício Pochettino
A promessa: Cristian Gómez (meio-campista)
Principal reforço: Colotto (zagueiro, Deportivo)
Principal perda: Philippe Coutinho (meia-atacante, Internazionale)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-2-3-1): Cristian Alvaréz; Raúl Rodriguez, Colotto, Héctor Moreno, Capdevila; Raúl Baena, Javi López; Sergio García, Verdú, Sergio Tejera; Álvaro Vázquez.

A crise financeira que assola o mundo inteiro também afeta o futebol, especialmente na Espanha. Uns dos clubes que mais sofrem com a escassez de dinheiro é o Espanyol. Por isso, as contratações chegam de pouco em pouco. O pior é que a equipe tem um plantel enxuto, ainda mais após a saída de dez atletas, entre eles o brasileiro Philippe Coutinho e o eslovaco Vladimir Weiss. A alternativa será, por mais uma temporada, recorrer a jovens promessas das divisões de base. Algo que já é do costume de Mauricio Pochenttino, que está no clube há 18 anos e é conhecido por revelar bons jogadores, especialmente no setor defensivo.

Além da falta de atletas, os periquitos sofrem com as constantes lesões. Raúl Baena, Colloto e Sergio García desfalcarão o time no começo da temporada, algo que certamente será sentido. Para não passar por apuros neste ano, mais uma vez o time fará de Cornellà El-Prat uma fortaleza, e com o apoio da sua torcida, espera conquistar pontos importantes em sua casa.

Getafe (Edgley Lemos)
Cidade: Madrid
Estádio: Coliseum Alfonso Pérez
Em 2011/2012: 11º colocado
O cara: Miku Fedor (atacante, foto)
O treinador: Luis García
A promessa: Pablo Sarabia (meio-campista)
Principal reforço: Xavi Torres (meio-campista, Levante)
Principal perda: Cata Díaz (zagueiro, Atlético de Madrid)
Objetivo: vaga na Liga Europa
Time base (4-2-3-1): Moyá; Valera Alexis, Abraham, Miguel Torres; Xavi Torres, Míchel; Pedro León, Diego Castro, Lafita; Miku Fedor.·

Após uma temporada 2011/2012 conturbada, a última foi consideravelmente mais tranquila. O Getafe conseguiu fazer uma temporada sólida e se manteve no meio da tabela. Agora, os planos do presidente Angél Torres são de levar o time a uma competição continental, mais precisamente a Liga Europa. Para isso, o time do subúrbio de Madrid precisava manter a base do bom time da última temporada. E foi o que fez. Conseguiu manter seus principais jogadores, renovou os empréstimos de Moyá (Valencia), Alexis (Sevilla) e Pedro León (Real Madrid) e fez contratações pontuais, como o bom meia Xavi Torres, junto ao Levante, e tenta se mover rapidamente para repor a perda de Cata Díaz ao Atlético de Madrid.

O meio-campista Barrada, destaque da última temporada, tem atraído olhares de alguns clubes. Angél Torres, no entanto, já bateu o pé e disse que só vende o marroquino se for pago o valor de sua multa rescisória (24 milhões de euros). Caso consiga manter Barrada, Luis García terá ótimo material humano em mãos e pode até levar os azulones à Liga Europa.


Granada (Edgley Lemos)
Cidade: Granada, Andaluzia.
Estádio: Nuevo Los Cármenes.
Em 2011/2012: 17º colocado
O cara: Dani Benítez (atacante, foto)
O treinador: Anquela
A promessa: Gabriel Torje (meio-campista)
Principal reforço: Floro Flores (atacante, Udinese)
Principal perda: Carlos Martins (meio-campista, Benfica)
Objetivo: luta contra o rebaixamento
Time base (4-2-3-1): Roberto; Nyom, Iñigo López, Borja Gomez, Guilherme Siqueira; Mikel Rico, Iriney; Dani Benítez, El-Arabi, Orellana; Floro-Flores.

Após uma campanha de fortes emoções e indefinição, o Granada conseguiu se manter na primeira divisão. Contudo, o antigo treinador, Fabriciano González, não faz mais parte da equipe, dando lugar a Juan Antonio Albacete Anquela. Anquela tem à disposição um time limitado, mas que pode conseguir se manter na elite com a ajuda do ala esquerdo Guilherme Siqueira, que fez boa temporada pela equipe andaluz e continua para a 2012/2013, apesar dos rumores de que se transferiria para o Valencia. Além dele, o novo treinador também conta com o atacante experiente Floro Flores, emprestado pela Udinese, e com o jovem meia romeno Gabriel Torje para evitar o descenso.

No entanto, Anquela não poderá contar com o goleador Dani Benítez, que está suspenso até novembro. Benítez é elemento chave na equipe do Granada. Homem-gol e ídolo da torcida, está, contudo, suspenso pela Federação Espanhola por ter atirado uma garrafa em Clos Gómez, um dos árbitros da partida entre Granada e Real Madrid na penúltima rodada de 2011/2012. Anquela e a torcida do Granada certamente esperam que a garrafada no árbitro não custe caro demais durante a temporada.

Levante (Victor Mendes)
Cidade: Valencia
Estádio: Ciutat de Valencia
Em 2011/2012: 6º colocado
O cara: José Javier Barkero (meio-campista, foto)
O treinador: Juan Ignácio Martínez
A promessa: José Higón (meio-campista)
Principal reforço: Christian Lell (zagueiro,  Hertha Berlin)
Principal perda: Aruna Koné (atacante, Wigan)
Objetivo: permanência na elite
Time base (4-2-3-1): Munúa; Lell, Ballesteros, David Navarro, Juanfran; Iborra, Papa Diop; Pedro Rios, Juanlu, Barkero; Gekas.

EuroLevante. Pela primeira vez em 103 anos de história, a equipe azulgrená do leste de Valencia irá disputar uma competição europeia. Sensação do futebol espanhol em 2011/2012 (e, quem sabe, de todo futebol europeu), os granotas conseguiram uma vaga na Liga Europa após ter ficado as 38 rodadas do campeonato entre as oito primeiras posições. Apesar dessa magnífica campanha, o conjunto de Orriols é consciente de suas limitações e da dificuldade em alcançar novamente os postos europeus pelo segundo ano consecutivo. Assim como na temporada passada, o objetivo inicial do Levante é a permanência na elite. O presidente Quico Catalán tratou de dar continuidade ao projeto esportivos que trouxe bastante alegria aos torcedores.

Juan Ignácio Martínez, treinador que se adaptou bem aos vestiários após a ida de Luis García ao Getafe, renovou por mais um ano. A perda irreparável de Koné, autor de 17 gols na temporada passada, foi reposta rápida com a contratação do veterano atacante grego Gekas. A situação não é nova. Há duas temporadas, o Levante perdeu Javi Guerra e encontrou em Caicedo um substituto perfeito. O equatoriano foi o principal jogador azulgrená e acabou vendido ao Lokomotiv Moscou para fazer caixa. Se Gekas der prosseguimento ao faro de gol de Koné, a equipe estará bem sucedida. Assim, o Levante irá tentar fazer um bom papel na Liga Europa e se consolidar como equipe de primeira divisão pelo terceiro ano consecutivo.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Balanço Final: Análise da temporada (primeira parte)

 Cristiano Ronaldo dá o ok: ele foi a estrela do Real Madrid campeão da Liga Espanhola (getty images)

Real Madrid x Barcelona, Barcelona x Real Madrid. O Campeonato Espanhol tem se limitado a isso nas últimas quatro temporadas. Ainda assim, a temporada 2011/12 teve suas novidades. Primeiro, que o vencedor do duelo entre os dois gigantes não foi catalão. Segundo, porque o segundo pelotão da Espanha mostrou força. Se não o fez em La Liga, usou a Liga Europa para tal. Valencia, Atlético de Madrid e Athletic Bilbao chegaram às semifinais da segunda competição de clubes do continente, sendo que os dois últimos decidiram o título. E, na parte de baixo da tabela, o que parecia uma luta que se definiria rapidamente viu mudanças de última hora, com um gol no último minuto da última rodada rebaixando uma das principais forças do país desde a virada do século.

REAL MADRID
Classificação: campeão (vaga na Liga dos Campeões)
Copa nacional: quartas de final
Copas europeias: Liga dos Campeões (semifinais)
Destaque: Cristiano Ronaldo (foto, Getty Images)
Revelação: nenhuma
Decepção: Kaká
Nota da temporada: 8,5
O Real Madrid só se sentirá plenamente satisfeito quando voltar a conquistar a Liga dos Campeões. Aí, a torcida terá certeza que o clube atingiu seu potencial, que o dinheiro investido realmente deu retorno. Mas, tirando o fato de a LC ter ido para Londres, a temporada 2011/12 foi muito positiva para os merengues. O clube recuperou o título espanhol e, melhor ainda, mostrando autoridade e superioridade diante do Barcelona. Só o fato de ter deixado o grande rival para trás já legitima o trabalho de José Mourinho, e dá confiança para o trabalho seguir seu curso natural em Chamartín.

BARCELONA
Classificação: vice-campeão (vaga na Liga dos Campeões)
Copa nacional: campeão
Copas europeias: Liga dos Campeões (semifinais)
Destaque: Lionel Messi (foto, Getty Images)
Revelação:
Decepção: Pedro Rodríguez
Nota da temporada: 7
O Barcelona caiu na Liga dos Campeões por uma fatalidade (Messi perdeu um pênalti) e levou a Copa do Rei, mas a temporada termina com um sabor amargo no Camp Nou. O Barcelona deu sinais de desmotivação durante o Campeonato Espanhol, perdendo pontos bobos por falta de concentração. Além disso, mostrou vulnerabilidade no jogo de volta contra o Real Madrid e um raro descontrole emocional contra o Chelsea, sobretudo no jogo de volta das semifinais da LC. Para completar o ano ruim (na verdade, um ano “menos bom”), o técnico Pep Guardiola anunciou que não ficará em Les Corts. O clima não termina bom, e há uma expectativa de que a próxima temporada será mais turbulenta.

VALENCIA
Classificação: 3º (vaga na Liga dos Campeões)
Copa nacional: semifinais
Copas europeias: Liga dos Campeões (fase de grupos) e Liga Europa (semifinais)
Destaque: Roberto Soldado (foto, Getty Images)
Revelação: Bernat
Decepção: Dani Parejo
Nota da temporada: 7
Não foi bom, mas não foi ruim. O Valencia ficou no quase em boa parte da temporada. No Campeonato Espanhol, despontou como terceiro colocado com folga, mas teve uma série de maus resultados que obrigou o time a suar nas rodadas finais para evitar o vexame de perder uma vaga ganha na Liga dos Campeões. Na Liga dos Campeões, só foi eliminado na última rodada da fase de grupos (perdendo para o Chelsea, que se tornaria campeão). Na Copa do Rei, deu muito trabalho ao Barcelona (que também se tornaria campeão) e, na Liga Europa, caiu nas semifinais para o Atlético de Madrid (que, adivinha!, também se tornaria campeão). Tecnicamente, também foi um time que ficou no quase. A dupla de ataque (Jonas e Soldado) funcionou muito bem. A defesa teve seus bons momentos. O problema é que o meio-campo se ressentiu da temporada fraca de Pablo Hernández e não deu o dinamismo que o time precisou em alguns momentos. Nas más fases, até o cargo do técnico Unai Emery foi contestado pela torcida, mas é um time com boa estrutura para o futuro.

MÁLAGA
Classificação: 4º (vaga na Liga dos Campeões)
Copa nacional: oitavas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Santiago Cazorla (foto, Getty Images)
Revelação: José Récio
Decepção: Diego Buonanotte
Nota da temporada: 7,5
Pelo dinheiro gasto pelos donos catarianos, o mínimo que se exigia do Málaga era classificar para a Liga dos Campeões. Bem, o objetivo foi cumprido e a nota 7,5 se deve muito a isso. Mas não é um time brilhante, que jogue um futebol proporcional ao dinheiro que custou. O ataque é econômico, mas se virou bem com as bolas paradas de Cazorla (9 gols direto, 4 assistências) e o oportunismo de Rondón (11 gols, 4 assistências). A dupla compensou a baixa produtividade de jogadores como Julio Baptista e Ruud van Nilstelrooy e a própria falta de motivação de veteranos contratados apenas pela grife. A própria vaga na LC só chegou devido ao bom aproveitamento em casa (só Barcelona e Real Madrid foram melhores) e à perda de foco de Atlético de Madrid e Athletic Bilbao devido à Liga Europa.

ATLÉTICO DE MADRID
Classificação: 5º (vaga na Liga Europa)
Copa nacional: quarta fase (1/32 de final)
Copas europeias: Liga Europa (campeão)
Destaque: Radamel Falcao García (foto, Reuters)
Revelação: Thibaut Courtois
Decepção: Silvio
Nota da temporada: 8
Nenhuma equipe foi tão instável na temporada espanhola. O Atlético de Madrid teve altos e baixos muito agudos, o que dificulta uma avaliação muito clara do que o time fez durante nos últimos 12 meses. O ataque dependeu demais de Adrián e Diego na armação e Falcao García na finalização. Na defesa, os colchoneros sofreram na primeira metade do campeonato, quando Gregorio Manzano não estabelecia seu quarteto titular. Com a entrada de Diego Simeone, a linha Juanfran-Miranda-Godín-Filipe Luís se consolidou, a produção defensiva aumentou consideravelmente e a equipe cresceu como um todo. Aí veio a arrancada que levou ao título da Liga Europa e quase a uma vaga na Liga dos Campeões. No final, o saldo é positivo, ainda que seria melhor se não tivesse perdido tempo na primeira metade da temporada.

LEVANTE
Classificação: 6º (vaga na Liga Europa)
Copa nacional: quartas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Barkero (foto, Mundo Deportivo)
Revelação: Nabil El Zhar
Decepção: Asier del Horno
Nota da temporada: 8,5
Nenhum clube espanhol superou mais as expectativas iniciais que o Levante. O segundo clube de Valência deu uma arrancada nas rodadas iniciais, bateu o Real Madrid, e chegou a ocupar a liderança. Claro que não aguentou muito tempo, mas teve fôlego para brigar por uma vaga na Liga dos Campeões até a última rodada. E tudo isso com um time velho: dos 15 jogadores que mais atuaram na temporada, dez tinham mais de 30 anos. Um fato notável, de uma equipe tecnicamente fraca, mas que soube se montar em torno de uma defesa aguerrida.

OSASUNA
Classificação:
Copa nacional: oitavas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Álvaro Cejudo (foto, El País)
Revelação: Ibrahima Baldé
Decepção: Damiá
Nota da temporada: 6,5
Faltou uma pincelada de técnica. O Osasuna é uma equipe muito aguerrida, que consegue bons resultados em casa (apenas Real Madrid e Barcelona perderam menos como mandante) e sempre fica no meio da tabela. Mas, quando precisa de um pouco mais de talento para brigar por uma vaga em competições europeias, fica pelo caminho. É um time de jogo pesado e lento, que precisa de mais dinamismo em alguns momentos. Mas, quando pode colocar a partida em seus termos, tem bons resultados. Curiosidade: os navarros foram os últimos do Campeonato Espanhol em aproveitamento de passes (67,1%, menos até que o Racing de Santander), mas o primeiro em vitórias nos duelos pelo alto (18,6 por jogo).

MALLORCA
Classificação:
Copa nacional: quartas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Gonzalo Castro (foto, Bermellones)
Revelação: Pedro Bigas
Decepção: Akihiro Ienaga
Nota da temporada: 7
Equipe que fez campanha discreta, praticamente se instalando no meio da tabela. Não fez nada de notável, até vencer quatro jogos seguidos na reta final e, de repente, se colocar na briga por um lugar na Liga Europa. Não teve sucesso, mas já foi muito para um time de elenco enxuto e pouco talento. O brilho ficou com a defesa, a quinta melhor do campeonato, que segurou a onda de um ataque pouco produtivo (o sexto pior).

SEVILLA
Classificação:
Copa nacional: oitavas de final
Copas europeias: Liga Europa (fase preliminar)
Destaque: Jesús Navas (foto, Getty Images)
Revelação: Antonio Luna
Decepção: José Antonio Reyes
Nota da temporada: 5
Já foi um time empolgante e brilhante, mas o Sevilla de hoje é um arremedo do bicampeão da Copa da Uefa no final da década passada. A equipe é burocrática e joga sem a confiança e a motivação de quem se considera capaz de brigar por um lugar na Liga dos Campeões. Além disso, há tempos não apresenta um talento que empolgue pelo potencial. A aposta em Reyes não funcionou, Kanouté foi inoperante e nunca pareceu um candidato viável às primeiras posições, mesmo quando a pontuação permitira sonhar.

ATHLETIC BILBAO
Classificação: 10º
Copa nacional: vice-campeão (vaga na Liga Europa)
Copas europeias: Liga Europa (vice-campeão)
Destaque: Fernando Llorente (foto, Getty Images)
Revelação: Ibai Gómez
Decepção: Carlos Gupergui
Nota da temporada: 7
Foi o terceiro time do campeonato em posse de bola e o quarto em acerto de passes. Foi também o clube que recebeu menos cartões vermelhos, apenas dois (empatado com Mallorca, Rayo Vallecano e Granada). É uma equipe que joga bonito, e se orgulha disso. Ainda assim, a classificação final não mostra isso. O Athletic de futebol vistoso e envolvente que Marcelo Bielsa montou, que teve jovens de talento como Muniain ganhando mais espaço no cenário internacional, que bateu o Manchester United duas vezes, só apareceu no Campeonato Espanhol em poucos momentos. Compreensível. Com um elenco enxuto, o técnico argentino teve de priorizar as competições no calendário. Preferiu as que o Athletic tinha chance de título (Liga Europa e Copa do Rei, foi vice em ambas) e deixou o segundo turno do Espanholão em segundo plano. As chances de classificação para a Liga dos Campeões, um objetivo viável, se perdeu. Mas é um grupo de futuro.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O Real Madrid inspirou o Atlético de Madrid

 Em Neptuno, a festa é do Atléti. Bi-campeão da Liga Europa, colchoneros se inspiraram o rival merengue para bater Athletic Bilbao (getty images)

Há três semanas, o Real Madrid foi ao Camp Nou para vencer o Barcelona e sentenciar o campeão espanhol da temporada. Ao vencer por 2x1, os merengues, paralelamente, deixaram uma lição ao rival Atlético de Madrid. Para parar um futebol baseado na troca de passes, é preciso inteligência, aplicação tática e acerto na hora do contra-ataque. Foi assim que os principais clubes de Madrid conseguiram seus maiores resultados na temporada. Os colchoneros, jogando de maneira semelhante, conquistaram o bi-campeonato da Liga Europa ao derrotar o Athletic Bilbao, equipe espanhola que mais próxima chega do estilo de jogo barcelonista.

Embora diga bastante sobre as equipes, a estatística menos relevante do confronto foi a posse de bola, que, claro, ficou com o conjunto basco em 63% do tempo. O número não significa que o Athletic Bilbao, segundo time que mais troca passes na Liga BBVA, tenha sido melhor, pelo contrário. O Atlético de Madrid simplesmente abdicou da bola e apostou na força da trinca do meio-campo formado por Diego, Adrián e Arda Turan, que impusseram aos rojiblancos de Bilbao uma avalanche futebolística que a equipe de Bielsa ainda não havia presenciado na Liga Europa. Na frente, bola para Falcão que ele decide. Foram dois gols que ratificaram a artilharia da competição pela segunda temporada consecutiva. Também pela segunda temporada consecutiva, El Tigre marca na final e é campeão. Literalmente, o Mister Europe League, como é chamado.

A estratégia dos colchoneros, executada à perfeição, era evidente: desarmar e acionar os meio-campistas pelo flanco ou o artilheiro no comando do ataque, já que o Athletic Bilbao descia ao ataque desesperado, deixando a retaguarda desprotegida. Porém, assim como o Real Madrid no Camp Nou, o Atléti jamais se limitou a ficar apenas na defesa. Com a bola, o time de Simeone sabia o que fazer. Gabi e Suárez foram perfeitos na volância, combatendo Iturraspe e Ander Herrera. A dupla do Bilbao, aliás, ficara extremamente preocupado com Diego, Arda Turan e Adrián López em determinados momentos do jogo.

Por exemplo, o estilo de jogo dos Leones passa necessariamente pelo encaixe de seus meio-campistas. Em Bucareste, Ander foi decepção, pois não criou nada, mostrou-se nervoso, errou finalizações bobas e foi substituído cedo. Assim, Llorente passou despercebido e foi presa fácil para Miranda, que, talvez, fez sua melhor partida na temporada e na carreira no Atlético de Madrid. Susaeta, pela direita, foi anulado por um Filipe Luís que cada vez parece mais com aquele do Deportivo La Coruña que quase acabou contratado pelo Barcelona. Apenas Muniain tentou e teve (pouco) sucesso. A entrada de Ibai Gómez e Iñigo Pérez no segundo tempo foi uma alternativa de Bielsa para colocar velocidade pelos flancos do campo. Com o meio-campo congestionado, as inflitrações seriam necessárias para bater a meta de Courtois.

A escolha da postura e sua execução do Atlético de Madrid foram ótimas. Méritos para Simeone, que pegou uma equipe eliminada na Copa do Rei para o pequeno Albacete (no Vicente Calderón, vale lembrar) e a transformou na campeã da Liga Europa pela segunda vez em três anos. É um time totalmente diferente da época de Manzano. Simeone ajustou a defesa, soube usar o jogo de seus laterais e, sobretudo, apostar no contra-ataque, talvez maior mérito de El Cholo desde seu retorno a Manzanares. A jogada, que inexistiu com Manzano, foi, para muitos, a principal responsável pelo título. Agora, como bem avisou Simeone, é hora de esquecer um pouco o título e seguir adiante na Liga. Contra o Villarreal, na última rodada, os rojiblancos entram em campo necessitando da vitória e torcendo para uma derrota do Málaga para fechar a temporada com chave de ouro: a vaga na Liga dos Campeões da Uefa.

Ao Athletic Bilbao, resta levantar a cabeça. A base é boa, promissora e mostrou ao mundo um dos mais belos futebol da temporada. O País Basco, certamente, está orgulhoso do time. Cair é permitido, claro, mas se levantar é essencial. O choro dos jogadores ao término da partida foi comovente, mas tem mais final pela frente, ainda que seja difícil derrotar o Barcelona, que vem à todo na despedida do Guardiola. Ainda não era hora de título, entretanto a taça pode estar próxima de Gabarra. "Voltamos já", disse Marcelo Bielsa, que deve ter seu contrato renovado. A Liga Europa o espera, Athletic.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Vamos a Bucareste

Athletic Bilbao e Atlético de Madrid garantiram seus bilhetes para Bucareste ao eliminarem, respectivamente, Sporting de Lisboa e Valencia. No Mestalla, os colchoneros atuaram com inteligência, foram atacados à exaustão na primeira etapa, mas mataram a partida e esfriaram os ânimos chés no segundo tempo, num balaço de Adrián. Por sua vez, o Athletic Bilbao teve mais trabalho. Derrotado no jogo de ida, abriu o placar, mas viu os lisboetas empatarem e deixarem a Catedral de San Mamés numa situação tensa. Mas Llorente, nome do jogo, apareceu nos minutos finais para explodir o estádio, fazer a festa e chorar de emoção ao levar os Leones à grande final. Veja por que você deve assistir à final da Liga Europa, em 9 de maio.

 Dramático: Athletic Bilbao conseguiu classificação à final da Liga Europa aos 44 minutos do segundo tempo (getty images)

Prêmio ao futebol arte. É unanimidade a todos que a equipe que mais desempenha o dito futebol arte na competição é o Athletic Bilbao. A equipe mostrou duas virtudes irrefutáveis ao longo do torneio. A primeira é individual, de ótimos jogadores como Javi Martínez, De Marcos, Muniain, Susaeta, Ander Herrera e Llorente, que derrubam o conceito preconceituoso de que o clube, limitado a atletas bascos, não pode competir em alto nível. A segunda e mais importante é coletiva: os habituais ataques em bloco, pressão à defesa adversária e zelo com a posse de bola que fazem de Marcelo Bielsa um treinador brilhante.

Para entrar para a história. Marcelo Bielsa, em sua primeira temporada no clube, tem tornado-se um ídolo na cidade de Bilbao. Além da elogiável concepção de futebol, El Loco é profissional e detalhista a ponto de ter assistido a 126 horas de seu time em ação para traçar perfis do elenco e conhecer um terreno que se apresentou como um desafio inédito em sua carreira. Uma das inspirações de Pep Guardiola, o argentino é valorizado agora pela capacidade de implantar ideias que fogem ao trivial mesmo em equipes com recursos bem mais escassos que os do Barcelona. A oportunidade de disputar duas finais logo de cara é o passaporte que o argentino recebeu para entrar para a história do clube rojiblanco.

Um título para Llorente. El Rey León. O jogador preferido dos aficionados bascos vem se mostrando decisivo há bastante tempo. Suas belas atuações chamaram a atenção de Del Bosque, e o centroavante esteve no elenco campeão mundial. Dois anos depois, é cotado até para ser titular na Eurocopa. Porém, falta preencher uma lacuna: ser campeão pelo seu clube. Em terras de Real Madrid e Barcelona, essa missão é quase impossível, mas Llorente nunca desistiu. Recusou convites de clubes ingleses e agora tem a oportunidade de realizar seu sonho. Seu choro após o término do jogo contra o Sporting revela o árduo caminho que percorreu até que chegasse esse dia.

Jogando com inteligência, Atlético de Madrid despacha Valencia novamente e vai atrás do bicampeonato da Liga Europa (reuters)

Falcão García e Adrián López. Se do lado bilbaíno há El Rey León, no madrilenho tem El Tigre. Falcão García já havia entrado para a história da Liga Europa na temporada passada. Campeão com o Porto, foi artilheiro com 17 gols, superando a marca história de Klinsmann. O melhor jogador do Atlético de Madrid na temporada tem a oportunidade de ser bicampeão e conquistar de vez o coração dos torcedores colchoneros. Seu grande companheiro é Adrián López, artilheiro da atual edição da Liga Europa. Campeão europeu com a Espanha Sub-21, Adrián tem números bons e pode conquistar seu primeiro título na carreira em clubes. Será uma final especial para o atacante.

Não subestime o Atlético de Madrid. Os holofotes estão voltados ao Athletic Bilbao, pelo motivo explicado no primeiro tópico. Mas não cometam o erro de subestimar o Atlético de Madrid e, num provável título rojiblanco, levar propensão à zebra. Os colchoneros sabem como jogar a Liga Europa. Em âmbito europeu, estão invictos há 11 jogos, onde ganharam todos, e conquistaram a competição há duas temporadas. É time de chegada, tem um meio-campo forte e aguerido capaz de parar a troca de passes bilbaína e um contra-ataque fatal. Na Liga Espanhola, no último confronto entre as equipes, ganhou por 2x0.

Simeone merece. A chegada de El Cholo ao comando técnico do Atléti foi um divisor d'águas para o time. Fadado ao fracasso com Manzano, os rojiblancos se recuperaram de maneira espetacular e chegam a segunda final europeia em três anos. O argentino, que foi campeão com o Atlético de Madrid como jogador, vê que o status de ídolo do clube permanece intacto As comemoração efusiva do treinador com a vaga na decisão certamente serão multiplicadas em caso de conquista. O entusiasmo dele é emocionante.