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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Eu quero você, Brasil

 Nos bastidores, os amigos Casillas e Xavi não escondem o desejo de enfrentar a seleção brasileira. É o confronto que todo o povo espanhol quer ver (Reuters)

Pareceu uma declaração boba, despretensiosa. Em outubro de 2010, logo após o título mundial da Espanha, Fernando Hierro, ex-jogador e diretor esportivo da RFEF, disse que “todos” gostariam de ver um duelo entre Espanha e Brasil na reabertura do Maracanã, em 2013. A entidade negou que negocie essa partida, como fez a CBF. O que não significa que o assunto esteja morto. Nesta semana, o amistoso voltou a ficar em pauta. Segundo informações do AS, Xavi e Casillas teriam pedido ao presidente Justo Villar que negocie o confronto com a seleção brasileira. Curiosamento, o amistoso iria acontecer no final do ano passado, mas por "divergências" acabou cancelado.

A questão não é se a Espanha enfrentará o Brasil. A questão é que a Espanha quer enfrentar o Brasil. Não foi só a declaração de Hierro ou as de Xavi e Casillas. Iniesta, em entrevista à da Revista ESPN de dezembro de 2010, afirmou que o Brasil é uma “conta pendente” para os campeões do mundo e contou que Casillas fez o mesmo comentário na concentração espanhola, observando que faz tempo que as seleções não se encontram. David Villa afirmou que seu sonho quando criança era enfrentar o Brasil numa final de Copa do Mundo. Está claro que enfrentar os brasileiros é um desejo espanhol. Mas por quê?

É perfeitamente defensável que a Espanha tem, hoje, a melhor seleção do mundo. É a atual campeã da Eurocopa e da Copa do Mundo. Conquistou os três títulos consecutivos mostrando superioridade técnica, eliminando equipes fortes e tradicionais como Alemanha (duas vezes), Holanda, França, Itália e Portugal. Mas, para a nova realidade espanhola, não basta ser reconhecida como a melhor. É preciso ser reconhecida como uma das grandes seleções do mundo, aquele clube em que só estavam brasileiros, alemães, argentinos, italianos e, dependendo da referência, ingleses e franceses.

A última vez que as duas seleções se confrontaram foi em Vigo, em 13 de novembro de 1999. O Brasil de Candinho (acredite se quiser) entrou em campo com Marcos; Cafu, Antônio Carlos, Aldair e Roberto Carlos; Marcos Assunção, Émerson, Zé Roberto (Giovanni) e Rivaldo (Zé Elias); Sonny Anderson (Jardel) e Élber. A Espanha da época, treinada por José Antonio Camacho, foi ao Balaídos com Molina; Míchel Salgado, Paco, Abelardo e Sergi; Guardiola, Etxeberria (Urzaiz), Valerón (Engonga) e Luís Enrique (Mendieta); Raúl (Alfonso) e Morientes (Munitis). Atualmente, Guardiola é lembrado mais como técnico do Barcelona e Alfonso por dar nome do estádio do Getafe. Reparem que, das duas seleções, nem passam próximos dos times de Mano Menezes e Vicente Del Bosque

O jogo foi bem fraco e terminou em 0x0. Foi um amistoso como tantos outros, sem nenhum peso especial para os dois lados. Tanto que o Brasil foi comandado por seu auxiliar técnico, deixando Luxemburgo na Austrália, onde esteve com a seleção olímpica para dois amistosos. Desde então, o mais perto que o Brasil esteve de enfrentar a Espanha foram dois amistosos contra a Catalunha em Barcelona: vitórias brasileiras por 3x1, em 18 de maio de 2002, e 5x2, em 25 de maio de 2004, com direito a golaço de bicicleta de Júlio Baptista, que viria a brilhar no estádio novamente três anos depois, marcando o gol da vitória do Real Madrid ante o Barcelona por 1x0.

Um reencontro hoje entre esses dois países seria diferente. Seria a melhor seleção do mundo na atualidade contra a maior seleção da história do futebol, ainda que passe por um momento ruim dois anos antes da Copa de 2014. Torcedores de todo o planeta reconheceriam a importância simbólica do duelo. Grandes times se mostram em grandes eventos, realizam grandes duelos e se desafiam com o respeito que se tem pelo igual. A Espanha vê no Brasil o adversário que a legitimaria como novo membro do grupo de “grandes”. Por isso a Espanha quer jogar com o Brasil. Mesmo sabendo que isso pode não acontecer tão cedo. Ou, quem sabe, na Copa das Confederações. Ou, indo mais além, num hipotético confronto de mata-mata na Copa.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Nos pés de David e Andrés

 Iniesta e David Silva chegam à Eurocopa como principais esperanças de título espanhol (telegraph)

O último teste da seleção espanhola antes da Eurocopa serviu para ratificar uma máxima que vem acontecendo com frequência na Fúria: atualmente, seus principais jogadores são David Silva e Andrés Iniesta. Foram eles que construiram a vitória sobre a China por 1x0. Iniesta, que entrou no segundo tempo, se infiltrou pela esquerda, como há tempos não fazia, e tocou para Silva finalizar de primeira. Um chute seco, com a canhota, que, contudo, ainda deixa dúvidas quanto ao estilo de jogo espanhol.

Uma reportagem especial do Marca trouxe à tona uma verdade: dentre as principais seleções europeias, a Fúria é a menos goleadora. Algo que vem acontecendo desde quando Del Bosque assumiu a Espanha, precisamente no período da Copa. Na África do Sul, vale lembrar, a seleção só venceu uma partida por dois gols de diferença (contra a Honduras). No restante, vitórias apenas por 1x0 contra Portugal, Paraguai, Alemanha e Holanda e um 2x1 no último jogo da fase de grupos contra o Chile. Não obstante a uma Fúria mais pragmática, a ausência de Villa influi mais para isso. Ainda que tenha preferência por Fernando Torres e El Niño tenha recuperado pontos após o gol contra a Coreia do Sul, ontem o treinador madrilenho iniciou com Negredo. É, segundo o Marca, o preferido de Del Bosque para iniciar contra a Itália, no próximo domingo, acredite se quiser. Mas o andaluz não é um centro-avante de ofício que fica mais preso à área, como Torres ou Llorente. Entretanto, é, entre os quatro atacantes do elenco, o que mais se aproxima do estilo de jogo de Villa. Mas leva a um novo debate: pelo esquema tático utilizado, não seria preferível o atacante do Athletic Bilbao ou o do Chelsea? Negredo, quanto testado, não se saiu bem como referência do Sevilla. Suas melhores atuações foram jogando ao lado de Kanouté.

O estilo de jogo da Fúria é baseado no toque de bola e na paciência para chegar as redes. Nesse quesito, quem acelera as jogadas são justamente Silva e Iniesta, os extremos do 4-3-3 espanhol. Embora limite seu futebol, é perfeitamente possível entender o que se passa na cabeça de Del Bosque quando adianta Iniesta à ponta esquerda. O madrilenho quer ganhar mais força no meio-campo, escalando Xabi Alonso e Busquets juntos. Porém, paradoxalmente, o setor fica pesado e retira Xavi da parte do campo onde mais gosta de atuar: a ligação meio-ataque. Vicente até tentou barcelonizar a Fúria, mas não durou muito tempo. Nesse módulo tático, Xavi cumpre um papel semelhante ao de Iniesta no Barcelona, com a criação das jogadas ficando, principalmente, com Xabi Alonso. Não que Xavi não crie, lógico, mas os ataques, na maioria das vezes, são orquestrados pelo volante merengue.

Diferentemente do que acontece com Iniesta, Silva não sente uma queda no seu futebol quando atua mais adiantado do que de costume. O homem de 14 assistências na Premier League, o líder no quesito, consegue se adaptar à sua função na seleção. No Manchester City, Silva normalmente exerce um papel duplo, de criação de jogadas e recomposição para marcar um dos laterais adversários, como fazia Juan Mata com André Villas-Boas no Chelsea. Seu nível caiu demais entre janeiro e abril, quando era substituído com freqüência, mas não deixou de ser o principal jogador espanhol na temporada, empatado ou até um pouco à frente de Xavi, que caiu de produção na reta final. Na Fúria, o canterano ché começa a ganhar um novo peso: de protagonista. Ante coadjuvante, seus jogos após a Copa do Mundo o fizeram ganhar moral com Del Bosque, que o relegava ao banco, mas não teve como resistir. Suas últimas atuações com a Espanha foram tão acima da média que a imprensa espanhola passou a chamá-lo de Messi da Roja.

A entrada de Iniesta no segundo tempo do jogo contra a China evidenciou que ele é o parceiro ideal de Silva. Os dois trocaram tabelas, se aproximaram muito para construírem jogadas e aumentaram as ocasiões de gols espanhol, escassas na primeira etapa. Quem se beneficia desse modo de jogar da dupla é Xavi. O maestro barcelonista, no caso, pode ficar menos sobrecarregado possível e, se as atenções da marcação adversária caírem em cima de Silva e Iniesta, ficar mais livre para atuar. Um possível revezamento com Xabi ou a entrada de Mata ou Fàbregas para recuar o barcelonista à sua posição de origem seria importante numa hipotética decisão de Del Bosque.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Passaporte para a Euro

Os 3 gols de Soldado carimbam seu passaporte à Eurocopa (getty images)

Foi bem simples. Estreando roupa nova, a Espanha goleou uma frágil Venezuela por 5x0, com gols de Silva, Iniesta e Soldado (3). Envolvido pela posse de bola e pelas contundentes jogadas ofensivas espanholas, a vinotinto pouco lembrou aquela seleção promissora que, há pouco menos de quatro meses, derrotou a Argentina de Messi e é uma das favoritas a copar uma vaga na próxima Copa do Mundo. Relembramos: em junho passado, a mesma Venezuela foi derrotada pela Espanha por 3 x 0, em jogo disputado em Nova York. Com a manita, a Fúria de Del Bosque torna-se a mais goleadora da história. Os 131 gols em 52 partidas ultrapassam os 126 tentos em 62 partidas da Espanha de Javier Clemente, atual técnico do Sporting Gijón que treinou a seleção entre 1992 e 1998. Outro feito, talvez até mais destacável, envolve o capitão. Casillas chegou a 72 partidas sem sofrer gols, igualando o feito do holandês Van Der Sar. A excelente atuação roja em Málaga deixa cinco certezas.

1) Sem Villa, vai predominar o 4-2-3-1. A escalação inicial que contou com Busquets protegendo a defesa e Xabi Alonso ajudando na criação numa linha atrás de Silva aberto à direita; Iniesta, à esquerda, e Fàbregas, centralizado, ratificou a ideia de que o 4-3-3 visto nas Eliminatórias só será utilizado no retorno de Villa. No momento é a ideal sem a presença do Guaje e contando com o retorno de Xavi. Mas Del Bosque terá problemas. Xavi e Iniesta são titulares absolutos, mas quem vai deixar o onze inicial: David Silva ou Fàbregas?

2) Iniesta merece um capítulo à parte. Já ficou comprovado que quanto atua aberto à esquerda mas na última linha ofensiva seu futebol é burocrático. No meio-campo, auxiliando o atacante, sempre dá espetáculo. Marcou um gol e ofereceu, mais uma vez, mostras de sua qualidade. Saiu de campo ovacionado por um povo que o tem como herói. É verdade que a temporada 2011/2012 de El Albino, muito por causa das lesões, tem sido abaixo da média, mas o bom futebol mostrado hoje pode elevar sua moral. Silva foi seu principal sócio.

3) Há três semanas, em uma entrevista ao site da Uefa, Fàbregas afirmou que sente um pouco a pressão de ser o sucessor de Xavi tanto no Barcelona quanto na Espanha. Cesc disse que não tem a "paciência" que o camisa oito blaugrana tem para armar uma equipe e aproveitou para deixar claro que "não sabe a hora" de tocar para o lado ou lançar para o atacante. Guardiola, de fato, não tem escalado muito Fàbregas na posição de Xavi, mesmo no momento de ausência, optando por Thiago Alcântara. Mas a sensação é de evolução. Quando escalado contra o Valencia, pela Copa do Rei, fez uma partida nota 5,5. Contra o Bayer Leverkusen, já foi melhor, dando até uma assistência preciosa para Alexis Sánchez marcar vinda do setor do campo onde Xavi mais gosta de atuar. Hoje, contudo, Fàbregas ditou o ritmo da partida. Ficou só na distribuição, à Xavi, onde todas as bolas passavam pelo seu pé. Resultado: duas assistências.

4) A lateral esquerda tem novo dono: Jordi Alba. Com a preferência de Capdevila de ir se "esconder" em Portugal, Del Bosque fechou as portas da seleção para o ex-Villarreal. Azpilicueta e até Arbeloa passaram pela lateral nos primeiros jogos, mas quem mais aproveitou-se do fato foi o jogador ché. Já havia sido elogiado pela imprensa após o jogo contra a Inglaterra, mas hoje confirmou que, salvo algum imprevisto, vai à competição europeia como dono da posição. Hoje, apareceu em, praticamente, todos os ataques pelo setor esquerdo.

5) O nome mais falado após o amistoso foi o de Roberto Soldado. Seu debut com Del Bosque não poderia ter sido melhor. O hat-trick representa não só o primeiro jogador da história da seleção espanhola a sair do banco de reservas e marcar três gols, mas sim que foi lhe dado o passaporte para a Eurocopa. Só não vai à Euro por lesão ou algum outro imprevisto. A depender do estado de Villa, pode chegar até como titular: se, por um lado, Llorente não aproveitou a chance que lhe foi dada, Soldado, além de marcar três gols, se movimentou com contundência, batalhou pela bola mesmo com a partida já ganha, tabelou com os meio-campistas. "Del Bosque pediu para que eu jogasse como no Valencia", revelou na zona mista. Seus companheiros estão felizes por ele. Enquanto isso, quem se lamenta é Fernando Torres. Já discutimos, mas é bom lembrar: há espaços para El Niño Torres na Eurocopa?

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Vexame evitado

Ao empatar em 2 a 2 com a Costa Rica, a seleção espanhola encerrou o 2011 de futebol com uma sensação amarga. Nos jogos oficiais, válidos pelas Eliminatórias para a Eurocopa de 2012, a Espanha não decepcionou, a ponto de vencer todos os jogos. A interrogação ficou por conta do futebol de baixo nível mostrado nos amistosos, principalmente ante as seleções de grande porte. Em 2010, após o título da Copa, foram duas derrotas acachapantes, para Argentina (4-1) e Portugal (4-0). Em 2011, derrotas para Inglaterra e Itália, além de vitórias na base da raça diante de Colômbia e Chile.

Nada que abale o ânimo da Fúria, que segue favorita máxima para o bi-campeonato europeu, mas o olhos já devem serem abertos. Vicente Del Bosque testou várias alternativas, mas passa a impressão de que ainda não tem um plano A definitivo. A má fase de Fernando Torres ainda é um problema. O treinador não sabe se joga com um centroavante de ofício, como no empate contra a Costa Rica (vale destacar: Llorente jogou um tempo, e a Espanha, além de perder por 2-0, quase não levou perigo à meta costariquense), ou se escala David Silva e Cesc Fàbregas de falso nove, a fim de repetir a fórmula do sucesso de Guardiola no Barcelona (escalar Messi de falso nove).

Mas ao abdicar de um centroavante de ofício, Del Bosque cria um problemão. A Espanha precisa acelerar essa busca por um atacante que tenha como vocação buscar o gol. Dois nomes já estão no radar do treinador há um tempo: Negredo e Llorente. O primeiro não é bem um atacante de referência, mas tem produtividade boa pela seleção (cinco gols em sete jogos). O segundo pinta como bom nome, ainda que o técnico relute em dar mais espaço a ele.

Nesse cenário, fica difícil de justificar a ausência por mais tempo de Soldado. O atacante do Valencia fez apenas duas partidas pela Espanha, em 2007, quando defendia o Osasuna. Ele não é um primor de técnica, mas está em evolução e se destaca por finalizar e fazer bem o papel de pivô. Talvez não seja a solução, mas um teste se faz necessário. Independentemente do nome escolhido, a Espanha precisa pensar em uma renovação no ataque. Porque não adianta ter o melhor meio-campo do mundo, se ele não encontrar alguém para finalizar seu trabalho.

Na parte tática, predominou um 4-3-3 com um gosto de fracasso. O meio-campo, principal setor da Fúria, não emplacou com Busquets, Xabi Alonso e Xavi. Iniesta, quando joga adiantado à ponta esquerda, tem uma queda brutal em seu rendimento. O meio-campista já provou que, no meio-campo, em sua posição de origem, é capaz de decidir (vide o amistoso contra o Chile, em setembro). A mudança de tática apareceu somente uma vez, na derrota em Gênova para a Itália, em fevereiro. Voltou o 4-2-3-1 da Copa do Mundo, que, contra os italianos, teve Fernando Torres como referência. El Niño foi mal e deu lugar a Llorente ainda na primeira etapa.

O grande destaque da Espanha de 2011 foi sem dúvida David Silva, o que cria mais problemas para Vicente Del Bosque. O ex-Valencia criticou publicamente o treinador em meados de agosto, ao dizer que só não é titular porque não joga no Real Madrid ou Barcelona. Meia verdade, de fato. O madrilenho insistiu em jogadores desgastados e em má fase até a declaração de Silva. A cega insistência em Pedro ou Xabi Alonso em detrimento de Silva no banco não era plausível. Bastou Del Bosque tirar Pedro da equipe titular para colocar Silva que a Espanha fez suas duas melhores partidas no ano, contra República Tcheca (0-2) e Escócia (3-1). (Victor Mendes)

O jogo (Claudio Araujo)

David Villa marcou no minuto final e evitou um vexame maior contra a Costa Rica (getty images)

Em dia de falha do goleiro Casillas - que completou 127 jogos na seleção e se tornou o atleta que mais vezes a defendeu, ultrapassando o ex-arqueiro Zubizarreta -, a Espanha ficou no empate por 2 a 2 em amistoso com a Costa Rica, disputado em San Jose. Vindos de derrota por 1 a 0 para a Inglaterra, em Wembley, os campeões do mundo não se encontraram no primeiro tempo. Para piorar, Casillas se atrapalhou ao tentar um domínio com os pés e, aos 31 minutos de bola rolando, viu o meia Brenes empurrar para as redes e inaugurar o marcador. Antes do intervalo, Campbell ampliou para 2 a 0.

Na etapa final, a Fúria melhorou e foi em busca do empate. Villa foi quem mais apareceu em condições de finalizar, tentou de todos os jeitos, de bicicleta, de fora e de entro da área, mas não conseguia superar o goleiro Navas. Nos minutos finais, finalmente, a Espanha jogou com campeã do mundo. Aos 38 do segundo tempo, Iniesta cruzou para David Silva diminuir. Aos 45, Villa aproveitou cruzamento de Cazorla e cabeceou para empatar e evitar o segundo revés consecutivo.

domingo, 13 de novembro de 2011

Malditos amistosos

Espanha controlou o jogo contra a Inglaterra, mas faltou o gol. Se tem ido bem nos jogos oficiais, nos amistosos a Fúria vai mal (AS)

A Espanha voltou a falhar em um amistoso contra uma seleção de grande expressão após o título mundial em 2010. Em Londres, no Wembley, palco da decisão da Liga dos Campeões da Uefa 2010/2011 entre Manchester United e Barcelona, os espanhóis foram derrotados pelos donos da casa por 1 a 0, gol de Lampard no começo do segundo tempo. A notícia boa referente à partida ficou pela marca histórica alcançada por Casillas, que jogou apenas nos primeiros 45 minutos e igualou o número de jogos de Andoni Zubizarreta (126) com o uniforme rojo.

A escalação inicial de Vicente Del Bosque só ratificou a ideia de que o treinador quer copiar o estilo de jogo do Barcelona a todo custo. Jogando em um 4-3-3 que teve como maior surpresa a escalação de David Silva como falso nove, atuando à Messi, e um meio-campo formado, novamente, por Xabi Alonso, Busquets e Xavi, a seleção espanhola fez uma partida abaixo da média. A dupla Silva e Villa não foi opção de passe para o meio de campo controlador, pois Del Bosque insiste em Busquets e Xabi Alonso, dois volantes que jogam em linha, paralelos. Não se sente seguro para escalar Busquets, Xavi e Iniesta, como Guardiola, talvez único diferencial das duas equipes.

Preocupada com o bom toque de bola do adversário, a Inglaterra usou a defesa para vencer o jogo. E o fez bem, sobretudo no primeiro tempo, quando o goleiro Hart quase não trabalhou. O problema é que o meio-campo inglês foi pouco criativo, tornando raros os lances de perigo dos ingleses.O domínio territorial claro não valeu para a Espanha, dessa vez. Com a posse de bola na casa dos 77%, a Fúria teve a bola nos pés durante os noventa minutos, mas esbarrou no pequeno catenaccio montado pelo italiano Fabio Capello, treinador do English Team. Justamente com esse estilo de jogo que a Fúria foi derrotada pela Suiça na estreia do Mundial da África do sul e o Barcelona (base da seleção) foi eliminado pela Inter de Milão de José Mourinho na LC 2009/2010. Embora tenha perdido o jogo, a Espanha não sofreu muito com os avanços ingleses, que, vale destacar, pouco tenha acontecido, diante da proposta feita por Capello. Sergio Ramos, escalado como central ao lado de Piqué, voltou a ter uma atuação notável, aparecendo como boa opção para substituir Puyol, que passa por problemos musculares infinitos.

Jordi Alba, que havia ido bem contra a Escócia, ganhou novamente a confiança de Del Bosque na lateral esquerda. Vivendo boa fase no Valencia, o lateral, que nos últimos dias teve seu nome ligado a uma possível transferência ao Barcelona na próxima temporada, fez uma partida nota seis, não sendo muito incisivo nos ataques pelo seu setor, que teve Villa bem na frente. A atuação mediana do ché, no entanto, foi destacado pelo AS, que citou Alba como um lateral atrevido que ganha, a cada jogo, pontos com Vicente Del Bosque. Contra a Costa Rica, na terça-feira, o treinador afirmou que quem ganhará chances dessa vez será o malaguês Monreal. Villa, por sua vez, pecou muito nas finalizações, e chegou a perder um gol que, em seus tempos áureos, certamente não perderia.

Se não tem vencido os amistosos de dificuldade maior (perdeu para Argentina, Portugal, Itália e Inglaterra), ao menos a Fúria continua "invicta" em partidas oficiais no pós-copa. Mal orientado taticamente, faltou à Espanha um destinatário para o passe, o que certamente deve corrigir Del Bosque para os próximos duelos. "Faltou mais profundidade e êxito na conclusão", disse Xavi após a partida. Os caprichos na hora das finalizações, sobretudo de Fàbregas, que lamentou as suas chances desperdiçadas, foram fatais. A Inglaterra, que chegou sob dúvidas para o confronto, foi perfeito no que se propôs a fazer. Continua uma verdadeira incógnita para a Europa, mas o futebol simples, dedicado e curto para vencer a competição foi suficiente para ganhar dos espanhóis no momento.

sábado, 3 de setembro de 2011

Unida

Vitória contra o Chile deixou claro que a seleção espanhola é, acima de tudo, um grupo (AP Photos)

A melhor notícia que Vicente Del Bosque poderia receber após a vitória da seleção espanhola frente ao Chile na última sexta-feira aconteceu perto do final da partida. Após um tranco de Vidal em cima de Iniesta, os merengues Arbeloa e Sergio Ramos tomaram as dores do barcelonista e partiram para cima do apoiador chileno (ver vídeo). Em outro lance, a situação se inverteu: após empurrão de Carmona em Arbeloa, o azulgrená Busquets foi tirar satisfação com o zagueiro chileno, que acabou expulso.

Os seguidos atritos destes e outros jogadores espanhóis da seleção nos últimos superclássicos colocaram em xeque a atual amizade formada dentro da Fúria. Especulações quanto à formação de grupinhos divididos entre culés e merengues foram enormes e os últimos resultados da seleção treinada por Vicente Del Bosque deixaram um alerta: no pós-jogo, foram disputados cinco jogos contra seleções de maior nível e, dentro de campo, uma Espanha para lá de preguiçosa e sem a raça vista na Euro e Copa do Mundo sucumbiu diante de seus adversários. Resultado: cinco derrotas, entre elas goleadas acachampantes para Argentina e Portugal, e a perda da liderança do ranking da Fifa, que Del Bosque logo tratou de amenizar.

O capitão Casillas já havia acenado com a possibilidade de lavar a roupa suja. Logo após o último superclássico - pela Supercopa da Espanha -, que, como de praxe, acabou em briga, o goleiro havia ligado para Puyol para conversar sobre a situação da seleção espanhola, além de ter deixado um SMS para Xavi, que acabou não respondendo pois havia trocado de celular. A ligação, como todos sabem, acabou não agradando a José Mourinho, que não gostou nada da atitude de seu goleiro e, segundo especulou a imprensa de Madrid, resolveu deixá-lo 90 minutos no banco na partida amistosa disputada contra o Galatasaray.

Neste sábado, Iniesta acabou com qualquer problema de relacionamento no grupo espanhol. "A confusão mostrou como somos uma equipe", disse. Fàbregas, um dos destaquess da partida, também destacou o entendimento entre os jogadores: "nada irá mudar que somos um grupo", afirmou Cesc. O Marca exemplificou bem o sentimento após o apito final: "Espanha se une para defender-se".

O jogo
Apesar da vitória de virada ante os chilenos e da clara união entre os jogadores, ainda há algumas coisas para Del Bosque se preocupar. Em Genebra, na Suiça, o treinador voltou a utilizar o 4-3-3, que havia deixado de lado no amistoso contra a Itália, em agosto. A cega insistência do madrilenho na tática resulta nas más partidas da Fúria, que fica com um meio-campo muito passador, é verdade, mas sem um homem que desequilibre partidas. Entretanto, há um fator chave: Iniesta. Nos últimos jogos com esse módulo tático, o treinador optou por adiantar o blaugrana para a segunda linha de três, jogando preso à esquerda.

Contra o Chile, no entanto, Andrés entrou no segundo tempo, quando os chilenos venciam por dois a zero, mas jogando na posição que costuma jogar no Barcelona: na linha de três do meio-campo, com Xavi ao seu lado. El Albino, junto com Fàbregas, mudou a cara da partida e foi eleito o principal responsável pela virada da Fúria por Del Bosque após a partida. Cesc, autor de um doblete, por sua vez, confirma o ótimo momento após a transferência para o Barcelona: em cinco jogos foram marcados cinco gols. A entrada de Pedro no lugar de um opaco Villa também foi boa. O canário colocou fogo no setor direito da defesa chilena e levou muito perigo à meta de Bravo.

A partida também marcou algumas marcas históricas. Xavi, que começou como titular, alcançou a marca de 102 jogos com a camisa roja, igualando a marca de Raúl. Na próxima terça-feira, a Espanha entra em campo para um jogo oficial válido pelas Eliminatórias para a Eurocopa de 2012. Se não perder para Liechtenstein, a Roja estará classificada para a fase final do torneio, onde irá tentar a manuntenção do título. Para a partida, Del Bosque tem em mente a titularidade de Thiago Alcântara, que, se atuar, dará, definitivamente, adeus às possibilidades - que são mínimas - de atuar um dia com a seleção brasileira. Nos treinos para o confronto, Del Bosque ensaiou algumas mudanças no esquema de jogo da seleção. O 4-3-3 finalmente deve dar vez a algum outro módulo tática - provavelmente o 4-5-1 utilizado na reta final da Copa do Mundo. A conferir.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Nada a temer

Italianos celebram o gol da vitória diante da Campeã Mundial. Apesar do revés, a seleção de Vicente Del Bosque continua firme no caminho certo (uefa.com)

O estádio San Nicola, casa do Bari, foi palco de um dos principais amistosos dessa quarta-feira de data FIFA. Com a pré-temporada na sua fase final e os jogadores ainda pregados fisicamente por causa dos inúmeros testes físicos, o Itália x Espanha de hoje não deixou a desejar. Para a campeã do mundo, nada que possa assustar. Para a Itália, a confirmação de que o caminho a seguir é este mesmo.

Vicente Del Bosque, respeitando acordos com Barcelona e Real Madrid, que disputam no próximo final de semana a Supercopa Espanhola, optou por uma escalação mista no início dos 90 minutos, abdicando de seu 4-3-3 utilizado após a Copa do Mundo para jogar no 4-2-3-1. Já Cesare Prandelli montou a Azurra em um 4-3-1-2, apostando em Montolivo, da Fiorentina, como trequartista.

A primeira etapa começou com amplo domínio dos donos da casa. Cassano, que jogava no estádio da cidade onde nasceu e que pertence ao clube que o projetou, investia forte em cima de Arbeloa pela esquerda defensiva da Fúria. Do outro lado, David Silva não acompanhava as subidas de Criscito ao ataque. E foi do quatro italiano a primeira real chance de gol, logo aos quatro minutos, quando Casillas viu tremer sua meta após um chutaço na trave vindo da entrada d'área. A Azurra era melhor e, em jogada pela esquerda, Criscito deixou o meia Montolivo cara a cara com o camisa um espanhol e o jogador da Fiorentina tocou por cima do goleiro, abrindo o placar para a Itália.

Quatro minutos depois, Fernando Torres - isolado no ataque e sem tocar na bola - aparentemente sentiu uma lesão muscular e deixou o gramado para a entrada de Fernando Llorente. Mas nada parecia fazer voltar o ritmo natural do jogo da Fúria, que acusava a falta de Xavi na meia cancha. A solução que Del Bosque achou para igualar o jogo foi pedir para o time marcar pressão o campo todo, o que gerou a primeira chance de gol espanhola com Cazorla, que chutou por cima do gol aos 33 minutos após jogada de Iniesta.

Logo em seguida, em jogada pela esquerda do próprio Cazorla, Llorente foi agarrado pelo braço por Chiellini: pênalti. Bola no meio do gol, Buffon caído para o lado esquerdo e gol de Xabi Alonso: 1 a 1. Ainda na primeira etapa, o selecionado italiano perdeu duas boas chances, uma com cada atacante: primeiro Rossi, depois Cassano pararam em grandes intervenções de Casillas. No último minuto, mais uma baixa na Fúria: Piqué sentiu desconforto muscular e deu lugar a Sergio Busquets. Problemas maiores para o Barcelona, porque o volante, ao término da partida, também deixou o estádio com problemas musculares.

Para a segunda etapa, Vicente Del Bosque continuou a poupar algumas de suas estrelas: saíram Iniesta, Casillas e Iraola para as entradas de David Villa, Victor Valdés e a tão aguardada estreia do menino Thiago Alcântara. As mudanças acarretaram algumas improvisações na equipe espanhola, nada que fosse alterar o 4-2-3-1 idealizado pelo comandante: Busquets, mostrando mais uma vez sua polivalência, jogou na lateral direita. Javi Martinez formou dupla de zaga com Albiol, enquanto Thiago jogou ao lado de Xabi Alonso na volância.

O ritmo italiano diminuiu na segunda etapa, o que facilitou o domínio dos campeões do mundo. David Villa e, principalmente, David Silva obrigaram Buffon a fazer pelo menos três boas defesas. Juan Mata, que entrou no lugar de Cazorla durante o segundo tempo, protagonizou o lance mais curioso do jogo: após centro da esquerda de Silva, o camisa treze conseguiu volear a bola, mas Llorente, que tentava sair da linha da bola ao jogar-se no chão, impediu a bola de chegar ao gol italiano.

Mas o castigo para o bom segundo tempo espanhol veio no final por intermédio de dois suplentes. Pazzini recebeu a bola na grande área e rolou para trás onde estava Aquilani, que chutou de primeira e contou com o desvio em Javi Martinez para enganar Valdés e dar a vitória para a Azurra. Balotelli e Bonucci ainda desperdiçaram chances de ampliar o marcador, cuja justiça apontaria para uma igualdade, já que os italianos começaram melhor, mas os espanhóis dominaram a segunda metade do amistoso.

Como podemos notar pela ausência no texto, a estreia de Thiago Alcântara na Fúria foi bem discreta. Atuando ao lado de Xabi Alonso, mais recuado que o de costume no Barcelona, e tendo que auxiliar a marcação pelo lado do improvisado Busquets no setor mais forte de ataque adversário, o jovem talento participou pouco das ações ofensivas espanholas. Ao que tudo indica, ele deverá ter uma continuidade no grupo de Vicente Del Bosque e pode receber chances na linha ofensiva que abstece o isolado atacante do esquema 4-2-3-1 da Fúria.

Outro destaque dos campeões do mundo no jogo foi David Silva, que parece estar disposto a recuperar seu futebol da época de Valencia. Silva merece menção pelo grande segundo tempo, quando trocou sistematicamente de posição com Cazorla e Mata, confundindo a marcação adversária.

A campanha tranquila nas Eliminatórias da Euro 2012 deve ter sequência no mês que vem sem maiores dificuldades. Apesar de não superar nenhuma seleção das chamadas "de grande porte" após vencer a Copa do Mundo, a Fúria deve fazer o dever de casa e patrolar a fraca seleção de Liechtenstein.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Campeones Del Mundo: Fernando Llorente

Fernando Llorente ergue a taça de campeão do mundo, o maior título de sua carreira, que foi alcançado com apenas 25 anos - FIFA

Grandalhão, mas com muita técnica. Do alto de seu 1,95m, Fernando Llorente é sinônimo de gols, seja com a perna direita, perna esquerda e, principalmente, de cabeça. No Mundial, com Pedro, Villa e Fernando Torres no plantel, ele teve pouco espaço. O camisa 19 jogou pouco mais de 30 minutos, contra Portugal, nas oitavas de final.

O futuro atacante nasceu em um hospital de Pamplona, onde uma tia sua trabalhava. Mas sua infância ocorreu em Rincón de Soto. A partir daí, Llorente começa a mostrar o talento para o futebol. Para jogar o esporte que amava, o ainda pequeno Fernando teve de voltar à região onde nasceu: Navarra, onde jogou pelo FC Funes. Logo depois, ele chegou ao River Ebro também das rendondezas de sua base.

Finalmente aos 11 anos, o atacante se tornou um dos leones, ao ingressar nas canteras do Athletic Bilbao. Desde o início da trajetória no clube basco, Llorente chamou a atenção, principalmente de José María Amorrortu, que indicou que ele fosse emprestado para ganhar experiência. O atacante, a princípio, rejeitou a ideia; porém, em 2003, acabou indo para o Baskonia (clube ligado aos leones).

No clube satélite foram 12 gols em 33 partidas, o que lhe rendeu a transferência para o time B do Athletic. No Athletic B foram apenas 16 jogos e quarto gols. Aos 19 anos, a partir daí, tudo começou a acontecer mais rápido em sua carreira. Logo estreou pelos bilbaínos e foi elogiado pela boa estreia. Três depois do debute, em um jogo da Copa del Rey anotou um triplete. Ao final do ano, os bons desempenhos lhe renderam a convocação para o Mundial sub-20, onde acabou como vice-artilheiro, perdendo apenas para Messi, que acabou ganhando o Mundial e o prêmio de melhor jogador.

Após o Mundial, Llorente voltou aos leones e viveu a pior e mais difícil fase da carreira. Foram duas temporadas lutando contra o rebaixamento, mas o Athletic conseguiu permanecer na elite. Depois do período em que marcou apenas sete vezes, em quase 50 jogos. O Rey León se concretizou, assumindo finalmente uma vaga entre os 11 de Joaquín Caparrós.

Ele inciou a temporada de 2008-09 embalado e foi pela primeira vez convocado pela seleção principal. O primeiro jogo ocorreu contra o Chile, mas ele passou em branco e só marcou pela roja em 11 de fevereiro de 2009, no 2 a 0, contra a Inglaterra. A partir daí, convocações se tornarão comuns na vida do centroavante basco. Ao final do ano, ele havia 18 vezes, sendo o principal artilheiro da equipe.

O feito foi repetido em 2009-10, foram 23 gols ao longo do ano e, no final da temporada, a sonha presença na lista dos 23 que iriam à África do Sul. Como dito no início, Llorente jogou apenas pouco mais de 30 minutos, mas ainda jovem já foi campeão do mundo, mostrando que sua trajetória com a fúria deve ser longa.

Nos primeiros jogos oficiais pós-Copa, o camisa 19 do Mundial decidiu: foi dele a metade dos seis gols, contra Lituânia e Escócia, jogos pelas Eliminatórias da Eurocopa 2012. No clube, o Rey León segue reinando e, nesta temporada, ajudou os bilbaínos com 18 gols. Assim o Athletic se classificou para a Liga Europa de 2011-12.

Fernando Llorente
Nascimento: 26 de fevereiro de 1985, em Pamplona, Espanha
Posição: Atacante
Clubes: FC Funes (1994-95), River Ebro (1995-96), Athletic Bilbao (1996-2003 e 2004-atualmente) e Baskonia (2003-04)
Títulos: Europeu sub-19 (2006) e Copa do Mundo (2010)
Seleção espanhola: 13 partidas e 7 gols

domingo, 3 de julho de 2011

Campeones Del Mundo: Gerard Piqué

O gol do título espanhol poderia ter saído do pé esquerdo do zagueirão catalão (EFE)

Piqué é um daqueles zagueiros que alia a técnica e força como poucos. Com 1,92m ele forma dupla perfeita com Puyol no Barcelona e na seleção espanhola. O poste defensivo além de ser muito seguro na defesa, mostra bom passe, fundamental aos esquemas da suas equipes. No ataque, Piqué também é presença certa, com ótimos cabeceios.

O defensor é um produto clássico das canteras blaugranas. Ele ingressou em La Masia aos dez anos de idade e por lá começou atuando como volante. Na base, o “princípe” passou por todas as categorias e foi campeão na maioria delas. Alex Ferguson mostrou que estava de olho e o levou para o Manchester United, onde fez parte do elenco principal até ser emprestado ao Zaragoza em 2006. À época, Piqué já se destacava nas seleções menores da Espanha, já havia sido vice-campeão europeu sub-17 e era campeão sub-19.

No clube espanhol, ele ora foi zagueiro, ora volante e rendeu muito bem. Nos maños jogou juntamente com Gabriel Milito, com quem se encontraria novamente no Barcelona anos depois. Na volta à Inglaterra, Piqué ganha ainda mais espaço e colobara bastante com o título europeu red devil, marcando duas vezes na competição. Os bons desempenhos e falta de opções para a zaga em seu elenco, fizeram o Barça trazer o alto zagueiro de volta ao Camp Nou.

No que podemos chamar de volta à sua casa, Piqué impressionou e logo se tornou o titular do miolo de zaga ao lado do capitão Puyol, em um ano que os blaugranas ganharam tudo. Além disso, no Santiago Bernabéu, no histórico 6 a 2, contra o Real Madrid, o camisa três marcou uma vez. Na final da Liga dos Campeões, o “princípe” teve que formar dupla de defensiva improvisada com o volante Yaya Toure e não foram vazados pelo United de Cristiano Ronaldo.

Piqué seguiu colecionando títulos com a camisa do Barcelona e com isso foi ganhando notoriedade, sendo mais vezes convocado à seleção espanhola. Em 2010, o princípe chegou ao Mundial como um dos titulares, embalado por mais uma temporada junto aos blaugranas.

Na África do Sul, o camisa três teve papel de destaque: jogou todos os jogos e todos os minutos de La Roja. Ao lado de Puyol formou uma defesa que foi vazada apenas duas vezes na Copa e nenhuma vez na fase mata-mata do torneio. Com o bom desempenho, ele foi incluido nos 11 dos sonhos pela FIFA. Mas o melhor foi poder comemorar a conquista inédita no Soccer City, com a fúria.

Como campeão do mundo, Piqué voltou ao Barça, onde ganhou a Supercopa Espanhola, sua terceira Liga dos Campeões de 2010-11 e a Liga Espanhola da temporada. Além disso, o camisa três blaugrana se tornou uma das bandeiras da rivalidade com o Real Madrid, intensificada no mês de abril, quando tivemos quatro clássicos em 18 dias. Houve o temor na Espanha que os problemas entre os atletas que formam a base de La Roja influenciasse no desempenho deles com a seleção. Mas as diferenças ficaram em “El Clásico”.

O campeão mundial, com apenas 24 anos já conquistou tudo o que um jogador pode querer e hoje é visto como um dos melhores zagueiros do mundo, exemplo pra futuros jogadores da posição.

Gerard Piqué
Nascimento: 2 de fevereiro de 1987, em Barcelona, Espanha
Posição: Zagueiro
Clubes: Barcelona (1997-04 e 2008-atualmente), Manchester United (2004-06 e 2007-08) e Zaragoza (2006-07)
Títulos: Premier League (2007-08), Copa da Liga (2005-06), Community Shield (2007), 3 Ligas dos Campeões (2007-08, 2008-09 e 2010-11), 3 Campeonatos Espanhois (2008-09, 2009-10 e 2010-11), Copa del Rey (2008-09), Supercopa da Espanha (2009 e 2010), Supercopa da Uefa (2009), Mundial de Clubes (2009), Europeu sub-19 (2006) e Copa do Mundo (2010)
Seleção espanhola: 33 partidas e quatro gols

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Venceu, mas não convenceu

Jogada de Jesus Navas e gol de David Silva: mais uma vez, a Espanha joga mal após Copa do Mundo (reuters)

Após ser goleada por Portugal no último compromisso de 2010, a Espanha entrou em campo contra a Colômbia querendo justificar o título de campeã mundial. Contra os Cafeteros, a Fúria voltou a jogar um futebol de baixo escalão, mas conseguiu a vitória nos minutos finais com gol de David Silva, após cruzamento de Jesus Navas. Casillas ainda chegou a salvar a Espanha de um tropeço em Madrid no final da partida, após defender um belo chute de Rodallega, que deu um trabalho enorme a Piqué.

Villa perdeu novamente a chance de superar Raúl e tornar-se o recordista de gols com a camisa roja (El Guaje e Raúl têm 44 gols). O Guaje, em noite fraca tecnicamente, desperdiçou duas boas chances de fazer história, mas viu a trave e o goleiro Ospina evitarem seu tento. Se o atacante asturiano não conseguiu o que queria, Casillas cumpriu sua parte. O goleiro merengue foi titular durante os 90 minutos e superou Andoni Zubizarreta como o jogador que mais vezes vestiu a camisa roja - contando também as partidas disputadas nas divisões de base. Casillas não só superou mais um recorde, como foi um dos grandes nomes da partida. El Capitán evitou, pelo menos, três gols colombianos na segunda etapa, em constantes ataques de Guarín, Rodallega e o herculino Abel Aguillar.

Vicente Del Bosque foi a campo com a base que conquistou a Copa do Mundo. À exceção de Puyol, que está lesionado e foi substituído por Raúl Albiol, todos os outros 10 jogadores disputaram a final contra a Holanda. Porém, dessa vez, Del Bosque montou a Fúria num 4-3-3, com Iniesta e Pedro abertos pelas pontas. Pedro chegou até ser o destaque na primeira etapa, mas Iniesta fez uma partida abaixo da média (mas ainda assim, o único lance de perigo da Espanha no primeiro tempo foi em jogada do oito blaugrana). A Espanha priorizou muito a posse de bola (chegou a ter 76%), mas não conseguiu capitalizar essa alta posse em oportunidades de gols. Com um meio-campo técnico e criativo, mas não driblador, formado por Busquets, Xabi Alonso e Xavi, a Espanha pouco levou perigo ao gol de Ospina.

No segundo tempo, uma série de mexidas de Del Bosque começou a mudar a postura dos jogadores rojos. A começar pela trocas entre Cazorla por Xavi e Jesus Navas por Iniesta, que saiu ovacionado pelos aficionados presentes no Bernabéu. A entrada do jogador amarillo deu mais mobilidade ao jogo espanhol, que parecia preso com os maestros Xavi e Xabi Alonso juntos. Pedro passou a jogar mais na esquerda e Jesus Navas na direita, caindo nas costas de Pablo Armero, que subia ao ataque sempre com perigo na esquerda.

A mudança na postura foi nítido, mas faltava ainda ser mais incisivo. A Colômbia, por sua vez, crescia na partida e Piqué, Albiol e, principalmente, Casillas passaram a trabalhar em dobro. A mudança mais providencial foi quando Del Bosque sacou Xabi Alonso para colocar David Silva. Com gás novo em campo, a Espanha passou a jogar mais em contra-ataque e arriscar de fora da área. Mais participativo do que o jogador do Real Madrid, David Silva tornou-se o herói da partida. Após receber de Cazorla, Jesus Navas, em sua típica jogada individual, "sambou" na frente de Armero, levou para linha de fundo e cruzou para o desvio do jogador citizen, que venceu Ospina e aliviou a torcida roja, que já começava a ficar impaciente.

No final do jogo, Vicente Del Bosque foi seco ao ser perguntado por uma repórter da TVE sobre a postura de seus comandados na partida: "Não fizemos uma boa partida, mas o que importa é jogar bem nas eliminatórias", argumentou. A bem da verdade, o treinador madrileño tem parcela de razão, mas vale lembrar que os adversários enfrentados nas Eliminatóriras para a Euro de 2012 foram, com exceção da Escócia, de extremo baixo nível (Liechtenstein, Escócia e Lituania), diferentemente dos enfrentados nos amistosos pós-Copa (México, Argentina e Portugal), onde a a seleção só foi sair vitoriosa de campo hoje.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Futebol, cadê?

A noite foi dele: sumido no confronto da Copa, Cristiano Ronaldo, em apenas 45 minutos em campo, espalhou pane na defesa espanhola (getty images)


Após o inédito título mundial ser festejado com muita empolgação durante quase um mês, já está chegando a hora de a Espanha abrir os olhos. No pós-Copa, foram cinco jogos, com duas derrotas (acachapantes), um empate e duas vitórias. Ainda que as vitórias tenham sido conquistadas em jogos oficiais (contra Liechtenstein e Escócia), as duas derrotas, em amistosos contra Argentina e Portugal, foram as mais comentadas. Não só por causa das goleadas sofridas por 4 a 1 e 4 a 0, mas, sim, pela postura com a qual se comportou a equipe de Vicente Del Bosque. A derrota contra a albiceleste pode se minimizar pelo fato de a Espanha ter jogado com um time misto, e com desfalques significativos à equipe (mas vale lembrar que Villa, Iniesta e Xavi estavam em campo). Porém, hoje contra Portugal não tem desculpas: a atual campeã mundial e europeia foi encurraladas pela rival ibérica e saiu do estádio da Luz humilhada, em uma de suas piores partida nos últimos anos . Desde 1942 que a seleção roja não sofre uma goleada desta maneira.

Se o jogo era de demonstração de união entre Espanha e Portugal em prol da candidatura para receber a Copa de 2018, os cartolas dos dois países esqueceram de avisar os jogadores das duas equipes. Já pilhados pela proximidade do superclássico entre Barcelona e Real Madrid, daqui a dez dias, espanhóis (predominantemente barcelonistas) e portugueses (principalmente Cristiano Ronaldo) jogavam o amistoso como se fosse decisão. O amistoso foi muito pegado, principalmente por conta da rivalidade entre os seis barcelonistas da Espanha e o merengue/português Cristiano Ronaldo, há duas semanas do superclássico no Camp Nou.

O '7' do Real Madrid, aliás, teria feito um gol histórico no primeiro tempo se Nani não tivesse tentado ser coadjuvante da obra-prima, cabeceado a bola em cima da linha e permitido que o gol fosse anulado por impedimento do camisa 17. Pouco depois, Cristiano Ronaldo voltou a brilhar: deu um elástico em Busquets e fez a jogada que deu início ao primeiro gol do jogo, de Carlos Martins. Na segunda etapa, Portugal ainda ampliou com dois gols de Hélder Postiga, o primeiro deles um golaço, de letra. No fim, João Moutinho fez o quarto. Com um ataque leve, os donos da casa, agora comandados por Paulo Bento, em nada lembraram a equipe da Copa, menos criativa, comandada por Carlos Queiroz. O mesmo pode-se dizer da campeã do mundo Espanha, que se acostumou a ter mais posse de bola e impor o seu ritmo de jogo, mas que nesta quarta-feira praticamente só viu os donos da casa jogarem.

Antes do jogo, em raro momento de amistosidade no estádio da Luz, Cristiano Ronaldo e Casillas, capitães dos dois times, se uniram pela campanha para que os dois países recebam a Copa do Mundo de 2018. “Juntos, vamos todos apoiar a candidatura ibérica”, falaram ao mesmo tempo, cada um em seu idioma. A decisão da Fifa será anunciada no próximo dia 2 de dezembro. Concorrem ainda a Rússia, a Inglaterra e a candidatura conjunta de Holanda e Bélgica.

O jogo
Logo com 6min de jogo, Busquets fez falta dura em Cristiano Ronaldo e foi punido com o amarelo. Na jogada seguinte, o português entrou forte no barcelonista na lateral do campo e também recebeu a advertência. A partida não apenas era pegada como também bem jogada. Sem poupar titulares, como fizeram algumas das principais seleções europeias nesta quarta-feira de amistosos internacionais, Espanha e Portugal fizeram uma partida movimentada desde o seu início. No primeiro ataque, Nani recebeu bom passe de Cristiano Ronaldo, bateu cruzado, e Casillas defendeu. A Espanha compensou com chute de Iniesta que passou rente à trave esquerda de Eduardo. Mas, com Nani e Cristiano Ronaldo em noite inspirada, Portugal era melhor e quase abriu o placar aos 20min. O jogador do Manchester United fez boa jogada e lançou Postiga, que saiu na cara de Casillas e chutou em cima do goleiro.

A um gol de se tornar o maior artilheiro da história da seleção espanhola, David Villa aparecia pouco e foi David Silva que teve a melhor chance de colocar a Espanha à frente. Capdevilla cruzou e o baixinho cabeceou sozinho no meio da área, mas pegou mal na bola e mandou para fora. Depois, só deu Portugal, que só não abriu o placar com um gol memorável de Cristiano Ronaldo por conta da falta de inteligência de Nani. O craque português deixou Piqué (que nos últimos confrontos - inclusive na Copa do Mundo - levou a melhor sobre o gajo) sentado pela esquerda da área e deu uma linda cavadinha para encobrir Casillas. A bola ia entrando quando o camisa 17 cabeceou para as redes. Alegando impedimento, Antony Gautier anulou erradamente o gol de Portugal – Nani tocou na bola já dentro do gol e Piqué, no chão, lhe dava condição de jogo.

No lance seguinte, Nani e Piqué se redimiram. O português fez ótima jogada pela direita e cruzou na medida para Carlos Martins, que pegou em cheio na bola. O blaugrana, em cima da linha do gol, salvou de cabeça. Aos 44min, não deu mais pra segurar o leve ataque de Portugal. Cristiano Ronaldo deu lindo elástico em Busquets e bateu forte. Casillas defendeu e, no rebote, Carlos Martins abriu o placar. Para o segundo tempo, as duas seleções voltaram muito modificadas. Depois 45min de show, Cristiano Ronaldo deu lugar a Danny. Ricardo Carvalho e o goleiro Eduardo também saíram. Pela Espanha, Xavi, Villa e Piqué saíram e foram substituídos à altura por Fàbregas, Fernando Torres e Marchena

Quem se manteve melhor, porém, foi Portugal, que ampliou aos 3min. Danny lançou João Moutinho pela esquerda. Este cruzou rasteiro para Hélder Postiga, que mostrou categoria, passou pela bola, e marcou de letra. Golaço. Nani também quis fazer um belo gol, até para compensar o que tirou de Cristiano Ronaldo. Saiu na cara de Casillas e tentou a cavadinha, dando a bola na mão do goleiro do Real Madrid. Sempre superior, Portugal fez o terceiro aos 22min, com a mesma sequência do segundo gol. De Danny para João Moutinho e dele para Postiga, que saiu na cara de Casillas e teve sangue frio para tirar do goleiro e ampliar.

Prevendo a impossibilidade de empatar, os espanhóis recuaram, testaram reservas, ouviram muito olé das arquibancadas do estádio da Luz e acabaram levando o quarto gol nos acréscimos, marcado desta vez por João Moutinho, que atravessou todo o campo de ataque com a bola e bateu na saída de Casillas para decretar a goleada.