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segunda-feira, 4 de março de 2013

Unidos

Contra o Barcelona, Varane marcou seu gol abraçado com José Mourinho (AS)

Entre dezembro e fevereiro, o Real Madrid viveu uma grave crise nos vestiários. A divisão entre espanhóis e portugueses era clara e o estopim foi a titularidade de Adán em um difícil confronto contra o Málaga na Andaluzia, quando Mourinho optou por deixar Casillas no banco por questão técnica. Para piorar a situação merengue, o goleiro acabou se lesionando numa disputa de bola com Arbeloa, o que resultou num período de três meses fora dos gramados. O jeito foi contratar um goleiro novo, que acabou sendo o canterano Diego López.

No início de fevereiro, Sara Carbonero, a namorada de Casillas, confirmou a um canal de televisão espanhol os consecutivos atritos dos jogadores com o treinador nascido em Setúbal. Até com Cristiano Ronaldo o bi-campeão da Champions League discutiu de maneira áspera. Em campo, o desempenho era bastante abaixo da média se comparado com a equipe da temporada passada. O reflexo disso era a abissal diferença para o Barcelona, que chegou a estar 18 pontos à frente na liderança, e até para o Atlético de Madrid.

Era difícil imaginar os merengues saindo dessa crise. Ainda mais porque o calendário ingratamente colocou dois confrontos consecutivos contra o Barcelona e um decisivo contra o Manchester United no Old Trafford, pelas oitavas de finais da Uefa Champions League. No entanto, paradoxalmente, o melhor que poderia ter acontecido para os blancos foram esses confrontos contra o maior rival. A começar porque, de maneira merecida, a vitória por 1x3 no Camp Nou marcou a reconciliação dos jogadores com Mourinho. O gol que sacramentou a passagem à final da Copa do Rei, marcado por Varane, teve de especial a comemoração do francês, que, ao lado de seus companheiros, abraçou o treinador português.

Não bastasse a vitória em Barcelona, o Real Madrid se abasteceu de moral para encarar o líder da Premier League em seus domínios ao voltar a derrotar o Barcelona utilizando uma equipe mista. Novamente, os merengues neutralizaram o jogo do rival e soube o que fazer nos momentos que tiveram a bola. Pepé foi claro após a partida: "necessitávamos de vitórias desse jeito para enfrentar o United em Manchester".

A sequência de vitórias diante dos azulgrenás serviram para ratificar o retorno da melhor versão de Cristiano Ronaldo, autor de dois gols no Camp Nou. O contra-ataque também está fino. O segundo gol contra o Barcelona pela Copa foi demonstração de como a transição madridista é letal. Messi errou passe no ataque e, dez segundos depois, viu seu time sofrer o gol. Di María desconcertou Puyol e Ronaldo concluiu. No setor defensivo, Varane e Sergio Ramos formaram uma sólida dupla de zaga na Catalunha, mas Pepe teve atuação especial no confronto de sábado. Mourinho pode deslocar Ramos à lateral direita e deixar francês e português no comando da retaguarda, com Fábio Coentrão, em boa fase, na lateral esquerda.

Por mais que encarar o Manchester United seja tarefa árdua (os merengues não fizeram boa partida na ida), o Real Madrid recuperou a auto-estima necessária para o duelo decisivo em busca do título europeu. Se a taça da Liga Espanhola dificilmente escapará das mãos do Barcelona, a orelhuda é um sonho possível. E impulsionado por um mágico Cristiano Ronaldo, os blancos são capazes de levarem o troféu ao Santiago Bernabéu.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A recuperação merengue

Özil levanta Cristiano Ronaldo: o português começou o ano voando e impulsiona um Real Madrid que parecia morto na temporada (getty images)

Se tudo ocorrer da maneira que o madridismo deseja, o Real Madrid da temporada 2012-2013 pode ser dividido em dois: o de agosto a dezembro e o de janeiro ao restante da temporada. Isso porque o "segundo" Real Madrid dá mostras de recuperação em relação àquele que deu vexame na primeira parte da temporada. Nesta quarta-feira, às 18h (horário de Brasília), os merengues recebem o Barcelona no Santiago Bernabéu. É o primeiro confronto da fase de ida da semifinal da Copa do Rei. Em três confrontos contra o rival na atual temporada, uma vitória, uma derrota e um empate. Equilíbrio, que valeu o título da Supercopa em agosto.

Já é sabido por todos os múltiplos problemas nos vestiários merengues. É algo que o clube convive desde a chegada de Mourinho, mas teve seu estopim no final do ano passado, quando o treinador português, indiretamente, confirmou o conflito de relações ao barrar Casillas do difícil compromisso na Andaluzia ante o Málaga. Após a derrota por 3x2, ele desafiou: "Vejo que Adan está melhor no momento. Tenho a consciência tranquila", disse. O gajo cavava a própria cova. Como não poderia deixar de ser, imprensa e torcida madrilenha ficaram ao lado do capitão.

Dentro de campo, a proposta de jogo era executada num ritmo mais lento. O Real Madrid sofreu contra o Borussia Dortmund na Champions League, perdendo na Alemanha e empatando em Madrid, e só não saiu do Camp Nou derrotado pelo Barcelona pela bola na trave de Montoya e um chute desperdiçado por Pedro no minuto final. A bem da verdade, também por Cristiano Ronaldo, em noite mágica e autor de dois gols. As peças-individuais, como o próprio craque da camisa sete, não faziam tanto a diferença. Ronaldo se destacava, mas faltava mais contudência. E essa contundência aparece com perfeição em 2013. Em sete jogos no ano, foram dez gols (dois hat-tricks). 

Quando o seu principal jogador atua de maneira assim anima os demais. Isso explica a recuperação do bom futebol de Di María e Benzema.  Özil, por sua vez, mostra-se bem irregular. No entanto, o alemão tem crescido de produção nos jogos mais pegados da temporada (atuou bem contra Borussia Dortmund, Barcelona e Atlético de Madrid), diminuindo um pouco o ritmo contra os pequenos. É uma irregularidade paradoxal, mas que ele precisa acabá-la. O aspecto que precisa evoluir mesmo são os fundamentos defensivos, uma das virtudes da equipe na temporada passada. Laterais, proteção à defesa e, especialmente, concentração são essenciais.

Em meio ao aparecimento repentino de uma boa fase, uma má notícia. Após disputa de bola pelo alto, Arbeloa acabou, sem querer, lesionando a mão de Casillas, que irá ficar de fora por três meses. A lesão de Iker, que havia recuperado a titularidade na guardameta, cai como uma bomba, que Mourinho logo tratou de desarmar. Um dia após a confirmação de que não teria o goleiro multicampeão até abril, o treinador nascido em Setúbal pediu a Florentino Pérez a contratação urgente de um goleiro. Foi atendido, claro: na sexta-feira (25), o clube anunciou a contratação de Diego López, canterano que fez parte do elenco entre 2005-2008. Diego López não vive boa fase desde sua saída do Villarreal, mas é um goleiro confiável pelo seu histórico no passado (já foi terceira opção para gol da seleção espanhola - ok, não é grande coisa).

O Real Madrid está invicto em 2013. Isso porque Mourinho resgatou uma equipe mais sólida e recuperou o contra-ataque mais mortal do mundo, que fez estragos em 2011-2012. Por enquanto, a ascensão dos jogadores citados acima e a perspicácia tática para superar a coleção de problemas assegura paz e tranquilidade no ambiente em Chamartin. Mas vem aí um Barcelona confiante pela temporada que faz e com Messi e Iniesta em estados de graças. É a chance do elenco blanco ratificar a ressurreição na temporada e confirmar, acima de tudo, por que o Manchester United tem de abrir o olho na Liga dos Campeões da Uefa.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Cavando a própria cova

Mourinho e Casillas: amigos? (getty images)

É preciso ter a noção necessária para entender toda a algazarra feita após o término do duelo do final de semana entre Málaga e Real Madrid, vencido pelos blanquiazules por 3x2. A derrota merengue ficou em segundo plano pelo simples e único fato de José Mourinho ter barrado Casillas. Pela primeira vez em 10 anos, o goleiro e bandeira máxima do clube foi relegado ao banco de reservas por questões técnicas. Mourinho, logo após a partida, não fugiu das perguntas. "Deixar Casillas no banco foi decisão minha. Vejo que Adán está melhor no momento", desafiou o gajo. "Tenho a consciência tranquila", completou. É sabido por todos que o ambiente merengue não é lá muito tranquilo. Há deveras especulações sobre uma possível guerra entre os portugueses e os espanhóis do elenco. Há um mês, por exemplo, Xabi Alonso deu margem aos boatos ao dizer, publicamente, que não é amigo de Cristiano Ronaldo fora de campo.

Mas o ato de Mourinho pode ter sido o estopim. Florentino Pérez, que sempre ficou ao lado do treinador de Setubal, já não confia 100% nele. Ao saber da titularidade de Adán pela jornalista Mónica Marchante, do Canal +, mostrou uma expressão de assustado no rosto e encerrou a "sessão" de perguntas da periodista. A imprensa madrilenha mostrou-se a ao lado de Casillas. AS e Marca criticaram a postura de Mourinho, definindo como ridícula. "A culpa não é de Iker", disse o Marca. Enquanto isso, o País foi mais duro, descrevendo seus métodos como feudais.

Está claro que os prestígios de Mourinho em Chamartín já não são tão grandes como em outrora. Parte da torcida blanca vem pegando em seu pé na atual temporada. Em 2011/2012, em uma de suas polêmicas, havia afirmado que não liga para o que o madridismo fala. Foi um tiro em seu pé. Ontem, em uma enquete promovida pelo Marca, mais de 87% dos eleitores votaram a favor de sua demissão. Joaquin Löw, treinador da seleção da Alemanha, é o preferido para assumir caso o gajo seja, de fato, demitido. Há duas semanas, no empate no Bernabéu contra o Espanyol, até os ultrás madridistas o vaiaram ao fim do jogo e mais um vexame do Real Madrid na temporada, dessa vez contra o penúltimo colocado da Liga. Os graves problemas internos se refletem dentro de campo: a diferença para o Barcelona é de 16 pontos.

O Marca reuniu uma lista de "vítimas" de Mourinho, que vai de diretores técnicos até a cozinheiros. Jorge Valdano foi o primeiro nome a perder a guerra, logo na primeira temporada do português em Madrid, em 2010/2011. À época diretor esportivo do clube, o argentino não aguentou os atritos com o "rival" e acabou demitido por Florentino. Em janeiro de 2011, comentei isso aqui no blog. Logo após o caso, Mourinho tornou-se manager do Real Madrid, tornando-se o primeiro treinador da história do clube a ter carta branca na hora das contratações. O poder dele era imenso.

Nas quatro linhas, o Real Madrid 2012/2013 está bem longe da versão avassaladora apresentada na temporada passada. Os contra-ataques não são tão fatais, a ineficiência é grande e o meio-campo não tem funcionado. Até valores individuais como Cristiano Ronaldo tem atuado num nível baixo. Na última quinta-feira, o sorteio da UEFA colocou o Manchester United no caminho dos merengues nas oitavas-de-finais da Uefa Champions League. Encarar o líder da Premier League nesta atual situação é tarefa ingrata.

Contratado para, especialmente, dar a décima taça de LC ao Real Madrid, Mourinho caminha para mais um fracasso em âmbito europeu. Aliás, não é tão difícil de imaginar outro treinador no cargo nos confrontos contra os mancunianos. O que pode impedir isso é o fato da multa rescisória de Mou ser bastante alta, o que pode influenciar em contratações futuras. Mas o fato é que o português cava a própria cova ao decretar, indiretamente, sua guerra particular com Casillas.

Recomendo a leitura do 'Dossiê Real Madrid - a guerra de egos', produzido por José Eduardo Volpini, do site Doentes por Futebol. Matéria que explica todos os recentes atritos nos vestiários merengues.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O Real Madrid aprendeu a lição

 Mourinho e Cristiano Ronaldo são os principais responsáveis pelos recentes resultados positivos do Real Madrid contra o Barcelona (zimbio)

Casillas; Arbeloa, Sergio Ramos, Pepe, Marcelo; Xabi Alonso, Khedira; Di María, Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema. Há dois anos, 10 desses 11 nomes começaram como titulares na humilhante derrota de 5x0 para o Barcelona. Naquele dia, apenas Arbeloa começou no banco, entrando no segundo tempo. Os blaugranas continuam sendo superiores, mas atualmente o Real Madrid já consegue enfrentá-los de igual para igual. Os resultados dos superclássicos apenas em 2012 evidencia tal evolução madrilenha: duas vitórias barcelonistas, dois empates e duas vitórias merengues. Ontem, mais um capítulo da história do Superclássico foi escrito. Em partida de gala, o 2x2 mostrou as carências das duas equipes na temporada, mas ratificou o novo peso do duelo. 

Atualmente, o Real Madrid sabe como jogar contra o Barcelona sem se acovardar (muito). Nesse cenário, dois personagens merecem destaque: Cristiano Ronaldo e José Mourinho. O treinador português conseguiu dar um padrão de jogo à equipe que Florentino Pérez tanto tentou achar com Manuel Pellegrini. A lição da manita foi aprendida em peso: para jogar contra o Barcelona, a aplicação tática precisa estar à mil. Após muitos confrontos, Mourinho, estrategista que é, conseguiu encaixar seu jogo ao do rival. Com intensidade, compactação dos setores negando espaços a Messi e velocidade para surpreender a zaga adiantada e em linha do Barça com Cristiano Ronaldo se infiltrando em diagonal, o Real Madrid, hoje, sabe como jogar contra os catalães.

Aí, o craque português tem seus méritos. Sempre taxado por amarelar nos clássicos, ele virou a página. Ao marcar de esquerda o gol que abriu o placar, Ronaldo tornou-se o primeiro jogador da história da rivalidade a marcar em seis confrontos consecutivos. Quem vê o Ronaldo de 2012 e o Ronaldo das temporadas anteriores sabe que houve uma mudança. O atual não tem medo de ousar. Chuta, dribla, toca, provoca. Aquele Cristiano Ronaldo apagado, com medo e displicente que enfrentava o Barcelona é coisa do passado.

Na parte defensiva, houve mudanças substanciais. Ainda que Pepe saia do sério a todo momento (e, convenhamos, se ele não saísse estranharíamos), ele mantém a cabeça no lugar a ponto de não comprometer. A emblemática expulsão no confronto da Champions League 10/11 mudou seus nervos - ainda que, na ida do jogo da Copa do Rei, ele tenha pisado em Messi. E isso ajuda em seu desempenho em campo. Na vitória de abril, por exemplo, o luso-brasileiro teve atuação de gala.

Quem também merece menção é Özil e Di María. O argentino é a válvula de escape dos blancos, sempre impussionando velocidade na parte esquerda da zaga blaugrana e sendo importante na recomposição. A marcação a Daniel Alves (ou Montoya, como no caso de ontem), anula uma dos trunfos do Barcelona. O alemão, por sua vez, vive cenário semelhante ao de Cristiano Ronaldo. E a parceria entre os dois é alta: em superclássicos, são cinco assistências do camisa dez ao gajo, quatro apenas nos confrontos deste ano.

O cenário é tão favorável ao Real Madrid que o empate foi comemorado do lado barcelonista. Tudo bem que deveria ser mesmo, afinal os oito pontos de vantagem se mantém e os azulgrenás atuaram com a zaga reserva, mas fatalmente isso seria lamentado há um ano, por exemplo. E a volta por cima dos merengues favorecem os fãs do futebol espanhol. A equipe de José Mourinho se concentra em jogar bola e não ficar à base de pancadas. Assim, mesmo sendo inferior, conseguiu achar uma fórmula de encarar o Barcelona.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

A vitória e os erros

 José Mourinho comemorou acintosamente o gol de Cristiano Ronaldo, mas colaborou para a vitória sair de maneira tão dramática (AS)

A Champions League voltou com tudo. No Santiago Bernabéu, Real Madrid e Manchester City protagonizaram o melhor jogo do dia, que terminou numa virada épica dos merengues por 3x2. A vitória, sobretudo neste grupo, considerado o da morte, deve ser bastante comemorada, muito porque a fase da equipe da capital já começava a ganhar contornos de crise. No entanto, não deve deixar de lado os erros cometidos por José Mourinho na escalação inicial. Abaixo, alguns comentários:

1) O trivote defensivo. Se você parar para pensar e lembrar que o Real Madrid de Mourinho derrotou Milan, Bayern de Munich e Barcelona jogando no 4-2-3-1, a escalação do confronto de hoje tem que ser mais contestada ainda. Mourinho voltou a repetir o 4-3-3 com uma trinca de meio-campistas. Essien, Khedira e Xabi Alonso não jogaram mal, mas o domínio territorial amplo dos merengues na primeira etapa sentiu a falta de um cérebro. O gajo não poderia, necessariamente, utilizar Modric e Özil juntos, mas um deles seria ideal.

2) Benzema ou Higuaín? Mourinho, em suas duas primeiras temporadas, costumava revezar a posição de centroavante a cada jogo. Nesta temporada, no entanto, tem dado preferência a Higuaín. Ainda que seja o artilheiro da equipe com três gols ao lado de Cristiano Ronaldo, o jogo parece fluir menos com Pipita. Ele é bom centroavante, mas desperdiça mais chances do que marca. Benzema, novamente relegado ao banco, teve apenas uma chance real e marcou. Higuaín, no primeiro tempo, perdeu duas.

3) Mesut Özil é fundamental. Uma grande verdade. Quando ele está bem, todo o meio-campo funciona. Quando ele está mal, o jogo cai. Hoje, o alemão entrou no segundo tempo quando ainda estava 0x0. Participou, diretamente, apenas do primeiro gol, mas passa outra qualidade ao setor. Logo após o tento de empate de Benzema, deu um toque atrás do meio-campo para o francês que terminou em defesa de Hart. No escanteio, Cristiano Ronaldo, contando com a colaboração do goleiro inglês, definiu. O português, que tanto tentou, mereceu. Hart, que tanto salvou, não merecia sofrer um gol assim.

4) A questão Sérgio Ramos. Durante a semana, o periódico El País, especializado e confiável quando o assunto é bastidores do Real Madrid, divulgou uma matéria sobre uma possível discussão do treinador português com os senadores do elenco após a derrota para o Sevilla. A ida de Sergio Ramos ao banco logo no jogo seguinte só coloca mais panos quentes no assunto. Varane, que começou em seu lugar, não comprometeu, mas não é tão confiável quanto o espanhol. Na coletiva, Mourinho fugiu da pergunta: "foi por questão técnica", disse. Ok.

Málaga 3x0 Zenit
Estreia perfeita do Málaga. Contra um rival direito, os blanquiazules fizeram o dever de casa, essencial caso queria avançar às oitavas de finais. A vitória só ratifica o excelente início de temporada dos andaluzes. Ao contrário de Mourinho, Manuel Pellegrini não teve medo de ousar: mandou a campo uma equipe totalmente ofensiva, armada no 4-1-3-2, que teve Portillo e Saviola escalados como dupla de ataque. O argentino voltou a marcar e não deve mais sair da equipe titular. Agredir os russos desde o início foi a chave da vitória. Na esquerda, Monreal foi bem no combate a Hulk. 

Mas quem merece um parágrafo à parte é Isco Román, que a cada dia vai deixando de lado o rótulo de promessa para virar realidade. Disputando um jogo de fase de Champions League pela primeira vez, o jovem não teve medo de ser feliz e foi o principal nome do jogo, marcando dois gols, incluíndo um golaço. Joaquín, aberto à direita, foi outra válvula de escape. 

Pellegrini exagerou na comemoração ao dizer que "em 2005/2006, ninguém confiava no Villarreal chegando até a semifinal", mas esse Málaga tem direito a sonhar. Ainda mais num grupo onde o cabeça-de-chave, Milan, está bastante enfraquecido em relação a outrora e não passou de um empate por 0x0 contra o Anderletch, próximo adversário dos boquerones.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Meio termo

 Agüero vs. Real Madrid: à época de Atlético, o argentino marcava, mas não vencia (getty images)

Não foi a melhor tarde para os espanhóis, mas também não foi a pior. É razoável dizer que somente o Barcelona saiu satisfeito do sorteio dos grupos da Liga dos Campeões. Também cabeça de chave, o Real Madrid terá que trabalhar para não sofrer sustos. Málaga e Valencia, por suas vezes, não esperavam facilidade mesmo, e caíram em grupos traiçoeiros. Acompanhem.

Grupo C: Milan, Zenit, Anderlecht, Málaga. A primeira experiência do Málaga na Liga dos Campeões será bastante trabalhosa. Os blanquiazules, no pote 4, terão dificuldades no grupo de campeões nacionais como Zenit e Anderlecth e do poderoso Milan, que, mesmo enfraquecido em relação aos outros anos, ainda possui elenco superior as demais equipes. O Málaga, se quiser sonhar em avançar de fase, precisará jogar com agressividade, fazer a lição de casa nos três jogos que fará em La Rosaleda e atuar com paciência na Rússia, Bélgica e Itália. Se possível, ainda que seja difícil, tirar pontos do Milan na Andaluzia. Sonhar é possível. Palpite: termina em segundo lugar.

Grupo D: Real Madrid, Manchester City, Ajax, Borussia Dortmund. O grupo da morte. Ainda que seja a mais forte equipe do grupo, o Real Madrid terá trabalho. O palpite do colunista é a primeira posição ao time de José Mourinho, mas as partidas contra Borussia e Manchester City exigirão um certo desgaste. Até porque a dupla, que foram as decepções da Liga dos Campeões 11/12 ao caírem na fase de grupos, estão mais experientes em âmbito europeu e podem complicar. Para um setor defensivo tão carente neste início de temporada, enfrentar Silva, Agüero, Tévez, Nasri e Reus, Götze e Lewandowski pode complicar. Destaque para o reencontro de José Mourinho com Mário Balotelli. Palpite: termina em primeiro lugar.

Grupo F: Bayern de Munich, Valencia, Lille, Bate Borisov. A briga mais relevante deste grupo será a pelo segundo lugar entre franceses e espanhóis. O Bayern é extremamente superior a Lille, Valencia e Bate e não terá trabalho para conquistar o título desta chave. Por outro lado, a briga do Valencia é tão igual à da temporada passada, quando caiu na fase de grupos ao perder a disputa pelo segundo lugar com o Bayer Leverkusen. Em tese, o Lille é um adversário mais fraco do que o Leverkusen, mas os blanquinegros precisarão entrar em campo concentrados. O que não pode acontecer é perder pontos para a equipe mais fraca, o Bate, assim como na temporada passada, quando perdeu na Bélgica para o Racing Genk. Palpite: termina em segundo lugar.

Grupo G: Barcelona, Benfica, Spartak Moscou, Celtic. Assim como nos últimos anos, o Barcelona novamente encontra um grupo bastante acessível na primeira fase. O grupo parece ainda mais simples que o de 2011/2012, quando o Barcelona teve de enfrentar Milan, Bate e Viktoria Pilsen. Dessa vez, não há um gigante como os rossoneros. Por outro lado, Benfica e Celtic, adversários de mata-mata de LC em temporadas passadas, prometem dificultar a vida barcelonista no Estádio da Luz e no Celtic Park, respectivamente. Vale a história do confronto com os portugueses, campeões da Copa dos Campeões ante os blaugranas em 61. Palpite: termina em primeiro

Todos sobrevivem
Além do quarteto da Champions, a Espanha emplacou todos os representantes na fase de grupos da Liga Europa. Athletic Bilbao e Levante passaram, respectivamente, por Helsinki e Motherwell. Além disso, por ser o atual campeão, o Atlético de Madrid já havia garantido presença anteriormente. A por ellos!

Atualização, sexta-feira, 31/08, às 10h47.
O sorteio da Uefa colocou os espanhóis em chaves acessíveis na Liga Europa. Em manhã movimentada pelo última dia do mercado europeu, Atlético de Madrid, Athletic Bilbao e Levante irão encarar, respectivamente, Apoel, Viktória Pilsen, Coimbra; Lyon, Sparta Praga, Apoel Kiryat; Twente, Hannover 96, Heisinborgs. Os granotes terão dificuldades, mas têm tudo para avançarem.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Superjogo

 No último jogo, Cristiano Ronaldo decidiu e tirou onda... (getty images)

Não poderia haver confronto melhor para "abrir" a temporada de elite espanhola. Tradicionalmente, a disputa da Supercopa é o pontapé inicial para a Liga Espanhola, porém a LFP decidiu inverter os valores e começou a temporada com a primeira rodada da Liga BBVA. O que mais importa, no entanto, é que amanhã, às 17h30, horário de Brasília, o Camp Nou recebe o jogo de ida entre Barcelona e Real Madrid. Pela segunda vez consecutiva, os maiores clubes do futebol espanhol se enfrentam na decisão do torneio. No ano passado, o Barcelona, maior vencedor da competição, teve um Messi mágico e levantou a taça.

Nos bastidores, polêmicas. Expulsos no confronto de 2011, Marcelo, Mesut Özil e David Villa poderão atuar normalmente amanhã. O novo comitê de arbitragem espanhol considerou que a multa paga pelo trio em setembro passado "compensa" a lógica suspensão que eles deveriam cumprir. Na coletiva pré-jogo, José Mourinho e Tito Vilanova se alfinetaram de leve. O português considerou que "não quebrou nenhuma hegemonia ao conquistar a Liga Espanhola porque não há hegemonia alguma quando um time não consegue vencer a Champions League, torneio mais difícil de clubes, duas vezes consecutivas". Irônico, o catalão rebateu: "verdade, não há hegemonia quando você vence 14 de 19 campeonatos".

Com Alex Song, novo contratado junto ao Arsenal, à disposição, o Barcelona parece mais preparado para os duelos. Ao contrário da temporada passada, os blaugranas fizeram uma pré-temporada mais estável que a dos merengues e contam com os retornos de David Villa e Ibrahim Afellay como opções. O Guaje voltou em alto estilo, marcando contra a Real Sociedad, mas é difícil pensar na sua escalação como titular. Com base nos amistosos e na estreia na Liga, existe a tendência de que Pedro comece os 45 minutos iniciais. A dúvida de Tito é o último homem de ataque. Ele ainda não se rendeu à ideia de jogar com Fàbregas mais adiantado - nem Iniesta, por exemplo, que só deve aparecer nesta posição em caso de urgência - e, com o retorno de Alexis Sánchez, pode iniciar com o chileno. Arriscar Tello, titular na derrota de abril, é improvável.

Mourinho esconde, mas sabe o quão importante é começar a temporada desbancando o rival novamente. Ele afirmou que prefere "perder a Supercopa, mas ganhar a Liga BBVA ao final da temporada". Blefe? A depender dessa declaração, o gajo mostra que não se importa em fazer experiências e priorizar a preparação para a temporada de fato. Assim, não é improvável a presença da trinca de volantes no meio-campo e o retorno do 4-3-3. Mourinho havia dado mostras de que abdicara dessa tática mais conservadora desde que jogara bem contra o Barcelona no 4-2-3-1. Em janeiro, no confronto da Copa do Rei, o Real Madrid dominou os azulgrenás no Camp Nou e saíram de campo satisfeitos com o empate por 2x2, apesar da eliminação na competição. O resultado foi a vitória no mesmo estádio três meses depois, no jogo que decretou o título espanhol.

A aplicação tática de jogadores como Özil, Di María, Xabi Alonso, Khedira e até Cristiano Ronaldo é essencial para a fluência da tática sem que haja covardias. É claro que há um recuo natural das linhas para se proteger do poderio barcelonista, mas já é bem diferente da proposta utilizada, por exemplo, no confronto de ida da semifinal da Champions League, em 2010/2011. Os merengues são programados para se protegerem com solidez encurtarem o máximo possível os espaços do Barcelona, evitarem a presença de Messi no setor onde ele mais gosta de atuar e saírem com perfeição no contra-ataque. O simbólico gol de Cristiano Ronaldo no último jogo evidencia isso. Foi uma bola roubada no campo de defesa, lançada para Özil e definida pelo português. Tudo como o script manda. O problema será a defesa, que não terá Pepe, lesionado, e sim o inconstante e nada confiável Raúl Albiol.

... mas Messi e o Barcelona pretendem dar a volta por cima. Quem largará na frente? (zimbio)

Apesar de ser cedo para chegar a alguma conclusão, o Barcelona ilusiona. Com um elenco bem mais homogêneo em relação ao de 2011/2012, o triunfo contra a Real Sociedad mostrou uma faceta que há tempos não se via no jogo azulgrená: a utilização em demasia dos ponteiros. As chamadas infiltrações que tanto aterrorizou os adversários durante três temporadas e meia da era Guardiola raramente foi vista no segundo semestre da campanha passada. A escolha de jogar no 3-4-3 por parte de Pep foi o principal responsável pela perda de uma das principais jogadas. Com quatro meio-campistas, o jogo tendia a se concentrar mais pelo centro, o que explica um pouco os mais de 70 gols de Messi.

Na defesa, Puyol oferece segurança a quaisquer parceiros. Em forma fisicamente, o capitão iniciou muito bem a temporada e deve ser acompanhado de Mascherano ou Piqué, o que só será definido em última hora. Alba, na esquerda, não é um marcador nato e precisa balancear as investidas ao ataque com a defesa. Se, com Daniel Alves, o lado direito fica mais vulnerável, com o Alba o setor esquerdo também ficará bastante exposto, o que pode ser um perigo para Vilanova: é exatamente os ponteiros merengues (Cristiano Ronaldo e Di María) que fazem a diferença nesse tipo de jogo. Busquets, que costuma fazer a cobertura do lado direito para deixar o baiano livre para subir, terá que se redobrar nos dois flancos.

No confronto das principais estrelas, o momento é inverso. Cristiano Ronaldo, sempre cobrado por atuações positivas no superclássico, vem de três jogos consecutivos marcando gols contra o Barcelona, enquanto Lionel Messi já não marca há quatro partidas contra o Real Madrid. A média do argentino, que era praticamente de um gol por partida, diminuiu. Até por sinalizar menos alterações em relação à temporada passada e mostrar um estado físico melhor nesta abertura da temporada, o Barcelona parece ter certa vantagem para amanhã, mas nada que transforme uma eventual vitória do Madrid em surpresa. Os blancos sabem o caminho para a vitória.

Málaga
Os blanquiazules fizeram a lição de casa e venceram o Panathinaikos por 2x0 no jogo de ida da última fase classificatória da Uefa Champions League. Atuando com sobresaliência, os boquerones não deram espaços para o time grego e mereceram sair com a vitória. Marcaram sob pressão desde o campo de ataque, tiveram o controle da posse de bola e levaram muito perigo nos ataques. A movimentação do trio de meio-campistas foi o segredo da vitória. Isco, Eliseu e Joaquín - até ele, veja bem - se revezaram bastante e levaram a zaga rival à loucura. A vantagem é considerável, mas Manuel Pellegrini precisa abrir o olho, pois o Panathinaikos costuma atuar muito bem em Athenas. Assim, os andaluzes estão a 90 minutos de alcançarem a fase de grupos da principal competição de clubes do mundo.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Ritmo leve

 Pepe pede calma: logo você, cara? (getty images)

O Santiago Bernabéu recebeu uma partida com toda a pinta da temporada passada. Enquanto um Real Madrid bem abaixo da condição física e sem nenhum reforço mostrou pouca objetividade, o Valencia já com Gago e Guardado teve em Jonas, coadjuvante de luxo, seu principal destaque. Por outro lado, o empate por 1x1 nada teve de estranho. O Valencia costuma dificultar para o Real Madrid em Chamartín e emplaca sua segunda temporada sem perder na capital espanhola. José Mourinho, na coletiva pré-jogo, havia avisado: encarar uma equipe como o Valencia logo na primeira rodada seria complicado.

Além das peças, os times mantiveram os seus estilos. No entanto, o Real Madrid, posicionado no 4-2-3-1, teve problemas para bater a retaguarda protegida por Diego Alves. O aspecto positivo foi a capacidade de infiltração de Di María e a demonstração de vontade de Higuaín, destaques da parte ofensiva dos merengues. O meio-campista argentino, por mais uma temporada, começa voando fisicamente e foi o responsável pela bela assistência para Pipita anotar. O atacante, por sua vez, promete uma disputa mais igualada com Benzema pelo posto de centroavante. José Mourinho ratificou essa "briga saudável" entre a dupla, e aproveitou para dizer que isso é importante para toda a equipe, já que eles dão o melhor de si.

O Valencia evidenciou que é a melhor equipe humana do futebol espanhol. Os chés atuaram sem medo, não ficaram nervosos após o gol de Higuaín e tiveram coragem para empatar. A postura exercida no segundo tempo foi semelhante a que Unai Emery utilizou no confronto da temporada passada. Maurício Pellegrino deu uma recuada natural na sua equipe e tentou vencer o jogo apostando nos contra-ataques. Num desses ataques, Soldado saiu na cara de Casillas e anotou, mas teve o gol invalidado. Não obstante, o lance gerou bastante polêmica. A TVE, responsável pela transmissão e geração das imagens, não mostrou a jogada num ângulo favorável. O Super Deporte afirma que Soldado estava em condição legal, enquanto o Marca nega.

Ficou claro que o Real Madrid ainda precisa contratar. É louvável a aposta em Luka Modric para melhorar a qualidade da volância, mas existem necessidades muito mais urgentes. Há meio-campistas em demasia (Callejón, Kaká, Granero), porém poucas opções para a lateral e nenhuma alternativa confiável a Pepe. O zagueiro se lesionou após choque com Casillas e teve que ser substituído por Raúl Albiol. Fora de forma, o ex-valenciano não comprometeu, mas vacilou na jogada que poderia ter dado a vitória ao Valencia caso não tivesse sido anulada. Mourinho, que ainda não sabe se terá Pepe contra o Barcelona no jogo de ida da Supercopa quinta-feira, será obrigado a utilizar Albiol. Aposta totalmente arriscada. Hoje, ao contrário da temporada passada, quem está em melhor condição física é o Barcelona, que fez uma pré-temporada mais saudável.

No Valencia, só alegria. As linhas retraídas e o trivote defensivo no meio-campo para segurar o ímpeto madridista na reta final da segunda etapa confirmou que Pellegrino ainda não abandonou a ideia de propor uma filosofia mais defensiva - porém segura - ao elenco. Ele iniciou o duelo no 4-2-3-1, mas não teve vergonha de variar ao 4-3-2-1 tirando de campo Soldado e colocando Piatti, adiantando Jonas à referência, e depois Guardado para colocar Dani Parejo. Gago não foi o que o treinador espera dele e deu espaços suficiente para Di María raciocinar e assistir Higuaín marcar. O ponto conquistado em Madrid dá uma moral relevante ao Valencia. Pellegrino avisou: o empate não foi casualidade. Talvez não. Daqui a duas semanas, ele irá ao Camp Nou visitar o Barcelona. É a chance de comprovar isso.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Guia: Liga BBVA (parte 2)

Na segunda parte do nosso guia para a temporada feito em parceria com Pierre Andrade e Edgley Lemos, do site Futebol Espanhol, damos destaque a mais dez equipes que jogarão a Liga BBVA 2012/2011. Hoje, falaremos do atual campeão Real Madrid, que quebrou a hegemonia do Barcelona após três anos, além do Valencia, o "humano" mais forte, e da dupla andaluza Sevilla, incógnita total, e Málaga, abalado por uma crise interna e externa que durou o verão inteiro. A primeira parte você pode ler aqui. Boa leitura!

Málaga (Victor Mendes)
Cidade: Málaga, Andaluzia
Estádio: La Rosaleda
Em 2011/2012: 4º colocado
O cara: Isco Román (meio-campista, foto)
O treinador: Manuel Pellegrinni
A promessa: Juanmi (atacante)
Principal reforço: -
Principal perda: Santi Cazorla (meio-campista, Arsenal)
Objetivo: vaga em alguma competição europeia
Time base (4-2-3-1): Caballero; Jesus Gámez, Demichelis, Weligton, Monreal; Maresca, Toulalan; Joaquín, Isco, Portillo; Seba Fernández.

Maio de 2012. O Málaga derrota o Sporting Gijón no La Rosaleda por 1x0, gol de Rondón, e sacramenta a quarta vaga para a Uefa Champions League. Nenhum torcedor presente no estádio naquela festa histórica imaginaria que, menos de quatro meses depois, a situação seria dialmetralmente oposto àquela vivida em 2011/2012. Após um ano para firmar na história do clube, a entidade andaluza viveu um verão terrível: o sheikh Abdullah-Al Thani deixou de investir, chegou a, segundo fontes do El Desmarque, colocar o clube à venda, viu quatro jogadores denunciarem o clube à AFE por atraso no salários e, ainda por cima, foi acusado por Villarreal, Osasuna e River Plate por falta do pagamento das compras de Cazorla, Monreal e Buonanotte, respectivamente. A instituição feriu.

As saídas de Cazorla, Rondón e Mathijsen e a péssima pré-temporada é uma tragédia anunciada. Toulalan e Júlio Baptista, lesionados, serão reforços urgentes quando voltarem, mas Pellegrinni sabe o quanto farão falta neste início de temporada: daqui a uma semana, os blanquiazules encaram o Panathinaikos pelo jogo de ida da pré-UCL. O momento é tão ruim que não houve nenhuma aquisição no mercado. Atualmente, falta um zagueiro confiável, um criador de jogadas e um atacante com faro de gol, justamente onde os três que saíram se encaixam. Ou seja, não há alternativas a eles. Pensar em rebaixamento é exagero, mas o objetivo da equipe hoje é uma vaga na Liga Europa, pois está muito abaixo dos candidatos à Champions.

Mallorca (Edgley Lemos)
Cidade: Palma de Mallorca
Estádio: Iberostar
Em 2011/2012: 8º colocado
O cara: José Luís Martí (meio-campista, foto)
O treinador: Joaquín Caparrós
A promessa: Nsue (atacante)
Principal reforço: Antonio López (lateral-esquerdo, Atlético de Madrid)
Principal perda: Gonzalo Castro (meia-atacante, Real Sociedad)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-2-3-1): Aouate; Nsue, Nunes, Bigas, Antonio López; Martí, Javi Márquez; Pereira, Hemed, Alfaro; Víctor.

O Mallorca sofreu um grande êxodo de jogadores ao fim da última temporada: os três principais zagueiros da equipe (Ramis, Chico e Martí Crespí) foram embora. No meio-campo, Tissone, De Guzmán, Chori Castro e Sérgio Tejera deixaram o clube. E como se já não fosse o bastante, a crise econômica que assola a Espanha ainda dificulta as movimentações da equipe no mercado. Apesar da situação caótica, o presidente Serra Ferrer conseguiu contratar Antonio López, lateral esquerdo que estava no Atlético de Madrid, o atacante Arizmendi, vindo do Getafe, e o meio-campista Javi Márquez, cria das canteras do Espanyol. Ferrer ainda prometeu dois zagueiros e um atacante antes da estreia do clube no campeonato.

Caparrós está consciente de que o dinheiro está curtíssimo e de que terá um elenco enxuto para o resto da temporada, por isso improvisou o canterano Pedro Bigas na zaga junto com o lateral Nelson, durante a pré-temporada da equipe. Os torcedores esperam que ao menos se possa ficar no meio da tabela e não ter de passar a angustia de lutar contra o rebaixamento. Solidez e experiência são as palavras que definem a nova versão do Mallorca.

Osasuna (Edgley Lemos)
Cidade: Pamplona, Navarra
Estádio: Reyno de Navarra
Em 2011/2012: 7º
O cara: Puñal (meio-campo)
O treinador: José Luis Mendilíbar
A promessa: Sisi (meio-campo)
Principal reforço: Joseba Llorente (atacante, Real Sociedad)
Principal perda: Raul García (meio-campista, Atlético de Madrid)
Objetivo: Liga Europa
Time base (4-2-3-1): Fernández; Bertrán, Flaño, Rubén, Echaide; Nekounam, Puñal; Sisi, Cejudo, Armenteros; Kike Sola.

Há pelo menos duas temporadas o Osasuna vem fazendo temporadas de meio de tabela para cima. Um dos responsáveis por isso é o treinador Mendilíbar e o outro é o estádio Reyno de Navarra. O técnico faz bom trabalho com os rojillos, que têm um elenco limitado, mas que jogando em seus domínios são praticamente impossível de se bater. No entanto, para esta temporada, a equipe perdeu um dos elementos chave da equipe. Raul García retornou ao Atlético de Madrid, após o término de seu contrato de empréstimo. 

Para repor a saída do meio-campista o Osasuna trouxe Sisi, ex-meio-campo do Valladolid, e Armenteros, meia que estava no Rayo Vallecano. Para o ataque chegou Joseba Llorente, da Real Sociedad, atacante experiente e que pode até fazer dupla com Kike Sola, num 4-4-2. Mendilíbar dificilmente conseguirá substituir Raul García à altura, mas ao menos reforça bem o meio-campo e a defesa, para que a temporada seja tão sólida quanto à última. O objetivo é a Liga Europa, certamente, que escapou por pouco na última temporada.

Rayo Vallecano (Victor Mendes)
Cidade: Vallecas, Madrid
Estádio: Teresa Rivero
Em 2011/2012: 15º colocado
O cara: Javi Fuego (volante, foto)
O treinador: Paco Jémez
A promessa: José Manuel Alcañiz (zagueiro)
Principal reforço: Adrián (volante, Racing Santander)
Principal perda: Michu (meia-atacante, Swansea)
Objetivo: permanência na elite
Time base (4-2-3-1): Rubén; Tito, Amat, Gálvez, Casado; Javi Fuego, Adrián; Lass, José Carlos, Piti; Nicki Bille.

Paco Jémez estreia como treinador de um time de primeira divisão com a árdua tarefa de repetir o milagre que operou Sandoval na temporada passada, na qual o Rayo conseguiu a permanência na elite na última rodada graças a um gol de Tamudo no último piscar da bola. Agora, o buraco é mais embaixo: o elenco é inferior em relação ao que sofreu em 2011/2012 e várias peças-chaves saíram, como Diego Costa, Armenteros, Arribas, Movillas e Michu, principal jogador franjiroyo por dois anos. As continuidades de Javi Fuego e Lass, por outro lado, é a melhor notícia que Paco pôde receber no verão.

Em uma situação econômica delicada, o clube de Vallecas fez um mercado acessível. As contratações de Jordi Amat e Galvez darão segurança à zaga, enquanto Adrián e José Carlos oferecerão qualidades ao meio-campo. A referência é o problema. Sem Diego Costa e Michu, a diretoria fechou com Nickie Billie, que não é uma resposta à altura a perda da dupla. O elenco não é homogêneo, sem muitas opções, foi a pedra do sapato do Rayo na temporada passada e certamente irá voltar a incomodar. Paco, por exemplo, só conta com cinco jogadores à disposição para a defesa. 

Real Madrid (Edgley Lemos)
Cidade: Madrid
Estádio: Santiago Bernabéu
Em 2011/2012: campeão
O cara: Cristiano Ronaldo (meia-atacante, foto)
O treinador: José Mourinho
A promessa: Morata (atacante)
Principal reforço: -
Principal perda: -
Objetivo: título
Time base (4-2-3-1): Casillas; Arbeloa, Pepe, Sergio Ramos, Marcelo; Khedira, Xabi Alonso; Di María, Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema.

Com o título da última temporada, o Real Madrid tem novamente a pressão sobre os ombros. Dessa vez o desafio é manter-se como campeão. Para isso, Mourinho manteve a base do time e se desfez apenas dos jogadores que “ocupavam espaço” no elenco. Pedro Léon, Gago e Altintop deixaram o clube. Dos três, apenas Gago ainda poderia ter chances no elenco, pois, se Khedira se lesionar, Lass sofre com problemas físicos e pode não estar em forma para substituí-lo à altura. Com a provável chegada de Modric, Sahin deve perder mais espaço e também seguir caminho longe de Madrid, mais próximo de Londres (Arsenal) ou Liverpool. Morata, atacante da base, foi promovido ao time principal e é bom ficar de olho, pois o jovem fez boa temporada pelo Real Madrid Castilla (que irá disputar a Liga Adelante) e deseja se firmar no elenco principal.

Mourinho tem consciência de que o título da Liga dos Campeões lhe escapou pelos dedos e que para voltar a competição com chances de ser campeão é preciso ter um time forte. O Real Madrid, junto ao Barcelona, é o time mais forte a disputar a Champions, então basta manter a base da última temporada e reforçar as posições carentes.  E a única posição carente é a lateral direita, que Mourinho delega a Arbeloa, seu jogador de confiança para a posição. O lateral se valorizou com o treinador após a Eurocopa e continua firma na equipe titular. Seu substituto é caseiro: o gajo teria se interessado pela ideia de efetivar Lass à posição após boas partidas do francês em 2011/2012. Com o elenco atual, o Madrid tem condições para ser novamente campeão espanhol e europeu nesta temporada.

Real Sociedad (Pierre Andrade)
Cidade: San Sebastián, País Basco
Estádio: Anoeta
Em 2011/2012: 12º colocado
O cara: Xabi Prieto (meio-campista)
O treinador: Philippe Montanier
A promessa: Rubén Pardo (meio-campista)
Principal reforço: Carlos Vela (meia-atacante, Arsenal)
Principal perda: Mikel Aranburu (aposentado)
Objetivo: Vaga na Liga Europa
Time base (4-2-3-1): Claudio Bravo; Carlos Martínez, Mikel González, Iñigo Pérez, José Ángel; Illarramendi, Zurutuza; Xabi Prieto, Carlos Vela, Griezmann; Agirretxe.

Com a base do time que encantou a Espanha no primeiro turno da La Liga, a Real Sociedad larga como uma das grandes apostas para temporada. Apresentando um futebol ofensivo e de qualidade no toque de bola, os comandados de Philippe Montanier esperam um ano mais estável, passando distante da zona de rebaixamento para a Liga Adelante. O ponto forte da equipe continuará sendo o meio de campo, liderado pelo experiente Xabi Prieto. Carlos Vela, contratado em definitivo junto ao Arsenal, e Agirretxe certamente levarão perigo às defesas adversárias. 

Outra aquisição importante do clube foi o lateral esquerdo José Angel, ex-Roma. Titular no time italiano, Ángel perdeu espaço com a saída de Luis Enrique e decidiu retornar ao seu país natal. Mesmo com essas contratações, se quiser almejar algo a mais do que o meio da tabela, os txuri-urdin terão que se preparar bem fisicamente para aguentar toda a temporada. Nos últimos anos, o time tem caído de rendimento na reta final, deixando escapar as chances de conquistar vagas nas competições européias.

Sevilla (Edgley Lemos)
Cidade: Sevilla, Andaluzia.
Estádio: Ramón Sánchez Pizjuán
Em 2011/2012: 9º colocado
O cara: Álvaro Negredo (atacante, foto)
O treinador: Michel
A promessa: Geoffrey Kondogbia (meio-campista)
Principal reforço: Diego López (goleiro, Villarreal)
Principal saída: Romaric (volante, Zaragoza)
Objetivo: vaga em uma competição europeia
Time base (4-4-2): Diego López; Cicinho, Botía, Spahic, Fernando Navarro; Trochowski, Medel, Jesus Navas, Perotti; Reyes, Negredo.

A instabilidade defensiva custou caro ao Sevilla na última temporada, por isso Del Nido deixou claro que reforçar bem a defesa era prioridade. Trouxe para a atual temporada o ótimo goleiro Diego López, proveniente do Villarreal. Chegaram, ainda, o zagueiro Botía, ex-Sporting Gijón, e o volante Maduro, vindo do Valencia. Além de Cicinho, ex-lateral direito do Palmeiras, que vem sendo chamado pela torcida de “novo Dani Alves”. No entanto, reforçar apenas a defesa não basta para o Sevilla, visto que o time sofre com a falta de um armador. 

Apesar de Rakitic ter muita qualidade, a última temporada foi tenebrosa. Por isso é importante, para o Sevilla, contratar alguém como opção ao croata. Michel, durante os amistosos de pré-temporada, ensaiou uma mudança no esquema tático da equipe para um 4-3-3, explorando as investidas de Návas e Reyes pelas pontas. A falta de um meio-campo armador, no entanto, deve pesar durante a temporada, caso Rakitic não atue bem. A realidade é outra em Nervión: pela primeira vez em oito anos, o Sevilla não irá disputar uma competição europeia.

Valencia (Pierre Andrade)
Cidade: Valencia
Estádio: Mestalla
Em 2011/2012: 3º colocado
O cara: Roberto Soldado (atacante, foto)
O treinador: Mauricio Pellegrino
A promessa: Paco Alcácer (atacante)
Principal reforço: Andrés Guardado (meio-campista, Deportivo)
Principal perda: Jordi Alba (lateral-esquerdo, Barcelona)
Objetivo: Vaga na Champions League
Time base (4-2-3-1): Guaita; João Pereira, Rami, Ricardo Costa, Mathieu; Gago, Banega; Feghouli, Jonas, Guardado; Soldado.

Campeão da “outra liga” de forma consecutiva desde a temporada 2009/10, o Valencia começa esta edição do campeonato tendo sofrido algumas mudanças em seu elenco. A principal delas é à saída de Unai Emery, técnico que ajudou o clube a consolidar-se no terceiro posto da tabela. Para o seu lugar, chega Mauricio Pellegrino. Ex-jogador do clube, El Flaco conta com a experiência de ter sido o auxiliar de Rafa Benítez no Liverpool e Internazionale de Milão, mas nunca dirigiu um time profissional.

Outra ausência que certamente será sentida é a de Jordi Alba. O lateral, revelação da Euro 2012, acertou sua ida para o Barcelona e deixou carente o lado esquerdo da defesa ché. Pro seu lugar, o clube chegou a acertar a contratação de Dídac Vilà, mas uma contusão grave no púbis fez o time desistir da transação. Dos que assinaram com o Valencia, ganham destaque o meia Guardado, ex-Deportivo, e o volante Fernando Gago, ex-Roma e Real Madrid. Além deles, Jonathan Vieira, que veio do Cádiz, e Paco Alcácer, prata da casa, demonstraram na pré-temporada uma ótima qualidade técnica e devem atuar durante o certame.

Valladolid (Victor Mendes)
Cidade: Valladolid, Castilla e Leão
Estádio: José Zorilla
Em 2011/2012: campeão dos play-offs da Liga Adelante
O cara: Javi Guerra (atacante, foto)
O treinador: Miroslav Djukic
A promessa: Javi Navas (meia-atacante)
Principal reforço: Rukavina (lateral-direito, 1860 Munich)
Principal perda: Nauzet (Las Palmas)
Objetivo: permanência na elite
Time base (4-2-3-1): Jaime; Rukavina, Marc Valiente, Rueda, Balenziaga; Álvaro Rubio, Víctor Pérez; Ebert, Óscar, Omar; Javi Guerra.

O vencedor dos play-offs de acesso da Liga Adelante foi a equipe que mais encantou durante a competição. O Valladolid conseguiu associar um futebol atrativo a uma defesa sólida (a melhor da Liga Adelante ao lado do Celta Vigo). Djukic já prometeu não mudar a filosofia que tanto deu certo na segundona no retorno à elite. O plantel renovado ajudará muito na briga contra o rebaixamento. As contratações são interessantes. Rukavina e Ebert, provenientes dos alemães Munich 1860 e Hertha Berlim, chegam para oferecerem qualidade às laterais. Apesar de atuar na lateral-direita, Rukavina tem sido testado na zaga nos amistosos de pré-temporada. Ebert, por outro lado, pode atuar também mais à frente, na linha de três. É provável que ele seja titular na extrema direita.

Se o Valladolid fizer o dever de casa no mercado e não mudar totalmente à primeira derrota, o 4-2-3-1 bem protegido e com Óscar armando as jogadas e Lolo impondo velocidade pela esquerda pode dar samba. Na frente, Javi Guerra é garantia de gol. O calendário prevê dificuldades nos cinco primeiros jogos: Zaragoza (fora), Levante (casa), Athletic Bilbao (f), Bétis (c) e Atlético de Madrid (f). Se, de fato, Djukic honrar as palavras, o Valladolid promete agradar os telespectadores nesta nova temporada.

Zaragoza (Pierre Andrade)
Cidade: Zaragoza, Aragão
Estádio: La Romareda
Em 2011/2012: 16º colocado
O cara: Roberto (goleiro, foto)
O treinador: Manolo Jimenez
A promessa: Jorge Ortí (atacante)
Principal reforço: Romaric (volante, Espanyol)
Principal perda: Lafita (atacante, Getafe)
Objetivo: permanência na elite
Time base (4-4-2): Roberto; Lanzaro, Loovens, Álvaro, Abraham; Apoño, Romaric, Edu Oriol, Montañes; Aranda, Helder Postiga.

Temporada nova, vida nova. Este será o lema do Zaragoza nesta edição do Campeonato Espanhol. Manolo Jimenez continuará no comando da equipe e não tinha como ser diferente. Quando assumiu o posto de treinador, substituindo Javier Aguirre, o Zaragoza se encontrava na última colocação da Liga. Jimenez conseguiu uma sequência de bons resultados, entre elas uma vitória contra o Athletic Bilbao por 2x0, e salvou a equipe do rebaixamento na última rodada.

Para esta temporada, a equipe tende a crescer tecnicamente com as contratações do zagueiro Álvaro Gonzalez, ex- Racing Santander, e do volante Romaric, que veio do Espanyol, mas que pertencia ao Sevilla. Outro que deve se destacar é o arqueiro Roberto, que conseguiu deixar de lado as más atuações e se firmou no gol maño, relegando ao banco o experiente Leo Franco. Aliado a isso, o clube ganhou 8 anos para quitar a dívida de €82 milhões e atualmente se encontra em uma situação financeira estável, o que deve garantir um ambiente mais leve para trabalhar.

Palpites para temporada
Victor Mendes
Campeão: Barcelona
Uefa Champions League: Barcelona, Real Madrid, Valencia e Atlético de Madrid
Liga Europa: Sevilla, Athletic Bilbao e Osasuna
Rebaixados: Rayo Vallecano, Granada e Celta Vigo
Copa do Rei: Real Madrid

Pierre Andrade
Campeão: Real Madrid
Uefa Champions League: Real Madrid, Barcelona, Atlético de Madrid, Valencia
Liga Europa: Real Sociedad, Sevillae Athletic Bilbao
Rebaixados: Valladolid, Rayo Vallecano, Bétis
Copa do Rei: Real Madrid

Edgley Lemos 
Campeão: Barcelona
Uefa Champions League: Barcelona, Real Madrid, Sevilla e Atlético de Madrid
Liga Europa: Valencia, Getafe e Athletic Bilbao
Rebaixados: Mallorca, Rayo Vallecano e Granada
Copa do Rei: Real Madrid

terça-feira, 31 de julho de 2012

Modric é realmente necessário?

Modrid x Xavi: vai virar rotina? (getty images)

Há nove anos, o Real Madrid contratou um jogador de que não precisava: David Beckham, por generosos 25 milhões de euros ao Manchester United. Os Red Devils, que estavam negociando o jogador com o Barcelona, aceitaram prontamente a oferta do clube merengue, o que acabou fazendo o Barcelona ir até Paris contratar Ronaldinho Gaúcho. Makélélé, que estava no auge e era peça essencial no esquema de Vicente Del Bosque, foi relegado ao banco em prol da titularidade do inglês e resolveu abandonar o clube, se transferindo para o Chelsea de José Mourinho. No final das contas, a contratação de Beckham não deu certo. Ele não chegou a fracassar, mas sua entrada na equipe titular do Real Madrid desmontou todo esquema que, durante três anos, vinha dando certo e conquistando título atrás de título. O Spice Boy só foi conquistar seu primeiro troféu relevante na capital quatro anos depois de sua chegada, a Liga BBVA 2006/2007.

O meio-campo, tão forte e seguro, ficou frágil e sentiu bastante a ausência de um roubador de bola. Claramente, a equipe sobrava em fantasia e magia, mas sentia o baque quando atacada. No final, o projeto megalomaníaco de Florentino Pérez teve consequências contrárias: muito sonho, pouco resultado. De pouco em pouco, os galáticos foram se desfazendo. Hoje, o excesso de armadores no elenco continua. José Mourinho tem à disposição quatro criadores de jogadores: Xabi Alonso, Granero, Sahin e até mesmo Özil. Porém, estaria disposto a oferecer 40 milhões de euros para tirar o croata Modric do Tottenham. A qualidade do volante é inegável, mas ele seria realmente necessário nessa equipe do Real Madrid? 

Dificilmente um jogador que custa tão caro chega para ser reserva. Como Xabi Alonso é o cérebro da volância, a bomba acabaria caindo em Khedira, que provavelmente seria rejeitado ao banco. Mas isso daria certo? Numa equipe tão cheia de grife, é difícil prestar atenção em jogadores que quase não marca gols e dá assistências. Mas, se for parar para reparar, o camisa 5 é tão importante quanto Xabi Alonso na proposta de jogo do treinador português. O alemão marca, desarma, tem carta branca para chegar à área rival e deixa Xabi menos sobrecarregado na criação de jogadas. É, mal comparando, o Makélélé da equipe atual.

A lateral direita é a maior - e talvez a única, aliás - carência do elenco. Ainda assim, Mourinho prefere não arriscar. Ele não dá margem de erro a esse negócio e só admite contratar o jogador certo. Num mercado tão escasso de lateral direito, é difícil imaginar o Real Madrid gastando dinheiro com algum jogador para o setor. Mou teria ficado satisfeito com a Eurocopa de Arbeloa, com quem não pensa em se desfazer. Lass Diarra seria a solução caseira para substituir o espanhol (até faz sentido porque o francês foi bem jogando na lateral com Mourinho). Na base, um jogador chama a atenção: Juanfran, destaque do Castilla na temporada passada e que apareceu com sobressaliência na partida amistosa contra o Oviedo, semana passada. Carjaval é o canterano mais promissor para a posição, mas rumou para o Bayer Leverkusen, em mais uma pataquada da diretoria merengue com seus canteranos.

Atualmente, todas as especulações da imprensa madrilenha falam em uma contratação para a volância. O alvo preferencial de Mourinho é Modric, mas a negociação não é simples. Axel Witsel é alternativa ideal, só que o Benfica também não está disposto a liberar o belga tão facilmente. Calculista para promover as necessárias mudanças, Mourinho afirmou há duas semanas que o desejo para a temporada é a conquista da Liga dos Campeões. No fundo, ele sabe que está à frente de muitas equipes e que o título europeu bateu na trava na temporada passada. Aliás, uma das missões de Mourinho já foi cumprida: descanbar o Barcelona à nível nacional. Falta a conquista europeia, que transformaria o gajo numa lenda na capital. Seu time está pronto há duas temporadas e não precisa de reparo, sobretudo do meio para frente. Então, para que a contratação de Modric?

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Balanço Final: Análise da temporada (primeira parte)

 Cristiano Ronaldo dá o ok: ele foi a estrela do Real Madrid campeão da Liga Espanhola (getty images)

Real Madrid x Barcelona, Barcelona x Real Madrid. O Campeonato Espanhol tem se limitado a isso nas últimas quatro temporadas. Ainda assim, a temporada 2011/12 teve suas novidades. Primeiro, que o vencedor do duelo entre os dois gigantes não foi catalão. Segundo, porque o segundo pelotão da Espanha mostrou força. Se não o fez em La Liga, usou a Liga Europa para tal. Valencia, Atlético de Madrid e Athletic Bilbao chegaram às semifinais da segunda competição de clubes do continente, sendo que os dois últimos decidiram o título. E, na parte de baixo da tabela, o que parecia uma luta que se definiria rapidamente viu mudanças de última hora, com um gol no último minuto da última rodada rebaixando uma das principais forças do país desde a virada do século.

REAL MADRID
Classificação: campeão (vaga na Liga dos Campeões)
Copa nacional: quartas de final
Copas europeias: Liga dos Campeões (semifinais)
Destaque: Cristiano Ronaldo (foto, Getty Images)
Revelação: nenhuma
Decepção: Kaká
Nota da temporada: 8,5
O Real Madrid só se sentirá plenamente satisfeito quando voltar a conquistar a Liga dos Campeões. Aí, a torcida terá certeza que o clube atingiu seu potencial, que o dinheiro investido realmente deu retorno. Mas, tirando o fato de a LC ter ido para Londres, a temporada 2011/12 foi muito positiva para os merengues. O clube recuperou o título espanhol e, melhor ainda, mostrando autoridade e superioridade diante do Barcelona. Só o fato de ter deixado o grande rival para trás já legitima o trabalho de José Mourinho, e dá confiança para o trabalho seguir seu curso natural em Chamartín.

BARCELONA
Classificação: vice-campeão (vaga na Liga dos Campeões)
Copa nacional: campeão
Copas europeias: Liga dos Campeões (semifinais)
Destaque: Lionel Messi (foto, Getty Images)
Revelação:
Decepção: Pedro Rodríguez
Nota da temporada: 7
O Barcelona caiu na Liga dos Campeões por uma fatalidade (Messi perdeu um pênalti) e levou a Copa do Rei, mas a temporada termina com um sabor amargo no Camp Nou. O Barcelona deu sinais de desmotivação durante o Campeonato Espanhol, perdendo pontos bobos por falta de concentração. Além disso, mostrou vulnerabilidade no jogo de volta contra o Real Madrid e um raro descontrole emocional contra o Chelsea, sobretudo no jogo de volta das semifinais da LC. Para completar o ano ruim (na verdade, um ano “menos bom”), o técnico Pep Guardiola anunciou que não ficará em Les Corts. O clima não termina bom, e há uma expectativa de que a próxima temporada será mais turbulenta.

VALENCIA
Classificação: 3º (vaga na Liga dos Campeões)
Copa nacional: semifinais
Copas europeias: Liga dos Campeões (fase de grupos) e Liga Europa (semifinais)
Destaque: Roberto Soldado (foto, Getty Images)
Revelação: Bernat
Decepção: Dani Parejo
Nota da temporada: 7
Não foi bom, mas não foi ruim. O Valencia ficou no quase em boa parte da temporada. No Campeonato Espanhol, despontou como terceiro colocado com folga, mas teve uma série de maus resultados que obrigou o time a suar nas rodadas finais para evitar o vexame de perder uma vaga ganha na Liga dos Campeões. Na Liga dos Campeões, só foi eliminado na última rodada da fase de grupos (perdendo para o Chelsea, que se tornaria campeão). Na Copa do Rei, deu muito trabalho ao Barcelona (que também se tornaria campeão) e, na Liga Europa, caiu nas semifinais para o Atlético de Madrid (que, adivinha!, também se tornaria campeão). Tecnicamente, também foi um time que ficou no quase. A dupla de ataque (Jonas e Soldado) funcionou muito bem. A defesa teve seus bons momentos. O problema é que o meio-campo se ressentiu da temporada fraca de Pablo Hernández e não deu o dinamismo que o time precisou em alguns momentos. Nas más fases, até o cargo do técnico Unai Emery foi contestado pela torcida, mas é um time com boa estrutura para o futuro.

MÁLAGA
Classificação: 4º (vaga na Liga dos Campeões)
Copa nacional: oitavas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Santiago Cazorla (foto, Getty Images)
Revelação: José Récio
Decepção: Diego Buonanotte
Nota da temporada: 7,5
Pelo dinheiro gasto pelos donos catarianos, o mínimo que se exigia do Málaga era classificar para a Liga dos Campeões. Bem, o objetivo foi cumprido e a nota 7,5 se deve muito a isso. Mas não é um time brilhante, que jogue um futebol proporcional ao dinheiro que custou. O ataque é econômico, mas se virou bem com as bolas paradas de Cazorla (9 gols direto, 4 assistências) e o oportunismo de Rondón (11 gols, 4 assistências). A dupla compensou a baixa produtividade de jogadores como Julio Baptista e Ruud van Nilstelrooy e a própria falta de motivação de veteranos contratados apenas pela grife. A própria vaga na LC só chegou devido ao bom aproveitamento em casa (só Barcelona e Real Madrid foram melhores) e à perda de foco de Atlético de Madrid e Athletic Bilbao devido à Liga Europa.

ATLÉTICO DE MADRID
Classificação: 5º (vaga na Liga Europa)
Copa nacional: quarta fase (1/32 de final)
Copas europeias: Liga Europa (campeão)
Destaque: Radamel Falcao García (foto, Reuters)
Revelação: Thibaut Courtois
Decepção: Silvio
Nota da temporada: 8
Nenhuma equipe foi tão instável na temporada espanhola. O Atlético de Madrid teve altos e baixos muito agudos, o que dificulta uma avaliação muito clara do que o time fez durante nos últimos 12 meses. O ataque dependeu demais de Adrián e Diego na armação e Falcao García na finalização. Na defesa, os colchoneros sofreram na primeira metade do campeonato, quando Gregorio Manzano não estabelecia seu quarteto titular. Com a entrada de Diego Simeone, a linha Juanfran-Miranda-Godín-Filipe Luís se consolidou, a produção defensiva aumentou consideravelmente e a equipe cresceu como um todo. Aí veio a arrancada que levou ao título da Liga Europa e quase a uma vaga na Liga dos Campeões. No final, o saldo é positivo, ainda que seria melhor se não tivesse perdido tempo na primeira metade da temporada.

LEVANTE
Classificação: 6º (vaga na Liga Europa)
Copa nacional: quartas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Barkero (foto, Mundo Deportivo)
Revelação: Nabil El Zhar
Decepção: Asier del Horno
Nota da temporada: 8,5
Nenhum clube espanhol superou mais as expectativas iniciais que o Levante. O segundo clube de Valência deu uma arrancada nas rodadas iniciais, bateu o Real Madrid, e chegou a ocupar a liderança. Claro que não aguentou muito tempo, mas teve fôlego para brigar por uma vaga na Liga dos Campeões até a última rodada. E tudo isso com um time velho: dos 15 jogadores que mais atuaram na temporada, dez tinham mais de 30 anos. Um fato notável, de uma equipe tecnicamente fraca, mas que soube se montar em torno de uma defesa aguerrida.

OSASUNA
Classificação:
Copa nacional: oitavas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Álvaro Cejudo (foto, El País)
Revelação: Ibrahima Baldé
Decepção: Damiá
Nota da temporada: 6,5
Faltou uma pincelada de técnica. O Osasuna é uma equipe muito aguerrida, que consegue bons resultados em casa (apenas Real Madrid e Barcelona perderam menos como mandante) e sempre fica no meio da tabela. Mas, quando precisa de um pouco mais de talento para brigar por uma vaga em competições europeias, fica pelo caminho. É um time de jogo pesado e lento, que precisa de mais dinamismo em alguns momentos. Mas, quando pode colocar a partida em seus termos, tem bons resultados. Curiosidade: os navarros foram os últimos do Campeonato Espanhol em aproveitamento de passes (67,1%, menos até que o Racing de Santander), mas o primeiro em vitórias nos duelos pelo alto (18,6 por jogo).

MALLORCA
Classificação:
Copa nacional: quartas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Gonzalo Castro (foto, Bermellones)
Revelação: Pedro Bigas
Decepção: Akihiro Ienaga
Nota da temporada: 7
Equipe que fez campanha discreta, praticamente se instalando no meio da tabela. Não fez nada de notável, até vencer quatro jogos seguidos na reta final e, de repente, se colocar na briga por um lugar na Liga Europa. Não teve sucesso, mas já foi muito para um time de elenco enxuto e pouco talento. O brilho ficou com a defesa, a quinta melhor do campeonato, que segurou a onda de um ataque pouco produtivo (o sexto pior).

SEVILLA
Classificação:
Copa nacional: oitavas de final
Copas europeias: Liga Europa (fase preliminar)
Destaque: Jesús Navas (foto, Getty Images)
Revelação: Antonio Luna
Decepção: José Antonio Reyes
Nota da temporada: 5
Já foi um time empolgante e brilhante, mas o Sevilla de hoje é um arremedo do bicampeão da Copa da Uefa no final da década passada. A equipe é burocrática e joga sem a confiança e a motivação de quem se considera capaz de brigar por um lugar na Liga dos Campeões. Além disso, há tempos não apresenta um talento que empolgue pelo potencial. A aposta em Reyes não funcionou, Kanouté foi inoperante e nunca pareceu um candidato viável às primeiras posições, mesmo quando a pontuação permitira sonhar.

ATHLETIC BILBAO
Classificação: 10º
Copa nacional: vice-campeão (vaga na Liga Europa)
Copas europeias: Liga Europa (vice-campeão)
Destaque: Fernando Llorente (foto, Getty Images)
Revelação: Ibai Gómez
Decepção: Carlos Gupergui
Nota da temporada: 7
Foi o terceiro time do campeonato em posse de bola e o quarto em acerto de passes. Foi também o clube que recebeu menos cartões vermelhos, apenas dois (empatado com Mallorca, Rayo Vallecano e Granada). É uma equipe que joga bonito, e se orgulha disso. Ainda assim, a classificação final não mostra isso. O Athletic de futebol vistoso e envolvente que Marcelo Bielsa montou, que teve jovens de talento como Muniain ganhando mais espaço no cenário internacional, que bateu o Manchester United duas vezes, só apareceu no Campeonato Espanhol em poucos momentos. Compreensível. Com um elenco enxuto, o técnico argentino teve de priorizar as competições no calendário. Preferiu as que o Athletic tinha chance de título (Liga Europa e Copa do Rei, foi vice em ambas) e deixou o segundo turno do Espanholão em segundo plano. As chances de classificação para a Liga dos Campeões, um objetivo viável, se perdeu. Mas é um grupo de futuro.