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sábado, 25 de agosto de 2012

Mini-clássico

 No último duelo de filiais de Barcelona e Real Madrid, Xavi e Puyol foram os destaques (Zimbio)

Daqui a pouco, às 16h, o futebol espanhol assistirá ao duelo mais curioso e até esperado da temporada. No estádio Alfredo Di Stéfano, o Real Madrid Castilla recebe o Barcelona B pela segunda rodada da Liga Adelante. Na rodada de estreia, as duas filiais perderam. No melhor jogo da rodada, o Barcelona teve um Deulofeu inspirado, que marcou três gols, mas expôs a carência defensiva e sofreu duas viradas do Almería na derrota por 5x4. Os merengues, por sua vez, deram mais trabalho ao Villarreal, que suou para virar no El Madrigal por 2x1. A partida é especial por, entre outros motivos, ser disputada justamente entre os dois jogos da Supercopa.

Este será o primeiro confronto entre os dois em 15 temporadas. Os últimos precedentes é favorável aos catalães. Em 97/98, à época Barça Atlètic e Real Madrid, as equipes caíram no grupo C da fase de acesso à Segunda Divisão B, o que gerou dois confrontos nas últimas duas rodadas. Os blancos lideravam o grupo com oito pontos, um a mais que os azulgrenás, que viraram o quadro. Liderados por Xavi e Puyol, o Barça Atlètic impussionou uma humilhante goleada ao rival no Mini Estádi, em Barcelona, por 5x0. O zagueiro, aliás, foi o autor do terceiro gol. Nomes conhecidos como Gabri, que também anotou um gol, e Luis García estiveram presente neste duelo. Em Madrid, nova vitória blaugrana: 2x0. A festa nos vestiários foi enorme, e contou com a presença do até então treinador da equipe A Louis van Gaal e o diretor esportivo das divisões de base Llorenç Serra Ferrer.

Atualmente, o mais promissor jogador barcelonista é Gerard Deulofeu (foto, Zimbio). Após a exibição de gala na primeira rodada, o jovem será encarregado de comandar o time B em Madrid. Ao seu lado, terá a companhia de Rafinha Alcântara, que reclamou de desconfortos durante a semanas mas está confirmado para o mini-clássico, e Jean Marie Dongou, o homem-gol de apenas 17 anos e considerado o herdeiro Samuel Eto'o. Se o hispano-brasileiro começar no banco, seu provável substituto é Lobato. A grande novidade e comemorada pelo treinador Eusébio Sacristán é o "reforço" de Sergi Roberto, que treinou com a equipe A durante toda a pré-temporada e foi liberado por Tito Vilanova a disputar o jogo. Sergi se destacou nos amistoso de preparação e ganhou muitos pontos com o treinador da equipe principal, podendo até assinar contrato com a equipe A em janeiro. Juste, machucado, e Carles Planas, expulso ante o Almería, serão desfalques de peso.

O substituto de Planas é o jogador mais jovem da Liga Adelante, o lateral Alejandre Grimaldo (16 anos e 243 dias). Ele terá a missão de ajudar a dissipar as dúvidas que pairam sobre a defesa após a primeira rodada. Grimaldo é uma espécie de Jordi Alba, pois ataca com frequência, mas deixa a desejar na marcação, ao contrário de Planas, mais completo. No meio-campo Illie e Espinosa devem acompanhar Sérgio Roberto. Se não houver mudanças de última hora, o provável é a escalação de Oier; Balliu, Sergi Gómez, Lombán e Grimaldo; Illie, Espinosa e Sergi Roberto; Deulofeu, Dongou e Rafinha.

No Castilla, a promessa é de apoio total da torcida. O treinador Alberto Toril tratou de convocar os aficionados na coletiva pré-jogo. "É uma partida bonita e única, em uma categoria bastante disputada, entre duas das principais divisões de base do futebol espanhol. Queremos muito que o público possa no ajudar a conseguir os três pontos". Em campo, Toril tem algumas dúvidas. Morata é dúvida por seguir treinando com a equipe A e sua presença no onze inicial só será confirmada às vésperas da bola rolar. José Mourinho, perguntado sobre isso em sua coletiva para o jogo contra o Getafe, não deu uma resposta concreta. A principal estrela do Castilla é Jesé Rodríguez (foto, Mirror), artilheiro e melhor jogador do último Europeu Sub-19 de seleções. Ele deverá ter ao lado no atacante Denis e Borja García, que disputa a posição do flanco esquerdo com Óscar Plano.

Na defesa, o xerifão Casado, que treinou com a equipe principal na pré-temporada, se recuperou dos desconfortoso musculares e está à disposição para formar dupla com Nacho, novidade do banco de reservas na partida de ida da Supercopa no Camp Nou. Sem Carjaval e Joselu, que saíram para Bayer Leverkusen e Hoffenhein, os blancos perdem parte do poderio ofensivo que apresentou na disputa da Segunda B na temporada passada. É provável que o Castilla inicie com Mejias; Fabinho, Nacho, Casado e Mateos; Mosquera, Álex e Juanfran; Jesé, Denis e Borja García. Quem se dará melhor nesse duelo? La Fábrica ou La Masía?

terça-feira, 29 de maio de 2012

Minha cantera também é de ouro

 Canteranos merengues brilham na equipe Castilla e levam filial à Liga Adelante. Prova de força das canteras do Real Madrid, que mostra que também cria, assim como o rival Barcelona (reuters)

Por André Augusto, originalmente do site Olheiros, especializado em divisões de base

No último domingo, o Real Madrid Castilla, time "sub-20" do Real Madrid, derrotou o Cádiz por 5x0 e confirmou o acesso à Liga Adelante. Um acesso que havia sido praticamente sentenciado há duas semanas, no jogo de ida em Alicante, quando os jovens se impusseram na casa do adversário em ganharam por 3x1. Uma geração promissora, apoiados pelos atacantes Joselu, Morata e Jesé, responsáveis por 43 dos 77 gols da equipe B do Real no Grupo 1 do torneio. O bom desempenho deixa a equipe do técnico Alberto Toril próximo ao segundo escalão do futebol ibérico, o que não acontece desde a temporada 2006/07. Porém, de acordo com a política “galáctica” da última década, os jovens terão que ter muita paciência para ter a chance de alinhar ao lado de crias oriundas da base no atual campeão de La Liga, como Casillas, Arbeloa, Granero e Callejón.

O último acesso do Castilla para a segunda divisão, em 2004/05, trouxe uma geração de bons jogadores. Arbeloa, Soldado e Negredo (então reserva do atual goleador do Valencia) servem a Fúria com regularidade, enquanto Juanfran, Jurado e Javi García acabaram por se tornarem peças importantes em seus atuais clubes. Selecionáveis ou não, o crescimento daquela geração tem um ponto em comum: ela aconteceu bem longe do Santiago Bernabéu.  Mesmo entre os que “vingaram” no Real, há ressalvas. Excetuando Casillas, de carreira precoce e ininterrupta na meta blanca desde 2000, Arbeloa, Granero e Callejón passaram muito tempo fora do clube. Enquanto o lateral-direito rodou por La Coruña e Liverpool, Granero passou três temporadas no Getafe e Callejón – mesmo reserva, foi o quarto artilheiro da equipe na atual temporada, com 14 gols – evoluiu no Espanyol. Todos foram vendidos e recomprados pelo Real, já com a devida valorização.

Durante a estadia na Liga Adelante, a lista dos que vingaram sem vestir a mítica camisa merengue aumenta: o lateral-esquerdo brasileiro Filipe Luís, campeão da Liga Europa com o rival Atlético, o buscou no La Coruña, após um ano com o Castilla. Já Juan Mata, peça primordial do Chelsea campeão da LC, também era integrante do elenco rebaixado à Segunda Division em 2006/07. Ali, foi o vice-artilheiro daquela equipe com nove gols, atrás de Negredo, com 18. A dupla, que não fez um jogo sequer pelo Real Madrid, soma quase 40 milhões de euros em suas últimas transferências, enquanto o artilheiro foi vendido pelos merengues ao Sevilla por 15 milhões de euros. Também sem defender a equipe profissional.

Voltando ao presente, a história tem tudo para se repetir com Joselu. Artilheiro do Grupo 1 com 18 gols, o atacante de 22 anos fez uma única aparição com a equipe de José Mourinho, contra o Ponferradina, em dezembro de 2011, pela Copa do Rei – onde marcaria seu primeiro gol. Revelado no Celta de Vigo – no qual já debutou como profissional, em 2009 -, já foi emprestado à ex-equipe e não parece vislumbrar futuro no Bernabéu, com o intocável Cristiano Ronaldo no ataque, além de Higuaín e Benzema como opções imediatas. Morata e Jesé, ambos de 19 anos, também devem esperar bom tempo, assim como o meia Alex e o lateral Dani Carvajal, também apontados como destaques do Real B.

A exemplo do arquirrival Barcelona, o Real Madrid é grande fornecedor de talentos para as seleções espanholas de base. Porém, o trabalho de transição ao time profissional ainda é diametralmente oposto quando comparados. E dadas as especulações de reforços caríssimos aos cofres do Real para a próxima temporada, a situação parece longe de mudar aos futuros talentos da cantera de Valdebas.

PS: Quem irá acompanhar o Castilla na segundona da próxima temporada é o Mirandés. A simpática equipe que surpreendeu o futebol espanhol ao chegar ate as semifinais da Copa do Rei fecha a temporada com chave de ouro. Falamos um pouco mais do clube de Miranda no início do ano. Leia clicando aqui.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Campeones Del Mundo: Álvaro Arbeloa

Apesar de ter sido reserva no título da Eurocopa e da Copa do Mundo, Arbeloa sempre cumpre bem seu papel em seus clubes (AS)

No dia 29 de julho de 2009, o Real Madrid confirmou oficialmente na sua página na web a contratação de Álvaro Arbeloa, procedente do Liverpool, por cinco temporadas. Capitão do Real Madrid Castilla de 2004/2005, Arbeloa foi um dos poucos jogadores que vingaram daquela excelente equipe. Mesmo assim, foram raras as aparições do lateral na equipe principal naquela temporada. Na equipe Castilla, Arbeloa já demonstrava a versatilidade que o caracteriza hoje, mas atuava na maioria das partidas como zagueiro e, então com 21 anos, era um dos jogadores mais experientes do time.

Nascido em Salamanca, mudou-se para Zaragoza com apenas quatro anos de idade. Em sua nova cidade, ingressou à categoria de base do Zaragoza com 12 anos, onde ficou até os 18, até partir para a capital. No Real Madrid Castilla, conseguiu o grande feito de fazer parte do elenco que subiu da Segunda División B à Liga Adelante, jogando em uma equipe com jogadores como Granero, De La Red, Soldado, Negredo e Mata. Porém, entre 2004 e 2006, mesmo sendo o jogador mais elogiado da filial, Robocop disputou apenas duas partidas com a equipe principal e, sem muitas oportunidades, acabou rumando para o Deportivo La Coruña. Em julho de 2006, desembarcou na Galícia para assinar contrato com os blanquiazules.

Entretanto, sua aventura no Deportivo não durou muito, pois no último dia do mercado de inverno (em janeiro de 2007), o Liverpool desembolsou cerca de 4 milhões de euros para tirá-lo de La Coruña (o Real Madrid recebeu 50% da taxa). Mesmo sendo contra, Joaquin Caparrós, técnico do Deportivo à época, não conseguiu segurar Arbeloa na equipe. Na terra dos Beatles, foram boas atuações, que renderam convocações para a Fúria, até então treinada por Luis Aragoneses. A consagração de Arbeloa no Liverpool veio, ironicamente, contra uma equipe espanhola. No duelo contra o Barcelona, em pleno Camp Nou, os reds venceram por 2 a 1 de virada e Robocop foi eleito o melhor em campo, devido, principalmente, ao fato de ter anulado Lionel Messi, na época uma promessa ainda, é verdade, mas que estava voando (três dias depois, Messi viria a marcar um hat-trick ante o Real Madrid).

Após eliminar os blaugrana, os reds passaram por Olympiacos e Chelsea até chegar à final contra o Milan, reeditando a final de Istambul, em 2005. Com Kaká jogando o melhor futebol do mundo, Benitez optou por um meio-campo mais forte para combater, e Arbeloa acabou sentando no banco de reservas. Ao final, o Milan acabou vingando a derrota de dois antes e o Liverpool de Arbeloa ficou com o vice-campeonato. Em maio de 2009, teve uma forte discussão com uma das bandeiras do Liverpool, Carragher, em campo e os dois tiveram que serem separados pelos companheiros de equipe. Sem muito espaço na equipe, Arbeloa pouco a pouco ia se desligando do clube de Anfield Road, onde marcou apenas dois gols em 98 jogos.

Cegamente enlouquecido com o projeto Galáticos 2.0, Florentino Pérez não tardou a repatriar Arbeloa, mesmo contando com Sergio Ramos para a lateral direita. Polivalente, já atuou em todos os setores defensivos da retaguarda merengue, mas tem sido utilizado mais na lateral direita. Com Mourinho, Arbeloa tem sido mais utilizado em jogos mais pesados, devido ao fato do gajo não "confiar" muito em Marcelo em jogos assim. Pela seleção nacional, fez parte do plantel vencedor da Eurocopa e da Copa do Mundo. Convocado pela primeira vez à Fúria em janeiro de 2008, só foi estrear em Março desse ano, porque acabou se lesionando e tendo que ser cortado. De lá para cá, Arbeloa, assim como Casillas, Capdevilla e Xabi Alonso, foi convocado para todas as partidas da Fúria.

Álvaro Arbeloa
Nome completo: Álvaro Arbeloa Coca
Data de nascimento: 17 de janeiro de 1983, em Salamanca, Espanha.
Posição: Lateral direito.
Clubes: Zaragoza, Real Madrid Castilla, Deportivo La Coruña, Liverpool, Real Madrid
Títulos: Copa do Rei 2010/2011, Eurocopa 2008 e Copa do Mundo 2010.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Campeones Del Mundo: Juan Mata

Mata ganhou a Eurocopa Sub-19 e Sub-21 com as seleções de base e o Mundial com a seleção principal (getty images)

Na Espanha, poucos meio-campistas são tão completos quanto Juan Manuel Mata. Capitão do Valencia, o jogador alia a técnica para distribuir passes precisos à boa marcação quando necessário, dando-lhe uma capacidade ímpar de organização de jogo. Sua posição natural dentro dentro de campo é a meia-esquerda, ainda que jogue, naturalmete, como segundo atacante ou ponta, dependendo do esquerma. Em 2007/2008, com Ronaldo Koeman como treinador do clube ché, atuou muitas vezes como extremo pelo flanco direito do 4-2-3-1 do holandês. Entretanto, "manifestou" publicamente que, por ser canhoto, o flanco esquerdo é seu lugar preferido. Pedido atendido: Koeman o colocou no setor esquerdo e Mata nunca mais saiu da equipe titular.

El Mágico iniciou sua carreira futebolistica nas canteras do Oviedo, principal clube de sua cidade natal, Burgos. Com 12 anos, já mostrava uma técnica impressionante, além da velocidade e da naturalidade para dar passes e assistências precisas. O assédio do Real Madrid era enorme, e os azulones não conseguiram segurar o jovem Mata. No clube merengue, com 15 anos, chegou com status de grande promessa e foi o principal jogador da equipe juvenil A: na temporada 2005/2006 ganhou a Liga e a Copa del Rey, onde foi eleito o melhor jogador das duas competição. Com 17 anos, foi convocado para a disputar a Eurocopa Sub-19 com a seleção espanhola e seguiu mostrando suas virtudes: acabou o torneio como campeão e melhor jogador, marcando quatro gols e dando cinco assistências.

Não demorou muito para que Mata subisse para o Real Madrid Castilla: em 2006/2007, já era titular da filial merengue que disputava a Segunda División B. Mais deslocado para a esquerda do que de costume, devido ao 4-3-3 de Juan Ferrer, treinador do Castilla à época, terminou a temporada com dez gols (ficando atrás apenas de Álvaro Negredo) e oito assistências. Bernd Schuster, que havia sido eleito o novo treinador da equipe principal do Real Madrid em 2007/2008 após boa campanha com o Getafe, chamou três jogadores da filial para treinos da pré-temporada. Contudo, mesmo sendo um dos principais jogadores da filial e vindo de um bom Mundial Sub-2, Mata não fora chamado pelo alemão, o que acabou gerando bastante controvérsias nos bastidores merengue: o jogador era xodó de Ramón Calderón, presidente do Real Madrid à época.

Sem muitas chances em Chamartin, acabou rumando ao Valencia sem ao menos ter jogado uma partida pela equipe principal dos merengues. Nos blanquinegros, um déjà vu: inicialmente fora jogador do Valencia Mestalla (filial da equipe A) e não sendo aproveitado por Quique Sánchez Flores na equipe principal. Porém, ao contrário do que aconteceu na capital, El Mágico não abaixou os braços e continuou jogando com a filial. Com a chegada de Koeman para substituir Quique, as participações de Mata com a equipe principal passaram a ser mais habituais. Na Liga BBVA, o Valencia passou por uma de suas maiores crises nos últimos anos, o que serviu para os chés concentrarem-se mais na Copa do Rei.

Na segunda principal competição nacional, Mata se destacou: marcou cinco gols, sendo um contra o Barcelona na semifinal decisivo, foi o artilheiro do Valencia (vice-artilheiro da competição) e acabou campeão, após vitória na final ante o Getafe. No campeonato espanhol, foram poucos minutos, mas quatro gols. A partir de 2008/2009, tudo ganhou novo rumo para o meio-campista (e para o Valencia). Após um início bastante promissor, porém, o Valencia acabou falhando na reta final e perde uma vaga na Champions League. Individualmente, a temporada de Mata foi notável. Marcou doze gols e deu assistência para seis, além de formar parte do tridente ché, ao lado de David Villa e David Silva. Os três, juntos, garantiram 71% dos pontos do Valencia na Liga e participaram de 34 dos 55 gols da equipe de Unai Emery, uma porcentagem de 62% de acerto.

Na temporada 2009/2010, o Valencia voltou a se classificar para a Champions League, com Mata mais efetivo e vestindo a camisa dez, procedente de Angulo. Seus números aumentaram: 14 gols e oito assistências. O prêmio pela boa temporada foi a convocação para a Copa do Mundo, onde não titular devido a concorrência com jogadores como Iniesta, Xavi e, se deslocado, Pedro. Nos amistosos de preparação, chegou a ser titular contra a Arábia Saudita, mas não foi bem, atuando mais isolado do que de costume no 4-5-1 de Del Bosque.

No retorno a Paterna, Mata sabia que iria se tornar o protagonista: o Valencia não conseguiu segurar David Villa e David Silva, que rumaram para o Barcelona e para o Manchester City, respectivamente. Em uma de suas enrolações, o Marca chegou a confimar que o Barcelona havia pagado 20 milhões e contratado o jogador. Apesar de Unai ser adepto às rotações, Mata raramente sai da equipe titular e, após pegar a braçadeira de capitão, tornou-se, literalmente, um líder nato dos vestiários, mesmo com apenas 22 anos. Eleito um dos destaques do Valencia no especial Balanço Geral feito pelo blog, renovou seu contrato com os chés em janeiro de 2011. Fechou a temporada com o título do Europeu Sub-21, tornando-se, junto com Javi Martinez, os dois únicos jogadores a conquistarem primeiro a Copa do Mundo e depois a Eurocopa da categoria.

Apesar das muitas investidas do Liverpool, Barcelona, Arsenal e Tottenham, Manuel Llorente, presidente do Valencia, afirmou em uma entrevista ao Superdeporte (leia aqui) que o clube não pretende se desfazer de seu principal jogador. O Barcelona chegou a ficar de olho no jogador caso a contratação de Alexis Sánchez falhasse, mas o chileno está muito próximo dos blaugrana. Possivelmente, Mata irá continuar mesmo no Valencia, que chegará forte para a nova temporada: conseguiu a manuntenção da base terceira colocada da temporada passada e trouxe os bons Piatti e Dani Parejo. É esperar para ver.

Juan Mata
Nome completo: Juan Manuel Mata García
Data de nascimento: 28 de abril de 1988, em Burgos, Espanha.
Posição: Meio-campista.
Clubes: Oviedo, Real Madrid Castilla e Valencia
Títulos: Copa do Rei 2007/2008, Eurocopa Sub-19 2006, Eurocopa Sub-21 2011 e Copa do Mundo de 2010.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Jogadores Históricos: Manolo Sanchís

Manolo Sanchís atuou no Real Madrid por incríveis 18 temporadas e é um dos maiores ídolos da história do clube blanco (futboldelpaella.es)

Para a mais nova geração de torcedores do Real Madrid, Raúl, Guti, Casillas e Zidane são ídolos máximos. Antes deles, porém, houve uma geração de seis canteranos que marcaram época no clube da capital. Conhecida como "La Quinta del Buitre" esta geração foi municiada por Emilio Butragueño (o Buitre, seu apelido à época) e ganhou esse novo graças a Julio Inglesas, jornalista do El Pais. Entre eles, apenas um ficou no clube por tantas temporada (17 no total): o zagueiro Manolo Sanchís, que tornou-se capitão do clube em meados da década de noventa.

Nascido em Madrid, Sanchís debutou com o clube blanco em 4 de dezembro de 1983 contra o Múrcia. E, assim como Butragueño em sua estreia pelo Real Madrid, teve participação crucial na partida. Afinal de contas, o único tento do jogo saiu dos pés do zagueiro. Logo, ganhou rapidamente a confiança de Di Stefano. Apesar de participações boas em partidas de Liga e Champions e já ganhando um status de ídolo, El Cejas e toda a trupe da Quinta del Buitre só foram ganhar o seu primeiro título em 1986, sendo esse o primeiro de cinco consecutivos (marca récorde na Liga BBVA).

Àquela geração, porém, lamenta-se muita a não-conquista da Champions League. Apesar de assombrar no cenário espanhol, com cinco ligas e duas Copa del Rey, Manolo Sanchís só foi ao alto da europa com a Quinta del Buitre apenas duas vezes, e com a Copa da Uefa - 1985-86 e 1986-87. Se os torcedores do Real Madrid criaram muitas expectativas e depositaram suas confianças para que essa geração recolocasse o Real Madrid no topo da europa, a decepção foi grande: apesar de remontadas históricas e dois vices-campeonatos, a geração de ouro do Real Madrid não chegou a conquistar a Copa da Europa (hoje, Champions League).

El Cejas foi o único dessa geração a atuar a carreira inteira em Chamartín e, assim, foi recompensado com chave de ouro: em 20 de maio de 1998, enfim, o Real Madrid voltara a ganhar uma Champions League, o que levou Sanchís às lágrimas. Duas temporadas depois, o Real Madrid estaria novamente de volta ao topo da Europa, após derrotar o Valencia em Paris. Em 2001, após a conquista da Liga Espanhola (sua oitava) resolveu aposentar as botas, sendo homenageado no Santiago Bernabéu e reconhecido como um dos grandes ídolos do Real Madrid, onde atuou por 592 vezes.

Manolo sempre se destacou por sua frieza e tranquilidade. Foi um excelente profissional tanto dentro, como fora de campo.

Manolo Sanchís
Nascimento: 23 de maio de 1985
Posição: zagueiro
Clube: Real Madrid
Títulos: 8 Ligas, 5 Supercopas, 2 Copa del Rey, 2 Champions League, 2 Copa da Uefa, 1Mundial de Clubes.

sábado, 28 de agosto de 2010

Sucesso dos renegados

Originalmente do site Olheiros

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Tradicional laboratório para jovens jogadores sem chances no time principal, o Real Madrid B hoje disputa a terceira divisão espanhola e luta para voltar aos seus melhores dias. E, ao que tudo indica, isso poderá acontecer em breve. Afinal de contas, quando a política do clube é de investir em “galácticos”, os jogadores mais velhos da base que não conseguem espaço no time de cima acabam descendo um degrau e, levados ao time B, podem ter as suas evoluções acompanhadas de perto.

No entanto, em um processo que em tese facilitaria a inserção no time principal, nem todos os garotos que se destacam têm oportunidades. O caso da equipe que conseguiu o acesso para a Liga Adelante em 2004/05 é bem ilustrativo. Comandados por Juan Ramón López Caro, os meninos da filial sobraram na fase inicial e conseguiram, merecidamente, a classificação nos play-offs. Entre os destaques da equipe, porém, o único que conseguiu vingar com a equipe principal foi o polivalente Álvaro Arbeloa, que não teve muitas chances na época, mas retornou ao clube por cima após boas passagens por Deportivo La Coruña e Liverpool.

Álvaro Arbeloa: o Real Madrid renegou ele, mas voltou atrás... (football lovers)

O time montado por López Caro contava basicamente com jogadores nascidos entre 1983 e 1987. Alguns deles, como o atacante Roberto Soldado e o meia José Manuel Jurado, eram estrelas das seleções espanholas de base e já gozavam de certo prestígio no clube, sendo relacionados de vez em quanto pelo então técnico dos profissionais, Vanderlei Luxemburgo, para compor o banco de reservas da equipe. Soldado, inclusive, chegou a substituir Ronaldo na equipe titular quando o “fenômeno” estava lesionava.

O ponto forte da equipe era a linha ofensiva, que marcou expressivos 60 gols nos 38 jogos da primeira fase, um a menos que Alicante e Lorca, que tiveram os ataques mais positivos de um torneio que reúne 80 clubes. Além de Soldado, artilheiro do time, e Jurado, então winger que contribuiu muito com assistências durante a campanha, vale também ser citado o nome de David Barral, atacante voluntarioso que ajudava a abrir espaços na defesa adversária.

Na defesa, Arbeloa já demonstrava a versatilidade que o caracteriza hoje, mas atuava na maioria das partidas como zagueiro e, então com 21 anos, era um dos jogadores mais experientes do time e ostentava a braçadeira de capitão. O setor era completado por Miguel Palencia na lateral direita, Ángel Robles na zaga e pelo rápido Javier Paredes na lateral esquerda. Destes, apenas o último conseguiu algum destaque e um lugar na primeira divisão espanhola, mais precisamente no Zaragoza.

Além deles, havia na meta um goleiro que muitos acreditam que, se não tivesse Iker Casillas como concorrente, poderia tranquilamente ser titular da equipe principal até hoje. Seguro e confiável, Diego López era um dos pilares do time, marcando presença com grandes defesas quando necessário e passando um pouco de experiência aos mais jovens, pois já tinha 24 anos.

No meio-campo, destacava-se a dupla de volantes composta por Rubén de la Red, então com 20 anos, e Javi Garcia, uma primavera mais novo. Ambos demonstravam muita desenvoltura com a bola nos pés e eram responsáveis pelo equilíbrio de um setor que ainda contava com o discreto Adrián Martin e o também garoto Adrián Gonzalez, 18 anos. O meia Roberto Trashorras, que chegou a ser apontado como o “novo Verón” na base do Barcelona, também foi útil na campanha, mas, aos 24 anos, já não criava tantas expectativas.

O acesso para a segunda divisão veio com uma campanha incontestável: após fazer 76 pontos em 38 jogos na primeira fase, os garotos enfrentaram o Zaragoza B no primeiro play-off e levaram a melhor com um empate sem gols fora de casa e uma vitória por 2 a 0 em casa. Restava apenas o Conquense para enfrentar e o triunfo por 2 a 0 fora de casa dava a impressão de que a conquista seria fácil.

Não foi. Diante de mais de 60 mil pessoas no Estádio Santiago Bernabéu, o Real Madrid B dominou a partida, mas perdeu por 1 a 0 e quase sofreu o segundo gol no final. O resultado, porém, era favorável, e a festa, merecida, acabou sendo o grande momento de glória no clube para vários daqueles garotos.

Nas temporadas seguintes, o Real Madrid Castilla seguiu apresentando outros bons jogadores, como Álvaro Negredo, revelado no Rayo Vallecano, e Juan Manuel Mata, que, sem espaço no clube, foi para o Valencia. Sem aproveitá-los, porém, acaba desperdiçando fortunas em jogadores medianos e, muitas vezes, justificando as reclamações da torcida por “menos cartera y más cantera”. Principalmente quando esta constata que o rival Barcelona, recheado de garotos da base, é o atual campeão espanhol e forma a base da seleção nacional.

Escalação: Diego López, Palencia, Arbeloa, Robles e Paredes; De la Red, Javi Garcia, Adrián, Trashorras e Jurado; Soldado.