Pepe pede calma: logo você, cara? (getty images)
O Santiago Bernabéu recebeu uma partida com toda a pinta da temporada passada. Enquanto um Real Madrid bem abaixo da condição física e sem nenhum reforço mostrou pouca objetividade, o Valencia já com Gago e Guardado teve em Jonas, coadjuvante de luxo, seu principal destaque. Por outro lado, o empate por 1x1 nada teve de estranho. O Valencia costuma dificultar para o Real Madrid em Chamartín e emplaca sua segunda temporada sem perder na capital espanhola. José Mourinho, na coletiva pré-jogo, havia avisado: encarar uma equipe como o Valencia logo na primeira rodada seria complicado.
Além das peças, os times mantiveram os seus estilos. No entanto, o Real Madrid, posicionado no 4-2-3-1, teve problemas para bater a retaguarda protegida por Diego Alves. O aspecto positivo foi a capacidade de infiltração de Di María e a demonstração de vontade de Higuaín, destaques da parte ofensiva dos merengues. O meio-campista argentino, por mais uma temporada, começa voando fisicamente e foi o responsável pela bela assistência para Pipita anotar. O atacante, por sua vez, promete uma disputa mais igualada com Benzema pelo posto de centroavante. José Mourinho ratificou essa "briga saudável" entre a dupla, e aproveitou para dizer que isso é importante para toda a equipe, já que eles dão o melhor de si.
O Valencia evidenciou que é a melhor equipe humana do futebol espanhol. Os chés atuaram sem medo, não ficaram nervosos após o gol de Higuaín e tiveram coragem para empatar. A postura exercida no segundo tempo foi semelhante a que Unai Emery utilizou no confronto da temporada passada. Maurício Pellegrino deu uma recuada natural na sua equipe e tentou vencer o jogo apostando nos contra-ataques. Num desses ataques, Soldado saiu na cara de Casillas e anotou, mas teve o gol invalidado. Não obstante, o lance gerou bastante polêmica. A TVE, responsável pela transmissão e geração das imagens, não mostrou a jogada num ângulo favorável. O Super Deporte afirma que Soldado estava em condição legal, enquanto o Marca nega.
Ficou claro que o Real Madrid ainda precisa contratar. É louvável a aposta em Luka Modric para melhorar a qualidade da volância, mas existem necessidades muito mais urgentes. Há meio-campistas em demasia (Callejón, Kaká, Granero), porém poucas opções para a lateral e nenhuma alternativa confiável a Pepe. O zagueiro se lesionou após choque com Casillas e teve que ser substituído por Raúl Albiol. Fora de forma, o ex-valenciano não comprometeu, mas vacilou na jogada que poderia ter dado a vitória ao Valencia caso não tivesse sido anulada. Mourinho, que ainda não sabe se terá Pepe contra o Barcelona no jogo de ida da Supercopa quinta-feira, será obrigado a utilizar Albiol. Aposta totalmente arriscada. Hoje, ao contrário da temporada passada, quem está em melhor condição física é o Barcelona, que fez uma pré-temporada mais saudável.
No Valencia, só alegria. As linhas retraídas e o trivote defensivo no meio-campo para segurar o ímpeto madridista na reta final da segunda etapa confirmou que Pellegrino ainda não abandonou a ideia de propor uma filosofia mais defensiva - porém segura - ao elenco. Ele iniciou o duelo no 4-2-3-1, mas não teve vergonha de variar ao 4-3-2-1 tirando de campo Soldado e colocando Piatti, adiantando Jonas à referência, e depois Guardado para colocar Dani Parejo. Gago não foi o que o treinador espera dele e deu espaços suficiente para Di María raciocinar e assistir Higuaín marcar. O ponto conquistado em Madrid dá uma moral relevante ao Valencia. Pellegrino avisou: o empate não foi casualidade. Talvez não. Daqui a duas semanas, ele irá ao Camp Nou visitar o Barcelona. É a chance de comprovar isso.

