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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Fúria olímpica

É festa: Espanha bate Bielorrúsia na prorrogação e, onze anos depois, garante vaga nas Olimpíadas (AS)


Custou mais que o previsto, mas a Espanha deu a volta por cima e assegurou a vaga para a final da Eurocopa Sub-21 e para os Jogos Olímpicos de Londres 2012. Onze anos após a última participação em uma Olimpíadas, quando acabou ganhando a medalha de prata após perder para Camarões na final, a Fúria está de volta a competição para tentar a segunda medalha de ouro de sua história (a primeira, em 1992, em Barcelona). Os comandados de Luis Milla começaram perdendo, mas Adrián, com gois gols, e Jeffren viraram para a roja.

Durante os primeiros 90 minutos, a Bielorrúsia dificultou muito a vida da fúria. No momento em que a Espanha jogava melhor, Voronkov acertou um belo chute para vencer De Gea e abrir o placar para os bielorrussos. Daí em diante, a Fúria teve que jogar com a paciência, uma das principais virtudes da seleção sub-21 no torneio. No segundo tempo, a Roja cresceu um pouco de produção. Contudo, não levava muito perigo às redes de Gutor devido a boa defesa da Bielorrúsia.

Para abrir mais o jogo e explorar os lados do campo, Luis Milla optou por sacar Muniain e Ander Herrera, bem abaixo da média na partida, para colocar em campo Jeffren e Capel nos flancos. Com isso, trocou o módulo espanhol para um 4-1-4-1, com Javi Martínez como único jogador atrás da linha de quatro. Jeffren, entretanto, parecia nervoso e entrou errando tudo que tentava. Didac, pela esquerda, deu boas opções ofensivas ao subir bastante e Mata começou a subir de produção.

Antes dos 40', Milla optou por uma nova troca e uma nova formação: Alvaro Domínguez deu vez a Bojan e a seleção espanhola mudou para um 3-1-4-2. Com mais um atacante com presença de área, Adrián passou a se movimentar mais na zaga adversária e cresceu na partida. Aos 43', o novo jogador do Atlético de Madrid recebeu de Jeffren e bateu firme para igualar o marcador e fazer Milla respirar aliviado.

Na prorrogação, a Bielorrúsia mostrou-se claramente cansada, e a Fúria aproveitou para selar a classificação à final. Jeffren e Capel passaram a participar mais da partida e Javi Martínez foi boa opção para o ataque. Aos 15 minutos do primeiro tempo extra, Diego Capel chutou de voleio e Adrián cabeceou e marcou o gol da virada. Jeffrén Suárez balançou as redes para os espanhóis aos oito do segundo tempo da prorrogação. O meia-atacante do Barcelona fez um golaço depois de pegar o rebote. Agora, a seleção de Luis Milla irá encarar a Suiça, que venceu seus quatro jogos na competição. Porém, a concentração na final fica para depois: após doze anos, a seleção espanhola está de volta aos Jogos Olímpicos.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Amargo no final

Thiago Alcântara foi eleito o melhor em campo pela Uefa, mas não evitou o empate da seleção espanhola na estreia na Eurocopa Sub-21 (getty images)

A Espanha Sub-21 estreou ontem na Eurocopa da categoria, que dá três vagas para as Olimpíadas de Londres, em 2012, contra a Inglaterra. Apesar de não ter jogado muito bem, a seleção de Luis Milla teve o controle de jogo durante boa parte dos noventa minutos, mas, em um descuido da zaga, acabou sofrendo o empate no final com gol deWelbeck. O próximo compromisso é na quarta-feira (15) contra a República Tcheca. Possivelmente, a equipe entrará pressionada por uma vitória, já que um possível revés a colocaria a um passo da eliminação.

Como previsto, o 4-3-3 especulado pela imprensa espanhola antes da partida tornou-se um 4-4-2, com Mata exercendo a função que costuma desempenhar no Valencia. Com liberdade para jogar, no entanto, o meio-campista sentiu um pouco o cansaço de fim de temporada, levando perigo às redes Fielding apenas em alguns lampejos. Javi Martínez, jogando no lugar de Busquets, que está com a seleção principal, foi bem na proteção a zaga, formada por Botía e Álvaro Domínguez. Tocando bem a bola, a Espanha chegava ao ataque e teve algumas chances depois do gol, em tentativas de penetração pelo meio. O sistema defensivo da Inglaterra conseguiu impedir os espanhóis de criarem chances claras. Sobre o tento, polêmica. Em um escanteio, a bola foi desviada para a segunda trave e Ander Herrera tocou para o gol. O replay mostrou que ele usou a mão no lance, irritando os jogadores da seleção inglesa

Adrián e Jeffren, a dupla de ataque, não se saíram bem. O barcelonista, não muito acostumado a jogar de segundo atacante, foi anulado por Betrand, enquanto Adrián, jogando de referência, foi peça-nula no ataque. O resultado dessas falsas mesclas se traduziu em uma escasses preocupante de ocasiões e profundidade. Faltou para a seleção espanhola mais pegada e, para isso, Canales, que foi cortado, fez falta. Seguros na defesa, os ingleses passaram a ter mais volume ofensivo. Chegando muito pelos lados do campo, o English Team teve duas chances pela esquerda com Danny Rose. O atacante Daniel Sturridge também teve boa chance antes do apito do intervalo.

Depois de terminar o primeiro tempo pressionando a Espanha, a Inglaterra voltou do intervalo cadenciando o jogo. Pouco conseguiu chegar à frente. A Espanha, aos poucos, passou a dominar a posse de bola. Muito por causa do bom futebol apresentado por Ander Herrera. Incansável, o novo jogador do Athletic Bilbao domou o meio-campo inglês, jogando um pouco mais atrasado do que de costume. Extremo direito no 4-2-3-1 do Zaragoza, Ander desempenhou papel à Borja Valero no Villarreal (ajudando na marcação e participando das armações das jogadas). Ao lado de Thiago Alcântara, que foi eleito o melhor em campo pela Uefa, e Didac Villà, que, mal aproveitado pelo Milan, confirmou sua volta ao Espanyol seis meses depois de sua saída, foram os que tiveram estreias aprovadas. Aos 43' do segundo tempo, Kyle Walker fez uma grande jogada pela direita, tocou para Danny Welbeck sozinho dentro da área tocar, colocado, no canto baixo do goleiro e sair para comemorar: 1 a 1.

Milla sabe que tem problema para escalar o ataque: no segundo tempo, promoveu as entradas de Dani Parejo e Bojan nos lugares de Jeffren e Adrian e o setor continuou improdutivo. Parejo, que foi confirmado no Valencia, também foi improvisado como segundo atacante. Diego Capel, opção no banco para a posição, acabou entrando mais recuado como de costume e confirmou a enrolada estreia de Luis Milla na Euro. Como disse Fran Villalobos para o Marca, "o técnico espanhol tem um trabalho pela frente para dar um onze inicial seguro para a seleção, caso não queira ter férias antes do desejado".

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Massacre histórico

Xavi marca: início da manita (getty images)

Cinco a zero. Um resultado histórico em um jogo histórico. Os blaugranas chegaram a sua manita (literalmente) de vitórias sobre o rival madrileño com uma sonora goleada. Domínio absoluto da partida, muita movimentação entre os atacantes e jogo de equipe. O Barcelona mostrou mais uma vez que é, acima de tudo, um conjunto, ao contrário do Real Madrid, que só levou raro perigo em jogadas individuais de um apagadíssimo Cristiano Ronaldo. Como disse o amigo Ubiratan Leal, da Trivela, " em um encontro de grandes equipes, como o Barça x Real, espera-se que os times se respeitem, que entrem em campo cheio de dedos, estudando a postura do oponente, descobrindo os espaços que estarão disponíveis, avaliando que armas seriam mais atuantes. O time de Guardiola mandou as preliminares para o espaço. Começou a partida já soltando diretos e ganchos. Nada de jabear." Vamos a uma breve síntese do pré-jogo e da partida propriamente dita.

Antecedentes
Quando a tabela da Liga BBVA 10-11 foi divulgada e estava previsto que o superclássico seria disputado na semana dos dias 27 e 28 de novembro muito se falou sobre o fato de que alguns eventos particulares em Barcelona poderia colocar em risco o clássico. A visita do Papa à Catalunha mais as eleições parlamentares da comunidade autónoma fizeram com que o superclássico fosse transferido para uma segunda.

Por um lado, a chegada de Mourinho a Chamartín para treinar o Real Madrid - mais algumas contratações pontuais, como as de Ricardo Carvalho, Khedira, Di María e Özil - fez com que os afficionados merengues tivessem a esperança de voltar a ter o sabor de comemorar uma vitória sobre os rivais catalães. Líder da Liga e invicto sob o comando de Mourinho, até a bola rolar no Camp Nou os blancos foram muito respeitado pelo Barcelona. Na entrevista coletiva de domingo, cuidadosa e politicamente correta, Guardiola parecia preocupado, cheio de caretas. Mas a tensão pré-clássico se desfez com as escalações, com ambos os treinadores optando por suas equipes ideais. Já o Barcelona chegava para o superclássico em sua melhor forma na temporada. Após um início conturbado, com derrota para Hércules e empate para o Mallorca no Camp Nou, os preparadores físicos do time já previam que o auge desta equipe seria no final de novembro/começo de dezembro.

Provocações por parte madrileña foi o que não faltou. Mourinho, Cristiano Ronaldo, Di María e até mesmo Marcelo sentiam-se superiores antes mesmo da partida começar. O português, por exemplo, chegou a dizer "que queria ver o Barcelona marcar oito no Madrid". Já o brasileiro e o argentino, não ousaram em dizer que "Cristiano Ronaldo é melhor que Messi". Os jogadores barcelonistas manteram-se calados, e Guardiola soube usar a provocação para seu lado. A resposta foi dada em campo e o Real Madrid saiu do Camp Nou humilhado. Nota triste, foi aoacidente durante a chegada do time madrileño a Barcelona. O ônibus da delegação foi apedrejado por torcedores do "Boixos Nois", mas nenhum jogador ou comissário da equipe técnica saíram feridos.

O jogo

Primeiro superclásico de Villa e um doblete. Resposta em alto estilo à provocação de Mourinho (reuters)

Antes mesmo do jogo começar, a primeira surpresa: Higuaín não passou na última revisão médica e, para não forçá-lo, Mourinho resolveu deixá-lo de fora da partida. A imprensa especulou que Mourinho poderia alinhar uma linha de três na volância com Lass Diarra, Xabi Alonso e Khedira, vindo de trás de Di María e Özil. No caso, Cristiano Ronaldo atuaria como um falso nove, como em tempos de Pelegrinni. Mas acabou acontecendo o mais óbvio e Mourinho foi de 4-2-3-1 com Benzema no lugar do Pipita. A partida começou com o Barcelona já exercendo sua famosa pressão. Logo no primeiro minuto, Pepe teve a felicidade de cortar uma bola lançada em profundidade por Iniesta para Villa.

Porém, oito minutos depois, num lance parecido saiu o primeiro gol. Iniesta dominou na frente de Pepe e, com maestria, lançou Xavi. Ricardo Carvalho não conseguiu cortar e, contando com a sorte, Xavi dominou e só deu um leve toque por cima de Casillas, que ficou reclamando de impedimento inexistente para abrir o placar. Antes disso, o Barcelona já havia assustado. Messi, em um lance de extrema inteligência, viu o posicionamento adiantado de Casillas e tocou por cima do goleiro, que viu a trave salvar o gol do Barcelona. Depois, Di María levou perigo ao gol de Valdés após receber de Özil e chutar forte para defesa do arqueiro catalão.

O segundo gol não tardou a chegar. Após troca de passes, Xavi recebeu de Messi, levantou a cabeça e cruzou na esquerda para Villa. O guaje, que já vinha ganhando todas de Sergio Ramos, levou para a perna esquerda e cruzou para Pedro, que saiu como um raio da marcação de Marcelo para ampliar. Notável a movimentação do canário. Após sofrer falta do brasileiro (não marcada por Iturralde González) o camisa '17' blaugrana disparou para receber de Villa. Após o tento, o Barcelona passou a administrar a partida, para desespero do Real Madrid, que passou a ficar com os nervos à flor da pele. Após Cristiano Ronaldo empurrar Guardiola na beira do campo, um tumulto foi instalado, que rendeu cartão amarelo para o atacante português. Messi também não ficou imune e levou cartão amarelo após simular uma cotovelada de Ricardo Carvalho.

Para o segundo tempo, Mourinho tentou reforçar a marcação no meio-campo e voltou com Lass Diarra no lugar de um decepcionante Özil. Bem marcado por Ricardo Carvalho no primeiro tempo, Messi se soltou, e conduziu o Barcelona na segunda etapa. Logo no início, deixou Xavi na cara de Casillas. O meio-campista catalão teve seu chute interceptado por Khedira e, no rebote, chutou para fora. Mas o terceiro gol saiu três minutos depois. Em nova descida de Messi pela direita, "La Pulga" tocou para Villa, que se antecipou a Pepe e tocou na saída de Casillas para "matar" a partida. E foi a mesma dupla que ocasionou o desespero de Casillas. No círculo central, Messi deixou Ricardo Carvalho e Khedira para trás. Vendo a movimentação de Villa na esquerda, que se desmarcou de Sergio Ramos, Messi lançou o Guaje, que novamente tocou na saída de Casillas para chegar ao seu doblete. Vale lembrar que, há um mês, Mourinho mandou uma indireta para Villa, falando que "custou caro e não marca". Resposta cruel para o técnico de Setubal.

O Barcelona ainda teve chances para ampliar, mas tirou o pé. Talvez para poupar o arquirrival de uma humilhação extrema, já que às vezes atletas profissionais mostram sinais de piedade para com seus amigos. O torcedor catalão não podia pedir mais. Mas teve. Após jogada que iniciou-se no campo de defesa, com roubada de bola de Daniel Alves em Cristiano Ronaldo, Bojan recebeu de Iniesta e partiu em contra-ataque pela direita. O canterano cruzou à área e Jeffren antecipou-se a Pepe e tocou de direita para vencer Casillas. A torcida ficou em êxtase com a manita, a quarta da história do superclássico - a última havia sido em 1994, com show de Romário em campo - e Piqué fez sinal de "cinco" para a arquibancada. Nos segundos finais, Sergio Ramos deu uma entrada criminosa em Messi e foi expulso. Antes de sair em campo, meteu a mão na cara de Puyol e Xavi, companheiros de seleção espanhola. Após o término da partida, Sergio Ramos pediu desculpas a Messi, Xavi e Puyol, dizendo que, "no momento, estava de cabeça quente".

Foi um espetáculo primoroso de futebol. O Barcelona venceu todos os duelos: Puyol x Cristiano Ronaldo, Pedro x Marcelo, Villa x Sérgio Ramos, Xavi x Xabi Alonso, Khedira x Iniesta e Busquets x Özil. O Real Madrid não fez nada que mereça registro positivo, foi simplesmente massacrado pelo time de Pep Guardiola, que apenas manteve seu estilo.