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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Grande Deportivo

 Bom início do Deportivo é fruto do trabalho feito por José Luis Oltra. Equipe tem condições de conseguir vaga na Liga Europa (getty images)

Dois jogos, uma vitória, um empate, cinco gols marcados, três sofridos. Esses são os números do Deportivo, que mostrou uma grande capacidade de reação no final de semana, contra o Valencia, no Campeonato Espanhol. Os galegos foram para o intervalo perdendo por dois gols de diferença num estádio onde, historicamente, não costuma se dar bem, mas teve méritos e construiu o empate com naturalidade e base na paciência. Um soberbo Abel Aguillar guiou o Depor, que termina a rodada entre os cinco primeiros colocados. A posição favorável e a boa partida em Paterna não surpreende pelo louvável trabalho feito em La Coruña.

Mais do que qualquer um, o consciente técnico José Luis Oltra sabe que, por mais que uma equipe seja dominante na Liga Adelante, ela precisa se reforçar para disputar a elite. O Deportivo sobrou na segundona na temporada passada e voltou à primeirona se reforçando. Foram nove contratações neste verão: Abel Aguillar, Evaldo, Salomão, André Santos, Pizzi, Nelson Oliveira, Roderick, Marchena e Camuñas. Marchena era a principal figura da sólida defesa de dois anos atrás do Villarreal e do Valencia campeão espanhol em 2004. Ironicamente, ele anotou um gol ante a equipe onde foi revelado, mas não comemorou e ainda foi aplaudido pelos torcedores. Abel Aguillar tem se destacado neste início de campanha. Escalado mais recuado do que em relação à época de Hércules, o colombiano dita o ritmo do jogo no Depor ao lado do experiente Valerón.

Os dois reforços ao ataque foram cirúrgicos. Nelson Oliveira e Pizzi, entre outros motivos, são bons concorrentes ao irregular Riki, que tem a confiança de Oltra e iniciou como titular contra Osasuna e Valencia. A revelação portuguesa já deixou o aviso: quer ganhar a vaga de titular. Ele saiu do banco dando outra mobilidade ao ataque nos dois jogos. Na estreia, anotou um golaço no Riazor. Associadas às boas fases dos meio-campistas, as novas caras dão confiança a Oltra para jogar com três homens de meio-campo, o que ele evitava há algum tempo. No entanto, o treinador vive um paradoxo: o 4-2-3-1 não rendeu tanto quanto o 4-4-2. A maior prova disso foi o domínio territorial exercido contra o Valencia na segunda tática.

Se mantiver o 4-4-2 clássico na maior parte dos jogos, Oltra ajuda demais suas estrelas. Abel Aguillar passa a jogar no setor onde mais gosta, aberto pela esquerda e impondo bastante velocidade ao setor. Camuñas, aberto pelo outro flanco, deve mostrar mais serviço quando utilizado. Sua passagem pelo Villarreal não foi positiva devido ao fato da equipe ter virado uma zona, mas o bom futebol mostrado no Osasuna dá margem a confiança. Potencial, ele tem. Pizzi finaliza bem e é mais efetivo com um parceiro. Ao contrário de Adrián López, do Atlético de Madrid, que atua aberto à direita no clube rojiblanco e é improvisado de falso nove na seleção sub-21, o português melhora o rendimento quando adiantado ao ataque.

Com intensidade e consciência do que pode fazer, o Deportivo tem outro objetivos no campeonato: alçar uma vaga à Liga Europa é possível. É a antítese do adversário de estreia, o Osasuna, que está mais enfraquecido em relação aos outros anos e não deve sair do meio da tabela - apesar da boa partida contra o Barcelona. Os blanquiazules, ao contrário, têm os pés no chão e sabem que os pontos podem vir de qualquer lugar: se conseguiu o empate no Mestalla, tem condições, por exemplo, de fazer bonito no Ramón Sanchéz Pizjuan e no Vicente Calderón. É uma equipe que sabe o que fazer com a bola e pode surpreender os gigantes na Galícia, sobretudo o Real Madrid, que venceu lá apenas uma vez em 14 anos. No Riazor é trabalho, meu filho.

Seleção da 2ª rodada
Andréz Fernandez (Osasuna); Valera (Getafe), Marchena (Deportivo), Alexis (Getafe), Miguel Torres (Getafe); Trochowski (Sevilla), Abel Aguillar (Deportivo), Lamah (Osasuna), Jonas (Valencia); Soldado (Valencia), Falcão García (Atlético de Madrid). Treinador: Luis García (Getafe)

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Balanço Final: Deportivo La Coruña

Fato: o Deportivo, única equipe da região da Galícia a conquistar a primeira divisão espanhola, irá disputar a Liga Adelante em 2011/2012 (getty images)

Campanha: 18ª colocação, 38 jogos, 10 vitórias, 13 empates e 15 derrotas. 31 gols pró e 47 gols contra.
Competição europeia: Não participou.
Copa del Rey: Eliminado nas quartas-de-finais para o Almería.
Time-base: Aranzubia; Laure, Lopo, Colotto, Manuel Pablo; Juan Rodríguez, Rubén Pérez, Valerón, Guardado; Riki, Adrián.
Os artilheiros: Adrián (10 gols), Lassad (5), Riki (3).
O técnico: Miguél Ángel Lotina.
O destaque: Adrián López.
A decepção: Riki.

A equipe de Miguel Ángel Lotina deu até logo à Liga BBVA justamente quando iria completar 20 anos de seu último acesso. A equipe, única da região da Galícia a conquistar o título da primeira divisão nacional, conquistou durante esses vinte anos, além da Liga BBVA, duas Copa do Rei e três SuperCopa da Espanhola, além de chegar às semifinais da Liga dos Campeões da Uefa. O rebaixamento, apesar de doloroso, foi justamente merecido: o Deportivo pagou pelo preço de ter sido inconstante. Começou a temporada mal, teve uma boa reação, mas, de repente, caiu de produção e entrou na zona de rebaixamento. Outro ponto negativo é um clube do tamanho do Deportivo ter que depender de um jovem de 21 anos, Adrian López, que já acertou sua ida ao Atlético de Madrid, e dos lampejos do veterano Valerón, que confirmou ficar na equipe para a disputa da Liga Adelante. Apesar de contar com Adrian, a falta de um ataque mortal fez muita falta ao Deportivo. A exemplo de comparação, os blanquiazules terminaram a competição com 31 gols: Cristiano Ronaldo, o artilheiro histórico, marcou 40 vezes, enquanto Messi, vice-artilheiro, balançou as redes as mesmas 31 vezes que os galegos.

A queda do clube galego não chega a ser surpreendente. A equipe vem com problemas financeiros há anos e cai na tabela a cada campeonato. Mas a reação à queda tem sido positiva em La Coruña. A torcida preferiu demonstrar apoio ao elenco e à tentativa de reconstrução da equipe. Além disso, o presidente Augusto César Lendoiro já anunciou que pretende renovar com alguns jogadores, como o zagueiro Diego Colotto. O contrato do argentino se encerra ao final da próxima temporada. Renovar com um dos nomes mais benquistos pela torcida indica que o clube imagina estar de volta à elite em 2012/13.

Outro sinal de mobilização foi o rápido anúncio do novo técnico. José Luis Oltra é o substituto de Miguel Ángel Lotina. O treinador teve sucesso quando implantou o 5-3-2, mas as muitas lesões, sobretudo na zaga, o fizeram mudar para o desprevenido 4-3-3. O currículo do novo comandante é irregular. Teve um grande momento ao levar o Tenerife de volta à primeira divisão em 2008/09, mas seus demais trabalhos tiveram resultados medianos. De qualquer maneira, o clube já inicia a preparação para a próxima temporada, sem perder tempo com lamentações. O retorno imediato à elite é fundamental para o futuro deportivista. O clube estava em péssima situação financeira há dois anos. A diretoria cortou gastos e investimentos em todas as áreas e, só no último ano, as dívidas caíram em € 20 milhões (mas ainda é alta: € 87 milhões). Cair para a Segundona permite ao Deportivo gastar menos com jogadores, mas não é o suficiente para compensar a queda no faturamento com TV, patrocínio e, eventualmente, bilheteria.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Balanço Final: Almería

Nesta temporada, o Almería teve poucos motivos para comemorar. Rebaixado, a base da equipe deve ser mantida para a disputa da Liga Adelante (AS)

Campanha: 20ª colocação, 38 jogos, 6 vitórias, 12 empates e 20 derrotas. 36 gols pró e 70 gols contra.
Competição europeia: Não participou.
Copa del Rey: Eliminado nas semifinais pelo vice-campeão Barcelona.
Time-base: Diego Alves; Macedo, Marcelo Silva, Carlos García, Luna; Mbami, Bernardello; Piatti, Vargas, Crusat; Ulloa.
Os artilheiros: Pablo Piatti (8 gols), Leonardo Ulloa e Kalu Uche (7), Albert Crusat (3).
Os técnicos: Juan Manuel Lillo, até a 12ª rodada; José Luis Oltra, a partir da 14ª rodada.
O destaque: Pablo Piatti
A decepção: Sofiane Feghouli

Último colocado com louvor, o Almería deu aula de desorganização nessa temporada, sobretudo no segundo semestre. A boa base do campeonato 2009/2010 foi mantida, mas o elenco desgastado e inferior aos adversário do descenso não suportou a carga de jogos (Copa del Rey + Liga BBVA) e caiu com quatro rodadas de antecedência. Com todos os caminhos apontando para o meio da tabela novamente, o clube se sustentou bem no primeiro turno da competição e chegou a dar esperanças para seus torcedores. Porém, o segundo turno foi terrível: apenas três vitórias em dezenove jogos.

Com créditos após uma boa temporada, Lillo permaneceu no cargo até a goleada sofrida ante o Barcelona por 8 a 0. Até o jogo contra os blaugrana, os rojiblancos da Andaluzia faziam um campeonato saudável, onde - acreditem - sua defesa era a terceira menos vazada. Após sua saída, Oltra deixou de usar o 4-3-2-1 e experimentou o time no 4-2-3-1 e, às vezes, no 4-3-1-2, que deixa muitos espaços para os adversários contra-atacarem. Para isso, falaram mais alto o mau desempenho daqueles que deveriam serem os protagonistas. Crusat, Uche e Vargas caíram surpreendentemente de produção no segundo semestre, deixando para Piatti a função de herói - que acabou não concluindo.

Para a disputa da Liga Adelante, o presidente Alfonso García Gabarrón promete uma série de mudanças drásticas na equipe. A começar pela troca de treinador: José Luis Oltra foi demitido logo após o término da Liga BBVA e o ex-jogador argentino Luis Zubeldía foi contratado com a missão de levar a equipe de volta à elite espanhola. O plantel deverá ser formado apenas por jogadores do mercado nacional, muito por causa, também, da economia do clube. Diego Alves , que vai para o Valencia, e Piatti, destaques da equipe na temporada, já assinaram com outros clubes - no caso de Piatti, falta apenas a confirmação do Osasuna - e será difícil achar substitutos à altura no mercado. Outra medida do presidente é tentar, sempre que possível, contratar jogadores a custo zero. Ricardo León, do Tenerife, e Toché, do Cartagena, já foram contratados desta maneira. A boa notícia é que a base da equipe rebaixada (base boa para a disputa da segundona, diga-se de passagem) deve ficar, à exceção dos dois jogadores citados e o lateral-esquerdo Luna.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Resumo: 19ª Rodada

Barcelona goleia Málaga, aproveita empate do Real Madrid e ensaia primeira fuga na competição (getty images)

Com o empate pouco digerido do Real Madrid ante o lanterna Almería, o Barcelona ensaia sua primeira fuga nesta Liga BBVA, abrindo quatro pontos de vantagens para o Real Madrid e tendo a vantagem nos critérios de desempate pela goleada no superclássico. Com o empate merengue e uma nova goleada perante o Málaga, o Barcelona encerra o primeiro turno na primeira posição, tornando-se o campeão de inverno. O que anima mais os torcedores culés é saber que, dos últimos nove campeões de inverno, apenas dois não tornaram-se campeões no final (Real Sociedad de 2002-03 e o próprio Barcelona, em 2006-07. Confira o resumo dos jogos da rodada.

Barcelona 4x1 Málaga
No dia que estreava Júlio Batista, o Málaga foi apenas mais uma presa do cada vez mais mágico time de Josep Guardiola. Sem querer levar sustos, Guardiola foi a campo com o que tinha de melhor e repetiu as escalações das manitas contra Real Madrid e Espanyol. Pellegrini, por outro lado, tinha todos os seus jogadores à disposição, mas surpreendeu ao deixar Rondón e Eliseu no banco por dentrimento de uma melhor colocação de Júlio Batista em campo. O brasileiro, de volta ao lugar onde teve sua maior glória no futebol espanhol, entretanto, não cumpriu às expectativas e não deu nenhum poder de fogo aos blanquiazules. Jogando um pouco mais avançado do que de costume, pegou na bola poucas vezes e, no resto da partida, foi anulado por Busquets e Puyol.

A partida serviu para mostrar que Villa está totalmente adaptado ao estilo de jogo do Barcelona (que facilitou por ser semelhante ao da seleção espanhola). Apesar de ainda continuar pecando no mau posicionamento, o que faz ficar em impedido com frequência, El Guaje parece estar tomando cuidado com isso. Além disso, foi responsável por um doblete, chegando a quatorze gols na temporada e ficando atrás apenas de Cristiano Ronaldo e Messi. La Pulga, por sua vez, não marcou, mas o jogo serviu para se consolidar no ranking de assistências: com uma para o primeiro gol de Villa, Messi chegou a quatorze, isolando-se no quesito. Messi poderia chegar a quinze, mas Iniesta acabou desperdiçando uma ótima oportunidade, cara a cara com Asenjo. Porém, no rebote, Pedro, como sempre na hora certa, apareceu para completar.

No feliz e calmo ambiente blaugrana, uma má notícia: Daniel Alves lesionou o músculo da perna direita, podendo ficar de 10 a 15 dias, e seu substituto, Adriano, não foi bem. Lateral direito de origem, mas mais acostumado a jogar na esquerda, Adriano não deu a mesma mobilidade no lado direito do ataque azulgrená e pode ser uma incógnita para Guardiola. Como lateral esquerdo, se consagrou no Sevilla e chegou a fazer boas partidas com os catalães, mas ainda deve na direita. A outra opção para Guardiola é a improvisação de Puyol, abrindo espaço para Milito, que resolveu ficar no Barcelona, jogar no lugar do capitán na zaga.

Este Barcelona segue quebrando recordes atrás de recordes: com a vitória sobre os malagueses, e consequentemente o título simbólico de inverno, os azulgrenás tornaram-se o maior campeão de inverno desde o novo formato da liga bbva. São incríveis 52 pontos, 17 vitórias e 28 partidas invictas. Foram apenas cinco pontos perdidos, na derrota para o Hércules e no empate contra o Mallorca (curiosamente, os dois no Camp Nou).

Almería 1x1 Real Madrid
Após quatro partidas seguidas entrando no segundo tempo, Kaká ganhou sua primeira chance como titular do Real Madrid na temporada neste domingo. Porém, o brasileiro teve atuação apagada e viu o time de José Mourinho sofrer para empatar em 1 a 1 com o Almería, lanterna do Campeonato Espanhol, e que levou de oito do Barcelona neste mesmo estádio. A escolha por jogar sem um centroavante de ofício "irritou" Valdano, além de fazer o Real Madrid pouco assustar o lanterna do campeonato. No meio-campo, Özil e Kaká bateram cabeça durante boa parte da primeira etapa, e os blancos não criaram quase nada. Na frente, a opção por Cristiano Ronaldo como falso centroavante não fez certo, desta vez. Apesar de marcar sete vezes em três jogos nessa posição nesta temporada, o português pouco pegou na bola enquanto exercia essa função e só passou a aparecer para a partida após voltar à posição original, quando Mourinho sacou Kaká para colocar Benzema e retornar ao 4-2-3-1 "original".

A relação de Valdano e Mourinho nunca foi as das mais animadoras e se azedou mais ainda após declaração dada pelo dirigente após a partida. Perguntado sobre a busca por um "nove", Valdano disparou: "havia no banco de reservas um nove hoje e o que fazem com Benzema é injustiça". Conhecido por sempre revidar, até agora Mourinho não deu nenhuma declaração diretamente a Valdano, mas é fato que a relação entre os dois está conturbada.

O empate suado foi muito comemorado pelos jogadores do Almería. E com razão. Numa semana em que disputou pela primeira vez na sua história as quartas de finais da Copa del Rey, e saiu com o resultado a favor, o empate, ainda que não o tire da lanterna, pode dar uma grande injeção de ânimo para a continuidade da temporada. Ainda que não seja unanamidade, José Luis Oltra começa a cair nas graças da torcida: seu 4-3-1-2, agredindo o Real Madrid, quase deu certo, tendo em vista que a missão de Oltra era sair com os trê pontos (apesar de improvável), mas o time cometeu um erro primário: boa parte de seus jogadores foram para frente e, assim, acabou dando espaços para o Real Madrid contra-atacar, onde acabou fatal: Benzema rolou e Granero soltou a bomba no ângulo de Diego Alves, definindo o empate. No final da partida, Cristiano Ronaldo ainda jogaria uma bola no travessão, após suposto pênalti de M'Bani, mas o jogo acabou 1 a 1, satisfazendo o Barcelona.

Atlético de Madrid 3x0 Mallorca
Querendo esquecer o mal momento na temporada, o Atlético de Madrid foi para o jogo disposto a ganhar e concentrar suas forças para a volta da Copa del Rey. O objetivo aconteceu e, mesmo sem empolgar, o Atlético de Madrid ganhou bem do Mallorca, conseguindo sua primeira vitória em 2011 pela Liga. O Mallorca pode-se dar totalmente insatisfeito com o resultado por saber que poderia ter saído do Vicente Calderón com os três pontos. O time de Laudrup teve duas chances claras de gols, mas viu o Atlético de Madrid sair na frente com Valera.

O gol do lateral direito (o primeiro pelo Atlético de Madrid desde 2006) também abre um debate: nos últimos jogos, a defesa roja, sempre elogiada por transbordar segurança, vem falhando com frequência, o que já preocupa Michael Laudrup. No segundo gol rojiblanco, a mesma tônica: o Mallorca pressionava, mas em um contra-ataque, Mérida achou Forlán entre Rúben e Nunes e o uruguaio deixou Aouate para trás para chegar ao seu sétimo gol na Liga, empatando com Agüero. No segundo tempo, De Gea viria a aparecer, defendendo um pênalti de Webó, e Reyes matou a partida em um novo contra-ataque fulminante dos anfitriões.

Elias jogou apenas quarenta e cinco minutos e causou boa imprensão. Apesar de atuar pouco tempo (foi substituido na volta do intervalo para a entrada de Juanfrán), Elias foi bem seguro na marcação do meio-campo e sempre levava perigo quando atacava. Em seu melhor estilo, o brasileiro recebeu de Tiago e acertou um belo chute cruzado, que acabou sendo impedido de entrar nas redes por Aouate. Antes do dérbi, o Atlético de Madrid finalmente encontra paz, mas a missão de remontar para cima do seu maior rival continua difícil, mesmo após os resultados conseguidos pelas duas equipes nesta rodada.

Valencia 2x0 Deportivo
No Mestalla, quando o jogo encaminhava para um 0 a 0 insonso, Mathieu apareceu na esquerda e soltou um belo chute praticamente sem ângulo para colocar o Valencia no caminho das trilhas. Numa partida onde foi claramente superior, o Valencia encontrou algumas dificuldades para cerrar a defesa blanquiazul, novamente escalada com cinco zagueiros. A de se destacar a partida de Tino Costa. Preterido por Unai, o argentino entrou na segunda etapa e foi um dos principais responsáveis pela vitória ché. Importante nas infiltrações pelos flancos e na organização de jogo, foi dele, por exemplo, a assistência para o gol de Pablo Hernández, que fechou o marcador. Antes da entrada do argentino, o Valencia voltou a mostrar sua carência quanto a criação. Aproveitando-se disso, o Depor dominou o meio-campo, mas não conseguiu capitalizar a posse de bola em oportunidades de gols. Após o jogo, Lotina voltou a lamentar a falta de pegada de sua equipe. Segundo o técnico blanquiazul, oportunidades foram criados; porém, faltou mais cuidados para concluí-las com exitos.

Sevilla 1x2 Espanyol
O Sevilla voltou a decepcionar. Juventude, muitas ganas, inteligência e boa colocação no terreno de jogo. Qualidade pouca. Quase nenhuma alteração desde a comissão técnica. Pegada... pouca, porque o atacante titular se lesionou para dois meses. Só com esses adjetivos, o Espanyol venceu o Sevilla. Há algum tempo isso não teria acontecido de forma alguma. A imagem não foi tão ruim como nas apresentações ante o Getafe, Mallorca e Almería, porém, isso não deve esconder os gravíssimos problemas dessa equipe, que agora é dependente de jogadores como Romaric. Não se pode dizer que o Espanyol foi melhor no primeiro tempo, apesar do gol. Tampouco pode se falar de uma clara superioridade sevillista. Os jogadores de Manzano tiveram mais posse de bola, chegaram mais e foram superiores em quase todos os atributos de um jogo, porém, possuem carências e os rivais exploram isso. O Sevilla sofre até mesmo quando parece estar dominando a partida. Atrás é um desastre.

O segundo tempo foi uma cópia do primeiro. Domínio e posse de bola sevillista com pouca pegada e dúvidas no meio de campo, onde Romaric ficava sem gasolina. A zaga também era insegura. Todas as chegadas eram geradas pelas laterais e Kameni detinha os poucos chutes que Luís Fabiano e Kanouté eram capazes de tentar. O Espanyol mandou uma bola nas costas da defesa para Callejón e Martín Cáceres se fez de louco e falhou de forma imperdoável. Logicamente, Callejón fuzilou a Javi Varas com prazer e chegou ao doblete. Foi aí que a partida morreu para o Sevilla, jogo que não poderia perder se quisesse seguir alimentando o sonho de conseguir os seus objetivos na temporada. O seguinte gol de Negredo foi muito bonito, porém, não houve tempo para mais.

Villarreal 4x2 Osasuna
Com direito a um "gol que Pelé não fez" de Cani , o Villarreal bateu o Osasuna por 3 a 1 e concentra suas forças no confronto contra o Sevilla pela copa del rey. A vitória também serviu para reafirmar que, faltando um turno para o fim do campeonato, parece difícil alguém tirar a terceira colocação do Villarreal, que vai assegurando o título do "campeonato paralelo". Ante o Osasuna, o Villarreal voltou a mostrar sua qualidade ofensiva. Velozes e bem entrosados, Rossi e Marco Rúben infernizaram a vida dos zagueiros rojos. Prova de maior intesidade do ataque amarillo é ver que, nos últimos quatro jogos, o time marcou treze gols. Porém, se há uma ótima qualidade ofensiva, a defesa recompensa: nesses últimos quatro jogos, recebeu dez gols. Essa incostância acontece muito por causa da exposição que vive a defesa amarilla. Como os volantes e os laterais sobem demais, os zagueiros ficam sempre sobrecarregados caso o time sofra algum contra-ataque.

Na estreia de Cicinho, que fez uma partida segura, palmas para Cani. Na volta para o intervalo, o meio-campista acertou um lindo chute desde o meio-campo encobrindo Ricardo, que estava bem adiantado. Se há o que se destacar no Osasuna esse é a sua persistência. O time de Navarra não se rende nunca e, mesmo não tendo um time bom tecnicamente, a intesidade é a mesma.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Análise do primeiro turno: Almería

Pênalti é com ele: Diego Alves já agarrou onze dos quatorze pênaltis marcados contra o Almería na competição. Vai uma aulinha? (AP Photos)

Campanha
17ª posição. 16 jogos, 13 pontos. 2 vitórias, 7 empates e 7 derrotas. 15 gols pró e 25 gols contra.

Técnico
Juan Manuel Lillo, até a décima segunda rodada; José Luis Oltra, a partir da décima quarta. Na Espanha, quando se fala em Lillo, a primeira coisa que vem à cabeça é o feito do técnico de Tolosa em tirar o até então desconhecido Salamanca da segunda B e, em duas temporadas consecutivas, levá-la à Liga BBVA. Lillo, também, é conhecido por ser o treinador mais jovem da história do futebol espanhol a debutar em uma competição (29 anos). O técnico, então, foi encarregado de, em 2009-10, tirar o Almería da zona de rebaixamento, e começou sua nova "aventura". Trás conseguir a permanência na Liga BBVA, teve seu contrato prorrogado até 20 de maio de 2011, uma temporada a mais. Porém, em novembro desse ano, o Almería tinha um time eficaz e uma defesa bem sólida, mas tudo foi por água abaixo quando acabou goleado pelo Barcelona por 8 a 0, o que acabou valendo a demissão de Lillo. Para seu lugar, foi chamado José Luís Oltra, que ainda não achou o módulo necessário para fazer o Almería voltar a jogar futebol de verdade, desde aquela fatídico 20 de novembro.

Destaque
Diego Alves. O goleiro vai mostrando o porquê de ser um dos jogadores mais cobiçados do futebol espanhol. Pela terceira temporada consecutiva, vai sendo o destaque de um time com pouca criatividade no meio-campo. Nesta temporada, foram marcados contra o Almería quatorze pênaltis, onde somente três deles entraram: os outro nove foram tudos pegos pelo o goleiro brasileiro, que vai mostrando sua principal virtude por mais uma temporada - em 2009-10, o goleiro acabou o campeonato como o maior pegador de pênaltis. Piatti também segue se destacando no ataque e é o artilheiro da equipe com cinco gols. A sua dupla, Uche, vive uma fase muito boa, com 0,36 gols por partida. Antes da partida contra o Barcelona, a defesa andaluza era bem sólida e só ficava atrás apenas das defesas de Real Madrid e Barcelona, como as menos vazadas da competição.

Decepção
Ulloa. Quando Lillo utilizou o 4-1-2-3, era por um único motivo: unir Piatti, Uche e Ulloa. Os dois primeira seguem à risca do treinador, mas o terceiro "parou no tempo". Ulloa ainda não achou o futebol da temporada passada, o que já fez Oltra ficar revezando entre o 4-2-2-2 e 4-3-1-2. A paciência do técnico reflete-se fora de campo: o jogador passou a conviver com problemas extracampos, que estão minando seu futebol. O diretor esportivo do clube, Alberto Benito, já avisou que poderá dar uma multa ao jogador caso os problemas voltem a acontecer e também já avisou que o time não irá se reforçar no mercado de inverno.

Perspectiva
Permanecer na Liga BBVA. Após a demissão de Lillo, o time teve uma queda brusca de rendimento, que o colocou na décima sétima posição e com os mesmos pontos do Málaga, que já vai crescendo no campeonato e é o primeiro da zona. A defesa precisa voltar a ser a mesma desde o jogo contra o Barcelona, quando era a terceira melhor do campeonato. O ataque não tem nada a se queixar, porém o meio-campo carece de criatividade. A esperança é que Piatti não saia na janela de transferências de janeira e continue fazendo boa dupla com Uche.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Balanço final: Tenerife

Com uma temporada fraca, o Tenerife não conseguiu pontos suficientes para continuar na Liga BBVA (reuters)

TENERIFE (19º COLOCADO)

TÉCNICO: José Luis Oltra
COMPETIÇÃO EUROPEIA: não participou de nenhuma
COPA DEL REY: caiu na primeira fase
DESTAQUE: Alejandro Alfaro (meia)
ARTILHEIRO: Nino (14 gols)
NOTA DA TEMPORADA: 3,5

O Tenerife não foi completamente ruim. Apresentou bom futebol em alguns momentos e teve uma campanha em casa acima da média para equipes que lutam contra o rebaixamento. No entanto, é inadmissível um time conquistar apenas uma vitória como visitante, e apenas na 32ª rodada. Para piorar, a defesa deu pane em diversos jogos, fragilizando a confiança da equipe em algumas goleadas sofridas. Desse modo, foi difícil conseguir uma sequência mínima de bons resultados, o suficiente para propiciar aos tinerfeños um salto na classificação.

Chegando a incomodar o Barcelona, no Camp Nou, quando deixou o jogo empatado até os 30 do segundo tempo, o Tenerife fez boas partidas contra os grandes, mas faltou experiências para os blanquiazules em determinados momentos. Como por exemplo, na partida do turno contra o próprio Barcelona, nos primeiros 10 minutos de partidas, o Tenerife chegou ao gol de Victor Valdés 4 vezes e em 2 delas enxergou a trave no seu caminho. Para comprovar a falta de sorte, viu o Barcelona, que sofreu sufoco durante os primeiro 30 minutos da primeira parte, abrir 3 a 0 só no primeiro tempo. E ainda teve que aguentar uma partida inspirada de Lionel Messi, que marcou um dos seus 3 hat-tricks na temporada.

Para a próxima temporada, de certeza mesmo, apenas a de que os seus grandes destaque na temporada, Alfáro e Nino, não continuarão mais no clube.