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sexta-feira, 10 de junho de 2011

Balanço Final: Sevilla

Após ser cortado da Copa do Mundo, Negredo foi o maior artilheiro espanhol da temporada, com 21 gols, e ajudou o Sevilla a conseguir uma vaga na Liga Europa (AP Photos)

Campanha: 5ª colocação. 38 jogos, 17 vitórias, 7 empates e 14 derrotas. 62 gols pró e 61 gols contra. Classificado à Liga Europa
Time-base: Javi Varas; Cáceres, Fernando Navarro, Escudé, Dabo; Gary Medel, Rakitic, Jesus Navas, Perotti; Negredo, Kanouté.
Os Artilheiros: Álvaro Negredo (20 gols), Kanouté (12), Luis Fabiano (10).
O Técnico: Antonio Alvarez, até a 3ª rodada; Gregório Manzano, a partir da 5ª rodada.
O Destaque: Álvaro Negredo.
A decepção: Cigarini

Apesar do descontentamento da torcida, o Sevilla fez o que pôde para copar uma vaga em uma competição europeia. O terrível primeiro semestre de teSmporada, que marcou a queda precoce ainda na fase pré Champions League para o Braga, foi consertado no mercado de verão: as chegadas de Gary Medel e, sobretudo, Rakitic deram novo gás à equipe da Andaluzia, que, ainda que não encantasse como em outros tempo, jogou um futebol preciso para chegar à Liga Europa. Por não ter um elenco forte e extenso, o Sevilla acabou dependendo demais de Rakitic, Álvaro Negredo e Kanouté, que subiram de produção a partir de janeiro. Romaric, no entanto, teve processo inverso: o ótimo primeiro semestre deu vez ao cansado segundo semestre e o marfinense não repetiu as belas atuações de outroras. Necessitando claramente de um fantasista para o 4-4-2 dar certo, o croata Rakitic caiu como uma luva no esquema de Manzano. Em apenas quatro meses no clube, o croata terminou a temporada com quatro assistências e seis gols.

Após uma primeira temporada mais que apagada, Negredo foi cortado da seleção espanhola e assistiu a Copa do Mundo e o conseqüente título da Fúria no sofá de sua casa. Isso parece ter motivado o vallecano, que foi o maior artilheiro sevillista na temporada e superou os números de jogadores famosos como Villa, Soldado e Llorente na Espanha: foram 20 gols na temporada e o premio Zarra, para o artilheiro espanhol do ano. Das decepções, a maior foi Cigarini. Cotado para ser o cérebro do meio de campo sevillista após a saída de Maresca, Cigarini não correspondeu às expectativas da torcida e terminou a temporada lesionado. Diego Capel, que sempre desempenhava papel importante pela esquerda, viu o também jovem Perotti cavar um lugar na equipe titular pelo setor e foi, na maioria das vezes, banco.

Após uma temporada abaixo das expectativas com a eliminação precoce na fase de classificação para a Champions League, a perda da Supercopa da Espanha para o Barcelona, a desclassificação nas semi-finais da Copa do Rei para o campeão Real Madrid e uma decepcionante campanha na Liga Espanhola, o Sevilla parece ter finalizado um ciclo da sua vida: Luís Fabiano, Adriano, Dragutinovic e Renato colocaram um ponto final em suas histórias no clube andaluz e carne fresca chegou para agregar ao clube. Caberá ao mais novo contratado para o banco técnico hispalense, Marcelino Toral, empreender um novo projeto pra um dos clubes mais viáveis atualmente na Espanha. A contratação definitiva de Martin Cáceres, titular da lateral direita, já foi confirmada e, assim, falta um lateral esquerdo decente e uma boa dupla de zaga.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Resumo: 27ª rodada (2ª parte)

Vitória do Real Madrid sem Cristiano Ronaldo na Cantábria foi prova de força do elenco (AFP)

Para boa parte dos brasileiros, a 27ª rodada da Liga BBVA pode ter passado batida por causa da inclemente concorrência dos festejos de Carnaval. Porém, aqueles que se dedicaram a assistir às partidas do fim de semana não se arrependeram, certamente. Recheada de confrontos diretos seja pelas competições europeias seja para fugir do rebaixamento, a rodada foi absolutamente emocionante. Confira a segunda parte do resumo da vigésima sétima rodada. E, lembrando, terça e quarta é dia de espanhóis na Champions. Boa leitura!

Racing Santander1x3 Real Madrid
Desde que Marcelino Toral voltou ao comando técnico do Racing Santander, os verdiblancos ainda não haviam perdido no campeonato espanhol. Por essas e outras que, antes da bolar rolar, os aficionados montañeses estavam numa ótima expectativa, ainda mais porque o Real Madrid estava desfalcado de seu principal jogador, Cristiano Ronaldo, que não resistiu a um desconforto no tornozelo. Porém, bastou Ramírez Domínguez apitar o começo do jogo para toda confiança descer por água abaixo. Escalado no habitual 4-2-3-1, Mourinho apostou em Benzema para suprir a ausência do craque português. O francês, exercendo a função do camisa sete do time, foi um dos grandes destaques da partida (autor de um doblete) e vem animando a torcida: em uma semana, Benzema marcou seis gols em três partidas e fica notável que está na sua melhor fase desde que chegou a Chamartín. Benzema não fora só elogiado pelos seus gols, mas, sobretudo, pela sua vontade em campo, muitas vezes não vista. Se Karin passou a ser criticado - um dos motivos para o Real Madrid contratar Adebayor - por jogar muito paradão na frente, contra o Racing Santander o ex-Lyon atuou de maneira mais solta, dando muito trabalho para Pinillos, que não o achou durante os 90 minutos.

Pinillos devia estar tão preocupado com o carnaval que estava sofrendo do francês, que bateu de modo bizarro o pênalti que poderia recolocar o Racing Santander de volta à partida. Outro que merece - e muito - destaque pelo lado merengue é Özil. Sem Cristiano Ronaldo, o turco-alemão chamou para si a responsabilidade de conduzir o Real Madrid aos três pontos. Com duas brilhantes assistências para os gols de Adebayor e Benzema, respectivamente, o camisa oito chegou a onze assistências na Liga, ficando atrás apenas de Messi, com 18. Na atual temporada, Özil participou de 27 gols marcados pelo Real Madrid, o que já vale para Valdano, admirador reconhecido do futebol do alemão, fica bem entusiasmado: segundo o dirigente, o turco-alemão irá marcar época trajando a camisa blanca. Outro destaque que ficou evidenciado na partida foi um Real Madrid mais coletivo sem Cristiano Ronaldo. Jogando à Barcelona, as trocas de passes envolveram os cantabrianos, que sucumbiram diante dos merengues.

Athletic Bilbao 2x0 Sevilla
O Athletic Bilbao está, definitivamente, de volta à disputa por Uefa Champions League. Na raça, os leones derrotaram o Sevilla, que jogaram melhor que os anfitriões durante os 90 minutos, mas não foram tão incisivos quanto. A nove pontos do Villarreal, o que pode pesar pelo lado do Athletic Bilbao é o fato de ter sido goleado por 4 a 1 no jogo do turno, no El Madrigal. E, caso as duas equipes terminem empatados, para isso o time da Catedral terá que tirar uma boa vantagem no jogo do San Mamés. Pelo lado sevillistas, as péssimas notícias, além da derrota, vieram no pós-jogo. Para o confronto contra o Barcelona, na semana que vem, a equipe vai extremamente desfalcada.

Entre os tantos desfalques, o mais preocupante é Luis Fabiano. O brasileiro, que foi o nome mais falado do futebol espanhol nesta semana, havia declarado no sábado que o seu ciclo no Sevilla estava perto do fim e que, no momento, seu desejo era retornar ao Brasil. A diretoria, porém, demonstrou que pretende continuar mais tempo com o atacante ou pelo menos lucrar alto com sua saída: segundo o jornal "Diario de Sevilla", o clube acertou a compra dos 55% dos direitos do jogador que pertenciam a um grupo de investimento por € 7 milhões (R$ 16 milhões).No jogo, entretanto, o jogador se lesionou sozinho em um lance aos 20 minutos. Inicialmente, os médicos do Sevilla chegaram a temer que o brasileiro tivesse rompido os ligamentos do joelho. No seu site, porém, o Sevilla confirmou que o atacante ficará seis semanas afastado após a realização dos exames médicos. Pelo twitter, o brasileiro falou um pouco sobre o tempo fora dos gramados: "Acabei a ressonância. Dos males, o menor: estarei um mês e meio sem jogar. Graças a Deus, não foi grave.".

Levante 1x0 Espanyol
E, novamente, o equatoriano Caicedo foi importante em uma vitória do Levante. Três pontos chaves a equipe de Valencia, que vai a cada rodada vendo o rebaixamento ficar bem distante. Jogando um futebol eficiente, o maior mérito disso tudo é do técnico Luis García Plaza. Após começar a liga variando de módulos, achou no 4-2-3-1 a tática perfeita para fazer esta equipe andar. Mesmo atuando isolado, Caicedo é bem importante, sobretudo auxiliado por Xisco Muñoz, enganche que vem fazendo uma ótima Liga. Do lado catalão, a derrota veio em hora bem errada: na rodada em que o Villarreal tropeçou, os péricos tiveram a faca e o queijo na mão para retornar à disputa pela quarta vaga na próxima Champions, mas muito desfalcada, o Espanyol fez uma má partida e a Barcelona na sexta posição. Os blanquiazules até tiveram uma maior posse de bola, mas foram incapazar de levar algum perigo ao gol de Munúa. À medida que o tempo passava, principalmente após o gol de Caicedo, o controle das ações por parte do Espanyol aumentava, ainda que sem ameaçar a guarda-meta do goleiro uruguaio. Como o Marca destacou, o futebol exercido pelos comandados de Plaza em 2011 é digno de aplausos.

Deportivo 2x1 Real Sociedad
A Real Sociedad deu continuidade à má fase no Riazor, onde perdeu para um Deportivo que reecontrou o caminho do gol. Apesar da vitória, não há muito o que comemorar: Lotina teve que queimar três substituições por lesões (Lassad, Riki e Tomás). Antes da partida, aliás, Lotina já havia perdido Aythami, que se lesionou no aquecimento e deu a vez ao canterano Rochela (o titular da posição, Lopo, cumpre suspensão). Como não poderia deixar de ser em algo que tornou-se praxe na temporada, o principal jogador do Deportivo na partida foi Adrián. Autor da assistência para o gol de Riki e do gol que tranquilizou os blanquiazules, o jovem jogou com muita contudência no suporte a Riki. Como engache, ficou notável uma nova virtude do jovem, que mostrou-se passador na partida. A vitória foi muito comemorada após o final da partida, sobretudo porque serviu para afastar os galegos do descenso. Com 31 pontos, parece difícil imaginar o Deportivo na próxima Liga Adelante.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Menos um espanhol

O Sevilla crescia na partida, mas Alexis jogou tudo por água abaixo (demotix images)

Nos dois jogos envolvendos equipes espanholas na Liga Europa, apenas um sobreviveu: o Villarreal venceu heróicamente de virada o Napoli, no El Madrigal, e manteve vivo o sonho de conquistar seu primeiro título em sua curta história. O Sevilla, por sua vez, deu "adeus" à temporada após vencer o Porto em Portugal por 1 a 0, mas ser eliminado no critério de desempate (havia sofrido dois gols na Andaluzia).

No estádio do Dragão, mesmo necessitando da vitória por dois gols de diferença, Manzano surpreendeu em sua escalação: preferiu ir a campo com um esquisitíssimo 4-2-3-1, com Kanouté fazendo o papel de enganche e Negredo como o atacante de referência. Escalado no 4-3-3, com Hulk e Varela aberto pelos lados do campo, o Porto comandou as ações durante boa parte do jogo, à exceção dos últimos vinte minutos, quando Luis Fabiano abrira o placar e o Sevilla passara a acreditar na classificação.

Após ter sua vida infernizado por Hulk durante o primeiro tempo inteiro, Sergio Sánchez deu lugar ao Fabuloso em uma troca de "tudo ou nada" de Manzano. O brasileiro mostrou por que foi uma opção para lá de infeliz de Gregório colocá-lo no banco em um jogo decisivo: o brasileiro recebeu bom passe de Negredo, livrou-se de Otamendi e bateu firme à meta de Helton paraabrir o placar para o Nervionenses. Após o tento, tudo parecia conspirar a favor dos rojiblancos da Andaluzia, com a expulsão de Álvaro Pereira, mas Alexis colocou tudo por água abaixo: após cometer falta boba em Hulk, o ex-Valencia recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso, justamente no momento em que o Sevilla pressionava em busca do gol da classificação.

Nos minutos finais, Hulk, principalmente, e Guarín tiveram duas ótimas oportunidades de matar a classificação, mas pararam nas mãos de Javi Varas, o melhor em campo. O canterano vai sendo essencial na ausência de Palop e, a cada jogo, vai ganhando a confiança de Manzano e dos aficionados. Agora, resta ao Sevilla concentrar suas forças na Liga BBVA, onde a equipe terá um duelo decisivo nesta semana: encara o Atlético de Madrid no Vicente Calderón, em jogo que pode definir uma das três vagas para a próxima Liga Europa.

No El Madrigal...

Nilmar marcou seu primeiro tento em 2011 e o Villarreal conseguiu uma virada histórica ante o Napoli (AP Photos)

... o Villarreal sai atrás do marcador, mas, na raça, foi atrás do resultado e virou a partida, garantido vaga nas oitavas-de-finais da competição europeia. Jogando no 4-4-2 com dois meias abertos pelo flancos, ao invés de um meio-campista a rombo, como vem jogando em boa parte na temporada, os amarillos começaram impondo muita velocidade pelos lados.

Aos 15', porém, um verdadeiro banho de água frio nos aficionados castellonenses: Hamsik apareceu sozinho dentro da área, mergulhou de cabeça e fez 1 a 0 para o Napoli. Em êxtase, os tifosi napolitanos exageraram na celebração e acabaram caindo um sobre os outros derrubando o pequeno alambrado do estádio El Madrigal que os separavam do gramado. De acordo com relatos da imprensa europeia, alguns torcedores se feriram, sendo rapidamente atendidos por médicos e encaminhados a hospitais.

Ainda no primeiro tempo, orquestrados por um mágico Borja Valero, aos 43', Nilmar aproveitou bobeada de Cribari e empatou a partida, marcando seu primeiro tento em 2011. A igualdade no placar colocou fogo na partida, já que os napolitanos seguiam com a classificação em mãos, mas apenas pelos gols marcados fora de casa. A esperança, porém, foi dizimada logo em seguida, aos 45', pelo italiano Rossi. Com 2 a 1 no placar, o Villarreal aproveitou a esfriada do intervalo para tomar as rédeas da partida.

No retorno para a etapa final, mesmo com o apoio de sua torcida, o Villarreal não conseguiu impor seu futebol e sofreu uma forte pressão do Napoli, que acertou a trave espanhola em quatro oportunidades. Após segurar o resultado, o Submarino Amarelo conseguiu avançar de fase e terá pela frente o Bayer Leverkusen nas oitavas.

domingo, 9 de janeiro de 2011

18ª Rodada (1ª parte): O Sevilla ainda sonha

De volta à boa fase, Luís Fabiano pode ser essencial para o Sevilla daqui para frente (getty images)


Nos três jogos que abriram a segunda rodada de 2011, destaque para os únicos vencedores, Barcelona e Sevilla. O primeiro porque manteve-se na liderança da competição e com uma nova goleada; o segundo, espantou a má fase de vez e venceu um confronto direto por competição europeia contra a Real Sociedad. Os sevillistas, antes vindo de cinco derrotas consecutivas, já chegam a quatro vitórias consecutivas e ainda sonham com uma vaga na próxima Champions League. No outro jogo do dia, o novo Málaga só empatou diante do Athletic Bilbao, mas mostrou uma boa imagem. Confiram a primeira parte do resumo da décima oitava rodada.

Real Sociedad 2x3 Sevilla
A pegada foi o antídoto do Sevilla para sustentar a carência defensiva. Foi assim que bem definiu o El Des Marque. Os rojiblancos caminhavam para sua sexta derrota em sete partidas, mas um gol de Luís Fabiano, que assim como seu time vê a boa fase voltando, representou o início de uma remontada. Se Manzano já declarou que irá priorizar a Copa del Rey, e levando em conta que o time tem um confronto complicado ante o Villarreal na quinta-feira, o técnico de Jaén ainda quer a vaga na Champions e, por isso, foi com o time titular para o jogo. No meio-campo, a única surpresa foi a escalação de Perrotti no lugar de Diego Capel. El Morito, porém, fez uma grande partida, sendo importante nas infiltrações pelo lado direito do campo.

A partida começou equilibrada e teve pitadas de emoções desde o início. Após jogada de Xabi Prieto, Diego Rivas pegou com estilo na bola para abrir o placar para os txuri-urdin; mas, no lance seguinte, Kanouté empatou para o Sevilla. Ainda no primeiro tempo, Joseba Llorente aproveitou fragilidade da defesa rojiblanca, antecipou-se a Alexis e encobriu Palop para desempatar a partida. Na volta para o intervalo, Manzano ainda perdeu Palop, lesionado. Parecia que tudo iria por água abaixo. Mas aí, o técnico sevillista foi para o tudo ou nada e fez uma troca que mudou o rumo da partida. Após tirar Renato e colocar Negredo, o Sevilla ficou mais veloz no ataque e foi aí que a partida começou a ficar em suas mãos. O canterano do Real Madrid, que desmentiu propostas do Liverpool, foi fundamental para a vitória andaluza.

Primeiro, Negredo aproveitou passe de calcanhar de Cáceres, chutou cruzado e Luis Fabiano apareceu para completar. Depois, o Sevilla partiu para um contra-ataque raro na temporada, mas que foi fulminante: Num 4x3, Negredo recebeu de Luis Fabiano e tocou para Kanouté, cada dia mais essêncial para o Sevilla, chutar no canto direito de Bravo, chegar ao seu doblete e garantir uma vitória importante para o rumo do Sevilla na competição.

Se este Sevilla ainda não anima, o progresso vem sendo adequado. A defesa é frágil e o meio-campo é pesado, mas o ataque vem sendo fulminante nos últimos jogos. Com a volta da boa fase de Luis Fabiano, um Kanouté inspirado a cada jogo e um Negredo eficiente, o Sevilla pode sonhar com Champions League. No lado basco, o momento não é de brincadeira: os euskaras estão a cinco rodadas sem ganhar e, de lá para cá, caíram seis posições. Hoje, só viveu de lampejos de Xabi Prieto e sentiu muito a falta de Griezzman. Para um time que sonha com uma competição europeia, uma amnésia como essa não pode acontecer nunca e a postura deve ser radicalmente mudada.

Deportivo 0x4 Barcelona
Antes da partida, o Marca já avisava: "Perigo: Messi e Villa estão a caminho do Riazor". O aviso foi por um motivo óbvio: a dupla é o pesadelo dos galegos. Messi já disputou sete partida contra o Depor, onde marcou cinco vezes. Villa, por sua vez, marcou onze vezes em quatorzes confrontos. Villa chegou ao seu gol de número 150na Liga Espanhola (31 pelo Zaragoza, 107 pelo Valencia e 12 pelo Barcelona). Com o número, o Guaje tornou-se o segundo asturiano a chegar ao feito, só sendo superado pelo mítico atacante Quini. Para construir a goleada, o Barcelona pressionou o La Coruña desde o início do jogo, principalmente com Messi e Vila, e priorizava as bolas trabalhadas pelos flancos do campo. Mas precisava ter paciência, já que a defesa adversária se mostrava bem organizada e suportava bem as investidas. Segundo Guardiola, não foi fácil para o Barcelona romper a barreira defensiva montada por Lotina.

Os galegos atuaram no 5-3-2 e até conseguiram parar alguns ataques dos azulgrenás com alguma eficiência, porém, no segundo tempo, não aguentaram o rítmo exercido pelo Barcelona, que dominou a partida. Adrián, em ótima fase, era a esperança de gols pelo lado blanquiazul, mas El Piscú só apareceu duas vezes na partida. E sendo destaque negativo: nas duas chances que teve, Adrián perdeu dois gols incríveis ante Valdés. No resto da partida, o promissor atacante foi perseguido por Piqué, que conseguiu pará-lo sem fazer muito esforço.

Há de se destacar a bela partida de Mascherano, Keita e Iniesta. O primeiro, acostumado a receber cartões amarelo em quase todo o jogo, tomou conta do meio-campo blanquiazul e cometeu apenas três faltas(em circunstância, as únicas faltas do Barcelona na partida); o segundo, substitui Xavi à altura e errou poucos passes, além de deixar Pedro e Villa na cara de Aranzubia por duas vezes; o terceiro, autor de um belo gol, deu um recital no meio-campo e, dois antes da entrega do prêmio Bola de Ouro FIFA, onde é um dos favoritos, comandou o Barcelona, ao lado de Messi, à goleada. Pelo lado blanquiazul, as palavras do técnico Miguél Angel Lotina na coletiva pós-jogo resume bem a atuação de seus comandados: o rendimento do Deportivo foi bom, ao contrário do resultado. No primeiro tempo, o Deportivo cerrou a posse de bola blaugrana e levaram muito perigo ao gol de Valdés, postura não exercida no segundo tempo.

Málaga 1x1 Athletic Bilbao (Pedro Spiacci)
Depois de Chelsea e Manchester City, agora é o Málaga o dono do dinheiro. Comprado pelo Sheik do Qatar Abdullah bin Nasser, os boquerones fizeram algumas contratações para o restante de La Liga. Na partida de hoje, na Andaluzia, o treinador Manuel Pellegrini escalou a equipe no 4-2-3-1 e contou mais uma vez com os contratados Asenjo, Demichelis e Maresca. Ainda falta a estreia de Júlio Baptista, que só não jogou por falta de um documento. Do outro lado, o adversário era o forte Athletic Bilbao, que optou pelo mesmo esquema, confiando no centroavante Llorente, em momento muito bom.

Porém a partida no La Rosaleda foi toda do Málaga. Nada de gols na primeira etapa, mas o jogo seguiu sua tendência. Llorente, sem grande apoio dos meias, poucas chances teve e nada pôde fazer. Muniain ainda tentou muito pelo flanco direito, mas não obteve resultado. O zagueiro Demichelis que acabou marcando, após aproveitar cruzamento e abrir o placar de cabeça. Porém, faltou sorte aos boquerones. No último lance da partida, em confusão na área, o volante da seleção espanhola Javi Martínez marcou o empate dos leones.

As circustâncias do empate fizeram com que o resultado fosse mais negativo ainda ao Málaga. Se os três pontos fossem conquistados, os boquerones conseguiriam abrir uma maior vantagem em realação à zona do decenso. Porém, ficou clara a melhora do futebol do Málaga e com mais dinheiro no clube, é muito provável que o clube consiga a recuperação na Liga Espanhola 2010/11. Não que o torcedor tenha visto um futebol incontestável e de encher os olhos, mas já é possível perceber que este time tem margem de crescimento. Os bascos continuam bem posicionados, na oitava posição, próximos a zona de classificação às competições europeias.

Confira a análise, time a time, do primeiro turno aqui.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Análise do primeiro turno: Sevilla

Antes unanimidades, Jesus Navas e Luís Fabiano convivem com lesões e são as decepções sevillistas na temporada (eldesmarque)

Campanha
11ª posição. 16 jogos, 20 pontos. 6 vitórias, 2 empates e 8 derrotas. 21 gols pró e 27 gols contra.

Técnico
Antonio Álvarez, até a quinta rodada; e Gregório Manzano, a partir da sexta rodada. Em apenas um mês e meio, as coisas mudaram bastante no Sevilla. Antes tido como salvador da pátria, Gregorio Manzano vem amargurando péssimos resultados à frente dos rojiblancos. E o pior de tudo: tem batido recordes negativos. Foram seis derrotas contra quatro vitórias. Isso dá uma média de 1,2 pontos ganhos por jogo. Em comparação com os técnicos anteriores, Manzano leva uma verdadeira goleada. Antonio Álvarez, técnico duramente criticado, apesar de ajudar o clube a faturar a Copa do Rey na temporada passada, tem média de 1,62 pontos por jogo. Manolo Jiménez, que dirigiu o time por três anos, é o que tem a melhor média entre todos, marcando 1,75 pontos por jogo. Já Juande Ramos, melhor técnico da história do Sevilla, responsável direto por elevar o clube no cenário nacional, conseguiu uma média de 1,74 pontos por partida.

Destaque
Kanouté. Em meio à crise, Kanouté é um dos poucos que se salvam. Com cinco gols é o artilheiro do Sevilla ao lado de Negredo, outro que vem se destacando. O malinês tem decidido em dobro já que seu companheiro de ataque, Luis Fabiano, não faz uma boa temporada e perdeu o lugar para Negredo no time, que cumpre seu papel regularmente. Negredo surpreende: antes criticado, o canterano do Real Madrid está exercendo um papel importante e, apesar de continuar perdendo gols bobos, também é um dos que se salvaram no primeiro semestre. Destaque positivo também para o uruguaio Cáceres, que driblou a desconfiança após a "flopada" no Barcelona e virou o xerifão da zaga andaluza. Quem demorou a aparecer, mas tem voltado a ganhar destaque é Perrotti e Diego Capel, os extremos direito e esquerdo, respectivamente, no 4-1-3-2 de Manzano.

Decepção
Há muitas opções para colocar aqui, mas pela sua importância para o time e pelo futebol não apresentado devido às lesões, a decepção é Jesus Navas. Navas começou a preparação para esta temporada mais tarde do que os outros jogadores do elenco do Sevilla, por causa de sua participação - muito boa, diga-se de passagem, principalmente na final - na Copa do Mundo. Fora de forma, o meio-campista parece alheio aos jogos e não tem conseguido acompanhar o ritmo dos companheiro. Sempre lesionado, Jesus Navas já sabe que, quando voltar ao time, terá que suar para ganhar a vaga de Perrotti, que vem ganhando pontos com a torcida e com Manzano. Luis Fabiano também decepciona e não é nem sombra daquele atacante da temporada passada. O brasileiro caiu de produção e viu sua vaga no ataque rojiblanco perdida para Negredo, artilheiro do time.

Perspectiva
Competição europeia. A fase não é animadora, mas não se deve subestimar o Sevilla, clube mais vencedor espanhol nos últimos seis anos fora Barcelona e Real Madrid. Com 20 pontos em 16 jogos, os sevillista encontram-se apenas na décima primeira colocação do Campeonato Espanhol. Além do mais, amargam cinco derrotas consecutivas na competição, o que não acontecia desde 2000 e posiciona Gregorio Manzano como o pior treinador do século 21 no clube. Mesmo assim, a confiança do presidente do time, José María del Nido, é tão grande de que a equipe irá reagir na competição, que já conta com o dinheiro que receberá por uma eventual participação na UEFA Champions League da próxima temporada.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Resumo: 12ª Rodada (2ª parte)

Luis Fabiano chegou ao seu centenário de gols com a camisa do Sevilla, mas saiu lesionado de campo e viu o Sevilla perder outra no Ramón Sanchéz Pizjuan (reuters pictures)

Na segunda parte de jogos da décima segunda rodada, vimos um Sevilla cada vez mais incostante e um Mallorca que joga um futebol cada vez mais peculiar. Neste início de temporada, os baleares conseguiram tirar pontos de equipes como Barcelona, Real Madrid e Sevilla, mas também já conseguiu a proeza de perder para Deportivo e Zaragoza. Luis Fabiano marcou pela centésima vez com a camisa do Sevilla, mas, além de ver sua equipe derrotada, saiu de campo lesionado e ficará de fora dos gramados por, no mínimo, três semanas. No Anoeta, a Real Sociedad perdeu para o Atlético de Madrid (num confronto direto por vaga na Champions) e desperdiçou a oportunidade de colar no Espanyol, que venceu o Hércules, aproveitou empate do Valencia no sábado e entrou na zona de Champions.

Sevilla 1x2 Mallorca
Apenas 48 horas se passaram depois de Monchi ter considerado a necessidade de ter um meio de campo renovado e a própria equipe se encarregou de demonstrar que a necessidade é verdadeira. O Sevilla sucumbiu em Nervión ante um grande Mallorca, dando a sensação de vontade de vencer, porém, sem saber fabricar futebol. O que aconteceu nesse domingo foi que o Sevilla voltou a fazer uma de suas piores partidas em casa, dignas da passada campanha, sem o mando de campo e baseando seu jogo em bolas aéreas e chutões, sobretudo no segundo tempo. Dessa vez, Kanouté não funcionou. Mesmo assim, os nervionenses foram capazes de empatar, porém, não deram a impressão de que estavam fazendo as coisas melhor que seu rival. Portanto, acabou entregando a partida em uma das muitas falhas garrafais que cometeram. O pior foi que perderam a chance de subirem para a quarta posição.

Real Sociedad 2x4 Atlético de Madrid
O Atlético de Madrid rompeu sua racha negativa no Anoeta no ritmo de Agüero. Os rojiblancos, que nunca haviam vencido em San Sebastián, fora conduzidos pelo genro de Maradona, que participou diretamente de três dos quatro tentos. Joseba Llorente abriu o placar para os anfitriões, mas Forlán mostrou que seu faro de gol está de volta e empatou no segundo tempo, após culminar linda jogada de Kun. A Real Sociedad deu sobrevida ao time de Quique Sanchéz Flores e desperdiçaram grandes oportunidades de matar logo a partida, antes do show de Agüero começar. A remontada colchonera só foi sair aos 26' da segunda etapa.

Getafe 1x1 Zaragoza
Na estreia de Javier Aguirre no comando dos maños, o Zaragoza até mostrou uma postura diferente em campo, mas não conseguiu levar os três pontos. Porém, ainda há muito o que melhorar. O gol, por exemplo, só saiu porque Codina errou feio na frente de Bertolo. Aguirre trocou do 4-3-2-1 para o 4-2-3-1. A arbitragem do Teixera Vitienes deixou a desejar. Expulsou Ponzio em um lance bastante duvidoso e deixou de apitar um possível pênalti de Marcano sobre Lafita. No Getafe, superior aos colistas na partida, a falta de oportunidades ainda dá dor de cabeça em Míchel González.

Espanyol 3x0 Hércules
A cada dia, este Espanyol dá mais amostras de como é parecido com o Mallorca da temporada passada. Se fora da Catalunha, os péricos mostram um futebol bem inferior aos adversários, dentro do Cornellà del Prat, a atitude é outra. É o Hércules foi a vítima dessa constância. Em seis jogos disputados em seu estádio, foram seis vitória (18 pontos conquistados). Destaque maior para Osvaldo, que voltou a exibir um belo futebol. Depois de um início de temporara tímido, o ítalo-argentino, destaque do time na temporada passada, vai voltando ao velho rumo. Além do gol, foi bem lépido no ataque e passou para Luis García fechar o marcador. Trezeguet até deu trabalhos para Kameni, mas o domínio do Espanyol foi amplo e os ataques dos herculinos foram bem tímidos.

Deportivo 3x0 Málaga
Novamente escalado no 5-3-2, o Deportivo venceu mais uma na competição. Ante o Málaga, os galegos conseguiram uma valiosa vitória num jogo de confronto direto pelo rebaixamento. Os erros da zaga malaguesa nas bolas aéreas e a grande efetividade do ataque blanquiazul foram os caminhos para a vitória.

CRAQUES DA RODADA
Lionel Messi (Barcelona)
Cristiano Ronaldo (Real Madrid)
Sergio Agüero (Atlético de Madrid)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Descapitalização do Sevilla

Jose Maria del Nido, presidente do Sevilla (reuters)

Após a eliminação para o fraco Braga(POR) na fase preliminar da LC, o Sevilla se vê em uma grande descapitalização. O time que Antonio Alvarez levou a campo nessa partida em relação ao time que Juande Ramos colocou em campo há cinco anos atrás contra o Celta, em Balaídos, é um grande exemplo do que se convertiria a equipe andaluz. Ao final do texto, podem ser comaparadas ambas as escalações.

A primeira coisa que mais chama atenção é a renovação extrema do time, em um período de um lustro - cinco temporadas -, ou seja, um período não tão grande para um clube que viveu um ciclo triunfador, só sobraram como titular Palop e Jesus Navas, e no plantel Drago, Renato, Kanouté e Luis Fabiano. Ao inverso, dos que jogaram contra o Braga, e fora os mencionados, somente Julien Escudé coincidiu com aquele time de 2005. Houve bastante mudanças, desde então.

É quando se começa a analisar as trocas quando percebes que algo há mudado demais, e não para um lado bom, mudança na estrutura da equipe. Com certeza, a baixa que mais chama atenção e mais sentida foi a de Daniel Alves, que é um super jogador e foi um ótimo negócio, com certeza se encontra entre os melhores jogadores do mundo. Seu substituto, Konko, não demonstrou muito nos dois anos e meio que está no clube, e apenas disputou metade das partidas. Não pode se esperar que cada ano venha um jogador por menos de um milhão de euros que se torne um craque mundial, mas se deve reconhecer que faz tempo que não chega a Nervión um futebolista da qualidade comparável a de Kanouté ou Luis Fabiano - o primeiro quem sabe jogou suas melhores partidas pelo Sevilla, enquanto o segundo faz tempo que tem a mente do outro lado, fora de Sevilla -, e nem mesmo da importância de Renato ou Adriano Correa. Do onze inicial da partida contra o Braga, raramente imaginamos um jogador dos "novos" em uma equipe de nível mundial. Talvez com a honrosa exceção de Perotti. Parecia também que Negredo até ano passado. Zokora é um meio campo útil, e um pouco mais e só.

Outra categoria que parece ter sumido de uma escalação para outra é um jogador rodado ou veterano de grande rendimento. Nessa categoria podemos colocar Javi Navarro que se converteu no símbolo do Sevilla após chegar do Valencia; Enzo Maresca que recordamos de sua excepcional prestação ao time na final de Eindhoven, que chegou depois de más atuações na Juve; ou o Pep Martí, meio campo de notável rendimento que atuou até os 33 anos como um dos pilares do meio campo. Esse tipo de futebolista parece ter desaparecido das escalações "modernas", em que só encontramos germes do conceito, como Alexis ou Fernando Navarro.

Finalmente, para não extender muito, apontamos algo sobre o potencial caminho percorrido dos jogadores de cada equipe. No de 2005, no mínimo sete jogadores da escalação titular se pode garantir uma grande carreira por vários anos, sem medo de se equivocar em demasia; e assim foi, todos eles no Sevilla, exceto Daniel Alves e Adriano, hoje no Barcelona. A quantos da escalação principal desejamos, realismo em mãos, um futuro tão promissor? Com certeza muito menos, e as razões dessa resposta é o que está levando muita gente a se perguntar o que há mudado nesses anos no exemplar secretariado técnico do Sevilla? No que Mochi passou de milagroso a discutido. A mudança foi notável.

Sevilla (setembro 2005): Palop; Alves, Javi Navarro, Dragutinovic, David; Jesús Navas, Maresca, Martí, Renato (Kanoute, m. 46); Adriano (Saviola, m. 46) y Luis Fabiano (Kepa, m. 64).

Sevilla (setembro 2010): Palop; Konko, Alexis, Escudé, Fernando Navarro; Alfaro (Acosta, m.80), Zokora, Guarente, Navas, Perotti; Cigarini (José Carlos, m.69) y Negredo (Luis Fabiano)


domingo, 22 de agosto de 2010

Ritmo de treino

Em jogo de um time só, o Barcelona comemora seu oitavo título em um período de um ano (AP)


Quando no primeiro jogo o Sevilla derrotou um Barcelona recheados de jogadores jovens, Guardiola e Rosell começaram a ser questionados sobre o porquê de não contratar mais. Javier Gascón, colunista do Mundo Deportivo, chegou a fazer um texto muito interessante sobre esse assunto (Contratar ou não contratar: O 3-1 do Sevilla realimenta o debate no Barcelona) que pode ser lido aqui (em castellano). Quase uma semana depois de todas as perguntas serem feitas, finalmente Guardiola apareceu para responde-las. Em tom meio que irônico, Pep disse que confia demais nos jogadores da cantera e que irá usá-los se não contratar mais ninguém. Além disso, Pep falou também que confia no seu time titular (dando a entender que não precisa mais de contratações). E provou que está certo... certíssimo.

O Sevilla praticamente não viajou para Barcelona. Talvez a equipe que Álvarez treina não chegou a descer do ônibus com a intenção de disputar a Supercopa, ou já tinha dado tudo por perdido desde que o Sporting Braga causou danos à equipe na ida da prévia da Champions. Diretores, jogadores e técnicos falavam da importância do título e da necessidade de não pensar no que aconteceria no meio da semana que vem. Porém, a equipe demonstrou sobre o campo que não tinha a mente onde deveria ter.

Os sevillistas saíram distraídos e se encontraram com a genialidade e a qualidade de uma grande equipe. O Barça não tardou em dominar e chegar com perigo, ante a permissividade e a tolerância de um Sevilla que defendia sem vontade, sem tensão, e que oferecia uma imagem muito pobre. Após boa troca de passes do Barcelona, Pedro recebeu de Xavi e partiu para uma jogada individual. Na corrida, deixou Capel para trás e driblou Fernando Navarro, para, logo em seguida, cruzar para área. Para infelicidade dos rojiblancos, Konko, que fez uma partida para se esquecer, mandou para as próprias redes. Era o primeiro gol do Barcelona aos 12 minutos. Cedo, como não queria Álvarez. Daí pra frente, um passeio dos catalães que sentenciaram no primeiro tempo ante o atônito olhar de Álvarez, que via como a sua equipe desmanchava sem fazer nada. Messi, no minuto 24 e antes do descanso, aproveitou mais duas falhas defensivas para selar a goleada antes de ir para o vestiário.

Primeiro, a Pulga aproveitou um passe genial dado por Xavi - antes mesmo do meio-campo - para, com extrema frieza, tocar na saída de Palop. O terceiro gol foi, quem sabe, o mais bonito da partida. Numa troca de passes que começou lá na zaga com Piqué, Pedro recebeu do zagueiro e acionou Daniel Alves. O brasileiro desceu rapidamente pela direita, fez a finta em Capel e tocou nas costas Escudé para Messi, que saiu de marcação de um desastroso Konko e, com a perna direita, mandou no ângulo de Palop. Já nesse momento, muitos torcedores sevillistas perguntavam por Luís Fabiano e Kanouté, e quando iria vir um zagueiro para suprir a baixa de Squillaci, que provavelmente será negociado com o Arsenal.

Depois do intervalo, engana-se quem pensou que o Sevilla iria mudar. A tônica continuou a mesma. Álvarez demorou mais de quinze minutos para mexer no time, minutos de ouro. Os “olés” eram escutados ns arquibancadas a cada interminável toque de bola do Barcelona, enquanto os visitantes assistiam a partida como meros espectadores. Para felicidade dos torcedores, Guardiola resolveu colocar em campo Iniesta e o estreante da noite David Villa. O Guaje entrou com uma vontade enorme, vontade de quem quer ser ídolo dos culés. Poucas opções claras dos jogadores de Guardiola (exceto uma de Iniesta), que já tinham a partida controlada, e nenhuma oportunidade para os nervionenses. O último gol de Messi, com o tempo de partida quase cumprido, depois de um passe de Iniesta, selou a humilhação e revelou as vergonhas e carências sevillistas.

Acabo este texto falando sobre o perdedor da noite. Em resumo, uma imagem tão pobre quanto preocupante. O Sevilla esteve nulo na defesa. Perdendo deste jeito e mostrando erros faceis de serem explorados, o Sevilla chega de uma maneira ruim para o jogo decisivo de terça, contra o Braga, onde jogará tudo na temporada. Ontem, atirou o título pela janela no Camp Nou e o mais preocupante é que pareceu não se importar. Onde está a ambição desse clube?

Barcelona 4x0 Sevilla
Barcelona: Valdés; Daniel Alves, Piqué, Abidal, Maxwell; Keita, Xavi (Adriano, m.88) Busquets; Bojan (Iniesta, m.56), Pedro (Villa, m.56), Messi.
Sevilla: Palop; Dabo, Escudé, Konko, Fernando Navarro; Jesus Navas, Zokora, Romaric (Cigarini, m.60), Capel (Luis Fabiano, m.60); Alfaro (Perotti, m.60) e Negredo.
Árbitro: Teixera Vitienes
Gols: Konko (contra), Messi (três vezes)
Cartões Amarelos: Piqué (Barcelona) e Romaric (Sevilla)

sábado, 14 de agosto de 2010

Pós-jogo: Sevilla 3x1 Barcelona

Num grande segundo tempo, o Sevilla abriu uma boa vantagem perante o Barcelona e obriga os blaugranas a tentarem a sua primeira remontada na temporada (reuters)


Sevilla e Barcelona abriram oficialmente a temporada 2010-11 do futebol espanhol. Em um bom jogo de futebol no Ramón Sánchez Pizjuan, na Andaluzia, o Sevilla saiu na frente na busca de seu segundo título de Supercopa. Aproveitando-se do fato de o Barcelona ter escalado um time recheado de jogadores da filial, o Sevilla fez o que o seu técnico pediu: a lição de casa para cima dos blaugranas.

Segundo palavras do técnico sevilista Antonio Álvarez, na coletiva oficial de pré-jogo, se há uma maneira de o time andaluz vencer esta competição é derrotando - e bem - o Barça jogando em seus domínios. Extremamente desfalcado, o Barça começou melhor a partida, tentando impor sua principal característica sobre o adversário: a posse de bola. Melhor no primeiro tempo da decisão, o time catalão criou sua primeira grande chance logo aos 17 minutos, quando o jovem atacante Bojan não aproveitou a falha do zagueiro Dabo para vencer Palop. Por outro lado, o Sevilla, apostando na velocidade pelos flancos, respondeu em seguida: Jesús Navas obrigou Miño a fazer grande defesa.

Ibrahimovic, autor do passe para Bojan, segue em busca de afirmação na Catalunha. Os jogos da Supercopa pode ser uma prova de que o sueco pode, sim, dar a volta por cima. Envolvidos em especulações que o colocam em Manchester City, Chelsea e Milan, o sueco fez hoje uma boa partida. E o primeiro gol da partida foi exatamente dele. Aos 20 minutos, Maxwell, atuando como um verdadeiro ponta-esquerda, fez grande jogada e encontrou Ibrahimovic dentro da área. O sueco venceu Palop para abrir o marcador e deixar sua equipe em uma situação muito favorável na competição.

Na volta para a segunda etapa, Álvarez resolveu pôr em campo a principal contratação do Sevilla para a temporada: Gigarini (ao lado de Guarente, que não jogou hoje). O italiano foi um dos principais responsáveis pelo revéz sevillista no jogo de ida. O ex-jogador do Napoli descolou um ótimo lançamento para o Luís Fabiano, que ganhou na velocidade de Sérgi Gomez e bateu de esquerda, na saída de Miño, para colocar o Sevilla de volta à partida. Antes do tento, o Sevilla ainda viria a perder uma ótima oportunidade com Renato, após cruzamento de um apagado Jesus Navas, homenageado pelo presidente Del Nido antes da partida.

Guardiola: No jogo em que comemorava dois anos à frente do Barcelona, Pep foi questionado (getty images)

A partir do empate, o Barcelona não se encontrou mais em campo. Mesmo com Messi, que entrou aos seis minutos do segundo tempo, o time da Catalunha sofreu com as jogadas pelas laterais do Sevilla. E, desta forma, os donos da casa construíram a grande vantagem para a partida fora de casa.

Aos 29 minutos, Negredo fez grande jogada pela esquerda e cruzou na medida para Kanouté, que havia entrado em campo dois minutos antes. Oportunista como sempre, o atacante da seleção de Mali finalizou com precisão para colocar o Sevilla à frente no marcador, em novo atraso na marcação do canterano Sérgi Gomez. Nove minutos depois, o africano apareceu novamente, desta vez após desviar de cabeça o cruzamento de Perotti, para marcar o terceiro e sacramentar o resultado.

Após o final de jogo, Guardiola foi questinado sobre o porquê de não ter colocado em campo os jogadores campeões do mundo. O treinador foi sintático e claro na sua resposta. Segundo ele, nem todos os jogadores estão no ápice de sua forma e não poderia arriscá-los em campo. O certo é que todos eles estarão de volta para o jogo no Camp Nou, no Sábado 21. Com Iniesta, Xavi, Villa, Piqué, Puyol, Valdés e Pedro, mais Lionel Messi, o Barcelona tem totais condições de remontar.

Veja aqui a coletiva pós-jogo completa de Guardiola (em castellano).O jogo da volta acontece no Sábado que vem; dessa vez, no Camp Nou.

Sevilla 3x1 Barcelona
Sevilla: Palop; Konko, Escudé, Fazio, Dabo; Jesús Navas, Zokora, Romaric (Cigarini, m.45), Perotti; Renato (Kanouté, m.64) , Luis Fabiano (Negredo, m.70).
Barcelona: Miño; Alves, Sergi Gómez, Milito (Adriano, m.80), Abidal; Maxwell, Keita, Oriol, Dos Santos; Bojan, Ibrahimovic (Messi, m.52).
Árbitro: Muñiz Fernández, das Asturias.
Gols: Luís Fabiano, Kanouté e Kanouté (Sevilla); Ibrahimovic (Barcelona).
Cartões Amarelos: Zokora, Dabo e Cigarini (Sevilla); Daniel Alves (Barcelona).

Balanço final: Sevilla

Com as constantes lesões de Luís Fabiano, Jesus Navas liderou o Sevilla na temporada (AP)

SEVILLA

Técnicos: Manolo Jiménez e Antonio Álvarez
Competição europeia: Liga dos Campeões (caiu nas oitavas de final)
Copa do Rei: campeão
Destaque: Jesús Navas (meia)
Artilheiro: Luís Fabiano (15 gols)
Nota da temporada: 6,5

Claramente a aposta do Sevilla foi a Liga dos Campeões. O objetivo era fazer uma campanha melhor que há três temporadas, quando parou nas oitavas de final, eliminado pelo Fenerbahçe em casa. Não deu certo. O time caiu na mesma fase, novamente para uma equipe acessível (o CSKA Moscou).

Os sevillistas ficaram sem energia para o Campeonato Espanhol e por pouco não perderam a vaga à LC 2010/11. Jesús Navas foi o grande nome, mas figuras importantes como Luís Fabiano, Kanouté e Capel ficaram abaixo das temporadas anteriores. Pelo menos, veio o título da Copa do Rei para contentar a torcida.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Ressureição Sevillista?

Jogadores comemoram: seria uma ressureição rojiblanca? (as)


Que ninguém pense que voltou aquele Sevilla excelente de Juande Ramos. Sequer trata-se de um Sevilla à altura do time dos primeiros meses dessa temporada. Porém, trata-se de um Sevilla com boa atitude e com vontade, e isso já é uma mudança. Luís Fabiano e Kanouté querem jogar e os demais jogadores os buscam. Só com isso, o Sevilla já começa a ser temível. Se a isso adicionarmos o comando de Drago, a inspiração de Palop e uma pequena melhora de Renato, só será necessário esperar a volta de Navas, Zokora e Perotti para que não escape o quarto lugar.

Desde o início se notava que o Sevilla era outro. Sem muitas ocasiões claras, porém, muito mais alegre. Luís Fabiano estava com vontade de jogar, Kanouté tinha tirado muitos anos das suas costas e Renato aparecia por muitas zonas do campo. Capel era mais ativo. Com esses fatores, o gol chegou já na terceira tentativa: controle de Luís Fabiano, manobra de imensa qualidade e passe para Kanouté, que aproveitou a ruim linha de impedimento do Tenerife e definiu rasteiro para o gol.

A partida era um toma lá dá cá constante, com o Sevilla sofrendo na defesa e com o Tenerife tentando empatar. Nem tudo era bom, porém, ao menos os chutões passaram a ser convertidos em um recurso, ao invés de ser um modo de jogo. Os visitantes tiveram uma ocasião claríssima, e Luís Fabiano finalizou uma cobrança de falta na trave, o que poderia ter sido o segundo gol, próximo do intervalo. Porém, minutos depois, Renato controlou a bola e passou para o Fabuloso, que matou com o peito e girou, batendo cruzado. Golaço. Luís Fabiano era disparado o homem da partida.

O Tenerife não tinha outra alternativa a não ser atacar muito mais no segundo tempo. Os jogadores de Oltra tinham a posse de bola e o Sevilla esperava o contra-ataque que mataria a partida. As melhores chances foram dos visitantes. Dinei e Nino viram como Palop se virava enquanto eles quase comemoravam gols. Os minutos se passavam, o Sevilla não chegava e isso animava o Tenerife. Mas era só engordar para morrer: o ponto final foi colocado por um canterano: José Carlos. Cobrou uma falta na gaveta e fez o terceiro gol.

domingo, 28 de março de 2010

Adeus, Europa! (parte 2)

O CSKA, de Honda, eliminou o Sevilla em plena Andaluzia (reuters)

Depois de empatarem por 1 a 1 na Rússia, Sevilla e CSKA se enfrentaram no Ramón Sánchez-Pizjuán para decidir quem chegaria nas quartas de final da Liga dos Campeões.

O primeiro tempo foi bastante equilibrado. Logo aos três minutos, Luis Fabiano quase marcou, mas Akinfeev fez grande defesa. O time russo chegou bem aos 25 minutos. Honda recebeu bom passe de Necid e chutou para defesa de Palop, no rebote, o japonês tentou chutar no chão, mas a bola foi para fora.

Aos 38 minutos, o CSKA abriu o placar. Depois de cobrança de lateral, Honda tocou para Necid, que se livrou da marcação e chutou no canto de Palop para fazer 1 a 0. Dois minutos depois, Perotti empatou para o time espanhol, livre na área. O resultado do primeiro tempo levava a partida para a prorrogação.

O segundo tempo começou com o Sevilla melhor. E, aos sete minutos, Kanouté desperdiçou grande chance ao cabecear para fora cara a cara com o goleiro. Como resposta, o CSKA marcou o gol da classificação. Aos nove minutos, Honda cobrou falta de longe, Palop falhou e empurrou a bola para o gol.

Depois de sofrer o gol, o Sevilla não coseguiu mais se reencontrar na partida e marcar os gols que dariam a classificação ao time espanhol.

Amanhã, entra em campo o último representante espanhol na competição: Barcelona, que é favorito e deverá passar pelo Stuttgart.

FICHA TÉCNICA
Sevilla: Palop; Stankevicius, Dragutinovic, Fazio e Navarro(Adriano); Renato(Negredo), Zokora, Jesus Navas, Diego Capel(Kanoute) e Perotti; Luis Fabiano.
Técnico: Manuel Jimenéz

CSKA Moscou: Akinfeev; V.Berezutski, A.Berezutski, Ignashevich e Schennikov; Semberas, Aldonin, Krasic(Odiah), Mark González e Honda(Rahimic); Necid
Técnico: Leonid Slutski

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Sevilla põe um pé e meio na final

Renato disputa bola com Parejo. O Sevilla esta muito próxima da final(reuters)

Hoje à tarde, Sevilla e Getafe fizeram o primeiro jogo das semifinais da Copa do Rei 09/10. Com um Ramón Sanchés Pizjuan longe dos padrões habituais de público, os rojiblancos não permitiram uma "zebra" e obtiveram uma boa vantagem para o jogo da volta, ao ganhar por 2x0.

Mesmo jogando fora de casa, o Getafe não teve medo de se lançar ao ataque e assustou muito o Sevilla no início de partida. Aos 12 minutos, Parejo fez boa jogada pela direita e cruzou para Manu, que dominou e finalizou forte com a esquerda, porém, Palop já começava a fazer as suas habituais defesaças. O primeiro gol do jogo saiu só aos 45 minutos. Adriano, improvisado de lateral direito, cruzou para área e Luis Fabiano, livre, mandou para o fundo da rede. Na comemoração o brasileiro homenageou o presidente do clube, Del Nino, colocando um chapéu preto.

No segundo tempo, o Sevilla perdeu dois jogadores por lesão. O primeiro: Luís Fabiano. O brasileiro pediu substituição, após sentir lesão na coxa e foi substituido por Kanouté. O segundo: Romaric, que assim como Luis Fabiano, também sentiu a coxa e pediu substituição. No seu lugar entrou Dúscher. Pouco antes de perder Romaric, o Sevilla marcou o segundo gol no jogo. Mané recuou bola errada e Jesus Návas pegou, cruzou para área e Mario desviou contra a próprio meta.

No último lance do jogo, Mário poderia se desculpar pelo gol contra e, após cruzamento de Miku, cabeçeou a bola rente à trave de Palop, que só ficou olhando a bola sair de fininho.

Amanhã a outra semifinal será disputada entre Atlético de Madrid e Racing Santander e teremos um texto sobre a partida na sexta-feira.