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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Copa del Rey: Respira, Manzano

O Sevilla voltou a fazer as pazes com a vitória, e Manzano pôde, enfim, respirar aliviado (getty images)

O Sevilla jogou uma partida louca, com duas defesas defasadas, dando gols de presente e recebendo presentes para passar pela eliminatória de oitavas de final da Copa do Rei. O 5 a 3 conseguido no Sánchez Pizjuán demonstra, por exemplo, por que as defesas de Málaga e Sevilla são as mais vazadas da Liga Espanhola, demonstra que a equipe nervionense tem carências quase irremediáveis na zaga, demonstra também que existem jogadores despreparados para jogar nessa equipe. Além disso, demonstra que o plantel possui um pouco de raça e coragem, necessários para virar uma partida que estavam perdendo por 2 x 3. O elenco é liderado por Kanouté, que presenteia a todos. Na Copa, o Sevilla segue sendo o campeão. O 5 x 3 vale, além disso tudo, para deixar um bom sinal nesse final de ano e para a equipe sevillista se reencontrar com a vitória depois de seis partidas sem vencer.

O espetáculo do primeiro tempo presenciado pela torcida no Sánchez Pizjuán é difícil de ser definido. Torcedores do León, Astúrias ou Barcelona devem ter se divertido como em poucas vezes. Cinco gols, ataques atrás de ataques e oportunidades. Porém, para o torcedor do Sevilla e para Manzano, o primeiro tempo causou pavor. Foi apavorante o espetáculo proporcionado pelas defesas sevilista e malaguista. Alfaro marcou o primeiro gol e o Sevilla já se considerava o campeão da Copa. Os hispalenses pareciam e acreditavam estar classificados no minuto 15 da partida eliminatória. Deve ter sido isso o que causou o tremendo branco dos defensores anfitriões. A colaboração defensiva desapareceu, a solidariedade entre companheiros evaporou-se e as linhas sevillistas separaram-se como se Napoleão tivesse penetrado nelas com sua cavalaria. Os dois primeiros gols de Rondón poderiam ser também considerados um presente da defesa sevillista para o atacante. Luna, Cáceres e Konko não tiveram uma boa atuação. O último tinha a cabeça em qualquer lugar, menos na partida. E claro... O Málaga virou o marcador com Rondón, que agradeceu os agrados com gols.

Infelizmente, o Málaga tem o mesmo problema sevillista. Por isso, apesar de tudo, a equipe nervionense empatou. Todas as vezes em que o Sevilla chegou, desbravou a defesa cotasoleña. O gol de Negredo poderia ter aberto a porteira. Zokora poderia ter marcado, por exemplo. Porém não... O problema nervionense surgiu novamente. Primeira Lei: “Não desistir de desarmar uma ação ofensiva rival.” O Sevilla desistiu, e de forma ridícula veio o 2 x 3.

Manzano considerou (com razão) Konko como um dos maiores responsáveis da alarmante debilidade defensiva do Sevilla e o sacou da equipe depois do intervalo para tentar ganhar em intensidade com Alexis. Também apostou em algo mais de calma na partida com Kanouté. E realmente conseguiu, porque a partida se tornou algo mais cadenciado, o Sevilla atacava com possibilidades de acerto e o conjunto de Pellegrini esperava outro contra-ataque para decidir. A equipe hispalense controlou então a partida, com Kanouté bem escoltado por Romaric e se serviu de erros do rival para voltar a virar o placar da partida. Primeiro, Rubén falhou em um chute de Romaric. O mesmo marfinense conseguiu o quarto gol e consumou a virada com uma boa cabeçada. Quase que imediatamente, Capel castigou a inocência e languidez da zaga rival e de seu goleiro para fazer o quinto gol sevillista.

Já não houve mais loucura e presentes. O Sevilla salvou um momento dos mais obscuros com raça, gols, Romaric e erros do rival. De momento, trilhou o caminho para passar para as quartas de final da Copa do Rei.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Descapitalização do Sevilla

Jose Maria del Nido, presidente do Sevilla (reuters)

Após a eliminação para o fraco Braga(POR) na fase preliminar da LC, o Sevilla se vê em uma grande descapitalização. O time que Antonio Alvarez levou a campo nessa partida em relação ao time que Juande Ramos colocou em campo há cinco anos atrás contra o Celta, em Balaídos, é um grande exemplo do que se convertiria a equipe andaluz. Ao final do texto, podem ser comaparadas ambas as escalações.

A primeira coisa que mais chama atenção é a renovação extrema do time, em um período de um lustro - cinco temporadas -, ou seja, um período não tão grande para um clube que viveu um ciclo triunfador, só sobraram como titular Palop e Jesus Navas, e no plantel Drago, Renato, Kanouté e Luis Fabiano. Ao inverso, dos que jogaram contra o Braga, e fora os mencionados, somente Julien Escudé coincidiu com aquele time de 2005. Houve bastante mudanças, desde então.

É quando se começa a analisar as trocas quando percebes que algo há mudado demais, e não para um lado bom, mudança na estrutura da equipe. Com certeza, a baixa que mais chama atenção e mais sentida foi a de Daniel Alves, que é um super jogador e foi um ótimo negócio, com certeza se encontra entre os melhores jogadores do mundo. Seu substituto, Konko, não demonstrou muito nos dois anos e meio que está no clube, e apenas disputou metade das partidas. Não pode se esperar que cada ano venha um jogador por menos de um milhão de euros que se torne um craque mundial, mas se deve reconhecer que faz tempo que não chega a Nervión um futebolista da qualidade comparável a de Kanouté ou Luis Fabiano - o primeiro quem sabe jogou suas melhores partidas pelo Sevilla, enquanto o segundo faz tempo que tem a mente do outro lado, fora de Sevilla -, e nem mesmo da importância de Renato ou Adriano Correa. Do onze inicial da partida contra o Braga, raramente imaginamos um jogador dos "novos" em uma equipe de nível mundial. Talvez com a honrosa exceção de Perotti. Parecia também que Negredo até ano passado. Zokora é um meio campo útil, e um pouco mais e só.

Outra categoria que parece ter sumido de uma escalação para outra é um jogador rodado ou veterano de grande rendimento. Nessa categoria podemos colocar Javi Navarro que se converteu no símbolo do Sevilla após chegar do Valencia; Enzo Maresca que recordamos de sua excepcional prestação ao time na final de Eindhoven, que chegou depois de más atuações na Juve; ou o Pep Martí, meio campo de notável rendimento que atuou até os 33 anos como um dos pilares do meio campo. Esse tipo de futebolista parece ter desaparecido das escalações "modernas", em que só encontramos germes do conceito, como Alexis ou Fernando Navarro.

Finalmente, para não extender muito, apontamos algo sobre o potencial caminho percorrido dos jogadores de cada equipe. No de 2005, no mínimo sete jogadores da escalação titular se pode garantir uma grande carreira por vários anos, sem medo de se equivocar em demasia; e assim foi, todos eles no Sevilla, exceto Daniel Alves e Adriano, hoje no Barcelona. A quantos da escalação principal desejamos, realismo em mãos, um futuro tão promissor? Com certeza muito menos, e as razões dessa resposta é o que está levando muita gente a se perguntar o que há mudado nesses anos no exemplar secretariado técnico do Sevilla? No que Mochi passou de milagroso a discutido. A mudança foi notável.

Sevilla (setembro 2005): Palop; Alves, Javi Navarro, Dragutinovic, David; Jesús Navas, Maresca, Martí, Renato (Kanoute, m. 46); Adriano (Saviola, m. 46) y Luis Fabiano (Kepa, m. 64).

Sevilla (setembro 2010): Palop; Konko, Alexis, Escudé, Fernando Navarro; Alfaro (Acosta, m.80), Zokora, Guarente, Navas, Perotti; Cigarini (José Carlos, m.69) y Negredo (Luis Fabiano)


domingo, 22 de agosto de 2010

Ritmo de treino

Em jogo de um time só, o Barcelona comemora seu oitavo título em um período de um ano (AP)


Quando no primeiro jogo o Sevilla derrotou um Barcelona recheados de jogadores jovens, Guardiola e Rosell começaram a ser questionados sobre o porquê de não contratar mais. Javier Gascón, colunista do Mundo Deportivo, chegou a fazer um texto muito interessante sobre esse assunto (Contratar ou não contratar: O 3-1 do Sevilla realimenta o debate no Barcelona) que pode ser lido aqui (em castellano). Quase uma semana depois de todas as perguntas serem feitas, finalmente Guardiola apareceu para responde-las. Em tom meio que irônico, Pep disse que confia demais nos jogadores da cantera e que irá usá-los se não contratar mais ninguém. Além disso, Pep falou também que confia no seu time titular (dando a entender que não precisa mais de contratações). E provou que está certo... certíssimo.

O Sevilla praticamente não viajou para Barcelona. Talvez a equipe que Álvarez treina não chegou a descer do ônibus com a intenção de disputar a Supercopa, ou já tinha dado tudo por perdido desde que o Sporting Braga causou danos à equipe na ida da prévia da Champions. Diretores, jogadores e técnicos falavam da importância do título e da necessidade de não pensar no que aconteceria no meio da semana que vem. Porém, a equipe demonstrou sobre o campo que não tinha a mente onde deveria ter.

Os sevillistas saíram distraídos e se encontraram com a genialidade e a qualidade de uma grande equipe. O Barça não tardou em dominar e chegar com perigo, ante a permissividade e a tolerância de um Sevilla que defendia sem vontade, sem tensão, e que oferecia uma imagem muito pobre. Após boa troca de passes do Barcelona, Pedro recebeu de Xavi e partiu para uma jogada individual. Na corrida, deixou Capel para trás e driblou Fernando Navarro, para, logo em seguida, cruzar para área. Para infelicidade dos rojiblancos, Konko, que fez uma partida para se esquecer, mandou para as próprias redes. Era o primeiro gol do Barcelona aos 12 minutos. Cedo, como não queria Álvarez. Daí pra frente, um passeio dos catalães que sentenciaram no primeiro tempo ante o atônito olhar de Álvarez, que via como a sua equipe desmanchava sem fazer nada. Messi, no minuto 24 e antes do descanso, aproveitou mais duas falhas defensivas para selar a goleada antes de ir para o vestiário.

Primeiro, a Pulga aproveitou um passe genial dado por Xavi - antes mesmo do meio-campo - para, com extrema frieza, tocar na saída de Palop. O terceiro gol foi, quem sabe, o mais bonito da partida. Numa troca de passes que começou lá na zaga com Piqué, Pedro recebeu do zagueiro e acionou Daniel Alves. O brasileiro desceu rapidamente pela direita, fez a finta em Capel e tocou nas costas Escudé para Messi, que saiu de marcação de um desastroso Konko e, com a perna direita, mandou no ângulo de Palop. Já nesse momento, muitos torcedores sevillistas perguntavam por Luís Fabiano e Kanouté, e quando iria vir um zagueiro para suprir a baixa de Squillaci, que provavelmente será negociado com o Arsenal.

Depois do intervalo, engana-se quem pensou que o Sevilla iria mudar. A tônica continuou a mesma. Álvarez demorou mais de quinze minutos para mexer no time, minutos de ouro. Os “olés” eram escutados ns arquibancadas a cada interminável toque de bola do Barcelona, enquanto os visitantes assistiam a partida como meros espectadores. Para felicidade dos torcedores, Guardiola resolveu colocar em campo Iniesta e o estreante da noite David Villa. O Guaje entrou com uma vontade enorme, vontade de quem quer ser ídolo dos culés. Poucas opções claras dos jogadores de Guardiola (exceto uma de Iniesta), que já tinham a partida controlada, e nenhuma oportunidade para os nervionenses. O último gol de Messi, com o tempo de partida quase cumprido, depois de um passe de Iniesta, selou a humilhação e revelou as vergonhas e carências sevillistas.

Acabo este texto falando sobre o perdedor da noite. Em resumo, uma imagem tão pobre quanto preocupante. O Sevilla esteve nulo na defesa. Perdendo deste jeito e mostrando erros faceis de serem explorados, o Sevilla chega de uma maneira ruim para o jogo decisivo de terça, contra o Braga, onde jogará tudo na temporada. Ontem, atirou o título pela janela no Camp Nou e o mais preocupante é que pareceu não se importar. Onde está a ambição desse clube?

Barcelona 4x0 Sevilla
Barcelona: Valdés; Daniel Alves, Piqué, Abidal, Maxwell; Keita, Xavi (Adriano, m.88) Busquets; Bojan (Iniesta, m.56), Pedro (Villa, m.56), Messi.
Sevilla: Palop; Dabo, Escudé, Konko, Fernando Navarro; Jesus Navas, Zokora, Romaric (Cigarini, m.60), Capel (Luis Fabiano, m.60); Alfaro (Perotti, m.60) e Negredo.
Árbitro: Teixera Vitienes
Gols: Konko (contra), Messi (três vezes)
Cartões Amarelos: Piqué (Barcelona) e Romaric (Sevilla)