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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O dérbi de Reyes

 Reyes brilha no dérbi de Sevilha, recupera moral com torcedores e ressurge na temporada (El Desmarque)

José Antonio Reyes é um paradoxo difícil de entender e mais ainda de explicar. Dotado de técnica, o meio-campista possui uma habilidade incomum entre os espanhóis. Fatalmente, tinha futebol suficiente para se tornar um jogador world-class, sem exageros. Dono de uma perna esquerda mágica, no entanto, nunca chegou a ser o que prometia. Hoje, quando se pensa em Reyes o rótulo de eterna promessa vem à cabeça.

Nas categorias de base do Sevilla, Reyes já demonstrava todo seu potencial. Em 1999/2000, com apenas 16 anos, fez sua estreia pelo clube de Nervión. À época, a fase sevillista era negra. Rebaixado para a segunda divisão e vivendo uma grave crise financeira, a diretoria resolveu apostar nos canteranos. Na Liga Adelante, treinado por Joaquín Caparrós, o conjunto andaluz sagrou-se campeão e retornou à elite. Ali, começava a história do jovem nascido em Ultrera no futebol espanhol. Mais jovem jogador da história da primeira divisão a marcar um gol, Reyes converteu-se no protagonista do time, liderando uma magnífica geração de canteranos que havia conquistado a Copa do Rei juvenil nos dois anos anteriores.

Após passar por Arsenal, Real Madrid e Atlético de Madrid, Reyes retornou ao Sevilla no início do ano. Àquela altura da temporada, os hispalenses precisavam de um jogador de seu naipe para brigar por uma vaga na Champions League. Canterano e querido pelos torcedores, chegou sob confiança dos aficionados, que esperavam que suas esporádicas atuações mágicas passassem a ser mais frequentes. Não aconteceu. Em cinco meses, ele nada fez. Nem chegou a alternar partidas boas com ruins, algo praxe em sua carreira. O estopim foram as vaias sofridas após ser substituído no dérbi de Sevilha no Pizjuán, a duas rodadas do fim. O Sevilla perdeu para o Bétis em casa por 2x1, emplacou o quarto clássico consecutivo sem vencer o maior rival e deu adeus às chances de conseguir uma vaga na Liga Europa.

A partir dali, ele voltou ao ostracismo. Esquecido e relegado ao banco para um Perotti que voava, viu o Sevilla iniciar a atual temporada de maneira positiva sem sua presença na equipe titular. Mas o dérbi, que o levou ao inferno, serviu para fazer ressurgi-lo. Ontem, no principal jogo da rodada, o Sevilla esmagou o Bétis no Pizjuán por 5x1. Reyes teve atuação de gala. Logo aos 17 segundos de jogo, mostrara que aquela seria sua noite. O gol mais rápido do atual campeonato e da história do dérbi (superando, curiosamente, marca de Pepe Mel, atual treinador do Bétis, que havia marca um gol aos 35 segundos no dérbi de 90/91) foi o largar da reconciliação com os torcedores que o aplaudiram ao término do duelo. Doblete, assistência e jogadas importantes pelo lado esquerdo foram os ingredientes que tornaram Reyes o melhor em campo.

Em sua melhor partida desde o retorno a Nervión, Reyes pode ter visto um divisor d'águas. Os rojiblancos recuperaram a moral e ratificaram a briga por uma vaga na Champions League. No próximo final de semana, tem uma missão complicada: encara o Atlético de Madrid no Vicente Calderón. Desde já, Reyes é assunto. Não só pelo reencontro com o estádio no qual saiu brigado, mas pelo o que poderá fazer. Em paz após momentos conturbados, fica a pergunta: ele terá continuidade? Uma interrogação eterna quando se trata de Reyes.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Guia: Liga BBVA (parte 2)

Na segunda parte do nosso guia para a temporada feito em parceria com Pierre Andrade e Edgley Lemos, do site Futebol Espanhol, damos destaque a mais dez equipes que jogarão a Liga BBVA 2012/2011. Hoje, falaremos do atual campeão Real Madrid, que quebrou a hegemonia do Barcelona após três anos, além do Valencia, o "humano" mais forte, e da dupla andaluza Sevilla, incógnita total, e Málaga, abalado por uma crise interna e externa que durou o verão inteiro. A primeira parte você pode ler aqui. Boa leitura!

Málaga (Victor Mendes)
Cidade: Málaga, Andaluzia
Estádio: La Rosaleda
Em 2011/2012: 4º colocado
O cara: Isco Román (meio-campista, foto)
O treinador: Manuel Pellegrinni
A promessa: Juanmi (atacante)
Principal reforço: -
Principal perda: Santi Cazorla (meio-campista, Arsenal)
Objetivo: vaga em alguma competição europeia
Time base (4-2-3-1): Caballero; Jesus Gámez, Demichelis, Weligton, Monreal; Maresca, Toulalan; Joaquín, Isco, Portillo; Seba Fernández.

Maio de 2012. O Málaga derrota o Sporting Gijón no La Rosaleda por 1x0, gol de Rondón, e sacramenta a quarta vaga para a Uefa Champions League. Nenhum torcedor presente no estádio naquela festa histórica imaginaria que, menos de quatro meses depois, a situação seria dialmetralmente oposto àquela vivida em 2011/2012. Após um ano para firmar na história do clube, a entidade andaluza viveu um verão terrível: o sheikh Abdullah-Al Thani deixou de investir, chegou a, segundo fontes do El Desmarque, colocar o clube à venda, viu quatro jogadores denunciarem o clube à AFE por atraso no salários e, ainda por cima, foi acusado por Villarreal, Osasuna e River Plate por falta do pagamento das compras de Cazorla, Monreal e Buonanotte, respectivamente. A instituição feriu.

As saídas de Cazorla, Rondón e Mathijsen e a péssima pré-temporada é uma tragédia anunciada. Toulalan e Júlio Baptista, lesionados, serão reforços urgentes quando voltarem, mas Pellegrinni sabe o quanto farão falta neste início de temporada: daqui a uma semana, os blanquiazules encaram o Panathinaikos pelo jogo de ida da pré-UCL. O momento é tão ruim que não houve nenhuma aquisição no mercado. Atualmente, falta um zagueiro confiável, um criador de jogadas e um atacante com faro de gol, justamente onde os três que saíram se encaixam. Ou seja, não há alternativas a eles. Pensar em rebaixamento é exagero, mas o objetivo da equipe hoje é uma vaga na Liga Europa, pois está muito abaixo dos candidatos à Champions.

Mallorca (Edgley Lemos)
Cidade: Palma de Mallorca
Estádio: Iberostar
Em 2011/2012: 8º colocado
O cara: José Luís Martí (meio-campista, foto)
O treinador: Joaquín Caparrós
A promessa: Nsue (atacante)
Principal reforço: Antonio López (lateral-esquerdo, Atlético de Madrid)
Principal perda: Gonzalo Castro (meia-atacante, Real Sociedad)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-2-3-1): Aouate; Nsue, Nunes, Bigas, Antonio López; Martí, Javi Márquez; Pereira, Hemed, Alfaro; Víctor.

O Mallorca sofreu um grande êxodo de jogadores ao fim da última temporada: os três principais zagueiros da equipe (Ramis, Chico e Martí Crespí) foram embora. No meio-campo, Tissone, De Guzmán, Chori Castro e Sérgio Tejera deixaram o clube. E como se já não fosse o bastante, a crise econômica que assola a Espanha ainda dificulta as movimentações da equipe no mercado. Apesar da situação caótica, o presidente Serra Ferrer conseguiu contratar Antonio López, lateral esquerdo que estava no Atlético de Madrid, o atacante Arizmendi, vindo do Getafe, e o meio-campista Javi Márquez, cria das canteras do Espanyol. Ferrer ainda prometeu dois zagueiros e um atacante antes da estreia do clube no campeonato.

Caparrós está consciente de que o dinheiro está curtíssimo e de que terá um elenco enxuto para o resto da temporada, por isso improvisou o canterano Pedro Bigas na zaga junto com o lateral Nelson, durante a pré-temporada da equipe. Os torcedores esperam que ao menos se possa ficar no meio da tabela e não ter de passar a angustia de lutar contra o rebaixamento. Solidez e experiência são as palavras que definem a nova versão do Mallorca.

Osasuna (Edgley Lemos)
Cidade: Pamplona, Navarra
Estádio: Reyno de Navarra
Em 2011/2012: 7º
O cara: Puñal (meio-campo)
O treinador: José Luis Mendilíbar
A promessa: Sisi (meio-campo)
Principal reforço: Joseba Llorente (atacante, Real Sociedad)
Principal perda: Raul García (meio-campista, Atlético de Madrid)
Objetivo: Liga Europa
Time base (4-2-3-1): Fernández; Bertrán, Flaño, Rubén, Echaide; Nekounam, Puñal; Sisi, Cejudo, Armenteros; Kike Sola.

Há pelo menos duas temporadas o Osasuna vem fazendo temporadas de meio de tabela para cima. Um dos responsáveis por isso é o treinador Mendilíbar e o outro é o estádio Reyno de Navarra. O técnico faz bom trabalho com os rojillos, que têm um elenco limitado, mas que jogando em seus domínios são praticamente impossível de se bater. No entanto, para esta temporada, a equipe perdeu um dos elementos chave da equipe. Raul García retornou ao Atlético de Madrid, após o término de seu contrato de empréstimo. 

Para repor a saída do meio-campista o Osasuna trouxe Sisi, ex-meio-campo do Valladolid, e Armenteros, meia que estava no Rayo Vallecano. Para o ataque chegou Joseba Llorente, da Real Sociedad, atacante experiente e que pode até fazer dupla com Kike Sola, num 4-4-2. Mendilíbar dificilmente conseguirá substituir Raul García à altura, mas ao menos reforça bem o meio-campo e a defesa, para que a temporada seja tão sólida quanto à última. O objetivo é a Liga Europa, certamente, que escapou por pouco na última temporada.

Rayo Vallecano (Victor Mendes)
Cidade: Vallecas, Madrid
Estádio: Teresa Rivero
Em 2011/2012: 15º colocado
O cara: Javi Fuego (volante, foto)
O treinador: Paco Jémez
A promessa: José Manuel Alcañiz (zagueiro)
Principal reforço: Adrián (volante, Racing Santander)
Principal perda: Michu (meia-atacante, Swansea)
Objetivo: permanência na elite
Time base (4-2-3-1): Rubén; Tito, Amat, Gálvez, Casado; Javi Fuego, Adrián; Lass, José Carlos, Piti; Nicki Bille.

Paco Jémez estreia como treinador de um time de primeira divisão com a árdua tarefa de repetir o milagre que operou Sandoval na temporada passada, na qual o Rayo conseguiu a permanência na elite na última rodada graças a um gol de Tamudo no último piscar da bola. Agora, o buraco é mais embaixo: o elenco é inferior em relação ao que sofreu em 2011/2012 e várias peças-chaves saíram, como Diego Costa, Armenteros, Arribas, Movillas e Michu, principal jogador franjiroyo por dois anos. As continuidades de Javi Fuego e Lass, por outro lado, é a melhor notícia que Paco pôde receber no verão.

Em uma situação econômica delicada, o clube de Vallecas fez um mercado acessível. As contratações de Jordi Amat e Galvez darão segurança à zaga, enquanto Adrián e José Carlos oferecerão qualidades ao meio-campo. A referência é o problema. Sem Diego Costa e Michu, a diretoria fechou com Nickie Billie, que não é uma resposta à altura a perda da dupla. O elenco não é homogêneo, sem muitas opções, foi a pedra do sapato do Rayo na temporada passada e certamente irá voltar a incomodar. Paco, por exemplo, só conta com cinco jogadores à disposição para a defesa. 

Real Madrid (Edgley Lemos)
Cidade: Madrid
Estádio: Santiago Bernabéu
Em 2011/2012: campeão
O cara: Cristiano Ronaldo (meia-atacante, foto)
O treinador: José Mourinho
A promessa: Morata (atacante)
Principal reforço: -
Principal perda: -
Objetivo: título
Time base (4-2-3-1): Casillas; Arbeloa, Pepe, Sergio Ramos, Marcelo; Khedira, Xabi Alonso; Di María, Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema.

Com o título da última temporada, o Real Madrid tem novamente a pressão sobre os ombros. Dessa vez o desafio é manter-se como campeão. Para isso, Mourinho manteve a base do time e se desfez apenas dos jogadores que “ocupavam espaço” no elenco. Pedro Léon, Gago e Altintop deixaram o clube. Dos três, apenas Gago ainda poderia ter chances no elenco, pois, se Khedira se lesionar, Lass sofre com problemas físicos e pode não estar em forma para substituí-lo à altura. Com a provável chegada de Modric, Sahin deve perder mais espaço e também seguir caminho longe de Madrid, mais próximo de Londres (Arsenal) ou Liverpool. Morata, atacante da base, foi promovido ao time principal e é bom ficar de olho, pois o jovem fez boa temporada pelo Real Madrid Castilla (que irá disputar a Liga Adelante) e deseja se firmar no elenco principal.

Mourinho tem consciência de que o título da Liga dos Campeões lhe escapou pelos dedos e que para voltar a competição com chances de ser campeão é preciso ter um time forte. O Real Madrid, junto ao Barcelona, é o time mais forte a disputar a Champions, então basta manter a base da última temporada e reforçar as posições carentes.  E a única posição carente é a lateral direita, que Mourinho delega a Arbeloa, seu jogador de confiança para a posição. O lateral se valorizou com o treinador após a Eurocopa e continua firma na equipe titular. Seu substituto é caseiro: o gajo teria se interessado pela ideia de efetivar Lass à posição após boas partidas do francês em 2011/2012. Com o elenco atual, o Madrid tem condições para ser novamente campeão espanhol e europeu nesta temporada.

Real Sociedad (Pierre Andrade)
Cidade: San Sebastián, País Basco
Estádio: Anoeta
Em 2011/2012: 12º colocado
O cara: Xabi Prieto (meio-campista)
O treinador: Philippe Montanier
A promessa: Rubén Pardo (meio-campista)
Principal reforço: Carlos Vela (meia-atacante, Arsenal)
Principal perda: Mikel Aranburu (aposentado)
Objetivo: Vaga na Liga Europa
Time base (4-2-3-1): Claudio Bravo; Carlos Martínez, Mikel González, Iñigo Pérez, José Ángel; Illarramendi, Zurutuza; Xabi Prieto, Carlos Vela, Griezmann; Agirretxe.

Com a base do time que encantou a Espanha no primeiro turno da La Liga, a Real Sociedad larga como uma das grandes apostas para temporada. Apresentando um futebol ofensivo e de qualidade no toque de bola, os comandados de Philippe Montanier esperam um ano mais estável, passando distante da zona de rebaixamento para a Liga Adelante. O ponto forte da equipe continuará sendo o meio de campo, liderado pelo experiente Xabi Prieto. Carlos Vela, contratado em definitivo junto ao Arsenal, e Agirretxe certamente levarão perigo às defesas adversárias. 

Outra aquisição importante do clube foi o lateral esquerdo José Angel, ex-Roma. Titular no time italiano, Ángel perdeu espaço com a saída de Luis Enrique e decidiu retornar ao seu país natal. Mesmo com essas contratações, se quiser almejar algo a mais do que o meio da tabela, os txuri-urdin terão que se preparar bem fisicamente para aguentar toda a temporada. Nos últimos anos, o time tem caído de rendimento na reta final, deixando escapar as chances de conquistar vagas nas competições européias.

Sevilla (Edgley Lemos)
Cidade: Sevilla, Andaluzia.
Estádio: Ramón Sánchez Pizjuán
Em 2011/2012: 9º colocado
O cara: Álvaro Negredo (atacante, foto)
O treinador: Michel
A promessa: Geoffrey Kondogbia (meio-campista)
Principal reforço: Diego López (goleiro, Villarreal)
Principal saída: Romaric (volante, Zaragoza)
Objetivo: vaga em uma competição europeia
Time base (4-4-2): Diego López; Cicinho, Botía, Spahic, Fernando Navarro; Trochowski, Medel, Jesus Navas, Perotti; Reyes, Negredo.

A instabilidade defensiva custou caro ao Sevilla na última temporada, por isso Del Nido deixou claro que reforçar bem a defesa era prioridade. Trouxe para a atual temporada o ótimo goleiro Diego López, proveniente do Villarreal. Chegaram, ainda, o zagueiro Botía, ex-Sporting Gijón, e o volante Maduro, vindo do Valencia. Além de Cicinho, ex-lateral direito do Palmeiras, que vem sendo chamado pela torcida de “novo Dani Alves”. No entanto, reforçar apenas a defesa não basta para o Sevilla, visto que o time sofre com a falta de um armador. 

Apesar de Rakitic ter muita qualidade, a última temporada foi tenebrosa. Por isso é importante, para o Sevilla, contratar alguém como opção ao croata. Michel, durante os amistosos de pré-temporada, ensaiou uma mudança no esquema tático da equipe para um 4-3-3, explorando as investidas de Návas e Reyes pelas pontas. A falta de um meio-campo armador, no entanto, deve pesar durante a temporada, caso Rakitic não atue bem. A realidade é outra em Nervión: pela primeira vez em oito anos, o Sevilla não irá disputar uma competição europeia.

Valencia (Pierre Andrade)
Cidade: Valencia
Estádio: Mestalla
Em 2011/2012: 3º colocado
O cara: Roberto Soldado (atacante, foto)
O treinador: Mauricio Pellegrino
A promessa: Paco Alcácer (atacante)
Principal reforço: Andrés Guardado (meio-campista, Deportivo)
Principal perda: Jordi Alba (lateral-esquerdo, Barcelona)
Objetivo: Vaga na Champions League
Time base (4-2-3-1): Guaita; João Pereira, Rami, Ricardo Costa, Mathieu; Gago, Banega; Feghouli, Jonas, Guardado; Soldado.

Campeão da “outra liga” de forma consecutiva desde a temporada 2009/10, o Valencia começa esta edição do campeonato tendo sofrido algumas mudanças em seu elenco. A principal delas é à saída de Unai Emery, técnico que ajudou o clube a consolidar-se no terceiro posto da tabela. Para o seu lugar, chega Mauricio Pellegrino. Ex-jogador do clube, El Flaco conta com a experiência de ter sido o auxiliar de Rafa Benítez no Liverpool e Internazionale de Milão, mas nunca dirigiu um time profissional.

Outra ausência que certamente será sentida é a de Jordi Alba. O lateral, revelação da Euro 2012, acertou sua ida para o Barcelona e deixou carente o lado esquerdo da defesa ché. Pro seu lugar, o clube chegou a acertar a contratação de Dídac Vilà, mas uma contusão grave no púbis fez o time desistir da transação. Dos que assinaram com o Valencia, ganham destaque o meia Guardado, ex-Deportivo, e o volante Fernando Gago, ex-Roma e Real Madrid. Além deles, Jonathan Vieira, que veio do Cádiz, e Paco Alcácer, prata da casa, demonstraram na pré-temporada uma ótima qualidade técnica e devem atuar durante o certame.

Valladolid (Victor Mendes)
Cidade: Valladolid, Castilla e Leão
Estádio: José Zorilla
Em 2011/2012: campeão dos play-offs da Liga Adelante
O cara: Javi Guerra (atacante, foto)
O treinador: Miroslav Djukic
A promessa: Javi Navas (meia-atacante)
Principal reforço: Rukavina (lateral-direito, 1860 Munich)
Principal perda: Nauzet (Las Palmas)
Objetivo: permanência na elite
Time base (4-2-3-1): Jaime; Rukavina, Marc Valiente, Rueda, Balenziaga; Álvaro Rubio, Víctor Pérez; Ebert, Óscar, Omar; Javi Guerra.

O vencedor dos play-offs de acesso da Liga Adelante foi a equipe que mais encantou durante a competição. O Valladolid conseguiu associar um futebol atrativo a uma defesa sólida (a melhor da Liga Adelante ao lado do Celta Vigo). Djukic já prometeu não mudar a filosofia que tanto deu certo na segundona no retorno à elite. O plantel renovado ajudará muito na briga contra o rebaixamento. As contratações são interessantes. Rukavina e Ebert, provenientes dos alemães Munich 1860 e Hertha Berlim, chegam para oferecerem qualidade às laterais. Apesar de atuar na lateral-direita, Rukavina tem sido testado na zaga nos amistosos de pré-temporada. Ebert, por outro lado, pode atuar também mais à frente, na linha de três. É provável que ele seja titular na extrema direita.

Se o Valladolid fizer o dever de casa no mercado e não mudar totalmente à primeira derrota, o 4-2-3-1 bem protegido e com Óscar armando as jogadas e Lolo impondo velocidade pela esquerda pode dar samba. Na frente, Javi Guerra é garantia de gol. O calendário prevê dificuldades nos cinco primeiros jogos: Zaragoza (fora), Levante (casa), Athletic Bilbao (f), Bétis (c) e Atlético de Madrid (f). Se, de fato, Djukic honrar as palavras, o Valladolid promete agradar os telespectadores nesta nova temporada.

Zaragoza (Pierre Andrade)
Cidade: Zaragoza, Aragão
Estádio: La Romareda
Em 2011/2012: 16º colocado
O cara: Roberto (goleiro, foto)
O treinador: Manolo Jimenez
A promessa: Jorge Ortí (atacante)
Principal reforço: Romaric (volante, Espanyol)
Principal perda: Lafita (atacante, Getafe)
Objetivo: permanência na elite
Time base (4-4-2): Roberto; Lanzaro, Loovens, Álvaro, Abraham; Apoño, Romaric, Edu Oriol, Montañes; Aranda, Helder Postiga.

Temporada nova, vida nova. Este será o lema do Zaragoza nesta edição do Campeonato Espanhol. Manolo Jimenez continuará no comando da equipe e não tinha como ser diferente. Quando assumiu o posto de treinador, substituindo Javier Aguirre, o Zaragoza se encontrava na última colocação da Liga. Jimenez conseguiu uma sequência de bons resultados, entre elas uma vitória contra o Athletic Bilbao por 2x0, e salvou a equipe do rebaixamento na última rodada.

Para esta temporada, a equipe tende a crescer tecnicamente com as contratações do zagueiro Álvaro Gonzalez, ex- Racing Santander, e do volante Romaric, que veio do Espanyol, mas que pertencia ao Sevilla. Outro que deve se destacar é o arqueiro Roberto, que conseguiu deixar de lado as más atuações e se firmou no gol maño, relegando ao banco o experiente Leo Franco. Aliado a isso, o clube ganhou 8 anos para quitar a dívida de €82 milhões e atualmente se encontra em uma situação financeira estável, o que deve garantir um ambiente mais leve para trabalhar.

Palpites para temporada
Victor Mendes
Campeão: Barcelona
Uefa Champions League: Barcelona, Real Madrid, Valencia e Atlético de Madrid
Liga Europa: Sevilla, Athletic Bilbao e Osasuna
Rebaixados: Rayo Vallecano, Granada e Celta Vigo
Copa do Rei: Real Madrid

Pierre Andrade
Campeão: Real Madrid
Uefa Champions League: Real Madrid, Barcelona, Atlético de Madrid, Valencia
Liga Europa: Real Sociedad, Sevillae Athletic Bilbao
Rebaixados: Valladolid, Rayo Vallecano, Bétis
Copa do Rei: Real Madrid

Edgley Lemos 
Campeão: Barcelona
Uefa Champions League: Barcelona, Real Madrid, Sevilla e Atlético de Madrid
Liga Europa: Valencia, Getafe e Athletic Bilbao
Rebaixados: Mallorca, Rayo Vallecano e Granada
Copa do Rei: Real Madrid

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Futuro desanimador

 Negredo e Jesús Navas são os principais jogadores do Sevilla, e sentem a falta de alguém que crie as jogadas (El Desmarque)

O Sevilla viveu seu auge entre 2005 e 2008. Nesse período, o clube cresceu em âmbito nacional e europeu, ao ganhar duas Copas da Uefa e uma Supercopa (em cima do Barcelona de Ronaldinho Gaúcho, diga-se de passagem). A fase era tão boa que os andaluzes chegaram a disputar a Liga Espanhola 2006/07 com Real Madrid e Barcelona até a última rodada, quando os merengues levaram o título a Chamartín. Nunca mais apareceu uma alternativa a dupla com tanta consistência para disputar a taça pau-a-pau (o Villarreal foi segundo colocado uma temporada depois, mas perdeu força na reta final).

Desde que o período áureo passou, o Sevilla até chegou a disputar oitavas-de-finais de Uefa Champions League e conquistou mais uma Copa do Rei em 2010, mas a queda na atuação é substancial à medida que os anos passam. Nos últimos dois anos, por exemplo, chegou a cair nas fase prévias da Liga dos Campeões e da Liga Europa. Quando pensamos de maneira mais ampla, é impossível estar satisfeito com a produção local de talentos e as investidas no mercado. Há ótimos jogadores em diversas posições, sobretudo do meio-campo para frente, mas o clube não tem formado e nem contratado um tipo específico: o organizador de jogadas. A maior prova de que o sucesso do time passa por um armador é o fato de Rakitic, contratado em janeiro de 2011, ter conseguido se encaixar muito bem no esquema de Marcelino Toral a ponto de os andaluzes quase conseguirem a vaga na LC 2011/12. Hoje, o croata é visto sob desconfiança: na temporada passada, que seria de sua afirmação, foi terrível, com muitas lesões e mau futebol, onde chegou a ser vaiado no Pizjuán.

A seleção e o time que controlam o futebol mundial desde 2008 é a antítese do cenário sevillista. Entre os titulares do Barcelona, há três brilhantes organizadores: Xavi, Iniesta e Fàbregas. Eles se juntam a Xabi Alonso e Silva na Espanha. A manuntenção da bola é tão relevante para as duas equipes que os treinadores substituem um centroavante de ofício (na Espanha, Fernando Torres; no Barcelona, o último foi Ibrahimovic) por alguém capaz de participar da troca de passes (Fàbregas). No Barcelona, o falso nove é Messi, que, apesar dos seus 80 gols por temporada, nunca foi um centroavante natural. O argentino participa do fluxo de passes no meio-campo e chega à área apenas para concluir as jogadas. No Real Madrid, além de Alonso, ainda há Sahin, Granero e Özil. Athletic Bilbao, Valencia e Atlético de Madrid têm Ander Herrera e De Marcos; Guardado, Gago e Banega; e Koke e Gabi, respectivamente. O que há de comum entre as equipes citadas? Elas disputam títulos e vagas nas competições europeias, algo que o Sevilla não conseguiu na última temporada. Coincidência? Pode ser, mas isso ajudar em 80% dos casos.

Enquanto os outros pensam, os jogadores do Sevilla correm atrás, com pontas enérgicos e rápidos, que às vezes até sabem passar a bola, como Reyes, Jesús Navas e Perotti; porém ineficientes quando não têm espaço para atuar. Reyes, quando retornou ao Pizjuán, chegou a ser sobrecarregado de armar as jogadas, mas naufragou e até hoje deve uma atuação positiva. Míchel, sem alternativas, é obrigado a usar o "velho e ultrapassado" 4-4-2 em linhas, que tem Navas e o canterano abertos pelos flancos. Até Kanouté chegou a ser utilizado centralizado quando o treinador ousou em mudar para o 4-2-3-1, mas, logicamente, não rendeu.

Pensa que a diretoria está disposto a consertar esse erro? Que nada. Deem uma olhada na sessão "altas y bajas" no Marca e analisem as contratações feitas pelo clube neste mercado. Diego López, Javi Hervás, Rabello, Maduro, Kondogbia e Cicinho, além dos retornos de Acosta e Bernado. Nenhum fantasista, como gosta de chamar os espanhóis. Botía (mais um zagueiro - tudo bem, porque setor também é carente) pode estar próximo de um acerto. Na base, também não há nenhum jogador que se destaque originalmente por armar jogadas. Da equipe campeã da Copa dos Campeões, principal torneio de base da Espanha, os destaques foram Luna (lateral-esquerdo), Campaña (volante), Beto (volante), Joaquín (meia-atacante) e Jairo Morillas (centro-avante). 

A esperança é a formação de jogadores dessa característica ainda nas equipes inferiores, como o sub-11 e sub-13. O maior desejo do presidente José Maria Del Nido é a volta à Uefa Champions League, mas o Sevilla se movimenta lentamente para mudar seu destino. Se fosse para apostar em equipes que brigarão por vaga na principal competição de clubes do mundo na Liga que se inicia daqui a dois sábados, os sevillistas certamente apareciam em segundo plano, pois estão atrás de Athletic Bilbao, Valencia e Atlético de Madrid.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Balanço Final: Análise da temporada (primeira parte)

 Cristiano Ronaldo dá o ok: ele foi a estrela do Real Madrid campeão da Liga Espanhola (getty images)

Real Madrid x Barcelona, Barcelona x Real Madrid. O Campeonato Espanhol tem se limitado a isso nas últimas quatro temporadas. Ainda assim, a temporada 2011/12 teve suas novidades. Primeiro, que o vencedor do duelo entre os dois gigantes não foi catalão. Segundo, porque o segundo pelotão da Espanha mostrou força. Se não o fez em La Liga, usou a Liga Europa para tal. Valencia, Atlético de Madrid e Athletic Bilbao chegaram às semifinais da segunda competição de clubes do continente, sendo que os dois últimos decidiram o título. E, na parte de baixo da tabela, o que parecia uma luta que se definiria rapidamente viu mudanças de última hora, com um gol no último minuto da última rodada rebaixando uma das principais forças do país desde a virada do século.

REAL MADRID
Classificação: campeão (vaga na Liga dos Campeões)
Copa nacional: quartas de final
Copas europeias: Liga dos Campeões (semifinais)
Destaque: Cristiano Ronaldo (foto, Getty Images)
Revelação: nenhuma
Decepção: Kaká
Nota da temporada: 8,5
O Real Madrid só se sentirá plenamente satisfeito quando voltar a conquistar a Liga dos Campeões. Aí, a torcida terá certeza que o clube atingiu seu potencial, que o dinheiro investido realmente deu retorno. Mas, tirando o fato de a LC ter ido para Londres, a temporada 2011/12 foi muito positiva para os merengues. O clube recuperou o título espanhol e, melhor ainda, mostrando autoridade e superioridade diante do Barcelona. Só o fato de ter deixado o grande rival para trás já legitima o trabalho de José Mourinho, e dá confiança para o trabalho seguir seu curso natural em Chamartín.

BARCELONA
Classificação: vice-campeão (vaga na Liga dos Campeões)
Copa nacional: campeão
Copas europeias: Liga dos Campeões (semifinais)
Destaque: Lionel Messi (foto, Getty Images)
Revelação:
Decepção: Pedro Rodríguez
Nota da temporada: 7
O Barcelona caiu na Liga dos Campeões por uma fatalidade (Messi perdeu um pênalti) e levou a Copa do Rei, mas a temporada termina com um sabor amargo no Camp Nou. O Barcelona deu sinais de desmotivação durante o Campeonato Espanhol, perdendo pontos bobos por falta de concentração. Além disso, mostrou vulnerabilidade no jogo de volta contra o Real Madrid e um raro descontrole emocional contra o Chelsea, sobretudo no jogo de volta das semifinais da LC. Para completar o ano ruim (na verdade, um ano “menos bom”), o técnico Pep Guardiola anunciou que não ficará em Les Corts. O clima não termina bom, e há uma expectativa de que a próxima temporada será mais turbulenta.

VALENCIA
Classificação: 3º (vaga na Liga dos Campeões)
Copa nacional: semifinais
Copas europeias: Liga dos Campeões (fase de grupos) e Liga Europa (semifinais)
Destaque: Roberto Soldado (foto, Getty Images)
Revelação: Bernat
Decepção: Dani Parejo
Nota da temporada: 7
Não foi bom, mas não foi ruim. O Valencia ficou no quase em boa parte da temporada. No Campeonato Espanhol, despontou como terceiro colocado com folga, mas teve uma série de maus resultados que obrigou o time a suar nas rodadas finais para evitar o vexame de perder uma vaga ganha na Liga dos Campeões. Na Liga dos Campeões, só foi eliminado na última rodada da fase de grupos (perdendo para o Chelsea, que se tornaria campeão). Na Copa do Rei, deu muito trabalho ao Barcelona (que também se tornaria campeão) e, na Liga Europa, caiu nas semifinais para o Atlético de Madrid (que, adivinha!, também se tornaria campeão). Tecnicamente, também foi um time que ficou no quase. A dupla de ataque (Jonas e Soldado) funcionou muito bem. A defesa teve seus bons momentos. O problema é que o meio-campo se ressentiu da temporada fraca de Pablo Hernández e não deu o dinamismo que o time precisou em alguns momentos. Nas más fases, até o cargo do técnico Unai Emery foi contestado pela torcida, mas é um time com boa estrutura para o futuro.

MÁLAGA
Classificação: 4º (vaga na Liga dos Campeões)
Copa nacional: oitavas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Santiago Cazorla (foto, Getty Images)
Revelação: José Récio
Decepção: Diego Buonanotte
Nota da temporada: 7,5
Pelo dinheiro gasto pelos donos catarianos, o mínimo que se exigia do Málaga era classificar para a Liga dos Campeões. Bem, o objetivo foi cumprido e a nota 7,5 se deve muito a isso. Mas não é um time brilhante, que jogue um futebol proporcional ao dinheiro que custou. O ataque é econômico, mas se virou bem com as bolas paradas de Cazorla (9 gols direto, 4 assistências) e o oportunismo de Rondón (11 gols, 4 assistências). A dupla compensou a baixa produtividade de jogadores como Julio Baptista e Ruud van Nilstelrooy e a própria falta de motivação de veteranos contratados apenas pela grife. A própria vaga na LC só chegou devido ao bom aproveitamento em casa (só Barcelona e Real Madrid foram melhores) e à perda de foco de Atlético de Madrid e Athletic Bilbao devido à Liga Europa.

ATLÉTICO DE MADRID
Classificação: 5º (vaga na Liga Europa)
Copa nacional: quarta fase (1/32 de final)
Copas europeias: Liga Europa (campeão)
Destaque: Radamel Falcao García (foto, Reuters)
Revelação: Thibaut Courtois
Decepção: Silvio
Nota da temporada: 8
Nenhuma equipe foi tão instável na temporada espanhola. O Atlético de Madrid teve altos e baixos muito agudos, o que dificulta uma avaliação muito clara do que o time fez durante nos últimos 12 meses. O ataque dependeu demais de Adrián e Diego na armação e Falcao García na finalização. Na defesa, os colchoneros sofreram na primeira metade do campeonato, quando Gregorio Manzano não estabelecia seu quarteto titular. Com a entrada de Diego Simeone, a linha Juanfran-Miranda-Godín-Filipe Luís se consolidou, a produção defensiva aumentou consideravelmente e a equipe cresceu como um todo. Aí veio a arrancada que levou ao título da Liga Europa e quase a uma vaga na Liga dos Campeões. No final, o saldo é positivo, ainda que seria melhor se não tivesse perdido tempo na primeira metade da temporada.

LEVANTE
Classificação: 6º (vaga na Liga Europa)
Copa nacional: quartas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Barkero (foto, Mundo Deportivo)
Revelação: Nabil El Zhar
Decepção: Asier del Horno
Nota da temporada: 8,5
Nenhum clube espanhol superou mais as expectativas iniciais que o Levante. O segundo clube de Valência deu uma arrancada nas rodadas iniciais, bateu o Real Madrid, e chegou a ocupar a liderança. Claro que não aguentou muito tempo, mas teve fôlego para brigar por uma vaga na Liga dos Campeões até a última rodada. E tudo isso com um time velho: dos 15 jogadores que mais atuaram na temporada, dez tinham mais de 30 anos. Um fato notável, de uma equipe tecnicamente fraca, mas que soube se montar em torno de uma defesa aguerrida.

OSASUNA
Classificação:
Copa nacional: oitavas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Álvaro Cejudo (foto, El País)
Revelação: Ibrahima Baldé
Decepção: Damiá
Nota da temporada: 6,5
Faltou uma pincelada de técnica. O Osasuna é uma equipe muito aguerrida, que consegue bons resultados em casa (apenas Real Madrid e Barcelona perderam menos como mandante) e sempre fica no meio da tabela. Mas, quando precisa de um pouco mais de talento para brigar por uma vaga em competições europeias, fica pelo caminho. É um time de jogo pesado e lento, que precisa de mais dinamismo em alguns momentos. Mas, quando pode colocar a partida em seus termos, tem bons resultados. Curiosidade: os navarros foram os últimos do Campeonato Espanhol em aproveitamento de passes (67,1%, menos até que o Racing de Santander), mas o primeiro em vitórias nos duelos pelo alto (18,6 por jogo).

MALLORCA
Classificação:
Copa nacional: quartas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Gonzalo Castro (foto, Bermellones)
Revelação: Pedro Bigas
Decepção: Akihiro Ienaga
Nota da temporada: 7
Equipe que fez campanha discreta, praticamente se instalando no meio da tabela. Não fez nada de notável, até vencer quatro jogos seguidos na reta final e, de repente, se colocar na briga por um lugar na Liga Europa. Não teve sucesso, mas já foi muito para um time de elenco enxuto e pouco talento. O brilho ficou com a defesa, a quinta melhor do campeonato, que segurou a onda de um ataque pouco produtivo (o sexto pior).

SEVILLA
Classificação:
Copa nacional: oitavas de final
Copas europeias: Liga Europa (fase preliminar)
Destaque: Jesús Navas (foto, Getty Images)
Revelação: Antonio Luna
Decepção: José Antonio Reyes
Nota da temporada: 5
Já foi um time empolgante e brilhante, mas o Sevilla de hoje é um arremedo do bicampeão da Copa da Uefa no final da década passada. A equipe é burocrática e joga sem a confiança e a motivação de quem se considera capaz de brigar por um lugar na Liga dos Campeões. Além disso, há tempos não apresenta um talento que empolgue pelo potencial. A aposta em Reyes não funcionou, Kanouté foi inoperante e nunca pareceu um candidato viável às primeiras posições, mesmo quando a pontuação permitira sonhar.

ATHLETIC BILBAO
Classificação: 10º
Copa nacional: vice-campeão (vaga na Liga Europa)
Copas europeias: Liga Europa (vice-campeão)
Destaque: Fernando Llorente (foto, Getty Images)
Revelação: Ibai Gómez
Decepção: Carlos Gupergui
Nota da temporada: 7
Foi o terceiro time do campeonato em posse de bola e o quarto em acerto de passes. Foi também o clube que recebeu menos cartões vermelhos, apenas dois (empatado com Mallorca, Rayo Vallecano e Granada). É uma equipe que joga bonito, e se orgulha disso. Ainda assim, a classificação final não mostra isso. O Athletic de futebol vistoso e envolvente que Marcelo Bielsa montou, que teve jovens de talento como Muniain ganhando mais espaço no cenário internacional, que bateu o Manchester United duas vezes, só apareceu no Campeonato Espanhol em poucos momentos. Compreensível. Com um elenco enxuto, o técnico argentino teve de priorizar as competições no calendário. Preferiu as que o Athletic tinha chance de título (Liga Europa e Copa do Rei, foi vice em ambas) e deixou o segundo turno do Espanholão em segundo plano. As chances de classificação para a Liga dos Campeões, um objetivo viável, se perdeu. Mas é um grupo de futuro.

sábado, 19 de maio de 2012

Fracasso no profissional, sucesso na base

 Gol de Jairo Morillas deu ao Sevilla o título da Copa dos Campeões, principal torneio de base da Espanha. Irregular há, pelo menos, duas temporadas, é na base que andaluzes devem apostar daqui para frente (El Desmarque)

*Por Leandro Stein, originalmente do site Olheiros

O trabalho realizado pelo Sevilla nas categorias de base ao longo da última década foi notável. Os rojiblancos formaram jogadores do porte de Sergio Ramos e Jesus Navas, campeões do mundo com a seleção espanhola em 2010, além de outros nomes de valor, como José Antonio Reyes e Diego Capel. E, mais que o tato para lançar canteranos, o clube demonstrou contar com um olhar clínico para investir em jovens talentos. Foi assim que chegaram à Andaluzia Daniel Alves e Adriano, peças fundamentais no bicampeonato da Copa da Uefa em 2006 e 2007.

O declínio do Sevilla ao longo da atual temporada, no entanto, foi acentuado. Eliminado nas fases qualificatórias na Liga Europa, o clube até começou bem no Campeonato Espanhol, mas caiu vertiginosamente de produção entre dezembro e janeiro. E o caminho da recuperação já está desenhado: é novamente na base que os andaluzes deverão apostar. Dentre os clubes que compõem o numeroso segundo pelotão de La Liga, os rojiblancos foram dos que mais abriram espaços para seus garotos. José Gómez Campaña e Antonio Luna não deixam mentir. O volante e o lateral esquerdo conquistaram seus lugares na equipe, sobretudo com o técnico Míchel. Ambos já são apontados como os jovens mais promissores em suas posições no país.

Com apenas 18 anos de idade, Campaña não sentiu o peso da transição. Fez sua estreia como titular justamente contra o Barcelona, encarregado de segurar o ímpeto de Messi e companhia. E o placar zerado ao fim dos 90 minutos comprovam o sucesso de sua missão. Não por menos, integra as seleções de base e está convocado para as eliminatórias do Europeu Sub-19. Já Luna faz uma temporada de afirmação, após passar seis meses emprestado ao Almería. Reserva no início da temporada, ganhou uma chance no início do ano e permaneceu entre os titulares. E a confiança da torcida não se deve apenas àqueles que despontam entre os profissionais. No último final de semana, o Sevilla conquistou a Copa de Campeones, principal torneio de base da Espanha – quebrando a hegemonia de Barcelona e Real Madrid. É verdade que merengues e blaugranas foram barrados ainda nas fases regionais, pelos rivais Espanyol e Atlético de Madrid. Algo que não tira os méritos da campanha dos rojiblancos, que chegaram ao seu terceiro título na competição.

O bom desempenho começou na etapa local da competição. Em 30 jogos, foram 21 vitórias e apenas seis derrotas, deixando para trás Málaga, Betis e Granada. Já na fase final, o Sevilla passou pelo Valencia nas quartas de final e, nos pênaltis, eliminou o Sporting Gijón na semifinal. Por fim, o adversário na decisão foi o Espanyol, credenciado por eliminar Barça e Atlético de Madrid. E a vitória por 1 a 0 acabou por consagrar os andaluzes. Em campo, o técnico Diego Martínez apresentou uma equipe equilibrada taticamente e com grandes qualidades na defesa. O setor, aliás, contou com o goleiro Sergio Rico e Dani entre os melhores do torneio. Mais à frente, os canteranos que chamaram as atenções foram o volante e capitão Beto, o meia Joaquín e o centroavante Jairo Morillas. Todos nascidos em 1993 e que não devem demorar a subir ao menos à filial do clube.

A grande questão para os rojiblancos é saber quando realizar a transição entre juniores e profissionais – em uma situação parecida com a enfrentada pelos clubes brasileiros após a Copa São Paulo. O caminho costumeiro é o Sevilla Atlético, sucursal que dá vivência aos jogadores como profissionais. Depois disso, o caminho estará aberto para o lançamento definitivo dos prodígios. E o passado demonstra o quanto uma decisão deste tipo pode ser acertada.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Inimigos

Javier Clemente e o tão falado aperto de mão (El Mundo Deportivo)

Quando Sporting Gijón e Sevilla entrarem em campo amanhã, as câmeras se voltarão ao dois treinadores. Uma pergunta não quer calar: irão se falar antes da bola rolar? Javier Clemente e Míchel não vão com a cara um do outro. A rodada 27 da Liga BBVA irá marcar o tão esperado reencontro. Há dois anos, o basco renunciou um aperto de mão por parte do Míchel, quando até então treinava o Valladolid e o madrilenho, o Getafe. Suas diferenças são velhas, dos tempos de seleção. A inimizade atual entre os dois começou quando Clemente treinava a Fúria.

No início da década de 90, o atual treinador do Sporting Gijón resolveu não contar mais com Míchel e seus companheiros de Real Madrid, a famosa Quinta Del Buitre, sexteto de sucesso na década anterior. O basco pôs um fim à era do grupo na Roja. Desde novembro de 1992, Clemente não voltou a convocar Míchel para a seleção. Contudo, o ato que mais intensificou a relação da dupla aconteceu quando Míchel foi convidado pelo Marca a escrever uma coluna às vésperas da Copa do Mundo de 2002. O madrilenho aproveitou para atacar Clemente, à época treinador do Tenerife, e a guerra começou.

O ocorrido aconteceu em abril de 2002. Quase dez anos depois, fontes pessoais de Clemente afirmam que o basco não perdoou aquilo que intepretou como um insulto. A ferida, pelo visto, segue sem se cicatrizar. Hoje, os dois treinadores falaram na coletiva pós-jogo. Clemente manteve uma postura diferente da habitual. Explicou que, obviamente, sentiu-se ofendido e afirmou que Míchel deve estar arrependido. Ainda deixou claro: "falando ou não falando com ele, isso não importa. Em minha mente, no momento, estão apenas os três pontos. Eu me preocupo com meu time e ele, com o dele", sentenciou. Por sua vez, o treinador sevillista esquivou-se do assunto. "A partida de amanhã é tão importante que fatos extracampos não merecem serem citados", disse.

Abaixo, segue a tradução do trecho da fatídica coluna de Míchel ao Marca.
"Clemente segue subindo na Gabarra há 20 anos. Suas palavras sincronizam com seus feitos, ou seja: são vazias. É incapaz de analisar e manifestar sua impotência como técnico. É mercenário. Alguns clubes já sofreram com isso. Mas Clemente prefere abafar tudo. É triste olhar para o Tenerife e ver a situação pela qual passa. O descenso é muito provável. Clemente, entretanto, falará apenas em melhorar seu handcap no único campo que interessa: o de golfe. É um fato que não tocará no assunto fracasso. Isso, na realidade, não interessa nem ao próprio Clemente. Uma pena".

O AS também explicou o início da briga entre os dois. Para quem entende de espanhol, fica a dica.

27ª rodada
Sábado, 10/mar
Real Sociedad x Zaragoza
Málaga x Levante
Sporting x Sevilla
Betis x Real Madrid

Domingo, 11/mar
Atlético de Madrid x Granada
Espanyol x Rayo Vallecano
Valencia x Mallorca
Racing x Barcelona
Osasuna x Athletic Bilbao

Segunda-feira, 12/mar
Villarreal x Getafe

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Ressurreição

Chegada de Míchel para o comando técnico fez bem ao Sevilla, que emplacou duas vitórias consecutivas e, em um toque de mágica, foi do pesadelo do rebaixamento ao paraíso de conquistar uma vaga em competições europeias (reuters)

Segundo dados do Wikipédia, Ressurreição significa, literalmente, "levantar; erguer". Esta palavra é usada com frequência nas escrituras bíblicas, referindo à ressurreição dos mortos. No seio do povo hebreu, a palavra correlata designava diversos fenômenos que eram confundidos na mentalidade da época. O seu significado literal é voltar à vida; assim, o ato de uma pessoa considerada morta viver novamente era chamado ressurreição. Existe a conotação escatológica adotada pela igreja católica para esse termo que é a ressurreição dos mortos no dia do juízo final.

Ainda é cedo para apontar um futuro melhor para o Sevilla. Mas a equipe que venceu o Valencia no Mestalla por 2 x 1 pode pensar em algo melhor. O que, há três semanas, era um pesadelo, capaz até de ser rebaixado para a Liga Adelante, transformou-se em algo parecido com a prática de futebol bonito. O elenco cabisbaixo que Marcelino Toral deixou para Míchel já apresenta outra postura. A equipe conhecida nos últimos anos por ser aguerrida e pedra nos sapatos dos grandes parece ter voltado. Se 2012 estava um inferno, sem nenhuma vitória, contra os chés os nervionenses chegaram a duas consecutivas. Vitórias que elevam a moral do grupo e recolocam a equipe de volta à disputa por Liga Europa.

Em Valencia, o Sevilla lembrou o Sevilla de 2006/2007. Sólido na defesa, forte no meio-campo, sobretudo pelos lados do campo, e perigoso no ataque. Quando estreou como treinador sevillista, Míchel parecia disposto a cair no mesmo erro de Marcelino. Debutou sem mudar nada, escalando um meio-campo com três: Navas à direita, Reyes centralizado e Perrotti à esquerda. Só no final da partida contra a Real Sociedad, quando tirou o extremo esquerdo para colocar Kanouté, que o treinador observou e pôde entender que o mais certo a se fazer é utilizar o 4-4-2. É a tática que mais deu certo nos últimos anos. O esquema a rombo utilizado por Manzano no segundo semestre da temporada passada foi substituído sem explicação pelo 4-2-3-1 que Marcelino aplicou quando assumiu. Com Reyes e Jesus Navas voltados exclusivamente para os flancos do campo, a equipe ganha um poderio enorme.

As atuações individuas de peças-chaves no plantel também melhorou. Palop, que recuperou a condição de goleiro titular seis meses depois graças a uma lesão de Javi Varas, mostrou ainda estar em forma ao fazer três excelentes defesas contra o Osasuna, na semana passada. Rakitic e, sobretudo, Kanouté também estão imprescindíveis. Em sua coletiva de apresentação, Míchel havia reiterado o desejo de poder contar com o malinês, em baixa com Marcelino e em temporada obscura. O centroavante não só voltou a jogar bem como foi importante no duelo de hoje. A velocidade para recuperar a bola e cruzar para Jesus Navas definir e decretar a virada sevillista em pleno Mestalla foi comemorada pelo novo treinador. "Pouco a pouco vamos encontrando o equilíbrio. A equipe vai encontrando seu nível, sobretudo porque a confiança é alta. Isso é muito importante", disse na coletiva.

O El Desmarque, periódico que cobre os clubes de Sevilha, já apelida de Efeito Míchel. A semana é de concentração. Nas próximas rodadas, o Sevilla recebe Atlético de Madrid e Barcelona. O primeiro é um adversário direto e irá requer até mais atenção que o segundo, pelo simples fato de haver ambição em comum entre as duas equipes. Enquanto o Barcelona, segundo seu próprio treinador afirmou na coletiva pós-jogo contra o próprio Atlético de Madrid, não irá tirar essa taça do Real Madrid, os rojiblancos ainda sonham com o retorno a Champions League. Será uma partida que vai servir para calibrar e medir a reação do Sevilla e definir as aspirações do conjunto hispalense. A vaga na Liga Europa é possível.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Fim da linha

Não adiantou rezar, Marcelino (reuters)

Na 11ª colocação com apenas 26 pontos, a temporada do Sevilla torna-se um pesadelo a cada jogo. Não bastasse a irregularidade mostrada no primeiro turno, a equipe da Andaluzia vê pela frente um 2012, até o momento, negro. Contabilizando somente a Liga Espanhola, já foram cinco jogos e nenhuma vitória. Vale lembrar que, em 2011, fechou o ano com uma goleada sofrida ante o Real Madrid por 6 x 2. Uma semana antes, havia perdido para o Levante, no Ciutat de Valencia, por 1 x 0.

Os maus resultados vem desde o início da temporada. A contratação de Marcelino Toral foi vista por bons olhos pelos torcedores, pelo fato de o treinador ter feito um bom trabalho no Racing Santander, quando livrou os cantabrianos de um rebaixamento. Mas a moral do treinador asturiano logo foi se invertendo de valores quando, logo no segundo jogo oficial da temporada, sua equipe foi eliminada da Liga Europa pelo Hannover. A eliminação precoce numa competição onde o Sevilla copou duas taças consecutivas há seis temporadas começou a colocar em xeque o trabalho de Marcelino logo no início. A tragédia já estava anunciada.

Sete meses depois de demitir Gregório Manzano e anunciar Marcelino Toral, o presidente José Maria Del Nido tomou mais uma ação: numa decisão adotada nesta manhã, resolveu demitir o treinador. O presidente sevillista se reuniu com o vice-diretor esportivo Ramón Rodríguez (mais conhecido como Monchi) e chegou à conclusão que não tem mais clima para Marcelino no comando técnico sevillista. Del Nido aproveitou para dizer, em nota publicada no site oficial do clube, que está agradecido pelo profissional que foi Toral e lamentou o fato de ter que tomar uma decisão drástica devido aos péssimos resultados.

Apesar dos "elogios" do presidente, o asturiano cavou sua própria cova. Em momento algum da temporada, conseguiu passar ao conjunto um plano de jogo adequado. Abdicou do 4-4-2 utilizado no Racing Santander e do 4-4-2 a rombo que Manzano usava à época de Sevilla para jogar num 4-2-3-1. Deu certo até o momento em que as lesões redimensionaram o seu trabalho. Da 2ª à 10ª rodada, os rojiblancos mantiveram-se invictos. Quando foi derrotado para o Granada no Pizjuan perdeu o rumo. Entre a 11ª rodada e a 22ª, apenas duas vitórias. A volta de Reyes foi comemorada porque esperava-se que, em meio à fase turbulenta, o jogador, identificado com o clube e com a torcida, pudesse dar um plus à maneira de jogar. Não deu. Até o momento, Reyes está abaixo de sua média e não ajuda muito o Sevilla.

É difícil pensar num Sevilla rebaixado, mas a opção começa a ganhar contornos de realidade. O Sevilla não ocupava uma posição tão ruim na 22ª rodada desde a temporada 2003/2004. Há de se olhar mais para trás ainda para achar uma equipe que vencera menos: e é a de 1999/2000, com apenas 6 vitórias em 20 jogos. Nessa temporada, o Sevilla foi rebaixado. O Sevilla que Marcelino Toral deixou para o próximo treinador é sofrível. É um time cada vez mais triste, indefinido, que quando ataca se funde, e quando se defende se funde também. Este Sevilla não sabe muito bem quem é e não sabe o que não é. Não é uma equipe solvente, não é sólida, não é efetiva. Lhe custa um mundo para fazer gols.

Tampouco é uma equipe morta, porque os jogadores, mesmo com as suas limitações, tentam e corre, mas isso é o mínimo que se pede. Essas são virtudes de uma equipe vulgar e medíocre, de uma equipe que é a 11ª da tabela. Definiu bem o El Desmarque, periódico que cobre os clubes da Andaluzia, na semana passada, após o jogo contra o Málaga: "nem quando joga bem, nem quando joga mal, nem quando joga de forma regular. Nem quando ataca e nem quando defende, nem quando acerta e nem quando erra. Esse é o Sevilla nem-nem, o que não ganha de ninguém.", escreveu o jornalista Álvaro Ramírez.

Em sua última coletiva como treinador, Marcelino Toral admitiu toda a culpa. "Sou o maior responsável por esse momento", disse, finalizando-a. Del Nido corre atrás de um treinador. Especula a imprensa espanhola que o ex-Getafe Míchel é a opção mais plausível no momento. Quique Sánchez Flores também aparece na lista. Seja quem for, o novo treinador tem que colocar na cabeça que o elenco é limitado. Com Reyes, Jesus Navas, Perroti, Rakitic, Trochowski e Medel, o Sevilla tem um dos melhores meio-campo da Espanha. Mas a defesa é fraca e o ataque carece de atacantes bons. Negredo não joga um futebol semelhante ao ótimo de 2010/2011 e Kanouté vive de nome há um bom tempo. Fato é que Michel ou seja lá quem for terá um trabalho cruel pela frente.

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Atualização 20:28: Míchel foi anunciado como novo treinador do Sevilla. Chega com contrato firmado até o final da temporada e renovará automaticamente se conquistar a vaga para a próxima Liga dos Campeões.

sábado, 7 de janeiro de 2012

A última chance


José Antonio Reyes chega a um novo clube como esperança de dar novo gás ao meio-campo com sua velocidade, habilidade e, principalmente, potencial de ser decisivo. Essa frase já foi escrita inúmeras de vezes, tantas que não seria estranho se, em algumas décadas, ela aparecesse no epitáfio do jogador. Bem, ela foi muito constante nesse 6 de janeiro, Dia de Reis, quando se (re)apresentou ao Sevilla, clube que o formou.

O meio-campista é um fenômeno. Surgiu como talento precoce até para os padrões sevillistas. Tornou-se o jogador mais jovem do Sevilla a defender o clube na primeira divisão, ao estrear em 2000, com apenas 16 anos. Teve grandes temporadas em um time que ainda tentava reencontrar seu espaço entre os grandes da Espanha depois de um traumático rebaixamento. Acabou vendido ao Arsenal por 24,5 milhões de euros em 2004, em mais uma das apostas de Arsène Wenger em garotos.

Não vingou em Highbury (também não vingou no Emirates) e foi emprestado ao Real Madrid, em troca de Júlio Baptista. Fez dois gols no jogo que deu um título espanhol aos merengues, mas não convenceu. Foi devolvido, mas nem saiu direito da capital espanhola, pois o Atlético de Madrid pagou 12 milhões de euros para tê-lo ao lado de Simão Sabrosa na armação do jogo. Não se firmou e foi emprestado ao Benfica, que queria estrelas para fazer frente ao Porto. Não fez o suficiente para ficar e retornou ao Atlético de Madrid. Nesse vaivém, Reyes nunca foi mal o suficiente para ganhar o rótulo de fracasso, mas jamais esteve perto de se tornar o ícone de sua geração no futebol espanhol (é apenas um ano mais velho que Iniesta). É um jogador de (alguns) altos e (muitos) baixos, que fica alheio ao jogo em diversos momentos, e que parece aceitar que não vai explodir.

O histórico não é dos mais otimistas, mas o Sevilla até tem seus motivos para acreditar no já desgastado “agora vai”. O time tem necessidade de um jogador com as características do ex-colchonero. O meio-campo sevillista joga com Medel e Trochowski na marcação, Jesús Navas armando pela direita, Rakitic pelo meio e Perrotti pela esquerda. Manu Del Moral, vez ou outra, aparece na equipe titular. No entanto, não convenceu ainda, o que obrigou Marcelino a experimentar sistema de jogo com dois atacantes (e quatro no meio-campo). Tudo leva a crer que deve sobrar para Rakitic, em fase péssima. O croata, que se destacou na temporada passada, ainda não apareceu em 2011/2012. Reyes também pode entrar no espaço que deveria ser de Manu ou Perrotti. Ele joga entre o centro do campo e a esquerda, com tendência a buscar a ponta. Se voltar a praticar o futebol de seu início de carreira (e é essa a esperança dos sevillistas), seria uma versão canhota de Navas, deixando o time menos torto para um lado do campo.

Mas a questão tática é um detalhe. O que os sevillistas contam é com um novo ânimo do jogador. Reyes pediu para ser liberado pelo Atlético de Madrid, pois havia brigado com o técnico colchonero Gregório Manzano (que deixou o cargo na mesma época) e queria retornar a seu clube de origem. Espera voltar às origens, a um lugar em que é querido e seus baixos são tão desculpados quanto seus altos serão saudados. Reyes sempre teve dificuldade de lidar com a pressão de sempre justificar os altos investimentos feitos nele. Talvez agora, sem essa cobrança, possa se soltar. Não significa que será um craque. Significa que pode, ao menos, se divertir com sua profissão.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

13ª rodada: Ironias do destino

Diego comemora: o brasileiro ressuscita junto com o Atlético de Madrid, que obteve uma vitória importante ante o Levante (clubeatleticodemadrid.com)

Sevilla 1x2 Athletic Bilbao
18 anos depois, o Athletic Bilbao triunfou no Ramón Sánchez Pizjuan. O Athletic ganhou porque o seu treinador, Marcelo Bielsa, venceu o duelo ante Marcelino, treinador do Sevilla, desde o início. Buscou o ponto fraco anfitrião: o meio de campo débil, inconstante e desassistido, e foi por aí que atacou, que centralizou os seus esforços. Superpovoou essa medular para não dar alternativas aos sevillistas, que se mantiveram na partida até o gol do dois a um e que mostraram uma nula capacidade de reação. Bielsa ganhou a partida através da disposição da equipe, e Marcelino perdeu no seu manejar de peças e pela falta de recursos, desde as laterais. Nenhuma alteração tática, de homens e de posições deram outro rumo à partida. Nulos, todos os sevillistas acompanharam a superioridade basca até o fim do jogo. Isso é mais do que uma decepção. O Sevilla de hoje está em ruínas, se desmanchou feito espuma.

Marcelo Bielsa deu um autêntico nó tático em Marcelino, antes e durante a partida. Não só pela atitude de sua equipe de ir buscar a partida desde o minuto um, enquanto os sevillistas se mantinham à espera de algo indefinido. O que de início parecia uma estratégia defensiva do Athletic, com cinco defensores, prontamente se convertera em uma superioridade avassaladora no meio de campo. Aos quatro meio-campistas bascos, se somavam mais dois alas (Iraola e De Marcos) ante Fazio e Trochowski, pouco ou nada ajudados pelos seus atacantes e longe demais de seus pontas. Então, pouco poderiam fazer. O resultado prontamente deu razão ao Athletic, apesar do gol de Navas e do empate, o que não foi justo de acordo com o que estava sendo visto em campo. Esse gol, que poderia ter sido o motivador sevillista, serviu foi para analgésico. Nem Marcelino e nem os jogadores entendiam o que acontecia, o porquê do domínio, controle de bola e o porquê da superioridade basca.

Atlético de Madrid 3x2 Levante
A uma semana do dérbi da capital, o Atlético de Madrid ressuscitou. A vitória importante contra o Levante deu uma injeção de ânimo aos rojiblancos, que vão com tudo para encarar o Real Madrid no Bernabéu. Reyes, relegado ao banco de reservas para a entrada de Salvio, mostrou por que tem que ser o titular da posição: revolucionou as jogadas ofensivas atleticanas e mudou a cara do jogo. Outro nome que apareceu após muito tempo foi Diego. O brasileiro, que andava sumido, marcou o gol que sentenciou a partida e deu uma aula de maestria no meio-campo. A defesa, entretanto, voltou a falhar. A vitória aconteceu, mas os colchoneros voltaram a deixar mostras de debilidade defensiva. Mesmo sem pouco atacar, o Levante marcou dois. Imagina contra o poderoso ataque do Real Madrid, que tem como principal trunfo o contra-ataque?

Granada 2x1 Mallorca (jogo suspenso)
Quis o destino que, no dia em que a direita espanhola obteve a maior vitória eleitoral pós-Franco, com a vitória absoluta de Mariano Ranjoy, do PP, sobre Zapatero, a violência marcasse a rodada da Liga BBVA. O jogo entre Granada e Mallorca, interrompido aos 18 minutos do segundo tempo com uma vitória momentânea dos andaluzes por 2 a 1, foi suspensa por uma ataque de um aficionado granadense, que jogou um guarda-chuva no bandeirinha. A polícia local foi rápida e logo pegou o "torcedor", que foi retirado do estádio e levado a uma delegacia. Quique Pina, presidente do Granada, informou após o jogo que o responsável pelo acidente é menor de idade (15 anos), que foi levado a uma clínica de reabilitação no fim da noite. O imprevisto aconteceu logo após o gol da virada rojiblanca, marcada por Martins, que homenageou seu filho, com uma doença grave. A RFEF informou hoje que o reinício da partida será jogado com portas fechadas, mas ainda sem uma data definida. A competição multou o Granada em 6 milhões de euros.

domingo, 6 de novembro de 2011

12ª rodada: Quem manda aqui somos nós

O dono da cidade: Valencia vence dérbi local contra o Levante e ultrapassa os rivais na tabela, ficando a quatro pontos do líder Real Madrid. Brigará por título? (getty images)

Três jogos abriram a décima-segunda rodada da Liga BBVA. Entre eles, destaque para o dérbi valenciano mais importante dos últimos anos: Levante e Valencia entraram no Ciutat de Valencia pela primeira vez em um dérbi onde as duas equipes chegavam em posições favoráveis na tabela. O resultado final foi uma decepção para os torcedores granotas: o Levante foi derrotado em casa por 2 a 0 e deixou de vez as primeiras posições. O Valencia, por sua vez, chegou aos 24 pontos e, de praxe, ultrapassou os rivais locais, ganhando moral para o próximo desafio: a quatro pontos do Real Madrid, receberá na próxima rodada os merengues, querendo diminuir a diferença e se estabelecer na briga pelo título. Nos outros jogos, dois 0-0 insonssos entre Mallorca-Sevilla e Bétis-Málaga.

Levante 0x2 Valencia (Victor Mendes)
A cidade de Valencia tem um novo dono: o tradicional Valencia venceu o dérbi local e já está à frente na tabela dos ex-líderes do campeonato. A vitória foi motivo de zoação da Curva Nord, torcida organizada ché, que entoaram após o jogo que "Valencia é blanquinegra!". Em um dérbi quente, o Levante começou melhor e teve a oportunidade de abrir o placar cedo: após boa jogada de Barkero pela direita, Koné chutou de primeira para bela defesa de Guaita. À medida que o Valencia foi tomando conta da posse de bola, os chés começavam a criar mais oportunidades reais. E em uma enfiada de bola sensacional de Tino Costa para Jordi Alba, o lateral saiu na cara de Munúa, mas acabou travado por um desastrado Javi Venta, que marcou contra a própria porteira. Tino Costa ainda viria a aparecer positivamente na segunda etapa: o volante arriscou um chute de longe e Munúa aceitou, no gol que sentenciou o resultado.

O argentino, que inventou o um a zero e marcou o dois a zero, fez uma partida impecável e foi com justiças eleito o melhor em campo. Num período de vacas magras para os armadores do Valencia, com as lesões de Banega e Canales, o argentino substituiu à altura seu compatriota na volância e mostrou a Unai Emery que é uma excelente opção no período de baixa de Banega. Feghouli, substituto de Canales, voltou a fazer uma partida notável: escalado pelo flanco direito no 4-4-2 - tática que foi bastante elogiado pelos críticos espanhóis -, o francês mostrou o futebol que o consagrou no Grenoble e levou a Paterna. Um verdadeiro furacão para Juanfran, que não conseguiu pará-lo em nenhum momento.

Outro ponto destacável na partida ché foi a dupla de zaga formada por Rami e Víctor Ruíz, que vai esbanjando confiança. A atuação soberba da dupla é uma esperança de Unai Emery para parar o poderoso ataque do Real Madrid, próximo adversário do Valencia. Derrotado e, agora, na quarta colocação, o Levante perdeu também a invencibilidade em casa. Juan Ignácio Martínez colocou uma equipe bastante ofensiva, mas seu 4-2-3-1, inicialmente, foi a campo para fechar os espaços blanquinegros. Entretanto, como bem destacou Ballesteros após a partida, faltou aos azulgrenás mais agressividade. Nem de longe o Levante lembrou a equipe que vinha encantando nos jogos anteriores. Acuados, os granotes pareciam sentir o peso de um dérbi importante e foram engolidos por um Valencia que, a cada jogo, vai encontrando o caminho do sucesso.

Mallorca 0x0 Sevilla
O melhor Mallorca desde a chegada de Joaquín Caparrós ao comando técnico balear não foi o suficiente para bater Javi Varas, surpresa mais do que positiva da temporada. Em mais uma grande partida do goleiro andaluz, o Sevilla conseguiu levar um ponto suado a Nervion. Se não vence fora de casa há quatro partidas, ao menos Marcelino Toral tem algo a comemorar: não tem sofrido gols. Escudé e principalmente Spahic têm atuado com bastante solidez e a retranca feita contra o Barcelona já havia sido notável. Um dos méritos do treinador foi ter recuperado o bom futebol de Jesus Navas e se conseguir tal feito com Rakitic seria uma boa. O croata está distante do futebol que o levou à seleção do campeonato passado feito pelo blog no Balanço Final e está longe da forma física ideal. Na ausência de Negredo e Rakitic, o treinador optou estranhamente por jogar com Manu Del Moral na referência. Pelo lado balear, como bem destacou Caparrós, essa é a linha a seguir, mas falta concluir com mais êxitos.

Bétis 0x0 Málaga
Em uma das piores partidas da temporada, Bétis e Málaga fizeram um clássico regional sem nenhuma emoção e sem nenhum gol. O empate teve sabor quase que igual para as duas equipes: enquanto o Málaga vai perdendo o contato com o pelotão da Champions e vê Rayo Vallecano e Espanyol se aproximarem na tabela, o Bétis somou seu sétimo jogo sem conhecer os três pontos. Após viver um paraíso, os verdiblancos já sem veem no inferno: com 13 pontos, está a quatro pontos da primeira equipe da zona de rebaixamento, o Granada. A boa notícia para os anfitriões foi a boa partida da promessa Pozuelo, que começou como titular e saiu de campo aplaudido para a entrada de Matilla. Jogando aberto pela direita, o jogador, que foi comparado a Messi quando mais novo, levou perigo duas vezes à meta de Caballero. O Málaga, por sua vez, sentiu a goleada sofrida para o Levante há quatro rodadas. Desde a partida contra os granotes, quando vivia uma boa fase, os blanquiazules não conseguem atuar com brilhantes. Apesar de ter à disposição jogadores com talento, falta algo a mais para a equipe de Pellegrini, que, pelo incrível que pareça, não está preocupado com os últimos resultados.