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sábado, 11 de agosto de 2012

Temporada de afirmação

 O Athletic Bilbao de Marcelo Bielsa precisa ir além de uma boa temporada nas copas e sabe que, dessa vez, sua disputa é por uma vaga na Uefa Champions League (getty images)

2011/2012 foi a melhor temporada do Athletic Bilbao em anos. Mesmo sem nenhum título, a equipe deu a oportunidade dos torcedores voltarem a sentirem a sensação de levantar uma taça. A soberana temporada em âmbito europeu preencheu uma parte da lacuna dos aficionados: a de se sentir grande novamente. Os Leones desempenharam um dos mais belos futebol da Europa, chegaram à final de Bucareste sem em momento algum deixa para trás a filosofia ofensivista de Marcelo Bielsa, mas acabaram sucumbindo ao Atlético de Madrid.

O fato de, além da Liga Europa, o Athletic Bilbao ter disputado a Copa do Rei até a final, onde também foi vice-campeão, para o Barcelona, acabou deixando a Liga Espanhola em segundo plano. Sem ter um elenco profundo e homogêneo, El Loco promoveu muitos turnovers durante janeiro e abril, um dos maiores motivos para a irregularidade mostrada em solo nacional. O 10º lugar explica isso. O Athletic de futebol vistoso e envolvente que bateu Manchester United, Schalke 04, PSG e Sporting Lisboa com contundência só apareceu no Campeonato Espanhol em poucos momentos. Compreensível. Àquela altura, Bielsa optou por priorizar as copas em dentrimento de uma vaga na Champions League, um objetivo que, parando para pensar, era bem viável devido à irregularidade apresentada pelas outras equipes que estavam nessa disputa. Os cinco jogos consecutivos sem vitórias e as quedas para Valencia e Osasuna jogando com a equipe titular no San Mamés foi o preço final para o argentino deixar o campeonato de lado.

No entanto, uma polêmica marcou a reapresentação do elenco e da comissão técnica após as férias e colocou em xeque o futuro do ex-treinador do Chile. Insatisfeito com as obras em Lezama, centro de treinamento do Athletic Bilbao, Bielsa discutiu com a empresa responsável pelas reformas. Quando chegou ao local para iniciar os treinos de pré-temporada, viu que não tinha condições de trabalho. Dois dias depois (5 de julho), deu uma coletiva explicando o ocorrido, onde não deixou de alfinetar o grupo. Contudo, para sua surpresa, o clube não ficou ao seu lado e emitiu um comunidade em seu site oficial pedindo desculpas pela forma com a qual o treinador se expressou. Foi o estopim para Bielsa tomar uma decisão: sair do Athletic Bilbao. Ele se reuniu com os diretores no mesmo dia durante duas horas. O twitter oficial do clube chegou a dar como oficial sua saída, mas apagou a mensagem minutos depois. O nome de Ernesto Valverde, que quase foi rebaixado com os bilbaínos em 2006, chegou a estar na órbita; mas, após duas semanas de decisão, ele resolveu ficar e renovou contrato por mais um ano. 

Passada a polêmica, El Loco enfim pode iniciar seu trabalho nesta temporada, mas ainda havia que finalizar duas novelas do mercado: Javi Martínez e Llorente. O zagueiro-volante foi assediado pelo Barcelona durante todo verão, mas sua alta multa fez com que os blaugranas desistissem de sua contratação. O centroavante, por sua vez, vive um imbróglio com a diretoria. À primeira vista, ele está satisfeito, mas não decide seu futuro e não dá andamento ao plano de renovação. Nesta semana, especularam uma ida à Juventus. A imprensa inglesa o liga frequentemente a Manchester United, Manchester City, Tottenham e Liverpool Até Bielsa falou em tom de despedida: "espero apenas que ele seja feliz", disse na coletiva após a derrota para o Slovan na quinta-feira.

Sem tanto dinheiro e mantendo uma política histórica de contratar apenas bascos ou descendentes de bascos, o clube não garimpa muitos grandes reforços e, eventualmente, corre o risco de perder jogadores importantes, como no caso de Llorente. Mesmo assim, se reinventa e impressiona a maioria dos críticos. Com Bielsa, ficou mais evidenciado até do que na época de Joaquín Caparrós. Ele abandonou sua louca ideia de jogar no 3-1-3-3 que quase o levou à demissão no primeiro semestre da temporada e fixou sua tática no 4-2-3-1 variando para o 4-3-3 dependendo da situação de jogo. 

A contratação de Ander Herrera deu vazão à criatividade. O treinador improvisou Javi Martínez na zaga e deu espaço para a entrada de Iturraspe na volância. Javi demorou, mas quando se adaptou à nova função mostrou-se muito importante - na opinião deste colunista, só ficou atrás de Sergio Ramos na Liga BBVA passada. Com Iraola, na lateral direita, e Susaeta, na extrema direita, promovendo muita corrida pelo lado do campo, além de Muniain aberto à esquerda, a ofensividade foi triplicada. A forma de jogar é, até certo ponto, suicida porque deixa o sistema defensivo exposto a todo momento aos contra-ataques, mas agrada os torcedores e os fãs de futebol espanhol. Foi o terceiro time do campeonato 11/12 em posse de bola e o quarto em acerto de passes

Tudo foi tão bonito na temporada passada, mas Bielsa sabe que em 2012/2013 tem a obrigação de conquistar (ou ao menos tentar) uma vaga na Champions League. Com o Málaga, principalmente, e Sevilla ainda sob incógnita, os principais rivais são Valencia e Atlético de Madrid. Na prática, os chés são os mais consistentes - e vem demonstrando isso nos últimos três anos -, enquanto todos sabem como são os colchoneros. Brigar pelo quarto lugar é totalmente plausível. Porém, apenas a manuntenção do elenco não será o suficiente nesta equilibrada e difícil disputa.

Praticamente sem reservas de boa qualidade, o time e o esquema se desgastam a certa altura. O Bilbao precisa de peças de reposição para possíveis lesões e alternativa a Llorente. Aduriz foi repatriado e se identifica com o clube a torcida. O bom Beñat, do Bétis, foi especulado e seria uma excelente aquisição para o já brilhante meio-campo, mas nada saiu do papel. O certo é que o Bilbao precisar ir além de uma boa temporada em copas. Curiosamente, a estreia em La Liga reserva um embate com um rival direto: na próxima segunda (20), visita o Atlético de Madrid no Vicente Calderón, em jogo que já deu - e ainda dá - o que falar*.

*A LFP marcou a partida para um horário inédito: 23h. O fato desagradou a diretoria do Atlético de Madrid, que, quatro dias depois, irá disputar a final da Supercopa da Uefa contra o Chelsea. Os colchoneros ameaçaram entrarem em greve e tiveram o reforço de mais 12 clubes, incluíndo o Athletic Bilbao. Inicialmente, a rodada está confirmada, mas haverá uma reunião entre os clubes e a federação nesta semana para decidir.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Os pecados da Espanha nas Olimpíadas

 É, Mata, difícil de entender a eliminação da Espanha na fase de grupos das Olimpíadas (Zimbio)

Espanha 0x1 Japão. Espanha 0x1 Honduras. Espanha 0x0 Marrocos. Em três jogos, nenhuma vitória e nenhum gol marcado. A Espanha que deixa Londres sai pelas portas do fundos. Favorita ao ouro, a equipe em momento algum brilhou, mostrou uma faceta negativa e um futebol diametralmente opostou àquele que deveria ser exercido e que já é costume na seleções de base espanhola. A geração, formada por jogadores como Jordi Alba, Javi Martínez e Juan Mata, campeões europeu com a principal há cerca de um mês, não pode ser totalmente crucificada, mas a falha é inadmissível. O blog tenta traçar alguns motivos da vergonhosa queda precoce da Fúria.

O melhor de Ander Herrera. Em maio, discutimos a forma física de Ander Herrera. Essencial para o Athletic Bilbao, o jovem foi bastante desgastado numa temporada em que a equipe disputou três torneios até o limite. O basco viveu um dilema e teve a opção de operar no final da temporada e perder os Jogos Olímpicos. Preferiu esperar e chegou em Londres totalmente abalado fisicamente. O resultado foi a presença no banco de reservas nos dois primeiros jogos, que culminaram na eliminação da Roja. Koke, seu substituto, assim como toda a Espanha, não brilhou e em momento algum foi o armador de jogadas que se esperava.

Thiago Alcântara. Cortado dos Jogos Olímpicos devido a uma lesão nas costas sofrida no final da temporada passada, o hispano-brasileiro foi a ausência mais sentida. Principal jogador na conquista do Europeu Sub-21 em 2011, o culé não viu em Isco, Rodrigo e Tello substitutos à altura. O senso de liderança do meia, seus dribles e, principalmente, seus passes fizeram a falta na hora da decisão. Faltou o dinamismo que Thiago dava ao meio-campo e suas mágicas jogadas tiradas da cartola.

"Ausências" dos melhores Mata e Adrián. Centralizado para criar jogadas devido a ausência de Thiago, Mata ficou sobrecarregado e naufragou junto à equipe, quando deveria puxar a responsabilidade. Faltou mais vontade do camisa 10, que, mesmo marcando na final da Eurocopa, convive com uma má fase vista desde a reta final da temporada passada com o Chelsea. Indiretamente ao mau torneio do jogador blue, Adrián nada fez. Dependente das enfiadas de bola dos meio-campistas, o colchonero tentou muitas vezes sair da área para construir as jogadas, mas em vão. Acostumado a jogador aberto à direita no Atlético de Madrid, não rendeu dessa vez de falso nove.

Má forma dos titulares. Mesmo se avançasse de fase demonstrando esse futebol, a Espanha dificilmente conquistaria o ouro. À exceção de Jordi Alba, Javi Martínez e David De Gea, que evitou um desastre maior na estreia contra o Japão, todo o resto do grupo mostrou-se abaixo da média. As participações fracas de Botía, Iñigo Martínez, Montoya, Muniain, Tello, Rodrigo, Oriol Romeu e dos já comentados Mata e Adrián fazem a gente recordar da Eurocopa de 2004, quando a Espanha também caiu na fase de grupos: peças-chaves apáticas e alegadamente cansadas. Houve várias decepções, que resultaram nessa queda tão cedo.

O oba-oba pré-Jogos. O clima de "já ganhei" afetou o vestiário. Ainda que Luis Milla ratificasse a cada coletiva que o grupo não estava com a cabeça na medalha de ouro, os jogadores fizeram questão de evidenciar isso nas diversas coletivas pré-Olimpíadas. De Gea, Mata, Azpilicueta e Adrián discursavam como se a Espanha já tivesse conquistado a medalha. O amistoso de preparação feito contra Senegal (perdido por 3x0) mostrou que o buraco seria mais embaixo e no final pode ser interpretado como uma tragédia anunciada. Acabou que a falta de humildade pesou. A bola puniu.

Apatia nas conclusões. O defeito que mais chatou a atenção. Contra a Honduras, um show de horror. Só Mata desperdiçou três claras chances na primeira etapa. Se a seleção principal é criticada justamente por não chutar a gol, ao menos a Sub-21 usa e abusa das finalizações. No entanto, mostrou ao longo do torneio muitas falhas na hora das conclusões. As múltipas chances jogadas para fora fizeram falta. Contra o Marrocos, a falta de contudência para derrotar a seleção mais fraca do grupo resumiu bem a vergonhosa campanha olímpica da Espanha em Londres, que deve ser apagada da recente história vencedora do futebol do país.

sábado, 26 de maio de 2012

O Barcelona de sempre

Na despedida de Guardiola, o Barcelona ganhou a Copa do Rei e teve atuação memorável (getty images)

O maior presente de despedida que o Barcelona poderia dar a Josep Guardiola aconteceu. Na final da Copa do Rei, que garantiu o 26º título da competição aos catalães, o Athletic Bilbao sofreu. Descansado e com a motivação de encerrar o ciclo sob o comando do treinador com o 14º título em 19 possíveis, seria natural que os azulgrenás fossem intensos e pressionassem os bascos desde o início. Mas o que se viu nos primeiros 25 minutos no Vicente Calderón foi o Barcelona voltando à sua essência, à proposta de jogo nos melhores momentos da equipe durante os quatro anos de domínio blaugrana. Os Reis de Copa, simplesmente, não deixaram o Bilbao respirar durante o primeiro terço da partida.

Como especulei um dia antes da final, o abalo psicológico ficou nítido no Athletic Bilbao. Acuados, foram presas naturais à marcação sob pressão fulminante do blaugranas. Os problemas começaram antes da bola rolar. Ander Herrera e Iturraspe não estavam sob condições de jogo e tiveram que ser descartados por Marcelo Bielsa, que resolveu abastecer seu meio-campo com o retorno de Javi Martínez à volância e deu oportunidade a Ekiza na zaga. El Loco sabia que, sem Ander, perderia em intensidade e passe. Para isso, resolveu deslocar De Marcos para fazer companhia a Javi na linha de dois. Para não perder a velocidade pelos flancos, iniciou com Ibai Gómez na direita do seu 4-2-3-1, com Susaeta na armação.

O resultado começou a ser construído cedo. A mil por hora, os azulgrenás tiveram duas chances nos primeiros dois minutos. Na terceira, Pedro colocou às redes. Foi de Pedro também o terceiro gol, o que abriu um novo debate: terminando a temporada em alta, o canário ainda teria lugar nos 23 de Del Bosque para a Eurocopa? A imprensa espanhola vinha dando como confronto direto por uma vaga o duelo do barcelonista com Muniain, convocado pelo treinador madrilenho contra a Venezuela. Substancialmente, Pedrito largou bem à frente do basco. Ao contrário do "rival", apareceu bastante no jogo, não apenas com gols, mas sendo importante nas infiltrações em diagonal, que tanto fez falta ao Barcelona na temporada. A excelente partida do camisa 17 certamente trouxe, paradoxalmente, dor de cabeça a Guardiola. Em partidas decisivas, como contra Chelsea e Real Madrid, Pedro certamente seria mais decisivo que Cuenca e Tello, não?

Outro fato evidenciado em campo foi a partida de Iniesta. Muito abaixo da média na temporada, El Albino, acredite, não se "deu bem" jogando ao lado de Fàbregas. Aconteceu que, muitas vezes, era ele quem fazia o lado esquerdo do ataque. Sem Fàbregas ou Keita e jogando em sua posição original, foi um dos melhores em campo no Calderón. É um aviso direto a Vicente Del Bosque, que precisa deixar de lado a ideia de utilizar Iniesta aberto à esquerda, ao menos que seja no 4-2-3-1. Autor do segundo gol, Messi fechou a temporada com estratosféricos 73 gols. O maior artilheiro da história do Barcelona lembrou, na maior parte do confronto, seus tempos de ponta-direita: bem preso ao setor, foi graças a uma infiltração sua que marcou o gol.

O título, e a maneira com a qual foi campeão, só ratifica que o ciclo vencedor barcelonista está longe de acabar. Tito Vilanova, o novo treinador, conhece a filosofia de jogo, é querido pelos jogadores e deve manter a mesma proposta de Guardiola. O Barcelona campeão terá outros tantos por muito tempo. O Barcelona nunca deixará de ter. O Barcelona nunca deixará de ser.

Espanha 2x0 Sérvia
Acabou agora há pouco na Suiça o amistoso da seleção espanhola. Sem os jogadores do Barcelona, Athletic Bilbao e Chelsea, Del Bosque aproveitou a partida para fazer muitos testes. Curiosamente, retornou ao 4-4-2, que, contudo, não deverá aparecer na Ucrânia e Polônia. A utilização do módulo tático deve ter sido para ver como Negredo e Soldado se sairiam. Os dois, contudo, passaram despercebidos em campo e pouco criaram oportunidades. A dúvida pelo terceiro atacante do elenco permanecerá, pelo visto. 

Nesse cenário, quem ganhou pontos foi Adrián López. O colchonero, sim, fez valer seus pouco menos de 25 minutos de chances. Na primeira oportunidade que teve, aproveitou um cruzamento de Jesus Návas e cabeceou firme para abrir o placar. O passe oriundo da assistência de Navas veio dos pés de Beñat, mais um bom armador da geração espanhola que certamente deverá ganhar oportunidades e aparecer com naturalidade nas convocações de Del Bosque após a Euro. Não irá jogar a competição, fatalmente, mas larga na frente para tentar ir à Copa do Mundo. Cazorla, autor do gol que sacramentou a vitória, praticamente sentenciou sua vaga no grupo que tentará o tri-europeu.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O Real Madrid inspirou o Atlético de Madrid

 Em Neptuno, a festa é do Atléti. Bi-campeão da Liga Europa, colchoneros se inspiraram o rival merengue para bater Athletic Bilbao (getty images)

Há três semanas, o Real Madrid foi ao Camp Nou para vencer o Barcelona e sentenciar o campeão espanhol da temporada. Ao vencer por 2x1, os merengues, paralelamente, deixaram uma lição ao rival Atlético de Madrid. Para parar um futebol baseado na troca de passes, é preciso inteligência, aplicação tática e acerto na hora do contra-ataque. Foi assim que os principais clubes de Madrid conseguiram seus maiores resultados na temporada. Os colchoneros, jogando de maneira semelhante, conquistaram o bi-campeonato da Liga Europa ao derrotar o Athletic Bilbao, equipe espanhola que mais próxima chega do estilo de jogo barcelonista.

Embora diga bastante sobre as equipes, a estatística menos relevante do confronto foi a posse de bola, que, claro, ficou com o conjunto basco em 63% do tempo. O número não significa que o Athletic Bilbao, segundo time que mais troca passes na Liga BBVA, tenha sido melhor, pelo contrário. O Atlético de Madrid simplesmente abdicou da bola e apostou na força da trinca do meio-campo formado por Diego, Adrián e Arda Turan, que impusseram aos rojiblancos de Bilbao uma avalanche futebolística que a equipe de Bielsa ainda não havia presenciado na Liga Europa. Na frente, bola para Falcão que ele decide. Foram dois gols que ratificaram a artilharia da competição pela segunda temporada consecutiva. Também pela segunda temporada consecutiva, El Tigre marca na final e é campeão. Literalmente, o Mister Europe League, como é chamado.

A estratégia dos colchoneros, executada à perfeição, era evidente: desarmar e acionar os meio-campistas pelo flanco ou o artilheiro no comando do ataque, já que o Athletic Bilbao descia ao ataque desesperado, deixando a retaguarda desprotegida. Porém, assim como o Real Madrid no Camp Nou, o Atléti jamais se limitou a ficar apenas na defesa. Com a bola, o time de Simeone sabia o que fazer. Gabi e Suárez foram perfeitos na volância, combatendo Iturraspe e Ander Herrera. A dupla do Bilbao, aliás, ficara extremamente preocupado com Diego, Arda Turan e Adrián López em determinados momentos do jogo.

Por exemplo, o estilo de jogo dos Leones passa necessariamente pelo encaixe de seus meio-campistas. Em Bucareste, Ander foi decepção, pois não criou nada, mostrou-se nervoso, errou finalizações bobas e foi substituído cedo. Assim, Llorente passou despercebido e foi presa fácil para Miranda, que, talvez, fez sua melhor partida na temporada e na carreira no Atlético de Madrid. Susaeta, pela direita, foi anulado por um Filipe Luís que cada vez parece mais com aquele do Deportivo La Coruña que quase acabou contratado pelo Barcelona. Apenas Muniain tentou e teve (pouco) sucesso. A entrada de Ibai Gómez e Iñigo Pérez no segundo tempo foi uma alternativa de Bielsa para colocar velocidade pelos flancos do campo. Com o meio-campo congestionado, as inflitrações seriam necessárias para bater a meta de Courtois.

A escolha da postura e sua execução do Atlético de Madrid foram ótimas. Méritos para Simeone, que pegou uma equipe eliminada na Copa do Rei para o pequeno Albacete (no Vicente Calderón, vale lembrar) e a transformou na campeã da Liga Europa pela segunda vez em três anos. É um time totalmente diferente da época de Manzano. Simeone ajustou a defesa, soube usar o jogo de seus laterais e, sobretudo, apostar no contra-ataque, talvez maior mérito de El Cholo desde seu retorno a Manzanares. A jogada, que inexistiu com Manzano, foi, para muitos, a principal responsável pelo título. Agora, como bem avisou Simeone, é hora de esquecer um pouco o título e seguir adiante na Liga. Contra o Villarreal, na última rodada, os rojiblancos entram em campo necessitando da vitória e torcendo para uma derrota do Málaga para fechar a temporada com chave de ouro: a vaga na Liga dos Campeões da Uefa.

Ao Athletic Bilbao, resta levantar a cabeça. A base é boa, promissora e mostrou ao mundo um dos mais belos futebol da temporada. O País Basco, certamente, está orgulhoso do time. Cair é permitido, claro, mas se levantar é essencial. O choro dos jogadores ao término da partida foi comovente, mas tem mais final pela frente, ainda que seja difícil derrotar o Barcelona, que vem à todo na despedida do Guardiola. Ainda não era hora de título, entretanto a taça pode estar próxima de Gabarra. "Voltamos já", disse Marcelo Bielsa, que deve ter seu contrato renovado. A Liga Europa o espera, Athletic.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O dilema de Ander Herrera

Confirmado como titular da final da Liga Europa mais tarde, Ander Herrera vive sob dúvidas nos últimos dias. O meio-campista faz uma temporada que sonhava quando resolveu sair do Zaragoza e assinar com o Athletic Bilbao. Além de estar na final da competição europeia e da Copa do Rei, ganhou o aspecto de peça-chave do esquema de Marcelo Bielsa, participando de 46 jogos na temporada. Mas essa marca tem ganhado uma sombra negativa que leva a comissão técnica e o departamento médico do Athletic Bilbao à preocupação.

Em 23 oportunidades, o treinador argentino o substituiu. E não foi por casualidade. O jovem sofre com problemas crônicos no púbis desde o início da temporada que o obrigam a jogar com dores na maioria das partidas. A temporada bilbaína o desgastou mais que o habitual. Fora as 38 rodadas da Liga BBVA, os Leones disputaram mais 8 da Copa do Rei (9 contando a final) e 17 da Liga Europa. Mesmo que o fato de chegar às finais das Copas seja gratificante e de ter um elenco bom, certamente quando preparou a pré-temporada, Bielsa não esperava que sua equipe só não disputaria mais jogos na temporada que o Barcelona (três jogos a mais que o Real Madrid). Isso trás consequência ao grupo, que é limitado e curto, e os resultados são os maus resultados em âmbito nacional. Na Liga Espanhola, por exemplo, o Athletic não teve forças para disputar vaga na Champions League. Além disso, El Loco Bielsa é pouco afeito a rodízios.

Llorente sofreu bastante, mas sem dúvidas o maior prejudicado da história é Ander Herrera. Por isso, passa por um dilema. A ideia inicial era aguentar até o limite da temporada para tomar uma decisão. Ander foi um dos principais responsáveis dos méritos dos rojiblancos na temporada e desejou muito estar na parte mais decisiva da campanha bilbaína. Na hora da verdade, ele quer estar presente. Na cabeça de Bielsa, nem se passa não utilizar seu xodó. Contudo, há situações que obrigam o jogador e o serviço médico do clube a repensar a situação. Um exemplo notório é quando Susaeta não está em campo. O ex-jogador do Zaragoza, em momentos como esse, é o encarregado a cobrar faltas e escanteios. Em três oportunidades na temporada, pediu substituição ao sentir dores justamente na hora da execução dessas jogadas. "Força muito os músculos", disse Laura Martínez, médica do clube.

A última solução seria operar agora, após a final da Copa contra o Barcelona. O que leva a seguinte conclusão: provavelmente, Ander ficaria de fora das Olimpíadas. Também peça-chave do esquema de Luis Millá, o jovem faria falta em Londres. Entretanto, ao contrário do Athletic Bilbao, a seleção sub-23 espanhola tem substituto em caso de ausência de seu armador. Thiago poderia ser deslocado à função de armador e Muniain jogar aberto à esquerda; Adrián pode ser adiantado e jogar como no Atlético de Madrid (não necessariamente como referência do 4-2-3-1, onde, porém, foi o artilheiro da seleção na Euro Sub-21), abrindo espaços para Álvaro Vázquez no ataque; ou Milla pode mudar o esquema para o 4-3-3, jogando com Mata, Adrián e Muniain na frente e Javi Martínez, Busquets e Thiago na meiuca, o que poderia deixar o meio-campo pesado com dois primeiros volantes.

Operar no início da próxima temporada não passa pela cabeça de Ander. Independente do resultado da seleção principal na Eurocopa, as chances de Vicente Del Bosque começar a renovar o grupo em busca do bi-mundial são grandes e o nome de La Perla já é pedido por muitos. À medida que a temporada passa, ficava evidenciado que Ander Herrera já não era mais capacitado de oferecer seu melhor rendimento graças as dores. Na semana passada, não treinou com os companheiros, apesar de estar confirmado contra o Atlético de Madrid. No momento, tudo que passa por Ander é uma incógnita.

domingo, 25 de março de 2012

Muito difícil

Muniain lamenta: conquistar uma vaga na próxima Uefa Champions League tornou-se algo muito difícil para o Athletic Bilbao (getty images)

O novo tropeço do Athletic Bilbao na Liga Espanhola deixou a equipe a 9 pontos do Málaga, última equipe da zona de rebaixamento. A sequência negativa de quatro tropeços consecutivos (sendo três derrotas) esquiva o time basco do pelotão de cima. Em suas declarações após o empate contra o Sporting Gijón hoje, Marcelo Bielsa deu a entender que, no momento, conquistar uma vaga na próxima Uefa Champions League tornou-se tarefa árdua.

Iñigo Pérez, por outro lado, mantém uma visão otimista. O meio-campista citou que há muitos jogos ainda pela frente, mas afirmou que o sentimento do vestiário é de pessimismo e dor. Com mais nove jogos a serem disputados, é muito difícil acreditar que os leones ainda possam alcançar o quarto lugar. Por mais que a disputa esteja muito embolada, os últimos resultados do Málaga quebra o protocolo de que até o Rayo, na 11ª colocação, poderia sonhar com a competição europeia. A única situação imaginável é Levante ou Osasuna (ou até mesmo o Espanyol) roubando a vaga da equipe blanquiazul, que, aliás, chegou aos mesmos 47 pontos do Valencia. Até o Atlético de Madrid de Simeone está numa situação delicada. Hoje, perdeu em Aragão para o lanterna Zaragoza.

Porém, o canterano basco, em sua declaração, condicionou uma possível vaga a um fato importante: o Athletic Bilbao precisa de uma sequência de vitórias para manter o sonho vivo. É esse fato, entretanto, que quase liquida as chances de retornar à Champions. A campanha feita pelos leones na competição não reserva grandes sequência de vitórias. Apesar de ter ganho os holofotes nas últimas semanas pelo excelente futebol desempenhado na eliminatória contra o Manchester United na Liga Europa, quem acompanha o futebol espanhol sabe que o Athletic Bilbao tem feito uma competição muito irregular. Acreditem: a maior sequência de vitórias da equipe de Bielsa foram duas, em outubro. Exatamente as duas primeiras: venceu a Real Sociedad e, no final de semana posterior, o Osasuna. A equipe vive de altos e baixos e não dá pinta de que vá engrenar justo nessa reta final.

Muito disso passa pela fase do elenco. O plantel é limitado e criou-se uma Llorentedependência absurda, que tem-se evidenciada nos últimos confrontos. O treinador argentino ainda não achou soluções para a ausência do centroavante. Sem escolhas, chegou até a improvisar Susaeta na derrota de semana passada para o Valencia, por 3x0, na Catedral de San Mamés. As múltiplas lesões musculares condicionam a temporada do principal centroavante do elenco, que, quando apto, já provou ser muito mais do que essencial. Os bascos também sofrem por terem vários atletas com um desempenho abaixo do ideal: San José, principalmente, Toquero e Iraola foram acometidos por esse mal. Poucos são os jogadores de destaque: apenas Muniain, Ander Herrera, De Marcos e Llorente fazem temporadas aceitáveis e de elogios.

Atualmente, o mais importante para o Athletic Bilbao é apostar suas fichas na Liga Europa, ainda mais após a classificação perante os Reds Devils. Nas quartas-de-finais, os bascos encararão o bom time do Schalke 04, terceiro colocado da Bundesliga e comandado por Raúl e Huntelaar, que, durante seu pequeno período no Real Madrid, marcou duas vezes ante os leones. O clube tem dois trunfos na maga: a imprevisibilidade do mata-mata e o técnico Marcelo Bielsa, que mostrou no último jogo que entende do torneio. Além disso, o Athletic tem pela frente mais uma final de Copa do Rei contra o Barcelona. Mais do que nunca, são nas duas competições que El Loco e seus comandados devem se apegar.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Os Xavis rojiblancos

Ander Herrera disputa bola com Ashley Young. O cérebro do Athletic Bilbao tem sido comparado com Xavi (getty images)

A quinta-feira de Liga Europa foi de festa para os espanhóis. Ainda que tenha sofrido dois gols no segundo tempo, é aceitável pensar num Valencia numa vantagem confortável na visita a Holanda. A vitória por 4x2 dá aos chés a sensação de 80% da vaga nas quartas-de-finais garantida. O Atlético de Madrid, por sua vez, passeou. Os 3x1 ante o Besiktas soa como mentiroso para quem assistiu os 90 minutos de uma partida dominada por total por uma única equipe. Levando a sério, os rojiblancos não deram espaços aos turcos. Os golaços de Salvio (dois) e Adrián ainda na primeira etapa, no entanto, diminuiu o ritmo dos comandados de Simeone nos noventa minutos finais e um gol do ex-Atléti Simão Sabrosa, que não comemorou o tento, dá um pingo de esperanças ao Besiktas.

Mas o vencedor da noite foi o Athletic Bilbao. Apoiado por oito mil torcedores, foi capaz de um feito histórico em Old Trafford. Os leones se impuseram contra o Manchester United e, mesmo saindo em desvantagem no marcador, demonstraram qualidade suficiente para obter triunfo por 3 a 2. Agora, Alex Ferguson e seus comandados terão que se virar diante de 40 mil pessoas no estádio San Mamés se quiserem a classificação na próxima quinta-feira. O clube se agigantou e confirmou duas certezas: tem um elenco com jovens bastantes promissores que podem tornarem-se tops no futuro e a segunda e mais importante é que tem condições de disputar competições de alto nível. Na briga e favorito para copar uma das vagas na próxima Liga dos Campeões no Campeonato Espanhol, a vitória em Manchester volta a ratificar que a equipe tem poderio suficiente para fazer bonito.

Daniel Leite, colunista de futebol inglês para o portal IG, tocou no ponto certo em sua análise da partida: nada disso é acaso. Além da elogiável concepção de futebol, Bielsa é profissional e detalhista a ponto de ter assistido a 126 horas de seu time em ação para traçar perfis do elenco e conhecer um terreno que se apresentou como um desafio inédito em sua carreira. Uma das inspirações de Pep Guardiola, o argentino é valorizado agora pela capacidade de implantar ideias que fogem ao trivial mesmo em equipes com recursos bem mais escassos que os do Barcelona. E, assim, o Athletic lembra em certos pontos o Barcelona. Já citei isso em alguns textos, mas é sempre bom lembrar: a marcação pressão, a procura pela posse de bola e os habituais ataques em bloco elevam os bascos a condição de equipe que, excetuando Barça-Madrid, joga o futebol mais belo do país das touradas. As atuações de Muniain, De Marcos, Javi Martínez, Susaeta, Llorente e Ander Herrera foram destacáveis.

Entretanto, quem mais chama a atenção é o último nome. Ander Herrera é, para o Athletic Bilbao, o que Xavi é para Barcelona. Ele é o cérebro da equipe. Dita o ritmo do jogo, tem a paciência para fazer a bola rodar, sabe a hora de cadenciar e põe seus companheiros em condições de gol. O xodó de Marcelo Bielsa faz uma temporada irretocável. Após passar por apuros no Zaragoza, sendo destaque de uma equipe limitada, e ter sido um dos nomes da Espanha campeão europeia sub-21 no verão, chegou ao Bilbao com status. Com 21 anos, caminha para ser realidade. As 9 assistências na temporada confirmam a importância sua à equipe. O meio-campista é ótimo em posicionamento, passe e marcação e joga como se tivesse uma década de profissional. Se aprender a marcar gols, vai marcar época.


No Atlético de Madrid, o Xavi atende por Koke
Voltamos à vitória do Atlético. Que assistência linda o jovem Koke deu para Salvio marcar. Até brinquei no twitter na hora: lembrou Xavi lançando e Messi marcando de cavadinha. Em certos pontos, comparações são exageradas e nem é meu tipo querer fazê-las. Koke já havia sido uma das revelações da Liga passada. Há muitos anos em Madri fala-se nele, volante com características de armador e que queimava etapas nas categorias de base colchoneras. Lançado durante a temporada 2010/2011 no Atlético de Madrid, mostrou personalidade e colaborou na campanha de recuperação que culminaria em vaga na Liga Europa. Com Simeone, tem ganhado mais moral e chances. Jogado mais adiantado, participa das trocas de passes da equipe. Na Liga Europa, aparece mais. Koke é um meio-campo central dos mais cerebrais. É o futuro do Atlético de Madrid.

Nas divisões de base, sempre foi destaque, seja por Atlético de Madrid ou pela seleção espanhola. Em 2008, havia sido o regente, ao lado de Thiago Alcântara, da Fúria Sub-18 campeã europeia. Há uma semana, entrou em campo contra o Egito e deve ser nome certo no grupo que vai aos Jogos Olímpicos. Bem talentoso, impressiona quase sempre que entra nesta temporada. Com 19 anos, já é xodó da torcida e, mesmo sendo reserva, tem 5 assistências. Já é uma industria espanhola fabricar meias cerebrais. Dos promissores, fica o exemplo: Thiago Alcântara, Canales, Ander Herrera...

Alguns colchoneros já pedem sua presença na seleção de Del Bosque. Talvez não seja para tanto, até pelo fato do setor estar povoado de jogadores de níveis superiores. Mas, dependendo de sua evolução e liderança nas divisões inferiores espanholas, é provável imaginar o nome de Koke em alguma das próximas convocações do treinador madrilenho.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Volta por cima

O mau início de temporada do Athletic Bilbao foi deixado para trás com a vaga na final da Copa do Rei (AS)

Quando lançou sua candidatura à presidência do Athletic Bilbao, Josu Urrutia antecipou que tinha um antigo desejo de contratar Marcelo Bielsa. Não deu em outra: o presidente ganhou com uma vantagem considerável do rival Fernando García Macua e o argentino desembarcou no País Basco para susbstituir Joaquín Caparrós. No início, a torcida não ficara muito satisfeita. Caparrós era um treinador querido, que estava no clube desde 2007. Mas não demorou para o pensamento dos bascos irem mudando. Conhecido por sua proposta de jogo voltada ao ataque, Bielsa herdou de Caparrós uma excelente base para continuar seu trabalho.

Entretanto, os primeiros jogos de El Loco no comando técnico bilbaense não foram agradáveis. A equipe começou a Liga num ritmo lento, perdendo três e empatando dois nos primeiros cinco jogos. O fato de somar apenas dois pontos em 15 disputados começou a deixar a torcida com um pé atrás com o argentino, que, por sua vez, manteve-se tranquilo e pediu sequência, necessário em um trabalho como esse. O divisor d'águas para Bielsa veio exatamente naquele que os aficionados consideram um dos jogos mais importantes da temporada: o dérbi basco. Contra a Real Sociedad, que à época era a equipe sensação da Liga, um doblete de Llorente em pleno Anoeta deu uma vitória que mudou os rumos de Bielsa e do Athletic Bilbao na temporada.

Hoje, quatro meses após o dérbi, o Athletic Bilbao é outro. Ao golear o Mirandés por 6 x 2, garantiu o retorno à final da Copa do Rei, três anos depois de ser vice-campeão perante o Barcelona. Não bastasse isso, os leones também garantiram automaticamente uma vaga nas competições europeias em 2012/2013. Na Liga, ocupa a 6ª posição e é um candidato real a tomar a vaga do Levante na zona de Champions League. Atualmente, o único time que duela de igual para igual com os leones é o Atlético de Madrid, apesar de Espanyol, Osasuna e Málaga também estarem vivos.

A sensação é de evolução. É difícil basear-se num jogo contra um adversário inferior em todos os aspectos, mas o Athletic que despachou o Mirandés o fez com louvor. Sem nenhum poupado, deu uma aula de futebol à equipe da Segunda División B. A troca de passes no meio-campo e as tabelas frente à área do Mirandés enlouqueceram a equipe do treinador Carlos Pouso, que foi sucumbindo à medida que o jogo passava. Quanto mais forçava, mais o Athletic ficava perto do gol. E os trabalhos iniciou-se cedo, com Muniain marcando aos 10. Foi um recital. Iturraspe, Ander Herrera e De Marcos formam um excelente trio de meio-campo, enquanto Susaeta, Llorente e Muniain se completam na frente. O centroavante recuperou a forma do primeiro semestre de 2011 e faz 2012, por ora, impecável.

Bielsa implantou no Athletic Bilbao uma característica fundamental que, pelo visto, o elenco parece ter se adaptado com completo: a marcação pressão. Com três jogadores pressionando o adversário, a bola é recuperada com facilidade e fica com os jogadores. A posse de bola também aumentou consideravelmente em relação à temporada passada. Há duas semanas, quando foi goleado pelo Real Madrid, o Athletic saiu do Bernabéu com 52% da posse de bola. Bielsa já avisou: o objetivo não é jogar a final da Copa, e sim ganhar. Seja contra quem for. A vocação ofensiva e a marcação pressão que pode chegar a diminuir a posse de bola do Barcelona (58% foi a posse do Barça no confronto do San Mamés, no primeiro turno) podem levar o Athletic ao título.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Espanhóis em alta na Liga Europa

Falcão García: o colombiano desencantou e ajudou o Atlético de Madrid a seguir bem na Liga Europa (getty images)

Atlético de Madrid e Athletic Bilbao, representantes da Espanha na Liga Europa, deram demonstração de bom futebol na quarta rodada da segunda principal competição europeia, ficando muito próximo da classificação. Enquanto os colchoneros deram show e venceram a Udinese por 4 a 0, os bilbaínos ficaram no 1 a 0 contra o Salzburg, mas que garantiu a primeira colocação do grupo. O único gol dos bascos foi convertido por Ander Herrera, aos 37 minutos do primeiro tempo. O meio-campista voltou de uma lesão e foi bastante elogiado por Bielsa após a partida. Depois do gol, o Athletic apenas administrou a vantagem sobre os austríacos.

Colchoneros arrasadores
Não há outro adjetivo capaz de descrever o primeiro tempo do time colchonero senão "arrasador". Sem dar espaços e nem chances de gol para o time italiano, que jogava sem seu artilheiro Di Natale, o Atlético de Madrid foi amplamente superior ao segundo colocado do Campeonato Italiano. Logo aos cinco minutos, Falcão Garcia arriscou de longe, inesperadamente, para defesa do goleiro Handanovic, que foi pego no susto. Dois minutos depois, a consagração viria quando Adrián recebeu na entrada da área e invadiu, fintando a marcação e batendo com propriedade para o fundo das redes, sem que o goleiro esloveno pudesse reagir.

O gol precoce só inspiraria ainda mais o time madrileño, que chegou perto de aumentar a vantagem aos nove, quando Diego bateu escanteio e Falcão cabeceou da primeira trave para o desvio providencial de Domizzi. Atacando rápido e praticamente sem marcação, os rojiblancos ampliaram logo aos doze minutos, quando mais um golaço foi marcado. Falcão Garcia tocou de qualquer maneira, Antonio López deu um lindo passe de primeira e novamente Adrián apareceu para marcar o segundo. A marca registrada do início de primeiro tempo do Atléti eram os passes rápidos, com Diego controlando o meio-campo e Falcão Garcia e Adrián abrindo dos dois lados para armarem as boas chances ofensivas.

A Udinese esboçou uma reação e quase diminuiu aos 23, mas acabou perdendo o ímpeto graças à força dos colchoneros, que não desistiram de pressionar e foram em busca do resultado com base nas tabelas. E assim saiu o terceiro gol, quando Diego deixou a bola nos pés de Adrián e partiu. Nesse momento, Falcão recebeu e não titubeou para devolver ao artilheiro da noite. No último passe, Adrián deixou Diego na cara do gol para marcar e fechar o primeiro tempo de luxo do Atlético de Madrid.

A estratégia adotada pela Udinese no segundo tempo foi a mesma de todo clube que tem dificuldades para sair jogando: apertar a marcação e buscar os contra-ataques. O problema é que o time espanhol marcava bem e a última coisa que restava eram espaços. Depois de quase consolidar a goleada com Arda Turan aos 11' do segundo tempo, o Atlético de Madrid se aproveitou da ofensividade italiana para fazê-lo. E foi dos pés de Falcao Garcia, que já estava merecendo marcar, aos 22', após o colombiano cortar o brasileiro Danilo e ficar livre na área para mandar por cima de Handanovic, marcando o quarto gol.

Em mais uma falha de marcação de Danilo, o time de Manzanares quase aumentaria o placar. No contragolpe, Falcão fintou o brasileiro e dividiu com Domizzi. A bola sobrou para Koke, que havia acabado de entrar e quase marcou o quinto gol colchonero. Aos 30', outra oportunidade desperdiçada pelo colombiano, que disparou um petardo com o pé esquerdo e obrigou o esloveno a praticar uma defesa difícil. Nos últimos minutos, depois de pressionar e não conseguir aumentar a contagem, o Atlético de Madrid tocou a bola de lado e aguardou o apito final, sem sustos.

Com o resultado, o Atléti fica na ponta do Grupo I com sete pontos somados, mesmo número da Udinese, que marcou dois gols a menos no confronto direto - critério de desempate da competição. Nos terceiro e quarto lugar, respectivamente, seguem o Celtic, com cinco pontos e o Rennes, que paralisou nos dois. Ainda nessa quinta-feira, os escoceses venceram por 3 a 1.

domingo, 26 de junho de 2011

A cereja do bolo

Excelente geração espanhola deixou boa imprensão na Euro Sub-21, coroada com o título invicto da competição (AS)

Após garantir a vaga nos Jogos Olímpicos de 2012, restava à Espanha a cereja do bolo: conquistar o título da competição após treze anos. Mantendo seu estilo e sem levar sustos como na semifinal, a Espanha não teve muita dificuldade para bater a Suiça por 2 a 0 e conquistar o tri-europeu da categoria sub-21. Após a decepção contra a Inglaterra, a euforia ante República Tcheca e Ucrânia, e o sofrimento ante a Bielorrúsia, a Roja não quis experimentar um novo tipo de ânimo frente a Suiça, seleção que chegava à final invicta e sem sofrer nenhum gol.

A seleção alpina chegava à final com múltiplas possibilidades de criar problemas à Espanha. Afinal, a base desta seleção, que promete dificultar a vida das principais seleções nas Olimpíadas, é a mesma que ganhou o Mundial Sub-17 em 2009. Porém, a qualidade espanhola praticamente anulou as peças-chaves da seleção suiça. Javi Martínez e Mata, primeiros jogadores da história da competição a ganhar a Copa do Mundo antes da Euro, lideraram uma equipe com bastante jogadores promissores: Thiago Alcântara, Muniain, Ander Herrera, Adrián López - artilheiro e eleito o melhor do torneio -, Montoya e Didac deixaram o campeonato com boas imprensões.

O título é uma premiação ao excelente trabalho de Luis Milla, que não ousou em mexer na equipe até achar o módulo e a escalação perfeita. O 4-4-2 - esquema muito priorizado pelo treinador - da fase eliminatória e da estreia do campeonato não deu certo na competição, e Milla optou por um compacto 4-2-3-1 que variava para um 4-1-4-1 nas jogadas de ataque. Com Ander Herrera dando equilíbrio no meio, uma linha de três letal formada por Mata, Thiago e Muniain e Adrián saindo-se muito bem como única referência na frente, a Fúria desempenhou o futebol mais bonito da Euro e mostrou que a geração campeão europeia e mundial está bem servida para as próximas copas. O corte de Canales, um dos principais jogadores da primeira fase, no final de contas, acabou não fazendo tanta falta, apesar da equipe perder um pouco no drible para ganhar mais na priorização da posse de bola com a entrada de mais um meio-campista (no caso, Muniain).

A final
A primeira chance real de gol aconteceu aos 29 minutos de jogo. Depois de receber um cruzamento, Xherdan Shaqiri pegou de primeira e mandou uma bomba contra as metas espanholas. David de Gea espalmou e a pelota foi para escanteio. A Espanha respondeu sete minutos depois, em uma boa finalização de fora da área de Thiago Alcântara. Mas a bola passou à direita do goleiro Yann Sommer. Aos 41 minutos, a Roja abriu o placar. Didac Villà cruzou na medida para Ander Herrera, que cabeceou e fez o primeiro gol da partida.

No segundo tempo, aos seis minutos, Innocent Emeghara ficou frente a frente de David de Gea. O suíço deu um chute fraco e rasteiro e o goleiro não teve dificuldades para segurar a bola. A Espanha tentou fazer o segundo gol, aos 17 minutos, em chute alto de Javi Martínez, depois que este recebeu de Thiago Alcântara. Os suíços quase igualaram o marcador aos 33. Shaqiri cobrou falta e Timm Klose cabeceou. A pelota passou a direita de David de Gea. Aos 36,' a Roja aumentou o marcador, em um golaço de Thiago Alcântara. O filho do ex-jogador Mazinho cobrou falta e não deu chance de defesa para o goleiro suíço.

Com 2 a 0 no placar final, a Espanha se sagrou tricampeã do Europeu sub-21. A Roja já tinha conquistado a competição em 1986 e 98. A Suíça, por outro lado, nunca tinha alcançado a final do sub-21.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Avante

Melhor jogador da Eurocopa-Sub21 ao lado de Thiago, Mata marcou dois e deu mais uma assistência (reuters)

De forma tranquila, a seleção espanhola sub-21 venceu a Ucrânia por 3 a 0 e garantiu uma vaga na semifinal da Eurocopa da categoria. A vaga nas Olimpíadas de Londres 2012, no entanto, ainda não está garantida: devido a eliminação da Inglaterra, que perdeu para a República Tcheca, a Espanha ainda terá pela frente a seleção da Bielorrúsia para, se vencer, confirmar a classificação ao torneio. Ao término da fase de grupos, a seleção de Luis Milla termina na primeira colocação com sete pontos, duas vitórias e um empate.

Contra a Ucrânia, a Espanha voltou a jogar em alto estilo. Novamente escalada no 4-5-1, os espanhóis não suaram muito para chegas às redes ucraniana. O meio-campo foi o principal setor novamente e ratificou a ideia de que a seleção espanhola está muito bem servida nesta posição. Thiago brilhou, Muniain deu mais dinâmica, Javi Martínez fortaleceu, Ander Herrera deu um toque especial e Mata decidiu: foram dois gols e mais uma assistência para Adrián marcar, contabilizando sua terceira no torneio, líder máximo no quesito. O jogador do Valencia, junto com Thiago Alcântara, está brilhando na competição e, para muitos, já pode ser considerado o melhor jogador desta Euro.

A chave da seleção de Luis Milla é ser uma versão "light" da seleção principal. Aplicados, concentrados e velozes, La Rojinha é disparadamente a seleção favorita a conquistar a Euro Sub-21. Ontem, a Ucrânia, bastante inofensiva, sofreu nas mãos dos comandados de Milla. Um pouco sumido na primeira etapa, Thiago acordou no segundo tempo e mostrou ser bastante decisivo quando explorado. O segundo gol de Mata, de pênalti, teve participação do meia do Barcelona. Outro jogador das canteras do Barcelona que vem fazendo belo torneio é o zagueiro Montoya. Seguro e perigoso nos escanteios ou faltas cobradas para a área adversária, Montoya já vem sendo comparado com Piqué.

Mas nem todos estão satisfeitos nos vestiários. Bojan, reserva de Adrián, está ganhando poucos minutos e "reclamou" abertamente com Luis Milla. Em três partidas, Bojan disputou apenas 20 minutos, o suficiente para, em declarações ao Marca, dizer que "tem potencial e que poderia ser aproveitado mais". A Espanha, campeã europeia sub-21 em 1986 e 1998, caminha firme para o tricampeonato e, na quarta-feira, fará sua primeira final, contra a Bielorrúsia.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Mais tranquilo

Agora sim: com Mata mais efetivo do na estreia e dois gols de Adrián López, a seleção espanhola sub-21 venceu e está a um empate das Olimpíadas de Londres 2012 (getty images)

Após o empate na estreia e a certa decepção pelo futebol não apresentado, a Espanha conseguiu seus três primeiros pontos na Eurocopa Sub-21. Contra a República Tcheca, que ainda não havia perdido nenhuma partida desde a fase eliminatórias, a seleção de Luis Milla animou e, ao contrário da partida contra os ingleses, o ataque mostrou uma enorme evolução. Com Muniain no lugar de Jeffren, a seleção ganhou mais velocidade e drible pelo lado esquerdo do campo e o 4-5-1, com Mata, Thiago e Muniain auxiliando Adrián López, deu certo. A pressão por um retumbante fracasso na competição caiu por água abaixo após o jogo, já que, no momento, um simples empate diante da Ucrânia na última rodada classifica a seleção espanhola.

Com uma única mudança em relação à estreia, a Espanha mostrou desde o início sua proposta de jogo: ter a posse de bola e não deixar o adversário respirar na partida. Escalada na 4-1-4-1, a República Tcheca pouco ameaçou a meta de De Gea, que pela segunda vez consecutiva não teve que se esforçar muito. O meio-campo formado por Javi Martínez, Ander Herrera, Thiago Alcântara e Mata deu muito certo e tomou conta da partida. Com 62% da posse de bola, destaque para a entrada de Muniain na equipe titular, dando mais mobilidade à equipe. Mata, um pouco exausto na estreia, esteve mais solto hoje e provou a condição de maestro desta equipe: deu duas excelentes assistências para os tentos de Adrián López e já vem sendo alcunhado pela imprensa espanhola de "Iniesta da Sub-21".

Javi Martínez, que, junto com Mata, esteve no título mundial da seleção principal na África do Sul, voltou a se destacar na volância. Por ali, anulou Moravek, principal armador da seleção tcheca. Ander Herrera, que teve uma notável estreia, voltou a ter destaque, aliando a elegância com a dura marcação. Na defesa, bela partida de Álvaro Domínguez, que teve a dura missão de marcar Pekhart, maior artilheiro da história da seleção de base da República Tcheca, e Didac, que mostrou um belo físico ao participar frequentemente das jogadas de ataque e ajudar na marcação. Com 2 a 0, Milla promoveu as entradas de Diego Capel e Parejo nos lugares de Muniain e Adrián. Sem um atacante de referência, a Fúria passou a inoperar os ataques, mas, com a posse de bola, não sofreu muito com os tchecos.

Com a vitória e precisando apenas de um empate para confirmar a classificação à final e à Olimpíadas de Londres, a tranquilidade voltou ao ambiente rojo. O pessimismo até exagerado após o jogo contra a Inglaterra se desapareceu por completo e a boa notícia foi que os pendurados Thiago e Ander Herrera, dois dos principais jogadores da seleção na Eurocopa, não receberam cartão amarelo, tendo participação confirmada para o jogo contra a Ucrânia. A partida acontece no sábado, 18, às 15h45, horário de brasília. No outro jogo do grupo, ingleses e ucranianos ficaram no 0 a 0.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Amargo no final

Thiago Alcântara foi eleito o melhor em campo pela Uefa, mas não evitou o empate da seleção espanhola na estreia na Eurocopa Sub-21 (getty images)

A Espanha Sub-21 estreou ontem na Eurocopa da categoria, que dá três vagas para as Olimpíadas de Londres, em 2012, contra a Inglaterra. Apesar de não ter jogado muito bem, a seleção de Luis Milla teve o controle de jogo durante boa parte dos noventa minutos, mas, em um descuido da zaga, acabou sofrendo o empate no final com gol deWelbeck. O próximo compromisso é na quarta-feira (15) contra a República Tcheca. Possivelmente, a equipe entrará pressionada por uma vitória, já que um possível revés a colocaria a um passo da eliminação.

Como previsto, o 4-3-3 especulado pela imprensa espanhola antes da partida tornou-se um 4-4-2, com Mata exercendo a função que costuma desempenhar no Valencia. Com liberdade para jogar, no entanto, o meio-campista sentiu um pouco o cansaço de fim de temporada, levando perigo às redes Fielding apenas em alguns lampejos. Javi Martínez, jogando no lugar de Busquets, que está com a seleção principal, foi bem na proteção a zaga, formada por Botía e Álvaro Domínguez. Tocando bem a bola, a Espanha chegava ao ataque e teve algumas chances depois do gol, em tentativas de penetração pelo meio. O sistema defensivo da Inglaterra conseguiu impedir os espanhóis de criarem chances claras. Sobre o tento, polêmica. Em um escanteio, a bola foi desviada para a segunda trave e Ander Herrera tocou para o gol. O replay mostrou que ele usou a mão no lance, irritando os jogadores da seleção inglesa

Adrián e Jeffren, a dupla de ataque, não se saíram bem. O barcelonista, não muito acostumado a jogar de segundo atacante, foi anulado por Betrand, enquanto Adrián, jogando de referência, foi peça-nula no ataque. O resultado dessas falsas mesclas se traduziu em uma escasses preocupante de ocasiões e profundidade. Faltou para a seleção espanhola mais pegada e, para isso, Canales, que foi cortado, fez falta. Seguros na defesa, os ingleses passaram a ter mais volume ofensivo. Chegando muito pelos lados do campo, o English Team teve duas chances pela esquerda com Danny Rose. O atacante Daniel Sturridge também teve boa chance antes do apito do intervalo.

Depois de terminar o primeiro tempo pressionando a Espanha, a Inglaterra voltou do intervalo cadenciando o jogo. Pouco conseguiu chegar à frente. A Espanha, aos poucos, passou a dominar a posse de bola. Muito por causa do bom futebol apresentado por Ander Herrera. Incansável, o novo jogador do Athletic Bilbao domou o meio-campo inglês, jogando um pouco mais atrasado do que de costume. Extremo direito no 4-2-3-1 do Zaragoza, Ander desempenhou papel à Borja Valero no Villarreal (ajudando na marcação e participando das armações das jogadas). Ao lado de Thiago Alcântara, que foi eleito o melhor em campo pela Uefa, e Didac Villà, que, mal aproveitado pelo Milan, confirmou sua volta ao Espanyol seis meses depois de sua saída, foram os que tiveram estreias aprovadas. Aos 43' do segundo tempo, Kyle Walker fez uma grande jogada pela direita, tocou para Danny Welbeck sozinho dentro da área tocar, colocado, no canto baixo do goleiro e sair para comemorar: 1 a 1.

Milla sabe que tem problema para escalar o ataque: no segundo tempo, promoveu as entradas de Dani Parejo e Bojan nos lugares de Jeffren e Adrian e o setor continuou improdutivo. Parejo, que foi confirmado no Valencia, também foi improvisado como segundo atacante. Diego Capel, opção no banco para a posição, acabou entrando mais recuado como de costume e confirmou a enrolada estreia de Luis Milla na Euro. Como disse Fran Villalobos para o Marca, "o técnico espanhol tem um trabalho pela frente para dar um onze inicial seguro para a seleção, caso não queira ter férias antes do desejado".

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Balanço Final: Zaragoza

O capitão Gabi jogou como nunca para salvar o Zaragoza da degola. O resultado foi a investida do Atlético de Madrid, que o confirmou após o término da Liga (reuters)

Campanha: 13ª posição. 38 jogos, 12 vitórias, 9 empates e 17 derrotas. 41 gols pró e 52 gols contra.
Competição europeia: Não participou
Copa del Rey: Eliminado na fase 16 avos de finais pelo Real Bétis
Time-base: Leo Franco; Diogo, Jarosik, Da Silva, Paredes; Ponzio, Gabi, Lafita, Ander Herrera, Bertolo; Bráulio.
Os artilheiros: Gabi (10 gols), Bertolo (5), Sinama Pongolle e Lafita (4).
O técnico: Marcelino Toral, até 10ª rodada; Javier Aguirre, a partir da 12ª rodada.
O destaque: Gabi
A decepção: Uche

No início de outubro, quando o Zaragoza começou o campeonato bastante mal e perigava o rebaixamento, lembrávamos: em 2009/2010, a história foi a mesma e o final foi oposto. Naquela temporada, a equipe subiu de produção no segundo semestre e conseguiu a salvezza. Numa espécie de previsão, alertamos que o início ruim poderia ser apenas um "déjà vu". E foi. O elenco é bem próximo do que foi formado na última temporada, tendo mudança substancial apenas no comando: o antes unanimidade Marcelino Toral deu vez ao mexicano Javier Aguirre, que, logo de cara, trocou o 4-2-3-1 para o 4-5-1, reforçando os espaços deixados no meio-campo.

Dois dos principais nomes da equipe já deram adeus ao clube: Gabi e Ander Herrera foram anunciados no Atlético de Madrid e no Athletic Bilbao, respectivamente. O jovem foi o destaque no primeiro turno, mas caiu de produção no segundo. Mesmo assim, terminou a temporada com bons números: seis gols e sete assistências. No País Basco, a expectativa é que seu futebol evolui mais, jogando ao lado de uma equipe que privilegia seu estilo de jogo: o toque de bola saudável. O experiente capitão foi o principal jogador da equipe na temporada: seus dez gols, que o deram a artilharia da equipe na temporada, foi o principal fator para salvar a equipe. Entre os principais tentos, o do Santiago Bernabéu foi o mais comemorado, pois ajudou a equipe a vencer o poderoso Real Madrid em plena capital e injetou mais ânimo à equipe, que, naquele momento, estava a dois pontos de conquistar a salveza.

Porém, nada está a salvo na equipe aragonesa: o rebaixado Deportivo entrou na justiça e irá pedir à LFP para que rebaixe o Zaragoza. O motivo alegado pela equipe galega é de que o clube maño tem uma dívida com o Deportivo pela contratação de Lafita. O Deportivo indica a sentência condenando o Zaragoza a pagar 1.480 milhões de euros e rejeito o pedido reconvencional da equipe. O preço total de Lafita é de 3.500 milhões de euros mais o IVA correspondente e, por essa dívida, o clube coruñes pedirá o rebaixamento do Zaragoza. Resta aguardar.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Análise do primeiro turno: Zaragoza

Com o início das festas de fim de ano, a Liga BBVA chega a seu intervalo.

Em pílulas, o Quatro Tiempos trará aos leitores um pequeno raio-x das campanhas dos vinte times da Liga BBVA até o momento, a começar do lanterna Zaragoza. E antecipamos o desejo de boas festas neste fim de ano, somado ao agradecimento a nossos fiéis visitantes. Feliz natal e um ótimo 2011!


Análise do primeiro semestre
: Zaragoza

No fraco time do Zaragoza, o promissor Ander Herrera tem se destacado (elzaragoza.com)

Campanha
20ª posição. 16 jogos, 10 pontos. 1 vitória. 7 empates. 8 derrotas.

Treinador
José Aurélio Gay, até a décima rodada ; e Javier Aguirre, a partir da décima primeira. É inegável que o número de treinadores de uma equipe costuma ser inversamente proporcional ao seu êxito. No Zaragoza não foi diferente: em seis meses, os maños contaram com dois técnicos e têm apenas uma vitória em toda a Liga. Gay, que comandou a salvação tranquila da temporada passada, não resistiu aos mínimos sete pontos em dez jogos e foi substituído por Javier Aguirre, ex-treinador do Atlético de Madrid e da seleção mexicana. Tendo como melhor resultado uma eliminação na Copa del Rey e três empates em seis jogos, já é possível prever que o futuro de Aguirre no time Aragão é bastante improvável.

Destaque
Ander Herrera. O jovem, que já havia ganhado chances nos últimos jogos da temporada passada, vai mostrando o porquê de ter sido a aposta de Gay. Jogando de enganche no 4-2-3-1 dos maños, o garoto é um exímio distriduidor de bolas. Ficou marcado neste primeiro semestre como o Zaragoza depende das jogadas do garoto, já que o ataque é um dos piores da competição, com apenas 14 gols. Dos 14, seis vieram de Bertolo e Gabi, que só marcou gols de pênalti na competição. O Zaragoza sente falta de Suazo, principal responsável pela salvação na temporada passada. Sinama Pongolle, enquanto esteve disponível, também foi um bom destaque do Zaragoza.

Decepção
Edmilson. Ninguém espera que o brasileiro seja um fenônemo na volância. O que se cobra dele é que desempenhe bem as funções de um volante ágil e habilidoso. No Zaragoza, o brasileiro teve uma queda brusca de rendimento. Depois de umas temporadas como titular do Barcelona campeão europeu - o Barcelona de 05/06 -, o ex-Palmeiras passou a acompanhar a maior parte dos jogos de sua atual squadra do banco de reservas.

Perspectiva
Livra-se do rebaixamento, como na temporada passada. Os maños, porém, não terão vida fácil. Com 10 pontos em 16 jogos, será necessário, sobretudo, melhorar em demasia a defesa, no momento a segunda pior do campeonato, com 27 gols sofridos. Tal setor do campo carece não só de qualidade, como também de quantidade: são poucas as peças de reposição para um elenco cujo time titular já não é grande coisa. O ataque, por sua vez, precisa ser acertado: Alex Sanchéz, Braulio, Kevin, Marco Pérez, Sinama Pongolle e Uche, embora não sejam craques, podem, sem dúvidas, render mais ao time se mais bem aproveitados.

Análise feita nos moldes da Parada de Inverno do Quattrotratti

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Déjà vu?

Em 2009-10, o Zaragoza começou a temporada com uma estrutura pesada, custosa, cheia de jogadores de alguma projeção e responsabilidade de disputar a metade de cima da tabela. Não suportou o peso dela e rondou a zona de rebaixamento todo o primeiro turno. Quando José Aurélio Gay assumiu e deu espaço a mais garotos – tendo Ponzio e Edmílson como pontos de experiência –, os maños cresceram. Junto a isso, pode vir algumas contratações fundamentais para a equipe, como Suazo e Edmilson, e a recuperação do futebol fino e goleador de Adrián Colunga, que estava em "crise".

Os maños, assim, passaram a praticar um futebol mais veloz e aguerrido, compatível com a disputa das últimas posições. Ponto alto da reviravolta do Zaragoza na temporada, foi a contratação de "Chupete" Suazo, que deu um upgrade tremendo no clube blanco. Com consecutivas vitórias, finalmente o clube de Zaragoza conseguiu viver livre do rebaixamente, em sua volta à Liga BBVA.

Sempre atrás: essa é a realidade dos defensores maños neste início de temporada (getty images)

Em tese, a ideia para a nova temporada era continuar no mesmo ritmo que terminou a antiga temporada. Porém, a história pode estar se repetindo. Ineploravelmente, o Zaragoza começou a temporada da mesma forma que começou a temporada anterior: perdendo e sofrendo goleadas. Os colistas não conseguem conectar o meio-campo ao ataque e a falta de gol é clara. Sem Colunga, transferido para o Getafe, coube a Suazo a responsabilidade de marcar. Entretanto, a notícia de que o chileno ficará de fora dos gramados por seis meses por causa de lesão caiu como uma bomba nos arredores do La Romareda.

Sem Colunga, restou à diretoria maña recorrer ao última dia de mercado para trazer um atacante. Chegou, então, em empréstimo, Sinama Pongolle, sem espaços no Atlético de Madrid graças à ascenção de Diego Costa. O francês tem correspondido, fazendo sua parte, e não tem culpa do momento que vive o time de Aragão. Problemas extracampos também minam o futebol maño.

Os fatores que indicam problemas de relacionamento surgem discretamente. Mesmo com resultados tão ruins e as cutucadas no elenco, o técnico madrileño continua no cargo. O presidente Agapito Iglesias já negou diversas vezes que pretende demiti-lo. Manteve a posição mesmo depois de um incidente mais grave: a expulsão do zagueiro italiano Contini em um treino por falta de dedicação na última quarta, às vésperas do confronto contra o Barcelona. Não é difícil entender por que os dirigentes estão ao lado da comissão técnica, algo normalmente raro nesses casos. A falta de clima do elenco não seria culpa do treinador, mas de problemas mais profundos. O meia Ander Herrera, formado nas categorias de base mañas, disse que jamais viu um racha social tão grande no clube.



José Aurélio Gay: "É, rapaz, a situação está tensa" (marca.com)

O jogador se refere à relação instável entre torcedores e diretoria, além da grave crise financeira do Zaragoza. O clube foi colocado à venda e a imprensa espanhola especula que os salários estejam atrasados. Resultado de um longo processo, que começou há várias temporadas, com investimento pesado em reforços que acabaram não dando os resultados esperados (classificação para a Liga dos Campeões ou, no mínimo, algum título de Copa do Rei ou boa campanha na Liga Europa). A queda para a segunda divisão, há três anos, só agravou o cenário.

Segundo Nayim, assistente técnico do time e ex-jogador maño (alguém se lembra que ele fez, contra o Arsenal, um gol do meio de campo, no último minuto da prorrogação, para decidir o título da Recopa de 1994/95?) a falta de sorte também pode estar incluída. “Precisamos recuperar o moral dos jogadores, porque eles são os verdadeiros protagonistas. Agora estão abalados, mas são profissionais e precisam se recompor. Até porque, quando a torcida vê a equipe lutar, vai junto – e fica contra quando isso não acontece.” O ex-meia considera que melhorar psicologicamente seria, inclusive, mais importante do que mexer em tática ou técnica.

No final das contas, é provável que Gay seja demitido em algum momento. Por mais que a diretoria esteja contrariada com o comportamento do elenco, são os jogadores que entrarão em campo para buscar os pontos que podem salvar o time do rebaixamento. Mas os zaragocistas precisam mesmo é torcer para mudanças lá em cima. Algo mais difícil do que contratar um psicólogo para animar um grupo de pessoas.