Mostrando postagens com marcador David Silva. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador David Silva. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Assustador

 O dono da bola: Iniesta trouxe o protagonismo para si, foi eleito o melhor jogador da Eurocopa e dá a volta por cima após uma turbulenta temporada (getty images)

Pode parecer exagero, mas o título que encabeça esse texto tem tudo a ver com o futebol da Espanha. Bastante criticado durante toda a Eurocopa, taxado de pragmático, chato e sonolento até mesmo pela imprensa espanhola, a Fúria deixava no ar uma interrogação: seria capaz de vencer e convencer? Pois bem, o tri-campeonato europeu, o segundo consecutivo (algo inédito na história da competição), serviu para jogar todas as argumentações anti-Espanha por ladeira abaixo. A Roja venceu, convenceu e foi campeã. Em sua melhor exibição em terras ucranianas, a equipe treinada por Vicente Del Bosque deu um enorme passo rumo à galeria dos maiores do esporte. Os 4x0 ante a Itália, tetra-campeã mundial, representa muito bem o poderio absurdo desse grupo.

Em campo, Del Bosque repetiu a mesma escalação que usou contra a mesma Itália na estreia na Eurocopa. Um onze inicial que, semanas atrás, criou dúvidas quanto ao estilo de jogo espanhol e gerou críticas ao treinador. Porém, o campeão mundial e agora europeu deu andamento ao que faltava: a ousadia. Se é para comparar, como a imprensa espanhola tanto gosta de fazer, a Espanha da final lembrou aquela avassaladora que conquistou a Eurocopa em Viena há quatro anos. Foi incisiva, utilizou bastante seus pontas, com destaque para a grande partida de David Silva, viu em Fàbregas um falso nove de excelente nível e, sobretudo, teve em Xavi seu principal articulador. 

O dono da camisa oito foi outro nome que decepcionava na competição. Como o blog já previa, o fato de Del Bosque adiantá-lo para um setor do meio-campo onde não estava acostumado a jogar foi um dos principais fatores para seu mau futebol no torneio. Além disso, o cansaço de uma temporada para lá de cansativa com o Barcelona e o surgimento de novos problemas físicos valeram para Xavi não mostrar nem 80% de seu futebol. Ele mesmo admitiu antes da bola rolar que se sentia um pouco decepcionado com suas exibições. "Gostaria de poder ajudar mais", disse. Na coletiva pré-jogo, porém, os múltiplos elogios de Del Bosque, que mostrou confiança no cérebro da equipe, valeram para seu futebol aparecer. Xavi tomou conta do meio-campo, assistiu Alba e Fernando Torres, cadenciou o jogo e, além disso, tomou conta de Pirlo durante os 90 minutos.

Os grandes trunfos da Roja para parar a Azzurra foram congestionar o meio-campo para evitar a superioridade numérica do losango italiano, alternar Xavi e Fàbregas no cerco a Pirlo e combinar retenção de bola e verticalidade, arriscando mais o passe longo e as ultrapassagens, utilizando bastante das infiltrações, algo que tanto faltava nessa equipe. Tanto que não houve o habitual controle da posse de bola (apenas 53% na primeira etapa e 57% no total), com mais erros de passe e equilíbrio nas conclusões enquanto houve disputa. Os acertos compensaram. A objetividade ficou em primeiro plano. Como bem disse André Rocha, a fantástica atuação não isenta e até enfatiza as críticas ao futebol apresentado nas fases anteriores. Uma verdade. De acordo com Cesare Prandelli, treinador da Itália, a Azurra sentiu problemas físicos, por falta de descanso - vide Chiellini, que chegou lesionado à Euro e se machucou outras duas vezes durante o torneio.

Um título que acrescenta ao currículo respeitável de Vicente Del Bosque a única competição que lhe faltava. Como treinador, o madrilenho pode ser orgulhar de ter conquistado Champions League, Copa do Mundo e Eurocopa, uma trinca desejável por qualquer técnico do planeta. Além disso, pelo Real Madrid, Del Bosque conquistou duas Ligas Espanholas e um Mundial de Clubes. Um título que mostra, de vez, ao mundo o talento de Jordi Alba. O melhor lateral esquerdo da competição abusou do bom futebol e mostrou-se sócio perfeito de Iniesta no setor esquerdo. A dupla, agora, irá se encontrar mais vezes em campo, visto que Alba retornou ao Barcelona. Mais um motivo para temer o time azulgrená e tentar achar mais motivos para pará-lo.

Mas quem merece um parágrafo à parte nessa conquista é justamente Iniesta. Após passar por uma temporada irregular onde as lesões novamente voltaram a atazaná-lo, o meio-campista brilhou. Eleito pela Uefa o MVP da Eurocopa - com justiça, diga-se de passagem -, Iniesta foi o ponto de equilíbrio da Fúria e voltou a ratificar sua importância para a seleção. "O homem mais querido por toda a Espanha"se destacou em todas as partidas da Roja no torneio, sem exceção. É um merecido prêmio a um jogador extremamente profissional, avesso às câmeras, humilde, que só pensa no trabalho. "Não jogo para ganhar Bola de Ouro, e sim para ganhar títulos com meu país e meu clube", afirmou na zona mista. Mas você merece, Don Andrés Iniesta.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

O 12º jogador

 No gol de Jesus Navas, Fàbregas foi dono de 90% da jogada (getty images)

Cesc Fàbregas chegou à Eurocopa como coadjuvante. Vindo de uma temporada onde se esperava que brilhasse mais no Barcelona, a expectativa era de ser reserva durante a competição. No entanto, Del Bosque surpreendeu a todos e começou o jogo de estreia contra a Itália com o catalão titular, cumprindo o papel de falso nove, bem longe de sua posição de origem. Cesc, que chegou a atuar assim em poucos jogos durante o início de 2011/2012, se sentiu claramente incomodado. Não cumpriu a função com excelência, mas marcou o gol que deu o empate à Fúria. Foi sacado da equipe titular no jogo seguinte contra a Irlanda, viu Fernando Torres anotar dois, mas, quando entrou em campo, também não passou em branco.

Contra a Croácia, Fàbregas voltou a sentar no banco. Viu, durante mais ou menos 75 minutos, a Croácia pressionar a Espanha e Fernando Torres passar despercebido no ataque. Sua entrada no lugar de um apagado Silva mudou os rumos da partida. Cesc, que havia desperdiçado boa oportunidade logo em seu primeiro toque na bola, se redimiu. Ele dominou a bola na intermediária, observou a passagem de Iniesta e tocou por cima, desmontando uma confiante e forte defesa croata. Iniesta dominou e, cara a cara com Pletikosa, rolou para Jesus Navas estufar as redes livres, dar a vitória à Espanha e tirar a equipe do caminho da Alemanha nas semifinais. O gol foi do andaluz e a assistência do camisa seis, mas o protagonista da jogada foi o catalão que vesta a camisa 10.

Impussionado pela temporada excelente de David Silva, que foi um dos destaques do Manchester City no título da Premier League, competição na qual Fàbregas não conseguiu levar o Arsenal à taça, era de se esperar que o barcelonista fosse relegado ao banco. Entretanto, tem quebrado qualquer tipo de desconfiança. Com Silva sentindo o peso de uma temporada cansativa, onde já havia caído de rendimento ao longo do segundo semestre, Cesc tem tomado o protagonismo que deveria ser do canário. Mais uma vez decisivo, não será surpresa se aparecer como titular ao lado de Fernando Torres mas no lugar do ex-ché nas quartas-de-finais.

Se ainda pode jogar em um nível superior ao apresentado nesta Euro, Fàbregas ao menos não tem decepcionado. Hoje, por exemplo, seria perfeitamente plausível ele aparecer em sua posição original no meio-campo no lugar de Xavi, outro que sente claramente o cansaço de uma temporada cansativa. As atuação do culé na referência do ataque mostra que ele é mestre no improviso, característica que Vicente Del Bosque mais gosta. Pelo menos pela Roja, Cesc nunca decepciona. Na Eurocopa de 2008, havia sido decisivo contra Itália e foi dono de um excelente jogo contra a Alemanha na final. Na Copa de 2010, foi dele a assistência para o gol de Iniesta. Agora, sabe que é a primeira escolha do treinador, chama a responsabilidade e faz Euro positiva (Iniesta, Casillas e Fàbregas foram os melhores da Espanha na fase de grupos). A Fúria tem um 12º jogador.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Aprendeu, Del Bosque?

 "Dois gols tá bom ou você quer mais?", poderia ter dito Fernando Torres a Del Bosque (getty images)

Antes da estreia na Eurocopa contra a Itália, Vicente Del Bosque se expressou utilizando todas as palavras: não usaria o modo Barcelona de jogar, com um falso nove. Puro blefe. Abdicou de Llorente, Fernando Torres e Negredo e foi a campo com Fàbregas na referência. O meio-campista do Barcelona (meio-campista, é bom deixar claro) marcou, mas a Roja penou para bater a meta defendida por Buffon. Só marcou porque abusou de seu estilo de jogo na jogada, com troca de passes e triangulação entre Iniesta, David Silva e Fàbregas. Minutos depois, Vicente sacou Cesc e colocou Fernando Torres. Em menos de 30 minutos, El Niño criou três oportunidades claras de gols. 

Não obstante, o treinador campeão mundial recebeu uma chuva de críticas após o duelo. Até José Mourinho e Luis Aragonés trataram de criticar a escalação inicial. O madrilenho manteve a calma e até acenou com a possibilidade de atuar novamente com a mesma escalação ante a Irlanda. Novamente, puro blefe. Dessa vez, positivo. Em relação ao jogo contra os italianos, uma única mudança: saiu Fàbregas e entrou Fernando Torres. Uma troca substancial. Não que Fàbregas seja mau jogador, muito longe disso. Acontece que não há como escalá-lo como centroavante. É abdicar das principais características dele. Fica longe da fluência de jogo no meio-campo, do tiki-taka feito pelo setor e, principalmente, da armação das jogadas, que, a bem da verdade, foi muito bem feita por Xabi Alonso contra a Irlanda.

A seleção de Trapattoni nada pôde fazer para segurar o ímpeto espanhol. Conhecido por armar bem uma boa retranca, como um bom e velho italiano, o treinador vê seus comandados decepcionarem. A Irlanda da Eurocopa é a antítese daquela das Eliminatórias. Sentindo o peso da competição, atua em um baixo nível e não consegue segurar os ataques rivais. Havia sofrido com os contra-ataques da Croácia e perdeu a cabeça ante o jogo de troca de passes espanhol. "Foi um golpe psicológico", como apontou José Capdevila, editor-chefe do Diário Sport. Daniel Leite, colunista de futebol inglês do IG, escreveu bem sobre a seleção e a definiu perfeitamente: Trapattoni prioriza a experiência em detrimento do talento. Em momento algum sabe o que fazer com a bola nos raros momentos em que a tem nos pés. Sai do torneio de forma decepcionante, já que o ferrolho que a caracterizou nas eliminatórias não foi eficiente em momento algum. 

Para a Espanha, valeu por três nomes. David Silva reencontrou seu bom futebol. Marcou uma vez e assistiu duas. Dos cinco gols espanhóis em solo ucraniano, participou de quatro. Ainda pode aparecer mais, mas sua evolução é notória. Há duas semanas, escrevi que ele, junto a Iniesta, seriam os candidatos a destaques da seleção e da competição. Quem começa a entrar nessa galeria é justamente o blaugrana. O melhor em campo contra a Itália voltou a repetir uma exibição positiva. Driblou, tocou, chutou. Para esse colunista, é, ao lado de Schweinsteiger, Pirlo e Dzagoev, o craque dessa edição da Eurocopa. 

O maior destaque, contudo, não poderia ser diferente de Fernando Torres. Há dois meses, tinha sua participação na competição colocada em xeque. Após uma temporada negra no Chelsea, sua reta final teve lampejos do velho Torres. O gol contra o Barcelona em pleno Camp Nou, pelo visto, valeu para recuperar a confiança de um dos melhores matadores dos últimos anos. Dentro das quatro linhas, ratificou a confiança de Del Bosque. Se movimento, saiu de fora da área várias vezes para participar das linhas de passes, abria espaço para as infiltrações de Iniesta, Silva e Xavi e marcou duas vezes. Sua boa partida é uma excelente notícia para a Espanha. Agora, a Roja pode contar com um centroavante de confiança e parar de ver as improvisações de meios-campistas no ataque. Com quatro pontos, joga por um empate contra a Croácia para avançar de fase.

domingo, 10 de junho de 2012

O erro de Del Bosque

 Vicente Del Bosque sério: no momento, não há motivos para risadas (getty images)

Enquanto treinador da seleção brasileira, Dunga fora severamente criticado por abraçar seu grupo e não fazer mudanças nele de jeito nenhum, não importando a fase de outros jogadores. O treinador, também, era bastante criticado por não repensar nos seus ideais, mesmo estando fora de validade. No Hemisfério Norte, há quem viva situação semelhante. A imagem de Vicente Del Bosque com os meios de comunicações espanhóis, antes mesmo da Eurocopa começar, não era das melhores, mas o fato da Fúria vencer, mesmo não convencendo, blindava e escondia as críticas. Bastou uma jogo fora do eixo para isso explodir.

Durante a semana, especulava-se bastante sobre como o treinador madrilenho iria a campo para encarar a Itália. Em sua primeira coletiva em solo ucraniano, Del Bosque chegou a afirmar que o Barcelona é uma de suas inspirações, mas que não copiaria todo o estilo de jogo blaugrana, sobretudo o fato de usar um falso nove (no caso do Barça, Lionel Messi), pois queria um centroavante de velocidade para poder entrar em sincronia com os meio-campistas nos contra-ataques, principalmente. A declaração chamou a atenção e deixou mais dúvidas no ar: se Fernando Torres e Llorente não se encaixam nesse perfil de referência proposta pelo treinador, Negredo, sua última opção, começaria jogando? O Mundo Deportivo chegou a confirmar a escalação da Roja com o andaluz, o que levava a um novo debate: se, no Sevilla, suas atuações mais abaixo do nível foram jogando exatamente como única referência, qual motivo levaria Del Bosque a utilizá-lo nessa posição num jogo importante de Eurocopa? E outra: se a proposta de jogo, a partir de agora, seria essa, por que o corte de Soldado, que se encaixe perfeitamente nesse estilo?

Porém, tudo não passava de um blefe. Mesmo desmentindo, a escalação inicial não teve nenhum atacante. O madrilenho foi a campo com Fàbregas de falso nove, surpreendendo a muitos. Uma escalação bastante controversa, principalmente pelo fato da Espanha ter criado muito poucas ocasiões na primeira etapa. Apesar de ter feito o gol (que, vale comentar, pareceu de um centroavante), Fàbregas parecia perdido. No Barcelona, chegou a ser testado por Pep Guardiola na posição duas vezes, onde não saiu-se bem. O próprio Del Bosque tem o exemplo negativo, quando utilizou David Silva na posição contra a Inglaterra na derrota por 1x0. O "4-6-0 ", dito por Muricy Ramalho, de fato não dá certo na seleção espanhola. Talvez para tentar surpreender Cesare Prandelli, treinador da Itália, Del Bosque tenha optado por essa escalação, que não deve ser iniciada contra a Irlanda.

A imprensa europeia, no geral, foi contra a falta de referência e até personagens como José Mourinho e Luis Aragonés criticaram o futebol exercido pela Roja. " Não é bom só toque de bola entre Xavi, Iniesta e Cesc sem que se crie uma ameaça a Buffon. É claro que houve um grande esforço dos meias espanhóis, mas sem um centroavante a Espanha teve um ataque estéril", disse o português. Para Aragonés, a fórmula de um falso nove funciona no Barcelona porque Messi é o jogador utilizado para desempenhar a função. O treinador campeão com a Fúria foi sintético e claro em suas declarações. Mesmo tendo desperdiçado três oportunidades, o uso de Fernando Torres (ou Llorente) é obrigatório. El Niño pode não ter feito gol, mas a zaga da Itália entrou em apuros depois que ele entrou. Referência ofensiva deixou De Rossi perdido. O jogador da Roma fez um primeiro tempo impecável e foi o melhor em campo ao lado de Iniesta, que recebeu a honraria da Uefa.

O preciosismo espanhol na hora da arremate final também foi um ponto negativo. A Espanha foi técnica e envolvente, mas quase sempre preferiu o passe ao chute. Xavi, Iniesta, Fàbregas e Silva entravam tocando e promovendo intensa movimentação, mas demoravam a concluir. Algo que vem chamando a atenção desde a Copa do Mundo, mas que Del Bosque insiste em continuar deixando passar batido. Diante de uma Itália que defendia no 5-3-2 – com De Rossi na sobra da zaga e os laterais Maggio e Giaccherini mais contidos – e só arriscava nos passes longos de Pirlo para Balotelli e Cassano, a campeã europeia e mundial não encontrava soluções ofensivas. Com  Arbeloa e Jordi Alba muito conservadores no apoio e Xabi Alonso organizando de trás, não havia o elemento surpresa para desmontar a marcação. 

Xavi, fora de sua posição no 4-3-3 espanhol, passou despercebido. Quem também decepcionou foi David Silva. Apesar da assistência linda para Cesc marcar, o camisa 21 pode atuar melhor do que ontem. Outro emblema da seleção é o fato de não aproveitar uma das principais jogadas do Barcelona. Enquanto os blaugranas são avassaladores e esmagam seus adversários por aproveitaram, à perfeição, as entradas em diagonais e as infiltrações pelos flancos, na Fúria a jogada inexiste. Para muitos, o principal motivo para os catalães golearem e a Fúria ser mais pragmática. Quinta-feira, a Espanha volta a campo e espera espantar todas as dúvidas colocadas em xeque após o empate na estreia. Enquanto isso, as dúvidas também permanece sobre a escalação. Del Bosque vai fazer jus às palavras e não jogar com um falso nove?

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Nos pés de David e Andrés

 Iniesta e David Silva chegam à Eurocopa como principais esperanças de título espanhol (telegraph)

O último teste da seleção espanhola antes da Eurocopa serviu para ratificar uma máxima que vem acontecendo com frequência na Fúria: atualmente, seus principais jogadores são David Silva e Andrés Iniesta. Foram eles que construiram a vitória sobre a China por 1x0. Iniesta, que entrou no segundo tempo, se infiltrou pela esquerda, como há tempos não fazia, e tocou para Silva finalizar de primeira. Um chute seco, com a canhota, que, contudo, ainda deixa dúvidas quanto ao estilo de jogo espanhol.

Uma reportagem especial do Marca trouxe à tona uma verdade: dentre as principais seleções europeias, a Fúria é a menos goleadora. Algo que vem acontecendo desde quando Del Bosque assumiu a Espanha, precisamente no período da Copa. Na África do Sul, vale lembrar, a seleção só venceu uma partida por dois gols de diferença (contra a Honduras). No restante, vitórias apenas por 1x0 contra Portugal, Paraguai, Alemanha e Holanda e um 2x1 no último jogo da fase de grupos contra o Chile. Não obstante a uma Fúria mais pragmática, a ausência de Villa influi mais para isso. Ainda que tenha preferência por Fernando Torres e El Niño tenha recuperado pontos após o gol contra a Coreia do Sul, ontem o treinador madrilenho iniciou com Negredo. É, segundo o Marca, o preferido de Del Bosque para iniciar contra a Itália, no próximo domingo, acredite se quiser. Mas o andaluz não é um centro-avante de ofício que fica mais preso à área, como Torres ou Llorente. Entretanto, é, entre os quatro atacantes do elenco, o que mais se aproxima do estilo de jogo de Villa. Mas leva a um novo debate: pelo esquema tático utilizado, não seria preferível o atacante do Athletic Bilbao ou o do Chelsea? Negredo, quanto testado, não se saiu bem como referência do Sevilla. Suas melhores atuações foram jogando ao lado de Kanouté.

O estilo de jogo da Fúria é baseado no toque de bola e na paciência para chegar as redes. Nesse quesito, quem acelera as jogadas são justamente Silva e Iniesta, os extremos do 4-3-3 espanhol. Embora limite seu futebol, é perfeitamente possível entender o que se passa na cabeça de Del Bosque quando adianta Iniesta à ponta esquerda. O madrilenho quer ganhar mais força no meio-campo, escalando Xabi Alonso e Busquets juntos. Porém, paradoxalmente, o setor fica pesado e retira Xavi da parte do campo onde mais gosta de atuar: a ligação meio-ataque. Vicente até tentou barcelonizar a Fúria, mas não durou muito tempo. Nesse módulo tático, Xavi cumpre um papel semelhante ao de Iniesta no Barcelona, com a criação das jogadas ficando, principalmente, com Xabi Alonso. Não que Xavi não crie, lógico, mas os ataques, na maioria das vezes, são orquestrados pelo volante merengue.

Diferentemente do que acontece com Iniesta, Silva não sente uma queda no seu futebol quando atua mais adiantado do que de costume. O homem de 14 assistências na Premier League, o líder no quesito, consegue se adaptar à sua função na seleção. No Manchester City, Silva normalmente exerce um papel duplo, de criação de jogadas e recomposição para marcar um dos laterais adversários, como fazia Juan Mata com André Villas-Boas no Chelsea. Seu nível caiu demais entre janeiro e abril, quando era substituído com freqüência, mas não deixou de ser o principal jogador espanhol na temporada, empatado ou até um pouco à frente de Xavi, que caiu de produção na reta final. Na Fúria, o canterano ché começa a ganhar um novo peso: de protagonista. Ante coadjuvante, seus jogos após a Copa do Mundo o fizeram ganhar moral com Del Bosque, que o relegava ao banco, mas não teve como resistir. Suas últimas atuações com a Espanha foram tão acima da média que a imprensa espanhola passou a chamá-lo de Messi da Roja.

A entrada de Iniesta no segundo tempo do jogo contra a China evidenciou que ele é o parceiro ideal de Silva. Os dois trocaram tabelas, se aproximaram muito para construírem jogadas e aumentaram as ocasiões de gols espanhol, escassas na primeira etapa. Quem se beneficia desse modo de jogar da dupla é Xavi. O maestro barcelonista, no caso, pode ficar menos sobrecarregado possível e, se as atenções da marcação adversária caírem em cima de Silva e Iniesta, ficar mais livre para atuar. Um possível revezamento com Xabi ou a entrada de Mata ou Fàbregas para recuar o barcelonista à sua posição de origem seria importante numa hipotética decisão de Del Bosque.

sábado, 3 de março de 2012

O novo peso de Silva

David Silva passou de ator secundário a protagonista com Vicente Del Bosque (getty images)

Na Eurocopa de 2008, David Silva foi um dos destaques da Espanha. Sempre aberto à direita no 4-4-2 de Aragonés, deu duas assistências e marcou um gol, sendo protagonista na partida contra a Rússia, pela semifinal. Após a chegada de Vicente Del Bosque, porém, o destaque do meio-campista diminuiu. Foi relegado ao banco junto com Marcos Senna - que, aliás, nem para a seleção voltou mais - em prol da titularidade de Busquets e Xabi Alonso na volância. Na Copa do Mundo, nem quando Fernando Torres foi sacado do onze inicial ganhou sua chance: Del Bosque optou por Pedro.

Em entrevista concedida ao Marca em setembro de 2011, David Silva revelou estar magoado com o treinador. "Sinto que Del Bosque não conta comigo. Muitas vezes jogo em alto nível, mas não sou testado na equipe titular. Talvez porque não jogo em Barcelona e Real Madrid. Há muitos meios-campistas bons. E isso é muito bom, excelente! Não reclamo que eles sejam elegidos para jogar, não discuto a escalação inicial. Analiso minha situação e não estou contente. E, pelo visto, isso não vai mudar". Cinco meses depois, a presença do canário no onze titular é indiscutível. Silva vai à Eurocopa como titular. Acima de tudo: como protagonista.

Silva tem ganhando moral em âmbito europpeu desde o início da temporada passada, quando arrebentou na Premier League. A estrela do Manchester City ganhou mais status, e atuações impecáveis o transformaram no melhor jogador da competição. Hoje, Silva é a estrela. Na temporada, foram 12 gols e 18 assistência. O homem do meio-campo citizen ganhou a confiança de Del Bosque. No entanto, ele teve de trabalhar para inverter sua reputação. O treinador de Madrid não contestava o potencial, mas os hoje ansiosos por sua presença já foram céticos. A Copa das Confederações marcada pela eliminação na semifinal contra os Estados Unidos teve Silva titular em boa parte das partidas. Foi ali que El Mago começou a perder sua moral com Del Bosque. Titular no lugar de Iniesta, cortado por lesão, deixou a desejar.

Silva já um dos o principais jogadores do City ao lado de Agüero e Yaya Touré e começa a construir esse ciclo na seleção espanhola. Ante a Venezuela, no amistoso da última quarta-feira, foi espetacular. Ok, havemos de concordar que o adversário não é dos melhores tecnicamente, mas a Silva não interessa se o adversário for a Alemanha ou a Venezuela. Seu jogo não muda nunca. Justifica-se o porquê de Alex Ferguson ter tentando até o último instante sua contratação em 2010. Em nova entrevista ao Marca, logo após a partida contra a vinotinto, suas declarações foram diferentes. "A sensação de se sentir importante é única. Estou numa equipe que aspira a títulos, com grandes jogadores, e isso influi muito. À medida que os anos passam, sinto-me mais maduro e seguro o suficiente para fazer certas jogadas", finalizou. A Eurocopa é a chance de sua consagração definitiva.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Passaporte para a Euro

Os 3 gols de Soldado carimbam seu passaporte à Eurocopa (getty images)

Foi bem simples. Estreando roupa nova, a Espanha goleou uma frágil Venezuela por 5x0, com gols de Silva, Iniesta e Soldado (3). Envolvido pela posse de bola e pelas contundentes jogadas ofensivas espanholas, a vinotinto pouco lembrou aquela seleção promissora que, há pouco menos de quatro meses, derrotou a Argentina de Messi e é uma das favoritas a copar uma vaga na próxima Copa do Mundo. Relembramos: em junho passado, a mesma Venezuela foi derrotada pela Espanha por 3 x 0, em jogo disputado em Nova York. Com a manita, a Fúria de Del Bosque torna-se a mais goleadora da história. Os 131 gols em 52 partidas ultrapassam os 126 tentos em 62 partidas da Espanha de Javier Clemente, atual técnico do Sporting Gijón que treinou a seleção entre 1992 e 1998. Outro feito, talvez até mais destacável, envolve o capitão. Casillas chegou a 72 partidas sem sofrer gols, igualando o feito do holandês Van Der Sar. A excelente atuação roja em Málaga deixa cinco certezas.

1) Sem Villa, vai predominar o 4-2-3-1. A escalação inicial que contou com Busquets protegendo a defesa e Xabi Alonso ajudando na criação numa linha atrás de Silva aberto à direita; Iniesta, à esquerda, e Fàbregas, centralizado, ratificou a ideia de que o 4-3-3 visto nas Eliminatórias só será utilizado no retorno de Villa. No momento é a ideal sem a presença do Guaje e contando com o retorno de Xavi. Mas Del Bosque terá problemas. Xavi e Iniesta são titulares absolutos, mas quem vai deixar o onze inicial: David Silva ou Fàbregas?

2) Iniesta merece um capítulo à parte. Já ficou comprovado que quanto atua aberto à esquerda mas na última linha ofensiva seu futebol é burocrático. No meio-campo, auxiliando o atacante, sempre dá espetáculo. Marcou um gol e ofereceu, mais uma vez, mostras de sua qualidade. Saiu de campo ovacionado por um povo que o tem como herói. É verdade que a temporada 2011/2012 de El Albino, muito por causa das lesões, tem sido abaixo da média, mas o bom futebol mostrado hoje pode elevar sua moral. Silva foi seu principal sócio.

3) Há três semanas, em uma entrevista ao site da Uefa, Fàbregas afirmou que sente um pouco a pressão de ser o sucessor de Xavi tanto no Barcelona quanto na Espanha. Cesc disse que não tem a "paciência" que o camisa oito blaugrana tem para armar uma equipe e aproveitou para deixar claro que "não sabe a hora" de tocar para o lado ou lançar para o atacante. Guardiola, de fato, não tem escalado muito Fàbregas na posição de Xavi, mesmo no momento de ausência, optando por Thiago Alcântara. Mas a sensação é de evolução. Quando escalado contra o Valencia, pela Copa do Rei, fez uma partida nota 5,5. Contra o Bayer Leverkusen, já foi melhor, dando até uma assistência preciosa para Alexis Sánchez marcar vinda do setor do campo onde Xavi mais gosta de atuar. Hoje, contudo, Fàbregas ditou o ritmo da partida. Ficou só na distribuição, à Xavi, onde todas as bolas passavam pelo seu pé. Resultado: duas assistências.

4) A lateral esquerda tem novo dono: Jordi Alba. Com a preferência de Capdevila de ir se "esconder" em Portugal, Del Bosque fechou as portas da seleção para o ex-Villarreal. Azpilicueta e até Arbeloa passaram pela lateral nos primeiros jogos, mas quem mais aproveitou-se do fato foi o jogador ché. Já havia sido elogiado pela imprensa após o jogo contra a Inglaterra, mas hoje confirmou que, salvo algum imprevisto, vai à competição europeia como dono da posição. Hoje, apareceu em, praticamente, todos os ataques pelo setor esquerdo.

5) O nome mais falado após o amistoso foi o de Roberto Soldado. Seu debut com Del Bosque não poderia ter sido melhor. O hat-trick representa não só o primeiro jogador da história da seleção espanhola a sair do banco de reservas e marcar três gols, mas sim que foi lhe dado o passaporte para a Eurocopa. Só não vai à Euro por lesão ou algum outro imprevisto. A depender do estado de Villa, pode chegar até como titular: se, por um lado, Llorente não aproveitou a chance que lhe foi dada, Soldado, além de marcar três gols, se movimentou com contundência, batalhou pela bola mesmo com a partida já ganha, tabelou com os meio-campistas. "Del Bosque pediu para que eu jogasse como no Valencia", revelou na zona mista. Seus companheiros estão felizes por ele. Enquanto isso, quem se lamenta é Fernando Torres. Já discutimos, mas é bom lembrar: há espaços para El Niño Torres na Eurocopa?

domingo, 13 de novembro de 2011

Malditos amistosos

Espanha controlou o jogo contra a Inglaterra, mas faltou o gol. Se tem ido bem nos jogos oficiais, nos amistosos a Fúria vai mal (AS)

A Espanha voltou a falhar em um amistoso contra uma seleção de grande expressão após o título mundial em 2010. Em Londres, no Wembley, palco da decisão da Liga dos Campeões da Uefa 2010/2011 entre Manchester United e Barcelona, os espanhóis foram derrotados pelos donos da casa por 1 a 0, gol de Lampard no começo do segundo tempo. A notícia boa referente à partida ficou pela marca histórica alcançada por Casillas, que jogou apenas nos primeiros 45 minutos e igualou o número de jogos de Andoni Zubizarreta (126) com o uniforme rojo.

A escalação inicial de Vicente Del Bosque só ratificou a ideia de que o treinador quer copiar o estilo de jogo do Barcelona a todo custo. Jogando em um 4-3-3 que teve como maior surpresa a escalação de David Silva como falso nove, atuando à Messi, e um meio-campo formado, novamente, por Xabi Alonso, Busquets e Xavi, a seleção espanhola fez uma partida abaixo da média. A dupla Silva e Villa não foi opção de passe para o meio de campo controlador, pois Del Bosque insiste em Busquets e Xabi Alonso, dois volantes que jogam em linha, paralelos. Não se sente seguro para escalar Busquets, Xavi e Iniesta, como Guardiola, talvez único diferencial das duas equipes.

Preocupada com o bom toque de bola do adversário, a Inglaterra usou a defesa para vencer o jogo. E o fez bem, sobretudo no primeiro tempo, quando o goleiro Hart quase não trabalhou. O problema é que o meio-campo inglês foi pouco criativo, tornando raros os lances de perigo dos ingleses.O domínio territorial claro não valeu para a Espanha, dessa vez. Com a posse de bola na casa dos 77%, a Fúria teve a bola nos pés durante os noventa minutos, mas esbarrou no pequeno catenaccio montado pelo italiano Fabio Capello, treinador do English Team. Justamente com esse estilo de jogo que a Fúria foi derrotada pela Suiça na estreia do Mundial da África do sul e o Barcelona (base da seleção) foi eliminado pela Inter de Milão de José Mourinho na LC 2009/2010. Embora tenha perdido o jogo, a Espanha não sofreu muito com os avanços ingleses, que, vale destacar, pouco tenha acontecido, diante da proposta feita por Capello. Sergio Ramos, escalado como central ao lado de Piqué, voltou a ter uma atuação notável, aparecendo como boa opção para substituir Puyol, que passa por problemos musculares infinitos.

Jordi Alba, que havia ido bem contra a Escócia, ganhou novamente a confiança de Del Bosque na lateral esquerda. Vivendo boa fase no Valencia, o lateral, que nos últimos dias teve seu nome ligado a uma possível transferência ao Barcelona na próxima temporada, fez uma partida nota seis, não sendo muito incisivo nos ataques pelo seu setor, que teve Villa bem na frente. A atuação mediana do ché, no entanto, foi destacado pelo AS, que citou Alba como um lateral atrevido que ganha, a cada jogo, pontos com Vicente Del Bosque. Contra a Costa Rica, na terça-feira, o treinador afirmou que quem ganhará chances dessa vez será o malaguês Monreal. Villa, por sua vez, pecou muito nas finalizações, e chegou a perder um gol que, em seus tempos áureos, certamente não perderia.

Se não tem vencido os amistosos de dificuldade maior (perdeu para Argentina, Portugal, Itália e Inglaterra), ao menos a Fúria continua "invicta" em partidas oficiais no pós-copa. Mal orientado taticamente, faltou à Espanha um destinatário para o passe, o que certamente deve corrigir Del Bosque para os próximos duelos. "Faltou mais profundidade e êxito na conclusão", disse Xavi após a partida. Os caprichos na hora das finalizações, sobretudo de Fàbregas, que lamentou as suas chances desperdiçadas, foram fatais. A Inglaterra, que chegou sob dúvidas para o confronto, foi perfeito no que se propôs a fazer. Continua uma verdadeira incógnita para a Europa, mas o futebol simples, dedicado e curto para vencer a competição foi suficiente para ganhar dos espanhóis no momento.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Virtualmente eliminado

Agüero comemora, para desespero de Gonzalo, ao fundo: o Villarreal está próximo da eliminação precoce na Champions (getty images)

O Villarreal viajou a Manchester com a sensação de final de campeonato. Contra o poderoso Manchester City, líder da Premier League, o Submarino Amarelo fez sua melhor partida na temporada, chegou, inclusive, a estar vencendo por um a zero, mas sucumbiu nos finais da primeira e segunda etapa e saiu da Inglaterra virtualmente eliminado da Champions League. Com nenhum ponto em três jogos, sonhar com a Liga Europa também complicou: Manchester City e Napoli, seus "concorrentes", estão com quatro e cinco pontos, respectivamentes. Aos amarillos, restam fazer uma returno perfeito e saber o usar o fator casa: irá enfrentar os azuis de Manchester e Napoles no El Madrigal. O Bayern lidera o grupo com folgas: com sete pontos, já está praticamente classificado à próxima fase.

Curiosamente, o gol que decretou a vitória mancuniana veio através de um velho conhecido dos aficionados amarillos: Agüero, que entrou em meados do segundo tempo, sacramentou a virada dos anfitriões e chegou ao seu oitavo gol em dez partidas contra a equipe de Castilla e Leão. David Silva, que vive bela fase, passou em branco e, bem marcado pelo meio-campo amarillo nos primeiros quarenta e cinco minutos da partida, passou a crescer apenas no segundo tempo, com a saída de Nasri, muito marcado por Zapata, que liberou o espanhol para jogar mais aberto à esquerda. A defesa do Villarreal se comportou muito bem, mas falhou em dois lances capitais que decidiram a partida: no gol de empate do City, marcado por Marchena contra, e no de Kun, quando, mal posicionado, deixou três jogadores dos sky blues sozinhos (Silva chegou a desviar) e Agüero completou.

O capitão Gonzalo Rodríguez se comportou, de fato, como um capitão. Limpo e seguro, foi um dos melhores em campo. Dzeko, isolado no 4-2-3-1 de Roberto Mancini, foi anulado pelo camisa dois. Marchena foi do céu ao inferno: o ex-Valencia fazia uma partida bastante correta até o momento que, numa jogada de infelicidade e falta de comunicação com Diego López, cortou para o gol um cruzamento de Kolarov. Talvez faltou ao Villarreal mais ousadia. Atuando num inédito 4-2-3-1 (até pela lesão de Nilmar), o Submarino Amarelo dominou o City na primeira etapa e levaram muito perigo à meta de Hart. No segundo tempo, Garrido recuou demais o Villarreal, chamando o Manchester para cima. Ao tirar De Guzmán e Cani, dois dos melhores em campo, e colocar o canterano Gullón e Mário, o treinador deu um tiro pela culatra: além de perder em experiência, Garrido mudou o módulo tático da equipe paraum 4-4-1-1, o suficiente para tirar, praticamente, Rossi da partida, que ficou mais isolado do que já estava.

O pós-jogo foi marcado por polêmicas. José Manuel Llaneza, vice-presidente do Villarreal, acusou Agüero de zombar do clube e dos jogadores no caminha para os vestuários. "O que o Agüero fez foi falta de ética, respeito e, acima de tudo, companheirismo", esbravejou Llaneza. "É uma pena que um jogador tão talentoso como Agüero tenha uma cabeça tão pequena", disse Marchena. Por sua vez, Agüero negou qualquer tipo polêmica: "todos conhecem minha trajetória e minha conduta. Não sou e jamais farei isso", afirmou Kun. José Ortiz, zagueiro do Almería, colocou mais lenha no fogo ao afirmar que, em 2007, o atacante já havia tido uma atitude semelhante a este após uma vitória do Atlético de Madrid. Os castellonenses, agora, não poderão nem pensar em empatar: se ainda pensa em classificação - muito improvável, agora - terão que somar, no mínimo, sete pontos dos nove possíveis.

A Espanha que dá certo

Benzema e Özil, melhores em campo, comemoram: enquanto o Villarrel está praticamente fora, os merengues estão a um empate da classificação (getty images)

Diante de um Lyon tímido e omisso e sentindo a falta do artilheiro Lisandro López, o Real Madrid passou como um rolo compressor e aplicou 4 a 0 em Santiago Bernabéu para disparar na liderança do Grupo D da Liga dos Campeões. A postura agressiva do time espanhol, que tinha toque de bola e capacidade de chegar à frente, rendeu os tentos marcados por Benzema, Khedira, Özil e Sérgio Ramos.

Mesmo com o ótimo final de semana de Kaká e Higuaín, Mourinho fez jus às palavras ditas após a partida contra o Racing Santander, no qual havia afirmado que, com tanto talento à disposição, não existe jogador titular e reserva: iniciou o jogo com Benzema e Di María, em dentrimento da dupla citada acima. O francês voltou a ser uma pedra no sapato de sua ex-equipe: além de ser um dos melhores em campo, ao lado de Özil, marcou o primeiro gol e deu a assistência para o tento de Khedira. O turco-alemão, por outro lado, lembrou Zidane, dominando o meio-campo e deixando Cristiano Ronaldo e Benzema na cara de Lloris por muitas vezes.

Se, por um lado, o craque português não marcou um dos últimos 12 gols do Real Madrid nas últimas três partidas, isso serve para mostrar que uma possível "CR7dependência" inexiste. Ao contrário da temporada passada, quando o gajo foi disparado o artilheiro merengue, na atual temporada os gols estão bem divididos: Cristiano Ronaldo permanece como o máximo artilheiro, com nove gols, mas seguido de perto por Higuaín (9), Benzema (6) e Kaká (4). O que surpreende nesta seca de Ronaldo é uma versão mais solidária do craque: foram cinco passes para gols nesses 12 tentos.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Considerações finais

David Silva aponta para o céu: melhor do jogo, El Mago deverá ser titular na Euro (AP Photos)

A Espanha encerrou hoje a fase eliminatórias para a Eurocopa de 2012. E, assim como no jogo contra a República Tcheca, a Fúria jogou centrada na partida, buscando o resultado mesmo com a classificação à fase final garantida, do jeito que Del Bosque havia pedido na coletiva de quinta-feira. A roja alinhou uma equipe com jogadores diferentes dos habituais, com as estreias oficiais de Jordi Alba, na lateral esquerda, e Víctor Valdés no gol. As outras mudanças em relação ao confronto contra os tchecos foram as entradas de Cazorla, que voltou à Roja, no meio-campo e Pedro e David Villa no ataque. O placar, que interessava mais a Escócia, que entrara em campo com possibilidades de classificação à repescagem, acabou numa boa vitória dos comandados de Del Bosque: 3 a 0, com show de David Silva, autor de um doblete e de uma assistência para Villa.

A excelente partida de Silva somada, mais uma vez, a escolha pelo 4-3-3 (que hoje pareceu um 4-3-1-2), tática que vai se consolidando e deverá ser usada na Polônia e Ucrânia, no ano que vem, reabre uma uma velha discussão: deverá Fernando Torres ser titular? A grande partida de David Silva, melhor em campo, influi diretamente no uso (ou não) de Fernando Torres, que ficou no banco de reservas durante os noventa minutos. Jogando à Messi no Barcelona e revezando posição com Cazorla, adiantado à ponta pelo lado esquerdo, Silva ratificou seu excelente início de temporada: já são quatro gols e nove assistências. O meio-campista, que havia cobrado publicamente um espaço na Espanha, mostrou estar certo: deverá ser titular na Eurocopa, provavelmente. Com moral no país, Silva vem ganhando a simpatia da imprensa. O Diário Sport, exageradamente, deixou no ar: A Espanha achou o seu Messi, em referência ao fato de El Mago ter jogado como um enganche. Alfredo Relaño, editor-chefe do AS, já cobra a titularidade do mancuniano.

Um dos estreantes da noite, Jordi Alba convenceu e ganhou pontos com Del Bosque. O lateral do Valencia teve um notável debut com a Roja. Sobrio na defesa e incisivo nos ataques, Alba aproveitou a chance dada por Del Bosque. Autor da assistência ao primeiro gol de Silva, certamente o lateral ché deverá figurar em outras convocações do treinador madrileño, visto que Capdevila está em baixa com o treinador desde sua transferência ao Benfica. Víctor Valdés, por outro lado, teve uma atuação digna de nota seis. Pouco acionado, o goleiro cometeu pênalti bobo em Naismith, que Goodwillie converteu. Três minutos depois, o catalão apareceu positivamente, fazendo boa defesa em chute de Smith.

Notícias referente ao pós-jogo devem ter deixado o Barcelona preocupado. Sofrendo com lesões neste início de temporada (já foram 22 em apenas dois meses de competição), os azulgrenás deverão ter mais dois jogadores no estaleiro: Xavi e Piqué foram substituidos por desconfortos e exames médicos que serão feitos amanhã deverão confirmar a gravidade da lesão. Villa, por sua vez, tomou um chute no dedo de Berra, mas não preocupa muito. Se a vitória não mudou muita coisa na tabela do grupo, ao menos serviu para a Fúria alcançar uma nova marca: a Roja igualou o recorde de 14 vitórias consecutivas, que a seleção francesa, em 2004, e a holandesa, em 2010, haviam conseguido antes. A última derrota oficial da seleção espanhola foi justamente na Copa do Mundo de 2010, na estreia contra a Suiça.

sábado, 8 de outubro de 2011

Foco na missão

Fúria mantém o 100% de aproveitamento nas Eliminatórias para a Eurocopa de 2012 (reuters)

Na coletiva antecedente ao jogo contra a República Tcheca, Vicente Del Bosque havia dito que sua equipe iria entrar em campo centrada na partida, mesmo com o objetivo já cumprido, que é se classificar à fase final da Eurocopa. E seus comandados cumpriram à risca o pedido do treinador: com a cabeça no jogo, venceram com tranquilidade os tchecos por 2 a 0, chegando a 21 pontos dos 21 possíveis. A boa notícia foi as notáveis exibições de David Silva e Juan Mata, reservas que vivem excelentes fases em seus clubes na Premier League e aparecem com boas opções para o torneio. Além disso, é só mais uma prova que Del Bosque tem nas mãos um elenco em profundidade, com jogadores reservas que, quando entram no onze inicial, sabem o que fazer.

Jogando em um 4-3-3 que se transformava em um 4-5-1, a Espanha dominou por completo a partida. Tanto é que, com seis minutos, já vencia a partida por um a zero através de Xavi e Mata. O meia blaugrana, que jogou solto no meio-campo, lançou em profundidade e milimetricamente o meia do Chelsea, que chutou no contrapé de Peter Cech para abrir o placar. Com o placar aberto, esperava-se uma Espanha administrando a partida. Mas o bom jogo e a boa disposição em campo duraram por muito mais tempo do que nas outras partidas, quando a Fúria costuma ter uma postura citada acima após abrir o placar.

Muito bem postada em campo, a Espanha continuava com o ímpeto ofensivo enorme. O adversário, desperado pelo empate e pressionado pela torcida, só assistia a troca de passes envolvente da Fúria. Para se ter uma noção maior, a seleção espanhola terminou a partida com uma porcentagem incrível de posse de bola: 81%, com 587 passes certos ao longo dos noventa minutos. O segundo gol não tardou a chegar: após dividir com Kadlec, Fernando Torres passou a bola meio que sem querer para um esforçado Silva, que, inteligentemente, levantou a cabeça e tocou com a parte externa do pé esquerdo para Xabi Alonso, solto no meio da área, bater à direita de Cech para marcar o segundo gol espanhol. Um balde de água fria para os torcedores tchecos que, antes da partida, confiavam na vitória de sua seleção.

A República Tcheca cometeu um erro primário: entregou de graça a bola à Roja. Busquets, Xabi Alonso, Xavi, David Silva e Mata domaram o meio-campo. O ataque foi o problema. Fernando Torres não aproveitou a chance dada por Del Bosque e parece cada vez mais distante da titularidade na Polônia e Ucrânia em 2012. Villa, que entrou no segundo tempo no lugar do Niño, deu mais mobilidade ao ataque, acertando duas bolas na trave. A postura exercida no segundo tempo foi a supracitada acima: a República Tcheca chegou a ensaiar uma reação, mas não passou de um perigoso chute de Baros defendido por Casillas. O lance crucial do segundo tempo aconteceu aos vinte e dois: Hübschmann chegou dividindo com Xabi Alonso e, por pouco, não quebrou a canela do volante. O tcheco foi expulso imediatamente e mostrou-se bastante culpado pelo lance (concordou com a expulsão e pediu desculpas a todos os espanhóis após o jogo).

Xabi imediatamente saiu de campo e ainda não se sabe a profundidade de sua lesão. A imprensa madrilenha especulou que Mourinho teria ligado a Del Bosque pedindo para que não forçe seu jogador na terça-feira, quando a Fúria encara a Escócia em jogo que promete ser pegado. Outros dois merengues também saíram de campo lesionados: Raúl Albiol e Sergio Ramos estarão inaptos para o duelo contra os escoceses. Enquanto isso, Fernando Torres não aproveitou bem sua chance, David Silva o fez com louvor. Após cutucar o treinador há duas semanas, quando havia dito que só não é titular pelo fato de não jogar no Barcelona ou no Real Madrid, El Mago jogou com tranquilidade no meio-campo e ainda deu uma assistência. E é assim que a Espanha vem firme e forte para a manuntenção do título europeu.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Nada a temer

Italianos celebram o gol da vitória diante da Campeã Mundial. Apesar do revés, a seleção de Vicente Del Bosque continua firme no caminho certo (uefa.com)

O estádio San Nicola, casa do Bari, foi palco de um dos principais amistosos dessa quarta-feira de data FIFA. Com a pré-temporada na sua fase final e os jogadores ainda pregados fisicamente por causa dos inúmeros testes físicos, o Itália x Espanha de hoje não deixou a desejar. Para a campeã do mundo, nada que possa assustar. Para a Itália, a confirmação de que o caminho a seguir é este mesmo.

Vicente Del Bosque, respeitando acordos com Barcelona e Real Madrid, que disputam no próximo final de semana a Supercopa Espanhola, optou por uma escalação mista no início dos 90 minutos, abdicando de seu 4-3-3 utilizado após a Copa do Mundo para jogar no 4-2-3-1. Já Cesare Prandelli montou a Azurra em um 4-3-1-2, apostando em Montolivo, da Fiorentina, como trequartista.

A primeira etapa começou com amplo domínio dos donos da casa. Cassano, que jogava no estádio da cidade onde nasceu e que pertence ao clube que o projetou, investia forte em cima de Arbeloa pela esquerda defensiva da Fúria. Do outro lado, David Silva não acompanhava as subidas de Criscito ao ataque. E foi do quatro italiano a primeira real chance de gol, logo aos quatro minutos, quando Casillas viu tremer sua meta após um chutaço na trave vindo da entrada d'área. A Azurra era melhor e, em jogada pela esquerda, Criscito deixou o meia Montolivo cara a cara com o camisa um espanhol e o jogador da Fiorentina tocou por cima do goleiro, abrindo o placar para a Itália.

Quatro minutos depois, Fernando Torres - isolado no ataque e sem tocar na bola - aparentemente sentiu uma lesão muscular e deixou o gramado para a entrada de Fernando Llorente. Mas nada parecia fazer voltar o ritmo natural do jogo da Fúria, que acusava a falta de Xavi na meia cancha. A solução que Del Bosque achou para igualar o jogo foi pedir para o time marcar pressão o campo todo, o que gerou a primeira chance de gol espanhola com Cazorla, que chutou por cima do gol aos 33 minutos após jogada de Iniesta.

Logo em seguida, em jogada pela esquerda do próprio Cazorla, Llorente foi agarrado pelo braço por Chiellini: pênalti. Bola no meio do gol, Buffon caído para o lado esquerdo e gol de Xabi Alonso: 1 a 1. Ainda na primeira etapa, o selecionado italiano perdeu duas boas chances, uma com cada atacante: primeiro Rossi, depois Cassano pararam em grandes intervenções de Casillas. No último minuto, mais uma baixa na Fúria: Piqué sentiu desconforto muscular e deu lugar a Sergio Busquets. Problemas maiores para o Barcelona, porque o volante, ao término da partida, também deixou o estádio com problemas musculares.

Para a segunda etapa, Vicente Del Bosque continuou a poupar algumas de suas estrelas: saíram Iniesta, Casillas e Iraola para as entradas de David Villa, Victor Valdés e a tão aguardada estreia do menino Thiago Alcântara. As mudanças acarretaram algumas improvisações na equipe espanhola, nada que fosse alterar o 4-2-3-1 idealizado pelo comandante: Busquets, mostrando mais uma vez sua polivalência, jogou na lateral direita. Javi Martinez formou dupla de zaga com Albiol, enquanto Thiago jogou ao lado de Xabi Alonso na volância.

O ritmo italiano diminuiu na segunda etapa, o que facilitou o domínio dos campeões do mundo. David Villa e, principalmente, David Silva obrigaram Buffon a fazer pelo menos três boas defesas. Juan Mata, que entrou no lugar de Cazorla durante o segundo tempo, protagonizou o lance mais curioso do jogo: após centro da esquerda de Silva, o camisa treze conseguiu volear a bola, mas Llorente, que tentava sair da linha da bola ao jogar-se no chão, impediu a bola de chegar ao gol italiano.

Mas o castigo para o bom segundo tempo espanhol veio no final por intermédio de dois suplentes. Pazzini recebeu a bola na grande área e rolou para trás onde estava Aquilani, que chutou de primeira e contou com o desvio em Javi Martinez para enganar Valdés e dar a vitória para a Azurra. Balotelli e Bonucci ainda desperdiçaram chances de ampliar o marcador, cuja justiça apontaria para uma igualdade, já que os italianos começaram melhor, mas os espanhóis dominaram a segunda metade do amistoso.

Como podemos notar pela ausência no texto, a estreia de Thiago Alcântara na Fúria foi bem discreta. Atuando ao lado de Xabi Alonso, mais recuado que o de costume no Barcelona, e tendo que auxiliar a marcação pelo lado do improvisado Busquets no setor mais forte de ataque adversário, o jovem talento participou pouco das ações ofensivas espanholas. Ao que tudo indica, ele deverá ter uma continuidade no grupo de Vicente Del Bosque e pode receber chances na linha ofensiva que abstece o isolado atacante do esquema 4-2-3-1 da Fúria.

Outro destaque dos campeões do mundo no jogo foi David Silva, que parece estar disposto a recuperar seu futebol da época de Valencia. Silva merece menção pelo grande segundo tempo, quando trocou sistematicamente de posição com Cazorla e Mata, confundindo a marcação adversária.

A campanha tranquila nas Eliminatórias da Euro 2012 deve ter sequência no mês que vem sem maiores dificuldades. Apesar de não superar nenhuma seleção das chamadas "de grande porte" após vencer a Copa do Mundo, a Fúria deve fazer o dever de casa e patrolar a fraca seleção de Liechtenstein.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Campeones Del Mundo: David Silva

El Mago: David Silva teve um importante papel na conquista da Eurocopa da Espanha e é um dos jogadores mais idolatrados pelos torcedores (superdeporte)

Um líder silencioso, que fala com os pés. Para Vicente Del Bosque, este é David Silva, um dos meio-campistas de melhor visão de jogo no futebol mundial. Com uma enorme eficácia em seus passes e lançamentos, além de dribles de corpo muito úteis no meio de campo, constrói o jogo com relativa facilidade. Seu futebol preciso sempre o ligou a clubes como Real Madrid, Barcelona e Manchester United. Mas, em agosto de 2010, foi o Manchester City que ofereceu a melhor proposta para o tirar o Mago do Valencia e levá-lo à Premier League.

Pela seleção espanhola, David Silva viveu dois momentos distintos nas maiores glórias de sua carreira: enquanto teve um papel importante no título da Eurocopa, onde fez um gol na semifinal contra a Rússia, passou a maior parte da Copa do Mundo no banco de reservas, sendo preterido por Del Bosque na partida contra a Alemanha, quando o treinador preferiu colocar Pedro no lugar de Fernando Torres ao invés do ex-Valencia. Trajando a camisa roja, sempre fez sucesso: foi vice-campeão europeu sub-17 e campeão europeu sub-19, quando foi eleito o melhor jogador e líder de assistências da competição. Em 2003, no Mundial Sub-17 da Finlândia, foi vice-campeão ao perder para o Brasil de Nilmar na final, mas deixou o torneio com três gols e quatro assistências.

Na cidade de Manchester, a cada dia tem se tornado o xodó da torcida. Jogador do mês do Manchester City em outubro, novembro e dezembro de 2010, David Silva não demorou para se adaptar ao futebol inglês. Campeão da Copa da Inglaterra com seu novo clube, que não ganhava algo desde 1968, terminou a temporada com quinze assistências, líder máximo do quesito no elenco e na Premier League. Antes de sua aventura no futebol inglês, entretanto, Silva conquistou os aficionados do Valencia. É verdade que demorou até que El Mago fixasse seu espaço no elenco ché: o clube de Paterna o havia emprestado a outras equipes duas vezes no início de sua carreira (ao Eibar e ao Celta Vigo).

No Eibar, disputou todos os jogos da equipe granote na Liga Adelante 2004/2005, marcando seis vezes e dando quatro assistências. No clube da Galícia, Silva começou a despontar. Em 2005/2006, foram seis gols e seis assistências e o "prêmio" de jogador mais importante da temporada do Celta, que terminou em oitavo e, por dois pontos, não conquistou a vaga na Copa da Uefa 2006/2007. Após deixar boa imprensão nos celestes, a diretoria ché resolveu apostar no Mago e o trouxe de volta à Comunidade Valenciana.

Seu primeiro ano trajando blanquinegrou foi fundamental. Titular incontestável do meio-campo da equipe treinada por Quique Sánchez Flores, fez uma dupla letal com o artilheiro David Villa. Na Champions League, mostrou seu lado mais decisivo ao marcar gols importante contra Inter de Milão e Chelsea. Nessa temporada, o Valencia acabou caindo nas quartas-de-finais da competição europeia, sendo o espanhol mais bem colocado do torneio. A temporada 2007/2008 foi complicada para o Valencia, que, por pouco, não foi rebaixado, caiu na fase de grupos da LC e teve que se concentrar na Copa del Rey para conseguir uma vaga na Copa da Uefa posterior. E deu certo: o Valencia ganhou a competição e Silva conquistou seu primeiro - e único, diga-se de passagem - título com os Chés.

Após a Eurocopa, sofreu uma lesão no tornozelo esquerdo e ficou três meses parado, voltando apenas em dezembro de 2009. Àquela altura da temporada, o Valencia era terceiro colocado de La Liga, mas não aguentou o desgaste pelo plantel curto e terminou o campeonato em sexto, ficando, mais uma vez, de fora da Champions League. Em sua última temporada trajando blanquinegro, Silva formou junto com Villa e Mata um grande trio ofensivo, responsável por 71% dos pontos do Valencia na Liga. Como premio pela ótima temporada do trio, os blanquinegros conseguiram voltar à Champions, que David Silva acabou não disputando devido a transferência para o Manchester City.

David Silva
Nome completo: David Josué Jiménez Silva
Data de nascimento: 8 de janeiro de 1986, em Las Palmas, Espanha
Posição: Meia-atacante
Clubes: Eibar, Celta Vigo, Valencia e Manchester City
Títulos: Copa del Rey 2007/2008, FA Cup 2010/2011, Eurocopa Sub-19 2005, Eurocopa 2008, Copa do Mundo 2010

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Venceu, mas não convenceu

Jogada de Jesus Navas e gol de David Silva: mais uma vez, a Espanha joga mal após Copa do Mundo (reuters)

Após ser goleada por Portugal no último compromisso de 2010, a Espanha entrou em campo contra a Colômbia querendo justificar o título de campeã mundial. Contra os Cafeteros, a Fúria voltou a jogar um futebol de baixo escalão, mas conseguiu a vitória nos minutos finais com gol de David Silva, após cruzamento de Jesus Navas. Casillas ainda chegou a salvar a Espanha de um tropeço em Madrid no final da partida, após defender um belo chute de Rodallega, que deu um trabalho enorme a Piqué.

Villa perdeu novamente a chance de superar Raúl e tornar-se o recordista de gols com a camisa roja (El Guaje e Raúl têm 44 gols). O Guaje, em noite fraca tecnicamente, desperdiçou duas boas chances de fazer história, mas viu a trave e o goleiro Ospina evitarem seu tento. Se o atacante asturiano não conseguiu o que queria, Casillas cumpriu sua parte. O goleiro merengue foi titular durante os 90 minutos e superou Andoni Zubizarreta como o jogador que mais vezes vestiu a camisa roja - contando também as partidas disputadas nas divisões de base. Casillas não só superou mais um recorde, como foi um dos grandes nomes da partida. El Capitán evitou, pelo menos, três gols colombianos na segunda etapa, em constantes ataques de Guarín, Rodallega e o herculino Abel Aguillar.

Vicente Del Bosque foi a campo com a base que conquistou a Copa do Mundo. À exceção de Puyol, que está lesionado e foi substituído por Raúl Albiol, todos os outros 10 jogadores disputaram a final contra a Holanda. Porém, dessa vez, Del Bosque montou a Fúria num 4-3-3, com Iniesta e Pedro abertos pelas pontas. Pedro chegou até ser o destaque na primeira etapa, mas Iniesta fez uma partida abaixo da média (mas ainda assim, o único lance de perigo da Espanha no primeiro tempo foi em jogada do oito blaugrana). A Espanha priorizou muito a posse de bola (chegou a ter 76%), mas não conseguiu capitalizar essa alta posse em oportunidades de gols. Com um meio-campo técnico e criativo, mas não driblador, formado por Busquets, Xabi Alonso e Xavi, a Espanha pouco levou perigo ao gol de Ospina.

No segundo tempo, uma série de mexidas de Del Bosque começou a mudar a postura dos jogadores rojos. A começar pela trocas entre Cazorla por Xavi e Jesus Navas por Iniesta, que saiu ovacionado pelos aficionados presentes no Bernabéu. A entrada do jogador amarillo deu mais mobilidade ao jogo espanhol, que parecia preso com os maestros Xavi e Xabi Alonso juntos. Pedro passou a jogar mais na esquerda e Jesus Navas na direita, caindo nas costas de Pablo Armero, que subia ao ataque sempre com perigo na esquerda.

A mudança na postura foi nítido, mas faltava ainda ser mais incisivo. A Colômbia, por sua vez, crescia na partida e Piqué, Albiol e, principalmente, Casillas passaram a trabalhar em dobro. A mudança mais providencial foi quando Del Bosque sacou Xabi Alonso para colocar David Silva. Com gás novo em campo, a Espanha passou a jogar mais em contra-ataque e arriscar de fora da área. Mais participativo do que o jogador do Real Madrid, David Silva tornou-se o herói da partida. Após receber de Cazorla, Jesus Navas, em sua típica jogada individual, "sambou" na frente de Armero, levou para linha de fundo e cruzou para o desvio do jogador citizen, que venceu Ospina e aliviou a torcida roja, que já começava a ficar impaciente.

No final do jogo, Vicente Del Bosque foi seco ao ser perguntado por uma repórter da TVE sobre a postura de seus comandados na partida: "Não fizemos uma boa partida, mas o que importa é jogar bem nas eliminatórias", argumentou. A bem da verdade, o treinador madrileño tem parcela de razão, mas vale lembrar que os adversários enfrentados nas Eliminatóriras para a Euro de 2012 foram, com exceção da Escócia, de extremo baixo nível (Liechtenstein, Escócia e Lituania), diferentemente dos enfrentados nos amistosos pós-Copa (México, Argentina e Portugal), onde a a seleção só foi sair vitoriosa de campo hoje.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A competência é valencianista

Começo de temporada sem Villa e Silva parecia preocupante para o Valencia, mas clube tem conseguido viver no aperto (AP)

Nos últimos anos, virou praxe a disputa do título ser polarizada entre Barcelona e Real Madrid. Para se ter uma noção maior, da temporada 2000-01 para cá, apenas o Valencia (duas vezes - 2001-02 e 2003-04) conseguiu a proeza de desbancar os dois gigantes do futebol espanhol. A situação "piora" se fomos pensar que, nas últimas seis temporadas, apenas um clube sem ser blaugranas ou merengues conseguiu disputar, de fato, o título da Liga. Este foi o Sevilla de 2006-07, que chegou à última rodada com possibilidades remotas de ser campeão e que terminou aquela temporada com um doblete histórico: campeão da Copa da Uefa (enfrentando o Espanyol na final) e da Copa del Rey (enfrentando o Getafe na final).

Convenhamos que ser comparado ao "Sevilla de uns anos atrás" é um baita elogio, ainda mais a quem havia acabado de perder dois de seus principais jogador. E foi assim que Joaquín Caparrós, técnico do Atlhetic Bilbao, definiu o "novo Valencia", na coletiva após o jogo entre sua equipe e os chés. O treinador andaluz tem sua dose de razão. Óbvio que é muito cedo para ter retratos definitivos sobre os chés desta temporada, mas as primeiras partidas dão sinais positivos. A equipe valenciana lidera La Liga após seis rodadas, com cinco vitórias e um empate. Além disso, mostrou que tem força suficiente para passar pela fase de grupos da Liga dos Campeões, considerando que os adversários não são dos mais ameaçadores (Manchester United à parte, claro).

Um dos grandes méritos foi manter Unai Emery no comando técnico. Responsável pela oitava colocação surpreendente do Almería de 2007-08, Unai teve a missão de revificar o Valencia 2010-11. E, até o momento, tem dado muito certo. O treinador se notabiliza pela criatividade em jogadas ensaiadas, saber trabalhar com orçamento limitado e estudar minuciosamente os oponentes. É evidente que a saída dos Davids teria um impacto fortíssimo no Valencia, mas a base foi mantida e havia caminhos para montar um grupo competitivo. O principal objetivo era recompor meio-campo e ataque, bastente atingidos pelas saídas dos Davids (sem esquecer que a zaga perdeu Marchena).

Para felicidade de Emery, o elenco já contava com algumas boas opções nesses setores. Pablo Hernández já se consolidara como um ótimo meia de armação. Ele ficou à direita, tendo como companheiro de esquerda Mata – que começou como meia aberto, mas vinha jogando de atacante. Se Villa fez história com a camisa sete, esta parece ter algo de bom: o herdeiro Joaquín começou a temporada voando e é um dos grandes responsáveis pela liderança valenciana. Joaquín, porém, se lesionou e, assim como Vicente, não um retorno previsto. Ele será, sem dúvidas, um desfalque sentindo para o jogaço que o Valencia fará na próxima rodada contra o Barcelona, no Camp Nou.

A solução equilibrou o meio-campo, mas o recuo de Mata tirou de vez os atacantes da temporada passada. Aí foi questão de ir ao mercado buscar boas ofertas. A mais inteligente foi Soldado, atacante formado no Real Madrid que acabou indo para times pequenos na impossibilidade de disputar posição com Ronaldo. O centroavante de nome militaresco vinha de duas boas temporadas no Getafe (33 gols em 66 jogos) e poderia dar poder de definição com alguma mobilidade ofensiva. Para completar a dupla de frente, a direção valencianista contratou Áduriz, atacante que até se movimenta um pouco, mas se notabiliza por compensar a limitação técnica com muita entrega na disputa por espaço com os zagueiros. Curiosamente, também fez 33 gols nas duas últimas temporadas (mas fez 69 jogos). Como os dois atacantes têm no cabeceio as suas virtudes, as jogadas aéreas passou a ser praxe.

A troca da dupla Villa-Mata por Áduriz-Soldado fez o jogo ofensivo do Valencia ficar mais centrado no meio, mas merece algum respeito. Considerando que o setor defensivo não teve grandes perdas (Ricardo Costa chegou para o lugar de Marchena), os valencianistas têm potencial para brigar no segundo pelotão da Espanha e superar Bursaspor e Rangers na disputa da fase de grupos da Liga dos Campeões. Por enquanto, tem sido suficiente para liderar a liga. Dificilmente esse cenário se manterá. A tabela tem sido gentil com o Valencia (venceu Málaga, Racing de Santander, Hércules, Sporting de Gijón e Athletic Bilbao, todas equipes acessíveis, e empatou em casa com o único oponente realmente forte, o Atlético de Madrid) e o elenco não é denso o suficiente para suportar as inevitáveis contusões e suspensões de jogadores importantes ao longo da temporada.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Bem, mas pode melhorar

Llorente e Sergio Ramos foram os donos do jogo de hoje. Substituindo Fernando Torres, o atacante marcou duas vezes (getty images)

Em um jogo de equipes totalmentes opostas, a Espanha conseguiu somar seu segundo triunfo nas Eliminatórias à Eurocopa de 2012. Sem Fernando Torres, Vicente Del Bosque usou do mistério para escalar o companheiro de Villa no ataque: se Áduriz vive uma grande fase no Valencia e foi convocado pela primeira vez para defender a Espanha, Del Bosque resolveu dar uma chance a Llorente, que começou mal a temporada no Atlhetic Bilbao, para substituir El Niño (mais uma vez lesionado) . A aposta "arriscada" fez valer a escalação: autor de dois gols, foi nome da partida ao lado de Sergio Ramos.

Reserva na Copa do Mundo, ele chegou a ser cogitado como titular contra Alemanha, mas foi Pedro quem entrou no lugar de Fernando Torres. Mas após o título mundial vem galgando seu espaço, e hoje foi só mais uma prova disso. Sergio Ramos, muito ativo na partida e autor do passe para o gol de Silva, teve uma noite especial: no estádio Helmántico de Salamanca, o andaluz fez contra a Lituânia a sua partida de número 70 com a camisa roja, superando nomes como o de Emilio Burtragueño, e tornando-se o jogador mais jovem (24 anos) a atingir esta marca. O estádio é mais especial ainda a Sergio Ramos porque foi nele que o lateral direito merengue fez sua estreia na seleção. Contra a China, em 2005, na vitória por 3 a 0.

Apesar da ausências da Espanha serem de pesos, apenas três jogadores do time titular que iniciaram a final da Copa ficaram de fora - Xabi Alonso, Xavi e Pedro. Cazorla, Llorente e David Silva entraram em seus respectivos lugares. A saída de Xabi Alonso, porém, fez com que Vicente Del Bosque alterasse o esquema tático da equipe, que passou do, cada vez mais tradicional, 4-2-3-1 ao 4-1-4-1.

Na coletiva pré-jogo, o técnico de Salamanca (que foi homenageado pela torcida) havia avisado àqueles que esperavam uma vitória tranquila para repensarem o prognóstico e, de fato, a Lituânia apresentou-se bem organizada. Por duas vezes, nos primeiros 17 minutos, Silva desferiu fortes chutes com a sua canhota, mas Karcemarskas deteve-os sem problemas. Nesses primeiros trinta minutos de partidas, viu-se uma falta de eficácia rara da seleção espanhola. Villa, que completara 68 jogos com a camisa roja e segue em busca de ultrapassar Raúl e se tornar o maior artilheiro da seleção espanhola, ainda perdeu um gol incrível, inacreditável, no final do primeiro tempo.

Após um primeiro tempo sem gols, a etapa final foi movimentada. A Espanha abriu o placar aos 2 minutos do segundo tempo. Llorente recebeu cruzamento de Sergio Ramos e, dentro da pequena área, desviou de cabeça para o fundo das redes. Pouco depois, a Lituânia chegou ao empate aos 8 minutos. Sernas foi lançado entre a defesa da Espanha e tocou na saída de Casillas para deixar tudo igual. A seleção se empolgou com o gol e ainda tentou trabalhar a bola pela esquerda, mas tinha pouca criatividade diante da defesa da Espanha. Mais bem postada em campo, os espanhóis ampliaram assim que Llorente foi substituído. Aos 33 minutos, David Silva recebeu levantamento de Sergio Ramos na marca do pênalti e cabeceou no ângulo direito da meta, sem chances de defesa para fechar o placar.

Após o último gol, a torcida de Salamanca foi à loucura. Em parte feliz, mas também aliviado, depois de uma noite difícil que se transformou num tributo à capacidade de luta da campeã europeia. A Espanha volta a campo nesta terça-feira, quando encara a Escócia, em Glasgow. Sergio Ramos, que gerou preocupação à torcida, já deve estar apto para a partida após pedir substituição por lesão. Se o Real Madrid já se mostra preocupado com o seu jogador, Del Bosque já avisou que não irá força-lo caso o Departamento Médico vete-o à partida de Glasgow. Se não poder jogar, a entrada mais lógica seria a de Arbeloa, que o substituiu hoje. Vicente Del Bosque também comentou a má partida de Villa, morferizada após o gol perdido. Segundo o técnico de Salamanca, talvez a ansiedade de passar Raúl é um dos pontos principais que justifica a partida ruim do Guaje.

Clique aqui e relembre como foi a estreia da Espanha contra Liechtenstein.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Mantendo o ritmo

Sem precisar se esforçar e contando com o "retorno" de Fernando Torres, a Espanha goleou Liechtenstein na estreia nas eliminatórias p/Euro 2012 (marca)

Fernando Torres decepcionou no Mundial da África do Sul. Com uma séria lesão no joelho, virou icógnita e reserva e sequer fez um gol no torneio conquistado pela Espanha. Mas seu faro de artilheiro voltou seleção. O atacante fez dois gols na tranquila goleada da Fúria diante de Liechtenstein por 4 a 0, em Vaduz, na estreia das duas seleções no grupo I das eliminatórias da Euro-2012. Além disso, com os dois tentos de hoje, El Niño igualou a marca de 26 gols de Butragueño com a camisa roja e tornou-se o quinto maior artilheiro da seleção espanhola. Vale lembrar que, curiosamente, a primeira partida da Espanha após o fiasco de 2006 foi exatamente contra Liechtenstein, em Badajoz. Àquela época, a equipe treinada por Aragonez estava cheias de dúvidas e renovada.

A partida de hoje foi o que todos já previam: jogo de uma equipe só. Liechtenstein provou ser uma das piores seleções da Europa e transformou o goleiro Casillas num verdadeiro espectador durante o confronto. Para piorar, tinha pela frente as atuais campeãs mundiais e da Eurocopa. A Espanha entrou com sua base que levantou o título na África do Sul. Xavi, Xabi Alonso, Iniesta, David Villa e Torres começaram como titulares. Diante disso, o gol era questão de tempo. O goleiro Jahle até fez duas boas defesas com menos de 5min, num chute de Iniesta e numa cabeçada de Villa.

No entanto, nada pode fazer para evitar o primeiro, aos 17min, quando Torres foi lançado e tocou com classe. 1 a 0. Os espanhóis não aceleravam a partida. Quando faziam isso, os anfitriões não conseguiam para os visitantes. Aos 26min, David Villa arriscou uma bomba de fora da área e fez um golaço. Com a marca, o Guaje chegou ao seu gol de número 43 com a camisa da seleção espanhola, um a menos que o maior artiheiro da Fúria, Raúl.

O panorama era o mesmo. Espanha atacava e criava inúmeras chances, enquanto Liechtenstein quase não passava do meio campo. Pouca coisa mudou no segundo tempo. Aos 8min, Torres recebeu de Fàbregas e bateu forte para ampliar o duelo. Pouco tempo depois, Torres deu lugar a Silva. E, aos 16min, o atleta do Manchester City fez o quarto dos visitantes. A partir daí, a equipe de Vicente Del Bosque diminuiu sua intensidade. Mesmo assim, criou outras boas oportunidades, como um chute de Villa no travessão.

Ainda nesta sexta-feira, Lituânia e Escócia, outras seleções do grupo da Fúria, empataram sem gols. A segunda rodada da chave ocorre na próxima terça-feira, dia 7 de setembro. A Espanha folga e fará um amistoso contra a Argentina de Lionel Messi.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A hora de Pablo Hernández e Juan Mata

Mata e Pablo Hernández. Será a vez dos dois puxarem a responsabilidade (superdeporte)

O Valencia foi o time que teve as perdas mais consideráveis do futebol espanhol, perder os craques David Villa para o Barcelona e David Silva para o Manchester City será muita sentida pelos chés, mas era necessária pois o time está em uma crise financeira considerável e necessitava ganhar um bom dinheiro e investir, é verdade que pouco mas em jogadores essenciais. O clube adquiriu alguns jogadores: o zagueiro Ricardo Costa, os meio campistas Tino Costa, Mehmet Topal, Feghouli, e a volta de empréstimo de Sunny, Hugo Viana e do goleiro Guaita, porém, nenhuma das contratações vai suprir a falta que os "Davids" vão trazer em certos momentos ao time de Mestalla.

Entretanto, o clube valenciano é um dos maiores formadores de bons jogadores na Espanha, tem uma cantera forte que ajuda o clube a manter-se nas principais posições na tabela. Essa temporada não será diferente e suas maiores estrelas precisarão dessa vez comandar o time, será a vez de Pablo Hernández e Juan Mata* serem o centro das atenções do clube ché. Ambos os jogadores tem qualidade para isso, total apoio do técnico Unai Emery e já são ídolos da fanática torcida.

PH e Mata - como são conhecidos - tem que provar que estão preparados e com experiência para comandar o time na LFP e principalmente na Liga dos Campeões, pois o time valenciano precisa de dinheiro, ou seja, fazer uma boa campanha internacional e manter o time entre os principais na competição doméstica. Agora Pablo Hernández e Mata não estão mais por trás da sombra dos "Davids" e precisam mostrar seu futebol.

Quem sabe o Valencia não tenha se planificado da melhor forma para a temporada, pode ser uma aposta arriscada confiar em dois meninos para serem os comandantes do time, até porque o clube volta a disputar a Liga dos Campeões. A verdade é que o time é uma incógnita, não sabemos o quão poderá dar certo ou errado, e a imprensa espanhola qualifica o Valencia como a quinta força na temporada, atrás dos dois gigantes, do Atlético e do Sevilla. Para que isso não aconteça o técnico Unai Emery precisará armar um bom time comandando pelo seus dois novos craques.

*Juan Manuel Mata é formado pelo Real Madrid Castilla, porém quando se transferiu ao Valencia, atuou no Valencia B, as canteras do time.

sábado, 14 de agosto de 2010

Balanço Final: Valencia

Sem os seus craques, como se sairá o Valencia na nova temporada (mirror)

VALENCIA

Técnico: Unai Emery
Competição europeia: Liga Europa (caiu nas quartas de final)
Copa do Rei: caiu nas oitavas de final
Destaque: David Silva (meia)
Artilheiro: David Villa (21 gols)
Nota da temporada: 7,5

Apesar da terceira posição, a temporada foi apagada. Ou melhor, “sem sal”. A campanha foi decente e em nenhum momento a classificação para a Liga dos Campeões pareceu seriamente ameaçada. David Villa, David Silva, Pablo Hernández e Mata formaram um quarteto ofensivo dos mais insinuantes e César foi uma segurança no gol.

Mas não dá para ignorar o fato de o time terminar 25 pontos atrás do segundo colocado. Tendo o topo como parâmetro, faltou competitividade aos valencianistas. Considerando a fraqueza das equipes pequenas, dava para, ao menos, ficar uns 10 ou 15 pontos atrás da ponta.

De qualquer modo, a prioridade no Mestalla é faturar, e a classificação à LC, junto com a venda de Villa, será fundamental para o clube melhorar sua situação financeira e terminar a construção do novo estádio.