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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Resumo: 33ª rodada (2ª parte)

Negredo marcou novamente e o Sevilla venceu o Villarreal. Disputa por Champions League reaberta após esta rodada? (eldesmarque)

Faltando cinco rodadas para o término da Liga BBVA, não é mais necessário fazer cerimônias: está aberta a temporada de cálculos. Embora após os jogos deste final de semana poucas posições tenham se alterado na tabela, o tempo vai se esvaindo e o campeonato começa a ser definido. Neste resumo da rodada, faremos também uma análise em perspectiva da sequência de jogos que aguarda as equipes que ainda brigam por algo nesta Liga BBVA. O símbolo "(c)" indica jogos em casa, enquanto "(f)" indica partidas disputadas fora de casa. Veja o calendário descrito em cada parágrafo e faça suas apostas.

Villarreal 3x2 Sevilla
Sem Kanouté e Jesus Navas, Manzano apostou num inédito 4-4-1-1 para um jogo crucial caso os nervionenses quisessem continuar sonhando com Liga dos Campeões. Raçudo, o Sevilla jogou com o coração na mão, venceu o Villarreal e, por que não, reabriu uma disputa que parecia ter chegado ao seu fim há algumas rodadas: a diferença de pontos entre o Sevilla e o Villarreal, último da zona de LC, é de apenas oito pontos e do Athletic Bilbao para os amarillos, seis pontos. Mais do que nunca, faltando cinco rodadas para o fim, a disputa por Liga dos Campeões está reaberta.

Na Andaluzia, Rakitic mostrou que está voando: participou, na maioria das vezes, das jogadas de perigo dos rojiblancos e marcou um bonito gol de falta. Zokora, outro que faz boa temporadas mas não aparecia positivamente há tempos, dominou o meio-campo do Villarreal, desfalcado de Cani e Borja Valero, poupados para a partida contra o Porto, na quinta-feira, e deu uma bonita assistência para o gol de Negredo. A partida caminhava para uma tranquila vitória do Sevilla, que não era ameaçada pelos anfitriões, mas Rossi, que também havia sido poupado inicialmente, mostrou por que o Barcelona pode oferecer trinta milhões de euros por sua contratação e acertou um belo chute no ângulo de Javi Varas. O gol do ítalo-americano, porém, não assustou o Sevilla, que continuou dominando até o apito final de Undiano Mallenco. A equipe de Garrido, perdedora hoje, terá que dividir suas atenções entre a competição continental e a nacional, mas pode comemorar um fato: a tabela, a partir de agora, não irá exigir um maior esforço. Os amarillos irão encarar Getafe (c), Mallorca (f), Almería (f), Real Madrid (c), Osasuna (f), enquanto o Sevilla terá pela frente Almería (f), Real Madrid (c), Osasuna (f), Real Sociedad (c), Espanyol (f).

Atlético de Madrid 4x1 Levante
No Vicente Calderón, novo show de Agüero. Escalado no 4-4-2 a rombo, Quique preteriu Forlán novamente para escalar Diego Costa como companheiro do argentino. E se irritou. "Eu faço o melhor para a equipe e vocês [jornalistas] não deveriam se meter", disse o treinador após a partida. Fato é que a entrada do brasileiro deu mais mobilidade para que o jogo dos rojiblancos fluíssem e, já há algum tempo, o brasileiro não tem deixado passar batido as oportunidades que vem recebendo. Quem também apareceu muito bem foi Elias. Jogando mais adiantado do que nos tempos de Corinthians, o camisa nove fez sua melhor partida desde que chegou em Manzanares, marcou um belo gol de falta e saiu ovacionado para a entrada do canterano Noguera. No meio-campo, o domínio territorial se fazia possível pela partida valente de Suárez e Juanfran, que também fez sua melhor partida desde que fora contratado.

No lado levantino, o jogo era crucial para a equipe seguir viva em busca de uma vaga na Liga Europa. Os granotes fizeram um ótimo primeiro tempo, quando chegaram ao gol através de Caicedo (décimo gol do equatoriano na Liga), mas sofreram uma brusca queda de rendimento quando Agüero desempatou a partida logo no início do segundo tempo, logo após uma bela defesa de De Gea em chute de Stuani. Agüero ainda chegaria ao doblete, marcando seu 16º gol na Liga - 20º na temporada. A nove do Villarreal, a reação dos comandados de Quique chegou tarde, mas os colchoneros seguem na briga por Liga dos Campeões, sem deixar que o Espanyol se aproxime da zona de Liga Europa. A tabela daqui para a frente requer atenção, pois quatro de cinco adversário brigam contra o rebaixamento e entrarão em campo dando a vida. Deportivo (f), Málaga (c), Racing Santander (f), Hércules (c), Mallorca (f) são os adversários do Atlético de Madrid.

Racing Santander 1x2 Málaga
Júlio Baptista voltou de lesão para ser o salvador da pátria malaguesa. Se, na última rodada, os dois gols do brasileiro contra o Mallorca serviram para tirar o Málaga da zona de rebaixamento, o gol e a bela assistência de bicicleta de hoje serviram para afastar o Málaga da degola. Com 36 pontos e a quatro do descenso, os blanquiazules respiram aliviados, mas o alerta continua ligado: o Málaga irá enfrentar Hércules (c), Atlético de Madrid (f), Sporting Gijón (c), Athletic Bilbao (f), Barcelona (c). Destes, apenas Sporting Gijón e Barcelona jogaram para cumprir tabela, visto que o título já é, virtualmente, dos blaugrana. Contra o Racing Santander, a superioridade do Málaga só foi ameaçada quando Rosenberg diminuiu aos 28 do segundo tempo.

A entrada do garoto Luque deu um novo gás aos cantabrianos e, após a excelente atuação contra os blanquiazules, o canterano de 19 anos já começa a ser alcunhado de "novo Canales". Os cantabrianos, porém, não estão para tempo de brincadeira. Com 37 pontos, os cantabrianos estão a quatro do rebaixamento, mas terão uma sequência chata: Mallorca (c), Hércules (f), Atlético de Madrid (c), Sporting Gijón (f), Athletic Bilbao (c). Neste momento, a ordem é torcer para que Giovanni dos Santos e Rosenberg continuem decidindo e Luque, que deve virar titular no lugar de Munitis, emule Canales e salve a equipe de um rebaixamento.

Sporting Gijón 1x0 Espanyol
A comemoração efusiva dos aficionados asturianos após o término da partida mostra uma coisa: a vitória crucial dos gijoneses perante o Espanyol praticamente afasta o risco do Sporting Gijón de cair para a Liga Adelante. O responsável pelo alívio é Nacho Novo, autor do único gol da partida. Com 41 pontos, o risco do rebaixamento já não existe mais, e os comandados de Preciado irão agora em busca de uma melhor posição na tabela. Os comandados de Preciado, de luto pelo falecimento de seu pai, morto em um trágico acidente de carro, saíram em busca da vitória desde o começo do jogo. Porém, só no segundo tempo que os ataques passaram a serem mais incisivos. Nacho Novo, que entrou nos 45 minutos finais, deu mais mobilidade ao 4-2-3-1 de Preciado e acabou premiado com belo gol.

No lado blanquiazul, a equipe vive um péssimo momento, vê seus concorrentes diretos por Liga Europa se distanciar cada vez mais na tabela e, a partir de agora, terá que brigar muito caso queira ir para a Europa: o Espanyol tem a tabela mais difícil dentre as quatro equipes que brigam pela competição europeia. Os péricos terão pela frente Athletic Bilbao (c), Barcelona (f), Valencia (c), Zaragoza (f), Sevilla (c). O jogo de semana que vem será o via-crucis para a equipe de Barcelona, que está se tornando o verdadeiro cavalo paraguaio desta edição do campeonato espanhol.

Hércules 1x0 Deportivo
A ida de Miroslav Djukic ao comando técnico do Hércules está fazendo efeito, por enquanto. Em quatro jogos, uma derrota, um empate e uma vitória, que deram gás para que a equipe do bósnio pudesse continuar lutando contra a degola. Kiko vai se consolidando a cada rodada com uma grata revelação da Liga e fez toda a jogada do gol de Tiago. Trezeguet, que não conseguiu chegar a tempo na bola cruzada por Kiko, esteve em mau dia e perdeu oportunidades de setenciar a partida. Os três pontos dão sobrevida aos herculinos, que irão encarar Málaga (f), no jogo mais importante da temporada do Hércules, Racing Santander (c), Mallorac (c), Atlético de Madrid (f) e Sporting Gijon (c). Já o Deportivo está em situação crítica. Na 400ª partida de Lotina como treinador e 100ª partida de Aranzubia como goleiro blanquiazul, os galegos quase levaram para o Riazor um pontinho essencial, mas Calatayud evitou um gol feito de Juan Domínguez. Para escapar do rebaixamento, o Deportivo terá pela frente Atlético de Madrid (c), Sporting Gijón (f), Athletic Bilbao (c), Barcelona (f) e Valencia (f). Uma tabela ingrata para aquele que entrou em sua pior fase na temporada.

Mallorca 2x0 Getafe
Sem grandes aspirações no campeonato, o Mallorca venceu o Getafe e recuperou a nona colocação, graças a derrota do Levante. No jogo, o Getafe voltou a mostrar sua carência nas bolas aéreas, responsáveis pelos gols de Aki e Nunes. Arizmendi e Miku, extremos do 4-3-3 de Míchel na segunda etapa, tiveram em seus pés as oportunidades de empatarem a partida, mas quando a fase não é boa, dificilmente a bola entrará. Resta aos azulones torcer para que Dani Parejo recupere-se de uma longinqua má fase e seja o protagonista da equipe na briga contra o inferno do descenso. Para se salvar, o Getafe terá nas próximas rodadas Villarreal (f), Almería (c), Real Madrid (f), Osasuna (c), Real Sociedad (f) pela frente.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Descapitalização do Sevilla

Jose Maria del Nido, presidente do Sevilla (reuters)

Após a eliminação para o fraco Braga(POR) na fase preliminar da LC, o Sevilla se vê em uma grande descapitalização. O time que Antonio Alvarez levou a campo nessa partida em relação ao time que Juande Ramos colocou em campo há cinco anos atrás contra o Celta, em Balaídos, é um grande exemplo do que se convertiria a equipe andaluz. Ao final do texto, podem ser comaparadas ambas as escalações.

A primeira coisa que mais chama atenção é a renovação extrema do time, em um período de um lustro - cinco temporadas -, ou seja, um período não tão grande para um clube que viveu um ciclo triunfador, só sobraram como titular Palop e Jesus Navas, e no plantel Drago, Renato, Kanouté e Luis Fabiano. Ao inverso, dos que jogaram contra o Braga, e fora os mencionados, somente Julien Escudé coincidiu com aquele time de 2005. Houve bastante mudanças, desde então.

É quando se começa a analisar as trocas quando percebes que algo há mudado demais, e não para um lado bom, mudança na estrutura da equipe. Com certeza, a baixa que mais chama atenção e mais sentida foi a de Daniel Alves, que é um super jogador e foi um ótimo negócio, com certeza se encontra entre os melhores jogadores do mundo. Seu substituto, Konko, não demonstrou muito nos dois anos e meio que está no clube, e apenas disputou metade das partidas. Não pode se esperar que cada ano venha um jogador por menos de um milhão de euros que se torne um craque mundial, mas se deve reconhecer que faz tempo que não chega a Nervión um futebolista da qualidade comparável a de Kanouté ou Luis Fabiano - o primeiro quem sabe jogou suas melhores partidas pelo Sevilla, enquanto o segundo faz tempo que tem a mente do outro lado, fora de Sevilla -, e nem mesmo da importância de Renato ou Adriano Correa. Do onze inicial da partida contra o Braga, raramente imaginamos um jogador dos "novos" em uma equipe de nível mundial. Talvez com a honrosa exceção de Perotti. Parecia também que Negredo até ano passado. Zokora é um meio campo útil, e um pouco mais e só.

Outra categoria que parece ter sumido de uma escalação para outra é um jogador rodado ou veterano de grande rendimento. Nessa categoria podemos colocar Javi Navarro que se converteu no símbolo do Sevilla após chegar do Valencia; Enzo Maresca que recordamos de sua excepcional prestação ao time na final de Eindhoven, que chegou depois de más atuações na Juve; ou o Pep Martí, meio campo de notável rendimento que atuou até os 33 anos como um dos pilares do meio campo. Esse tipo de futebolista parece ter desaparecido das escalações "modernas", em que só encontramos germes do conceito, como Alexis ou Fernando Navarro.

Finalmente, para não extender muito, apontamos algo sobre o potencial caminho percorrido dos jogadores de cada equipe. No de 2005, no mínimo sete jogadores da escalação titular se pode garantir uma grande carreira por vários anos, sem medo de se equivocar em demasia; e assim foi, todos eles no Sevilla, exceto Daniel Alves e Adriano, hoje no Barcelona. A quantos da escalação principal desejamos, realismo em mãos, um futuro tão promissor? Com certeza muito menos, e as razões dessa resposta é o que está levando muita gente a se perguntar o que há mudado nesses anos no exemplar secretariado técnico do Sevilla? No que Mochi passou de milagroso a discutido. A mudança foi notável.

Sevilla (setembro 2005): Palop; Alves, Javi Navarro, Dragutinovic, David; Jesús Navas, Maresca, Martí, Renato (Kanoute, m. 46); Adriano (Saviola, m. 46) y Luis Fabiano (Kepa, m. 64).

Sevilla (setembro 2010): Palop; Konko, Alexis, Escudé, Fernando Navarro; Alfaro (Acosta, m.80), Zokora, Guarente, Navas, Perotti; Cigarini (José Carlos, m.69) y Negredo (Luis Fabiano)