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| As prováveis escalações, segundo o Marca |
Futebol espanhol, Campeonato Espanhol, Seleção Espanhola, Copa del Rey, Liga Adelante, Canteras
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Cenário diferente
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
O paradoxo de Tito Vilanova
domingo, 24 de junho de 2012
Propaganda enganosa
sábado, 26 de maio de 2012
O Barcelona de sempre
quarta-feira, 7 de março de 2012
Pintando o 7
E só. Todos os adjetivos que tenho para dar a Messi já os coloquei nesse texto aqui. É tão comum ver grandes jogos de Messi que tornou-se clichê utilizar as mesmas palavras para defini-lo. Portanto, a partir de agora, comentários apenas da atuação do Barcelona no Camp Nou. Com a Liga virtualmente perdida, resta a Guardiola concentrar as forças de seu plantel na Liga dos Campeões. Não que conquistar a Copa do Rei não seja tão importante, mas soaria como fracasso uma temporada no qual a melhor equipe do mundo conquiste apenas o terceiro torneio de maior importância. Os gols hoje saíram com naturalidade, mas partida por partida, no jogo de ida os azulgrenás estiveram com mais sangue nos olhos.
Fato esperado, obviamente. A vantagem conquistada na Alemanha deu ao Barcelona a condição de jogar mais relaxado na partida da volta. Atuação especial de Iniesta, cada vez mais voltando à velha forma. Se a temporada de El Albino tem sido abaixo de sua média, as últimas partidas podem marcar um novo rumo. Contra o Sporting Gijón, no último sábado, levou o Barcelona à vitória sem a presença de Messi. Hoje, ora no meio-campo, ora aberto à esquerda, foi responsável pelas jogadas de perigo do Barça na primeira rodada. Com o placar definido, foi sacado por Guardiola para a entrada de Tello.
O canterano, por sua vez, foi apresentado à Europa. O debut em âmbito europeu foi os dos mais sonhados pelo jovem. Com um doblete, ganhou mais moral com Guardiola e teve seu nome gritado pelos culés pela primeira vez. Nascido em Sabadell, vem conquistando uma vaga no elenco principal de grão em grão. Ao lado de Cuenca, que já foi efetivado exclusivamente a equipe A, é provável pensar no jogador como jogador do time principal na próxima temporada. O momento do canterano é muito bom. Com 10 partidas entre Liga, Copa e Champions, marcou cinco gols. O segundo gol contou com a falha de Leno, mas o primeiro teve um quê de prodígio. Recebeu um bolão de um Fàbregas cada vez mais à Xavi, avançou como um raio pela esquerda e chutou com categoria à esquerda do goleiro alemão.
Atuação destácavel também de Cesc Fàbregas. Revezando de posição com Iniesta e Messi, fez um primeiro tempo tímido, subindo de produção apenas nos 90 minutos finais, quando passou a jogar exclusivamente no meio-campo. A substituição de Xavi por Keita obrigou o camisa 4 a ser recuado à função de armação e, ali, vem brilhando nos últimos jogos. Assim como no compromisso da Espanha contra a Venezuela, deu duas assistências. Das notícias negativas, fica novamente a má noite de Pedro. O canário segue em má fase e não vai aproveitando a ausência de Sánchez. Afobado, perdeu duas ótimas chances de tirar a zica. Teve seu nome coroado pelo Camp Nou no final, mas sabe que faz uma temporada negra. Semana passada, afirmou que sua vaga nos 22 que vão à Eurocopa está em alerta.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Viktória curta
Enquanto Messi desperdiçou cinco chances claras de gols, Iniesta aproveitou a única que teve para marcar (reuters)Para enfrentar o Viktória, Guardiola voltou a abdicar do 3-4-3 que havia utilizado nos primeiros jogos da temporada. Assim como na partida contra o Racing Santander, o 4-3-3 voltou a ser o esquema tático. Curiosamente, a volta do módulo tático que consagrou este Barcelona vem após declarações de Pedro "reclamando" de sua nova posição no esquema. O canário, que é o xodozinho de Pep no elenco, havia dito que vai demorar muito para se adaptar à nova forma de jogar, recompondo as subidas de Daniel Alves. Pedro, inclusive, vinha fazendo a cobertura pelo lado direito muito mal: nos jogos contra Milan e, sobretudo, Valencia, viu-se um buraco enorme no setor direito da defesa barcelonista.
O gol de Iniesta logo no início do jogo condicionou a partida. Após isso, o Barcelona até tentou marcar mais, mas pecou muito nas finalizações. Ao término, foram 22 chutes a gol dos blaugranas, sendo que apenas seis foram em direção às redes de Cech. Se há uma notícia relevante para Guardiola é justamente a partida de Iniesta. Se, contra o Racing Santander, o meio-campista já havia ido muito bem mesmo não estando 100% (volta de lesão), contra o Viktória, El Albino voltou a repetir a bela atuação de outrora: melhor em campo, foi um dos poucos barcelonistas a buscar sempre o gol, ao lado de Messi.
Messi foi um caso à parte do jogo. La Pulga esteve muito bem em campo; entretanto, não concluiu suas jogadas com os êxitos vistos antes. Vale lembrar que Messi busca pela quarta vez consecutiva a artilharia do principal torneio do velho continente, algo nunca registrado anteriormente. Se o ataque não esteve em noite feliz, pelo menos a defesa não foi vazada. Até porque, os tchecos não ameaçaram as redes de Valdés em nenhum momento dos noventa minutos. O goleiro catalão, aliás, está a cinco jogos sem receber um gol. No total, já são 517 minutos sem sofrer um gol, o que deixa Valdés a 60 minutos de superar seu recorde de outrora.
O jogo sem sal no Camp Nou não é o primeiro e nem será o último do Barcelona contra essas equipes inferiores pela fase de grupos da LC. Os azulgrenás não costumam, de umas temporadas para cá, dar show atuando em seus domínios (à exceções, como nos duelos contra Inter e Panathinaikos). Na temporada passada, por exemplo, o Barcelona repetiu os 2 a 0 de ontem contra o Copenhagem em um jogo tão chato quanto contra o Viktória. Na coletiva, Iniesta e Mascherano trataram de amenizar a vitória curta, e falaram que nem sempre é possível ganhar dando show.
O dia depois do jogo contra o Viktória foi de festa. A diretoria do Barcelona inaugurou oficialmente nesta quinta-feira a nova sede da La Masia, o famoso centro de treinamento das canteras azulgrenás. Após 31 anos, a estrutura das divisões de base do clube mudou de lugar e agora está em um prédio de 6 mil metros quadrados, dois andares, com capacidade para 83 pessoas e salas para estudo dos jovens. Segundo informou o diretor de La Masia, Carles Folgueroles, a garotada fará reforço escolar diariamente de 12h às 18h. Também há espaço para o lazer: uma sala de jogos conta com videogame e internet sem fio liberada. Ontem, Guardiola promoveu a estreia oficial de Isaac Cuenca, que entrou no final da partida no lugar de Villa. Foi o décimo-oitavo canterano a estrear desde que Guardiola assumiu o clube, em 2008.
Ih, Valencia!
O outro espanhol a entrar em campo nessa quarta-feira foi o Valencia. Mas ao contrário do Barcelona, que está com a vaga caminhada às oitavas-de-finais, os chés se complicaram ao perder para o Bayer Leverkusen por 2 a 1. Jonas abriu o placar na primeira etapa, dominada completamente pelo Valencia. Entretanto, a queda na postura foi nítida nos quarenta e cinco minutos finais e, não fosse por Diego Alves, o resultado poderia até ter sido mais elástico. A derrota não caiu bem em Paterna. Hoje, as peñas oficiais do clube blanquinegro acusou a equipe de falta de dignidade e entrega e exigiram uma mudança radical nas atitudes dos jogadores. Além disso, criticaram Unay Emery, a quem qualificaram como um treinador "sem sangue". Pela Champions, já são seis jogos sem vencer (a última vitória foi contra o Bursaspor, na quarta rodada da LC passada). Na terceira colocação e a quatro do Bayer, os chés farão um jogo decisivo contra os alemães na próxima rodada, atuando no Valencia. Um empate eliminará virtualmente a equipe comandada por Unai Emery.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Castigado
Outra coisa que Guardiola deve lamentar é a lesão de Iniesta. Após um lance isolado com Abate, o meio-campista lesionou o bíceps femoral da perna esquerda e estará de fora dos gramados por um mês. Curioso é que as outras lesões deste início de temporada foram justamente por esse músculo da perna: Adriano, Piqué, Afellay e Alexis Sánchez ficaram (o espanhol e o chileno ainda estão) inapto devido ao mesmo tipo de lesão. Zubizarreta lamentou a lesão de Iniesta, mas tocou em um outro assunto: a profundidade do elenco. Com a ascensão de Thiago ao plantel A e a contratação de Fàbregas, que começa a temporada muito bem, Guardiola tem duas excelentes opções para suprir a ausência de Iniesta, ao contrário das temporada anteriores, quando tinha que improvisar Keita (foi assim nas últimas duas semifinais de LC, contra Inter e Real Madrid).
Valencia empata na Bélgica
Outro espanhol a entrar em campo na abertura da nova temporada da Champions foi o Valencia. No início do jogo, os chés sufocaram o Genk e pareciam até que iriam vencer facilmente. Contudo, o nível do jogo foi caindo e o zero não saiu do marcador. Para uma partida, teoricamente, fácil, Unai Emery jogou no seu querido 4-3-3, mas mais uma vez a formação mais estragou do que ajudou o Valencia. Adil Rami, melhor em campo, teve a chance de abrir o placar após bela cabeçada, mas a jogada mais perigosa da partida foi um chute de Simayes, defendido por Diego Alves, titular ontem.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Porque o Barcelona é o melhor do mundo
Em ritmo de festa: artilheiro da Champions e da temporada europeia, Messi chegou aos 17 títulos como profissional - e com apenas 23 anos! (getty images)Na final de Londres, o Barcelona jogou da mesma maneira como venceu seus mais importantes jogos na temporada. Mágica, a equipe de Guardiola teve uma altíssima posse de bola e encurralou seu adversário, que chutou apenas uma vez à meta de Víctor Valdés - curiosamente, no gol de Rooney, o único dos Red Devils. Apesar de ter passado um pequeno sufoco nos dez primeiros minutos de jogo, quando o Manchester United resolveu atacar e pressionar a saída de bola do Barcelona, os azulgrenás logo foram tomando conta da partida. O meio-campo mancuniano tinha apenas Carrick para fazer combate. Não é de se estranhar que Iniesta e Xavi tenham jogado com liberdade, tocando a bola quantas vezes quisessem. Apenas o trio de meio-campo do Barça deu 296 passes certos, com aproveitamento entre 89 e 92%. O time inteiro do United deu 301, com 72% de acerto. Iniesta acionou Messi 39 vezes, uma a mais que Xavi. As duplas que mais trocaram passes entre si no Manchester United servem de monumento à falta de atividade dos meias: Ferdinand-Van der Sar (17 vezes), Vidic-Ferdinand (16) e Vidic-Van der Sar (15).
Já somos campeões
Com liberdade, os pilares deste Barcelona comandaram a equipe ao título. Logo nos primeiros minutos, Xavi cruzou com facilidade uma bola concluída erradamente por Pedro, em um prenúncio do que viria pela frente. Villa, em um chute à esquerda de van der Sar, também levou perigo às redes do holandês, antes do Barça abrir o placar. À la Roma 2009, o Barcelona puxou um contra-ataque que teria como final o primeiro gol da partida. Porém, desta vez, os protagonistas foram outros: Xavi arrancou pelo meio e, em uma assistência de mágica, deixou Pedro na cara de van der Sar. Com frieza, o canário bateu no contrapé do holandês para levar a torcida do Barcelona à loucura. Logo depois, o Barcelona provou de seu próprio veneno: Ferdinand roubou no alto uma bola de Pedro e acionou Rooney. Shrek fez uma bela tabela com Giggs, que, até então sumido, devolveu com esperteza para o camisa dez mancuniano finalizar com extrema categoria e empatar a final.
Na volta para o segundo tempo, o jogo cresceu um pouco, com o Barcelona exercendo uma enorme pressão no Manchester United. Daniel Alves desperdiçou uma ótima oportunidade de desempatar a partida, cargo que Messi ficou encarregado de fazer. Após receber de Iniesta na entrada da meia-lua, La Pulga - livre - ajeitou para sua canhota mágica e emendou um belo chute, que ganhou curva e "matou" van der Sar, que reiterou após a partida não ter falhado no lance. O lance mais belo da noite estaria por vir. Messi deu um drible desconcertante em Nani, que havia acabado de entrar, na direita e invadiu a área. Busquets ajeitou para Villa e o Guaje, em um lance fenomenal, acertou com maestria um feliz chute no ângulo de van der Sar, sacramentando o tetra-europeu do Barcelona.
No fim da partida, Guardiola tirou Daniel Alves e colocou o capitão Puyol em campo. Xavi passou a braçadeira para o defensor, que começou no banco de reservas. No final, quem levantou a taça da Champions foi Abidal. Até o apito final do árbitro Viktor Kassai, o time comandado pelo técnico Pep Guardiola continuou envolvendo o Manchester United e não deu a menor chance à equipe britânica sequer sonhar com o empate. A festa da torcida catalã, que estava em maior número e desde o início do jogo demonstrava mais otimismo, era grande no histórico Wembley. Barcelona, tetracampeão europeu. A Europa é do Barça mais uma vez. O mundo reverencia o melhor time do mundo.
Foi um sonho que todo nós queríamos
Messi, por sua vez, merece um capítulo à parte na história da temporada azulgrená. Desde a saída de Eto'o, em julho de 2009, La Pulga se consolidou no posto de ser o homem-gol do time. Ibrahimovic e Villa foram contratados para exercer essa função, mas o argentino, ano após ano, não para de marcar. Em 2010/2011, foram incríveis 55 gols - dois pela seleção argentina - e o prêmio de artilheiro da temporada europeia, ao lado do "rival" Cristiano Ronaldo. Comparações com Ronaldo e Romário são inevitáveis.
Com média de 0,93 gol por jogo (e um gol a cada 86,2 minutos), Messi consagrou-se no ano. Os 205 gols na carreira - 177 pelo Barça e 28 pela Argentina - até o momento estão muito próximos dos 215 que o Baixinho marcou como profissional até os 23 anos (1989) e 232 do Fenômeno até 1999. Com a ressalva de que ambos atuaram no Campeonato Holandês, uma liga de segundo porte na Europa, Messi vai além. Ainda que o tempo seja um adversário de respeito, ele já é o grande candidato a levar para casa mais uma Bola de Ouro, em janeiro.
Caso confirme o favoritismo, Messi irá se igualar aos holandeses Johan Cruyff (1971, 1973 e 1974) e Marco van Basten (1988, 1989 e 1992) e ao francês Michel Platini (1983, 1984 e 1985) com três Bolas de Ouro. O brasileiro Ronaldo e o francês Zinedine Zidane são outros que já foram eleitos três vezes o melhor do mundo, mas em eleição da Fifa - agora unificada com a premiação da “France Football”. Messi, eleito pela Uefa como o melhor jogador da final, além disso, foi artilheiro da 'Champions' pelo terceiro ano seguido. Anteriormente, só o francês Jean-Pierre Papin e o alemão Gerd Müller tinham conquistado este feito.
Vamos comemorar na Praça Sant Jaume
Josep Guardiola é outro que merece bastante destaque na temporada barcelonista. Em dois anos treinando os blaugrana, Guardiola transformou o ambiente do clube, que vivia em uma eterna crise - dentro e fora dos gramados. O catalão preza pela coletividade e conseguiu unir o grupo em torno de seus objetivos. Fato é que os jogadores treinados por ele sempre se doam pelo time. Dentre os principais acertos do técnico, ainda devemos levar em consideração que foi ele que indicou contratações fundamentais para a constituição deste elenco, como Gerard Piqué, Daniel Alves e David Villa, além de subir para o plantel A jogadores como Pedro e Sergio Busquets. Outra grande mudança foi a troca de módulo, dando liberdade para Messi fluir seu jogo. O 4-3-1-2, com Messi jogando atrás de Pedro e Villa, só fez com que La Pulga se consolidasse mais na liderança do futebol.
Individualmente, Josep Guardiola não tem do que reclamar: em menos de cinco anos como treinador, já são dez taças levantadas, entre elas duas Champions League e três Ligas BBVA. Após a partida, Guardiola negou publicamente que estaria se despedindo da equipe azulgrená, após rumores criados por Cruyff em sua coluna semanal no jornal El Periódico. O Marca chegou a especular que a temporada 2011/2012 seria a última do técnico de Santpedor no comando técnico do Barcelona. Segundo a publicação, o comandante azul-grená compartilhou com pessoas íntimas seus pensamentos para a sequência de sua carreira, com as quais o jornal conversou.
O plano seria cumprir o ano de contrato que lhe resta com o Barcelona, na temporada 2011/2012, depois curtir a jornada 2012/2013 inteira de férias e, a partir daí, atender o convite da Federação Catariana de Futebol. Isto significa, sempre segundo o diário, assumir o comando da seleção do Catar, país que receberá a Copa do Mundo de 2022 e que, por ser o país-sede, já tem sua vaga garantida. Guardiola seria o sonho do presidente Sheikh Hamad Bin Khalifa Bin Ahmad Al Thani e receberia R$ 82,7 milhões por ano (36 milhões de euros). O Catar não é um local desconhecido para Guardiola, que jogou no Al-Ahli entre 2003 e 2005 e neste período manteve ótima relação com os dirigentes do futebol do país, o que o levou a participar da promoção da candidatura da nação para o Mundial de 2022.
"Messi ganha o jogo; Xavi e Iniesta destroem os adversários", palavras de Rooney, rendendo-se a dupla após a partida (AP Photos)Vai começar a festa em Canaletes
A equipe catalã venceu o Manchester United com facilidade acima do esperado porque, antes de tudo, dominou o meio-campo. Em teoria, eram apenas três meio-campistas blaugranas – Busquets, Xavi e Iniesta – contra quatro vermelhos – Valencia, Carrick, Giggs e Park. Ainda assim, o Barça tinha superioridade numérica. Park ficou tão ocupado com Daniel Alves que não ficou em cima de nenhum meia barcelonista. Giggs e Valencia não são os melhores marcadores do planeta e não davam conta de parar a troca de passes. O equatoriano, aliás, acabou exagerando nas faltas (cometeu sete, duas a mais que todo o time do Barcelona). Não é de se estranhar que Iniesta e Xavi tenham jogado com liberdade, tocando a bola quantas vezes quisessem.
Um dos aspectos mais fascinantes do sistema de jogo do Barcelona é o modo como a compactação e a fluidez dos movimentos faz o time sempre estar em superioridade numérica. Onde quer que a bola esteja, haverá mais jogadores de azul e grená do que do adversário. É uma matemática difícil de combater.Na atual temporada, Xavi se consolidou como um dos principais ídolos da história do Barcelona. Na partida contra o Levante, no dia 2 de janeiro de 2011, superou Miguelli como o jogador do Barcelona a mais vezes vestir o manto azulgrená na história (568 vezes).
Temos um nome e todos sabem: Barça, Barça, Baaarça!
Os jogadores do Barcelona já estão de férias, mas a diretoria do clube não parou de trabalhar. Nesta segunda-feira, os diretores começaram a avaliar novas contratações e dispensas. A primeira ação deverá ser a renovação de contrato do francês Abidal, que passou recentemente por uma cururgia para retirar um tumor no fígado. O jogador foi homenageado na final da Liga dos Campeões, sendo o capitão na hora de receber a taça.
A diretoria deseja realizar três ou quatro contratações. Fontes do Mundo Deportivo acreditam na aquisição de Rossi, do Villarreal, Fábregas, do Arsenal, e mais um jogador de defesa, que tem recebido tratamento especial por conta dos recentes problemas de Abidal e Puyol, que será operado durante as férias. Pastore, do Palermo, e Willian, brasileiro do Shakhtar, também estão na órbita dos azulgrenás. O lateral-esquerdo José Ángel, do Sporting Gijón, foi confirmado na semana passada, mas os diretores das duas equipes não entraram em acordo e o lateral não deve chegar.
Em homenagem aos culés, o título e cada intertítulo deste texto são versos de Ja Som Campions
Barcelona 3x1 Manchester United
Barcelona: Valdés, Daniel Alves (Puyol), Piqué, Mascherano e Abidal; Busquets, Xavi e Iniesta; Messi, Pedro (Affelay) e David Villa (Keita).
Manchester United: Van der Sar, Fábio (Nani), Vidic, Ferdinand e Evra; Valencia, Carrick (Scholes), Giggs e Park; Wayne Rooney e Chicarito Hernández.
Árbitro: Viktor Kassai (Hungria)
Gols: Pedro (Barcelona), aos 21; Rooney (Manchester United), aos 33 minutos do primeiro tempo; Messi (Barcelona), aos 8, e David Villa (Barcelona), aos 24 minutos do segundo tempo.
Cartões Amarelos: Daniel Alves e Valdés (Barcelona); Carrick e Valencia (Manchester United).
Público: 87.695 pessoas
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Prévia: Barcelona x Manchester United
Na decisão de 2008/2009, Ferdinand só olhou Messi cabecear para sacramentar a vitória e o título do Barcelona. Dois anos depois, as duas equipes voltam a se enfrentar em uma final de Champions (BBC)Naquele 27 de maio de 2009, no Olímpico de Roma, o Barcelona abriu o placar com um incansável Eto'o, que fazia sua última partida pelo clube da Catalunha. O gol contra os red devils, com direito a um drible desconcertante em Vidic, encerrou um lindo ciclo do Rei Leão com os azulgrenás, que resolveram fazer do camaronês uma "moeda de troca" para contratar Ibrahimovic. No lado mancuniano, Cristiano Ronaldo era a grande esperança da equipe, mas, diferentemente de Eto'o, passou em branco nos noventa minutos e, uma semana depois, anunciou sua ida para o Real Madrid.
Como não poderia deixar de ser, contaremos mais uma vez com a excelente colaboração de Leandrus, do Ortodoxo e Moderno, blog especializado em Premier League, que falará mais sobre o Manchester United de Alex Ferguson. Confira a prévia da esperada final entre Barcelona x Manchester United e depois, nos dois endereços, o resumo do embate. Boa leitura!
A temporada até aqui
Barcelona: Campeão da Liga e melhor equipe do mundo, o Barcelona chega à final como o grande favorito. Após algumas más partidas no início de temporada, sobretudo pela lesão de Messi, figura-chave desta equipe, o Barcelona foi se achando de pouco em pouco na temporada e exercendo o futebol envolvente já conhecido por todos. Escalado no 4-3-1-2, com Messi jogando atrás de Villa e Pedro, como um enganche, o Barcelona passou a primeira parte da temporada conseguindo bons resultados e conquistando por diversas vezes a famosa manita, como no superclássico do Camp Nou e as vitórias ante Real Sociedad e Espanyol. No segundo semestre, o rendimento caiu, muito por causa da acomodação na liderança da Liga, mas a margem de derrota ainda era pequena. Após ser vice na Copa e sobreviver na LC na maratona de superclássicos, o doblete (Liga + Champions) é a pequena obsessão de um time que já está na história, sobretudo por ser a base da seleção campeão mundial e ter Messi, que a cada jogo quebra marca atrás de marca. Na temporada, o argentino já foi às redes 52 vezes, mas, com a cabeça na final, acabou deixando o português Cristiano Ronaldo disparar na artilharia da Liga Espanhola.
Manchester United: Para quem pouco se reforçou e começou a temporada levemente ofuscado pelos seus rivais, até que o clube se saiu muito bem. Os Red Devils conquistaram a Premier League com uma rodada de antecedência e de forma merecida. É verdade que a equipe teve lá seus problemas: pouquíssimas vezes brilhou durante os jogos, teve um início de campeonato vacilante, quando empataram demais fora de casa, e encarou uma reta final de jogos mais difícil do que o esperado. Porém, o time de Alex Ferguson foi mais regular do que seus adversários e a que menos pontos bobos desperdiçou, o que foi essencial para que o time conquistasse o campeonato nacional. Essencial, aliás, também foi a subida de produção de alguns jogadores: Nani e Berbatov finalmente floresceram, sendo fantásticos no apoio a Giggs na primeira metade da temporada, enquanto Rooney estava em má fase. Quando o atacante inglês retornou à boa forma, pode ainda contar com o rápido amadurecimento de Chicharito Hernandez, formando com o mexicano uma dupla essencial para os resultados positivos do Manchester United em 2011. Ajudados por um excelente setor defensivo, esse conjunto alcançou vários de seus objetivos e agora busca o double que não pode ser formado antes, já que o time foi derrotado pelo Manchester City na semifinal da Copa da Inglaterra.
Barcelona: A saída de Ibrahimovic, contratação mais cara da história do clube culé, chegou a fazer falta durante os primeiros jogos da temporada, mas acabou sendo assimilada com naturalidade graças a rápida adaptação de Villa à equipe. Sem o sueco, mas com o Guaje, Pedro e Messi, o Barcelona apresenta grande variação tática e pode atuar de diferentes formas, embora jogue mais frequentemente no 4-3-1-2, com Messi fazendo o papel de enganche (jogando atrás de Pedro e Villa), ou no 4-3-2-1, com Messi de falso nove. Quanto aos setores da equipe, destacam-se o meio-campo e o ataque. O futebol de Busquets ascendeu muito após a Copa e o canterano, que pecava por erros infantis, está mais maduro, dando segurança e participando bem dos ataques. Destacam-se também a visão de jogo privilegiada de Xavi, a técnica, qualidade e imprevisibilidade de Iniesta, os gols decisivos de Pedro e Villa e o poder de decisão de Messi.
Manchester United: Uma das grandes forças dos Red Devils está no aspecto mental: a equipe costuma lidar muito bem com as decisões e possui uma veia vencedora incrível. Já no que se refere ao elenco, o conjunto do Manchester United é tão forte e coeso que é difícil citar apenas um setor ou um jogador. A defesa é forte demais, principalmente porque conta Van der Sar, um goleiro experiente e muito seguro, e uma zaga que é uma das melhores do mundo – Ferdinand é um líder nato e Vidic tem um poder de marcação muito alto. No meio campo, Giggs – agora também podendo ser escalado como um meia central – é o maestro de sempre, Valencia voltou de contusão atuando melhor do que antes, e Nani, líder de assistências na Premier League (18), finalmente justificou a grande quantia gasta em sua contratação. Já no ataque, Rooney, embora ainda um pouco distante da excelente forma da temporada anterior, voltou a jogar em bom nível, enquanto Chicharito Hernandez, embora enrolado com a bola nos pés, já mostrou em pouco tempo que tem o faro de gols, principalmente nos grandes jogos. Por fim, ainda há uma grande arma utilizada por Ferguson nas partidas decisivas: o sul-coreano Park. Dono de muita velocidade e comprometimento em campo, ele está sempre ponto para anular uma peça fundamental da equipe adversária e ainda ajudar no ataque. E o principal: enquanto geralmente é menosprezado, cumpre muito bem seu papel. Ele pode ser, por exemplo, o responsável por limitar a presença de Daniel Alves no ataque e ainda armar o jogo nas costas do brasileiro.
Manchester United: É difícil apontar fraquezas numa equipe tão bem balanceada. Porém, elas estão presentes. Esta equipe, acima de tudo, não tem brilho, o que pode prejudicar os ingleses quando estes precisarem criar alguma oportunidade de gol, sobretudo se estiverem perdendo. Embora o Manchester United tenha sido muito bem sucedido na atual temporada, poucas vezes esse time convenceu em campo. Muito disso ocorre pela falta de um jogador mais criativo na equipe, sobretudo na faixa central do meio campo, já que Carrick, Fletcher e Scholes, atletas que por ali podem ser escalados, estão longe de se destacar por causa deste fundamento. Aliás, uma das razões para Giggs, já no final da campanha, ter sido escalado por ali pode ter sido justamente a necessidade de ter alguém com maior habilidade. Também é importante destacar o elo fraco da defesa dos Red Devils, que é o lado direito. Tanto Rafael quanto Fábio não sabem marcar muito bem – e para desespero de Ferguson, é o segundo, que vem sendo titular atualmente, quem menos sabe proteger seu posto. Por conta disso, não é improvável apostar na escalação de O’Shea por ali, uma jogador bem limitado mas que dá conta do recado na marcação.
Expectativas
Barcelona: Desta vez, o favoritismo de 2009 está nas mãos do Barcelona. O time que deve ir a campo na final de sábado não foi definido por Josep Guardiola, embora todos, até Abidal, que se recuperou de um tumor no fígado, estejam disponíveis. Na primeira coletiva da semana, Guardiola não quis falar sobre a escalação que irá a campo, mas deixou no ar a possibilidade de escalar Mascherano ao lado de Piqué, deslocando Puyol para a lateral esquerda. Segundo o treinador, seria arriscado demais escalar Abidal e Puyol, que se ficaram muito tempo parados, em uma partida tão decisiva como esta. Pedro, que vem reclamando de fortes dores musculares, também é dor-de-cabeça para o treinador: se o canário não jogar, a opção mais plausível será a titularidade de Keita, com Iniesta sendo adiantado para a ponta esquerda e Villa para a direita.
Manchester United: Por mais que esse time tenha uma veia vencedora, o Manchester United entra na final como azarão – bem mais do que em 2009. Como os catalães muitas vezes parecem imbatíveis, a questão que fica é a seguinte: o que Sir Alex Ferguson fará para anular o Barcelona? Há algumas boas alternativas: explorar o jogo pelos flancos com Nani, Park ou Valencia; optar por um esquema mais conservador, reforçando a marcação na faixa central e deixando Rooney como único atacante; e por aí vai. Porém, a verdade é que as alternativas parecem muito bonitas no papel, mas extremamente difíceis de serem executadas. Por isso, a única coisa que se tem certeza é que todos os titulares terão de ter uma exibição perfeita para derrotar este grande esquadrão. O resto fica a cargo do mestre escocês.
Prováveis escalações
Barcelona: Víctor Valdés, Daniel Alves, Piqué, Mascherano (Puyol), Puyol (Abidal); Busquets, Xavi, Iniesta; Messi; Pedro, Villa.
Manchester United: Van der Sar, Fábio (O’Shea), Ferdinand, Vidic, Evra; Valencia, Carrick, Giggs, Park; Rooney, Chicharito (Nani).
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Próximo do final feliz
Guardiola em foco: o treinador está a uma partida de conquistar sua segunda Champions League como técnico - terceira se contar o período como jogador (getty images)A temporada do Barcelona é praticamente perfeita até aqui. Soberano na Espanha, onde conquistou o tricampeonato nacional, a equipe treinada por Josep Guardiola teve raros momentos de incerteza na temporada. O mercado, bastante frio, teve apenas David Villa, ex-Valencia e um dos artilheiros da Copa do Mundo de 2010, conquistada pela Espanha, como grande nome, além das saídas de Ibrahimovic, para o Milan, e Yaya Touré, para o Manchester City. Além disso, foram contratados Adriano, do Sevilla, Javier Mascherano, do Liverpool, e Ibrahim Afellay, do PSV, este último vindo do mercado de inverno, em janeiro.
A temporada não começou tão bem em campo. Apesar do título de Supercopa da Espanha contra o Sevilla - agregado de 6 a 3 -, a derrota em pleno Camp Nou para o Hércules, o empate também no estádio para o Mallorca e a lesão de Messi, que ficou parado por três semanas, condicionaram o início de temporada blaugrana, que viu seus principais jogadores bastante cansado devido à má preparação pós-Copa. Porém, tudo começou a ganhar novo rumo após a vitória na raça ante o Valencia, até então líder da competição, de virada no Camp Nou. A fraquíssima exibição no primeiro tempo, quando saiu perdendo, deu vez ao futebol arte e envolvente já conhecido por todos. Resultado: 2 a 1 e mudança de postura.
A partir de então, a desconfiança do início de Liga deu vez à confiança já conhecida e depositada. O primeiro turno dos azulgrenás foi arrasador: escalado no 4-3-1-2, com Messi jogando atrás de Villa e Pedro, como um enganche, o Barcelona passou a primeira parte da temporada conseguindo bons resultados e conquistando por diversas vezes a famosa manita, como no superclássico do Camp Nou e as vitórias ante Real Sociedad e Espanyol. Os oito pontos de vantagens sobre o Real Madrid deram um pouco de tranquilidade à equipe de Guardiola no mês de janeiro, que viu a equipe avançar até a final da Copa do Rei (deixou para trás Athletic Bilbao, Real Bétis e Almería).
Na LC, classificou-se na primeira posição em grupo fácil, no qual empatou com o Rubin Kazan e o Copenhaguen fora de casa e venceu o Panatinaikos - duas vezes - e as duas equipes citadas anteriormente atuando em seu domínio. O sorteio das oitavas-de-finais reservou um velho conhecido na primeira fase do mata-mata: o Arsenal, adversário da final de Paris em 2006 e das quartas-de-finais de 09/10, seria a equipe a tentar desbancar o gigante da Catalunha. Em alguns jogos de janeiros, Guardiola optou por um módulo que privilegiava mais o faro de gol de Messi, que atuou de falso nove na volta - que não durou muito - do 4-3-3 implantando por Cruyff na era do primeiro Dream Team: Villa aberto à esquerda; Pedro, à direita; e Messi enfiado entre os zagueiros.
Jogando no 4-3-1-2, o Barcelona acabou derrota pelo Arsenal no Emirates por 2 a 1, apesar da boa exibição da equipe. Naquela partida, porém, Messi, tão acostumado a decidir, teve seu momento de "vilão": La Pulga, apesar da assistência espetacular para o tento de Villa, deixou de decidir a partida querendo "enfeitar" demais em suas jogadas. No jogo de volta, entretanto, Messi "voltou a ser Messi": dois gols, entre eles um "gol à Playstation", e a vitória por 3 a 1 que fez com que o Barcelona avançasse de fase - o outro gol foi marcado por Xavi. Na Liga, a confortável vantagem de oito pontos havia caído para cinco, mas a margem de perda de pontos do Barcelona ainda era muito pequena.
No sorteio das quartas-de-finais, o sorteio garantiu um adversário acessível, mas não reservou uma boa notícia no emparelhamento para o estágio seguinte: primeiro, o Shakthar Donetsk, recheado de brasileiros, e depois, caso se classificasse, o Tottenham ou o arquirrival Real Madrid, que àquela altura havia desenvolvido um belo padrão de jogo. No confronto das quartas contra os ucranianos, a maior dificuldade aconteceu nos primeiros quarenta e cinco minutos da partida da ida, no Camp Nou: o Barcelona foi atacado a exaustão, mas, mesmo assim, saiu de campo com um 5 a 1 que o colocou a um passo e meio das semifinais. Após a confirmação da classificação para a próxima fase da Champions, conseguido no 1 a 0 na Donbass Arena, viria pela frente uma maratona de superclássicos: em um período de dezoito dias, Real Madrid e Barcelona viriam a se enfrentar quatro vezes - uma pela Liga, uma pela Copa do Rei, e duas pela Champions League.
No primeiro confronto, o empate por 1 a 1 no Bernabéu pela Liga colocou o Barcelona a um passo e meio da taça do campeonato espanhol, mas o jogo mostrou que os merengues eram capazes de parar o Barcelona. A confirmação dessa tese veio no embate seguinte: na final da Copa do Rei, no Mestalla, o Real Madrid de Mourinho e Cristiano Ronaldo venceu os azulgrenás por 1 a 0, gol do camisa sete português, e tornou-se o campeão da competição. Sem sofrer qualquer abalo aparente, os jogadores a comissão técnica do Barcelona demonstraram que o foco total estava na LC. Na partida de ida no Bernabéu, uma vitória para entrar na história: com dois do monstro Lionel Messi, o Barcelona venceu o Real Madrid por 2 a 0 e foi para a partida da volta com uma excelente vantagem obtida em plena capital.
No jogo de volta, o Barcelona estava mais tranquilo: a vantagem na Liga havia aumentado para nove pontos e poedria até perder por um gol de diferenças para o rival blanco. José Mourinho, como não havia feito em nenhum dos confrontos anteriores, resolveu atacar o Barcelona, mas deixou espaços para os blaugranas chegaram com certa facilidade à meta de Casillas. O 1 a 1 polêmico - um gol legal de Higuain foi invalidado por suposta falta de Cristiano Ronaldo em Mascherano - deu ao Barcelona o passaporte para a desejada final de Wembley, palco de sua primeira conquista europeia, que seria contra o Manchester United, mesmo adversário de seu último título europeu, conquistado em 2009, em Roma.
Com o título da Liga BBVA assegurada, o doblete é a pequena obsessão de um time que já está na história, sobretudo por ser a base da seleção campeão mundial e ter Messi, que a cada jogo quebra marca atrás de marca. Na temporada, o argentino já foi às redes 52 vezes, mas, com a cabeça na final, acabou deixando o português Cristiano Ronaldo disparar na artilharia da Liga Espanhola. O time que deve ir a campo na final de sábado não foi definido por Josep Guardiola, embora todos, até Abidal, que se recuperou de um tumor no fígado, estejam disponíveis. Na primeira coletiva da semana, Guardiola não quis falar sobre a escalação que irá a campo, mas deixou no ar a possibilidade de escalar Mascherano ao lado de Piqué, deslocando Puyol para a lateral esquerda. Segundo o treinador, seria arriscado demais escalar Abidal e Puyol, que se ficaram muito tempo parados, em uma partida tão decisiva como esta. Pedro, que vem reclamando de fortes dores musculares, também é dor-de-cabeça para o treinador: se o canário não jogar, a opção mais plausível será a titularidade de Keita, com Iniesta sendo adiantado para a ponta esquerda e Villa para a direita.
A notícia de que um vulcão pode atrapalhar a viagem do Barcelona à Inglaterra tem causado certo receio em Guardiola. O motivo é simples: com a erupção do vulcão islandês Grimsvötn no último sábado, o espaço aéreo da Islândia já foi fechado e o mesmo poderá acontecer com a Inglaterra, dificultando o acesso ao país. Não é a primeira vez que os blaugranas sofrem com os vulcões islandeses. Pouco antes da semifinal da Liga dos Campeões em 2009/10, o vulcâo Eyjafjallajokull, também islandês, entrou em erupção, causando o fechamento do espaço aéreo de vários países europeus, incluindo a Itália. A diretoria já estuda alternativas para resolver o problema. Caso a viagem seja antecipada, há duas possibilidades: ir de ônibus a Paris (cerca de 1200km, 15 horas) e depois pegar o trem Eurostar, que atravessa o Canal da Mancha e vai até Londres. Outra opção é viajar de avião enquanto o espaço aéreo inglês estiver aberto.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
De volta ao lugar da consagração
O Barcelona comemorou, de uma vez só, a passagem para a final e a volta de Abidal aos gramados (reuters)A partida de ontem já seria histórico "apenas" por isso, mas a forma como os blaugranas se classificaram ante o Real Madrid impõe ainda mais peso à conquista: precisando tirar uma vantagem de dois gols para ir à final, o Real Madrid entrou em campo totalmente ofensivo, mas não conseguiu chegar com muito perigo à meta de Valdés nos primeiros quarenta e cinco minutos. Pelo contrário: foram os azulgrenás quem atacaram como se estivessem precisando do resultado. Até por isso, Casillas foi o grande nome dos primeiro tempo, quando parou Messi, duas vezes, e Villa. Durante todo o primeiro tempo, o ímpeto do Barcelona foi claramente maior do que o Real Madrid, que, acanhado, apenas rezou para Casillas parasse os frequentes ataques do Barcelona. Os blancos começaram a partida marcando a saída de bola do Barcelona, empurrando o adversário para o campo defensivo e forçando erros de passe pouco característicos da equipe catalã. Mesmo com a forte pressão inicial, a equipe merengue não conseguiu traduzir o domínio territorial em chances claras de gol.
O Barça desta temporada tem mostrado, em algumas partidas, que tem a capacidade de ser atacado a exaustão, oferecendo poucas oportunidades para seus adversários, já que deixa poucos espaços para que a bola seja trabalhada pelos adversários. Especialmente ontem, foi essencial a participação de Puyol, que mais uma vez atuou com o coração na mão na lateral esquerda. Por ali, Di María, na primeira etapa, e Cristiano Ronaldo, na segunda etapa, pouco fizeram para levar perigo pelo setor. Kaká, mais centralizado, foi figura tão anulada quanto Özil, que substituiu o brasileiro no segundo tempo. Ontem, a expectativa era de que o alemão começasse a partida como titular. Entretanto, depois de uma reunião entre José Mourinho e o presidente Florentino Pérez teria sido decidido que Kaká seria escalado.
No final do jogo, Guardiola ainda deu chances para Abidal, que substituiu el capitán. O francês, que entrou ovacionado pelos aficionados culés em campo, voltou aos gramados menos de dois meses depois de se recuperar de um tumor no fígado. Guardiola, mais uma vez, esteve em foco: após vencer o confronto contra José Mourinho, que não assistiu à partida em um hotel, o treinador não teve nem muito tempo para comemorar, pois partiu em um voo rumo a Manchester, para acompanhar o Manchester United encarar o Schalke 04. A mentalidade vencedora do Barcelona no campeonato espanhol ampliou-se em solo nacional e também se mostra presente em solo continental: em quatro temporadas, os blaugranas estiveram em quatro semifinais e, contando com essa, duas finais. Os merengues ainda ensaiaram pressionar como fizeram no início dos dois tempos, mas logo o Barça se assentou e passou a administrar o jogo longe de seu próprio gol. As longas trocas de passes foram provocando faltas e mantinham a equipe segura na defesa para garantir o resultado favorável.
Se, na eufórica vitória barcelonista, Guardiola e Messi podem ter saído como os principais artífices e vencedores, certamente há também o principal perdedor do lado merengue. Cristiano Ronaldo, que passou a ser cobrado pela torcida blanca por uma atuação convincente na Champions, novamente foi figura decepcionante contra o Barcelona e, além de ser eliminado, certamente deixou o caminho livre para o extraterrestre Messi poder comemorar o seu terceiro título de melhor jogador do mundo. Embora a postura defensiva de Mourinho não ajudou para que o futebol de Cristiano Ronaldo aparecesse, em cinco jogos contra os blaugranas na temporada o meio-atacante português foi nulo (à exceção da final da Copa, quando marcou o gol do título).
Enquanto Cristiano Ronaldo fracassa em superclássicos, Messi só brilha: após os dois gols no jogo de ida, La Pulga foi um verdadeiro demônio para a defesa remendada do Real Madrid ontem, sendo responsável pelo cartão amarelo a Ricardo Carvalho e Lassana Diarra, que não "tiraram os pés" das divididas. O maior artilheiro europeu da temporada não ajuda sua equipe apenas com gols, mas com o coletivo: na temporada, já são vinte e duas assistências - poderia ser vinte e três, se Casillas não tivesse feito uma defesaça em chute de Villa, no primeiro tempo. No 4-3-1-2 de Guardiola, o argentino desempenha uma função mais cerebral e mais preocupada com a armação das jogadas: se com Frank Rijkaard e o 4-3-3, Messi ficava mais preso à direita, com Guardiola é notável que seu futebol cresceu, passando a assumir mais a função de homem-gol da equipe, principalmente após a saída de Eto'o.
Na segunda partida das semifinais da Champions League, o Barcelona teve 64% de posse de bola, contra apenas 36% do rival. Desde que Guardiola treina a equipe, há dois anos e meio, o Barça sempre tem mais posse que seus adversários. Mas foi outro dado que chamou mais a atenção: juntos, os três jogadores da linha de três do meio-campo do Barcelona – Xavi, Busquets e Iniesta – acertaram 263 passes. Mais do que todo o time do Real Madrid, que acertaram 261. Xavi acertou 123 dos 134 passes dados na partida, com 92% de aproveitamento. O jogador do Real Madrid que acertou mais passes foi Lass Diarra, com 37. Xavi também aparece em destaque na lista dos jogadores que mais correram. O ‘motor’ do Barcelona percorreu 11.417 metros em campo. Na segunda colocação, ficou Xabi Alonso, do Real Madrid, por 11.154 metros. O atacante Pedro Rodríguez, autor do gol do Barcelona, percorreu 10.695 metros e ficou em terceiro lugar na lista.
Com a moral em alta após a classificação para Wembley e a calorosa festa feita por cinco mil torcedores em Canaletes, centro da cidade de Barcelona, em plena madrugada, o Barcelona receberá o rival Espanyol no final de semana para comemorar o provável primeiro título da temporada: no derby barceloní, basta uma simples vitória ante os péricos e uma derrota do Real Madrid para o Sevilla na Andaluzia para a festa do tri-campeonato ser feita. Agora, mais do que tudo, é fato que os comandados de Guardiola se concentrarão na grande final, em que entrará em campo, ao contrário de Roma 2009, como favorito. Sonhar tão alto é possível.
Barcelona 1x1 Real Madrid
Barcelona: Valdés; Daniel Alves, Piqué, Mascherano e Puyol (Abidal); Xavi, Busquets e Iniesta; Pedro (Afellay), David Villa (Keita) e Lionel Messi. Técnico: Josep Guardiola.
Real Madrid: Casillas; Arbeloa, Ricardo Carvalho, Albiol e Marcelo; Lass Diarra; Xabi Alonso, Cristiano Ronaldo, Kaká (Özil) e Di María; Higuaín (Adebayor). Técnico: José Mourinho.
Árbitro: Frank de Bleeckere (BEL)
Gols: Pedro (Barcelona); Marcelo (Real Madrid)
Cartões Amarelos: Pedro (Barcelona); Ricardo Carvalho, Lass Diarra, Xabi Alonso, Marcelo, Adebayor (Real Madrid)
terça-feira, 8 de março de 2011
Pós-jogo: Barcelona 3x1 Arsenal
Diferentemente da temporada passada, Messi teve o protagonismo dividido com Xavi e Iniesta (getty images)O Barcelona recebeu pela terceira vez em sua história o Arsenal no Camp Nou. E, pela terceira vez, saiu de campo com um gosto de satisfeito. Desempenhando um futebol excelente, os blaugrana derrotaram os londrinos pelo placar de 3 a 1 e avançaram pela quarta vez consecutiva para as quartas de finais da principal competição do Velho Continente. Como não poderia deixar de ser, Josep Guardiola escalou um Barcelona bastante ofensivo, que desde os primeiros minutos tomou a iniciativa do jogo e sufocou os visitantes, um tanto atônitos com o que estava acontecendo. Arsène Wenger, por um outro lado, quebrou qualquer tipo de prognósticos e, de maneira surpreendente, recuou o Arsenal, exercendo um futebol semelhante com o qual a Inter havia feito, na temporada passada. A maior prova disso é o fato de, segundo estatísticas da Uefa, o Arsenal não ter dado nenhum chute a gol durante os noventa minutos.
A arbitragem de Massimo Busacca não agradou a ambos os times. O juiz suíço não deu um pênalti em cima de Messi no começo do jogo, pouco controlou os nervos exaltados no final do primeiro tempo e ainda expulsou van Persie de maneira, no mínimo, rigorosa. O holandês, irritado, criticou a postura do árbitro ao término da partida, a quem definiu como um ato de piada o segundo cartão amarelo. O Barcelona avançou à próxima fase com totais méritos, mas ainda há erros para se corrigir. Como, por exemplo, o fato da equipe não ter dado um chute a gol de fora da área. Em vários momentos, percebe-se Guardiola acenando para que tal jogada seja executada, mas é praticamente da índole de seus comandados tentar fazer gols trocando passes. O técnico catalão sabe que, quando enfrenta times com defesas mais sólidas, a alta posse de bola não significa nada, já que a equipe não consegue capitalizá-la em oportunidades de gols. O maior exemplo disso foi o duelo contra a Inter na temporada passada, principalmente o jogo do Camp Nou.
Logo após o apito inicial, a formação inglesa já aparentava uma postura diferente dos jogos anteriores. Durante boa parte do primeiro tempo, quando teve o resultado a favor, Nasri e Rosicky, pelos flancos, recuavam para ajudar na marcação, jogando de maneira parecida às de um lateral. O Barcelona, por outro lado, manteve a posse de bola; mas, nos primeiros dez minutos de jogo, ainda não havia chegado com perigo à meta de Szczesny. O goleiro, aliás, pode ter dado adeus à temporada após lesionar um dos dedos da mão direita, em cobrança de falta com força de Daniel Alves. Almúnia, que havia sido criticado no baile da temporada passada, substituiu o jovem arqueiro, mas ao contrário do último duelo, foi um dos principais nomes do Arsenal na partida, sendo responsável direto por três/quatro defesas difíceis. Messi, fazendo um papel de enganche, era bem marcado por Diaby, enquanto que Villa, jogando mais aberto pela esquerda, era anulado por Sagna. Ao contrário do jogo no Emirates, quando foi o melhor barcelonista em campo, o Guaje estave em jornada infeliz. Menos ativo do quinteto ofensivo, desperdiçou duas ótimas oportunidades quando fora acionado. No volância, Mascherano atuou como um leão e anulou Wilshere, dono de uma excelente partida no Emirates, impedindo que o promissor jovem pudesse criar algo. Atrás, Busquets e Abidal quase passaram despercebido na primeira etapa.
À medida que os minutos passavam, o Barcelona passara a atacar com mais frequência, mas sem ser tão incisivo. Aos 35 minutos, Adriano, atuando com contudência na esquerda, tabelou com Villa e acertou a trave de Almúnia. Nos minutos finais do jogo, os ânimos começaram a esquentar. Muito nervoso, van Persie deu um empurrão no rosto de Daniel Alves, o que gerou uma mini-confusão entre jogadores das duas equipes, e levou o primeiro amarelo. Foi o quarto cartão dos Gunners na partida, já que Sagna, Koscielny e Wilshere também haviam sido punidos antes. Por conta da paralisação, Bussaca teve que assinalar cinco minutos de acréscimos. E os minutos foram essenciais: aos 49, Villa achou Xavi penetrando na área, mas o meio-campista acabou desarmado por Clichy. A zaga saiu jogando e Fàbregas, na entrada da meia-lua, tentou tocar para Wilshere de calcanhar e acabou perdendo a bola para Iniesta. El Albino, com extrema categoria, achou Messi entre Koscielny e Clichy e a Pulga, num lance genial, chapelou Almúnia e estufou as redes, abrindo o placar para os azulgrenás para alívio dos aficionados, um tanto tenso. Fàbregas, um dos mais criticados após o jogo, assumiu a culpa pelo lance (e pela eliminação) no twitter, onde afirmou também ter sentido uma fisgada logo aos 15 minutos.
No segundo tempo, o Arsenal voltou mais focado do que na primeira etapa e, como não deveria deixar de ser, passou a atacar. Aos 5 minutos, os londrinos jogaram uma ducha de água fria nos culés. Após ser acionado na esquerda, Nasri, como ainda não havia feito na partida, partiu em velocidade e conseguiu arrumar um escanteio. Na cobrança, Busquets acabou cabeceando contra as próprias redes e a vantagem retornou às mãos do Arsenal. No minuto seguinte, Villa continuou dando sequência a má pontaria e, cara a cara com Almúnia, acabou finalizando em cima do arqueiro espanhol. Após o gol londrino, o cenário voltou a ser o mesmo do primeiro tempo inteiro: ataque x defesa. Abdicando-se do jogo, o Arsenal voltara a chamar o Barcelona para o ataque, mas com uma diferença clara: Pedro e Messi, apesar do gol, tímidos na primeira etapa, passaram a atuar com mais sobressaliência nos ataques blaugrana. Caindo às costas de Clichy, o canário não foi tão brilhante como costuma ser, mas teve um papel importante na vitória catalã.
Iniesta e Xavi estavam mesmo com os pés calibrados e continuavam tomando conta do meio-campo. O Barcelona jogava com mais agressividade e o gol passou a ser questão de tempo. E ele veio claro, a partir de Iniesta. Ele pegou a bola no meio-campo, deixou Nasri e Diaby para trás e encontrou Villa desmarcado na entrada da área. O camisa sete só desviou a bola para Xavi, que entrava sem marcação na área. O meio-campo, frente a Almúnia, não desperdiçou, em bola que ainda chegou a desviar em Djourou, e recolocou o Barça de volta à partida. No minuto seguinte, o golpe final. Mascherano lançou Daniel Alves na direita e o brasileiro cruzou para Xavi, na área. O catalão teve paciência para esperar a chegada de algum jogador. Pedro correu sozinho, sem marcação alguma, recebeu de Xavi e sofreu um pênalti discutível de Koscielny. Na cobrança, Messi, com extrema categoria, cobrou à esquerda de Almúnia para chegar ao doblete e ao oitavo tento nesta edição da Champions League. Ao lado de Eto'o e Anelka, La Pulga é o artilheiro da competição, com a mesma quantidade de gols que havia feito na edição passada, quando também fora artilheiro (em 2008/09, artilharia para Messi, com nove gols).
A partir de então, Wenger foi pro tudo ou nado e, à procura do gol que lhe daria a classificação, colocou Arshavin e Bendtner em campo. E foi com o dinamarquês a maior chance que o Arsenal teve na partida. Adriano quase jogou por água abaixo a boa partida feita, ao recuar com displicência uma bola para trás, que Wilshere aproveitou e, de três dedos, cruzou à área, pegando Abidal e Busquets desprevinido. Bendtner dominou e, cara a cara com Valdés, teve seu chute interceptado por Mascherano, que sentiu a coxa no lance e saiu merecidamente aplaudido pelos aficionados culés. O argentino parece estar totalmente adaptado ao estilo de jogo blaugrana. Se, no começo, foi criticado por cometer faltas duras e receber cartão amarelo, o ex-Liverpool deu claramente uma controlado nos nervos e hoje foi autor de uma partida impecável, o que gerou elogios de Guardiola: "se não fosse Mascherano no lance do Bendtner, estaria aqui lametando pela nossa eliminação", afirmou o técnico na coletiva pós-jogo.
Com três pontos a menos que o líder Manchester United na Premier League, e com um jogo a menos, os gunners concentrarão suas forças agora na competição, que já não vence há seis anos. Resta saber se a equipe irá continuar a desperdiçar pontos bobos. Pela Liga Espanhola, o Barcelona volta a campo domingo para enfrentar um desfalcado Sevilla querendo continuar sete pontos à frente do Real Madrid. Se, na coletiva, Abidal declarou (e ironizou) que deseja enfrentar o Lyon na próxima fase, Guardiola manteve a postura de sempre e afirmou que não há quem escolher. Quem vier, será encarado de frente. E como.
Barcelona 3x1 Arsenal
Barcelona: Victor Valdés; Daniel Alves, Busquets, Abidal e Adriano (Maxwell); Mascherano (Keita), Xavi e Iniesta; Pedro, Messi e David Villa (Afellay)
Arsenal: Szczesny (Almunia); Sagna, Djourou, Koscielny e Clichy; Diaby, Wilshere, Fábregas (Bendtner), Rosicky (Arshavin) e Nasri; van Persie
Árbitro: Massimo Busacca, da Suiça
Cartão amarelo: Sagna, Koscielny, Van Persie e Wilshere (Arsenal)
Cartão vermelho: van Persie (Arsenal)
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Prévia: Arsenal x Barcelona
O sorteio da Champions League marcou o decantado encontro entre Arsenal e Barcelona por mais um ano consecutivo (na temporada passada, o confronto foi nas quartas-de-finais). As duas equipes, que fizeram a final da competição em 2005-06 – onde o Barcelona sagrou-se bi-campeão -, são assiduamente elogiadas por praticarem um futebol bonito e vistoso, mas com uma diferença significativa: enquanto o Arsenal joga bonito mas sucumbe na hora decisiva, os azulgrenais conseguem unir o útil ao agradável e são vitoriosos. Na temporada passada, os gunners foram engolidos por um Lionel Messi inspirado e mais uma vez ficaram no quase na competição europeia. O Barcelona, por sua vez, parou na retranca montada por José Mourinho nas semifinais e não conseguiu a manutenção do título europeu e o sonhado (ou obsessivo, segundo Mourinho) troféu no Santiago Bernabéu.
Se classificará o mágico Barcelona, comandado por Messi, Iniesta, Xavi, Pedro e Villa, ou Arsenal, que "calar a boca dos críticos" e vencer um time grande na Champions? Para a prévia deste empolgante confronto de oitavas de finais, contaremos com a ótima colaboração de Leandrus, do blog Ortodoxo e Moderno, especializado na Premier League. Confira a prévia de Arsenal x Barcelona e depois, nos dois endereços, o resumo do embate.
A temporada até aqui
Arsenal: No geral, a temporada é satisfatória. O Arsenal vem fazendo boa campanha na Premier League, estando na segunda posição e a quatro pontos do líder Manchester United. O bom momento vivido pela equipe é animador: os Gunners não perdem desde 13 de dezembro, quando foram batidos pelo Manchester United por 1 a 0; desde então, foram seis vitórias e três empates. Porém, o clube poderia até mesmo estar na ponta caso não tivesse tido alguns tropeços inaceitáveis, como as derrotas para West Brom e Newcastle em casa e os empates contra Wigan e Newcastle (quando chegou a estar vencendo por 4 a 0) fora. Nas copas, o desempenho é bom: os comandados de Wenger decidirão a final da Carling Cup contra o Birmingham e terão a chance de conquistar seu primeiro título desde 2005, além de terem um confronto tranquilo pela quinta rodada da FA Cup, contra o Leyton Orient, da terceira divisão, fora de casa. A decepção é a participação na Champions League: se enfrentará o Barcelona, é somente porque conseguiu a proeza de ser o segundo no grupo mais fraco da competição, com direito a derrotas para Shakhtar e Braga.
Barcelona: Líder da liga com cinco pontos de vantagens para o Real Madrid, podemos considerar que o Barcelona deu a voltar por cima na temporada. Os blaugranas começaram a temporada como favorito a tudo que disputasse, por ter a base da seleção campeã mundial e Lionel Messi em seu plantel. Mas - acreditem - logo se tornou uma incógnita. Por causa da má preparação de jogadores que participaram da Copa, o Barcelona mostrou-se uma equipe cansada em campo e chegou a perder pontos contra Hércules e Mallorca na Liga, além de empates contra Rubin Kazan e Copenhague na Champions, o que já faziam uma parte de seus torcedores (além da crítica) ficarem com um pé atrás com a equipe. Porém, os preparadores físicos já avisavam que a equipe só chegaria ao seu auge entre outubro e dezembro. E acertaram na mosca: durante esse período, o Barcelona voltou a animar, e seu trio de ataque, tímido até então, começou a ficar avassalador. No superclássico, o Barcelona abusou do bom futebol e aplicou ao seu rival histórico uma manita. Na Copa del Rey, o Barça teve dificuldades para eliminar o Athletic Bilbao, mas avançou graças ao critério de desempate e está na final do torneio, onde enfrenta o Real Madrid.
Pontos fortes
Arsenal: Reconhecidamente um time técnico, o Arsenal preza pelo domínio da posse de bola e acaba se destacando por um estilo vistoso – não a toa é a equipe que pratica o futebol mais atraente da Inglaterra. Logo, o setor ofensivo é o ponto forte da equipe. O poderio dos Gunners começa pelo seu meio-campo. Fabregas continua em ótima forma, mas agora ganhou a companhia de dois ótimos nomes: Wilshere, um dos maiores talentos ingleses recentes, e Song, que evoluiu absurdamente na atual temporada, sendo o meia mais marcador e aparecendo bem lá na frente. No ataque, o destaque é van Persie: o holandês vem atuando muito bem atuando centralizado e, com 10 gols já em 2011, rapidamente se tornou o vice-artilheiro da equipe. O artilheiro, aliás, é Nasri, outro que cresceu demais. Ora no meio, ora como winger pelo lado esquerdo, o francês se tornou, junto com Fabregas, o dono do time. Porém, se machucou pela FA Cup e não enfrentará o Barcelona no jogo de ida.
Barcelona: A saída de Ibrahimovic, contratação mais cara da história do clube culé, chegou a fazer falta durante os primeiros jogos da temporada, mas acabou sendo assimilada com naturalidade graças a rápida adaptação de Villa à equipe. Sem o sueco, mas com o Guaje, Pedro e Messi, o Barcelona apresenta grande variação tática e pode atuar de diferentes formas, embora jogue mais frequentemente no 4-3-1-2, com Messi fazendo o papel de enganche (jogando atrás de Pedro e Villa), ou no 4-3-2-1, com Messi de falso nove. Quanto aos setores da equipe, destacam-se o meio-campo e o ataque. O futebol de Busquets ascendeu muito após a Copa e o canterano, que pecava por erros infantis, está mais maduro, dando segurança e participando bem dos ataques. Destacam-se também a visão de jogo privilegiada de Xavi, a técnica, qualidade e imprevisibilidade de Iniesta, os gols decisivos de Pedro e Villa e o poder de decisão de Messi.
Pontos fracos
Arsenal: A defesa é claramente o ponto fraco da equipe. O miolo de zaga não é dos mais seguros, e a contusão de Vermaelen deixa o setor ainda mais vulnerável: Koscielny até dá conta do recado, mas Squillaci vem se provando um zagueiro cada vez menos confiável – tanto que foi barrado pelo não mais que regular Djorou. O lateral-esquerdo Clichy possui sérios problemas para defender. E para piorar, os Gunners não possuem um grande goleiro: Szczesny parece ser melhor do que o fraco Fabianski, mas, embora não tenha falhado gravemente, ainda é uma figura que não passa tanta segurança, principalmente por causa da sua imaturidade. Esses problemas, contra um time com o poderio ofensivo como o do Barcelona, podem ser fatais – e o confronto no Camp Nou na última edição da competição já mostrou isso. Atrapalha também o fato de alguns reservas estarem em má fase, limitando as escolhas do time: Bendtner está mal, Chamakh ainda é irregular, Rosicky não reedita boas atuações do passado e Arshavin só melhorou um pouco após assumir a vaga do contundido Nasri – porém, longe de suas atuações logo após sua contratação.
Barcelona: Difícil citar um ponto fraco nessa equipe quase perfeita do Barcelona. Mas o Barcelona da era Guardiola costuma passar por momentos de dificuldade quando enfrenta equipes que procuram desempenhar a mesma função que os blaugranas estão acostumados a exercer: atacar e dominar o jogo. Contra Inter de José Mourinho, a partida no Camp Nou ficou marcada pelo muro armado pelo técnico de Setubal, mas no Meazza os meneghino derrotaram o Barcelona de uma maneira pouca vista antes, escancarando o problema que o Barcelona passa quando é atacado. Outras fraquezas da equipe sobressai quando o adversário pressiona a saída de bola, obrigando Piqué, Puyol ou Busquets a darem chutões para frente, e quando Xavi sofre uma forte marcação. Mesmo dispondo de outros jogadores decisivos, o Barcelona perde em criação quando seu maestro é bem marcado. Na épica semifinal da temporada passada, Mourinho soube anular as peças-chaves do time da Catalunha: asfixou Xavi e não deixou Messi receber perto da área.
Expectativas
Arsenal: Embora as declarações de Arsene Wenger mostrem segurança e confiança, uma análise fria da situação mostra que o Arsenal é o azarão para esse confronto. As equipes possuem estilos parecidos, mas os Gunners parecem ser inferiores em todos os quesitos. A chance dos ingleses está na possibilidade de se fazer duas partidas sólidas e perfeitas, a exemplo do que a Internazionale fez contra o Barça na temporada passada. Porém, isso talvez seja uma tarefa difícil para uma equipe que peca pela imaturidade do jovem elenco e pelo frágil setor defensivo. A garantia é de que Fabregas e cia não passarão o tempo todo encolhidos e tentarão sair para o jogo sempre que possível, tornando a partida agradável de ser vista.
Barcelona: Apesar de ser ligeiramente favorito, Guardiola tenta tirar a pressão do Barcelona a cada coletiva e sempre muda o discurso, dizendo que o confronto é parelho e não há favorito. Sem muita confiança em Milito (apesar do apelo feito para o argentino continuar no time) e com a baixa de Puyol praticamente confirmada, Guardiola resolveu improvisar Abidal, abrindo uma brecha para a titularidade de Maxwell na latera esquerdal, e o francês não tem decepcionado: vem jogando com uma consistência surpreendente no miolo de zaga. Há duas semanas, no confronto contra o Atlético de Madrid, Abidal anulou Agüero, principal jogador rojiblanco na temporada. Por mais que o Barcelona seja favorito por todo futebol que tem mostrado nos últimos anos, o Arsenal é um grande europeu e vai para a partida com um sentimento de revanche, pelos recentes resultados entre as duas equipes. Não há dúvidas que os dois jogos serão os mais esperados da temporada europeia até o momento.
Prováveis escalações
Arsenal: Szczesny; Sagna, Koscielny, Djorou e Clichy; Song, Wilshere e Fabregas; Walcott, Arshavin e van Persie.
Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Piqué, Abidal, Maxwell; Busquets, Xavi, Iniesta; Messi; Pedro, Villa.







