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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Difícil, mas não impossível

Pellegrini fracassou no Real Madrid e alcançou a semifinal com o Villarreal. Agora no Málaga, espera surpreender o Porto (El Desmarque)

O Málaga iniciou a temporada sob dúvidas. Recheados de problemas extracampos provenientes do sheikh Abdullah Al Thani, infestado de dívidas, o clube pouco gastou na recomposição do elenco e esteve a um passo de perder o técnico Manuel Pellegrini. Logo nos dois jogos qualificatórios para a fase de grupos do principal torneio de clubes do mundo, contra o Panathinaikos, a equipe mostrou um amadurecimento fantástico para quem disputava uma competição desse porte pela primeira vez. 

Na fase de grupos, mais duas pedreiras: o reforçado Zenit e o nem tão reforçado mas um gigante que sempre merece respeito Milan, além do Anderletch, que completou o grupo C. E, novamente, atuações mágicas, como no 3x0 ante os russos no La Rosaleda e o 1x0 ante os rossoneros no mesmo estádio. Na Liga Espanhola, a equipe começou a mil nos primeiros dois meses, e a queda recente era esperada. No entanto, a vitória por 1x0 contra o Athletic Bilbao no último sábado pode ter servido para abastecer a moral de um elenco que, há quase dois meses, foi impedido pela UEFA de participar das próximas edições da UCL. Quarto colocado da Liga Espanhola, o Málaga ainda tem esperanças de que a entidade volte atrás na decisão. 

Amanhã, às 16h45, os blanquiazules fazem o primeiro dos dois principais jogos de sua história. Contra o  Porto, principal time de Portugal e líder da Liga Sagres com 43 pontos ao lado do Benfica, é preciso ter bastante cuidado com o colombiano Jackson Martínez, artilheiro máximo do campeonato português com 20 gols. Em grande fase na carreira, o atacante de 26 é ameaça real à defesa andaluza. Quem também precisará ter atenção especial é João Moutinho, o principal articulador de jogadas do time. Há quase um mês, Xavi teve uma de suas principais atuações na temporada exatamente contra o Málaga, quando atuou solto em campo. Não cometer o mesmo erro contra um jogador de característica semelhante ao do catalão é necessário para obter um resultado favorável.

Pelo lado andaluz, o grande destaque fica por conta de Isco Román, que assegurou com perfeição a condição de protagonista deixado por Santi Cazorla, que rumou ao Arsenal. Sobretudo em âmbito europeu, o melhor jovem espanhol da atualidade tem feito excelentes partidas. É nele a aposta dos torcedores para os confrontos. Pelo lado direito do 4-2-3-1 blanquiazul, Joaquín, que renasceu após temporadas opacas, é outra grande ameaça. A defesa, a menos vazada do campeonato espanhol, tem no goleiro Caballero seu principal ponto. Em grande fase na carreira, o arqueiro vem sendo essencial nos últimos jogos. Sua atuação no San Mamés foi louvável. Outro ponto positivo foi o bom retorno de Júlio Baptista. O brasileiro, que ficou parado quase 16 meses, tem sido escalado no auxílio a Saviola ou, como no jogo de sábado, na função do argentino.  

Paradoxalmente, o Málaga tem de lidar com um seu ponto fraco: o lado esquerdo de sua defesa. Desde que Monreal deixou a Costa do Sul rumo a Londres para defender o Arsenal, o treinador Manuel Pellegrini encontrou problemas e muitas dores-de-cabeças. Eliseu foi improvisado, mas passou por apuros. Nos últimos dois jogos, Antunes jogou os 90 minutos, mas a confiança do argentino no português não é das maiores. No último treinamento antes do duelo, a aparição de Jesus Gámez foi a grande surpresa. E é exatamente por esse setor que joga o jogador mais arisco do Porto: o colombiano James Rodríguez. O ponta direita canhoto de extrema habilidade tem uma boa finalização e uma ótima visão de jogo. No entanto, é dúvida para o duelo por conta de uma lesão. Vitor Pereira o irá esperar até a última hora.

Na coletiva de imprensa, Pellegrini mostrou-se confiante, apesar dos elogios aos portugueses. "Demonstramos na atual edição da Champions League que somos capazes de surpreender. Sinceramente, o Porto é uma grande equipe, mas se avançarmos de fase não será nenhuma zebra", disse. Pelas palavras ditas no término da coletiva ("a eliminatória deve ser decidida em Málaga. é meu desejo"), o treinador deve levar a campo uma escalação mais preservada para o confronto desta terça-feira, no estádio do Dragão. Não será surpresa se Pellegrini abdicar de um centroavante (Saviola ou Santa Cruz) e colocar Júlio Baptista de falso nove, escalando Portillo (Eliseu está lesionado), Toulalan e Iturra juntos no meio-campo. 

A facilidade para cuidar da posse de bola e para explorar a velocidade, sobretudo em jogos fora de casa, pode levar o Málaga a um resultado positivo em Portugal. Se o time de Vítor Pereira adiantar as linhas, haverá o trio de meio-campo mais Júlio Baptista para contra-atacar. Foi exatamente dessa maneira o Villarreal de Pellegrini por um triz não alcançou uma surpreendente final de Champions League em 2005-2006. As classificações do Submarino Amarelo diante de Rangers e Internazionale e a quase classificação perante o Arsenal de Henry se encaixam nas declarações do argentino. Ele quer reviver aquele cenário que quase o levou a glória?

Prováveis escalações
Porto: Helton; Danilo, Otamedi, Mandala, Alex Sandro; Lucho González, Fernando, João Moutinho; James Rodríguez (Atsu), Varela, Jackson Martínez.

Málaga: Caballero; Sérgio Sánchez, Demichelis, Welington, Antunes (Jesus Gámez); Toulalan, Iturra; Joaquín, Isco, Júlio Baptista; Saviola/Santa Cruz (Portillo).

Obs: mantive a escalação habitual do Málaga, apesar de ter deixado claro no texto que não seria surpresa um onze inicial mais preservado com a entrada de Portillo e o deslocamento de Baptista à referência do ataque.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A fênix de Málaga

 Após temporadas opacas no Valencia, Joaquín renasceu no Málaga, onde é fundamental para as pretensões do time na temporada (AP Photos)

Todos sabem que o verão que o Málaga passou foi rodeado de polêmicas. O clube perdeu Cazorla, Mathijsen e Rondón, que criticaram a postura controversa da administração do sheikh Abdullah Al-Thanil. Sobre esse assunto, tratamos recentemente. O estardaçalho feito durante esse momento negro foi grande, mas, analisando calmamente, desnecessário. Em terceiro lugar na Liga e a dois pontos de avançar de fase na Champions League, a equipe blanquiazul vive um de seus melhores momentos na história. Nesse cenário, um nome tem se destacado positivamente. Trata-se de Joaquín Sánchez, um dos jogadores espanhóis mais talentosos dos últimos anos, mas que teve uma carreira atrapalhada, principalmente, pelas lesões.

Formado nas categorias de base do Bétis, ele nunca chegou a ser o que prometia. Titular da seleção espanhola na Copa de 2006, teve uma temporada de ouro com os verdiblancos em 2004-2005, quando foi o melhor jogador do título da Copa do Rei. No Valencia de Villa e Silva, perdeu a titularidade quando o jovem Pablo Hernández despontou. Mesmo após a saída do Guaje para o Barcelona, quando Joaquín assumiu a lendária camisa sete, não conseguiu se firmar na equipe titular, sendo deixado de lado por Unai Emery. Sua contratação por parte do Málaga foi vista sob desconfiança. E com razão. Na temporada passada, o andaluz alternou boas e más partidas e viu Cazorla e Isco assumirem o protagonismo. Com a saída de Santi ao Arsenal, ele tem sido um substituto à altura.

Os aficionados malagueses veem o melhor de Joaquín a cada jogo. Com cinco gols, três na Liga e dois na Champions, ele é fundamental para as pretensões de um Málaga que mostra que irá brigar novamente por uma vaga na principal competição europeia. Sempre caindo pelo lado direito, mas com liberdade para centralizar e criar jogadas para o centroavante Saviola no 4-2-3-1, não tem decepcionado. Há uma semana, contra o Milan, perdeu um pênalti na primeira etapa, mas deu a volta por cima marcando o gol da vitória que levou La Rosaleda à loucura. Os nove pontos na UCL (100% de aproveitamento) deixa os blanquiazules a um passo da história classificação às oitavas.

Ainda que, convenhamos, Isco seja o principal jogador do Málaga neste início de temporada, até por cumprir um papel tático de protagonista, Joaquín não está para trás. Manuel Pellegrini ratifica sua importância a cada coletiva. No ranking do Marca, a eterna promessa é o sexto melhor jogador da Liga Espanhola 12/13, atrás de Messi, Jesus Navas, Falcao García, Iago Aspas e Isco. Com 31 anos, Joaquín faz jus ao apelido de fênix que vem recebendo: renasceu das cinzas para ser destaque de uma equipe que faz história.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Sinal amarelo

Rondón tem sido decisivo em 2012 (getty images)

A torcida do Málaga está ilusionada. Na 4ª colocação da Liga com 47 pontos, a equipe está a um passo de retornar a tão sonhada Uefa Champions League. No último sábado, porém, os blanquiazules foram freados. Ao perder para o Bétis no La Rosaleda, estacionou uma sequência de oito jogos invictos (seis vencendo) e ligou o alerta. Nada que abale, mas em momentos do jogo ficou exemplicado que faltava o algo a mais. A derrota é consequência de lesões que chegaram ao elenco malaguês.

Na sexta-feira, os exames médicos de Caballero confirmaram que o arqueiro ficará de fora o restante da temporada. Há duas semanas, fraturou um osso da mão esquerda. Para seu lugar, há alguém em um nível à altura: Kameni, contratado junto ao Espanyol no mercado de inverno. A estreia do camaronês foi justamente contra seu ex-clube, onde foi bastante importante, fez defesas essenciais e mostrou segurança. Se, por um lado, Caballero vinha em grande temporada, a ausência dele não deve ser muito sentida. O goleiro não está sozinho nessa lista: Toulalan será operado amanhã em Nantes, Júlio Baptista regressou ao Brasil para seguir o processo de recuperação e Joaquín ficará um mês fora. O Málaga, literalmente, se rompe.

Por sua vez, Pellegrini mantém a calma. Analisando friamente desfalque por desfalque, são nomes importantes para cenários semelhantes aos de sábado. Júlio Baptista, por exemplo, seria essencial para furar a defesa verdiblanca. O homem gol da equipe na temporada passada, principal responsável pelo não rebaixamento, participou de apenas 4 partidas em 2011/2012 graças a uma lesão no pé direito. O treinador chileno chegou a comentar que fazer uma boa pré-temporada, sobretudo na parte física, será sua missão no segundo semestre. Contra o Real Madrid, às vésperas do confronto, chegou a notícia de que Toulalan não iria ao duelo por fratura no edema ósseo do pé esquerdo. Seu retorno depende da evolução no tratamento, embora os jornais da Andaluzia já especulam que até a Eurocopa está em risco para o francês.

Apto, Toulalan era peça-chave do esquema de Pellegrini. Exercendo uma função à Xabi Alonso no Real Madrid, o ex-Lyon atuava com regularidade, sempre com partidas positivas, era importante na fluência de jogo malaguesa e criava sempre oportunidades de perigo. O cérebro do Málaga, como bem decreveu Cazorla. As características defensivas de Toulalan também eram importantes. Sustentou muitas das vezes os defeitos de seu companheiro de volância, ora Camacho, ora Maresca ou ora Récio. No momento mais crucial para o Málaga na temporada, seus companheiros terão que se virar rumo a uma vaga no paraíso sem o principal construtor.

É precisa voltar ao início da temporada para comentar o quão lamentada é a lesão de Joaquín. Contratado para ser uma espécie de Jesus Navas do Málaga, começou abaixo das expectativas. Alternava partidas negativas com positivas, que eram poucas, e chegou a ser banco até de Buonannote. Ao voltar de lesão em dezembro, deslanchou. Converteu-se em um dos homens mais desequilibrantes do elenco e chegou a lembrar, em certas ocasiões, o Joaquín do Bétis. Mas a alegria durou pouco. O meio-campista sofreu outra contusão, dessa vez de grau dois na coxa esquerda, e não volta mais nesta temporada. Quatro pilares do Málaga de Abdulah Al-Thani estarão ausente na reta final de campeonato. O momento não é de turnover, mas Pellegrini está sendo obrigado a fazer.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O Valencia ressurge

Soldado vibra: ele brilhou e o Valencia jogou como nunca para dar um passo enorme às oitavas da Champions League (AP)

O Valencia chegava para o duelo desta terça-feira contra o Rangers pressionado. Se já não bastasse a perda de liderança na Liga, o tropeço da última rodada contra o Zaragoza não foi muito aceito por parte da torcida, e as vaias após o término da partida explicou muito bem isso. Porém, contra os escoceses, o Valencia mostrou sua melhor versão e aplicou um 3 a 0 convicente no Rangers. Com o resultado, o Valencia volta à segunda colocação e chegar às oitavas de finais é questão de tempo, já que, na próxima rodada, é difícil imaginar que o Valencia perderá pontos contra o saco de pancadas do grupo, Busaspor.

Se Unay Emery havia sido muito criticado por não ter escalado Áduriz e Soldado no jogo contra o Zaragoza, o técnico valenciano resolveu agradar a torcida e mandou a campo o seu já tradicional 4-2-2-2, com Joaquín e Mata nos flancos e Áduriz e Soldado um pouco mais à frente. A defesa foi a mesma utilizada no jogo do último sábado, mas, desta vez, Mathieu fez uma boa partida e marcou muito bem Whittaker. O lateral também se destacou por trabalhar bem tanto em suas subidas ao ataque, quanto na volta para marcar, mostrando um fôlego invejável. Enquanto os blues revesavam entre um 4-1-4-1 e um 5-4-1, a tática obrigava a Naismith a auxiliar bem de perto o isolado Miller. E foi desse jeito que o Rangers chegou com perigo logo aos oito minutos. Após Naismith deixar Navarro e Albelda para trás, Miller soltou um belo chute no canto direito de Cesar Sánchez, que só olhou ela sair levemente para fora.

O lance de perigo de Miller foi o único após o bombardeio ché. Para se ter ideia, os valencianistas finalizaram oito vezes na etapa inicial, sendo cinco certas. Numa delas, aos 33min, Soldado aproveitou falha de McGregor no alto para marcar o primeiro dos donos da casa. O Rangers procurou a reação na segunda etapa, tentando aproveitar os espaços raramente deixados por Navarro e Ricardo Costas, duas muralhas na segunda etapa.

O jogo ficava ainda mais favorável ao Valencia e McGregor começava a se redimir de seu erro no gol de Soldado. Áduriz vem cumprindo um papel tático muito importante. Se Soldado tem decidido por jogar mais infiltrado entre os zagueiros adversários, o papel que Áduriz tem desempenhando contribuiu muito para isso, porque o ex-Mallorca puxa os zagueiros para sí. Faltando 19 minutos para o final, Soldado resolveu matar partida. Após deixar Papac para trás, tabelou com Mata, melhor da partida, e chutou rasteiro no canto de McGregor. Naismith ainda tentou trazer os escoceses de volta à partida, mas Tino Costa definiu a vitória ché após receber passe de Pablo Hernández, que entrara no lugar de um cada vez mais brilhante Joaquín.

O Valencia voltou a mostrar um futebol convicente levando o confronto a serio desde o início da partida. O Valencia mostrou, principalmente, solidez e maturidade, características que lhe faltaram nos últimos jogos. A vitória serviu também para amenizar uma possível demissão de Unay Emery.

Na Dinamarca...

Com 15 gols em 12 partidas, Messi marcou mais uma vez, mas o Barcelona ficou no empate em Copenhague (El Mundo Deportivo)

Guardiola teve muita razão ao dizer, na coletiva, que o jogo seria duríssimo em todos os sentidos. Com cinco minutos de jogo, duas confusões envolvendo blaugranas e dinamarqueses. A primeira delas com 40 segundos de partida, quando Bolaños atingiu Puyol de maneira imprudente. Imprudente também foi a maneira duríssima ao qual Valdés chegou em N'Doye, aos quatro. Victor Valdés acertou uma joelhada no rosto do senegalês, que caiu em campo desarcodado. A arbitragem, além de não punir o arqueiro do Barcelona, ainda deu uma falta N’Doye sobre Puyol.

Apesar de poder ser considerado um resultado positivo pelas circunstâncias do jogo, o empate frustrou os planos do Barcelona, que chegou a oito pontos e, apesar de estar na liderança do grupo D, ainda não conseguiu garantir vaga para a próxima fase da Liga dos Campeões. O Kobenhavn, por sua vez, subiu a sete pontos e segue na segunda colocação. Guardiola trocou o time que goleou o Sevilla por 5 a 0. Apesar de ter mantido o 4-1-2-1-2, o técnico de Santpedor tirou Pedro do time titular para pôr Keita e adiantou Iniesta à ponta esquerda. E, novamente, Iniesta foi mal jogando nesta posição. O jogador de Albacete simplesmente foi anulado por Parpesch na primeira etapa, e nada acrescentou no lado esquerdo dos azulgrenás.

Messi novamente marcou, chegando a expressiva marca de 30 gols na Champions League e tornando-se o jogador mais jovem a alcançar tal marca. Além do feito, a Pulga chegou a 100 gols na era Guardiola em 117 partidas. Com o jogo encerrado e o empate confirmado, o treinador Stale Solbakken, do clube dinamarquês, foi tirar satisfações com Pep Guardiola, e só não conseguiu fazer uso da violência pois foi contido pelo Busquets.

A torcida que lotou o estádio Parken, em Copenhague, participou ativamente da partida. Além das vaias, principalmente a Valdés, o público colaborou para a atitude ofensiva e destemida do Copenhaque, que, já sabendo do empate entre Rubin e Panatinaikos, pressionou o Barcelona e foi superior em diversos momentos, como aos 30min do segundo tempo, quando N’Doye marcou de cabeça, mas a arbitragem, desta vez de forma correta, anulou o lance.

domingo, 29 de agosto de 2010

Resumo: 1ª Rodada

Para tirar o Barcelona do topo, o Real Madrid contratou Mourinho. Mas a maneira que o time jogou contra o Mallorca é a mesma da gestão de Pellegrini (getty images)

A primeira rodada da Liga Espanhola não é o melhor momento para se tirar opiniões de o que pode ser a temporada de um clube. Também não é o melhor momento para se tirar satisfações ou elogiar ao extremo uma equipe. Mas o que os torcedores viram do Real Madrid em Palma de Mallorca, contra o Mallorca, requer mais preocupação do que otimismo.

No Ono Estadi, entrava um Mallorca totalmente desacreditado por parte dos acompanhantes da Liga após a péssima pré-temporada e a venda dos principais jogadores. Porém, os baleares jogaram na base da raça, da vontade, do amor à camisa e seguraram o Real Madrid de José Mourinho. Com o 4-3-2-1 prometido, Mourinho surpreendeu ao colocar Canales no lugar de Özil O primeiro tempo foi bem parelho, com chances claras para as duas equipes. O Real Madrid procurava abrir o espaço da zaga bermellona, bem postada em campo, com a habilidade de Cristiano Ronaldo. E foi com o português que os blancos criaram as suas melhores chances na primeira etapa, que ainda viu Gonzalo Castro acertar um belo chute de esquerda rente à trave esquerda de Casillas. No segundo tempo, Mourinho lançou mão do recheado banco de reservas para mudar o jogo. Entraram em campo Karim Benzema, Mesut Özil e Sami Khedira. As alterações melhoraram a equipe, que passou a criar mais jogadas pelos lados do campo e conseguir penetrações, especialmente com os passes de Özil. Apesar da pressão, o time não conseguiu marcar e ficou no empate sem gols.

E quem está sorrindo à toa com o empate do Real Madrid, é, sem dúvidas, o Barcelona. Principal rival do time da capital, os blaugranas não precisaram se esforçar muito para saírem do El Sardinero com uma vitória convincente. Logo aos dois minutos de jogos, Messi recebeu passe de Iniesta, passou por Henrique - jogador do Barcelona cedido ao Racing Santander por uma temporada - e, com a perna direita, deu um sútil toque para encobrir o goleiro Toño. No time titular culé, Guardiola surpreendeu ao colocar Iniesta na direita, dando mais liberdade para o meio-campista. E foi o camisa 8 blaugrana o autor do segundo gol da partida. Após tabela entre Messi e Villa, Messi disputou a bola no alto com Toño, que espalmou pra frente. Percebendo o goleiro adiantado, Iniesta o encobriu fazendo dois a zero. Ainda na primeira etapa, pênalti duvidoso que Delgado Ferreira marcou de Maxwell em Francis. Na cobrança, Valdés pulou firme para pegar o chute de Tchité. Villa ainda iria esperar para marcar o seu primeiro gol oficial com a camisa azulgrená. No finalzinho da primeira etapa, o Guaje recebeu belo passe de Xavi e colocou no cantinho de Toño. Quando correu para comemorar, Villa percebeu que teve seu gol - corretamente - anulado pelo bandeirinha. Mas não havia jeito: aos 17 minutos, Messi fez boa jogada pelo meio e abriu para Daniel Alves, que descia pela direita. O brasileiro levantou a cabeça e cruzou na cabeça de Villa, que, sem sair do chão, cabeçeou firme para, enfim, marcar o terceiro do Barcelona e o seu primeiro gol oficial com a camisa azulgrená.

O Barcelona começou bem sua largada rumo ao terceiro título consecutivo, feito que os blaugranas só conseguiram uma vez na história, e com Guardiola como jogador do time ( 1990-91, 1991-92 e 1992-93). Após três anos na Liga Adelante, 25 mil torcedores foram ao estádio Anoeta para prestigiar o retorno da Real Sociedad à primeira divisão da Liga Espanhola. E foram recompensados. Os bascos sofreram um pouco no começo do jogo, quando o Villarreal, embalado pela classificação à fase de grupos da Liga Europa, começou melhor a partida, pressionando. A partir dos 15 minutos do primeiro tempo, o jogo passou a ficar mais equilibrado, com ambas as equipes perdendo boas oportunidades de gol. As coisas começaram a mudar na segunda etapa. A Real Sociedad voltou com mais vontade dos vestiários, e passou a dominar o adversário. Até que aos 12 minutos, Xabi Prieto recebeu belo passe de calcanhar de Joseba Llorente - ex-jogador do Villarreal - e chutou no contra-pé de Diego López para abrir o placar. A entrada do equatoriano Montero no submarino amarelo animou um pouco o time, graças ao perigo que o Villarreal levava com as suas finalizações, mas não alterou o resultado. E da-lhe festa no Anoeta.

Para completar a festa que vive o País Basco, o Athletic Bilbao derrotou o Hércules, no jogo que abriu a Liga BBVA 10-11. Contando com o apoio da fanática torcida, o Hércules, de volta à Liga BBVA depois de 13 anos, não pôde contar com Haedo Valdéz, principal contratação dos blanquiazules para a temporada, que ficou de fora da partida por lesão. Velthuizen, Sarr e Pulhac tampouco foram pro jogo, por estarem sem ritmo de jogo. O jogo também foi uma nostalgia para os torcedores herculanos: o último jogo de Liga BBVA que o estádio Rico Pérez havia presenciado, há 13 anos, foi exatamente uma partida contra o Athletic Bilbao - que terminou empatada por um a um. Na partida, vimos um Hércules pecando demais nas finalizações. Aos 25 minutos, Portillo recebeu belo passe de Abel Aguilar e, cara a cara com Iraizoz, bateu em cima do arqueiro basco. Com Javi Martínez pouco participativo, a criação do Athletic Bilbao se via nula e os leones foram acurraçados pelos blanquiazules. O Athletic fez um péssimo primeiro tempo, mas voltou à segunda etapa letal: na saída de jogo, Llorente, aproveitando falta cruzada à área por Susaeta, abriu o placar para os Leones. Apesar de saírem vencedores, o Athletic Bilbao levou uma péssima notícia para casa: após choque violento com Sendoa, Toquero acabou levando a pior. Fritzler, um dos reforços do time de Alicante, que fez boa partida, acabou sendo expulso, após fazer falta boba em Javi Martínez. Inicio ruim do Hércules, que na próxima rodada enfrenta o Barcelona, no Camp Nou. Derrota à vista?

O sábado também viu as estreias de Valencia e Sevilla. Os chés, cheios de dúvidas para uma temporada que não terá Silva e Villa e que terá que contar, sobretudo, com uma ótima temporada de Mata e Pablo Hernández, aproveitaram os numerosos erros da defesa do Málaga para conseguir o triunfo por três a um. Excelente partida de Joaquín, autor de dois gols, que pareceu voltar aos melhores tempos, levando a sete de Villa em suas costas. Em campo, um Valencia aniquilador e em busca da vitória. Logo aos 40 segundos de partida, Banega e Albelda tiveram chance de estrear o marcador. Os dois deram bastante dificuldades para Sandro Silva e Fernando, que não estavam conseguindo acompanhá-los. Nos flancos, Vicente e Joaquín ganhavam todas de seus marcadores. E o primeiro gol logo saiu. Em uma de suas maiores virtudes, o cabeçeio, Áduriz aproveitou cruzamento de Banega para testar firme às redes de Munúa. O Málaga viria a dar um duro golpe nos chés no final da primeira etapa: em cobrança de falta, Sebastián Fernández, um dos estreantes da noite, venceu César para igualar o marcador. O gol do Málaga mudou o rumo da partida, e o início da segunda etapa foi bem distinto daquele visto no primeiro tempo. Quando o Valencia era sufocado, eis que apareceu Joaquín para decidir. Primeiro, o espanhol fez linda jogada pela esquerda, ao melhor estilo Villa, para marcar o segundo gol do Valencia; depois, recebeu de Áduriz para chutar firme e pôr pontos finais na vitória valenciana.

No jogo de encerramento do sábado, entrava um Sevilla pressionado pelos vexames sofridos nos últimos jogos - mais precisamente, um Antonio Álvarez pressionado. Os rojiblancos se recuperaram da duríssima semana vivida a base de gols ante o Levante, rival ideal para esses momentos. Pelo menos isso foi o que foi visto na noite de sábado. E o fez se sobrepondo ao duro golpe de levar um gol sem ao menos merecer, graças ao controle de jogo no meio de campo e ao oportunismo goleador de Konko, que marcou duas vezes. Os jogadores de Álvarez se dispõem de tempo suficiente a partir de agora para se reajustarem e esquecerem definitivamente do desastre europeu e da horrível imagem no Camp Nou.

O domingo viu dois empates insonsos e sonolentos entre Almería e Osasuna e Deportivo e Zaragoza. Os dois por zero a zero. Na Catalunha, Osvaldo, que teve seu empréstimo renovado pelo Espanyol por mais uma temporada, deu show! O ítalo-argentino continua fazendo gols providenciais para o esquecimento de Tamudo, que transferiu-se à Real Sociedad. Dessa vez, um doblete na bela vitória dos péricos sobre o Getafe por três a um. O outro gol foi marcado por Dátolo, jogador contratado para dar o upgrade no meio-campo que Nakamura não deu. No encerramento da rodada, um super Atléti! A despedida de Jurado, que fez boa partida, foi marcado por uma goleada dos rojiblancos por quatro a zero.

Pelo resultado, os Colchoneros lideram La Liga, por terem ficado sem sofrer gols. A vitória começou a ser construída ainda no primeiro tempo. O primeiro gol surgiu logo aos 11 minutos: após escanteio, Raúl García ajeitou com o pé para o chute forte de José Manuel Jurado, que foi no ângulo direito do goleiro Juan Pablo. Depois, Diego Forlán ampliou, aos 40, completando jogada de Sergio Agüero. O próprio Forlán ampliou a vitória, marcando aos 17 minutos do segundo tempo. Jurado fez jogada individual pela direita, e tocou a Tomas Ujfalusi, que cruzou rasteiro para que o uruguaio completasse, com o gol vazio. E, finalmente, nos acréscimos, aos 48 minutos, Simão Sabrosa completou a goleada, ao cortar para o meio e bater da meia-lua, no ângulo esquerdo de Juan Pablo, marcando belo gol.

CRAQUES DA RODADA:
Diego Forlán (Atlético de Madrid)
Lionel Messi (Barcelona)
Osvaldo (Espanyol)
Joaquín (Valencia)