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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Difícil de explicar, fácil de entender

 Os jogadores lamentam: o Villarreal está rebaixado para a Liga Adelante (getty images)

Há seis anos, a comunidade de Castellón lamentava o fato de não poder ver seu representante na final da Liga dos Campeões. Um pênalti desperdiçado por Riquelme, que, segundo muitos torcedores, foi o melhor jogador a vestir a camisa amarilla, deixou a equipe comandada por Manuel Pellegrini a um passo de chegar a final de Paris contra o Barcelona. Ontem, exatamente às 21h50 local, após o apito final de Estrada Fernández, a lamentação tornou-se lágrimas. Seis anos depois de viver seu auge, o estopim de uma crise que começou cedo, logo no início da temporada, teve conhecimento: o El Madrigal presenciou o rebaixamento do Villarreal à Liga Adelante.

Com perdão do trocadilho: o Submarino Amarelo afundou. Como diz o título do texto, a queda é difícil de explicar, mas fácil de entender. Nada deu certo na temporada. Mesmo possuindo um elenco forte para, pelo menos, disputar Liga Europa, as ausências de Cazorla, Capdevilla e Rossi foram sentidas. A bem da verdade, a lesão do ítalo-americano logo na introdução da temporada não seria tão sentida se, junto com ele, Nilmar não tivesse ido junto. Quando soube que ficaria sem seus principais atacantes, tudo começou a desandar. Enquanto Rossi continuou patinando no Departamento Médico, Nilmar voltou. Entretanto não era nem a sombra daquele atacante veloz e ágil que infernizava as defesas. 

Um dos principais motivos para a queda foi a atuação do setor defensivo no andamento da temporada. Frágil e sempre muito desprotegido, principalmente pelo estilo de jogo ofensivo da equipe, concedeu 60 gols. Dessa maneira, ficou difícil para o ataque compensar na frente. No entanto, esse setor também foi problema. Principal responsável pelos méritos do time nos últimos anos, a ligação meio de campo-ataque inexistiu. Sem Rossi, custou para arranjar um atacante decente, sobretudo após retorno abaixo da média de Nilmar. Lotina chegou a jogar no 4-2-3-1 em detrimento do 4-4-2 que tanto deu frutos positivos ao clube. Marco Rúben foi o artilheiro da temporada com 9 gols. A exemplo de comparação, o vice-artilheiro da temporada passada, Nilmar, marcou 13 (Rossi, o artilheiro, anotou 20). O gaúcho, em queda livre, anotou apenas quatro em 2011/2012. Os testes foram múltiplos. Martinuccio foi contratado por empréstimo junto ao Fluminense no inverno; Hernán Pérez foi muito utilizado; e até o canterano Joselu teve que ser efetivado para ajudar, num claro sinal de desespero.

A crise econômica também afetou dentro de campo. Sem um substituto natural para Cazorla, vendido ao Málaga, onde irá disputar a Champions League, para fazer caixa, custou aos amarillos criarem jogadas. Borja Valero foi a força motriz do ataque até dezembro, criando jogadas impensáveis para qualquer outro jogador do elenco e decidindo com gols. Mas ele enfrentou um período bem improdutivo entre janeiro e abril, quando caiu substancialmente de produção. Incapaz de criar oportunidades com a frequência de 2011, o Borja Valero de 2012 foi bem menos brilhante. Todavia, ainda conseguiu ser melhor que Cani, decepcionante à medida que se tornava-se o principal jogador da equipe devido as lesões dos principais. A temporada de Marcos Senna é a mais irônica. Mal e relegado à reserva em 2010/2011, quando os castellonenses terminaram em 4º e foram semifinalistas da Liga Europa, o brasileiro naturalizado espanhol deu a volta por cima justamente no pior momento do clube desde sua chegada. Senna domina o meio-campo, ataca e defende com a mesma eficiência e consegue ser ainda melhor do que em 2007/2008, quando foi vice-campeão e premiado com uma vaga à Eurocopa.

Contratado em fevereiro, após as demissões de Juan Carlos Garrido e José Molina, Miguel Ángel Lotina encarou uma situação que, negativamente, tem sido corriqueira em sua carreira. É o quinto rebaixamento do treinador, antes rebaixado com Logronês, Celta Vigo, Real Sociedad e Deportivo La Coruña, igualando as marcas de Fernando Vázquez e Lucien Müller. O do Villarreal foi semelhante ao do Celta Vigo 2003/2004 de Lotina e o Deportivo da temporada passada do basco. Os celestes, há oito temporadas, começaram o ano na Champions League e terminaram rebaixados, exatamente como os amarillos. Os galegos, por sua vez, foram rebaixados, mas deixaram a sensação de azar justamente por possuírem, entre os postulantes ao descenso, a melhor equipe, assim como o Villarreal 2011/2012. A Liga Adelante também sofre as consequências da queda amarrila. O Villarreal B, em 13º na tabela, é automaticamente rebaixado à Segunda B pelo fato do regulamento não permitir a participações de dois times da mesma instituição numa mesma divisão.

O desmanche no elenco deverá ser grande. Para fazer caixa, será necessário vender. Rossi, Nilmar, Borja Valero, Cani, Mussachio, Marco Rúben serão nomes eternamente ligado às especulações durante o verão. O brasileiro já havia recebido propostas da Roma e do futebol brasileiro nos últimos mercados, mas o clube não quis vender. Agora, será obrigado. Marcos Senna, Ángel e Gonzalo afirmaram querer continuar a fim de ajudar no retorno à elite. Renovar com as bandeiras do clube, os nomes mais benquistos pela torcida, indica que o Villarreal imagina estar de volta à elite em 2013/14. Porém, tudo é incógnita. E o meio-campo e ataque, principais setores da equipe? Como será o mercado? Quem fica? Quem sai? Quem chega? Tudo é incógnita.

A família Roig, responsável pelas ações do clube, viveu um drama na noite passada. A tragédia se personificou em Fernando Roig. O máximo acionista e presidente do clube castellonense acompanhou a partida nas tribunas do El Madrigal ao lado de seu filho José Manuel Llaneza, vice-presidente. Durante anos, o Villarreal sempre foi exemplo de gestão esportiva e econômica. Também dentro de campo, praticando um futebol charmoso, atraente, valente, com a busca pela posse de bola. Bastou uma temporada de adversidade tanto interna como externamente para tudo cair por água abaixo. Após o término da partida, Roig desceu ao gramado, onde, sob lágrimas, foi ovacionado pela torcida, que não se esquece do que ele fez pelo clube nesses últimos dez anos. Fora do estádio, os gritos dos aficionados para os jogadores foram de mercenários. Não é hora de buscar culpado ou desculpas. Aos torcedores amarillos, a boa notícia é que Roig não vai abandonar o projeto. A Liga BBVA perde um time que desempanhava um belo futebol, mas o espera ansiosamente pelo retorno.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Balanço Final: Deportivo La Coruña

Fato: o Deportivo, única equipe da região da Galícia a conquistar a primeira divisão espanhola, irá disputar a Liga Adelante em 2011/2012 (getty images)

Campanha: 18ª colocação, 38 jogos, 10 vitórias, 13 empates e 15 derrotas. 31 gols pró e 47 gols contra.
Competição europeia: Não participou.
Copa del Rey: Eliminado nas quartas-de-finais para o Almería.
Time-base: Aranzubia; Laure, Lopo, Colotto, Manuel Pablo; Juan Rodríguez, Rubén Pérez, Valerón, Guardado; Riki, Adrián.
Os artilheiros: Adrián (10 gols), Lassad (5), Riki (3).
O técnico: Miguél Ángel Lotina.
O destaque: Adrián López.
A decepção: Riki.

A equipe de Miguel Ángel Lotina deu até logo à Liga BBVA justamente quando iria completar 20 anos de seu último acesso. A equipe, única da região da Galícia a conquistar o título da primeira divisão nacional, conquistou durante esses vinte anos, além da Liga BBVA, duas Copa do Rei e três SuperCopa da Espanhola, além de chegar às semifinais da Liga dos Campeões da Uefa. O rebaixamento, apesar de doloroso, foi justamente merecido: o Deportivo pagou pelo preço de ter sido inconstante. Começou a temporada mal, teve uma boa reação, mas, de repente, caiu de produção e entrou na zona de rebaixamento. Outro ponto negativo é um clube do tamanho do Deportivo ter que depender de um jovem de 21 anos, Adrian López, que já acertou sua ida ao Atlético de Madrid, e dos lampejos do veterano Valerón, que confirmou ficar na equipe para a disputa da Liga Adelante. Apesar de contar com Adrian, a falta de um ataque mortal fez muita falta ao Deportivo. A exemplo de comparação, os blanquiazules terminaram a competição com 31 gols: Cristiano Ronaldo, o artilheiro histórico, marcou 40 vezes, enquanto Messi, vice-artilheiro, balançou as redes as mesmas 31 vezes que os galegos.

A queda do clube galego não chega a ser surpreendente. A equipe vem com problemas financeiros há anos e cai na tabela a cada campeonato. Mas a reação à queda tem sido positiva em La Coruña. A torcida preferiu demonstrar apoio ao elenco e à tentativa de reconstrução da equipe. Além disso, o presidente Augusto César Lendoiro já anunciou que pretende renovar com alguns jogadores, como o zagueiro Diego Colotto. O contrato do argentino se encerra ao final da próxima temporada. Renovar com um dos nomes mais benquistos pela torcida indica que o clube imagina estar de volta à elite em 2012/13.

Outro sinal de mobilização foi o rápido anúncio do novo técnico. José Luis Oltra é o substituto de Miguel Ángel Lotina. O treinador teve sucesso quando implantou o 5-3-2, mas as muitas lesões, sobretudo na zaga, o fizeram mudar para o desprevenido 4-3-3. O currículo do novo comandante é irregular. Teve um grande momento ao levar o Tenerife de volta à primeira divisão em 2008/09, mas seus demais trabalhos tiveram resultados medianos. De qualquer maneira, o clube já inicia a preparação para a próxima temporada, sem perder tempo com lamentações. O retorno imediato à elite é fundamental para o futuro deportivista. O clube estava em péssima situação financeira há dois anos. A diretoria cortou gastos e investimentos em todas as áreas e, só no último ano, as dívidas caíram em € 20 milhões (mas ainda é alta: € 87 milhões). Cair para a Segundona permite ao Deportivo gastar menos com jogadores, mas não é o suficiente para compensar a queda no faturamento com TV, patrocínio e, eventualmente, bilheteria.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Análise do primeiro turno: Deportivo La Coruña

O Deportivo sonha com alguma competição europeia, mas o ataque improdutivo complica (reuters)

Campanha
13ª posição. 16 jogos, 18 pontos. 4 vitórias, 6 empates e 6 derrotas. 13 gols pró e 19 gols contra.

Técnico
Miguel Ángel Lotina. Na temporada passada, o Deportivo viveu um primeiro semestre muito bom, chegando a ocupar a terceira posição do campeonato. Porém, o cenário começou a ficar turbulento após a lesão de Filipe Luís e, a partir daí, os blanquiazules caíram numa má fase brusca. Boa parte do sucesso do primeiro trimestre era por causa do módulo 5-3-2 de Lotina, que privilegiava a defesa. Porém, de uma hora para outra, Lotina resolveu começar o campeonato em um 4-3-1-2, o que fez o Deportivo chegar a assumir a último posição. Sem opção, restou a Lotina voltar ao 5-3-2, que logo deu resultado. Com uma defesa sólida e poucas vezes ameaçada, o Deportivo voltou a respirar aliviado na competição, e o rebaixamento parece longe. Disputar uma competição europeia é o desejo de Lotina.

Destaque
Guardado. O mexicano começou muito bem a temporada comandando o meio-campo galego. Em votação recente no país, foi considerado o segundo melhor jogador do México, ficando atrás apenas do mancuniano Javier Hernándes, o Chicharito. No entanto, Guardado se lesionou e ficou afastados algumas rodadas, que acabaram essênciais à recuperação do Depor na competição. Nesse tempo, foi o espanhol Antonio Tomás que apareceu bem e não deixou o padrão de jogo do meio-campo cair.

Decepção
O ataque. Os torcedores galegos são, definitivamente, orfãos de Roy Makaay e, principalmente, Diego Tristán. Há muito tempo o ataque blanquiazul não impõe respeito desde a ida de Tristán ao futebol inglês. Com apenas 13 gols marcados, o Deportivo tem o terceiro pior ataque da compeitção. O promissor Adrián Lopez ainda não despontou e só conseguiu balançar as redes duas vezes até aqui. Riki não passou de um tento. A recuperação do bom momento desses jogadores vai ser essencial para definir se o time terá ou não condições de disputar uma competição europeia.

Perspectiva
Meio da tabela ou competição europeia. Não dá para saber realmente o que esperar desse Deportivo. A defesa é sólida; porém, o ataque é improdutivo. Uma sequência de vitórias é o necessário para fazer a equipe acreditar que pode chegar numa Liga Europa. Segundo o defensor Zé Castro, o grupo encontrou confiança recentemente. E, com confiança, um bom meio-campista como Guardado, um goleiro regular como Aranzubia e gente como Lopo, Tomás e Lassad é possível, sim, sonhar.