Mostrando postagens com marcador Tito Vilanova. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tito Vilanova. Mostrar todas as postagens

sábado, 11 de maio de 2013

O título da regularidade

O abraço entre Messi e Iniesta, os protagonistas do título de Liga Espanhola do Barcelona 2012-13 (getty images)

Soa como clichê dizer que o campeão de um torneio de pontos corridos se destaca pela regularidade apresentada durante a competição. Mas essa é a palavra que mais se encaixa ao Barcelona de Tito Vilanova, campeão espanhol em sua primeira temporada como treinador profissional e líder do início ao fim. Em temporada inconstante e com alguns problemas extracampos, a equipe não deu sopa ao azar e capitalizou positivamente os tropeços de Atlético de Madrid e Real Madrid, seus principais rivais durante boa parte da Liga. 

Com um primeiro turno de alto nível, com 18 vitórias e um empate em 19 jogos, os blaugranas puderam atuar com mais tranquilidade na segunda parte, onde a queima de gordura foi permitida. Mais concentrado na parte decisiva da Uefa Champions League, o Barça caiu naturalmente de rendimento, mas nada que assustasse bastante: apenas duas derrotas (Real Sociedad e Real Madrid) em 15 jogos, até o momento. Ainda que não tenha derrotado o Real Madrid nos dois superclássicos, não há do que reclamar da campanha catalã.

Taticamente, Tito Vilanova deixou a desejar. O treinador manteve o 4-3-3 natural da filosofia azulgrená, mas não o utilizou em essência. Sem marcação pressão, poucas infiltrações dos ponteiros e uma recomposição mais lenta em relação ao time de Guardiola, a defesa ficou vulnerável aos contra-ataques. Outro problema foi as jogadas aéreas, sempre um Deus nos acuda ao sistema defensivo. A bem da verdade, o aparecimento repêntino de um câncer na glândula paródita acabou por colocar em xeque seu trabalho. É injusto julgar negativamente Tito Vilanova e esquecer do bom futebol que o Barcelona parecia estar recuperando até sua ida a Nova Iórque para o tratamente de quimioterapia. A vitória contra o Málaga por 1x3 na Andaluzia, com 74% da posse de bola e um tiki-taka ao fino, é a prova disso. Com Jordi Roura, os blaugranas viveram seu pior momento em 2012-2013.

Dos personagens, dois se destacaram: Andrés Iniesta e Lionel Messi. Apesar dos números assustadores do argentino, o espanhol talvez tenha se destacado tanto quanto. Em fevereiro, num momento crucial da temporada, Messi padeceu, enquanto o meio-campista (que atuou durante 60% da temporada aberto à esquerda do ataque) manteve-se bem. Até esse período, a temporada de Iniesta era de outro mundo. Para muitos críticos, foi o melhor ano do jogador de Albacete, que vem mantendo a boa fase desde a Eurocopa, quando foi campeão e melhor jogador. 

Mas o camisa 10 não pode se esquecido. Pichichi da Liga pela segunda vez consecutiva e terceira em sua carreira, Messi alcançou, mais uma vez, registros sobrenaturais. Ele se tornou o primeiro jogador a marcar gols em 19 rodadas consecutivas, o que dá, em outras palavras, um turno inteiro indo às redes. Além disso, marcou pelo menos um gol em todas as equipes da competição (à exceção do Barcelona, óbvio), feito que só Cristiano Ronaldo, na temporada passada, havia conseguido. Com 46 gols em 34 rodadas, La Pulga está a quatro de igualar seu recorde de 50 anotados em 2011-2012.

Com o título, o Barcelona se torna o clube espanhol com o maior número de títulos oficiais (79), dois à frente do Real Madrid, que disputa a final da Copa do Rei na próxima sexta-feira. Esse é o título de número 24 da carreira de Xavi, o jogador espanhol com mais títulos em toda a história. Em campo, no entanto, foi uma temporada atípica do maestro catalão, que já não foi tão dominante no meio-campo quanto nos últimos anos. Ainda que em janeiro e fevereiro tenha tido uma excelente sequência, o camisa seis barcelonista fez sua pior temporada desde 2008.

Agora, a diretoria começa a se planificar visando a próxima temporada. Principalmente pela eliminação acachapante na Uefa Champions League para o Bayern de Munique, com direito a 4x0 na Alemanha e 0x3 na Catalunha, o elenco precisa de uma renovação, sobretudo na retaguarda. Com Piqué inconstante e Puyol dando sinais claros de decadência, é necessário contratar, ao menos, dois zagueiros. Dentre os especulados, o nome de Hummels, do Borussia Dortmund, aparece com mais força, embora o preferido de Tito Vilanova e Andoni Zubizarreta seja o brasileiro Thiago Silva, sonho antigo dos espanhóis. 

No gol, o clube vive um dilema: Víctor Valdés revelou não querer renovar seu contrato, que se encerra em julho de 2014, e o desejo do corpo técnico é contratar um novo arqueiro já na próxima temporada. Ter Stegen, Guaita, Handanovic e De Gea são os que têm o nome ligado a uma possível transferência ao Camp Nou. Nas laterais, Daniel Alves mostrou-se irregular, enquanto Alba se adaptou perfeitamente ao time titular. Do meio para frente, o nome mais desejado é o de Neymar. O santista, que parece estar com um pé e meio em Barcelona, voltou a ser atacado pelo Real Madrid, de acordo com a imprensa espanhola, embora seu desejo seja o de atuar com Messi e cia. Além de Neymar, Tito prefere contar com mais um atacante de lado do campo.

Abaixo, os principais jogos, em ordem de acontecimento, que marcaram o título barcelonista. Para ver os gols, clique em cima do resultado.

Barcelona 5x1 Real Sociedad, 1ª rodada. Gols de Messi (2), Puyol, Pedro e Villa.
Nada melhor começar o campeonato goleando. No retorno (e com gol) de Villa, a Real assustou nos primeiros minutos, mas Messi deu seu cartão de visita à temporada com um doblete.

Osasuna 1x2 Barcelona, 2ª rodada. Gols de Messi (2).
Em um jogo extremamente difícil em Navarra, onde o Barcelona sempre encontra dificuldades, o time de Tito Vilanova não se encontrava em campo. Mas eis que Messi, como de praxe, decidiu marcando os gols da virada aos 31 e 35 minutos do segundo tempo. Na mesma rodada, o Real Madrid perdeu para o Getafe por 1x0 e os azulgrenás abriram distância na tabela.

Sevilla 2x3 Barcelona, 6ª rodada. Gols de Fàbregas (2) e David Villa.
A uma semana do primeiro superclássico contra o Real Madrid, o Barcelona iria à Andaluzia encarar o Sevilla, que à época viveu sua melhor fase na temporada. Com uma marcação forte, perigoso nos jogos aéreos e um contra-ataque fatal, os nervionenses abriram 2x0 e, indiretamente, ressuscitavam os merengues. Mas aí o Barcelona acordou, impulsionado por Fàbregas, autor de um doblete providencial. No último suspiro do jogo, Villa mostrou estar recuperado ao tabelar com Messi e anotar o gol da remontada.

Barcelona 2x2 Real Madrid, 7ª rodada. Gols de Messi (2).
No Camp Nou, tanto Barcelona quanto Real Madrid chegavam ao superclássico rodeado de dúvidas. E Cristiano Ronaldo e Messi, que anotaram dois gols cada, trataram de mascarar os problemas das duas equipes, num jogo não tão espetacular tecnicamente.

Barcelona 4x1 Atlético de Madrid, 16ª rodada. Gols de Adriano, Busquets e Messi (2)
À época, o confronto do líder contra o vice-líder. O Atlético de Madrid de Simeone chegava ao Camp Nou  com uma grande campanha e a segunda colocação. Dentro de campo, nos primeiros 45 minutos, os rojiblancos se comportaram muito bem e chegaram a abrir o placar com Falcao García. O golaço de Adriano trouxe o Barcelona de volta ao jogo e, depois, o Atléti inexistiu.

Málaga 1x3 Barcelona, 19ª rodada. Gols de Messi, Fàbregas e Thiago Alcântara.
O Málaga vivia um ótimo momento, era o quarto colocado e havia derrotado o Real Madrid um mês antes. Era um compromisso bastante difícil ao Barcelona. No entanto, o que se viu em campo foi um time à Guardiola, com muita pegada na marcação, infiltrações pelos lados do campo e belas trocas de passes.

Barcelona 2x1 Sevilla, 16ª rodada. Gols de Messi e Villa
Era o jogo depois da derrota em Milão para o Milan e antes do confronto decisivo pela Copa do Rei contra o Real Madrid. A virada marcou uma espécie de mudança na equipe titular: Villa aproveitou a chance dada por Roura, marcou o gol do empate e ganhou a vaga de Fàbregas no onze inicial, com Iniesta sendo recuado à sua posição original, no meio-campo.

Barcelona 4x2 Bétis, 34ª rodada. Gols de Alexis Sánchez, Villa e Messi (2)
Os blaugranas acabavam de sair da eliminação humilhante na Champions para o Bayern e pareciam estar sentindo a queda em âmbito europeu. Messi, que começou no banco, teve que entrar para decidir: no primeiro toque na bola, sofreu uma falta. No segundo, cobrou com perfeição. Com uma nova postura, o Barcelona virou e aliviou a relação com a torcida, que acabou o primeiro tempo vaiando a equipe.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

O desafio de Munique

Há quatro anos, o trio Messi-Eto'o-Henry fez o carnaval contra o Bayern de Munich. Agora, no entanto, a fase bávara é outra (BBC)

Após eliminar Milan e PSG, vem aí o Bayern de Munich para o Barcelona, no último passo rumo a Wembley, local onde os blaugranas ganharam duas de suas quatro UCL. Para muitos, o jogo do ano. Nesta terça, às 15h45 (horário de Brasília), a Allianz Arena verá a melhor equipe dos últimos anos contra o melhor time da temporada 2013/14. Nos últimos quatro anos, era automático colocar o Barcelona como o mais      cotado a vencer algum confronto de UCL. Contra o Bayern, o favoritismo é dividido em 50% para cada. Os números domésticos do time que Jupp Heynckes entregará a Pep Guardiola são incríveis. O aproveitamento na Bundesliga é de 86%. O saldo é de 75 gols – 89 marcados e 14 sofridos. Como mandantes, os bávaros perderam apenas uma vez, para o Bayer Leverkusen, em outubro de 2012.

O Bayern que perdeu o título europeu para o Chelsea ainda não tinha Dante, Javi Martínez e Mandzukic, reforços do mercado de verão. Eles se distribuíram por três dos quatro setores do 4-2-3-1 de Heynckes: o brasileiro oferece mais segurança à defesa, o espanhol garante estabilidade e saída de bola qualificada, e o croata aproveitou a lesão de Gómez para assumir o posto de centroavante titular (apesar de que, nesta terça-feira, Gómez irá jogar devido a suspensão de Mandzukic). O outro setor, dos meias, teve a consolidação do excelente Kroos e a recuperação de Müller, que não fazia uma grande temporada desde a Copa do Mundo de 2010.  Com a lesão de Kroos, Robben recuperou sua titularidade, e será ameaça real a Jordi Alba.

No final de semana, Tito Vilanova usou um time misto contra o Levante. Apesar da partida sonolenta e previsível do Barça, a equipe venceu por 1x0 nos minutos finais, com gol de Fàbregas, após boa jogada de Alexis Sánchez. No entanto, a melhor notícia que Vilanova poderia receber foi o excelente rendimento de Abidal na zaga ao lado de Piqué. O francês passou segurança a um sistema defensivo bastante vulnerável e pela primeira vez desde seu retorno ficou em campo os 90 minutos. É claro que o ritmo dos alemães será outro em relação ao dos levantinos, mas Abidal pode aparecer como um elemento mais confiável do que Bartra ou Song para o duelo de Munique (Adriano está suspenso, e Mascherano e Puyol estão lesionados).

Outra notícia positiva que o treinador barcelonista recebeu é sobre Lionel Messi. O argentino treinou normalmente com os companheiros no domingo e viajou para Munique. Ainda sem alta médica, no entanto, sua participação como titular está 80% confirmada. De acordo com o periódico Mundo Deportivo, o camisa 10 fará exames médicos na Alemanha para poder, enfim, receber a tão esperada liberação. Iniesta e Daniel Alves, que fizeram um trabalho específico após o duelo do final de semana, também estão confirmados.

Daniel Alves é uma questão à parte no duelo. O baiano, autor de uma temporada inconstante, irá combater diretamente Franck Ribéry, um dos melhores jogadores do mundo. Na temporada passada, o francês abusou de Arbeloa e foi um dos caminhos para a classificação bávara sobre o Real Madrid. Contra o Bayern, Daniel Alves irá precisar controlar suas subidas ao ataque para não deixar espaços ao francês. Precisará ser mais o Daniel Alves de 2009/2011, que anulava Cristiano Ronaldo, e não o de 2013, que deixou espaços para Pastore marcar no Camp Nou.

No meio-campo, talvez o duelo que irá condicionar o jogo: Busquets, Xavi e Iniesta contra Javi Martínez (ou Luiz Gustavo), Schweinsteiger e Müller. Ainda que Iniesta faça uma temporada de ouro, Xavi vive de lampejos e Busquets vem de partida fraca contra o PSG, na qual não conseguiu controlar Verrati. É preciso mais concentração a um meio que já não consegue ditar tanto o ritmo da partida como outrora. Xavi conhece bem Schweinsteiger, que foi anulado pelo espanhol no confronto entre Espanha x Alemanha na Copa do Mundo. Porém, desta vez, Xavi irá encontrar uma versão mais evoluída do alemão.

Os duelos também reservarão outra questão, a mais interessante: a posse de bola. Há cinco anos (ou 301 jogos, se você preferir) que ninguém tem mais posse de bola jogando contra o Barcelona. Os blaugranas lideram todas as estatísticas referentes à manutenção da bola na Liga dos Campeões 2012/13: é o líder de posse e o time que mais acertou passes. Atrás, nos dois quesitos, está exatamente o Bayern de Munich, que tem poderio suficiente para agredir os azulgrenás e fazer eles correrem atrás da bola. Para isso, indico o texto de Marcelo Bechler, da Rádio Globo, falando mais sobre o assunto.

Prováveis escalações.
Bayern: Neuer; Lahm, Dante, Van Buyten, Alba; Javi Martínez (Luiz Gustavo), Schweinsteiger; Robben, Müller, Ribéry; Mário Gómez.
Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Piqué, Bartra (Abidal), Jordi Alba; Busquets, Xavi, Iniesta; Pedro, Messi, Villa (Alexis Sánchez)

segunda-feira, 1 de abril de 2013

PSG x Barcelona

Pela segunda vez consecutiva, o sorteio da Uefa Champions League colocou frente a frente Barcelona contra Zlatan Ibrahimovic, que teve uma pequena passagem pelo clube blaugrana, de onde saiu de maneira controversa. Se na temporada passada seu Milan não conseguiu parar o tetracampeão europeu, dessa vez cabe ao sueco tentar levar o Paris Saint Germain à semifinal da principal competição europeia de clubes. Nas oitavas de finais, o clube da capital francesa eliminou um clube espanhol: vitória, no agregado, por 3x2 contra o Valencia. Mas os confrontos não teve um Ibrahimovic protagonista, muito pelo contrário. Expulso na partida de ida, quando ele passou em branco, coube a Pastore, Lavezzi e Lucas liderar os parienses.

Especialmente após eliminar o Milan, o Barcelona parece ter retornado à velha forma. O futebol total, que andava em modo lento, dá mostras que voltou com maestria e, como bem deixou claro o brasileiro Leonardo, diretor técnico do PSG, os azulgrenás são os favoritos para avançar de fase. Na última sexta-feira, o representante do Parc des Princes jogou para o gasto e derrotou o Montpellier por 1x0, gol de Gameiro. A derrota do Lyon para o Souchaux, no domingo, por 1x2, dá total liberdade à equipe de Carlo Ancelotti se concentrar nos confrontos contra o Barça.

Ao contrário dos catalães, o PSG não é um primor coletivo. A maioria das vitórias tem saído à base da invidualidade de seus principais jogadores, sobretudo Ibrahimovic, artilheiro do time na temporada com 31 gols. A velocidade de Lucas pela direita do 4-2-3-1 é uma arma importante da equipe, que costuma ter no brasileiro uma válvula de escape para a armação dos contra-ataques. No outro flanco, Ezequiel Lavezzi tem se destacado em âmbito europeu, onde é o principal goleador do PSG na LC, com cinco gols. No auxílio a Ibrahimovic, Javier Pastore, após um início opaco, atua mais à vontade, como nos tempos de Palermo.


Dizer que Ibrahimovic é uma ameaça real à zaga barcelonista é chover no molhado. Sem Puyol, que pode ficar de fora do restante da temporada, cabe a Piqué e Mascherano total atenção. Aliás, o argentino está a um cartão amarelo da suspensão, que poderia complicar a vida barcelonista visando o jogo da volta. Na esquerda, Jordi Alba irá precisar ser preciso como contra Di María no superclássico de outubro para encarar Lucas. Até por ser um lateral ofensivo, ele terá, acima de tudo, que contrabalancear suas subidas ao ataque para não deixar espaços ao brasileiro, que, certamente, também precisará marcar o espanhol nas jogadas ofensivas barcelonista.

Outra peça-chave para o Barça será Iniesta. O camisa oito jogará no setor do mapa da mina dos parienses: o lado direito da zaga, onde atua o fraco Christophe Jallet. Além dele, Villa é outro que cumprirá função importante. A versatilidade do Guaje oferece flexibilidade ao Barcelona. Tito pode orientá-lo a centralizar e puxar a marcação de Thiago Silva e Alex para Messi entrar em diagonal (um dos caminhos para a vitória contra o Milan) ou fechar o lado esquerdo do ataque. Na direita, Tello, com moral alta após a excelente partida na Galícia contra o Celta, deve ganhar a vaga de Alexis Sánchez e substituir Pedro, suspenso.

Contra dois jogadores velozes pela ponta e um dos melhores centroavantes do mundo, o Barcelona não pode deixar os franceses contra-atacarem. Trabalhar a bola com mais velocidade, acionar os ponteiros (para isso, Xavi on fire será primordial), aproveitando-se da carência do adversário na marcação pela bandas, é a chave para a vitória.

O pesadelo de todo o elenco do PSG certamente atende-se por Lionel Messi. Ibrahimovic, Thiago Silva, Lucas, Pastore e Lavezzi rasgaram elogios ao argentino antes do duelo. É provável que Ancelloti repita a "fórmula Inter-Chelsea-Celtic-Milan", com duas linhas de quatro protegendo a retaguarda de Sirigu para ilhar o camisa dez. Trocar de posição com frequência com Tello e cair pelo lado direito é essencial. A marcação frouxa do ex-blaugrana Maxwell não deve aguentar nem o catalão e muito menos o argentino. Com 56 gols na temporada, Messi voltou aos melhores momentos e deixou claro que "está animado e com boas sensações para enfrentar o PSG". Que o virtual campeão francês se cuide.

segunda-feira, 18 de março de 2013

A redenção de Villa

Messi e Villa acabaram com o Rayo Vallecano. O Guaje, após viver um pequeno inferno astral, recuperou sua moral na Catalunha (getty images)

David Villa viveu um período infernal no Barcelona. Após retornar de uma lesão que o tirou dos gramados por quase oito meses, o Guaje se viu rebaixado à terceira opção do ataque barcelonista, sendo muitas vezes preterido por Alexis Sánchez e Tello. Não obstante, ele ainda voltou a sofrer uma lesão muscular no final de janeiro, justamente no período no qual parecia restabelecer sua moral com Tito Vilanova (ou Jordi Roura, se preferir). A saída dele era iminente. De acordo com a imprensa espanhola, houve muito assédio de Arséne Wenger, treinador do Arsenal, para levá-lo a Londres ainda em janeiro.

No entanto, de grão em grão, o treinador percebeu a necessidade de ter um atacante como Villa em seu esquema, que contava com um meio-campista deslocado ao setor mais ofensivo do 4-3-3. Com Pedro em má fase, a Messi-dependência ficou clara. E, após as derrotas para Milan e Real Madrid, o nome do Guaje passou a ser cobrado. Em enquete promovida pelo Diário Sport logo após a eliminação na Copa do Rei para o maior rival, quase 87% dos votantes queriam Villa de titular nos jogos seguintes. E ele mostrou por que ainda tem bola para figurar no onze inicial pelas próximas temporadas.

Na partida seguinte, contra o Sevilla, o camisa sete foi essencial para a construção da vitória apertada. Primeiro porque, escalado como centroavante, testou firme um cruzamento de Daniel Alves e empatou a partida. Segundo porque, de acordo com as estatísticas pós-jogo, ele foi quem mais chutou às redes de Beto. Estava claro que para furar retrancas semelhante à que a equipe andaluza montou (mas não tão feroz quanto a do Milan no San Siro), Villa seria necessário.

O Guaje ratificou sua volta à boa fase na Catalunha na partida decisiva contra o Milan. Roura optou por centralizá-lo, deslocando Messi à ponta direita do ataque, mas com liberdade para concluir as jogadas no centro, como o seu primeiro gol mostrou. Villa foi importante taticamente, puxando os defensores rossoneros para longe do camisa 10 e dando liberdade ao argentino. Faltava um gol, que saiu na segunda etapa. Após recuperação de Mascherano, Xavi acionou o Guaje, que chutou com categoria no ângulo de Abbiatti. A comemoração com raiva foi um sinal de redenção para quem parecia muito próximo de ir embora do Barcelona.

Ontem, contra o Rayo Vallecano, no fechamento da rodada 28, ele fez sua melhor partida na temporada. À esquerda do ataque, Villa se movimentou com louvor, mostrou uma letal conexão com Messi, a quem assistiu duas vezes, e deixou sua marca, após assistência do argentino. Messi à parte, foi o melhor em campo e saiu do Camp Nou ovacionado pelos culés ao término da partida. Em momento de fase decisiva na Champions League, onde os blaugranas irão enfrentar o PSG de Ibrahimovic, Tito Vilanova, que retorna na próxima semana, sabe que poderá contar com Villa, a cada jogo mais confiante e de volta ao seus melhores momentos.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Prévia: Milan x Barcelona

Na temporada passada, o Milan parou Messi no San Siro e segurou o 0x0 contra o Barcelona com uma pequena retranca. E agora? (AP Photos)

Por mais um ano consecutivo, o sorteio da Uefa Champions League colocou frente a frente Barcelona x Milan. Se, nos confrontos da temporada, houve um leve favoritismo ao lado do Barcelona, principalmente depois da lesão de Thiago Silva, que ficou de fora dos dois jogos, atualmente o peso do favoritismo por parte blaugrana é ainda maior. À época, no entanto, o Milan deixou a competição de cabeça erguida, após segurar os azulgrenás no San Siro com uma competente retranca e chegar a assustar os mais de 90 mil torcedores culés presentes no Camp Nou, quando Nocerino empatou a partida por 1x1, resultado que classificava os rossoneros (logo depois, Messi, de pênalti, e Iniesta decidiram a classificação barcelonista).

Pelo lado catalão, o respeito pelo time de Milão é alto. Jordi Roura, na coletiva desta segunda-feira, afirmou ser altamente difícil encarar o Milan em seus domínios. O diretor esportivo Zubizarreta, por sua vez, admitiu não estar 100% confiante na classificação e que os rossoneros merecem respeito não importa a situação. O mesmo disse o capitão Puyol, reconhecidamente um seguidor do Milan.

Para a prévia deste confronto, que terá seu jogo de ida nesta quarta, 20 de fevereiro, às 16h45 (horário de Brasília), e volta no dia 5 de março, contaremos com a colaboração, por mais uma vez, dos parceiros do Quattro Tratti, especializado no calcio italiano. Quem fala sobre o Milan é Arthur Barcelos. Boa leitura.

A temporada até aqui
Milan: Depois de um início tenebroso, com seis derrotas, dois empates e apenas quatro vitórias, gerando um aproveitamento de 33,3%, o time de Massimiliano Allegri vem conseguindo se recuperar na Serie A. Nos últimos 13 jogos pelo campeonato, o Diavolo teve um aproveitamento de 69,2%, com nove vitórias, três empates e apenas uma derrota, marcando 26 gols e sofrendo outros 15. Atualmente, o clube de Milanello é o quarto colocado, com 44 pontos em 25 jogos, empatado com a Lazio, a última equipe na zona de classificação para a próxima Champions League. Pela Coppa Italia, o Milan parou nas quartas de finais, contra a Juventus, após ter batido sem dificuldades a Reggina nas oitavas. Já na fase de grupos da Champions, os comandados de Allegri fizeram campanha irregular, surpreendidos pela ótima campanha do Málaga, conseguindo uma vaga no mata-mata apenas na penúltima rodada.

Barcelona: Líder isolado e virtual campeão da Liga Espanhola, nem tudo foi mil maravilhas para o Barcelona no início da temporada. Sem Josep Guardiola, que em abril, logo após a eliminação para o Chelsea, havia anunciado que não renovaria seu contrato para 2012-13, a equipe demorou a engrenar. Em campo, Tito Vilanova não mexeu na filosofia de jogo de Pep, dando continuidade ao estilo do ex-treinador. No entanto, o jogo encantandor dos últimos quatro anos não fluia. Especialmente na Uefa Champions League, o Barcelona não convencia. O estopim foram dois jogos muito abaixo da média contra o Celtic, que resultou em uma derrota por 2x1 e uma vitória pelo mesmo placar com o gol da vitória aos 47 minutos do segundo tempo, através de Jordi Alba. A perda da Supercopa para o Real Madrid, quando foi amplamente dominado pelo time de Mourinho, foi moralmente absorvida pela campanha louvável em âmbito doméstico: enquanto os merengues iniciaram a temporada pecando na busca pela manuntenção do título, os blaugranas, por sua vez, firmaram o melhor início de um time em toda história do campeonato, vindo a perder sua invencibilidade apenas na primeira rodada do returno (derrota para a Real Sociedad por 3x2 no País Basco). Pela Copa do Rei, o Barça conseguiu boa vantagem ao empatar contra o Real Madrid no Bernabéu por 1x1.

Pontos fortes
Milan: A sequência de bons resultados deve dar um gás a mais para a equipe milanesa, mas são poucos os pontos fortes do atual Milan. Allegri tem no jovem El Shaarawy sua principal arma ofensiva, o artilheiro do time na Serie A e na Champions League, com 15 e 2 gols, respectivamente, contribuindo também com 4 assistências na temporada. Outros destacáveis dos rossoneri são Montolivo, Constant e De Sciglio. O primeiro vem rendendo bem na função de regista, correspondendo as expectativas, enquanto o segundo, por sua vez, talvez seja a grande surpresa na temporada, indo bem na lateral esquerda, e mesmo lhe faltando técnica, compensa com entrega e bom posicionamento. Já o último é a grande revelação do Diavolo, fazendo valer toda a expectativa criada após seu ótimo desempenho na base rossonera, desbancando o antes titularíssimo Abate e conquistando, inclusive, uma lembrança de Prandelli na Nazionale.

Barcelona: Lionel Messi e Andrés Iniesta vivem estados de graça. O primeiro, eleito pela quarta vez consecutiva o melhor jogador do mundo pela Fifa e France Football no início de janeiro, caminha para registrar sua melhor temporada nos números, após assombrosos 72 gols na temporada passada - 91 no ano. São 48 gols em 36 jogos, uma média de 1.33 por partida. Iniesta, por sua vez, é o motor do time. Adaptado ao setor esquerdo do ataque, em uma tentativa de encaixar Fàbregas no meio-campo, o espanhol, segundo muitos especialistas, faz a melhor temporada de sua carreira. Impulsionado pelo título e o troféu de MVP da Eurocopa, o camisa 8 é fundamental para o esquema do treinador, fazendo ótima parceria com Jordi Alba pelo lado esquerdo. Fàbregas é outro grande nome do Barça na temporada. Após um início fulminante, ele caiu de rendimento nos últimos jogos, mas nada de tão impressionante. Por outro lado, quem cresceu consideravelmente na temporada foi Xavi. O camisa 6 começou de maneira tímida, não tão dominante no meio-campo, mas desde dezembro tem feito partidas com selo Xavi.

Pontos fracos
Milan: Apesar do bom momento dos últimos quatro meses, o time de Allegri não apresenta bom futebol, que, certamente, não enche os olhos dos rossoneri. Suas vitórias geralmente vêm de placares apertados e/ou decididos no final dos 90 minutos, tendo muitas dificuldades contra equipes que jogam mais fechados e que usam contra-ataque e bola longa. O Milan tem a segunda maior média de posse de bola, 57,9%, atrás apenas da Juventus, contudo apresenta problemas quando com a posse, aproveitá-la para abrir espaços na defesa adversária, fazer infiltrações, chutar ao gol e, claro, converter suas chances, mesmo tendo o quarto melhor ataque da Serie A, 34% de gols do menino El Shaarawy, sobrecarregado no ataque. Balotelli, contratado no mercado de inverno, conseguiu amenizar um pouco a situação, marcando quatro gols em três jogos, porém não poderá jogar pelo Diavolo na Champions League, por já ter atuado pelo Manchester City. Não bastasse isso, a defesa segue falha, especialmente os zagueiros. Os veteranos Mexès, Yépes e Bonera não conseguem substituir a altura Nesta e Thiago Silva, e ainda apresentam certa irregularidade, enquanto Zapata não consegue repetir as atuações dos tempos de Udinese, também apresentando irregularidade.

Barcelona: Desde a Era Guardiola a zaga não inspirava confiança. Com Tito Vilanova tem exagerado. Os erros são múltiplos e cruciais. A recomposição é feita com muita lentidão, o que gera muitas bolas nas costas, sobretudo pelo lado de Daniel Alves, lateral que ataca com mais frequência que Alba, o lateral esquerdo. O catalão, talvez, seja o grande destaque desse sistema defensivo. Inteligente taticamente, ele comete poucos erros e ajuda substancialmente o ataque. Com Puyol apto, a melhoria é considerável, porém não garante 100% de confiança. Piqué, após bom início de temporada, voltou a falhar em janeiro, mas ganhou moral após anular Cristiano Ronaldo no superclássico de três semanas atrás. Outro ponto fraco conhecido desse time do Barça é a dificuldades de encarar retrancas. A eliminação para o Chelsea ratificou essa deficiência. Contra o próprio Milan, pelas quartas-de-finais da LC 2011-12, os azulgrenás passaram por dificuldades no San Siro, quando os rossoneros retraíram as linhas e diminuiram os espaços de Messi e Xavi. 

Expectativas
Milan: Bom momento, futebol burocrático, as expectativas do Milan contra o líder espanhol e soberano Barcelona não são das melhores. Contra o eficiente time de Tito Vilanova, Allegri já não conta mais com Ibrahimovic e Thiago Silva, além da disposição tática da equipe das últimas duas temporadas, fatores que seriam fundamentais contra o clube catalão, que também vem apresentando problemas na defesa, problemas esses que poderiam ser explorados pelo trio Niang-Balotelli-El Shaarawy, que não poderá se repetir nos dois confrontos pela ausência do camisa 45. Além de tudo isso, o retrospecto da equipe de Milanello contra o Barcelona também pesa contra: nos últimos seis jogos, foram três vitórias dos culés, sendo duas em pleno San Siro, e três empates. Os comandados de Allegri terão de se superar caso ainda sonhem com o avanço para as quartas, mas pelo visto as atenções do time de Berlusconi estão todas voltadas para a Serie A, na briga por uma vaga na próxima Champions.

Barcelona: O Barcelona recuperou o bom futebol dos últimos tempos, após um fraco início quanto ao desempenho em campo, e chega ao confronto com muita confiança e com o peso do favoritismo ao seu lado. 12 pontos à frente do vice-líder Atlético de Madrid, os azulgrenás podem se concentrar com mais atenção à competição europeia. O treinador Tito Vilanova não estará presente nos confrontos devido a uma ida a Nova York para o início da quimioterapia para curar o câncer. O auxiliar Jordi Roura, nos últimos três jogos, tem feito alguns turnovers no time titular especialmente para evitar algumas lesões, principalmente de jogadores "frágeis" fisicamente, casos de Iniesta, Fàbregas, Daniel Alves, Puyol e Xavi. Em quatro confrontos contra o Milan na temporada passada, o Barcelona venceu dois, enquanto os outros dois terminaram empatados. Por tudo que as equipes vem apresentando na atual temporada, é fácil imaginar os catalães avançando de fase com certa facilidade. Mas uma camisa como a do Milan merece respeito, como frisou Roura na coletiva pós-jogo contra o Granada, no sábado.

Prováveis escalações
Milan: Abbiati; De Sciglio (Abate), Mexès (Zapata), Yépes, Constant; Nocerino, Montolivo, Boateng (Muntari); Niang, Pazzini (Bojan), El Shaarawy. Técnico: Allegri.

Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Piqué, Puyol, Alba; Busquets, Xavi, Fàbregas; Pedro, Messi, Iniesta. Técnico: Jordi Roura

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Ao resgate

 Nas últimas duas semanas, o Barcelona recuperou o bom futebol e promete voltar a encantar (getty images)

No Ciutat de Valencia, o Barcelona, na teoria, teria um confronto difícil contra o Levante. Quarto colocado da Liga Espanhola e com a moral em alta após conseguir uma inédita e histórica classificação ao mata-mata da Liga Europa, os levantinos prometiam vida difícil aos blaugranas, assim como nos dois últimos confrontos em Valencia. O que aconteceu, sobretudo no segundo tempo, foi justamente o contrário. O gol de Messi logo na volta do intervalo abriu o caixão e serviu para fazer o Barcelona relaxar e chegar a mais três gols naturalmente, construindo as jogadas e exercendo um belo futebol.

É um desafio escrever sobre o Barcelona de Tito Vilanova sem entrar em comparações com o de Josep Guardiola (em evidência no Brasil após a suposta vontade de treinar a seleção brasileira). Mas esse é um desafio que deve ser encarado, porque não há nada mais vazio do que dizer que "o elenco é o mesmo" ou que "o time de Guardiola encantava mais", o que ainda é um equívoco, visto que a equipe de Vilanova poucas vezes fez um jogo completo com o onze que o novo treinador pretender levar a campo nos momentos decisivos. Ontem, por exemplo, Tito iniciou o duelo que fechou a noite com esses jogadores, ainda que tenha colocado Iniesta aberto à esquerda do ataque. Com Villa ainda sem estar no auge da forma e Tello e Alexis Sánchez em más fases, é perfeitamente plausível ver o meio-campista fazendo as vezes no ataque, como faz costumeiramente pela seleção espanhola.

O Barcelona de Tito Vilanova cumpre com competência, ainda que não com excelência, o que se espera dele: ele vence. Ontem, nos 4x0 diante do Levante, o Tito Team igualou o melhor arranque da história da Liga Espanhola, que, até o momento, pertencia em solitário ao Real Madrid de 91/92. À época, a equipe treinada por Antic somou 12 vitórias e um empate nas 13 primeiras rodadas, exatamente os mesmos registros que apresenta o Barça atual. No futebol espanhol, considerando Liga BBVA, Liga Adelante e Segunda División B, os blaugranas são os únicos a não conhecerem a derrotam em território doméstico, após o Tenerife perder sua primeira partida no sábado. Em âmbito continental, foram derrotados pelo Celtic por 2x1, pela quarta rodada da Uefa Champions League. Mais cedo, no início da temporada, uma derrota para o Real Madrid por 2x1 que custou a Supercopa Espanhola.

Mas essa excelência, pelo visto, começa a dar as caras. Contra Zaragoza, Spartak Moscou (primeiro tempo) e Levante, o Barcelona fez jogadas e gols semelhantes aos dos tempos áureos com o treinador anterior. Coincidentemente, o bom futebol retornou justamente quando Puyol se recuperou de lesão e formou a zaga ao lado de Piqué. A melhora defensiva é considerável. A recomposição também é feita com mais atenção. Pelo menos nesses três jogos, o Barcelona ofereceu pouca chances aos adversários e os laterais sofreram poucas bolas nas costas, algo que tornou-se praxe nos três meses anteriores. Jordi Alba iniciou a temporada em alto nível e não é exagero dizer que, atualmente, ele é o melhor lateral esquerdo do mundo, enquanto Marcelo não está apto por lesão.

No meio-campo, uma figura cresce e impussiona o Barcelona: Andrés Iniesta. Após um início de temporada modorrento, onde não engatou sequência na equipe titular graças à fase de Fàbregas, ele está fazendo jus ao prêmio de melhor jogador da Europa. Contra o Levante, ratificou a boa fase com atuação espetacular, ofuscando Messi. Foram três assistências e um golaço para dissipar as dúvidas. Por outro lado, o grande maestro Xavi permanece tímido. Fàbregas, quando escalado no setor do camisa 6, mostrou mais serviço e apresentou um leque de jogadas maiores que os do atual Xavi. Cesc deu oito assistências para gols e anotou quatro tentos, enquanto Xavi assistiu apenas uma vez e foi às redes três vezes.

O craque do time tem correspondido até num nível acima do normal. Após apresentar uma versão mais humana, Lionel Messi já desempenha um futebol digno de melhor do mundo. Se movimentando com mais contundência e arriscando mais dribles e arrancadas, ele está bem longe do Messi tímido que iniciou a temporada, muito preso à função de um verdadeiro nove. Seus números assustam. São 82 gols em 2012 e 26 na temporada 2012/2013. Após ultrapassar a maior marca de Pelé num único ano, La Pulga está a um passo de chegar em Gerd Müller, o maior artilheiro, que marcou 85 gols em 1972. Agora é questão de tempo. Artilheiro isolado da Liga Espanhola com 19 gols e da Champions League com 5 (ao lado de Artur e Cristiano Ronaldo), o dado a seguir assusta: equipes como Liverpool e Milan marcaram 71 e 81 gols ao longo do ano, menos do que o argentino sozinho.

Ainda assim, há quem viva um pesadelo. Antes tratado como peça-chave, Daniel Alves já não é mais tão fundamental. Mais uma vez lesionado (pela quarta vez em três meses), ele ficará duas semanas fora do gramado. Montoya não é um substituto à altura, mas tem sido essencial porque está servindo para contrabalancear as subidas de Alba pela esquerda. Até por ser mais conservador que o baiano, o canterano deixa o sistema defensivo menos exposto. Sua atuação no superclássico do início de outubro foi positiva. Daniel Alves, por ter boa qualidade ofensiva, poderia ser opção para jogar aberto à direita no ataque, papel este que desempenhou em algumas partidas com Guardiola, quando o treinador optou pelo uso do 3-4-3. O entendimento com Xavi e Messi pode ajudá-lo.

Finalmente, após algumas críticas e especulações de fim de ciclo, o Barcelona mostrou capacidade de ser avassalador novamente. Com o bom futebol de volta, será que veremos a melhor equipe dessa geração encantar em campo novamente, como vimos com tanta frequência nos últimos quatro anos?

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Melhorando

 Messi fez seu melhor jogo na temporada e ilusiona o torcedor culé (getty images)

O Barcelona sofreu o primeiro gol, virou e recebeu o de empate logo em seguida. O empate por 2x2 contra o Real Madrid não foi ruim porque, querendo ou não, ele servia bastante para manter a diferença de oito pontos, mas certamente há o que lamentar. A chance desperdiçada por Pedro no último lance do jogo tirou o gosto de uma vitória que seria mais do que essencial e abasteceria de moral uma equipe que, apesar de estar invicta na Liga e na UCL, tem muitas interrogações para responder.

No entanto, há uma melhora substancial dos blaugranas a cada partida. No meio da semana passada, contra o Benfica, o time de Tito Vilanova passou por alguns apuros, mas soube controlar com contundência os Encarnados. No superclássico do final de semana, a história se repetiu no segundo tempo. Após um primeiro tempo mais a favor do Real Madrid, especialmente até o gol de empate marcado por Messi, o Barcelona teve lampejos do tempo áureo na reta final da primeira etapa e durante 80% do tempo do segundo tempo. O gol de empate merengue, por outro lado, escancarou um erro que vem sendo criticado desde o início de temporada pela imprensa: o mau posicionamento da linha defensiva.

Os problemas do Barcelona, porém, não se resumem apenas a isso. À exceção de Daniel Alves, que atuou menos de 30 minutos, Piqué, Puyol e Abidal, titulares da primeira linha de quatro em condições normais, não foram convocados ao duelo por lesão. O condicionamento físico dos jogadores não é o melhor possível. Um problema que já dura desde a última temporada, quando Josep Guardiola viu-se em meio a grande dor de cabeça com as mais de 103 (!) lesões musculares de seus comandados. Javier Mascherano é o retrato da atual zaga barcelonista. O argentino é perfeito no mano-a-mano e, apesar de acharem o contrário, desarma limpamente em boa parte das jogadas; contudo, se posiciona muito mal e volta e meia deixa um adversário em condições de gol.

Mas há luz no fim do túnel catalão. A jogada construída no lance que terminou em chute na trave de Montoya, no fim da partida, mostrou que os jogadores ainda sabem acelerar a bola e confundir o adversário com ela. Foi de Messi para Iniesta, de Iniesta para Pedro, de Pedro para Xavi, de Xavi para Montoya, que acertou um belo chute no travessão de Casillas. O jovem lateral, vale o adendo, substituiu positivamente Daniel Alves. Mais defensivo do que o baiano, a opção por ganhar mais solvência porque, na esquerda, Alba é um lateral reconhecidamente mais ofensivo. Ainda que seu trabalho de reposição tenha recebido nota 10 na crítica do Diário Sport, Alba, certamente, não terá fôlego para subir e descer toda hora.

A atuação de Messi ilusiona o torcedor culé. Após iniciar a temporada mostrando uma versão menos avassaladora e mais humana, La Pulga, sobretudo no segundo tempo, desempenhou um futebol digno de um dos melhores jogadores da história. Arrancou com a bola, deixou companheiros na cara do gol, espalhou pane a uma defesa que estava sólida e marcou dois gols. Só não saiu como protagonista mór do jogo porque, do outro lado, havia um Cristiano Ronaldo sedento por ir às redes. O Barcelona (e Messi) ainda não retornou à forma perfeita, e dificilmente irá encantar tanto quanto nos últimos quatro anos, mas caminha para uma melhora significativa. Pode ter certeza de que esse time irá brigar por todos os títulos da temporada.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Um Messi humano

Pela primeira vez em três anos, Lionel Messi teve férias completas. Sem Copa América ou Copa do Mundo, o argentino se apresentou no primeiro dia programado por Tito Vilanova. Os exames médicos no primeiro dia da pré-temporada apontaram um Messi tão saudável quanto da época do triplete. Os números deles neste início de temporada mostram até uma superioridade em relação a 08/09: são 10 gols e cinco assistências em 10 jogos. Porém, em campo, o desempenho da Pulga é de um humano qualquer.

A máquina de jogar futebol das últimas quatro temporadas é vista somente em lampejos. Aquém do que pode fazer, ele tem se limitado a dar muitos passes para o lado e pouco finalizar ao gol. Mais disciplente do que o comum, as costumeiras arrancadas raras vezes foram vistas nesses primeiros 10 jogos. A questão é que quando Messi resolve ser Messi alguma jogada eficiente sai. Contra o Spartak Moscou, na estreia da Champions League, o argentino passou 75 minutos do duelo despercebido. Nos 15 minutos finais, marcou dois gols e definiu a virada barcelonista. Na vitória contra o Sevilla, no último sábado, foram duas assistências para Fábregas e Villa decretarem a importante e suada vitória na Andaluzia.

Contra o Benfica, novamente vimos um Messi opaco, mas que à medida que o tempo passava se soltava. Ele voltou a mostrar erros primários e escolhas, no mínimo, controversas. A imprensa espanhola demorou para tocar no assunto, mas aos poucos já começa a perceber a faceta humana do camisa 10. Não se trata de questão física porque Messi está, teoricamente, bem. O Diário Sport, antes do compromisso da Argentina contra Paraguai e Peru, noticiou que ele tem jogado com dores desde o final da temporada passada. Isso nos remete a uma declaração de Xabi Alonso na Eurocopa: "naquele jogo (Barcelona 1x2 Real Madrid), o Messi parecia que estava lesionado".

Pode ser, também, uma questão de posicionamento. Com Guardiola, desde 09/10, Messi passou a atuar no centro do ataque com liberdade de movimentação. Ele participava da fluência do jogo no meio junto de Xavi e Iniesta e chegava para concluir as jogadas na frente, um autêntico falso nove. Com Tito Vilanova, La Pulga parece, de fato, um 9. Guardando mais posição do que de costume, tem ficado preso à linha de marcação adversária. Em situações adversas, resolve se prender. O periódico argentino Olé, em setembro, havia publicado uma reportagem especulando que Messi avisou a Alejandro Sabella, técnico da seleção argentina, que preferia jogar como enganche, atrás dos atacantes. O argentino continua decisivo, como os números mostram, mas menos energético em campo.

O texto vem nesse momento porque, como sabemos, domingo tem superclássico. Num momento onde o Barcelona atravessa uma fase cheia de carências, Messi é muito mais do que importante. Mourinho sabe como marcá-lo e ele vai precisar se reinventar. Do outro lado, o rival Cristiano Ronaldo, que começou a temporada tão opaco quanto Messi, começa a mostrar seu real futebol.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O paradoxo de Tito Vilanova

 Tito Vilanova e a árdua missão de substituir Josep Guardiola (getty images)

Mudança de ciclo sempre são bastante complicadas. Ainda mais em clubes grandes, onde a pressão por um trabalho bem feito começam desde os primeiros meses. No Barcelona, logicamente, não é diferente. Tito Vilanova passa por um processo semelhante ao que seu antecessor, Josep Guardiola, passou quando assumiu o lugar de Frank Rijkaard em 2008: a cobrança pelo resultado. A perda da Supercopa para o Real Madrid deixou boa parte de torcedores e simpatizantes do clube catalão com um pulga atrás da orelha.

É natural que Tito Vilanova seja pressionado, mas as análises mais ponderadas precisam esperar pelo verdadeiro Barcelona 2012/13. O novo treinador fez uma pré-temporada bem saudável e tinha tudo nas mãos para começar a temporada voando, mas não é isso que os jogadores mostraram nos primeiros cinco jogos antes da pausa para a Data Fifa. É arriscado e pesado chamar de pragmático o futebol da equipe que mais encantou o mundo nos últimos quatro anos; mas, baseando nos duelos contra Real Madrid no Santiago Bernabéu, Osasuna e Valencia, a definição é cabível. O toque de bola, tão refinado e objetivo, parece ser utilizado somente para passar o tempo e esperar o jogo acabar. Mal comparando, parece a Espanha em boa parte da Eurocopa 2012.

A linha defensiva está mais frágil. Vilanova falhou na tentativa de contratar um zagueiro, que seria o substituto de Puyol, passando por consecutivos problemas físicos, e por isso mudou a atenção para a contratação de um substituto para Busquets. Efetivar o jovem Marc Bartra foi a alternativa utilizada para preencher a lacuna da não contratação de um defensor, mas colocar as esperanças num canterano que, por mais promissor que seja, ainda é inexperiente é arriscado. Contra o Real Madrid, Adriano, Piqué, Mascherano e Alba sofreram, principalmente no primeiro tempo, com a velocidade imposta pelos fortes contra-ataques merengues. A expulsão de Adriano foi simbólica. 

O ataque, pelo menos neste início de temporada, parece continuar bastante dependente de Lionel Messi. Paradoxalmente, isso representa o maior perigo para Tito Vilanova: e quando Messi não decidir?; e quando Messi for anulado pelo esquema adversário, como contra nos duelos contra o Chelsea? Não há um Samuel Eto'o ou um Thierry Henry, que cansavam de decidir, durante a primeira temporada de Guardiola no Barcelona, quando o argentino não estava em boa noite. Alexis Sánchez não é um goleador nato e Tello é só incógnita, apesar da (cega) insistência do treinador no garoto. A esperança é David Villa, que ainda não recebeu alta médica, retornar em um bom nível e Pedro reencontrar o caminho dos gols decisivos. Contra o Real Madrid, na partida de ida da Supercopa, o canário marcou um importante gol que recolocou o Barça no duelo.

O que tem chamado a atenção são as substituições de Tito Vilanova. Ele demora a mexer na equipe e, quando o faz, não é da maneira que deveria ser. O caso mais lembrado é a entrada de Tello no Bernabéu, quando o treinador tinha à disposição dois campeões do mundo no banco de reservas, Villa e Fàbregas. Ainda que o Guaje não possa atuar num ritmo mais pesado, por que não tentar Fàbregas? O catalão é outro capítulo à parte do início da era Vilanova. Displicente, tem limitado-se a dar passes para o lado e parece fora de conexão com o restante dos jogadores. Escalado no setor onde mais gostaria de atuar, Cesc não foi bem quando jogou no lugar de Xavi, na armação, nem de Iniesta, ao lado do camisa seis no meio-campo.

No entanto, acontece que é praxe o Barcelona iniciar a temporada num ritmo mais leve. A exemplo de comparação, o Barcelona de Guardiola em 2008/2009 somou quatro pontos nas três primeiras rodadas (uma derrota, um empate e uma vitória). O da atual temporada, pelo menos, tem nove pontos, o que dá margem para um descanso lá na reta final, se a equipe tiver disputando as fases finais da Champions League. Em 2010/2011, ano que ganhou Liga e Champions League, o Barcelona só foi convencer no final de novembro, quando derrotou o Real Madrid por 5x0 e, a partir dali, explodiu definitivamente. Por isso, a pressa quanto ao trabalho de Vilanova é, em certo ponto, exagerada. Quem acompanha os azulgrenás veementemente nos últimos anos sabe que eles tendem a começar a "voar" a partir do final de outubro ou começo de novembro. Porém, por outro lado, Vilanova já deveria dar demonstração de que acerta mais que erra e não criar mais dúvidas.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Superjogo

 No último jogo, Cristiano Ronaldo decidiu e tirou onda... (getty images)

Não poderia haver confronto melhor para "abrir" a temporada de elite espanhola. Tradicionalmente, a disputa da Supercopa é o pontapé inicial para a Liga Espanhola, porém a LFP decidiu inverter os valores e começou a temporada com a primeira rodada da Liga BBVA. O que mais importa, no entanto, é que amanhã, às 17h30, horário de Brasília, o Camp Nou recebe o jogo de ida entre Barcelona e Real Madrid. Pela segunda vez consecutiva, os maiores clubes do futebol espanhol se enfrentam na decisão do torneio. No ano passado, o Barcelona, maior vencedor da competição, teve um Messi mágico e levantou a taça.

Nos bastidores, polêmicas. Expulsos no confronto de 2011, Marcelo, Mesut Özil e David Villa poderão atuar normalmente amanhã. O novo comitê de arbitragem espanhol considerou que a multa paga pelo trio em setembro passado "compensa" a lógica suspensão que eles deveriam cumprir. Na coletiva pré-jogo, José Mourinho e Tito Vilanova se alfinetaram de leve. O português considerou que "não quebrou nenhuma hegemonia ao conquistar a Liga Espanhola porque não há hegemonia alguma quando um time não consegue vencer a Champions League, torneio mais difícil de clubes, duas vezes consecutivas". Irônico, o catalão rebateu: "verdade, não há hegemonia quando você vence 14 de 19 campeonatos".

Com Alex Song, novo contratado junto ao Arsenal, à disposição, o Barcelona parece mais preparado para os duelos. Ao contrário da temporada passada, os blaugranas fizeram uma pré-temporada mais estável que a dos merengues e contam com os retornos de David Villa e Ibrahim Afellay como opções. O Guaje voltou em alto estilo, marcando contra a Real Sociedad, mas é difícil pensar na sua escalação como titular. Com base nos amistosos e na estreia na Liga, existe a tendência de que Pedro comece os 45 minutos iniciais. A dúvida de Tito é o último homem de ataque. Ele ainda não se rendeu à ideia de jogar com Fàbregas mais adiantado - nem Iniesta, por exemplo, que só deve aparecer nesta posição em caso de urgência - e, com o retorno de Alexis Sánchez, pode iniciar com o chileno. Arriscar Tello, titular na derrota de abril, é improvável.

Mourinho esconde, mas sabe o quão importante é começar a temporada desbancando o rival novamente. Ele afirmou que prefere "perder a Supercopa, mas ganhar a Liga BBVA ao final da temporada". Blefe? A depender dessa declaração, o gajo mostra que não se importa em fazer experiências e priorizar a preparação para a temporada de fato. Assim, não é improvável a presença da trinca de volantes no meio-campo e o retorno do 4-3-3. Mourinho havia dado mostras de que abdicara dessa tática mais conservadora desde que jogara bem contra o Barcelona no 4-2-3-1. Em janeiro, no confronto da Copa do Rei, o Real Madrid dominou os azulgrenás no Camp Nou e saíram de campo satisfeitos com o empate por 2x2, apesar da eliminação na competição. O resultado foi a vitória no mesmo estádio três meses depois, no jogo que decretou o título espanhol.

A aplicação tática de jogadores como Özil, Di María, Xabi Alonso, Khedira e até Cristiano Ronaldo é essencial para a fluência da tática sem que haja covardias. É claro que há um recuo natural das linhas para se proteger do poderio barcelonista, mas já é bem diferente da proposta utilizada, por exemplo, no confronto de ida da semifinal da Champions League, em 2010/2011. Os merengues são programados para se protegerem com solidez encurtarem o máximo possível os espaços do Barcelona, evitarem a presença de Messi no setor onde ele mais gosta de atuar e saírem com perfeição no contra-ataque. O simbólico gol de Cristiano Ronaldo no último jogo evidencia isso. Foi uma bola roubada no campo de defesa, lançada para Özil e definida pelo português. Tudo como o script manda. O problema será a defesa, que não terá Pepe, lesionado, e sim o inconstante e nada confiável Raúl Albiol.

... mas Messi e o Barcelona pretendem dar a volta por cima. Quem largará na frente? (zimbio)

Apesar de ser cedo para chegar a alguma conclusão, o Barcelona ilusiona. Com um elenco bem mais homogêneo em relação ao de 2011/2012, o triunfo contra a Real Sociedad mostrou uma faceta que há tempos não se via no jogo azulgrená: a utilização em demasia dos ponteiros. As chamadas infiltrações que tanto aterrorizou os adversários durante três temporadas e meia da era Guardiola raramente foi vista no segundo semestre da campanha passada. A escolha de jogar no 3-4-3 por parte de Pep foi o principal responsável pela perda de uma das principais jogadas. Com quatro meio-campistas, o jogo tendia a se concentrar mais pelo centro, o que explica um pouco os mais de 70 gols de Messi.

Na defesa, Puyol oferece segurança a quaisquer parceiros. Em forma fisicamente, o capitão iniciou muito bem a temporada e deve ser acompanhado de Mascherano ou Piqué, o que só será definido em última hora. Alba, na esquerda, não é um marcador nato e precisa balancear as investidas ao ataque com a defesa. Se, com Daniel Alves, o lado direito fica mais vulnerável, com o Alba o setor esquerdo também ficará bastante exposto, o que pode ser um perigo para Vilanova: é exatamente os ponteiros merengues (Cristiano Ronaldo e Di María) que fazem a diferença nesse tipo de jogo. Busquets, que costuma fazer a cobertura do lado direito para deixar o baiano livre para subir, terá que se redobrar nos dois flancos.

No confronto das principais estrelas, o momento é inverso. Cristiano Ronaldo, sempre cobrado por atuações positivas no superclássico, vem de três jogos consecutivos marcando gols contra o Barcelona, enquanto Lionel Messi já não marca há quatro partidas contra o Real Madrid. A média do argentino, que era praticamente de um gol por partida, diminuiu. Até por sinalizar menos alterações em relação à temporada passada e mostrar um estado físico melhor nesta abertura da temporada, o Barcelona parece ter certa vantagem para amanhã, mas nada que transforme uma eventual vitória do Madrid em surpresa. Os blancos sabem o caminho para a vitória.

Málaga
Os blanquiazules fizeram a lição de casa e venceram o Panathinaikos por 2x0 no jogo de ida da última fase classificatória da Uefa Champions League. Atuando com sobresaliência, os boquerones não deram espaços para o time grego e mereceram sair com a vitória. Marcaram sob pressão desde o campo de ataque, tiveram o controle da posse de bola e levaram muito perigo nos ataques. A movimentação do trio de meio-campistas foi o segredo da vitória. Isco, Eliseu e Joaquín - até ele, veja bem - se revezaram bastante e levaram a zaga rival à loucura. A vantagem é considerável, mas Manuel Pellegrini precisa abrir o olho, pois o Panathinaikos costuma atuar muito bem em Athenas. Assim, os andaluzes estão a 90 minutos de alcançarem a fase de grupos da principal competição de clubes do mundo.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Início de mandato

Agora é para valer: Tito Vilanova iniciou os treinamentos de pré-temporada e está confiante para a árdua missão de substituir Josep Guardiola (AP Photos)

Começou o trabalho de Tito Vilanova no Barcelona. Com o retorno de boa parte do elenco das férias, o novo treinador iniciou o período de treinamento para a pré-temporada. Do plantel, 13 jogadores estão em Barcelona, incluíndo Messi, Daniel Alves e Villa. A exceção são os jogadores que disputaram a Eurocopa (Víctor Valdés, Xavi, Iniesta, Fàbregas, Piqué, Alba e Afellay), além dos lesionados Thiago Alcântara, Abidal, Adriano, Fontás e Cuenca. Tello e Montoya, com a seleção olímpica espanhola, também não estão disponível. O novo staff, definido por Vilanova, Zubizarreta e Sandro Rosell, já se apresentou e está trabalhando. Passado o período de férias e com tudo internamente resolvido, agora a hora é de resolver os problemas do mercado de transferências. A primeira solução já foi concluída: a contratação de Jordi Alba, que chega para ser o novo dono da lateral esquerda.

O clube passa por apuros para contratar um zagueiro. Thiago Silva, sonho de consumo de Zubizarreta, esteve próximo de um acerto, mas a quantia que o Milan pediu (60 milhões de euros) o Barcelona não estava disposto a pagar. Ainda por cima, viu o PSG atravessar a negociação e confirmar o zagueiro brasileiro. Atualmente, o preferido de Tito e Zubi é Javi Martínez. Porém, o Athletic Bilbao deixou claro que não irá se desfazer de seu polivalente jogador de uma maneira tão fácil. Inicialmente, o clube basco entrou em acordo com os catalães para negociar Javi; contudo, apenas se o Barça aceitasse pagar os 40 milhões de euros de sua rescisão de contrato. Após isso, a diretoria entrou em um dilema: pagar isso tudo em apenas um jogador ou dividir o dinheiro em mais de um? Passa na cabeça de Tito, também, dar mais oportunidades a canteranos, como Bartra ou Muniesa - esse último, aliás, pode estar de saída para o Ajax, por empréstimo de um ano. Mas há outras alternativas. Agger, Vermaelen e até o brasileiro Dedé estão na órbita dos azulgrenás.

No meio-campo, a saída surpresa de Keita foi vista como uma dor de cabeça a mais. Sem um meio-campista que considerava 12º jogador, o treinador mudou de ideia e optou por reforçar também esse setor. Cabaye (Newclaste) e M'Vila (Rennes) são os preferidos de Vilanova, que poderia utilizar Javi Martínez na volância, visto que essa é sua posição de origem. Mas mais uma vez o tapa buraco pode acabar sendo puxado das canteras. Jogadores como Jonathan dos Santos, Sergi Roberto e Illie Sánchez irão sair para a pré-temporada junto com o plantel A para serem testados. Outro ponto positivo é o retorno em definitivo de Fàbregas à posição. Utilizado muitas vezes à esquerda do ataque e até de falso nove com Guardiola - fato que inspirou Del Bosque para a Eurocopa -, é muito provável que Cesc só volte para lá em último caso. O lugar dele, para Tito, é no meio-campo, mais possivelmente no setor de Xavi.

O ataque talvez seja a posição que menos preocupa. Tito confia em Alexis Sánchez, Pedro, Villa e Afellay e não cansa de repetir isso. Além disso, as atuações positivas de Deulofeu na Eurocopa Sub-19 pode ser um trunfo ao longo da temporada. O jovem, essencial para o Barcelona B, ficará boa parte do tempo na filial, mas pode ser opção em caso de lesão, como Tello e Cuenca em 2011/2012. A esperança é de que Messi continue brilhando. Fernando Signorini, preparador físico do argentino desde 2009, afirmou que o mundo presenciará a melhor versão de La Pulga nesta nova temporada. E, a bem da verdade, o camisa dez parece estar com bastante ganância. Após a falha no momento mais crucial da temporada passada, Messi se juntou mais cedo do que o necessário com o elenco para os treinos de pré-temporada. Signorini, aliás, mostrou-se bastante surpreso com a forma física do argentino, a melhor possível mesmo após um bom período de férias.

Na parte tática, haverá algumas mudanças. A principal dela é a não utilização do 3-4-3, que Guardiola tanto tentou implantar na equipe ao longo de 2011/2012. As variações táticas ao longo das partidas também não deverão serem vistas. Tito Vilanova quer o jogo centrado nos flancos, com o uso de bastante infiltrações por parte dos dois jogadores de lado do campo, que deverão se revezarem bastante a fim de surpreenderem o adversário, e mais chutes a gol dos jogadores que vêm de trás. A aproximação de um futebol forte semelhante ao do início da era Guardiola é a principal missão que ele quer atingir. A primeira temporada sem o treinador mais vitorioso da história do clube poderia, no papel, ser um desastre, mas o grupo está com Tito, e ele é o nome mais ideal para substituir seu amigo. Será o início de mais uma nova era vitoriosa no Barcelona?

segunda-feira, 30 de abril de 2012

O sucessor

 Sombra de Guardiola, Tito Vilanova terá a difícil missão de substituir seu amigo no comando técnico do Barcelona (AP Photos)

É tempo de mudança de ciclo no Barcelona. Na última sexta-feira, Josep Guardiola se reuniu com Sandro Rosell e Andoni Zubizarreta para decidir que não irá mais permanecer no comando técnico da equipe a partir da próxima temporada. Com a saída de Guardiola, os azulgrenás serão treinados por Tito Vilanova, auxiliar técnico do atual treinador barcelonista e até hoje um ilustre desconhecido para quem não acompanha o futebol de base na Espanha. Uma mudança não tão drástica no comando da equipe, já que Tito é adorado pelo elenco, que concordou num ato unânime o nome do novo treinador, e conhece a filosofia de jogo e as formas de treinar de Guardiola.

Catalão de Bellcaire, aos 42 anos Vilanova assume o maior desafio de sua vida profissional. A história de Guardiola e seu auxiliar começou cedo. Os dois são amigos de infancia. Coincidiram em La Masía no final dos anos 1980; porém, Vilanova não teve a mesma sorte de Pep. Fora das canteras barcelonistas, jogou duas temporadas no Figueres, pequeno clube da Catalunha, e mais tarde no Celta Vigo. Sua aventura na Galícia fora rápida: não durou um mês e Vilanova se transferiu ao Badajoz. De poupa em poupa, o catalão seguiu seu caminho: Mallorca, Lleida, Elche e Gramenet foram os outros clubes por onde passou. Após não estacionar em um lugar, resolveu se aposentar, em 2002.

Nesse mesmo ano, voltou à sua casa. No retorno ao Barcelona, foi encarregado de treinar o Cadete B dos blaugranas. No time, nada mais nada menos que três nomes especiais: Lionel Messi, Cesc Fàbregas e Gerard Piqué. Tito é internamente famoso também por ter dado início àquele que ficou marcado na história como o maior time da base barcelonista em todos os tempos. A invencibilidade desse super time chegou a cinco temporadas. A geração 1987 venceu títulos em todas as categorias: Alevín A (Sub-12). Infantil A (Sub-13), Infantil B (Sub-14), Cadete B (Sub-15), Cadete A (Sub-16), Juvenil B (Sub-17), Juvenil A (Sub-18). 

Propondo um futebol ofensivo, utilizou o 3-4-3 que variava para o 4-3-3 na prodigiosa equipe. Títulos era rotina daquela geração moldada a partir de Tito Vilanova. A quarta estrela era Victor Vázquez, hoje a serviço do Brugge, da Bélgica. Tito Vilanova, o primeiro treinador de Messi no Barcelona ainda na pré-adolescência, permaneceu com os cadetes (sub-14 e sub-15) até 2003, quando foi demitido justamente por Sandro Rosell, então diretor. 

A chegada de Juan Laporta à presidencia do Barcelona gerou uma série de mudanças drásticas e reestruturação no futebol de base barcelonista. Dez anos depois, Vilanova terá aquele trio em mãos outra vez. Promovido pelo presidente Rosell. Seu segundo retorno ao clube aconteceu em julho de 2007. Quando a cúpula azulgrená apostou em Guardiola para treinar o Barcelona Atlétic, Pep convidou seu amigo de longa data para ser auxiliar. A parceria permaneceu intacta quando Pep assumiu o time A, em 2008. Ao longo do ciclo de Guardiola, Vilanova ganhou o apelido de "sombra" pela imprensa catalã, justamente porque, segundo palavras de Pep, seu trabalho não seria nada sem o auxiliar. Em 2009, nas quartas-de-finais da Champions League, Vilanova treinou o Barcelona em Munich no confronto contra o Bayern, pelo fato de Pep ter sido expulso no jogo da ida.

Vilanova também já era bem quisto pela direção azulgrená. Foi contratado por expressa vontade de Andoni Zubizarreta, diretor-geral do Barcelona, e vem sendo constantemente elogiado por Guardiola. Ontem, após a esmagadora goleada ante o Rayo Vallecano por 7x0, Pep ratificou sua confiança em Vilanova: " Este time é novo. Tito conhece bem os jogadores e eu estou confiante que o Barcelona vai continuar competitivo sob o comando dele. Estou muito grato por todo o louvor em volta da minha ida, mas eu não estou indo pra sempre. Eu continuarei por perto", disse.

Vilanova já começa a planejar seu primeiro trabalho. O primeiro ato é uma boa preparação na pré-temporada, principalmente com os jogadores europeus que disputarão a Eurocopa. Os amistosos, antes sempre na Ásia ou na América do Norte, serão feitos somente na Europa (Inglaterra e Escócia). O motivo é não desgastar muito o elenco no início da temporada. Quanto a parte técnica, o Diário Sport já especulou que o treinador quer um zagueiro (de preferência Thiago Silva), um lateral esquerdo e um centroavante de ofício (Llorente é o nome ideal). A primeira contratação da Era Vilanova deve ser anunciado daqui a algumas semanas. Trata-se de Jordi Alba, que vinha em namoro com os blaugranas.