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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Campeones Del Mundo: David Silva

El Mago: David Silva teve um importante papel na conquista da Eurocopa da Espanha e é um dos jogadores mais idolatrados pelos torcedores (superdeporte)

Um líder silencioso, que fala com os pés. Para Vicente Del Bosque, este é David Silva, um dos meio-campistas de melhor visão de jogo no futebol mundial. Com uma enorme eficácia em seus passes e lançamentos, além de dribles de corpo muito úteis no meio de campo, constrói o jogo com relativa facilidade. Seu futebol preciso sempre o ligou a clubes como Real Madrid, Barcelona e Manchester United. Mas, em agosto de 2010, foi o Manchester City que ofereceu a melhor proposta para o tirar o Mago do Valencia e levá-lo à Premier League.

Pela seleção espanhola, David Silva viveu dois momentos distintos nas maiores glórias de sua carreira: enquanto teve um papel importante no título da Eurocopa, onde fez um gol na semifinal contra a Rússia, passou a maior parte da Copa do Mundo no banco de reservas, sendo preterido por Del Bosque na partida contra a Alemanha, quando o treinador preferiu colocar Pedro no lugar de Fernando Torres ao invés do ex-Valencia. Trajando a camisa roja, sempre fez sucesso: foi vice-campeão europeu sub-17 e campeão europeu sub-19, quando foi eleito o melhor jogador e líder de assistências da competição. Em 2003, no Mundial Sub-17 da Finlândia, foi vice-campeão ao perder para o Brasil de Nilmar na final, mas deixou o torneio com três gols e quatro assistências.

Na cidade de Manchester, a cada dia tem se tornado o xodó da torcida. Jogador do mês do Manchester City em outubro, novembro e dezembro de 2010, David Silva não demorou para se adaptar ao futebol inglês. Campeão da Copa da Inglaterra com seu novo clube, que não ganhava algo desde 1968, terminou a temporada com quinze assistências, líder máximo do quesito no elenco e na Premier League. Antes de sua aventura no futebol inglês, entretanto, Silva conquistou os aficionados do Valencia. É verdade que demorou até que El Mago fixasse seu espaço no elenco ché: o clube de Paterna o havia emprestado a outras equipes duas vezes no início de sua carreira (ao Eibar e ao Celta Vigo).

No Eibar, disputou todos os jogos da equipe granote na Liga Adelante 2004/2005, marcando seis vezes e dando quatro assistências. No clube da Galícia, Silva começou a despontar. Em 2005/2006, foram seis gols e seis assistências e o "prêmio" de jogador mais importante da temporada do Celta, que terminou em oitavo e, por dois pontos, não conquistou a vaga na Copa da Uefa 2006/2007. Após deixar boa imprensão nos celestes, a diretoria ché resolveu apostar no Mago e o trouxe de volta à Comunidade Valenciana.

Seu primeiro ano trajando blanquinegrou foi fundamental. Titular incontestável do meio-campo da equipe treinada por Quique Sánchez Flores, fez uma dupla letal com o artilheiro David Villa. Na Champions League, mostrou seu lado mais decisivo ao marcar gols importante contra Inter de Milão e Chelsea. Nessa temporada, o Valencia acabou caindo nas quartas-de-finais da competição europeia, sendo o espanhol mais bem colocado do torneio. A temporada 2007/2008 foi complicada para o Valencia, que, por pouco, não foi rebaixado, caiu na fase de grupos da LC e teve que se concentrar na Copa del Rey para conseguir uma vaga na Copa da Uefa posterior. E deu certo: o Valencia ganhou a competição e Silva conquistou seu primeiro - e único, diga-se de passagem - título com os Chés.

Após a Eurocopa, sofreu uma lesão no tornozelo esquerdo e ficou três meses parado, voltando apenas em dezembro de 2009. Àquela altura da temporada, o Valencia era terceiro colocado de La Liga, mas não aguentou o desgaste pelo plantel curto e terminou o campeonato em sexto, ficando, mais uma vez, de fora da Champions League. Em sua última temporada trajando blanquinegro, Silva formou junto com Villa e Mata um grande trio ofensivo, responsável por 71% dos pontos do Valencia na Liga. Como premio pela ótima temporada do trio, os blanquinegros conseguiram voltar à Champions, que David Silva acabou não disputando devido a transferência para o Manchester City.

David Silva
Nome completo: David Josué Jiménez Silva
Data de nascimento: 8 de janeiro de 1986, em Las Palmas, Espanha
Posição: Meia-atacante
Clubes: Eibar, Celta Vigo, Valencia e Manchester City
Títulos: Copa del Rey 2007/2008, FA Cup 2010/2011, Eurocopa Sub-19 2005, Eurocopa 2008, Copa do Mundo 2010

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Campeones Del Mundo: Javi Martínez

Na Copa, Javi Martínez jogou pouco, mas a carreira pelas seleções de base mostra um futuro brilhante para o jovem basco - (Soydelaroja)

Javier Martínez vestiu a camisa 20 e jogou pouco mais de 15 minutos durante a Copa do Mundo da África do Sul. Aos 27 minutos do segundo tempo da partida contra o Chile, o meia-central entrou no lugar de Xabi Alonso e fez sua única participação com a camisa roja no Mundial. Mas só de estar entre os 23 de Vicente del Bosque, Javi Martíinez entrou para história, fazendo parte do primeiro título mundial dos espanhois e tudo isso apenas aos 22 anos, mostrando que terá um futuro brilhante pela frente.

O basco nascido em Ayegui, comunidade de Navarra, no norte espanhol, entrou em escolinhas de futebol muito cedo. Durante muitos anos, Javi Martínez passou por vários clubes para fazer sua formação: Berceo, CD Logroñes, CD Arenas e Izarra. Mas foi no Osasuna que ele chegou ao final de sua carreira na base e se tornou profissional. Aos 17 anos, “El Mago de Aiegui” estreou pelo Osasuna B na Segunda Division B. Mesmo jovem, o meia-central se destacou ao ponto do Athletic Bilbao pagar 6 milhões de euros para ter o seu futebol.

A juventude não impediu que Martínez assumisse uma das vagas de titular do meio-campo da equipe basca. O ponto alto da temporada de debute veio em um jogo contra o Deportivo, quando ele alcançou um doblete na vitória de 2 a 0. No ano seguinte, o meia-central seguiu sua carreira na base e foi convocado e campeão da Eurcopa sub-19. Após a conquista, o basco passou a fazer parte da seleção sub-21, onde inclusive trajou a braçadeira de capitão muitas vezes.

Na temporada 2008-09, o meia-central de 1,90m teve ótima presença e ajudou muito o Athletic Bilbao. Com muita técnica, Javi Martínez contribuiu com cinco gols em La Liga e ainda trabalhou bem na Copa del Rey, quando o Barcelona acabou com o título vencendo os leones na final. O vice-campeonato garantiu a vaga à Liga Europa.

A temporada de 2009-10, sem dúvidas, foi o grande ano do “Mago de Aiegui”. Na Liga Espanhola foram 34 partidas, onde marcou seis vezes. O bom desempenho ajudou os leones, que quase conseguiram uma nova classificação para a Liga Europa, o que acabou não ocorrendo. Porém, o meia-central foi eleito pela Revista Don Balón, o melhor jogador jovem de La Liga. Na disputada continental, Javi Martínez fez apenas dois tentos e viu a equipe basca cair na primeira fase de mata-mata.

Ao final das disputas com o Athletic, o meia-central estendeu sua temporada, pois o técnico Vicente del Bosque lembrou dele para disputa do Mundial da África do Sul. Como dito na abertura do texto, Javi Martínez jogou pouco, mas esteve com a furia nesse momento histórico. No “stand-up” de apresentação dos campeões mundiais, o “apresentador” Pepe Reina lhe descreveu assim: “O homem que rouba mais bolas no mundo, a força, a garra e os músculos da Espanha”. Pelas palavras do líder da roja, fica clara a importância do jovem meia-central para o futuro da seleção espanhola.

Sem ter grande destaque na conquista mundial, Javi Martínez voltou para o País Basco mais experiente e com a medalha no peito. Além disso, o interesse sobre o jogador aumenta a cada dia (Manchester City e Real Madrid já foram especulado como possíveis destinos). No início da temporada 2009-10, o Liverpool chegou a fazer uma consulta sobre o jogador, mas os leones não quiseram ouvir a proposta. Comparado com Viera, pela altura, força e técnica com que exerce a função, ele já disse que jogar na Inglaterra seria espetacular.

Porém, mesmo depois do Mundial, o “Mago de Aiegui” segue jogando pelo Athletic. Os leones foram bem nesta temporada e conseguiram a vaga na Liga Europa do ano seguinte, o grande objetivo da temporada. Javi Martínez é presença certa entre os 11 iniciais e marcou quatro vezes na Liga. E o camisa 24, ignorou os interesses dos outros times e renovou com os bascos até 2016.

Javier Martínez
Nascimento: 2 de setembro de 1988, em Ayegui, Espanha
Posição: Meia-central
Clubes: Osasuna B (2005-06) e Athletic Bilbao (Desde 2006)
Títulos: Eurocopa sub-19 (2007) e Copa do Mundo (2010)
Seleção espanhola: 3 partidas e nenhum gol.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Campeones Del Mundo: Fernando Llorente

Fernando Llorente ergue a taça de campeão do mundo, o maior título de sua carreira, que foi alcançado com apenas 25 anos - FIFA

Grandalhão, mas com muita técnica. Do alto de seu 1,95m, Fernando Llorente é sinônimo de gols, seja com a perna direita, perna esquerda e, principalmente, de cabeça. No Mundial, com Pedro, Villa e Fernando Torres no plantel, ele teve pouco espaço. O camisa 19 jogou pouco mais de 30 minutos, contra Portugal, nas oitavas de final.

O futuro atacante nasceu em um hospital de Pamplona, onde uma tia sua trabalhava. Mas sua infância ocorreu em Rincón de Soto. A partir daí, Llorente começa a mostrar o talento para o futebol. Para jogar o esporte que amava, o ainda pequeno Fernando teve de voltar à região onde nasceu: Navarra, onde jogou pelo FC Funes. Logo depois, ele chegou ao River Ebro também das rendondezas de sua base.

Finalmente aos 11 anos, o atacante se tornou um dos leones, ao ingressar nas canteras do Athletic Bilbao. Desde o início da trajetória no clube basco, Llorente chamou a atenção, principalmente de José María Amorrortu, que indicou que ele fosse emprestado para ganhar experiência. O atacante, a princípio, rejeitou a ideia; porém, em 2003, acabou indo para o Baskonia (clube ligado aos leones).

No clube satélite foram 12 gols em 33 partidas, o que lhe rendeu a transferência para o time B do Athletic. No Athletic B foram apenas 16 jogos e quarto gols. Aos 19 anos, a partir daí, tudo começou a acontecer mais rápido em sua carreira. Logo estreou pelos bilbaínos e foi elogiado pela boa estreia. Três depois do debute, em um jogo da Copa del Rey anotou um triplete. Ao final do ano, os bons desempenhos lhe renderam a convocação para o Mundial sub-20, onde acabou como vice-artilheiro, perdendo apenas para Messi, que acabou ganhando o Mundial e o prêmio de melhor jogador.

Após o Mundial, Llorente voltou aos leones e viveu a pior e mais difícil fase da carreira. Foram duas temporadas lutando contra o rebaixamento, mas o Athletic conseguiu permanecer na elite. Depois do período em que marcou apenas sete vezes, em quase 50 jogos. O Rey León se concretizou, assumindo finalmente uma vaga entre os 11 de Joaquín Caparrós.

Ele inciou a temporada de 2008-09 embalado e foi pela primeira vez convocado pela seleção principal. O primeiro jogo ocorreu contra o Chile, mas ele passou em branco e só marcou pela roja em 11 de fevereiro de 2009, no 2 a 0, contra a Inglaterra. A partir daí, convocações se tornarão comuns na vida do centroavante basco. Ao final do ano, ele havia 18 vezes, sendo o principal artilheiro da equipe.

O feito foi repetido em 2009-10, foram 23 gols ao longo do ano e, no final da temporada, a sonha presença na lista dos 23 que iriam à África do Sul. Como dito no início, Llorente jogou apenas pouco mais de 30 minutos, mas ainda jovem já foi campeão do mundo, mostrando que sua trajetória com a fúria deve ser longa.

Nos primeiros jogos oficiais pós-Copa, o camisa 19 do Mundial decidiu: foi dele a metade dos seis gols, contra Lituânia e Escócia, jogos pelas Eliminatórias da Eurocopa 2012. No clube, o Rey León segue reinando e, nesta temporada, ajudou os bilbaínos com 18 gols. Assim o Athletic se classificou para a Liga Europa de 2011-12.

Fernando Llorente
Nascimento: 26 de fevereiro de 1985, em Pamplona, Espanha
Posição: Atacante
Clubes: FC Funes (1994-95), River Ebro (1995-96), Athletic Bilbao (1996-2003 e 2004-atualmente) e Baskonia (2003-04)
Títulos: Europeu sub-19 (2006) e Copa do Mundo (2010)
Seleção espanhola: 13 partidas e 7 gols

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Campeones Del Mundo: Juan Mata

Mata ganhou a Eurocopa Sub-19 e Sub-21 com as seleções de base e o Mundial com a seleção principal (getty images)

Na Espanha, poucos meio-campistas são tão completos quanto Juan Manuel Mata. Capitão do Valencia, o jogador alia a técnica para distribuir passes precisos à boa marcação quando necessário, dando-lhe uma capacidade ímpar de organização de jogo. Sua posição natural dentro dentro de campo é a meia-esquerda, ainda que jogue, naturalmete, como segundo atacante ou ponta, dependendo do esquerma. Em 2007/2008, com Ronaldo Koeman como treinador do clube ché, atuou muitas vezes como extremo pelo flanco direito do 4-2-3-1 do holandês. Entretanto, "manifestou" publicamente que, por ser canhoto, o flanco esquerdo é seu lugar preferido. Pedido atendido: Koeman o colocou no setor esquerdo e Mata nunca mais saiu da equipe titular.

El Mágico iniciou sua carreira futebolistica nas canteras do Oviedo, principal clube de sua cidade natal, Burgos. Com 12 anos, já mostrava uma técnica impressionante, além da velocidade e da naturalidade para dar passes e assistências precisas. O assédio do Real Madrid era enorme, e os azulones não conseguiram segurar o jovem Mata. No clube merengue, com 15 anos, chegou com status de grande promessa e foi o principal jogador da equipe juvenil A: na temporada 2005/2006 ganhou a Liga e a Copa del Rey, onde foi eleito o melhor jogador das duas competição. Com 17 anos, foi convocado para a disputar a Eurocopa Sub-19 com a seleção espanhola e seguiu mostrando suas virtudes: acabou o torneio como campeão e melhor jogador, marcando quatro gols e dando cinco assistências.

Não demorou muito para que Mata subisse para o Real Madrid Castilla: em 2006/2007, já era titular da filial merengue que disputava a Segunda División B. Mais deslocado para a esquerda do que de costume, devido ao 4-3-3 de Juan Ferrer, treinador do Castilla à época, terminou a temporada com dez gols (ficando atrás apenas de Álvaro Negredo) e oito assistências. Bernd Schuster, que havia sido eleito o novo treinador da equipe principal do Real Madrid em 2007/2008 após boa campanha com o Getafe, chamou três jogadores da filial para treinos da pré-temporada. Contudo, mesmo sendo um dos principais jogadores da filial e vindo de um bom Mundial Sub-2, Mata não fora chamado pelo alemão, o que acabou gerando bastante controvérsias nos bastidores merengue: o jogador era xodó de Ramón Calderón, presidente do Real Madrid à época.

Sem muitas chances em Chamartin, acabou rumando ao Valencia sem ao menos ter jogado uma partida pela equipe principal dos merengues. Nos blanquinegros, um déjà vu: inicialmente fora jogador do Valencia Mestalla (filial da equipe A) e não sendo aproveitado por Quique Sánchez Flores na equipe principal. Porém, ao contrário do que aconteceu na capital, El Mágico não abaixou os braços e continuou jogando com a filial. Com a chegada de Koeman para substituir Quique, as participações de Mata com a equipe principal passaram a ser mais habituais. Na Liga BBVA, o Valencia passou por uma de suas maiores crises nos últimos anos, o que serviu para os chés concentrarem-se mais na Copa do Rei.

Na segunda principal competição nacional, Mata se destacou: marcou cinco gols, sendo um contra o Barcelona na semifinal decisivo, foi o artilheiro do Valencia (vice-artilheiro da competição) e acabou campeão, após vitória na final ante o Getafe. No campeonato espanhol, foram poucos minutos, mas quatro gols. A partir de 2008/2009, tudo ganhou novo rumo para o meio-campista (e para o Valencia). Após um início bastante promissor, porém, o Valencia acabou falhando na reta final e perde uma vaga na Champions League. Individualmente, a temporada de Mata foi notável. Marcou doze gols e deu assistência para seis, além de formar parte do tridente ché, ao lado de David Villa e David Silva. Os três, juntos, garantiram 71% dos pontos do Valencia na Liga e participaram de 34 dos 55 gols da equipe de Unai Emery, uma porcentagem de 62% de acerto.

Na temporada 2009/2010, o Valencia voltou a se classificar para a Champions League, com Mata mais efetivo e vestindo a camisa dez, procedente de Angulo. Seus números aumentaram: 14 gols e oito assistências. O prêmio pela boa temporada foi a convocação para a Copa do Mundo, onde não titular devido a concorrência com jogadores como Iniesta, Xavi e, se deslocado, Pedro. Nos amistosos de preparação, chegou a ser titular contra a Arábia Saudita, mas não foi bem, atuando mais isolado do que de costume no 4-5-1 de Del Bosque.

No retorno a Paterna, Mata sabia que iria se tornar o protagonista: o Valencia não conseguiu segurar David Villa e David Silva, que rumaram para o Barcelona e para o Manchester City, respectivamente. Em uma de suas enrolações, o Marca chegou a confimar que o Barcelona havia pagado 20 milhões e contratado o jogador. Apesar de Unai ser adepto às rotações, Mata raramente sai da equipe titular e, após pegar a braçadeira de capitão, tornou-se, literalmente, um líder nato dos vestiários, mesmo com apenas 22 anos. Eleito um dos destaques do Valencia no especial Balanço Geral feito pelo blog, renovou seu contrato com os chés em janeiro de 2011. Fechou a temporada com o título do Europeu Sub-21, tornando-se, junto com Javi Martinez, os dois únicos jogadores a conquistarem primeiro a Copa do Mundo e depois a Eurocopa da categoria.

Apesar das muitas investidas do Liverpool, Barcelona, Arsenal e Tottenham, Manuel Llorente, presidente do Valencia, afirmou em uma entrevista ao Superdeporte (leia aqui) que o clube não pretende se desfazer de seu principal jogador. O Barcelona chegou a ficar de olho no jogador caso a contratação de Alexis Sánchez falhasse, mas o chileno está muito próximo dos blaugrana. Possivelmente, Mata irá continuar mesmo no Valencia, que chegará forte para a nova temporada: conseguiu a manuntenção da base terceira colocada da temporada passada e trouxe os bons Piatti e Dani Parejo. É esperar para ver.

Juan Mata
Nome completo: Juan Manuel Mata García
Data de nascimento: 28 de abril de 1988, em Burgos, Espanha.
Posição: Meio-campista.
Clubes: Oviedo, Real Madrid Castilla e Valencia
Títulos: Copa do Rei 2007/2008, Eurocopa Sub-19 2006, Eurocopa Sub-21 2011 e Copa do Mundo de 2010.

domingo, 17 de abril de 2011

Craques da LFP: Savo Milosevic

Milosevic foi um dos principais nomes do Osasuna vice-campeão da Copa do Rei e semifinalista da Copa Uefa (ESPN Soccernet)

Nascido em Bijeljina, cidade do extremo nordeste da Bósnia, “Cabo”, como se pronuncia seu nome, foi encontrado em 1989, com apenas 16 anos, na base do pequeno Radnik. Com características ofensivas assaz destacáveis, foi fisgado pelo Partizan Belgrado — arqui-rival do Estrela Vermelha, clube com o qual Milosevic (o assassino) tinha tênue relação, especialmente com a torcida. Pelos Grobari, conquistou o bicampeonato nacional em 1993/94 e 1994/95, e levou, em duas oportunidades (sendo a primeira com apenas 19 anos) o posto de artilheiro do nacional. O então menino Savo fez incríveis 74 gols em 98 partidas, ganhando as primeiras chances na seleção iugoslava, estreando, contra o Brasil, em 1994.

Após ser o grande nome do Partizan em duas das três temporadas em que atuou, foi comprado pelo Aston Villa por 3,5 milhões de euros. Em Birmingham, aos 21 anos, Milosevic veio com a missão de substituir um dos ídolos do time, o galês Dean Saunders. No primeiro momento, mostrou estar apto a tentar cumprir a missão, assinalando 14 gols em sua temporada de estreia, ajudando a equipe a terminar a Premier League em 4° lugar e a se sagrar campeã da Copa da Liga Inglesa de 1996, marcando um dos gols da vitória por 3 a 0 frente o Liverpool na decisão. No entanto, o desempenho nos dois anos seguintes foi pífio, com apenas 15 gols em 53 jogos. Com isso, além de Savo ser enxotado para o Real Zaragoza pelo mesmo valor de compra e obter o desagradável apelido de “miss-a-lot-evic” — em alusão ao número de gols que estava perdendo —, foi listado como uma das dez piores contratações estrangeiras da liga inglesa em todos os tempos. Antes de ir para a Espanha, disputou a Copa de 1998, embora, dando prosseguimento à fase negativa, não tenha marcado gols.

Pelos blanquillos, Milosevic demonstrou que poderia recuperar o ritmo que o fez ser matador no Partizan, assumindo a titularidade e assinalando 17 gols em sua primeira temporada pelo clube. Na seguinte, o número de bolas na rede aumentou para 21, sendo, inclusive, o quinto colocado na artilharia da liga espanhola. Uma volta por cima que teria as pinceladas mais firmes com o início da Eurocopa, em 2000. Não que os iugoslavos tivessem feito grande campanha na competição (apenas uma vitória em quatro jogos, com um empate e duas derrotas). No entanto, para Savo, o momento foi único. Logo na estreia da competição, no confronto contra a Eslovênia, tudo parecia que ia dar errado, já que, com 12 minutos da segunda etapa, os iugoslavos já perdia por 3 a 0. Foi quando o atacante entrou em cena. E na partida que, para muitos, é considerada uma das mais inesquecíveis daquela Eurocopa, o avante de naturalidade bósnia fez chover em Charleroi. Com dois gols em sete minutos, ressuscitou a Iugoslávia na partida, que terminou empatada em 3 a 3.

Com moral, “Cabo” se tornaria o principal jogador da seleção nas partidas que se sucederam, mesmo tendo, como companheiros de equipe, nomes então mais bem reconhecidos, como Dejan Stankovic, Sinisa Mihajlovic e, principalmente, o ídolo do Real Madrid, Predag Mijhatovic. Contra a Noruega, na rodada seguinte, precisou de apenas oito minutos para decretar a primeira — e única! — vitória da seleção no torneio. No jogo contra a Espanha, derrota dramática por 4 a 3, e Milosevic, antes criticado pela falta de tentos, fez o seu. Mesmo na goleada sofrida para a Holanda, por 6 a 1, Savo deixou sua marca de matador. Com cinco gols em quatro jogos, alcançou uma inesperada artilharia, ao lado de Patrick Kluivert (um jogo a mais). ). Era o momento mais importante da carreira do atacante, segundo o próprio atleta, que, em boa fase, recebeu nova chance em um time de maior panorama, sendo negociado, por 16 milhões de euros, com o Parma. No entanto, a forte pressão da diretoria gialloblu e a modesta quarta posição em sua temporada de estreia fizeram com que fosse emprestado ao futebol espanhol, voltando ao Zaragoza.

Savo não repetiu as boas atuações em seu retorno aos Blanquillos. Além disso, nos demais times em que esteve emprestado — Espanyol e Celta de Vigo —, os desempenhos foram apenas regulares. Em 71 jogos, somando-se as atuações por ambas as equipes, foram 26 gols. Parecia que a Espanha, seu reduto de sucesso de outrora, já não lhe fazia tão bem para seu faro de gol como antes. Apenas parecia. Foi quando veio o Osasuna, onde descobriria — mais tarde, talvez? — que poderia ser mais do que um matador.

Milosevic nunca foi um artilheiro nato pelos Rojillos. Por exemplo: em sua primeira temporada, em 2004/05, fez apenas sete gols em 27 partidas. No entanto, até pela experiência que adquiriu, foi o cabeça do time que alcançaria, de maneira espetacular, a decisão da Copa do Rei e, posteriormente, uma vaga para a Copa da UEFA. Começava ali, aliás, o principal momento da equipe vermelha e azul nos últimos anos, já que, no campeonato seguinte, alcançaria o 4º lugar (Savo fez 11 gols).

Após uma temporada 2006/07 apagada — e apenas quatro gols em 23 jogos — Milosevic chegou ao final de seu contrato, e o fim de sua carreira, até pela idade — já tinha seus 34 anos —, eminente. Porém, recebeu um último convite, para atuar no Rubin Kazan, da Rússia. Entrou apenas 16 vezes em campo, mas o suficiente para fazer o gol mais importante da história do clube, que assegurou o primeiro título russo à equipe, na vitória sobre o Saturn.

Pela seleção, por sua vez, mesmo com a divisão da Iugoslávia em Sérvia e Montenegro, o jogador bósnio tem seu nome escrito na história. É quem mais atuou e marcou pelo país, com 101 jogos e 32 gols. Teve, ainda, a oportunidade de encerrar a carreira em grande estilo pela seleção sérvia (após nova divisão com os montenegrinos), na goleada por 6 a 1 sobre a Bulgária. Mostrando que, mesmo às portas da aposentadoria e já atuando de maneira mais contida em campo, não esqueceu como fazer gols. Foi quando o maior artilheiro da Iugoslávia fez seus dois últimos tentos em sua vida futebolística.

Savo Milosevic
Local de nascimento: Bijeljina, Bósnia
Data de nascimento: 02/09;1973
Clubes que defendeu: Radnik (BOS), Partizan, Aston Villa, Real Zaragoza, Parma, Espanyol, Celta Vigo, Osasuna, Rubin Kazan

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Craques da LFP: Meho Kodro

Kodro foi um dos grandes ídolos da Real Sociedad no inicio da década de 90... (jugadorsmiticic)

Na década de 90, os bósnios eram meros coadjuvantes de iugoslavos – hoje também separados entre sérvios e montenegrinos – e croatas, entre as repúblicas que se emanciparam da antiga Iugoslávia. Mesmo a Eslovênia, espécie de terceira força, conseguiu se classificar para o Mundial de 2002. Um centroavante, porém, se destacava no futebol espanhol e, mesmo fazendo poucas partidas pela seleção bósnia, se consagrou como o primeiro ídolo futebolístico do país recém-criado. A participação de Meho Kodro no início dessa trajetória vai muito além dos 13 jogos e três gols marcados, ou mesmo da braçadeira de capitão que ostentou durante esse período.

Nascido em Mostar, antiga Iugoslávia e atual capital da Herzegovina, Kodro começou a se destacar aos 18 anos, no Vélez Mostar, clube atualmente mediano na antiga Iugoslávia e que manteve o tamanho no novo país. Em seis temporadas, o atacante marcou 48 gols em 129 jogos. Alto e forte, usava seu 1.88m de altura para levar vantagem sobre os zagueiros na bola aérea, além de mostrar técnica com a bola nos pés e ser perigosíssimo nas cobranças de faltas e pênaltis.

O fato de se “esconder” em um clube de menor expressão não impediu que seu talento fosse visto no país. Ainda em 1991, antes da guerra estourar, o atacante chegou a disputar duas partidas pela seleção iugoslava, que tinha como base o então campeão do mundo Estrela Vermelha e contava, no ataque com Davor Suker. Com o início dos conflitos, Kodro preferiu imigrar e encontrou, curiosamente em outra área conflituosa, o lugar perfeito para desenvolver seu futebol.

Aos 25 anos, Kodro desembarcava no País Basco, mais precisamente na cidade de San Sebastián. Era o novo reforço do Real Sociedad, e chegava sem muito alarde. Seus dois primeiros anos foram quase tão discretos quanto sua chegada, e o próprio centroavante admitiu que teve problemas para se concentrar no próprio trabalho enquanto muitos familiares e amigos continuavam vivendo em Mostar sob a mira de bombardeios diários. A partir da temporada 1993/94, porém, tudo mudou. Aliando força e técnica, Kodro marcou 23 gols e ficou na terceira posição na tabela de artilheiros, atrás de Romário e Davor Suker, seu antigo concorrente na seleção iugoslava, que optou por defender a Croácia. No ano seguinte, mais 25 gols e a vice-artilharia da Liga, atrás apenas de Iván Zamorano, então no Real Madrid. O desempenho, obviamente, atraiu a atenção de clubes maiores, e a transferência para o Barcelona em 1995 foi inevitável.

... e transferência para o Barcelona foi inevitável: o atacante foi o substituto de Romário (sport.es)

Após brilhar por duas temporadas no Real Sociedad, Kodro chegava em Barcelona com o aval do técnico Johan Cruijff e uma missão praticamente impossível pela frente: substituir Romário, então melhor jogador do mundo e recém-transferido para o Flamengo, no comando de ataque e, principalmente, no coração da torcida, que naquele ano também viu a saída de Hristo Stoitchkov, vendido ao Parma.

Como se não bastasse a sombra de Romário, a passagem de Kodro pela Catalunha foi marcada por algumas lesões e pelo desgaste de Cruijff com a diretoria, que culminou com a saída do holandês do cargo no final da temporada. Com a contratação de Ronaldo, o bósnio perdeu seu espaço na equipe e se mudou para o Tenerife em troca de Juan Antonio Pizzi, outro artilheiro que fracassou no Camp Nou. Nas Ilhas Canárias, Kodro não repetiu o desempenho dos tempos de Real Sociedad e marcou apenas 18 gols em três temporadas. Em 1999, o centroavante transferiu-se para o Alavés, e no ano seguinte mudou-se para Israel, onde encerrou a carreira atuando pelo Maccabi Tel Aviv em 2002, aos 35 anos.

Após a aposentadoria, Kodro continuou ligado ao futebol, trabalhando como auxiliar-técnico de José Mari Bakero no próprio Real Sociedad em 2006. Em janeiro de 2008, o ex-centroavante assumiu o comando técnico da seleção da Bósnia como nome de consenso no país, mas foi demitido em maio, após um desentendimento com a federação por ter se recusado a disputar um amistoso contra o Irã.

Mesmo com o incidente, seu prestígio continua inabalável na Bósnia e, enquanto procura um novo emprego, Kodro pode desfrutar de um merecido período de descanso, sem a possibilidade de novas guerras. E com a certeza de que contribuiu muito para o grande salto de qualidade do futebol em seu país.

Texto original de Pedro Venancio.

Meho Kodro
Nome completo: Mehmed “Meho” Kodro
Data de nascimento: 12/01/1967
Clubes: Velez Mostar-BOS, Real Sociedad-ESP, Barcelona-ESP, Tenerife-ESP, Alavés-ESP e Maccabi Tel Aviv-ISR

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Craques da LFP: Valery Karpin

Karpin foi, ao lado do também russo Aleksandr Mostovoi, a estrela do "EuroCelta", nome criado para apelidar o time que conquistou resultados expressivos diante de gigantes europeus(halacelta.es)

Observando a classificação da segunda divisão espanhola nas últimas temporadas, fica evidente que o Celta de Vigo se tornou um frequentador habitual da metade inferior da tabela. Trata-se, portanto, de uma realidade bastante diferente quando comparada aos feitos que a equipe da Galícia conquistou num passado ainda recente, entre o fim dos anos noventa e o início da década seguinte.

Neste período glorioso, além da manutenção constante na divisão principal, os celestes emplacaram seguidas classificações para a Copa da UEFA, um título na Copa Intertoto e um vice na Copa do Rei. EuroCelta foi o nome criado pela imprensa espanhola para apelidar o time que conquistou resultados expressivos diante de gigantes europeus, como Liverpool, Benfica e Juventus. Entre os nomes que fizeram parte desta era histórica para os galegos, estão os franceses Dutruel e Makélélé, os argentinos Gustavo López e Fernando Cáceres, os brasileiros Mazinho e Catanha, o espanhol Míchel Salgado e o israelense Revivo.

Entretando, as estrelas da companhia sempre foram russas: Aleksandr Mostovoi e Valery Karpin. Os meias formavam uma dupla perigosa e entrosada, que se conhecia desde os tempos de Spartak Moscou, quando a União Soviética ainda existia. Enquanto Mostovoi construiu praticamente toda sua carreira espanhola com a camisa celeste do Celta, Karpin destacou-se também com as cores da Real Sociedad, além de uma passagem pelo Valencia.

Valery Georgievich Karpin nasceu em 1969, em Narva. Apesar de fazer parte do território estoniano, a cidade possui mais de 80% de russos ou descendentes, além de se localizar na fronteira entre os dois países - o que explica sua origem étnica. Iniciou sua carreira no Sport Tallin e teve passagens rápidas por CSKA Moscou e Fakel Voronezh, antes de chegar ao Spartak Moscou, em 1990, aos 21 anos. Em cinco temporadas pelo time moscovita (duas pela antiga Liga Soviética), firmou-se como um dos principais jogadores da geração pós-URSS, conquistando seguidamente os três primeiros campeonatos russos disputados.

Coube a Karpin a honra de marcar o primeiro gol da novíssima seleção russa, num amistoso diante do México, em agosto de 1992, numa vitória por 2 a 0. Sua estréia aconteceu ainda pela CIS (sigla do inglês Commonwealth of Independent States - Comunidade dos Estados Independentes), durante a fase de transição entra a extinta União Soviética e a formação das novas seleções. Era só o começo de sua longa tragetória de onze anos, 72 jogos e 17 gols com a camisa nacional. Esteve nas Copas de 1994 e 2002 e na Eurocopa de 1996, se despedindo em 2003. Apesar da origem genuinamente russa, Karpin foi o primeiro jogador de futebol nascido na Estônia a disputar uma Copa do Mundo.

Após o Mundial do Estados Unidos, o meia transferiu-se para a Real Sociedad. Após dois anos de destaque pelos bascos, foi reforço do Valencia para 1996-1997. A campanha dos morcegos foi decepcionante, mas Karpin jogou boa parte das partidas e anotou meia dúzia de gols. Entretanto, a regularidade não foi suficiente para sua manutenção e, na temporada seguinte, já estava no Celta. Em Vigo, reencontrou-se com Mostovoi e viveu o melhor momento de sua carreira, sendo eleito o melhor jogador russo de 1999.

Depois de mais cinco temporadas na Galícia, acertou seu retorno à Sociedad. Em sua segunda passagem pela equipe de San Sebastián, liderou o time surpreendente que disputou, ponto a ponto, o título espanhol de 2002-2003 com o galático Real Madrid. Os merengues, de Figo, Zidane, Raúl e Ronaldo, levaram a melhor em cima do bom elenco basco, que contava também com Xabi Alonso, De Pedro, Kovacevic e Nihat. A Karpin, restou o consolo de poder disputar a Champions League seguinte.

Apesar de ainda se manter como um dos jogadores mais frequentes da equipe, o russo se aposentou após o término da temporada 2004-2005.

Vida como ex-jogador
Fora dos gramados, Karpin fixou residência em Vigo e tornou-se empresário no ramo imobiliário, em sociedade com o ex-companheiro Míchel Salgado. Além disso, passou patrocinar equipes de ciclismo, vôlei e rúgbi. Em seu último ano na cidade, recebeu fortes críticas por ser considerado um dos grandes responsáveis pela especulação imobiliária crescente na cidade galega.

Em 2008, retornou ao Spartak, como diretor Geral. Em 2009, assumiu o comando do time interinamente, como substituto do demitido Michael Laudrup. O bom desempenho naquele ano e o vice-campeonato provocaram sua efetivação. Entretanto, os fracos resultados na atual temporada do futebol russo (cinco vitórias em quinze jogos) fazem do ex-ídolo Krasno-belye um sério candidato a conhecer sua primeira demissão como treinador.

Texto de Rodolfo Zavati

Valery Karpin
Nome completo: Valery Georgievich Karpin
Data de nascimento: 02/02/1969
Clubes como jogador: Sport Tallin-EST (1986 a 1988), CSKA Moscou (1988), Fakel Voronezh-RUS (1989), Spartak Moscou (1990 a 1994), Real Sociedad (1994 a 1996), Valencia (1996 a 1997), Celta de Vigo (1997 a 2002) e Real Sociedad (2002 a 2005)
Clubes como técnico: Spartak Moscou (desde 2009)
Títulos: Campeonato Russo (1992, 93 e 94), Copa da Rússia (1992) e Copa Intertoto (2000)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Ronaldo e a Espanha

Ronaldo: melhor do mundo no Barcelona (abril)

Nenhum torcedor – ou talvez o italiano na época de Internazionale – viu um Ronaldo tão dominante tecnicamente quanto o espanhol. E foram dois Ronaldos bem diferentes. O primeiro, o catalão, estava no auge de sua forma física. Era pura explosão. O segundo, madrileno, já era mais experiente, sabia como usar a inteligência para economizar tempo e espaço em campo. Não foram poucos os jogadores a defenderem as camisas de Barcelona e de Real. Foram 33 no total, de nomes que vão de jogadores medianos como Celades e Soler a craques como Eto’o, Hagi, Schuster, Figo, Zamora, Michael Laudrup e Evaristo. Muitos deles são bem aceitos nos dois lados da rivalidade, mas poucos (e Evaristo é um deles) são tão benquistos das duas torcidas.

“O Fenômeno.” Muito se fala do que Ronaldo poderia ser se não tivesse tantos problemas físicos. O barcelonista sabe como seria. A temporada do brasileiro no Camp Nou foi fora do comum. Em jogos oficiais, foram 47 gols em 49 jogos, sendo 34 (em 37 partidas) pelo Campeonato Espanhol. Foi artilheiro destacado da temporada, chegando a estabelecer o recorde de ir às redes em dez rodadas seguidas. Seus gols, muitos deles decisivos, ajudaram a carregar o Barcelona na disputa do título com o Real Madrid.

Não foi suficiente. Os merengues ficaram com o título por dois pontos (92x90), mas o Barça terminou com o melhor ataque (102x85) e mais vitórias (28x27). Faltou time. O Barcelona da época não era um esquadrão como o de hoje. O time-base era Vítor Baía; Ferrer, Abelardo, Popescu e Sergi; Fernando Couto, Guardiola, De La Pena e Luis Enrique; Figo e Ronaldo. O técnico era o inglês Bobby Robson e seu auxiliar, José Mourinho. Ainda assim, esse time não terminou a temporada 1996/97 sem título. Conquistou a Recopa ao vencer o Paris Saint-Germain na final: 1 a 0, gol de Ronaldo de pênalti. O time ainda conquistou a Copa do Rei ao vencer o Betis por 3 a 2 na decisão. O brasileiro não participou porque já estava servindo à seleção brasileira na Copa América da Bolívia.

Certamente foi uma das melhores temporadas de um jogador nos últimos 20 anos. Ronaldo não ficou porque ele e seus empresários pediram um novo contrato ao Barcelona, com substancial aumento. Recebeu um “não” e preferiu ir à Internazionale. Foi eleito o melhor do mundo em 1996 e 97 e recebeu a Bola de Ouro em 1997.

“El Gordo.” Para muitos torcedores do Real Madrid, o apelido que melhor cabe a Ronaldo faz referência a sua barriga, e não a dotes fenomenais. Mas, de um modo que só os latinos sabem fazer, xingar é uma forma de mostrar carinho. E não se duvide o quanto de crédito o atacante tem com o torcedor merengue. Com a camisa branca, foi um grande, um dos jogadores que realmente justificava o apelido de galáticos com que Florentino Pérez queria consagrar o clube de Chamartín.

Seu retorno ao futebol espanhol, após cinco temporadas em Milão, foi espetacular. Entrou no segundo tempo em uma partida pelo Campeonato Espanhol contra o Alavés e marcou dois gols. O primeiro, apenas dois minutos depois de entrar em campo. Há quem pense que o último grande momento de Ronaldo foi com a camisa da Seleção, na Copa de 2002. Injustiça por tudo o que ele fez em Madrid. Foram cinco temporadas (2002/03 a 2006/07), com 104 gols em 177 jogos. Foi o artilheiro da liga na temporada 2003/04, com 25 gols. Conquistou um Mundial de Clubes e dois Campeonatos Espanhóis (o último em sua temporada de despedida do clube, jogando só a primeira metade).

Mas, em Madrid, mais importante que os números e os troféus, foram os momentos de estrela. Ao colocar o atacante ao lado de Zidane, o Real Madrid finalmente tinha um time que podia se vender ao mundo como galático. E, por um tempo, o fez. De fato, era um clube que provocava furor mundial, do qual efetivamente se esperava coisas espetaculares sempre. Teve menos títulos porque o projeto de marketing superou o esportivo.

Por isso, Ronaldo é ídolo em Barcelona e em Madrid. Em cada clube vivia uma fase física diferente, mas foi espetacular nos dois momentos. Sorte dos espanhóis de terem visto isso de perto.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Craques da LFP: Luis Figo

Figo não demorou para se adaptar ao Barcelona, onde mostrou um futebol incrível e conquistou os aficionados culés... (abola.pt)

Figo nasceu em Lisboa em uma família de classe média na capital portuguesa. Como costumeiramente acontece com os meninos, tinha o futebol como maior paixão e passava horas dedicando-se ao esporte. Nessa toada, começou a se destacar e seus pais pensaram em levar um pouco mais a sério a aptidão do garoto.

O primeiro clube que teve Luís Figo em suas fileiras foi o simpático Os Pastilhas, da Cova da Piedade, região onde o jovem morava. A primeira posição que pensou em ocupar foi a de zagueiro. Mas aos poucos a habilidade falou mais alto e os treinadores enxergavam que Figo teria mais sucesso se atuasse à frente. Não tardou muito para que Figo ingressasse nas equipes de base do Sporting, um dos gigantes de sua cidade. O clube alviverde é famoso por suas revelações da base e, naquele período final dos anos 1980, constituía-se como um dos melhores locais para que um garoto desse seus primeiros passos no futebol.

Em 1989, fez seu primeiro jogo pelo profissional do Sporting. Foi um dos principais jogadores do clube por todo o tempo que esteve lá – embora não tenha conseguido reverter o bom desempenho em títulos. A única taça que Figo levantou por lá foi a Copa de Portugal de 1994/5, quando o Sporting venceu o Marítimo na decisão, num dos últimos jogos de Figo pelo clube.

A ascensão da carreira de Figo se deu de maneira simultânea ao do próprio futebol português como um todo. Senão, vejamos: até a década de 1980, Portugal nada mais era do que um país de futebol medíocre e que se vangloriava à exaustão da campanha de 1966. Hoje, é uma seleção com duas participações seguidas na Copa, quatro na Eurocopa e que, caso não consiga se classificar para o Mundial da África do Sul, causará uma grande surpresa. Essa elevação do futebol de Portugal se explica quando se vê o que o país fez no futebol de base entre o final da década de 1980 e o início da de 1990. Foram dois títulos mundiais sub-20: na Arábia Saudita, em 1989, e em casa, em 1991.

Na segunda taça, Figo era titular do time e vestia uma exótica camisa de número 3 no meio-campo. Fez um gol de pênalti na disputa que deu o título ao seu país na final contra o Brasil – um chute certeiro, forte, no ângulo esquerdo do arqueiro brasileiro Roger (ele mesmo, o eterno reserva). Com a campanha, Figo se tornou, ao lado de Rui Costa, João Pinto e outros, uma das estrelas de uma geração que revitalizava o futebol de Portugal. Três anos depois, por pouco não conquistou outro título: a seleção portuguesa foi vice-campeã do Europeu Sub-21, perdendo para a Itália por 1x0 na decisão. Como consolação, Figo foi eleito o melhor jogador do torneio. Seria o seu segundo título europeu na base: em 1986, foi campeão sub-16, fazendo um dos gols na decisão.

Vale ressaltar que ainda em 1991, no ano do título mundial, Figo estrearia na seleção principal portuguesa – e contra Luxemburgo, o mesmo país que Eusébio, “concorrente” do lisboeta na posição de melhor jogador da história de Portugal, enfrentou quando começou. A camisa vermelha acabou se tornando sinônimo de Luís Figo e com certa naturalidade ele se tornou o principal nome da seleção portuguesa. Foi titular nas Copas de 2002 e 2006, sendo que nessa última carregou a braçadeira de capitão.

... mas o carinho logo se transformou em revolta quando o português trocou o time pelo rival merengue, onde assumiu a camisa 10 e foi campeão europeu (article)

Se por um lado Figo se consagrou como o principal ídolo do esporte português na década, e carrega fama de bom-moço corroborada por dar o seu nome a uma fundação que ajuda crianças carentes, por outro sua trajetória não se viu livre de polêmicas. A mais célebre ocorreu quando trocou o Barcelona pelo Real Madrid, em 2000. Sim, o futebol de hoje é profissional e já não é mais tão surpreendente ver um atleta saindo de um clube e indo para um rival. Mas é que Figo sempre se identificou muito com o Barça e até mesmo com a Catalunha, e por isso a “traição” ganhou contornos épicos. Na primeira vez que Figo foi a Barcelona para jogar pelo Real, foi alvo de uma perseguição ímpar pelos torcedores blaugranas, com direito a ver uma cabeça de porco sendo jogada ao seu lado.

Anos antes, outra transferência sua também foi motivo de barulho. Foi quando quis deixar o Sporting para ir a um gigante do continente. Os primeiros times que se interessaram pelo seu futebol foi a tradicional Juventus e o emergente Parma. Na dúvida de qual agremiação escolher, Figo optou por assinar contrato com as duas. Evidentemente que tal situação foi coibida pela Uefa e assim Figo não pôde ir para a Itália – e foi o que o acabou levando para a Espanha.

Mesmo na Internazionale, já menos alvo dos holofotes, Figo chegou a aprontar uma situação inusitada: recebeu proposta de um time árabe para encerrar a carreira no Oriente Médio, chegou a dar entrevistas como atleta do clube, mas na última hora, optou por permanecer na Itália.

Esses incidentes não abalam a reputação de Figo, que viveu seu maior momento na carreira quando foi eleito o melhor jogador do mundo em 2001. Hoje, aposentado dos gramados, Figo é dirigente da Inter. Uma saída honrosa para aquele que é – no mínimo – o segundo melhor jogador da história de Portugal.

Luis Figo
Nome completo: Luís Filipe Madeira Caeiro Figo
Data de nascimento: 04/11/1972
Local de nascimento: Lisboa, Portugal
Clubes que defendeu: Sporting, Barcelona, Real Madrid, Internazionale
Títulos: Eurocopa Sub-20 1991, Copa de Portugal 1995, Supercopa de Portugal 1995, Supercopa da Espanha (1996, 2001, 2003), Copa del Rey (1997, 1998), Campeonato Espanhol (1997-98, 1998-99, 2000-01, 2002-03, Supercopa da UEFA (1997, 2002), Liga dos Campeões da Uefa (2001-2002), Mundial de Clubes (2002), Supercopa da Itália (2005, 2006, 2008), Coppa Itália (2006), Campeonato Italiano (2005-06, 2006-07, 2007-08, 2008-09).

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Craques da LFP: Rubén Baraja

Volante da década no futebol espanhol, Baraja é um dos grandes ídolos do Valencia, clube com o qual tanto se identificou (AP Photo)

Se jogasse no futebol inglês, Baraja seria classificado como um meio-campista box-to-box, ou seja, um atleta que cumpre todas as funções da meia-cancha. “El Pipo”, como foi apelidado, conquistou quase tudo no futebol espanhol vestindo a camisa do Valencia, clube em que passou dez anos e levantou cinco taças.

Nascido em Valladolid, Baraja começou no futebol em casa e com 18 anos iniciou sua caminhada no time B pucela. Porém, ele só jogou três anos pelo clube da cidade natal, onde ora estava com os profissionais, ora alinhava junto à segunda equipe. “El Pipo” mostrou qualidade e chamou a atenção do Atlético de Madrid, que acabou o contratando para sua filial. Jogando em Madrid, ele evoluiu muito seu jogo, mas fez seu debute na equipe principal colchonera apenas no último ano que vestiu rojiblanco. Mostrando boa precisão nos passes, arremates de fora da área e bolas paradas, além de visão de jogo e força no jogo aéreo, Baraja foi vendido ao Valencia.

Foi com os Ches que Baraja alcançou o sucesso e se tornou integrante da seleção espanhola. A primeira convocação ao time principal da Roja veio no ano do debute no Valencia, em 2000, e a partir daí, chamados da fúria ocorreram até 2005. Baraja representou o país na Copa do Mundo de 2002 e na Eurocopa de 2004. Nas duas competições a Espanha não foi bem. No Mundial, perdeu para Coréia do Sul, nas oitavas de final, em jogo recheado de polêmicas. Já na Euro disputada em Portugal, os espanhóis fizeram pior e foram eliminados na primeira fase, no grupo que contava com os futuros campeão (Grécia) e vice (Portugal) do torneio. Um ano após o fracasso na competição europeia, o meia deixou La Roja, onde jogou 43 vezes e marcou sete gols.

Baraja se tornou um ídolo Ché, pois era um líder em campo, e juntamente com Albelda formou uma das duplas de meias-centrais mais completas dos anos 2000. Ambos (Albelda era reserva e participou do segundo tempo) estavam na final da Liga dos Campeões de 2000-01, quando o forte Bayern de Munique só venceu os valencianistas na disputa de pênaltis. Porém o auge foi alcançado sob o comando de Rafa Benítez, quando o Valencia fez frente a Barcelona e Real Madrid por pelo menos quatro anos. Primeiro Baraja foi titular da equipe, que venceu La Liga em 2001-02 com sete pontos de vantagem para o vice-campeão Deportivo e contando com a melhor defesa do campeonato.

A grande temporada ocorreu em 2003-04. “El Pipo” foi um dos pilares dos Ches, que venceram três títulos durante a temporada. Dessa vez o vice-campeonato ficou com o Barcelona e novamente a defesa – protegida por Baraja – recebeu o prêmio de menos vazada de La Liga. Mas a grande conquista foi a Copa UEFA. A forte equipe campeã contava com Cañizares, Ayala, Marchena na defesa, Albelda, Baraja e Vicente no meio e a dupla Angulo e Mista no ataque. Na final, o Marseille de Drogba não conseguiu evitar a derrota por 2 a 0. De quebra, o valencianos ainda levaram a Supercopa da Europa ao vencer o Porto – já sem Mourinho e Deco – por 2 a 1, o importante Baraja anotou o primeiro da conquista e foi eleito o melhor jogador da partida, pela UEFA.

O Valencia perdeu alguns atletas importantes das conquistas e Rafa Benítez também se foi. Porém, Baraja seguiu na equipe e ainda fez parte de mais um elenco campeão. Em 2008, era o capitão da equipe que contava com David Villa e David Silva e que se sagrou campeã da Copa del Rey sobre o Getafe.

Depois da última conquista, Baraja seguiu com Los Che mais dois anos, até se aposentar no final da temporada 2009-10. Frente ao Tenerife, no dia 16 de maio, ele fez sua última partida como valencianista, que ocorreu em “sua casa”, o Mestalla. Ao entrar em campo, os jogadores fizeram o famoso pasillo para recebê-lo e algumas crianças fizeram um mosaico no gramado, com seu apelido e seu número: Pipo 8. Além disso, ele recebeu uma placa de agradecimento do Valencia. Quando foi substituido, entregou a faixa de capitão ao companheiro Marchena e saiu de campo sendo aplaudido de pé sob gritos de "Pipo, Pipo!". Ao final do jogo, retornou ao gramado, agradeçeu aos torcedores e foi carregado pelos companheiros. No Valencia, foram dez anos, cinco títulos, 262 jogos e 42 gols, números que deixam “El Pipo” marcado na história dos Che.

Hoje Baraja trabalha como comentarista de futebol em duas frentes na Espanha, a televisão valenciana, Canal Nou e no Tiempo de Juego, um programa de rádio. Recentemente, “El Pipo” foi eleito pela resvista Sports Illustrated um dos meios-campistas da seleção da década do Campeonato Espanhol, deixando Figo, Ronaldinho e Zidane no banco de reservas.

Para quem quiser, disponibilizo aqui a despedida do Baraja no Mestalla.
Parte 1 | Parte 2


Rubén Baraja
Nascimento: 11 de julho de 1975, em Valladolid, Espanha
Posição: Meio-campista
Clubes como jogador: Valladolid (1993-96), Atlético de Madrid (1996-2000) e Valencia (2000-10)
Títulos: 2 Campeonatos Espanhóis (2001-02 e 2003-04), 1 Copa UEFA (2003-04), 1 Supercopa da Europa (2004) e 1 Copa del Rey (2007-08)
Seleção espanhola: 43 jogos e 7 gols

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Garotos prodígios: David De Gea

Após um início meteórico, De Gea superou concorrentes de nome e, mesmo com seus 19 anos, é titular indiscutível no Atlético de Madrid. Comparações com Casillas são inevitáveis (getty images)



A frase de que todo grande time começa por um grande goleiro é uma das explicações para a irregularidade e tantos momentos ruins do Atlético de Madrid desde o rebaixamento para a liga adelante, já há 11 anos. A queda levou o grande goleiro José Molina embora, abrindo uma sequência maldita de péssimos camisa 1 que até hoje não se encerrou. Do outro lado disso está David de Gea, que após um início de temporada em que soava desprestigiado, deixou Sergio Asenjo para trás e se tornou titular do gol do Atlético de Madrid em uma incrível reviravolta. Depois de ótima colaboração para quebrar a invencibilidade do Barcelona em 2009/10, De Gea luta para encerrar esta maldição e suprir uma lacuna existente no coração colchonero: ser o canterano querido dos torcedores, posto em aberto desde que Fernando Torres partiu para o Liverpool.

Não foi à toa que o novo titular do gol rojiblanco ganhou o apelido de Van der Gea. Esguio, ágil e com um reflexo impressionante, tem uma similaridade física com o holandês Edwin Van der Sar e uma fama que se espalha por todo o mundo desde 2007, ano em que foi campeão europeu sub-17 e vice-campeão mundial da mesma categoria. Pertence a De Gea uma das maiores atuações de um goleiro em competições Fifa. Foi no Mundial Sub-17 de 2007 que ele ganhou tanto respeito por conta do que fez em um empate de 1 a 1 contra a França de Damien Le Tallec e Henri Saivet. A Espanha esteve nas cordas em boa parte do segundo tempo e da prorrogação, mas contou com De Gea inspirado e avançou nos pênaltis. Em quatro jogos de mata-mata, só sofreu dois gols e naturalmente foi o melhor goleiro da competição.

O jovem arqueiro nasceu em Madrid, em novembro de 1990, mas passou a sua infância inteira sendo criado em Illescas (que fica na região de Tolledo). Deu seus primeiros passos futebolísticos num lugar em frente a sua escola, em Casarrubuelos. Estreou com a camisa rojiblanca no inesquecível 30 de novembro de 2009, mas essa história será contada daqui a pouco. A rápida passagem da Espanha de Asenjo pelo Mundial Sub-20 em agosto só lhe concedeu duas chances de jogar e a crise colchonera não foi lá um incentivo. Ainda assim, o jovem conseguiu um empate e uma vitória, sofrendo só dois gols.

A longa crise, porém, permaneceu no Vicente Calderón e seguiu a exterminar goleiros. Roberto deu vexame em goleada sofrida contra o Barcelona e depois foi negociado. Asenjo, embora virtuoso, tinha à frente uma defesa completamente instável e desprotegida. Então colecionou falhas: a última, contra o Sporting Gijón, lhe custou de vez a titularidade. Quique Sánchez Flores anunciou à imprensa que era necessária uma mudança de ares no gol colchonero. Em outras palavras, a chance da vida de De Gea. No dia do confronto contra o Zaragoza, uma surpresa: o promissor goleiro ganharia uma chance no time titular. O Atlético de Madrid chegava pressionado para a partida. Em sete rodadas de campeonato, o time, que era tido por muitos como um dos favoritos, ainda não havia vencido nenhuma e o cenário em Manzanares era conturbado. Aos 17 minutos do primeiro tempo, De Gea deu as caras ao mundo: num jogo crucial para definir a situação de Abel Resino (à época treinador do Atlético de Madrid e pressionado no cargo), o arqueiro mostrou uma de suas principais virtudes, ao defender um pênalti cobrado por Babic. Ao final do jogo, o Atlético de Madrid venceu sua primeira partida na competição e o jovem goleiro saiu de campo ovacionado pelos aficionados colchoneros.

No Vicente Calderón, cada vez mais se convencem de que ele não larga mais a titularidade e corresponde às expectativas de uma trajetória similar a de Iker Casillas, seguro no Real desde os 17 anos. De Gea fez parte da pré-lista elaborada por Vicente Del Bosque do grupo que viajaria à África do Sul para disputar a Copa do Mundo. Porém, van der Gea acabou sendo preterido pelo técnico madrileño, que optou por Víctor Valdés. Contudo, Del Bosque elogiou o garoto e afirmou "que o jovem estará na Copa no Brasil". Quem também rasgou o goleiro de elogios foi o mancuniano Sir Alex Ferguson. O técnico escocês, que há tempos vem mostrando interesses no arqueiro, também foi um a afirmar que "tem certeza de que o goleiro será o titular no gol rojo na Copa de 2014."

Será o fim de uma maldição que já assolou o gol colchonero: desde a venda de Molina ao La Coruña, no instante da queda à segunda divisão, passaram nomes como Burgos, Leo Franco, Coupet, Burgos, Abbiati, Ivan Cuéllar, Sergio Aragoneses e Toni pelo Vicente Calderón. Em comum a todos eles ficou o fracasso como resultado final. Em apenas uma temporada, o garoto deu uma reviravolta incrível: assumiu a titularidade no gol atleticano, após iniciar a temporada como escolha número três. Além disso, goza de enorme prestígio aos torcedores colchoneros e a natural empatia de um jovem formado nas próprias canteras.

David De Gea
Nome: David De Gea Quintana.
Data de nascimento: 7 de novembro de 1990.
Clube: Atlético de Madrid.
Estatura: 1, 92 m.
Títulos: Eurocopa Sub-17 de 2007, Uefa Europa League 2009-10, Supercopa da Europa 2010.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Craques da LFP: Roberto Carlos

Roberto Carlos passou onze anos no Real Madrid, onde conquistou 13 títulos e chegou a trajar a braçadeira de capitão (marca)

"Roberto Carlos é o melhor lateral-esquerdo que surgiu no Brasil nos últimos anos”, Zagallo afirma no livro “Os 11 maiores laterais do futebol brasileiro”. 24 títulos em 20 anos de carreira, além de gols e assistências comprovam isso. Roberto Carlos sempre foi conhecido pela sua impressionante velocidade, poder defensivo, força de sua perna esquerda e precisão dos cruzamentos: Um lateral completo.

Para alcançar todo esse sucesso, Roberto Carlos batalhou muito. Chegou a trabalhar em um fábrica de caixão junto ao seu pai Oscar. Porém com o talento que possuia não demorou muito, e RC recebeu a primeira “convocação”, o time de Cordeirópolis o levou para a disputa dos Jogos Abertos do Interior. À época, já ocupava o lado esquerdo, mas atuava em posições mais ofensivas.

O amadorismo ficou pequeno para o futuro jogador da seleção brasileira. E com 14 anos, passou a integrar as categorias de base do União São João de Araras. Vestindo a camisa do União, pela primeira vez foi convocado pela seleção brasileira. A carreira decolou, em 1993 foi vendido ao Palmeiras, que contava com praticamente uma seleção. Jogando no alvi-verde, ganhou cinco títulos, entre eles dois Campeonatos Brasileiros e em ambos recebeu a Bola de Prata da Revista Placar como melhor lateral-esquerdo da competição.

Após dois anos de intenso brilho no Palmeiras, a ida à Europa foi inevitável e a Internazionale levou o jogador. O brasileiro estreou contra o Vicenza junto com o atual capitão dos nerazzurri Javier Zanetti. Roberto marcou o único gol do jogo, em cobrança de falta. Porém Massimo Moratti tinha um sonho, Ivan Zamorano, que jogava no Real Madrid. Para ter o centroavante chileno, o presidente interista ofereceu alguns milhões e Roberto Carlos, que deixou os nerazzurri após 34 jogos e 7 tentos.

A camisa merengue foi seu traje de gala. O que mais impressionou foi adaptação muito rápida de Roberto Carlos, por isso, nos onze anos na Espanha foi tittular praticamente o tempo todo. Ele se tornou o estrangeiro que mais vezes vestiu a camisa blanca, foram 475 partidas oficiais, sendo inclusive capitão algumas vezes.

Durante o período de Real Madrid, Roberto Carlos participou de três Copas como titular. Em 1998 foi criticado e quatro anos depois levantou a taça, nas duas ocasiões a FIFA o escalou entre os melhores do Mundial. Na última em 2006, acabou tido como grande culpado pelo gol de Henry, que eliminou o Brasil. O lateral afirma que não era ele o homem designado a marcar Henry, o que tem muita lógica, pois o francês tem 20 cm a mais que o brasileiro. Porém, Roberto jamais entregou quem deveria estar ali e assumiu a culpa.

Nos blancos seu grande momento foi a final da Liga dos Campeões de 2002. Quando executou o cruzamento para o golaço de Zidane, o segundo do 2 a 1 do Real Madrid sobre o Bayer Leverkusen, que deu a terceira e última “taça de orelhas” de Roberto Carlos. Em 2002 também foi eleito o melhor defensor e fez parte da seleção da competição.

Roberto Carlos teve grande identificação com o Real Madrid, pois foram onze anos, 13 títulos, capitão da equipe, quase 500 jogos e 62 gols. Na coletiva de despedida, o brasileiro se emocionou muito, a missão na Espanha estava cumprida, mas um pedaço do coração de Roberto ficou no Real.. Antes de ir embora, ainda participou da campanha do 30° de La Liga dos merengues. Ele já afirmou que um dia pretende trabalhar no clube e alguma função extra-campo.

O Fenerbahçe foi o destino, apresentado com pompa, o lateral-brasileiro precisou de dois anos para ser ídolo de mais uma imensa torcida europeia. Por fim, em 2010 assinou com o Corinthians, precisou de alguns jogos para se adaptar e ao final do ano recebeu mais uma Bola de Prata da Revista Placar como melhor lateral-esquerdo do Brasileirão, título que conquistou em todos os anos que disputou a Série A do Campeonato Brasileiro.
Hoje, Roberto Carlos além de jogar pelo alvinegro de Parque São Jorge, é empresário atuante em vários ramos. Já passou pela música, automobilismo e hoje a RC3 é uma badalada loja de roupas.

Roberto Carlos
Nascimento: 10 de abril de 1973, em Garça
Posição: Lateral-esquerdo
Clubes: União São João de Araras (1990-93), Palmeiras (1993-95), Internazionale (1995-96), Real Madrid (1996-07), Fenerbahçe (2007-09) e Corinthians (2010-Até hoje)
Títulos: 2 Campeonato Brasileiro (1993 e 94), 2 Campeonato Paulista (1993 e 94), Taça Rio-São Paulo (1993), 3 Liga dos Campeões (1997, 2001 e 02), 4 Liga Espanhola (1997, 2001, 03 e 07), 3 Supercopa Espanhola (1997, 2001 e 03), 2 Mundial de Clubes (1998 e 2002), Supercopa Europeia (2002), 2 Supercopa Turca (2007 e 09), Copa das Confederações (1997), 2 Copa América (1997 e 99) e Copa do Mundo (2002)
Seleção brasileira: 125 jogos e 11 gols