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segunda-feira, 4 de março de 2013

Unidos

Contra o Barcelona, Varane marcou seu gol abraçado com José Mourinho (AS)

Entre dezembro e fevereiro, o Real Madrid viveu uma grave crise nos vestiários. A divisão entre espanhóis e portugueses era clara e o estopim foi a titularidade de Adán em um difícil confronto contra o Málaga na Andaluzia, quando Mourinho optou por deixar Casillas no banco por questão técnica. Para piorar a situação merengue, o goleiro acabou se lesionando numa disputa de bola com Arbeloa, o que resultou num período de três meses fora dos gramados. O jeito foi contratar um goleiro novo, que acabou sendo o canterano Diego López.

No início de fevereiro, Sara Carbonero, a namorada de Casillas, confirmou a um canal de televisão espanhol os consecutivos atritos dos jogadores com o treinador nascido em Setúbal. Até com Cristiano Ronaldo o bi-campeão da Champions League discutiu de maneira áspera. Em campo, o desempenho era bastante abaixo da média se comparado com a equipe da temporada passada. O reflexo disso era a abissal diferença para o Barcelona, que chegou a estar 18 pontos à frente na liderança, e até para o Atlético de Madrid.

Era difícil imaginar os merengues saindo dessa crise. Ainda mais porque o calendário ingratamente colocou dois confrontos consecutivos contra o Barcelona e um decisivo contra o Manchester United no Old Trafford, pelas oitavas de finais da Uefa Champions League. No entanto, paradoxalmente, o melhor que poderia ter acontecido para os blancos foram esses confrontos contra o maior rival. A começar porque, de maneira merecida, a vitória por 1x3 no Camp Nou marcou a reconciliação dos jogadores com Mourinho. O gol que sacramentou a passagem à final da Copa do Rei, marcado por Varane, teve de especial a comemoração do francês, que, ao lado de seus companheiros, abraçou o treinador português.

Não bastasse a vitória em Barcelona, o Real Madrid se abasteceu de moral para encarar o líder da Premier League em seus domínios ao voltar a derrotar o Barcelona utilizando uma equipe mista. Novamente, os merengues neutralizaram o jogo do rival e soube o que fazer nos momentos que tiveram a bola. Pepé foi claro após a partida: "necessitávamos de vitórias desse jeito para enfrentar o United em Manchester".

A sequência de vitórias diante dos azulgrenás serviram para ratificar o retorno da melhor versão de Cristiano Ronaldo, autor de dois gols no Camp Nou. O contra-ataque também está fino. O segundo gol contra o Barcelona pela Copa foi demonstração de como a transição madridista é letal. Messi errou passe no ataque e, dez segundos depois, viu seu time sofrer o gol. Di María desconcertou Puyol e Ronaldo concluiu. No setor defensivo, Varane e Sergio Ramos formaram uma sólida dupla de zaga na Catalunha, mas Pepe teve atuação especial no confronto de sábado. Mourinho pode deslocar Ramos à lateral direita e deixar francês e português no comando da retaguarda, com Fábio Coentrão, em boa fase, na lateral esquerda.

Por mais que encarar o Manchester United seja tarefa árdua (os merengues não fizeram boa partida na ida), o Real Madrid recuperou a auto-estima necessária para o duelo decisivo em busca do título europeu. Se a taça da Liga Espanhola dificilmente escapará das mãos do Barcelona, a orelhuda é um sonho possível. E impulsionado por um mágico Cristiano Ronaldo, os blancos são capazes de levarem o troféu ao Santiago Bernabéu.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A recuperação merengue

Özil levanta Cristiano Ronaldo: o português começou o ano voando e impulsiona um Real Madrid que parecia morto na temporada (getty images)

Se tudo ocorrer da maneira que o madridismo deseja, o Real Madrid da temporada 2012-2013 pode ser dividido em dois: o de agosto a dezembro e o de janeiro ao restante da temporada. Isso porque o "segundo" Real Madrid dá mostras de recuperação em relação àquele que deu vexame na primeira parte da temporada. Nesta quarta-feira, às 18h (horário de Brasília), os merengues recebem o Barcelona no Santiago Bernabéu. É o primeiro confronto da fase de ida da semifinal da Copa do Rei. Em três confrontos contra o rival na atual temporada, uma vitória, uma derrota e um empate. Equilíbrio, que valeu o título da Supercopa em agosto.

Já é sabido por todos os múltiplos problemas nos vestiários merengues. É algo que o clube convive desde a chegada de Mourinho, mas teve seu estopim no final do ano passado, quando o treinador português, indiretamente, confirmou o conflito de relações ao barrar Casillas do difícil compromisso na Andaluzia ante o Málaga. Após a derrota por 3x2, ele desafiou: "Vejo que Adan está melhor no momento. Tenho a consciência tranquila", disse. O gajo cavava a própria cova. Como não poderia deixar de ser, imprensa e torcida madrilenha ficaram ao lado do capitão.

Dentro de campo, a proposta de jogo era executada num ritmo mais lento. O Real Madrid sofreu contra o Borussia Dortmund na Champions League, perdendo na Alemanha e empatando em Madrid, e só não saiu do Camp Nou derrotado pelo Barcelona pela bola na trave de Montoya e um chute desperdiçado por Pedro no minuto final. A bem da verdade, também por Cristiano Ronaldo, em noite mágica e autor de dois gols. As peças-individuais, como o próprio craque da camisa sete, não faziam tanto a diferença. Ronaldo se destacava, mas faltava mais contudência. E essa contundência aparece com perfeição em 2013. Em sete jogos no ano, foram dez gols (dois hat-tricks). 

Quando o seu principal jogador atua de maneira assim anima os demais. Isso explica a recuperação do bom futebol de Di María e Benzema.  Özil, por sua vez, mostra-se bem irregular. No entanto, o alemão tem crescido de produção nos jogos mais pegados da temporada (atuou bem contra Borussia Dortmund, Barcelona e Atlético de Madrid), diminuindo um pouco o ritmo contra os pequenos. É uma irregularidade paradoxal, mas que ele precisa acabá-la. O aspecto que precisa evoluir mesmo são os fundamentos defensivos, uma das virtudes da equipe na temporada passada. Laterais, proteção à defesa e, especialmente, concentração são essenciais.

Em meio ao aparecimento repentino de uma boa fase, uma má notícia. Após disputa de bola pelo alto, Arbeloa acabou, sem querer, lesionando a mão de Casillas, que irá ficar de fora por três meses. A lesão de Iker, que havia recuperado a titularidade na guardameta, cai como uma bomba, que Mourinho logo tratou de desarmar. Um dia após a confirmação de que não teria o goleiro multicampeão até abril, o treinador nascido em Setúbal pediu a Florentino Pérez a contratação urgente de um goleiro. Foi atendido, claro: na sexta-feira (25), o clube anunciou a contratação de Diego López, canterano que fez parte do elenco entre 2005-2008. Diego López não vive boa fase desde sua saída do Villarreal, mas é um goleiro confiável pelo seu histórico no passado (já foi terceira opção para gol da seleção espanhola - ok, não é grande coisa).

O Real Madrid está invicto em 2013. Isso porque Mourinho resgatou uma equipe mais sólida e recuperou o contra-ataque mais mortal do mundo, que fez estragos em 2011-2012. Por enquanto, a ascensão dos jogadores citados acima e a perspicácia tática para superar a coleção de problemas assegura paz e tranquilidade no ambiente em Chamartin. Mas vem aí um Barcelona confiante pela temporada que faz e com Messi e Iniesta em estados de graças. É a chance do elenco blanco ratificar a ressurreição na temporada e confirmar, acima de tudo, por que o Manchester United tem de abrir o olho na Liga dos Campeões da Uefa.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Cavando a própria cova

Mourinho e Casillas: amigos? (getty images)

É preciso ter a noção necessária para entender toda a algazarra feita após o término do duelo do final de semana entre Málaga e Real Madrid, vencido pelos blanquiazules por 3x2. A derrota merengue ficou em segundo plano pelo simples e único fato de José Mourinho ter barrado Casillas. Pela primeira vez em 10 anos, o goleiro e bandeira máxima do clube foi relegado ao banco de reservas por questões técnicas. Mourinho, logo após a partida, não fugiu das perguntas. "Deixar Casillas no banco foi decisão minha. Vejo que Adán está melhor no momento", desafiou o gajo. "Tenho a consciência tranquila", completou. É sabido por todos que o ambiente merengue não é lá muito tranquilo. Há deveras especulações sobre uma possível guerra entre os portugueses e os espanhóis do elenco. Há um mês, por exemplo, Xabi Alonso deu margem aos boatos ao dizer, publicamente, que não é amigo de Cristiano Ronaldo fora de campo.

Mas o ato de Mourinho pode ter sido o estopim. Florentino Pérez, que sempre ficou ao lado do treinador de Setubal, já não confia 100% nele. Ao saber da titularidade de Adán pela jornalista Mónica Marchante, do Canal +, mostrou uma expressão de assustado no rosto e encerrou a "sessão" de perguntas da periodista. A imprensa madrilenha mostrou-se a ao lado de Casillas. AS e Marca criticaram a postura de Mourinho, definindo como ridícula. "A culpa não é de Iker", disse o Marca. Enquanto isso, o País foi mais duro, descrevendo seus métodos como feudais.

Está claro que os prestígios de Mourinho em Chamartín já não são tão grandes como em outrora. Parte da torcida blanca vem pegando em seu pé na atual temporada. Em 2011/2012, em uma de suas polêmicas, havia afirmado que não liga para o que o madridismo fala. Foi um tiro em seu pé. Ontem, em uma enquete promovida pelo Marca, mais de 87% dos eleitores votaram a favor de sua demissão. Joaquin Löw, treinador da seleção da Alemanha, é o preferido para assumir caso o gajo seja, de fato, demitido. Há duas semanas, no empate no Bernabéu contra o Espanyol, até os ultrás madridistas o vaiaram ao fim do jogo e mais um vexame do Real Madrid na temporada, dessa vez contra o penúltimo colocado da Liga. Os graves problemas internos se refletem dentro de campo: a diferença para o Barcelona é de 16 pontos.

O Marca reuniu uma lista de "vítimas" de Mourinho, que vai de diretores técnicos até a cozinheiros. Jorge Valdano foi o primeiro nome a perder a guerra, logo na primeira temporada do português em Madrid, em 2010/2011. À época diretor esportivo do clube, o argentino não aguentou os atritos com o "rival" e acabou demitido por Florentino. Em janeiro de 2011, comentei isso aqui no blog. Logo após o caso, Mourinho tornou-se manager do Real Madrid, tornando-se o primeiro treinador da história do clube a ter carta branca na hora das contratações. O poder dele era imenso.

Nas quatro linhas, o Real Madrid 2012/2013 está bem longe da versão avassaladora apresentada na temporada passada. Os contra-ataques não são tão fatais, a ineficiência é grande e o meio-campo não tem funcionado. Até valores individuais como Cristiano Ronaldo tem atuado num nível baixo. Na última quinta-feira, o sorteio da UEFA colocou o Manchester United no caminho dos merengues nas oitavas-de-finais da Uefa Champions League. Encarar o líder da Premier League nesta atual situação é tarefa ingrata.

Contratado para, especialmente, dar a décima taça de LC ao Real Madrid, Mourinho caminha para mais um fracasso em âmbito europeu. Aliás, não é tão difícil de imaginar outro treinador no cargo nos confrontos contra os mancunianos. O que pode impedir isso é o fato da multa rescisória de Mou ser bastante alta, o que pode influenciar em contratações futuras. Mas o fato é que o português cava a própria cova ao decretar, indiretamente, sua guerra particular com Casillas.

Recomendo a leitura do 'Dossiê Real Madrid - a guerra de egos', produzido por José Eduardo Volpini, do site Doentes por Futebol. Matéria que explica todos os recentes atritos nos vestiários merengues.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O Real Madrid aprendeu a lição

 Mourinho e Cristiano Ronaldo são os principais responsáveis pelos recentes resultados positivos do Real Madrid contra o Barcelona (zimbio)

Casillas; Arbeloa, Sergio Ramos, Pepe, Marcelo; Xabi Alonso, Khedira; Di María, Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema. Há dois anos, 10 desses 11 nomes começaram como titulares na humilhante derrota de 5x0 para o Barcelona. Naquele dia, apenas Arbeloa começou no banco, entrando no segundo tempo. Os blaugranas continuam sendo superiores, mas atualmente o Real Madrid já consegue enfrentá-los de igual para igual. Os resultados dos superclássicos apenas em 2012 evidencia tal evolução madrilenha: duas vitórias barcelonistas, dois empates e duas vitórias merengues. Ontem, mais um capítulo da história do Superclássico foi escrito. Em partida de gala, o 2x2 mostrou as carências das duas equipes na temporada, mas ratificou o novo peso do duelo. 

Atualmente, o Real Madrid sabe como jogar contra o Barcelona sem se acovardar (muito). Nesse cenário, dois personagens merecem destaque: Cristiano Ronaldo e José Mourinho. O treinador português conseguiu dar um padrão de jogo à equipe que Florentino Pérez tanto tentou achar com Manuel Pellegrini. A lição da manita foi aprendida em peso: para jogar contra o Barcelona, a aplicação tática precisa estar à mil. Após muitos confrontos, Mourinho, estrategista que é, conseguiu encaixar seu jogo ao do rival. Com intensidade, compactação dos setores negando espaços a Messi e velocidade para surpreender a zaga adiantada e em linha do Barça com Cristiano Ronaldo se infiltrando em diagonal, o Real Madrid, hoje, sabe como jogar contra os catalães.

Aí, o craque português tem seus méritos. Sempre taxado por amarelar nos clássicos, ele virou a página. Ao marcar de esquerda o gol que abriu o placar, Ronaldo tornou-se o primeiro jogador da história da rivalidade a marcar em seis confrontos consecutivos. Quem vê o Ronaldo de 2012 e o Ronaldo das temporadas anteriores sabe que houve uma mudança. O atual não tem medo de ousar. Chuta, dribla, toca, provoca. Aquele Cristiano Ronaldo apagado, com medo e displicente que enfrentava o Barcelona é coisa do passado.

Na parte defensiva, houve mudanças substanciais. Ainda que Pepe saia do sério a todo momento (e, convenhamos, se ele não saísse estranharíamos), ele mantém a cabeça no lugar a ponto de não comprometer. A emblemática expulsão no confronto da Champions League 10/11 mudou seus nervos - ainda que, na ida do jogo da Copa do Rei, ele tenha pisado em Messi. E isso ajuda em seu desempenho em campo. Na vitória de abril, por exemplo, o luso-brasileiro teve atuação de gala.

Quem também merece menção é Özil e Di María. O argentino é a válvula de escape dos blancos, sempre impussionando velocidade na parte esquerda da zaga blaugrana e sendo importante na recomposição. A marcação a Daniel Alves (ou Montoya, como no caso de ontem), anula uma dos trunfos do Barcelona. O alemão, por sua vez, vive cenário semelhante ao de Cristiano Ronaldo. E a parceria entre os dois é alta: em superclássicos, são cinco assistências do camisa dez ao gajo, quatro apenas nos confrontos deste ano.

O cenário é tão favorável ao Real Madrid que o empate foi comemorado do lado barcelonista. Tudo bem que deveria ser mesmo, afinal os oito pontos de vantagem se mantém e os azulgrenás atuaram com a zaga reserva, mas fatalmente isso seria lamentado há um ano, por exemplo. E a volta por cima dos merengues favorecem os fãs do futebol espanhol. A equipe de José Mourinho se concentra em jogar bola e não ficar à base de pancadas. Assim, mesmo sendo inferior, conseguiu achar uma fórmula de encarar o Barcelona.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

A vitória e os erros

 José Mourinho comemorou acintosamente o gol de Cristiano Ronaldo, mas colaborou para a vitória sair de maneira tão dramática (AS)

A Champions League voltou com tudo. No Santiago Bernabéu, Real Madrid e Manchester City protagonizaram o melhor jogo do dia, que terminou numa virada épica dos merengues por 3x2. A vitória, sobretudo neste grupo, considerado o da morte, deve ser bastante comemorada, muito porque a fase da equipe da capital já começava a ganhar contornos de crise. No entanto, não deve deixar de lado os erros cometidos por José Mourinho na escalação inicial. Abaixo, alguns comentários:

1) O trivote defensivo. Se você parar para pensar e lembrar que o Real Madrid de Mourinho derrotou Milan, Bayern de Munich e Barcelona jogando no 4-2-3-1, a escalação do confronto de hoje tem que ser mais contestada ainda. Mourinho voltou a repetir o 4-3-3 com uma trinca de meio-campistas. Essien, Khedira e Xabi Alonso não jogaram mal, mas o domínio territorial amplo dos merengues na primeira etapa sentiu a falta de um cérebro. O gajo não poderia, necessariamente, utilizar Modric e Özil juntos, mas um deles seria ideal.

2) Benzema ou Higuaín? Mourinho, em suas duas primeiras temporadas, costumava revezar a posição de centroavante a cada jogo. Nesta temporada, no entanto, tem dado preferência a Higuaín. Ainda que seja o artilheiro da equipe com três gols ao lado de Cristiano Ronaldo, o jogo parece fluir menos com Pipita. Ele é bom centroavante, mas desperdiça mais chances do que marca. Benzema, novamente relegado ao banco, teve apenas uma chance real e marcou. Higuaín, no primeiro tempo, perdeu duas.

3) Mesut Özil é fundamental. Uma grande verdade. Quando ele está bem, todo o meio-campo funciona. Quando ele está mal, o jogo cai. Hoje, o alemão entrou no segundo tempo quando ainda estava 0x0. Participou, diretamente, apenas do primeiro gol, mas passa outra qualidade ao setor. Logo após o tento de empate de Benzema, deu um toque atrás do meio-campo para o francês que terminou em defesa de Hart. No escanteio, Cristiano Ronaldo, contando com a colaboração do goleiro inglês, definiu. O português, que tanto tentou, mereceu. Hart, que tanto salvou, não merecia sofrer um gol assim.

4) A questão Sérgio Ramos. Durante a semana, o periódico El País, especializado e confiável quando o assunto é bastidores do Real Madrid, divulgou uma matéria sobre uma possível discussão do treinador português com os senadores do elenco após a derrota para o Sevilla. A ida de Sergio Ramos ao banco logo no jogo seguinte só coloca mais panos quentes no assunto. Varane, que começou em seu lugar, não comprometeu, mas não é tão confiável quanto o espanhol. Na coletiva, Mourinho fugiu da pergunta: "foi por questão técnica", disse. Ok.

Málaga 3x0 Zenit
Estreia perfeita do Málaga. Contra um rival direito, os blanquiazules fizeram o dever de casa, essencial caso queria avançar às oitavas de finais. A vitória só ratifica o excelente início de temporada dos andaluzes. Ao contrário de Mourinho, Manuel Pellegrini não teve medo de ousar: mandou a campo uma equipe totalmente ofensiva, armada no 4-1-3-2, que teve Portillo e Saviola escalados como dupla de ataque. O argentino voltou a marcar e não deve mais sair da equipe titular. Agredir os russos desde o início foi a chave da vitória. Na esquerda, Monreal foi bem no combate a Hulk. 

Mas quem merece um parágrafo à parte é Isco Román, que a cada dia vai deixando de lado o rótulo de promessa para virar realidade. Disputando um jogo de fase de Champions League pela primeira vez, o jovem não teve medo de ser feliz e foi o principal nome do jogo, marcando dois gols, incluíndo um golaço. Joaquín, aberto à direita, foi outra válvula de escape. 

Pellegrini exagerou na comemoração ao dizer que "em 2005/2006, ninguém confiava no Villarreal chegando até a semifinal", mas esse Málaga tem direito a sonhar. Ainda mais num grupo onde o cabeça-de-chave, Milan, está bastante enfraquecido em relação a outrora e não passou de um empate por 0x0 contra o Anderletch, próximo adversário dos boquerones.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Superjogo

 No último jogo, Cristiano Ronaldo decidiu e tirou onda... (getty images)

Não poderia haver confronto melhor para "abrir" a temporada de elite espanhola. Tradicionalmente, a disputa da Supercopa é o pontapé inicial para a Liga Espanhola, porém a LFP decidiu inverter os valores e começou a temporada com a primeira rodada da Liga BBVA. O que mais importa, no entanto, é que amanhã, às 17h30, horário de Brasília, o Camp Nou recebe o jogo de ida entre Barcelona e Real Madrid. Pela segunda vez consecutiva, os maiores clubes do futebol espanhol se enfrentam na decisão do torneio. No ano passado, o Barcelona, maior vencedor da competição, teve um Messi mágico e levantou a taça.

Nos bastidores, polêmicas. Expulsos no confronto de 2011, Marcelo, Mesut Özil e David Villa poderão atuar normalmente amanhã. O novo comitê de arbitragem espanhol considerou que a multa paga pelo trio em setembro passado "compensa" a lógica suspensão que eles deveriam cumprir. Na coletiva pré-jogo, José Mourinho e Tito Vilanova se alfinetaram de leve. O português considerou que "não quebrou nenhuma hegemonia ao conquistar a Liga Espanhola porque não há hegemonia alguma quando um time não consegue vencer a Champions League, torneio mais difícil de clubes, duas vezes consecutivas". Irônico, o catalão rebateu: "verdade, não há hegemonia quando você vence 14 de 19 campeonatos".

Com Alex Song, novo contratado junto ao Arsenal, à disposição, o Barcelona parece mais preparado para os duelos. Ao contrário da temporada passada, os blaugranas fizeram uma pré-temporada mais estável que a dos merengues e contam com os retornos de David Villa e Ibrahim Afellay como opções. O Guaje voltou em alto estilo, marcando contra a Real Sociedad, mas é difícil pensar na sua escalação como titular. Com base nos amistosos e na estreia na Liga, existe a tendência de que Pedro comece os 45 minutos iniciais. A dúvida de Tito é o último homem de ataque. Ele ainda não se rendeu à ideia de jogar com Fàbregas mais adiantado - nem Iniesta, por exemplo, que só deve aparecer nesta posição em caso de urgência - e, com o retorno de Alexis Sánchez, pode iniciar com o chileno. Arriscar Tello, titular na derrota de abril, é improvável.

Mourinho esconde, mas sabe o quão importante é começar a temporada desbancando o rival novamente. Ele afirmou que prefere "perder a Supercopa, mas ganhar a Liga BBVA ao final da temporada". Blefe? A depender dessa declaração, o gajo mostra que não se importa em fazer experiências e priorizar a preparação para a temporada de fato. Assim, não é improvável a presença da trinca de volantes no meio-campo e o retorno do 4-3-3. Mourinho havia dado mostras de que abdicara dessa tática mais conservadora desde que jogara bem contra o Barcelona no 4-2-3-1. Em janeiro, no confronto da Copa do Rei, o Real Madrid dominou os azulgrenás no Camp Nou e saíram de campo satisfeitos com o empate por 2x2, apesar da eliminação na competição. O resultado foi a vitória no mesmo estádio três meses depois, no jogo que decretou o título espanhol.

A aplicação tática de jogadores como Özil, Di María, Xabi Alonso, Khedira e até Cristiano Ronaldo é essencial para a fluência da tática sem que haja covardias. É claro que há um recuo natural das linhas para se proteger do poderio barcelonista, mas já é bem diferente da proposta utilizada, por exemplo, no confronto de ida da semifinal da Champions League, em 2010/2011. Os merengues são programados para se protegerem com solidez encurtarem o máximo possível os espaços do Barcelona, evitarem a presença de Messi no setor onde ele mais gosta de atuar e saírem com perfeição no contra-ataque. O simbólico gol de Cristiano Ronaldo no último jogo evidencia isso. Foi uma bola roubada no campo de defesa, lançada para Özil e definida pelo português. Tudo como o script manda. O problema será a defesa, que não terá Pepe, lesionado, e sim o inconstante e nada confiável Raúl Albiol.

... mas Messi e o Barcelona pretendem dar a volta por cima. Quem largará na frente? (zimbio)

Apesar de ser cedo para chegar a alguma conclusão, o Barcelona ilusiona. Com um elenco bem mais homogêneo em relação ao de 2011/2012, o triunfo contra a Real Sociedad mostrou uma faceta que há tempos não se via no jogo azulgrená: a utilização em demasia dos ponteiros. As chamadas infiltrações que tanto aterrorizou os adversários durante três temporadas e meia da era Guardiola raramente foi vista no segundo semestre da campanha passada. A escolha de jogar no 3-4-3 por parte de Pep foi o principal responsável pela perda de uma das principais jogadas. Com quatro meio-campistas, o jogo tendia a se concentrar mais pelo centro, o que explica um pouco os mais de 70 gols de Messi.

Na defesa, Puyol oferece segurança a quaisquer parceiros. Em forma fisicamente, o capitão iniciou muito bem a temporada e deve ser acompanhado de Mascherano ou Piqué, o que só será definido em última hora. Alba, na esquerda, não é um marcador nato e precisa balancear as investidas ao ataque com a defesa. Se, com Daniel Alves, o lado direito fica mais vulnerável, com o Alba o setor esquerdo também ficará bastante exposto, o que pode ser um perigo para Vilanova: é exatamente os ponteiros merengues (Cristiano Ronaldo e Di María) que fazem a diferença nesse tipo de jogo. Busquets, que costuma fazer a cobertura do lado direito para deixar o baiano livre para subir, terá que se redobrar nos dois flancos.

No confronto das principais estrelas, o momento é inverso. Cristiano Ronaldo, sempre cobrado por atuações positivas no superclássico, vem de três jogos consecutivos marcando gols contra o Barcelona, enquanto Lionel Messi já não marca há quatro partidas contra o Real Madrid. A média do argentino, que era praticamente de um gol por partida, diminuiu. Até por sinalizar menos alterações em relação à temporada passada e mostrar um estado físico melhor nesta abertura da temporada, o Barcelona parece ter certa vantagem para amanhã, mas nada que transforme uma eventual vitória do Madrid em surpresa. Os blancos sabem o caminho para a vitória.

Málaga
Os blanquiazules fizeram a lição de casa e venceram o Panathinaikos por 2x0 no jogo de ida da última fase classificatória da Uefa Champions League. Atuando com sobresaliência, os boquerones não deram espaços para o time grego e mereceram sair com a vitória. Marcaram sob pressão desde o campo de ataque, tiveram o controle da posse de bola e levaram muito perigo nos ataques. A movimentação do trio de meio-campistas foi o segredo da vitória. Isco, Eliseu e Joaquín - até ele, veja bem - se revezaram bastante e levaram a zaga rival à loucura. A vantagem é considerável, mas Manuel Pellegrini precisa abrir o olho, pois o Panathinaikos costuma atuar muito bem em Athenas. Assim, os andaluzes estão a 90 minutos de alcançarem a fase de grupos da principal competição de clubes do mundo.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Ritmo leve

 Pepe pede calma: logo você, cara? (getty images)

O Santiago Bernabéu recebeu uma partida com toda a pinta da temporada passada. Enquanto um Real Madrid bem abaixo da condição física e sem nenhum reforço mostrou pouca objetividade, o Valencia já com Gago e Guardado teve em Jonas, coadjuvante de luxo, seu principal destaque. Por outro lado, o empate por 1x1 nada teve de estranho. O Valencia costuma dificultar para o Real Madrid em Chamartín e emplaca sua segunda temporada sem perder na capital espanhola. José Mourinho, na coletiva pré-jogo, havia avisado: encarar uma equipe como o Valencia logo na primeira rodada seria complicado.

Além das peças, os times mantiveram os seus estilos. No entanto, o Real Madrid, posicionado no 4-2-3-1, teve problemas para bater a retaguarda protegida por Diego Alves. O aspecto positivo foi a capacidade de infiltração de Di María e a demonstração de vontade de Higuaín, destaques da parte ofensiva dos merengues. O meio-campista argentino, por mais uma temporada, começa voando fisicamente e foi o responsável pela bela assistência para Pipita anotar. O atacante, por sua vez, promete uma disputa mais igualada com Benzema pelo posto de centroavante. José Mourinho ratificou essa "briga saudável" entre a dupla, e aproveitou para dizer que isso é importante para toda a equipe, já que eles dão o melhor de si.

O Valencia evidenciou que é a melhor equipe humana do futebol espanhol. Os chés atuaram sem medo, não ficaram nervosos após o gol de Higuaín e tiveram coragem para empatar. A postura exercida no segundo tempo foi semelhante a que Unai Emery utilizou no confronto da temporada passada. Maurício Pellegrino deu uma recuada natural na sua equipe e tentou vencer o jogo apostando nos contra-ataques. Num desses ataques, Soldado saiu na cara de Casillas e anotou, mas teve o gol invalidado. Não obstante, o lance gerou bastante polêmica. A TVE, responsável pela transmissão e geração das imagens, não mostrou a jogada num ângulo favorável. O Super Deporte afirma que Soldado estava em condição legal, enquanto o Marca nega.

Ficou claro que o Real Madrid ainda precisa contratar. É louvável a aposta em Luka Modric para melhorar a qualidade da volância, mas existem necessidades muito mais urgentes. Há meio-campistas em demasia (Callejón, Kaká, Granero), porém poucas opções para a lateral e nenhuma alternativa confiável a Pepe. O zagueiro se lesionou após choque com Casillas e teve que ser substituído por Raúl Albiol. Fora de forma, o ex-valenciano não comprometeu, mas vacilou na jogada que poderia ter dado a vitória ao Valencia caso não tivesse sido anulada. Mourinho, que ainda não sabe se terá Pepe contra o Barcelona no jogo de ida da Supercopa quinta-feira, será obrigado a utilizar Albiol. Aposta totalmente arriscada. Hoje, ao contrário da temporada passada, quem está em melhor condição física é o Barcelona, que fez uma pré-temporada mais saudável.

No Valencia, só alegria. As linhas retraídas e o trivote defensivo no meio-campo para segurar o ímpeto madridista na reta final da segunda etapa confirmou que Pellegrino ainda não abandonou a ideia de propor uma filosofia mais defensiva - porém segura - ao elenco. Ele iniciou o duelo no 4-2-3-1, mas não teve vergonha de variar ao 4-3-2-1 tirando de campo Soldado e colocando Piatti, adiantando Jonas à referência, e depois Guardado para colocar Dani Parejo. Gago não foi o que o treinador espera dele e deu espaços suficiente para Di María raciocinar e assistir Higuaín marcar. O ponto conquistado em Madrid dá uma moral relevante ao Valencia. Pellegrino avisou: o empate não foi casualidade. Talvez não. Daqui a duas semanas, ele irá ao Camp Nou visitar o Barcelona. É a chance de comprovar isso.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Modric é realmente necessário?

Modrid x Xavi: vai virar rotina? (getty images)

Há nove anos, o Real Madrid contratou um jogador de que não precisava: David Beckham, por generosos 25 milhões de euros ao Manchester United. Os Red Devils, que estavam negociando o jogador com o Barcelona, aceitaram prontamente a oferta do clube merengue, o que acabou fazendo o Barcelona ir até Paris contratar Ronaldinho Gaúcho. Makélélé, que estava no auge e era peça essencial no esquema de Vicente Del Bosque, foi relegado ao banco em prol da titularidade do inglês e resolveu abandonar o clube, se transferindo para o Chelsea de José Mourinho. No final das contas, a contratação de Beckham não deu certo. Ele não chegou a fracassar, mas sua entrada na equipe titular do Real Madrid desmontou todo esquema que, durante três anos, vinha dando certo e conquistando título atrás de título. O Spice Boy só foi conquistar seu primeiro troféu relevante na capital quatro anos depois de sua chegada, a Liga BBVA 2006/2007.

O meio-campo, tão forte e seguro, ficou frágil e sentiu bastante a ausência de um roubador de bola. Claramente, a equipe sobrava em fantasia e magia, mas sentia o baque quando atacada. No final, o projeto megalomaníaco de Florentino Pérez teve consequências contrárias: muito sonho, pouco resultado. De pouco em pouco, os galáticos foram se desfazendo. Hoje, o excesso de armadores no elenco continua. José Mourinho tem à disposição quatro criadores de jogadores: Xabi Alonso, Granero, Sahin e até mesmo Özil. Porém, estaria disposto a oferecer 40 milhões de euros para tirar o croata Modric do Tottenham. A qualidade do volante é inegável, mas ele seria realmente necessário nessa equipe do Real Madrid? 

Dificilmente um jogador que custa tão caro chega para ser reserva. Como Xabi Alonso é o cérebro da volância, a bomba acabaria caindo em Khedira, que provavelmente seria rejeitado ao banco. Mas isso daria certo? Numa equipe tão cheia de grife, é difícil prestar atenção em jogadores que quase não marca gols e dá assistências. Mas, se for parar para reparar, o camisa 5 é tão importante quanto Xabi Alonso na proposta de jogo do treinador português. O alemão marca, desarma, tem carta branca para chegar à área rival e deixa Xabi menos sobrecarregado na criação de jogadas. É, mal comparando, o Makélélé da equipe atual.

A lateral direita é a maior - e talvez a única, aliás - carência do elenco. Ainda assim, Mourinho prefere não arriscar. Ele não dá margem de erro a esse negócio e só admite contratar o jogador certo. Num mercado tão escasso de lateral direito, é difícil imaginar o Real Madrid gastando dinheiro com algum jogador para o setor. Mou teria ficado satisfeito com a Eurocopa de Arbeloa, com quem não pensa em se desfazer. Lass Diarra seria a solução caseira para substituir o espanhol (até faz sentido porque o francês foi bem jogando na lateral com Mourinho). Na base, um jogador chama a atenção: Juanfran, destaque do Castilla na temporada passada e que apareceu com sobressaliência na partida amistosa contra o Oviedo, semana passada. Carjaval é o canterano mais promissor para a posição, mas rumou para o Bayer Leverkusen, em mais uma pataquada da diretoria merengue com seus canteranos.

Atualmente, todas as especulações da imprensa madrilenha falam em uma contratação para a volância. O alvo preferencial de Mourinho é Modric, mas a negociação não é simples. Axel Witsel é alternativa ideal, só que o Benfica também não está disposto a liberar o belga tão facilmente. Calculista para promover as necessárias mudanças, Mourinho afirmou há duas semanas que o desejo para a temporada é a conquista da Liga dos Campeões. No fundo, ele sabe que está à frente de muitas equipes e que o título europeu bateu na trava na temporada passada. Aliás, uma das missões de Mourinho já foi cumprida: descanbar o Barcelona à nível nacional. Falta a conquista europeia, que transformaria o gajo numa lenda na capital. Seu time está pronto há duas temporadas e não precisa de reparo, sobretudo do meio para frente. Então, para que a contratação de Modric?

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Incontestável

 Campeão: o Real Madrid quebra a sequência de títulos do Barcelona e se sagra campeão espanhol pela 32ª vez em sua história (getty images)

O Real Madrid garantiu nesta quarta-feira seu 32º título espanhol, o primeiro sob o comando de José Mourinho. A vitória maiúscula contra o Athletic Bilbao deixa os merengues com sete pontos de vantagem sobre o Barcelona, exatamente o necessário para a festa. O palco em Cibeles já está montado: a comemoração do título acontecerá amanhã às 19h local. O português chegou a uma marca histórica: o segundo treinador da história do futebol europeu a conquistar pelo menos uma liga em quatro países diferentes. Com o título de hoje, Mourinho adiciona ao seu vasto e vitorioso currículo sua sétima liga nacional.

Com duas rodadas de antecedência, o Real Madrid volta a levar a Liga BBVA, quebrando a sequência de três títulos do Barcelona. A taça consolida o domínio perante o rival azulgrená: são onze campeonatos a mais que os barcelonistas. Agora, cada clube possui 77 títulos em seus palmarés. O blog fala da contribuição de cada jogador para a campanha vitoriosa e mostra quem foram os destaques:

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Cristiano Ronaldo - 36 jogos - 44 gols
Melhor jogador indiscutível da equipe e, ao lado de Messi, do campeonato. Quebrou sua melhor marca de gols na Espanha, mostrou personalidade e atitude nos momentos mais delicados, problemas nos quais sempre era criticado, e decidiu um superclássico no Camp Nou, conquistando definitivamente o respeito da torcida. Cada vez mais maduro, melhor futebolista, menos individualista e, sobretudo, mais frio na hora de tomar as decisões. Um craque.

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Iker Casillas - 36 jogos - 30 gols sofridos
Não foi uma temporada impecável do capitão, até porque o Real Madrid não sofreu à exaustão como em temporadas anteriores. Porém, quando precisava, lá estava Casillas. A defesa num chute de Xavi poderia mudar o rumo do superclássico que decidiu a Liga. É o melhor goleiro do mundo.

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Sergio Ramos - 33 jogos - 3 gols
Mourinho tirou Sergio Ramos da lateral direita e o devolveu à zaga, onde começou na base do Sevilla. Comparado a Hierro, se consolidou. Mostrou segurança, obediência tática e um físico impressionante. É unanimidade que essa foi sua melhor temporada desde que chegou a Chamartín.

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Pepe - 28 jogos - 1 gol
A evolução de Pepe com José Mourinho foi ratificada. Sensacional a temporada do luso-brasileiro, tantas vezes criticadas. Esteve menos explosivo, apesar da pisada desnecessária em Messi no confronto da Copa do Rei, e mais confiante. Rápido e eficaz no jogo aéreo, é xodó de Mourinho, que confirmou que, enquanto treinar o Real Madrid, o clube não irá se desfazer do zagueiro. Sua atuação no superclássico foi um divisor d'águas na carreira do alagoano.

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Karim Benzema - 32 jogos - 20 gols
Temporada de consagração do francês. Classudo, frio e decisivo. Ágil, inteligente e homem-gol, conseguiu um número destácavel de gols na temporada (são 33, por ora) mesmo atuando ao lado de Cristiano Ronaldo. O gol à Van Basten marcado em Pamplona ante o Osasuna foi eleito o mais bonito da temporada espanhola.

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Xabi Alonso - 34 jogos - 1 gol
Maestro. Não há outra característica que define Xabi Alonso. O volante é tratado como especial por Mourinho: é o único jogador do elenco com capacidade de criar o jogo e associar ao rigor defensivo. Imprenscidível para o treinador português, é dele que nasce a maioria dos contra-ataques merengues.

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Mesut Özil - 34 jogos - 1 gol
A qualidade de sua canhota é um tesouro para o futuro do Real Madrid. O arquiteto merengue teve uma nítida progressão em seu futebol a partir de 2012. Aproveitou a lesão de Di María, ganhou mais confiança e não saiu mais da equipe titular. Responsável pela assistência da temporada, é, depois de Casillas, o jogador mais idolatrado pela torcida blanca.

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Marcelo - 30 jogos - 3 gols
Uma das chaves dos êxitos madrilenhos. Oferece alternativa ao início das jogadas - sempre limitada a Xabi Alonso - e é um sócio perfeito para Cristiano Ronaldo no flanco esquerdo. Ousado, melhorou notoriamente suas prestações defensivas. Caiu de nível na reta final de temporada, mas tem créditos. É um excelente jogador.

Ángel Di María - 21 jogos - 5 gols
Até se lesionar, era o melhor jogador da equipe. Agressivo, vertical, desequilibrante, é ameaça constante para o sistema defensivo adversário. Caiu substancialmente de produção após a segunda lesão, em janeiro, mas não viu em Callejón e Kaká um substituto à altura. Peça-chave no futuro merengue se o estado físico permitir.

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Gonzalo Higuaín - 33 jogos - 22 gols
Apesar de não ter sido titular, possui mais gols até que Benzema na Liga Espanhola. Garantia de gol, é um substituto à altura do francês e concede ao Bernabéu virtudes que os aficionados sempre valorizaram: agressividade, amor à camisa e caráter competitivo. Deve estar de saída para o PSG, mas vai pela porta da frente. Reserva de luxo.

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José Maria Callejón - 24 jogos - 5 gols
Espécie de 12º jogador e trunfo de Mourinho, chegou a ser titular em períodos de dezembro e novembro devido à má fase de Özil e a irregularidade de Kaká. Única contratação de 2011/2012 que merece nota destacável, o canterano mostrou serviço sempre que utilizado e atitude. Irá permanecer para a próxima temporada, pois tem a confiança de Mourinho.

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Sami Khedira - 27 jogos - 2 gols
Primeira opção para acompanhar Xabi na volância, é esforçado, apesar de limitado tecnicamente. Bom recuperador de bola, mostrou na temporada uma maior ofensividade nas jogadas de ataque. Marcou no Camp Nou naquele que talvez foi seu melhor momento desde que foi contratado.

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Kaká - 26 jogos - 5 gols
Irregular durante toda a temporada, ganhou mais oportunidades do que em outros momentos com Mourinho. Seu ciclo em Madrid chegou ao fim e deverá ser apagado da memória do brasileiro. Chegou como esperança e saiu como terceira opção para Mourinho. Teve momentos bons, com lampejos do Kaká melhor do mundo, mas deixou - e muito - a desejar.

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Fábio Coentrão - 19 jogos 
Opção A na Champions; revezamento com Marcelo na Liga. Suas atuações em âmbito europeu não foram das melhores, mas ganhou pontos devido ao objetivo cumprido no Camp Nou: teve atuação sobressaliente três dias após ser duramente criticado por imprensa e torcedores pela desastrosa partida em Munique. Anulou Daniel Alves.

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Esteban Granero - 16 jogos
É reserva, mas sempre que utilizado mostrou serviço. Dá um dinamismo diferente ao meio-campo quando utilizado mais recuado, ao lado de Xabi. Sabe prender a bola e a hora de tocar. Crucial contra adversários com proposta de jogo defensiva. Por pouco não saiu no inverno, mas foi garantido por Mourinho. Seu futuro é uma incógnita.

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Álvaro Arbeloa - 25 jogos
Se recuperou na reta final, mas deixou a desejar em vários momentos. A busca da diretoria merengue por um lateral tem justificativa: Arbeloa não é os dos mais confiáveis. É provável que não seja titular em 2012/2013

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Raphael Varane - 8 jogos - 1 gol
O futuro merengue na zaga passa pelo francês. Está aqui devido a pouca participação, mas mostrou ter futebol. Com 18 anos, não se assustou com a pressão de jogar num dos maiores clubes do mundo. Veloz, obediente taticamente, bom no jogo aéreo, marcou um belo gol contra o Rayo Vallecano, no primeiro turno.

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Lassana Diarra - 17 jogos
Um dos homens de defesa de Mourinho, teve melhor rendimento na lateral direita do que na volância, onde não ajuda nem na criação nem na marcação. Esteve fora em todos os jogos da reta final de temporada e dificilmente permanece no clube para a próxima temporada.

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Ricardo Carvalho - 7 jogos
Só jogou até novembro. Depois, se lesionou e sumiu. Nota 8,0 em 2010/2011, mas, dessa vez, não conseguiu jogar por conta das lesões. Não irá permanecer na capital.

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Nuri Sahin - 3 jogos
A grande decepção da temporada. Não pelo o que jogou, e sim pelo o que não jogou. Pouco utilizado por Mourinho, foi castigado pelas lesões. Chegou com pompa até de titular, mas ficou nas expectativas Mostrou trabalho quando utilizado na LC contra o Apoel, mas muito pouco. Deve retornar ao Borussia Dortmund.

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Raúl Albiol - 3 jogos
Aos 26 anos, perdeu espaço para zagueiros e laterais mais jovens

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José Mourinho
Novamente preciso, o técnico português sempre tomou as decisões certas nos momentos importantes. Merece inteiramente sua primeira Liga Espanhola. Montou uma equipe forte fisicamente, letal no contra-ataque e goleadora. São 112 gols na Liga Espanhola, maior marca da história do futebol espanhol. Conseguiu quebrar a hegemonia blaugrana e fica em Chamartín para a missão mais ambiciosa de Florentino: dar uma Champions League ao Real Madrid.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A assistência da temporada

Özil recuperou sua melhor versão, está mais solto e confiante em campo e é peça-chave do esquema de José Mourinho (getty images)

5 anos. Foi esse o período de jejum do Real Madrid sem vencer o Barcelona no Camp Nou. Os merengues, durante esse tempo, sofreram em suas visitas à Catalunha: perderam de 2x0, de 5x0, de 3x2... Simplesmente o jogo não fluía. A cada partida, o cenário era o mesmo: um Real Madrid acuado, nervoso e antipático perante uma avalanche azulgrená, que só fazia valer sua filosofia de jogo. Porém, é preciso voltar a janeiro deste ano para saber que os blancos já haviam perdido o medo de visitar os barcelonistas. No jogo de volta das quartas-de-finais da Copa do Rei, o Real Madrid foi ao Camp Nou para vencer. Empatou, foi eliminado, mas a sensação foi de avanço.

E foi o que ficou comprovado no superclássico deste sábado. A vitória por 2x1que praticamente sentenciou a Liga evidencia que, após anos de derrotas e humilhações, o Real Madrid está disposto a dar a volta por cima. O primeiro passo foi dado. Os merengues não sofreram em momento algum da partida. Dominaram o meio-campo, em partidas destacáveis de Khedira e Xabi Alonso, mostraram uma louvável aplicação tática (Di María se sacrificou em prol de ajudar na marcação de Iniesta) e não deixaram Messi em paz: eram dois marcando na frente e um na cobertura. La Pulga inexistiu, só aparecendo em lampejos (diga-se de passagem foi dele a jogada do gol de Sánchez).

Nesse cenário, dois nomes se destacam: Cristiano Ronaldo e Mesut Özil. O português sempre se viu taxado de amarelão. A própria torcida madridista o criticava justamente por sumir em jogos contra o Barcelona. A torcida culé, por sua vez, o ironizava em cada visita do gajo ao Camp Nou. Mas CR7 nunca abaixou a cabeça e continuou fazendo seu trabalho. O gol e a comemoração de desabafo e ironia é um divisor d'águas em sua carreira no Real Madrid: Ronaldo está pronto para ser ídolo, fazer história e ganhar tudo na capital espanhola.

Entretanto, o personagem do post é o alemão. Özil encerrou 2011 em baixa. Em má fase e relegado ao banco, perdeu moral com José Mourinho. A lesão de Di María abriu espaços para o camisa 10 recuperar os créditos perdidos. E o germânico o faz com louvor. Está mais elétrico e, assim como Cristiano Ronaldo, tem sido peça fundamental em superclássicos. Já havia sido o melhor em campo na Copa del Rey e, dessa vez, foi o responsável pela assistência milimétrica para o tento do gajo. O periódico AS definiu bem: foi a assistência da temporada. O que mais chama a atenção nessa nova versão de Özil é sua regularidade. A irregularidade era justamente o ponto no qual a imprensa sempre batia o martelo.

Özil é o arquiteto - junto com Xabi Alonso - que o Real Madrid não tinha há muito tempo. Özil cumpre uma função tática semelhante a de Figo (não estou comparando os jogadores, hein) na época do título europeu de 2002. São 19 assistências na Liga, 25 na temporada. Seja jogando aberto à direita ou centralizado no auxílio a Benzema ou Higuaín seu futebol continua o mesmo. É o talento somado a regularidade e a naturalidade. Aos 23 anos, ele tem o arranque, o chute e a visão de jogo que o transformam num dos meio-campista mais completo da liga. Mourinho celebra a cada jogo o retorno do futebol e a adaptação de Özil ao estilo de jogo merengue. É evidente que o Real Madrid se sagrará campeão com autoridade e justiça. Assistimos a uma irrefutável demonstração de força dos líderes na temporada e a um concerto do alemão, que cumpre todas as tarefas que você pode esperar de um criador de jogadas. Um timaço, um craque.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Falta um algo a mais ao Real Madrid?

Özil e Cristiano Ronaldo são símbolos de um Real Madrid que, por ora, padece nos momentos decisivos (getty images)

"Talvez esse Real Madrid tenha um pouco menos de fantasia do que no passado", disse Jupp Heynckes, técnico do Bayern de Munich. Embora tenha admitido que os blancos são muito perigosos e uma das melhores equipes do mundo, o treinador campeão europeu com o Real Madrid em 98 não hesitou em soltar essa. Os números mostram o contrário: só o fato de contar com 108 gols na Liga Espanhola joga por água baixo a confirmação do alemão. Mas a análise de Heynckes, baseada nos jogos contra equipes grandes do Real Madrid, teve sua validade comprovada há pouco, na derrota por 2x1 para o Bayern de Munich na partida de ida das semifinais da Uefa Champions.

Quando falamos em fantasia, quase toda comparação que se faça com o Madrid campeão pela última vez da Uefa Champions League será ingrata. Afinal, a força motriz daquele time era um meio-campo com Makélélé, Figo, Zidane e Mcnamanam. A formação inicial de hoje não foi diferente da habitual. Teve Xabi Alonso, Khedira, Di María, Özil e Cristiano Ronaldo. Mas aí vem o questionamento sobre o poderio dessa equipe em partidas que requer múltiplo esforço. Di María esteve bastante opaco e errou quase tudo que tentou. Cristiano Ronaldo não foi nem 40% do jogador de 53 gols na temporada e passou em branco perante Phillip Lahm. Özil e Benzema tentaram, mas não tiveram muito sucesso. O alemão teve lampejos, marcou até o gol de honra, mas em certos momentos da partida foi anulado pelo compatriota Schweinsteiger.

Talvez faltasse mais ousadia por parte de Mourinho. O recuo inexplicável após o tento de Özil, quando o Real Madrid dominava, chamou o Bayern ao jogo. Saíram Di María e Özil, entraram Marcelo e Granero. Aí vem mais um questionamento: por que não apostar na ofensividade da equipe e tentar sentenciar ainda em Munich. Havia espaços para isso. A defesa do Bayern, como explicada no preview, não é nada confiante. Tirar Di María, que ainda mostra uma falta de forma física ideal em relação ao pré-lesão, não é nada anormal, mas por que não Kaká? O brasileiro vem crescendo de produção e é mais confiável nesses tipos de jogos.

É também importante entender a cabeça de Mourinho em grandes jogos. O tímido 4-3-2-1 após o gol de empate, com Cristiano Ronaldo distante do gol, é mais uma mostra de que ele prioriza a defesa nessas circunstâncias. A opção por Fábio Coentrão no lugar de Marcelo (aquele que "é tudo, menos um lateral" na visão do treinador português à época de Inter de Milão) só evidencia essa tese. Acontece que a temporada do brasileiro é mais sólida de sua carreira na Europa. O lateral tem balanceado as subidas ao ataque com a ajuda na marcação na hora do contra-ataque adversário. Em campo, Coentrão sofreu. Na primeira etapa, quando Robben caia pela seu setor; em partes da segunda etapa, quando Ribéry inverteu de lado; e nos minutos finais, quando, precisando de qualquer forma da vitória, Lahm abandonou a marcação a Cristiano Ronaldo e se lançou ao ataque. Fez a jogada do gol de Mario Gómez justamente driblando o lateral gajo.

É preciso ver a importancia do gol de Özil por um lado. "Não precisaremos de milagre nenhum. Basta jogarmos o nosso futebol e fazer, pelo menos, um gol para irmos à final", disse Mourinho após o jogo. Ainda que possa sofrer um gol num contra-ataque bem encaixado pelos bávaros no Bernabéu, as palavras de Mourinho tem um quê de realista. O problema é a atenção necessária ao Bayern na partida de volta. O outro é como irá se comportar o Real Madrid caso receba o primeiro gol ou volte do intervalo com o marcador zerado. Mais uma vez ficou ratificado que os blancos não sabem jogar pressionado. A falta para expulsão de Marcelo em Thomas Müller exemplifica o nervosismo em situações adversas. Enquanto isso, antes da última parada rumo à final, o Real Madrid tem pela frente o Barcelona. Tudo que Mourinho não queria.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Prévia: Bayern de Munich x Real Madrid

José Mourinho, atento: português briga pelo terceiro título europeu e verá o Bayern de Munich, adversário da última conquista, pela frente nas próximas semanas (getty images)

Quando voltou à presidência do Real Madrid, Florentino Pérez apostou todo seus milhões de euros em Cristiano Ronaldo e Kaká, naquilo que batizou de projeto galáticos 2.0. Um ano depois, após mais uma eliminação nas oitavas-de-finais da Champions League, o presidente resolveu ir para o tudo ou nada e gastou mais milhões em José Mourinho. Nesse meio tempo, o treinador foi campeão europeu com a Inter de Milão, desbancou o arquirrival Barcelona na principal competição europeia e conquistou a tríplice coroa, sonho antigo dos merengues.

Mais cedo, logo na introdução à temporada, Florentino Pérez, disposto a minar todos os jogadores comprados à época da gestão de seu antecessor, Ramón Calderón, praticamente chutou Arjen Robben do clube, que o vendeu ao Bayern de Munich. A primeira parte da vingança do holandês foi levar o time de Munich à final da LC justamente no Santiago Bernabéu, onde caiu para os milaneses da Inter. Mas, três anos depois, o destino coloca Robben frente a frente com o ex-clube e com o homem que o vendeu a troco de nada.

O confronto marca um dado especial: Bayern e Real Madrid já se enfrentaram 18 vezes em âmbito europeu, um recorde entre equipes de países diferentes (saiba mais aqui). O ringue da LC os unirão para o novos combates nos dias 17 e 25 de abril, na Allianz Arena e no Bernabéu respectivamente. É a última parada antes da tão sonhada final de Munique. A partir de agora, acompanhe o que de melhor e pior as equipes têm, a temporada até aqui da dupla e as expectativas para o eletrizante duelo. Quem escreve sobre os bávaros é Luan Cláudio, do site Bundesliga Brasil, especialista sobre o futebol tri-campeão mundial. Confira a prévia de Bayern de Munich x Real Madrid e depois, nos dois endereços, o resumo do embate. Boa leitura!

A temporada até aqui
Bayern de Munich: Pode-se dizer que a temporada do Bayern é boa e equilibrada: chegamos na reta final e o time está na briga para conquistar a tríplice coroa (Campeonato Alemão, Copa da Alemanha e a Liga dos Campeões). Na Bundesliga, ficou distante do título ao perder o confronto direto para o Borussia Dortmund e ver o rival abrir seis pontos de diferença na liderança, faltando quatro rodadas para o fim. Na DFB-Pokal, o time está na final e enfrentará o mesmo Borussia Dortmund, para tentar dar o troco pela provável perda do campeonato e conseguir um título contra o seu maior rival atualmente. Já na Champions, os confrontos contra o Real Madrid deverão ser decididos no detalhe, sendo talvez o duelo mais equilibrado desta edição da LC, onde parecem estar juntos duas equipes praticamente no mesmo nível e as únicas capazes de derrubar o favorito Barcelona no território europeu. O Bayern "dará a vida" nestes jogos para manter o sonho de conquistar o título na Allianz Arena, seu estádio e palco da grande final de 2012.

Real Madrid: Com a atenção mais voltada à Liga dos Campeões e com muita gordura para gastar, o rendimento na Liga Espanhola caiu e o Real Madrid deixou escapar uma larga vantagem que tinha sobre o Barcelona, agora atrás somente 4 pontos e com um superclássico para ser feito no Camp Nou, no próximo sábado, 21. Os blancos, que costumam perseguir os azulgrenás na tabela, se veem pela primeira vez em muito tempo na situação oposta e prometem não deixar escapar essa enorme chance de quebrar a sequência de títulos do principal rival. A vitória no dérbi contra o Atlético de Madrid, na melhor partida de Cristiano Ronaldo na temporada, anima os merengues para a disputa de mais um objetivo: o título da LC. Não obstante a queda de rendimento em âmbito nacional, esta é a mais sólida temporada blanca nos últimos anos, já que a equipe de José Mourinho, que merece muita parte dos créditos por isso, está disputando os dois principais títulos no momento. Mesmo após ter caído para o Barcelona na Copa del Rey e não ter a chance da manuntenção do título, a postura e o futebol desempenhados no Camp Nou, na partida da volta, recuperaram o orgulho madridista perante os catalães.

Pontos fortes
Bayern de Munich: Jupp Heynckes, treinador do Bayern, conseguiu dar ao time um equilíbrio maior nesta temporada, fazendo com que defesa, meio campo e ataque estejam sempre em sintonia. O ponto forte com certeza está no ataque. Os bávaros passaram das oitavas com um 7x1 contra o Basel no placar agregado e nas quartas com um 4x0 contra o Olympique de Marseille. Já são 22 gols marcados na competição, com o artilheiro Mario Gomez sendo protagonista e artilheiro do time com 11 tento, sendo ajudado e muito pelos inspirados Robben e Ribéry, que fazem uma ótima temporada e reencontraram o futebol de alto nível, sem sofrer lesões. Outro ponto forte dos bávaros são as laterais. Lahm efetivou-se como lateral direito por ser destro, tem muita facilidade de atuar no setor e muitos dizem que é melhor na direita do que na esquerda. Na outra lateral, Heynckes tirou da cartola David Alaba. O meia assumiu a posição e se encaixou perfeitamente no esquema do treinador, sendo forte na marcação e bastante efetivo nas chegadas ao ataque.

Real Madrid: O meio-campo. Seja quem for o companheiro de Cristiano Ronaldo na linha de três, a ofensividade merengue é avassaladora. Atualmente, Kaká e Özil têm começado mais entre os titulares, mas a volta de Di María, que até então apto era o melhor jogador da equipe na temporada, pode abrir uma nova disputa. Sem falar no coringa Callejón, que sempre entra muito bem em campo. Acostumado a enfrentar o Bayern na época de Schalke 04 e Werder Bremen e companheiro de seleção alemã de alguns jogadores bávaros, Özil recuperou a boa forma do primeiro semestre de 2011 e já é um jogador imprescindível no esquema de Mourinho. Ao lado de Kaká, seu futebol fica menos sobrecarregado e, assim, o camisa 10 consegue ditar o ritmo da partida. Benzema e Xabi Alonso também merecem destaques. O volante espanhol vive uma fase de gala às vésperas da Eurocopa, enquanto o francês é dono de 30 gols. Mas, claro, o destaque maior é para o craque: Cristiano Ronaldo. Na temporada, são 53 gols, sendo 41 na Liga Espanhola, quebrando seu próprio recorde histórico de gols, alcançado em 2010/2011. Ele dribla, arranca, pede bola, chama a responsabilidade, dá assistência, ajuda na marcação pelo setor esquerdo e marca gols. Polivalente, ainda pode ser deslocado para a função de falso nove numa emblemática postura voltada à defesa de Mourinho. O trio Benzema + Cristiano Ronaldo + Higuaín são donos de 108 gols em 2011/2012.

Pontos fracos
Bayern de Munich: Difícil encontrar um ponto fraco em um time tão forte e semifinalista de uma Liga dos Campeões, mas o Bayern de Munique tem os seus. A falta de peças de reposição é grande, principalmente no ataque. Se Mario Gomez não joga, Olic vai pro jogo, ou senão o garoto Petersen. E só. Na defesa, só há três zagueiros à disposição no elenco: Badstuber e Boateng (que jogam com frequência) e Van Buyten, tendo que improvisar por vezes o volante Tymoshchuk. Nas laterais, falta qualidade aos suplentes Rafinha e Contento, que, quando jogam, não vão bem, e em algumas oportunidades o volante Luiz Gustavo atua na lateral esquerda. Outro ponto fraco é a dupla de zaga. Badstuber e Boateng dão muitos sustos no torcedor bávaro e passam insegurança ao goleiro Neuer, apesar da equipe só ter sofrido 7 gols até aqui na UCL.

Real Madrid: O Real Madrid chegou em um momento complicado e crucial na temporada: jogando duas competições diferentes e passando por altos níveis de stress, é muito complicado manter a concentração. Até agora, Mourinho e sua comissão técnica tem conseguido sucesso em focar o grupo para as partidas da LC, torneio ao qual os blancos parecem totalmente dedicado. Mas, é bom lembrar, o Bayern de Munich será o primeiro teste real na competição europeia: até agora, os adversários foram de níveis totalmente inferiores, do naipe de Dínamo Zagreb, Lyon, Ajax, CSKA e Apoel. Porém, o cansaço mental é forte e tem feito o time errar um pouco mais do que de costume, vide o empate contra o Valencia há duas semanas. O peso de atuar em mais de uma competição cansa também o corpo. Mourinho, nem um pouco afeito a rodízio de jogadores, contribui um pouco para este desgaste ao dar pouco descanso para os titulares em momentos importantes da temporada. Por outro lado, os jogadores também não deram tanta chance para o treinador ousar um turnover mais radical ao caírem de rendimento e permitirem a aproximação do Barcelona. Fato é que jogar cansado contra uma equipe veloz como o Bayern pode ser mortal caso os jogadores não ocupem bem os espaços em campo.

Expectativas
Bayern de Munich: Quase impossível de se apontar um favorito no duelo, mas o time alemão tem totais possibilidades de passar por esta difícil semifinal e chegar a tão sonhada final em seu estádio, Allianz Arena. "Queremos ganhar o que der e teremos grandes jogos pela frente", disse o treinador Jupp Heynckes. Uma frase que explica tudo sobre o time nesta reta final de temporada, onde só terá jogos decisivos pela frente. É esperar que a dupla "Robbery" mantenha o nível de atuações, Mario Gomez continue marcando e que a defesa esteja sólida e passe segurança ao time e aos torcedores. Assim o Bayern de Munique tem enormes condições de conquistar não só a Liga dos Campeões, como também qualquer competição que disputar, mesmo que, na Bundesliga, não dependa mais de si.

Real Madrid: Em momento crucial na temporada, a comunidade madridista deseja a conquista do doblete, que só pode ser conquistado pelo próprio Real Madrid ou pelo Bayern e o Barcelona, esses dois últimos na disputa pela tríplice coroa. Nos poucos jogos que restam na temporada, o Real Madrid pode ser campeão de tudo ou terminar sem nada. Zero tituli, uma expressão popularizada por José Mourinho em tempos de Inter e que não passa na cabeça de nenhum torcedor ou simpatizante merengue. Na Liga BBVA, a tabela não irá requer muito esforço, mas dois jogos podem colocar em xeque o título blanco: o superclássico contra o Barcelona e o Athletic Bilbao, que já vê seus torcedores cobrando por uma atuação histórica a fim de tirar a taça das mãos do Real Madrid. Os blancos devem apostar tudo nos confrontos contra o Bayern para chegarem à histórica final e à possibilidade de conquistar La Décima. Bayern de Munich e Real Madrid; Real Madrid e Bayern de Munich. Duas das equipes que, segundo muitos, são as únicas capazes de acabar com a hegemonia do Barcelona se enfrentam na briga pela vaga na tão sonhada final. Não há dúvidas que os dois jogos serão os mais esperados da temporada europeia.

Provável escalação
Bayern de Munich: Neuer; Lahm, Boateng, Badstuber, Alaba; Luiz Gustavo, Kroos; Ribéry, Muller (Schweinsteiger), Robben; Mario Gomez.
Real Madrid: Casillas; Arbeloa, Pepe, Sergio Ramos, Marcelo; Xabi Alonso, Khedira; Di María (Kaká), Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Superclássico da Europa

Sem cerimônias, o Real Madrid eliminou o Apoel nas quartas-de-finais da Liga dos Campeões da Uefa. Após decidir a classificatória no Chipre, vencendo o jogo por 3x0, ganhou sem sustos no Santiago Bernabéu por 5x2, com José Mourinho promovendo a entrada de vários jogadores reservas. Agora, os merengues preparam-se para o segundo maior desafio da temporada. Vem aí o Bayern de Munich, comandado por Ribéry e Robben, que saiu da capital praticamente chutado por Florentino Pérez e prepara sua vingança particular contra o presidente.

O confronto marca um dado especial: Bayern e Real Madrid já se enfrentaram 18 vezes em âmbito europeu, um recorde entre equipes de países diferentes. O ringue da LC os unirão para o novos combate nos dias 17 e 25 de abril, na Allianz Arena e no Bernabéu respectivamente. É a última parada antes da tão sonhada final de Munique. A partir de agora, o Quatro Tiempos relembra esses jogos decisivos baseado em registros do Marca. E fiquem ligados: vem mais novidades por aí entre as surreais semifinais da principal competição de clubes do mundo.

O louco do Bernabéu, 1975/76
Era a primeira vez que se enfrentavam. Na ida, após o empate de 1x1, um torcedor saltou ao gramado e agrediu o lendário árbitro Linemayer, além do super goleador alemão Müller, que na volta marcou os dois gols da vitória do Bayern por 2x0. Os bávaros viriam a vencer a competição àquela época, ao derrotar o Saint-Etienne na Escócia.

Adeus à final, Real Madrid, 1986/87
Em cenário semelhante ao atual, o Real Madrid foi assasinado da classificatória no jogo de ida. Possuindo um dos melhores times da Europa, mas sem vencer uma Champions há mais de 20 anos, os merengues sofreram no primeiro jogo. Saíram de Munich com uma goleada de 4x1 nas costas e dois dos principais jogadores expulsos: Mino e Juanito, que perdeu a cabeça ao pisar em Matthaus. Na volta, Pardeza até marcou, mas o jogo ficou no 1x0 que de nada valeu ao Real Madrid. Na final de Viena, o Bayern sucumbiu ao Porto.

Revanche blanca, 1987/86
Uma temporada depois, as equipes se reencontraram nas quartas-de-finais. A revanche madrilenha foi concretizada com sabor especial: virou a partida no Olímpico de Munich nos seis minutos finais e colocou um pé e meio na fase posterior: 2x3, gols de Butragueño e doblete de Hugo Sánchez. Na volta, 2x0 no Bernabéu que garantiu o passaporte às semifinais, onde caiu para o futuro campeão PSV. Mais uma vez, a forte geração de canteranos de ouro do Real Madrid, conhecida como La Quinta Del Buitre, decepcionava em solo europeu.

Herói Anelka, 1999/2000
Naquela temporada, quatro grandes confrontos marcaram a rivalidade entre as equipes. Primeiro, na fase de grupos, onde o Bayern não teve piedade: ganhou por 4x2 em Madrid e 4x1 em Munich. Na semifinal, contudo, o Real Madrid deu o troco e a volta por cima, contando com Anelka inspirado: marcou os dois da vitória por 2x0 na ida no Bernabéu e o gol de honra que valeu a classificação à final no Stade de France na derrota por 2x1. Contra o Valencia, show de Raúl e vitória por 3x0 que garantiu La Oitava para os merengues.

Noite negra para Casillas, 2000/2001
Novamente, as semifinais foram os palcos dos confrontos. Na ida, em Madrid, Casillas saiu de campo cabisbaixo: falhou bizarramente no gol do brasileiro Elber, que colocou os bávaros a um passo da final de Milão. Na volta, o brasileiro voltou a ser pedra no sapato dos atuais campeões europeu, marcando um gol (irregular, diga-se de passagem) na nova vitória por 1x0. Na final no Meazza, o Valencia foi a vítima da vez e perdeu nos pênaltis para o Bayern, que conquistara ali sua última Champions League até o momento. Os chés, pela segunda vez consecutiva, ficaram no quase.

Bávaros engolem suas próprias palavras, 2001/2002
O terceiro confronto consecutivo, dessa vez, aconteceu nas quartas-de-finais do torneio. O super time do Real Madrid comandado por Zidane, Figo e Raúl havia dado adeus às chances de vencer a Liga Espanhola e se concentrou somento na competição europeia. Após perder por 2x1 em Munich, foram provocados pelos jogadores e treinador do Bayern na coletiva pós-jogo. Na volta, o Bernabéu inflamou e Helguera e Guti marcaram os gols da classificação blanca, que encararam o Barcelona na semifinal. Após eliminar o maior rival, foram campeões na final de Glasgow, após bater o Bayer Leverkusen por 2x1 com golaço de Zidane. Por ora, foi o último título conquistado pelo maior detentor de taças.

Mago Zidane, 2003/2004
No jogo de ida, partida empatada: 1x1. Roy Makaay, pedra no sapato merengue nos tempos de Deportivo La Coruña, abriu o placar, mas Roberto Carlos empatou após colaboração de Oliver Kahn, que aceitou um disparo do brasileiro. Em Madrid, noite mágica do genial Zidane, melhor joador do mundo à época. O francês estava em dia inspirado, mandou na partida e marcou o gol da vitória que eliminou novamente os alemães. Na fase posterior, os galáticos viriam a ser eliminados de forma dramática para o Monaco: Morientes, jogador que havia sido emprestado ao clube francês, foi o principal responsável pela queda madridista ao lado de Giuly, que viria a ser jogador do Barcelona no futuro.

Gol recorde e polêmica com Van Bommel, 2006/07
Os últimos duelos oficiais entre as equipes aconteceu seis temporadas atrás, em jogos marcados por polêmicas. No Bernabéu, o Real Madrid venceu por 3x2, mas um gol do holandês van Bommel, campeão europeu com o Barcelona na temporada anterior, causou tumulto e briga entre os jogadores. Na comemoração, o volante dirigiu-se aos aficionados blancos que o vaiaram durante os 90 minutos chingando-os e gesticulando com sinais de menosprezo. Na volta, após provocações lado a lado nas coletivas, os bávaros começaram a definir a eliminatória cedo. Novamente, Roy Makaay: o atacante holandês anotou aos nove segundos (gol recorde na história das LC) o primeiro gol. O zagueiro brasileiro Lúcio ampliou ainda no primeiro tempo e van Nistelrooy, de pênalti, tentou a reação nos minutos finais da segunda etapa. Fábio Capello, treinador merengue à época, assinou praticamente sua carta de demissão com a eliminação.

quinta-feira, 15 de março de 2012

A evolução que impulsiona o Real Madrid

Real Madrid 2.0 de Mourinho atropela seus adversários, faz uma temporada incrível e é taxado por muitos como melhor do mundo (getty images)

"Atualmente, o Real Madrid tem jogado mais até do que o Barcelona", sentenciou Maurício Pochettino. Embora tenha admitido que não sabe em quem apostar num embate entre os gigantes na Liga dos Campeões, o treinador argentino não hesitou em soltar essa após a goleada sofrida pelo seu Espanyol ante os merengues, há duas semanas. Minha intenção não é comparar as duas equipes ao longo desse texto, mas o fato é que a análise de Pochettino, baseada no jogo maximalista dos espanhóis, tem sua validade comprovada. E nem é por causa da vitória contra o CSKA, onde o Madrid jogou pro gasto, mas sim pela temporada num todo.

Cristiano Ronaldo é o melhor jogador da equipe da capital desde Zidane. O gajo é também o principal goleador do time de José Mourinho na temporada com impressionantes 41 tentos em 37 jogos e no próprio torneio continental com seis em igual número de partidas. No clube, já são 128, também no mesmo número de jogos. Dados históricos. Ainda que falte a Ronaldo participação mais efetiva em jogos contra o Barcelona, o dono da camisa 7 faz mais uma temporada sobrenatural. Além disso, conquistou o coração dos torcedores, que passaram a pegar em seus pés após consecutivas partidas ruins frente ao Barça. Nos últimos jogos, a Ultra Sur tem dedicado músicas em homenagem ao Pichichi da Liga. "É muito bom se sentir querido, amado", disse antes da partida contra o CSKA.

Apesar de ter o segundo melhor jogador do mundo no plantel, o Real Madrid deixa claro que não é dependente dele. Ao contrário da temporada 2009/2010, desde a chegada de Mourinho isso já vem se exemplificando. Ontem, por exemplo, CR7, apesar dos dois gols, não fez uma partida muito inspirada, mas os blancos souberam se saírem bens. O excelente André Rocha, do Olho Tático, explica melhor: acima de tudo, o Real de Mourinho é um time. Ou melhor, um timaço que nem precisa do fulgor de seu craque quando a vantagem técnica e tática sobre o oponente permite. Com Özil e Kaká promovendo com Ronaldo uma intensa movimentação em torno de Higuaín no 4-2-3-1 habitual, atacando pela esquerda com Marcelo e criando espaços para o apoio no lado oposto de Khedira que compensava o posicionamento mais conservador de Arbeloa, o Real Madrid consegue se impor.

A progressão nítida do Real Madrid é fruto de um trabalho que começou em 2009. Atenção especial a Florentino Pérez, que desde que retornou à presidência do Madrid tem feito contratações usuais. À exceção da temporada do retorno, quando gastou à rodo, Florentino tem evitado gastar milhões em estrelas e reforço o plantel com jogadores necessários. O retorno do presidente, aliás, é um divisor d'águas no recente caminho merengue. Jogadores como Özil, Di María, Xabi Alonso, Cristiano Ronaldo, Benzema, Khedira, todos contratados em sua gestão, são peças-chaves no time de José Mourinho. Antes chacota a âmbito europeu, hoje tão temido quanto o Barcelona. Essa é a evolução que impulsiona o Real Madrid.

O desempenho e o estilo de jogo são foram do comum. Nesse ponto, José Mourinho é o principal responsável. O Real Madrid propõe-se a ser agressivo e com a qualidade técnica de seus jogadores, aliando sempre com velocidade e precisão. A marcação melhora a cada partida. Mais avançada, até Cristiano Ronaldo, Özil e Kaká voltam para ajudar. Em relação a temporada passada, quando ficaram no quase, está aí a principal diferença. Povoado de jogadores, o Real Madrid sempre leva a melhor na batalha do meio-campo e congestiona o jogo do adversário. Os merengues impõem pressão física, praticamente atropelando seu rival. Com a bola, toca rápido, chega em velocidade pelos dois lados ou pela faixa central. Sem ela, marca forte, desarma muito e tem contra-ataque feroz. O título da Liga já está praticamente selado. A Europa é um sonho bastante provável.