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domingo, 26 de fevereiro de 2012

Ressurreição

Chegada de Míchel para o comando técnico fez bem ao Sevilla, que emplacou duas vitórias consecutivas e, em um toque de mágica, foi do pesadelo do rebaixamento ao paraíso de conquistar uma vaga em competições europeias (reuters)

Segundo dados do Wikipédia, Ressurreição significa, literalmente, "levantar; erguer". Esta palavra é usada com frequência nas escrituras bíblicas, referindo à ressurreição dos mortos. No seio do povo hebreu, a palavra correlata designava diversos fenômenos que eram confundidos na mentalidade da época. O seu significado literal é voltar à vida; assim, o ato de uma pessoa considerada morta viver novamente era chamado ressurreição. Existe a conotação escatológica adotada pela igreja católica para esse termo que é a ressurreição dos mortos no dia do juízo final.

Ainda é cedo para apontar um futuro melhor para o Sevilla. Mas a equipe que venceu o Valencia no Mestalla por 2 x 1 pode pensar em algo melhor. O que, há três semanas, era um pesadelo, capaz até de ser rebaixado para a Liga Adelante, transformou-se em algo parecido com a prática de futebol bonito. O elenco cabisbaixo que Marcelino Toral deixou para Míchel já apresenta outra postura. A equipe conhecida nos últimos anos por ser aguerrida e pedra nos sapatos dos grandes parece ter voltado. Se 2012 estava um inferno, sem nenhuma vitória, contra os chés os nervionenses chegaram a duas consecutivas. Vitórias que elevam a moral do grupo e recolocam a equipe de volta à disputa por Liga Europa.

Em Valencia, o Sevilla lembrou o Sevilla de 2006/2007. Sólido na defesa, forte no meio-campo, sobretudo pelos lados do campo, e perigoso no ataque. Quando estreou como treinador sevillista, Míchel parecia disposto a cair no mesmo erro de Marcelino. Debutou sem mudar nada, escalando um meio-campo com três: Navas à direita, Reyes centralizado e Perrotti à esquerda. Só no final da partida contra a Real Sociedad, quando tirou o extremo esquerdo para colocar Kanouté, que o treinador observou e pôde entender que o mais certo a se fazer é utilizar o 4-4-2. É a tática que mais deu certo nos últimos anos. O esquema a rombo utilizado por Manzano no segundo semestre da temporada passada foi substituído sem explicação pelo 4-2-3-1 que Marcelino aplicou quando assumiu. Com Reyes e Jesus Navas voltados exclusivamente para os flancos do campo, a equipe ganha um poderio enorme.

As atuações individuas de peças-chaves no plantel também melhorou. Palop, que recuperou a condição de goleiro titular seis meses depois graças a uma lesão de Javi Varas, mostrou ainda estar em forma ao fazer três excelentes defesas contra o Osasuna, na semana passada. Rakitic e, sobretudo, Kanouté também estão imprescindíveis. Em sua coletiva de apresentação, Míchel havia reiterado o desejo de poder contar com o malinês, em baixa com Marcelino e em temporada obscura. O centroavante não só voltou a jogar bem como foi importante no duelo de hoje. A velocidade para recuperar a bola e cruzar para Jesus Navas definir e decretar a virada sevillista em pleno Mestalla foi comemorada pelo novo treinador. "Pouco a pouco vamos encontrando o equilíbrio. A equipe vai encontrando seu nível, sobretudo porque a confiança é alta. Isso é muito importante", disse na coletiva.

O El Desmarque, periódico que cobre os clubes de Sevilha, já apelida de Efeito Míchel. A semana é de concentração. Nas próximas rodadas, o Sevilla recebe Atlético de Madrid e Barcelona. O primeiro é um adversário direto e irá requer até mais atenção que o segundo, pelo simples fato de haver ambição em comum entre as duas equipes. Enquanto o Barcelona, segundo seu próprio treinador afirmou na coletiva pós-jogo contra o próprio Atlético de Madrid, não irá tirar essa taça do Real Madrid, os rojiblancos ainda sonham com o retorno a Champions League. Será uma partida que vai servir para calibrar e medir a reação do Sevilla e definir as aspirações do conjunto hispalense. A vaga na Liga Europa é possível.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Vergonha na Andaluzia

Marcelino Toral inicia a temporada pressionado: o seu Sevilla caiu precocemente na Liga Europa (reuters)

Texto baseado na crônica do El Desmarque

O primeiro tempo não foi ruim, futebolisticamente falando. O Sevilla dominou todos os aspectos do jogo, menos o da efetividade. De sete finalizações, o mais certeiro (de Negredo) bateu na trave. Os alemães sim tiveram mais pegada. Dispararam duas vezes e Palop levou um gol. O tento sevillista, inclusive, foi um gol contra de Pogatetz.

Desde o princípio estava notório que o ímpeto sevillista era total. Kanouté e Negredo recebiam bolas e só Navas estava desaparecido no ataque. Inclusive Perotti, falhando muito, por sinal, teve mais presença no ataque do que o de Los Palacios. A equipe de Marcelino dominava incessantemente. Até que veio uma jogada pela esquerda, desorientando Coke e Alexis. Após um cruzamento para a pequena área, Abdellaoue se adiantou diante de Escudé e Palop, lentíssimos, para fazer o um a zero.

O impacto foi enorme, porém, o Sevilla não caiu e atacou até conseguir o afortunado empate, depois de um cruzamento de Perotti. Alguns minutos restavam até o intervalo e o Sevilla seguiu tentando, porém, nada mais aconteceu.

O segundo tempo foi um querer e não poder que expôs todas as carências da equipe. Aparte de um lamentável estado físico por parte de muitos jogadores, que vinham treinando desde o começo de julho, a defesa esteve nervosa, o meio de campo foi incapaz de dar fluidez à equipe, e na frente, só Perotti, apesar de muito falho, foi raçudo. Foram 45 minutos de peleja ante uma defesa muito ordenada que só deixava migalhas para os atropelados jogadores sevillistas. Escudé e Negredo chegaram perto do gol, e não houve muito mais do que isso.

Para sermos justos, o árbitro, seguindo a cartilha da UEFA, foi conivente com muitas faltas e catimba dos alemães, perdoou um pênalti clamoroso em uma incursão de Palop na área, que deixou o valenciano em evidência novamente. A Europa chega ao fim nas primeiras partidas e isso, caso o Sevilla não se levante na Liga, pode ser um golpe muito forte.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Balanço Final: Sevilla

Após ser cortado da Copa do Mundo, Negredo foi o maior artilheiro espanhol da temporada, com 21 gols, e ajudou o Sevilla a conseguir uma vaga na Liga Europa (AP Photos)

Campanha: 5ª colocação. 38 jogos, 17 vitórias, 7 empates e 14 derrotas. 62 gols pró e 61 gols contra. Classificado à Liga Europa
Time-base: Javi Varas; Cáceres, Fernando Navarro, Escudé, Dabo; Gary Medel, Rakitic, Jesus Navas, Perotti; Negredo, Kanouté.
Os Artilheiros: Álvaro Negredo (20 gols), Kanouté (12), Luis Fabiano (10).
O Técnico: Antonio Alvarez, até a 3ª rodada; Gregório Manzano, a partir da 5ª rodada.
O Destaque: Álvaro Negredo.
A decepção: Cigarini

Apesar do descontentamento da torcida, o Sevilla fez o que pôde para copar uma vaga em uma competição europeia. O terrível primeiro semestre de teSmporada, que marcou a queda precoce ainda na fase pré Champions League para o Braga, foi consertado no mercado de verão: as chegadas de Gary Medel e, sobretudo, Rakitic deram novo gás à equipe da Andaluzia, que, ainda que não encantasse como em outros tempo, jogou um futebol preciso para chegar à Liga Europa. Por não ter um elenco forte e extenso, o Sevilla acabou dependendo demais de Rakitic, Álvaro Negredo e Kanouté, que subiram de produção a partir de janeiro. Romaric, no entanto, teve processo inverso: o ótimo primeiro semestre deu vez ao cansado segundo semestre e o marfinense não repetiu as belas atuações de outroras. Necessitando claramente de um fantasista para o 4-4-2 dar certo, o croata Rakitic caiu como uma luva no esquema de Manzano. Em apenas quatro meses no clube, o croata terminou a temporada com quatro assistências e seis gols.

Após uma primeira temporada mais que apagada, Negredo foi cortado da seleção espanhola e assistiu a Copa do Mundo e o conseqüente título da Fúria no sofá de sua casa. Isso parece ter motivado o vallecano, que foi o maior artilheiro sevillista na temporada e superou os números de jogadores famosos como Villa, Soldado e Llorente na Espanha: foram 20 gols na temporada e o premio Zarra, para o artilheiro espanhol do ano. Das decepções, a maior foi Cigarini. Cotado para ser o cérebro do meio de campo sevillista após a saída de Maresca, Cigarini não correspondeu às expectativas da torcida e terminou a temporada lesionado. Diego Capel, que sempre desempenhava papel importante pela esquerda, viu o também jovem Perotti cavar um lugar na equipe titular pelo setor e foi, na maioria das vezes, banco.

Após uma temporada abaixo das expectativas com a eliminação precoce na fase de classificação para a Champions League, a perda da Supercopa da Espanha para o Barcelona, a desclassificação nas semi-finais da Copa do Rei para o campeão Real Madrid e uma decepcionante campanha na Liga Espanhola, o Sevilla parece ter finalizado um ciclo da sua vida: Luís Fabiano, Adriano, Dragutinovic e Renato colocaram um ponto final em suas histórias no clube andaluz e carne fresca chegou para agregar ao clube. Caberá ao mais novo contratado para o banco técnico hispalense, Marcelino Toral, empreender um novo projeto pra um dos clubes mais viáveis atualmente na Espanha. A contratação definitiva de Martin Cáceres, titular da lateral direita, já foi confirmada e, assim, falta um lateral esquerdo decente e uma boa dupla de zaga.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Surpresa?

Sevilla faz sua melhor partida na temporada, elimina Villarreal com autoridade e segue vivo na briga pelo bi-campeonato da Copa del Rey (AP Photos)


Ainda que a reação do Sevilla fosse notável, não esperava-se que o time da Andaluzia ganhasse com tanta moral como ganhou do Villarreal ontem. Ainda mais porque, no último jogo da Liga, contra o Espanyol, foi com a equipe completa a campo e saiu derrotado por 2 a 1 no Ramón Sanchéz Pizjuan. Talvez isso seja o maior responsável pela presença de pouco público no estádio no jogo de volta contra o Villarreal. Desacreditado por parte da torcida e eleito por uma votação do Marca o time-decepção da temporada, o Sevilla partiu para um jogo que não era favorito. Vindo de resultados positivos, como uma equipe extremamente entrosada e líder do campeonato paralelo a Barcelona e Real Madrid, o Villarreal entrou em campo com uma escalação bastante peculiar.

Garrido mandou a campo uma equipe mista e seu 4-4-2 com Monteiro e Cani nos flancos parecia, em tese, que daria muito certo, por serem dois jogadores bastante velozes. Porém, em uma partida tão importante, acabou deixando Rúben no banco em prol da titularidade de Altidore, que foi uma grande decepção no primeiro semestre. Do outro lado, Manzano surpreendeu: mandou seu time a campo no 5-3-2 e colocou uma linha de três extremamente ofensiva no meio-campo. Com seu nome ligado a Juventus e Corinthians, Luis Fabiano foi reserva, dando a entender que sua passagem pela Andaluzia está prestes a acabar.

A superioridade evidente do time rojiblanco se fez valer do pé daquele que vem sendo decisivo nos últimos jogos e é, sem sombra de dúvidas, o grande destaque deste Sevilla. Jogando no suporte a Kanouté e Negredo, Romaric mais uma vez fez uma partida espetacular e além de dar muito trabalho a Cicinho, foi o autor do passe para Negredo, que tocou por cima de Diego López e Renato chegou completando para abrir o placar. Dos seis gols do Sevilla feito contra o Villarreal na eliminatória, cinco passsaram pelos pés do camarones, que a cada dia cai nas graças da torcida. No final do primeiro tempo, Javi Varas fez uma excelente defesa em chute de Rossi, assegurando a vitória parcial sevillista antes do intervalo.

O enredo da primeira etapa voltou a se repetir no segundo tempo e, logo aos dois minutos, Kanouté aproveitou cobrança de Romaric e mandou a bola para o fundo do gol. E foi de escanteio que também nasceu o terceiro do Sevilla: após cobrança de Romaric, a bola desviou em Alexis e morreu dentro da meta de Diego López. Com 3 a 0 no placar e classificação praticamente garantida, o Sevilla passou a jogar com mais calma e segurar mais a posse de bola. Romaric ainda foi ovacionado pelo estádio, quando saiu para a entrada de Jesus Navas. Atual campeão do torneio, o Sevilla espera o vencedor de Real Madrid e Atlético de Madrid para seguir na briga pela manutenção do título.

A grande notícia da noite, fora a classificação, obviamente, ficou por conta de Sergio Sánchez. Treze meses depois de superar uma doença cardíaca, o volante voltou a disputar uma partida oficial. E logo de cara, foi titular e jogou os noventa minutos. Manzano o colocou como volante que protegia a zaga no 5-3-2, e Sánchez mostrou um bom futebol, sendo responsável por uma boa marcação em Cani, que, desta vez, passou em branco.

domingo, 9 de janeiro de 2011

18ª Rodada (1ª parte): O Sevilla ainda sonha

De volta à boa fase, Luís Fabiano pode ser essencial para o Sevilla daqui para frente (getty images)


Nos três jogos que abriram a segunda rodada de 2011, destaque para os únicos vencedores, Barcelona e Sevilla. O primeiro porque manteve-se na liderança da competição e com uma nova goleada; o segundo, espantou a má fase de vez e venceu um confronto direto por competição europeia contra a Real Sociedad. Os sevillistas, antes vindo de cinco derrotas consecutivas, já chegam a quatro vitórias consecutivas e ainda sonham com uma vaga na próxima Champions League. No outro jogo do dia, o novo Málaga só empatou diante do Athletic Bilbao, mas mostrou uma boa imagem. Confiram a primeira parte do resumo da décima oitava rodada.

Real Sociedad 2x3 Sevilla
A pegada foi o antídoto do Sevilla para sustentar a carência defensiva. Foi assim que bem definiu o El Des Marque. Os rojiblancos caminhavam para sua sexta derrota em sete partidas, mas um gol de Luís Fabiano, que assim como seu time vê a boa fase voltando, representou o início de uma remontada. Se Manzano já declarou que irá priorizar a Copa del Rey, e levando em conta que o time tem um confronto complicado ante o Villarreal na quinta-feira, o técnico de Jaén ainda quer a vaga na Champions e, por isso, foi com o time titular para o jogo. No meio-campo, a única surpresa foi a escalação de Perrotti no lugar de Diego Capel. El Morito, porém, fez uma grande partida, sendo importante nas infiltrações pelo lado direito do campo.

A partida começou equilibrada e teve pitadas de emoções desde o início. Após jogada de Xabi Prieto, Diego Rivas pegou com estilo na bola para abrir o placar para os txuri-urdin; mas, no lance seguinte, Kanouté empatou para o Sevilla. Ainda no primeiro tempo, Joseba Llorente aproveitou fragilidade da defesa rojiblanca, antecipou-se a Alexis e encobriu Palop para desempatar a partida. Na volta para o intervalo, Manzano ainda perdeu Palop, lesionado. Parecia que tudo iria por água abaixo. Mas aí, o técnico sevillista foi para o tudo ou nada e fez uma troca que mudou o rumo da partida. Após tirar Renato e colocar Negredo, o Sevilla ficou mais veloz no ataque e foi aí que a partida começou a ficar em suas mãos. O canterano do Real Madrid, que desmentiu propostas do Liverpool, foi fundamental para a vitória andaluza.

Primeiro, Negredo aproveitou passe de calcanhar de Cáceres, chutou cruzado e Luis Fabiano apareceu para completar. Depois, o Sevilla partiu para um contra-ataque raro na temporada, mas que foi fulminante: Num 4x3, Negredo recebeu de Luis Fabiano e tocou para Kanouté, cada dia mais essêncial para o Sevilla, chutar no canto direito de Bravo, chegar ao seu doblete e garantir uma vitória importante para o rumo do Sevilla na competição.

Se este Sevilla ainda não anima, o progresso vem sendo adequado. A defesa é frágil e o meio-campo é pesado, mas o ataque vem sendo fulminante nos últimos jogos. Com a volta da boa fase de Luis Fabiano, um Kanouté inspirado a cada jogo e um Negredo eficiente, o Sevilla pode sonhar com Champions League. No lado basco, o momento não é de brincadeira: os euskaras estão a cinco rodadas sem ganhar e, de lá para cá, caíram seis posições. Hoje, só viveu de lampejos de Xabi Prieto e sentiu muito a falta de Griezzman. Para um time que sonha com uma competição europeia, uma amnésia como essa não pode acontecer nunca e a postura deve ser radicalmente mudada.

Deportivo 0x4 Barcelona
Antes da partida, o Marca já avisava: "Perigo: Messi e Villa estão a caminho do Riazor". O aviso foi por um motivo óbvio: a dupla é o pesadelo dos galegos. Messi já disputou sete partida contra o Depor, onde marcou cinco vezes. Villa, por sua vez, marcou onze vezes em quatorzes confrontos. Villa chegou ao seu gol de número 150na Liga Espanhola (31 pelo Zaragoza, 107 pelo Valencia e 12 pelo Barcelona). Com o número, o Guaje tornou-se o segundo asturiano a chegar ao feito, só sendo superado pelo mítico atacante Quini. Para construir a goleada, o Barcelona pressionou o La Coruña desde o início do jogo, principalmente com Messi e Vila, e priorizava as bolas trabalhadas pelos flancos do campo. Mas precisava ter paciência, já que a defesa adversária se mostrava bem organizada e suportava bem as investidas. Segundo Guardiola, não foi fácil para o Barcelona romper a barreira defensiva montada por Lotina.

Os galegos atuaram no 5-3-2 e até conseguiram parar alguns ataques dos azulgrenás com alguma eficiência, porém, no segundo tempo, não aguentaram o rítmo exercido pelo Barcelona, que dominou a partida. Adrián, em ótima fase, era a esperança de gols pelo lado blanquiazul, mas El Piscú só apareceu duas vezes na partida. E sendo destaque negativo: nas duas chances que teve, Adrián perdeu dois gols incríveis ante Valdés. No resto da partida, o promissor atacante foi perseguido por Piqué, que conseguiu pará-lo sem fazer muito esforço.

Há de se destacar a bela partida de Mascherano, Keita e Iniesta. O primeiro, acostumado a receber cartões amarelo em quase todo o jogo, tomou conta do meio-campo blanquiazul e cometeu apenas três faltas(em circunstância, as únicas faltas do Barcelona na partida); o segundo, substitui Xavi à altura e errou poucos passes, além de deixar Pedro e Villa na cara de Aranzubia por duas vezes; o terceiro, autor de um belo gol, deu um recital no meio-campo e, dois antes da entrega do prêmio Bola de Ouro FIFA, onde é um dos favoritos, comandou o Barcelona, ao lado de Messi, à goleada. Pelo lado blanquiazul, as palavras do técnico Miguél Angel Lotina na coletiva pós-jogo resume bem a atuação de seus comandados: o rendimento do Deportivo foi bom, ao contrário do resultado. No primeiro tempo, o Deportivo cerrou a posse de bola blaugrana e levaram muito perigo ao gol de Valdés, postura não exercida no segundo tempo.

Málaga 1x1 Athletic Bilbao (Pedro Spiacci)
Depois de Chelsea e Manchester City, agora é o Málaga o dono do dinheiro. Comprado pelo Sheik do Qatar Abdullah bin Nasser, os boquerones fizeram algumas contratações para o restante de La Liga. Na partida de hoje, na Andaluzia, o treinador Manuel Pellegrini escalou a equipe no 4-2-3-1 e contou mais uma vez com os contratados Asenjo, Demichelis e Maresca. Ainda falta a estreia de Júlio Baptista, que só não jogou por falta de um documento. Do outro lado, o adversário era o forte Athletic Bilbao, que optou pelo mesmo esquema, confiando no centroavante Llorente, em momento muito bom.

Porém a partida no La Rosaleda foi toda do Málaga. Nada de gols na primeira etapa, mas o jogo seguiu sua tendência. Llorente, sem grande apoio dos meias, poucas chances teve e nada pôde fazer. Muniain ainda tentou muito pelo flanco direito, mas não obteve resultado. O zagueiro Demichelis que acabou marcando, após aproveitar cruzamento e abrir o placar de cabeça. Porém, faltou sorte aos boquerones. No último lance da partida, em confusão na área, o volante da seleção espanhola Javi Martínez marcou o empate dos leones.

As circustâncias do empate fizeram com que o resultado fosse mais negativo ainda ao Málaga. Se os três pontos fossem conquistados, os boquerones conseguiriam abrir uma maior vantagem em realação à zona do decenso. Porém, ficou clara a melhora do futebol do Málaga e com mais dinheiro no clube, é muito provável que o clube consiga a recuperação na Liga Espanhola 2010/11. Não que o torcedor tenha visto um futebol incontestável e de encher os olhos, mas já é possível perceber que este time tem margem de crescimento. Os bascos continuam bem posicionados, na oitava posição, próximos a zona de classificação às competições europeias.

Confira a análise, time a time, do primeiro turno aqui.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Análise do primeiro turno: Sevilla

Antes unanimidades, Jesus Navas e Luís Fabiano convivem com lesões e são as decepções sevillistas na temporada (eldesmarque)

Campanha
11ª posição. 16 jogos, 20 pontos. 6 vitórias, 2 empates e 8 derrotas. 21 gols pró e 27 gols contra.

Técnico
Antonio Álvarez, até a quinta rodada; e Gregório Manzano, a partir da sexta rodada. Em apenas um mês e meio, as coisas mudaram bastante no Sevilla. Antes tido como salvador da pátria, Gregorio Manzano vem amargurando péssimos resultados à frente dos rojiblancos. E o pior de tudo: tem batido recordes negativos. Foram seis derrotas contra quatro vitórias. Isso dá uma média de 1,2 pontos ganhos por jogo. Em comparação com os técnicos anteriores, Manzano leva uma verdadeira goleada. Antonio Álvarez, técnico duramente criticado, apesar de ajudar o clube a faturar a Copa do Rey na temporada passada, tem média de 1,62 pontos por jogo. Manolo Jiménez, que dirigiu o time por três anos, é o que tem a melhor média entre todos, marcando 1,75 pontos por jogo. Já Juande Ramos, melhor técnico da história do Sevilla, responsável direto por elevar o clube no cenário nacional, conseguiu uma média de 1,74 pontos por partida.

Destaque
Kanouté. Em meio à crise, Kanouté é um dos poucos que se salvam. Com cinco gols é o artilheiro do Sevilla ao lado de Negredo, outro que vem se destacando. O malinês tem decidido em dobro já que seu companheiro de ataque, Luis Fabiano, não faz uma boa temporada e perdeu o lugar para Negredo no time, que cumpre seu papel regularmente. Negredo surpreende: antes criticado, o canterano do Real Madrid está exercendo um papel importante e, apesar de continuar perdendo gols bobos, também é um dos que se salvaram no primeiro semestre. Destaque positivo também para o uruguaio Cáceres, que driblou a desconfiança após a "flopada" no Barcelona e virou o xerifão da zaga andaluza. Quem demorou a aparecer, mas tem voltado a ganhar destaque é Perrotti e Diego Capel, os extremos direito e esquerdo, respectivamente, no 4-1-3-2 de Manzano.

Decepção
Há muitas opções para colocar aqui, mas pela sua importância para o time e pelo futebol não apresentado devido às lesões, a decepção é Jesus Navas. Navas começou a preparação para esta temporada mais tarde do que os outros jogadores do elenco do Sevilla, por causa de sua participação - muito boa, diga-se de passagem, principalmente na final - na Copa do Mundo. Fora de forma, o meio-campista parece alheio aos jogos e não tem conseguido acompanhar o ritmo dos companheiro. Sempre lesionado, Jesus Navas já sabe que, quando voltar ao time, terá que suar para ganhar a vaga de Perrotti, que vem ganhando pontos com a torcida e com Manzano. Luis Fabiano também decepciona e não é nem sombra daquele atacante da temporada passada. O brasileiro caiu de produção e viu sua vaga no ataque rojiblanco perdida para Negredo, artilheiro do time.

Perspectiva
Competição europeia. A fase não é animadora, mas não se deve subestimar o Sevilla, clube mais vencedor espanhol nos últimos seis anos fora Barcelona e Real Madrid. Com 20 pontos em 16 jogos, os sevillista encontram-se apenas na décima primeira colocação do Campeonato Espanhol. Além do mais, amargam cinco derrotas consecutivas na competição, o que não acontecia desde 2000 e posiciona Gregorio Manzano como o pior treinador do século 21 no clube. Mesmo assim, a confiança do presidente do time, José María del Nido, é tão grande de que a equipe irá reagir na competição, que já conta com o dinheiro que receberá por uma eventual participação na UEFA Champions League da próxima temporada.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Copa del Rey: Respira, Manzano

O Sevilla voltou a fazer as pazes com a vitória, e Manzano pôde, enfim, respirar aliviado (getty images)

O Sevilla jogou uma partida louca, com duas defesas defasadas, dando gols de presente e recebendo presentes para passar pela eliminatória de oitavas de final da Copa do Rei. O 5 a 3 conseguido no Sánchez Pizjuán demonstra, por exemplo, por que as defesas de Málaga e Sevilla são as mais vazadas da Liga Espanhola, demonstra que a equipe nervionense tem carências quase irremediáveis na zaga, demonstra também que existem jogadores despreparados para jogar nessa equipe. Além disso, demonstra que o plantel possui um pouco de raça e coragem, necessários para virar uma partida que estavam perdendo por 2 x 3. O elenco é liderado por Kanouté, que presenteia a todos. Na Copa, o Sevilla segue sendo o campeão. O 5 x 3 vale, além disso tudo, para deixar um bom sinal nesse final de ano e para a equipe sevillista se reencontrar com a vitória depois de seis partidas sem vencer.

O espetáculo do primeiro tempo presenciado pela torcida no Sánchez Pizjuán é difícil de ser definido. Torcedores do León, Astúrias ou Barcelona devem ter se divertido como em poucas vezes. Cinco gols, ataques atrás de ataques e oportunidades. Porém, para o torcedor do Sevilla e para Manzano, o primeiro tempo causou pavor. Foi apavorante o espetáculo proporcionado pelas defesas sevilista e malaguista. Alfaro marcou o primeiro gol e o Sevilla já se considerava o campeão da Copa. Os hispalenses pareciam e acreditavam estar classificados no minuto 15 da partida eliminatória. Deve ter sido isso o que causou o tremendo branco dos defensores anfitriões. A colaboração defensiva desapareceu, a solidariedade entre companheiros evaporou-se e as linhas sevillistas separaram-se como se Napoleão tivesse penetrado nelas com sua cavalaria. Os dois primeiros gols de Rondón poderiam ser também considerados um presente da defesa sevillista para o atacante. Luna, Cáceres e Konko não tiveram uma boa atuação. O último tinha a cabeça em qualquer lugar, menos na partida. E claro... O Málaga virou o marcador com Rondón, que agradeceu os agrados com gols.

Infelizmente, o Málaga tem o mesmo problema sevillista. Por isso, apesar de tudo, a equipe nervionense empatou. Todas as vezes em que o Sevilla chegou, desbravou a defesa cotasoleña. O gol de Negredo poderia ter aberto a porteira. Zokora poderia ter marcado, por exemplo. Porém não... O problema nervionense surgiu novamente. Primeira Lei: “Não desistir de desarmar uma ação ofensiva rival.” O Sevilla desistiu, e de forma ridícula veio o 2 x 3.

Manzano considerou (com razão) Konko como um dos maiores responsáveis da alarmante debilidade defensiva do Sevilla e o sacou da equipe depois do intervalo para tentar ganhar em intensidade com Alexis. Também apostou em algo mais de calma na partida com Kanouté. E realmente conseguiu, porque a partida se tornou algo mais cadenciado, o Sevilla atacava com possibilidades de acerto e o conjunto de Pellegrini esperava outro contra-ataque para decidir. A equipe hispalense controlou então a partida, com Kanouté bem escoltado por Romaric e se serviu de erros do rival para voltar a virar o placar da partida. Primeiro, Rubén falhou em um chute de Romaric. O mesmo marfinense conseguiu o quarto gol e consumou a virada com uma boa cabeçada. Quase que imediatamente, Capel castigou a inocência e languidez da zaga rival e de seu goleiro para fazer o quinto gol sevillista.

Já não houve mais loucura e presentes. O Sevilla salvou um momento dos mais obscuros com raça, gols, Romaric e erros do rival. De momento, trilhou o caminho para passar para as quartas de final da Copa do Rei.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Descapitalização do Sevilla

Jose Maria del Nido, presidente do Sevilla (reuters)

Após a eliminação para o fraco Braga(POR) na fase preliminar da LC, o Sevilla se vê em uma grande descapitalização. O time que Antonio Alvarez levou a campo nessa partida em relação ao time que Juande Ramos colocou em campo há cinco anos atrás contra o Celta, em Balaídos, é um grande exemplo do que se convertiria a equipe andaluz. Ao final do texto, podem ser comaparadas ambas as escalações.

A primeira coisa que mais chama atenção é a renovação extrema do time, em um período de um lustro - cinco temporadas -, ou seja, um período não tão grande para um clube que viveu um ciclo triunfador, só sobraram como titular Palop e Jesus Navas, e no plantel Drago, Renato, Kanouté e Luis Fabiano. Ao inverso, dos que jogaram contra o Braga, e fora os mencionados, somente Julien Escudé coincidiu com aquele time de 2005. Houve bastante mudanças, desde então.

É quando se começa a analisar as trocas quando percebes que algo há mudado demais, e não para um lado bom, mudança na estrutura da equipe. Com certeza, a baixa que mais chama atenção e mais sentida foi a de Daniel Alves, que é um super jogador e foi um ótimo negócio, com certeza se encontra entre os melhores jogadores do mundo. Seu substituto, Konko, não demonstrou muito nos dois anos e meio que está no clube, e apenas disputou metade das partidas. Não pode se esperar que cada ano venha um jogador por menos de um milhão de euros que se torne um craque mundial, mas se deve reconhecer que faz tempo que não chega a Nervión um futebolista da qualidade comparável a de Kanouté ou Luis Fabiano - o primeiro quem sabe jogou suas melhores partidas pelo Sevilla, enquanto o segundo faz tempo que tem a mente do outro lado, fora de Sevilla -, e nem mesmo da importância de Renato ou Adriano Correa. Do onze inicial da partida contra o Braga, raramente imaginamos um jogador dos "novos" em uma equipe de nível mundial. Talvez com a honrosa exceção de Perotti. Parecia também que Negredo até ano passado. Zokora é um meio campo útil, e um pouco mais e só.

Outra categoria que parece ter sumido de uma escalação para outra é um jogador rodado ou veterano de grande rendimento. Nessa categoria podemos colocar Javi Navarro que se converteu no símbolo do Sevilla após chegar do Valencia; Enzo Maresca que recordamos de sua excepcional prestação ao time na final de Eindhoven, que chegou depois de más atuações na Juve; ou o Pep Martí, meio campo de notável rendimento que atuou até os 33 anos como um dos pilares do meio campo. Esse tipo de futebolista parece ter desaparecido das escalações "modernas", em que só encontramos germes do conceito, como Alexis ou Fernando Navarro.

Finalmente, para não extender muito, apontamos algo sobre o potencial caminho percorrido dos jogadores de cada equipe. No de 2005, no mínimo sete jogadores da escalação titular se pode garantir uma grande carreira por vários anos, sem medo de se equivocar em demasia; e assim foi, todos eles no Sevilla, exceto Daniel Alves e Adriano, hoje no Barcelona. A quantos da escalação principal desejamos, realismo em mãos, um futuro tão promissor? Com certeza muito menos, e as razões dessa resposta é o que está levando muita gente a se perguntar o que há mudado nesses anos no exemplar secretariado técnico do Sevilla? No que Mochi passou de milagroso a discutido. A mudança foi notável.

Sevilla (setembro 2005): Palop; Alves, Javi Navarro, Dragutinovic, David; Jesús Navas, Maresca, Martí, Renato (Kanoute, m. 46); Adriano (Saviola, m. 46) y Luis Fabiano (Kepa, m. 64).

Sevilla (setembro 2010): Palop; Konko, Alexis, Escudé, Fernando Navarro; Alfaro (Acosta, m.80), Zokora, Guarente, Navas, Perotti; Cigarini (José Carlos, m.69) y Negredo (Luis Fabiano)


domingo, 22 de agosto de 2010

Ritmo de treino

Em jogo de um time só, o Barcelona comemora seu oitavo título em um período de um ano (AP)


Quando no primeiro jogo o Sevilla derrotou um Barcelona recheados de jogadores jovens, Guardiola e Rosell começaram a ser questionados sobre o porquê de não contratar mais. Javier Gascón, colunista do Mundo Deportivo, chegou a fazer um texto muito interessante sobre esse assunto (Contratar ou não contratar: O 3-1 do Sevilla realimenta o debate no Barcelona) que pode ser lido aqui (em castellano). Quase uma semana depois de todas as perguntas serem feitas, finalmente Guardiola apareceu para responde-las. Em tom meio que irônico, Pep disse que confia demais nos jogadores da cantera e que irá usá-los se não contratar mais ninguém. Além disso, Pep falou também que confia no seu time titular (dando a entender que não precisa mais de contratações). E provou que está certo... certíssimo.

O Sevilla praticamente não viajou para Barcelona. Talvez a equipe que Álvarez treina não chegou a descer do ônibus com a intenção de disputar a Supercopa, ou já tinha dado tudo por perdido desde que o Sporting Braga causou danos à equipe na ida da prévia da Champions. Diretores, jogadores e técnicos falavam da importância do título e da necessidade de não pensar no que aconteceria no meio da semana que vem. Porém, a equipe demonstrou sobre o campo que não tinha a mente onde deveria ter.

Os sevillistas saíram distraídos e se encontraram com a genialidade e a qualidade de uma grande equipe. O Barça não tardou em dominar e chegar com perigo, ante a permissividade e a tolerância de um Sevilla que defendia sem vontade, sem tensão, e que oferecia uma imagem muito pobre. Após boa troca de passes do Barcelona, Pedro recebeu de Xavi e partiu para uma jogada individual. Na corrida, deixou Capel para trás e driblou Fernando Navarro, para, logo em seguida, cruzar para área. Para infelicidade dos rojiblancos, Konko, que fez uma partida para se esquecer, mandou para as próprias redes. Era o primeiro gol do Barcelona aos 12 minutos. Cedo, como não queria Álvarez. Daí pra frente, um passeio dos catalães que sentenciaram no primeiro tempo ante o atônito olhar de Álvarez, que via como a sua equipe desmanchava sem fazer nada. Messi, no minuto 24 e antes do descanso, aproveitou mais duas falhas defensivas para selar a goleada antes de ir para o vestiário.

Primeiro, a Pulga aproveitou um passe genial dado por Xavi - antes mesmo do meio-campo - para, com extrema frieza, tocar na saída de Palop. O terceiro gol foi, quem sabe, o mais bonito da partida. Numa troca de passes que começou lá na zaga com Piqué, Pedro recebeu do zagueiro e acionou Daniel Alves. O brasileiro desceu rapidamente pela direita, fez a finta em Capel e tocou nas costas Escudé para Messi, que saiu de marcação de um desastroso Konko e, com a perna direita, mandou no ângulo de Palop. Já nesse momento, muitos torcedores sevillistas perguntavam por Luís Fabiano e Kanouté, e quando iria vir um zagueiro para suprir a baixa de Squillaci, que provavelmente será negociado com o Arsenal.

Depois do intervalo, engana-se quem pensou que o Sevilla iria mudar. A tônica continuou a mesma. Álvarez demorou mais de quinze minutos para mexer no time, minutos de ouro. Os “olés” eram escutados ns arquibancadas a cada interminável toque de bola do Barcelona, enquanto os visitantes assistiam a partida como meros espectadores. Para felicidade dos torcedores, Guardiola resolveu colocar em campo Iniesta e o estreante da noite David Villa. O Guaje entrou com uma vontade enorme, vontade de quem quer ser ídolo dos culés. Poucas opções claras dos jogadores de Guardiola (exceto uma de Iniesta), que já tinham a partida controlada, e nenhuma oportunidade para os nervionenses. O último gol de Messi, com o tempo de partida quase cumprido, depois de um passe de Iniesta, selou a humilhação e revelou as vergonhas e carências sevillistas.

Acabo este texto falando sobre o perdedor da noite. Em resumo, uma imagem tão pobre quanto preocupante. O Sevilla esteve nulo na defesa. Perdendo deste jeito e mostrando erros faceis de serem explorados, o Sevilla chega de uma maneira ruim para o jogo decisivo de terça, contra o Braga, onde jogará tudo na temporada. Ontem, atirou o título pela janela no Camp Nou e o mais preocupante é que pareceu não se importar. Onde está a ambição desse clube?

Barcelona 4x0 Sevilla
Barcelona: Valdés; Daniel Alves, Piqué, Abidal, Maxwell; Keita, Xavi (Adriano, m.88) Busquets; Bojan (Iniesta, m.56), Pedro (Villa, m.56), Messi.
Sevilla: Palop; Dabo, Escudé, Konko, Fernando Navarro; Jesus Navas, Zokora, Romaric (Cigarini, m.60), Capel (Luis Fabiano, m.60); Alfaro (Perotti, m.60) e Negredo.
Árbitro: Teixera Vitienes
Gols: Konko (contra), Messi (três vezes)
Cartões Amarelos: Piqué (Barcelona) e Romaric (Sevilla)

sábado, 14 de agosto de 2010

Pós-jogo: Sevilla 3x1 Barcelona

Num grande segundo tempo, o Sevilla abriu uma boa vantagem perante o Barcelona e obriga os blaugranas a tentarem a sua primeira remontada na temporada (reuters)


Sevilla e Barcelona abriram oficialmente a temporada 2010-11 do futebol espanhol. Em um bom jogo de futebol no Ramón Sánchez Pizjuan, na Andaluzia, o Sevilla saiu na frente na busca de seu segundo título de Supercopa. Aproveitando-se do fato de o Barcelona ter escalado um time recheado de jogadores da filial, o Sevilla fez o que o seu técnico pediu: a lição de casa para cima dos blaugranas.

Segundo palavras do técnico sevilista Antonio Álvarez, na coletiva oficial de pré-jogo, se há uma maneira de o time andaluz vencer esta competição é derrotando - e bem - o Barça jogando em seus domínios. Extremamente desfalcado, o Barça começou melhor a partida, tentando impor sua principal característica sobre o adversário: a posse de bola. Melhor no primeiro tempo da decisão, o time catalão criou sua primeira grande chance logo aos 17 minutos, quando o jovem atacante Bojan não aproveitou a falha do zagueiro Dabo para vencer Palop. Por outro lado, o Sevilla, apostando na velocidade pelos flancos, respondeu em seguida: Jesús Navas obrigou Miño a fazer grande defesa.

Ibrahimovic, autor do passe para Bojan, segue em busca de afirmação na Catalunha. Os jogos da Supercopa pode ser uma prova de que o sueco pode, sim, dar a volta por cima. Envolvidos em especulações que o colocam em Manchester City, Chelsea e Milan, o sueco fez hoje uma boa partida. E o primeiro gol da partida foi exatamente dele. Aos 20 minutos, Maxwell, atuando como um verdadeiro ponta-esquerda, fez grande jogada e encontrou Ibrahimovic dentro da área. O sueco venceu Palop para abrir o marcador e deixar sua equipe em uma situação muito favorável na competição.

Na volta para a segunda etapa, Álvarez resolveu pôr em campo a principal contratação do Sevilla para a temporada: Gigarini (ao lado de Guarente, que não jogou hoje). O italiano foi um dos principais responsáveis pelo revéz sevillista no jogo de ida. O ex-jogador do Napoli descolou um ótimo lançamento para o Luís Fabiano, que ganhou na velocidade de Sérgi Gomez e bateu de esquerda, na saída de Miño, para colocar o Sevilla de volta à partida. Antes do tento, o Sevilla ainda viria a perder uma ótima oportunidade com Renato, após cruzamento de um apagado Jesus Navas, homenageado pelo presidente Del Nido antes da partida.

Guardiola: No jogo em que comemorava dois anos à frente do Barcelona, Pep foi questionado (getty images)

A partir do empate, o Barcelona não se encontrou mais em campo. Mesmo com Messi, que entrou aos seis minutos do segundo tempo, o time da Catalunha sofreu com as jogadas pelas laterais do Sevilla. E, desta forma, os donos da casa construíram a grande vantagem para a partida fora de casa.

Aos 29 minutos, Negredo fez grande jogada pela esquerda e cruzou na medida para Kanouté, que havia entrado em campo dois minutos antes. Oportunista como sempre, o atacante da seleção de Mali finalizou com precisão para colocar o Sevilla à frente no marcador, em novo atraso na marcação do canterano Sérgi Gomez. Nove minutos depois, o africano apareceu novamente, desta vez após desviar de cabeça o cruzamento de Perotti, para marcar o terceiro e sacramentar o resultado.

Após o final de jogo, Guardiola foi questinado sobre o porquê de não ter colocado em campo os jogadores campeões do mundo. O treinador foi sintático e claro na sua resposta. Segundo ele, nem todos os jogadores estão no ápice de sua forma e não poderia arriscá-los em campo. O certo é que todos eles estarão de volta para o jogo no Camp Nou, no Sábado 21. Com Iniesta, Xavi, Villa, Piqué, Puyol, Valdés e Pedro, mais Lionel Messi, o Barcelona tem totais condições de remontar.

Veja aqui a coletiva pós-jogo completa de Guardiola (em castellano).O jogo da volta acontece no Sábado que vem; dessa vez, no Camp Nou.

Sevilla 3x1 Barcelona
Sevilla: Palop; Konko, Escudé, Fazio, Dabo; Jesús Navas, Zokora, Romaric (Cigarini, m.45), Perotti; Renato (Kanouté, m.64) , Luis Fabiano (Negredo, m.70).
Barcelona: Miño; Alves, Sergi Gómez, Milito (Adriano, m.80), Abidal; Maxwell, Keita, Oriol, Dos Santos; Bojan, Ibrahimovic (Messi, m.52).
Árbitro: Muñiz Fernández, das Asturias.
Gols: Luís Fabiano, Kanouté e Kanouté (Sevilla); Ibrahimovic (Barcelona).
Cartões Amarelos: Zokora, Dabo e Cigarini (Sevilla); Daniel Alves (Barcelona).

Balanço final: Sevilla

Com as constantes lesões de Luís Fabiano, Jesus Navas liderou o Sevilla na temporada (AP)

SEVILLA

Técnicos: Manolo Jiménez e Antonio Álvarez
Competição europeia: Liga dos Campeões (caiu nas oitavas de final)
Copa do Rei: campeão
Destaque: Jesús Navas (meia)
Artilheiro: Luís Fabiano (15 gols)
Nota da temporada: 6,5

Claramente a aposta do Sevilla foi a Liga dos Campeões. O objetivo era fazer uma campanha melhor que há três temporadas, quando parou nas oitavas de final, eliminado pelo Fenerbahçe em casa. Não deu certo. O time caiu na mesma fase, novamente para uma equipe acessível (o CSKA Moscou).

Os sevillistas ficaram sem energia para o Campeonato Espanhol e por pouco não perderam a vaga à LC 2010/11. Jesús Navas foi o grande nome, mas figuras importantes como Luís Fabiano, Kanouté e Capel ficaram abaixo das temporadas anteriores. Pelo menos, veio o título da Copa do Rei para contentar a torcida.

domingo, 23 de maio de 2010

Venceu o melhor

O Sevilla comemora no Camp Nou a conquista do "segundo" título na temporada (getty images)

Não se esperava menos da partida. Futebol total desde o início. Sevilla e Atlético de Madrid jogaram sem especulações e sem temores, algo impróprio para uma final e o futebol agradeceu.

Transcorridos apenas três minutos, Agüero pôde marcar, porém, não chegou na bola e a reação hispalense foi própria de um grande. Jesús Navas aparecia sobre o campo para arrancar e chegar a frontal da área, onde estava Diego Capel, que mandou a bola pras redes junto com todas as almas sevillistas. Sem opções de descanso, o Atléti teve a chance mais clara até o momento e numa dupla tentativa, Ujfalusi invadiu a área pela direita e seu cruzamento foi finalizado primeiro por Agüero, depois por Forlán. Squillaci e Escudé apareceram de forma milagrosa quando o empate era ouvido nas arquibancadas. Susto superado, o objetivo seguinte era ir pra cima dos colchoneros.

No minuto 26, depois de um cruzamento sem perigo, Perea deixou a bola na entrada da área, num erro fora do comum. Porém, Squillaci não aproveitou o presente e finalizou fraco, perdendo a chance de ampliar o placar. A partir daí e até o intervalo, pouco se viu do Sevilla e tampouco os jogadores de Quique assediaram Palop, porém, a sensação de perigo reinava no ambiente até chegar ao ponto dos cinco últimos minutos terem se convertido num suplício. Forlán, em duas chances, e Agüero, aproveitando uma saída em falso de Palop, fizeram a torcida do Atléti quase comemorar. E assim chegou o intervalo: com todo o banco do Sevilla o pedindo, em um claro sintoma de que apesar do resultado, a partida era um sofrimento total.

No começo do segundo tempo, ao menos outra coisa sucedeu. Apesar dos rojiblancos levarem o peso da partida por necessidade, o Sevilla tocava melhor a bola, com objetivo e buscando surpreender em um contra ataque, sabendo que o tempo jogava a seu favor. Um longo disparo de Tiago foi a única aproximação perigosa dos colchoneros antes do minuto 10, e isso era um bom sinal. Capel e Navas, pelos lados, eram dois punhais afiados, desejosos a fincar os dentes, e pouco a pouco, o Sevilla se fez dono da final. Menção especial para a dupla de zaga Escudé e Squillaci, soberanos na partida inteira ante as duas estrelas colchoneras, Forlán e Agüero. E tampouco deixou despercebido o nível de Negredo.

O madrileño teve a melhor ocasião para quase sentenciar a final: estava sozinho ante De Gea depois de uma fenomenal assistência de Kanouté, porém, optou por perder um gol incrível e dar vida a um rival que começava a se sentir pressionado. Quique decidiu então fazer uma dupla substituição na sua equipe, para dar novas alternativas e refrescar seu time. Assunção e um desaparecido Simão saíram para a entrada de Raúl Garcia e Jurado. O efeito foi imediato e Álvarez se viu na obrigação de tirar Negredo pra colocar Romaric. Era o momento de tentar recuperar a posse de bola com a metade do segundo tempo pela frente. Á favor estava o passar do tempo, a impotência do Atlético e a segurança de uma defesa muito acima do nível demonstrado na temporada. Uma grande combinação entre Tiago e Jurado obrigou Squillaci a aparecer novamente de forma providencial para impedir o empate de Agüero. Tudo isso antes de uma rixa imprópria para o momento, mas que era o fiel reflexo da tensão vivida. Assim, começou o último quarto de hora. Forlán tentou de novo, porém, Palop respondeu fazendo boa defesa.

Mas faltava o delírio, a jogada mestre de um craque que esses momentos tanto pedem e que fazia falta pra ele uma consagração desse tipo: Jesus Navas fez uso de sua velocidade, qualidade e sangue frio pra deixar vários jogadores do Atlético sentados, que fizeram o impossível para derruba-lo, porém, sem sucesso. O jogador de Los Palácios ficou frente a frente com De Gea, o driblou e com suspense sentenciou. Gol. 2 a 0 e Sevilla campeão!

sábado, 15 de maio de 2010

De tirar o fôlego

Em apenas seu segundo jogo como profissional, Rodri marcou um gol histórico, classificando o Sevilla para a próxima Champions League (getty images)

Histórico. Só essa palavra pode definir como foi a "decisão" para a última vaga da Champions League da próxima temporada. No Ono Estadí, o Mallorca encarava o Espanyol precisando da vitória e torcendo por um empate ou uma derrota do Sevilla, que encarava o Almería, no Juegos Mediterráneos.

A vitória e a classificação do Sevilla começaram a ser construídas logo aos 16 minutos de jogo, com um gol de Kanouté. Ainda na etapa inicial, o Almería deixou tudo igual com Soriano. Na etapa complementar, os rojiblancos ficaram novamente à frente no placar graças a um gol contra de Chico, aos oito minutos.

Mas a luz amarela começou a se acender no Sevilla a partir da expulsão de Negredo, aos 20 minutos. O espanhol, com a expulsão, está de fora da final da Copa del Rey, na próxima quarta-feira. E a situação piorou muito aos 34, quando Ortiz deixou novamente tudo igual no placar e empatou para o Almería: 2 a 2. A essa altura, o Mallorca já vencia o Espanyol por 2 a 0, gols de Victor e Suarez, e estava ficando com a classificação para a Liga dos Campeões, empurrando o Sevilla para a Liga Europa.

Webó, à esquerda, e Gonzalo Castro, à direita. É, não deu... (AP Photo)

Quando os torcedores do Mallorca já comemoravam a quarta colocação da equipe e a vaga na Champions, o Sevilla chegou ao terceiro gol heroicamente, nos acréscimos da etapa final. O canterano Rodri, que fez apenas o seu segundo jogo como profissional, marcou um gol histórico, fazendo 3 a 2 e reconduzindo os sevillistas ao torneio continental.

Com o resultado, o Sevilla encerra sua participação na liga espanhola em quarto lugar, com 63 pontos, um a mais que o Mallorca, com 62. O Mallorca esteve muito perto de assegurar presença na Champions, pois venceu o Espanyol por 2 a 0 e, até os acréscimos do jogo do Sevilla, contava com o empate do rival.

O Mallorca, que irá voltar a disputar uma competição europeia seis anos depois, a Liga Europa, terá que reforçar o seu time para disputar a competição. Afinal, Manzano, Gonzalo "Chori" Castro, Aduriz, Borja Valero, Mario Suarez, os pilares do time, não ficam pro time para a próxima temporada. Apesar de toda a festa, Del Nido, presidente do Sevilla, já deixou bem claro: "agora, iremos em busca da Copa del Rey".

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Ressureição Sevillista?

Jogadores comemoram: seria uma ressureição rojiblanca? (as)


Que ninguém pense que voltou aquele Sevilla excelente de Juande Ramos. Sequer trata-se de um Sevilla à altura do time dos primeiros meses dessa temporada. Porém, trata-se de um Sevilla com boa atitude e com vontade, e isso já é uma mudança. Luís Fabiano e Kanouté querem jogar e os demais jogadores os buscam. Só com isso, o Sevilla já começa a ser temível. Se a isso adicionarmos o comando de Drago, a inspiração de Palop e uma pequena melhora de Renato, só será necessário esperar a volta de Navas, Zokora e Perotti para que não escape o quarto lugar.

Desde o início se notava que o Sevilla era outro. Sem muitas ocasiões claras, porém, muito mais alegre. Luís Fabiano estava com vontade de jogar, Kanouté tinha tirado muitos anos das suas costas e Renato aparecia por muitas zonas do campo. Capel era mais ativo. Com esses fatores, o gol chegou já na terceira tentativa: controle de Luís Fabiano, manobra de imensa qualidade e passe para Kanouté, que aproveitou a ruim linha de impedimento do Tenerife e definiu rasteiro para o gol.

A partida era um toma lá dá cá constante, com o Sevilla sofrendo na defesa e com o Tenerife tentando empatar. Nem tudo era bom, porém, ao menos os chutões passaram a ser convertidos em um recurso, ao invés de ser um modo de jogo. Os visitantes tiveram uma ocasião claríssima, e Luís Fabiano finalizou uma cobrança de falta na trave, o que poderia ter sido o segundo gol, próximo do intervalo. Porém, minutos depois, Renato controlou a bola e passou para o Fabuloso, que matou com o peito e girou, batendo cruzado. Golaço. Luís Fabiano era disparado o homem da partida.

O Tenerife não tinha outra alternativa a não ser atacar muito mais no segundo tempo. Os jogadores de Oltra tinham a posse de bola e o Sevilla esperava o contra-ataque que mataria a partida. As melhores chances foram dos visitantes. Dinei e Nino viram como Palop se virava enquanto eles quase comemoravam gols. Os minutos se passavam, o Sevilla não chegava e isso animava o Tenerife. Mas era só engordar para morrer: o ponto final foi colocado por um canterano: José Carlos. Cobrou uma falta na gaveta e fez o terceiro gol.