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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Análise do primeiro turno: Valencia

Soldado, Mata e Áduriz: o trio de ferro do Valencia é o principal destaque do time (article.com)


Treinador
Unai Emery. Responsável por tirar o Almería da Liga Adelante e detentor de dois prêmios Miguel Muñoz (dado ao melhor treinador da Espanha), Unai, porém, não tem uma vasta carreira de experiência quanto a treinador. Além do Almería e do Valencia, o único time a ser treinado por Unai é o quase desconhecido Lorca Deportivo. Por esses motivos, Unai ainda não é unanamidade em Valencia. Sua carreira como treinador começou de uma maneira bem curiosa: em novembro de 2004, o até então treinador do Lorca Deportivo, Quique Yagüe, foi demitido do clube trás uma derrota contra o Ceuta (não confundir com Celta). Passando por maus bocados internamente, o presidente do clube não teve outro opção a não ser oferecer o cargo a Emery, que ficou oito meses parado por conta de uma opreação no joelho. Unai, então, aceitou o pedido do presidente, se aposentou do futebol e começou sua carreira como treinador. No Valencia desta temporada, chegou a levar o time à primeira posição, mas caiu em erros passados (como escalar mal o time, fazer substituições erradas) e viu o Valencia abandonar não só a liderança como a zona de classificação à Champions. Agora, é melhorar essa campanha, assegurar vaga na LC e tentar salvar a boa imagem que tinha com os torcedores, antes de assumir o cargo.

Destaque
Juan Mata. Antes da temporada, com as confirmações das vendas de Villa e Silva para Barcelona e Manchester City, respectivamente, falávamos que Mata e Pablo Hernández pudessem ocupar a função e tomar o protagonismo exercidos pelos dois. Em um time de altos e baixos e com muitos (supostos) candidatos a destaque, brilhou o camisa 10, que conseguiu manter a regularidade. Campeão Mundial, o meio-atacante já deixou de ser promessa e atua com a maturidade de um veterano no meio-campo ché, exibindo grande técnica. Áduriz e Soldado também estão cumprindo as expectativas da perda de Villa e não decepcionam: se os dois chegaram no Valencia para fazer sombra a Villa, isso parece ser passado. Responsáveis por 75% dos gols valencianos, Soldado e Áduriz não fazem feio. A torcida ainda sente falta de Villa, mas os dois mostraram no primeiro semestre que têm capacidade de fazer os aficionados esquecer do Guaje (o que é improvável). Mathieu, que dá grande solidez no lado esquerdo ché e ainda aparece bem quando sobe ao ataque, também merece destaque.

Decepção
Ever Banega. O argentino foi do céu ao inferno em apenas meia temporada. No começo, exibia seu grande futebol e era um dos destaque do até então líder Valencia; depois, se lesionou, viu o Valencia sentir a falta de um volante armador e ainda não mostrou aquele futebol vistoso das primeiras rodadas. Seu rendimento caiu muito e o eficiente futebol visto antes sumiu, gerando especulações. Inclusive, de uma possível saída do Mestalla.

Perspectiva
Avançar de fase na Champions League e vaga na próxima Champions League. Se no campeonato o Valencia ainda tem grandes chances de vaga na principal competição europeia, nela os chés têm um compromisso difícil. Contro Schalke 04, de Raúl, principal carrasco valenciano, as chances de o Valencia avançar de fase são altas, ainda mais porque os azuis reais estão em campanha inconstante na Bundesliga. Inconstante foi o que o Valencia também viu no primeiro semestre, o que já pode fazer o duelo ser bastante parelho. No Campeonato Espanhol, o Valencia chegou a liderar, mas um possível título nunca foi unanimidade em Mestalla. Os gastos do mercado foram bem altos e chegar ao meio da temporada almejando algo menos que a vaga na próxima Champions League é proibido.

domingo, 21 de novembro de 2010

12ª rodada (1ª parte): A noite dos artilheiros

Animado pelo gol contra a seleção brasileiro, Messi marcou três vezes e chegou a 101 gols na Liga com a camisa do Barcelona, na goleada história do Barcelona ante o Almería por 8 a 0 (getty images)

Nos três jogos que abriram a décima segunda rodada de La Liga, gols foram o que não faltaram. Dos 16 gols, oito deles saíram no Juegos Mediterráneos no confronto entre Almería e Barcelona. Mas vale especificar: os oito tentos foram só do Barcelona, em um jogo que os blaugranas não precisaram se esforçarem tanto para chegar aos oito gols. Valencia e Villarreal protagonizaram um confronto direto pela caça aos líderes Real Madrid e Barcelona no Campeonato Espanhol. As equipes bem que tentaram, mas ficaram no empate por 1 a 1 e frustraram suas pretensões no torneio.

A noite, também, foi dos artilheiros: Cristiano Ronaldo e Messi, artilheiro e vice-artilheiro, respectivamente, marcaram um hat-trick, enquanto Llorente, Rossi e Áduriz deixaram suas marcas. Confira a primeira parte do resumo da décima segunda rodada.

Villarreal 1x1 Valencia
No dérbi da Comunidade Valenciana, Unay Emery surpreendeu ao escalar sua defesa com três zagueiros. O esquema manteve a segurança que o técnico Ché precisava, mas não suportou a pressão exercida pelo Villarreal em quase todo o segundo tempo. O 5-2-2-2 de Emery isolou Áduriz lá na frente, mas nem assim foi capaz de impedir o gol do ex-Mallorca. Joaquín, de volta ao time titular, apareceu como um raio na direita e cruzou preciso para o atacante aparecer entre Marchena e Bruno e, de letra, abrir o placar. Após isso, a equipe valenciana cumpria bem seu papel defensivo e mostrava-se mais objetiva no campo de ataque. Dessa forma, o Villarreal se enrolava para sair do jogo e se atrapalhava para criar alguma jogada.

No segundo tempo, o Villarreal se viu obrigado a ir ao ataque e acordou para o jogo, mesmo sofrendo com a forte marcação. O brasileiro Nilmar e Rossi eram os principais responsáveis pelas jogadas de ataque. A partir da metade do segundo tempo, o Valencia recuou e chamou o adversário para o ataque. Aos 27 minutos, saiu o gol. Rossi recebeu cruzamento vindo da esquerda e desviou do goleiro, colocando no canto direito da meta. Após o tento, o jogo ficou aberto. No entanto, as equipes não conseguiram concretizar suas chances de gol. O empate pode ter sabores mais doce para o Valencia. Com sete desfalques, os Chés foram ao El Madrigal com a pretensão de sair com, pelo menos um ponto.

A partida ficou marcada por um momento especial do volante brasileiro naturalizado espanhol Marcos Senna. Ele completou 219 partidas pelo Villarreal e igualou a marca do argentino Rodolfo Arruabarrena como o jogador que mais atuou pela equipe na 1ª divisão do Campeonato Espanhol. Senna começou o duelo contra o Valencia no banco de reservas e entrou no jogo aos 25 minutos da segunda etapa, quando substituiu Borja Valero.

Almería 0x8 Barcelona
Antes do duelo contra o Barcelona, a defesa rojiblanca era a terceira menos vazada. Porém, bastou apenas quarenta e cinco minutos para o time de Lillo receber metade dos gols que havia recebido antes da rodada. Logo no primeiro tempo, os comandados de Pep Guardiola conquistaram um feito histórico. A equipe não marcava cinco gols na etapa inicial desde a temporada 2000/2001 quando fez seis em apenas 40 minutos contra o Real Sociedad. Messi segue quebrando recordes atrás de recordes. Ontem, com o hat-trick, chegou a 101 gols com a camisa azulgrená em território nacional. À frente do argentino, apenas Eto'o, Cesar e Kubala. No segundo tempo, o Barcelona não tirou o pé do acelerador e continuou seu massacre. A parceria Messi e Bojan se mostrou afinada, já que eles foram responsáveis por mais três gols. A humilhação serviu para destituir Lillo do comando técnico do time andaluz. No resumo da semana passada, já haviamos alertado que o técnico estava com as cordas bambas. Marcelino Toral, ex-Zaragoza, e Simeone (esse mesmo que vocês estão pensando) são os mais cotado para assumir o Almería. A goleada imposta, fez com que os comandados de Josep Guardiola igualassem a sua maior vitória fora de casa na Liga BBVA, em 1958-59, contra o Las Palmas.

Real Madrid 5x1 Athletic Bilbao
Depois de ficar marcado pela revolta com a cabeçada de Nani que impediu seu golaço no amistoso entre Portugal e Espanha, Cristiano Ronaldo finalmente pôde comemorar seus gols. O atacante português deixou seu hat-trick, ajudou o Real Madrid a voltar à liderança e, de praxe, reassumiu a artilharia da competiçao, que havia perdido para Messi. Como se não bastasse, ainda provocou o Barcelona: "Ganharam de oito, é? Mas eu quero ver marcar oito vezes na segunda-feira que vem", desdenhou o gajo. Antes do superclássico, porém, o Real Madrid irá à Amsterdãm para encarar o Ajax, pela Champions League, com os desfalques de Higuaín e Khedira. O Athletic Bilbao tentou surpreender e teve domínios das jogadas ofensivas logo no início do jogo. Mas durou pouco. O primeiro gol do Real saiu aos 18 minutos. Di María tocou para Higuaín na entrada da área. Ele girou, saiu da marcação e chutou rasteiro para tirar a bola do goleiro. Após isso, os leones tentaram dificultar a vida dos merengues, mas o individualismo dos comandados de Mourinho prevaleceu.

Os números do Real Madrid de Mourinho já são históricos: este é o melhor aproveitamento obtido pela equipe da capital após 12 rodadas de Campeonatos Espanhóis. Com 32 pontos, dez vitórias, dois empates e nenhuma derrota, o Real Madrid jamais começou tão bem uma campanha na competição nacional.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O Valencia ressurge

Soldado vibra: ele brilhou e o Valencia jogou como nunca para dar um passo enorme às oitavas da Champions League (AP)

O Valencia chegava para o duelo desta terça-feira contra o Rangers pressionado. Se já não bastasse a perda de liderança na Liga, o tropeço da última rodada contra o Zaragoza não foi muito aceito por parte da torcida, e as vaias após o término da partida explicou muito bem isso. Porém, contra os escoceses, o Valencia mostrou sua melhor versão e aplicou um 3 a 0 convicente no Rangers. Com o resultado, o Valencia volta à segunda colocação e chegar às oitavas de finais é questão de tempo, já que, na próxima rodada, é difícil imaginar que o Valencia perderá pontos contra o saco de pancadas do grupo, Busaspor.

Se Unay Emery havia sido muito criticado por não ter escalado Áduriz e Soldado no jogo contra o Zaragoza, o técnico valenciano resolveu agradar a torcida e mandou a campo o seu já tradicional 4-2-2-2, com Joaquín e Mata nos flancos e Áduriz e Soldado um pouco mais à frente. A defesa foi a mesma utilizada no jogo do último sábado, mas, desta vez, Mathieu fez uma boa partida e marcou muito bem Whittaker. O lateral também se destacou por trabalhar bem tanto em suas subidas ao ataque, quanto na volta para marcar, mostrando um fôlego invejável. Enquanto os blues revesavam entre um 4-1-4-1 e um 5-4-1, a tática obrigava a Naismith a auxiliar bem de perto o isolado Miller. E foi desse jeito que o Rangers chegou com perigo logo aos oito minutos. Após Naismith deixar Navarro e Albelda para trás, Miller soltou um belo chute no canto direito de Cesar Sánchez, que só olhou ela sair levemente para fora.

O lance de perigo de Miller foi o único após o bombardeio ché. Para se ter ideia, os valencianistas finalizaram oito vezes na etapa inicial, sendo cinco certas. Numa delas, aos 33min, Soldado aproveitou falha de McGregor no alto para marcar o primeiro dos donos da casa. O Rangers procurou a reação na segunda etapa, tentando aproveitar os espaços raramente deixados por Navarro e Ricardo Costas, duas muralhas na segunda etapa.

O jogo ficava ainda mais favorável ao Valencia e McGregor começava a se redimir de seu erro no gol de Soldado. Áduriz vem cumprindo um papel tático muito importante. Se Soldado tem decidido por jogar mais infiltrado entre os zagueiros adversários, o papel que Áduriz tem desempenhando contribuiu muito para isso, porque o ex-Mallorca puxa os zagueiros para sí. Faltando 19 minutos para o final, Soldado resolveu matar partida. Após deixar Papac para trás, tabelou com Mata, melhor da partida, e chutou rasteiro no canto de McGregor. Naismith ainda tentou trazer os escoceses de volta à partida, mas Tino Costa definiu a vitória ché após receber passe de Pablo Hernández, que entrara no lugar de um cada vez mais brilhante Joaquín.

O Valencia voltou a mostrar um futebol convicente levando o confronto a serio desde o início da partida. O Valencia mostrou, principalmente, solidez e maturidade, características que lhe faltaram nos últimos jogos. A vitória serviu também para amenizar uma possível demissão de Unay Emery.

Na Dinamarca...

Com 15 gols em 12 partidas, Messi marcou mais uma vez, mas o Barcelona ficou no empate em Copenhague (El Mundo Deportivo)

Guardiola teve muita razão ao dizer, na coletiva, que o jogo seria duríssimo em todos os sentidos. Com cinco minutos de jogo, duas confusões envolvendo blaugranas e dinamarqueses. A primeira delas com 40 segundos de partida, quando Bolaños atingiu Puyol de maneira imprudente. Imprudente também foi a maneira duríssima ao qual Valdés chegou em N'Doye, aos quatro. Victor Valdés acertou uma joelhada no rosto do senegalês, que caiu em campo desarcodado. A arbitragem, além de não punir o arqueiro do Barcelona, ainda deu uma falta N’Doye sobre Puyol.

Apesar de poder ser considerado um resultado positivo pelas circunstâncias do jogo, o empate frustrou os planos do Barcelona, que chegou a oito pontos e, apesar de estar na liderança do grupo D, ainda não conseguiu garantir vaga para a próxima fase da Liga dos Campeões. O Kobenhavn, por sua vez, subiu a sete pontos e segue na segunda colocação. Guardiola trocou o time que goleou o Sevilla por 5 a 0. Apesar de ter mantido o 4-1-2-1-2, o técnico de Santpedor tirou Pedro do time titular para pôr Keita e adiantou Iniesta à ponta esquerda. E, novamente, Iniesta foi mal jogando nesta posição. O jogador de Albacete simplesmente foi anulado por Parpesch na primeira etapa, e nada acrescentou no lado esquerdo dos azulgrenás.

Messi novamente marcou, chegando a expressiva marca de 30 gols na Champions League e tornando-se o jogador mais jovem a alcançar tal marca. Além do feito, a Pulga chegou a 100 gols na era Guardiola em 117 partidas. Com o jogo encerrado e o empate confirmado, o treinador Stale Solbakken, do clube dinamarquês, foi tirar satisfações com Pep Guardiola, e só não conseguiu fazer uso da violência pois foi contido pelo Busquets.

A torcida que lotou o estádio Parken, em Copenhague, participou ativamente da partida. Além das vaias, principalmente a Valdés, o público colaborou para a atitude ofensiva e destemida do Copenhaque, que, já sabendo do empate entre Rubin e Panatinaikos, pressionou o Barcelona e foi superior em diversos momentos, como aos 30min do segundo tempo, quando N’Doye marcou de cabeça, mas a arbitragem, desta vez de forma correta, anulou o lance.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A competência é valencianista

Começo de temporada sem Villa e Silva parecia preocupante para o Valencia, mas clube tem conseguido viver no aperto (AP)

Nos últimos anos, virou praxe a disputa do título ser polarizada entre Barcelona e Real Madrid. Para se ter uma noção maior, da temporada 2000-01 para cá, apenas o Valencia (duas vezes - 2001-02 e 2003-04) conseguiu a proeza de desbancar os dois gigantes do futebol espanhol. A situação "piora" se fomos pensar que, nas últimas seis temporadas, apenas um clube sem ser blaugranas ou merengues conseguiu disputar, de fato, o título da Liga. Este foi o Sevilla de 2006-07, que chegou à última rodada com possibilidades remotas de ser campeão e que terminou aquela temporada com um doblete histórico: campeão da Copa da Uefa (enfrentando o Espanyol na final) e da Copa del Rey (enfrentando o Getafe na final).

Convenhamos que ser comparado ao "Sevilla de uns anos atrás" é um baita elogio, ainda mais a quem havia acabado de perder dois de seus principais jogador. E foi assim que Joaquín Caparrós, técnico do Atlhetic Bilbao, definiu o "novo Valencia", na coletiva após o jogo entre sua equipe e os chés. O treinador andaluz tem sua dose de razão. Óbvio que é muito cedo para ter retratos definitivos sobre os chés desta temporada, mas as primeiras partidas dão sinais positivos. A equipe valenciana lidera La Liga após seis rodadas, com cinco vitórias e um empate. Além disso, mostrou que tem força suficiente para passar pela fase de grupos da Liga dos Campeões, considerando que os adversários não são dos mais ameaçadores (Manchester United à parte, claro).

Um dos grandes méritos foi manter Unai Emery no comando técnico. Responsável pela oitava colocação surpreendente do Almería de 2007-08, Unai teve a missão de revificar o Valencia 2010-11. E, até o momento, tem dado muito certo. O treinador se notabiliza pela criatividade em jogadas ensaiadas, saber trabalhar com orçamento limitado e estudar minuciosamente os oponentes. É evidente que a saída dos Davids teria um impacto fortíssimo no Valencia, mas a base foi mantida e havia caminhos para montar um grupo competitivo. O principal objetivo era recompor meio-campo e ataque, bastente atingidos pelas saídas dos Davids (sem esquecer que a zaga perdeu Marchena).

Para felicidade de Emery, o elenco já contava com algumas boas opções nesses setores. Pablo Hernández já se consolidara como um ótimo meia de armação. Ele ficou à direita, tendo como companheiro de esquerda Mata – que começou como meia aberto, mas vinha jogando de atacante. Se Villa fez história com a camisa sete, esta parece ter algo de bom: o herdeiro Joaquín começou a temporada voando e é um dos grandes responsáveis pela liderança valenciana. Joaquín, porém, se lesionou e, assim como Vicente, não um retorno previsto. Ele será, sem dúvidas, um desfalque sentindo para o jogaço que o Valencia fará na próxima rodada contra o Barcelona, no Camp Nou.

A solução equilibrou o meio-campo, mas o recuo de Mata tirou de vez os atacantes da temporada passada. Aí foi questão de ir ao mercado buscar boas ofertas. A mais inteligente foi Soldado, atacante formado no Real Madrid que acabou indo para times pequenos na impossibilidade de disputar posição com Ronaldo. O centroavante de nome militaresco vinha de duas boas temporadas no Getafe (33 gols em 66 jogos) e poderia dar poder de definição com alguma mobilidade ofensiva. Para completar a dupla de frente, a direção valencianista contratou Áduriz, atacante que até se movimenta um pouco, mas se notabiliza por compensar a limitação técnica com muita entrega na disputa por espaço com os zagueiros. Curiosamente, também fez 33 gols nas duas últimas temporadas (mas fez 69 jogos). Como os dois atacantes têm no cabeceio as suas virtudes, as jogadas aéreas passou a ser praxe.

A troca da dupla Villa-Mata por Áduriz-Soldado fez o jogo ofensivo do Valencia ficar mais centrado no meio, mas merece algum respeito. Considerando que o setor defensivo não teve grandes perdas (Ricardo Costa chegou para o lugar de Marchena), os valencianistas têm potencial para brigar no segundo pelotão da Espanha e superar Bursaspor e Rangers na disputa da fase de grupos da Liga dos Campeões. Por enquanto, tem sido suficiente para liderar a liga. Dificilmente esse cenário se manterá. A tabela tem sido gentil com o Valencia (venceu Málaga, Racing de Santander, Hércules, Sporting de Gijón e Athletic Bilbao, todas equipes acessíveis, e empatou em casa com o único oponente realmente forte, o Atlético de Madrid) e o elenco não é denso o suficiente para suportar as inevitáveis contusões e suspensões de jogadores importantes ao longo da temporada.

sábado, 2 de outubro de 2010

6ª Rodada (1ª parte): Sofrimento e liderança

Cruzamento de Soldado e gol de Áduriz: os dois abriram o caminho para mais uma vitória do Valencia no torneio. Mais lider que nunca (superdeporte.es)

Favoritíssimos ao título espanhol, Barcelona e Real Madrid ficarão pelo menos mais 15 dias longe da liderança. Isso porque, neste sábado, o Valencia sofreu na partida, abusou de perder gols, mas venceu o Athletic Bilbao por 2 a 1, garantindo a permanência na ponta da Liga pelo menos até a próxima rodada, que acontece depois da pausa para as Eliminatórias da Eurocopa. Nela, os Chés defendem a ponta contra o Barcelona, no Camp Nou.

Valencia 2x1 Atlhetic Bilbao
Hoje o Valencia (re)aprendeu uma lição: os Chés (re)aprenderam a sofrer para ser cada vez mais líder da Liga Espanhola. Três pontos e liderança por uma rodada a mais, conclusão do SuperDeporte.es, jornal que cobre os times de Valencia. Querendo esquecer a derrota injusta sofrida no meio da semana pelo Manchester United pela LC, o Valencia controlou facilmente o encontro no primeiro tempo. E, como tem sido a tônica dos Chés neste início de temporada, abriram o placar cedo, após passe de calcanhar de Pablo Hernández, cruzamento de Soldado e remate de cabeça de Áduriz. Esperava-se um jogo com muitas ocasiões aéreas, já que os atacantes dos dois times (Áduriz, Valencia; e Llorente, Atlhetic Bilbao) têm no cabeceio as suas principais virtudes. Mas não foi desta maneira. Boa parte do jogo ficou concentrado no meio-campo e um futebol mais elaborado do que as características predominou.

O Valencia pecava demais nas finalizações, na primeira parte, e isso fez o Atlhetic Bilbao crescer. No segundo tempo, o Valencia acusou cansaçõ e o ímpeto ofensivo desapareceu. Com uma postura mais ofensiva, o Bilbao ainda conseguiu equilibrar o jogo na segunda etapa, mas viu seu melhor futebol deixar o campo aos 23min junto com Martinez, que se chocou com César e deixou o jogo de maca. Nos acréscimos, mais dois gols. Primeiro, oos 46min, Vicente ampliou para o Valencia, após fazer fila na zaga euskara; e, depois, Gabilondo, de falta, descontou aos 48min.

Zaragoza 2x2 Sporting Gijón
Mais cedo, no jogo que abriu a rodada, Zaragoza e Sporting Gijón ficaram no empate e não conseguiram aliviar as suas respectivas situações. O resultado pode ter sabor de derrota para os asturianos, que chegaram a abrir 2 a 0 no marcador. Manuel Preciado declarou insatisfeito com a partida de hoje, onde os rojiblancos perderam a chance de matar a partida quando esta estava em suas mãos. Ao Zaragoza, ir em busca do ponto veio em situação, no mínimo, curiosa: se com onze jogadores em campo, os maños mostraram-se um time sem padrão de jogo, restou Ayza Gomez expulsar Jarosik - que cometeu pênalti bobo em Diego Castro, que o converteu anotando o segundo gol da partida - para o time tomar "vergonha na cara". O herói da vez foi Sinama Pongolle, autor dos dois gols. Com o tempo quase acabo, os gijoneses tentaram aproveitar o desgaste físico do Zaragoza com alguns contra-ataques rápido, mas Doblas fechou o gol e garantiu um pontinho para os maños.

Real Sociedad 1x0 Espanyol
Num final de jogo emocionante, a Real Sociedad garantiu três pontos na tabela. Os txuri urdin ganharam no Anoeta ante um Espanyol que não pôde fazer nada ante a superioridade dos comandados de Martín Lasarte. A Real Sociedad dominou boa parte da peleja e teve muitas ocasiões para estrear o marcador. Ironicamente, o único gol da partida saiu dos pés de um jogador périco: após falta batida por Sapong, Kameni acabou espalmando em cima de Forlín, que rematou às próprias redes. A partida marcou o reencontro de Raúl Tamudo com o Espanyol, clube com o qual tanto se identificou. Tamudo teve, pelo menos, três ocasiões claras para marcar contra o ex-clube, mas foi parada com perfeição por Kameni.

Griezmann segue cada dia mais caindo nas graças dos torcedores bascos: hoje, deu muito trabalho a Víctor Ruíz, que não conseguia pará-lo, e pediu substituição por câimbras. Saiu do Anoeta ovacionado pelos torcedores bascos, que se renderam ante seu esforço. Nos últimos lances da partida, brilhou a estrela do goleiro do time basco, Claudio Bravo. Disposto a tentar pelo menos um pontinho para dormir na zona de Champions League, o Espanyol esboçou uma pressão, e Bravo virou o salvador, com duas intervenções de alto nivel, evitando o empate blanquiazul.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Resumo: 4ª Rodada

Em uma nova exibição de De Gea, o Atléti segurou o Valencia e, de quebra, contou com uma nova partida inspirada do jovem goleiro De Gea (AS)

Real Madrid 3x0 Espanyol
Mesmo sem apresentar um grande futebol o Real Madrid venceu com extrema facilidade um Espanyol confuso e sem apresentar o futebol mostrado nas rodadas anteriores. Intactos pela marcação blanca - que nem era as mais das pesadas -, o meio-campo périco foi incapaz de criar alguma coisa, um dos trunfos para a vitória merengue. O primeiro tempo foi marcado pelo domínio do Real Madrid na posse de bola, mas com poucas oportunidades de gol. Os donos da casa iniciaram melhores o duelo e, logo aos 7 minutos, Dí Maria obrigou o goleiro Kameni a fazer grande defesa em chute da entrada da área. Apesar de jogar praticamente toda a etapa inicial em seu campo de ataque, o time madridista sentiu grande dificuldade para furar a retranca adversária e só abriu o placar em um polêmico pênalti aos 28 minutos - convertido por Cristiano Ronaldo.

As duas equipes passaram a abusar das infrações na etapa final. O zagueiro Pepe recebeu dois cartões amarelos e acabou expulso. Na sequência, o defensor Galan fez falta violenta e deixou o Espanyol com 10 jogadores. Com maior espaço para jogar, o Real Madrid aproveitou um contra-ataque para ampliar o placar aos 34 minutos. Cristiano Ronaldo lançou Higuaín que, cara a cara com o goleiro, tocou no canto e marcou o segundo dos donos da casa. Na última chance da partida, aos 42 minutos, Benzema chutou forte da entrada da área e fez o terceiro.

Sevilla 1x1 Racing Santander
O Sevilla de Antonio Álvarez não consegue arrancar. Nesta rodada, teve a oportunidade de se reafirmar definitivamente e ganhar confiança com a liderança da Liga, afastando os seus fantasmas do começo da temporada. Porém, a chegada do outono parece não ter despertado a equipe de Nervión. Novamente, fez uma partida medíocre, que terminou com protestos do público no Pizjuán. O empate ante o Racing veio confirmar que em Nervión, a fórmula de Antonio Álvarez não funciona e está muito longe de funcionar. Não só por causa de seu esquema 4-5-1, mas porque os seus jogadores não estão bem. Sem Navas, sem um bom Luís Fabiano, sem Kanouté, sem Renato e com apenas rastros de Negredo, ganas e vontade, não se chega a lugar nenhum. O técnico sevillista está desesperado para que sua equipe não perca a cabeça, porém, basta um pequeno detalhe, um gol em contra, pra tudo sair da ordem planejada. E isso aconteceu depois do empate, quando o Sevilla se convertera num caos.

Cigarini, desaparecido, terminou de sumir, Zokora e Guarente não serviam para elaborar o jogo e as linhas estavam tão distantes entre si que era impossível que as bolas chegassem para Negredo ou Alfaro. As mudanças tampouco solucionaram a partida. José Carlos parecia estar jogando com pesos nos pés, pois sua lentidão foi inexplicável. Luís Fabiano apenas teve minutos. E assim, sem chegadas e sem demonstrar perigo, a partida foi se esgotando. E isso foi bom para o Sevilla, porque o Racing estava crescendo. E foi por isso que Antonio Alvarez ouviu a maior bronca da torcida, desde que chegou para treinar o time.

Barcelona 1x0 Sporting Gijón
Sem Lionel Messi, o Barcelona mostrou-se um time humano. Tudo bem que não é a partir de um jogo sem o gênio argentino que podemos fazem uma análise, mas, diante do Sporting Gijón, o Barcelona teve sério problemas para quebrar a bem postada defesa asturiana em campo. Ainda que contasse com incríveis 82% de posse de bola, o Barcelona não superou a retranca dos rojiblancos. O sérvio-espanhol Boján bem que se esforçou, mas não conseguiu produzir uma jogada de perigo. Quem mais assustou foi David Villa, com chutes que não exigiram muito esforço do goleiro Cuéllar. Sem ter tido nenhum risco defensivo na etapa inicial, Guardiola optou por, no intervalo, colocar o atacante Pedro no lugar do volante Keita. Deu certo. Logo aos 3min da segunda etapa, um passe excepcional do brasileiro Daniel Alves conseguiu desmontar a forte defesa do Sporting de Gijón e deixar David Villa na cara do gol; com tranquilidade, o atacante espanhol bateu cruzado e mandou para as redes, abrindo o placar e decretando a 50ª vitória do Barcelona de Guardiola no Camp Nou.

Valencia 1x1 Atlético de Madrid
No Mestalla, nova exibição de gala de De Gea. A partida prometia emoção com os únicos times considerados capazes de tirar o protagonismo de Real Madrid e Barcelona. E cumpriu a promessa. O jovem goleiro rojiblanco foi uma muralha novamente, assim como no confronto contra o Barcelona. Nos primeiros minutos, o Valencia pressionava em busca do primeiro gol e Áduriz quase abriu o placar. Mesmo muito aquém do que pode mostrar, o Atléti abriu o placar após falha de Maduro em lancamento de Forlán. O holandês não cortou a bola do uruguaio e ela sobrou para Antonio López rolar para Simão abrir o placar. Há sete anos sem ganhar no Mestalla, o Atlético de Madrid logo se viu numa enrascada e tentava segurar a pressão valenciana. Após ser infinitamente superior na segunda etapa, o Valencia logo chegou ao empate. Após persistência de Pablo Hernández, Mata cruzou e Áduriz meteu às redes para igualar o marcador. Uma curiosidade que assola a partida é que, nas últimas cinco temporadas, o perdedor do confronto direto entre as duas equipes é quem se classifica à Champions.

Athletic Bilbao 3x0 Mallorca
No San Mamés, um plácido Athletic Bilbao derrotou um Mallorca cada vez mais sem padrão de jogo por três a zero. Os leones chegaram para o duelo com quase que obrigação de ganhar uma equipe que vive em crise interna e perdeu os seus principais jogadores. Jogando bem com a bola nos pés e mostrando um futebol vistoso e envolvente, o Athletic Bilbao aproveitou a fragilidade da defesa roja - principalmente na bola aérea - para chegar ao resultado. Caparrós optou por mudanças no time titular e deu chances a Iturraspe, David López e Muniain, dando descanso a Orbaiz, Gurpegui e Gabilondo. Igor Martínez foi quem fez a dupla de ataque com Llorente, ocupando o posto do lesionado Toquero. Pelo lado bermellón, o uruguaio Gonzalo Castro, destaque do time, recuperou-se a tempo para a partida e foi titular, igual a Aouate, que voltou à portería bermellona após cumprir um Yom Kippur. Igor Martínez, substituto de Toquero, saiu de campo ovacionado pela torcida basca. E merecidamente: foi o melhor em campo e participou dos três gols da equipe. Ele sofreu o pênalti convertido por San José; começou a jogada do gol de Iñigo Pérez; e deu a assistência para o tento de David López.

Villarreal 1x0 Deportivo
Inspirado pela convocação à seleção brasileira, Nilmar marcou mais uma vez, tornou-se artilheiro da competição e, de quebra, garantiu mais uma vitória do Villarreal. Na primeira etapa, o Deportivo La Coruña deu bastante espaço para o time da casa dominar o meio-campo e tomar a iniciativa do jogo. Nilmar e Angel López se movimentaram bem e criaram boas chances de gol para o Submarino Amarelo. O gol do brasileiro, classificado pelo AS como uma genialidade foi no final da primeiro etapa. Ángel escapou marcação de Desmarets e cruzou para trás.Nilmar chegou nela, dominou e chutou cruzado. O brasileiro teve sorte, pois a bola bateu nas duas traves da meta defendida por Manu antes de ir para os fundos das redes. Na segunda etapa, o Deportivo tentou sair mais para o jogo, mas abriu espaço para o rival contra-atacar. Como aos 13min, quando Carzola foi derrubado na meia-lua. Rossi foi para cobrança e quase fez o segundo, mas a bola foi para fora. No final, o jogo ficou mais aberto, mas os erros dos atacantes impediram que saíssem mais gols.

Getafe 0x2 Málaga
E o Málaga segue convencendo. Após uma temporada na qual lutou até a última rodada contra o rebaixamento, a equipe andaluz, dirigida por Jesualdo Ferreira, parece ter encontrado seu futebol. O Málaga dominou os azulones com velocidade e ordem ofensiva. Antes da partida, esperava-se um duelo bem parelho, já que ambas as equipes encontravam-se em situação comoda na tabela. Nas rodadas anteriores, mostraram o que melhor e pior podem fazer. Os gols só saíram no segunda tempo, com Rondón, melhor em campo ao lado de Quincy, e Apoño.

Osasuna 3x1 Real Sociedad
No Reyno de Navarra, enfim o Osasuna venceu na temporada. Após sair atrás no marcador - gol de Tamudo -, o Osasuba tentou colocar uma pressão sobre o rival e alcançou o empate aos 38min, com Pandiani. Logo em seguida, aos 43min, Camunas marcou o segundo do Osasuna. Na segunda etapa, a vantagem ajudou o Osasuna a jogar melhor e a equipe não demorou para fazer o terceiro e selar a vitória, com Aranda.

Craques da Rodada
Nilmar (Villarreal)
Igor Martínez (Athletic Bilbao)
De Gea (Atlético de Madrid)
Aritz Áduriz (Valencia)

Escalação da rodada: De Gea (Atlético de Madrid); Iraola (Athetic Bilbao), Abraham Paz (Hércules), Ricardo Carvalho (Real Madrid), Capdevilla (Villarreal); Apoño (Málaga), Igor Martínez (Atlhetic Bilbao), Juanfran (Osasuna), Sergio (Levante); Áduriz (Valencia), Nilmar (Villarreal).