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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Surpresa?

Sevilla faz sua melhor partida na temporada, elimina Villarreal com autoridade e segue vivo na briga pelo bi-campeonato da Copa del Rey (AP Photos)


Ainda que a reação do Sevilla fosse notável, não esperava-se que o time da Andaluzia ganhasse com tanta moral como ganhou do Villarreal ontem. Ainda mais porque, no último jogo da Liga, contra o Espanyol, foi com a equipe completa a campo e saiu derrotado por 2 a 1 no Ramón Sanchéz Pizjuan. Talvez isso seja o maior responsável pela presença de pouco público no estádio no jogo de volta contra o Villarreal. Desacreditado por parte da torcida e eleito por uma votação do Marca o time-decepção da temporada, o Sevilla partiu para um jogo que não era favorito. Vindo de resultados positivos, como uma equipe extremamente entrosada e líder do campeonato paralelo a Barcelona e Real Madrid, o Villarreal entrou em campo com uma escalação bastante peculiar.

Garrido mandou a campo uma equipe mista e seu 4-4-2 com Monteiro e Cani nos flancos parecia, em tese, que daria muito certo, por serem dois jogadores bastante velozes. Porém, em uma partida tão importante, acabou deixando Rúben no banco em prol da titularidade de Altidore, que foi uma grande decepção no primeiro semestre. Do outro lado, Manzano surpreendeu: mandou seu time a campo no 5-3-2 e colocou uma linha de três extremamente ofensiva no meio-campo. Com seu nome ligado a Juventus e Corinthians, Luis Fabiano foi reserva, dando a entender que sua passagem pela Andaluzia está prestes a acabar.

A superioridade evidente do time rojiblanco se fez valer do pé daquele que vem sendo decisivo nos últimos jogos e é, sem sombra de dúvidas, o grande destaque deste Sevilla. Jogando no suporte a Kanouté e Negredo, Romaric mais uma vez fez uma partida espetacular e além de dar muito trabalho a Cicinho, foi o autor do passe para Negredo, que tocou por cima de Diego López e Renato chegou completando para abrir o placar. Dos seis gols do Sevilla feito contra o Villarreal na eliminatória, cinco passsaram pelos pés do camarones, que a cada dia cai nas graças da torcida. No final do primeiro tempo, Javi Varas fez uma excelente defesa em chute de Rossi, assegurando a vitória parcial sevillista antes do intervalo.

O enredo da primeira etapa voltou a se repetir no segundo tempo e, logo aos dois minutos, Kanouté aproveitou cobrança de Romaric e mandou a bola para o fundo do gol. E foi de escanteio que também nasceu o terceiro do Sevilla: após cobrança de Romaric, a bola desviou em Alexis e morreu dentro da meta de Diego López. Com 3 a 0 no placar e classificação praticamente garantida, o Sevilla passou a jogar com mais calma e segurar mais a posse de bola. Romaric ainda foi ovacionado pelo estádio, quando saiu para a entrada de Jesus Navas. Atual campeão do torneio, o Sevilla espera o vencedor de Real Madrid e Atlético de Madrid para seguir na briga pela manutenção do título.

A grande notícia da noite, fora a classificação, obviamente, ficou por conta de Sergio Sánchez. Treze meses depois de superar uma doença cardíaca, o volante voltou a disputar uma partida oficial. E logo de cara, foi titular e jogou os noventa minutos. Manzano o colocou como volante que protegia a zaga no 5-3-2, e Sánchez mostrou um bom futebol, sendo responsável por uma boa marcação em Cani, que, desta vez, passou em branco.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A Copa ainda importa

No seu melhor momento na temporada, o Sevilla conseguiu um importante resultado jogando no El Madrigal (reuters)

Villarreal e Sevilla levaram a sério o confronto pela Copa del Rey e foram a campo com boa parte do time titular. Manzano já avisou que irá priorizar a competição em prol de salvar o ano, mas o momento que o Sevilla vive talvez seja o melhor na temporada: o time andaluz vem de cinco vitórias consecutivas e ainda sonha com uma vaga na próxima Liga dos Campeões.

Negredo voltou a ser eficiente e, substituindo Luis Fabiano, novamente lesionado, foi o autor de um doblete. Postado num 4-2-3-1 bem compacto, o Sevilla viu os velozes Cani e Cazorla imporem trabalhos pelos flancos. E, em menos de trinta minutos, o Villarreal já havia mostrado todo seu poderio: marcou dois gols, com Cani e Rossi. Nos dois gols, Marco Rúben foi importante. Na ausência de Nilmar, o camisa nove amarillo tem sido essêncial e, após vencer a desconfiança por parte da torcida e dos críticas, não tem deixado a produtividade ofensiva dos Submarino Amarelo cair. A partir daí, o Sevilla acordou e Romaric osquestrou os andaluzes. O meio-campista participou dos três gols marcado pelo Sevilla no jogo. Primeiro, lançou Negredo, que dominou com estilo, tirando da marcação de Catalá, e tocou na saída de Diego López.

No segundo tempo, o jogo ganharia ainda mais emoções e movimentação, com o terceiro gol do Villarreal, marcado por Rúben, após cruzamento de Capdevilla. O Sevilla, porém, descontou logo em seguida. Romaric cruzou para Negredo, que cabeceou sem chances para Diego López e marcou seu doblete na partida. Porém, um lance capital mudou todo o rumo da partida. Aos 39', Borja Valero lançou Rúben, que, na mesma linha que Escudé e Alexis, antecipou-se aos dois e tocou na saída de Varas. Undiano Mallenco, entretanto, validou o gol, para desespero de Garrido, que, em outras palavras, criticou a postura do árbitro no lance. Se, contra o Real Madrid, o Villarreal já havia sofrido com os erros de arbitragem, o sofrimento se prolongou. E o erro de Undiano Mallenco teve consequência aos 43': Romaric novamente apareceu pela esquerda e cruzou na medida para Alexis completar e empatar a partida para o atual campeão da competição.

Para o Villarreal, ficou o pensamento de azar da equipe, que pecou muito nas finalizações no segundo tempo. Pelo menos na Copa del Rey, esse Sevilla anima: já foram marcados 21 gols, o que dá uma média de 4, 2 gols marcados por partida. Para a volta, o Sevilla pode empatar por até dois gols, que irá garantir vaga nas semifinais da competição.


Os melhores do mundo brilharam em uma nova manita do Barcelona. Hat-trick de Messi, eleito o melhor jogador do mundo pela segunda vez consecutiva (daymail)

No Camp Nou, aqueles que não assistiram a partida, e viram apenas o resultado, imaginam que o Bétis foi com o intuito de se defender e não aguentou a pressão blaugrana, saindo do Camp Nou humilhado. Pois bem, a equipe treinada por Pepe Mel foi com uma postura totalmente diferente daquela, jogou em contra-ataque, conseguiu segurar o Barcelona por um bom tempo, mas o preparo físico fez falta: quando os verdiblancos perderam o fôlego, o Barcelona fez três gols e matou a partida. O que Rafael Gordillo, presidente do Bétis, mais temia aconteceu: o Barcelona goleou o Bétis por 5 a 0, garatindo praticamente a sua vaga nas semifinais da Copa. O presidente andaluz havia pedido à LFP que invertesse o mando de campo do jogo de ida, passando-o para o Benito Villamarín. A principal preocupação do presidente era de que sua equipe fosse goleada na Catalunha e, no jogo da volta, ninguém comparecesse ao estádio, causando prejuízo ao clube.

Durante boa parte do primeiro tempo, Ruben Castro deu bastante trabalho a Piqué e Pinto, que, como titular, não desapontou Guardiola: o arqueiro foi, seguramente, um dos nomes da partida, evitando, pelo menos, três ou quatro gols por parte andaluza (sem exageros). Com boa parte de seus jogadores titulares, o Barcelona mostrou todo seu poderio, mas parava nas boas defesas do goleiro Casto. Quando o goleiro verdiblanco não parava o ataque catalão, a trave evitava o gol do time anfitrião, como aos 2’. Em contra-ataque, Xavi abriu para Maxwell na esquerda, que cruzou na medida para Villa finalizar na baliza direita do goleiro. Com o jogo parelho, o Barcelona só foi abrir o placar no finalzinho da primeira etapa. Messi recebeu de Iniesta e, com um sútil toque, encobriu Casto para abrir o placar para o Barcelona. Ainda no primeiro tempo, Ruben Castro voltou a incomodar a defesa azulgrená, quando carimbou o travessão de Pinto.

O jogo só começou a ficar totalmente nas mãos do Barcelona, quando Messi chegou ao seu doblete, aos 16' do segundo tempo. O show de Messi continuou aos 29'. A pulga recebeu bom passe de Xavi e, cara a cara com Casto, tocou com categoria na saída do goleiro para garantir seu hat-trick. Com a defesa do Betis abatida, o Barcelona ampliou novamente aos 31', quando Daniel Alves tocou para Pedro marcar o quarto dos donos da casa. A goleada não diminuiu o ímpeto do Barcelona, que continuou pressionando o Betis e chegou ao quinto gol aos 38'. Iniesta fez linda jogada de linha de fundo e, com um toque genial, cruzou para Keita completar para as redes. Com a vitória, o Barcelona praticamente garantiu sua vaga nas semifinais e deixa vivo as chances de conquistar uma nova tríplice coroa. O jogo ficou marcado por um momento de discussão entre Piqué e Daniel Alves, que logo fizeram as pazes.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Copa del Rey: Respira, Manzano

O Sevilla voltou a fazer as pazes com a vitória, e Manzano pôde, enfim, respirar aliviado (getty images)

O Sevilla jogou uma partida louca, com duas defesas defasadas, dando gols de presente e recebendo presentes para passar pela eliminatória de oitavas de final da Copa do Rei. O 5 a 3 conseguido no Sánchez Pizjuán demonstra, por exemplo, por que as defesas de Málaga e Sevilla são as mais vazadas da Liga Espanhola, demonstra que a equipe nervionense tem carências quase irremediáveis na zaga, demonstra também que existem jogadores despreparados para jogar nessa equipe. Além disso, demonstra que o plantel possui um pouco de raça e coragem, necessários para virar uma partida que estavam perdendo por 2 x 3. O elenco é liderado por Kanouté, que presenteia a todos. Na Copa, o Sevilla segue sendo o campeão. O 5 x 3 vale, além disso tudo, para deixar um bom sinal nesse final de ano e para a equipe sevillista se reencontrar com a vitória depois de seis partidas sem vencer.

O espetáculo do primeiro tempo presenciado pela torcida no Sánchez Pizjuán é difícil de ser definido. Torcedores do León, Astúrias ou Barcelona devem ter se divertido como em poucas vezes. Cinco gols, ataques atrás de ataques e oportunidades. Porém, para o torcedor do Sevilla e para Manzano, o primeiro tempo causou pavor. Foi apavorante o espetáculo proporcionado pelas defesas sevilista e malaguista. Alfaro marcou o primeiro gol e o Sevilla já se considerava o campeão da Copa. Os hispalenses pareciam e acreditavam estar classificados no minuto 15 da partida eliminatória. Deve ter sido isso o que causou o tremendo branco dos defensores anfitriões. A colaboração defensiva desapareceu, a solidariedade entre companheiros evaporou-se e as linhas sevillistas separaram-se como se Napoleão tivesse penetrado nelas com sua cavalaria. Os dois primeiros gols de Rondón poderiam ser também considerados um presente da defesa sevillista para o atacante. Luna, Cáceres e Konko não tiveram uma boa atuação. O último tinha a cabeça em qualquer lugar, menos na partida. E claro... O Málaga virou o marcador com Rondón, que agradeceu os agrados com gols.

Infelizmente, o Málaga tem o mesmo problema sevillista. Por isso, apesar de tudo, a equipe nervionense empatou. Todas as vezes em que o Sevilla chegou, desbravou a defesa cotasoleña. O gol de Negredo poderia ter aberto a porteira. Zokora poderia ter marcado, por exemplo. Porém não... O problema nervionense surgiu novamente. Primeira Lei: “Não desistir de desarmar uma ação ofensiva rival.” O Sevilla desistiu, e de forma ridícula veio o 2 x 3.

Manzano considerou (com razão) Konko como um dos maiores responsáveis da alarmante debilidade defensiva do Sevilla e o sacou da equipe depois do intervalo para tentar ganhar em intensidade com Alexis. Também apostou em algo mais de calma na partida com Kanouté. E realmente conseguiu, porque a partida se tornou algo mais cadenciado, o Sevilla atacava com possibilidades de acerto e o conjunto de Pellegrini esperava outro contra-ataque para decidir. A equipe hispalense controlou então a partida, com Kanouté bem escoltado por Romaric e se serviu de erros do rival para voltar a virar o placar da partida. Primeiro, Rubén falhou em um chute de Romaric. O mesmo marfinense conseguiu o quarto gol e consumou a virada com uma boa cabeçada. Quase que imediatamente, Capel castigou a inocência e languidez da zaga rival e de seu goleiro para fazer o quinto gol sevillista.

Já não houve mais loucura e presentes. O Sevilla salvou um momento dos mais obscuros com raça, gols, Romaric e erros do rival. De momento, trilhou o caminho para passar para as quartas de final da Copa do Rei.