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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Difícil, mas não impossível

Pellegrini fracassou no Real Madrid e alcançou a semifinal com o Villarreal. Agora no Málaga, espera surpreender o Porto (El Desmarque)

O Málaga iniciou a temporada sob dúvidas. Recheados de problemas extracampos provenientes do sheikh Abdullah Al Thani, infestado de dívidas, o clube pouco gastou na recomposição do elenco e esteve a um passo de perder o técnico Manuel Pellegrini. Logo nos dois jogos qualificatórios para a fase de grupos do principal torneio de clubes do mundo, contra o Panathinaikos, a equipe mostrou um amadurecimento fantástico para quem disputava uma competição desse porte pela primeira vez. 

Na fase de grupos, mais duas pedreiras: o reforçado Zenit e o nem tão reforçado mas um gigante que sempre merece respeito Milan, além do Anderletch, que completou o grupo C. E, novamente, atuações mágicas, como no 3x0 ante os russos no La Rosaleda e o 1x0 ante os rossoneros no mesmo estádio. Na Liga Espanhola, a equipe começou a mil nos primeiros dois meses, e a queda recente era esperada. No entanto, a vitória por 1x0 contra o Athletic Bilbao no último sábado pode ter servido para abastecer a moral de um elenco que, há quase dois meses, foi impedido pela UEFA de participar das próximas edições da UCL. Quarto colocado da Liga Espanhola, o Málaga ainda tem esperanças de que a entidade volte atrás na decisão. 

Amanhã, às 16h45, os blanquiazules fazem o primeiro dos dois principais jogos de sua história. Contra o  Porto, principal time de Portugal e líder da Liga Sagres com 43 pontos ao lado do Benfica, é preciso ter bastante cuidado com o colombiano Jackson Martínez, artilheiro máximo do campeonato português com 20 gols. Em grande fase na carreira, o atacante de 26 é ameaça real à defesa andaluza. Quem também precisará ter atenção especial é João Moutinho, o principal articulador de jogadas do time. Há quase um mês, Xavi teve uma de suas principais atuações na temporada exatamente contra o Málaga, quando atuou solto em campo. Não cometer o mesmo erro contra um jogador de característica semelhante ao do catalão é necessário para obter um resultado favorável.

Pelo lado andaluz, o grande destaque fica por conta de Isco Román, que assegurou com perfeição a condição de protagonista deixado por Santi Cazorla, que rumou ao Arsenal. Sobretudo em âmbito europeu, o melhor jovem espanhol da atualidade tem feito excelentes partidas. É nele a aposta dos torcedores para os confrontos. Pelo lado direito do 4-2-3-1 blanquiazul, Joaquín, que renasceu após temporadas opacas, é outra grande ameaça. A defesa, a menos vazada do campeonato espanhol, tem no goleiro Caballero seu principal ponto. Em grande fase na carreira, o arqueiro vem sendo essencial nos últimos jogos. Sua atuação no San Mamés foi louvável. Outro ponto positivo foi o bom retorno de Júlio Baptista. O brasileiro, que ficou parado quase 16 meses, tem sido escalado no auxílio a Saviola ou, como no jogo de sábado, na função do argentino.  

Paradoxalmente, o Málaga tem de lidar com um seu ponto fraco: o lado esquerdo de sua defesa. Desde que Monreal deixou a Costa do Sul rumo a Londres para defender o Arsenal, o treinador Manuel Pellegrini encontrou problemas e muitas dores-de-cabeças. Eliseu foi improvisado, mas passou por apuros. Nos últimos dois jogos, Antunes jogou os 90 minutos, mas a confiança do argentino no português não é das maiores. No último treinamento antes do duelo, a aparição de Jesus Gámez foi a grande surpresa. E é exatamente por esse setor que joga o jogador mais arisco do Porto: o colombiano James Rodríguez. O ponta direita canhoto de extrema habilidade tem uma boa finalização e uma ótima visão de jogo. No entanto, é dúvida para o duelo por conta de uma lesão. Vitor Pereira o irá esperar até a última hora.

Na coletiva de imprensa, Pellegrini mostrou-se confiante, apesar dos elogios aos portugueses. "Demonstramos na atual edição da Champions League que somos capazes de surpreender. Sinceramente, o Porto é uma grande equipe, mas se avançarmos de fase não será nenhuma zebra", disse. Pelas palavras ditas no término da coletiva ("a eliminatória deve ser decidida em Málaga. é meu desejo"), o treinador deve levar a campo uma escalação mais preservada para o confronto desta terça-feira, no estádio do Dragão. Não será surpresa se Pellegrini abdicar de um centroavante (Saviola ou Santa Cruz) e colocar Júlio Baptista de falso nove, escalando Portillo (Eliseu está lesionado), Toulalan e Iturra juntos no meio-campo. 

A facilidade para cuidar da posse de bola e para explorar a velocidade, sobretudo em jogos fora de casa, pode levar o Málaga a um resultado positivo em Portugal. Se o time de Vítor Pereira adiantar as linhas, haverá o trio de meio-campo mais Júlio Baptista para contra-atacar. Foi exatamente dessa maneira o Villarreal de Pellegrini por um triz não alcançou uma surpreendente final de Champions League em 2005-2006. As classificações do Submarino Amarelo diante de Rangers e Internazionale e a quase classificação perante o Arsenal de Henry se encaixam nas declarações do argentino. Ele quer reviver aquele cenário que quase o levou a glória?

Prováveis escalações
Porto: Helton; Danilo, Otamedi, Mandala, Alex Sandro; Lucho González, Fernando, João Moutinho; James Rodríguez (Atsu), Varela, Jackson Martínez.

Málaga: Caballero; Sérgio Sánchez, Demichelis, Welington, Antunes (Jesus Gámez); Toulalan, Iturra; Joaquín, Isco, Júlio Baptista; Saviola/Santa Cruz (Portillo).

Obs: mantive a escalação habitual do Málaga, apesar de ter deixado claro no texto que não seria surpresa um onze inicial mais preservado com a entrada de Portillo e o deslocamento de Baptista à referência do ataque.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Prazer, Europa

 Isco brilha na Champions League e se consolida como um dos melhores jovens do mundo (getty images)
 
O Málaga obteve um feito histórico no San Siro. Ao empatar com o Milan por 1x1, os blanquiazules, em sua primeira participação na Uefa Champions League, conseguiram com duas rodadas de antecedência a classificação às oitavas de finais da competição. Naquele que foi considerado, por meio de uma votação no site do periódico andaluz El Desmarque, o jogo mais importante da história do clube, o Málaga começou "assustado", acanhando-se perante adversário e estádio histórico, mas logo deixou a timidez de lado e passou a encarar de igual para igual o time treinado por Allegri. Durante boa parte do primeiro tempo, os andaluzes sufocaram os rossoneros, chegando a abrir o placar com Eliseu. No segundo tempo, a necessidade do empate obrigou o Milan a atacar mais e o gol de empate saiu através de Pato.

O gol do português foi oriundo de uma assistência tirada da cartola de Isco. O jovem, até o momento, brilha na temporada e tem feito partidas de ouro na principal competição de clubes do mundo. Por mais uma temporada, Isco faz jus ao rótulo de promissor, mas dessa vez vai se consolidando como realidade. Não é exagero dizer que ele está, por que não, no grupo dos melhores jovens da nova geração do futebol, ao lado de nomes como Götze, Reus, Oscar, Neymar, Jovetic e Balotelli.

Cria do Valencia, estreou pelo clube de Paterna há dois anos, contra o Logroñes, pela Copa do Rei, e marcou dois gols. A estreia perfeita fez o garoto ser, precocemente, o substituto natural de David Silva, à época brilhando com a camisa blanquinegra. Ainda nessa temporada, Isco teve participação fundamental na campanha de acesso do Valencia Mestalla à Segunda Divisão B ao lado do também promissor Paco Alcácer. Badalado entre os espanhóis por sua participação no último Mundial Sub-17, quando foi terceiro lugar com a Espanha, Isco jogou só cinco jogos da Liga e apareceu até na Liga dos Campeões com o elenco A. O blog o elegeu como uma das 15 melhores promessas do futebol espanhol na temporada. A lógica era imaginar ele tendo mais espaço na temporada posterior. Engano.

Numa transferência bastante surpreendente, o Málaga passou a cláusula de seis milhões de reais e levou o jovem de volta à sua terra natal. Na equipe de Pellegrini, não tardou a ser titular. Em 2011/2012, foi o melhor jovem da Liga Espanhola. A recente venda de Santi Cazorla ao Arsenal criou a lacuna de que Isco, hoje com 20 anos, precisava para virar protagonista no time da Costa do Sol. Em 16 jogos nesta temporada, marcou quatro gols, deu quatro assistências e chama a atenção por atuações bem mais dominantes no meio-campo. Em âmbito europeu, não tem deixado a desejar. Seu estilo de jogo, semelhante ao de Iniesta, rende comparações com o meio-campista do Barcelona.

A explosão de Isco transforma o Málaga numa das melhores equipes da Espanha. 5º colocado na Liga e a um ponto de terminar a fase de grupos da Champions em primeiro, os blanquiazules se preparam para a época mais densa da temporada. Até o dia 6 de janeiro, enfrenta Real Sociedad, Osasuna, Zenit (UCL), Valencia, Cacereño (Copa do Rei), Getafe, Anderletch (UCL), Granada, Sevilla, Real Madrid e Barcelona. Num campeonato onde a disputa por vagas nas competições europeias preza pela imprevisibilidade (hoje, por exemplo, o Bétis está na zona de UCL), as perdas de pontos são recuperáveis. Influente no ataque, Isco será fundamental para melhorar o aproveitamento. Enquanto isso, ele se prepara para ser o maior trunfo da equipe no tão esperado mata-mata da Champions League.

*Na semana passada, o personagem do Málaga retratado aqui foi Joaquín.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A fênix de Málaga

 Após temporadas opacas no Valencia, Joaquín renasceu no Málaga, onde é fundamental para as pretensões do time na temporada (AP Photos)

Todos sabem que o verão que o Málaga passou foi rodeado de polêmicas. O clube perdeu Cazorla, Mathijsen e Rondón, que criticaram a postura controversa da administração do sheikh Abdullah Al-Thanil. Sobre esse assunto, tratamos recentemente. O estardaçalho feito durante esse momento negro foi grande, mas, analisando calmamente, desnecessário. Em terceiro lugar na Liga e a dois pontos de avançar de fase na Champions League, a equipe blanquiazul vive um de seus melhores momentos na história. Nesse cenário, um nome tem se destacado positivamente. Trata-se de Joaquín Sánchez, um dos jogadores espanhóis mais talentosos dos últimos anos, mas que teve uma carreira atrapalhada, principalmente, pelas lesões.

Formado nas categorias de base do Bétis, ele nunca chegou a ser o que prometia. Titular da seleção espanhola na Copa de 2006, teve uma temporada de ouro com os verdiblancos em 2004-2005, quando foi o melhor jogador do título da Copa do Rei. No Valencia de Villa e Silva, perdeu a titularidade quando o jovem Pablo Hernández despontou. Mesmo após a saída do Guaje para o Barcelona, quando Joaquín assumiu a lendária camisa sete, não conseguiu se firmar na equipe titular, sendo deixado de lado por Unai Emery. Sua contratação por parte do Málaga foi vista sob desconfiança. E com razão. Na temporada passada, o andaluz alternou boas e más partidas e viu Cazorla e Isco assumirem o protagonismo. Com a saída de Santi ao Arsenal, ele tem sido um substituto à altura.

Os aficionados malagueses veem o melhor de Joaquín a cada jogo. Com cinco gols, três na Liga e dois na Champions, ele é fundamental para as pretensões de um Málaga que mostra que irá brigar novamente por uma vaga na principal competição europeia. Sempre caindo pelo lado direito, mas com liberdade para centralizar e criar jogadas para o centroavante Saviola no 4-2-3-1, não tem decepcionado. Há uma semana, contra o Milan, perdeu um pênalti na primeira etapa, mas deu a volta por cima marcando o gol da vitória que levou La Rosaleda à loucura. Os nove pontos na UCL (100% de aproveitamento) deixa os blanquiazules a um passo da história classificação às oitavas.

Ainda que, convenhamos, Isco seja o principal jogador do Málaga neste início de temporada, até por cumprir um papel tático de protagonista, Joaquín não está para trás. Manuel Pellegrini ratifica sua importância a cada coletiva. No ranking do Marca, a eterna promessa é o sexto melhor jogador da Liga Espanhola 12/13, atrás de Messi, Jesus Navas, Falcao García, Iago Aspas e Isco. Com 31 anos, Joaquín faz jus ao apelido de fênix que vem recebendo: renasceu das cinzas para ser destaque de uma equipe que faz história.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

A vitória e os erros

 José Mourinho comemorou acintosamente o gol de Cristiano Ronaldo, mas colaborou para a vitória sair de maneira tão dramática (AS)

A Champions League voltou com tudo. No Santiago Bernabéu, Real Madrid e Manchester City protagonizaram o melhor jogo do dia, que terminou numa virada épica dos merengues por 3x2. A vitória, sobretudo neste grupo, considerado o da morte, deve ser bastante comemorada, muito porque a fase da equipe da capital já começava a ganhar contornos de crise. No entanto, não deve deixar de lado os erros cometidos por José Mourinho na escalação inicial. Abaixo, alguns comentários:

1) O trivote defensivo. Se você parar para pensar e lembrar que o Real Madrid de Mourinho derrotou Milan, Bayern de Munich e Barcelona jogando no 4-2-3-1, a escalação do confronto de hoje tem que ser mais contestada ainda. Mourinho voltou a repetir o 4-3-3 com uma trinca de meio-campistas. Essien, Khedira e Xabi Alonso não jogaram mal, mas o domínio territorial amplo dos merengues na primeira etapa sentiu a falta de um cérebro. O gajo não poderia, necessariamente, utilizar Modric e Özil juntos, mas um deles seria ideal.

2) Benzema ou Higuaín? Mourinho, em suas duas primeiras temporadas, costumava revezar a posição de centroavante a cada jogo. Nesta temporada, no entanto, tem dado preferência a Higuaín. Ainda que seja o artilheiro da equipe com três gols ao lado de Cristiano Ronaldo, o jogo parece fluir menos com Pipita. Ele é bom centroavante, mas desperdiça mais chances do que marca. Benzema, novamente relegado ao banco, teve apenas uma chance real e marcou. Higuaín, no primeiro tempo, perdeu duas.

3) Mesut Özil é fundamental. Uma grande verdade. Quando ele está bem, todo o meio-campo funciona. Quando ele está mal, o jogo cai. Hoje, o alemão entrou no segundo tempo quando ainda estava 0x0. Participou, diretamente, apenas do primeiro gol, mas passa outra qualidade ao setor. Logo após o tento de empate de Benzema, deu um toque atrás do meio-campo para o francês que terminou em defesa de Hart. No escanteio, Cristiano Ronaldo, contando com a colaboração do goleiro inglês, definiu. O português, que tanto tentou, mereceu. Hart, que tanto salvou, não merecia sofrer um gol assim.

4) A questão Sérgio Ramos. Durante a semana, o periódico El País, especializado e confiável quando o assunto é bastidores do Real Madrid, divulgou uma matéria sobre uma possível discussão do treinador português com os senadores do elenco após a derrota para o Sevilla. A ida de Sergio Ramos ao banco logo no jogo seguinte só coloca mais panos quentes no assunto. Varane, que começou em seu lugar, não comprometeu, mas não é tão confiável quanto o espanhol. Na coletiva, Mourinho fugiu da pergunta: "foi por questão técnica", disse. Ok.

Málaga 3x0 Zenit
Estreia perfeita do Málaga. Contra um rival direito, os blanquiazules fizeram o dever de casa, essencial caso queria avançar às oitavas de finais. A vitória só ratifica o excelente início de temporada dos andaluzes. Ao contrário de Mourinho, Manuel Pellegrini não teve medo de ousar: mandou a campo uma equipe totalmente ofensiva, armada no 4-1-3-2, que teve Portillo e Saviola escalados como dupla de ataque. O argentino voltou a marcar e não deve mais sair da equipe titular. Agredir os russos desde o início foi a chave da vitória. Na esquerda, Monreal foi bem no combate a Hulk. 

Mas quem merece um parágrafo à parte é Isco Román, que a cada dia vai deixando de lado o rótulo de promessa para virar realidade. Disputando um jogo de fase de Champions League pela primeira vez, o jovem não teve medo de ser feliz e foi o principal nome do jogo, marcando dois gols, incluíndo um golaço. Joaquín, aberto à direita, foi outra válvula de escape. 

Pellegrini exagerou na comemoração ao dizer que "em 2005/2006, ninguém confiava no Villarreal chegando até a semifinal", mas esse Málaga tem direito a sonhar. Ainda mais num grupo onde o cabeça-de-chave, Milan, está bastante enfraquecido em relação a outrora e não passou de um empate por 0x0 contra o Anderletch, próximo adversário dos boquerones.

domingo, 16 de setembro de 2012

De bem com a vida

 No Málaga, Saviola tende a ser útil ao time (Zimbio)

O Málaga teve um verão bem complicado, tudo mundo sabe. O meio-campista Santi Cazorla, o atacante Salomón Rondón e o zagueiro Joris Mathijsen criticaram a postura controversa da administração do sheikh Abdullah Al-Thani, colocaram o clube na justiça por atraso no salário (ação que foi voltada atrás semanas depois) e rumaram para outros lugares. A diretoria pouco gastou na recomposição do elenco e esteve a um passo de perder o técnico Manuel Pellegrini. A lógica era imaginar a equipe brigando contra o rebaixamento e nem avançando de fase na Uefa Champions League. Bobagem.

Analisando friamente o elenco blanquiazul, as perdas dos três jogadores, obviamente, são consideráveis, mas não a ponto de criar um estardaçalho. Após quatro jogos, desfruta invencibilidade, a melhor defesa e a segunda posição na Liga BBVA. A péssima reação generalizada ao também péssimo mercado havia ampliado uma pressão que seria naturalmente grande. As respostas a ela, no entanto, são as melhores possíveis. Na fase prévia da LC, os boquerones engoliram o Panathináikos quando ainda nem havia contratado ninguém. A boa partida de Eliseu, sobretudo, deu esperança aos torcedores de que o português poderia ser, em certas ocasiões, um substituto interno de Cazorla.

A falta de um centroavante mais experiente foi preenchida no último dia do mercado, com as contratações de Javier Saviola e Roque Santa Cruz. Juanmi, Portillo e Fabricie (respectivamente, 19, 20 e 16 anos de idade), o trio que vinha sendo utilizado como referência antes do dia 31, são jovens promissores e com faro de gol, mas sem cancha e experiência suficiente para determinados jogos, sobretudo em âmbito europeu, onde os andaluzes irão enfrentar Zenit, Milan e Anderletch. Passar de fase é possível, sobretudo pelo enfraquecimento do Milan. Porém, a disputa, na teoria, ainda é pela segunda posição contra o forte Zenit, campeão da Copa da Uefa em 2007/2008 e que desponta como favorito ao título do campeonato russo. Os milionários, na última semana, fecharam com Hulk e Witsel, dois jogadores que acrescentam mais qualidade ao plantel.

Nesse cenário, Saviola pode ser útil. Ontem, ele anotou um gol e foi o autor da assistência para o tento de Joaquín na vitória por 3x1 contra o Levante. Experiente e acostumado a desafios, o argentino ilusiona Pellegrini, que não tem dúvidas de utilizá-lo como titular na estreia de terça, contra os russos, no La Rosaleda. Estrear com três pontos ante um adversário direto é o primeiro passo rumo às oitavas de finais. A manuntenção de jogadores como Monreal e Toulalan também foi essencial. O espanhol, voando no início de temporada, já desponta como candidato a melhor lateral-esquerdo do campeonato. O francês dá o toque de qualidade na volância.

Ainda que a zaga assuste em certos momentos, o setor ofensivo tende a desequilibrar um confronto. Melhor jovem da temporada passada, Isco assume com contundência neste início de temporada a responsabilidade de ser o melhor jogador da equipe. Joaquín, aberto à direita, é confiável quando está em forma. Com apoio da diretoria e dos torcedores, Pellegrini é novamente o responsável por fazer a equipe fluir. O revezamento incessante dos três meio-campistas de seu 4-2-3-1 é a chave do triunfo inicial. No próximo sábado, o Málaga viaja a Bilbao para encarar o Athletic Bilbao, que, enfim, começa a entrar com competividade na temporada. Se tem condições ou não de manter esse pique até o final da temporada e novamente conquistar uma vaga na Champions League, isso só saberemos depois. Mas a conquista de uma vaga na Liga Europa representaria, sim, um inesperado sucesso do projeto que, por pouco, não caiu por ladeira abaixo.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Meio termo

 Agüero vs. Real Madrid: à época de Atlético, o argentino marcava, mas não vencia (getty images)

Não foi a melhor tarde para os espanhóis, mas também não foi a pior. É razoável dizer que somente o Barcelona saiu satisfeito do sorteio dos grupos da Liga dos Campeões. Também cabeça de chave, o Real Madrid terá que trabalhar para não sofrer sustos. Málaga e Valencia, por suas vezes, não esperavam facilidade mesmo, e caíram em grupos traiçoeiros. Acompanhem.

Grupo C: Milan, Zenit, Anderlecht, Málaga. A primeira experiência do Málaga na Liga dos Campeões será bastante trabalhosa. Os blanquiazules, no pote 4, terão dificuldades no grupo de campeões nacionais como Zenit e Anderlecth e do poderoso Milan, que, mesmo enfraquecido em relação aos outros anos, ainda possui elenco superior as demais equipes. O Málaga, se quiser sonhar em avançar de fase, precisará jogar com agressividade, fazer a lição de casa nos três jogos que fará em La Rosaleda e atuar com paciência na Rússia, Bélgica e Itália. Se possível, ainda que seja difícil, tirar pontos do Milan na Andaluzia. Sonhar é possível. Palpite: termina em segundo lugar.

Grupo D: Real Madrid, Manchester City, Ajax, Borussia Dortmund. O grupo da morte. Ainda que seja a mais forte equipe do grupo, o Real Madrid terá trabalho. O palpite do colunista é a primeira posição ao time de José Mourinho, mas as partidas contra Borussia e Manchester City exigirão um certo desgaste. Até porque a dupla, que foram as decepções da Liga dos Campeões 11/12 ao caírem na fase de grupos, estão mais experientes em âmbito europeu e podem complicar. Para um setor defensivo tão carente neste início de temporada, enfrentar Silva, Agüero, Tévez, Nasri e Reus, Götze e Lewandowski pode complicar. Destaque para o reencontro de José Mourinho com Mário Balotelli. Palpite: termina em primeiro lugar.

Grupo F: Bayern de Munich, Valencia, Lille, Bate Borisov. A briga mais relevante deste grupo será a pelo segundo lugar entre franceses e espanhóis. O Bayern é extremamente superior a Lille, Valencia e Bate e não terá trabalho para conquistar o título desta chave. Por outro lado, a briga do Valencia é tão igual à da temporada passada, quando caiu na fase de grupos ao perder a disputa pelo segundo lugar com o Bayer Leverkusen. Em tese, o Lille é um adversário mais fraco do que o Leverkusen, mas os blanquinegros precisarão entrar em campo concentrados. O que não pode acontecer é perder pontos para a equipe mais fraca, o Bate, assim como na temporada passada, quando perdeu na Bélgica para o Racing Genk. Palpite: termina em segundo lugar.

Grupo G: Barcelona, Benfica, Spartak Moscou, Celtic. Assim como nos últimos anos, o Barcelona novamente encontra um grupo bastante acessível na primeira fase. O grupo parece ainda mais simples que o de 2011/2012, quando o Barcelona teve de enfrentar Milan, Bate e Viktoria Pilsen. Dessa vez, não há um gigante como os rossoneros. Por outro lado, Benfica e Celtic, adversários de mata-mata de LC em temporadas passadas, prometem dificultar a vida barcelonista no Estádio da Luz e no Celtic Park, respectivamente. Vale a história do confronto com os portugueses, campeões da Copa dos Campeões ante os blaugranas em 61. Palpite: termina em primeiro

Todos sobrevivem
Além do quarteto da Champions, a Espanha emplacou todos os representantes na fase de grupos da Liga Europa. Athletic Bilbao e Levante passaram, respectivamente, por Helsinki e Motherwell. Além disso, por ser o atual campeão, o Atlético de Madrid já havia garantido presença anteriormente. A por ellos!

Atualização, sexta-feira, 31/08, às 10h47.
O sorteio da Uefa colocou os espanhóis em chaves acessíveis na Liga Europa. Em manhã movimentada pelo última dia do mercado europeu, Atlético de Madrid, Athletic Bilbao e Levante irão encarar, respectivamente, Apoel, Viktória Pilsen, Coimbra; Lyon, Sparta Praga, Apoel Kiryat; Twente, Hannover 96, Heisinborgs. Os granotes terão dificuldades, mas têm tudo para avançarem.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Dias de luta, dias de glória

 Fabrice Olinga, de 16 anos, deu a vitória ao Málaga em seu primeiro jogo pelo clube blanquiazul (El Desmarque)

O destino, segundo dados do Wikipédia, é geralmente concebido como uma sucessão inevitável de acontecimentos relacionada a uma possível ordem cósmica. Portanto, segundo essa concepção, o destino conduz a vida de acordo com uma ordem natural, da qual nada que existe pode escapar. Concepção antiga, é presente em algumas mitologias, como, por exemplo, na mitologia grega, através das Moiras, mas também em correntes filosóficas, como é o caso do fatalismo. Muitas vezes, vários episódios do futebol foram atribuídos ao destino. E ele apareceu mais um vez nesse final de semana.

No jogo de abertura da Liga BBVA 12/13, o Málaga foi a Vigo visitar o Celta no Balaídos. Os blanquizules, cheios de ponto de interrogações para responderem, não atuaram bem. Foram pressionados pelos celestes, que tomaram a iniciativa desde o começo do jogo, e sentiram a falta de Cazorla e Rondón na frente. Improvisado como falso nove, Sebá pouco apareceu e mostrou que ainda não está adaptado à nova função. Pellegrini sabe que precisa de um atacante de ofício caso queira disputar vaga em alguma competição europeia e ir mais longe na Uefa Champions League*. O fato de ter barrado Juanmi, único nove de ofício do elenco, só prova que ele não tem confiança no garoto. As especulações sobre Saviola fazem sentindo. De acordo com o Málaga, só falta o "ok" do argentino.

No banco de reservas, o chileno tinha à disposição o jovem Fabrice Olinga. Olinga tem as características de um segundo atacante, mas faz as vezes de centroavante. Ele entrou em campo no lugar de Sebá e deu outra mobilidade ao ataque boquerón. Aportou velocidade e levou perigo nas tabelas com Isco. O prêmio veio com o gol que deu a vitória ao Málaga na Galícia. Surpreende, no entanto, a idade do camaronês: 16 anos e 98 dias. Assim, Olinga estabeleceu um novo recorde: o mais jovem jogador a marcar um gol na Liga BBVA, superando Iker Muniain. Atrás do gesto de raiva na comemoração, havia uma vida de luta, esforço e pedras no caminho. A última, há uma semana. 

Em meio a grande confusão que vive a entidade, Olinga percebeu que o clube não havia renovado seu visto de trabalho. Em outras palavras, ele estava na Espanha, naquele momento, de forma irregular. Devido a pouca idade, Fabrice não tem contrato laboral para viver em solo espanhol, embora esteja no país com um visto de estudante que o obriga a renovar periodicamente. Oriundo do trabalho feito pela fundação Samuel Eto'o no país, tudo mudou no último momento. Na quarta-feira, três dias antes de estrear na Liga, Pellegrini avisou que levaria o jovem ao duelo de Vigo. Dessa maneira, o clube teve que agilizar tudo para renovar seu visto. Assim, a sorte começava a mudar de lado.

Olinga aterrissou no país das touradas há três anos. O Mallorca procurava por jovens promessas na África. Marcos Martínez, um dos responsáveis pelas canteras da equipe bermellona, se impressionou com o garoto, à época com 13 anos. No entanto, a intenção, ao princípio, de Javier Cordón, diretor-esportivo das divisões de base mallorquína, era levar a Palma de Mallorca o meio-campista Leuko, que o impressionou durante a disputa do torneio juvenil de seleções Costa Blanca em 2008. Porém, o Valencia foi mais rápido e conseguiu levar Leuko a Paterna, onde está até hoje na equipe B dos chés. O jeito foi optar pelo plano B, Olinga, que fez bonito nas Ilhas Baleares: durante dois anos e meio, foi campeão mirim da Copa do Rei e eleito o melhor jogador da competição.

As exibições positivas chamaram a atenção de José Manuel Casanova, responsável pela cantera do Espanyol durante mais de 25 anos e desde de 2011 no Málaga. Como o contrato com o Mallorca previa um vínculo de três anos, Casanova agilizou o plano para levá-lo à Andaluzia. E conseguiu. No Atlético Malagueño, time sub-20 do Málaga, novamente se destacou na Copa do Rei, dessa vez a juvenil. Contudo, graças a uma suspensão, não pôde estar presente na final, quando os blanquiazules caíram para o Espanyol. Sua batalha para estrear profissionalmente foi comparada à de Messi. Elogiado pela imprensa malaguesa após o gol da vitória e o recorde, Olinga sabe que foi do inferno ao céu. O desejo de Pellegrini e da comissão técnica é blindá-lo e utilizá-lo na temporada aos poucos, apenas para pegar experiência. Com 16 anos, Fabrice tem uma longa estrada para percorrer. E sabe que é questão de tempo para firmar seu primeiro contrato com o clube A. De uma forma ou outra, ele já é um vencedor.

Seleção da 1ª rodada
Diego Alves (Valencia); João Pereira (Valencia), Puyol (Barcelona), San José (Athletic Bilbao), Jordi Alba (Barcelona); Beñat (Bétis), Abel Aguillar (Deportivo La Coruña), Jesus Navas (Sevilla); Messi (Barcelona), Hemed (Mallorca), Tello (Barcelona). Treinador: Mauricio Pellegrino (Valencia).

*Uefa Champions League
E amanhã, pela primeira vez em sua história, La Rosaleda irá receber um jogo de Champions League. Pela fase prévia, o Málaga encara o Panatinaikos de Jesualdo Ferreira pelo jogo de ida. A expectativa é a maior possível. De acordo com o Desmarque, os aficionados pretendem fazer uma bela festa antes da bola rolar e prometem um mosaico para dar forças à equipe. A grande surpresa foi o corte de Sebá, por questões técnicas. Há grandes oportunidades de Fabrice começar de titular, embora o mais provável seja o uso de Juanmi na posição. A outra novidade pode ser o aparecimento de Maresca na equipe titular, em dentrimento de Camacho. Fazer um bom resultado é o dever do Málaga, que tem muitas oportunidades de alcançar a fase de grupos.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Guia: Liga BBVA (parte 2)

Na segunda parte do nosso guia para a temporada feito em parceria com Pierre Andrade e Edgley Lemos, do site Futebol Espanhol, damos destaque a mais dez equipes que jogarão a Liga BBVA 2012/2011. Hoje, falaremos do atual campeão Real Madrid, que quebrou a hegemonia do Barcelona após três anos, além do Valencia, o "humano" mais forte, e da dupla andaluza Sevilla, incógnita total, e Málaga, abalado por uma crise interna e externa que durou o verão inteiro. A primeira parte você pode ler aqui. Boa leitura!

Málaga (Victor Mendes)
Cidade: Málaga, Andaluzia
Estádio: La Rosaleda
Em 2011/2012: 4º colocado
O cara: Isco Román (meio-campista, foto)
O treinador: Manuel Pellegrinni
A promessa: Juanmi (atacante)
Principal reforço: -
Principal perda: Santi Cazorla (meio-campista, Arsenal)
Objetivo: vaga em alguma competição europeia
Time base (4-2-3-1): Caballero; Jesus Gámez, Demichelis, Weligton, Monreal; Maresca, Toulalan; Joaquín, Isco, Portillo; Seba Fernández.

Maio de 2012. O Málaga derrota o Sporting Gijón no La Rosaleda por 1x0, gol de Rondón, e sacramenta a quarta vaga para a Uefa Champions League. Nenhum torcedor presente no estádio naquela festa histórica imaginaria que, menos de quatro meses depois, a situação seria dialmetralmente oposto àquela vivida em 2011/2012. Após um ano para firmar na história do clube, a entidade andaluza viveu um verão terrível: o sheikh Abdullah-Al Thani deixou de investir, chegou a, segundo fontes do El Desmarque, colocar o clube à venda, viu quatro jogadores denunciarem o clube à AFE por atraso no salários e, ainda por cima, foi acusado por Villarreal, Osasuna e River Plate por falta do pagamento das compras de Cazorla, Monreal e Buonanotte, respectivamente. A instituição feriu.

As saídas de Cazorla, Rondón e Mathijsen e a péssima pré-temporada é uma tragédia anunciada. Toulalan e Júlio Baptista, lesionados, serão reforços urgentes quando voltarem, mas Pellegrinni sabe o quanto farão falta neste início de temporada: daqui a uma semana, os blanquiazules encaram o Panathinaikos pelo jogo de ida da pré-UCL. O momento é tão ruim que não houve nenhuma aquisição no mercado. Atualmente, falta um zagueiro confiável, um criador de jogadas e um atacante com faro de gol, justamente onde os três que saíram se encaixam. Ou seja, não há alternativas a eles. Pensar em rebaixamento é exagero, mas o objetivo da equipe hoje é uma vaga na Liga Europa, pois está muito abaixo dos candidatos à Champions.

Mallorca (Edgley Lemos)
Cidade: Palma de Mallorca
Estádio: Iberostar
Em 2011/2012: 8º colocado
O cara: José Luís Martí (meio-campista, foto)
O treinador: Joaquín Caparrós
A promessa: Nsue (atacante)
Principal reforço: Antonio López (lateral-esquerdo, Atlético de Madrid)
Principal perda: Gonzalo Castro (meia-atacante, Real Sociedad)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-2-3-1): Aouate; Nsue, Nunes, Bigas, Antonio López; Martí, Javi Márquez; Pereira, Hemed, Alfaro; Víctor.

O Mallorca sofreu um grande êxodo de jogadores ao fim da última temporada: os três principais zagueiros da equipe (Ramis, Chico e Martí Crespí) foram embora. No meio-campo, Tissone, De Guzmán, Chori Castro e Sérgio Tejera deixaram o clube. E como se já não fosse o bastante, a crise econômica que assola a Espanha ainda dificulta as movimentações da equipe no mercado. Apesar da situação caótica, o presidente Serra Ferrer conseguiu contratar Antonio López, lateral esquerdo que estava no Atlético de Madrid, o atacante Arizmendi, vindo do Getafe, e o meio-campista Javi Márquez, cria das canteras do Espanyol. Ferrer ainda prometeu dois zagueiros e um atacante antes da estreia do clube no campeonato.

Caparrós está consciente de que o dinheiro está curtíssimo e de que terá um elenco enxuto para o resto da temporada, por isso improvisou o canterano Pedro Bigas na zaga junto com o lateral Nelson, durante a pré-temporada da equipe. Os torcedores esperam que ao menos se possa ficar no meio da tabela e não ter de passar a angustia de lutar contra o rebaixamento. Solidez e experiência são as palavras que definem a nova versão do Mallorca.

Osasuna (Edgley Lemos)
Cidade: Pamplona, Navarra
Estádio: Reyno de Navarra
Em 2011/2012: 7º
O cara: Puñal (meio-campo)
O treinador: José Luis Mendilíbar
A promessa: Sisi (meio-campo)
Principal reforço: Joseba Llorente (atacante, Real Sociedad)
Principal perda: Raul García (meio-campista, Atlético de Madrid)
Objetivo: Liga Europa
Time base (4-2-3-1): Fernández; Bertrán, Flaño, Rubén, Echaide; Nekounam, Puñal; Sisi, Cejudo, Armenteros; Kike Sola.

Há pelo menos duas temporadas o Osasuna vem fazendo temporadas de meio de tabela para cima. Um dos responsáveis por isso é o treinador Mendilíbar e o outro é o estádio Reyno de Navarra. O técnico faz bom trabalho com os rojillos, que têm um elenco limitado, mas que jogando em seus domínios são praticamente impossível de se bater. No entanto, para esta temporada, a equipe perdeu um dos elementos chave da equipe. Raul García retornou ao Atlético de Madrid, após o término de seu contrato de empréstimo. 

Para repor a saída do meio-campista o Osasuna trouxe Sisi, ex-meio-campo do Valladolid, e Armenteros, meia que estava no Rayo Vallecano. Para o ataque chegou Joseba Llorente, da Real Sociedad, atacante experiente e que pode até fazer dupla com Kike Sola, num 4-4-2. Mendilíbar dificilmente conseguirá substituir Raul García à altura, mas ao menos reforça bem o meio-campo e a defesa, para que a temporada seja tão sólida quanto à última. O objetivo é a Liga Europa, certamente, que escapou por pouco na última temporada.

Rayo Vallecano (Victor Mendes)
Cidade: Vallecas, Madrid
Estádio: Teresa Rivero
Em 2011/2012: 15º colocado
O cara: Javi Fuego (volante, foto)
O treinador: Paco Jémez
A promessa: José Manuel Alcañiz (zagueiro)
Principal reforço: Adrián (volante, Racing Santander)
Principal perda: Michu (meia-atacante, Swansea)
Objetivo: permanência na elite
Time base (4-2-3-1): Rubén; Tito, Amat, Gálvez, Casado; Javi Fuego, Adrián; Lass, José Carlos, Piti; Nicki Bille.

Paco Jémez estreia como treinador de um time de primeira divisão com a árdua tarefa de repetir o milagre que operou Sandoval na temporada passada, na qual o Rayo conseguiu a permanência na elite na última rodada graças a um gol de Tamudo no último piscar da bola. Agora, o buraco é mais embaixo: o elenco é inferior em relação ao que sofreu em 2011/2012 e várias peças-chaves saíram, como Diego Costa, Armenteros, Arribas, Movillas e Michu, principal jogador franjiroyo por dois anos. As continuidades de Javi Fuego e Lass, por outro lado, é a melhor notícia que Paco pôde receber no verão.

Em uma situação econômica delicada, o clube de Vallecas fez um mercado acessível. As contratações de Jordi Amat e Galvez darão segurança à zaga, enquanto Adrián e José Carlos oferecerão qualidades ao meio-campo. A referência é o problema. Sem Diego Costa e Michu, a diretoria fechou com Nickie Billie, que não é uma resposta à altura a perda da dupla. O elenco não é homogêneo, sem muitas opções, foi a pedra do sapato do Rayo na temporada passada e certamente irá voltar a incomodar. Paco, por exemplo, só conta com cinco jogadores à disposição para a defesa. 

Real Madrid (Edgley Lemos)
Cidade: Madrid
Estádio: Santiago Bernabéu
Em 2011/2012: campeão
O cara: Cristiano Ronaldo (meia-atacante, foto)
O treinador: José Mourinho
A promessa: Morata (atacante)
Principal reforço: -
Principal perda: -
Objetivo: título
Time base (4-2-3-1): Casillas; Arbeloa, Pepe, Sergio Ramos, Marcelo; Khedira, Xabi Alonso; Di María, Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema.

Com o título da última temporada, o Real Madrid tem novamente a pressão sobre os ombros. Dessa vez o desafio é manter-se como campeão. Para isso, Mourinho manteve a base do time e se desfez apenas dos jogadores que “ocupavam espaço” no elenco. Pedro Léon, Gago e Altintop deixaram o clube. Dos três, apenas Gago ainda poderia ter chances no elenco, pois, se Khedira se lesionar, Lass sofre com problemas físicos e pode não estar em forma para substituí-lo à altura. Com a provável chegada de Modric, Sahin deve perder mais espaço e também seguir caminho longe de Madrid, mais próximo de Londres (Arsenal) ou Liverpool. Morata, atacante da base, foi promovido ao time principal e é bom ficar de olho, pois o jovem fez boa temporada pelo Real Madrid Castilla (que irá disputar a Liga Adelante) e deseja se firmar no elenco principal.

Mourinho tem consciência de que o título da Liga dos Campeões lhe escapou pelos dedos e que para voltar a competição com chances de ser campeão é preciso ter um time forte. O Real Madrid, junto ao Barcelona, é o time mais forte a disputar a Champions, então basta manter a base da última temporada e reforçar as posições carentes.  E a única posição carente é a lateral direita, que Mourinho delega a Arbeloa, seu jogador de confiança para a posição. O lateral se valorizou com o treinador após a Eurocopa e continua firma na equipe titular. Seu substituto é caseiro: o gajo teria se interessado pela ideia de efetivar Lass à posição após boas partidas do francês em 2011/2012. Com o elenco atual, o Madrid tem condições para ser novamente campeão espanhol e europeu nesta temporada.

Real Sociedad (Pierre Andrade)
Cidade: San Sebastián, País Basco
Estádio: Anoeta
Em 2011/2012: 12º colocado
O cara: Xabi Prieto (meio-campista)
O treinador: Philippe Montanier
A promessa: Rubén Pardo (meio-campista)
Principal reforço: Carlos Vela (meia-atacante, Arsenal)
Principal perda: Mikel Aranburu (aposentado)
Objetivo: Vaga na Liga Europa
Time base (4-2-3-1): Claudio Bravo; Carlos Martínez, Mikel González, Iñigo Pérez, José Ángel; Illarramendi, Zurutuza; Xabi Prieto, Carlos Vela, Griezmann; Agirretxe.

Com a base do time que encantou a Espanha no primeiro turno da La Liga, a Real Sociedad larga como uma das grandes apostas para temporada. Apresentando um futebol ofensivo e de qualidade no toque de bola, os comandados de Philippe Montanier esperam um ano mais estável, passando distante da zona de rebaixamento para a Liga Adelante. O ponto forte da equipe continuará sendo o meio de campo, liderado pelo experiente Xabi Prieto. Carlos Vela, contratado em definitivo junto ao Arsenal, e Agirretxe certamente levarão perigo às defesas adversárias. 

Outra aquisição importante do clube foi o lateral esquerdo José Angel, ex-Roma. Titular no time italiano, Ángel perdeu espaço com a saída de Luis Enrique e decidiu retornar ao seu país natal. Mesmo com essas contratações, se quiser almejar algo a mais do que o meio da tabela, os txuri-urdin terão que se preparar bem fisicamente para aguentar toda a temporada. Nos últimos anos, o time tem caído de rendimento na reta final, deixando escapar as chances de conquistar vagas nas competições européias.

Sevilla (Edgley Lemos)
Cidade: Sevilla, Andaluzia.
Estádio: Ramón Sánchez Pizjuán
Em 2011/2012: 9º colocado
O cara: Álvaro Negredo (atacante, foto)
O treinador: Michel
A promessa: Geoffrey Kondogbia (meio-campista)
Principal reforço: Diego López (goleiro, Villarreal)
Principal saída: Romaric (volante, Zaragoza)
Objetivo: vaga em uma competição europeia
Time base (4-4-2): Diego López; Cicinho, Botía, Spahic, Fernando Navarro; Trochowski, Medel, Jesus Navas, Perotti; Reyes, Negredo.

A instabilidade defensiva custou caro ao Sevilla na última temporada, por isso Del Nido deixou claro que reforçar bem a defesa era prioridade. Trouxe para a atual temporada o ótimo goleiro Diego López, proveniente do Villarreal. Chegaram, ainda, o zagueiro Botía, ex-Sporting Gijón, e o volante Maduro, vindo do Valencia. Além de Cicinho, ex-lateral direito do Palmeiras, que vem sendo chamado pela torcida de “novo Dani Alves”. No entanto, reforçar apenas a defesa não basta para o Sevilla, visto que o time sofre com a falta de um armador. 

Apesar de Rakitic ter muita qualidade, a última temporada foi tenebrosa. Por isso é importante, para o Sevilla, contratar alguém como opção ao croata. Michel, durante os amistosos de pré-temporada, ensaiou uma mudança no esquema tático da equipe para um 4-3-3, explorando as investidas de Návas e Reyes pelas pontas. A falta de um meio-campo armador, no entanto, deve pesar durante a temporada, caso Rakitic não atue bem. A realidade é outra em Nervión: pela primeira vez em oito anos, o Sevilla não irá disputar uma competição europeia.

Valencia (Pierre Andrade)
Cidade: Valencia
Estádio: Mestalla
Em 2011/2012: 3º colocado
O cara: Roberto Soldado (atacante, foto)
O treinador: Mauricio Pellegrino
A promessa: Paco Alcácer (atacante)
Principal reforço: Andrés Guardado (meio-campista, Deportivo)
Principal perda: Jordi Alba (lateral-esquerdo, Barcelona)
Objetivo: Vaga na Champions League
Time base (4-2-3-1): Guaita; João Pereira, Rami, Ricardo Costa, Mathieu; Gago, Banega; Feghouli, Jonas, Guardado; Soldado.

Campeão da “outra liga” de forma consecutiva desde a temporada 2009/10, o Valencia começa esta edição do campeonato tendo sofrido algumas mudanças em seu elenco. A principal delas é à saída de Unai Emery, técnico que ajudou o clube a consolidar-se no terceiro posto da tabela. Para o seu lugar, chega Mauricio Pellegrino. Ex-jogador do clube, El Flaco conta com a experiência de ter sido o auxiliar de Rafa Benítez no Liverpool e Internazionale de Milão, mas nunca dirigiu um time profissional.

Outra ausência que certamente será sentida é a de Jordi Alba. O lateral, revelação da Euro 2012, acertou sua ida para o Barcelona e deixou carente o lado esquerdo da defesa ché. Pro seu lugar, o clube chegou a acertar a contratação de Dídac Vilà, mas uma contusão grave no púbis fez o time desistir da transação. Dos que assinaram com o Valencia, ganham destaque o meia Guardado, ex-Deportivo, e o volante Fernando Gago, ex-Roma e Real Madrid. Além deles, Jonathan Vieira, que veio do Cádiz, e Paco Alcácer, prata da casa, demonstraram na pré-temporada uma ótima qualidade técnica e devem atuar durante o certame.

Valladolid (Victor Mendes)
Cidade: Valladolid, Castilla e Leão
Estádio: José Zorilla
Em 2011/2012: campeão dos play-offs da Liga Adelante
O cara: Javi Guerra (atacante, foto)
O treinador: Miroslav Djukic
A promessa: Javi Navas (meia-atacante)
Principal reforço: Rukavina (lateral-direito, 1860 Munich)
Principal perda: Nauzet (Las Palmas)
Objetivo: permanência na elite
Time base (4-2-3-1): Jaime; Rukavina, Marc Valiente, Rueda, Balenziaga; Álvaro Rubio, Víctor Pérez; Ebert, Óscar, Omar; Javi Guerra.

O vencedor dos play-offs de acesso da Liga Adelante foi a equipe que mais encantou durante a competição. O Valladolid conseguiu associar um futebol atrativo a uma defesa sólida (a melhor da Liga Adelante ao lado do Celta Vigo). Djukic já prometeu não mudar a filosofia que tanto deu certo na segundona no retorno à elite. O plantel renovado ajudará muito na briga contra o rebaixamento. As contratações são interessantes. Rukavina e Ebert, provenientes dos alemães Munich 1860 e Hertha Berlim, chegam para oferecerem qualidade às laterais. Apesar de atuar na lateral-direita, Rukavina tem sido testado na zaga nos amistosos de pré-temporada. Ebert, por outro lado, pode atuar também mais à frente, na linha de três. É provável que ele seja titular na extrema direita.

Se o Valladolid fizer o dever de casa no mercado e não mudar totalmente à primeira derrota, o 4-2-3-1 bem protegido e com Óscar armando as jogadas e Lolo impondo velocidade pela esquerda pode dar samba. Na frente, Javi Guerra é garantia de gol. O calendário prevê dificuldades nos cinco primeiros jogos: Zaragoza (fora), Levante (casa), Athletic Bilbao (f), Bétis (c) e Atlético de Madrid (f). Se, de fato, Djukic honrar as palavras, o Valladolid promete agradar os telespectadores nesta nova temporada.

Zaragoza (Pierre Andrade)
Cidade: Zaragoza, Aragão
Estádio: La Romareda
Em 2011/2012: 16º colocado
O cara: Roberto (goleiro, foto)
O treinador: Manolo Jimenez
A promessa: Jorge Ortí (atacante)
Principal reforço: Romaric (volante, Espanyol)
Principal perda: Lafita (atacante, Getafe)
Objetivo: permanência na elite
Time base (4-4-2): Roberto; Lanzaro, Loovens, Álvaro, Abraham; Apoño, Romaric, Edu Oriol, Montañes; Aranda, Helder Postiga.

Temporada nova, vida nova. Este será o lema do Zaragoza nesta edição do Campeonato Espanhol. Manolo Jimenez continuará no comando da equipe e não tinha como ser diferente. Quando assumiu o posto de treinador, substituindo Javier Aguirre, o Zaragoza se encontrava na última colocação da Liga. Jimenez conseguiu uma sequência de bons resultados, entre elas uma vitória contra o Athletic Bilbao por 2x0, e salvou a equipe do rebaixamento na última rodada.

Para esta temporada, a equipe tende a crescer tecnicamente com as contratações do zagueiro Álvaro Gonzalez, ex- Racing Santander, e do volante Romaric, que veio do Espanyol, mas que pertencia ao Sevilla. Outro que deve se destacar é o arqueiro Roberto, que conseguiu deixar de lado as más atuações e se firmou no gol maño, relegando ao banco o experiente Leo Franco. Aliado a isso, o clube ganhou 8 anos para quitar a dívida de €82 milhões e atualmente se encontra em uma situação financeira estável, o que deve garantir um ambiente mais leve para trabalhar.

Palpites para temporada
Victor Mendes
Campeão: Barcelona
Uefa Champions League: Barcelona, Real Madrid, Valencia e Atlético de Madrid
Liga Europa: Sevilla, Athletic Bilbao e Osasuna
Rebaixados: Rayo Vallecano, Granada e Celta Vigo
Copa do Rei: Real Madrid

Pierre Andrade
Campeão: Real Madrid
Uefa Champions League: Real Madrid, Barcelona, Atlético de Madrid, Valencia
Liga Europa: Real Sociedad, Sevillae Athletic Bilbao
Rebaixados: Valladolid, Rayo Vallecano, Bétis
Copa do Rei: Real Madrid

Edgley Lemos 
Campeão: Barcelona
Uefa Champions League: Barcelona, Real Madrid, Sevilla e Atlético de Madrid
Liga Europa: Valencia, Getafe e Athletic Bilbao
Rebaixados: Mallorca, Rayo Vallecano e Granada
Copa do Rei: Real Madrid

sábado, 28 de julho de 2012

Fim de brincadeira


Abdulla Al-Thani, o Sheikh preguiçoso. Convivendo com problemas, resolveu colocar o Málaga à venda (El Desmarque)

A temporada 2011/2012 foi perfeita para o Málaga. A excelente campanha na Liga BBVA devolveu o clube a uma competição europeia após 15 anos. Não só a oportunidade de disputar uma competição em âmbito internacional: trata-se da Uefa Champions League, torneio no qual o clube nunca nem passou perto. O Sheikh Abdullah Al-Thani foi sintético em suas palavras no dia de sua apresentação e prometeu que, dentro de três anos, colocaria a equipe na principal competição de clubes do mundo. Não demorou muito e, um ano e meio depois de assumir a presidência do Málaga, a equipe terminou em quarto na Liga, garantindo passaporte para disputar a pré-Champions League. Associado às promessas de investimento e o poderio de seu meio-campo, que tinha como sustentação os ótimos Cazorla e Isco, ao bom trabalho de Pellegrinni, que sempre consegue bons resultados em equipes medianas, nada podia deter os blanquiazules.

A menos que o próprio clube estragasse tudo. Aliás, justamente seu arquiteto. Proprietário do Málaga, Abdulla Al-Thani tem fortuna comparável à de Mansou Al Nahyan, manda-chuva do Manchester City, mas não investiu no atual mercado. As especulações que colocavam Dzeko, Robinho e até Tévez na órbita dos malagueses ficaram apenas nas notas de jornais. Contar com os outros sócios é inútil. Logicamente após as contratações pesadas do PSG, os torcedores imaginavam uma forte ida do Málaga ao mercado. Um dos potenciais protagonistas do mercado virou, no entanto, um coadjuvante atrapalhado e sem grife. 

Acusado de não ter pago ao Villarreal e Osasuna o valor completo pelas transferências de Cazorla e Monreal, respectivamente, o Sheikh perdeu força. Até os jogadores do clube foram à justiça denunciá-lo por atraso nos salários. Cazorla, Mathijsen, Van Nistelrooy, Demichelis e Rondón denunciaram o clube à AFE, mas, após insistência da diretoria, acabaram retirando. O resultado é um mercado apático, desastroso para um time sólido na chamada "liga dos humanos" e que deveria brigar por Champions League durante um bom tempo. Sem se reforçar direito e com múltiplas chances de perder Cazorla para o Arsenal, que apresentou uma proposta de 23 milhões de euros, o sonho de avançar até as oitavas-de-finais da LC fica bastante longe. Hoje, a equipe corre risco até de cair na pré-Champions. Por ora, nenhuma contratação foi feita.

Hoje, o estopim de uma crise repentina chegou ao limite. Segundo informações dadas em primeira mão pela rádio Cope, Al-Thani resolveu colocar o Málaga à venda. O árabe está negociando a venda do clube ao grupo Oil Tiça, do empresário albanês Rezart Taçi, sócio de uma petroleira e que também comanda o Bologna, da Itália. Em 2010, o empresário ofereceu dois milhões de euros ao Real Madrid para disputar um amistoso na Albânia. Fontes do periódico AS afirmam que as negociações estão bastante avançadas. O provável novo dono já fala em "achar soluções para vencer esse drama". Os torcedores, como não poderiam deixar de ser, estão bastante indignados com aquele que era seu herói. Em um fórum oficial do Málaga na internet no site El Desmarque, que cobre as equipes da Andaluzia, várias mensagens contra Al Thani foram lançadas. Perguntar não ofende: aonde o Málaga acha que vai assim?

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Balanço Final: Análise da temporada (primeira parte)

 Cristiano Ronaldo dá o ok: ele foi a estrela do Real Madrid campeão da Liga Espanhola (getty images)

Real Madrid x Barcelona, Barcelona x Real Madrid. O Campeonato Espanhol tem se limitado a isso nas últimas quatro temporadas. Ainda assim, a temporada 2011/12 teve suas novidades. Primeiro, que o vencedor do duelo entre os dois gigantes não foi catalão. Segundo, porque o segundo pelotão da Espanha mostrou força. Se não o fez em La Liga, usou a Liga Europa para tal. Valencia, Atlético de Madrid e Athletic Bilbao chegaram às semifinais da segunda competição de clubes do continente, sendo que os dois últimos decidiram o título. E, na parte de baixo da tabela, o que parecia uma luta que se definiria rapidamente viu mudanças de última hora, com um gol no último minuto da última rodada rebaixando uma das principais forças do país desde a virada do século.

REAL MADRID
Classificação: campeão (vaga na Liga dos Campeões)
Copa nacional: quartas de final
Copas europeias: Liga dos Campeões (semifinais)
Destaque: Cristiano Ronaldo (foto, Getty Images)
Revelação: nenhuma
Decepção: Kaká
Nota da temporada: 8,5
O Real Madrid só se sentirá plenamente satisfeito quando voltar a conquistar a Liga dos Campeões. Aí, a torcida terá certeza que o clube atingiu seu potencial, que o dinheiro investido realmente deu retorno. Mas, tirando o fato de a LC ter ido para Londres, a temporada 2011/12 foi muito positiva para os merengues. O clube recuperou o título espanhol e, melhor ainda, mostrando autoridade e superioridade diante do Barcelona. Só o fato de ter deixado o grande rival para trás já legitima o trabalho de José Mourinho, e dá confiança para o trabalho seguir seu curso natural em Chamartín.

BARCELONA
Classificação: vice-campeão (vaga na Liga dos Campeões)
Copa nacional: campeão
Copas europeias: Liga dos Campeões (semifinais)
Destaque: Lionel Messi (foto, Getty Images)
Revelação:
Decepção: Pedro Rodríguez
Nota da temporada: 7
O Barcelona caiu na Liga dos Campeões por uma fatalidade (Messi perdeu um pênalti) e levou a Copa do Rei, mas a temporada termina com um sabor amargo no Camp Nou. O Barcelona deu sinais de desmotivação durante o Campeonato Espanhol, perdendo pontos bobos por falta de concentração. Além disso, mostrou vulnerabilidade no jogo de volta contra o Real Madrid e um raro descontrole emocional contra o Chelsea, sobretudo no jogo de volta das semifinais da LC. Para completar o ano ruim (na verdade, um ano “menos bom”), o técnico Pep Guardiola anunciou que não ficará em Les Corts. O clima não termina bom, e há uma expectativa de que a próxima temporada será mais turbulenta.

VALENCIA
Classificação: 3º (vaga na Liga dos Campeões)
Copa nacional: semifinais
Copas europeias: Liga dos Campeões (fase de grupos) e Liga Europa (semifinais)
Destaque: Roberto Soldado (foto, Getty Images)
Revelação: Bernat
Decepção: Dani Parejo
Nota da temporada: 7
Não foi bom, mas não foi ruim. O Valencia ficou no quase em boa parte da temporada. No Campeonato Espanhol, despontou como terceiro colocado com folga, mas teve uma série de maus resultados que obrigou o time a suar nas rodadas finais para evitar o vexame de perder uma vaga ganha na Liga dos Campeões. Na Liga dos Campeões, só foi eliminado na última rodada da fase de grupos (perdendo para o Chelsea, que se tornaria campeão). Na Copa do Rei, deu muito trabalho ao Barcelona (que também se tornaria campeão) e, na Liga Europa, caiu nas semifinais para o Atlético de Madrid (que, adivinha!, também se tornaria campeão). Tecnicamente, também foi um time que ficou no quase. A dupla de ataque (Jonas e Soldado) funcionou muito bem. A defesa teve seus bons momentos. O problema é que o meio-campo se ressentiu da temporada fraca de Pablo Hernández e não deu o dinamismo que o time precisou em alguns momentos. Nas más fases, até o cargo do técnico Unai Emery foi contestado pela torcida, mas é um time com boa estrutura para o futuro.

MÁLAGA
Classificação: 4º (vaga na Liga dos Campeões)
Copa nacional: oitavas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Santiago Cazorla (foto, Getty Images)
Revelação: José Récio
Decepção: Diego Buonanotte
Nota da temporada: 7,5
Pelo dinheiro gasto pelos donos catarianos, o mínimo que se exigia do Málaga era classificar para a Liga dos Campeões. Bem, o objetivo foi cumprido e a nota 7,5 se deve muito a isso. Mas não é um time brilhante, que jogue um futebol proporcional ao dinheiro que custou. O ataque é econômico, mas se virou bem com as bolas paradas de Cazorla (9 gols direto, 4 assistências) e o oportunismo de Rondón (11 gols, 4 assistências). A dupla compensou a baixa produtividade de jogadores como Julio Baptista e Ruud van Nilstelrooy e a própria falta de motivação de veteranos contratados apenas pela grife. A própria vaga na LC só chegou devido ao bom aproveitamento em casa (só Barcelona e Real Madrid foram melhores) e à perda de foco de Atlético de Madrid e Athletic Bilbao devido à Liga Europa.

ATLÉTICO DE MADRID
Classificação: 5º (vaga na Liga Europa)
Copa nacional: quarta fase (1/32 de final)
Copas europeias: Liga Europa (campeão)
Destaque: Radamel Falcao García (foto, Reuters)
Revelação: Thibaut Courtois
Decepção: Silvio
Nota da temporada: 8
Nenhuma equipe foi tão instável na temporada espanhola. O Atlético de Madrid teve altos e baixos muito agudos, o que dificulta uma avaliação muito clara do que o time fez durante nos últimos 12 meses. O ataque dependeu demais de Adrián e Diego na armação e Falcao García na finalização. Na defesa, os colchoneros sofreram na primeira metade do campeonato, quando Gregorio Manzano não estabelecia seu quarteto titular. Com a entrada de Diego Simeone, a linha Juanfran-Miranda-Godín-Filipe Luís se consolidou, a produção defensiva aumentou consideravelmente e a equipe cresceu como um todo. Aí veio a arrancada que levou ao título da Liga Europa e quase a uma vaga na Liga dos Campeões. No final, o saldo é positivo, ainda que seria melhor se não tivesse perdido tempo na primeira metade da temporada.

LEVANTE
Classificação: 6º (vaga na Liga Europa)
Copa nacional: quartas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Barkero (foto, Mundo Deportivo)
Revelação: Nabil El Zhar
Decepção: Asier del Horno
Nota da temporada: 8,5
Nenhum clube espanhol superou mais as expectativas iniciais que o Levante. O segundo clube de Valência deu uma arrancada nas rodadas iniciais, bateu o Real Madrid, e chegou a ocupar a liderança. Claro que não aguentou muito tempo, mas teve fôlego para brigar por uma vaga na Liga dos Campeões até a última rodada. E tudo isso com um time velho: dos 15 jogadores que mais atuaram na temporada, dez tinham mais de 30 anos. Um fato notável, de uma equipe tecnicamente fraca, mas que soube se montar em torno de uma defesa aguerrida.

OSASUNA
Classificação:
Copa nacional: oitavas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Álvaro Cejudo (foto, El País)
Revelação: Ibrahima Baldé
Decepção: Damiá
Nota da temporada: 6,5
Faltou uma pincelada de técnica. O Osasuna é uma equipe muito aguerrida, que consegue bons resultados em casa (apenas Real Madrid e Barcelona perderam menos como mandante) e sempre fica no meio da tabela. Mas, quando precisa de um pouco mais de talento para brigar por uma vaga em competições europeias, fica pelo caminho. É um time de jogo pesado e lento, que precisa de mais dinamismo em alguns momentos. Mas, quando pode colocar a partida em seus termos, tem bons resultados. Curiosidade: os navarros foram os últimos do Campeonato Espanhol em aproveitamento de passes (67,1%, menos até que o Racing de Santander), mas o primeiro em vitórias nos duelos pelo alto (18,6 por jogo).

MALLORCA
Classificação:
Copa nacional: quartas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Gonzalo Castro (foto, Bermellones)
Revelação: Pedro Bigas
Decepção: Akihiro Ienaga
Nota da temporada: 7
Equipe que fez campanha discreta, praticamente se instalando no meio da tabela. Não fez nada de notável, até vencer quatro jogos seguidos na reta final e, de repente, se colocar na briga por um lugar na Liga Europa. Não teve sucesso, mas já foi muito para um time de elenco enxuto e pouco talento. O brilho ficou com a defesa, a quinta melhor do campeonato, que segurou a onda de um ataque pouco produtivo (o sexto pior).

SEVILLA
Classificação:
Copa nacional: oitavas de final
Copas europeias: Liga Europa (fase preliminar)
Destaque: Jesús Navas (foto, Getty Images)
Revelação: Antonio Luna
Decepção: José Antonio Reyes
Nota da temporada: 5
Já foi um time empolgante e brilhante, mas o Sevilla de hoje é um arremedo do bicampeão da Copa da Uefa no final da década passada. A equipe é burocrática e joga sem a confiança e a motivação de quem se considera capaz de brigar por um lugar na Liga dos Campeões. Além disso, há tempos não apresenta um talento que empolgue pelo potencial. A aposta em Reyes não funcionou, Kanouté foi inoperante e nunca pareceu um candidato viável às primeiras posições, mesmo quando a pontuação permitira sonhar.

ATHLETIC BILBAO
Classificação: 10º
Copa nacional: vice-campeão (vaga na Liga Europa)
Copas europeias: Liga Europa (vice-campeão)
Destaque: Fernando Llorente (foto, Getty Images)
Revelação: Ibai Gómez
Decepção: Carlos Gupergui
Nota da temporada: 7
Foi o terceiro time do campeonato em posse de bola e o quarto em acerto de passes. Foi também o clube que recebeu menos cartões vermelhos, apenas dois (empatado com Mallorca, Rayo Vallecano e Granada). É uma equipe que joga bonito, e se orgulha disso. Ainda assim, a classificação final não mostra isso. O Athletic de futebol vistoso e envolvente que Marcelo Bielsa montou, que teve jovens de talento como Muniain ganhando mais espaço no cenário internacional, que bateu o Manchester United duas vezes, só apareceu no Campeonato Espanhol em poucos momentos. Compreensível. Com um elenco enxuto, o técnico argentino teve de priorizar as competições no calendário. Preferiu as que o Athletic tinha chance de título (Liga Europa e Copa do Rei, foi vice em ambas) e deixou o segundo turno do Espanholão em segundo plano. As chances de classificação para a Liga dos Campeões, um objetivo viável, se perdeu. Mas é um grupo de futuro.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O Rei Sol do Málaga

 O dono da bola: articulador do meio-campo do Málaga, Cazorla termina temporada em alta e tem tudo para ir à Eurocopa (AP Photos)

Cazorla esteve impossível. O meio-campista marcou 13 gols na temporada e assistiu 11. Contra o Sporting Gijón, no jogo que garantiu o Málaga na Liga dos Campeões da Uefa, foi dele o passe para o gol decisivo de Rondón, o único jogador do elenco blanquiazul com mais gols que o ex-Villarreal na temporada. Sua marca só não foi maior que a da 2006/2007, quando, jogando pelo Recreativo, anotou 14. À época, Santi também foi premiado como o melhor jogador espanhol do ano, em prêmio concedido pela famosa revista Don Balón. Naturalmente, muito se especula sobre o futuro do jogador asturiano, cujo vínculo com o Málaga termina em 2014, mas dificilmente ele sairá da Andaluzia. Liverpool, Arsenal, PSG, Roma e Juventus mostraram interesse nele no verão passado, quando decidiu reforçar o Málaga. Hoje, praticamente um ano depois de garantir o Villarreal na fase prévia da principal competição europeia, Cazorla tem Málaga a seus pés.

El Cuín, como é chamado desde a época das divisões de base do Oviedo, foi o principal acerto do Sheik Abdulla Al-Thani no mercado. Vendido pelo Submarino Amarelo por 20 milhões de euros como uma das alternativas para fazer caixa, o meio-campista viu seu ex-clube afundar, literalmente. Tanto dentro de campo, deixando claro a falta que Cazorla fazia na meiuca, como fora, sendo rebaixado à Liga Adelante. No Málaga, o asturiano se encaixou com naturalidade. As expectativas criadas em torno de sua contratação foram cumpridas com excelência. Os 20 mil torcedores que lotaram La Rosaleda no dia de sua apresentação estão, com certeza, satisfeitos. Peça-chave do esquema de Pellegrini, tornou-se essencial à medida que a temporada passava.

Aos 27 anos, Cazorla certamente sabia que, se renovasse pela segunda vez com os amarillos, abriria mão da chance de brilhar por um time de ponta da Espanha. O Atlético de Madrid tentou sua contratação, o Valencia por pouco não anunciou, mas foi o projeto Málaga que mais chamou sua atenção. Ex-treinador e fã, Juan Carlos Garrido chegou a implorar por sua permanência em Castellón, mas sabia que sua venda era necessárioa, já que não havia abrido mão de Rossi e Nilmar. O camisa 12 blanquiazul não entrou na seleção da temporada feita pelo blog, mas certamente teria seu nome no banco de reservas e seria a alternativa a Özil, líder de assistências e dono de um excelente segundo turno.

O nome de Cazorla, certamente, seria unanimidade numa votação de top 5 dos melhores jogadores do Málaga na temporada. Ao lado de Isco e Rondón, foi o principal nome do time em 2011/2012. Toulalan, até se lesionar, e Demichelis completariam a lista. O asturiano é consistente há muito tempo e tem uma capacidade impressionante de posicionamento e tomada de decisões. Bom finalizador tanto com a direita quanto com a esquerda, é cobrador nato de faltas. Na Liga, foram quatro, ficando atrás apenas de Beñat, do Bétis, com seis. Nomes como Cristiano Ronaldo, Daniel Alves, Marcos Senna e Messi foram deixados para trás. É também importante taticamente, como evidenciado no duelo contra o Real Madrid no Santiago Bernabéu, ajudando na marcação pelo setor direito e sendo importante na frente. Aliás, foi de falta que ele marcou e deu um pingo de esperanças para o Barcelona.

Outra importante característica é a versatilidade. Por jogar no centro, na direita e na esquerda, mais avançado e recuado, dá a Pellegrini bastante flexibilidade para adaptar o time às necessidades de cada momento. Com 57,6 passes (84,8% de acerto), 7,4 lançamentos e 2,2 passes para finalização por partida, ele faz o jogo do Málaga fluir. Não sai do lugar certo, passa quando tem de passar e chuta quando tem de chutar. Após deixar Santi de fora da Copa do Mundo devido a má temporada com o Villarreal em 2009/2010, Vicente Del Bosque não teve escolhas e se rendeu ao jogador. Convocado para os dois últimos amistoso pré-Eurocopa, é certo seu nome aparecer na lista final dos jogadores que vão tenta o bi-europeu (Cazorla esteve no elenco campeão em 2008). Afinal de contas, ele merece. Pode não ser melhor e nem mais importante para o treinador madrilenho, mais fez melhor temporada do que Fàbregas e Iniesta, por exemplo.

*Para quem não entendeu, o título é uma alusão a mitologia das Astúrias, província espanhola onde Cazorla nasceu. A mitologia asturiana e as suas lendas estão baseadas nas vivências religiosas dos povos Astures, com temas simples sobre a adoração à natureza e ao sol, interligados com as mitologias celta e nórdicas.