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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Procura-se um centroavante

 Cazorla, Marcos Senna e Rossi abraçados com Nilmar se aproximando: bons tempos, Villarreal (getty images)

Em 2010/2011, o Villarreal encantou. Em quarto lugar na Liga Espanhola e semifinalista da Liga Europa, onde caiu para o futuro campeão Porto, a equipe apresentou um dos mais belos futebol da Espanha - atrás somente, claro, de Barcelona e Real Madrid. Era um futebol coeso, inteligente, preciso, que tinha na ligação meio-ataque seu principal trunfo. Com Cazorla, Rossi, Nilmar, Cani e Borja Valero no auge da forma, a equipe voava em campo. Uma temporada depois, o Submarino Amarelo mostrou sua face mais decepcionante. A saída de Cazorla representou, dentro de campo, o afogamento de todo o time, sem trocadilho. Para piorar a situação, ainda viu Nilmar e Rossi, seus principais atacantes, se lesionarem. O ítalo-americano até hoje não voltou. O nível futebolístico, como esperado, decaiu e a consequência foi fatal: o rebaixamento à Liga Adelante.

Por ironia do destino, os amarillos ainda presenciaram o sucesso de Cazorla no Málaga: o meio-campista foi um dos principais responsáveis pela ida do clube blanquiazul à Uefa Champions League, competição na qual, há seis anos, o Villarreal chegara à semifinal. Para a disputa da Liga Adelante, o clube precisa fazer uma reformulação em todos os setores. No gol, precisa achar um goleiro confiável após a saída do bom Diego López ao Sevilla. A zaga, um desastre na temporada passada, pode perder sua principal referência, o capitão Gonzalo, prestes a acertar com o Bétis. Para a lateral direita, o clube já confirmou o retorno de Javi Venta, que irá entrar no lugar de Ángel, que não quis renovar. Quem também optou por não renovar foi o xerifão Marchena. A lateral esquerda também é um problema: Zapata e até Mussacchio passaram por ali, mas nenhum se firmou. A ausência de Capdevila também é bastante sentida.

O meio-campo, que não é mais o mesmo, teve duas perdas significativas: De Guzmán, emprestado ao Swansea, e Bruno Soriano, que pode estar de partida ao Atlético de Madrid. A notícia boa é que Marcos Senna, Cani e Borja Valero (que, a bem da verdade, está indeciso), pilares de um setor que carece de fantasia, estão dispostos a ajudar a equipe a disputar a segundona. Borja Valero faz as vezes de armador, mas não é um necessariamente. Pelo visto, irá continuar exercendo essa posição na nova temporada. Até com treinadores a fase é negra. Um dia após anunciar o nome de Manolo Preciado, o cantabriano sofreu um ataque cardíaco e, infelizmente, veio a falecer. Sem condições de contratar um nome top, a diretoria resolveu efetivar Julio Velázquez, ex-treinador do Villarreal C e B, à equipe principal.

Contudo, nenhuma posição preocupa mais que o ataque. Hoje, a equipe só tem à disposição, de referência, Uche, que retornou após um empréstimo ao Granada. Nilmar foi vendido ao Al Rayyan, Marco Rúben rumou ao Dínamo Kiev e Martinuccio não teve seu empréstimo renovado. Hernán Pérez pode fazer essa função, embora suas características seja mais adequadas as de segundo atacante. A diretoria foi a Buenos Aires tentar fechar com Viatri, mas um desacordo na hora de finalizar as bases salarias fizeram o Boca Juniors desistir de negocioar seu centroavante. O jeito deveria ser depositar todas as esperanças em Rossi. Deveria, porque o ele é incógnita. Após romper os ligamentos do joelho duas vezes consecutivas, muito provavelmente ele não será o mesmo jogador de duas temporadas. A velocidade, seu principal atributo, deverá cair bastante. Além disso, o italiano deverá perder parte da temporada: sua operação está marcada para agosto e o retorno aos gramados, para fevereiro apenas.

Em suma, dois fatores vão definir o teor da temporada dos amarillos: as necessárias contratações à cada setor do campo e o preenchimento do potencial do time. A última temporada de Marcos Senna serviu para renascer o jogador, que vinha de duas temporadas negativas em sequência. Por ironia do destino, a boa fase do hispano-brasileiro foi justamente no período de queda do Villarreal, mas ele poderá (como será) o mais importante jogador do time na Liga Adelante. Rossi é um ponto de interrogação e não pode-se tê-lo como esperança de algo. Até se adaptar novamente, vai demorar. Em uma breve comparação com o Deportivo da temporada passada, o Villarreal leva a pior. Os galegos, pelo menos, manteram uma peça-chave de cada posição e não precisaram se reestruturarem. O Submarino Amarelo é obrigado a fazer isso, embora as condições financeiras seja ingrata. A pressão para retornar à elite é grande. A torcida se acostumou a ver a equipe a brigar firme por Champions League, a bater de frente com os grandes e ver fases decisivas das competições europeias. Após anos estáveis, o nível de exigência no El Madrigal aumentou demais.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Difícil de explicar, fácil de entender

 Os jogadores lamentam: o Villarreal está rebaixado para a Liga Adelante (getty images)

Há seis anos, a comunidade de Castellón lamentava o fato de não poder ver seu representante na final da Liga dos Campeões. Um pênalti desperdiçado por Riquelme, que, segundo muitos torcedores, foi o melhor jogador a vestir a camisa amarilla, deixou a equipe comandada por Manuel Pellegrini a um passo de chegar a final de Paris contra o Barcelona. Ontem, exatamente às 21h50 local, após o apito final de Estrada Fernández, a lamentação tornou-se lágrimas. Seis anos depois de viver seu auge, o estopim de uma crise que começou cedo, logo no início da temporada, teve conhecimento: o El Madrigal presenciou o rebaixamento do Villarreal à Liga Adelante.

Com perdão do trocadilho: o Submarino Amarelo afundou. Como diz o título do texto, a queda é difícil de explicar, mas fácil de entender. Nada deu certo na temporada. Mesmo possuindo um elenco forte para, pelo menos, disputar Liga Europa, as ausências de Cazorla, Capdevilla e Rossi foram sentidas. A bem da verdade, a lesão do ítalo-americano logo na introdução da temporada não seria tão sentida se, junto com ele, Nilmar não tivesse ido junto. Quando soube que ficaria sem seus principais atacantes, tudo começou a desandar. Enquanto Rossi continuou patinando no Departamento Médico, Nilmar voltou. Entretanto não era nem a sombra daquele atacante veloz e ágil que infernizava as defesas. 

Um dos principais motivos para a queda foi a atuação do setor defensivo no andamento da temporada. Frágil e sempre muito desprotegido, principalmente pelo estilo de jogo ofensivo da equipe, concedeu 60 gols. Dessa maneira, ficou difícil para o ataque compensar na frente. No entanto, esse setor também foi problema. Principal responsável pelos méritos do time nos últimos anos, a ligação meio de campo-ataque inexistiu. Sem Rossi, custou para arranjar um atacante decente, sobretudo após retorno abaixo da média de Nilmar. Lotina chegou a jogar no 4-2-3-1 em detrimento do 4-4-2 que tanto deu frutos positivos ao clube. Marco Rúben foi o artilheiro da temporada com 9 gols. A exemplo de comparação, o vice-artilheiro da temporada passada, Nilmar, marcou 13 (Rossi, o artilheiro, anotou 20). O gaúcho, em queda livre, anotou apenas quatro em 2011/2012. Os testes foram múltiplos. Martinuccio foi contratado por empréstimo junto ao Fluminense no inverno; Hernán Pérez foi muito utilizado; e até o canterano Joselu teve que ser efetivado para ajudar, num claro sinal de desespero.

A crise econômica também afetou dentro de campo. Sem um substituto natural para Cazorla, vendido ao Málaga, onde irá disputar a Champions League, para fazer caixa, custou aos amarillos criarem jogadas. Borja Valero foi a força motriz do ataque até dezembro, criando jogadas impensáveis para qualquer outro jogador do elenco e decidindo com gols. Mas ele enfrentou um período bem improdutivo entre janeiro e abril, quando caiu substancialmente de produção. Incapaz de criar oportunidades com a frequência de 2011, o Borja Valero de 2012 foi bem menos brilhante. Todavia, ainda conseguiu ser melhor que Cani, decepcionante à medida que se tornava-se o principal jogador da equipe devido as lesões dos principais. A temporada de Marcos Senna é a mais irônica. Mal e relegado à reserva em 2010/2011, quando os castellonenses terminaram em 4º e foram semifinalistas da Liga Europa, o brasileiro naturalizado espanhol deu a volta por cima justamente no pior momento do clube desde sua chegada. Senna domina o meio-campo, ataca e defende com a mesma eficiência e consegue ser ainda melhor do que em 2007/2008, quando foi vice-campeão e premiado com uma vaga à Eurocopa.

Contratado em fevereiro, após as demissões de Juan Carlos Garrido e José Molina, Miguel Ángel Lotina encarou uma situação que, negativamente, tem sido corriqueira em sua carreira. É o quinto rebaixamento do treinador, antes rebaixado com Logronês, Celta Vigo, Real Sociedad e Deportivo La Coruña, igualando as marcas de Fernando Vázquez e Lucien Müller. O do Villarreal foi semelhante ao do Celta Vigo 2003/2004 de Lotina e o Deportivo da temporada passada do basco. Os celestes, há oito temporadas, começaram o ano na Champions League e terminaram rebaixados, exatamente como os amarillos. Os galegos, por sua vez, foram rebaixados, mas deixaram a sensação de azar justamente por possuírem, entre os postulantes ao descenso, a melhor equipe, assim como o Villarreal 2011/2012. A Liga Adelante também sofre as consequências da queda amarrila. O Villarreal B, em 13º na tabela, é automaticamente rebaixado à Segunda B pelo fato do regulamento não permitir a participações de dois times da mesma instituição numa mesma divisão.

O desmanche no elenco deverá ser grande. Para fazer caixa, será necessário vender. Rossi, Nilmar, Borja Valero, Cani, Mussachio, Marco Rúben serão nomes eternamente ligado às especulações durante o verão. O brasileiro já havia recebido propostas da Roma e do futebol brasileiro nos últimos mercados, mas o clube não quis vender. Agora, será obrigado. Marcos Senna, Ángel e Gonzalo afirmaram querer continuar a fim de ajudar no retorno à elite. Renovar com as bandeiras do clube, os nomes mais benquistos pela torcida, indica que o Villarreal imagina estar de volta à elite em 2013/14. Porém, tudo é incógnita. E o meio-campo e ataque, principais setores da equipe? Como será o mercado? Quem fica? Quem sai? Quem chega? Tudo é incógnita.

A família Roig, responsável pelas ações do clube, viveu um drama na noite passada. A tragédia se personificou em Fernando Roig. O máximo acionista e presidente do clube castellonense acompanhou a partida nas tribunas do El Madrigal ao lado de seu filho José Manuel Llaneza, vice-presidente. Durante anos, o Villarreal sempre foi exemplo de gestão esportiva e econômica. Também dentro de campo, praticando um futebol charmoso, atraente, valente, com a busca pela posse de bola. Bastou uma temporada de adversidade tanto interna como externamente para tudo cair por água abaixo. Após o término da partida, Roig desceu ao gramado, onde, sob lágrimas, foi ovacionado pela torcida, que não se esquece do que ele fez pelo clube nesses últimos dez anos. Fora do estádio, os gritos dos aficionados para os jogadores foram de mercenários. Não é hora de buscar culpado ou desculpas. Aos torcedores amarillos, a boa notícia é que Roig não vai abandonar o projeto. A Liga BBVA perde um time que desempanhava um belo futebol, mas o espera ansiosamente pelo retorno.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

2ª rodada: Avassalador

Guardiola mandou a campo um 3-4-3 arriscado, sem zagueiros de ofícios, mas viu seu Barcelona golear com facilidade uma das melhores equipes do futebol espanhol (reuters)

No encerramento da primeira rodada da temporada, um Barcelona avassalador e sem quatro jogadores de defesa goleou facilmente um Villarreal abatido, com cara de desgastado. O resultado, que foi saindo com leveza, deixou o presidente do Villarreal indignado com o atual estado do futebol espanhol. "ou mudamos isso ou iremos matar o futebol espanhol", disparou Fernando Roig, referindo-se à política de cotas televisivas, que pagam um dinheirão aos gigantes da Espanha e uma migalha para os outros clubes. Isso ajuda os dois principais clubes a gastarem fortunas no mercado e montarem elencos superiores a qualquer outros, fazendo com que haja essa disparidade técnica existente no futebol espanhol já há três, quatro temporadas.

Barcelona 5x0 Villarreal
Foi fácil. Mais até do que o esperado. Na estreia do Barcelona no campeonato espanhol, contra o Villarreal, os blaugranas entraram em campo com um esquema tático diferente do habitual e mesmo sem forçar muito golearam o adversário por 5 a 0. Uma vitória barcelonista já era esperada, é verdade; mas não do jeito que aconteceu. A goleada no Camp Nou já cria dúvidas quanto a disputa pelo título da liga bbva: por mais uma temporada, Barcelona e Real Madrid largam muito na frente para disputar o troféu.

O Barcelona entrou em campo na segunda, por causa da partida contra o Porto pela Supercopa na sexta, querendo decidir a partida com rapidez. Sem quatro homens de defesa (Puyol, Piqué, Adriano e Daniel Alves), Guardiola arriscou: mandou a campo um 3-4-3 à Cruyff sem nenhum zagueiro de ofício (Mascherano, Busquets e Abidal) e com a linha de quatro bem ofensiva formada por Keita, que jogou no vértice baixo, Thiago Alcântara, Fàbregas e Iniesta. A admiração de Guardiola pelo esquema utilizado à época do Dream Team vem de longa data: em 2007, após uma partida do Barcelona de Rijkaard contra o Zaragoza, Pep escreveu sobre o módulo tático utilizado pelo holandês no La Romareda naquela noite (o artigo pode ser lido aqui, em castellano).

O Villarreal foi dominado facilmente. Completo, o elenco de Garrido mostrou uma faceta não vista antes: apequenou-se ante o adversário, no qual sempre costumava complicar a vida. Nas últimas cinco temporadas, os amarillos tiraram pontos do Barcelona três vezes no Camp Nou. Dessa vez, foram dominados por completo. Borja Valero atuou muito mal na ligação com o ataque e praticamente não armou nada para Rossi e Nilmar, que passaram nulos no jogo. Cani, atuando pela esquerda, talvez fez sua pior partida em anos: nervoso, não pareceu nem metade daquele jogador que foi um dos destaques da equipe na temporada passada.

No lado blaugrana, destaques para as boas partidas de Thiago e Fàbregas. Os jogadores, que eram incompatíveis para uns antes da chegada de Cesc, atuaram com contudência no meio-campo e mostraram a Guardiola que podem sim atuarem juntos. Keita e Mascherano, por suas vezes, foram bastantes mimados pelo técnico de Santpedor após o jogo, de maneira até estranha: "ninguém pode tocar neles. são minhas menininhas", afirmou o treinador, em um tom até irônico. Enquanto o meio-campo, mesmo desfalcado de Xavi, voltou a envolver o adversário, as principais notícias do pós-jogo foram direcionadas, mais uma vez, a Messi.

Com seis gols e três assistências em apenas quatro jogos na temporada, La Pulga caminha novamente para uma temporada monstruosa. Com o doblete de ontem, o argentino chegou a 186 gols na Liga Espanhola e tornou-se o terceiro maior artilheiro da equipe na história da competição. À frente de Messi, apenas Kubala (194) e César (235). É inegável pensar que, dentro de uma ou duas temporadas, salvo não se lesione gravemente, La Pulga assuma de vez a artilharia história dos catalães na LFP. Valdés também fez história: com 197 partidas, ultrapassou Zubizarreta e tornou-se o goleiro com mais partidas disputadas trajando azulgrená na história do clube da Catalunha.

Leia mais sobre as declarações de Fernando Roig, presidente do Villarreal, e Josep Maria Del Nido, presidente do Sevilla, aqui, em texto de Leonardo Bertozzi
Para ler sobre os jogos de domingo, clique aqui. Para ler sobre os jogos de sábado, clique aqui.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Agora complicou

Falcão García, dono do jogo, comemora um de seus quatro gols na partida (getty images)

Pelo jogo de ida da semifinal da Liga Europa, o Villarreal saiu do Estádio do Dragão, em Porto, com a sensação de que ir à final em Dublin tornou-se trabalho árduo. Em dia de Falcão García, autor de quatro gols, os portugueses impusseram impiedosos 5 a 1 nos amarillos, colocando um pé e meio na final e na Triplice Coroa. Atuando em casa, o Porto começou tentando pressionar o Villarreal, mas o Submarino Amarelo levava grande perigo nos contra-ataques. Embora o atacante Hulk tenha criado algumas oportunidades, o time espanhol foi quem teve as melhores chances no primeiro tempo, além de ter saído com a vantagem, com gol de Cani, após cruzamento de Nilmar.

Em um primeiro tempo nivelado, Porto e Villarreal tiveram grandes chances de gol, mas o time espanhol pecou nas finalizações e perdeu a oportunidade de abrir uma boa vantagem já no início da partida. Nilmar chegou a ficar cara a cara com Helton e finalizou em cima do goleiro brasileiro, que fez mais uma excelente partida nesta temporada. Rossi também deixou de marcar algumas vezes, depois de avançar em velocidade aproveitando bobeira da defesa portuguesa. No fim da primeira etapa, Cani abriu o placar com um belo gol, depois de receber passe de Nilmar.

O empate do Porto saiu logo no início do segundo tempo. Falcao invadiu a área e foi derrubado pelo goleiro Diego López. O próprio atacante colombiano cobrou o pênalti e fez o primeiro de seus três gols no jogo. O empate abalou o Villarreal, que não conseguiu manter na etapa final o mesmo ritmo que no primeiro jogo. Depois de Rossi desperdiçar mais uma grande oportunidade de frente para Helton, o Porto começou sua reação e passou a pressionar o time espanhol.

Aos 15 minutos, Guarín fez bela jogada e finalizou em cima de Diego López. O goleiro deu rebote, que, dessa vez, o lateral não desperdiçou, cabeceando por baixo das pernas de López para marcar o gol da virada. Em seguida, Hulk driblou a zaga espanhola e cruzou para Falcao García ampliar. Aos 30 minutos, mais um gol produzido pela dupla Guarín-García. O lateral bateu falta e o atacante completou de cabeça para o fundo das redes, marcando seu terceiro tento na partida.

Ainda teve tempo de Falcao García anotar seu quarto gol, cabeceando após cobrança de escanteio, e selar a goleada do Porto, praticamente garantindo uma final portuguesa na Liga Europa, já que a outra semifinal será decidida entre Benfica e Braga.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Copa Ibérica?

Ao infinito, e além: o Villarreal bateu o Twente novamente e vai com tudo para cima do Porto (getty images)

Depois da goleada de 5 a 1 no primeiro jogo, o Villarreal poderia até ser derrotado por 3 a 0 pelo Twente que mesmo assim avançaria às semifinais da Liga Europa, mas o time espanhol fez mais e garantiu outra vitória: 3 a 1 fora de casa e um lugar entre os quatro melhores da competição.

Desfalcado de jogadores importantes, como o volante Marcos Senna, lesionado, e o atacante brasileiro Nilmar e Cazorla suspensos, o Villarreal sofreu pressão do time holandês desde o início do jogo. No entanto, a sólida defesa espanhola não deixava espaço para o Twente, e o Submarino Amarelo aproveitava para tentar jogadas de contra-ataque. Garrido modificou a equipe que havia sido goleada pelo Valencia, há quatro dias. O 5-3-2 deu vez ao 4-4-2 de sempre, com Marco Rúben no lugar de Nilmar e Matilla no de Kiko. Com isso, Marchena voltou a exercer a função de um zagueiro e pode ser opção para Garrido na ausência de Gonzalo.

No dérbi, o miolo de zaga amarillo pecou demais pela inexperiência de um canterano, o que fez Garrido ser criticado? Por que improvisar um zagueiro experiente na volância ao invés de colocá-lo em sua posição original quando o seu principal zagueiro está lesionado? Contra os holandeses, Musacchio e Marchena fizeram uma sólida partida, queimada pelo erro de Mario no primeiro gol dos roten.

Aos 32', Bajrami abriu o placar para o Twente, com um forte chute de fora da área. Com o tempo passando e a classificação se tornando cada vez mais difícil, o time holandês diminuiu o ritmo. Na segunda etapa, Tiendalli fez pênalti em Wakaso e foi expulso, deixando o Twente com um homem a menos. Rossi converteu a penalidade e igualou o marcador. Em vantagem numérica, o Villarreal não teve trabalho para virar o placar. Ruben, novamente de pênalti, e Cani marcaram para os amarillos e selaram a classificação.

Destaque para o bom uso da cantera por Garrido quando Twente diminuiu o ritmo, dando-se por vencido. O promissor atacante Hernán Perez, que vem fazendo boa Liga Adelante pelo Villarreal B, ficou em campo 27 minutos, o suficiente para colocar mais fogo no jogo. Foi ele, por exemplo, que sofreu o pênalti convertido por Rúben, além de quase ter marcado o quarto gol castellonense, em boa jogada individual. Ao final da partida, o Villarreal acabou com oito canteranos em sua equipe titular, um bom número para um clube que não é muito elogiado pelo uso da cantera.

Nas semifinais, o Submarino Amarelo enfrenta o Porto, que atropelou o Spartak de Moscou nas duas partidas das quartas de final. Na outra semifinal, o Braga irá enfrentar o Benfica, em duelo português. Com as semifinais definidas, paramos para pensar: é Liga Europa ou Copa Ibérica?

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Surpresa?

Sevilla faz sua melhor partida na temporada, elimina Villarreal com autoridade e segue vivo na briga pelo bi-campeonato da Copa del Rey (AP Photos)


Ainda que a reação do Sevilla fosse notável, não esperava-se que o time da Andaluzia ganhasse com tanta moral como ganhou do Villarreal ontem. Ainda mais porque, no último jogo da Liga, contra o Espanyol, foi com a equipe completa a campo e saiu derrotado por 2 a 1 no Ramón Sanchéz Pizjuan. Talvez isso seja o maior responsável pela presença de pouco público no estádio no jogo de volta contra o Villarreal. Desacreditado por parte da torcida e eleito por uma votação do Marca o time-decepção da temporada, o Sevilla partiu para um jogo que não era favorito. Vindo de resultados positivos, como uma equipe extremamente entrosada e líder do campeonato paralelo a Barcelona e Real Madrid, o Villarreal entrou em campo com uma escalação bastante peculiar.

Garrido mandou a campo uma equipe mista e seu 4-4-2 com Monteiro e Cani nos flancos parecia, em tese, que daria muito certo, por serem dois jogadores bastante velozes. Porém, em uma partida tão importante, acabou deixando Rúben no banco em prol da titularidade de Altidore, que foi uma grande decepção no primeiro semestre. Do outro lado, Manzano surpreendeu: mandou seu time a campo no 5-3-2 e colocou uma linha de três extremamente ofensiva no meio-campo. Com seu nome ligado a Juventus e Corinthians, Luis Fabiano foi reserva, dando a entender que sua passagem pela Andaluzia está prestes a acabar.

A superioridade evidente do time rojiblanco se fez valer do pé daquele que vem sendo decisivo nos últimos jogos e é, sem sombra de dúvidas, o grande destaque deste Sevilla. Jogando no suporte a Kanouté e Negredo, Romaric mais uma vez fez uma partida espetacular e além de dar muito trabalho a Cicinho, foi o autor do passe para Negredo, que tocou por cima de Diego López e Renato chegou completando para abrir o placar. Dos seis gols do Sevilla feito contra o Villarreal na eliminatória, cinco passsaram pelos pés do camarones, que a cada dia cai nas graças da torcida. No final do primeiro tempo, Javi Varas fez uma excelente defesa em chute de Rossi, assegurando a vitória parcial sevillista antes do intervalo.

O enredo da primeira etapa voltou a se repetir no segundo tempo e, logo aos dois minutos, Kanouté aproveitou cobrança de Romaric e mandou a bola para o fundo do gol. E foi de escanteio que também nasceu o terceiro do Sevilla: após cobrança de Romaric, a bola desviou em Alexis e morreu dentro da meta de Diego López. Com 3 a 0 no placar e classificação praticamente garantida, o Sevilla passou a jogar com mais calma e segurar mais a posse de bola. Romaric ainda foi ovacionado pelo estádio, quando saiu para a entrada de Jesus Navas. Atual campeão do torneio, o Sevilla espera o vencedor de Real Madrid e Atlético de Madrid para seguir na briga pela manutenção do título.

A grande notícia da noite, fora a classificação, obviamente, ficou por conta de Sergio Sánchez. Treze meses depois de superar uma doença cardíaca, o volante voltou a disputar uma partida oficial. E logo de cara, foi titular e jogou os noventa minutos. Manzano o colocou como volante que protegia a zaga no 5-3-2, e Sánchez mostrou um bom futebol, sendo responsável por uma boa marcação em Cani, que, desta vez, passou em branco.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A Copa ainda importa

No seu melhor momento na temporada, o Sevilla conseguiu um importante resultado jogando no El Madrigal (reuters)

Villarreal e Sevilla levaram a sério o confronto pela Copa del Rey e foram a campo com boa parte do time titular. Manzano já avisou que irá priorizar a competição em prol de salvar o ano, mas o momento que o Sevilla vive talvez seja o melhor na temporada: o time andaluz vem de cinco vitórias consecutivas e ainda sonha com uma vaga na próxima Liga dos Campeões.

Negredo voltou a ser eficiente e, substituindo Luis Fabiano, novamente lesionado, foi o autor de um doblete. Postado num 4-2-3-1 bem compacto, o Sevilla viu os velozes Cani e Cazorla imporem trabalhos pelos flancos. E, em menos de trinta minutos, o Villarreal já havia mostrado todo seu poderio: marcou dois gols, com Cani e Rossi. Nos dois gols, Marco Rúben foi importante. Na ausência de Nilmar, o camisa nove amarillo tem sido essêncial e, após vencer a desconfiança por parte da torcida e dos críticas, não tem deixado a produtividade ofensiva dos Submarino Amarelo cair. A partir daí, o Sevilla acordou e Romaric osquestrou os andaluzes. O meio-campista participou dos três gols marcado pelo Sevilla no jogo. Primeiro, lançou Negredo, que dominou com estilo, tirando da marcação de Catalá, e tocou na saída de Diego López.

No segundo tempo, o jogo ganharia ainda mais emoções e movimentação, com o terceiro gol do Villarreal, marcado por Rúben, após cruzamento de Capdevilla. O Sevilla, porém, descontou logo em seguida. Romaric cruzou para Negredo, que cabeceou sem chances para Diego López e marcou seu doblete na partida. Porém, um lance capital mudou todo o rumo da partida. Aos 39', Borja Valero lançou Rúben, que, na mesma linha que Escudé e Alexis, antecipou-se aos dois e tocou na saída de Varas. Undiano Mallenco, entretanto, validou o gol, para desespero de Garrido, que, em outras palavras, criticou a postura do árbitro no lance. Se, contra o Real Madrid, o Villarreal já havia sofrido com os erros de arbitragem, o sofrimento se prolongou. E o erro de Undiano Mallenco teve consequência aos 43': Romaric novamente apareceu pela esquerda e cruzou na medida para Alexis completar e empatar a partida para o atual campeão da competição.

Para o Villarreal, ficou o pensamento de azar da equipe, que pecou muito nas finalizações no segundo tempo. Pelo menos na Copa del Rey, esse Sevilla anima: já foram marcados 21 gols, o que dá uma média de 4, 2 gols marcados por partida. Para a volta, o Sevilla pode empatar por até dois gols, que irá garantir vaga nas semifinais da competição.


Os melhores do mundo brilharam em uma nova manita do Barcelona. Hat-trick de Messi, eleito o melhor jogador do mundo pela segunda vez consecutiva (daymail)

No Camp Nou, aqueles que não assistiram a partida, e viram apenas o resultado, imaginam que o Bétis foi com o intuito de se defender e não aguentou a pressão blaugrana, saindo do Camp Nou humilhado. Pois bem, a equipe treinada por Pepe Mel foi com uma postura totalmente diferente daquela, jogou em contra-ataque, conseguiu segurar o Barcelona por um bom tempo, mas o preparo físico fez falta: quando os verdiblancos perderam o fôlego, o Barcelona fez três gols e matou a partida. O que Rafael Gordillo, presidente do Bétis, mais temia aconteceu: o Barcelona goleou o Bétis por 5 a 0, garatindo praticamente a sua vaga nas semifinais da Copa. O presidente andaluz havia pedido à LFP que invertesse o mando de campo do jogo de ida, passando-o para o Benito Villamarín. A principal preocupação do presidente era de que sua equipe fosse goleada na Catalunha e, no jogo da volta, ninguém comparecesse ao estádio, causando prejuízo ao clube.

Durante boa parte do primeiro tempo, Ruben Castro deu bastante trabalho a Piqué e Pinto, que, como titular, não desapontou Guardiola: o arqueiro foi, seguramente, um dos nomes da partida, evitando, pelo menos, três ou quatro gols por parte andaluza (sem exageros). Com boa parte de seus jogadores titulares, o Barcelona mostrou todo seu poderio, mas parava nas boas defesas do goleiro Casto. Quando o goleiro verdiblanco não parava o ataque catalão, a trave evitava o gol do time anfitrião, como aos 2’. Em contra-ataque, Xavi abriu para Maxwell na esquerda, que cruzou na medida para Villa finalizar na baliza direita do goleiro. Com o jogo parelho, o Barcelona só foi abrir o placar no finalzinho da primeira etapa. Messi recebeu de Iniesta e, com um sútil toque, encobriu Casto para abrir o placar para o Barcelona. Ainda no primeiro tempo, Ruben Castro voltou a incomodar a defesa azulgrená, quando carimbou o travessão de Pinto.

O jogo só começou a ficar totalmente nas mãos do Barcelona, quando Messi chegou ao seu doblete, aos 16' do segundo tempo. O show de Messi continuou aos 29'. A pulga recebeu bom passe de Xavi e, cara a cara com Casto, tocou com categoria na saída do goleiro para garantir seu hat-trick. Com a defesa do Betis abatida, o Barcelona ampliou novamente aos 31', quando Daniel Alves tocou para Pedro marcar o quarto dos donos da casa. A goleada não diminuiu o ímpeto do Barcelona, que continuou pressionando o Betis e chegou ao quinto gol aos 38'. Iniesta fez linda jogada de linha de fundo e, com um toque genial, cruzou para Keita completar para as redes. Com a vitória, o Barcelona praticamente garantiu sua vaga nas semifinais e deixa vivo as chances de conquistar uma nova tríplice coroa. O jogo ficou marcado por um momento de discussão entre Piqué e Daniel Alves, que logo fizeram as pazes.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Copa del Rey: Elétrico

Rossi liderou o Villarreal a virada histórica ante o Valencia e, com o doblete, tornou-se o maior goleador da história do Submarino Amarelo (AP Photos)

Quando o Valencia abriu 2 a 0 com menos de trinta minutos do primeiro tempo, a vitória, e consequentemente a classificação, estava nas mãos do time ché. Porém, o segundo tempo reservou mais emoções e o Valencia viu um Rossi inspirado pela frente. O atacante marcou seis gols nas últimas seis partidas e chegou a 61 gols com a camisa amarilla, tornando-se o maior goleador da história do clube. O doblete de ontem consolidou uma remontada histórica do time castellonense e a classificação para as quartas de finais da Copa del Rey, onde enfrentará agora o atual campeão Sevilla, que está priorizando a competição.

Com equipes completas, Unai Emery, técnico do Valencia, não hesitou em escalar sua defesa com cinco zagueiros, num 5-4-1 - pela terceira vez utilizada no dérbi da Comunidade Valenciana. Com uma defesa sólida, o Valencia segurou o Villarreal durante todo o primeiro tempo, que sentiu a falta de Nilmar, machucado. No ataque, Rossi tentava sozinho, já que Rúben, substituto do brasileiro, caiu facilmente na marcação de Stankevicius. Se a defesa passava segurança, restou ao ataque do time a missão de mandar a bola às redes. E foi assim que o Valencia abriu dois gols de vantagem, calou o El Madrigal e colocou um pé e meio nas quartas de finais. Primeiro, quando Borja Valero cortou um cruzamento vindo de Bruno na direita em cima de Banega, que arriscou de fora da área e Juan Carlos acabou aceitando. Depois, Maduro deu uma linda assistência para Soldado, que saiu da marcação de Gonzalo e Catalá, dominou a bola no alto e, com estilo, tocou na saída de Juan Carlos.

Com 2 a 0 no marcador, só um desastre eliminaria o Valencia. E o "desastre" veio na segunda etapa. Borja Valero, Rúben e, principalmente, Rossi e Cani passaram a entrar na partida e orquestraram a remontada amarilla. Em três minutos da etapa final, o Villarreal voltou para o jogo ao empatar a partida. Com um minuto, Rossi desceu em velocidade pela esquerda e cruzou na medida para Cazorla completar para as redes de Guaita. Se, até o primeiro gol amarillo, a defesa do Valencia mostrava-se segura, o gol de Cazorla foi o ponto para a estratégia de segurar a partida de Unai cair. Aos três minutos, Rúben, até então inócuo na partida, mostrou que pode ser o substituto de Nilmar. O camisa nove do Villarreal recebeu de Rossi e sofreu pênalti de Stankevicius. Pênalti não lá muito digerido por Unai Emery, que disse ter sido um pênalti muito duvidoso. Na cobrança, Rossi deslocou Guaita para recolocar o Villarreal de volta na partida.

Após o gol de empate, o Valencia inexistiu e não conseguia mais encaixar nenhum contra-ataque. O Villarreal, por sua vez, descia como uma avalanche. E foi em um desses contra-ataques que o Villarreal virou a partida. Cani tabelou com Cazorla e deixou Rúben com o gol vazio para completar para as redes e levar a torcida ao delírio. Com o resultado a favor, Garrido, temendo o gol de empate do Valencia, recuou o time, tirando Cani e Cazorla, aplaudidos pelos torcedores, e promovendo as entradas de Mussachio e Oriol. Rossi, bem isolado na frente após a saída de Rúben e a entrada de Mário, tratou de definir a partida. Aos 45', Mussachio lançou o ítalo-americano, que driblou Guaita e, com frieza, tocou entre Ricardo Costa e Vicente para definir a classificação do Villarreal.

Ao final da partida, Joaquín, com os nervos à flor da pele, foi expulso por chamar o Ramírez Dominguez de burro e o assistente de sem vergonha. O meio-campista ché terá que cumprir a suspensão no dérbi que o Valencia fará contra O Levante, no domingo, pela Liga. Nas quartas de finais, o Villarreal irá encarar o Sevilla, que passou pelo Málaga num agregado de 8 a 3 (5 a 3 na ida e 3 a0 na volta). Outros confrontos: Barcelona x Bétis, Almería x Deportivo La Coruña, Real Madrid x Atlético de Madrid.