Mostrando postagens com marcador Sérgio Ramos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sérgio Ramos. Mostrar todas as postagens

domingo, 13 de novembro de 2011

Malditos amistosos

Espanha controlou o jogo contra a Inglaterra, mas faltou o gol. Se tem ido bem nos jogos oficiais, nos amistosos a Fúria vai mal (AS)

A Espanha voltou a falhar em um amistoso contra uma seleção de grande expressão após o título mundial em 2010. Em Londres, no Wembley, palco da decisão da Liga dos Campeões da Uefa 2010/2011 entre Manchester United e Barcelona, os espanhóis foram derrotados pelos donos da casa por 1 a 0, gol de Lampard no começo do segundo tempo. A notícia boa referente à partida ficou pela marca histórica alcançada por Casillas, que jogou apenas nos primeiros 45 minutos e igualou o número de jogos de Andoni Zubizarreta (126) com o uniforme rojo.

A escalação inicial de Vicente Del Bosque só ratificou a ideia de que o treinador quer copiar o estilo de jogo do Barcelona a todo custo. Jogando em um 4-3-3 que teve como maior surpresa a escalação de David Silva como falso nove, atuando à Messi, e um meio-campo formado, novamente, por Xabi Alonso, Busquets e Xavi, a seleção espanhola fez uma partida abaixo da média. A dupla Silva e Villa não foi opção de passe para o meio de campo controlador, pois Del Bosque insiste em Busquets e Xabi Alonso, dois volantes que jogam em linha, paralelos. Não se sente seguro para escalar Busquets, Xavi e Iniesta, como Guardiola, talvez único diferencial das duas equipes.

Preocupada com o bom toque de bola do adversário, a Inglaterra usou a defesa para vencer o jogo. E o fez bem, sobretudo no primeiro tempo, quando o goleiro Hart quase não trabalhou. O problema é que o meio-campo inglês foi pouco criativo, tornando raros os lances de perigo dos ingleses.O domínio territorial claro não valeu para a Espanha, dessa vez. Com a posse de bola na casa dos 77%, a Fúria teve a bola nos pés durante os noventa minutos, mas esbarrou no pequeno catenaccio montado pelo italiano Fabio Capello, treinador do English Team. Justamente com esse estilo de jogo que a Fúria foi derrotada pela Suiça na estreia do Mundial da África do sul e o Barcelona (base da seleção) foi eliminado pela Inter de Milão de José Mourinho na LC 2009/2010. Embora tenha perdido o jogo, a Espanha não sofreu muito com os avanços ingleses, que, vale destacar, pouco tenha acontecido, diante da proposta feita por Capello. Sergio Ramos, escalado como central ao lado de Piqué, voltou a ter uma atuação notável, aparecendo como boa opção para substituir Puyol, que passa por problemos musculares infinitos.

Jordi Alba, que havia ido bem contra a Escócia, ganhou novamente a confiança de Del Bosque na lateral esquerda. Vivendo boa fase no Valencia, o lateral, que nos últimos dias teve seu nome ligado a uma possível transferência ao Barcelona na próxima temporada, fez uma partida nota seis, não sendo muito incisivo nos ataques pelo seu setor, que teve Villa bem na frente. A atuação mediana do ché, no entanto, foi destacado pelo AS, que citou Alba como um lateral atrevido que ganha, a cada jogo, pontos com Vicente Del Bosque. Contra a Costa Rica, na terça-feira, o treinador afirmou que quem ganhará chances dessa vez será o malaguês Monreal. Villa, por sua vez, pecou muito nas finalizações, e chegou a perder um gol que, em seus tempos áureos, certamente não perderia.

Se não tem vencido os amistosos de dificuldade maior (perdeu para Argentina, Portugal, Itália e Inglaterra), ao menos a Fúria continua "invicta" em partidas oficiais no pós-copa. Mal orientado taticamente, faltou à Espanha um destinatário para o passe, o que certamente deve corrigir Del Bosque para os próximos duelos. "Faltou mais profundidade e êxito na conclusão", disse Xavi após a partida. Os caprichos na hora das finalizações, sobretudo de Fàbregas, que lamentou as suas chances desperdiçadas, foram fatais. A Inglaterra, que chegou sob dúvidas para o confronto, foi perfeito no que se propôs a fazer. Continua uma verdadeira incógnita para a Europa, mas o futebol simples, dedicado e curto para vencer a competição foi suficiente para ganhar dos espanhóis no momento.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Perfeição na Champions

Cristiano Ronaldo cobra pênalti para vencer Lloris: o segundo gol do português foi o centésimo como jogador merengue (getty images)

Classificado, único time 100%, único a não sofrer gol. O Real Madrid 2.0 de José Mourinho tem sido impecável em solo europeu. O Lyon, que foi pesadelo em outras temporadas, foi facilmente domado nas duas partidas. José Mourinho repete a história da última temporada e passa sem sustos pela fase de grupos. O Real Madrid conseguiu quebrar um tabu com a vitória dessa quarta. Os merengues nunca tinham vencido o Lyon na França. Derrotados, os franceses agora vão brigar com o Ajax pela segunda vaga no grupo D da Liga dos Campeões. Os holandeses estão com sete pontos, contra quatro dos franceses, faltando duas rodadas para o final da fase de grupos. Com a vitória desta quarta, o Real Madrid já soma 12.

O Real Madrid começou a partida dominando. Jogando em casa, o Lyon não conseguia fazer frente ao gigante espanhol, comandado por Jose Mourinho. Sem Kaká e Marcelo, lesionados, o time apostava nos avanços de Sergio Ramos e Di Maria, que acionavam Benzema e Cristiano Ronaldo no ataque. Aos 24 minutos do primeiro tempo, após criar duas chances claras de gol, o Real Madrid abriu o placar.

Cristiano Ronaldo cobrou falta na entrada da área e, com um chute forte de perna direita, fez o gol. Com a vantagem, os blancos continuaram pressionando. O Lyon quase não conseguia passar do meio campo e o Real criava outras chances gol. O placar de 1 a 0 já era pouco para o que acontecia em campo. Mesmo assim, com esse placar que o primeiro tempo encerrou.

Na segunda etapa, o Lyon conseguiu voltar melhor. Pela primeira vez na partida, os franceses tinham mais posse de bola e conseguiam se manter no campo de defesa do rival. Foi assim durante os primeiros quinze minutos do segundo tempo. Apesar da pressão, o Lyon não conseguiu criar uma chance clara de gol. Após ser pressionado, o Real Madrid conseguiu se organizar em campo. Mourinho trocou Fábio Coentrão por Albiol e o time ficou mais seguro na defesa. Quando tinham a bola, os espanhóis levavam perigo em jogadas articuladas por Di Maria e Özil. Aos 23 minutos do segundo tempo, Özil tocou para Cristiano Ronaldo dentro da área.

O português, que estava apagado na partida, tentou passar por Dado e caiu. O árbitro Nicola Rizzoli marcou pênalti. Na cobrança, Ronaldo ampliou o placar e chegou ao seu centésimo gol como jogador madridista. Em desvantagem, o Lyon até tentava atacar. Nos últimos 15 minutos de jogo, os franceses criaram as primeiras chances claras de gol. Após cobrança de escanteio, Briand colocou a bola no travessão do gol de Casillas. Foi máximo que o Lyon fez na partida, que terminou com vitória espanhola.

sábado, 3 de setembro de 2011

Unida

Vitória contra o Chile deixou claro que a seleção espanhola é, acima de tudo, um grupo (AP Photos)

A melhor notícia que Vicente Del Bosque poderia receber após a vitória da seleção espanhola frente ao Chile na última sexta-feira aconteceu perto do final da partida. Após um tranco de Vidal em cima de Iniesta, os merengues Arbeloa e Sergio Ramos tomaram as dores do barcelonista e partiram para cima do apoiador chileno (ver vídeo). Em outro lance, a situação se inverteu: após empurrão de Carmona em Arbeloa, o azulgrená Busquets foi tirar satisfação com o zagueiro chileno, que acabou expulso.

Os seguidos atritos destes e outros jogadores espanhóis da seleção nos últimos superclássicos colocaram em xeque a atual amizade formada dentro da Fúria. Especulações quanto à formação de grupinhos divididos entre culés e merengues foram enormes e os últimos resultados da seleção treinada por Vicente Del Bosque deixaram um alerta: no pós-jogo, foram disputados cinco jogos contra seleções de maior nível e, dentro de campo, uma Espanha para lá de preguiçosa e sem a raça vista na Euro e Copa do Mundo sucumbiu diante de seus adversários. Resultado: cinco derrotas, entre elas goleadas acachampantes para Argentina e Portugal, e a perda da liderança do ranking da Fifa, que Del Bosque logo tratou de amenizar.

O capitão Casillas já havia acenado com a possibilidade de lavar a roupa suja. Logo após o último superclássico - pela Supercopa da Espanha -, que, como de praxe, acabou em briga, o goleiro havia ligado para Puyol para conversar sobre a situação da seleção espanhola, além de ter deixado um SMS para Xavi, que acabou não respondendo pois havia trocado de celular. A ligação, como todos sabem, acabou não agradando a José Mourinho, que não gostou nada da atitude de seu goleiro e, segundo especulou a imprensa de Madrid, resolveu deixá-lo 90 minutos no banco na partida amistosa disputada contra o Galatasaray.

Neste sábado, Iniesta acabou com qualquer problema de relacionamento no grupo espanhol. "A confusão mostrou como somos uma equipe", disse. Fàbregas, um dos destaquess da partida, também destacou o entendimento entre os jogadores: "nada irá mudar que somos um grupo", afirmou Cesc. O Marca exemplificou bem o sentimento após o apito final: "Espanha se une para defender-se".

O jogo
Apesar da vitória de virada ante os chilenos e da clara união entre os jogadores, ainda há algumas coisas para Del Bosque se preocupar. Em Genebra, na Suiça, o treinador voltou a utilizar o 4-3-3, que havia deixado de lado no amistoso contra a Itália, em agosto. A cega insistência do madrilenho na tática resulta nas más partidas da Fúria, que fica com um meio-campo muito passador, é verdade, mas sem um homem que desequilibre partidas. Entretanto, há um fator chave: Iniesta. Nos últimos jogos com esse módulo tático, o treinador optou por adiantar o blaugrana para a segunda linha de três, jogando preso à esquerda.

Contra o Chile, no entanto, Andrés entrou no segundo tempo, quando os chilenos venciam por dois a zero, mas jogando na posição que costuma jogar no Barcelona: na linha de três do meio-campo, com Xavi ao seu lado. El Albino, junto com Fàbregas, mudou a cara da partida e foi eleito o principal responsável pela virada da Fúria por Del Bosque após a partida. Cesc, autor de um doblete, por sua vez, confirma o ótimo momento após a transferência para o Barcelona: em cinco jogos foram marcados cinco gols. A entrada de Pedro no lugar de um opaco Villa também foi boa. O canário colocou fogo no setor direito da defesa chilena e levou muito perigo à meta de Bravo.

A partida também marcou algumas marcas históricas. Xavi, que começou como titular, alcançou a marca de 102 jogos com a camisa roja, igualando a marca de Raúl. Na próxima terça-feira, a Espanha entra em campo para um jogo oficial válido pelas Eliminatórias para a Eurocopa de 2012. Se não perder para Liechtenstein, a Roja estará classificada para a fase final do torneio, onde irá tentar a manuntenção do título. Para a partida, Del Bosque tem em mente a titularidade de Thiago Alcântara, que, se atuar, dará, definitivamente, adeus às possibilidades - que são mínimas - de atuar um dia com a seleção brasileira. Nos treinos para o confronto, Del Bosque ensaiou algumas mudanças no esquema de jogo da seleção. O 4-3-3 finalmente deve dar vez a algum outro módulo tática - provavelmente o 4-5-1 utilizado na reta final da Copa do Mundo. A conferir.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Campeones Del Mundo: Sergio Ramos

Sergio Ramos é um vencedor nato com a seleção espanhola, onde sempre mostrou dedicação e amor à camisa (getty images)

Cerca de 27 milhões de euros, em agosto de 2005, foram pagos pelo Real Madrid para tirar um zagueiro de 19 anos do Sevilla. Muitos se assustaram. O nome da vez era Sergio Ramos, então uma jovem promessa que, passados quase três anos, desabrochou, e ninguém mais duvida de que o negócio fechado por Florentino Pérez, na época o sexto maior da história do clube merengue, foi excelente. Um prodígio desde muito cedo, Ramos estreou pelo Sevilla com apenas 17 anos, em fevereiro de 2004, posteriormente completando uma temporada em que ainda disputaria mais seis partidas. Porém, foi em 2004/05, com a titularidade na equipe andaluz já assegurada, que o talento do zagueiro começou a sobressair. Nos 38 jogos daquele Campeonato Espanhol, Ramos esteve presente em 31, o que fez com que fosse nomeado a revelação da temporada.

Nesse meio tempo, em 26 março de 2005, o jovem realizou sua primeira partida pela Seleção Espanhola principal, em um amistoso contra a China. Prestes a completar 19 anos, ele se tornou o jogador mais novo a defender a Fúria desde o goleiro Juan Acuna, no longínquo ano de 1941. Uma lesão de Michel Salgado proporcionou a Ramos, três dias depois, estrear como titular da Espanha em um confronto decisivo com a Sérvia, em Belgrado, válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2006. O fato de o jogador ter correspondido mais uma vez às expectativas só aumentou as especulações acerca de seu futuro. O sucesso na Seleção, que continuou e o levou à disputa do Mundial da Alemanha, foi apenas mais um passo na carreira internacional do andaluz, pois, antes, ele já havia se tornado um dos pilares da equipe sub-19 em 2004, quando o selecionado espanhol faturou o Campeonato Europeu da categoria, na Suíça.

Após cumprir esse trajeto meteórico, a chegada ao Real Madrid seria a prova decisiva para Ramos, que de novo não decepcionou. Já em sua primeira temporada pela equipe da capital, começou a mostrar suas qualidades, destacando-se pela garra e disposição aliada a um excelente controle de bola em progressão. A responsabilidade na capital foi tão grande que Sergio Ramos chegou usando a camisa quatro, antes do grande ídolo Hierro. A estreia com a camisa blanca aconteceu no dia 10 de setembro, ante o Celta Vigo, e o primeiro gol aconteceria dois meses depois, contra o Olympiacos, pela LC. Durante sua primeira temporada, El Lobo foi utilizado muitas vezes como zagueiro ao lado de Helguera, mas chegou a ser também improvisado como volante no 4-2-3-1 de Luxemburgo e, depois, no de Juan Ramón Lopez Caro.

Tal característica o faz atuar com facilidade também na lateral-direita, posição da qual ele virou dono no time de Luis Aragonés e no Real Madrid desde 2007, a partir da saída de Cicinho e das posteriores contratações dos zagueiros Pepe e Metzelder. Apresentando também um ótimo porte físico e não bastando todas as qualidades defensivas, Sergio Ramos também se destaca pela qualidade na subida ao ataque e pelo número de gols de cabeça.

Na seleção espanhol, Ramos é referência: atuou em todos os jogos do título europeu de 2008 e do Mundial de 2010, inclusive nos 120 da final diante da Holanda. Com a camisa roja, tornou-se o jogador mais jovem a chegar na casa das 75 partidas. Desde a morte de seu grande amigo Antonio Puerta, El Lobo pediu para usar a camisa quinze como uma forma de homeageá-lo. No Soccer City, após o apito do final do árbitro Howard Webb, confirmado o inédito título mundial da Fúria, Sergio Ramos logo tratou de pegar a camisa com a foto de seu falecido amigo.

Sergio Ramos
Nome completo: Sergio Ramos García.
Data de nascimento: 30/03/1986.
Local de nascimento: Camas, Andaluzia, Espanha.
Clubes: Sevilla, Real Madrid.
Títulos: Campeonato Espanhol 2006/2007, Campeonato Espanhol 2007/2008, Copa del Rey 2010/2011, Supercopa da Espanha 2008, Eurocopa 2008, Copa do Mundo 2010, Eurocopa Sub-21 2004.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Pós-jogo: Tottenham 0x1 Real Madrid

Mourinho cumprimenta Cristiano Ronaldo: os portugueses são as bases do Real Madrid semifinalista da Champions League (getty images)

Texto de Leandrus, do Ortodoxo e Moderno

Sabendo que reverter a diferença de quatro era uma missão bem difícil, o Tottenham entrou em campo tentando ao menos manter a sua honra na Liga dos Campeões. Os ingleses até buscaram o gol e dificultaram a tarefa do Real Madrid; porém, não conseguiram evitar a derrota, que veio através de uma grande falha de Gomes que calou a maior parte do White Hart Lane.

Necessitando de muitos gols para passar de fase mas sem ter muito o que mudar no time, por sempre escalar uma equipe ofensiva, Harry Redknapp apenas trocou Sandro pelo experiente Huddlestone, recuperado de contusão, ao mesmo tempo em que preferiu Pavlyuchenko ao invés de Defoe, em má fase, para substituir Crouch, expulso no primeiro jogo. Já José Mourinho, sem precisar se arriscar, foi um pouco mais cauteloso do que de costume: o treinador colocou Arbeloa na lateral esquerda, avançou Marcelo para o meio e deixou Di María no banco. Em tese, a alteração tinha o objetivo de dar maior segurança para aquele setor, por onde o veloz Lennon ataca. Mas havia uma peça a ser ainda mais temida.

Bale, jogando pela esquerda, é a principal arma ofensiva do Tottenham, e todos sabem muito bem disso. Não à toa, os Spurs começaram a partida armando suas jogadas exatamente por ali, forçando o galês a se confrontar contra Sergio Ramos. O winger até se saiu bem no duelo; porém, suas jogadas não deram em muita coisa. Devido a isso, os principais lances do início do jogo foram dois pênaltis cavados pelos londrinos – um por Bale, outro por Modric - e acertadamente não marcados pela arbitragem.

Embora Cristiano Ronaldo tentasse levar certo perigo em cima de Assou-Ekotto e Özil, geralmente livre por causa dos espaços deixados pelo Tottenham no meio, buscasse puxar alguns ataques, a proposta do Real Madrid era clara. Os espanhóis procuravam não se arriscar tanto e cadenciar o jogo trocando o maior número de passes seguros possíveis, para manter a posse de bola e não dar muitas chances ao perigoso ataque do adversário. A estratégia deu certo, fazendo com que a equipe inglesa tivesse seu ímpeto ofensivo contido em diversos momentos; porém, também tornou os merengues um time pragmático e sem brilho, apenas esperando os contra-ataques para matar o jogo. A tática, no entanto, poderia ter dado certo já nos primeiros minutos, se os comandados de Mourinho tivessem maior capricho.

Ao mesmo tempo em que Bale tentava ser útil para o Tottenham, o time sofria com as exibições apagadas de Lennon e van der Vaart. Porém, quando estes finalmente apareceram, criaram a jogada de maior perigo dos Spurs, aos 25 minutos, que terminou com uma bola isolada por Pavlyuchenko, livre de marcação, num raro momento de vacilo dos espanhóis. Os Spurs chegaram ao gol já no final da primeira etapa, quando Modric ajeitou de cabeça para Bale acertar uma bela finalização, mas o gol foi corretamente invalidado devido ao fato do croata estar impedido.

O placar final da primeira etapa, sem gols, havia sido incômodo para o Tottenham, que, com a dura missão de marcar pelo menos quatro gols na forte e concentrada equipe de Mourinho, precisaria praticamente de um milagre para se classificar. Porém, as pretensões dos anfitriões foram por água abaixo logo aos cinco minutos do segundo tempo: Cristiano Ronaldo arriscou seu típico chute com certa curva de muito longe, e Gomes, na tentativa de fazer uma fácil defesa com rapidez para já dar início a uma nova jogada, acabou deixando a bola escapar de suas mãos e engolindo um grande frango. O brasileiro se firmou no Tottenham há um tempo, mas provou porque é conhecido por ser um arqueiro de defesas fantásticas e de inesperadas falhas terríveis, até mesmo em jogos em que era o melhor do time.

O gol, obviamente, foi como um baque para os londrinos, que precisariam de incríveis seis gols em menos de 40 minutos. A princípio, o time da casa até tentou esboçar uma reação. Porém, aos 12 minutos, após outro bom lance de van der Vaart (curiosamente, as duas únicas jogadas do holandês resultaram nas melhores chances dos Spurs) Pavlyuchenko errou uma cabeçada fácil, na frente de Casillas. Naquela que foi a sua segunda chance desperdiçada, o russo, mal na tentativa de substituir Crouch, decretou: o milagre era impossível, até porque o Tottenham deveria ter uma eficácia que não estava tendo na partida. Redknapp ainda tirou o apagado Lennon e colocou Defoe, deixando o time com dois atacantes, mas isso não foi o suficiente.

A partir daí, o que se viu foi um Real Madrid ainda mais tranquilo, apenas tocando a bola e acelerando o jogo quando o Tottenham cedia contra-ataques, que não foram poucos – porém, todos foram desperdiçados devido ao preciosismo dos merengues. José Mourinho acertadamente tirou seus principais jogadores que estavam pendurados, entre eles Cristiano Ronaldo, e aproveitou a oportunidade para dar ritmo de jogo a Kaká e Benzema. Aliás, o brasileiro, em um perigoso chute de fora da área, quase foi responsável por outra falha de Gomes, inseguro desde o gol sofrido. Enquanto isso, os londrinos foram se apagando cada vez mais, principalmente quando Bale sumiu do jogo, e deram seu último suspiro num chute de van der Vaart aos 41 minutos.

Enquanto o Real Madrid comemorava a classificação para as semifinais (algo que não conseguiam desde a temporada 2002/03), os jogadores do Tottenham eram aplaudidos pelos seus torcedores. Não era para menos. Uma das sensações da atual edição, o clube teve uma campanha fantástica na Liga dos Campeões, com grandes jogos e vitórias – principalmente contra a Inter em White Hart Lane e o Milan em San Siro – que entraram para história do clube. Devem celebrar a sua passagem pelo torneio, ao mesmo tempo em que os espanhóis devem agradecer a José Mourinho pelos feitos que estão sendo conquistados ultimamente.

Tottenham 0 x 1 Real Madrid
Tottenham:
Gomes, Corluka, Dawson, Gallas e Assou-Ekotto; Huddlestone (Sandro), Modric (Kranjcar), Lennon (Defoe) e Bale; van der Vaart; Pavlyuchenko.
Real Madrid:
Casillas, Sergio Ramos (Granero), Ricardo Carvalho, Albiol e Arbeloa; Xabi Alonso (Benzema), Khedira, Özil, Cristiano Ronaldo (Kaká) e Marcelo; Adebayor.
Árbitro:
Nicola Rizzoli (ITA)
Cartões Amarelos:
Ricardo Carvalho e Granero (MAD)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Para o orgulho

É festa no Bernabéu! Como há muito tempo não se via, Real Madrid voltou a atuar como um gigante na Champions League e deu um sólido passo rumo às semifinais da competição (reuters)

Contra o Lyon, o Real Madrid quebrou o estigma de amarelar nas oitavas de finais da Liga dos Campeões da Uefa e avançou de fase pela primeira vez em seis anos. Porém, a maior afirmação de que o Real Madrid de Mourinho é outro veio hoje no duelo contra o Tottenham: a vitória de 4 a 0 colocou os merengues a um passo de uma semifinal que já não vem desde de 2003/2004, quando os blancos acabaram eliminados pela Juventus. Tudo bem que o Tottenham sentiu muito a falta de um centroavante de ofício desde os 15 minutos do primeiro tempo, quando Crouch foi expulso de uma maneira estabanada, e a falta de Lennon, que sentiu uma lesão no aquecimento. Porém, não há nenhum mérito para tirar desta vitória madridista: os onze chutes a gol contra apenas um dos londrinos representam bem o que foi a partida.

Mourinho fez mistério durante toda a semana. Na sexta-feira, na coletiva pré-jogo contra o Sporting Gijón, havia assegurado que Benzema, Marcelo e Cristiano Ronaldo não estariam aptos à partida de ida contra o Tottenham. Entretanto, o paradigma mudou após a derrota para o Sporting Gijón no sábado, que praticamente confirmou o Barcelona como campeão espanhol desta temporada. Sem saída após a péssima partida feita, Mourinho não teve outro jeito: convocou Marcelo e Cristiano Ronaldo para o duelo, assim como Kaká. Nas quatro linhas, o português, apesar do gol, não foi brilhante, enquanto que o brasileiro ditou o ritmo da partida. Dono de uma excelente atuação, Marcelo não teve trabalho com Van der Vaart, que havia provocado seu ex-time antes do jogo.

A atuação mais surpreendente ficou por conta de Sergio Ramos. O lateral direito fez uma partida que lembrou aquele lateral de 2007/2008 e apesar de algumas desatenções com Gareth Bale, muito veloz, soube conter bem o galês na bola. Pepe, por sua vez, não deixou de cometer suas faltas bobas e acabou recebendo um cartão amarelo em um dos ataques do camisa três do Spurs, o que o tira do jogo da volta no WHL. Escalado no 4-2-3-1, toda a tática de Harry Redknapp foi por água abaixo logo nos primeiros minutos. Primeiro, aos três, quando Özil levantou e Adebayor testou firme para as redes de Gomes, que acabou enganado por Modric, que não afastou uma bola fácil. Depois, aos quinze, quando Crouch, com os nervos à flor da pele, cometeu falta em Marcelo, recebeu o segundo cartão amarelo e foi para os vestiários mais cedo.

Na parte ofensiva, o Real Madrid era infinitamente melhor, mas faltava ser mais incisivo. Özil, como alertávamos na prévia, parecia estar em outro mundo e foi facilmente batido por Sandro. Cristiano Ronaldo, por sua vez, sentiu um pouco a falta de ritmo e não levou muito perigo à meta de Gomes em boa parte da primeira etapa. Assou-Ekotto parecia nervoso e tomou um baile de Di María, um dos melhores em campo, enquanto Adebayor levava clara vantagem pelo alto. O togolês, que vinha fazendo más partidas, deu a volta por cima e foi ovacionado pela torcida merengue presente no Bernabéu.

No intervalo, Redknapp tentou concertar o erro de Peter Crouch. Sacou um decepcionante Van der Vaart, bem vaiado pelos aficionados merengues, para colocar Defoe. Assim, Modric passou a jogar mais aberto pela direita e Bale, que - estranhamente - passou os primeiros trinta minutos da primeira etapa na direita, passou a atuar com mais contundência pela esquerda. Percebendo isso, Mourinho resolveu sacar Khedira, muito ofensivo hoje, para colocar em campo Lass Diarra, que ficou responsável pela cobertura da marcação do galês. À medida que os minutos passavam, o volume de jogo do Real Madrid só crescia e o segundo gol não tardou a chegar. Aos 12 minutos, Marcelo fez boa jogada pra cima de Gallas e cruzou na medida para Adebayor, novamente em vantagem pelo alto, cabecear no canto direito de Gomes, que nada pôde fazer. A partir daí, a torcida madridista, que já fazia muita festa, inflamou o Bernabéu e foi ao delírio aos 26 minutos, quando um onipresente e incansável Di María recebeu de Özil, que subiu de produção, e, com extrema categoria, acertou um feliz chute no ângulo direito do goleiro brasileiro.

Com os 3 a 0, Mourinho deu chances a Kaká e Higuaín, para ganharem ritmo. O brasileiro mostrou vontade e até ensaiou algumas de suas características arrancadas. E foi a partir de uma jogada do meio-campista brasileiro que Cristiano Ronaldo sacramentou a partida. Kaká tabelou com Marcelo e, de esquerda, cruzou na medida para Cristiano Ronaldo, que, de primeira, acertou um belo chute de direita, chegando ao seu quinto gol nesta edição da Champions. A de se destacar a contribuição de Gomes no gol do gajo.

O resultado dará uma injeção extra de ânimo para o Real Madrid para a continuidade da temporada. Se, na Liga Espanhola, Mourinho parece ter jogado a toalha, a equipe continua muito viva e concentrada na principal competição europeia, sem contar a final da Copa do Rei contra o Barcelona, aquele que pode ser seu adversário numa histórica semifinal. Na coletiva, os jogadores seguraram a euforia, mas não há como esconder: o Real Madrid deu um sólido passo para a semifinal da Liga dos Campeões da Uefa.

Real Madrid 4x0 Tottenham
Real Madrid: Casillas; Sérgio Ramos, Pepe, Ricardo Carvalho e Marcelo; Xabi Alonso, Khedira (Lass Diarra), Özil e Di María (Kaká); Cristiano Ronaldo e Adebayor (Higuaín)
Tottenham: Gomes; Corluka (Bassong), Gallas, Dawson e Assou-Ekoto; Sandro, Modric, Lennon, Van der Vaart (Defoe) e Bale; Crouch
Árbitro: Felix Brych (ALE)
Cartão amarelo: Pepe e Adebayor (REA) Van der Vaart e Defoe (TOT)
Cartão vermelho: Crouch (TOT)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Pós-jogo: Lyon 1x1 Real Madrid

Benzema entrou em campo, aplaudido, e, no primeiro toque na bola, marcou o primeiro gol da história do Real Madrid em Lyon (AP Photos)

Texto de Filipe Papini, do Brasil Lyonnais

Depois de muito tempo aguardando, eis que Lyon e Real Madrid finalmente se encontram novamente. O duelo tão aguardado pelos dois times, finalmente estava prestes a acontecer no Stade Gerland. O clube espanhol tinha uma missão: tentar fazer um bom resultado em casa e evitar de tomar gols, uma vez que sua vantagem em casa é enorme sobre o comando de Mou. Por outro lado, o Lyon buscava um jogo no ataque para tentar liquidar a partida na primeira rodada e arrancar um empate no segundo duelo, assim como fez na temporada passada.

O time de Puel entrou sem segredos. Algumas alterações táticas e nada mais, além disso. O responsável por substituir Licha, acabou sendo mesmo Delgado. No setor defensivo, Réveillère atuava quase como um zagueiro, evitando as jogadas individuais de Cristiano Ronaldo. Toulalan ficava na sobra. No lado de Mourinho, ele realmente entrou com certa cautela. Decidiu por colocar Marcelo no banco e entrou com Arbeloa, responsável por segurar as subidas de Bastos. Kaká e Benzema também começaram o duelo no banco. O técnico português contava com seus homens de frente para fazer a diferença com a bola no pé.

Logo nos primeiros 10’, o Lyon mostrava que procurava fazer valer sua vantagem. César Delgado, em jogada pela ponta direita, sofreu falta de Sérgio Ramos. Era o primeiro amarelo do jogo. Na cobrança, Gourcuff cobrou e a zaga afastou. No bate-rebate, Cris emendou e quase marcou de bicicleta. Com um jogador amarelado, Puel fez questão de inverter Michel Bastos. Agora ele caia pelo lado esquerdo, na tentativa de forçar jogadas em cima de Ramos. O Lyon era ligeiramente melhor em campo e mais organizada no meio. Enquanto o Real Madrid esperava um erro para agilizar um contra-golpe em rapidez. Aos 25’, do primeiro tempo, o goleiro Lloris não tinha sequer encostado na bola, enquanto Casillas teve que trabalhar em algumas oportunidades.

A primeira boa chance dos Merengues surgiu só aos 31’, quando Cristiano Ronaldo cobrou falta da intermediária, mas ainda sim, Lloris defendeu com certa tranqüilidade. A partir daí, o Real começava a gostar do jogo e já tomava espaços na defesa do OL. Mas ainda assim, o jogo tomava proporções emocionantes. Aos 34’, foi a vez do Lyon ligar seu contra-ataque e chegar na velocidade de Bastos. No lançamento pra área, o brasileiro não achou ninguém, mas Casillas saiu errado e entregou nos pés de Gomis. No entanto, o centro-avante francês errou por muito e chutou de maneira bisonha.

No fim do primeiro tempo, o Real Madrid até conseguiu criar algumas coisas, principalmente com Di Maria e Adebayor, que se movimentavam bastante. Cristiano Ronaldo e Özil tiveram uma primeira etapa bastante apagada, não por apatia, mas sim por estarem muito bem marcados. Definitivamente o Lyon poderia ter saído do primeiro tempo com a vitória. Não o fez por falta de capricho e algumas vaciladas do ataque, mas certamente jogou mais bola que o time de Mourinho.

No intervalo, parece que o professor Mou deu uma dura em sua turma. O Madrid voltava melhor do que foi na primeira etapa. Logo aos 48’, após vacilada de Michel Bastos, Di María roubou-lhe a bola pela direita e sofreu falta. Amarelo para o brasileiro, que fica suspenso para o jogo de volta. Na cobrança, Cristiano Ronaldo tentou cruzar, mas acabou acertando a segunda trave de Lloris. A bola já tinha passado por todo mundo. No lance seguinte, a segunda bola no travessão. Dessa vez foi Sérgio Ramos quem quase abateu Lloris, após bom cruzamento de Özil. Aos 64’, Karim Benzema, muito aplaudido pelos torcedores no Gerland, entra em campo no lugar de Adebayor. Em seu primeiro lance, em um misto de raça com a qualidade do ataque, o francês, ex-jogador do Lyon, abre o placar em um belo lance dentro da área. Deixou metade da defesa adversária no chão e marcou com a bola chorando para não entrar. Acaso do destino. O bom filho marcou contra seu progenitor. Real Madrid 1 a 0.

O placar era reflexo da competência que faltou ao Lyon. Se no primeiro tempo o time de Puel não teve a capacidade de fazer, enquanto jogava melhor, o time de Mourinho fez isso no segundo tempo e ainda assim buscava o segundo. A entrada de Benzema permitiu o time Merengue jogar com mais tranqüilidade. Mou trocou Khedira por Lass e posteriormente Marcelo por Özil. A alternativa de Puel foi fazer duas trocas ao mesmo tempo. Jérémy Pied e Jimmy Briand entraram nos lugares de Michel Bastos – que já não jogava tão bem como no início – e César Delgado. Cinco minutos depois, foi a vez de Källström deixar o campo para a entrada de Pjanic. Puel arriscava e buscava um jogo mais avançado, tentando quebrar a barreira defensiva que Mourinho armou. Aos 82’, tudo parecia estar perdido, o Lyon arrumou uma falta na intermediária. Gourcuff foi pra cobrança, enquanto Claude Puel pedia o time quase que inteiro na área. Na área, Cris escorou de cabeça e entregou nos pés de Bafé Gomis, que só teve o trabalho de empurrar. Era o Lyon empatando o jogo, em casa, para o delírio de sua torcida.

Após o gol do OL, o time cresceu em campo. Jogava na base do abafa e dos passes longos. Até conseguiu criar algumas jogadas, mas os ataques puxados por Briand e Pied não tinham qualidade para chegar até a meta de Casillas. Mas ainda assim, o Lyon pressionou até o último instante da partida.

O resultado foi justo pelo contexto geral da partida. Os Gones até poderiam ter marcado no primeiro tempo e não soube fazer isto. Já o Real, conseguiu, mas cochilou no momento do gol adversário. Mourinho provavelmente saiu satisfeito com o empate, e Puel também, uma vez que, nas atuais circunstâncias, o resultado foi até favorável pelo que o time apresentava na segunda etapa. Sem Michel Bastos e com Lisandro em dúvida, o OL perde muito em seu setor ofensivo. É preciso colocar os preparadores fiscos em observação especial a Ederson, para ver se colocam o brasileiro para atuar no jogo de volta, que promete também ser pegado.

Lyon 1x1 Real Madrid
Lyon: Lloris; Reveillere, Cris, Lovren e Cissokho; Toulalan, Gourcuff e Kallstrom (Pjanic); Michel Bastos (Briand), César Delgado (Pied) e Gomis.
Real Madrid: Casillas; Sérgio Ramos, Pepe, Ricardo Carvalho e Arbeloa; Xabi Alonso, Khedira (Lass Diarra), Di María, Özil (Marcelo) e Cristiano Ronaldo; Adebayor (Benzema).
Árbitro: Wolfgang Stark (ALE)
Cartões Amarelos: Cris, Michel Bastos e Pied (Lyon); Sérgio Ramos, Di María e Casillas (Real)

Veja também
Valencia 1x1 Schalke 04
Arsenal 2x1 Barcelona

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Prévia: Lyon x Real Madrid

Na temporada passada, o Lyon fez a festa no Bernabéu e eliminou o Real Madrid. A cena se repetirá? (AP Photos)

Desde que o sorteio da Champions foi realizado, e colocou frente a frente Real Madrid e Lyon no mesmo caminho, o discurso em Chamartín não é outro senão passar das oitavas de finais. Desde 2004-05 sem avançar de fase na principal competição europeia, os aficionados merengues têm em José Mourinho a confiança que faltava para enfim passar para as quartas após um bom tempo. O Lyon, por sua vez, chega embalado pelo ótimo retrospecto ante os merengues: em seis confrontos, foram três vitórias e três empates, além da eliminação na Champions da temporada passada. Atuando no Gerland, o Lyon nunca na história sofreu um gol do Real Madrid.

Avançará de fase o Real Madrid de José Mourinho, que chegou a encantar o mundo durante três meses, ou o Lyon, verdadeira pedra no sapato dos merengues? Como já foi feito na prévia de Arsenal x Barcelona com o Ortodoxo e Moderno, contaremos com a ótima colaboração de Filipe Papini, autor do blog Brasil Lyonnais. Confira a prévia de Lyon x Real Madrid e depois, nos dois endereços, o resumo do embate.

A temporada até aqui
Lyon: O discurso do treinador Claude Puel, no início da temporada, era de que a Ligue1 seria prioridade e a Liga dos Campeões apenas uma consequência. Definitivamente o técnico gostaria de voltar a ganhar a competição nacional e deixou o torneio internacional de segundo plano. Com esse pensamento, o Lyon não começou fazendo uma boa temporada. Parecia desligado. Tropeçou contra times considerados pequenos, do porte de Caen, Valenciennes e Arles-Avignon. Gourcuff chegou a peso de ouro e não resolveu o problema de armação do time. Na zaga, o mesmo imbróglio. Diakhaté se apresentou com pompa para assumir a titularidade e foi muito irregular nas chances que teve. Na janela de inverno, não contratou ninguém e perdeu o volante Makoun. Mas com o passar do tempo, finalmente Puel acertou o time e com Bafé Gomis assumindo a titularidade no lugar de Briand, o OL ganhava um centro-avante e um estilo de jogo mais inteligente e arrumado. Atualmente, o próprio Gomis é o artilheiro do time na competição e finalmente o Lyon vai se encontrando na competição. Nos últimos dois jogos marcou oito gols, com direito a goleada no seu principal rival – Saint-Étienne. Terminou a 24ª rodada na quarta colocação, com apenas quatro pontos de diferença do líder Lille. Na Liga dos Campeões teve um grupo conturbado e passou em 2º, ficando atrás do Schalke 04. A única atuação convincente do time na competição internacional, foi uma vitória por 2 a 0 contra os portugueses do Benfica, em casa.

Real Madrid: Invictos durante três meses na temporada, o Real Madrid vinha liderando a Liga Espanhola e passando por cima de seus adversários na Champions (com vitórias convincentes ante Milan e Ajax), mas voltou a sucumbir no superclássico contra o Barcelona, principal ponto de mudança na postura da equipe. A partir daí, a relação entre Mourinho e Valdano, dirigente do time, passou a se azedar por um único motivo: a contratação de mais um centroavante. Sem Higuaín por seis meses (que operou o joelho), Valdano defendia a tese de que Benzema poderia ser mais utilizado para mostrar serviço, enquanto que Mou passou a não confiar mais no francês, que vinha recebendo muitas chances, mas não conseguia aproveitá-las. Durante janeiro, Kaká retornou, mas ainda não conseguiu cavar um lugar no time titular, apesar do bom jogo contra a Real Sociedad, e Adebayor acabou contratado. Nesse mês, o futebol do Real Madrid caiu muito de produção, graças ao cansaço decorrente da maratona de jogos. Na Liga Espanhola, a diferença entre Barcelona e Real Madrid diminuiu para cinco pontos após os blaugranas tropeçarem ante o Sporting Gijón. Na Copa del Rey, o Real Madrid volta à final após nove temporadas longe dela e terá um duro desafio: enfrentará o arquirrival Barcelona, no Mestalla.

Pontos Fortes
Lyon: A maior arma do OL é definitivamente o ataque. Com destaque especial a Michel Bastos e Lisandro Lopéz que fecham com meio-campo com Gourcuff no tradicional 4-2-3-1. No entanto, Infelizmente, para os torcedores franceses, o argentino não vai atuar contra o Real Madrid, devido a um rompimento do tendão da perna esquerda. As funções de Licha devem ser assumidas por César Delgado ou Jimmy Briand. Normalmente, Delgado deveria assumir, mas Briand teve uma atuação de gala frente ao Nancy, na última sexta-feira, inclusive marcando um belo gol de voleio. Puel deve decidir entre os dois, com Jérémy Pied correndo por fora. A forma de jogar do ataque do OL é bem tradicional: Sempre são incursões pelas pontas, e quando chega à linha de fundo, a bola sempre procura Gomis, que faz sua função de pivô e escora pra Gourcuff ou Toulalan chegarem do meio. A partir daí, a bola sempre é passada para o outro lado do campo, com o winger pronto para arrematar. A jogada ensaiada vem funcionando já não é de hoje.

Real Madrid: O meio-campo. Na linha de três da meiuca, Di Maria, Özil e Cristiano Ronaldo deram conta do recado durante o primeiro semestre, com um futebol rápido, inteligente e coletivo. Com o retorno de Kaká, tem sido frequente as rotações de Mourinho nessa parte da equipe, mas o técnico de Setubal parece ter achado a maneira certa de escalar o meio: contra a Real Sociedad, Mou centralizou Kaká e deixou Özil aberto na direita. Resultado: o brasileiro e o turco-alemão foram os melhores em campo e o Real Madrid venceu por 4 a 0. É possível que Mourinho repita essa fórmula no jogo em Gerland, mas o retorno do bom futebol de Di María tem dado uma dor de cabeça no técnico de Setubal, que comemora o fato de ter ótimos jogadores ofensivos, mesmo tendo que deixar pelo menos um deles no banco de reservas. A ênfase no conjunto é algo bastante prezado por Mourinho, que trabalhou para construir uma mentalidade coletiva e de sacrifício por pontos sempre valiosos. O resultado se verifica em campo: os jogadores parecem cada vez mais determinados a buscar resultados, deixando de lado as situações adversas e a apatia que permeava o time de anos atrás.

Pontos Fracos
Lyon: O principal problema do Lyon está vigente há algum tempo. Desde a saída do zagueiro Squillaci, o brasileiro Cris não possui alguém de confiança para atuar ao seu lado. Alguns jogadores já apareceram por ali e nenhum se firmou. Até os volantes Toulalan e Gonalons já jogaram improvisados e também não deram conta do recado. No meio da última temporada, o jovem croata, Dejan Lovren, chegou do Dinamo Zagreb com pompa de ser a solução do problema. Nos seus primeiros percebeu-se que o discurso estava equivocado. O zagueiro falhou diversas vezes e se mostrou imaturo. O presidente Jean-Michel Aulas precisou correr contra o tempo para contratar Pape Diakhaté, para a atual temporada. O jogador estava no Dinamo de Kiev, se apresentou para tentar resolver o problema, e também foi um fiasco. Atualmente, Lovren é o titular, mas já não é tão estabanado como de outrora, entretanto, certamente é um espaço que o Real pode explorar. Outra ponto fraco dos Gones é a volância. Toulalan certamente é um ótimo jogador, mas atua praticamente sozinho. Källström, que deveria o auxiliar, é um elemento surpresa que sobe muito, tanto pelo centro, quanto pelo lado esquerdo. Quando o adversário chega em contra-ataque, apenas Toulalan fica como cão de guarda e em algumas ocasiões a situação fica complicada por ali.

Real Madrid: Numa equipe com tantas qualidades e repleta de grandes valores é difícil detectar um ponto fraco. Mas até aqui, as laterais ainda preocupam. Ainda que o futebol de Marcelo tenha evoluido bastante, o brasileiro ainda carece na marcação. Sergio Ramos vive uma temporada de altos e baixos e não consegue mostrar a segurança de duas/três temporadas atrás. Outro fato que tem prejudicado a equipe é a inconsistência de suas atuações em 2011. Capaz de aplicar goleadas históricas - como fez nos 8 a 0 contra o Levante, na Liga - os blancos também são donos de tropeços contra equipes da zona de rebaixamento - como no empate contra o Almería, na Andaluzia.

Expectativas
Lyon: A única mudança no time, em relação à temporada passada, é o nome de Yoann Gourcuff no meio campo, no lugar de Miralem Pjanic. Certamente é um ganho que o Real Madrid ainda não conhece e pode ser o diferencial. No entanto, a ausência de Lisandro, de última hora, pode complicar o estilo de jogo do Lyon. Independente do jogador que entrar na vaga de Licha, a qualidade do ataque dos Gones não será a mesma. A postura que o OL tem em campo na Ligue1 é totalmente diferente daquela da Liga dos Campões. No torneio internacional, o grupo de Puel tem muito mais vontade, raça e disposição do que nos jogos nacionais. Lisandro era o principal condutor dessa garra. Era o sinônimo de energia. Não sabemos o que passa pela cabeça de Claude Puel, mas é provável que o treinador busque uma vitória em casa, sem tomar gols, para depois tentar ao menos um empate no Bernabéu. Parece óbvio, entretanto não deve ser tão fácil como das outras vezes. E pra finalizar, a torcida do Lyon terá novamente a oportunidade de ver Karim Benzema jogando no Gerland.

Real Madrid: Diferentemente da temporada passada, onde gastou além das contas, o mercado do Real Madrid foi cirúrgico, mas trouxe jogadores que soube fixar seu lugar no time titular (à exceção de Canales e Pedro Leon). A principal contratação não joga, mas deu jeito no time. José Mourinho já chegou mudando a equipe e estruturou o Real Madrid num 4-2-3-1, com uma defesa bem sólida que as anteriores, formada por Ricardo Carvalho e Pepe, e uma linha de três extremamente ofensiva no meio-campo, formada por Özil, Di Maria e Cristiano Ronaldo. Cair novamente nas oitavas de finais da LC definitivamente não está nos planos da equipe de Madrid. Mourinho leva tão a sério a partida, que chegou a não treinar a equipe para ir à França acompanhar um jogo do Lyon. O otimismo é grande, mas os jogadores dão mostras que o duelo será bastante parelho.

Prováveis escalações
Lyon: Lloris; Réveillère, Cris, Lovren, Cissokho; Toulalan, Källström; Michel Bastos, Gourcuff, Delgado (Briand); Gomis.

Real Madrid: Casillas; Sergio Ramos, Raúl Albiol, Ricardo Carvalho, Marcelo; Khedira, Xabi Alonso; Özil, Kaká (Di María), Cristiano Ronaldo; Adebayor (Benzema).

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Massacre histórico

Xavi marca: início da manita (getty images)

Cinco a zero. Um resultado histórico em um jogo histórico. Os blaugranas chegaram a sua manita (literalmente) de vitórias sobre o rival madrileño com uma sonora goleada. Domínio absoluto da partida, muita movimentação entre os atacantes e jogo de equipe. O Barcelona mostrou mais uma vez que é, acima de tudo, um conjunto, ao contrário do Real Madrid, que só levou raro perigo em jogadas individuais de um apagadíssimo Cristiano Ronaldo. Como disse o amigo Ubiratan Leal, da Trivela, " em um encontro de grandes equipes, como o Barça x Real, espera-se que os times se respeitem, que entrem em campo cheio de dedos, estudando a postura do oponente, descobrindo os espaços que estarão disponíveis, avaliando que armas seriam mais atuantes. O time de Guardiola mandou as preliminares para o espaço. Começou a partida já soltando diretos e ganchos. Nada de jabear." Vamos a uma breve síntese do pré-jogo e da partida propriamente dita.

Antecedentes
Quando a tabela da Liga BBVA 10-11 foi divulgada e estava previsto que o superclássico seria disputado na semana dos dias 27 e 28 de novembro muito se falou sobre o fato de que alguns eventos particulares em Barcelona poderia colocar em risco o clássico. A visita do Papa à Catalunha mais as eleições parlamentares da comunidade autónoma fizeram com que o superclássico fosse transferido para uma segunda.

Por um lado, a chegada de Mourinho a Chamartín para treinar o Real Madrid - mais algumas contratações pontuais, como as de Ricardo Carvalho, Khedira, Di María e Özil - fez com que os afficionados merengues tivessem a esperança de voltar a ter o sabor de comemorar uma vitória sobre os rivais catalães. Líder da Liga e invicto sob o comando de Mourinho, até a bola rolar no Camp Nou os blancos foram muito respeitado pelo Barcelona. Na entrevista coletiva de domingo, cuidadosa e politicamente correta, Guardiola parecia preocupado, cheio de caretas. Mas a tensão pré-clássico se desfez com as escalações, com ambos os treinadores optando por suas equipes ideais. Já o Barcelona chegava para o superclássico em sua melhor forma na temporada. Após um início conturbado, com derrota para Hércules e empate para o Mallorca no Camp Nou, os preparadores físicos do time já previam que o auge desta equipe seria no final de novembro/começo de dezembro.

Provocações por parte madrileña foi o que não faltou. Mourinho, Cristiano Ronaldo, Di María e até mesmo Marcelo sentiam-se superiores antes mesmo da partida começar. O português, por exemplo, chegou a dizer "que queria ver o Barcelona marcar oito no Madrid". Já o brasileiro e o argentino, não ousaram em dizer que "Cristiano Ronaldo é melhor que Messi". Os jogadores barcelonistas manteram-se calados, e Guardiola soube usar a provocação para seu lado. A resposta foi dada em campo e o Real Madrid saiu do Camp Nou humilhado. Nota triste, foi aoacidente durante a chegada do time madrileño a Barcelona. O ônibus da delegação foi apedrejado por torcedores do "Boixos Nois", mas nenhum jogador ou comissário da equipe técnica saíram feridos.

O jogo

Primeiro superclásico de Villa e um doblete. Resposta em alto estilo à provocação de Mourinho (reuters)

Antes mesmo do jogo começar, a primeira surpresa: Higuaín não passou na última revisão médica e, para não forçá-lo, Mourinho resolveu deixá-lo de fora da partida. A imprensa especulou que Mourinho poderia alinhar uma linha de três na volância com Lass Diarra, Xabi Alonso e Khedira, vindo de trás de Di María e Özil. No caso, Cristiano Ronaldo atuaria como um falso nove, como em tempos de Pelegrinni. Mas acabou acontecendo o mais óbvio e Mourinho foi de 4-2-3-1 com Benzema no lugar do Pipita. A partida começou com o Barcelona já exercendo sua famosa pressão. Logo no primeiro minuto, Pepe teve a felicidade de cortar uma bola lançada em profundidade por Iniesta para Villa.

Porém, oito minutos depois, num lance parecido saiu o primeiro gol. Iniesta dominou na frente de Pepe e, com maestria, lançou Xavi. Ricardo Carvalho não conseguiu cortar e, contando com a sorte, Xavi dominou e só deu um leve toque por cima de Casillas, que ficou reclamando de impedimento inexistente para abrir o placar. Antes disso, o Barcelona já havia assustado. Messi, em um lance de extrema inteligência, viu o posicionamento adiantado de Casillas e tocou por cima do goleiro, que viu a trave salvar o gol do Barcelona. Depois, Di María levou perigo ao gol de Valdés após receber de Özil e chutar forte para defesa do arqueiro catalão.

O segundo gol não tardou a chegar. Após troca de passes, Xavi recebeu de Messi, levantou a cabeça e cruzou na esquerda para Villa. O guaje, que já vinha ganhando todas de Sergio Ramos, levou para a perna esquerda e cruzou para Pedro, que saiu como um raio da marcação de Marcelo para ampliar. Notável a movimentação do canário. Após sofrer falta do brasileiro (não marcada por Iturralde González) o camisa '17' blaugrana disparou para receber de Villa. Após o tento, o Barcelona passou a administrar a partida, para desespero do Real Madrid, que passou a ficar com os nervos à flor da pele. Após Cristiano Ronaldo empurrar Guardiola na beira do campo, um tumulto foi instalado, que rendeu cartão amarelo para o atacante português. Messi também não ficou imune e levou cartão amarelo após simular uma cotovelada de Ricardo Carvalho.

Para o segundo tempo, Mourinho tentou reforçar a marcação no meio-campo e voltou com Lass Diarra no lugar de um decepcionante Özil. Bem marcado por Ricardo Carvalho no primeiro tempo, Messi se soltou, e conduziu o Barcelona na segunda etapa. Logo no início, deixou Xavi na cara de Casillas. O meio-campista catalão teve seu chute interceptado por Khedira e, no rebote, chutou para fora. Mas o terceiro gol saiu três minutos depois. Em nova descida de Messi pela direita, "La Pulga" tocou para Villa, que se antecipou a Pepe e tocou na saída de Casillas para "matar" a partida. E foi a mesma dupla que ocasionou o desespero de Casillas. No círculo central, Messi deixou Ricardo Carvalho e Khedira para trás. Vendo a movimentação de Villa na esquerda, que se desmarcou de Sergio Ramos, Messi lançou o Guaje, que novamente tocou na saída de Casillas para chegar ao seu doblete. Vale lembrar que, há um mês, Mourinho mandou uma indireta para Villa, falando que "custou caro e não marca". Resposta cruel para o técnico de Setubal.

O Barcelona ainda teve chances para ampliar, mas tirou o pé. Talvez para poupar o arquirrival de uma humilhação extrema, já que às vezes atletas profissionais mostram sinais de piedade para com seus amigos. O torcedor catalão não podia pedir mais. Mas teve. Após jogada que iniciou-se no campo de defesa, com roubada de bola de Daniel Alves em Cristiano Ronaldo, Bojan recebeu de Iniesta e partiu em contra-ataque pela direita. O canterano cruzou à área e Jeffren antecipou-se a Pepe e tocou de direita para vencer Casillas. A torcida ficou em êxtase com a manita, a quarta da história do superclássico - a última havia sido em 1994, com show de Romário em campo - e Piqué fez sinal de "cinco" para a arquibancada. Nos segundos finais, Sergio Ramos deu uma entrada criminosa em Messi e foi expulso. Antes de sair em campo, meteu a mão na cara de Puyol e Xavi, companheiros de seleção espanhola. Após o término da partida, Sergio Ramos pediu desculpas a Messi, Xavi e Puyol, dizendo que, "no momento, estava de cabeça quente".

Foi um espetáculo primoroso de futebol. O Barcelona venceu todos os duelos: Puyol x Cristiano Ronaldo, Pedro x Marcelo, Villa x Sérgio Ramos, Xavi x Xabi Alonso, Khedira x Iniesta e Busquets x Özil. O Real Madrid não fez nada que mereça registro positivo, foi simplesmente massacrado pelo time de Pep Guardiola, que apenas manteve seu estilo.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Bem, mas pode melhorar

Llorente e Sergio Ramos foram os donos do jogo de hoje. Substituindo Fernando Torres, o atacante marcou duas vezes (getty images)

Em um jogo de equipes totalmentes opostas, a Espanha conseguiu somar seu segundo triunfo nas Eliminatórias à Eurocopa de 2012. Sem Fernando Torres, Vicente Del Bosque usou do mistério para escalar o companheiro de Villa no ataque: se Áduriz vive uma grande fase no Valencia e foi convocado pela primeira vez para defender a Espanha, Del Bosque resolveu dar uma chance a Llorente, que começou mal a temporada no Atlhetic Bilbao, para substituir El Niño (mais uma vez lesionado) . A aposta "arriscada" fez valer a escalação: autor de dois gols, foi nome da partida ao lado de Sergio Ramos.

Reserva na Copa do Mundo, ele chegou a ser cogitado como titular contra Alemanha, mas foi Pedro quem entrou no lugar de Fernando Torres. Mas após o título mundial vem galgando seu espaço, e hoje foi só mais uma prova disso. Sergio Ramos, muito ativo na partida e autor do passe para o gol de Silva, teve uma noite especial: no estádio Helmántico de Salamanca, o andaluz fez contra a Lituânia a sua partida de número 70 com a camisa roja, superando nomes como o de Emilio Burtragueño, e tornando-se o jogador mais jovem (24 anos) a atingir esta marca. O estádio é mais especial ainda a Sergio Ramos porque foi nele que o lateral direito merengue fez sua estreia na seleção. Contra a China, em 2005, na vitória por 3 a 0.

Apesar da ausências da Espanha serem de pesos, apenas três jogadores do time titular que iniciaram a final da Copa ficaram de fora - Xabi Alonso, Xavi e Pedro. Cazorla, Llorente e David Silva entraram em seus respectivos lugares. A saída de Xabi Alonso, porém, fez com que Vicente Del Bosque alterasse o esquema tático da equipe, que passou do, cada vez mais tradicional, 4-2-3-1 ao 4-1-4-1.

Na coletiva pré-jogo, o técnico de Salamanca (que foi homenageado pela torcida) havia avisado àqueles que esperavam uma vitória tranquila para repensarem o prognóstico e, de fato, a Lituânia apresentou-se bem organizada. Por duas vezes, nos primeiros 17 minutos, Silva desferiu fortes chutes com a sua canhota, mas Karcemarskas deteve-os sem problemas. Nesses primeiros trinta minutos de partidas, viu-se uma falta de eficácia rara da seleção espanhola. Villa, que completara 68 jogos com a camisa roja e segue em busca de ultrapassar Raúl e se tornar o maior artilheiro da seleção espanhola, ainda perdeu um gol incrível, inacreditável, no final do primeiro tempo.

Após um primeiro tempo sem gols, a etapa final foi movimentada. A Espanha abriu o placar aos 2 minutos do segundo tempo. Llorente recebeu cruzamento de Sergio Ramos e, dentro da pequena área, desviou de cabeça para o fundo das redes. Pouco depois, a Lituânia chegou ao empate aos 8 minutos. Sernas foi lançado entre a defesa da Espanha e tocou na saída de Casillas para deixar tudo igual. A seleção se empolgou com o gol e ainda tentou trabalhar a bola pela esquerda, mas tinha pouca criatividade diante da defesa da Espanha. Mais bem postada em campo, os espanhóis ampliaram assim que Llorente foi substituído. Aos 33 minutos, David Silva recebeu levantamento de Sergio Ramos na marca do pênalti e cabeceou no ângulo direito da meta, sem chances de defesa para fechar o placar.

Após o último gol, a torcida de Salamanca foi à loucura. Em parte feliz, mas também aliviado, depois de uma noite difícil que se transformou num tributo à capacidade de luta da campeã europeia. A Espanha volta a campo nesta terça-feira, quando encara a Escócia, em Glasgow. Sergio Ramos, que gerou preocupação à torcida, já deve estar apto para a partida após pedir substituição por lesão. Se o Real Madrid já se mostra preocupado com o seu jogador, Del Bosque já avisou que não irá força-lo caso o Departamento Médico vete-o à partida de Glasgow. Se não poder jogar, a entrada mais lógica seria a de Arbeloa, que o substituiu hoje. Vicente Del Bosque também comentou a má partida de Villa, morferizada após o gol perdido. Segundo o técnico de Salamanca, talvez a ansiedade de passar Raúl é um dos pontos principais que justifica a partida ruim do Guaje.

Clique aqui e relembre como foi a estreia da Espanha contra Liechtenstein.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A primeira estrela

Iniesta e o gol que o colocou na história do futebol espanha. Após bater na trave várias vezes, a Espanha é campeã do mundo (AP)

Iniesta pega a bola, falta. Xavi é acionado, falta. Pedro recebe um passe, falta. Xabi Alonso domina... bem, você já sabe. A Holanda abusou das faltas contra a Espanha. Foram 28, algumas delas bastante violentas. Mas isso não foi um retrato de uma equipe descontrolada ou desesperada. Era uma estratégia de jogo. Pode não ser a mais louvável, mas é algo permitido pela regra. E, a bem da verdade, ela até foi bem sucedida do ponto de vista defensivo. O problema é que serviu para tirar os próprios holandeses da partida.

Bert van Marwijk é um técnico inteligente, que conhece futebol, está determinado a levar seu time à vitória e sabe como fazer o elenco se unir em torno de uma ideia. Foi assim que fez a Holanda jogar focada no Mundial – e perder o foco é um antigo vício das seleções holandesas – e priorizar a vitória à beleza do jogo. Na final, ele sabia que as chances laranjas aumentariam se o time quebrasse a posse de bola da Espanha.

Para viabilizar sua estratégia, os holandeses fizeram duas coisas: congestionaram o setor de armação da Espanha, tirando espaço para movimentação, e partiram para uma marcação agressiva, atacando como fosse possível quem estivesse com a bola. Quando o desarme não se concretizava, uma “falta tática” era bem-vinda. E assim a Holanda não teve pudor em derrubar Iniesta, Xavi, Pedro, Xabi Alonso...

Funcionou parcialmente. A Espanha não conseguiu impor tanto sua posse de bola, sobretudo no primeiro tempo e em parte do segundo. Alem disso, os ibéricos ficaram irritados com as faltas sofridas e eles próprios fizeram das suas. Os lances ríspidos tornaram o jogo interessante pela tensão. A qualquer momento, um time poderia perder a cabeça e atirar pela janela o título.

Mas os espanhóis estavam mais conscientes do que era preciso fazer para vencer a partida. Os holandeses, não. No desejo de anular o oponente a qualquer custo, a Holanda não tinha opções de ataque. A única estratégia era lançar Robben e torcer para o meia-atacante conseguir um gol em jogada individual. Duas vezes o jogador ficou na cara de Casillas, mas não dá para dizer que os laranjas estavam realmente construindo algo.

O pior é que, atrás, o sistema defensivo foi trincando aos poucos. De tantas faltas cometidas, muitas delas desleais, a Holanda ficou carregada de cartões amarelos (sete, seriam mais se Howard Webb estivesse mais rigoroso). Sob o risco de perder jogadores, Van Marwijk tirou nomes importantes como De Jong e Van Bronckhorst e abriu espaço, pois teve de improvisar Van der Vaart como volante e usar o inexperiente Braafheid.

O que era um jogo tenso e travado se transformou em domínio espanhol, ainda mais depois da expulsão de Heitinga. Claro, continuava faltando mais poder de decisão dos ibéricos. Villa não conseguia receber em condições de finalizar, Iniesta e Xavi hesitavam antes de um arremate, Navas só caía pela ponta e Fernando Torres fazia falta na frente. Mas a Espanha já era hegemônica e o gol poderia sair a qualquer momento.

E saiu. Justamente onde a Holanda se fragilizou. Aos 12 minutos do segundo tempo da prorrogação, Jesús Navas avançou pela direita, onde Braafheid deixava espaço, tocou para o meio, onde Iniesta e Fábregas articulavam sem o combate de um volante (Van Bommel virou zagueiro para tapar o buraco deixado por Heitinga e Van der Vaart não tem intimidade com a função). Da troca de passes, Iniesta recebeu na cara do gol, e chutou no canto direito de Stekelenburg.

A Espanha não teve sua noite mais inspirada, até porque expôs nervosismo e tensão. Ainda que o placar e o sofrimento da decisão não retrate a diferença técnica entre as equipes, o título foi merecido. E quem mais demonstrou isso foi a Holanda com sua estratégia defensiva. Pois há elogio maior do que o medo do adversário?

*Contribuição de Victor Mendes.

segunda-feira, 8 de março de 2010

O time que renasce das cinzas

Incrível o poder do Real Madrid de, nas últimas temporadas, reagir em jogo perdidos. Não é um mérito do comando de Pelegrinni. Ainda com Capello, foram várias as partidas em que os merengues pareciam derrotados e se recuperaram a ponto de, no mínimo, arrancarem um ponto.

Se a mesma atitude não tem se repetido há algum tempo na Europa, dentro do cenário nacional se tornou uma espécie de costume: é incrível como não se deve, na Liga BBVA, subestimar o Real Madrid. A vitória de ontem só comprova isso. Aliás, essa foi à segunda virada da temporada blanca. A outra reação foi na 13ª rodada, quando os merengues reviraram um jogo contra o Almería, no Santiago Bernabéu, terminada em 4 a 2.

Uma virada que aconteceu na temporada passada, lembrou muito a de ontem, em todos os sentidos, demasia, torcida, “título”, a de ontem. Foi contra o Getafe; veja:

sexta-feira, 5 de março de 2010

A 100 dias, a Espanha mete medo?

David Villa é uma das grandes esperanças na Copa (EFE)



A Espanha foi a Paris para fazer o seu jogo, o de um time pronto para o Mundial. Do outro lado, a França mostrou que ainda há muito trabalho pela frente: é uma equipe perdida em campo, tática e tecnicamente mal. O time de Vicente Del Bosque não jogou um futebol sublime, mas soube controlar a partida e tirar proveito das deficiências do adversário até chegar aos 2 a 0 ainda no primeiro tempo.

Com Fernando Torres e Xavi retornando de contusão, o treinador espanhol usou todas as seis substituições possíveis e manteve uma equipe forte no Stade de France. Sem a bola, o time que iniciou pela Espanha se defende com duas linhas, tendo na segunda, no meio-campo, Busquets, Xabi Alonso, Fàbregas e a volta de Iniesta pelo setor esquerdo.

Mesmo jogando na casa do rival, onde não vencia desde 1968, a equipe espanhola conseguiu se impor usando seu estilo de passes rápidos e envolventes no meio-campo. A fúria abriu o placar com David Villa, aos 21 minutos da primeira etapa. O atacante recebeu passe de Iniesta e contou com falha da defesa para ficar frente a frente com Lloris, que foi facilmente batido.

Ainda na primeira etapa, aos 45 minutos, Sérgio Ramos ampliou para os espanhóis. O lateral avançou pela direita e chutou com a perna esquerda – a bola desviou em Escude e enganou o goleiro rival.

A pergunta que fica pro final é a mesma usada no título da matéria: A 100 dias do início da Copa do Mundo, a Espanha mete medo?