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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A ilusão veste branco e azul

Reforços dos últimos dias de mercado deixam o Espanyol mais forte para brigar por Champions League (Diário Sport)

Na 5ª colocação do campeonato com 31 pontos, o Espanyol sonha. A equipe da Catalunha tem a mesma pontuação do Levante, que passa uma imagem a cada rodada que não irá suportar o ritmo do segundo turno. Enquanto os azulgrenás pontuaram duas vezes em janeiro, os péricos fizeram oito pontos, o que fez valer a ilusão de voltar a disputar a principal competição europeia 47 anos depois. À época, na extinta Copa dos Campeões, a segunda principal equipe de Barcelona caiu justamente para a principal. Nas quartas-de-finais da competição, o Espanyol foi eliminado pelo Barcelona, após perder por 1 x 0 tanto no Camp Nou quanto no ex-Montjuic.

O momento atual do Espanyol é semelhante ao vivido na temporada passada. Na ocasião, entretanto, a ambição blanquiazul caiu por água abaixo justamente no mercado de verão. Por motivos econômicos, a diretoria foi seduzida pelas propostas do futebol italiano e, sem escolhas, acabou tendo que vender duas peças importantes no esquema de Pochettino. Víctor Ruíz e Didac Vilà rumaram a Napoli e Milan, respectivamente, resultando nas entradas de Amat e Baena, que comprometeram em jogos importantes da equipe. Assim, o segundo turno dos periquitos foi abaixo da média, deixando o time fora da Europa mais uma vez.

Um ano depois, a diretoria agiu de maneira positiva. Aprendeu a lição de casa e reforçou a equipe bem. São três reforços, em especial, que ilusionam a torcida. Após perder Álvaro Vázquez, Sérgio García e Pandiani por lesão, Maurício Pochettino ficou sem centroavante no elenco por duas partidas. Contra Granada e Mallorca, o Espanyol venceu por 3 x 0 e 1 x 0. O presente veio no dia 30, penúltimo dia de mercado. A cúpula blanquiazul viajou até Milão para fechar um empréstimo de seis meses com o brasileiro Phillipe Coutinho, reforço mais comemorado pela torcida. O jovem tem talento e surgiu no Vasco como um meteoro. Ainda não explodiu, mas é jovem. O "nuevo Zico", como apelidou os aficionados em sua apresentação, chega para ser titular.

A diretoria também mostrou esperteza. Aproveitando o péssimo momento vivido pelo Neuchatel, clube da Suiça, trouxe outras duas peças importantes para setores carentes da equipe. Assim, fechou com Kalu Uche e Víctor Sánchez, canterano do Barcelona que fez uma boa Liga Espanhola com Xerez e Getafe nas últimas duas temporadas. Polivalente, pode atuar em qualquer setor da zaga, mas deve jogar na lateral esquerda, com Didac, que retornou no verão, sendo deslocado à zaga no lugar de Héctor Moreno.

Pochettino já tinha uma equipe guerreira em suas mãos, que chegou a parar o Barcelona no início do mês passado. Hoje, os péricos são fortes suficientes para disputar com Atlético de Madrid, Athletic Bilbao e Málaga, três dos concorrentes mais forte, a última vaga na próxima Liga dos Campeões (visto que Real Madrid, Barcelona e Valencia já estão praticamente garantidos). Sobretudo na parte ofensiva, há muita pólvora para queimar. Coutinho chega para ser (sem comparações) uma espécie de Iniesta para o Espanyol. "A bola no meio-campo vai rodar pelo seu pé. É um especialista em assistência", já avisou o treinador argentino. Kalu Uche, por sua vez, já demonstrou no Almería que é um goleador de confiança. Foram 34 gols em três temporadas. Vale lembrar que, quando os lesionados voltarem aos gramados, espera-se muita competência na briga por uma vaga.

O esquema utilizado por Pochettino é o 4-2-3-1 e mesmo com muitos jogadores de frente é difícil pensar no argentino abdicando do módulo tático que ele utiliza há quatro temporadas. Hipoteticamente, pode jogar no 4-4-2 ou no 4-3-3 quando Sérgio García e Álvaro Vázquez voltarem. Na parte defensiva, nada deve mudar. No primeiro esquema, o meio-campo ficaria com Romaric e Forlín protegendo a zaga, com o último saindo mais pro jogo, e Coutinho e Verdú mais à frente. Assim, Sérgio García, Uche e Álvaro disputariam duas posições. O esquema mais adequado, na opinião deste colunista, seria o segundo. Com três meio-campistas e três atacantes, Forlín sentaria no banco de reservas e, no ataque, García e Álvaro jogariam nos flancos com Uche enfiado entre os zagueiros rivais.

O diretor esportivo Ramón Planes destacou a paciência que o clube teve para se reforçar: "agimos como um caçador que espera pela sua presa. Com calma, fechamos com três excelentes reforços à custo-zero." O novo Espanyol, assim podemos dizer, cria uma expectativa que, há tempos, o torcedor, acostumado a ver o rival comemorar muitos títulos, não está acostumado. O primeiro teste de fogo já é no próximo final de semana. Vai ao País Basco visitar o Athletic Bilbao, num confronto direto pela Champions. Agora, falta cumprir às expectativas. A Europa, antes apenas um projeto, pode se converter em realidade ao final da temporada. Basta querer. Potencial a equipe tem.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Balanço Final: Almería

Nesta temporada, o Almería teve poucos motivos para comemorar. Rebaixado, a base da equipe deve ser mantida para a disputa da Liga Adelante (AS)

Campanha: 20ª colocação, 38 jogos, 6 vitórias, 12 empates e 20 derrotas. 36 gols pró e 70 gols contra.
Competição europeia: Não participou.
Copa del Rey: Eliminado nas semifinais pelo vice-campeão Barcelona.
Time-base: Diego Alves; Macedo, Marcelo Silva, Carlos García, Luna; Mbami, Bernardello; Piatti, Vargas, Crusat; Ulloa.
Os artilheiros: Pablo Piatti (8 gols), Leonardo Ulloa e Kalu Uche (7), Albert Crusat (3).
Os técnicos: Juan Manuel Lillo, até a 12ª rodada; José Luis Oltra, a partir da 14ª rodada.
O destaque: Pablo Piatti
A decepção: Sofiane Feghouli

Último colocado com louvor, o Almería deu aula de desorganização nessa temporada, sobretudo no segundo semestre. A boa base do campeonato 2009/2010 foi mantida, mas o elenco desgastado e inferior aos adversário do descenso não suportou a carga de jogos (Copa del Rey + Liga BBVA) e caiu com quatro rodadas de antecedência. Com todos os caminhos apontando para o meio da tabela novamente, o clube se sustentou bem no primeiro turno da competição e chegou a dar esperanças para seus torcedores. Porém, o segundo turno foi terrível: apenas três vitórias em dezenove jogos.

Com créditos após uma boa temporada, Lillo permaneceu no cargo até a goleada sofrida ante o Barcelona por 8 a 0. Até o jogo contra os blaugrana, os rojiblancos da Andaluzia faziam um campeonato saudável, onde - acreditem - sua defesa era a terceira menos vazada. Após sua saída, Oltra deixou de usar o 4-3-2-1 e experimentou o time no 4-2-3-1 e, às vezes, no 4-3-1-2, que deixa muitos espaços para os adversários contra-atacarem. Para isso, falaram mais alto o mau desempenho daqueles que deveriam serem os protagonistas. Crusat, Uche e Vargas caíram surpreendentemente de produção no segundo semestre, deixando para Piatti a função de herói - que acabou não concluindo.

Para a disputa da Liga Adelante, o presidente Alfonso García Gabarrón promete uma série de mudanças drásticas na equipe. A começar pela troca de treinador: José Luis Oltra foi demitido logo após o término da Liga BBVA e o ex-jogador argentino Luis Zubeldía foi contratado com a missão de levar a equipe de volta à elite espanhola. O plantel deverá ser formado apenas por jogadores do mercado nacional, muito por causa, também, da economia do clube. Diego Alves , que vai para o Valencia, e Piatti, destaques da equipe na temporada, já assinaram com outros clubes - no caso de Piatti, falta apenas a confirmação do Osasuna - e será difícil achar substitutos à altura no mercado. Outra medida do presidente é tentar, sempre que possível, contratar jogadores a custo zero. Ricardo León, do Tenerife, e Toché, do Cartagena, já foram contratados desta maneira. A boa notícia é que a base da equipe rebaixada (base boa para a disputa da segundona, diga-se de passagem) deve ficar, à exceção dos dois jogadores citados e o lateral-esquerdo Luna.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Análise do primeiro turno: Almería

Pênalti é com ele: Diego Alves já agarrou onze dos quatorze pênaltis marcados contra o Almería na competição. Vai uma aulinha? (AP Photos)

Campanha
17ª posição. 16 jogos, 13 pontos. 2 vitórias, 7 empates e 7 derrotas. 15 gols pró e 25 gols contra.

Técnico
Juan Manuel Lillo, até a décima segunda rodada; José Luis Oltra, a partir da décima quarta. Na Espanha, quando se fala em Lillo, a primeira coisa que vem à cabeça é o feito do técnico de Tolosa em tirar o até então desconhecido Salamanca da segunda B e, em duas temporadas consecutivas, levá-la à Liga BBVA. Lillo, também, é conhecido por ser o treinador mais jovem da história do futebol espanhol a debutar em uma competição (29 anos). O técnico, então, foi encarregado de, em 2009-10, tirar o Almería da zona de rebaixamento, e começou sua nova "aventura". Trás conseguir a permanência na Liga BBVA, teve seu contrato prorrogado até 20 de maio de 2011, uma temporada a mais. Porém, em novembro desse ano, o Almería tinha um time eficaz e uma defesa bem sólida, mas tudo foi por água abaixo quando acabou goleado pelo Barcelona por 8 a 0, o que acabou valendo a demissão de Lillo. Para seu lugar, foi chamado José Luís Oltra, que ainda não achou o módulo necessário para fazer o Almería voltar a jogar futebol de verdade, desde aquela fatídico 20 de novembro.

Destaque
Diego Alves. O goleiro vai mostrando o porquê de ser um dos jogadores mais cobiçados do futebol espanhol. Pela terceira temporada consecutiva, vai sendo o destaque de um time com pouca criatividade no meio-campo. Nesta temporada, foram marcados contra o Almería quatorze pênaltis, onde somente três deles entraram: os outro nove foram tudos pegos pelo o goleiro brasileiro, que vai mostrando sua principal virtude por mais uma temporada - em 2009-10, o goleiro acabou o campeonato como o maior pegador de pênaltis. Piatti também segue se destacando no ataque e é o artilheiro da equipe com cinco gols. A sua dupla, Uche, vive uma fase muito boa, com 0,36 gols por partida. Antes da partida contra o Barcelona, a defesa andaluza era bem sólida e só ficava atrás apenas das defesas de Real Madrid e Barcelona, como as menos vazadas da competição.

Decepção
Ulloa. Quando Lillo utilizou o 4-1-2-3, era por um único motivo: unir Piatti, Uche e Ulloa. Os dois primeira seguem à risca do treinador, mas o terceiro "parou no tempo". Ulloa ainda não achou o futebol da temporada passada, o que já fez Oltra ficar revezando entre o 4-2-2-2 e 4-3-1-2. A paciência do técnico reflete-se fora de campo: o jogador passou a conviver com problemas extracampos, que estão minando seu futebol. O diretor esportivo do clube, Alberto Benito, já avisou que poderá dar uma multa ao jogador caso os problemas voltem a acontecer e também já avisou que o time não irá se reforçar no mercado de inverno.

Perspectiva
Permanecer na Liga BBVA. Após a demissão de Lillo, o time teve uma queda brusca de rendimento, que o colocou na décima sétima posição e com os mesmos pontos do Málaga, que já vai crescendo no campeonato e é o primeiro da zona. A defesa precisa voltar a ser a mesma desde o jogo contra o Barcelona, quando era a terceira melhor do campeonato. O ataque não tem nada a se queixar, porém o meio-campo carece de criatividade. A esperança é que Piatti não saia na janela de transferências de janeira e continue fazendo boa dupla com Uche.

sábado, 24 de julho de 2010

Balanço Final: Almería

A segurança de Diego Alves no gol rojiblanco foi um dos pontos altos da temporada do Almería (udalmería.com)
ALMERÍA

Técnico: Hugo Sánchez e Juan Manuel Lillo
Competição europeia: não participou de nenhuma
Copa do Rei: caiu na primeira fase
Destaque: Diego (goleiro)
Artilheiro: Kalu Uche (10 gols)
Nota da temporada: 5,5

Mais um ano que o Almería sobrevive na elite sem tantas dificuldades, um feito considerável para quem investe pouco em jogadores de nome e nem conta com um estádio tão intimidador aos visitantes.

A arma dos andaluzes é um futebol relativamente ousado, com até três atacantes – Uche, Crusat e Piatti – para compensar a defesa pouco confiável. Já começa a ficar famoso na Espanha pela capacidade de sobreviver com pouco. Destaca-se também a (novamente) grande temporada de Diego Alves no gol do Almería.

Passando pelo Juegos Mediterráneos, apenas o Real Madrid e o Sevilla (em um jogo épico), do "G-4" espanhol, conseguiram levar os três pontos.