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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A recuperação merengue

Özil levanta Cristiano Ronaldo: o português começou o ano voando e impulsiona um Real Madrid que parecia morto na temporada (getty images)

Se tudo ocorrer da maneira que o madridismo deseja, o Real Madrid da temporada 2012-2013 pode ser dividido em dois: o de agosto a dezembro e o de janeiro ao restante da temporada. Isso porque o "segundo" Real Madrid dá mostras de recuperação em relação àquele que deu vexame na primeira parte da temporada. Nesta quarta-feira, às 18h (horário de Brasília), os merengues recebem o Barcelona no Santiago Bernabéu. É o primeiro confronto da fase de ida da semifinal da Copa do Rei. Em três confrontos contra o rival na atual temporada, uma vitória, uma derrota e um empate. Equilíbrio, que valeu o título da Supercopa em agosto.

Já é sabido por todos os múltiplos problemas nos vestiários merengues. É algo que o clube convive desde a chegada de Mourinho, mas teve seu estopim no final do ano passado, quando o treinador português, indiretamente, confirmou o conflito de relações ao barrar Casillas do difícil compromisso na Andaluzia ante o Málaga. Após a derrota por 3x2, ele desafiou: "Vejo que Adan está melhor no momento. Tenho a consciência tranquila", disse. O gajo cavava a própria cova. Como não poderia deixar de ser, imprensa e torcida madrilenha ficaram ao lado do capitão.

Dentro de campo, a proposta de jogo era executada num ritmo mais lento. O Real Madrid sofreu contra o Borussia Dortmund na Champions League, perdendo na Alemanha e empatando em Madrid, e só não saiu do Camp Nou derrotado pelo Barcelona pela bola na trave de Montoya e um chute desperdiçado por Pedro no minuto final. A bem da verdade, também por Cristiano Ronaldo, em noite mágica e autor de dois gols. As peças-individuais, como o próprio craque da camisa sete, não faziam tanto a diferença. Ronaldo se destacava, mas faltava mais contudência. E essa contundência aparece com perfeição em 2013. Em sete jogos no ano, foram dez gols (dois hat-tricks). 

Quando o seu principal jogador atua de maneira assim anima os demais. Isso explica a recuperação do bom futebol de Di María e Benzema.  Özil, por sua vez, mostra-se bem irregular. No entanto, o alemão tem crescido de produção nos jogos mais pegados da temporada (atuou bem contra Borussia Dortmund, Barcelona e Atlético de Madrid), diminuindo um pouco o ritmo contra os pequenos. É uma irregularidade paradoxal, mas que ele precisa acabá-la. O aspecto que precisa evoluir mesmo são os fundamentos defensivos, uma das virtudes da equipe na temporada passada. Laterais, proteção à defesa e, especialmente, concentração são essenciais.

Em meio ao aparecimento repentino de uma boa fase, uma má notícia. Após disputa de bola pelo alto, Arbeloa acabou, sem querer, lesionando a mão de Casillas, que irá ficar de fora por três meses. A lesão de Iker, que havia recuperado a titularidade na guardameta, cai como uma bomba, que Mourinho logo tratou de desarmar. Um dia após a confirmação de que não teria o goleiro multicampeão até abril, o treinador nascido em Setúbal pediu a Florentino Pérez a contratação urgente de um goleiro. Foi atendido, claro: na sexta-feira (25), o clube anunciou a contratação de Diego López, canterano que fez parte do elenco entre 2005-2008. Diego López não vive boa fase desde sua saída do Villarreal, mas é um goleiro confiável pelo seu histórico no passado (já foi terceira opção para gol da seleção espanhola - ok, não é grande coisa).

O Real Madrid está invicto em 2013. Isso porque Mourinho resgatou uma equipe mais sólida e recuperou o contra-ataque mais mortal do mundo, que fez estragos em 2011-2012. Por enquanto, a ascensão dos jogadores citados acima e a perspicácia tática para superar a coleção de problemas assegura paz e tranquilidade no ambiente em Chamartin. Mas vem aí um Barcelona confiante pela temporada que faz e com Messi e Iniesta em estados de graças. É a chance do elenco blanco ratificar a ressurreição na temporada e confirmar, acima de tudo, por que o Manchester United tem de abrir o olho na Liga dos Campeões da Uefa.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Cavando a própria cova

Mourinho e Casillas: amigos? (getty images)

É preciso ter a noção necessária para entender toda a algazarra feita após o término do duelo do final de semana entre Málaga e Real Madrid, vencido pelos blanquiazules por 3x2. A derrota merengue ficou em segundo plano pelo simples e único fato de José Mourinho ter barrado Casillas. Pela primeira vez em 10 anos, o goleiro e bandeira máxima do clube foi relegado ao banco de reservas por questões técnicas. Mourinho, logo após a partida, não fugiu das perguntas. "Deixar Casillas no banco foi decisão minha. Vejo que Adán está melhor no momento", desafiou o gajo. "Tenho a consciência tranquila", completou. É sabido por todos que o ambiente merengue não é lá muito tranquilo. Há deveras especulações sobre uma possível guerra entre os portugueses e os espanhóis do elenco. Há um mês, por exemplo, Xabi Alonso deu margem aos boatos ao dizer, publicamente, que não é amigo de Cristiano Ronaldo fora de campo.

Mas o ato de Mourinho pode ter sido o estopim. Florentino Pérez, que sempre ficou ao lado do treinador de Setubal, já não confia 100% nele. Ao saber da titularidade de Adán pela jornalista Mónica Marchante, do Canal +, mostrou uma expressão de assustado no rosto e encerrou a "sessão" de perguntas da periodista. A imprensa madrilenha mostrou-se a ao lado de Casillas. AS e Marca criticaram a postura de Mourinho, definindo como ridícula. "A culpa não é de Iker", disse o Marca. Enquanto isso, o País foi mais duro, descrevendo seus métodos como feudais.

Está claro que os prestígios de Mourinho em Chamartín já não são tão grandes como em outrora. Parte da torcida blanca vem pegando em seu pé na atual temporada. Em 2011/2012, em uma de suas polêmicas, havia afirmado que não liga para o que o madridismo fala. Foi um tiro em seu pé. Ontem, em uma enquete promovida pelo Marca, mais de 87% dos eleitores votaram a favor de sua demissão. Joaquin Löw, treinador da seleção da Alemanha, é o preferido para assumir caso o gajo seja, de fato, demitido. Há duas semanas, no empate no Bernabéu contra o Espanyol, até os ultrás madridistas o vaiaram ao fim do jogo e mais um vexame do Real Madrid na temporada, dessa vez contra o penúltimo colocado da Liga. Os graves problemas internos se refletem dentro de campo: a diferença para o Barcelona é de 16 pontos.

O Marca reuniu uma lista de "vítimas" de Mourinho, que vai de diretores técnicos até a cozinheiros. Jorge Valdano foi o primeiro nome a perder a guerra, logo na primeira temporada do português em Madrid, em 2010/2011. À época diretor esportivo do clube, o argentino não aguentou os atritos com o "rival" e acabou demitido por Florentino. Em janeiro de 2011, comentei isso aqui no blog. Logo após o caso, Mourinho tornou-se manager do Real Madrid, tornando-se o primeiro treinador da história do clube a ter carta branca na hora das contratações. O poder dele era imenso.

Nas quatro linhas, o Real Madrid 2012/2013 está bem longe da versão avassaladora apresentada na temporada passada. Os contra-ataques não são tão fatais, a ineficiência é grande e o meio-campo não tem funcionado. Até valores individuais como Cristiano Ronaldo tem atuado num nível baixo. Na última quinta-feira, o sorteio da UEFA colocou o Manchester United no caminho dos merengues nas oitavas-de-finais da Uefa Champions League. Encarar o líder da Premier League nesta atual situação é tarefa ingrata.

Contratado para, especialmente, dar a décima taça de LC ao Real Madrid, Mourinho caminha para mais um fracasso em âmbito europeu. Aliás, não é tão difícil de imaginar outro treinador no cargo nos confrontos contra os mancunianos. O que pode impedir isso é o fato da multa rescisória de Mou ser bastante alta, o que pode influenciar em contratações futuras. Mas o fato é que o português cava a própria cova ao decretar, indiretamente, sua guerra particular com Casillas.

Recomendo a leitura do 'Dossiê Real Madrid - a guerra de egos', produzido por José Eduardo Volpini, do site Doentes por Futebol. Matéria que explica todos os recentes atritos nos vestiários merengues.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Eu quero você, Brasil

 Nos bastidores, os amigos Casillas e Xavi não escondem o desejo de enfrentar a seleção brasileira. É o confronto que todo o povo espanhol quer ver (Reuters)

Pareceu uma declaração boba, despretensiosa. Em outubro de 2010, logo após o título mundial da Espanha, Fernando Hierro, ex-jogador e diretor esportivo da RFEF, disse que “todos” gostariam de ver um duelo entre Espanha e Brasil na reabertura do Maracanã, em 2013. A entidade negou que negocie essa partida, como fez a CBF. O que não significa que o assunto esteja morto. Nesta semana, o amistoso voltou a ficar em pauta. Segundo informações do AS, Xavi e Casillas teriam pedido ao presidente Justo Villar que negocie o confronto com a seleção brasileira. Curiosamento, o amistoso iria acontecer no final do ano passado, mas por "divergências" acabou cancelado.

A questão não é se a Espanha enfrentará o Brasil. A questão é que a Espanha quer enfrentar o Brasil. Não foi só a declaração de Hierro ou as de Xavi e Casillas. Iniesta, em entrevista à da Revista ESPN de dezembro de 2010, afirmou que o Brasil é uma “conta pendente” para os campeões do mundo e contou que Casillas fez o mesmo comentário na concentração espanhola, observando que faz tempo que as seleções não se encontram. David Villa afirmou que seu sonho quando criança era enfrentar o Brasil numa final de Copa do Mundo. Está claro que enfrentar os brasileiros é um desejo espanhol. Mas por quê?

É perfeitamente defensável que a Espanha tem, hoje, a melhor seleção do mundo. É a atual campeã da Eurocopa e da Copa do Mundo. Conquistou os três títulos consecutivos mostrando superioridade técnica, eliminando equipes fortes e tradicionais como Alemanha (duas vezes), Holanda, França, Itália e Portugal. Mas, para a nova realidade espanhola, não basta ser reconhecida como a melhor. É preciso ser reconhecida como uma das grandes seleções do mundo, aquele clube em que só estavam brasileiros, alemães, argentinos, italianos e, dependendo da referência, ingleses e franceses.

A última vez que as duas seleções se confrontaram foi em Vigo, em 13 de novembro de 1999. O Brasil de Candinho (acredite se quiser) entrou em campo com Marcos; Cafu, Antônio Carlos, Aldair e Roberto Carlos; Marcos Assunção, Émerson, Zé Roberto (Giovanni) e Rivaldo (Zé Elias); Sonny Anderson (Jardel) e Élber. A Espanha da época, treinada por José Antonio Camacho, foi ao Balaídos com Molina; Míchel Salgado, Paco, Abelardo e Sergi; Guardiola, Etxeberria (Urzaiz), Valerón (Engonga) e Luís Enrique (Mendieta); Raúl (Alfonso) e Morientes (Munitis). Atualmente, Guardiola é lembrado mais como técnico do Barcelona e Alfonso por dar nome do estádio do Getafe. Reparem que, das duas seleções, nem passam próximos dos times de Mano Menezes e Vicente Del Bosque

O jogo foi bem fraco e terminou em 0x0. Foi um amistoso como tantos outros, sem nenhum peso especial para os dois lados. Tanto que o Brasil foi comandado por seu auxiliar técnico, deixando Luxemburgo na Austrália, onde esteve com a seleção olímpica para dois amistosos. Desde então, o mais perto que o Brasil esteve de enfrentar a Espanha foram dois amistosos contra a Catalunha em Barcelona: vitórias brasileiras por 3x1, em 18 de maio de 2002, e 5x2, em 25 de maio de 2004, com direito a golaço de bicicleta de Júlio Baptista, que viria a brilhar no estádio novamente três anos depois, marcando o gol da vitória do Real Madrid ante o Barcelona por 1x0.

Um reencontro hoje entre esses dois países seria diferente. Seria a melhor seleção do mundo na atualidade contra a maior seleção da história do futebol, ainda que passe por um momento ruim dois anos antes da Copa de 2014. Torcedores de todo o planeta reconheceriam a importância simbólica do duelo. Grandes times se mostram em grandes eventos, realizam grandes duelos e se desafiam com o respeito que se tem pelo igual. A Espanha vê no Brasil o adversário que a legitimaria como novo membro do grupo de “grandes”. Por isso a Espanha quer jogar com o Brasil. Mesmo sabendo que isso pode não acontecer tão cedo. Ou, quem sabe, na Copa das Confederações. Ou, indo mais além, num hipotético confronto de mata-mata na Copa.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Assustador

 O dono da bola: Iniesta trouxe o protagonismo para si, foi eleito o melhor jogador da Eurocopa e dá a volta por cima após uma turbulenta temporada (getty images)

Pode parecer exagero, mas o título que encabeça esse texto tem tudo a ver com o futebol da Espanha. Bastante criticado durante toda a Eurocopa, taxado de pragmático, chato e sonolento até mesmo pela imprensa espanhola, a Fúria deixava no ar uma interrogação: seria capaz de vencer e convencer? Pois bem, o tri-campeonato europeu, o segundo consecutivo (algo inédito na história da competição), serviu para jogar todas as argumentações anti-Espanha por ladeira abaixo. A Roja venceu, convenceu e foi campeã. Em sua melhor exibição em terras ucranianas, a equipe treinada por Vicente Del Bosque deu um enorme passo rumo à galeria dos maiores do esporte. Os 4x0 ante a Itália, tetra-campeã mundial, representa muito bem o poderio absurdo desse grupo.

Em campo, Del Bosque repetiu a mesma escalação que usou contra a mesma Itália na estreia na Eurocopa. Um onze inicial que, semanas atrás, criou dúvidas quanto ao estilo de jogo espanhol e gerou críticas ao treinador. Porém, o campeão mundial e agora europeu deu andamento ao que faltava: a ousadia. Se é para comparar, como a imprensa espanhola tanto gosta de fazer, a Espanha da final lembrou aquela avassaladora que conquistou a Eurocopa em Viena há quatro anos. Foi incisiva, utilizou bastante seus pontas, com destaque para a grande partida de David Silva, viu em Fàbregas um falso nove de excelente nível e, sobretudo, teve em Xavi seu principal articulador. 

O dono da camisa oito foi outro nome que decepcionava na competição. Como o blog já previa, o fato de Del Bosque adiantá-lo para um setor do meio-campo onde não estava acostumado a jogar foi um dos principais fatores para seu mau futebol no torneio. Além disso, o cansaço de uma temporada para lá de cansativa com o Barcelona e o surgimento de novos problemas físicos valeram para Xavi não mostrar nem 80% de seu futebol. Ele mesmo admitiu antes da bola rolar que se sentia um pouco decepcionado com suas exibições. "Gostaria de poder ajudar mais", disse. Na coletiva pré-jogo, porém, os múltiplos elogios de Del Bosque, que mostrou confiança no cérebro da equipe, valeram para seu futebol aparecer. Xavi tomou conta do meio-campo, assistiu Alba e Fernando Torres, cadenciou o jogo e, além disso, tomou conta de Pirlo durante os 90 minutos.

Os grandes trunfos da Roja para parar a Azzurra foram congestionar o meio-campo para evitar a superioridade numérica do losango italiano, alternar Xavi e Fàbregas no cerco a Pirlo e combinar retenção de bola e verticalidade, arriscando mais o passe longo e as ultrapassagens, utilizando bastante das infiltrações, algo que tanto faltava nessa equipe. Tanto que não houve o habitual controle da posse de bola (apenas 53% na primeira etapa e 57% no total), com mais erros de passe e equilíbrio nas conclusões enquanto houve disputa. Os acertos compensaram. A objetividade ficou em primeiro plano. Como bem disse André Rocha, a fantástica atuação não isenta e até enfatiza as críticas ao futebol apresentado nas fases anteriores. Uma verdade. De acordo com Cesare Prandelli, treinador da Itália, a Azurra sentiu problemas físicos, por falta de descanso - vide Chiellini, que chegou lesionado à Euro e se machucou outras duas vezes durante o torneio.

Um título que acrescenta ao currículo respeitável de Vicente Del Bosque a única competição que lhe faltava. Como treinador, o madrilenho pode ser orgulhar de ter conquistado Champions League, Copa do Mundo e Eurocopa, uma trinca desejável por qualquer técnico do planeta. Além disso, pelo Real Madrid, Del Bosque conquistou duas Ligas Espanholas e um Mundial de Clubes. Um título que mostra, de vez, ao mundo o talento de Jordi Alba. O melhor lateral esquerdo da competição abusou do bom futebol e mostrou-se sócio perfeito de Iniesta no setor esquerdo. A dupla, agora, irá se encontrar mais vezes em campo, visto que Alba retornou ao Barcelona. Mais um motivo para temer o time azulgrená e tentar achar mais motivos para pará-lo.

Mas quem merece um parágrafo à parte nessa conquista é justamente Iniesta. Após passar por uma temporada irregular onde as lesões novamente voltaram a atazaná-lo, o meio-campista brilhou. Eleito pela Uefa o MVP da Eurocopa - com justiça, diga-se de passagem -, Iniesta foi o ponto de equilíbrio da Fúria e voltou a ratificar sua importância para a seleção. "O homem mais querido por toda a Espanha"se destacou em todas as partidas da Roja no torneio, sem exceção. É um merecido prêmio a um jogador extremamente profissional, avesso às câmeras, humilde, que só pensa no trabalho. "Não jogo para ganhar Bola de Ouro, e sim para ganhar títulos com meu país e meu clube", afirmou na zona mista. Mas você merece, Don Andrés Iniesta.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Venceu, mas não convenceu

Jogada de Jesus Navas e gol de David Silva: mais uma vez, a Espanha joga mal após Copa do Mundo (reuters)

Após ser goleada por Portugal no último compromisso de 2010, a Espanha entrou em campo contra a Colômbia querendo justificar o título de campeã mundial. Contra os Cafeteros, a Fúria voltou a jogar um futebol de baixo escalão, mas conseguiu a vitória nos minutos finais com gol de David Silva, após cruzamento de Jesus Navas. Casillas ainda chegou a salvar a Espanha de um tropeço em Madrid no final da partida, após defender um belo chute de Rodallega, que deu um trabalho enorme a Piqué.

Villa perdeu novamente a chance de superar Raúl e tornar-se o recordista de gols com a camisa roja (El Guaje e Raúl têm 44 gols). O Guaje, em noite fraca tecnicamente, desperdiçou duas boas chances de fazer história, mas viu a trave e o goleiro Ospina evitarem seu tento. Se o atacante asturiano não conseguiu o que queria, Casillas cumpriu sua parte. O goleiro merengue foi titular durante os 90 minutos e superou Andoni Zubizarreta como o jogador que mais vezes vestiu a camisa roja - contando também as partidas disputadas nas divisões de base. Casillas não só superou mais um recorde, como foi um dos grandes nomes da partida. El Capitán evitou, pelo menos, três gols colombianos na segunda etapa, em constantes ataques de Guarín, Rodallega e o herculino Abel Aguillar.

Vicente Del Bosque foi a campo com a base que conquistou a Copa do Mundo. À exceção de Puyol, que está lesionado e foi substituído por Raúl Albiol, todos os outros 10 jogadores disputaram a final contra a Holanda. Porém, dessa vez, Del Bosque montou a Fúria num 4-3-3, com Iniesta e Pedro abertos pelas pontas. Pedro chegou até ser o destaque na primeira etapa, mas Iniesta fez uma partida abaixo da média (mas ainda assim, o único lance de perigo da Espanha no primeiro tempo foi em jogada do oito blaugrana). A Espanha priorizou muito a posse de bola (chegou a ter 76%), mas não conseguiu capitalizar essa alta posse em oportunidades de gols. Com um meio-campo técnico e criativo, mas não driblador, formado por Busquets, Xabi Alonso e Xavi, a Espanha pouco levou perigo ao gol de Ospina.

No segundo tempo, uma série de mexidas de Del Bosque começou a mudar a postura dos jogadores rojos. A começar pela trocas entre Cazorla por Xavi e Jesus Navas por Iniesta, que saiu ovacionado pelos aficionados presentes no Bernabéu. A entrada do jogador amarillo deu mais mobilidade ao jogo espanhol, que parecia preso com os maestros Xavi e Xabi Alonso juntos. Pedro passou a jogar mais na esquerda e Jesus Navas na direita, caindo nas costas de Pablo Armero, que subia ao ataque sempre com perigo na esquerda.

A mudança na postura foi nítido, mas faltava ainda ser mais incisivo. A Colômbia, por sua vez, crescia na partida e Piqué, Albiol e, principalmente, Casillas passaram a trabalhar em dobro. A mudança mais providencial foi quando Del Bosque sacou Xabi Alonso para colocar David Silva. Com gás novo em campo, a Espanha passou a jogar mais em contra-ataque e arriscar de fora da área. Mais participativo do que o jogador do Real Madrid, David Silva tornou-se o herói da partida. Após receber de Cazorla, Jesus Navas, em sua típica jogada individual, "sambou" na frente de Armero, levou para linha de fundo e cruzou para o desvio do jogador citizen, que venceu Ospina e aliviou a torcida roja, que já começava a ficar impaciente.

No final do jogo, Vicente Del Bosque foi seco ao ser perguntado por uma repórter da TVE sobre a postura de seus comandados na partida: "Não fizemos uma boa partida, mas o que importa é jogar bem nas eliminatórias", argumentou. A bem da verdade, o treinador madrileño tem parcela de razão, mas vale lembrar que os adversários enfrentados nas Eliminatóriras para a Euro de 2012 foram, com exceção da Escócia, de extremo baixo nível (Liechtenstein, Escócia e Lituania), diferentemente dos enfrentados nos amistosos pós-Copa (México, Argentina e Portugal), onde a a seleção só foi sair vitoriosa de campo hoje.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Futebol, cadê?

A noite foi dele: sumido no confronto da Copa, Cristiano Ronaldo, em apenas 45 minutos em campo, espalhou pane na defesa espanhola (getty images)


Após o inédito título mundial ser festejado com muita empolgação durante quase um mês, já está chegando a hora de a Espanha abrir os olhos. No pós-Copa, foram cinco jogos, com duas derrotas (acachapantes), um empate e duas vitórias. Ainda que as vitórias tenham sido conquistadas em jogos oficiais (contra Liechtenstein e Escócia), as duas derrotas, em amistosos contra Argentina e Portugal, foram as mais comentadas. Não só por causa das goleadas sofridas por 4 a 1 e 4 a 0, mas, sim, pela postura com a qual se comportou a equipe de Vicente Del Bosque. A derrota contra a albiceleste pode se minimizar pelo fato de a Espanha ter jogado com um time misto, e com desfalques significativos à equipe (mas vale lembrar que Villa, Iniesta e Xavi estavam em campo). Porém, hoje contra Portugal não tem desculpas: a atual campeã mundial e europeia foi encurraladas pela rival ibérica e saiu do estádio da Luz humilhada, em uma de suas piores partida nos últimos anos . Desde 1942 que a seleção roja não sofre uma goleada desta maneira.

Se o jogo era de demonstração de união entre Espanha e Portugal em prol da candidatura para receber a Copa de 2018, os cartolas dos dois países esqueceram de avisar os jogadores das duas equipes. Já pilhados pela proximidade do superclássico entre Barcelona e Real Madrid, daqui a dez dias, espanhóis (predominantemente barcelonistas) e portugueses (principalmente Cristiano Ronaldo) jogavam o amistoso como se fosse decisão. O amistoso foi muito pegado, principalmente por conta da rivalidade entre os seis barcelonistas da Espanha e o merengue/português Cristiano Ronaldo, há duas semanas do superclássico no Camp Nou.

O '7' do Real Madrid, aliás, teria feito um gol histórico no primeiro tempo se Nani não tivesse tentado ser coadjuvante da obra-prima, cabeceado a bola em cima da linha e permitido que o gol fosse anulado por impedimento do camisa 17. Pouco depois, Cristiano Ronaldo voltou a brilhar: deu um elástico em Busquets e fez a jogada que deu início ao primeiro gol do jogo, de Carlos Martins. Na segunda etapa, Portugal ainda ampliou com dois gols de Hélder Postiga, o primeiro deles um golaço, de letra. No fim, João Moutinho fez o quarto. Com um ataque leve, os donos da casa, agora comandados por Paulo Bento, em nada lembraram a equipe da Copa, menos criativa, comandada por Carlos Queiroz. O mesmo pode-se dizer da campeã do mundo Espanha, que se acostumou a ter mais posse de bola e impor o seu ritmo de jogo, mas que nesta quarta-feira praticamente só viu os donos da casa jogarem.

Antes do jogo, em raro momento de amistosidade no estádio da Luz, Cristiano Ronaldo e Casillas, capitães dos dois times, se uniram pela campanha para que os dois países recebam a Copa do Mundo de 2018. “Juntos, vamos todos apoiar a candidatura ibérica”, falaram ao mesmo tempo, cada um em seu idioma. A decisão da Fifa será anunciada no próximo dia 2 de dezembro. Concorrem ainda a Rússia, a Inglaterra e a candidatura conjunta de Holanda e Bélgica.

O jogo
Logo com 6min de jogo, Busquets fez falta dura em Cristiano Ronaldo e foi punido com o amarelo. Na jogada seguinte, o português entrou forte no barcelonista na lateral do campo e também recebeu a advertência. A partida não apenas era pegada como também bem jogada. Sem poupar titulares, como fizeram algumas das principais seleções europeias nesta quarta-feira de amistosos internacionais, Espanha e Portugal fizeram uma partida movimentada desde o seu início. No primeiro ataque, Nani recebeu bom passe de Cristiano Ronaldo, bateu cruzado, e Casillas defendeu. A Espanha compensou com chute de Iniesta que passou rente à trave esquerda de Eduardo. Mas, com Nani e Cristiano Ronaldo em noite inspirada, Portugal era melhor e quase abriu o placar aos 20min. O jogador do Manchester United fez boa jogada e lançou Postiga, que saiu na cara de Casillas e chutou em cima do goleiro.

A um gol de se tornar o maior artilheiro da história da seleção espanhola, David Villa aparecia pouco e foi David Silva que teve a melhor chance de colocar a Espanha à frente. Capdevilla cruzou e o baixinho cabeceou sozinho no meio da área, mas pegou mal na bola e mandou para fora. Depois, só deu Portugal, que só não abriu o placar com um gol memorável de Cristiano Ronaldo por conta da falta de inteligência de Nani. O craque português deixou Piqué (que nos últimos confrontos - inclusive na Copa do Mundo - levou a melhor sobre o gajo) sentado pela esquerda da área e deu uma linda cavadinha para encobrir Casillas. A bola ia entrando quando o camisa 17 cabeceou para as redes. Alegando impedimento, Antony Gautier anulou erradamente o gol de Portugal – Nani tocou na bola já dentro do gol e Piqué, no chão, lhe dava condição de jogo.

No lance seguinte, Nani e Piqué se redimiram. O português fez ótima jogada pela direita e cruzou na medida para Carlos Martins, que pegou em cheio na bola. O blaugrana, em cima da linha do gol, salvou de cabeça. Aos 44min, não deu mais pra segurar o leve ataque de Portugal. Cristiano Ronaldo deu lindo elástico em Busquets e bateu forte. Casillas defendeu e, no rebote, Carlos Martins abriu o placar. Para o segundo tempo, as duas seleções voltaram muito modificadas. Depois 45min de show, Cristiano Ronaldo deu lugar a Danny. Ricardo Carvalho e o goleiro Eduardo também saíram. Pela Espanha, Xavi, Villa e Piqué saíram e foram substituídos à altura por Fàbregas, Fernando Torres e Marchena

Quem se manteve melhor, porém, foi Portugal, que ampliou aos 3min. Danny lançou João Moutinho pela esquerda. Este cruzou rasteiro para Hélder Postiga, que mostrou categoria, passou pela bola, e marcou de letra. Golaço. Nani também quis fazer um belo gol, até para compensar o que tirou de Cristiano Ronaldo. Saiu na cara de Casillas e tentou a cavadinha, dando a bola na mão do goleiro do Real Madrid. Sempre superior, Portugal fez o terceiro aos 22min, com a mesma sequência do segundo gol. De Danny para João Moutinho e dele para Postiga, que saiu na cara de Casillas e teve sangue frio para tirar do goleiro e ampliar.

Prevendo a impossibilidade de empatar, os espanhóis recuaram, testaram reservas, ouviram muito olé das arquibancadas do estádio da Luz e acabaram levando o quarto gol nos acréscimos, marcado desta vez por João Moutinho, que atravessou todo o campo de ataque com a bola e bateu na saída de Casillas para decretar a goleada.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Resumo: 11ª rodada (2ª parte)

Gol de Higuaín no final e defesas de Casillas evitaram queda do Real Madrid em Gijón (defensacentral)


CONTEÚDO REMOVIDO PELO BLOGGER

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Massacre

O Real Madrid aniquilou o Milan e confirmou o favoritismo para conquistar o título da Champions (getty images)


Os 80 mil espectadores presentes no Santiago Bernabéu viram jogo de um time só. Os donos da casa, postados em um 4-2-3-1 bem compacto e eficiente, foram os donos da partida o tempo inteiro e praticamente não deixaram o Milan jogar, em um dia muito pouco inspirado de Ronaldinho, Pato e Ibrahimovic. Cristiano Ronaldo e Özil, por outro lado, fizeram grande partida. e decidiram. Com o triunfo merengue, José Mourinho alcança sua quarta vitória sobre o Milan em seis jogos. Todas as outras foram quando ainda comandava a Inter.

Os merengues começaram imprimindo um ritmo alucinante que o Milan em momento algum conseguiu acompanhar. Com menos de um minuto de bola rolando, um torcedor invadiu o campo e logo foi retirado pelos seguranças. O Real Madrid começou a partida explorando mais o lado esquerdo com Cristiano Ronaldo e pressionou a saída de bola do Milan, que encontrava dificuldades para organizar suas jogadas ofensivas. Com apenas 15 minutos de bola rolando, o jogo já estava decidido a favor do Real Madrid: Cristiano Ronaldo marcou de falta, em falha da barreira milanista, e Özil ampliou, com chute que desviou em Bonera antes de entrar. A grande velocidade dos dois meio-campistas assustou a zaga rossonera, desfalcada de Thiago Silva. Bonera, atrapalhado, não fez boa partida e evidencia o velho problema do time, que não tem um bom zagueiro substituto.

Mas não foi só a superioridade técnica que ficou clara na partida. Fisicamente, o Real Madrid se mostrou muito mais preparado também. Bem compactado no meio e com Khedira e Xabi Alonso muito bem no combate, poucas vezes o time de Mourinho perdeu uma disputa com o envelhecido meio milanista, composto por Gattuso, Pirlo e Seedorf. Os rossoneri pecaram também na hora da recomposição da defesa, uma vez que não acompanhavam a velocidade merengue. A pouca entrega dos homens de frente na ajuda à defesa ainda é grande problema para Allegri.

Outro grande problema do técnico é essa dependência dos bons momentos de Ronaldinho e Ibrahimovic. Quando um dos dois não vai bem, o time cai bem de qualidade. Na partida, a situação foi ainda pior. Nenhum deles conseguiu se impor sobre a boa marcação madrilenha e Pato não recebeu bons passes. Pepe e Ricardo Carvalho anularam os dois atacantes sem dificuldades, enquanto Ronaldinho, sem criatividade, ficou preso na intermediária. O gaúcho, aliás, estava sendo observado por Mano Menezes, nas tribunas. O técnico da seleção brasileira não viu uma boa apresentação do atacante, mas deve ter saído satisfeito com o bom rendimento do lateral Marcelo, pelo lado merengue. Sob o comando de Mourinho, o ex-fluminense melhorou muito defensivamente e continua chegando bem ao ataque. Após o jogo, Mou o derretou de elogios

Massimiliano Allegri, treinador do Milan, tirou Ronaldinho e colocou Robinho em campo. O atacante, que forçou sua saída do Real Madrid, foi “recebido” com muitas vaias - repetidas todas as vezes nas quais o brasileiro tocava na bola. O dia foi especial para Casillas. O goleiro merengue entrou em campo pela 108º vez na história da Champions League, tornando-se o goleiro que mais atuou na competição europeia. Ficou nítido para o time do técnico de Setubal que o mapa da mina é atacar pelo setor esquerdo do time de Milão. Com nove pontos, o Real Madrid vai mais tranquilo para o jogo do dia 3 de novembro, no San Siro.

Algumas partes retiradas do texto de Rodrigo Antonelli, do Quattrotratti. Amanhã, textos sobre a vitória do Barcelona e o empate do Valencia.

domingo, 26 de setembro de 2010

Nada de regalias, por favor

Com carta branca para agir no Real Madrid, Mourinho agrada a Florentino Pérez, cortando as regalias dos principais jogadores (getty images)

É por motivos como esse que José Mourinho foi contratado por Florentino Pérez para ser treinador do Real Madrid. Para cortar regalias, caprichos e excessos com os quais os jogadores do Real Madrid se acostumaram diante de anos de comandos técnicos e diretorias permissivos às suas vontades. Liderados por Casillas, um dos que estão há mais tempo no clube, os jogadores foram ao técnico de Setubal e pediram que a programação de treinos fosse atrasada em uma hora todos os dias para que alguns pudessem levar os filhos no colégio.

Vejam bem, não estou falando de uma mudança de um dia específico, mas, sim, de toda a programação montada pelo treinador e sua comissão técnica. Mas a coisa não é tão simples e direta como parece. Por trás da máscara nobre da justificativa, está uma queda de braço. Os jogadores sentem-se visivelmente incomodados com os métodos mais rígidos de Mourinho e tentam uma ofensiva para mostrar que o grupo tem vez no CT de Valdebebas.

O português, no entanto, deu ombros e negou de imediato a solicitação. Antes, já havia avisado que os treinos seriam mais pesados e que em muitos dias haveria trabalho em dois períodos. Ah, e um detalhe básico. Segundo levantamentos do AS, apenas dois dos atletas do elenco principal têm filhos em idades escolar. Em outras épocas, até poderia ser pensar em uma intervenção da diretoria, ainda mais sob a asa do Florentino Pérez, que deu ainda mais margem a essas regalia das "estrelas". Mas, dessa vez, parece que o caminho será o inverso. Pressionado pela falta de títulos e pelas constantes eliminações nas oitavas da Champions, Florentino sabe que que filosofia agora precisa mudar. Tanto que contratou o português, conhecido por sua linha dura.

Poucos teriam a personalidade e, principalmente, a carta branca para agir desta forma no Real Madrid. Impossível, pensar, por exemplo, em Manuel Pellegrini, ex-técnico merengue, com uma autonomia desse tipo. Mas Mourinho foi chamado para isso, para fechar o cerco e diminuir a farra. Até agora, está sendo bem sucedido, mas todos sabem que só os resultados positivos podem dar o respaldo para que continue a implementar o seu tipo de filosofia. Se começar a perder, certamente será mais questionado. Mas, convenhamos: mesmo não tendo um iníco dos sonhos no clube de Chamartín, ao analisar o histórico recente do português, perder não é exatamente algo que ele tem feito com frequência.

sábado, 14 de agosto de 2010

San Iker

Após uma exibição no amistoso contra o Bayern, Casillas virou o homem de fé de Mourinho (reuters)

Que Casillas é um goleiraço, isso ninguém tem mais dúvidas. O novo capitão do Real Madrid já é uma lenda viva. Só ele foi capaz de fazer uma partida de alto nível com apenas uma semana de treino. Ontem, num amistoso internacional contra o Bayern de Munich, na Alemanha, Casillas parou os alemães com dezenas de defesas e foi o principal responsável pela vitória - nos pênaltis - dos blancos. Pegou três pênaltis (um no tempo normal e outro nas cobranças de pênaltis), deu um voo sensacional em um chute de Sosa, aos 30 minutos do primeiro tempo, foi um muro perante a Klose. Casillas é hoje, sem dúvidas, o melhor goleiro do mundo. E já faz os olhos de Mourinho brilhar.

Fora os elogios a Casillas, o Real Madrid passou longe de ter feito sua melhor partida. Pecando demais nas finalizações e mostrando certa deficiência quando atacado, é fato você pensar que o resultado seria outro (quem sabe até uma goleada) se Casillas não estivesse em campo. Com exceção de Casillas, outro que esteve em uma boa noite foi Cristiano Ronaldo. O gajo puxou a responsabilidade e teve duas grandes oportunidades de marcar, mas foi parado pelo o também bom goleiro Kraft.

Depois do tempo normal, Cristiano Ronaldo, Van der Vaart, Xabi Alonso e Benzema converteram as quatro cobranças de pênalti do Real com sucesso. Ottl e Badstuber também marcaram para os rivais, mas Altintop e Braadhief tiveram seus chutes defendidos por Casillas.

Mercado

Para tentar tirar o Barcelona do topo, o Real Madrid segue contratando. Nesta semana, os merengues confirmaram a contratação do zagueiro Ricardo Carvalho, que estava no Chelsea. Após tantas especulações envolvendo Mesut Özil, Mourinho resolveu dar um tempo no turco-alemão e pediu como prioridade a contratação de um zagueiro. Pedido atendido. Mourinho já deixou bem claro que Ricardo Carvalho é um jogador com que gosta de trabalhar - lembrando que Mourinho já havia treinado o zagueiro em tempos de Chelsea.

Até o momento, as contratações são bem pensadas e muito boas. Graças a elas, a notícia de que Kaká ficará quatro meses parados não surtiu como um ato de tensão no mundo madridista. Di María, Pedro León e Canales fizeram uma boa temporada e podem substituir à altura o brasileiro. Khedira e Ricardo Carvalho fizeram sua estreia no amistoso. O alemão foi bem, com boa marcação no meio-campo e grande auxílio com o ataque. Já o português (a principal contratação, até o momento) deveu. Tido como o principal marcador de Klose, o gajo aparecia sempre atrasado na marcação do atacante alemão, e se mostrou fora de forma.

A era Mourinho está apenas começando, e, até agora, os torcedores estão, sim, ansiosos pelo o início das competições oficiais.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A primeira estrela

Iniesta e o gol que o colocou na história do futebol espanha. Após bater na trave várias vezes, a Espanha é campeã do mundo (AP)

Iniesta pega a bola, falta. Xavi é acionado, falta. Pedro recebe um passe, falta. Xabi Alonso domina... bem, você já sabe. A Holanda abusou das faltas contra a Espanha. Foram 28, algumas delas bastante violentas. Mas isso não foi um retrato de uma equipe descontrolada ou desesperada. Era uma estratégia de jogo. Pode não ser a mais louvável, mas é algo permitido pela regra. E, a bem da verdade, ela até foi bem sucedida do ponto de vista defensivo. O problema é que serviu para tirar os próprios holandeses da partida.

Bert van Marwijk é um técnico inteligente, que conhece futebol, está determinado a levar seu time à vitória e sabe como fazer o elenco se unir em torno de uma ideia. Foi assim que fez a Holanda jogar focada no Mundial – e perder o foco é um antigo vício das seleções holandesas – e priorizar a vitória à beleza do jogo. Na final, ele sabia que as chances laranjas aumentariam se o time quebrasse a posse de bola da Espanha.

Para viabilizar sua estratégia, os holandeses fizeram duas coisas: congestionaram o setor de armação da Espanha, tirando espaço para movimentação, e partiram para uma marcação agressiva, atacando como fosse possível quem estivesse com a bola. Quando o desarme não se concretizava, uma “falta tática” era bem-vinda. E assim a Holanda não teve pudor em derrubar Iniesta, Xavi, Pedro, Xabi Alonso...

Funcionou parcialmente. A Espanha não conseguiu impor tanto sua posse de bola, sobretudo no primeiro tempo e em parte do segundo. Alem disso, os ibéricos ficaram irritados com as faltas sofridas e eles próprios fizeram das suas. Os lances ríspidos tornaram o jogo interessante pela tensão. A qualquer momento, um time poderia perder a cabeça e atirar pela janela o título.

Mas os espanhóis estavam mais conscientes do que era preciso fazer para vencer a partida. Os holandeses, não. No desejo de anular o oponente a qualquer custo, a Holanda não tinha opções de ataque. A única estratégia era lançar Robben e torcer para o meia-atacante conseguir um gol em jogada individual. Duas vezes o jogador ficou na cara de Casillas, mas não dá para dizer que os laranjas estavam realmente construindo algo.

O pior é que, atrás, o sistema defensivo foi trincando aos poucos. De tantas faltas cometidas, muitas delas desleais, a Holanda ficou carregada de cartões amarelos (sete, seriam mais se Howard Webb estivesse mais rigoroso). Sob o risco de perder jogadores, Van Marwijk tirou nomes importantes como De Jong e Van Bronckhorst e abriu espaço, pois teve de improvisar Van der Vaart como volante e usar o inexperiente Braafheid.

O que era um jogo tenso e travado se transformou em domínio espanhol, ainda mais depois da expulsão de Heitinga. Claro, continuava faltando mais poder de decisão dos ibéricos. Villa não conseguia receber em condições de finalizar, Iniesta e Xavi hesitavam antes de um arremate, Navas só caía pela ponta e Fernando Torres fazia falta na frente. Mas a Espanha já era hegemônica e o gol poderia sair a qualquer momento.

E saiu. Justamente onde a Holanda se fragilizou. Aos 12 minutos do segundo tempo da prorrogação, Jesús Navas avançou pela direita, onde Braafheid deixava espaço, tocou para o meio, onde Iniesta e Fábregas articulavam sem o combate de um volante (Van Bommel virou zagueiro para tapar o buraco deixado por Heitinga e Van der Vaart não tem intimidade com a função). Da troca de passes, Iniesta recebeu na cara do gol, e chutou no canto direito de Stekelenburg.

A Espanha não teve sua noite mais inspirada, até porque expôs nervosismo e tensão. Ainda que o placar e o sofrimento da decisão não retrate a diferença técnica entre as equipes, o título foi merecido. E quem mais demonstrou isso foi a Holanda com sua estratégia defensiva. Pois há elogio maior do que o medo do adversário?

*Contribuição de Victor Mendes.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A um passo da história!

Dessa vez, foi Puyol quem decidiu. Com um meio-campo perfeito, a Espanha está a um passo de fazer história (getty images)


Predadores são animais espertos. A prática da caça diária, a necessidade de vencer combates diários para se alimentar, formaram um arsenal de técnicas para abater o adversário. O leigo pode achar que basta ter força, mas até um espinossauro ou um velociraptor sabia como explorar as fraquezas de sua presa. É parte do metiê de um predador.

Era essa a filosofia alemã desde que teve início o mata-mata da Copa. É uma equipe bastante técnica, com meio-campo poderoso e contra-ataque mortal. Mas que cresceu muito ao saber como atacar os pontos frágeis do oponente. Uma Inglaterra confusa e com linha defensiva desconexa viu tabelas rápidas. Uma Argentina com meio-campo ralo encarou uma marcação sólida e com saída de bola. Só que a Espanha, mesmo com todos os problemas que enfrentou durante a campanha, é uma equipe consistente e organizada. Aí, a semifinal da Copa virou briga de predadores do mesmo tamanho. Vencer era questão de se adaptar às circunstâncias do momento.

Para resistir à Alemanha, os espanhóis precisariam tapar seus buracos. Ou, pelo menos, o mais visível. Depois de muito insistir com um Fernando Torres fora de sua melhor forma, Vicente del Bosque fez o óbvio e colocou mais um jogador no meio-campo. Com um trio de armadores, teria mais facilidade para articular jogadas e intensificar seu estilo de troca de passes curtos, rápidos e pacientes. David Villa é um grande artilheiro, mas não é o centroavante dos sonhos para se ter como referência, pois se movimenta muito. Era um problema menor.

O meio-campo com cinco homens deu à Espanha o domínio do setor, até porque Sergi Busquets e Xabi Alonso estavam sempre atentos para qualquer tentativa de saída de jogo da Alemanha. Era uma marcação agressiva, que tomava a iniciativa do desarme ao invés de esperar o movimento do adversário. Os alemães não conseguiam usar sua velocidade, até porque a entrada de Trochowski tirou um pouco do poder criativo do time, mais concentrado em Özil. Schweinsteiger era um leão nas funções defensivas, mas a forte presença ibérica a seu redor inibiu os avanços.

Mesmo com um cenário positivo para a campeã europeia, o primeiro tempo foi equilibrado. As duas equipes jogaram no máximo de sua concentração, ciente de que enfrentavam um oponente que não dava margem para erros. As defesas prevaleciam e poucas jogadas surgiram.

Depois do intervalo, a Espanha pareceu entender o momento histórico pelo qual passava. Empurrar o jogo para a prorrogação, e eventualmente aceitar uma disputa de pênaltis, era um risco grande para quem não podia admitir uma eliminação. A Furia nunca teve um time tão competitivo, tão técnico, com comprovada capacidade de vencer e que já tivesse ido tão longe em um Mundial. Talvez a seleção espanhola demore a ter outra oportunidade de ser campeã do mundo. Então, eram 45 minutos para mostrar que tinha virado grande, um grande predador capaz de abater outro.

A organização tática não se alterou, mas os ibéricos avolumaram seu jogo. Passaram a empurrar a Alemanha, usaram Pedro (grande sacada de Del Bosque) para explorar Boateng, o ponto mais fraco da defesa germânica, e usaram arremates de longa distância para ameaçar o gol – já que entrar na área estava difícil devido às monstruosas atuações de Friedrich e Mertesacker.

Não havia um bombardeio, mas já estava evidente que, se a partida seguisse naquele ritmo, o gol espanhol surgiria em algum momento. Acabou ocorrendo em uma bola parada, com um salto impressionantes de Puyol para superar sua falta de estatura e cabecear ao gol de Neuer.

Os alemães adiantaram seu time e buscaram o empate, claro. Ante um time muito compacto como o espanhol, a Alemanha abusou do jogo aéreo. E Puyol, Piqué e Sergio Ramos venceram todas pelo alto. Casillas teve pouco trabalho e a Espanha até teve boas oportunidades para ampliar sua vantagem no contra-ataque.

O jogo ficou mesmo no 1 a 0, mas o placar mais justo até teria margem maior. Sinal que a Espanha está aprendendo a ser grande. Não deu possibilidade de o adversário praticar seu futebol e impôs seu estilo até que a vitória surgisse com alguma naturalidade. A Alemanha não deixa de ser uma grande predadora, mas sucumbiu diante de outro predador.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Pra frente!

Pela primeira vez em sua história nas semifinais, a Espanha quer fazer mais história (AP)


Iniesta é craque. E merece ser levado em conta na eleição da seleção ideal da Copa. Ele pegou a bola no meio-campo, tabelou com um companheiro, driblou dois adversários e deixou Pedro na cara do gol. O arremate foi na trave, mas David Villa aproveitou o rebote para fazer o único gol de Espanha x Paraguai. Um jogo que coloca a Furia entre as quatro melhores do mundo pela primeira vez desde 1950. Um jogo que, independemente do aque possa acontecer, já coloca a Fúria na história.

Foi uma das poucas jogadas em que a Espanha conseguiu imprimir seu estilo, sua principal arma. Sorte dos espanhóis que foi suficiente para garantir a vitória. Exatamente o que havia ocorrido contra Portugal. Os paraguaios reforçaram o combate no meio-campo – com momentos em que até adiantaram a linha de marcação – e deixaram o setor criativo asfixiado. Xavi e Iniesta ficaram distantes, Villa e Fernando Torres caíam pelos lados e não havia articulação das jogadas.

Esse problema se arrasta desde a partida contra Honduras, na segunda rodada, quando Vicente del Bosque passou a escalar a equipe no 4-4-2. O sistema de jogo não tem funcionado bem, pois deixa o time mais marcável, sem poder de troca de passes envolventes na entrada da área. Os espanhois continuam dominando a posse de bola, mas agora com mais toques na intermediária, onde o ataque é estéril.

Já se tornou um problema crônico. Mas há bons sinais. Del Bosque parece cada vez menos compelido a manter Torres como titular. Sem o melhor de sua forma física, o atacante perde capacidade de movimentação e de explosão muscular. Torna-se um peso no ataque, que poderia ser substituído por alguém que desse mais força na frente ou consistência no meio-campo.

Contra o Paraguai, o técnico colocou Fàbregas. Ele entrou em cinco minutos malucos, com um pênalti desperdiçado de cada lado, mas, depois disso, ajudou a dar corpo a uma Espanha mais dominante. Foi desse meio-campo com figuras mais próximas uma da outra que saiu a tabela do gol. E foi de Pedro, que entrou no final para abrir mais o jogo pela direita, que quase saiu o segundo. Ou seja, Del Bosque já admite mudar a equipe.

Mas não é apenas essa a boa notícia para os espanhois. Melhor ainda foi chegar às semifinais e pegar uma seleção contra a Alemanha. Contra suíços, hondurenhos, chilenos, portugueses e paraguaios, a Furia entrou em campo como favorita. Essa condição obrigou o time a fazer mais do que precisava, a vencer e convencer, a zerar os erros. A Espanha não soube conviver com isso. Classificou-se porque é tecnicamente muito boa, mas foi muito para o time.

Como a Alemanha vem atropelando ex-favoritos como Inglaterra e Argentina, o favoritismo é germânico. Além disso, o fato de já ter chegado às semifinais deixa a equipe de Del Bosque consciente de que já fez uma de suas obrigações: estar entre as quatro melhores depois de 60 anos. Mesmo se perder, a Espanha pode voltar para casa dizendo que já superou as campanhas anteriores.

Esses dois fatores dão leveza psicológica à campeã europeia. Se ela souber usar isso e mexer nos problemas táticos que persistem desde o início da Copa, é perfeitamente cabível imaginar uma inédita final para a Furia. Por melhor e mais eficiente que esteja jogando a Alemanha, ela não é barbada na decisão do Mundial.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Zebraça

Tropeça a Espanha na sua primeira partida. É para abrir os olhos (reuters)

Justificando toda a expectativa criada por conta da alta qualidade técnica da equipe, a seleção espanhola começou o jogo tocando bem a bola, mas encontrava dificuldades para furar o forte bloqueio defensivo da Suíça. A primeira boa arrancada veio aos nove minutos, pela esquerda, quando David Villa fez boa jogada individual, se livrou da marcação, invadiu a área, mas adiantou demais e o goleiro suíço Benaglio saiu para fazer a defesa.

O primeiro chute a gol dos espanhóis saiu apenas aos 17 minutos, com Sergio Ramos, que arriscou de fora da área e acertou uma “bomba” sem direção. Quatro minutos depois, aos 21, nova chance da “Fúria”: Iniesta foi acionado pelo meio, driblou o marcador e chutou forte, mas a bola desviou no suíço Fernandes e sobrou fácil para o goleiro Benaglio.

A melhor oportunidade de gol dos atuais campeões da Eurocopa veio aos 23 minutos da etapa inicial. Iniesta fez um lançamento preciso, com muita categoria, para Piqué, que curtia uma de atacante dentro da área da Suíça. O zagueiro limpou a marcação e tocou rasteiro, muito fraco, para a defesa de Benaglio.

A primeira chegada dos suíços com mais perigo veio a partir da bola parada. Aos 25 minutos, em cobrança de falta pela direita, Zigler chutou forte e rasteiro, mas o goleiro Iker Casillas fez boa defesa em dois tempos.

Mas a superioridade técnica espanhola era grande, e o time de Vicente del Bosque quase fez o primeiro gol aos 30 minutos. David Silva fez ótimo lançamento para Iniesta, que driblou Grichting e foi derrubado na entrada da área. Na cobrança da falta, em jogada ensaiada, Capdevila pulou e David Silva chutou forte, em cima da barreira.

Aos 35 minutos, a Suíça teve uma baixa importante: o zagueiro Senderos, que é filho de espanhol, teve de deixar o gramado após se machucar em uma dividida. Em seu lugar, entrou Von Bergen, e o titular suíço deixou o campo com as mãos na cabeça, preocupado com seu futuro no Mundial. Até o fim da primeira etapa, a Espanha não conseguiu furar a retranca adversária, e o placar se manteve sem gols.

Na etapa complementar, não demorou muito para que toda a superioridade da Espanha nos primeiros 45 minutos caísse por terra. Na primeira chegada com perigo da Suíça no segundo tempo, aos dez minutos, Derdiyok aproveitou belo lançamento, invadiu a área com a bola dominada e dividiu com o goleiro Casillas. Na sobra, a bola sobrou para Fernandes, que chegou mais rápido que Puyol e tocou para as redes: 1 a 0 Suíça. O zagueiro espanhol se machucou na dividida e ficou com o rosto sangrando.

A Espanha sentiu o gol suíço, e o técnico Vicente del Bosque partiu para o desespero com duas substituições ousadas. Aos 16 minutos, ele colocou o atacante Fernando Torres, que ainda se recupera de lesão e começou no banco de reservas, no lugar de Busquets, além de Jesús Navas, para a saída de David Silva.

A “Fúria” passou a adotar uma postura mais ofensiva em campo a partir daí. Aos 18 minutos, a bola sobrou na entrada da área para Iniesta, que chutou colocado, com muita categoria. A bola passou à esquerda do gol de Benaglio, assustando os torcedores suíços.

Acionado pela primeira vez na partida aos 22 minutos da etapa final, Fernando Torres desperdiçou mais uma ótima oportunidade para a Espanha. Ele recebeu dentro da área, girou para cima do zagueiro adversário e tocou por cima do gol de Benaglio. Dois minutos depois, aos 24, o mesmo Fernando Torres foi lançado em velocidade pela esquerda, mas chutou mal, para a fácil defesa do arquiro rival.

A pressão espanhola continuou na segunda metade da etapa complementar. Aos 25 minutos, o lance de maior perigo da equipe no jogo: Xavi cobra escanteio para Xabi Alonso, na entrada da área, e o jogador acertou um chute fortíssimo, mas a bola caprichosamente explodiu no travessão. Aos 29, a resposta da Suíço: Derdiyok fez uma linda jogada pela direita e se livrou, de uma só vez, de Puyol, Capdevila e Pique, antes de tocar com categoria na saída de Casillas. A Jabulani, de novo, bateu na trave. E, até o final, a Espanha não conseguiu evitar a "tragédia".

domingo, 6 de junho de 2010

Jogadores: Iker Casillas

Casillas fez uma de suas piores temporadas na carreira, mas mesmo assim continua sendo homem de confiança de Vicente Del Bosque (getty images)

O sucesso de canteranos na equipe profissional do Real Madrid é algo incomum. Há quem rode um bom tempo para, enfim, receber a primeira oportunidade concreta no time de cima. Iker Casillas, por esse viés, já pode ser considerado uma exceção no clube que se diz o maior do planeta. Aos 17 anos, já era titular absoluto do Real e dono de confiança e popularidade no Santiago Bernabeu.

Pela Seleção Espanhola, deixou para trás alguns concorrentes de peso e é, há anos, titular absoluto e capitão da Fúria, restabelecendo a confiança que transmitia o legendário Zubizarreta. Mesmo em uma equipe que vem falhando nas grandes competições, Casillas mantém uma reputação internacional inabalável e se salva, com atuações sempre seguras, das críticas normalmente feitas aos espanhóis.

É impossível não atrelar a sorte às oportunidades que Casillas recebeu no início da carreira. No entanto, em praticamente todos os momentos, “San Iker” respondeu com competência, dedicação e regularidade. Hoje um dos melhores do mundo em sua posição, é um dos poucos jogadores espanhóis que não suscita dúvidas e tem, com 29 anos, ainda muitos anos de sucesso para cumprir.

As primeiras oportunidades para Casillas na Seleção Espanhola apareceram em 2000, quando ele já era, no Real Madrid, titular absoluto. Iker foi chamado para a Eurocopa daquele ano, disputada na Holanda e na Bélgica. Trazia consigo, porém, uma participação de sucesso pelas seleções de base, especialmente pelo desempenho no Mundial Sub-20 de 1999 na Nigéria.

Casillas, mesmo não sendo titular absoluto do gol espanhol – o posto era do bilbaíno Aranzubia -, recebia oportunidades de Iñaki Saez ao longo da competição. A mais importante delas, nas quartas-de-final, fez com que o madrileno saísse coroado, classificando a Espanha na disputa de penalidades contra a forte Gana. Foi então o primeiro título mundial júnior da Fúria.

A partir do início da década corrente, Casillas já era considerado o próximo goleiro da Seleção. Pela frente, porém, tinha Santiago Cañizares, bandeira do Valencia e em grande forma. San Iker ficou sob sua sombra e ia para sua primeira Copa do Mundo, em 2002, como reserva. Um golpe de sorte, porém, lhe deu a grande chance de jogar o Mundial como titular.

Um acidente doméstico de Cañizares, curiosamente com um vidro de perfume, fez com o que o goleiro do Valencia fosse cortado, pouco antes do início da Copa. Em grande forma com o Real Madrid, onde já era bicampeão europeu, assumiu o posto com tranqüilidade. Os espanhóis, claro, também podiam ficar despreocupados.

Casillas, como de esperado, teve grandes atuações no Mundial. Após uma primeira fase sem grandes sustos, foi o principal destaque espanhol no jogo duro contra a Irlanda nas oitavas. Defendeu três cobranças irlandesas na disputa de pênaltis, pondo a Fúria nas quartas. Nessa fase, porém, prevaleceu a péssima arbitragem do egípcio Gamal Ghandour – e, na decisão de penalidades, desta vez, Iker não pegou nenhuma cobrança dos sul-coreanos.

Iker Casillas ainda teve atuações seguras nas últimas duas competições internacionais – a Euro de 2004 e a Copa do Mundo de 2006. Titular absoluto do gol espanhol, assumiu a braçadeira de capitão com a ausência de Raúl González, e não pára de bater recordes. Com a Fúria, já tem 76 aparições – o quinto na lista. Se a Espanha for à final da Euro, já será o quarto colocado. Com apenas 29 anos, pouco para um goleiro, é questão de tempo que continue subindo no ranking.

Casillas era o quarto goleiro do Real Madrid e sequer esperava ser convocado, aos 16 anos, para integrar o banco de reservas do clube em um jogo de Liga dos Campeões. Illgner e Contreras, titular e reserva respectivamente, se lesionaram coincidentemente. A oportunidade de atuar, efetivamente, já veio no ano seguinte.

Casillas assumiu o gol madridista e não largou mais o osso. Desde então, 1999, não dá chances a qualquer adversário que apareça. Diego López, um dos principais goleiros do último Campeonato Espanhol, pelo Villarreal, ficou anos sob a sombra de San Iker, até perceber que precisaria sair no Bernabeu para atuar.

Casillas foi duas vezes campeão da Liga dos Campeões e, atuando em grande nível, foi um dos poucos pontos altos da Era Galáctica, que trouxe craques, e poucos títulos, ao Real. Nesse período, ficava evidente a importância que tem no ambiente merengue, sendo, além de um dos poucos espanhóis, um dos raros canteranos do clube. Ao lado de Raúl e Guti, forma ala influente dentro dos elencos do Real.

Com já oito anos como titular absoluto do gol madridista, Casillas foi surpreendido, há poucos meses, com a proposta de um contrato vitalício com o Real Madrid. Apenas ele e Raúl Gonzalez receberam a oferta honrosa e tentadora. Aos 29 anos, Iker Casillas já parece um veterano. Absurdamente precoce e prodigioso, ainda possui margem para brilhar ainda mais alguns anos no Bernabeu. É, indiscutivelmente, uma das maiores bandeiras do Real em todos os tempos.

Iker Casillas
Nome completo: Iker Casillas Fernández
Posição: Goleiro
Data de Nascimento: 20/05/1981
Local de Nascimento: Móstoles, Madrid, Espanha
Clube que defendeu: Real Madrid
Títulos: Campeonato Espanhol (00/01, 03/04, 06/07, 07/08), Liga dos Campeões da UEFA (99/00, 01/02), Mundial Interclubes (2002), Supercopa da Espanha (2001, 2007), Supercopa da UEFA (2002), Eurocopa (2008)

sábado, 29 de maio de 2010

Preguiçosa

No finalzinho, Llorente, após cruzamento de Xabi Alonso, definiu a suada vitória roja (getty images)


"A confiança é a primeira pedra do fracasso". Foi o aviso de Del Bosque na coletiva. A Arábia deixou outro. A seleção saudita recordou a fúria que em uma Copa do Mundo o perigol está ao seu redor. A seleção espanhola entrou sem tensão no último amistoso antes de embarcar à Africa e jogou com muita preguiça. Cresceu com a partidaça de Iniesta e Xabi Alonso, e acabou penando e vencendo nos acréscimos com um gol de Llorente, cuja jogada aérea é o primeiro item para um plano B. Há 2 meses, a Espanha vencera a França com uma grande moral e impondo o seu belo futebol, que hoje não se viu.

Com Fernando Torres lesionado, Del Bosque mandou à campo um 4-5-1, com David Villa isolado no ataque, e Busquets como titular. Mantendo sempre o seu padrão de jogo, a Espanha começou a partida trocando passes e envolvendo o time saudita. No entanto, apesar da troca de passes, errava muito na defesa e cedia muitos espaços. Aos dez minutos, a Arábia Saudita assustou pela primeira vez. Hazazi driblou o Casillas, que superou Raúl em números de jogos pela Espanha, e, com o gol vazio, chutou para fora, perdendo um gol incrível. Porém, os árabes não desperdiçaram sua segunda chance. Aos 17, após cobrança de escanteio, Casillas saiu mal do gol e não conseguiu cortar o cruzamento. Hawsawi cabeceou para o gol vazio, abrindo o placar.

Em desvantagem, a fúria começou a acordar e acelerar mais o rítmo. O empate veio aos 30, com uma jogada com um pingo de toque blaugrana. Após troca de passes no meio-campo com Busquets, Xavi lançou Iniesta na esquerda. O camisa 6 da Espanha levantou a cabeça e cruzou na medida para Villa, nova contratação culé , mandar para o fundo das redes. O gol fez o atacante asturiano ficar a apenas 7 tentos de Raúl (são 37 gols de Villa pela seleção). O segundo tempo começou com o mesmo panorama: a Espanha manteve a posse de bola e criava oportunidades com naturalidade. A virada veio na segunda etapa, com Xabi Alonso, aos 13. Depois do gol, Vicente del Bosque mudou bastante o time, e colocou Pedro, Jesus Navas, Capdevilla, Llorente, Marchena e Javi Martinez, sendo o primeiro e o último estreantes da noite em campo. A entrada em campo de Marchena, e a consequente vitória roja, fez com que o defensor ultrapassasse o recorde de Garrincha de ficar 50 jogos consecutivos sem perder com a sua seleção nacional.

Mas aos 29 minutos nova surpresa. Sahlawi balançou as redes novamente em Innsbruck, na Áustria, para os árabes e voltou a deixar tudo igual no placar. Quando parecia que a Espanha ira tropeçar, eis que apareceu Xabi Alonso. Aos 45 minutos, o meio-campista, autor do segundo gol, cobrou escanteio na medida para Llorente cabeçear e pôr números finais na suada vitória roja. A vitória "dramáticas" deixou Vicente Del Bosque muito insatisfeito. Para o técnico da fúria, a nota positiva da partida foi a partidaça de Andrés Iniesta.