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quinta-feira, 28 de julho de 2011

Jogadores Históricos: Juan Arza

Juan Arza e o troféu da Liga Espanhola de 1945/46: maior artilheiro da história do Sevilla (eldesmarque)

No dia 17 de julho deste ano, horas antes do início do segundo amistoso de pré-temporada do Sevilla, uma triste notícia afetou todos os sevillistas: aos 88 anos, Juan Arza, ex-jogador, técnico e dirigente do Sevilla havia acabado de falecer vítima de câncer. Imediatamente, o sevillismo entrara em luto. Maior artilheiro da história do clube andaluz, El Niño de Ouro havia recebido, dois anos antes, das mãos do atual presidente do clube, Josep Maria Del Nido, uma espécie de troféu de maior jogador da história do Sevilla.

Sua trajetória como futebolista começou cedo. Aos 11 anos, o jovem Arza ingressou às categorias de base do Izarra, pequeno clube de sua cidade natal, Navarra. Após uma breve passagem por Alavés e Málaga, foi contratado pelo Sevilla em 1943. Os rojiblancos da Andaluzia entraram em um acordo com o Málaga: 90 mil pesetas mais duas partidas amistosas e o empréstimo de três jogadores da base para ter o centroavante em seu elenco.

Aos 20 anos, estreou com a camisa do Sevilla destacando-se pela boa forma física e a capacidade de chutar bem com as duas pernas. Entretanto, o que mais chamou a atenção foi a habilidade goleadora com a qual Arza tinha. Em sua estreia, anotou um hat-trick ante o Sabadell. A chegada de Arza marcou um divisor d'águas na história do clube sevillistas: a era de ouro dos hispalenses. Na temporada 45/46, o Sevilla conquistou pela primeira (e única, até então) vez a Liga Espanhola, com El Niño de Ouro sendo o destaque da equipe. Porém, à época, a artilharia ficou com o monstro Telmo Zarra, seguido de Edmundo Suárez, homem-gol do Valencia.

Nas temporadas seguintes, o Sevilla conquistou apenas uma única Copa del Rey, em 1947/48. Na final contra o Celta, como não poderia deixar de ser, Arza anotou o gol do título, na partida que terminou 1 a 0 para os hispalenses. Na Supercopa (à época chamada de Copa Eva Duarte), derrota para o Barcelona por 1 a 0. A chance do bi-campeonato da Liga veio em 1951/52; porém, o vice-campeonato teve um gosto bastante amargo: necessitando apenas de um empate para tornar-se campeão, o Sevilla foi até a capital jogar contra o Atlético de Madrid de Adrián Escudero. Entretanto, o árbitro da partida anulou um gol legal de Arza aos 44 minutos do segundo tempo, e os rojiblancos acabaram vencendo por 1 a 0 e, consequentemente, ficando com o título.

Entre 1953 e 1957, Helenio Herrera chegou ao Sevilla para comandar a equipe. Com o argentino, Arza passou a jogar com mais liberdade no ataque, mas o jejum de títulos se prolongou. De destaque, apenas mais um vice-campeonato de Liga e Copa. Em 5 de dezembro de 1954, Arza anotou o gol de número mil do Sevilla em campeonatos nacionais. Na Copa dos Campeões, o Sevilla passou por Benfica e Roma antes de cair para o campeão Real Madrid, liderado por Di Stéfano e Puskás, nas quartas-de-finais.

Após a era de ouro do Sevilla, Arza resolveu disputar sua última temporada como profissional no Almería, clube pelo qual torcia seu pai e era treinador por seu amigo Diego Villalonga. Em 1960, aposentou-se dos gramados em um amistoso entre Sevilla e Barcelona de seu amigo Kuballa. O jogo marcou a inauguração do estádio Ramón Sánchez Pizjuan e os rojiblancos venceram por 3 a 2, com um doblete do centroavante. Aposentado, El Niño de Ouro tentou a carreira, sem sucesso, como treinador, chegando a treinar equipes como Deportivo La Coruña e Celta Vigo e retornando ao Sevilla, onde ficara por seis meses.

Juan Arza
Nome Completo: Juan Arza Íñigo
Data de nascimento: 18 de junho de 1923 em Navarra, Espanha.
Posição: atacante
Clubes: Alavés, Málaga, Sevilla e Almería
Títulos: Liga Espanhola 1945/46, Copa del Rey 1947/48
Clubes como treinador: Celta Vigo, Deportivo La Coruña e Sevilla

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Balanço Final: Almería

Nesta temporada, o Almería teve poucos motivos para comemorar. Rebaixado, a base da equipe deve ser mantida para a disputa da Liga Adelante (AS)

Campanha: 20ª colocação, 38 jogos, 6 vitórias, 12 empates e 20 derrotas. 36 gols pró e 70 gols contra.
Competição europeia: Não participou.
Copa del Rey: Eliminado nas semifinais pelo vice-campeão Barcelona.
Time-base: Diego Alves; Macedo, Marcelo Silva, Carlos García, Luna; Mbami, Bernardello; Piatti, Vargas, Crusat; Ulloa.
Os artilheiros: Pablo Piatti (8 gols), Leonardo Ulloa e Kalu Uche (7), Albert Crusat (3).
Os técnicos: Juan Manuel Lillo, até a 12ª rodada; José Luis Oltra, a partir da 14ª rodada.
O destaque: Pablo Piatti
A decepção: Sofiane Feghouli

Último colocado com louvor, o Almería deu aula de desorganização nessa temporada, sobretudo no segundo semestre. A boa base do campeonato 2009/2010 foi mantida, mas o elenco desgastado e inferior aos adversário do descenso não suportou a carga de jogos (Copa del Rey + Liga BBVA) e caiu com quatro rodadas de antecedência. Com todos os caminhos apontando para o meio da tabela novamente, o clube se sustentou bem no primeiro turno da competição e chegou a dar esperanças para seus torcedores. Porém, o segundo turno foi terrível: apenas três vitórias em dezenove jogos.

Com créditos após uma boa temporada, Lillo permaneceu no cargo até a goleada sofrida ante o Barcelona por 8 a 0. Até o jogo contra os blaugrana, os rojiblancos da Andaluzia faziam um campeonato saudável, onde - acreditem - sua defesa era a terceira menos vazada. Após sua saída, Oltra deixou de usar o 4-3-2-1 e experimentou o time no 4-2-3-1 e, às vezes, no 4-3-1-2, que deixa muitos espaços para os adversários contra-atacarem. Para isso, falaram mais alto o mau desempenho daqueles que deveriam serem os protagonistas. Crusat, Uche e Vargas caíram surpreendentemente de produção no segundo semestre, deixando para Piatti a função de herói - que acabou não concluindo.

Para a disputa da Liga Adelante, o presidente Alfonso García Gabarrón promete uma série de mudanças drásticas na equipe. A começar pela troca de treinador: José Luis Oltra foi demitido logo após o término da Liga BBVA e o ex-jogador argentino Luis Zubeldía foi contratado com a missão de levar a equipe de volta à elite espanhola. O plantel deverá ser formado apenas por jogadores do mercado nacional, muito por causa, também, da economia do clube. Diego Alves , que vai para o Valencia, e Piatti, destaques da equipe na temporada, já assinaram com outros clubes - no caso de Piatti, falta apenas a confirmação do Osasuna - e será difícil achar substitutos à altura no mercado. Outra medida do presidente é tentar, sempre que possível, contratar jogadores a custo zero. Ricardo León, do Tenerife, e Toché, do Cartagena, já foram contratados desta maneira. A boa notícia é que a base da equipe rebaixada (base boa para a disputa da segundona, diga-se de passagem) deve ficar, à exceção dos dois jogadores citados e o lateral-esquerdo Luna.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Resumo: 35ª rodada

O Barcelona está a um empate de comemorar, oficialmente, seu 21º título de Campeonato Espanhol (getty images)

Se a luta pelo título está praticamente encerrada, a disputa pelo rebaixamento ainda reserva grandes emoções. Foi o que a 35ª rodada nos mostrou no sábado e no domingo. Com uma excelente vitória no La Romareda, o Osasuna saiu da zona de rebaixamento e jogou o Deportivo, que empatou com o Sporting Gijón, para lá. E temos o primeiro veredito da Liga BBVA: o Almería perdeu para o Getafe por 2 a 0 e, após quatro anos na elite, disputará a próxima Liga Adelante. Quem também está próximo do descenso é o Hércules, derrotado pelo Racing Santander em casa.

Na parte de cima, nada mudou. O Valencia venceu a Real Sociedad e assegurou a terceira colocação, enquanto Sevilla e Atlético de Madrid tropeçaram, mas o Espanyol não aproveitou: perdeu o derby barceloní para o Barcelona e, em uma rodada que poderia recolocar os péricos de volta à disputa, muito provavelmente jogará a próxima Liga Europa.

Barcelona 2x0 Espanyol
Um só ponto separa o Barcelona do título nacional da temporada 2010/2011 após o triunfo no dérbi da Catalunha. Sem Puyol, mas com toda a equipe titular no meio para frente, o Barcelona impôs ao seu rival estadual um doblete (vitória no turno e no returno) e só falta levantar uma taça em que já tinha, há algum tempo, as duas mãos. Escalado no 4-2-3-1, o Espanyol começou em um ritmo elevado, querendo dificultar a vida dos blaugranas, mas não resistiram ao ímpeto barcelonista que foi crescendo à medida que os minutos passavam. Apesar da vitória e do consequente título, o Barcelona ainda lamenta por algo: David Villa. El Guaje voltou a perder gols atrás de gols e, muito preso à esquerda, foi anulado por Galán em, praticamente, todo o segundo tempo. Concluiu de maneira displicente uma jogada coletiva linda trabalhada por Iniesta, Messi e Xavi e só marcou apenas um gol nos últimos quatorze jogos.

Messi, por sua vez, vê a briga pelo Pichichi ficar distante: após os quatro gols de Cristiano Ronaldo ante o Sevilla, o argentino entrou em campo, curiosamente, para o gasto, não se esforçando muito e finalizando pouco para as redes de Kameni. Guardiola, na coletiva, deu uma provocada de leve no craque português: "para Messi, não importa ser artilheiro da Liga Espanhola. E sim conquistá-la, além da Champions League". Para o Espanyol, apesar dos elogios de Pochettino aos seus comandados após a partida, fica o pensamento de que a equipe não aproveitou uma rodada excelente para suas pretensões. Agora, quatro pontos atrás do Sevilla, a Liga Europa também está distante e, a cada rodada, a equipe vai se tornando um verdadeiro cavalo paraguaio.

Zaragoza 1x3 Osasuna
No jogo mais esperado da rodada, os jogadores do Zaragoza saíram de campo preocupados. A derrota ante um adversário direto deixa a equipe a dois da zona de rebaixamento a três rodadas para o fim. A equipe teve muitas ocasiões, sobretudo na primeira etapa, onde poderia matar a partida, mas viu um Osasuna avassalador na segunda etapa e sofreu a virada. Antes do gol final de Kike Sola, porém, Uche teve uma excelente oportunidade de empatar a partida, mas jogou na trave de Ricardo. Para o Osasuna, fica de positivo a eficiência da equipe: os rojos só chutaram quatro vezes para o gol e fizeram três gols. Ricardo pode ser considerado herói: o goleiro salvou o Osasuna de tudo que é jeito e, praticamente, garantiu os três pontos mais que essenciais. A entrada de Vadócz condicionou a partida. Jogando à direita no 4-2-3-1 de Mendillibar, o húngaro participou diretamente dos três gols dos navarros no La Romareda.

Atlético de Madrid 0x3 Málaga
Duas bestas devoraram o Atlético de Madrid em pleno Vicente Calderón. Trata-se de Júlio Baptista, que retornou de lesão para ser o herói do Málaga, o Rondón, melhor jogador da partida. Ainda sonhando com Champions League, essa possibilidade, para o Atlético de Madrid, dissiparam-se após a humilhante derrota sofrida em seu domicílio. Outro que merece destaque é o argentino Demichelis. Incrivelmente, o zagueiro vai cumprindo a missão de ser o chefão da zaga blanquiazul e conseguiu, quem diria, anular Agüero, em fase absurda. O argentino, aliás, não foi o único em boa fase a ir mal na partida: Reyes e Diego Costa também sucumbiram à defesa andaluz e pouco produziram nos noventa minutos. Se Demichelis foi bem, o mesmo não se pode dizer de Godín: o zagueiro colchonero teve noite para se esquecer e falhou nos dois primeiros gols, de Rondón e Júlio Baptista. Para Quique, a derrota foi merecida e saiu de três erros individuais de seus comandados.

Sevilla 2x6 Real Madrid
Após a eliminação da Liga dos Campeões, o Real Madrid saiu-se bem de um difícil compromisso contra o Sevilla, que sonhava, minimamente, com Champions League. José Mourinho, suspenso pela Uefa nesta semana por suas declarações após a derrota na primeira partida da semifinal da Liga dos Campeões contra o Barcelona, escalou um time com Kaká, Mesut Özil e Cristiano Ronaldo, além de Karim Benzema como centroavante. O time nem precisou de uma grande atuação no primeiro tempo para marcar seus gols. Aproveitando a fragilidade defensiva do Sevilla, os gols foram saindo naturalmente. Com quatro gols, Cristiano Ronaldo não só ultrapassou Messi no Pichichi como na Bota de Ouro. Com 33 na lista da LFP, CR7 está a apenas mais cinco de igualar o recorde de 38 marcados por Zarra (na temporada 1950-1951) e Hugo Sánchez (1989-1990) em uma só edição da competição. Neste ano, Cristiano tem 46 gols em 51 partidas. E em duas temporadas como jogador do Real, ele marcou 76 vezes em 98 jogos. No lado sevillistas, o grito de "Fora, Manzano!" deve fazer efeito: para a próxima temporada, o Sevilla já iniciou contatos com o chileno Marcelo Bielsa, ex-treinador da seleção nacional.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

A briga que interessa

O Málaga, de Júlio Baptista, tem o melhor elenco dentre as equipes que brigam contra o descenso (getty images)

A disputa pelo título da Liga BBVA já chegou ao seu fim há algumas rodadas; da Liga dos Campeões, parece ter se reaberta após a 33ª rodada, mas nada faz pensar que o Villarreal irá perder a quarta vaga; da Liga Europa, Levante e Mallorca brigavam ferranhamente com o Espanyol para roubar uma das vagas de Athletic Bilbao, Sevilla e Atlético de Madrid, mas os dois times tropeçaram no último final de semana e deixaram a briga para o Espanyol, que está se mostrando um verdadeiro cavalo paraguaio. Resta, então, a briga para fugir da zona de rebaixamento, que vem tirando o fôlego dos simpatizantes da liga espanhola nessas últimas rodadas.

Apesar da diferença entre o Levante (10º colocado) para o Osasuna (18º colocado - primeiro da zona de rebaixamento) seja de sete pontos, o grupo de reais candidatos ao descenso diminuiu. Com quinze pontos para serem disputados e levando em conta a boa fase de Levante, Sporting Gijón e Deportivo, a tendência é que a disputa pela duas últimas vagas para a Liga Adelante (levando em consideração que o Almería, lanterna, já está virtualmente rebaixado) seja entre Real Sociedad (38), Deportivo (38), Getafe (37), Racing Santander (37), Zaragoza (36), Màlaga (36), Osasuna (35) e Hércules (33). Os gijoneses vêm de uma boa sequência de vitória e, na última rodada, conseguiram uma essencial vitória diante do Espanyol. Os blanquiazules, por sua vez, têm de ficar com o alerta ligado: para não correr riscos, o Deportivo terá pela frente Atlético de Madrid (c), Sporting Gijón (f), Athletic Bilbao (c), Barcelona (f) e Valencia (f). Uma tabela ingrata para aquele que entrou em sua pior fase na temporada.

O Hércules, penúltimo colocado, ganhou motivos para crer: a troca de treinadores (saiu Esteban Vigo e entrou Miroslav Djukic) foi assimilada com naturalidade pelo elenco, que estão lutando bravamento para escapar da degola. Drenthe, pilar da equipe após Djukic assumir os blanquiazules, recuperou o bom futebol que o levou ao Real Madrid e, a cada jogo, vem fazendo gols importantes para a equipe da Comunidade Valenciana. O grande porém é que, à medida que o Hércules vem somando pontos, seus rivais diretos também o fazem: o Málaga, que era o penúltimo colocado há três rodadas, emplacou uma sequência de três vitórias consecutivas e saiu da zona de rebaixamento após algum tempo dentro dela. Contudo, o time ainda está em alerta: no domingo, num dos jogos mais importantes da rodada (senão o mais importante), os malagueses receberão no La Rosaleda o Hércules, num jogo crucial, principalmente, para os comandados de Djukic. O Málaga não era a equipe mais apropriada para sair lá (frequentaram a zona de rebaixamento desde o começo do campeonato), mas bastou algum sucesso para aproveitar a ineficácia dos outros.

Racing Santander, Getafe e Real Sociedad estão pagando pelo péssimo 2011, sobretudo os bascos. Equipe sensação do primeiro semestre, os txuri-urdins estavam brigando por Europa até o final de janeira, quando tiveram uma queda brusca no rendimento: no segundo turno, foram somados apenas doze pontos de quarenta e cinco disputados, contra os vinte e quatro de cinquenta e sete do primeiro turno. Dedicação ao extremo é o que se fala no ambiente euskara, pois a tabela irá pedir isso: Barcelona (c), Valencia (f), Zaragoza (c), Sevilla (f), Getafe (c) são os adversários da Real Sociedad daqui ao término da rodada. O Getafe tem feito mais feio: foram conquistados apenas sete pontos dos quarenta e cinco disputados. Nas próximas rodadas, o time de Valdebebas fará dois confrontos diretos cruciais: na penúltima rodada irá enfrentar o Osasuna no Coliseum Alfonso Pérez e na última, a Real Sociedad, no Anoeta.

Difícil mesmo é prever melhora para times tão fragilizados ultimamente e sem confiança alguma. Logo, o ideal é apostar nos confrontos diretos, que poderão resolver muita coisa. Nesta rodada, como avisamos há alguns parágrafos, o Málaga irá receber o Hércules; na 35ª, o Getafe recebe o Almería, o Zaragoza joga contra o Osasuna e o Racing Santander vai a Castilla y León enfrentar o Hércules; na 36ª tem Real Sociedad contra Zaragoza; na 37ª, Getafe contra Osasuna; e na 38ª rodada, Getafe contra Real Sociedad.

sábado, 9 de abril de 2011

31ª Rodada (1ª parte): Respirando por aparelhos

Kaká, autor de dois gols, vibra: o Real Madrid não se rende (getty images)

A um final de semana do superclássico, o Real Madrid mais vez deu prova de força. Ao colocar em campo um time misto, José Mourinho parecia que já havia jogado a toalha da Liga Espanhola. Porém, o "mistão" de Mourinho não deu espaço para a perda de pontos e, com dois gols de Kaká, venceu o Athletic Bilbao por 3 a 0. O Barcelona suou mais que previsto, mas também saiu com os três pontos do Camp Nou, ao vencer o Almería de virada por 3 a 1.

Na Catedral, Mourinho reservou seus principais jogadores para o duro embate contra o Athletic Bilbao. No banco, nada mais, nada menos que Özil, Marcelo, Xabi Alonso e Cristiano Ronaldo. Joaquin Caparrós, por sua vez, conseguiu recuperar em última hora um de seus principais jogadores, Iker Muniain, e prometeu sufocar os merengues para conquistar os três pontos. Hoje, porém, a zaga rojiblanca cometeu erros que não está acostumada a cometer e contra uma equipe como o Real Madrid, os erros são fatais. Ekiza parecia nervoso na marcação de Higuain, que, para sorte do defensor, esteve em péssima noite. Porém, quando Di María caia em seu setor, o desastre era notável. O argentino, em ótima fase, acabou sendo um dos grandes nomes da partida: primeiro, porque sofreu um pênalti no momento que os euskaras pareciam mais próxima do gol que os merengues. Na cobrança, Kaká bateu firme no canto direito de Iraizoz para abrir o placar. Depois, já no segundo tempo, o Athletic Bilbao novamente era melhor, impussionados por Llorente e Toquero, mas, novamente, apareceu Di María, que sofreu pênalti de Iraola que Kaká converteu, chegando ao doblete.

Com o jogo nas mãos, Mourinho mexeu no módulo da equipe: o 4-3-2-1, com Pepe fazendo as vezes de volante, tornou-se um 5-4-1, e Xabi Alonso e Cristiano Ronaldo entraram nos lugares de um onipresente Di María e Higuaín. O português, que não marcava pelo espanhol há três partidas, sacramentou o resultado ao deixar Xabi Castillo, outro defensor basco mal na partida, para trás e fuzilar as redes de Iraizoz. Notável partida de Kaká. Jogando mais centralizado, conduziu a equipe ao ataque com sua tradicional arrancada. Participou bem dos lances, sendo um dos jogadores mais acionados pelo time no campo de ataque, tal qual Di María. Num momento crucial na temporada, Mourinho pode comemorar o retorno em alto estilo de Kaká aos gramados. A pergunta que fica no ar é: será que agora vai?

No jogo das três horas, um Barcelona preguiçoso teve que suar mais que o previsto para conquistar os três pontos. Como em uma premonição do que teria pela frente, Guardiola pediu máxima atenção para essa partida na coletiva: "vocês falaram que o Schalke 04 era o adversário mais fraco que o Barcelona teria para fazer na LC, e ficaram todos surpresos depois. Quero seriedade de meus comandados contra o Almería", comparou o treinador. Em campo, algumas mudanças na equipe titular. Victor Valdés, suspenso, deu lugar a Pinto, enquanto Milito voltou à equipe titular no lugar de Busquets, também suspenso. A maior preocupaçã era Messi, que estava pendurado. Até por isso, La Pulga evitou reclamar de qualquer tipo de jogada com o árbitro da partida.

Bojan acabou se machucando e deu lugar ao titular do time, David Villa. El Principito ficará de seis a oito semanas fora dos gramados e só volta na próxima temporada. Os rumores de um empréstimo ao Racing Santander após sua volta aos gramados aumentam e é provável que um empréstimo à equipe da Cantábria seja seu destino. As emoções ficaram reservadas para a segunda etapa. Logo aos quatro, Corona ganhou na velocidade de Milito e chutou no contra-pé de Pinto para abrir o placar. Quatro minutos depois, porém, Milito deu a voltar por cima e, com extrema categoria, lançou Villa, que sofreu pênalti de Diego Alves, convertido por Messi. Thiago, que atuava como um senador no meio-campo, cumpria com excelência o papel que Iniesta está acostumado a exercer no meio e acabou premiado com o gol da virada, após escanteio cobrado por Messi. No final, Keita afastou uma bola na defesa que não daria em nada. Marcelo Silva, porém, acabou se atrapalhando - para infelicidade dele - na frente de Messi, que roubou a bola do defensor e, com um toque sutil, chutou na saída de Diego Alves, chegando ao seu 47º gol na temporada, igualando mais uma vez o recorde de gols de Ronaldo, em 1996/97.

A má notícia que fica para Guardiola é o fato de Mascherano ter recebido seu quinto cartão amarelo, ficando assim de fora do superclássico. Hoje Milito foi titular devido ao Almería não oferecer nenhum tipo de resistência - apesar da seriedade pedida na coletiva - e não cometeu nenhum erro que costuma cometer. Entretanto, é de ficar com um pé atrás confiar em um zagueiro que em nenhum momento passar confiança para marcar jogadores como Benzema, Di María e Cristiano Ronaldo. O mais provável é que Busquets, que irá retornar, seja improvisado como zagueiro e Keita jogue como volante, como fazia em tempos de Sevilla.

No retorno de Gregório Manzano ao Ono Estadi, o Sevilla ficou no empate com o Mallorca e praticamente deu adeus às chances de disputar a Liga dos Campeões. Os bermellones, por sua vez, também foram prejudicados pelo empate, que serviu para afastar mais a equipe da zona de Liga Europa. Sem Kanouté e Jesus Navas, Manzano foi a campo num 4-2-3-1, com Capel e Perotti como extremos. Rakitic, homem de ligação, não foi brilhante como em outrora, mas apareceu em hora importante: foi dele o gol que decretou o empate no Ono Estadi, após Aouate largar uma bola muito fácil alçada para a área. O empate foi pouco digerido por Michael Laudrup, que afirmou que a equipe irá desperdiçar muitos pontos se continuar a jogar dessa maneira.

Colaborou: Victor Mendes

quarta-feira, 2 de março de 2011

Resumo: 25ª rodada (2ª parte)

Jonas entrou no segundo tempo e marcou um gol importantíssimo para o Valencia, seu primeiro com a camisa naranja (reuters)

Nos dois principais jogos de domingo, brasileiros foram responsáveis pelo resultado de suas equipe: na Cantábrio, um gol de Nilmar aos 89' evitou uma queda do Villarreal perante o Racing Santander, enquanto que no País Basco, Jonas marcou o gol que decretou a virada do Valencia ante o Athletic Bilbao. Confira a segunda parte do resumo da rodada.

Athletic Bilbao 1x2 Valencia
O Valencia conquistou três pontos fundamentais na luta pela terceira posição (ou campeonato paralelo a Barcelona-Real Madrid, como já está sendo apelidado). Com o triunfo, o Valencia chegou a 51 pontos, enquanto que o Athletic estacionou nos 38. Unai mandou a campo um 4-2-3-1, até um certo ponto surpreendente, já que havia elogiado Jonas no meio da semana e resolveu preterí-lo em última hora. O jogo começou bem truncado e, aos 13', Llorente abriu o placar, após dividir e levar a melhor sobre Navarro. O zagueiro ché, aliás, foi o nome negativo da partida. Além de sofrer verdadeiro carnaval de Llorente, Navarro resolveu apelar na segunda etapa: o defensor desceu o sarrapo nos jogadores leones, principalmente em Llorente, que criticou ferrenhamente Muniz Fernández, o árbitro da partida. Aos 37', mais polêmica: Bruno cometeu pênalti claríssimo em cima de Susaeta, não assinalado por Muñiz, para desespero dos aficionados presentes na Catedral.

No segundo tempo, Unai lançou Jonas e Tino Costa e simplificou as coisas: a entrada dos dois jogadores foi providencial para a virada ché chegar. Após tanto pressionar, o Valencia chegou ao empate. Após toque de calcanhar de Soldado, Joaquín recebeu em profundidade na direita e cruzou à área. A zaga basca, em um lance de infelicidade, não cortou, e a bola sobrou limpa na esquerda para Mata só ter o trabalho de empurrar às redes. Dez minutos mais tarde, a virada: Tino Costa arriscou um chute de longe e, após Iraizoz dar rebote, Jonas apareceu completamente livre para decretar a vitória naranja, bem comemorada ao término da partida. Na quarta, o Valencia tem um desafio bem complicado ante o Barcelona, no Mestalla. Nas coletivas, Unai dá a entender que ainda não é a hora de Jonas ser titular - é provável que Mata seja utilizado estranhamente de falso nove.

Racing Santander 2x2 Villarreal
Valeu o ditado de que quem não faz leva no El Sardinero. Os anfitriões tiveram o jogo nas mãos por duas vezes, mas não souberam segurar. Pior: pecaram ao extremo nas finalizações e viram Nilmar castigar aos 89'. Por outro lado, Marcelino Toral segue invicto no comando técnico dos verdiblancos, mas desperdiçou uma boa oportunidade de lograr sua terceira vitória consecutiva. Pelo lado amarillo, Garrido revolucionou no seu onze inicial: Nilmar, Cazorla, Capdevilla e Gonzalo ficaram no banco e o técnico deu oportunidades a alguns canteranos (como o promissor Gulón, que sentiu o peso da estreia e não foi bem). A zaga amarilla esteve em noite bem infeliz. No primeiro gol dos cantabrianos, por exemplo, a linha burra foi feita e Ariel chutou no contra-pé de Diego López. No segundo, erro de posicionamento de Musacchio, que deixou Giovanni dos Santos livre. O mexicano, principal contratação do Racing no inverno, finalmente deu as caras e, com categoria, chutou no canto esquerdo do arqueiro amarillo. É de se elogiar a bela partida de Diego López, verdadeiro paredão nas redes do Villarreal. O ataque do Racing pecou, mas muitas vezes o goleiro evitou o gol.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Crônicas de uma final anunciada

Melhor da partida, Özil decidiu novamente e conduziu o Real Madrid à final histórica... (reuters)

Real Madrid e Sevilla trocaram provocações ao longo da semana, colocaram pressão na arbitragem e nada mudou. Depois da confusão sobre o gol anulado de Luis Fabiano no jogo de ida, o tento inválido de Negredo deu nova polêmica ao jogo. Mais time, no entanto, os merengues se impuseram e novamente venceram, dessa vez por 2 a 0, com gols do alemão Özil e do togolês Adebayor, que anotou pela primeira vez pela nova equipe.

Özil novamente foi decisivo para o time da capital: o turco-alemão puxou a responsabilidade para si e praticamente conduziu o Real Madrid à final. Com Cristiano Ronaldo e Di María bem aquém do que podem produzirem, restou a Özil a responsabilidade de criar.

Marcelo e Kaká não saíram do banco de reservas. Mourinho surpreendeu, inclusive, ao colocar o lateral-esquerdo entre os suplentes, já que fora titular regularmente durante a temporada, e escalar mais uma ver Arbeloa entre os titulares. A mudança foi uma opção tática, já que o Sevilla apostava seus ataques pela direita, com o espanhol Jesus Navas. Arbeloa começou jogando.Adebayor, que já havia estreado diante do Osasuña, no fim de semana, atuou nos minutos finais e ainda deixou o seu após receber belo passe de Lass Diarra e estufar as redes de Javi Vara.


... que será contra o Barcelona, que, mesmo com o time reserva, passou fácil pelo Almería (AP Photos)

Apesar da larga vantagem construída no jogo de ida, a equipe catalã não se limitou a administrar o resultado e, com um time reserva, confirmou sua classificação ao atropelar fora de casa o Almería por 3 a 0, nesta quarta-feira. É a 35ª vez que o clube chega à decisão do torneio.

Quando parecia que os donos da casa dariam algum trabalho, o Barcelona abriu o placar com um gol brasileiro. Adriano fez bela jogada individual, passou por dois marcadores e tocou na saída do goleiro Esteban. Com a classificação praticamente assegurada, os azulgrenás contaram com o desânimo do rival para dominar o segundo tempo e construir a vantagem no placar. Aos 10 minutos da etapa final, Thiago tabelou com Daniel Alves e completou para as redes.

Onze minutos depois, Keita recuperou a bola na linha de fundo e tocou para Afellay. O holandês invadiu a área e chutou forte para marcar o terceiro do Barcelona. Com a larga vantagem no placar, os visitantes administraram a posse de bola e confirmaram a classificação para a final.

Abril será um grande mês para a história da grande rivalidade entre Barcelona e Real Madrid. Além da final da Copa del Rey, que será disputada no dia 20, quatro dias antes as duas equipes jogarão pelo returno da Liga no Santiago Bernabéu. Será a primeira final de Copa entre as duas equipes desde a temporada 1989/1990, quando os catalães levaram a melhor.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Mais uma vez, Benzema

Mourinho cumprimenta Benzema: dor de cabeça para o técnico de Setubal, que pediu a contratação de um nove, foi atendido, mas vê Benzema salvar o Real Madrid pela segunda vez consecutiva (foto: reuters)

Nos dois jogos de ida das semifinais da Copa del Rey, Real Madrid e Barcelona obtiveram uma ótima vantagem e praticamente garantiram suas vagas para a final da competição. Enquanto o Barcelona teve uma tranquila vitória contra o Almería jogando no Camp Nou por 5 a 0, o Real Madrid venceu no Ramón Sanchéz Pizjuan por 1 a 0 e também obteve boa vantagem.

Na Andaluzia, clima de guerra antes mesmo da partida entre Sevilla e Real Madrid. Atual campeão do torneio, o Sevilla lançou um spot provocativo a José Mourinho, que, em um português bem claro, dizia "vamos te deixar sem Copa". O técnico de Setubal, porém, não revidou, e voltou a declarar silêncio à imprensa ao deixar Karanka na coletiva pré-jogo. O assistente, entretanto, falou que Mourinho não compareceu à coletiva por motivos pessoais. Nas quatro linhas, Mourinho deixou claro que temia a partida. Pela primeira vez na temporada, lançou mão de Marcelo e Di María em prol da titularidade de Arbeloa, para reforçar a marcação no lado direito do campo sevillista, onde Jesus Navas joga, e Lassana Diarra, mudando o módulo merengue para um 4-3-2-1. A tática deu muito certo, pois o lateral esquerdo espanhol praticamente impediu Jesus Navas de jogar e o trio de volante tomou conta do meio-campo. Na linha de dois, Özil e Cristiano Ronaldo não fizeram uma boa partida, mas contribuíram muito na movimentação da equipe, que enlouqueceu Zokora e Romaric.

No dia da apresentação de Adebayor, brilhou Benzema: autor do único gol da partida, o francês salvou pela segunda vez consecutiva sua equipe e começa a dar dor de cabeça a Mourinho: o técnico de Setubal pediu urgentemente a contratação de um camisa nove, que acabou sendo Adebayor, mas justamente quando seu pedido é atendido, Benzema parece ter lapidado seu futebol. O gol de ontem foi belo. Após tabelar com Özil, Benzema ganhou na corrida de Fernando Navarro, deixou Escudé sentado no chão e bateu por debaixo das pernas de Palop.

A polêmica da partida ficou pelo (não) gol de Luís Fabiano no final do primeiro tempo. O brasileiro driblou Casillas e chutou, Albiol tirou quase em cima da linha e o árbitro não deu gol. Nem mesmo a repetição do lance diversas vezes pelos canais de televisão confirmou se a bola entrou ou não (tire suas dúvidas). Obviamente, as opiniões foram diferentes por diversos lados. Enquanto Raúl Albiol teve a certeza de que tirou a bola na linha, Gregório Manzano e Josep Marial Del Nido, presidente do Sevilla, lamentaram por Undiano Mallenco não ter validado o gol, que, segundo eles, ultrapassou a linha. Fato é que, pelo menos desta vez, o lance foi bastante difícil e que, apesar da arbitragem espanhola ser conhecida por ser abaixo da média, o árbitro pode ser isentado de qualquer erro.

Após o fim da partida, o goleiro Iker Casillas ainda foi atingido por um objeto na cabeça ao deixar o gramado. O capitão da seleção espanhola chegou a cair no campo e precisou ser atendido pela comissão médica, mas depois foi liberado sem maiores problemas. A má notícia pelo lado sevillista, além do gol anulado, fica por conta de Sérgio Sanchéz. O volante, que voltou a disputar uma partida oficial depois de um ano e meio parado na semana passada, sentiu o tornozelo direito após choque com Khedira e teve que sair imediatamente de campo. Romaric, destaque do time na temporada, também saiu de campo precocemente, após sentir o músculo da coxa direita. Até agora, o Sevilla não divulgou o tempo de molho que os dois jogadores ficarão. Se o time sente a falta de algum fantasista no meio-campo, a diretoria resolveu agir: hoje, anunciou os nomes de Gary Medel e Rakitic, que podem dar um bom upgrade nesse meio-campo carente de criação dos rojiblancos.

Barcelona 5x0 Almería
Há dois meses, o Barcelona goleara o Almería no Juegos Mediterráneos por 8 a 0. Após um começo tão avassalador, onde abriu 3 a 0, parecia que os blaugranas voltariam a fazer oito nos andaluzes. O Barcelona, porém, diminuiu o ritmo da partida após o quarto gol, de Pedro, e não chegou a goleada. A escalação de Oltra causou polêmica: por que um técnico pouparia seu melhor jogador na partida do ano da equipe? Foi o que aconteceu com José Luis Oltra, que poupou Diego Alves e colocou Esteban, o que já vem fazendo na Copa há algum tempo. Com os cinco gols, o Barcelona chegou a 101 na temporada, que está em sua metade. Messi, por sua vez, vai mostrando que é um sobre-humano. Na temporada em sua metade, o gênio argentino já coleciona 35 gols e 17 assistências. Quem para este time? Talvez, o Hércules, próxima adversário dos azulgrenás na Liga e único time a pará-lo na temporada.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Palmas para o Bétis

O Bétis não avançou de fase, mas agrediu o Barcelona e venceu os blaugranas de uma maneira incontestável (EFE)

Pelo jogo de volta das quartas de finais da Copa del Rey, o Bétis fez o Barcelona parecer um time humano. O time andaluz não só ganhou o gigante da Catalunha, como ganhou com moral, merecendo a vitória. Tudo bem que o time que Guardiola mandou a campo era mais reserva do que titular, mas foi uma vitória para ficar na cabeça dos aficionados verdiblancos. No final das contas, José Manuel Pinto teve toda razão após a coletiva pós-jogo, no Camp Nou: "se não abrirmos os olhos, poderemos ser eliminados pelo Bétis. Não há nada ganho".

Mesmo sendo improvável reverte um resultado tão adverso, o torcedores andaluzes lotaram o estádio Benito Villamarín querendo ver sua equipe pelo menos bater de frente com o "mistão" de Guardiola. Pepe Mel teve a vida complicada para montar o ataque de seu time, pois, além de não contar com Emaná, teve Ruben Castro, principal verdiblanco em campo no Camp Nou, lesionado ainda no aquecimento. Ao técnico, só restou ter que colocar Molina para companheiro de Jonathan Pereira, e o atacante não decepcionou: com sete minutos de partida, o Bétis, como um furacão, já havia marcado dois gols com Molina. Os blaugranas não sabiam o que era receber dois gols contra desde 1981, quando, na ocasião, levou dois do Zaragoza (Amarilla e Pichi Alonso) Após um início tão surpreendente, os torcedores, que já faziam festa mesmo sabendo que era difícil se classificar, passaram a jogar com seu time, que teve a chance de fazer o terceiro logo depois, mas Molina teve seu chute interceptado por Piqué.

Milito reclama que ganha poucas chances de Guardiola e ameaçou até ir embora (só não foi por pedido de Guardiola, sem muitos zagueiros em seu elenco), mas ganhar confiança com o técnico catalão parece uma missão difícil, ainda mais após o jogo. Ficou bem nítido que o zagueiro argentino está bem fora de entrosamento com seus companheiros, além de não estar em sua forma ideal, e falhou feio nos três gols béticos. Pinto, elogiado após a partida de ida, também fora mal na partida. O terceiro gol, marcado por Arzu, foi uma falha conjunta dos dois piores blaugranas em campo na partida: Ezequiel cobrou falta, Pinto saiu vendido do gol e viu Milito cortar nos pés do meio-campista, que chutou para o gol livre. Um gol ao melhor estilo Felipe Melo e Júlio Cesar na Copa do Mundo.

Antes do terceiro gol, porém, Messi e Xavi, tímidos no jogo, resolveram aparecer. O argentino tabelou com Xavi, recebeu na frente, ganhou na corrida de Isidoro e bateu por debaixo das pernas de Casto. Na segunda etapa, o melhor jogador do mundo protagonizou um lance peculiar: após Clos Gómez assinalar um pênalti ao mínimo discutível, o argentino cobrou à Terry na final da Champions e, além de escorregar, mandou a bola para bem longe da meta de Casto.

O jogo pôs fim a uma invencibilidade que já durava 28 jogos, mas, segundo Guardiola, a postura exercidade pela sua equipe não lhe preocupa. Pelo contrário. Segundo o ex-volante, "são de partidas como essa que percebem os erros, que terão de serem corrigidos a tempo". Preocupado ou não, o fato é que, mesmo com a derrota, o Barcelona continua vivo na Copa del Rey, em busca de sua vigésima sexta taça.

Fazendo história
O adversário do Barcelona nas semifinais será o Almería, que segue fazendo história na competição. Dentre as quatro equipes da semifinal, os rojiblancos são os únicos a chegaram a fase com 100% de aproveitamento. Priorizando a Liga, Lotina só ajudou ao adversário a chegar à semifinal com tal aproveitamento. Além de mudar o módulo para um 4-2-3-1 e colocar boa parte de seus jogadores reservas, deixou Adrián López, seu principal jogador, no banco. Oltra, sem tantas ganâncias na Liga, por sua vez, foi com um 4-1-2-3 extremamente ofensivo e matou a partida logo com 20 minutos do primeiro tempo: após jogadas individuais, Corona e Crusat marcaram dois gols para o Almería, confirmando, praticamente, sua vaga às semifinais. Ainda no primeiro tempo, Álvarez mandou às próprias redes, diminuindo para os blanquiazules.

Adrián, que entrou no segundo tempo, mostrou porque é tão importante: no seu primeiro toque na bola, aproveitou vacilo de Pelerano e jogou no contrapé de Diego Alves, empatando a partida. Porém, Goitom, de pênalti, tratou de definir, selando a classificação almerista. O jogo foi mais uma prova de que Lotina não usa um esquema com 5-3-2 à toa. Com dois zagueiros e dois laterais que sobem muito ao ataque, a primeira linha blanquiazul passou o jogo inteiro batendo cabeça. O Almería, pela primeira vez em sua história, chega a fase semifinal da Copa, onde irá encarar o Barcelona.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Resumo: 19ª Rodada

Barcelona goleia Málaga, aproveita empate do Real Madrid e ensaia primeira fuga na competição (getty images)

Com o empate pouco digerido do Real Madrid ante o lanterna Almería, o Barcelona ensaia sua primeira fuga nesta Liga BBVA, abrindo quatro pontos de vantagens para o Real Madrid e tendo a vantagem nos critérios de desempate pela goleada no superclássico. Com o empate merengue e uma nova goleada perante o Málaga, o Barcelona encerra o primeiro turno na primeira posição, tornando-se o campeão de inverno. O que anima mais os torcedores culés é saber que, dos últimos nove campeões de inverno, apenas dois não tornaram-se campeões no final (Real Sociedad de 2002-03 e o próprio Barcelona, em 2006-07. Confira o resumo dos jogos da rodada.

Barcelona 4x1 Málaga
No dia que estreava Júlio Batista, o Málaga foi apenas mais uma presa do cada vez mais mágico time de Josep Guardiola. Sem querer levar sustos, Guardiola foi a campo com o que tinha de melhor e repetiu as escalações das manitas contra Real Madrid e Espanyol. Pellegrini, por outro lado, tinha todos os seus jogadores à disposição, mas surpreendeu ao deixar Rondón e Eliseu no banco por dentrimento de uma melhor colocação de Júlio Batista em campo. O brasileiro, de volta ao lugar onde teve sua maior glória no futebol espanhol, entretanto, não cumpriu às expectativas e não deu nenhum poder de fogo aos blanquiazules. Jogando um pouco mais avançado do que de costume, pegou na bola poucas vezes e, no resto da partida, foi anulado por Busquets e Puyol.

A partida serviu para mostrar que Villa está totalmente adaptado ao estilo de jogo do Barcelona (que facilitou por ser semelhante ao da seleção espanhola). Apesar de ainda continuar pecando no mau posicionamento, o que faz ficar em impedido com frequência, El Guaje parece estar tomando cuidado com isso. Além disso, foi responsável por um doblete, chegando a quatorze gols na temporada e ficando atrás apenas de Cristiano Ronaldo e Messi. La Pulga, por sua vez, não marcou, mas o jogo serviu para se consolidar no ranking de assistências: com uma para o primeiro gol de Villa, Messi chegou a quatorze, isolando-se no quesito. Messi poderia chegar a quinze, mas Iniesta acabou desperdiçando uma ótima oportunidade, cara a cara com Asenjo. Porém, no rebote, Pedro, como sempre na hora certa, apareceu para completar.

No feliz e calmo ambiente blaugrana, uma má notícia: Daniel Alves lesionou o músculo da perna direita, podendo ficar de 10 a 15 dias, e seu substituto, Adriano, não foi bem. Lateral direito de origem, mas mais acostumado a jogar na esquerda, Adriano não deu a mesma mobilidade no lado direito do ataque azulgrená e pode ser uma incógnita para Guardiola. Como lateral esquerdo, se consagrou no Sevilla e chegou a fazer boas partidas com os catalães, mas ainda deve na direita. A outra opção para Guardiola é a improvisação de Puyol, abrindo espaço para Milito, que resolveu ficar no Barcelona, jogar no lugar do capitán na zaga.

Este Barcelona segue quebrando recordes atrás de recordes: com a vitória sobre os malagueses, e consequentemente o título simbólico de inverno, os azulgrenás tornaram-se o maior campeão de inverno desde o novo formato da liga bbva. São incríveis 52 pontos, 17 vitórias e 28 partidas invictas. Foram apenas cinco pontos perdidos, na derrota para o Hércules e no empate contra o Mallorca (curiosamente, os dois no Camp Nou).

Almería 1x1 Real Madrid
Após quatro partidas seguidas entrando no segundo tempo, Kaká ganhou sua primeira chance como titular do Real Madrid na temporada neste domingo. Porém, o brasileiro teve atuação apagada e viu o time de José Mourinho sofrer para empatar em 1 a 1 com o Almería, lanterna do Campeonato Espanhol, e que levou de oito do Barcelona neste mesmo estádio. A escolha por jogar sem um centroavante de ofício "irritou" Valdano, além de fazer o Real Madrid pouco assustar o lanterna do campeonato. No meio-campo, Özil e Kaká bateram cabeça durante boa parte da primeira etapa, e os blancos não criaram quase nada. Na frente, a opção por Cristiano Ronaldo como falso centroavante não fez certo, desta vez. Apesar de marcar sete vezes em três jogos nessa posição nesta temporada, o português pouco pegou na bola enquanto exercia essa função e só passou a aparecer para a partida após voltar à posição original, quando Mourinho sacou Kaká para colocar Benzema e retornar ao 4-2-3-1 "original".

A relação de Valdano e Mourinho nunca foi as das mais animadoras e se azedou mais ainda após declaração dada pelo dirigente após a partida. Perguntado sobre a busca por um "nove", Valdano disparou: "havia no banco de reservas um nove hoje e o que fazem com Benzema é injustiça". Conhecido por sempre revidar, até agora Mourinho não deu nenhuma declaração diretamente a Valdano, mas é fato que a relação entre os dois está conturbada.

O empate suado foi muito comemorado pelos jogadores do Almería. E com razão. Numa semana em que disputou pela primeira vez na sua história as quartas de finais da Copa del Rey, e saiu com o resultado a favor, o empate, ainda que não o tire da lanterna, pode dar uma grande injeção de ânimo para a continuidade da temporada. Ainda que não seja unanamidade, José Luis Oltra começa a cair nas graças da torcida: seu 4-3-1-2, agredindo o Real Madrid, quase deu certo, tendo em vista que a missão de Oltra era sair com os trê pontos (apesar de improvável), mas o time cometeu um erro primário: boa parte de seus jogadores foram para frente e, assim, acabou dando espaços para o Real Madrid contra-atacar, onde acabou fatal: Benzema rolou e Granero soltou a bomba no ângulo de Diego Alves, definindo o empate. No final da partida, Cristiano Ronaldo ainda jogaria uma bola no travessão, após suposto pênalti de M'Bani, mas o jogo acabou 1 a 1, satisfazendo o Barcelona.

Atlético de Madrid 3x0 Mallorca
Querendo esquecer o mal momento na temporada, o Atlético de Madrid foi para o jogo disposto a ganhar e concentrar suas forças para a volta da Copa del Rey. O objetivo aconteceu e, mesmo sem empolgar, o Atlético de Madrid ganhou bem do Mallorca, conseguindo sua primeira vitória em 2011 pela Liga. O Mallorca pode-se dar totalmente insatisfeito com o resultado por saber que poderia ter saído do Vicente Calderón com os três pontos. O time de Laudrup teve duas chances claras de gols, mas viu o Atlético de Madrid sair na frente com Valera.

O gol do lateral direito (o primeiro pelo Atlético de Madrid desde 2006) também abre um debate: nos últimos jogos, a defesa roja, sempre elogiada por transbordar segurança, vem falhando com frequência, o que já preocupa Michael Laudrup. No segundo gol rojiblanco, a mesma tônica: o Mallorca pressionava, mas em um contra-ataque, Mérida achou Forlán entre Rúben e Nunes e o uruguaio deixou Aouate para trás para chegar ao seu sétimo gol na Liga, empatando com Agüero. No segundo tempo, De Gea viria a aparecer, defendendo um pênalti de Webó, e Reyes matou a partida em um novo contra-ataque fulminante dos anfitriões.

Elias jogou apenas quarenta e cinco minutos e causou boa imprensão. Apesar de atuar pouco tempo (foi substituido na volta do intervalo para a entrada de Juanfrán), Elias foi bem seguro na marcação do meio-campo e sempre levava perigo quando atacava. Em seu melhor estilo, o brasileiro recebeu de Tiago e acertou um belo chute cruzado, que acabou sendo impedido de entrar nas redes por Aouate. Antes do dérbi, o Atlético de Madrid finalmente encontra paz, mas a missão de remontar para cima do seu maior rival continua difícil, mesmo após os resultados conseguidos pelas duas equipes nesta rodada.

Valencia 2x0 Deportivo
No Mestalla, quando o jogo encaminhava para um 0 a 0 insonso, Mathieu apareceu na esquerda e soltou um belo chute praticamente sem ângulo para colocar o Valencia no caminho das trilhas. Numa partida onde foi claramente superior, o Valencia encontrou algumas dificuldades para cerrar a defesa blanquiazul, novamente escalada com cinco zagueiros. A de se destacar a partida de Tino Costa. Preterido por Unai, o argentino entrou na segunda etapa e foi um dos principais responsáveis pela vitória ché. Importante nas infiltrações pelos flancos e na organização de jogo, foi dele, por exemplo, a assistência para o gol de Pablo Hernández, que fechou o marcador. Antes da entrada do argentino, o Valencia voltou a mostrar sua carência quanto a criação. Aproveitando-se disso, o Depor dominou o meio-campo, mas não conseguiu capitalizar a posse de bola em oportunidades de gols. Após o jogo, Lotina voltou a lamentar a falta de pegada de sua equipe. Segundo o técnico blanquiazul, oportunidades foram criados; porém, faltou mais cuidados para concluí-las com exitos.

Sevilla 1x2 Espanyol
O Sevilla voltou a decepcionar. Juventude, muitas ganas, inteligência e boa colocação no terreno de jogo. Qualidade pouca. Quase nenhuma alteração desde a comissão técnica. Pegada... pouca, porque o atacante titular se lesionou para dois meses. Só com esses adjetivos, o Espanyol venceu o Sevilla. Há algum tempo isso não teria acontecido de forma alguma. A imagem não foi tão ruim como nas apresentações ante o Getafe, Mallorca e Almería, porém, isso não deve esconder os gravíssimos problemas dessa equipe, que agora é dependente de jogadores como Romaric. Não se pode dizer que o Espanyol foi melhor no primeiro tempo, apesar do gol. Tampouco pode se falar de uma clara superioridade sevillista. Os jogadores de Manzano tiveram mais posse de bola, chegaram mais e foram superiores em quase todos os atributos de um jogo, porém, possuem carências e os rivais exploram isso. O Sevilla sofre até mesmo quando parece estar dominando a partida. Atrás é um desastre.

O segundo tempo foi uma cópia do primeiro. Domínio e posse de bola sevillista com pouca pegada e dúvidas no meio de campo, onde Romaric ficava sem gasolina. A zaga também era insegura. Todas as chegadas eram geradas pelas laterais e Kameni detinha os poucos chutes que Luís Fabiano e Kanouté eram capazes de tentar. O Espanyol mandou uma bola nas costas da defesa para Callejón e Martín Cáceres se fez de louco e falhou de forma imperdoável. Logicamente, Callejón fuzilou a Javi Varas com prazer e chegou ao doblete. Foi aí que a partida morreu para o Sevilla, jogo que não poderia perder se quisesse seguir alimentando o sonho de conseguir os seus objetivos na temporada. O seguinte gol de Negredo foi muito bonito, porém, não houve tempo para mais.

Villarreal 4x2 Osasuna
Com direito a um "gol que Pelé não fez" de Cani , o Villarreal bateu o Osasuna por 3 a 1 e concentra suas forças no confronto contra o Sevilla pela copa del rey. A vitória também serviu para reafirmar que, faltando um turno para o fim do campeonato, parece difícil alguém tirar a terceira colocação do Villarreal, que vai assegurando o título do "campeonato paralelo". Ante o Osasuna, o Villarreal voltou a mostrar sua qualidade ofensiva. Velozes e bem entrosados, Rossi e Marco Rúben infernizaram a vida dos zagueiros rojos. Prova de maior intesidade do ataque amarillo é ver que, nos últimos quatro jogos, o time marcou treze gols. Porém, se há uma ótima qualidade ofensiva, a defesa recompensa: nesses últimos quatro jogos, recebeu dez gols. Essa incostância acontece muito por causa da exposição que vive a defesa amarilla. Como os volantes e os laterais sobem demais, os zagueiros ficam sempre sobrecarregados caso o time sofra algum contra-ataque.

Na estreia de Cicinho, que fez uma partida segura, palmas para Cani. Na volta para o intervalo, o meio-campista acertou um lindo chute desde o meio-campo encobrindo Ricardo, que estava bem adiantado. Se há o que se destacar no Osasuna esse é a sua persistência. O time de Navarra não se rende nunca e, mesmo não tendo um time bom tecnicamente, a intesidade é a mesma.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Complicado, Atlético...

Ambiente tenso: com mais uma derrota em um dérbi, Quique Sanchéz Flores começa a ficar com as cordas bambas (getty images)

Como deixar de confiar em um time que tem em seu plantel jogadores como Agüero, Forlán, Reyes, De Gea, Filipe Luís, Juanfran? Mas como confiar em um time que, ano após ano, se planifica da melhor maneira possível, gasta muito dinheiro com contratações e, principalmente, não vence o seu maior rival a 35 partidas (12 anos, para exemplificar melhor)? Este dilema pauta o Atlético de Madrid. Os rojiblancos são, sem sombra de dúvidas, um dos times mais difícil de entender em cenário espanhol (e, quem sabe, mundial). Vindos de uma derrota acachapante ante o Hércules, o Atlético de Madrid chegou para o dérbi de ontem pressionado - mais uma vez, diga-se de passagem.

Quando Forlán abriu o placar aos sete minutos, parecia que o tabu estaria prestes a cair. Só parecia. Em nenhum momento o Real Madrid "ajudou" para que a racha negativa colchonera pudesse acabar. Com Cristiano Ronaldo e Özil em dia inspirado, os merengues enlouqueceram a zaga rival, e De Gea era obrigado a fazer grandes defesas para evitar um resultado maior. O jovem goleiro, aliás, só não foi o melhor jogador da partida porque o português e o turco-alemão tiveram um destaque maior. De Gea fez defesas de tudo que é jeito e sem tem alguém a se elogiar neste Atlético de Madrid é o arqueiro. Agüero e Forlán também deram trabalhos à defesa blanca, mas no todo da partida, Sergio Ramos - deslocado para função de zagueiro - e Ricardo Carvalho souberam conter bem os ataques da dupla sul-americana.

O time de José Mourinho se manteve bem ofensivo no primeiro tempo. Teve quase 70%de posse de bola e finalizou oito vezes, contra apenas uma dos visitantes. Na segunda etapa, o ímpeto merengue aumentou mais e orquestrados por Özil, que, até então, fazia uma partida tímida, o Real Madrid virou. A saída de Benzema e a entrada de Kaká também foi um dos fatores da virada merengue. Não que o brasileiro tenha tido participação nos gols, mas a movimentação da equipe mudou e ficou mais veloz, já que Benzema estava muito parado. Antes do gol da virada, porém, Forlán jogou na trave a chance de desempatar o marcador. Um minuto depois, Özil partiu para jogada individual pela direta, deixou Filipe Luís para trás e cruzou na medida para Cristiano Ronaldo aumentar.

No final da partida, Özil fez um de seus gols mais fáceis, mas que serviu para consagrar o melhor jogador da partida. O turco-alemão tabelou com Cristiano Ronaldo e a bola acabou batendo em Filipe Luís e voltando para a canhota mágica do meio-campista, que jogou no canto esquerdo de De Gea para definir a partida. "Falha feia do Filipe Luís, que parece ter ficado na Galícia e mandado um irmão gêmeo pra Chamartín", bem definiu o amigo Leonardo Bertozzi. O lateral brasileiro ainda não se encontrou em Manzanares e parece ter esquecido aquele futebol que quase o levou ao Barcelona.

Sobrou para Quique Sanchéz Flores. O treinador se reuniu com Jesus García Pitarch, diretor esportivo rojiblanco, por duramente uma hora. Quem também não gostou nada da postura dos seus jogadores em campo foi o presidente do clube, Enrique Cerezo. Nas palavras do presidente "os seus jogadores não têm nada do que reclamar do árbitro e que já está cansado de ver a mesma postura exercida em jogos contra o Real Madrid". Apesar de Quique Sanchéz Flores ter mudado totalmente o discurso, ao falar que o Atlético tem chances de classificação por ser "supercompetitivo" em jogos eliminatórios, o ambiente rojiblanco está muito conturbado. E só uma classificação pode inverter a situação, além de dar uma grande injeção de ânimo para a continuidade da temporada.

Na Andaluzia...
Pela primeira vez em sua história, o Almería entrava a campo disputando uma quarta-de-final de Copa del Rey. Disposto a levar o jogo para o Riazor, Lotina montou seu Deportivo no 5-4-1. Porém, não contava com a má sorte de Rindaroy, que marcou o único gol da partida. Um gol contra. Em uma partida bem fraca tecnicamente, as emoções que tomaram o restanta da Copa del Rey não deram as caras no Juegos Mediterráneos por ao menos um minuto. Apenas cinco chutes ao gol em 90 minutos explica porque de uma partida tão fraca. De destaque, apenas Piatti. Presente em todas as ocasiões de perigos do time rojiblanco, o argentino foi o nome da partida, já na vigília para o jogo contra o Real Madrid, no domingo.

Veja também:
Villarreal 3x3 Sevilla
Barcelona 5x0 Real Bétis

sábado, 25 de dezembro de 2010

Análise do primeiro turno: Almería

Pênalti é com ele: Diego Alves já agarrou onze dos quatorze pênaltis marcados contra o Almería na competição. Vai uma aulinha? (AP Photos)

Campanha
17ª posição. 16 jogos, 13 pontos. 2 vitórias, 7 empates e 7 derrotas. 15 gols pró e 25 gols contra.

Técnico
Juan Manuel Lillo, até a décima segunda rodada; José Luis Oltra, a partir da décima quarta. Na Espanha, quando se fala em Lillo, a primeira coisa que vem à cabeça é o feito do técnico de Tolosa em tirar o até então desconhecido Salamanca da segunda B e, em duas temporadas consecutivas, levá-la à Liga BBVA. Lillo, também, é conhecido por ser o treinador mais jovem da história do futebol espanhol a debutar em uma competição (29 anos). O técnico, então, foi encarregado de, em 2009-10, tirar o Almería da zona de rebaixamento, e começou sua nova "aventura". Trás conseguir a permanência na Liga BBVA, teve seu contrato prorrogado até 20 de maio de 2011, uma temporada a mais. Porém, em novembro desse ano, o Almería tinha um time eficaz e uma defesa bem sólida, mas tudo foi por água abaixo quando acabou goleado pelo Barcelona por 8 a 0, o que acabou valendo a demissão de Lillo. Para seu lugar, foi chamado José Luís Oltra, que ainda não achou o módulo necessário para fazer o Almería voltar a jogar futebol de verdade, desde aquela fatídico 20 de novembro.

Destaque
Diego Alves. O goleiro vai mostrando o porquê de ser um dos jogadores mais cobiçados do futebol espanhol. Pela terceira temporada consecutiva, vai sendo o destaque de um time com pouca criatividade no meio-campo. Nesta temporada, foram marcados contra o Almería quatorze pênaltis, onde somente três deles entraram: os outro nove foram tudos pegos pelo o goleiro brasileiro, que vai mostrando sua principal virtude por mais uma temporada - em 2009-10, o goleiro acabou o campeonato como o maior pegador de pênaltis. Piatti também segue se destacando no ataque e é o artilheiro da equipe com cinco gols. A sua dupla, Uche, vive uma fase muito boa, com 0,36 gols por partida. Antes da partida contra o Barcelona, a defesa andaluza era bem sólida e só ficava atrás apenas das defesas de Real Madrid e Barcelona, como as menos vazadas da competição.

Decepção
Ulloa. Quando Lillo utilizou o 4-1-2-3, era por um único motivo: unir Piatti, Uche e Ulloa. Os dois primeira seguem à risca do treinador, mas o terceiro "parou no tempo". Ulloa ainda não achou o futebol da temporada passada, o que já fez Oltra ficar revezando entre o 4-2-2-2 e 4-3-1-2. A paciência do técnico reflete-se fora de campo: o jogador passou a conviver com problemas extracampos, que estão minando seu futebol. O diretor esportivo do clube, Alberto Benito, já avisou que poderá dar uma multa ao jogador caso os problemas voltem a acontecer e também já avisou que o time não irá se reforçar no mercado de inverno.

Perspectiva
Permanecer na Liga BBVA. Após a demissão de Lillo, o time teve uma queda brusca de rendimento, que o colocou na décima sétima posição e com os mesmos pontos do Málaga, que já vai crescendo no campeonato e é o primeiro da zona. A defesa precisa voltar a ser a mesma desde o jogo contra o Barcelona, quando era a terceira melhor do campeonato. O ataque não tem nada a se queixar, porém o meio-campo carece de criatividade. A esperança é que Piatti não saia na janela de transferências de janeira e continue fazendo boa dupla com Uche.

domingo, 12 de dezembro de 2010

15ª Rodada (1ª parte): Papéis invertidos

Agüero, como sempre, brilhou contra o Deportivo e fez Quique Flores respirar aliviado (AS)


Antes da rodada começar, o momento vivido por Atlético de Madrid e Deportivo La Coruña eram bem diferentes. Enquanto o Atlético de Madrid vinha de sucessivas derrotas e já se encontravam em uma pequena crise, o Deportivo, remodelado no 5-3-2-, espantou a zona de rebaixamento e, não só apenas, já vai em busca da Liga Europa. Ontem, porém, como não podia deixar de ser, o Deportivo sucumbiu diante dos rojiblancos no Vicente Calderón e a freguesia continuou, dando uma pausa em sua reação. Também ontem, o Sevilla deu continuação à sua crise e, dessa vez, sofreu um vexame ao perder para o Almería, penúltimo colocado até então, em pleno Ramón Sanchéz Pizjuan. Em Madrid, o Villarreal sofreu e, mesmo com um a mais, perde para o Getafe, dando adeus às chances de título.

Atlético de Madrid 2x0 Deportivo
Um brilhante Agüero fez com o que o Atléti voltasse a sorrir. Com uma grande atuação do argentino, o Atlético de Madrid encerrou sua racha negativa de quatro jogos sem vencer e agora já são dez jogos sem sofrer uma derrota do rival galego. No começo do jogo, parecia que a maré de má sorte dos colchoneros continuaria. Diego Forlán, que após o mau início de campeonato já começa a mostrar serviço, desperdiçou uma cobrança de pênalti. O Deportivo até tentou se segurar, mas foi por pouco tempo. Após a penalidade desperdiçada pelo uruguaio, Agüero começou seu ‘show particular’. O atacante argentino recebeu passe em profundidade pela direita, invadiu a área, livrou-se de dois marcadores e tocou no canto esquerdo de Aranzúbia, marcando um belo gol. Depois, Kun tabelou com Raúl García na meia direita e recebeu a bola com liberdade dentro da área. Na saída do goleiro, tocou com estilo para marcar seu sétimo gol na competição. Na volta do intervalo, o time da casa demorou um pouco para entrar no jogo e deu impressão de que o La Coruña iria crescer na partida. Puro engano.

Os anfitriões voltaram a pressionar e por pouco não ampliaram, primeiro com Reyes finalizando cruzamento de Simão, e depois em cabeceada perigosa do zagueiro Álvaro Domínguez, aproveitando cobrança de escanteio. Aos 30min, em rápido contra—ataque, Reyes chutou colocado após receber de Simão e tirou tinta da trave, mas ficou nisso.

Getafe 1x0 Villarreal
Apesar de pequena, o Villarreal ainda tinha esperanças de títulos. Porém, com a derrota sofrida diante dos azulones, as chances podem ter se encerrada. O Villarreal começou pressionando bastante, mas não concluiu bem contra a meta adversária, nem mesmo quando teve vantagem numérica em campo. Assim, o Getafe se aproveitou bem das poucas chances que teve e sacramentou sua vitória no finalzinho do jogo. Albin recebeu passe de cabeça quase na marca do pênalti e, com um belo chute de esquerda, marcou para a equipe local. Ao tirar a camisa na comemoração do gol, o uruguaio recebeu o segundo amarelo e foi expulso.

Nilmar deu bastante trabalho ao Getafe, finalizou três vezes e causou a expulsão de Cata Diaz, que deu uma entrada dura no atacante brasileiro por trás e prejudicou sua equipe.

Sevilla 1x3 Almería
A cada rodada, o mesmo comentário sobre o Sevilla: um time sofrível de se acompanhar. Se já não bastasse os três jogos sem ganhar em casa, a façanha desta rodada foi pior: derrotado pelo fraco Almería, que não vencia havia nove rodadas - e que, em uma delas, perdeu de oito a zero para o Barcelona. Gregório Manzano mal tem três meses de clube e já passa a ter seu cargo ameaçado. Na terceira partida após assumir o comando técnico do Almería, José Luis Oltra mandou seu tradicional 4-2-3-1 a campo, com Piatti jogando de enganche. E foi o argentino o principal responsável pela vitória rojiblanca.

Após abrir o placar, os anfitriões ficaram mais tranquilos, e tiveram paciência para ter a posse de bola. Nervoso e inseguro, o Sevilla errava muitos passes e pouco ameaçava a meta de Diego Alves, que, de quebra, ainda defendeu mais um pênalti, o seu nono na competição (contra o Almería, foram marcados 14 pênaltis. Dois entraram, três foram para fora e nove foram pegos pelo goleiro brasileiro). Manzano ainda poderia ter evitado um resultado maior, pois adiantou muito sua defesa, que passou a ser facilmente ameaçada por Piatti e cia.

domingo, 21 de novembro de 2010

12ª rodada (1ª parte): A noite dos artilheiros

Animado pelo gol contra a seleção brasileiro, Messi marcou três vezes e chegou a 101 gols na Liga com a camisa do Barcelona, na goleada história do Barcelona ante o Almería por 8 a 0 (getty images)

Nos três jogos que abriram a décima segunda rodada de La Liga, gols foram o que não faltaram. Dos 16 gols, oito deles saíram no Juegos Mediterráneos no confronto entre Almería e Barcelona. Mas vale especificar: os oito tentos foram só do Barcelona, em um jogo que os blaugranas não precisaram se esforçarem tanto para chegar aos oito gols. Valencia e Villarreal protagonizaram um confronto direto pela caça aos líderes Real Madrid e Barcelona no Campeonato Espanhol. As equipes bem que tentaram, mas ficaram no empate por 1 a 1 e frustraram suas pretensões no torneio.

A noite, também, foi dos artilheiros: Cristiano Ronaldo e Messi, artilheiro e vice-artilheiro, respectivamente, marcaram um hat-trick, enquanto Llorente, Rossi e Áduriz deixaram suas marcas. Confira a primeira parte do resumo da décima segunda rodada.

Villarreal 1x1 Valencia
No dérbi da Comunidade Valenciana, Unay Emery surpreendeu ao escalar sua defesa com três zagueiros. O esquema manteve a segurança que o técnico Ché precisava, mas não suportou a pressão exercida pelo Villarreal em quase todo o segundo tempo. O 5-2-2-2 de Emery isolou Áduriz lá na frente, mas nem assim foi capaz de impedir o gol do ex-Mallorca. Joaquín, de volta ao time titular, apareceu como um raio na direita e cruzou preciso para o atacante aparecer entre Marchena e Bruno e, de letra, abrir o placar. Após isso, a equipe valenciana cumpria bem seu papel defensivo e mostrava-se mais objetiva no campo de ataque. Dessa forma, o Villarreal se enrolava para sair do jogo e se atrapalhava para criar alguma jogada.

No segundo tempo, o Villarreal se viu obrigado a ir ao ataque e acordou para o jogo, mesmo sofrendo com a forte marcação. O brasileiro Nilmar e Rossi eram os principais responsáveis pelas jogadas de ataque. A partir da metade do segundo tempo, o Valencia recuou e chamou o adversário para o ataque. Aos 27 minutos, saiu o gol. Rossi recebeu cruzamento vindo da esquerda e desviou do goleiro, colocando no canto direito da meta. Após o tento, o jogo ficou aberto. No entanto, as equipes não conseguiram concretizar suas chances de gol. O empate pode ter sabores mais doce para o Valencia. Com sete desfalques, os Chés foram ao El Madrigal com a pretensão de sair com, pelo menos um ponto.

A partida ficou marcada por um momento especial do volante brasileiro naturalizado espanhol Marcos Senna. Ele completou 219 partidas pelo Villarreal e igualou a marca do argentino Rodolfo Arruabarrena como o jogador que mais atuou pela equipe na 1ª divisão do Campeonato Espanhol. Senna começou o duelo contra o Valencia no banco de reservas e entrou no jogo aos 25 minutos da segunda etapa, quando substituiu Borja Valero.

Almería 0x8 Barcelona
Antes do duelo contra o Barcelona, a defesa rojiblanca era a terceira menos vazada. Porém, bastou apenas quarenta e cinco minutos para o time de Lillo receber metade dos gols que havia recebido antes da rodada. Logo no primeiro tempo, os comandados de Pep Guardiola conquistaram um feito histórico. A equipe não marcava cinco gols na etapa inicial desde a temporada 2000/2001 quando fez seis em apenas 40 minutos contra o Real Sociedad. Messi segue quebrando recordes atrás de recordes. Ontem, com o hat-trick, chegou a 101 gols com a camisa azulgrená em território nacional. À frente do argentino, apenas Eto'o, Cesar e Kubala. No segundo tempo, o Barcelona não tirou o pé do acelerador e continuou seu massacre. A parceria Messi e Bojan se mostrou afinada, já que eles foram responsáveis por mais três gols. A humilhação serviu para destituir Lillo do comando técnico do time andaluz. No resumo da semana passada, já haviamos alertado que o técnico estava com as cordas bambas. Marcelino Toral, ex-Zaragoza, e Simeone (esse mesmo que vocês estão pensando) são os mais cotado para assumir o Almería. A goleada imposta, fez com que os comandados de Josep Guardiola igualassem a sua maior vitória fora de casa na Liga BBVA, em 1958-59, contra o Las Palmas.

Real Madrid 5x1 Athletic Bilbao
Depois de ficar marcado pela revolta com a cabeçada de Nani que impediu seu golaço no amistoso entre Portugal e Espanha, Cristiano Ronaldo finalmente pôde comemorar seus gols. O atacante português deixou seu hat-trick, ajudou o Real Madrid a voltar à liderança e, de praxe, reassumiu a artilharia da competiçao, que havia perdido para Messi. Como se não bastasse, ainda provocou o Barcelona: "Ganharam de oito, é? Mas eu quero ver marcar oito vezes na segunda-feira que vem", desdenhou o gajo. Antes do superclássico, porém, o Real Madrid irá à Amsterdãm para encarar o Ajax, pela Champions League, com os desfalques de Higuaín e Khedira. O Athletic Bilbao tentou surpreender e teve domínios das jogadas ofensivas logo no início do jogo. Mas durou pouco. O primeiro gol do Real saiu aos 18 minutos. Di María tocou para Higuaín na entrada da área. Ele girou, saiu da marcação e chutou rasteiro para tirar a bola do goleiro. Após isso, os leones tentaram dificultar a vida dos merengues, mas o individualismo dos comandados de Mourinho prevaleceu.

Os números do Real Madrid de Mourinho já são históricos: este é o melhor aproveitamento obtido pela equipe da capital após 12 rodadas de Campeonatos Espanhóis. Com 32 pontos, dez vitórias, dois empates e nenhuma derrota, o Real Madrid jamais começou tão bem uma campanha na competição nacional.

sábado, 13 de novembro de 2010

11ª rodada (1ª parte): Bipolaridade

Messi marcou dois contra o Villarreal, já na vigília para o superclássico daqui a duas semanas (reuters)

O Barcelona confirmou hoje contra o Villarreal que as más partidas no Camp Nou no início de temporada é coisa do passado. Após uma ótima exibição na goleada contra o Sevilla, os blaugranas fizeram dos amarillos mais uma vítima em seu estádio. Com o resultado, o Barcelona chega à liderança provisória da competição e conta com um tropeço do rival Real Madrid ante o Sporting Gijón, num jogo que promete muita hostilidade, para continuar na posição.

Também hoje, o Atlético de Madrid derrotou o Osasuna e viu a seca goleadora de Forlán ser quebrada, com um doblete do uruguaio. No San Mamés, o Athletic Bilbao se recuperou da goleada sofrida para o Villarreal e, num jogo bem emocionante, derrotou o Almería por 1 a 0 e subiu duas posições, chegando à oitava colocação, momentâneamente. Confira a primeira parte do resumo da 11ª rodada.

Barcelona 3x1 Villarreal
No jogo mais esperado da rodada, Barcelona e Villarreal fizeram jus às expectativas e protagonizaram um dos duelos mais empolgantes desta edição do Campeonato Espanhol. O Villarreal queria aproveitar os três jogos de invecibilidade no Camp Nou para evitar que a bipolaridade de La Liga se dissipasse. Na 500ª partida de Puyol com a camisa azulgrená, Guardiola, sem Piqué, suspenso, e Milito, lesionado, resolveu improvisar Abidal para a função de quarto zagueiro e escalar Maxwell, a quem rasgou elogios após a partida, na lateral esquerda para fazer a dupla de zaga com o capitán. Num primeiro tempo extremamente parelho, o Villarreal, como o previsto, atacava com efetividade pelo lado esquerdo, onde Abidal mostrava-se inseguro e atrasado na marcação de Nilmar. O Barcelona tomava conta do meio-campo e logo chegou ao primeiro gol, com Villa. O Guaje roubou a bola de Borja Valero, recebeu de Iniesta e tocou na saída de Diego López. Após erro clamoroso do bandeirinha, que anulou gol legal de Pedro, o Villarreal chegou ao empate com Nilmar, em bela jogada individual. Com o jogo empatado, quem cresceu foi Villarreal, que passou a dominar a posse de bola e assumiu a superioridade da partida em pleno Camp Nou. Ainda assim não conseguiu virar até o intervalo.

Na volta para a segunda etapa, mais uma vez na temporada, a mudança na postura do Barcelona foi radical. Enquanto na zaga Abidal já mostrava segurança na marcação do atacante brasileiro; na frente, Messi e Pedro começaram a decidir os rumos da partida. Em uma tabela sensacional dos dois, Messi recebeu na frente e, de direita, tocou por cima de Diego López para ampliar a partida. A partir daí, o Villarreal não aguentou a avalanche blaugrana, orquestrada por Xavi, Iniesta e Messi. Com o passar do tempo, os azulgrenás tocavam com facilidade e calma a bola e chegaram ao terceiro gol, após passe de Pedro e desvio de Messi, que chegou à estratosférica marca de 66 gols em 65 jogos desde agosto de 2009. Vale ressaltar que Messi estava um pouquinho à frente da linha da bola no lance do gol.

Como de praxe, a arbitragem de Delgado Ferreira foi bastante polêmica. Além do gol mal anulado de Pedro no primeiro tempo e gol mal validado de Messi no segunda tempo, o arbitro madrileño deixou de expulsar Maxwell, quando este deu uma entrada dura em Borja Valero na entrada da área. Derrotado em campo, o Villarreal deu praticamente adeus para as - mínimas - chances de título. Num jogo crucial para definir seu futuro, o Submarino Amarelo mostrou-se novamente um time correto, que tem na posse de bola e na velocidade de seus atacantes suas principais virtudes. Entretanto, o time de Garrido não soube reagir diante do ímpeto ofensivo e da volúpia enorme do Barcelona na segunda etapa.

Atlético de Madrid 3x0 Osasuna
Sem marcar desde setembro, Forlán voltou a ser protagonista de uma vitória colchonera na competição. Ainda que Agüero tivesse participado de praticamente todos os lances de perigo, e ter deixado o campo lesionado, não há como não dar uma credêncial maior à participação do uruguaio na partida. Após o oportunismo no primeiro gol, o segundo foi belo: o melhor jogador da última Copa do Mundo recebeu na área, cortou Flaño, puxou para a perna direita e acertou um belo chute no ângulo esquerdo de Ricardo. Com os dois gols, Forlán chegou a marca de 91 gols com a camisa rojiblanca desde que chegou ao clube, em Julho de 2007. Além de alcançar este feito em 171 jogos no time de Manzanarez, o uruguaio chegou ao mesmo números de gols de um dos jogadores mais emblemáticos da história recente do Atléti: Fernando Torres. Porém, a média de gols de Forlán em relação a de El Niño é melhor: 0,53 gols por partida do uruguaio contra 0, 36 do atacante da Fúria.

O jogo serviu para mostrar que o brilho dos rojiblancos diante de sua torcida voltou. Tudo bem que o Osasuna não foi um adversário à altura e a expulsão de Monreal serviu para que o jogo se desenvolve-se a favor do Atlético de Madrid, mas há de se elogiar a postura do time de Quique Sanchéz Flores na partida. Nas dez primeiras rodadas, o atual campeão da Liga Europa só havia brilhado na primeira, quando goleou o Sporting Gijón. Depois, revezou atuações medianas em que foi salvo por uma de suas estrelas, e jogos abaixo da crítica. Entre eles, a derrota no clássico madrileño na rodada passada, por 2 a 0.

Athletic Bilbao 1x0 Almería
No jogo que abriu a rodada, o Athletic Bilbao abriu os trabalhos cedo com o gol de Llorente, mas teve que defender a vantagem no marcador durante 45 minutos com nove em campo. Pior para Caparrós, que, com as expulsões, perdeu Koikili e Castillo, dois laterais esquerdos, para o jogo da próxima rodada contra o Real Madrid, no Bernabéu. Vale lembrar que Aurtenetxe, dono da posição, deve ficar de fora dos gramados por no mínimo três semanas por lesão. O gol dos Leones não poderia ser de outro a não ser de Llorente. El Rey León aproveitou cruzamento da direita de Muniaín, pegou de primeira e fez o seu sétimo no Espanhol, ficando atrás apenas de Cristiano Ronaldo e Messi na tábua de artilheiros da Liga.

Com as expulsões, o jogo, que estava fácil para o time da casa, acabou se complicando, mas, bem fechado atrás, o time basco conseguiu segurar o empate. Noite bem fraca por parte de Piatti e Crusat, que deveriam puxar a responsabilidade no time andaluz. Ulloa, isolado no ataque no 4-3-2-1 de Lillo, pouco pegou na bola e acabou anulado por San José. Com a derrota, o técnico dos rojiblancos está com a corda bamba no cargo do time. O presidente do time, Alfonso García, se reunirá com a direção do clube ainda hoje para decidir se o técnico continua ou não no comando do clube. Nas últimas horas não pararam de surgir nomes na órbita do Almería. Entre eles, o mais especulado é o de Marcelino Garcia Toral, ex-Zaragoza.

sábado, 18 de setembro de 2010

3ª Rodada (1ª Parte): Porque sorte também conta

Cristiano Ronaldo comemora: com a ajuda de Pepe, o Gajo teve sorte na sua cobrança de falta e o Real Madrid saiu do País Basco com uma vitória e a liderança provisória (AP)


Após um empate com uma atuação fraca na estreia da Liga, o Real Madrid começa a mostrar regularidade e assim já chega a sua segunda vitória consecutiva na competição, somando sete pontos e ficando com a liderança. O primeiro posto, porém, pode ser perdido neste domingo em caso de empates de Valencia e Atlético de Madrid ou vitória do Sevilla, contra Hércules, Barcelona e Málaga, respectivamente.

José Mourinho não gostou do que viu no primeiro tempo. Sua equipe não conseguiu criar nenhuma oportunidade de gol, e um corte de Ricardo Carvalho impediu Tamudo de abrir o placar a favor da Real Sociedad. Os merengues até iniciaram bem a partida, com mais posse de bola, mas aos poucos cederam campo para o time da casa, que foi crescendo na partida e ficou mais perto de marcar o primeiro gol do que o Real Madrid. Na segunda etapa, o time comandado por Mourinho voltou com outro espírito, e depois de jogada individual de Angel Di María, conseguiu balançar as redes, logo aos 7min. O argentino avançou com a bola pela esquerda e, da entrada da área, acertou um belo chute no ângulo, sem chances para o goleiro Bravo. O gol acomodou o Real Madrid, que começou a sofrer com lances de bola parada.

Em um deles, aos 16min, Griezmann cobrou falta pela direita e mandou a bola com veneno para o meio da área; Ricardo Carvalho desviou de cabeça e Tamudo, sozinho na pequena área, apenas teve o trabalho de mandar para as redes. Tudo igual. Em outra cobrança de falta, o francês Griezmann mais uma vez assustou Casillas, mas esta passou à direita do goleiro merengue. Aos 28min, foi a vez do astro Cristiano Ronaldo responder na mesma moeda. Em tiro livre a favor do Real Madrid, o português bateu forte, a bola desviou no meio da barreira e acabou encobrindo o goleiro Bravo. O Real Madrid estava novamente à frente no placar. Com o pé calibrado, Griezmann quase surpreendeu após cruzamento muito perigoso, mas Casillas, atento, conseguiu se esticar e espalmar a bola para fora. No final, ao invés de pressionar, o Real Sociedad permitiu ataques perigosos dos visitantes e quase viu o placar ser ampliado. Aos 42min, Cristiano Ronaldo aproveitou o rebote e por pouco não marcou seu segundo gol na partida, não fosse a presença de Martínez, que salvou a bola em cima da linha. Nos acréscimos, foi a vez de Marcelo fazer bela jogada individual pela esquerda e bater cruzado; a bola caprichosamente passou em cima da linha e não entrou.

Um pouco mais cedo, às 13h, uma partida sonolenta e sem demasiado futebol, acabou com vitória do Espanyol sobre o Almería por um a zero. Sem poder contar com Osvaldo, que irá ficar três semanas afastado por lesão no joelho, o Espanyol sentiu muito a falta de uma referência no ataque, mesmo tendo Sergio García como titular. O ex-jogador do Bétis mostrou-se sem sintonia com o resto do time e passou despercebido na partida. Já a equipe da Andaluzia, mostrou-se pecando demais nas jogadas. Cuida do jogo, trabalha bem a bola, mas não tem capacidade para finalizar de maneira correta a jogada. Entra o futebol "pausado" do Almería e a falta de jogo entre as linhas do Espanyol, o primeiro tempo pode ser resumida a uma sucessão de faltas e erros. Entretanto, logo na volta à segunda etapa, o Espanyol foi fatal: Após David Márquez mandar bola para a área, Jakobsen afastou nos pés de Callejón, que emendou um chutaço, sem chances de defesa para Diego Alves. Foi o primeiro gol de Callejón desde 14 de fevereiro.

No Ono Estadi, enfim Michael Laudrup e o Mallorca conheceram os três pontos na competição. Após um empate suado com o Real Madrid na primeira rodada e uma derrota pro Sporting Gijón na segunda rodada, os malloquíns parecem ter inspirado-se em Rafael Nadal para derrotar o Osasuna. O tenista, atual campeão do US Open e que é torcedor do Mallorca, foi homenageado pela torcida antes da bola rolar. O Osasuna segue afundando: após três rodadas, o time basco segue sem marcar gols e, o pior: está oferecendo uma imagem de um time fraco, inferior àquela da temporada passada. Para o jogo, Laudrup teve que recompor a sua defesa, trás as baixas de Aouate, autorizado pelo clube para celebrar o feriado judáico Yom Kipur - dia do perdão, feriado mais importante para os judeus -; Nunes, suspenso; e os laterais Ayozé e Corrales, lesionado. Com isso, após 16 meses, Lux voltou ao gol dos rojos e o jovem Kevin García, debutando na Liga BBVA foram para campo. O primeiro gol da partida saiu cedo. Após bobeira de Miguel Flaño, que dominou a bola com as mãos dentro da área, Gonzalo Castro converteu o pênalti para pôr início no marcador. Quando o Osasuna buscava o empate, eis que apareceu De Guzman, contratação mais cara do clube de Palma de Mallorca para a temporada, para pôr números finais no marcador. O holandês desceu em velocidade pela direita, invadiu a área e bateu no contra-pé de Diego Alves.

No El Molinón, o Sporting Gijón fez 25 minutos primorosos, abriu dois a zero contra o Ahtletic Bilbao, mas desligou-se e deixou os Leones empatarem a partida. Aliás, o Athletic Bilbao não só empatou, como teve mais ocasiões para levar os três pontos, mas o goleiro rojiblanco Juan Pablo foi providencial, quando, no último minuto, fez uma defesaça em chute de Susaeta. Logo após sair atrás no marcador, o Athletic acusou-se na partida e viu-se constantemente superador pelo Gijón. Sem medo, os rojiblancos estiveram muito ativo no ataque, com constantes chegadas no ataque por conexão dos flancos e o centro.