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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Futuro desanimador

 Negredo e Jesús Navas são os principais jogadores do Sevilla, e sentem a falta de alguém que crie as jogadas (El Desmarque)

O Sevilla viveu seu auge entre 2005 e 2008. Nesse período, o clube cresceu em âmbito nacional e europeu, ao ganhar duas Copas da Uefa e uma Supercopa (em cima do Barcelona de Ronaldinho Gaúcho, diga-se de passagem). A fase era tão boa que os andaluzes chegaram a disputar a Liga Espanhola 2006/07 com Real Madrid e Barcelona até a última rodada, quando os merengues levaram o título a Chamartín. Nunca mais apareceu uma alternativa a dupla com tanta consistência para disputar a taça pau-a-pau (o Villarreal foi segundo colocado uma temporada depois, mas perdeu força na reta final).

Desde que o período áureo passou, o Sevilla até chegou a disputar oitavas-de-finais de Uefa Champions League e conquistou mais uma Copa do Rei em 2010, mas a queda na atuação é substancial à medida que os anos passam. Nos últimos dois anos, por exemplo, chegou a cair nas fase prévias da Liga dos Campeões e da Liga Europa. Quando pensamos de maneira mais ampla, é impossível estar satisfeito com a produção local de talentos e as investidas no mercado. Há ótimos jogadores em diversas posições, sobretudo do meio-campo para frente, mas o clube não tem formado e nem contratado um tipo específico: o organizador de jogadas. A maior prova de que o sucesso do time passa por um armador é o fato de Rakitic, contratado em janeiro de 2011, ter conseguido se encaixar muito bem no esquema de Marcelino Toral a ponto de os andaluzes quase conseguirem a vaga na LC 2011/12. Hoje, o croata é visto sob desconfiança: na temporada passada, que seria de sua afirmação, foi terrível, com muitas lesões e mau futebol, onde chegou a ser vaiado no Pizjuán.

A seleção e o time que controlam o futebol mundial desde 2008 é a antítese do cenário sevillista. Entre os titulares do Barcelona, há três brilhantes organizadores: Xavi, Iniesta e Fàbregas. Eles se juntam a Xabi Alonso e Silva na Espanha. A manuntenção da bola é tão relevante para as duas equipes que os treinadores substituem um centroavante de ofício (na Espanha, Fernando Torres; no Barcelona, o último foi Ibrahimovic) por alguém capaz de participar da troca de passes (Fàbregas). No Barcelona, o falso nove é Messi, que, apesar dos seus 80 gols por temporada, nunca foi um centroavante natural. O argentino participa do fluxo de passes no meio-campo e chega à área apenas para concluir as jogadas. No Real Madrid, além de Alonso, ainda há Sahin, Granero e Özil. Athletic Bilbao, Valencia e Atlético de Madrid têm Ander Herrera e De Marcos; Guardado, Gago e Banega; e Koke e Gabi, respectivamente. O que há de comum entre as equipes citadas? Elas disputam títulos e vagas nas competições europeias, algo que o Sevilla não conseguiu na última temporada. Coincidência? Pode ser, mas isso ajudar em 80% dos casos.

Enquanto os outros pensam, os jogadores do Sevilla correm atrás, com pontas enérgicos e rápidos, que às vezes até sabem passar a bola, como Reyes, Jesús Navas e Perotti; porém ineficientes quando não têm espaço para atuar. Reyes, quando retornou ao Pizjuán, chegou a ser sobrecarregado de armar as jogadas, mas naufragou e até hoje deve uma atuação positiva. Míchel, sem alternativas, é obrigado a usar o "velho e ultrapassado" 4-4-2 em linhas, que tem Navas e o canterano abertos pelos flancos. Até Kanouté chegou a ser utilizado centralizado quando o treinador ousou em mudar para o 4-2-3-1, mas, logicamente, não rendeu.

Pensa que a diretoria está disposto a consertar esse erro? Que nada. Deem uma olhada na sessão "altas y bajas" no Marca e analisem as contratações feitas pelo clube neste mercado. Diego López, Javi Hervás, Rabello, Maduro, Kondogbia e Cicinho, além dos retornos de Acosta e Bernado. Nenhum fantasista, como gosta de chamar os espanhóis. Botía (mais um zagueiro - tudo bem, porque setor também é carente) pode estar próximo de um acerto. Na base, também não há nenhum jogador que se destaque originalmente por armar jogadas. Da equipe campeã da Copa dos Campeões, principal torneio de base da Espanha, os destaques foram Luna (lateral-esquerdo), Campaña (volante), Beto (volante), Joaquín (meia-atacante) e Jairo Morillas (centro-avante). 

A esperança é a formação de jogadores dessa característica ainda nas equipes inferiores, como o sub-11 e sub-13. O maior desejo do presidente José Maria Del Nido é a volta à Uefa Champions League, mas o Sevilla se movimenta lentamente para mudar seu destino. Se fosse para apostar em equipes que brigarão por vaga na principal competição de clubes do mundo na Liga que se inicia daqui a dois sábados, os sevillistas certamente apareciam em segundo plano, pois estão atrás de Athletic Bilbao, Valencia e Atlético de Madrid.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Ressurreição

Chegada de Míchel para o comando técnico fez bem ao Sevilla, que emplacou duas vitórias consecutivas e, em um toque de mágica, foi do pesadelo do rebaixamento ao paraíso de conquistar uma vaga em competições europeias (reuters)

Segundo dados do Wikipédia, Ressurreição significa, literalmente, "levantar; erguer". Esta palavra é usada com frequência nas escrituras bíblicas, referindo à ressurreição dos mortos. No seio do povo hebreu, a palavra correlata designava diversos fenômenos que eram confundidos na mentalidade da época. O seu significado literal é voltar à vida; assim, o ato de uma pessoa considerada morta viver novamente era chamado ressurreição. Existe a conotação escatológica adotada pela igreja católica para esse termo que é a ressurreição dos mortos no dia do juízo final.

Ainda é cedo para apontar um futuro melhor para o Sevilla. Mas a equipe que venceu o Valencia no Mestalla por 2 x 1 pode pensar em algo melhor. O que, há três semanas, era um pesadelo, capaz até de ser rebaixado para a Liga Adelante, transformou-se em algo parecido com a prática de futebol bonito. O elenco cabisbaixo que Marcelino Toral deixou para Míchel já apresenta outra postura. A equipe conhecida nos últimos anos por ser aguerrida e pedra nos sapatos dos grandes parece ter voltado. Se 2012 estava um inferno, sem nenhuma vitória, contra os chés os nervionenses chegaram a duas consecutivas. Vitórias que elevam a moral do grupo e recolocam a equipe de volta à disputa por Liga Europa.

Em Valencia, o Sevilla lembrou o Sevilla de 2006/2007. Sólido na defesa, forte no meio-campo, sobretudo pelos lados do campo, e perigoso no ataque. Quando estreou como treinador sevillista, Míchel parecia disposto a cair no mesmo erro de Marcelino. Debutou sem mudar nada, escalando um meio-campo com três: Navas à direita, Reyes centralizado e Perrotti à esquerda. Só no final da partida contra a Real Sociedad, quando tirou o extremo esquerdo para colocar Kanouté, que o treinador observou e pôde entender que o mais certo a se fazer é utilizar o 4-4-2. É a tática que mais deu certo nos últimos anos. O esquema a rombo utilizado por Manzano no segundo semestre da temporada passada foi substituído sem explicação pelo 4-2-3-1 que Marcelino aplicou quando assumiu. Com Reyes e Jesus Navas voltados exclusivamente para os flancos do campo, a equipe ganha um poderio enorme.

As atuações individuas de peças-chaves no plantel também melhorou. Palop, que recuperou a condição de goleiro titular seis meses depois graças a uma lesão de Javi Varas, mostrou ainda estar em forma ao fazer três excelentes defesas contra o Osasuna, na semana passada. Rakitic e, sobretudo, Kanouté também estão imprescindíveis. Em sua coletiva de apresentação, Míchel havia reiterado o desejo de poder contar com o malinês, em baixa com Marcelino e em temporada obscura. O centroavante não só voltou a jogar bem como foi importante no duelo de hoje. A velocidade para recuperar a bola e cruzar para Jesus Navas definir e decretar a virada sevillista em pleno Mestalla foi comemorada pelo novo treinador. "Pouco a pouco vamos encontrando o equilíbrio. A equipe vai encontrando seu nível, sobretudo porque a confiança é alta. Isso é muito importante", disse na coletiva.

O El Desmarque, periódico que cobre os clubes de Sevilha, já apelida de Efeito Míchel. A semana é de concentração. Nas próximas rodadas, o Sevilla recebe Atlético de Madrid e Barcelona. O primeiro é um adversário direto e irá requer até mais atenção que o segundo, pelo simples fato de haver ambição em comum entre as duas equipes. Enquanto o Barcelona, segundo seu próprio treinador afirmou na coletiva pós-jogo contra o próprio Atlético de Madrid, não irá tirar essa taça do Real Madrid, os rojiblancos ainda sonham com o retorno a Champions League. Será uma partida que vai servir para calibrar e medir a reação do Sevilla e definir as aspirações do conjunto hispalense. A vaga na Liga Europa é possível.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Vergonha na Andaluzia

Marcelino Toral inicia a temporada pressionado: o seu Sevilla caiu precocemente na Liga Europa (reuters)

Texto baseado na crônica do El Desmarque

O primeiro tempo não foi ruim, futebolisticamente falando. O Sevilla dominou todos os aspectos do jogo, menos o da efetividade. De sete finalizações, o mais certeiro (de Negredo) bateu na trave. Os alemães sim tiveram mais pegada. Dispararam duas vezes e Palop levou um gol. O tento sevillista, inclusive, foi um gol contra de Pogatetz.

Desde o princípio estava notório que o ímpeto sevillista era total. Kanouté e Negredo recebiam bolas e só Navas estava desaparecido no ataque. Inclusive Perotti, falhando muito, por sinal, teve mais presença no ataque do que o de Los Palacios. A equipe de Marcelino dominava incessantemente. Até que veio uma jogada pela esquerda, desorientando Coke e Alexis. Após um cruzamento para a pequena área, Abdellaoue se adiantou diante de Escudé e Palop, lentíssimos, para fazer o um a zero.

O impacto foi enorme, porém, o Sevilla não caiu e atacou até conseguir o afortunado empate, depois de um cruzamento de Perotti. Alguns minutos restavam até o intervalo e o Sevilla seguiu tentando, porém, nada mais aconteceu.

O segundo tempo foi um querer e não poder que expôs todas as carências da equipe. Aparte de um lamentável estado físico por parte de muitos jogadores, que vinham treinando desde o começo de julho, a defesa esteve nervosa, o meio de campo foi incapaz de dar fluidez à equipe, e na frente, só Perotti, apesar de muito falho, foi raçudo. Foram 45 minutos de peleja ante uma defesa muito ordenada que só deixava migalhas para os atropelados jogadores sevillistas. Escudé e Negredo chegaram perto do gol, e não houve muito mais do que isso.

Para sermos justos, o árbitro, seguindo a cartilha da UEFA, foi conivente com muitas faltas e catimba dos alemães, perdoou um pênalti clamoroso em uma incursão de Palop na área, que deixou o valenciano em evidência novamente. A Europa chega ao fim nas primeiras partidas e isso, caso o Sevilla não se levante na Liga, pode ser um golpe muito forte.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Campeones Del Mundo: Jesus Navas

Após superar a síndrome do pânico, Jesus Navas foi muito importante na final da Copa do Mundo contra a Holanda (FIFA)

Um dos principais motivos que ajudam a constituir a seleção espanhola é a qualidade de jogo de seu meio-campo. O setor concentra valorosos nomes disponíveis ao técnico Vicente Del Bosque, o que resulta em um leque de variações táticas e na manutenção da eficiência do time mesmo quando há algum desfalque. Contando com craques do quilate de Fàbregas, Iniesta, Xavi, David Silva e Xabi Alonso, não à toa há sempre um craque sentado no banco de reservas da Fúria. Um pouco antes do mundial, Del Bosque ganhou mais uma opção de extrema qualidade no meio. Jesús Navas foi convocado pela primeira vez no fim de 2009. O veloz meia direita já chamava atenção dos treinadores espanhóis há tempos, mas um grave problema de ansiedade patológica fazia com que ele tivesse que evitar a seleção.

Superando gradativamente a sua doença psiquiátrica e o trauma psicológico decorrente dela, Navas começa a se integrar definitivamente à equipe nacional. E, às portas do Mundial da África do Sul, o jogador teve a chance de se firmar como uma das grandes estrelas de seu país. Não é por menos que o Real Madrid demonstrou interesse em contratá-lo já no segundo semestre, mas acabou acertando com Özil e Di María. Na África do Sul, Navas desempenhou um papel importante: na final contra a Holanda, entrou no lugar de um bem marcado Pedro e colocou fogo no lado esquerdo da zaga holandesa, sendo importante pelas infiltrações por este setor.

Nascido na cidade de Los Palacios, localizada na província de Sevilla, Navas começou a dar os seus primeiros passos na equipe da terra natal, o modesto UD Los Palacios. Desde os oito anos, o jogador já demonstrava a sua habilidade com a bola nos pés, sempre atuando em categorias maiores que a sua. A técnica do meia logo chamou a atenção dos olheiros do Sevilla. Em 2000, o diretor das categorias de base do clube, Pablo Blanco, foi até os treinos do Los Palacios para observar a atuação do goleiro Wilfred. Mais que o arqueiro, quem encantou Blanco foi o jovem Navas. Em um dia muito chuvoso, o olheiro ficou impressionado com a facilidade que o garoto tinha de passar pelos seus marcadores no campo encharcado. Mesmo reticente pela frágil estrutura física de Navas, baixo e muito magro, Blanco resolveu apostar em sua técnica e levá-lo ao Ramón Sánchez-Pizjuán, a fim de lapidá-lo pessoalmente nas canteras rojiblancas.

Chegando ao Sevilla aos 15 anos, o “duende” - apelido de Navas por sua baixa estatura - não demorou muito para ganhar seu espaço e foi integrado ao Sevilla Atletico, segundo elenco do clube andaluz. Em sua temporada de estreia, em 2002/03, pouco entrou em campo. Mesmo assim, atuou em um número suficiente de partidas para que demonstrasse a sua categoria. Na temporada seguinte suas participações se multiplicaram. No entanto, mais que jogar pelo Sevilla Atletico, Navas já recebia as primeiras garantias de que se firmaria no time principal. Ainda no segundo semestre de 2003, dois dias após completar 18 anos, fez a sua estreia entre os profissionais, em partida diante do Espanyol. Ao fim da temporada, totalizou sete partidas, sendo duas delas começando na equipe titular.

A partir da segunda metade de 2004, Jesús Navas se incorporou de forma definitiva ao elenco treinado pelo técnico Joaquín Caparrós. E, concomitantemente à afirmação da jovem promessa como um jogador prodigioso, o Sevilla também cresceu e chegou a uma das fases mais vitoriosas de sua história. De volta à elite da La Liga desde 2001, os rojiblancos fizeram grande campanha na temporada 2004/05, alcançando a sexta posição. Peça fundamental no elenco, Navas marcou os seus primeiros dois gols com a camisa da equipe, e ia sendo beneficiado por uma política interna de se aproveitar os jovens valores, tal qual o hoje madrileno Sergio Ramos.

O boom do time e de Navas aconteceram em 2005/06. Após a saída de Júlio Baptista para o Real Madrid no meio de 2005, o meia assumiu a responsabilidade de ser o principal homem de ligação entre o ataque e a defesa de sua equipe, sempre aberto à direita do meio-campo. Deu seis passes para gol durante os 34 jogos que fez no Campeonato Espanhol, titular absoluto no certame, com 21 anos. Na Copa da UEFA daquele ano, jogou por 12 vezes, deu duas assistências e se sagrou campeão, em final na qual sua equipe goleou o Middlesbrough. Meses depois, ainda levaria a Super Copa da Europa, derrubando o favoritíssimo Barcelona. No ano seguinte, mais glórias. Atrapalhado por problemas físicos, foi um pouco menos frequente em campo. Nada que tirasse o brilho de suas jogadas poderosas ao lado de Daniel Alves pelo flanco direito, fundamentais para o terceiro lugar do Sevilla na Liga, o bicampeonato da Copa da Uefa e o título da Copa do Rei.

Navas, porém, não conseguia se firmar na seleção, não participando de nenhuma competição importante. O motivo? O fato de ter síndrome do pânico o impedia de se afastar da família e se concentrar com o restante do elenco longe de casa; sentia uma angústia, um mal-estar, físico e psicológico, que o forçava sempre a pedir dispensa e voltar a Andaluzia. Tal situação fez até mesmo com que Luis Aragonés, então treinador da seleção principal, desistisse da ideia de convocá-lo, além de desencorajar Chelsea e Arsenal, ambos interessados em sua contratação. Hoje, tratando do problema com remédios e terapia, contudo, Navas está totalmente recuperado e já é nome certo, a menos que se lesione, no grupo que irá tentar o bi-europeu.

Jesus Navas
Nome completo: Jesus Navas González
Data de nascimento: 21 de novembro de 1985, em Sevilla, Espanha
Posição: Meia-atacante
Clubes: Sevilla
Títulos: Copa da Uefa 2005/2006, Copa da Uefa 2006/2007, Copa del Rey 2006/2007, Copa del Rey 2009/2010, Supercopa da Uefa 2006, Supercopa da Espanha 2007, Copa do Mundo 2010

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Venceu, mas não convenceu

Jogada de Jesus Navas e gol de David Silva: mais uma vez, a Espanha joga mal após Copa do Mundo (reuters)

Após ser goleada por Portugal no último compromisso de 2010, a Espanha entrou em campo contra a Colômbia querendo justificar o título de campeã mundial. Contra os Cafeteros, a Fúria voltou a jogar um futebol de baixo escalão, mas conseguiu a vitória nos minutos finais com gol de David Silva, após cruzamento de Jesus Navas. Casillas ainda chegou a salvar a Espanha de um tropeço em Madrid no final da partida, após defender um belo chute de Rodallega, que deu um trabalho enorme a Piqué.

Villa perdeu novamente a chance de superar Raúl e tornar-se o recordista de gols com a camisa roja (El Guaje e Raúl têm 44 gols). O Guaje, em noite fraca tecnicamente, desperdiçou duas boas chances de fazer história, mas viu a trave e o goleiro Ospina evitarem seu tento. Se o atacante asturiano não conseguiu o que queria, Casillas cumpriu sua parte. O goleiro merengue foi titular durante os 90 minutos e superou Andoni Zubizarreta como o jogador que mais vezes vestiu a camisa roja - contando também as partidas disputadas nas divisões de base. Casillas não só superou mais um recorde, como foi um dos grandes nomes da partida. El Capitán evitou, pelo menos, três gols colombianos na segunda etapa, em constantes ataques de Guarín, Rodallega e o herculino Abel Aguillar.

Vicente Del Bosque foi a campo com a base que conquistou a Copa do Mundo. À exceção de Puyol, que está lesionado e foi substituído por Raúl Albiol, todos os outros 10 jogadores disputaram a final contra a Holanda. Porém, dessa vez, Del Bosque montou a Fúria num 4-3-3, com Iniesta e Pedro abertos pelas pontas. Pedro chegou até ser o destaque na primeira etapa, mas Iniesta fez uma partida abaixo da média (mas ainda assim, o único lance de perigo da Espanha no primeiro tempo foi em jogada do oito blaugrana). A Espanha priorizou muito a posse de bola (chegou a ter 76%), mas não conseguiu capitalizar essa alta posse em oportunidades de gols. Com um meio-campo técnico e criativo, mas não driblador, formado por Busquets, Xabi Alonso e Xavi, a Espanha pouco levou perigo ao gol de Ospina.

No segundo tempo, uma série de mexidas de Del Bosque começou a mudar a postura dos jogadores rojos. A começar pela trocas entre Cazorla por Xavi e Jesus Navas por Iniesta, que saiu ovacionado pelos aficionados presentes no Bernabéu. A entrada do jogador amarillo deu mais mobilidade ao jogo espanhol, que parecia preso com os maestros Xavi e Xabi Alonso juntos. Pedro passou a jogar mais na esquerda e Jesus Navas na direita, caindo nas costas de Pablo Armero, que subia ao ataque sempre com perigo na esquerda.

A mudança na postura foi nítido, mas faltava ainda ser mais incisivo. A Colômbia, por sua vez, crescia na partida e Piqué, Albiol e, principalmente, Casillas passaram a trabalhar em dobro. A mudança mais providencial foi quando Del Bosque sacou Xabi Alonso para colocar David Silva. Com gás novo em campo, a Espanha passou a jogar mais em contra-ataque e arriscar de fora da área. Mais participativo do que o jogador do Real Madrid, David Silva tornou-se o herói da partida. Após receber de Cazorla, Jesus Navas, em sua típica jogada individual, "sambou" na frente de Armero, levou para linha de fundo e cruzou para o desvio do jogador citizen, que venceu Ospina e aliviou a torcida roja, que já começava a ficar impaciente.

No final do jogo, Vicente Del Bosque foi seco ao ser perguntado por uma repórter da TVE sobre a postura de seus comandados na partida: "Não fizemos uma boa partida, mas o que importa é jogar bem nas eliminatórias", argumentou. A bem da verdade, o treinador madrileño tem parcela de razão, mas vale lembrar que os adversários enfrentados nas Eliminatóriras para a Euro de 2012 foram, com exceção da Escócia, de extremo baixo nível (Liechtenstein, Escócia e Lituania), diferentemente dos enfrentados nos amistosos pós-Copa (México, Argentina e Portugal), onde a a seleção só foi sair vitoriosa de campo hoje.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Análise do primeiro turno: Sevilla

Antes unanimidades, Jesus Navas e Luís Fabiano convivem com lesões e são as decepções sevillistas na temporada (eldesmarque)

Campanha
11ª posição. 16 jogos, 20 pontos. 6 vitórias, 2 empates e 8 derrotas. 21 gols pró e 27 gols contra.

Técnico
Antonio Álvarez, até a quinta rodada; e Gregório Manzano, a partir da sexta rodada. Em apenas um mês e meio, as coisas mudaram bastante no Sevilla. Antes tido como salvador da pátria, Gregorio Manzano vem amargurando péssimos resultados à frente dos rojiblancos. E o pior de tudo: tem batido recordes negativos. Foram seis derrotas contra quatro vitórias. Isso dá uma média de 1,2 pontos ganhos por jogo. Em comparação com os técnicos anteriores, Manzano leva uma verdadeira goleada. Antonio Álvarez, técnico duramente criticado, apesar de ajudar o clube a faturar a Copa do Rey na temporada passada, tem média de 1,62 pontos por jogo. Manolo Jiménez, que dirigiu o time por três anos, é o que tem a melhor média entre todos, marcando 1,75 pontos por jogo. Já Juande Ramos, melhor técnico da história do Sevilla, responsável direto por elevar o clube no cenário nacional, conseguiu uma média de 1,74 pontos por partida.

Destaque
Kanouté. Em meio à crise, Kanouté é um dos poucos que se salvam. Com cinco gols é o artilheiro do Sevilla ao lado de Negredo, outro que vem se destacando. O malinês tem decidido em dobro já que seu companheiro de ataque, Luis Fabiano, não faz uma boa temporada e perdeu o lugar para Negredo no time, que cumpre seu papel regularmente. Negredo surpreende: antes criticado, o canterano do Real Madrid está exercendo um papel importante e, apesar de continuar perdendo gols bobos, também é um dos que se salvaram no primeiro semestre. Destaque positivo também para o uruguaio Cáceres, que driblou a desconfiança após a "flopada" no Barcelona e virou o xerifão da zaga andaluza. Quem demorou a aparecer, mas tem voltado a ganhar destaque é Perrotti e Diego Capel, os extremos direito e esquerdo, respectivamente, no 4-1-3-2 de Manzano.

Decepção
Há muitas opções para colocar aqui, mas pela sua importância para o time e pelo futebol não apresentado devido às lesões, a decepção é Jesus Navas. Navas começou a preparação para esta temporada mais tarde do que os outros jogadores do elenco do Sevilla, por causa de sua participação - muito boa, diga-se de passagem, principalmente na final - na Copa do Mundo. Fora de forma, o meio-campista parece alheio aos jogos e não tem conseguido acompanhar o ritmo dos companheiro. Sempre lesionado, Jesus Navas já sabe que, quando voltar ao time, terá que suar para ganhar a vaga de Perrotti, que vem ganhando pontos com a torcida e com Manzano. Luis Fabiano também decepciona e não é nem sombra daquele atacante da temporada passada. O brasileiro caiu de produção e viu sua vaga no ataque rojiblanco perdida para Negredo, artilheiro do time.

Perspectiva
Competição europeia. A fase não é animadora, mas não se deve subestimar o Sevilla, clube mais vencedor espanhol nos últimos seis anos fora Barcelona e Real Madrid. Com 20 pontos em 16 jogos, os sevillista encontram-se apenas na décima primeira colocação do Campeonato Espanhol. Além do mais, amargam cinco derrotas consecutivas na competição, o que não acontecia desde 2000 e posiciona Gregorio Manzano como o pior treinador do século 21 no clube. Mesmo assim, a confiança do presidente do time, José María del Nido, é tão grande de que a equipe irá reagir na competição, que já conta com o dinheiro que receberá por uma eventual participação na UEFA Champions League da próxima temporada.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Em jogo de tempos distintos, Sevilla perde.

Palop teve que trabalhar (As)

O Sevilla foi a Braga, em Portugal, lutar por uma vaga na fase de grupos na Liga dos Campeões da Europa. Mas nem tudo saiu como o planejado. O time andaluz começou com sua melhor formação: Palop; Dabo, Fazio, Escudé, Navarro; Jesús Navas, Zokora, Renato (Cigarini, m.83), Diego Capel (Perotti, m.69); Kanouté (Negredo, m.79) e Luis Fabiano; mas de nada adiantou.

O primeiro tempo foi um jogo morno, com poucas chances para os dois lados. Nos 45' iniciais os andaluzes estavam fazendo seu jogo, chegaram a ter 66% da posse de bola. O problema é que não atacavam. Tiveram uma única chance com Luis Fabiano, que acertou a trave, e nada mais. Após isso, não chegaram mais ao gol do goleiro Felipe, que não precisou nem trabalhar no primeiro tempo. O time português também nada fez, não trouxe perigo ao goleiro Palop na primeira etapa.

O segundo tempo do jogo em Braga foi totalmente diferente - para infelicidade do time espanhol. O Braga voltou sabendo que precisava fazer algo a mais do que um empate em casa para ter reais chances de se classificar para a fase de grupos - já havia feito história eliminando o Celtic -, mas precisava mais do que vontade para ganhar então, precisava jogar bola.

Foi então que Domingos, treinandor do Braga, fez as alterações corretas de Silvio no lugar Miguel Garcia, e Lima por Luis Aguilar. E deram certo. O Braga começou a jogar bola, atacar e pressionou o Sevilla no segundo tempo todo, até que achou o gol: Após belo cruzamento de Silvio - que tinha entrado no início da segunda etapa - ao nigeriano Elderson que cabeceou sozinho e Palop fez uma grande defesa, o brasileiro Matheus completou para as redes livre e abriu o placar. Braga 1-0.

O Sevilla, mesmo levando o gol, não conseguiu ir para cima; enquanto isso o Braga atacava e procura aumentar a contagem para levar uma vantagem considerável ao jogo de volta, no Pizjuán, em Sevila. No final do jogo, o Sevilla chegou umas duas vezes ao ataque, em lance de Jesus Navas que cruzou na área e em uma cabeçada de Luis Fabiano, que o goleiro Felipe pegou. O Braga ainda teve uma bola na trave, chutava por Elton onde o goleiro Palop somente acompanhou, estava batido. Resultado final: Braga 1-0 Sevilla, com sabor de vitória aos andaluzes, pelo pouco que o time criou e principalmente pelo pouco que jogou, o Braga merecia algo a mais que uma vitória magra.

No jogo de volta, Álvarez precisará fazer seus jogadores jogarem de verdade. Com o resultado adverso de 0-1 o Sevilla precisará ir para cima, jogar seu bom futebol e sem margem de erros se quiser voltar à fase de grupos da Liga dos Campeões.

sábado, 14 de agosto de 2010

Pós-jogo: Sevilla 3x1 Barcelona

Num grande segundo tempo, o Sevilla abriu uma boa vantagem perante o Barcelona e obriga os blaugranas a tentarem a sua primeira remontada na temporada (reuters)


Sevilla e Barcelona abriram oficialmente a temporada 2010-11 do futebol espanhol. Em um bom jogo de futebol no Ramón Sánchez Pizjuan, na Andaluzia, o Sevilla saiu na frente na busca de seu segundo título de Supercopa. Aproveitando-se do fato de o Barcelona ter escalado um time recheado de jogadores da filial, o Sevilla fez o que o seu técnico pediu: a lição de casa para cima dos blaugranas.

Segundo palavras do técnico sevilista Antonio Álvarez, na coletiva oficial de pré-jogo, se há uma maneira de o time andaluz vencer esta competição é derrotando - e bem - o Barça jogando em seus domínios. Extremamente desfalcado, o Barça começou melhor a partida, tentando impor sua principal característica sobre o adversário: a posse de bola. Melhor no primeiro tempo da decisão, o time catalão criou sua primeira grande chance logo aos 17 minutos, quando o jovem atacante Bojan não aproveitou a falha do zagueiro Dabo para vencer Palop. Por outro lado, o Sevilla, apostando na velocidade pelos flancos, respondeu em seguida: Jesús Navas obrigou Miño a fazer grande defesa.

Ibrahimovic, autor do passe para Bojan, segue em busca de afirmação na Catalunha. Os jogos da Supercopa pode ser uma prova de que o sueco pode, sim, dar a volta por cima. Envolvidos em especulações que o colocam em Manchester City, Chelsea e Milan, o sueco fez hoje uma boa partida. E o primeiro gol da partida foi exatamente dele. Aos 20 minutos, Maxwell, atuando como um verdadeiro ponta-esquerda, fez grande jogada e encontrou Ibrahimovic dentro da área. O sueco venceu Palop para abrir o marcador e deixar sua equipe em uma situação muito favorável na competição.

Na volta para a segunda etapa, Álvarez resolveu pôr em campo a principal contratação do Sevilla para a temporada: Gigarini (ao lado de Guarente, que não jogou hoje). O italiano foi um dos principais responsáveis pelo revéz sevillista no jogo de ida. O ex-jogador do Napoli descolou um ótimo lançamento para o Luís Fabiano, que ganhou na velocidade de Sérgi Gomez e bateu de esquerda, na saída de Miño, para colocar o Sevilla de volta à partida. Antes do tento, o Sevilla ainda viria a perder uma ótima oportunidade com Renato, após cruzamento de um apagado Jesus Navas, homenageado pelo presidente Del Nido antes da partida.

Guardiola: No jogo em que comemorava dois anos à frente do Barcelona, Pep foi questionado (getty images)

A partir do empate, o Barcelona não se encontrou mais em campo. Mesmo com Messi, que entrou aos seis minutos do segundo tempo, o time da Catalunha sofreu com as jogadas pelas laterais do Sevilla. E, desta forma, os donos da casa construíram a grande vantagem para a partida fora de casa.

Aos 29 minutos, Negredo fez grande jogada pela esquerda e cruzou na medida para Kanouté, que havia entrado em campo dois minutos antes. Oportunista como sempre, o atacante da seleção de Mali finalizou com precisão para colocar o Sevilla à frente no marcador, em novo atraso na marcação do canterano Sérgi Gomez. Nove minutos depois, o africano apareceu novamente, desta vez após desviar de cabeça o cruzamento de Perotti, para marcar o terceiro e sacramentar o resultado.

Após o final de jogo, Guardiola foi questinado sobre o porquê de não ter colocado em campo os jogadores campeões do mundo. O treinador foi sintático e claro na sua resposta. Segundo ele, nem todos os jogadores estão no ápice de sua forma e não poderia arriscá-los em campo. O certo é que todos eles estarão de volta para o jogo no Camp Nou, no Sábado 21. Com Iniesta, Xavi, Villa, Piqué, Puyol, Valdés e Pedro, mais Lionel Messi, o Barcelona tem totais condições de remontar.

Veja aqui a coletiva pós-jogo completa de Guardiola (em castellano).O jogo da volta acontece no Sábado que vem; dessa vez, no Camp Nou.

Sevilla 3x1 Barcelona
Sevilla: Palop; Konko, Escudé, Fazio, Dabo; Jesús Navas, Zokora, Romaric (Cigarini, m.45), Perotti; Renato (Kanouté, m.64) , Luis Fabiano (Negredo, m.70).
Barcelona: Miño; Alves, Sergi Gómez, Milito (Adriano, m.80), Abidal; Maxwell, Keita, Oriol, Dos Santos; Bojan, Ibrahimovic (Messi, m.52).
Árbitro: Muñiz Fernández, das Asturias.
Gols: Luís Fabiano, Kanouté e Kanouté (Sevilla); Ibrahimovic (Barcelona).
Cartões Amarelos: Zokora, Dabo e Cigarini (Sevilla); Daniel Alves (Barcelona).

Balanço final: Sevilla

Com as constantes lesões de Luís Fabiano, Jesus Navas liderou o Sevilla na temporada (AP)

SEVILLA

Técnicos: Manolo Jiménez e Antonio Álvarez
Competição europeia: Liga dos Campeões (caiu nas oitavas de final)
Copa do Rei: campeão
Destaque: Jesús Navas (meia)
Artilheiro: Luís Fabiano (15 gols)
Nota da temporada: 6,5

Claramente a aposta do Sevilla foi a Liga dos Campeões. O objetivo era fazer uma campanha melhor que há três temporadas, quando parou nas oitavas de final, eliminado pelo Fenerbahçe em casa. Não deu certo. O time caiu na mesma fase, novamente para uma equipe acessível (o CSKA Moscou).

Os sevillistas ficaram sem energia para o Campeonato Espanhol e por pouco não perderam a vaga à LC 2010/11. Jesús Navas foi o grande nome, mas figuras importantes como Luís Fabiano, Kanouté e Capel ficaram abaixo das temporadas anteriores. Pelo menos, veio o título da Copa do Rei para contentar a torcida.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A primeira estrela

Iniesta e o gol que o colocou na história do futebol espanha. Após bater na trave várias vezes, a Espanha é campeã do mundo (AP)

Iniesta pega a bola, falta. Xavi é acionado, falta. Pedro recebe um passe, falta. Xabi Alonso domina... bem, você já sabe. A Holanda abusou das faltas contra a Espanha. Foram 28, algumas delas bastante violentas. Mas isso não foi um retrato de uma equipe descontrolada ou desesperada. Era uma estratégia de jogo. Pode não ser a mais louvável, mas é algo permitido pela regra. E, a bem da verdade, ela até foi bem sucedida do ponto de vista defensivo. O problema é que serviu para tirar os próprios holandeses da partida.

Bert van Marwijk é um técnico inteligente, que conhece futebol, está determinado a levar seu time à vitória e sabe como fazer o elenco se unir em torno de uma ideia. Foi assim que fez a Holanda jogar focada no Mundial – e perder o foco é um antigo vício das seleções holandesas – e priorizar a vitória à beleza do jogo. Na final, ele sabia que as chances laranjas aumentariam se o time quebrasse a posse de bola da Espanha.

Para viabilizar sua estratégia, os holandeses fizeram duas coisas: congestionaram o setor de armação da Espanha, tirando espaço para movimentação, e partiram para uma marcação agressiva, atacando como fosse possível quem estivesse com a bola. Quando o desarme não se concretizava, uma “falta tática” era bem-vinda. E assim a Holanda não teve pudor em derrubar Iniesta, Xavi, Pedro, Xabi Alonso...

Funcionou parcialmente. A Espanha não conseguiu impor tanto sua posse de bola, sobretudo no primeiro tempo e em parte do segundo. Alem disso, os ibéricos ficaram irritados com as faltas sofridas e eles próprios fizeram das suas. Os lances ríspidos tornaram o jogo interessante pela tensão. A qualquer momento, um time poderia perder a cabeça e atirar pela janela o título.

Mas os espanhóis estavam mais conscientes do que era preciso fazer para vencer a partida. Os holandeses, não. No desejo de anular o oponente a qualquer custo, a Holanda não tinha opções de ataque. A única estratégia era lançar Robben e torcer para o meia-atacante conseguir um gol em jogada individual. Duas vezes o jogador ficou na cara de Casillas, mas não dá para dizer que os laranjas estavam realmente construindo algo.

O pior é que, atrás, o sistema defensivo foi trincando aos poucos. De tantas faltas cometidas, muitas delas desleais, a Holanda ficou carregada de cartões amarelos (sete, seriam mais se Howard Webb estivesse mais rigoroso). Sob o risco de perder jogadores, Van Marwijk tirou nomes importantes como De Jong e Van Bronckhorst e abriu espaço, pois teve de improvisar Van der Vaart como volante e usar o inexperiente Braafheid.

O que era um jogo tenso e travado se transformou em domínio espanhol, ainda mais depois da expulsão de Heitinga. Claro, continuava faltando mais poder de decisão dos ibéricos. Villa não conseguia receber em condições de finalizar, Iniesta e Xavi hesitavam antes de um arremate, Navas só caía pela ponta e Fernando Torres fazia falta na frente. Mas a Espanha já era hegemônica e o gol poderia sair a qualquer momento.

E saiu. Justamente onde a Holanda se fragilizou. Aos 12 minutos do segundo tempo da prorrogação, Jesús Navas avançou pela direita, onde Braafheid deixava espaço, tocou para o meio, onde Iniesta e Fábregas articulavam sem o combate de um volante (Van Bommel virou zagueiro para tapar o buraco deixado por Heitinga e Van der Vaart não tem intimidade com a função). Da troca de passes, Iniesta recebeu na cara do gol, e chutou no canto direito de Stekelenburg.

A Espanha não teve sua noite mais inspirada, até porque expôs nervosismo e tensão. Ainda que o placar e o sofrimento da decisão não retrate a diferença técnica entre as equipes, o título foi merecido. E quem mais demonstrou isso foi a Holanda com sua estratégia defensiva. Pois há elogio maior do que o medo do adversário?

*Contribuição de Victor Mendes.

domingo, 23 de maio de 2010

Venceu o melhor

O Sevilla comemora no Camp Nou a conquista do "segundo" título na temporada (getty images)

Não se esperava menos da partida. Futebol total desde o início. Sevilla e Atlético de Madrid jogaram sem especulações e sem temores, algo impróprio para uma final e o futebol agradeceu.

Transcorridos apenas três minutos, Agüero pôde marcar, porém, não chegou na bola e a reação hispalense foi própria de um grande. Jesús Navas aparecia sobre o campo para arrancar e chegar a frontal da área, onde estava Diego Capel, que mandou a bola pras redes junto com todas as almas sevillistas. Sem opções de descanso, o Atléti teve a chance mais clara até o momento e numa dupla tentativa, Ujfalusi invadiu a área pela direita e seu cruzamento foi finalizado primeiro por Agüero, depois por Forlán. Squillaci e Escudé apareceram de forma milagrosa quando o empate era ouvido nas arquibancadas. Susto superado, o objetivo seguinte era ir pra cima dos colchoneros.

No minuto 26, depois de um cruzamento sem perigo, Perea deixou a bola na entrada da área, num erro fora do comum. Porém, Squillaci não aproveitou o presente e finalizou fraco, perdendo a chance de ampliar o placar. A partir daí e até o intervalo, pouco se viu do Sevilla e tampouco os jogadores de Quique assediaram Palop, porém, a sensação de perigo reinava no ambiente até chegar ao ponto dos cinco últimos minutos terem se convertido num suplício. Forlán, em duas chances, e Agüero, aproveitando uma saída em falso de Palop, fizeram a torcida do Atléti quase comemorar. E assim chegou o intervalo: com todo o banco do Sevilla o pedindo, em um claro sintoma de que apesar do resultado, a partida era um sofrimento total.

No começo do segundo tempo, ao menos outra coisa sucedeu. Apesar dos rojiblancos levarem o peso da partida por necessidade, o Sevilla tocava melhor a bola, com objetivo e buscando surpreender em um contra ataque, sabendo que o tempo jogava a seu favor. Um longo disparo de Tiago foi a única aproximação perigosa dos colchoneros antes do minuto 10, e isso era um bom sinal. Capel e Navas, pelos lados, eram dois punhais afiados, desejosos a fincar os dentes, e pouco a pouco, o Sevilla se fez dono da final. Menção especial para a dupla de zaga Escudé e Squillaci, soberanos na partida inteira ante as duas estrelas colchoneras, Forlán e Agüero. E tampouco deixou despercebido o nível de Negredo.

O madrileño teve a melhor ocasião para quase sentenciar a final: estava sozinho ante De Gea depois de uma fenomenal assistência de Kanouté, porém, optou por perder um gol incrível e dar vida a um rival que começava a se sentir pressionado. Quique decidiu então fazer uma dupla substituição na sua equipe, para dar novas alternativas e refrescar seu time. Assunção e um desaparecido Simão saíram para a entrada de Raúl Garcia e Jurado. O efeito foi imediato e Álvarez se viu na obrigação de tirar Negredo pra colocar Romaric. Era o momento de tentar recuperar a posse de bola com a metade do segundo tempo pela frente. Á favor estava o passar do tempo, a impotência do Atlético e a segurança de uma defesa muito acima do nível demonstrado na temporada. Uma grande combinação entre Tiago e Jurado obrigou Squillaci a aparecer novamente de forma providencial para impedir o empate de Agüero. Tudo isso antes de uma rixa imprópria para o momento, mas que era o fiel reflexo da tensão vivida. Assim, começou o último quarto de hora. Forlán tentou de novo, porém, Palop respondeu fazendo boa defesa.

Mas faltava o delírio, a jogada mestre de um craque que esses momentos tanto pedem e que fazia falta pra ele uma consagração desse tipo: Jesus Navas fez uso de sua velocidade, qualidade e sangue frio pra deixar vários jogadores do Atlético sentados, que fizeram o impossível para derruba-lo, porém, sem sucesso. O jogador de Los Palácios ficou frente a frente com De Gea, o driblou e com suspense sentenciou. Gol. 2 a 0 e Sevilla campeão!

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Ressureição Sevillista?

Jogadores comemoram: seria uma ressureição rojiblanca? (as)


Que ninguém pense que voltou aquele Sevilla excelente de Juande Ramos. Sequer trata-se de um Sevilla à altura do time dos primeiros meses dessa temporada. Porém, trata-se de um Sevilla com boa atitude e com vontade, e isso já é uma mudança. Luís Fabiano e Kanouté querem jogar e os demais jogadores os buscam. Só com isso, o Sevilla já começa a ser temível. Se a isso adicionarmos o comando de Drago, a inspiração de Palop e uma pequena melhora de Renato, só será necessário esperar a volta de Navas, Zokora e Perotti para que não escape o quarto lugar.

Desde o início se notava que o Sevilla era outro. Sem muitas ocasiões claras, porém, muito mais alegre. Luís Fabiano estava com vontade de jogar, Kanouté tinha tirado muitos anos das suas costas e Renato aparecia por muitas zonas do campo. Capel era mais ativo. Com esses fatores, o gol chegou já na terceira tentativa: controle de Luís Fabiano, manobra de imensa qualidade e passe para Kanouté, que aproveitou a ruim linha de impedimento do Tenerife e definiu rasteiro para o gol.

A partida era um toma lá dá cá constante, com o Sevilla sofrendo na defesa e com o Tenerife tentando empatar. Nem tudo era bom, porém, ao menos os chutões passaram a ser convertidos em um recurso, ao invés de ser um modo de jogo. Os visitantes tiveram uma ocasião claríssima, e Luís Fabiano finalizou uma cobrança de falta na trave, o que poderia ter sido o segundo gol, próximo do intervalo. Porém, minutos depois, Renato controlou a bola e passou para o Fabuloso, que matou com o peito e girou, batendo cruzado. Golaço. Luís Fabiano era disparado o homem da partida.

O Tenerife não tinha outra alternativa a não ser atacar muito mais no segundo tempo. Os jogadores de Oltra tinham a posse de bola e o Sevilla esperava o contra-ataque que mataria a partida. As melhores chances foram dos visitantes. Dinei e Nino viram como Palop se virava enquanto eles quase comemoravam gols. Os minutos se passavam, o Sevilla não chegava e isso animava o Tenerife. Mas era só engordar para morrer: o ponto final foi colocado por um canterano: José Carlos. Cobrou uma falta na gaveta e fez o terceiro gol.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Qué pasas, Espanha?

Negredo comemora com Zokora o gol do Sevilla na partida. O Sevilla obteve uma boa vantagem para o jogo da volta (AS)


Nenhum espanhol venceu pelos jogos de ida das competições européias. Real Madrid perdeu na Uefa Champions League, na terça passada , Barcelona, ontem e Sevilla, hoje, só empataram pela mesma competição. Já pela Liga Europa, Villarreal e Atlético de Madrid empataram na quinta passada, assim como o Athletic Bilbao. Já o Valencia perdeu na Bélgica.

CSKA e Sevilla fizeram o primeiro jogo dessa quarta-feira pelas oitavas de final da Liga dos Campeões. E, sabendo da importância de uma vitória jogando em Moscou, com 2º C negativos, o time russo partiu para cima no início da partida. Mas quem surpreendeu e abriu o marcador foram os rojiblancos. Antes do Sevilla marcar, o atacante Necid recebeu bom lançamento, mas chutou para fora.

Quatro minutos depois, o meio campista Honda, destaque dos russos na primeira etapa, limpou a bola e de fora da área bateu rente à trave direita de Palop. Mas aos 24, o meia direita Jesús Navas fez jogada pelo lado do campo e lançou rasteiro para dentro da área. O goleiro Akinfeev não alcançou a bola e Negredo só encostou para a rede.

Os russos voltaram ainda mais ofensivos na segunda etapa, mas as chances de gol não apareciam. Até os 20 minutos, quando o meia chileno Mark González, até então sumido na partida, acertou um lindo chute de longa distância no ângulo esquerdo de Palop e empatou.

O CSKA quase virou o jogo aos 39, quando Necid fez bonita jogada individual na área do Sevilla e tocou rasteiro na saída de Palop. Com a ponta da chuteira, o arqueiro espanhol desviou para escanteio e segurou o empate para o clube visitante.