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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Grande Deportivo

 Bom início do Deportivo é fruto do trabalho feito por José Luis Oltra. Equipe tem condições de conseguir vaga na Liga Europa (getty images)

Dois jogos, uma vitória, um empate, cinco gols marcados, três sofridos. Esses são os números do Deportivo, que mostrou uma grande capacidade de reação no final de semana, contra o Valencia, no Campeonato Espanhol. Os galegos foram para o intervalo perdendo por dois gols de diferença num estádio onde, historicamente, não costuma se dar bem, mas teve méritos e construiu o empate com naturalidade e base na paciência. Um soberbo Abel Aguillar guiou o Depor, que termina a rodada entre os cinco primeiros colocados. A posição favorável e a boa partida em Paterna não surpreende pelo louvável trabalho feito em La Coruña.

Mais do que qualquer um, o consciente técnico José Luis Oltra sabe que, por mais que uma equipe seja dominante na Liga Adelante, ela precisa se reforçar para disputar a elite. O Deportivo sobrou na segundona na temporada passada e voltou à primeirona se reforçando. Foram nove contratações neste verão: Abel Aguillar, Evaldo, Salomão, André Santos, Pizzi, Nelson Oliveira, Roderick, Marchena e Camuñas. Marchena era a principal figura da sólida defesa de dois anos atrás do Villarreal e do Valencia campeão espanhol em 2004. Ironicamente, ele anotou um gol ante a equipe onde foi revelado, mas não comemorou e ainda foi aplaudido pelos torcedores. Abel Aguillar tem se destacado neste início de campanha. Escalado mais recuado do que em relação à época de Hércules, o colombiano dita o ritmo do jogo no Depor ao lado do experiente Valerón.

Os dois reforços ao ataque foram cirúrgicos. Nelson Oliveira e Pizzi, entre outros motivos, são bons concorrentes ao irregular Riki, que tem a confiança de Oltra e iniciou como titular contra Osasuna e Valencia. A revelação portuguesa já deixou o aviso: quer ganhar a vaga de titular. Ele saiu do banco dando outra mobilidade ao ataque nos dois jogos. Na estreia, anotou um golaço no Riazor. Associadas às boas fases dos meio-campistas, as novas caras dão confiança a Oltra para jogar com três homens de meio-campo, o que ele evitava há algum tempo. No entanto, o treinador vive um paradoxo: o 4-2-3-1 não rendeu tanto quanto o 4-4-2. A maior prova disso foi o domínio territorial exercido contra o Valencia na segunda tática.

Se mantiver o 4-4-2 clássico na maior parte dos jogos, Oltra ajuda demais suas estrelas. Abel Aguillar passa a jogar no setor onde mais gosta, aberto pela esquerda e impondo bastante velocidade ao setor. Camuñas, aberto pelo outro flanco, deve mostrar mais serviço quando utilizado. Sua passagem pelo Villarreal não foi positiva devido ao fato da equipe ter virado uma zona, mas o bom futebol mostrado no Osasuna dá margem a confiança. Potencial, ele tem. Pizzi finaliza bem e é mais efetivo com um parceiro. Ao contrário de Adrián López, do Atlético de Madrid, que atua aberto à direita no clube rojiblanco e é improvisado de falso nove na seleção sub-21, o português melhora o rendimento quando adiantado ao ataque.

Com intensidade e consciência do que pode fazer, o Deportivo tem outro objetivos no campeonato: alçar uma vaga à Liga Europa é possível. É a antítese do adversário de estreia, o Osasuna, que está mais enfraquecido em relação aos outros anos e não deve sair do meio da tabela - apesar da boa partida contra o Barcelona. Os blanquiazules, ao contrário, têm os pés no chão e sabem que os pontos podem vir de qualquer lugar: se conseguiu o empate no Mestalla, tem condições, por exemplo, de fazer bonito no Ramón Sanchéz Pizjuan e no Vicente Calderón. É uma equipe que sabe o que fazer com a bola e pode surpreender os gigantes na Galícia, sobretudo o Real Madrid, que venceu lá apenas uma vez em 14 anos. No Riazor é trabalho, meu filho.

Seleção da 2ª rodada
Andréz Fernandez (Osasuna); Valera (Getafe), Marchena (Deportivo), Alexis (Getafe), Miguel Torres (Getafe); Trochowski (Sevilla), Abel Aguillar (Deportivo), Lamah (Osasuna), Jonas (Valencia); Soldado (Valencia), Falcão García (Atlético de Madrid). Treinador: Luis García (Getafe)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Guia: Liga BBVA (parte 1)


 Pela primeira vez em quatro anos, o Real Madrid inicia a Liga Espanhola defendendo o título. Irá conseguir a manuntenção da taça ou sucumbirá ao Barcelona de Tito Vilanova? (reuters)

Neste sábado, dia 18, está previsto o pontapé inicial da Liga BBVA 2012/2013, com o duelo entre Málaga e Celta Vigo. Após a ameaça de boicote de 13 clubes em relação aos direitos televisivos do torneio e à realização de oito partidas das três primeiras rodadas às 23 horas, a federação e as sociedades entraram em acordo para a disputa da rodada. Em campo, nada irá mudar: mais uma vez, Barcelona e Real Madrid irão polarizar o campeonato à parte entre as duas equipes. E, desta vez, de maneira diferente em comparação aos outros anos: quem irá defender o título é a equipe merengue.

A terceira força espanhola continua a cargo do Valencia. Os chés se reforçaram bastante e têm a missão de diminuir a alta vantagem em relação ao segundo colocado. Um pouco atrás aparece o Atlético de Madrid, que pretende incomodar o pelotão de cima e brigar pau-a-pau com o clube valenciano pela terceira colocação. Um Athletic Bilbao prestes a perder Javi Martínez e Llorente pode sofrer, mas ainda sim pretende disputar uma vaga na Champions League, ainda que como azarão. No pelotão intermediário, Deportivo, Osasuna, Celta Vigo, Real Sociedad e Espanyol prometem vida dura a qualquer visitante que adentrem seus domínios. E ainda tem o Sevilla, que possui bons jogadores no elenco, mas carece de fantasia. Os andaluzes têm time para brigar pela principal competição europeia de clubes?

Faltando pouco mais de duas semanas para o fim do mercado, muita água ainda deve rolar. O Real Madrid pode garantir, depois de tantas especulações, o croata Luka Modric. O Barcelona, por sua vez, está a um passo de oficializar a contratação de Alex Song. O Valencia pode completar seu elenco com Monreal e mais um meio-campista, enquanto o Athletic Bilbao tentará investir o dinheiro das prováveis venda de Javi Martínez e Llorente em Antoine Griezmann e Beñat Etxebarria, dois ótimos meio-campistas.

Assim como no ano passado, repetiremos a parceria de enorme sucesso com o Futebol Espanhol de Pierre Andrade. Edgley Lemos, colaborador do site, também embarca nesses dois posts especiais de apresentação das 20 equipes da primeira divisão espanhola. E se você é muito fanático pelo futebol da terra das touradas, não deixe de ler nosso preview da Liga Adelante, clicando aqui. Boa leitura!

Athletic Bilbao (Victor Mendes)
Cidade: Bilbao, País Basco
Estádio: Catedral de San Mamés
Em 2011/2012: 10º colocado
O cara: Iker Muniain (meio-campista, foto)
O treinador: Marcelo Bielsa
A promessa: Ruiz de Galarreta (meio-campista)
Principal reforço: Aritz Aduriz (atacante, Valencia)
Principal perda: -
Objetivo: vaga na Champions League
Time base (4-2-3-1): Iraizoz; Iraola, Amorebieta, Javi Martínez (Ekiza, San José, Gurpegi), Aurtenetxe; Iturraspe, Ander Herrera; Susaeta, De Marcos, Muniain; Llorente (Aduriz)

Após uma temporada gratificante em 2011/2012, o Athletic Bilbao promete mais. Passada a novela com Marcelo Bielsa, que decidiu renovar por mais um ano, os Leones estão prestes, no entanto, a perder dois de seus principais jogadores: Javi Martínez e Llorente (por isso, o destaque do time ficou nas mãos de Muniain). O zagueiro-volante está bem perto do Bayern de Munich, enquanto o centroavante está de partida para a Juventus. Fato é que o Athletic ainda possui uma boa equipe titular e pode chegar com mais força. O problema é até onde a questão física dos jogadores pode atrapalhar na reta final.

Praticamente sem reservas de boa qualidade, o time e o esquema se desgastam a certa altura. O Bilbao precisa de peças de reposição para possíveis lesões e alternativa a Llorente. Aduriz foi repatriado e se identifica com o clube a torcida. O bom Beñat, do Bétis, foi especulado e seria uma excelente aquisição para o já brilhante meio-campo, mas nada saiu do papel, assim com Griezmann. O certo é que o Bilbao precisar ir além de uma boa temporada em copas. Melhorar o aproveitamento sobretudo em San Mamés é o primeiro passo. Devido ao fato de ter dado mais importância à Liga Europa, os rojiblancos desperdiçaram pontos bobos atuando em seus domínios.

Atlético de Madrid (Pierre Andrade)
Cidade: Madrid
Estádio: Vicente Calderón
Em 2011/2012: 5º colocado
O cara: Falcão Garcia (atacante, foto)
O treinador: Diego Simeone
A promessa: Olíver Torres (meio-campista)
Principal reforço: Emre (meio-campista, Fenerbahçe)
Principal perda: Diego (meio-campista, Wolfsburg)
Objetivo: Vaga na Champions League
Time base (4-2-3-1): Courtois; Juanfran, Miranda, Godín, Filipe Luís; Gabi, Mario Suárez; Adrián, Arda Turan, Emre; Falcão Garcia

Nos últimos tempos, o Atlético de Madrid se caracterizou por encher de esperanças a torcida no começo da temporada e decepcioná-la ao término. Todavia, neste ano as coisas tendem a ser diferentes. Com a manutenção da equipe que conquistou o bicampeonato da Europa League, o Atlético entra forte para disputar com o Valencia o terceiro posto da Liga. Porém, com uma importante baixa. Sem participar da Champions League por dois anos consecutivos, os rojiblancos não conseguiram manter Diego, que fez uma temporada impecável pela equipe da Manzanares. O brasileiro era o cérebro do time, posto que deve ser ocupado por Arda Turan, atuando mais centralizando em campo.

No comando da equipe está Simeone, que conta com total apoio da torcida e da direção do clube. Não é para menos. Desde a sua chegada, o Atlético ganhou consistência tática e solidificou sua defesa. Outro que continuará é Falcão Garcia. Com um tremendo faro goleador, El tigre despertou o interesse dos maiores clubes da Europa, mas preferiu continuar. O jovem Olíver Torres atuou bem na pré-temporada e deve entrar gradativamente no time.

Barcelona (Victor Mendes)
Cidade: Barcelona, Catalunha
Estádio: Camp Nou
Em 2011/2012: 2º colocado
O cara: Lionel Messi (atacante, foto)
O treinador: Tito Vilanova
A promessa: Sergi Roberto (meio-campista)
Principal reforço: Jordi Alba (lateral-esquerdo, Valencia)
Principal perda: -
Objetivo: título
Time base (4-3-3): Víctor Valdés; Daniel Alves, Piqué, Puyol, Alba; Busquets, Xavi, Iniesta; Alexis Sánchez, Messi, David Villa (Fàbregas).

Melhor time do mundo? Durante os últimos quatro anos, ninguém ousou em definir o Barcelona dessa forma. No entanto, bastou uma temporada sem os principais títulos para colocarem em xeque o futuro da era vitoriosa de Messi, Xavi e Iniesta na Catalunha. Sem Josep Guardiola, o novo treinador Tito Vilanova tem a dura missão de recolocar os azulgrenás no topo. Elenco para isso, ele tem. Da equipe titular, Vilanova não perdeu ninguém e ainda fechou a contratação de Alba, melhor lateral esquerdo da competição passada e da Eurocopa. A zaga, por outro lado, não teve uma atenção tão forte no mercado. Principal ponto fraco da equipe, os blaugranas sondaram Javi Martínez e Thiago Silva, mas o alto valor pedido pelas suas respectivas equipes fez com que o clube desistisse. 

A profundidade do elenco sempre foi um tema debatido durante a Era Guardiola. Na temporada passada, o treinador encheu a equipe de improvisações devido ao fato de não contar com muitas peças de reposição ou, quando as teves, perdê-las por lesão. Os retornos de Villa e Afellay mais a iminente chegada de Song dará mais qualidade e quantidade ao plantel. Ainda há quem especule Agger. Vilanova tem o carinho dos senadores barcelonistas e está no caminho certo para ter sucesso no Camp Nou. Para isso, precisa rezar, principalmente, para que as lesões não afete o desempenho de seu comandados.
Bétis (Edgley Lemos)
Cidade: Sevilla, Andaluzia
Estádio: Benito Villamarín
Em 2011/2012: 13º colocado
O cara: Beñat Etxeberria (meio-campista, foto)
O treinador: Pepe Mel
A promessa: Alejandro Pozuelo (meio-campo)
Principal reforço: Paulão (zagueiro, Saint-Étienne)
Principal perda: Iriney (meio-campo, Granada)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-2-3-1): Casto; Nelson, Paulão, Dorado, Nacho; Beñat, Rubén Perez; Agra, Campbell, Juan Carlos; Rubén Castro.

Na última temporada, o Bétis conseguiu se manter no meio da tabela ficando numa posição bem tranquila. Para esta temporada, a expectativa mais otimista deve ser novamente o mesmo lugar. A debandada de alguns jogadores como Ustaritz, que retornou ao Bilbao após o fim do empréstimo à equipe andaluz, e Iriney, meio-campista brasileiro que se transferiu para o Granada, deixa o Bétis de mãos atadas. O dinheiro está mais curto que na última temporada; portanto, as contratações terão de ser pontuais, já que a temporada está batendo à porta.

A defesa é, sem dúvidas, o setor mais necessitado de reforços. A falta de, pelo menos, dois bons zagueiros e um lateral direito não podem deixar de ser sentida. No meio-campo, falta um jogador de criação para substituir Iriney e ser alternativa ao Beñat. Alejandro Pozuelo, cria do Bétis, é uma aposta interessante, mas ainda é jovem. Resta aos “aficionados” torcerem para que a diretoria consiga suprir as necessidades do time para que o início de temporada não seja desastroso, resultando em novo rebaixamento.


Celta Vigo (Pierre Andrade)
Cidade: Vigo, Galícia
Estádio: Balaídos
Em 2011/2012: 2º colocado na Liga Adelante
O cara: Iago Aspas (atacante)
O treinador: Paco Herrera
A promessa: Jonny Castro (lateral-direito)
Principal reforço: Javi Varas (goleiro, Sevilla)
Principal perda: Orellana (meio-campista, Granada)
Objetivo: Meio da tabela
Time base (4-2-3-1): Javi Varas; Hugo Mallo, Tuñez, Gustavo Cabral, Roberto Lago; Bustos, Obiña; Augusto Fernández, Bermejo, Alex López; Iago Aspas

Apesar de ficar cinco anos longe da elite, o Celta é um dos times mais tradicionais da Espanha, tendo disputado a principal divisão do país em 46 oportunidades. Sendo assim, a direção do clube colocou como meta terminar na parte de cima da tabela, e, se possível, beliscar uma vaga nas competições europeias. Para isso, está se reforçando. Trouxe o goleiro Javi Varas, melhor do primeiro semestre em 2011, por empréstimo junto ao Sevilla, e assinou por quatro anos com o meia Augusto Fernández, que atuava no Velez Sasfield, da Argentina. 

Se mantiver em seu elenco os cobiçados Hugo Mallo e Iago Aspas, o Celta terá uma bom time para disputar La Liga. Mas o principal reforço do clube vem das arquibancadas do Balaídos. Contentes com a ascensão de divisão, os célticos esgotaram os 22.800 carnês disponibilizados para a venda, garantindo, assim, casa cheia em cada partida do time em Vigo.

Deportivo La Coruña (Victor Mendes)
Cidade: La Coruña, Galícia
Estádio: El Riazor
Em 2011/2012: campeão da Liga Adelante
O cara: Valerón (meio-campista)
O treinador: José Luis Oltra
A promessa: Juan Domínguez (meio-campista)
Principal reforço: Nelson Oliveira (atacante, Benfica)
Principal perda: Guardado (meio-campista, Valencia)
Objetivo: meio da tabela ou vaga na Liga Europa
Time base (4-2-3-1): Aranzubia; Laure; Zé Castro, Aythami, Evaldo; Juan Domínguez, Valerón; Pizzi, Abel Aguillar, Camuñas (Nelson Oliveira); Nelson Oliveira (Pizzi).

A atual fase de Vasco e Corinthians é tão boa que tem quem atribua o rebaixamento das duas equipes a isso. Eles se repaginaram por completo, passaram por uma série drásticas de mudanças e hoje estão disputando títulos. Obviamente, o Deportivo não irá chegar a um nível assim, mas podemos dizer que o rebaixamento não foi "mau" negócio. Os galegos venceram a Liga Adelante com um pé nas costas, tendo uma queda considerável apenas num período entre fevereiro e março, e voltam à elite prometendo uma boa temporada.

O entusiasmo da fanática torcida é grande porque a diretoria age para tal. As contratações de Roderick, Evaldo, Abel Aguillar, André Santos, Salomão, Pizzi e Nelson Oliveira asseguram uma equipe competitiva, que pode até terminar abocanhando uma vaga na Liga Europa, ainda que o objetivo real do treinador José Luis Oltra seja o meio da tabela e a permanência. Hoje, o clube alcançou uma marca de mais de 25 mil sócios, algo que não acontecia desde o Superdepor do final do século passado, que ganhou a Liga Espanhola. A depender do estado físico de Valerón, ele será novamente o cérebro do Deportivo, que promete uma temporada promissora.

Espanyol (Pierre Andrade)
Cidade: Barcelona, Catalunha
Estádio: Cornellà El-Prat
Em 2011/2012: 14º colocado
O cara: Verdú (meio-campista, foto)
O treinador: Maurício Pochettino
A promessa: Cristian Gómez (meio-campista)
Principal reforço: Colotto (zagueiro, Deportivo)
Principal perda: Philippe Coutinho (meia-atacante, Internazionale)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-2-3-1): Cristian Alvaréz; Raúl Rodriguez, Colotto, Héctor Moreno, Capdevila; Raúl Baena, Javi López; Sergio García, Verdú, Sergio Tejera; Álvaro Vázquez.

A crise financeira que assola o mundo inteiro também afeta o futebol, especialmente na Espanha. Uns dos clubes que mais sofrem com a escassez de dinheiro é o Espanyol. Por isso, as contratações chegam de pouco em pouco. O pior é que a equipe tem um plantel enxuto, ainda mais após a saída de dez atletas, entre eles o brasileiro Philippe Coutinho e o eslovaco Vladimir Weiss. A alternativa será, por mais uma temporada, recorrer a jovens promessas das divisões de base. Algo que já é do costume de Mauricio Pochenttino, que está no clube há 18 anos e é conhecido por revelar bons jogadores, especialmente no setor defensivo.

Além da falta de atletas, os periquitos sofrem com as constantes lesões. Raúl Baena, Colloto e Sergio García desfalcarão o time no começo da temporada, algo que certamente será sentido. Para não passar por apuros neste ano, mais uma vez o time fará de Cornellà El-Prat uma fortaleza, e com o apoio da sua torcida, espera conquistar pontos importantes em sua casa.

Getafe (Edgley Lemos)
Cidade: Madrid
Estádio: Coliseum Alfonso Pérez
Em 2011/2012: 11º colocado
O cara: Miku Fedor (atacante, foto)
O treinador: Luis García
A promessa: Pablo Sarabia (meio-campista)
Principal reforço: Xavi Torres (meio-campista, Levante)
Principal perda: Cata Díaz (zagueiro, Atlético de Madrid)
Objetivo: vaga na Liga Europa
Time base (4-2-3-1): Moyá; Valera Alexis, Abraham, Miguel Torres; Xavi Torres, Míchel; Pedro León, Diego Castro, Lafita; Miku Fedor.·

Após uma temporada 2011/2012 conturbada, a última foi consideravelmente mais tranquila. O Getafe conseguiu fazer uma temporada sólida e se manteve no meio da tabela. Agora, os planos do presidente Angél Torres são de levar o time a uma competição continental, mais precisamente a Liga Europa. Para isso, o time do subúrbio de Madrid precisava manter a base do bom time da última temporada. E foi o que fez. Conseguiu manter seus principais jogadores, renovou os empréstimos de Moyá (Valencia), Alexis (Sevilla) e Pedro León (Real Madrid) e fez contratações pontuais, como o bom meia Xavi Torres, junto ao Levante, e tenta se mover rapidamente para repor a perda de Cata Díaz ao Atlético de Madrid.

O meio-campista Barrada, destaque da última temporada, tem atraído olhares de alguns clubes. Angél Torres, no entanto, já bateu o pé e disse que só vende o marroquino se for pago o valor de sua multa rescisória (24 milhões de euros). Caso consiga manter Barrada, Luis García terá ótimo material humano em mãos e pode até levar os azulones à Liga Europa.


Granada (Edgley Lemos)
Cidade: Granada, Andaluzia.
Estádio: Nuevo Los Cármenes.
Em 2011/2012: 17º colocado
O cara: Dani Benítez (atacante, foto)
O treinador: Anquela
A promessa: Gabriel Torje (meio-campista)
Principal reforço: Floro Flores (atacante, Udinese)
Principal perda: Carlos Martins (meio-campista, Benfica)
Objetivo: luta contra o rebaixamento
Time base (4-2-3-1): Roberto; Nyom, Iñigo López, Borja Gomez, Guilherme Siqueira; Mikel Rico, Iriney; Dani Benítez, El-Arabi, Orellana; Floro-Flores.

Após uma campanha de fortes emoções e indefinição, o Granada conseguiu se manter na primeira divisão. Contudo, o antigo treinador, Fabriciano González, não faz mais parte da equipe, dando lugar a Juan Antonio Albacete Anquela. Anquela tem à disposição um time limitado, mas que pode conseguir se manter na elite com a ajuda do ala esquerdo Guilherme Siqueira, que fez boa temporada pela equipe andaluz e continua para a 2012/2013, apesar dos rumores de que se transferiria para o Valencia. Além dele, o novo treinador também conta com o atacante experiente Floro Flores, emprestado pela Udinese, e com o jovem meia romeno Gabriel Torje para evitar o descenso.

No entanto, Anquela não poderá contar com o goleador Dani Benítez, que está suspenso até novembro. Benítez é elemento chave na equipe do Granada. Homem-gol e ídolo da torcida, está, contudo, suspenso pela Federação Espanhola por ter atirado uma garrafa em Clos Gómez, um dos árbitros da partida entre Granada e Real Madrid na penúltima rodada de 2011/2012. Anquela e a torcida do Granada certamente esperam que a garrafada no árbitro não custe caro demais durante a temporada.

Levante (Victor Mendes)
Cidade: Valencia
Estádio: Ciutat de Valencia
Em 2011/2012: 6º colocado
O cara: José Javier Barkero (meio-campista, foto)
O treinador: Juan Ignácio Martínez
A promessa: José Higón (meio-campista)
Principal reforço: Christian Lell (zagueiro,  Hertha Berlin)
Principal perda: Aruna Koné (atacante, Wigan)
Objetivo: permanência na elite
Time base (4-2-3-1): Munúa; Lell, Ballesteros, David Navarro, Juanfran; Iborra, Papa Diop; Pedro Rios, Juanlu, Barkero; Gekas.

EuroLevante. Pela primeira vez em 103 anos de história, a equipe azulgrená do leste de Valencia irá disputar uma competição europeia. Sensação do futebol espanhol em 2011/2012 (e, quem sabe, de todo futebol europeu), os granotas conseguiram uma vaga na Liga Europa após ter ficado as 38 rodadas do campeonato entre as oito primeiras posições. Apesar dessa magnífica campanha, o conjunto de Orriols é consciente de suas limitações e da dificuldade em alcançar novamente os postos europeus pelo segundo ano consecutivo. Assim como na temporada passada, o objetivo inicial do Levante é a permanência na elite. O presidente Quico Catalán tratou de dar continuidade ao projeto esportivos que trouxe bastante alegria aos torcedores.

Juan Ignácio Martínez, treinador que se adaptou bem aos vestiários após a ida de Luis García ao Getafe, renovou por mais um ano. A perda irreparável de Koné, autor de 17 gols na temporada passada, foi reposta rápida com a contratação do veterano atacante grego Gekas. A situação não é nova. Há duas temporadas, o Levante perdeu Javi Guerra e encontrou em Caicedo um substituto perfeito. O equatoriano foi o principal jogador azulgrená e acabou vendido ao Lokomotiv Moscou para fazer caixa. Se Gekas der prosseguimento ao faro de gol de Koné, a equipe estará bem sucedida. Assim, o Levante irá tentar fazer um bom papel na Liga Europa e se consolidar como equipe de primeira divisão pelo terceiro ano consecutivo.

segunda-feira, 19 de março de 2012

O príncipe de La Coruña

Retorno do Deportivo à Liga BBVA é questão de tempo e Guardado tem se destacado (a bola)

A explosão de Andrés Guardado como futebolísta é algo inquestionável. O meio-campista do líder da Liga Adelante, Deportivo La Coruña, está firmando sua melhor temporada no futebol espanhol e, possivelmente, de sua carreira. Aos 25 anos, El Principito alcançou a maturidade futebolística e está mais do que preparado para alçar desafios maiores. Após 31 rodadas, o clube galego lidera a segunda divisão com folga. Tem 63 pontos, cinco a mais que o vice-líder Valladolid e 11 à frente do maior rival, Celta de Vigo. Os blanquiazules venceram as últimas dez partidas partidas e estão invictos há 12 jogos. Foi ainda campeão de inverno e tem a melhor média de público. Uma campanha de time maior que a segunda divisão, mesmo depois de um início inseguro e cheio de oscilações.

Nesse cenário, destaca-se Guardado. Se, na campanha do rebaixamento, o mexicano foi criticado por sumir no momento pelo qual o Deportivo mais necessitava, hoje é um dos principais responsáveis pelo virtual retorno da equipe à elite. Na temporada passada, Guardado foi engolido por Adrián no protagonismo e, nos momentos críticos, viu até um veterano como Valerón puxar mais a responsabilidade. O ex-treinador Miguel Ángel Lotina (que, aliás, fechou hoje com o Villarreal) ficou totalmente insatisfeito com Guardado, que manteve uma postura de homem: deixou de firmar contrato com o Valencia para jogar a segundona com o Deportivo.

Recuperando a cada jogo sua moral com os aficionados, Guardado não é somente o principal jogador do Deportivo na temporada como da Liga Adelante. No sábado, confirmou sua enorme influência na campanha galega com uma extraordinária atuação perante o Alcoyano, na vitória por 3x0. Anotou seu 11º gol na temporada e deu sua sétima assistência. Com o tento, superou sua maior marca de gols em sua carreira até o momento. Em 2007/2008, anotou 6. Sua qualidade nos passes já era conhecida (vem sendo o líder de assistências do Deportivo há três temporadas consecutivas), mas ainda era desconhecido seu faro de artilheiro. A exemplo de comparação, marcou apenas dois golzinhos em 2010/2011.

Na Liga Adelante, o mexicano reivindicou-se como futebolista. Impõe sua autoridade no centro do campo e joga ladeira abaixo os questionamentos quanto a sua liderança. Embora seja notável que esta é a sua última temporada no La Coruña, contribui ao máximo com a equipe da Galícia. É o arco e flecha da equipe comandada por José Luis Oltra, sendo o principal responsável pela excelente campanha. O Marca, em janeiro, publicou que Guardado iria se transferir ao Valencia já no mercado de inverno. A torcida não ficou muito satisfeita: parte das organizadas coruñesa vaiou e insultou seu principal jogador, que manteve o silêncio e respondeu dentro de campo. Quando marcou duas vezes contra o Múrcia, comemorou beijando o escudo, em clara demonstração de que queria ficar no Riazor.

Guardado poderia ter números ainda mais significativos não tivesse desfalcado o Deportivo para defender o México em algumas datas-Fifa. E poderia ter ainda mais destaque na mídia espanhola se falasse com ela. Descontente com o que considerou distorção de suas declarações sobre seu futuro em La Coruña após o rebaixamento, decidiu não falar mais com os jornalistas. Sua última entrevista na Espanha foi concedida em julho. O desempenho do mexicano é tão bom que ofusca a falta de um atacante mais convincente. Lassad, Riki e Salomão se revezam como homem de referência na frente sem que nenhum assuma definitivamente a posição. Não será fácil manter o ritmo das últimas partidas, mas a vantagem é boa o suficiente para suportar uma pequena – e natural – série de tropeços. Se o time mantiver a constância e suas peças-chave funcionarem, o Deportivo retornará à elite melhor do que estava nas últimas temporadas antes de cair. Mas será uma tarefa árdua sobreviver sem Andrés Guardado, o princípe do Riazor.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Jogadores Históricos: Juan Arza

Juan Arza e o troféu da Liga Espanhola de 1945/46: maior artilheiro da história do Sevilla (eldesmarque)

No dia 17 de julho deste ano, horas antes do início do segundo amistoso de pré-temporada do Sevilla, uma triste notícia afetou todos os sevillistas: aos 88 anos, Juan Arza, ex-jogador, técnico e dirigente do Sevilla havia acabado de falecer vítima de câncer. Imediatamente, o sevillismo entrara em luto. Maior artilheiro da história do clube andaluz, El Niño de Ouro havia recebido, dois anos antes, das mãos do atual presidente do clube, Josep Maria Del Nido, uma espécie de troféu de maior jogador da história do Sevilla.

Sua trajetória como futebolista começou cedo. Aos 11 anos, o jovem Arza ingressou às categorias de base do Izarra, pequeno clube de sua cidade natal, Navarra. Após uma breve passagem por Alavés e Málaga, foi contratado pelo Sevilla em 1943. Os rojiblancos da Andaluzia entraram em um acordo com o Málaga: 90 mil pesetas mais duas partidas amistosas e o empréstimo de três jogadores da base para ter o centroavante em seu elenco.

Aos 20 anos, estreou com a camisa do Sevilla destacando-se pela boa forma física e a capacidade de chutar bem com as duas pernas. Entretanto, o que mais chamou a atenção foi a habilidade goleadora com a qual Arza tinha. Em sua estreia, anotou um hat-trick ante o Sabadell. A chegada de Arza marcou um divisor d'águas na história do clube sevillistas: a era de ouro dos hispalenses. Na temporada 45/46, o Sevilla conquistou pela primeira (e única, até então) vez a Liga Espanhola, com El Niño de Ouro sendo o destaque da equipe. Porém, à época, a artilharia ficou com o monstro Telmo Zarra, seguido de Edmundo Suárez, homem-gol do Valencia.

Nas temporadas seguintes, o Sevilla conquistou apenas uma única Copa del Rey, em 1947/48. Na final contra o Celta, como não poderia deixar de ser, Arza anotou o gol do título, na partida que terminou 1 a 0 para os hispalenses. Na Supercopa (à época chamada de Copa Eva Duarte), derrota para o Barcelona por 1 a 0. A chance do bi-campeonato da Liga veio em 1951/52; porém, o vice-campeonato teve um gosto bastante amargo: necessitando apenas de um empate para tornar-se campeão, o Sevilla foi até a capital jogar contra o Atlético de Madrid de Adrián Escudero. Entretanto, o árbitro da partida anulou um gol legal de Arza aos 44 minutos do segundo tempo, e os rojiblancos acabaram vencendo por 1 a 0 e, consequentemente, ficando com o título.

Entre 1953 e 1957, Helenio Herrera chegou ao Sevilla para comandar a equipe. Com o argentino, Arza passou a jogar com mais liberdade no ataque, mas o jejum de títulos se prolongou. De destaque, apenas mais um vice-campeonato de Liga e Copa. Em 5 de dezembro de 1954, Arza anotou o gol de número mil do Sevilla em campeonatos nacionais. Na Copa dos Campeões, o Sevilla passou por Benfica e Roma antes de cair para o campeão Real Madrid, liderado por Di Stéfano e Puskás, nas quartas-de-finais.

Após a era de ouro do Sevilla, Arza resolveu disputar sua última temporada como profissional no Almería, clube pelo qual torcia seu pai e era treinador por seu amigo Diego Villalonga. Em 1960, aposentou-se dos gramados em um amistoso entre Sevilla e Barcelona de seu amigo Kuballa. O jogo marcou a inauguração do estádio Ramón Sánchez Pizjuan e os rojiblancos venceram por 3 a 2, com um doblete do centroavante. Aposentado, El Niño de Ouro tentou a carreira, sem sucesso, como treinador, chegando a treinar equipes como Deportivo La Coruña e Celta Vigo e retornando ao Sevilla, onde ficara por seis meses.

Juan Arza
Nome Completo: Juan Arza Íñigo
Data de nascimento: 18 de junho de 1923 em Navarra, Espanha.
Posição: atacante
Clubes: Alavés, Málaga, Sevilla e Almería
Títulos: Liga Espanhola 1945/46, Copa del Rey 1947/48
Clubes como treinador: Celta Vigo, Deportivo La Coruña e Sevilla

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Campeones Del Mundo: Álvaro Arbeloa

Apesar de ter sido reserva no título da Eurocopa e da Copa do Mundo, Arbeloa sempre cumpre bem seu papel em seus clubes (AS)

No dia 29 de julho de 2009, o Real Madrid confirmou oficialmente na sua página na web a contratação de Álvaro Arbeloa, procedente do Liverpool, por cinco temporadas. Capitão do Real Madrid Castilla de 2004/2005, Arbeloa foi um dos poucos jogadores que vingaram daquela excelente equipe. Mesmo assim, foram raras as aparições do lateral na equipe principal naquela temporada. Na equipe Castilla, Arbeloa já demonstrava a versatilidade que o caracteriza hoje, mas atuava na maioria das partidas como zagueiro e, então com 21 anos, era um dos jogadores mais experientes do time.

Nascido em Salamanca, mudou-se para Zaragoza com apenas quatro anos de idade. Em sua nova cidade, ingressou à categoria de base do Zaragoza com 12 anos, onde ficou até os 18, até partir para a capital. No Real Madrid Castilla, conseguiu o grande feito de fazer parte do elenco que subiu da Segunda División B à Liga Adelante, jogando em uma equipe com jogadores como Granero, De La Red, Soldado, Negredo e Mata. Porém, entre 2004 e 2006, mesmo sendo o jogador mais elogiado da filial, Robocop disputou apenas duas partidas com a equipe principal e, sem muitas oportunidades, acabou rumando para o Deportivo La Coruña. Em julho de 2006, desembarcou na Galícia para assinar contrato com os blanquiazules.

Entretanto, sua aventura no Deportivo não durou muito, pois no último dia do mercado de inverno (em janeiro de 2007), o Liverpool desembolsou cerca de 4 milhões de euros para tirá-lo de La Coruña (o Real Madrid recebeu 50% da taxa). Mesmo sendo contra, Joaquin Caparrós, técnico do Deportivo à época, não conseguiu segurar Arbeloa na equipe. Na terra dos Beatles, foram boas atuações, que renderam convocações para a Fúria, até então treinada por Luis Aragoneses. A consagração de Arbeloa no Liverpool veio, ironicamente, contra uma equipe espanhola. No duelo contra o Barcelona, em pleno Camp Nou, os reds venceram por 2 a 1 de virada e Robocop foi eleito o melhor em campo, devido, principalmente, ao fato de ter anulado Lionel Messi, na época uma promessa ainda, é verdade, mas que estava voando (três dias depois, Messi viria a marcar um hat-trick ante o Real Madrid).

Após eliminar os blaugrana, os reds passaram por Olympiacos e Chelsea até chegar à final contra o Milan, reeditando a final de Istambul, em 2005. Com Kaká jogando o melhor futebol do mundo, Benitez optou por um meio-campo mais forte para combater, e Arbeloa acabou sentando no banco de reservas. Ao final, o Milan acabou vingando a derrota de dois antes e o Liverpool de Arbeloa ficou com o vice-campeonato. Em maio de 2009, teve uma forte discussão com uma das bandeiras do Liverpool, Carragher, em campo e os dois tiveram que serem separados pelos companheiros de equipe. Sem muito espaço na equipe, Arbeloa pouco a pouco ia se desligando do clube de Anfield Road, onde marcou apenas dois gols em 98 jogos.

Cegamente enlouquecido com o projeto Galáticos 2.0, Florentino Pérez não tardou a repatriar Arbeloa, mesmo contando com Sergio Ramos para a lateral direita. Polivalente, já atuou em todos os setores defensivos da retaguarda merengue, mas tem sido utilizado mais na lateral direita. Com Mourinho, Arbeloa tem sido mais utilizado em jogos mais pesados, devido ao fato do gajo não "confiar" muito em Marcelo em jogos assim. Pela seleção nacional, fez parte do plantel vencedor da Eurocopa e da Copa do Mundo. Convocado pela primeira vez à Fúria em janeiro de 2008, só foi estrear em Março desse ano, porque acabou se lesionando e tendo que ser cortado. De lá para cá, Arbeloa, assim como Casillas, Capdevilla e Xabi Alonso, foi convocado para todas as partidas da Fúria.

Álvaro Arbeloa
Nome completo: Álvaro Arbeloa Coca
Data de nascimento: 17 de janeiro de 1983, em Salamanca, Espanha.
Posição: Lateral direito.
Clubes: Zaragoza, Real Madrid Castilla, Deportivo La Coruña, Liverpool, Real Madrid
Títulos: Copa do Rei 2010/2011, Eurocopa 2008 e Copa do Mundo 2010.

sábado, 18 de junho de 2011

Craques da LFP: Mauro Silva

Mauro Silva fez parte do elenco do Deportivo por 13 anos e é um dos maiores ídolos da história do clube galego (IG)

Hoje em dia, é difícil imaginar que um jogador que só jogou em clubes pequenos ou médios seja chamado para vestir a amarelinha. A lista de Dunga para a Copa do Mundo provou isso. Todos os atletas convocados para a África do Sul já tiveram pelo menos uma passagem por um grande clube da Europa ou do Brasil. Em 1994, porém, um jogador com esse perfil conseguia se destacar internacionalmente e marcar presença na criticada lista de Carlos Alberto Parreira para a Copa do Mundo daquele ano. Era o volante Mauro Silva, revelado no Guarani, com passagem pelo Bragantino e que atuava pelo Deportivo La Coruña à época. Foi ele quem garantiu boa parde da solidez da defesa brasileira, um paredão que sofreu apenas três gols naquele Mundial. Em clubes, pode-se dizer que ele também foi um predestinado, pois fez parte do melhor momento da história de duas das três equipes que defendeu.

Em 1992, Mauro Silva partiu para o Deportivo La Coruña. Na época, o clube era chamado de “elevador”, por oscilar sempre entre subidas e descidas de divisão. O volante ajudou a inaugurar, junto com outros jogadores como Bebeto, Frán e Donato, uma nova era no Riazor. Na temporada 1993/94, o clube teve a melhor defesa da história da Liga Espanhola, com apenas 18 gols sofridos. Foi também a primeira vez que a equipe disputou uma competição internacional, a Copa da UEFA 1993/94. Na Liga Espanhola, o clube liderou até a última rodada, mas acabou perdendo o título para o Barcelona, que contava com Romário e Hristo Stoitchkov. Quase todas as glórias do Depor foram no tempo em que Mauro Silva esteve por lá.

Nos 13 anos em que Mauro atuou na Galícia, o clube obteve um título, um vice-campeonato, três terceiros lugares na Liga, uma Copa do Rei e uma Supercopa da Espanha. Agora chamado de Super Depor, boa parte da fanática torcida credita àquele time o respeito com o qual o clube passou a ser tratado. Ao todo, Mauro conquistou seis títulos no Riazor até 2005, quando anunciou sua aposentadoria. A maior das conquistas dele com o Depor foi o Campeonato Espanhol de 2000. Firme na defesa, o clube contava com Djalminha no meio-campo e o eficiente holandês Roy Makaay no ataque e garantiu a taça com 69 pontos, cinco a mais do que o todo poderoso Barcelona, de Louis van Gaal e Rivaldo.

Mais do que troféus, Mauro Silva conquistou respeito e admiração por onde passou. Em La Coruña, é reconhecido nas ruas e festejado por todos. Comprometido e empenhado desde os tempos do interior paulista, ele só lamenta não ter jogado no clube do coração, o São Paulo. Seu nome é uma homenagem ao ex-ponta tricolor Maurinho. "Sinceramente, eu sempre fui são-paulino e tive vontade jogar lá. Mas quando olho para trás levanto as mãos para o céu e agradeço. Nunca joguei em time grande, somente na seleção brasileira. Entretanto, onde joguei sempre conquistei títulos. No Deportivo, foram 13 anos com seis títulos, um time que nunca tinha conquistado nada. No Braga também foi assim. Trabalhei com Luxemburgo, Parreira, Ênio Andrade, Candinho... Tudo acabou saindo muito bem, ganhei uma copa. Foi tudo melhor do eu esperava. Queria ter jogado com a camisa do São Paulo, mas não deu", declarou em entrevista ao Globoesporte.com.

Mauro Silva
Nome completo: Mauro da Silva Gomes
Data de nascimento: 12/01/1968
Local de nascimento: São Bernardo do Campo, São Paulo
Clubes que defendeu: Guarani, Bragantino e Deportivo La Coruña
Títulos: Campeonato Paulista de 1990, Liga BBVA 1999-2000, Copa del Rey 1995-1996 e 2001-2002, Supercopa da Espanha de 1996, 2000 e 2002, Copa do Mundo de 1994 e Copa América de 1997.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Balanço Final: Deportivo La Coruña

Fato: o Deportivo, única equipe da região da Galícia a conquistar a primeira divisão espanhola, irá disputar a Liga Adelante em 2011/2012 (getty images)

Campanha: 18ª colocação, 38 jogos, 10 vitórias, 13 empates e 15 derrotas. 31 gols pró e 47 gols contra.
Competição europeia: Não participou.
Copa del Rey: Eliminado nas quartas-de-finais para o Almería.
Time-base: Aranzubia; Laure, Lopo, Colotto, Manuel Pablo; Juan Rodríguez, Rubén Pérez, Valerón, Guardado; Riki, Adrián.
Os artilheiros: Adrián (10 gols), Lassad (5), Riki (3).
O técnico: Miguél Ángel Lotina.
O destaque: Adrián López.
A decepção: Riki.

A equipe de Miguel Ángel Lotina deu até logo à Liga BBVA justamente quando iria completar 20 anos de seu último acesso. A equipe, única da região da Galícia a conquistar o título da primeira divisão nacional, conquistou durante esses vinte anos, além da Liga BBVA, duas Copa do Rei e três SuperCopa da Espanhola, além de chegar às semifinais da Liga dos Campeões da Uefa. O rebaixamento, apesar de doloroso, foi justamente merecido: o Deportivo pagou pelo preço de ter sido inconstante. Começou a temporada mal, teve uma boa reação, mas, de repente, caiu de produção e entrou na zona de rebaixamento. Outro ponto negativo é um clube do tamanho do Deportivo ter que depender de um jovem de 21 anos, Adrian López, que já acertou sua ida ao Atlético de Madrid, e dos lampejos do veterano Valerón, que confirmou ficar na equipe para a disputa da Liga Adelante. Apesar de contar com Adrian, a falta de um ataque mortal fez muita falta ao Deportivo. A exemplo de comparação, os blanquiazules terminaram a competição com 31 gols: Cristiano Ronaldo, o artilheiro histórico, marcou 40 vezes, enquanto Messi, vice-artilheiro, balançou as redes as mesmas 31 vezes que os galegos.

A queda do clube galego não chega a ser surpreendente. A equipe vem com problemas financeiros há anos e cai na tabela a cada campeonato. Mas a reação à queda tem sido positiva em La Coruña. A torcida preferiu demonstrar apoio ao elenco e à tentativa de reconstrução da equipe. Além disso, o presidente Augusto César Lendoiro já anunciou que pretende renovar com alguns jogadores, como o zagueiro Diego Colotto. O contrato do argentino se encerra ao final da próxima temporada. Renovar com um dos nomes mais benquistos pela torcida indica que o clube imagina estar de volta à elite em 2012/13.

Outro sinal de mobilização foi o rápido anúncio do novo técnico. José Luis Oltra é o substituto de Miguel Ángel Lotina. O treinador teve sucesso quando implantou o 5-3-2, mas as muitas lesões, sobretudo na zaga, o fizeram mudar para o desprevenido 4-3-3. O currículo do novo comandante é irregular. Teve um grande momento ao levar o Tenerife de volta à primeira divisão em 2008/09, mas seus demais trabalhos tiveram resultados medianos. De qualquer maneira, o clube já inicia a preparação para a próxima temporada, sem perder tempo com lamentações. O retorno imediato à elite é fundamental para o futuro deportivista. O clube estava em péssima situação financeira há dois anos. A diretoria cortou gastos e investimentos em todas as áreas e, só no último ano, as dívidas caíram em € 20 milhões (mas ainda é alta: € 87 milhões). Cair para a Segundona permite ao Deportivo gastar menos com jogadores, mas não é o suficiente para compensar a queda no faturamento com TV, patrocínio e, eventualmente, bilheteria.

domingo, 22 de maio de 2011

Resumo: 38ª e última rodada

Drama no Riazor: onze temporada após o primeiro e único título de Liga BBVA, o Deportivo foi rebaixado para a Liga Adelante (getty images)

Numa rodada totalmente desinteressante para 15 das 20 equipes do campeonato, seria decidido o último rebaixado da Liga BBVA e a equipe espanhola que disputaria a prévia da Liga Europa. Mesmo com quase tudo definido, boa parte das equipes foram a campo com seus jogadores titulares. No fim das contas, o Deportivo não resistiu ao péssimo final de temporada, perdeu em casa para o Valencia e deu adeus (ou volto em breve) para a elite espanhola. A rodada também foi marcada por um doblete de Cristiano Ronaldo, que chegou aos 40 gols na Liga Espanhola e superou a marca histórica e fenomenal de Hugo Sánchez e Telmo Zarra. Acompanhe o resumo da rodada.

Deportivo 0x2 Valencia
É oficial: o Deportivo La Corunã, campeão espanhol em 1999/2000, na geração mágica de Djalminha, Roy Makaay, Diego Tristán, Capdevilla, Valerón, Donato, Luque, está rebaixado para a segunda divisão espanhola. Para se salvar, bastava um simples triunfo ante um Valencia com seus objetivos já cumpridos. Porém, mais uma vez, os chés não tiveram piedade da equipe da Galícia: assim como em 1994, quando ganhou os blanquiazules no Riazor e evitaram a conquista do título, até então, inédito de Liga Espanhola, o Valencia não teve piedade dos anfitriões e impôs uma triste derrota por 2 a 0, rebaixando o Deportivo para a Liga Adelante. A tensão no Riazor começou cedo: logo aos nove minutos, Áduriz já havia aberto o placar para o Valencia. No segundo tempo, os fanáticos aficionados galegos inflamaram o Riazor, que viu César Sánchez parar o ataque do Deportivo de todas as maneiras e Soldado sacramentar o descenso o Depor aos 46 minutos do segundo tempo.

A equipe de Miguel Ángel Lotina deu até logo à Liga BBVA justamente quando iria completar 20 anos de seu último acesso. A equipe, única da região da Galícia a conquistar o título da primeira divisão nacional, conquistou durante esses vinte anos, além da Liga BBVA, duas Copa do Rei e três SuperCopa da Espanhola, além de chegar às semifinais da Liga dos Campeões da Uefa. O rebaixamento, apesar de doloroso, foi justamente merecido: o Deportivo pagou pelo preço de ter sido inconstante. Começou a temporada mal, teve uma boa reação, mas, de repente, caiu de produção e entrou na zona de rebaixamento. Outro ponto negativo é um clube do tamanho do Deportivo ter que depender de um jovem de 21 anos - Adrian González, que já acertou sua ida ao Atlético de Madrid - e dos lampejos do veterano Valerón, que confirmou ficar na equipe para a disputa da Liga Adelante.

Apesar de contar com Adrian, a falta de um ataque mortal fez muita falta ao Deportivo. A exemplo de comparação, os blanquiazules terminaram a competição com 31 gols: Cristiano Ronaldo, o artilheiro histórico, marcou 40 vezes, enquanto Messi, vice-artilheiro, balançou as redes as mesmas 31 vezes que os galegos. Se a parte de La Corunã da Galícia amanheceu em silêncio, em Vigo é só festa: o Celta Vigo está a uma vitória de garantir sua vaga nos play-offs da Liga Adelante e viu, de quebra, seu maior rival ser rebaixado para a competição.

Real Sociedad 1x1 Getafe
No Anoeta, o clima tenso que havia se desenvolvido antes da partida logo se transformou em alegria após o 1 a 1 que garantiu a permanência da Real Sociedad na Liga BBVA - assim como o Getafe. Apesar do susto inicial, quando Cata Díaz abriu o placar aos nove minutos levando a pequena torcida azulona ao delírio, a Real Sociedad soube controlar os nervos de buscar o empate durante todo o jogo e, no segundo tempo, chegou ao gol de empate com Paco Sútil. A partir daí, com as duas equipes já satisfeitas com o empate, que salvava ambos, o jogo desenrolou-se de maneira chata. Apesar do segundo turno horrível, que a fez lutar pelo rebaixamento, a Real Sociedad tem uma boa equipe e bons valores individuais. Griezmann, grande revelação desta Liga, Xabi Prieto, Zurutuza e Diego Rivas foram donos de uma boa temporada.

No lado azulón, o elenco desgastado e com sérias carências deve se desfazer para a próxima temporada. Comprado pelo Dubai Team, as especulações em torno de um Getafe mais forte são grandes. Destaques como Albín e Dani Parejo, melhor jogador da temporada azulona, já estão com suas transferências para Espanyol e Real Madrid, respectivamente, praticamente seladas, enquanto Víctor Sánchez deve voltar para o Barcelona.

Levante 1x2 Zaragoza
Comemoração também em Aragão, onde a equipe local, Zaragoza, foi até Valencia para garantir sua permanência na elite espanhola. O grande herói da noite foi o capitão Gabi, autor de um doblete providencial para a equipe de Javier Aguirre. Primeiro, o volante cobrou com perfeição uma falta que morreu no ângulo direito de Munúa; depois, acertou um feliz chute que novamente morreu no ângulo do goleiro uruguaio. Um prêmio mais que merecido para os mais de nove mil torcedores maños que saíram de sua cidade local para torcer pelo seu time. Ander Herrera, jovem que fez sua despedida do Zaragoza, foi o mais emocionado da noite e teve seu nome gritado pelos torcedores blancos presentes no Ciutat de Valencia. O canterano já acertou sua ida para o Athletic Bilbao. Javier Aguirre, que pegou a equipe numa situação complicada, também teve seu nome reverenciado e, logo após a partida, deixou claro que seu desejo é continuar no Zaragoza: "quero treinar a equipe desde o começo, observar os jogadores na pré-temporada e, assim, alçar meus objetivos". O Levante, que já estava garantido na primeira divisão, deve perder o seu técnico, Ángel Plaza.

Mallorca 3x4 Atlético de Madrid
Na despedida de Quique Sánchez Flores do comando técnico do Atlético de Madrid, o show novamente foi de Agüero, que também deve ter feito seu provável último jogo trajando rojiblanco. Seja jogando isolado no 4-2-3-1, como ontem, ou tendo Forlán ou Diego Costa ao seu lado no ataque no 4-4-2, Kun não para de decidir: ontem, foram três gols que o fizeram chegar ao centenário de gols com o Atlético de Madrid. Antes da partida, Quique cortou Forlán novamente, dando a entender que o ciclo do uruguaio em Manzanares chegou mesmo ao fim. Durante a semana, o Mundo Deportivo chegou a confirmar a contratação do jogador por parte do Besiktas. Na coletiva de despedida, mais mistérios: o treinador afirmou que muito dificilmente Agüero e Forlán continuarão no Atléti e, muito por isso, Adrian, do Deportivo, já foi contratado. As especulações pela contratação do ítalo-argentino Osvaldo, do Espanyol, crescem a cada dia, mas a concorrência com a Premier League pode dificultar a transação. Outro nome bastante comentado pela imprensa madrilenha é Gourcuff. De acordo com o AS, os colchoneros oferecerão dez milhões de euros + Paulo Assunção ao Lyon pelo meio-campista.

Real Madrid 8x1 Almería
Cristiano Ronaldo. O português gravou seu nome na história da Liga Espanhola ao marcar dois gols no confronto contra o já rebaixado Almería e chegar aos 40 gols em uma única edição de campeonato espanhol. O camisa sete do Real Madrid deixou para trás números de Hugo Sánchez e, ninguém mais ninguém menos, Telmo Zarra. Zarra marcou 38 gols na temporada 1950-1951, quando sua média foi de um gol a cada 71,05 minutos. Hugo Sánchez, na temporada 1989-90, conseguiu uma média goleadora de um gol a cada 80 minutos. Cristiano Ronaldo marcou nesta Liga um gol a cada 70,07 minutos: foram onze gols nos últimos quatro jogos. O jogo também marcou a despedida de Dudek, que se resolveu se aposentar das quatro linhas. Joselu, que ganhou chances com Mourinho, marcou uma vez e foi bastante elogiado por Mourinho na coletiva pós-jogo. Adebayor, querendo ter seu contrato renovado pelos merengues, foi autor de um hat-trick, mas a diretoria não está muito a fim de contratar o togolês em definitivo.

Málaga 1x3 Barcelona
Recheado de jogadores reservas, o Barcelona de Josep Guardiola entrou em campo para tentar alcançar alguns objetivos que lhe restavam. No final, a equipe conseguiu ser a defesa menos vazada, porém o ataque devastador de Real Madrid, de 102 gols, acabou ficando na frente dos blaugranas. Em campo, o Málaga, desfalcado de Júlio Baptista e Rondón, saiu na frente com Eliseu, mas um pênalti bastante controverso marcado em cima de Bojan fez com que os azulgrenás chegassem ao empate. No segundo tempo, Afellay e o canterano Bartra marcaram mais dois e selaram a virada barcelonista. Curiosamente, mesmo tendo poucas oportunidades, Bojan terminou a Liga como quarto jogador do Barcelona com mais gols, ficando atrás de Messi, Villa, Pedro e Iniesta. No lado blanquiazul, a sensação é de alívio após a permanência na elite. Agora, Abdullah al Thani, sheik proprietário do Málaga, já pensa na próxima temporada. De acordo com o Marca, os andaluzes irão ao mercado para trazer uma superestrela (o nome de Kaká é especulado [!]).

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Jogadores: Djalminha

Djalminha foi brilhante no Deportivo, onde foi eleito o jogador mais espetacular da história do clube (canaldeportivo)

A carreira de Djalminha no mundo futebolístico começou nas categorias de base do Flamengo, mais especificamente durante a Copa São Paulo de 1990. Em um time formado por garotos, que viriam a se tornar ícones futebolísticos, como Júnior Baiano, Marcelinho e Paulo Nunes, o então jovem Djalminha conquistaria o primeiro, e até hoje, o único título da Copinha para o rubro-negro carioca.

Habilidade e precisão nos passes e lançamentos, além de muitos gols, já que a dupla ofensiva formada por Rodrigo e Nélio não era das mais convincentes, eram as marcas de Djalminha. A cada jogo, o meia encantava os espectadores da Copinha, e no duelo de semifinal com o Corinthians, onde o Flamengo venceu por 7 a 1, marcou um belíssimo gol do meio-campo, ao melhor estilo “aquele que Pelé não fez”. Não só o gol lhe deu destaque naquele jogo, mas a sua atuação como um todo, foi, talvez, a melhor de um garoto na competição. Após a goleada sobre o Corinthians veio o duelo final contra o Juventus. E como era de se esperar, Djalminha recebeu uma atenção especial, mas foi de seus pés que saiu o passe para o gol de Júnior Baiano, que garantiu o título aos cariocas.

Ainda em 1990, Djalminha participou da equipe flamenguista que conquistou a primeira Copa do Brasil para o clube. De tão talentoso, se imaginou que ele pudesse ser o substituto de Zico, que deixara o Flamengo em 1989 para desbravar o futebol japonês. No ano seguinte da Copinha, o meia já ganhava oportunidades no time principal durante o Campeonato Brasileiro.

Mas a sua coroação veio somente em 1992, quando participou do time que levantou a taça do Campeonato Brasileiro. A equipe daquele ano, que mesclou experiência e juventude, principalmente da garotada da época de Djalminha, conquistou o Brasil sob o comando do veterano Júnior no meio-campo. No ano seguinte à conquista do Brasileirão, Djalminha se despediu do Flamengo. Confusões internas, que culminaram com troca de empurrões com o companheiro Renato Gaúcho, forçaram a sua saída da Gávea.

Com a saída do Flamengo, Djalminha rumou para o futebol paulista, onde foi defender as cores do Guarani. Diferentemente da passagem campeã no rubro-negro carioca, a primeira ida ao time de Campinas não rendeu muitos frutos, apesar de ter sido o principal jogador do time. Por causa disso, em 1994, o meia transferiu-se para o futebol japonês, onde defenderia o Shimizu S. Pulse. Apesar de ter marcado 13 gols em 11 jogos, ele não se adaptou ao Oriente e retornou ao Bugre no mesmo ano.

Em seguida, Djalminha apenas trocou de time, já que continuaria vestindo o verde, mas desta vez do Palmeiras, que com o patrocínio da Parmalat, montava um elenco de respeito, com nomes como Cafu, Flávio Conceição, Rivaldo, Muller e Luizão. Foram apenas dois anos no Verdão, mas tempo suficiente para voltar a conquistar títulos: o Paulistão de 1996. No ano seguinte, veio a sua primeira convocação para a seleção brasileira que disputaria a Copa América. Na competição continental, Djalminha ajudou o Brasil a conquistar seu quinto título da competição.

Este feito valorizou o jogador, que partiu para o Deportivo La Coruña. No clube espanhol, Djalminha levou algum tempo para se adaptar, mas quando já estava entrosado não demorou a virar ídolo. Sua melhor temporada com a camisa do Depor foi em 1999/2000, quando ajudou a equipe a conquistar o inédito título do Campeonato Espanhol, desbancando os Galácticos do Real Madrid.

Além deste título, o brasileiro ainda foi fundamental ao La Coruña nas conquistas da Supercopa da Espanha, em 2000 e 2002, e da Copa do Rei de 2002. Apesar das conquistas, a carreira de Djalminha na Espanha foi abreviada por uma confusão com o técnico Javier Irureta. O meia desferiu uma cabeçada contra o treinador, que teve, como um de seus desdobramentos, a sua saída do clube espanhol para o futebol austríaco, onde foi por empréstimo para o Austria Viena. De quebra, perdeu a vaga na seleção de Luiz Felipe Scolari para a Copa 2002. Em fevereiro de 2005, o meia anunciou sua aposentadoria dizendo que não tinha mais motivação no futebol profissional.

Djalminha
Nome completo: Djalma Feitosa Dias
Data de nascimento: 09/12/1970
Local de nascimento: Santos, São Paulo
Clubes que defendeu: Flamengo, Guarani, Palmeiras, La Coruña, Austria Viena e América do México

quinta-feira, 12 de maio de 2011

36ª rodada (1ª parte): Um imparável Cristiano Ronaldo

Temporada monstruosa de Cristiano Ronaldo, artilheiro do espanhol e a dois de igualar uma marca histórica de Zarra e Hugo Sánchez (AP Photos)

Real Madrid 4x0 Getafe
Após a eliminação da Champions, resta ao Real Madrid um último ato na temporadar: "dar" o troféu de Pichichi a Cristiano Ronaldo. E o gajo está impossível. Com mais um hat-trick na temporada, o português chegou a incríveis 36 gols na temporada e está a dois de bater a marca de Telmo Zarra e Hugo Sánchez. A partida também teve Özil e Benzema como destaques. O primeiro deu duas assistências para CR7 (uma delas espetacular) e o segundo entrou no segundo tempo e, no seu primeiro toque na bola, marcou um gol. O alemão chegou a 16 assistências para gol na temporada e está a um de igualar o recorde de Luis Figo. No jogo, o Real Madrid não precisou de esforços para vencer um Getafe que luta seriamente contra o rebaixamento. A volta do 4-2-3-1 deu mais mobilidade para as jogadas saírem.

Sejam 49 ou 50 gols, há outras estatísticas que colocam a temporada como inesquecível para Cristiano Ronaldo. Além de igualar Puskas, o português já tem o recorde de hat-tricks da Liga Espanhola. Em seis oportunidades, ele deixou o campo com três gols nas costas. Isso sem contar outras duas em que balançou a rede quatro vezes. Ah, tem ainda a briga com Messi. No panorama atual, o argentino leva a melhor 52 a 49 (ou 50). Entretanto, vale lembrar que três desses gols foram marcados nos jogos que valeram a Supercopa da Espanha contra o Sevilla, competição em que o Real esteve ausente. Após a partida, o português afirmou que luta, sim, pela artilharia, "mas sem obsessão".

Para Messi a temporada ainda reserva quatro jogos (três pelo Espanhol e a decisão da Champions), para Cristiano somente mais dois, mas ninguém tem dúvidas de que recordes existem para serem batidos e ambos estão sedentos por novas marcas. Se o português ficou devendo, é verdade, nos duelos da Champions, a ambição pelo troféu Pichichi é altíssima.

Deportivo 2x1 Athletic Bilbao
No duelo mais importante para o Deportivo na temporada, os blanquiazules viraram na raça contra o Athletic Bilbao, chegou aos 42 pontos e se afastou da zona de rebaixamento, uma rodada após entrar no descenso. Mais quatro pontos contra Barcelona, no Camp Nou, e Valencia, no Mestalla, garantem os galegos na primeira divisão por mais uma vez. Para sorte dos comandados de Miguel Ángel Lotina, tanto os blaugrana quanto os chés chegarão para as partidas com suas missões já respectivamente cumpridas, enquanto que, no caso do Barcelona, deve jogar uma equipe reserva devido à final da Champions League. O Athletic Bilbao continuou em quinto lugar após a derrota, pois Atlético de Madrid e Sevilla, novamente, não triunfaram na rodada.

Nas quatro linhas, um susto logo no começo: aos 2 minutos, Toquero recebeu na direita e bate u em diagonal, sem chances para Aranzubia, silenciando o Riazor. Adrián, porém, que não vivia boa fase, voltou a puxar a responsabilidade: aos 22 minutos, o jovem arriscou um belo chute na direita, a bola desviou em Gurpegui e acabou matando Iraizoz, que não pôde fazer. No 4-2-3-1, o Deportivo exerceu uma grande pressão para cima dos bilbainos, que recuaram querendo segurar o placar. No segundo tempo, entretanto, a virada chegou. Após belo lançamento de Valerón, essencial neste fim de temporada, para Adrián, o jovem tocou no meio da área para Riki, mas Xabi Castillo acabou jogando para as próprias redes, levando o Riazor à loucura. Após o apito final, mais festa: o Deportivo está próximo da salveza.

Málaga 2x0 Sporting Gijón
Está se tornando praxe Júlio Baptista, principalmente, e Rondón tirarem o Málaga do apuro. Contra os asturianos, não foi diferente: o brasileiro abriu o placar logo no inicio, após belo chute de fora da área, e o venezuelano construiu toda a jogada do gol que sacramentou a partida, marcado por Eliseu. O brasileiro, de praxe, igualou Catanha como o único jogador a trajar blanquiazul que marca por cinco partidas consecutivas. Com essa vitória, o Málaga praticamente joga para longe as chances de cair para a Liga Adelante. O Sporting Gijón, vem vacilando há algumas rodadas, mas está a uma vitória de também garantir, oficialmente, sua manuntenção na elite espanhola.

Na partida, os gijoneses entraram em campo com cinco mudanças em relação à última partida e o efeito foi instatâneo. Bilic, isolado na frente, pouco recebeu bolas em condições, e foi peça nula no ataque rojiblanco. Destaque para a bela partida de Demichelis na zaga andaluz. O argentino é outro que vem sendo importante para a equipe neste final de temporada.

sábado, 30 de abril de 2011

34ª rodada (1ª parte): Um Agüero de Champions

Gol após gol, Agüero faz o Atlético de Madrid sonhar com Champions League a cada jogo (reuters)

O Atlético de Madrid está vivo: após a vitória por 1 a 0 contra o Deportivo La Coruña, os rojiblancos passam a sonhar verdadeiramente com a Champions League, já que a vantagem para o Villarreal é, no momento, de cinco pontos.O jogo teve um ótimo duelo entre os goleiros Aranzubia e De Gea. Sergio Lopo, zagueiro do Deportivo, recebeu o segundo cartão amarelo e deixou seu time com dez no segundo tempo. Com a expulsão de Lopo, o Atlético teve mais espaço para atuar e o aproveitou bem. Aos 80 minutos de jogo, Diego Forlán e Juanfran fizeram boa jogada pela direita e a bola chegou até Aguero, que bateu para marcar o único gol da partida e chegar a 97 com a camisa do Atlético de Madrid, ultrapassando Forlán.

Com Cristiano Ronaldo poupado, o Real Madrid jogou muito mal e acabou sendo derrotado pelo Zaragoza por 3 a 2, em pleno Santiago Bernabéu. CR7 ficou nos camarotes, sendo consolado pela belíssima Irina Shayk. Não pareciam muito interessados em assistir ao show de Lafita que teve sua tarde de herói.
O Real Madrid começou o jogo muito mal, parecendo jogar ainda com o peso da derrota para o Barcelona, na última quarta-feira, pela Liga dos Campeões. Kaká esteve em campo, mas teve atuação discreta. O brasileiro fez uma apresentação bem abaixo da que havia feito na rodada passada, contra o Valencia. O jogo estava tão sem emoção que a defesa madridista dormiu e o Zaragoza aproveitou. Eram 40 minutos do segundo tempo e o goleiro Casillas furou uma bola recuada. O nigeriano Uche chutou para o gol, mas foi Lafita quem acabou marcando o primeiro dos visitantes.

No segundo tempo José Mourinho tentou dar mais dinamismo à equipe, substituindo Nacho e Canales por Marcelo e Di María, respectivamente. Porém o Real Madrid tomaria um balde de água fria logo em seguida. Ricardo Carvalho fez pênalti sobre Lafita que Gabi bateu e ampliou para os maños. Com desvantagem de dois gols, o Real Madrid acordou e partiu para cima. Chegou a descontar com Sergio Ramos, e parecia que chegaria ao empate. Benzema chegou a acertar o travessão. Mas não era dia para os madridistas. Aos 31 minutos, Lafita puxou um contra-ataque e partiu em velocidade. O atacante do Zaragoza só parou com a bola dentro do gol de Casillas. O torcedor presente ao Bernabéu não acreditava, o Real Madrid estava sendo derrotado por 3 a1 por um dos últimos colocados do Espanhol. Os merengues ainda chegariam ao seu segundo gol, com Benzema, mas já era tarde. Ricardo Carvalho, que cometera pênalti no início do segundo tempo, acabou sendo expulso por falta sobre o nigeriano Uche.

Depois de ver o rival merengue perder em casa, o Barcelona entrou ligado em campo. Entrou como Barça, apesar das diversas mudanças feitas por Guardiola, e abriram o placar em um golaço de Thiago Alcantara - encobrindo o goleiro após passe de Xavi. Os blaugranas venciam sem se incomodar. Foram para os vestiários com um bom resultado e a chance de abrir 11 pontos de distância do Real na liderança da tabela. Mas não contava com uma reação dos donos da casa - e muito menos com um erro crucial da arbitragem. Ifrán, na metade do segundo tempo, fez 1 a 1 e esquentou as coisas. Na sequência, Gabi Milito marcou de cabeça o segundo dos catalães, mas o bandeira anulou o lance equivocadamente. O sopro de esperança para o Real Madrid veio a oito minutos do fim: Mascherano fez pênalti e Prieto bateu, marcando a virada da Real Sociedad.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

A briga que interessa

O Málaga, de Júlio Baptista, tem o melhor elenco dentre as equipes que brigam contra o descenso (getty images)

A disputa pelo título da Liga BBVA já chegou ao seu fim há algumas rodadas; da Liga dos Campeões, parece ter se reaberta após a 33ª rodada, mas nada faz pensar que o Villarreal irá perder a quarta vaga; da Liga Europa, Levante e Mallorca brigavam ferranhamente com o Espanyol para roubar uma das vagas de Athletic Bilbao, Sevilla e Atlético de Madrid, mas os dois times tropeçaram no último final de semana e deixaram a briga para o Espanyol, que está se mostrando um verdadeiro cavalo paraguaio. Resta, então, a briga para fugir da zona de rebaixamento, que vem tirando o fôlego dos simpatizantes da liga espanhola nessas últimas rodadas.

Apesar da diferença entre o Levante (10º colocado) para o Osasuna (18º colocado - primeiro da zona de rebaixamento) seja de sete pontos, o grupo de reais candidatos ao descenso diminuiu. Com quinze pontos para serem disputados e levando em conta a boa fase de Levante, Sporting Gijón e Deportivo, a tendência é que a disputa pela duas últimas vagas para a Liga Adelante (levando em consideração que o Almería, lanterna, já está virtualmente rebaixado) seja entre Real Sociedad (38), Deportivo (38), Getafe (37), Racing Santander (37), Zaragoza (36), Màlaga (36), Osasuna (35) e Hércules (33). Os gijoneses vêm de uma boa sequência de vitória e, na última rodada, conseguiram uma essencial vitória diante do Espanyol. Os blanquiazules, por sua vez, têm de ficar com o alerta ligado: para não correr riscos, o Deportivo terá pela frente Atlético de Madrid (c), Sporting Gijón (f), Athletic Bilbao (c), Barcelona (f) e Valencia (f). Uma tabela ingrata para aquele que entrou em sua pior fase na temporada.

O Hércules, penúltimo colocado, ganhou motivos para crer: a troca de treinadores (saiu Esteban Vigo e entrou Miroslav Djukic) foi assimilada com naturalidade pelo elenco, que estão lutando bravamento para escapar da degola. Drenthe, pilar da equipe após Djukic assumir os blanquiazules, recuperou o bom futebol que o levou ao Real Madrid e, a cada jogo, vem fazendo gols importantes para a equipe da Comunidade Valenciana. O grande porém é que, à medida que o Hércules vem somando pontos, seus rivais diretos também o fazem: o Málaga, que era o penúltimo colocado há três rodadas, emplacou uma sequência de três vitórias consecutivas e saiu da zona de rebaixamento após algum tempo dentro dela. Contudo, o time ainda está em alerta: no domingo, num dos jogos mais importantes da rodada (senão o mais importante), os malagueses receberão no La Rosaleda o Hércules, num jogo crucial, principalmente, para os comandados de Djukic. O Málaga não era a equipe mais apropriada para sair lá (frequentaram a zona de rebaixamento desde o começo do campeonato), mas bastou algum sucesso para aproveitar a ineficácia dos outros.

Racing Santander, Getafe e Real Sociedad estão pagando pelo péssimo 2011, sobretudo os bascos. Equipe sensação do primeiro semestre, os txuri-urdins estavam brigando por Europa até o final de janeira, quando tiveram uma queda brusca no rendimento: no segundo turno, foram somados apenas doze pontos de quarenta e cinco disputados, contra os vinte e quatro de cinquenta e sete do primeiro turno. Dedicação ao extremo é o que se fala no ambiente euskara, pois a tabela irá pedir isso: Barcelona (c), Valencia (f), Zaragoza (c), Sevilla (f), Getafe (c) são os adversários da Real Sociedad daqui ao término da rodada. O Getafe tem feito mais feio: foram conquistados apenas sete pontos dos quarenta e cinco disputados. Nas próximas rodadas, o time de Valdebebas fará dois confrontos diretos cruciais: na penúltima rodada irá enfrentar o Osasuna no Coliseum Alfonso Pérez e na última, a Real Sociedad, no Anoeta.

Difícil mesmo é prever melhora para times tão fragilizados ultimamente e sem confiança alguma. Logo, o ideal é apostar nos confrontos diretos, que poderão resolver muita coisa. Nesta rodada, como avisamos há alguns parágrafos, o Málaga irá receber o Hércules; na 35ª, o Getafe recebe o Almería, o Zaragoza joga contra o Osasuna e o Racing Santander vai a Castilla y León enfrentar o Hércules; na 36ª tem Real Sociedad contra Zaragoza; na 37ª, Getafe contra Osasuna; e na 38ª rodada, Getafe contra Real Sociedad.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Jogadores históricos: Roy Makaay

Roy Makaay teve uma ótima carreira, mas foi no Deportivo que o atacante holandês alcançou as maiores glórias (Reuters)

Roy Makaay fez parte da geração holandesa que teve Patrick Kluivert e Ruud van Nistelrooy como outros atacantes destacados. Os três passaram pelo futebol espanhol e tiveram grande destaque por lá. A porta de entrada para Makaay foi o Tenerife, mas foi vestindo a camisa azul e branca do Deportivo que o atacante brilhou. Na Galícia, o holandês será sempre lembrado por quatro títulos, uma artilharia, uma chuteira de ouro e, claro, pelos muitos gols.

O jogo de Makaay contava com uma caracteristíca básica: a facilidade para balançar as redes. Ele era rápido e pensava de forma veloz, o que dificultava muito o trabalho dos goleiros adversários. Dentro da área não havia preferência: as pernas direita e esquerda sabiam muito bem o que fazer para alcançar o gol. Com ótima impulsão, gols de cabeça não foram raridade na trajetória futebolística de Roy Makaay.

Roy Makaay começou no futebol muito cedo e antes de se profissionalizar, passou por SC Woezik, Diosa e Blauw-Wit. Mas, aos 18 anos, o Vitesse se tornou o primeiro clube profissional do atacante. Na temporada de estreia, ele ainda não conseguiu ser titular, porém anotou seu primeiro tento na Eredivisie. Logo no ano seguinte veio a titularidade e, com ela, os gols aumentaram. Em 1996-97, Makaay fez 19 tentos no campeonato local (maior número de toda sua carreira na Holanda), o que lhe garantiu a primeira convocação para a oranje e a transferência para o Tenerife do futebol espanhol.

A adaptação à terra das touradas foi rápida e mesmo jogando por um time de segundo escalão, Makaay deixou 21 gols em duas edições de La Liga. Ao final da temporada 1998-99, com o rebaixamento dos insulares, o atacante holandês acabou vendido para o Deportivo La Coruña. No debute com a camisa azul e branca na Liga Espanhola, o atacante holandês anotou um triplete contra o Alavés. Durante a temporada, ele conseguiu mais uma vez marcar três gols em um jogo contra o Atlético de Madrid. Os seus 22 gols ajudaram o Depor a chegar seu primeiro título de La Liga. Assim, além da conquista importante, o Deportivo ainda se tornou o primeiro time da Galicia a se classificar à Liga dos Campeões. E terminou o ano com a vitória na Supercopa espanhola.

O segundo título veio na temporada 2001-02, quando o Depor acabou a Liga Espanhola na segunda colocação, mas conquistou a Copa del Rey sobre o Real Madrid, que comemorava seu centenário à época. Porém, a grande temporada do holandês ocorreu em 2002-03. Sem títulos, mas um desempenho impressionante: 29 gols em La Liga, um tento na Copa del Rey e nove gols na Liga dos Campeões. Com esses números, Roy Makaay foi o artilheiro do Campeonato Espanhol e ainda levou a chuteira de ouro europeia.
O “problema” é que no primeiro jogo da LC 2002-03, o atacante holandês anotou um hat-tricks, logo contra o forte Bayern. Dessa forma, os bávaros passaram a seguir ele mais de perto e ao final da temporada, os roten pagaram quase 19 milhões de euros pelo artilheiro da Europa. Ao mesmo tempo que assombrava as defesas espanholas, Roy Makaay tinha carreira tímida na seleção holandesa. Ele esteve entre os convocados das Eurocopas de 2000 e 2004, quando esteve entre os reservas, pois a titularidade ficava com Kluivert, Nistelrooy e Bergkamp – o último, apenas em 2000.
Na Alemanha, o holandês também deixou seu nome marcado. Pelo Bayern ele quase alcançou a marca de 100 gols, nas quatro temporadas que defendeu a equipe. Além, do grande número de tentos, foram cinco títulos conquistados com os bávaros. Nas quatro edições da Bundesliga, que disputou, Roy Makaay ficou entre os quatro artilheiros em todas elas.
Seus gols ajudaram muito os roten no bicampeoanto da Bundesliga em 2004-05 e 2005-06. Porém, na Liga dos Campeões, o Bayern não conseguiu passar das quartas-de-final. Na principal competição interclubes da Europa, o holandês marcou no dia 7 de março o gol mais rápido da história da LC. Contra o Real Madrid, ele precisou de apenas 10,2 segundos para marcá-lo. Porém, com final da temporada 2006-07, Klose e Luca Toni desembarcaram em Munique e, dessa forma, Roy Makaay preferiu deixar os bávaros para voltar ao país natal.

Na Holanda, Makaay foi defender o Feyenoord. Na primeira temporada, ele ganhou seu único título na terra da oranje: a Copa da Holanda. A boa presença lhe rendeu a convocação à Olimpíada de 2008, quando a Holanda parou nas oitavas-de-final. Em 2009-10, Roy Makaay encerrou a carreira de forma mágica contra o Heerenveen. Na vitória por 6 a 2, o camisa nove anotou um hat-trick para se despedir muito emocionado do futebol. Atualmente, o ex-atacante segue no “Clube do Sul” e hoje tem ligação com a categoria sub-13 da equipe.

Roy Makaay
Nascimento: 9 de março de 1975, em Wijchen, Holanda
Posição: Atacante
Clubes: Vitesse (1993-97), Tenerife (1997-99), Deportivo La Coruña (1999-03), Bayern de Munique (2003-07) e Feyenoord (2007-10)
Títulos: La Liga (1999-00), Copa del Rey (2001-02), 2 Supercopas da Espanha (2000 e 2002), 2 Bundesliga (2004-05 e 2005-06), 2 Copas da Alemanha (2004-05 e 2005-06), Copa da Liga Alemã (2004) e Copa da Holanda (2007-08)
Seleção holandesa: 43 partidas e 6 gols