Mostrando postagens com marcador Liga BBVA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Liga BBVA. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Entrevista: Guilherme Siqueira

Guilherme Siqueira. Foto: Marca

Pela segunda temporada consecutiva, o Granada escapou do rebaixamento nas rodadas finais. Em 2011-2012, uma série de fatores salvaram a equipe da Andaluzia do inferno da Liga Adelante, mesmo com a derrota na última rodada para o Rayo Vallecano. No entanto, em 2012-2013, o time se salvou por conta própria. Ao vencer o Osasuna por 3x0 no Nuevos Los Carménes, o Granada sentenciou sua manuntenção na elite espanhol. E um personagem merece destaque nessa "conquista" do time treinado por Lucas Alcaraz: o lateral esquerdo brasileiro Guilherme Siqueira, autor do terceiro gol da partida contra o Osasuna, após um pênalti batido de cavadinha.

Natural de Florianópolis, Siqueira começa a ganhar respeito no futebol europeu no geral. Eleito uma das revelações do campeonato pelo site da Uefa em 2012, a cada abertura de janela de transferência ele é sempre cogitado para reforçar equipes de tradição como Valencia e Benfica, além de já ter sido sondado pelo Manchester United, mas os dirigentes do clube Filipino renovaram o contrato dele para segurá-lo no elenco do time principal. Guilherme praticamente não jogou no futebol brasileiro. 

Em 2005, quando tinha 18 anos, foi negociado com a Inter de Milão. No futebol italiano, também teve passagens por Lazio e Udinese, antes de chegar ao futebol do país das touradas. O periódico espanhol Ideal, em fevereiro deste ano, publicou uma matéria que a comissão técnica da seleção espanhola estudou a possibilidade de convocá-lo à Fúria, embora Vicente Del Bosque nunca tenha confirmado tal especulação.

O blog entrevistou o jogador, gerenciado pela Assessoria de Imprensa, que intermediou a entrevista. Abaixo, confira a entrevista com Guilherme Siqueira.

Nos últimos anos, os brasileiros Thiago Alcântara e Marcos Assunção se naturalizaram espanhol. Visto que a lateral esquerda é, talvez, uma das lacunas da seleção espanhola, caso aparecesse uma proposta para se naturalizar espanhol, você toparia? 
Guilherme Siqueira: Toparia sim. Estou esperando sair a nacionalidade para ter essa opção. Hoje tenho a nacionalidade italiana. 

Dos quatro laterais convocados por Felipão para a disputa da Copa das Confederações, três atuam no futebol espanhol (Daniel Alves do Barcelona, Marcelo do Real Madrid e Felipe Luís do Atlético de Madrid). Você ainda acredita em vaga na seleção brasileira?
Guilherme Siqueira: Sei que aqui no Brasil poucas pessoas me conhecem. Prefiro ir passo a passo na Europa. Sei que se meu trabalho for bem feito lá fora a recompensa vai chegar. 

Você iniciou sua carreira nas divisões de base do Figueirense e dois anos depois se transferiu ao rival Avaí. Qual foi o motivo dessa mudança? 
Guilherme Siqueira: Eu fui vendido com 16 anos, mas até os meus 18 anos eu não poderia sair do Brasi. Então para estar em atividade e perto da minha família acabou surgindo a possibilidade de assinar com o Avaí. 

Guilherme, até você se estabilizar no Granada, você passou por quatro times no futebol italiano. Qual o grande problema que você encarou para não se adaptar da forma que se adaptou no futebol espanhol na Itália? Pesou a questão do idioma, por exemplo? 
Guilherme Siqueira: O idioma não foi o meu problema. Com três meses de Itália eu já falava o idioma fluentemente. Eu acho que o estilo de jogo e as lesões foram os principais aspectos. 

Guilherme Siqueira ao lado de Marcelo (Divulgação/AV Assessoria de Imprensa)

Na Espanha, por sua vez, você não tardou a cair na graça das torcidas. O que te proporcionou essa adaptação tão fácil ao futebol europeu? 
Guilherme Siqueira: Desde que eu cheguei na Espanha a minha vida mudou completamente. Hoje tenho a felicidade de jogar na primeira divisão do melhor futebol do mundo. Sou feliz e reconhecido. Todo esse meu sucesso atual eu devo ao Granada. Se hoje tenho uma estabilidade é graças a esse clube. 

Ano após ano, seu nome é ligado a uma especulação no Manchester United. Quanto ao futuro: até quando vai seu contrato com o Granada? Você pretende renová-lo? 
Guilherme Siqueira: Eu renovei ano passado com o Granada por cinco temporadas. Tenho ainda mais 4 anos de contrato. Se vou cumprir não sei porque não depende só de mim. Mas acho que se chegar alguma proposta que seja boa para o clube e para mim, eu acredito que seria o momento ideal de aspirar novos objetivos. 

Por mais um ano consecutivo, o Granada conseguiu se salvar e permanecer na primeira divisão. Para você, o Granada pode chegar a brigar por alguma vaga na Liga Europa na próxima temporada? 
Guilherme Siqueira: O Granada a cada ano que passa vem se estabilizando mais na primeira divisão. Acho que falar de Liga Europa ainda é muito cedo. No entanto, com o projeto que os donos desse clube vem fazendo não seria nenhuma loucura eu falar que dentro de dois ou três anos o Granada poderia brigar por essas posições. 

Você costuma enfrentar frequentemente Real Madrid e Barcelona, que conta com dois melhores jogadores do mundo, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Por jogar mais do lado direito do campo, dificilmente você marca individualmente o português. Por outro lado, o combate com o camisa dez do Barcelona é maior. Qual a maior dificuldade em encarar o Messi?
Guilherme Siqueira: O Messi é o jogador mais imprevisível do mundo. Ele pode sair pela sua direita ou esquerda. Então você nunca sabe o que ele pode fazer em determinadas partes do jogo. Além da sua baixa estatura é muito difícil de derrubá-lo. O melhor a ser feito é uma marcação coletiva em cima dele e não deixar ele cômodo dentro de campo. 

E quem é melhor: Messi ou Cristiano Ronaldo? 
Guilherme Siqueira: São os dois melhores do mundo, mas tem características diferentes. Nessa vou ficar em cima do muro (risos).

quinta-feira, 13 de junho de 2013

As revelações da Liga BBVA 2012-2013

Uma das revelações da temporadas, Varane foi excepcional na marcação contra Messi (AP Photos)

A temporada 2012-2013 da Liga BBVA não foi tão farta em revelações, diferentemente da temporada passada, quando tivemos poucos jovens se destacando. Entre os jovens jogadores que tiveram algum destaque neste ano, a grande maioria deles já vinha sendo observada com atenção por grandes clubes e confirmaram expectativas ou já havia tido destaque em anos anteriores em alguma competição de base.

Nomes como Varane e Bartra, por exemplo, foram titulares de Real Madrid e Barcelona nas semifinais da Uefa Champions League. Leo Baptistao, Campbell e Ruben García apareceram com protagonismo em determinados momentos das temporadas de Rayo Vallecano, Bétis e Levante, respectivamente. Enquanto isso, Oliver Torres, do Atlético de Madrid, deu seus primeiros passos. O mais promissor canterano rojiblanco tem toda a confiança de Simeone para brilhar nos próximos anos.

O Barcelona, conhecido por sua excepcional cantera, revelou aquém do esperado. Pelo o time B estar na disputa da Liga Adelante, o clube blaugrana concentrou suas promessas na segunda divisão espanhola. Não foi dessa vez que Deulofeu, tratado há anos como novo Messi, ganhou múltiplas chances. Por outro lado, o Athletic Bilbao ratificou a força de sua cantera, com o aparecimento de Laporte e Jonas Ramalho.

Confira, abaixo, a lista das revelações da Liga BBVA 2012-2013, em ordem alfabética. Boa leitura.

Aymeric Laporte
Idade: 19 anos
Posição: Zagueiro
Clube: Athletic Bilbao
Na temporada conturbada do Athletic Bilbao, Laporte não deixou a desejar. Ele, que já havia estreado pelo clube basco ainda na época de Joaquín Caparrós, enfim ganhou mais oportunidade e mostrou suas qualidades. Bom no jogo aéreo, o zagueiro francês renovou seu contrato com o Athletic até 30 de junho de 2016 com uma cláusula firmada em 27,5 milhões de euros.

Álvaro Morata aproveitou positivamente as chances dadas por Mourinho e ganhou pontos com o treinador português (Marca)

Álvaro Morata
Idade: 20 anos
Posição: Centroavante
Clube: Real Madrid
Centroavante genuíno, Morata surge como uma esperança para o ataque merengue no futuro. Em 2012-2013, ele aproveitou positivamente o período em que Cristiano Ronaldo e Benzema se lesionaram. O jovem começou a ganhar pontos com José Mourinho após decidir uma partida difícil contra o Levante em Valencia, anotando o gol da vitória por 2x1. Titular num superclássico contra o Barcelona, Morata não sentiu o peso da partida, cruzando para Benzema anotar um dos gols da vitória merengue ante o maior rival. De acordo com o Marca, Florentino Pérez está esperando definir o novo treinador do Real Madrid para propôr um novo contrato ao centroavante de 20 anos.

Joel Campbell
Idade: 20 anos
Posição: Atacante
Clube: Bétis
O costa-riquenho que deixou más impressões no Arsenal de um up em sua curta carreira na Andaluzia. Emprestado pelo clube londrino ao Bétis, Campbell substituiu à altura Jorge Molina e Rubén Castro em determinada partidas. Forte fisicamente, ele se destaca pelo bom chute. Após a boa temporada, o treinador do Arsenal, Arséne Wenger, resolveu dar uma nova chance ao atacante, que irá retornar ao Emirates Stadium. No Benito Villamarín, Campbell certamente não desapontou os torcedores verdiblancos.

José Campaña
Idade: 20 anos
Posição: Meio-campista
O cerebral meio-campista andaluz é tratado há anos como o canterano mais promissor da cantera do Sevilla. Um dos principais responsáveis pelo título da Espanha na Eurocopa Sub-19 em 2011, Campaña deu um passo importante para se firmar no clube nervionense. Dono de um passe apurado e uma ótima visão de jogo, ganhou moral com Unai Emery, que o efetivou ao elenco principal e pretende utilizá-lo com mais frequência a partir da próxima temporada. Campaña é mais um nome da escola espanhola que tem formado excelente meio-campistas nos últimos anos.

Jonas Ramalho
Idade: 20 anos
Posição: Lateral direito
Clube: Athletic Bilbao
Filho de pai angolês e mãe basca, Ramalho tornou-se, no final de 2011, o primeiro jogador negro a estrear com o uniforme do Athletic Bilbao. Sua temporada de afirmação, no entanto, foi 2012-2013, o que lhe rendeu uma convocação à seleção sub-19 da Espanha. Lateral que apoia o campo ofensivo a todo momento, ele foi elogiado por Bielsa, responsável pela sua estreia no time A. Com o argentino, que não irá mais treinar o Athletic, Ramalho chegou a aparecer na linha de três do meio-campo em alguns jogos.

Leo Baptistao: apelidado de Cristiano Ronaldo de Vallecas, ele chamou a atenção do Atlético de Madrid, que desembolsou 7 milhões de euros para contratá-lo (getty images)

Idade: 19 anos
Posição: Meia-atacante
Clube: Atlético de Madrid
Novo contratado do Atlético de Madrid para a temporada 2012-2013, Leo Baptistao se destacou, no entanto, no Rayo Vallecano. Após passar por um pesadelo e ter sua carreira em xeque, graças a uma lesão na clavícula, o brasileiro natural de Santos viveu sua redenção. Apelidado de Cristiano Ronaldo de Vallecas pela torcida franjiroya, Leo deu uma pequena mostra do que poderia fazer logo na primeira rodada, quando entrou no decorrer do jogo e marcou o gol da vitória contra o Bétis. Nas primeiras sete rodadas, Baptistao chegou ao incrível número de sete gols e quatro assistências, algo que nem Messi havia conseguido aos 19 anos anos.

Marc Bartra
Idade: 22 anos
Posição: Zagueiro
Clube: Barcelona
Tratado há anos como a joia de ouro das canteras blaugranas, Bartra finalmente teve as chances que esperava em 2012-2013. Principalmente por ter visto um sistema defensivo desfalecido na reta final da temporada, Tito Vilanova teve que se render ao central nascido em Tarragona. Ele colheu bons frutos com a bom posicionamento e categoria na saída de bola. Um ano antes, foi eleito o melhor zagueiro da Liga Adelante pelo Barça B. Mas na Uefa Champions League não foi páreo para o super ataque do Bayern de Munich. Durante a temporada, ele ganhou a ficha exclusiva de um jogador do time A, renovando seu contrato até 2015.

El Índio: tratado como a maior promessa do Atlético de Madrid desde Fernando Torres, Oliver Torres tem animado a torcida colchonera (Mirror)

Oliver Torres
Idade: 18 anos
Posição: Meio-campista
Clube: Atlético de Madrid
Um dos jogadores sub-19 mais promissores do futebol espanhol, Oliver Torres é bastante querido da torcida colchonera. Por suas ótimas exibições nas categorias inferiores, ele começou a ser tratado como uma futura estrela. E não é para menos: há tempos que o Atlético não revela um nome tão promissor como Torres. Habilidoso, a tendência é que ele apareça com mais saliência na próxima temporada, quando o time treinador por Simeone terá que dividir suas atenções entre Liga, Copa e Uefa Champions League.

Raphael Varane
Idade: 19 anos
Posição: Zagueiro
Clube: Real Madrid
Anular o melhor jogador do mundo uma vez pode ser considerado sorte. Mas e quando isso acontece mais de uma vez? O responsável por esse feito é Varane, que simplesmente não deixou a vida de Messi em paz nos duelos da Copa do Rei. Indicado por Zidane, o francês chamou a atenção dos fãs de futebol após os confrontos contra o Barcelona. Sua capacidade para recuperar bolas é louvável, além do excelente vigor físico. Rápido e excelente na disputa pelo alto, Varane tem a faca e o queijo nas mãos para fazer história em Chamartín.

Ruben García
Idade: 19 anos
Posição: Meio-atacante
Clube: Levante
É outro jogador que tem se destacado nas divisões de base da seleção espanhola. Proporcionalmente, Rubén García é a mais grata surpresa da temporada. Atuou em 28 jogos, anotou cinco gols e deu quatro assistências. Rápido, técnico bom passador e com muito fôlego, Rúben esteve a um passo de acertar com o principal rival do Levante, o Valencia, mas desistiu e resolveu ficar no clube azulgrená. Com Caparrós, que adora trabalhar com jovens, é provável que seu belo futebol evolua mais.

Samuele Longo
Idade: 21 anos
Posição: Atacante
Clube: Espanyol
Presença constante nas seleções de base da Itália, Longo foi emprestado ao Espanyol pela Inter para ganhar mais experiência. Ele fez três gols em 16 jogos (dez como titular), mas passou boa impressão aos péricos. Atacante completo, Longo joga em todas as posições do ataque e tem ótimo chute com os dois pés. Um jogador em formação, que deve explodir nos próximos anos.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

O que esperar da Real Sociedad na Uefa Champions League?

Na despedida de Montannier, a Real Sociedad rebaixou o Deportivo e conseguiu uma vaga na fase prévia da Uefa Champions League (Marca)

Após muito drama, a Real Sociedad vai jogar a fase preliminar da Uefa Champions League. Um prêmio à equipe que desempenhou um futebol agradável durante toda a temporada e não mudou sua forma de atuar nos momentos turbulentos. Depois de um segundo turno de ouro, os bascos cambalearam na reta final ao empatar com o Granada e um desinteressado Real Madrid no Anoeta e perder para o inócuo Getafe em Madrid, mas contaram com a ajuda do Sevilla (e de Negredo, autor de quatro gols na vitória sevillista ante o Valencia por 4-3) e venceram o Deportivo na Galícia, sepultando os galegos e confirmando a ida à fase preliminar da maior competição de clube da Europa.

A vaga consolida a melhor temporada da Real Sociedad desde 2002-2003, quando o time comandado pelo francês Raynald Denoueix e com Nihat e Kovacevic formando a dupla de ataque terminou a Liga com o vice-campeonato. Além disso, dá continuidade ao bom momento do futebol basco nos últimos anos. Em 2011-2012, a Europa ficou encantada com a temporada do Athletic Bilbao, finalista da Copa do Rei e da Liga Europa. O País Basco forma bons jogadores e agora começa a ver seus principais representantes nas competições europeias.

No entanto, a Real sabe que a tarefa de ir à fase de grupos é um tanto árdua. A realidade é que o time está mais para Sevilla 2010-2012 (aquele que caiu na fase prévia para o Braga) do que para o Málaga 2012-2013, que não só avançou à fase de grupos como só foi parado (e nos minutos finais) para o vice-campeão Borussia Dortmund. Muito porque o Málaga deu continuidade ao projeto mantendo Pellegrini no comando técnico, apesar das vendas Cazorla, Mathijsen e Rondón para sanar as dívidas. A diretoria basca já começou errado deixando Phillipe Montánier, responsável pelo excelente futebol desempenhado pela equipe, voltar ao futebol francês.

Ainda que este que vos escreve já tenha elogiado a atual geração da Real em outras colunas (aliás, fui um dos primeiros a apostar no sucesso desse time, só não esperava que fosse tão cedo), é difícil acreditar na Real fazendo boa campanha em âmbito europeu. Contra Arsenal, Milan, Schalke, Lyon ou Zenit, os possíveis adversários dos blanquiazules de San Sebastian, a Real larga em desvantagem. Pela fraca condição financeira, capturar bons valores no mercado doméstico deve ser algo a ser pensado. Para a próxima temporada, o clube pode estar próximo de fechar com Marc Muniesa, considerado durante muito tempo o "substituto natural de Puyol" no Barcelona. O basco Beñat cairia como uma luva na volância ao lado do ótimo Illaramendi, mas deve estar próximo de um retorno ao Athletic Bilbao.

O grande fruto do sucesso da Real na temporada foi deixar de depender exclusivamente de Xabi Prieto. Com Vela em temporada de ouro, Griezmann retornando à boa fase e Agirretxe comprovando por que é o atacante mais confiável do Anoeta desde Nihat e Kovacevic, o time de Montanier ganhou um leque de opções decisivas. Por mais que Xabi Prieto continue sendo o jogador mais respeitado do elenco, foi de Vela a melhor temporada individual de um jogador da Real Sociedad. Quando Vela ou Griezmann estiveram indisponíveis, Zurutuza e Chory Castro foram boas reposições. Zurutuza, aliás, é subestimado. Na zaga, Iñigo Martínez provou a cada jogo estar deixando para trás o rótulo de promessa. A principal revelação da Liga 2011-2012 é, hoje, realidade. Ele, que sofreu uma grave lesão no menísco em abril de 2012, retornou com saliência.

Na coletiva de despedida, Montannier aproveitou para dizer que uma parte de seu coração estará com a Real na UCL. A diretoria irá pensar no substituto após a Copa das Confederações. E o futuro treinador já sabe que igualar a grande temporada de Montannier será difícil. Ainda que caia na fase prévia da Champions, no entanto, o próximo treinador da Real com certeza terá em mãos um brilhante elenco e jogadores capacitados para ao menos terminar o próximo campeonato espanhol na zona de Liga Europa deixado por Phillipe Montanier, o Josep Guardiola francês.

sábado, 11 de maio de 2013

O título da regularidade

O abraço entre Messi e Iniesta, os protagonistas do título de Liga Espanhola do Barcelona 2012-13 (getty images)

Soa como clichê dizer que o campeão de um torneio de pontos corridos se destaca pela regularidade apresentada durante a competição. Mas essa é a palavra que mais se encaixa ao Barcelona de Tito Vilanova, campeão espanhol em sua primeira temporada como treinador profissional e líder do início ao fim. Em temporada inconstante e com alguns problemas extracampos, a equipe não deu sopa ao azar e capitalizou positivamente os tropeços de Atlético de Madrid e Real Madrid, seus principais rivais durante boa parte da Liga. 

Com um primeiro turno de alto nível, com 18 vitórias e um empate em 19 jogos, os blaugranas puderam atuar com mais tranquilidade na segunda parte, onde a queima de gordura foi permitida. Mais concentrado na parte decisiva da Uefa Champions League, o Barça caiu naturalmente de rendimento, mas nada que assustasse bastante: apenas duas derrotas (Real Sociedad e Real Madrid) em 15 jogos, até o momento. Ainda que não tenha derrotado o Real Madrid nos dois superclássicos, não há do que reclamar da campanha catalã.

Taticamente, Tito Vilanova deixou a desejar. O treinador manteve o 4-3-3 natural da filosofia azulgrená, mas não o utilizou em essência. Sem marcação pressão, poucas infiltrações dos ponteiros e uma recomposição mais lenta em relação ao time de Guardiola, a defesa ficou vulnerável aos contra-ataques. Outro problema foi as jogadas aéreas, sempre um Deus nos acuda ao sistema defensivo. A bem da verdade, o aparecimento repêntino de um câncer na glândula paródita acabou por colocar em xeque seu trabalho. É injusto julgar negativamente Tito Vilanova e esquecer do bom futebol que o Barcelona parecia estar recuperando até sua ida a Nova Iórque para o tratamente de quimioterapia. A vitória contra o Málaga por 1x3 na Andaluzia, com 74% da posse de bola e um tiki-taka ao fino, é a prova disso. Com Jordi Roura, os blaugranas viveram seu pior momento em 2012-2013.

Dos personagens, dois se destacaram: Andrés Iniesta e Lionel Messi. Apesar dos números assustadores do argentino, o espanhol talvez tenha se destacado tanto quanto. Em fevereiro, num momento crucial da temporada, Messi padeceu, enquanto o meio-campista (que atuou durante 60% da temporada aberto à esquerda do ataque) manteve-se bem. Até esse período, a temporada de Iniesta era de outro mundo. Para muitos críticos, foi o melhor ano do jogador de Albacete, que vem mantendo a boa fase desde a Eurocopa, quando foi campeão e melhor jogador. 

Mas o camisa 10 não pode se esquecido. Pichichi da Liga pela segunda vez consecutiva e terceira em sua carreira, Messi alcançou, mais uma vez, registros sobrenaturais. Ele se tornou o primeiro jogador a marcar gols em 19 rodadas consecutivas, o que dá, em outras palavras, um turno inteiro indo às redes. Além disso, marcou pelo menos um gol em todas as equipes da competição (à exceção do Barcelona, óbvio), feito que só Cristiano Ronaldo, na temporada passada, havia conseguido. Com 46 gols em 34 rodadas, La Pulga está a quatro de igualar seu recorde de 50 anotados em 2011-2012.

Com o título, o Barcelona se torna o clube espanhol com o maior número de títulos oficiais (79), dois à frente do Real Madrid, que disputa a final da Copa do Rei na próxima sexta-feira. Esse é o título de número 24 da carreira de Xavi, o jogador espanhol com mais títulos em toda a história. Em campo, no entanto, foi uma temporada atípica do maestro catalão, que já não foi tão dominante no meio-campo quanto nos últimos anos. Ainda que em janeiro e fevereiro tenha tido uma excelente sequência, o camisa seis barcelonista fez sua pior temporada desde 2008.

Agora, a diretoria começa a se planificar visando a próxima temporada. Principalmente pela eliminação acachapante na Uefa Champions League para o Bayern de Munique, com direito a 4x0 na Alemanha e 0x3 na Catalunha, o elenco precisa de uma renovação, sobretudo na retaguarda. Com Piqué inconstante e Puyol dando sinais claros de decadência, é necessário contratar, ao menos, dois zagueiros. Dentre os especulados, o nome de Hummels, do Borussia Dortmund, aparece com mais força, embora o preferido de Tito Vilanova e Andoni Zubizarreta seja o brasileiro Thiago Silva, sonho antigo dos espanhóis. 

No gol, o clube vive um dilema: Víctor Valdés revelou não querer renovar seu contrato, que se encerra em julho de 2014, e o desejo do corpo técnico é contratar um novo arqueiro já na próxima temporada. Ter Stegen, Guaita, Handanovic e De Gea são os que têm o nome ligado a uma possível transferência ao Camp Nou. Nas laterais, Daniel Alves mostrou-se irregular, enquanto Alba se adaptou perfeitamente ao time titular. Do meio para frente, o nome mais desejado é o de Neymar. O santista, que parece estar com um pé e meio em Barcelona, voltou a ser atacado pelo Real Madrid, de acordo com a imprensa espanhola, embora seu desejo seja o de atuar com Messi e cia. Além de Neymar, Tito prefere contar com mais um atacante de lado do campo.

Abaixo, os principais jogos, em ordem de acontecimento, que marcaram o título barcelonista. Para ver os gols, clique em cima do resultado.

Barcelona 5x1 Real Sociedad, 1ª rodada. Gols de Messi (2), Puyol, Pedro e Villa.
Nada melhor começar o campeonato goleando. No retorno (e com gol) de Villa, a Real assustou nos primeiros minutos, mas Messi deu seu cartão de visita à temporada com um doblete.

Osasuna 1x2 Barcelona, 2ª rodada. Gols de Messi (2).
Em um jogo extremamente difícil em Navarra, onde o Barcelona sempre encontra dificuldades, o time de Tito Vilanova não se encontrava em campo. Mas eis que Messi, como de praxe, decidiu marcando os gols da virada aos 31 e 35 minutos do segundo tempo. Na mesma rodada, o Real Madrid perdeu para o Getafe por 1x0 e os azulgrenás abriram distância na tabela.

Sevilla 2x3 Barcelona, 6ª rodada. Gols de Fàbregas (2) e David Villa.
A uma semana do primeiro superclássico contra o Real Madrid, o Barcelona iria à Andaluzia encarar o Sevilla, que à época viveu sua melhor fase na temporada. Com uma marcação forte, perigoso nos jogos aéreos e um contra-ataque fatal, os nervionenses abriram 2x0 e, indiretamente, ressuscitavam os merengues. Mas aí o Barcelona acordou, impulsionado por Fàbregas, autor de um doblete providencial. No último suspiro do jogo, Villa mostrou estar recuperado ao tabelar com Messi e anotar o gol da remontada.

Barcelona 2x2 Real Madrid, 7ª rodada. Gols de Messi (2).
No Camp Nou, tanto Barcelona quanto Real Madrid chegavam ao superclássico rodeado de dúvidas. E Cristiano Ronaldo e Messi, que anotaram dois gols cada, trataram de mascarar os problemas das duas equipes, num jogo não tão espetacular tecnicamente.

Barcelona 4x1 Atlético de Madrid, 16ª rodada. Gols de Adriano, Busquets e Messi (2)
À época, o confronto do líder contra o vice-líder. O Atlético de Madrid de Simeone chegava ao Camp Nou  com uma grande campanha e a segunda colocação. Dentro de campo, nos primeiros 45 minutos, os rojiblancos se comportaram muito bem e chegaram a abrir o placar com Falcao García. O golaço de Adriano trouxe o Barcelona de volta ao jogo e, depois, o Atléti inexistiu.

Málaga 1x3 Barcelona, 19ª rodada. Gols de Messi, Fàbregas e Thiago Alcântara.
O Málaga vivia um ótimo momento, era o quarto colocado e havia derrotado o Real Madrid um mês antes. Era um compromisso bastante difícil ao Barcelona. No entanto, o que se viu em campo foi um time à Guardiola, com muita pegada na marcação, infiltrações pelos lados do campo e belas trocas de passes.

Barcelona 2x1 Sevilla, 16ª rodada. Gols de Messi e Villa
Era o jogo depois da derrota em Milão para o Milan e antes do confronto decisivo pela Copa do Rei contra o Real Madrid. A virada marcou uma espécie de mudança na equipe titular: Villa aproveitou a chance dada por Roura, marcou o gol do empate e ganhou a vaga de Fàbregas no onze inicial, com Iniesta sendo recuado à sua posição original, no meio-campo.

Barcelona 4x2 Bétis, 34ª rodada. Gols de Alexis Sánchez, Villa e Messi (2)
Os blaugranas acabavam de sair da eliminação humilhante na Champions para o Bayern e pareciam estar sentindo a queda em âmbito europeu. Messi, que começou no banco, teve que entrar para decidir: no primeiro toque na bola, sofreu uma falta. No segundo, cobrou com perfeição. Com uma nova postura, o Barcelona virou e aliviou a relação com a torcida, que acabou o primeiro tempo vaiando a equipe.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Futebol ofensivo

Antes de mais nada, gostaria de pedir de desculpa pela escassa atualização no blog nos últimos meses. De fato, o tempo está pegado para mim até em janeiro. Ainda que num período menor, no entanto, uma coisa eu prometo: não deixarei esse espaço acabar, atualizando-o semanalmente. Aproveitem e conheçam um projeto no qual faço parte há mais ou menos cinco meses, o Doentes Por Futebol, clicando aqui.

Vitória da Real Sociedad ante o Barcelona não surpreende (AP Photos)

2006/2007 foi a última temporada que uma equipe sem ser Barcelona e Real Madrid conseguiu disputar o título com a dupla até a rodada final. Naquela temporada, o Sevilla de Juande Ramos demonstrou poder de força ao ganhar Copa do Rei e Copa da Uefa e terminar em terceiro na Liga com 71 pontos, cinco a menos que os gigantes. Na temporada posterior, o Villarreal até ficou à frente do Barcelona (dez pontos), num campeonato decidido com quatro rodadas de antecedência - o Real Madrid, campeão, ficou oito pontos à frente do Submarino Amarelo. 

A monopolização da Liga Espanhola nos últimos anos criou uma espécie de preconceito por parte de quem não assiste. "Ah, mas só tem Barcelona e Real Madrid", diz um. Está mais que claro que a diferença deles para os demais é abissal, o que não quer dizer que o campeonato vive só de jogos de merengues ou blaugrana. E é esse motivo que me leva à criação desse texto. Sobretudo na atual temporada, quase 80% das equipes do futebol espanhol tem adotado uma proposta de jogo ofensiva, baseada no estilo direto de buscar o gol. É algo que vem em ascensão desde o início do Barcelona de Guardiola e, consequentemente, do período vencedor da seleção espanhola.

É claro que, atualmente, a Liga BBVA está muito longe da Premier League e da Bundesliga como campeonatos, em geral. A média de público do campeonato espanhol é muito inferior aos campeonatos da Inglaterra e da Alemanha, muito por causa dos altos ingressos cobrados pelos clubes. Nem o líder Barcelona tem atraído muitos fãs em alguns locais em relação às temporadas anteriores. Em setembro, na visita ao Getafe, pouco mais de dez mil pessoas acompanharam a vitória azulgrená por 4x1 com dois gols de Messi. No aspecto técnico, no entanto, a diferença não é tão notável. Dentro de campo as equipes da primeira divisão têm proporcionado jogos agradáveis.

Um exemplo recente foi o duelo entre Real Sociedad e Deportivo há uma semana. Lanterna do campeonato, o Deportivo foi a San Sebastián disposto a vencer, enquanto os mandantes crescem atuando no Anoeta, onde tiraram a invencibilidade do Barcelona neste sábado. O 1x1 foi pouco porque os dois times pecaram na finalização, mas o duelo divertiu o público e quem assistiu. Foram mais de 30 chutes a gols, 56% da posse de bola para os bascos e aplausos ao término da partida. A mentalidade ofensiva da Real, adquiridade desde a chegada do hoje contestado Phillipe Montánier, apelidado na França de Guardiola francês, vem colhendo frutos à equipe, que hoje briga por uma vaga na Liga Europa, e tira o melhor de seus principais jogadores, como Vela, Griezzmann e o subestimado Xabi Prieto.

Athletic Bilbao no Old Trafford em 2011-2012: aula de futebol ao Manchester United (BBC)

Na temporada passada, o Athletic Bilbao de Bielsa chamou a atenção da Europa pela proposta de jogo levada a campo. Alcançou as finais da Copa do Rei e da Liga Europa, mas perdeu para o Atlético de Madrid e Barcelona. Ainda assim, fica na cabeça dos torcedores a lembranças das classificações ante Manchester United e Schalke 04. Em sua visita a Old Trafford, os Leones mostraram duas virtudes irrefutáveis. A primeira foi individual, de ótimos jogadores como Javi Martínez, De Marcos, Muniain, Susaeta e Llorente, que derrubaram o conceito preconceituoso de que o clube, limitado a atletas bascos, não pode competir em alto nível. A segunda e mais importante foi coletiva: os habituais ataques em bloco, pressão à defesa adversária e zelo com a posse de bola que fazem de Marcelo Bielsa um treinador brilhante. Atualmente, os bilbaínos fazem temporada muito abaixo da média, muito pelo fato dos problemas internos terem refletixo nas atuações em campo. O jogo não flui, as peças-individuais não brilham, mas mesmo assim a equipe não abdica do estilo de jogo que encantou o futebol europeu na temporada passada.

A grande ironia disso tudo, talvez, é que a Liga Espanhola mais agradável para se assistir nos últimos anos já parece ter um campeão definido. O Barcelona, que está oito pontos à frente do Atlético de Madrid e 15 do Real Madrid, não deve deixar o título escapar. O virtual campeão tenta agora alcançar e ultrapassar os registros do Real Madrid de José Mourinho, que é, nos números, o maior campeão espanhol da história. As atenções se voltam à disputa por vagas na Liga dos Campeões. Além do Barcelona, é difícil imaginar a dupla de Madrid de fora do torneio, o que faz restar uma última vaga. Atualmente, Bétis, Rayo, Valencia e, em menor proporção, Levante e Real Sociedad se mantém na disputa. Em comum entre eles, além do esquema tático (4-2-3-1), está o estilo de jogo ofensivo.

Os milionários elencos de Barcelona e Real Madrid e a criticada divisão de receitas das cotas de televisão tendem a ainda deixar, pelos próximos anos, a Liga BBVA bipolarizada - a não ser que campanhas como a do atual Atlético de Madrid apareça no meio do caminho. No entanto, as demais equipes apresentam espírito competitivo das demais equipes e um estilo de jogo atrativo. Assim, a Liga Espanhola, definitivamente, tem argumentos para ganhar novos fãs e diminuir o preconceito por quem não assiste.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Os melhores do primeiro semestre

 Lionel Messi: 25 gols, pichichi absoluto e, por ora, o melhor jogador do campeonato (getty images)

Com 2012 chegando ao fim e, com ele, o primeiro semestre da temporada europeia, já podemos montar com convicção a seleção do primeiro turno da Liga Espanhola, ainda que falte mais duas rodadas para o final. Com incríveis 49 pontos em 17 rodadas (16 vitórias, 1 empate e nenhuma derrota), o Barcelona fincou seu nome na história do campeonato ao ter os melhores registros da Liga, com os números acima. O campeonato retorna neste final de semana, e os líderes terão dérbi para fazer contra o Espanyol. Abaixo, o 11 do primeiro turno, escalado no 4-3-3 por ser a tática do líder e virtual campeão Barcelona.

Willy Caballero (Málaga)
A melhor defesa do campeonato é impulsionada pelo excelente arqueiro Caballero, que vem numa crescente desde a temporada passada, onde foi um dos principais responsáveis pela boa temporada do Málaga, que culminou com a vaga na Champions. Há duas semanas, teve atuação de ouro contra o Real Madrid, ratificando por que é, até o momento, o melhor goleiro da elite espanhola

Cicinho (Sevilla)
Na lateral direita, Cicinho surpreende. Questionado em sua chegada pela saída conturbada do Palmeiras, o brasileiro caiu nas graças da torcida ainda na pré-temporada. Taxado de "novo Daniel Alves", ganhou destaque após a partida contra o Real Madrid no início da temporada, onde anulou Cristiano Ronaldo e ainda fez graça com o português. Ele caiu consideravelmente de rendimento nos últimos jogos, mas não apaga as brilhantes partidas feitas nas primeiras dez rodadas.

Gerard Piqué (Barcelona)
Piqué veio de uma temporada apagada. Durante a reta final de 11/12, perdeu a titularidade para Mascherano, ficando no banco nos jogos decisivos da Liga e da Champions League. Porém, tem recuperado à medida que a atual temporada passada sua melhor versão. Piqué garante segurança e excelência na saída de bola a um sistema defensivo que ainda não é perfeito.

Miranda (Atlético de Madrid)
É outro brasileiro que vai bem na temporada. Assim como Cicinho, teve uma queda no rendimento, mas é homem de confiança de Simeone e um dos principais jogadores da excelente temporada rojiblanca. Chefão da zaga, é importante também no jogo aéreo e faz uma dupla coesa com o uruguaio Godin.

Jordi Alba (Barcelona)
Alba repete, por ora, as atuações de alto nível que o levaram de volta ao Barcelona. O melhor lateral esquerdo da Eurocopa é, sem dúvidas, um dos três principais jogadores dos blaugranas na atual temporada na opinião deste colunista. Disciplinado taticamente, tem em Iniesta seu principal "ajudante" na ponta esquerda, uma parceria que deu certo durante a disputa da Euro. É provável que Abidal retorne como zagueiro, porque é difícil imaginar Alba perdendo a titularidade com Tito Vilanova.

Sergio Busquets (Barcelona)
"O jogador silencioso", assim definiu Diego Torres, colunista do El País em uma de suas recentes colunas no periódico. Jogador que equilibra o meio-campo barcelonista, é imprescindível ao estilo de jogo azulgrená. Você pode questionar Guardiola por ele ter deixado Touré sair de maneira tão fácil, mas, mesmo sendo inferior ao marfinense, o catalão encaixa mais na tática blaugrana. Aos 23 anos, é um dos melhores volantes do mundo.

Cesc Fàbregas (Barcelona)
Em 2011/2012, Fàbregas retornou ao Barcelona. No primeiro semestre, foi importante e fez excelentes partidas. No entanto, a partir da reta final, caiu drasticamente de rendimento, criando dúvidas quanto ao seu poder de decisão. Na Eurocopa, atuando de falso nove, foi importante, mas restava mostrar isso com mais regularidade no Barça. Por enquanto, repete o que fez na primeira parte da temporada passada com mais sobressaliência, atuando no meio-campo, ora fazendo a função de Xavi (onde se sai melhor, diga-se de passagem), ora exercendo o papel de Iniesta.

Andrés Iniesta (Barcelona)
Iniesta faz juz ao título de melhor jogador da Europa conquistado em agosto do ano passado. Se durante a era Guardiola (e a parte final da era Rijkaard), atuava num baixo nível quando escalado aberto à esquerda do ataque, o espanhol parece adaptado à função que cumpre tanto na seleção espanhola quanto agora no Barcelona. Versátil e incisivo o bastante para atuar por ali, tem contribuido à exaustão para Messi alimentar mais recordes. Com Iniesta em forma, é muito mais difícil do que o normal derrotar o esquadrão da Catalunha.

Lionel Messi (Barcelona)
25 gols em 17 jogos, 91 em 2012, seis rodadas consecutivas anotando ao menos dois gols numa mesma partida. Não há palavras para descrever Lionel Messi, o melhor jogador do campeonato. La Pulga começou a temporada num ritmo menos elevado, ficando muito preso à função de centroavante, mas já recuperou a forma avassaladora. Daqui a uma semana, tem tudo para receber mais um prêmio de melhor do mundo.

Falcao García (Atlético de Madrid)
El Tigre, mas pode chamá-lo de El Demolidor. O colombiano faz uma temporada dos sonhos e não é exagero dizer que, atualmente, ele é o melhor centroavante do mundo. Vice-artilheiro com 17 gols, é o protagonista da melhor campanha do Atlético de Madrid em muito tempo.

Cristiano Ronaldo (Real Madrid)
O gajo pode atuar melhor do que vem atuando, mas no ambiente mais do que conturbado que vive o Real Madrid não há mais o que pedir dele. Mesmo "triste" com pessoas do clube, não falta entrega dentro de campo. Será um verdadeiro baque para o Real Madrid perdê-lo ao final da temporada, como vem especulando a imprensa espanhola - prováveis destinos: retorno a Manchester ou ida ao PSG.

Menções honrosas: Courtois (Atlético de Madrid), Adriano (Barcelona), Filipe Luís (Atlético de Madrid), Godin (Atlético de Madrid), Demichelis (Málaga), Isco Román (Málaga), Joaquín (Málaga), Hemed (Mallorca), Leo Baptistão (Rayo Vallecano), Piti (Rayo Vallecano)Soldado (Valencia), Vela (Real Sociedad).

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Brasileiros e a Liga Espanhola

 O ex-palmeirense Cicinho caiu nas graças da torcida do Sevilla e é o melhor lateral direito da Liga até o momento (getty images)

Os fãs de futebol europeu, em geral, sabem que a Liga Espanhola é uma das vitrines para os jogadores brasileiros aparecerem positivamente. Recentemente, vimos Ronaldinho Gaúcho conquistar o mundo após atuações mágicas vestindo a camisa do Barcelona. Na mesma época, Ronaldo não cansava de ir às redes pelo Real Madrid - isso sem dizer sua fase fenomenal pelo Barcelona, em 1996. Um pouco antes, Rivaldo e Djalminha viraram reis de Catalunha e Galícia. No entanto, nos últimos dois anos, o número de destaques tornaram-se escassos. À exceção de Daniel Alves e Marcelo, nenhum brasileiro apareceu na mídia europeia recebendo muita atenção. Porém, baseado neste início de temporada, isso está chegando ao fim. Em 2012/2013, praticamente cada setor do campo tem um ou dois brasileiros como destaque de seus times.

A grande exceção é o homem de referência, o que evidencia um problema que o futebol brasileiro passa de maneira geral. Hoje, a maioria dos jogadores de área com poder de decisão atuam no futebol brasileiro. Fred, Luis Fabiano e Leandro Damião, por exemplo, foram os últimos convocados por Mano Menezes para atuar de nove. Até podemos comentar sobre Pato, mas este não vive sua melhor fase no Milan e se lesiona com frequência. Até por isso, o ex-treinador utilizou Neymar de falso nove em suas últimas partidas, até, também, para poder encaixar o santista com Oscar e Kaká na equipe titular. ale comentar sobre Diego Costa, que fez um bom primeiro semestre no Rayo Vallecano atuando de referência, mas no Atlético de Madrid foi "recuado" à posição de segundo atacante por causa de Falcao García.

Mas voltando ao tema central do texto começamos pelo gol. Diego Alves nunca foi titular absoluto do Valencia por causa do sistema de rotação que os ex-treinadores Unai Emery e Mauricio Pellegrino faziam. Contudo, desde a época de Almería, onde chegou a ser especulado com força no Real Madrid, ele vem aparecendo de modo positivo. Nesta temporada, logo na primeira rodada, fechou com o gol contra o Real Madrid no Santiago Bernabéu. Exímio pegador de pênaltis, já parou Messi e Cristiano Ronaldo no mano a mano. No último sábado, foi um dos únicos poupados pela exigente torcida valenciana após a goleada sofrida em pleno Mestalla para a Real Sociedad, por 5x2. Os números apontam uma contradição, mas não fosse por Diego Alves o vexame poderia ser muito maior.

Pouco conhecido do grande público, Leo Baptistao (19) é a principal reveleção da temporada. Natural de Santos, jogou salão com Neymar quando garoto (AS)

Na setor defensivo, os colchoneros brilham: Miranda é o melhor zagueiro da temporada e Filipe Luís, no mínimo, aparece no top 3 na lateral esquerda. O ex-são paulino, após um início conturbado, se adaptou à forma de jogo do Atlético de Madrid e principalmente após a chegada de Simeone viu seu futebol crescer bastante. O mesmo vale para Filipe Luís. Atualmente, ele está numa versão semelhante ou superior àquela dos tempos de Deportivo La Coruña, onde foi eleito o melhor lateral esquerdo da Liga 07/08. O polivalente Adriano, que faz as vezes de lateral esquerdo, direto e até zagueiro, também merece uma menção honrosa. Homem de confiança de Tito Vilanova, seu único porém é se lesionar bastante. Apto, tem feito boas partidas. No sábado, saiu de campo aplaudido pelos torcedores presentes no Camp Nou.

Mas o grande destaque é o ex-palmeirense Cicinho. Após um início de temporada a mil, ele tem caído substancialmente de produção nos últimos jogos, mas continua sendo o melhor lateral direito da Liga. Parceria com Jesus Navas pela direita é o principal trunfo do Sevilla. Após tirar onda com Cristiano Ronaldo no duelo da sexta rodada, caiu definitivamente nas graças da torcida. Cicinho é disciplinado taticamente e aparece com sobressaliência nas jogadas ofensivas.

Na parte ofensiva, a grande revelação é Leo Baptistao, jovem de 19 anos do Rayo Vallecano. Natural de Santos, transferiu-se ainda cedo, aos 15 anos, para o clube de Vallecas, mostrando uma progressão madura em seu futebol. Em 2011/2012, passou boa parte da temporada no departamento médico graças a uma grave lesão na clavícula, mas está 100% curado e vê, em 2012/2013, um ano de redenção. Apesar de muleque, tem futebol de gente grande e vem justificando isso nesses primeiros quatro meses de temporada. São sete gols e quatro assistências em 13 jogos, o principal artilheiro brasileiro nas principais ligas europeias. Por outro lado, Jonas, após um suposto atrito com Pellegrino, foi relegado ao banco nos últimos jogos, mas tem moral com a torcida ché e pode voltar à equipe titular com Ernesto Valverde, confirmado como novo treinador do Valencia hoje pela manhã.

Em tempos de mudança de treinador na seleção brasileira, vale a pena ficar de olhos em alguns desses nomes. Diego Alves e Adriano eram figurinhas carimbadas nas convocações de Mano Menezes, e devem continuar fazendo parte das listas de Felipão. Valeria a pena testar os outros?

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Ao resgate

 Nas últimas duas semanas, o Barcelona recuperou o bom futebol e promete voltar a encantar (getty images)

No Ciutat de Valencia, o Barcelona, na teoria, teria um confronto difícil contra o Levante. Quarto colocado da Liga Espanhola e com a moral em alta após conseguir uma inédita e histórica classificação ao mata-mata da Liga Europa, os levantinos prometiam vida difícil aos blaugranas, assim como nos dois últimos confrontos em Valencia. O que aconteceu, sobretudo no segundo tempo, foi justamente o contrário. O gol de Messi logo na volta do intervalo abriu o caixão e serviu para fazer o Barcelona relaxar e chegar a mais três gols naturalmente, construindo as jogadas e exercendo um belo futebol.

É um desafio escrever sobre o Barcelona de Tito Vilanova sem entrar em comparações com o de Josep Guardiola (em evidência no Brasil após a suposta vontade de treinar a seleção brasileira). Mas esse é um desafio que deve ser encarado, porque não há nada mais vazio do que dizer que "o elenco é o mesmo" ou que "o time de Guardiola encantava mais", o que ainda é um equívoco, visto que a equipe de Vilanova poucas vezes fez um jogo completo com o onze que o novo treinador pretender levar a campo nos momentos decisivos. Ontem, por exemplo, Tito iniciou o duelo que fechou a noite com esses jogadores, ainda que tenha colocado Iniesta aberto à esquerda do ataque. Com Villa ainda sem estar no auge da forma e Tello e Alexis Sánchez em más fases, é perfeitamente plausível ver o meio-campista fazendo as vezes no ataque, como faz costumeiramente pela seleção espanhola.

O Barcelona de Tito Vilanova cumpre com competência, ainda que não com excelência, o que se espera dele: ele vence. Ontem, nos 4x0 diante do Levante, o Tito Team igualou o melhor arranque da história da Liga Espanhola, que, até o momento, pertencia em solitário ao Real Madrid de 91/92. À época, a equipe treinada por Antic somou 12 vitórias e um empate nas 13 primeiras rodadas, exatamente os mesmos registros que apresenta o Barça atual. No futebol espanhol, considerando Liga BBVA, Liga Adelante e Segunda División B, os blaugranas são os únicos a não conhecerem a derrotam em território doméstico, após o Tenerife perder sua primeira partida no sábado. Em âmbito continental, foram derrotados pelo Celtic por 2x1, pela quarta rodada da Uefa Champions League. Mais cedo, no início da temporada, uma derrota para o Real Madrid por 2x1 que custou a Supercopa Espanhola.

Mas essa excelência, pelo visto, começa a dar as caras. Contra Zaragoza, Spartak Moscou (primeiro tempo) e Levante, o Barcelona fez jogadas e gols semelhantes aos dos tempos áureos com o treinador anterior. Coincidentemente, o bom futebol retornou justamente quando Puyol se recuperou de lesão e formou a zaga ao lado de Piqué. A melhora defensiva é considerável. A recomposição também é feita com mais atenção. Pelo menos nesses três jogos, o Barcelona ofereceu pouca chances aos adversários e os laterais sofreram poucas bolas nas costas, algo que tornou-se praxe nos três meses anteriores. Jordi Alba iniciou a temporada em alto nível e não é exagero dizer que, atualmente, ele é o melhor lateral esquerdo do mundo, enquanto Marcelo não está apto por lesão.

No meio-campo, uma figura cresce e impussiona o Barcelona: Andrés Iniesta. Após um início de temporada modorrento, onde não engatou sequência na equipe titular graças à fase de Fàbregas, ele está fazendo jus ao prêmio de melhor jogador da Europa. Contra o Levante, ratificou a boa fase com atuação espetacular, ofuscando Messi. Foram três assistências e um golaço para dissipar as dúvidas. Por outro lado, o grande maestro Xavi permanece tímido. Fàbregas, quando escalado no setor do camisa 6, mostrou mais serviço e apresentou um leque de jogadas maiores que os do atual Xavi. Cesc deu oito assistências para gols e anotou quatro tentos, enquanto Xavi assistiu apenas uma vez e foi às redes três vezes.

O craque do time tem correspondido até num nível acima do normal. Após apresentar uma versão mais humana, Lionel Messi já desempenha um futebol digno de melhor do mundo. Se movimentando com mais contundência e arriscando mais dribles e arrancadas, ele está bem longe do Messi tímido que iniciou a temporada, muito preso à função de um verdadeiro nove. Seus números assustam. São 82 gols em 2012 e 26 na temporada 2012/2013. Após ultrapassar a maior marca de Pelé num único ano, La Pulga está a um passo de chegar em Gerd Müller, o maior artilheiro, que marcou 85 gols em 1972. Agora é questão de tempo. Artilheiro isolado da Liga Espanhola com 19 gols e da Champions League com 5 (ao lado de Artur e Cristiano Ronaldo), o dado a seguir assusta: equipes como Liverpool e Milan marcaram 71 e 81 gols ao longo do ano, menos do que o argentino sozinho.

Ainda assim, há quem viva um pesadelo. Antes tratado como peça-chave, Daniel Alves já não é mais tão fundamental. Mais uma vez lesionado (pela quarta vez em três meses), ele ficará duas semanas fora do gramado. Montoya não é um substituto à altura, mas tem sido essencial porque está servindo para contrabalancear as subidas de Alba pela esquerda. Até por ser mais conservador que o baiano, o canterano deixa o sistema defensivo menos exposto. Sua atuação no superclássico do início de outubro foi positiva. Daniel Alves, por ter boa qualidade ofensiva, poderia ser opção para jogar aberto à direita no ataque, papel este que desempenhou em algumas partidas com Guardiola, quando o treinador optou pelo uso do 3-4-3. O entendimento com Xavi e Messi pode ajudá-lo.

Finalmente, após algumas críticas e especulações de fim de ciclo, o Barcelona mostrou capacidade de ser avassalador novamente. Com o bom futebol de volta, será que veremos a melhor equipe dessa geração encantar em campo novamente, como vimos com tanta frequência nos últimos quatro anos?

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O dérbi de Reyes

 Reyes brilha no dérbi de Sevilha, recupera moral com torcedores e ressurge na temporada (El Desmarque)

José Antonio Reyes é um paradoxo difícil de entender e mais ainda de explicar. Dotado de técnica, o meio-campista possui uma habilidade incomum entre os espanhóis. Fatalmente, tinha futebol suficiente para se tornar um jogador world-class, sem exageros. Dono de uma perna esquerda mágica, no entanto, nunca chegou a ser o que prometia. Hoje, quando se pensa em Reyes o rótulo de eterna promessa vem à cabeça.

Nas categorias de base do Sevilla, Reyes já demonstrava todo seu potencial. Em 1999/2000, com apenas 16 anos, fez sua estreia pelo clube de Nervión. À época, a fase sevillista era negra. Rebaixado para a segunda divisão e vivendo uma grave crise financeira, a diretoria resolveu apostar nos canteranos. Na Liga Adelante, treinado por Joaquín Caparrós, o conjunto andaluz sagrou-se campeão e retornou à elite. Ali, começava a história do jovem nascido em Ultrera no futebol espanhol. Mais jovem jogador da história da primeira divisão a marcar um gol, Reyes converteu-se no protagonista do time, liderando uma magnífica geração de canteranos que havia conquistado a Copa do Rei juvenil nos dois anos anteriores.

Após passar por Arsenal, Real Madrid e Atlético de Madrid, Reyes retornou ao Sevilla no início do ano. Àquela altura da temporada, os hispalenses precisavam de um jogador de seu naipe para brigar por uma vaga na Champions League. Canterano e querido pelos torcedores, chegou sob confiança dos aficionados, que esperavam que suas esporádicas atuações mágicas passassem a ser mais frequentes. Não aconteceu. Em cinco meses, ele nada fez. Nem chegou a alternar partidas boas com ruins, algo praxe em sua carreira. O estopim foram as vaias sofridas após ser substituído no dérbi de Sevilha no Pizjuán, a duas rodadas do fim. O Sevilla perdeu para o Bétis em casa por 2x1, emplacou o quarto clássico consecutivo sem vencer o maior rival e deu adeus às chances de conseguir uma vaga na Liga Europa.

A partir dali, ele voltou ao ostracismo. Esquecido e relegado ao banco para um Perotti que voava, viu o Sevilla iniciar a atual temporada de maneira positiva sem sua presença na equipe titular. Mas o dérbi, que o levou ao inferno, serviu para fazer ressurgi-lo. Ontem, no principal jogo da rodada, o Sevilla esmagou o Bétis no Pizjuán por 5x1. Reyes teve atuação de gala. Logo aos 17 segundos de jogo, mostrara que aquela seria sua noite. O gol mais rápido do atual campeonato e da história do dérbi (superando, curiosamente, marca de Pepe Mel, atual treinador do Bétis, que havia marca um gol aos 35 segundos no dérbi de 90/91) foi o largar da reconciliação com os torcedores que o aplaudiram ao término do duelo. Doblete, assistência e jogadas importantes pelo lado esquerdo foram os ingredientes que tornaram Reyes o melhor em campo.

Em sua melhor partida desde o retorno a Nervión, Reyes pode ter visto um divisor d'águas. Os rojiblancos recuperaram a moral e ratificaram a briga por uma vaga na Champions League. No próximo final de semana, tem uma missão complicada: encara o Atlético de Madrid no Vicente Calderón. Desde já, Reyes é assunto. Não só pelo reencontro com o estádio no qual saiu brigado, mas pelo o que poderá fazer. Em paz após momentos conturbados, fica a pergunta: ele terá continuidade? Uma interrogação eterna quando se trata de Reyes.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Periquitos em baixa

 Cabisbaixo: é a tônica dos jogadores do Espanyol na atual temporada (getty images)

O fã mais afinco do futebol espanhol acostumou-se a, nos últimos anos, presenciar um Espanyol guerreiro, enjoado de derrotar e que gostava de complicar a vida dos gigantes, principalmente seu rival Barcelona. Nesta temporada, tem visto totalmente o contrário. Bastante enfraquecido em relação aos últimos anos, a tendência é os péricos disputarem algo que ainda não haviam encontrado outrora: o rebaixamento. Penúltimo colocado da Liga com nove pontos, a equipe de Maurício Pochettino já convive com o descenso desde cedo, sabendo o rumo que irá tomar.

Ontem, ganhou um fôlego nesta disputa ao derrotar, surpreendentemente, a Real Sociedad no Anoeta por 1x0. Momentaneamente, chegou a sair da zona de rebaixamento, voltando quatro horas depois, após o término de Granada 1x2 Athletic Bilbao, que tirou os bascos de lá. Na quinta-feira, o discurso utilizado por Pochettino após a derrota por 3x1 para o Sevilla, no confronto de ida da Copa do Rei, ratificou o momento negro dos barcelonistas. Perguntado sobre o motivo de ter preservado jogadores como Verdú, Raúl Rodríguez e Christian Alvárez, ele foi claro: "nós precisamos tratar as próximas partidas (da Liga Espanhola) como se fossem finais", disse.

Os últimos três resultados pela competição foram positivos. As vitórias contra Rayo Vallecano e Real Sociedad e o empate contra o Málaga na Andaluzia deram sete pontos importantes, que podem ser o diferencial lá na frente, quando a disputa apertar. Os próximos jogos exigirão mais dos comandados do treinador argentino: Osasuna (casa), Valencia (fora), Getafe (c) e Granada (f). Uma vitória ante o Osasuna, último colocado e outro forte candidato à Liga Adelante, é fundamental por ser, exatamente, um rival direto na disputa. Ganhar do Valencia no Mestalla é difícil, então o jeito é compensar contra Getafe no Cornellà e Granada nos Carménes.

Dentro de campo, os catalães são sofríveis. Um feixe de luz em meio à escuridão atende-se pelo nome de Verdu, que toma total controle do meio-campo e suas ações. A dependência é tanta que todas as jogadas só nascem do seus pés. Algo semelhante ao que aconteceu com o Deportivo há duas temporadas, quando os galegos dependiam à exaustão de Valerón e Adrián. Em Barcelona, Verdu sente a falta de um companheiro de ataque para concluir suas jogadas. O jovem Longo, emprestado pela Inter, é talentoso, mas parece ter não se adaptado ainda. Ao contrário de Philippe Coutinho, que, na temporada passada, precisou de cinco meses para mostrar um futebol decente.

A zaga, um dos principais trunfos do time nos últimos anos, também vive fase negra. A carência no jogo aéreo é enorme. Em Valladolid, num jogo que caminhava para uma vitória blanquiazul, Amat só olhou Nauzet subir e empatar o duelo. As falhas individuas múltiplas evidenciam os problemas na retaguarda. Cabe a Alvarez a missão do milagre, que nem sempre é possível. Na vitória de ontem, ele foi perfeito e saiu como o melhor em campo. Mas não será sempre que isso acontecerá.

Em crise administrativa, com média de público de 70% da capacidade do estádio, um treinador com potencial mas que se vê sem alternativas e elenco enfraquecido, o Espanyol é favorito ao rebaixamento. Mas nem tudo é (ainda) tragédia. Apesar dos resultados recentes, a equipe esboçou uma melhora considerável nas últimas semanas. A diretoria périca se especializou em fazer um mercado de inverno bastante útil nos últimos anos, com capturas positivas ao elenco. Se seguir essa tendência, há uma luz no fim do túnel de Cornellà El-Prat.

sábado, 3 de novembro de 2012

Sequência de fogo

Falcao García, com média de gols tão boas quanto as de Messi e Cristiano Ronaldo, é o principal trunfo de Simeone na sequência que irá mostrar se o Atlético de Madrid é candidato ou não ao título (getty images)

Hoje, às 19h, o Atlético de Madrid irá à Comunidade Valenciana enfrentar o Valencia no Mestalla. É o primeiro de quatro jogos que a equipe treinada por Diego Simeone terá para fazer fora de casa que irá mostrar se é candidata ou não ao título. Invicto na temporada, essa é a "prova final" dos rojiblancos, que ainda são visto com olhares de desconfiança. As próximas visitas são ao Carménes (Granada), Santiago Bernabéu (Real Madrid) e Camp Nou (Barcelona). Em jogo, mais do que provar que pode brigar pelo título. No dérbi de Madrid, o Atléti, pela primeira vez em anos, chega com status para quebrar um tabu que dura 13 anos: vencer o principal rival.

O calendário irá requer bastante concentração. Simeone, atento a isso, tenta tirar o peso da responsabilidade de seus jogadores a cada coletiva. "Podemos brigar pelo título, mas vamos com calma", disse o argentino após a vitória do último domingo, contra o Osasuna. As estatísticas mostram que os colchoneros são capazes. Se derrotar o Valencia hoje, irão chegar ao melhor início de campeonato em sua história. As coincidências também são históricas: assim como em 1996/1997, temporada na qual ganhou a Liga pela última vez, divide a liderança com o Barcelona e está oito pontos à frente do Real Madrid em dez rodadas. A distância para o terceiro colocado Málaga, que começa a dar sinais de cansaço - até por conciliar Liga e Champions -, é de sete pontos.

Acima de tudo, Simeone irá precisar contar com o melhor Falcao, principalmente contra Real Madrid e Barcelona. Na temporada passada, o colombiano marcou dois gols contra a dupla, mas viu sua equipe sucumbir. Atualmente, a fase do Tigre é de outro mundo. Com a mesma média de gols de Messi e Cristiano Ronaldo, ele tem sido cotadíssimo para disputar a Bola de Ouro com os dois principais jogadores do mundo. Vice-artilheiro da Liga ao lado do português, Falcao, com 17 gols nos últimos 11 jogos, superou no final de semana passado o melhor início de temporada de Messi. Em enquete do Marca e do As, consideram o momento do centroavante melhor que do gajo e do argentino.

A defesa, em especial, também irá precisar manter o ritmo elevado que vem mostrando até o momento. Miranda, melhor zagueiro deste início de Liga, é homem de confiança de Simeone. O argentino, aliás, tem bastante méritos por ter ajustado uma defesa bastante criticada há muitos anos. Hoje, a retaguarda é sólida e passa por pouco apuros. Na lateral esquerda, El Cholo conseguiu recuperar o melhor Filipe Luís, em nível semelhante ao apresentado no Deportivo La Coruña, quando foi o melhor lateral esquerdo da Liga Espanhola 07/08.

O Atlético de Madrid 2012/2013 joga menos tempo com a bola, mas sabe se virar sem ela. Dificilmente eles terão uma maior posse de bola contra Valencia, Real Madrid e, sobretudo, Barcelona, mas não se enganem com isso. Simeone gosta de cedê-la para, num escape, sair no contra-ataque, outra característica dessa equipe. O Atléti, também, busca o resultado até o último minuto, uma marca registrada do clube historicamente. Há duas semanas, um gol de falta de Falcao no último lance da partida deu uma vitória suada à equipe contra a Real Sociedad, em San Sebastian, rival que irá dar trabalho aos grandes em casa. Se o Atlético é ou não capaz de, após anos, brigar pelo título com Real Madrid e Barcelona, saberemos nas próximas semanas. Mas os colchoneros mostraram que são capazes de desafiar os gigantes espanhóis.

Próximos jogos do Atlético de Madrid
Valencia - Atlético
Atlético - Getafe
Granada - Atlético
Atlético - Sevilla
Real Madrid - Atlético
Atlético - Deportivo
Barcelona - Atlético

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A fênix de Málaga

 Após temporadas opacas no Valencia, Joaquín renasceu no Málaga, onde é fundamental para as pretensões do time na temporada (AP Photos)

Todos sabem que o verão que o Málaga passou foi rodeado de polêmicas. O clube perdeu Cazorla, Mathijsen e Rondón, que criticaram a postura controversa da administração do sheikh Abdullah Al-Thanil. Sobre esse assunto, tratamos recentemente. O estardaçalho feito durante esse momento negro foi grande, mas, analisando calmamente, desnecessário. Em terceiro lugar na Liga e a dois pontos de avançar de fase na Champions League, a equipe blanquiazul vive um de seus melhores momentos na história. Nesse cenário, um nome tem se destacado positivamente. Trata-se de Joaquín Sánchez, um dos jogadores espanhóis mais talentosos dos últimos anos, mas que teve uma carreira atrapalhada, principalmente, pelas lesões.

Formado nas categorias de base do Bétis, ele nunca chegou a ser o que prometia. Titular da seleção espanhola na Copa de 2006, teve uma temporada de ouro com os verdiblancos em 2004-2005, quando foi o melhor jogador do título da Copa do Rei. No Valencia de Villa e Silva, perdeu a titularidade quando o jovem Pablo Hernández despontou. Mesmo após a saída do Guaje para o Barcelona, quando Joaquín assumiu a lendária camisa sete, não conseguiu se firmar na equipe titular, sendo deixado de lado por Unai Emery. Sua contratação por parte do Málaga foi vista sob desconfiança. E com razão. Na temporada passada, o andaluz alternou boas e más partidas e viu Cazorla e Isco assumirem o protagonismo. Com a saída de Santi ao Arsenal, ele tem sido um substituto à altura.

Os aficionados malagueses veem o melhor de Joaquín a cada jogo. Com cinco gols, três na Liga e dois na Champions, ele é fundamental para as pretensões de um Málaga que mostra que irá brigar novamente por uma vaga na principal competição europeia. Sempre caindo pelo lado direito, mas com liberdade para centralizar e criar jogadas para o centroavante Saviola no 4-2-3-1, não tem decepcionado. Há uma semana, contra o Milan, perdeu um pênalti na primeira etapa, mas deu a volta por cima marcando o gol da vitória que levou La Rosaleda à loucura. Os nove pontos na UCL (100% de aproveitamento) deixa os blanquiazules a um passo da história classificação às oitavas.

Ainda que, convenhamos, Isco seja o principal jogador do Málaga neste início de temporada, até por cumprir um papel tático de protagonista, Joaquín não está para trás. Manuel Pellegrini ratifica sua importância a cada coletiva. No ranking do Marca, a eterna promessa é o sexto melhor jogador da Liga Espanhola 12/13, atrás de Messi, Jesus Navas, Falcao García, Iago Aspas e Isco. Com 31 anos, Joaquín faz jus ao apelido de fênix que vem recebendo: renasceu das cinzas para ser destaque de uma equipe que faz história.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Zorilla indesejável, desafiador Atléti e o renascido Valencia

Em quatro jogos feitos no José Zorilla nesta temporada, o Valladolid venceu dois, empatou um e perdeu um. Entre os destaques, as vitórias, que vieram ante Levante (2-0) e Rayo Vallecano (6-1). Fora de casa, o desempenho não é o mesmo: são três derrotas e apenas uma vitória. No último sábado, os pucelanos perderam para o Málaga por 2x1. Em oito rodadas, estão na décima colocação, com dez pontos. A campanha caseira pode não impressionar pelos adversários, mas já mostra que será o carro-chefe da equipe na luta contra o rebaixamento.

Na temporada passada, o Valladolid conseguiu associar um futebol atrativo a uma defesa sólida (a melhor da Liga Adelante ao lado do Celta Vigo). A efeito de comparação, em 2009/2010, havia sido a mais vazada com 74 gols. Em agosto, em entrevista, ao Marca, o treinador Miroslav Djukic prometeu que isso não vai mudar. Num discurso à Pep Guardiola, o sérvio foi sintético: "se for para morrer, que morremos praticando nossa filosofia". Jesus Ruéda, zagueiro que se destacou na temporada passada, também seguiu a mesma linha. Ele afirmou que o time deve manter seu estilo, ousadamente inspirado no Barcelona. O rebaixamento disfarça, mas o Villarreal, que joga um futebol semelhante ao dos pucelanos, colhe frutos na Liga Adelante por não se acovardar mesmo nos momentos de adversidades.

Na segunda divisão de 2011/-12, o Valladolid teve um aproveitamento de 72% como mandante, acumulando 50 de seus pontos 80 pontos na temporada regular. O time de Djukic sofreu apenas 11 gols em 23 partidas no Zorilla, 20 a menos do que levou longe de casa. Se mantiver o aproveitamento de 73% em casa, mesmo que não pontue como visitante, o pucelanos certamente escaparão da queda com seus 42, 43 pontos. É claro que eles devem roubar pontos longe de Castilla e Leão, porém o grande mérito do treinador é mesmo a transformação do Zorilla num estádio indesejado pelas outras equipes.

 Falcão García: o cara (getty images)

Clap, clap, clap
O gol de Falcão García aos 47 minutos do segundo não só colocou o Atlético de Madrid na co-liderança da Liga ao lado do Barcelona, como mostrou que os colchoneros irão desafiar blaugranas e merengues. A equipe jogou bem até certo ponto, mas o suficiente para vencer um adversário que certamente irá incomodar muito no decorrer da temporada, sobretudo em casa, a Real Sociedad.

E o Valencia, hein?
Não jogou bem, mas foi buscar uma virada ante o Athletic Bilbao na bacia das almas. A torcida que vaiava bastante mudou em apenas dois minutos, tempo dos gols de Tino Costa e Haedo Valdez, que começa a mostrar serviço. O 4-4-2 que juntou o paraguaio e Soldado saiu-se muito bem, mas Jonas, melhor ché na temporada até então e que saiu para entrada do ex-Hércules, não pode ficar de fora. Pellegrino tem uma dor de cabeça. O Valencia ainda não convenceu e, na quarta-feira, tem jogo decisivo pela Uefa Champions League. Caso queira passar de fase, precisará somar, pelo menos, quatro pontos nos próximos dois confrontos contra o Bate, que derrotou o Bayern na segunda rodada.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Melhorando

 Messi fez seu melhor jogo na temporada e ilusiona o torcedor culé (getty images)

O Barcelona sofreu o primeiro gol, virou e recebeu o de empate logo em seguida. O empate por 2x2 contra o Real Madrid não foi ruim porque, querendo ou não, ele servia bastante para manter a diferença de oito pontos, mas certamente há o que lamentar. A chance desperdiçada por Pedro no último lance do jogo tirou o gosto de uma vitória que seria mais do que essencial e abasteceria de moral uma equipe que, apesar de estar invicta na Liga e na UCL, tem muitas interrogações para responder.

No entanto, há uma melhora substancial dos blaugranas a cada partida. No meio da semana passada, contra o Benfica, o time de Tito Vilanova passou por alguns apuros, mas soube controlar com contundência os Encarnados. No superclássico do final de semana, a história se repetiu no segundo tempo. Após um primeiro tempo mais a favor do Real Madrid, especialmente até o gol de empate marcado por Messi, o Barcelona teve lampejos do tempo áureo na reta final da primeira etapa e durante 80% do tempo do segundo tempo. O gol de empate merengue, por outro lado, escancarou um erro que vem sendo criticado desde o início de temporada pela imprensa: o mau posicionamento da linha defensiva.

Os problemas do Barcelona, porém, não se resumem apenas a isso. À exceção de Daniel Alves, que atuou menos de 30 minutos, Piqué, Puyol e Abidal, titulares da primeira linha de quatro em condições normais, não foram convocados ao duelo por lesão. O condicionamento físico dos jogadores não é o melhor possível. Um problema que já dura desde a última temporada, quando Josep Guardiola viu-se em meio a grande dor de cabeça com as mais de 103 (!) lesões musculares de seus comandados. Javier Mascherano é o retrato da atual zaga barcelonista. O argentino é perfeito no mano-a-mano e, apesar de acharem o contrário, desarma limpamente em boa parte das jogadas; contudo, se posiciona muito mal e volta e meia deixa um adversário em condições de gol.

Mas há luz no fim do túnel catalão. A jogada construída no lance que terminou em chute na trave de Montoya, no fim da partida, mostrou que os jogadores ainda sabem acelerar a bola e confundir o adversário com ela. Foi de Messi para Iniesta, de Iniesta para Pedro, de Pedro para Xavi, de Xavi para Montoya, que acertou um belo chute no travessão de Casillas. O jovem lateral, vale o adendo, substituiu positivamente Daniel Alves. Mais defensivo do que o baiano, a opção por ganhar mais solvência porque, na esquerda, Alba é um lateral reconhecidamente mais ofensivo. Ainda que seu trabalho de reposição tenha recebido nota 10 na crítica do Diário Sport, Alba, certamente, não terá fôlego para subir e descer toda hora.

A atuação de Messi ilusiona o torcedor culé. Após iniciar a temporada mostrando uma versão menos avassaladora e mais humana, La Pulga, sobretudo no segundo tempo, desempenhou um futebol digno de um dos melhores jogadores da história. Arrancou com a bola, deixou companheiros na cara do gol, espalhou pane a uma defesa que estava sólida e marcou dois gols. Só não saiu como protagonista mór do jogo porque, do outro lado, havia um Cristiano Ronaldo sedento por ir às redes. O Barcelona (e Messi) ainda não retornou à forma perfeita, e dificilmente irá encantar tanto quanto nos últimos quatro anos, mas caminha para uma melhora significativa. Pode ter certeza de que esse time irá brigar por todos os títulos da temporada.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O Real Madrid aprendeu a lição

 Mourinho e Cristiano Ronaldo são os principais responsáveis pelos recentes resultados positivos do Real Madrid contra o Barcelona (zimbio)

Casillas; Arbeloa, Sergio Ramos, Pepe, Marcelo; Xabi Alonso, Khedira; Di María, Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema. Há dois anos, 10 desses 11 nomes começaram como titulares na humilhante derrota de 5x0 para o Barcelona. Naquele dia, apenas Arbeloa começou no banco, entrando no segundo tempo. Os blaugranas continuam sendo superiores, mas atualmente o Real Madrid já consegue enfrentá-los de igual para igual. Os resultados dos superclássicos apenas em 2012 evidencia tal evolução madrilenha: duas vitórias barcelonistas, dois empates e duas vitórias merengues. Ontem, mais um capítulo da história do Superclássico foi escrito. Em partida de gala, o 2x2 mostrou as carências das duas equipes na temporada, mas ratificou o novo peso do duelo. 

Atualmente, o Real Madrid sabe como jogar contra o Barcelona sem se acovardar (muito). Nesse cenário, dois personagens merecem destaque: Cristiano Ronaldo e José Mourinho. O treinador português conseguiu dar um padrão de jogo à equipe que Florentino Pérez tanto tentou achar com Manuel Pellegrini. A lição da manita foi aprendida em peso: para jogar contra o Barcelona, a aplicação tática precisa estar à mil. Após muitos confrontos, Mourinho, estrategista que é, conseguiu encaixar seu jogo ao do rival. Com intensidade, compactação dos setores negando espaços a Messi e velocidade para surpreender a zaga adiantada e em linha do Barça com Cristiano Ronaldo se infiltrando em diagonal, o Real Madrid, hoje, sabe como jogar contra os catalães.

Aí, o craque português tem seus méritos. Sempre taxado por amarelar nos clássicos, ele virou a página. Ao marcar de esquerda o gol que abriu o placar, Ronaldo tornou-se o primeiro jogador da história da rivalidade a marcar em seis confrontos consecutivos. Quem vê o Ronaldo de 2012 e o Ronaldo das temporadas anteriores sabe que houve uma mudança. O atual não tem medo de ousar. Chuta, dribla, toca, provoca. Aquele Cristiano Ronaldo apagado, com medo e displicente que enfrentava o Barcelona é coisa do passado.

Na parte defensiva, houve mudanças substanciais. Ainda que Pepe saia do sério a todo momento (e, convenhamos, se ele não saísse estranharíamos), ele mantém a cabeça no lugar a ponto de não comprometer. A emblemática expulsão no confronto da Champions League 10/11 mudou seus nervos - ainda que, na ida do jogo da Copa do Rei, ele tenha pisado em Messi. E isso ajuda em seu desempenho em campo. Na vitória de abril, por exemplo, o luso-brasileiro teve atuação de gala.

Quem também merece menção é Özil e Di María. O argentino é a válvula de escape dos blancos, sempre impussionando velocidade na parte esquerda da zaga blaugrana e sendo importante na recomposição. A marcação a Daniel Alves (ou Montoya, como no caso de ontem), anula uma dos trunfos do Barcelona. O alemão, por sua vez, vive cenário semelhante ao de Cristiano Ronaldo. E a parceria entre os dois é alta: em superclássicos, são cinco assistências do camisa dez ao gajo, quatro apenas nos confrontos deste ano.

O cenário é tão favorável ao Real Madrid que o empate foi comemorado do lado barcelonista. Tudo bem que deveria ser mesmo, afinal os oito pontos de vantagem se mantém e os azulgrenás atuaram com a zaga reserva, mas fatalmente isso seria lamentado há um ano, por exemplo. E a volta por cima dos merengues favorecem os fãs do futebol espanhol. A equipe de José Mourinho se concentra em jogar bola e não ficar à base de pancadas. Assim, mesmo sendo inferior, conseguiu achar uma fórmula de encarar o Barcelona.