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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A despedida do herói


A venda de Forlán, concluída nas últimas horas de mercado para a Inter de Milão, irá deixar o Atlético de Madrid sem um de seus maiores jogadores nas últimas temporadas. Após 96 gols, uma chuteira de ouro e dois títulos, o uruguaio parte para Milão para substituir Samuel Eto'o, que saiu da Inter rumo ao Anzhi. Ironicamente, Forlán chega para o lugar daquele com o qual protagonizou um histórico duelo pela artilharia na temporada 2008/09: o camaronês ficou à frente do uruguaio durante boa parte do campeonato; porém, sucumbiu na reta final e viu um Forlán avassalador levar o Pichichi para a casa.

A chegada de Forlán ao Atlético de Madrid foi semelhante com a ida a Milão. Em 2007/2008, logo após a saída de Fernando Torres para o Liverpool, a diretoria colchonera agiu rápida e anunciou o nome do El Brujo por 10 milhões de euros junto ao Villarreal. Após uma passagem ruim no Manchester United e convincente no clube amarillo, Forlán se firmou com um dos melhores atacantes do mundo justamente em Manzanares e não demorou para ouvir muitos gritos de "uruguaio, uruguaio!" vindo dos aficionados rojiblancos logo após um gol seu.

Em sua primeira temporada como jogador do Atléti, Forlán anotou 23 gols, sendo 16 deles na Liga Espanhola, que ajudaram a equipe a se classificar a Champions League pela primeira vez em onze temporadas. Uma cifra aceitável para sua temporada de estreia, mas que fica em segundo plano se comparada com a da temporada posterior, que acabou resultando em sua segunda chuteira de ouro na carreira. Uma reta final de temporada espetacular permitiu terminar com 32 tentos, ficando à frente de Eto'o na artilharia da Liga.

Foi um período em que El Brujo parecia, de fato, um bruxo: tudo que tocava acabava em gol. Seja com a direita, com a esquerda, de cabeça, de pênalti e, até mesmo, de falta: Forlán estava impossível. No fim, seu tremendo final de campeonato escondeu muitas carências de uma equipe para lá de inconstante, e que acabou classificada à LC pela segunda temporada consecutiva. A grande decepção da temporada foi justamente na competição europeia. Não pelo que Forlán fez, mas pelo que deixou de fazer. Em uma atitude para lá de maluca, Javier Aguirre, treinador do Atlético à época, optou por deixar Forlán no banco no jogo decisivo contra o Porto pelas oitavas-de-finais. Resultado: empate por 0 a 0 e eliminação colchonera, já que o jogo de ida, no Vicente Calderón, havia sido 2 a 2.


A terceira temporada de Forlán teve muitos altos e baixos, mas o resultado final não deixou dúvidas: 18 gols na Liga, três na Copa do Rei e sete na Liga Europa, onde foi campeão e melhor jogador. Se, nos numeros, houve uma queda significante em relação à temporada anterior, no plano coletivo a temporada 2009/2010 acabou sendo a melhor de Cavachava quanto jogador atleticano. Para terminar, com chave de ouro, o terceiro lugar na Copa do Mundo com o Uruguai, onde foi eleito o melhor jogador da competição. Autor de dois gols na semifinal da competição europeia contra o Liverpool e também na final contra o Fulham, Forlán será eterno no clube rojiblanco por muitas coisas, mas em especial pelo seu gol ante os Cottagers no minuto 116 da prorrogação. O tento que definiu o título europeu para o Atlético de Madrid tirou os colchoneros de uma fila de 14 anos sem ganhar um título de expressão (46 anos sem título em âmbito continental).

Após esses momentos de glórias, El Brujo viveu muitos momentos duros em sua última temporada. Cavachava não rendeu como em temporada anteriores e sua relação com Quique Sánchez Flores foi bastante controversa. Sua cifra goleadora foi a pior desde que chegou à Espanha: oito gols na liga e dois na Liga Europa. Ao final da temporada, acabou proclamando-se campeão da Copa América com o Uruguai, onde mostrou novamente todo seu poderio decisivo: marcou dois gols na final contra o Paraguai.

Agora, Forlán desembarca na Beneamata com a responsabilidade de ser a grande referência de uma equipe que irá tentar volta a conquistar títulos, após uma temporada decepcionante após a saída de José Mourinho. Os torcedores do Atlético de Madrid jamais esquecerão o uruguaio bastante carismático e seus gols, sobretudo aqueles marcados no fatídico 12 de maio de 2010, em Hamburgo.

sábado, 30 de julho de 2011

"Reyes" do sofrimento

O Atlético de Madrid estreou vencendo, mas gol sofrido no final deixou o alerta ligado (reuters)

Na quinta-feira (28), o Atlético de Madrid entrou em campo para seu primeiro jogo oficial na temporada 2011/2012. Pela fase eliminatória da Liga Europa, os colchoneros receberam os noruegueses do Stromsgodset e estrearam com o pé direito. Porém, a vitória por 2 a 1 deixa o alerta do Atléti ligado: no jogo da volta, uma vitória simples do Stromsgodset elimina os rojiblancos da segunda principal competição europeia.

O jogo deu algumas dicas de como deverá jogar o Atlético de Madrid de Gregório Manzano na temporada, mas deixou clara a deficiência da equipe na falta de um armador. Adepto do 4-4-2 a rombo (esquema que depende de um enganche), Manzano optou pelo esquema na forma de um quadrado. Nos flancos, Juanfran e, principalmente, Reyes imprimiram bastante velocidade. O camisa 18 foi o principal destaque da equipe na estreia: autor de um doblete, Reyes mostrou que segue voando após o final de temporada abaixo da média devido ao desgaste físico. Vale lembrar que, na temporada passada, o meio-campista foi um dos mais utilizados pelo técnico Quique Sánchez Flores.

Os estreantes Silvio, Miranda e Adrián tiveram desempenhos opostos: enquanto Silvio não teve nenhum problema no lado direito da zaga, Miranda mostrou-se bem enrolado quando os noruegueses atacavam pelo seu setor. Para completar a estreia bem fraca, o brasileiro foi expulso diretamente após falta em Sankov. Adrián, por sua vez, foi um dos artífice da vitória colchonera e mostrou uma invejável forma física para quem, praticamente, não teve férias. Destaque do rebaixado Deportivo na temporada passada, o atacante mostrou que pode ser um bom substituto de Agüero, apesar do adversário não ser dos melhores. Dos pés do atacante, nasceram os dois gols de Reyes na partida.

Após muitas especulações e um fim de temporada como verdade incógnita, Forlán está disposto a recuperar o tempo perdido. Quatro dias após comemorar o título de Copa América, o uruguaio dispensou a folga dada por Manzano e se reapresentou dois dias depois para jogar a partida. El Cachavacha, apesar do lançamento para Adrián ajeitar para Reyes no primeiro gol, sentiu um pouco o cansaço e foi substituído no segundo tempo, sendo ovacionado pelos aficionados da casa. Apesar do bom jogo do setor ofensivo, a zaga voltou a assustar. Storflor, autor do gol do Stromsgodset, aproveitou erro de posicionamento de Perea e Alvaro Domínguez para marcar.

Na coletiva pós-jogo, Manzano lamentou o erro da zaga e acomodação da equipe após o segundo gol. De acordo com o técnico, o jogo da volta irá requer uma séria de atenção, pois o adversário, certamente, estará bastante confiante. Manzano também aproveitou para dizer que, com apenas 24 dias de trabalho, não pode exigir tanto de seus comandados, mas deixou claro que a principal característica desse time já se mostrou: volume de jogo e velocidade. O jogo de volta acontece na quinta-feira (4), na Noruega.

Mercado
No dia do confronto contra os noruegueses, a novela Agüero chegou ao fim: o Manchester City desembolsou cerca de 45 milhões de euros para tirar Kun do Atlético de Madrid. Sem seu destaque na temporada passada, a diretoria colchonera segue atrás de um atacante para suprir a ausência do argentino. Por enquanto, quatro nomes estão em pauta: Giuseppi Rossi (Villarreal), Falcão García (Porto), Haedo Valdez (Hércules) e Osvaldo (Espanyol) são os nomes mais especulados para o ataque rojiblanco. O ítalo-argentino do Espanyol teve uma proposta de 12 milhões de euros negada no início da semana (o Espanyol está pedindo 20 milhões de euros, o que o Atlético de Madrid não está disposto a pagar). No momento, o mais acessível é o paraguaio do Hércules. Sua cláusula de rescisão é de 5 milhões de euros, o que teria feito os dirigentes colchoneros olharem de bons olhos. Em enquete feita pelo AS, os torcedores preferem Rossi para fazer dupla com Forlán. Porém, o alto preço do ítalo-americano e do colombiano do Porto fazem com que a dupla seja descartada.

Para o problema da criação, a solução pode ser o brasileiro Diego. Hoje, o pai e agente do meio-campista, Djair Ribas, afirmou ao AS que a transferência de seu filho pode ser concluída em breve. Segundo Djair, Diego vê o Atlético de Madrid com bons olhos e só está esperando o acordo de ambos os clubes para se transferir para Manzanares. O objetivo do Atlético de Madrid é pagar menos de 10 milhões pelo brasileiro, que foi comprado pelo Wolfsburg junto à Juventus por 16 milhões de euros. Outro meio-campista (mas não armador) especulado é Griezmann (Real Sociedad). O francês declarou publicamente que deseja reforçar o Atlético de Madrid, mas isso depende de seu clube atual. A primeira proposta pelo extremo foi negada pelo clube basco: 7 milhões de euros + Raúl García e o empréstimo de Mérida. O clube donostiarra já avisou que só vende seu prodígio se multa rescisória (25 milhões de euros) for paga.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Balanço Final: Atlético de Madrid

Palmas para mim: excelente temporada de Agüero, que já deixou claro que quer sair do clube (getty images)

Campanha: 7ª colocação. 38 jogos, 58 pontos, 17 vitórias, 7 empates e 14 derrotas. 62 gols pró e 53 gols contra. Classifcado à Liga Europa 2011-12.
Competição europeia: Campeão da Supercopa da Uefa em cima da Inter de Milão e eliminação na fase de grupos da Liga Europa
Time-base: De Gea; Ujfalusi, Perea, Godín, Filipe Luís; Tiago, Mário Suárez, Elias, Reyes; Agüero, Diego Costa
Os artilheiros: Agüero (20 gols), Reyes (7) Forlán e Diego Costa (6)
O técnico: Quique Sánchez Flores
O destaque: Sergio Agüero
A decepção: Filipe Luís

Recapitulando: na temporada passada, o Atlético de Madrid foi campeão da Liga Europa e, logo no início da temporada, bateu a poderosa Inter de Milão e conquistou a Supercopa; De Gea se consolidou como goleiro de nível internacional; Jurado foi a única grande baixa do time no mercado, que trouxe um lateral-esquero decente, Filpe Luís, para o elenco; e o clube conseguiu manter Diego Forlán, vindo de uma excelente Copa do Mundo, onde foi o melhor jogador, e Agüero, melhor jogador da final da Supercopa da Uefa. Com isso, obviamente, os rojiblancos foram considerados única equipe a bater de frente com Barcelona e Real Madrid. E, no início da temporada, demonstrou isso: bateu Sporting Gijón e Athletic Bilbao nas primeiras rodadas com resultados convincentes. Porém, as quedas para Aris, na Liga Europa, e Barcelona, na Liga BBVA, marcaram um divisor d'águas para o time. Na competição europeia, eliminação ainda na fase de grupo, que tinha Aris, Rosenborg e Bayer Leverkusen, enquanto que a esperança de conquistar a Copa do Rei parou no rival Real Madrid, que já não perde do Atléti há onze temporadas.

Mas nem tudo foi negativo no clube de Gil Marín, novamente muito contestado ao fim de temporada. A arrancada rumo à classificação para a Liga Europa (que acabou ficando de bom tamanho para uma equipe com condições de pegar uma vaga para a Champions League) e os excelente desempenhos de Agüero e Reyes foram algos para se elogiar na temporada colchonera. Com a "crise" de Forlán, Kun desempenhou papel importante no ataque rojiblanco. Foram 20 gols na Liga (terceiro artilheiro, ao lado de Negredo, do campeonato) e o "prêmio" de melhor jogador do Atléti na temporada. O meio-campista, por sua vez, se achou: em sua melhor temporada na carreira, Reyes abusou do bom futebol, sobretudo no primeiro semestre, e dos gols bonitos e teve papel importante na temporada da equipe: foram sete gols e sete assistências.

Após mais um fracasso, o redimensionamento deverá ser grande. A começar por Agüero, que já publicou em seu twitter o desejo de sair do clube de Manzanares. O destino do argentino poderá ser um entre Juventus, Chelsea, Real Madrid e Barcelona. Em uma enquete do Marca, 56,07% dos internautas escolheram Agüero como atacante preferido para defender o Real Madrid na nova temporada (entre os nomes, estava o de Neymar). Outros nomes que não deverão mais integrar o elenco colchonero é De Gea e Forlán. Após o insucesso frustrante do uruguaio, que perdeu vez para Diego Costa no ataque e sofreu com as lesões musculares, o destino de Forlán deve ser o Besiktas, que levou o capitão Simão à Turquia no mercado de inverno. O jovem goleiro (que, para alguns, já é realidade), apesar de negar, já foi anunciado por Alex Ferguson como o substituto de van der Sar no gol do Manchester United.

domingo, 6 de março de 2011

27ª rodada (1ª parte): Para elevar a moral

Com um Reyes inspirado, Atlético de Madrid faz sua melhor partida na temporada e esquenta disputa por competições europeias (reuters)

Na abertura da 27ª rodada, Valencia, Barcelona e Atlético de Madrid conseguiram vitórias providenciais ante adversários perigosos. No Ono Estadi, o Valencia saiu atrás com um gol oriundo de um pênalti irregular, mas soube manter a calma para chegar a virada. No Camp Nou, antes do jogo decisivo pela Champions, o Barcelona jogou para o gasto e venceu pelo placar mínimo o Zaragoza. E, no último jogo do dia, o Atlético de Madrid venceu e convenceu perante o Villarreal, que sofre um duro revés antes de encarar o Bayer pela Liga Europa. Confira a primeira parte do resumo da rodada.

Atlético de Madrid 3x1 Villarreal
Na noite de gols bonitos no Vicente Calderón, o Atlético de Madrid, em sua melhor partida na temporada, contou com Agüero, Forlán e, sobretudo, Reyes inspirados para bater o Villarreal e subir quatro posições na Liga Espanhola. Jogando num compacto 4-3-1-2, os rojiblancos começaram num ritmo intenso e abriram o placar num belíssimo tento de Reyes, que, um pouco antes da meia-lua, acertou um feliz chute no ângulo direito de Diego López. Logo após o gol, o Villarreal passou a acordar na partida, mas Borja Valero, exercendo uma função mais recuada do que costuma fazer, era muito bem marcado pela linha de três do Atlético de Madrid na volância. Aos 34', porém, o Villarreal chegou ao gol de empate numa bela cobrança de falta de Rossi.

Para reforçar sua marcação no meio-campo, Garrido voltou para a segunda etapa com Oriol no lugar de Bruno. Cani, que caiu facilmente na marcação de Filipe Luís, deu lugar a Marco Rúben e os amarillos passaram a jogar num 4-2-1-3. Mesmo com mais um atacante em campo, o Villarreal não conseguia levar perigo à meta De Gea e, à medida que passava o jogo, o Atlético de Madrid era quem levava mais perigo. O gol, então, passou a ser questão de tempo e após boa tabela de Elias e Filipe Luís, o lateral brasileiro achou Agüero livre, e o argentino, com extrema categoria, encobriu Diego López para desempatar a partida. A assistência para Kun não foi o único ponto notável da atuação do ex-Deportivo, que fez sua melhor partida com a camisa rojiblanca. Ele também mostrou muita confiança e anulou Cani, em sua pior partida na temporada. Para completar a festa colchonera em Manzanarez, Forlán desencantou. Aos 27', o uruguaio recebeu bela assistência de Reyes e, com a categoria que lhe é peculiar, também encobriu Diego López, decretando a vitória rojiblanca. O gol deu tranquilidade ao time da casa, que soube se defender bem do assalto amarillo.

Barcelona 1x0 Zaragoza
Claramente com a cabeça no Arsenal, o Barcelona fez uma partida preguiçosa, mas conseguiu mais três pontos fundamentais na luta pelo tri-campeonato. Agora, a vantagem é de dez pontos momentaneamente. Com uma equipe mista em campo, o Barcelona dominou durante os 90 minutos, mas pouco finalizou a gol. O meio-campo formado por Mascherano, Xavi e Keita não deu a mesma mobilidade como dá quando tem Iniesta e Busquets, mas soube ser técnico. O argentino, aliás, fez sua melhor partida desde que chegou a Barcelona, sendo responsável direto pela má partida do jovem Ander Herrera, anulado pelo ex-Liverpool. Javier Aguirre, que já havia dito que iria ao Camp Nou para levar um ponto a Aragão, acabou traído por seus jogadores. Aos 41', Messi fez linda jogada pela direita e cruzou para a área. Lanzaro não cortou e Keita definiu de direita o único gol da partida. Na segunda etapa, embora não tenha conseguido ampliar o marcador, o Barcelona seguiu criando chances, e não sofreu tantos sustos na defesa. No fim das contas, o esperado aconteceu: vitória azul e grená, folga na liderança. O Real Madrid que corra atrás.

Mallorca 1x2 Valencia
Na primeira partida titular de Jonas como jogador do Valencia, os chés venceram o Mallorca na Ilha Balear e voltou a colocar quatro pontos à frente do seu rival, Villarreal. Além disso, eleva a moral dos comandados de Unai para o duelo contra o Schalke 04, na quarta-feira, pela Liga dos Campeões. Artilheiro do último Brasileirão, o ex-gremista ficou em campo até os 26 minutos do segundo tempo, quando foi substituído por Joaquín. O brasileiro, que completou a perfeita semana com a convocação à seleção brasileira, fez uma boa partida, sendo responsável pela assistência para o segundo gol de Pablo Hernández. O espanhol, que havia marcado o gol de empate logo após o gol do Mallorca, marcou seu primeiro doblete com a camisa blanquinegra. Com o resultado, o Valencia vai aos 54 pontos na tabela do Campeonato Espanhol e lidera o segundo escalão da competição, atrás apenas de Real Madrid e do líder Barcelona. O Mallorca segue em décimo com 34 pontos.Na próxima rodada, o Valencia joga novamente fora de casa contra o Zaragoza. O Mallorca encara o Levante também longe de seu estádio.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Resumo: 23ª rodada

Melhor jogador da partida, Marcelo marcou o único gol da importante vitória do Real Madrid em Barcelona (AP Photos)

Sim, há liga. A 23ª rodada marcou o tropeço do Barcelona em Gijón e a vitória do Real Madrid contra o Espanyol, fazendo a diferença cair para cinco pontos e mostrando que ainda há liga. Em outros jogos importantes, destaque para o bom jogo no Vicente Calderón entre Valencia e Atlético de Madrid, que perdeu e continua numa crise que já dura tempos. Confira o resumo da 23ª rodada.

Sporting Gijón 1x1 Barcelona
O Sporting Gijón está bem distante do título espanhol, bem distante da Champions League e bem distante da Liga Europa e sequer venceu, mas conseguiu um feito histórico neste sábado. A equipe até levou um golaço de David Villa, mas se segurou na retranca e arrancou um empate por 1 a 1 com o Barcelona, pondo fim ao recorde de 16 vitórias seguidas da equipe na liga. Para isso, todos os méritos ao técnico do time asturiano, Manolo Preciado. A estratégia do técnico deu certo e a equipe soube suportar a pressão exercida pelo Barcelona durante quase todo o segundo tempo.

Os rojiblancos começaram agredindo os blaugranas, e abriram o placar após bela jogada individual de Barral, e depois passaram a jogar atrás, chamando o Barcelona pro jogo sem o menor medo. Ironicamente, Preciado pode ter ajudado Mourinho, desafeto assumido seu. Outro problema que o Barcelona mostrou é perder pontos após datas fifas. Cinco dos sete pontos perdidos pelo Barcelona no torneio veio após a rodada internacional. Se o empate teve sabor de surpresa para boa parte dos críticos, para Guardiola já era esperado. O técnico catalão já havia destacado que o Sporting Gijón vive seu melhor momento na temporada e que os principais jogadores do Barcelona chegaram de seus compromissos com a seleção um pouco desgastado. Após a partida, Guardiola afirmou que esse time não é invencível.

Espanyol 0x1 Real Madrid
A torcida do Espanyol comemorou a expulsão de Casillas logo após o apito inicial. Com menos de dois minutos, Callejón foi lançado entre a zaga do Real, ganhou de Pepe na corrida e levou falta do goleiro, que saiu da área para tentar tirar a bola. O árbitro Matéu Lahoz entendeu que o capitão do Madrid era o último homem e deu cartão vermelho. José Mourinho então tirou o meia-atacante argentino Di María e colocou o goleiro Adán em campo (Kaká ficou no banco e não entrou em campo). O reserva de Casillas foi importante e fez defesas difíceis que ajudaram o Real a vencer no Cornella El Prat. Marcelo, indiscutivelmente o melhor jogador em campo, foi premiado com um belo gol ainda no primeiro tempo.

Quando o Espanyol parecia se aproveitar de ter um a mais e pressionava em busca do primeiro gol, Galán saiu jogando errado e a bola caiu nos pés de Özil. O turco-alemão tocou para Cristiano Ronaldo, que, rapidamente, acionou Marcelo. O brasileiro chegou a linha de fundo e, aparentemente sem ângulo, soltou a bomba para as redes de Kameni. A alta posse de bola e os contra-ataques bem montados do time de Pochettino, contudo, não deixaram o Real Madrid chegar com muito perigo e tornaram o Espanyol uma equipe indesejada. Após o apito final do árbitro, um gesto peculiar dos aficionados blanquiazul: os torcedores mostraram-se "contentes "com a derrota do time, mesmo sabendo que, com isso, o time deu praticamente adeus ao sonho de jogar a Champions.

Atlético de Madrid 1x2 Valencia
No começo da partida, parecia que a crise colchonera iria enfim acabar. Forlán brigou pela bola na lateral e pressionou Bruno, que acabou tocando errado para a entrada da área. Reyes, esperto, dominou a bola, deixou Stankevicius para trás e chutou com raiva no canto esquero de Guaita. Mas aí, a zaga voltou a falhar e tudo foi por água abaixo. Pablo fez boa jogada pelo meio, abriu para Alba na esquerda e o canterano cruzou à área. Perea, simplesmente, não cortou e a bola sobrou limpa para Joaquín empurrar para as redes. Antes da partida, porém, protestos da torcida rojiblanca. Um grupo de colchoneros encabeçado por Vicente Calderón Suárez, filho do mais vitorioso presidente que o Atlético de Madrid já teve, e que já havia demonstrado interesse em comprar o clube e reergue-lo, voltou a se manifestar. Desta vez pregando a redemocratização do clube.

Na segunda etapa, Forlán desperdiçou um pênalti e abriu um novo debate: por que mesmo contando com dois ótimos atacantes o ataque improduvito do Atlético de Madrid? Se os rojiblancos já passam por apuros na zagas, agora, mesmo contando com Forlán e Agüero, é no ataque. O uruguaio já não marca um tento há quatro partidas e Agüero, há seis. No final, Joaquín chegou ao seu doblete, após boa jogada de Pablo, e colocou mais fogo na crise do time de Manzanares. Se o ambiente rojiblanco está conturbado, o do Valencia é totalmente o oposto. O triunfo foi o sétimo nos últimos oito jogos, o que já não acontecia há nove temporadas. O time de Unai Emery agora se concentra na Champions, onde encara o Schalke 04 de Raúl na terça-feira.

Deportivo 1x0 Villarreal
Um irreconhecível Villarreal perdeu pela segunda vez consecutiva e deixou o terceiro lugar, que dá a vaga direta na Champions, ao Valencia. Os dois treinadores inovaram na escalação. Sem Rossi, Garrido aposta num 4-2-3-1, com Nilmar como única referência no ataque; enquanto Lotina manda a campo um inédito 4-3-3. A ferocidade dos três atacantes blanquiazules, principalmente de Adrián, foi o ponto principal para o resultado. No lado amarillo, nada a se elogiar. Nilmar continua fora de ritmo e a equipe sentiu muito a falta de Rossi, que se lesionou no compromisso com a seleção italiana no meio da semana. Marchena novamente falhou, assim como no jogo passado. O zagueirão, também fora de ritmo, deixou Lopo em condições, após passe de Tomás, e o zagueirão não desperdiçou. Garrido ainda recorreu a Marco Ruben no lugar de um apagado Cani, mudando para um 4-2-2-2, mas o Villarreal seguiu mal. O Deportivo começou a partida na zona de rebaixamento, mas conseguiu sair dela.

Málaga 2x2 Getafe
O Málaga segue decepcionando. Apesar de ter conseguido achar um gol no final após estar com uma desvantagem de dois gols, a má partida não pode apagar a euforia pelo ponto conquistado. O Getafe, muito incisivo, começou com tudo e, com 23', já havia marcado duas vezes, com Miku e Adrian Colunga. Com o resultado a favor, o Getafe aproveitou o nervosismo da equipe anfitriã para tentar aumentar mais a vantagem. Gavilán e Pedro Ríos, nos flancos, auxiliando Miku e Colunga davam trabalho em dobro à zaga malaguesa, que estava muito desordenada. No segundo tempo, as mudanças de Pelegrini fez efeito: o técnico colocou Seba, Portillo e Sandro Silva, tirando Camacho, Maresca e Fernández. Os três jogadores deram novo gás à equipe. O Getafe, por sua vez, não soube administrar a vantagem e deixou de matar a partida. Após o gol de Júlio Batista, de pênalti, Michel recuou o time. Mas de nada adiantou: após pressionar em busca do gol, Rondón, aos 48', achou o gol de empate, levando La Rosaleda ao delírio. Pelegrini, após o jogo, destacou que falta para essa equipe mais espírito e espera que a reação mude a dinâmica do time.

Racing Santander 3x2 Sevilla
No retorno de Marcelino Toral ao comando técnico do Racing Santander, uma vitória dos cantabrianos provando que troca de ares era necessário no time. A equipe demonstrou um futebol bem superior ao da época de Miguel Ángel Portugal e mesmo caindo de produção, após o gol de empate do Sevilla, não desistiu e foi em busca do gol da vitória, marcado por Aranda. Destaca-se a postura exercida por Marcelino no banco de reservas, que “jogou” junto com sua equipe e mostrou-se muito “nervoso” na sua volta à Cantábria. Péssima partida de Palop, que falhou em dois gols. No último, aliás, saiu de forma desesperado do gol e acabou sendo encobrido por Arana.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Resumo: 12ª Rodada (2ª parte)

Luis Fabiano chegou ao seu centenário de gols com a camisa do Sevilla, mas saiu lesionado de campo e viu o Sevilla perder outra no Ramón Sanchéz Pizjuan (reuters pictures)

Na segunda parte de jogos da décima segunda rodada, vimos um Sevilla cada vez mais incostante e um Mallorca que joga um futebol cada vez mais peculiar. Neste início de temporada, os baleares conseguiram tirar pontos de equipes como Barcelona, Real Madrid e Sevilla, mas também já conseguiu a proeza de perder para Deportivo e Zaragoza. Luis Fabiano marcou pela centésima vez com a camisa do Sevilla, mas, além de ver sua equipe derrotada, saiu de campo lesionado e ficará de fora dos gramados por, no mínimo, três semanas. No Anoeta, a Real Sociedad perdeu para o Atlético de Madrid (num confronto direto por vaga na Champions) e desperdiçou a oportunidade de colar no Espanyol, que venceu o Hércules, aproveitou empate do Valencia no sábado e entrou na zona de Champions.

Sevilla 1x2 Mallorca
Apenas 48 horas se passaram depois de Monchi ter considerado a necessidade de ter um meio de campo renovado e a própria equipe se encarregou de demonstrar que a necessidade é verdadeira. O Sevilla sucumbiu em Nervión ante um grande Mallorca, dando a sensação de vontade de vencer, porém, sem saber fabricar futebol. O que aconteceu nesse domingo foi que o Sevilla voltou a fazer uma de suas piores partidas em casa, dignas da passada campanha, sem o mando de campo e baseando seu jogo em bolas aéreas e chutões, sobretudo no segundo tempo. Dessa vez, Kanouté não funcionou. Mesmo assim, os nervionenses foram capazes de empatar, porém, não deram a impressão de que estavam fazendo as coisas melhor que seu rival. Portanto, acabou entregando a partida em uma das muitas falhas garrafais que cometeram. O pior foi que perderam a chance de subirem para a quarta posição.

Real Sociedad 2x4 Atlético de Madrid
O Atlético de Madrid rompeu sua racha negativa no Anoeta no ritmo de Agüero. Os rojiblancos, que nunca haviam vencido em San Sebastián, fora conduzidos pelo genro de Maradona, que participou diretamente de três dos quatro tentos. Joseba Llorente abriu o placar para os anfitriões, mas Forlán mostrou que seu faro de gol está de volta e empatou no segundo tempo, após culminar linda jogada de Kun. A Real Sociedad deu sobrevida ao time de Quique Sanchéz Flores e desperdiçaram grandes oportunidades de matar logo a partida, antes do show de Agüero começar. A remontada colchonera só foi sair aos 26' da segunda etapa.

Getafe 1x1 Zaragoza
Na estreia de Javier Aguirre no comando dos maños, o Zaragoza até mostrou uma postura diferente em campo, mas não conseguiu levar os três pontos. Porém, ainda há muito o que melhorar. O gol, por exemplo, só saiu porque Codina errou feio na frente de Bertolo. Aguirre trocou do 4-3-2-1 para o 4-2-3-1. A arbitragem do Teixera Vitienes deixou a desejar. Expulsou Ponzio em um lance bastante duvidoso e deixou de apitar um possível pênalti de Marcano sobre Lafita. No Getafe, superior aos colistas na partida, a falta de oportunidades ainda dá dor de cabeça em Míchel González.

Espanyol 3x0 Hércules
A cada dia, este Espanyol dá mais amostras de como é parecido com o Mallorca da temporada passada. Se fora da Catalunha, os péricos mostram um futebol bem inferior aos adversários, dentro do Cornellà del Prat, a atitude é outra. É o Hércules foi a vítima dessa constância. Em seis jogos disputados em seu estádio, foram seis vitória (18 pontos conquistados). Destaque maior para Osvaldo, que voltou a exibir um belo futebol. Depois de um início de temporara tímido, o ítalo-argentino, destaque do time na temporada passada, vai voltando ao velho rumo. Além do gol, foi bem lépido no ataque e passou para Luis García fechar o marcador. Trezeguet até deu trabalhos para Kameni, mas o domínio do Espanyol foi amplo e os ataques dos herculinos foram bem tímidos.

Deportivo 3x0 Málaga
Novamente escalado no 5-3-2, o Deportivo venceu mais uma na competição. Ante o Málaga, os galegos conseguiram uma valiosa vitória num jogo de confronto direto pelo rebaixamento. Os erros da zaga malaguesa nas bolas aéreas e a grande efetividade do ataque blanquiazul foram os caminhos para a vitória.

CRAQUES DA RODADA
Lionel Messi (Barcelona)
Cristiano Ronaldo (Real Madrid)
Sergio Agüero (Atlético de Madrid)

sábado, 13 de novembro de 2010

11ª rodada (1ª parte): Bipolaridade

Messi marcou dois contra o Villarreal, já na vigília para o superclássico daqui a duas semanas (reuters)

O Barcelona confirmou hoje contra o Villarreal que as más partidas no Camp Nou no início de temporada é coisa do passado. Após uma ótima exibição na goleada contra o Sevilla, os blaugranas fizeram dos amarillos mais uma vítima em seu estádio. Com o resultado, o Barcelona chega à liderança provisória da competição e conta com um tropeço do rival Real Madrid ante o Sporting Gijón, num jogo que promete muita hostilidade, para continuar na posição.

Também hoje, o Atlético de Madrid derrotou o Osasuna e viu a seca goleadora de Forlán ser quebrada, com um doblete do uruguaio. No San Mamés, o Athletic Bilbao se recuperou da goleada sofrida para o Villarreal e, num jogo bem emocionante, derrotou o Almería por 1 a 0 e subiu duas posições, chegando à oitava colocação, momentâneamente. Confira a primeira parte do resumo da 11ª rodada.

Barcelona 3x1 Villarreal
No jogo mais esperado da rodada, Barcelona e Villarreal fizeram jus às expectativas e protagonizaram um dos duelos mais empolgantes desta edição do Campeonato Espanhol. O Villarreal queria aproveitar os três jogos de invecibilidade no Camp Nou para evitar que a bipolaridade de La Liga se dissipasse. Na 500ª partida de Puyol com a camisa azulgrená, Guardiola, sem Piqué, suspenso, e Milito, lesionado, resolveu improvisar Abidal para a função de quarto zagueiro e escalar Maxwell, a quem rasgou elogios após a partida, na lateral esquerda para fazer a dupla de zaga com o capitán. Num primeiro tempo extremamente parelho, o Villarreal, como o previsto, atacava com efetividade pelo lado esquerdo, onde Abidal mostrava-se inseguro e atrasado na marcação de Nilmar. O Barcelona tomava conta do meio-campo e logo chegou ao primeiro gol, com Villa. O Guaje roubou a bola de Borja Valero, recebeu de Iniesta e tocou na saída de Diego López. Após erro clamoroso do bandeirinha, que anulou gol legal de Pedro, o Villarreal chegou ao empate com Nilmar, em bela jogada individual. Com o jogo empatado, quem cresceu foi Villarreal, que passou a dominar a posse de bola e assumiu a superioridade da partida em pleno Camp Nou. Ainda assim não conseguiu virar até o intervalo.

Na volta para a segunda etapa, mais uma vez na temporada, a mudança na postura do Barcelona foi radical. Enquanto na zaga Abidal já mostrava segurança na marcação do atacante brasileiro; na frente, Messi e Pedro começaram a decidir os rumos da partida. Em uma tabela sensacional dos dois, Messi recebeu na frente e, de direita, tocou por cima de Diego López para ampliar a partida. A partir daí, o Villarreal não aguentou a avalanche blaugrana, orquestrada por Xavi, Iniesta e Messi. Com o passar do tempo, os azulgrenás tocavam com facilidade e calma a bola e chegaram ao terceiro gol, após passe de Pedro e desvio de Messi, que chegou à estratosférica marca de 66 gols em 65 jogos desde agosto de 2009. Vale ressaltar que Messi estava um pouquinho à frente da linha da bola no lance do gol.

Como de praxe, a arbitragem de Delgado Ferreira foi bastante polêmica. Além do gol mal anulado de Pedro no primeiro tempo e gol mal validado de Messi no segunda tempo, o arbitro madrileño deixou de expulsar Maxwell, quando este deu uma entrada dura em Borja Valero na entrada da área. Derrotado em campo, o Villarreal deu praticamente adeus para as - mínimas - chances de título. Num jogo crucial para definir seu futuro, o Submarino Amarelo mostrou-se novamente um time correto, que tem na posse de bola e na velocidade de seus atacantes suas principais virtudes. Entretanto, o time de Garrido não soube reagir diante do ímpeto ofensivo e da volúpia enorme do Barcelona na segunda etapa.

Atlético de Madrid 3x0 Osasuna
Sem marcar desde setembro, Forlán voltou a ser protagonista de uma vitória colchonera na competição. Ainda que Agüero tivesse participado de praticamente todos os lances de perigo, e ter deixado o campo lesionado, não há como não dar uma credêncial maior à participação do uruguaio na partida. Após o oportunismo no primeiro gol, o segundo foi belo: o melhor jogador da última Copa do Mundo recebeu na área, cortou Flaño, puxou para a perna direita e acertou um belo chute no ângulo esquerdo de Ricardo. Com os dois gols, Forlán chegou a marca de 91 gols com a camisa rojiblanca desde que chegou ao clube, em Julho de 2007. Além de alcançar este feito em 171 jogos no time de Manzanarez, o uruguaio chegou ao mesmo números de gols de um dos jogadores mais emblemáticos da história recente do Atléti: Fernando Torres. Porém, a média de gols de Forlán em relação a de El Niño é melhor: 0,53 gols por partida do uruguaio contra 0, 36 do atacante da Fúria.

O jogo serviu para mostrar que o brilho dos rojiblancos diante de sua torcida voltou. Tudo bem que o Osasuna não foi um adversário à altura e a expulsão de Monreal serviu para que o jogo se desenvolve-se a favor do Atlético de Madrid, mas há de se elogiar a postura do time de Quique Sanchéz Flores na partida. Nas dez primeiras rodadas, o atual campeão da Liga Europa só havia brilhado na primeira, quando goleou o Sporting Gijón. Depois, revezou atuações medianas em que foi salvo por uma de suas estrelas, e jogos abaixo da crítica. Entre eles, a derrota no clássico madrileño na rodada passada, por 2 a 0.

Athletic Bilbao 1x0 Almería
No jogo que abriu a rodada, o Athletic Bilbao abriu os trabalhos cedo com o gol de Llorente, mas teve que defender a vantagem no marcador durante 45 minutos com nove em campo. Pior para Caparrós, que, com as expulsões, perdeu Koikili e Castillo, dois laterais esquerdos, para o jogo da próxima rodada contra o Real Madrid, no Bernabéu. Vale lembrar que Aurtenetxe, dono da posição, deve ficar de fora dos gramados por no mínimo três semanas por lesão. O gol dos Leones não poderia ser de outro a não ser de Llorente. El Rey León aproveitou cruzamento da direita de Muniaín, pegou de primeira e fez o seu sétimo no Espanhol, ficando atrás apenas de Cristiano Ronaldo e Messi na tábua de artilheiros da Liga.

Com as expulsões, o jogo, que estava fácil para o time da casa, acabou se complicando, mas, bem fechado atrás, o time basco conseguiu segurar o empate. Noite bem fraca por parte de Piatti e Crusat, que deveriam puxar a responsabilidade no time andaluz. Ulloa, isolado no ataque no 4-3-2-1 de Lillo, pouco pegou na bola e acabou anulado por San José. Com a derrota, o técnico dos rojiblancos está com a corda bamba no cargo do time. O presidente do time, Alfonso García, se reunirá com a direção do clube ainda hoje para decidir se o técnico continua ou não no comando do clube. Nas últimas horas não pararam de surgir nomes na órbita do Almería. Entre eles, o mais especulado é o de Marcelino Garcia Toral, ex-Zaragoza.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Liga Europa: Dúvidas antes do dérbi de Madrid

O gol de Tiago amenizou, mas as dúvidas quanto a este time do Atlético de Madrid ainda são grande (AP)

Nesta edição da Liga Europa os espanhóis têm mostrado certa irregularidade. Em quatro rodadas, nenhum dos quatro times do país da Europa Meridional venceram, juntos, em uma mesma rodada. Nesta rodada, Atlético de Madrid e Sevilla saíram dos seus respectivos confrontos com os três pontos, enquanto que Villarreal e Getafe foram derrotados. No estádio Lerkendal, na Noruega, o Atlético de Madrid (2º, 7) venceu pela segunda vez consecutiva o Rosenborg (4º, 3). Porém, ao contrário do jogo no Vicente Calderón, o triunfo de hoje deixou muitas dúvidas e um golaço de Tiago nos últimos cinco minutos não deixaram-as explodirem. No jogo que antecede o dérbi contra o Real Madrid, Quique Sanchéz Flores fez algumas rotações e, com Forlán no banco, foi a campo com um inédito e estranho 4-3-3, com Simão e Agüero nos flancos. Na zaga, preferiu poupar Valera e deslocou Ujfalusi à lateral, com Domínguez fazendo a dupla com Perea. Com Forlán em má fase, a missão de mandar as bolas às redes fica por conta de Aguero, e o genro de Maradona não tem desapontado. Com três gols nos últimos três jogos, Kun marcou logo no início de jogo, após culminar jogada de Simão. O gol deu mais tranquilidade para os rojiblancos, que passaram a priorizar a posse de bola.

No segundo tempo, invertendo a alteração que mudou no duelo entre as duas equipes há duas semanas, Quique Florés tirou o atacante argentino e lançou a campo Forlán. Entretanto, a mudança na postura dos dois time foi clara. O Atlético de Madrid passou a praticar um futebol infâme, enquanto que o Rosenborg crescia a cada minuto. Aí, passou a brilhar a estrela de De Gea, que, mesmo falhando no gol de empate, a cada dia torna-se ídolo da torcida. Individualmente, o Rosenborg foi tomando conta do jogo, orquestrados por Henriksen, que empatou o jogo após receber passe de Iversen e aproveitar falha de Antonio López, que não estava na cobertura. O Rosenborg chegava sempre com perigo pelo meio, onde Paulo Assunção esteve em noite infeliz, e pela esquerda, com Antonio López sempre chegando atrasado. Porém, valeu o ditado de que quem não faz, leva. Tiago roubou a bola de Sare, passou por Demidov e, ao invés de tocar para Forlán que estava livre, acertou um chutaço no ângulo de Orlund. Quique segurou o time, trocando Diego Costa por Camacho, e, nos minutos finais, trocou a tática para um 4-3-2-1. Com a vitória, basta um triunfo contra o Áris, no Vicente Calderón, para os colchoneros passarem de fase.

Na Grécia, a torcida de Salônica lotou o estádio de Toumbas para ver seu time, Paok (2º, 7) vencer o Villarreal (3º, 6) e complicar a vida dos Amarillos, que terão que entrar nos dois últimos jogos restantes com a obrigação de somar seis pontos. O Villarreal começou o jogo com muita intensidade, e, em menos de doze minutos, teve pelo menos três chances de abrir o placar, com Altidore e Borja Valero. Garrido resolveu poupar Cazorla e Rossi e os seus substitutos, Cani e Altidore não cumpriram o mesmo papel. Nilmar, bem marcado por Cirillo, não teve muitas chances e praticou um futebol muito aquém do mostrado na Liga Espanhola. Na volta à segunda etapa, o cenário mudou: se o PAOK havia mostrado uma postura defensiva na primeira etapa, os gregos voltaram com um futebol dessemelhante ao mostrado na primeira etapa, e o ímpeto ofensivo cresceu. Percebendo isso, Garrido resolveu colocar Rossi em campo, mas de nada adiantou. Após cobrança de escanteio, Vierinha, de apenas 1,73m, subiu mais alto que Mussachio e Capdevilla para abrir o placar e definir a vitória grega. Garrido arriscou, colocando Monteiro no lugar de Mussachio e alterando a tática para um 3-2-2-3, mas Kresic fechava na porteira anfitriã. No último minuto, Capdevilla ainda arriscou um chute da entrada da área, que passou à direita do gol de Kresic.

Pelo Grupo J, o Sevilla (1º, 9) deu um passe importantíssimo rumo à fase de 16 avos. Aproveitando-se do empate entre Borussia (3º, 4) e PSG (2º, 8), os sevillistas golearam o saco de pancadas do grupo, Karpaty (4º, 0). O time de Gregório Manzano voltou a vencer no Ramón Sanchéz Pizjuan por competições europeias após três derrotas. Em campo, querendo esquecer a derrota humilhante sofrida para o Barcelona na última rodada da Liga, o Sevilla começou aniquilador. Num 4-2-2-2, com Negredo e José Carlos na frente, auxiliados por Alfáro e Diego Capel, o Sevilla chegou ao primeiro gol em menos de dez minutos. Após falha de Milosevic, Negredo cruzou pontualmente na cabeça de Alfáro, que testou firme para as redes. O ex-Tenerife sofreu a falta do segundo gol, de Cigarini e marcou o seu doblete, mostrando ser uma boa opção para Manzano no período que Jesus Navas se encontrar fora, por lesão. A de se destacar a bela partida do canterano José Carlos. O garoto participou muito bem das infiltrações pela lado direito e Fedetskyiv não conseguia pará-lo.

A Europa está trágica para o Getafe (4º, 3). Com uma derrota humilhante diante do Stuttgart (1º, 12), as chances dos azulones avançaram de fase são mínimas. Num Coliseum Alfonso Pérez vazio - apenas 2.300 espectadores - o Getafe sucumbiu diante de Marica e não mostrou nem 25% do futebol que tem mostrado neste início de Liga Espanhola. Com o 4-2-3-1 de sempre, Colunga foi facilmente marcado por Tasci e Gebhart, enquanto que Arizmendí e Albín pouco produziram para cima de Molinaro e Funk, respectivamente. A derrota alemã faz com que o Getafe só tenha olhos para o Campeonato Espanhol a partir de agora, mas resta saber como será o baque depois de uma provável eliminação. Boateng, em noite trágica, além do erro no primeiro gol dos die-roten, não conseguiu parar os constantes ataques de Kuzmanovic pelo meio. Sem Dani Parejo, Víctor Sánchez vem assumindo papel importante neste time do Getafe, porém, improvisado de lateral direito, o canterano do Barcelona foi motivo de carnaval de Boka e a falha de posicionamento no gol de Gebhart demonstrou isso.

sábado, 16 de outubro de 2010

7ª Rodada (1ª Parte): Ganhando rumos

Com Xavi inspirado, o Barcelona encerrou a série invicta do Valencia e assumiu a segunda posição (getty images)

Se neste início de temporada dava uma impressão de que o título do Campeonato Espanhol não seria polarizado entre os dois gigantes do futebol espanhol, isso parece ter mudado de rumo. Com uma vitória do Barcelona no Camp Nou ante o ex-líder Valencia e uma goleada num ritmo frenético do Real Madrid perante o Málaga na Andaluzia, Real Madrid e Barcelona já assumiram as duas primeiras colocações e, dependendo do jogo do Villarreal, parece que irão polarizar daqui para frente a disputa do título.

O sábado também viu um Atlético de Madrid vencer por, principalmente, Arteche - ídolo rojiblanco que faleceu nesta semana aos 53 anos - contra um Getafe sem padrão de jogo. Mesmo sem Forlán, no banco por decisão técnica, os rojiblancos foram superiores e mereceram sair do Vicente Calderón com três pontos. Apesar da vitória, o Atléti ainda continua na quinta posição, com treze pontos.

Atlético de Madrid 2x0 Getafe
No mini dérbi de Madrid, o Getafe mostrou um futebol carente e não contou com a sorte. Melhor para o Atlético de Madrid, que soube aproveitar os espaços deixados pela defesa azulona e, apesar de ter pecado demais nas finalizações, construiu mais uma vitória na competição. Sem Forlán, sem marcar há sete partidas, e Agüero, lesionado, e num 4-2-3-1 com Diego Costa como única referência no ataque o Atlético de Madrid jogava por Juan Carlos Arteche. Depois de uma linda homenagem, o Getafe mostrou uma imagem nos primeiros trinta de minutos de que dificultaria a vida dos rivais.

Os colchoneros encontraram certa dificuldade no começo de jogo. Além de parar na forte marcação dos azulones, viu o Getafe levar certo perigo, principalmente com Manu e Colunga. Após o gol de Simão, o Atléti soube se impor e anulou o meio-campo do Getafe. Com Colunga isolado no ataque e Mané anulado por Assunção, o Getafe só levava perigo nas bolas aéreas levantadas por Víctor Sánchez. Porém, os azulones não chegavam a levar perigo ao gol de De Gea. Quando o jogo ficava sonolento e com o resultado já definido, apareceu Valera. O lateral-esquerdo desceu em velocidade pela direita e deixou Diego Costa livre para concluir para os fundos das redes. Quique ainda animou a torcida, colocando Forlán em campo. O atacante entrou em campo ovacionado e com muitos gritos de "uruguaio!" vindo das arquibancadas.

Barcelona 2x1 Valencia
No grande jogo da rodada, tempos opostos e Xavi definiram a vitória blaugrana. O Barcelona ainda não havia engrenado no Campeonato Espanhol. A equipe entrou em campo nesta sétima rodada ocupando a quinta colocação na tabela, e sem as tradicionais atuações que encantavam os olhos de seus torcedores e o mundo. A partida deste sábado, porém, pôde marcar a ressurreição da equipe na competição. Em um primeiro tempo no Camp Nou, o Barça começou sem muita inspiração e sua habitual magia dentro de campo. As duas equipes não criavam reais chances de gol e o Valencia mostrava uma tática eficiente de marcação sobre o ataque catalão, anulando Messi e as subidas de Daniel Alves pela direita. O Valencia asfixiava o Barcelona na saída de bola. Soldado, Pablo Hernándes e Banega obrigava Puyol, Piqué ou Busquets a darem chutões para frente após receber de Valdés. A pressão do Valencia logo teve resultado, com um gol de Pablo após descida com velocidade de um cada vez mais brilhante Mathie.

O primeiro tempo insonso do Barcelona criou dúvidas nos seus torcedores. Porém, todas as dúvidas foram embora quando Iniesta tabelou com Xavi e empatou o jogo aos cinco do segundo tempo. Os azulgrenás mostraram que voltaram à etapa complementar realmente com outra postura. O velho futebol de toque de bola começou a funcionar e Messi apareceu mais para o jogo. Com Xavi com 80% da forma física em noite inspirada, a vitória chegou com Puyol, que mandou um coração ao Camp Nou inteiro. A vitória do Barcelona poderia ser elástica se Messi estivesse inspirado. A Pulga mostrou certo cansaço, perdendo alguns gols e sendo desarmado no mano a mano facilmente por Ricardo Costa. No final de jogo, uma dura discussão entre Daniel Alves e Vicente (ver foto) representou o que foi esse duelo.

Málaga 1x4 Real Madrid
O Real Madrid navegou nos dois primeiros meses de competição entre dúvidas, críticas e desconfiança por causa de seu jogo e por causa das intuições acerca de José Mourinho. Porém, chegado a esse ponto do debate, um debate eterno que só acabará no fim da Liga, o Real Madrid é líder da competição. Pendente do que o Villarreal fará no seu próximo jogo contra o Hércules, na segunda. Quem encontra respostas em números e na classificação, considerará impecável a trajetória desse Real Madrid. Porém, quem se anima com o futebol, exigirá cada vez mais dessa equipe. Pedirão cada vez mais que o Real Madrid se pareça mais com Özil do que com Khedira.

O triunfo do Real Madrid em Málaga foi inquestionável. Administrou os tempos da partida do jeito que quis, salve um pequeno deslize depois de ter levado o gol. Apesar do choque ter estado longe do massacre contra o Deportivo, a equipe rendeu a um nível alto no ataque. Viu Cristiano Ronaldo mais solidário, goleador e assistente, generoso com Higuaín, que também fez doblete, assim como o português. E Özil também esteve à altura dos dois, com uma belíssima jogada no terceiro gol, o segundo do gajo. O jogo do Real Madrid cresce à medida que o talento do turco-alemão vai se deixando notar. Os três situaram Mourinho na liderança do campeonato, que deu uma alegria também para Pedro León.

O contundente placar final reflete a enorme distância que existe entre as duas equipes. O Madrid controlou a partida de forma muito profissional, com trabalho e arte. Pinceladas de Özil, Cristiano ou de Di Maria, de acordo com as ordens de Mourinho. Xabi Alonso geriu a equipe de forma impecável, pois é o cérebro e a alma do time. Até Khedira esteve mais animado do que de costume e aproveitou para se exibir um pouco no ataque. Deixou sua assinatura em um potente chute, que parou na trave. Na frente de todos eles, o homem que justifica todo o trabalho: Gonzalo Higuaín, que responde as críticas e dúvidas com gols, pois o melhor argumento é esse. Agora, fica a concentração toda para o jogo de terça pela LC contra o Milan, no qual este Real Madrid terá o primeiro grande teste na temporada.

domingo, 12 de setembro de 2010

Resumo: 2ª Rodada (2ª Parte)

Aproveitando a fragilidade da zaga maña, Quincy Owusu-Abeyie deu show e conduziu o Málaga à goleada contra o Zaragoza (El Mundo Deportivo)


Se os jogos de sábados foram sonolentos e com poucos gols, apesar da surpreendente vitória do Hércules contra o Barcelona, nada a reclamar dos jogos de Domingo. Só nos três jogos das 12h, 15 gols. Parte deles saíram no La Romareda, na surpreendente vitória do Málaga em cima do Zaragoza. A vitória dos Andaluzes aconteceram muito por causa da fragilidade da zaga do Zaragoza - mais precisamente de Leo Franco e Jarosik - e da letalidade nos contra-ataques. Os blanquiazules balançaram cinco vezes as redes do goleiro Léo Franco em 35 minutos. Ainda mais curioso é que o Zaragoza, com exceção à sua defesa, não jogava mal e até criava chances para marcar, tendo inclusive mais posse de bola que o adversário e parando nas boas defesas do goleiro Galatto. Aos 41min, Edmilson, batendo ‘de chapa’, marcou um lindo gol de fora da área. No segundo tempo, Marco Perez e Ander Herrera fizeram mais dois gols a favor do time da casa, mas já era tarde para uma reação.

O Sporting Gijón somou hoje os seus três primeiros pontos na Liga com muito sofrimento. Encarando um Mallorca mais confiante após o empate contra o Real Madrid na primeira rodada, os asturianos mostraram muita fragilidade defensiva e foram salvos pelo goleiro Juan Pablo. Preciado, técnico do Sporting Gijón, preteriu De Las Cuevas na meia pelo lado esquerdo, ratificando que confia mais nele do que em Carmelo, apesar deste ter realizado uma boa pré-temporada, e Nacho Novo para a volância. Após um primeiro tempo bem parelho, os gols só foram sair na segunda etapa. Logo no início, os asturiano foram para cima e Lora sofreu falta. Na cobrança, Riva mandou à área e a defesa roja afastou. A bola chegou até Lora, que não tocou para Botía encher o pé de direita sem chancer para Aouate e abrir o placar, anotando o primeiro gol do Sporting Gijón na temporada. Após pênalti discutível de Nunes - no qual o português acabou expulso - em Carmelo, que entrou no decorrer da partida, Diego Castro foi para a cobrança e não desperdiçou, pondo pontos finais na partida.

Uma grande atuação de Adrián Colunga e Gavilán bastou para o Getafe derrotar o Levante no Coliseum Alfonso Pérez. Colunga foi contratado junto ao Zaragoza para ser o substituto de Soldado, autor de 16 gols na temporada passada. Colunga assumiu esse posto com perfeição e hoje demostrou sua capacidade à torcida. Já o outro protagonista da noite, Gavilán, parece ter recuperado o nível de anos atrás, quando chegou a ser convocado para a seleção espanhola. O Levante foi um digno rival para o Getafe e soube explorar os flancos do time de Madrid. O primeiro tempo foi movimentado e logo aos quatro minutos, Gavilán, aproveitando cruzamento de Dani Parejo, cabeçeou para abrir o placar para o Getafe. O segundo gol do Getafe foi sair dos pés de Colunga, após nova participação de Gavilán. Após distração, o Levante aproveitou e chegou ao gol com Rafa Jordà, recolocando-se de volta à partida. Na segunda etapa, o Levante foi incapaz de criar alguma coisa, enquanto que os azulones deixaram o tempo passar com inteligência, mantendo a posse de bola. No final, ainda deu tempo de, em duas arrancadas do Getafe, Gavilán e Arizmendí marcaram mais dois para os donos da casa.

No El Madrigal, o Villarreal, enfim, mostrou seu futebol. O Espanyol comandou as ações da partida durante os primeiros 30 minutos de jogo, mas pecou muito nas finalizações. Apesar da goleada imposta, o Villarreal demorou um pouco para se acertar na partida. Nilmar recuperou o posto de titular da equipe, após ter iniciado a primeira rodada no banco de reservas, e marcou o quarto gol da equipe, que novamente teve o equatoriano Monteiro como destaque. Mesmo tendo entrado na segunda etapa, o jogador puxou muitos contra-ataques, fez a jogada no gol do brasileiro e ainda cavou a expulsão de Chica. Rossi balançou as redes duas vezes, enquanto Valero fez o outro do Villarreal. Ao Espanyol, fica a péssima notícia de que Osvaldo pode ficar parado por três semanas.

Por fim, no Ramón Sanchez Pizjuán o pior jogo da rodada - e do campeonato, até agora. Os Galegos começaram a partida de maneira mais organizada e teve a chance de abrir o placar nos minutos iniciais, mas não aproveitaram e viram o Sevilla crescer no jogo. Zokora e Negredo levaram perigo ao gol do La Coruña, mas desperdiçaram. A pressão dos anfitriões ficou ainda mais forte pouco antes do intervalo, mas novamente as finalizações foram erradas. Negredo e Navas erraram. Negredo, inclusive, atuou no lugar do brasileiro Luís Fabiano por opção de Álvarez, que gostou da semana de treinos do reserva. Neste domingo, porém, Negredo não estava nada inspirado nas finalizações. O atacante apareceu bem, mas perdeu pelo menos três boas chances para o Sevilla, superior na etapa final.

CRAQUES DA RODADA:
Quincy Owusu-Abeyie (Málaga)
Haedo Valdez (Hércules)
Diego Forlán (Atlético de Madrid)
Mesut Özil (Real Madrid)

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sábado, 11 de setembro de 2010

2ª Rodada (1ª Parte): Boqueronazo

Haedo Valdez fez sua estreia no Hércules com o pé direito: com direito a um doblete, calou o Camp Nou (Reuters)


Na mitologia grega, Hércules, o maior de todos os heróis gregos, era famoso por sua força, depois de estrangular duas serpentes ainda no berço. Recém-promovido à elite principal do futebol espanhol, seu homônimo mostrou também sua virilidade dentro das quatro linhas. Com o resultado, as duas equipes aparecem com três pontos cada uma na classificação. De olho na estreia da fase de grupos da Liga dos Campeões, na próxima terça-feira, diante do Panathinaikos, o técnico Guardiola decidiu poupar alguns de seus atletas. Xavi, Daniel Alves e Busquets, por exemplo, começaram no banco de reservas. No entanto, Messi e Villa estavam em campo. Mas as duas principais estrelas foram bem marcadas na etapa inicial. Messi ainda levou o Barcelona ao ataque, enquanto que Villa ficava, com frequência, em impedimento. O Barcelona até teve muito mais posse de bola, mas criava poucas oportunidades. Numa das melhores, aos 9min, o brasileiro Maxwell cruzou e viu o jovem Bojan ‘furar’. O Hércules, que tinha em campo o experiente Trezeguet, se preocupava bastante em não sofrer gol. Atingiu seu objetivo e ainda foi eficiente no ataque.

Aos 26min, após confusão dentro da área, o paraguaio Valdez tocou para o fundo da rede e fez um a zero. Guardiola não teve dúvida e voltou para o segundo tempo com Xavi e Pedro nos lugares de Mascherano e Bojan, que esteve nulo no ataque blaugrana. O primeiro, aliás, quase empatou logo aos 2min, num arremate da entrada da área. O problema é que o domínio territorial dos anfitriões não se transformava em chances concretas. E pior: o Hércules era ‘mortal’ no contra-ataque. Aos 13min, Valdez aproveita cruzamento de Thiago Gomes para ampliar dois a zero. O Barcelona tentou diminuir o prejuízo, mas esbarrou na forte marcação rival e conheceu seu primeiro tropeço no Espanhol.

Já a primeira partida de Mascherano pelo Barcelona foi aquém do esperado. Além de receber um cartão amarelo, cometeu a falta que originou o primeiro gol do adversário e acabou substituído no intervalo. Apesar disso, recebeu elogios de Guardiola. O argentino mostrou estar um pouco em ritmo com a tônica do clube azulgrená, a troca de passes. Após a contratação do ex-jogador do Liverpool ser finalizada, um debate foi aberta sobre se Mascherano iria saber entrar na linha do Barcelona.

Enquanto isso, o Valencia confirmou seu bom início de campeonato. Jogando no Mestalla, bateu o Racing Santander por 1 a 0 e chegou aos seis pontos. Até o momento, tem 100% de aproveitamento. O único gol foi anotado por Maduro, aos 47min do primeiro tempo, de cabeça. A vitória dos Chés foi a primeira sobre os Cantábrios no Mestalla em cinco anos. De lá pra cá, foram seis jogos, com três vitórias para o Racing Santander e três empates. O gol no final da primeira etapa foi um golpe duro para os cantábrios. O Racing Santander dominou a primeira etapa, com um futebol valente e uma defesa muito bem postada em campo. Porém, os verdiblancos pecaram muito à meta de César, principalmente Rosenberg, que perdeu, pelo menos, uns dois gols feitos. A defesa do Valencia mostrou fragilidade, principalmente nos flancos, onde atuavam Miguel e Jordi Alba, preterido em última hora por Unai para o lugar de Mathieu. A lesão de Banega, que pediu substituição na metade da primeira etapa, contribuiu demais para que o Valencia não conseguise impor o seu jogo.

Após o início ruim na primeira rodada, o Real Madrid não foi brilhante e ainda não empolgou a torcida. Mas o time de Chamartín mostrou-se autoritário na partida inteira e impediu que a zebra passeasse, vencendo o Osasuna por um a zero, gol de Ricardo Carvalho. De destaque, apenas a bela atuação de Özil, que enche os torcedores blancos de esperanças. Apesar do placar apertado e de não ter mostrado um grande futebol, o Real dominou praticamente toda a partida. As melhores chances de gol foram dos anfitriões. O Osasuna pouco assustou Casillas. No primeiro tempo, Higuaín perdeu duas boas oportunidades, a melhor delas aos 40min, quando recebeu passe de Özil, puxou a jogada para a esquerda e ficou sem ângulo. O chute foi para fora.

Recuperado de lesão, Cristiano Ronaldo teve um dia pouco inspirado. E foi em uma chance desperdiçada pelo português que o compatriota Ricardo Carvalho fez o único gol do jogo. Aos 4min da etapa final, o zagueiro aproveitou passe de Cristiano Ronaldo após rebote do goleiro e só teve o trabalho de empurrar para o fundo do gol. Özil e Higuaín, duas vezes, tiveram oportunidades de ampliar o marcador, mas falharam nas finalizações. O atacante argentino, inclusive, pecou bastante nos arremates. Ricardo, goleiro do Osasuna, trabalhou bem, mas não conseguiu evitar a derrota para a equipe merengue. Os torcedores do Real, porém, chegaram a vaiar a equipe durante o jogo

O Atlético de Madrid ignorou o fator casa e contou com o inspirado atacante Diego Forlán neste sábado para superar o Athletic Bilbao por 2 a 1 e se manter no topo da classificação. A equipe da capital espanhola chegou aos seis pontos, com 100% de aproveitamento. Forlán segue como destaque individual: fez o primeiro gol aos 11min do primeiro tempo e é o principal artilheiro do Campeonato Espanhol com três gols. Eleito o melhor jogador da última Copa do Mundo, o uruguaio ainda reforçou a fama de carrasco do Athletic: já são 12 gols marcados diante do rival, contando suas passagens por Atléti e Villarreal. Superior na partida deste sábado, o Atlético de Madrid foi poucas vezes ameaçado, principalmente na parte final do jogo, quando ampliou a vantagem em gol de Tiago. Aos 42min, Llorente ainda diminuiu, mas a reação do Athletic foi tardia para evitar a derrota.

O título foi uma brincadeira que o El Mundo Deportivo fez em referência ao técnico do Hércules, Esteban Vigo, conhecido como Boquerón e que atuou pelo Barcelona entre 1977 e 1987, tendo conquistado um Espanhol, três Copas do Rei e uma Recopa Europeia.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Craques da LFP: Diego Forlán

Considerado o "artilheiro dos gols bonitos" na Espanha, Forlán teve de 2010 um ano perfeito (getty images)

De quatro em quatro anos, o mundo do futebol volta os olhos exclusivamente para a Copa do Mundo. Não é para menos, pois lá estão os maiores craques e selecionados do planeta. Mas em 2010, em especial, ocorreu uma particularidade que pegou o torcedor de surpresa. Contrariando todas as expectativas, que colocavam Messi, Cristiano Ronaldo, Sneijder, Kaká e Robben como principais candidatos ao prêmio de craque do Mundial, Diego Forlán brilhou e levou a desacreditada seleção uruguaia às semifinais da competição.

O resultado não poderia ser outro: prêmio de melhor jogador do torneio para o atacante da Celeste e do Atlético de Madrid. Diante da concorrência tão qualificada, certamente foi um feito inesperado, mas para quem acompanha a carreira dele, sobretudo nos últimos anos no futebol espanhol, a conquista é uma grande recompensa para um jogador que sempre batalhou por sua seleção e pelos clubes que passou, e que conseguiu dar a volta por cima quando foi bastante contestado no Manchester United, primeiro clube europeu a apostar em seu talento.

Aos 22 anos, Forlán desembarcou em Old Trafford com uma grande expectativa, mas em pouco tempo passou a ser perseguido pelos torcedores. Pressionado, Forlán não conseguiu corresponder às expectativas criadas sobre ele durante os dois anos e meio em que esteve na Inglaterra. Apesar disso, ele ainda levantou três troféus: a Premier League de 2002/03, e, em 2003/04, a FA Cup e Community Shield. Sua passagem em Manchester findou com apenas 17 gols em 98 partidas. Mas foi na Espanha, a partir da temporada 2004/05, que Forlán virou de fato o goleador nato que todos projetavam. Depois de assinar contrato com o Villarreal, o uruguaio não perdeu tempo e descambou a fazer gols na Liga Espanhola, transformando-se no artilheiro do campeonato e da Europa (ao lado de Henry, do Arsenal), com 25 tentos.

No ano seguinte, a média já não foi a mesma, mas ao lado do argentino Riquelme, Forlán comandou o submarino amarelo na inédita campanha na Liga dos Campeões em 2005/06, onde a equipe chegou até a semifinal. Um ano mais tarde, em sua última temporada pelo Villarreal, Diego voltou a aumentar o aproveitamento, e com os 19 gols marcados, se tornou o maior goleador da história do Villarreal na primeira divisão com 54 gols. Suas excelentes marcas o credenciaram, em 2007, para ser o substituto de Fernando Torres no Atlético Madrid, após o espanhol se transferir para o Liverpool.

Mais uma vez, Forlán não decepcionou. Somando-se os jogos pela La Liga e por competições europeias, ele atingiu a marca de 23 gols. Um prenúncio do que aconteceria temporada seguinte. Em 2008/09, ele “abusou” de marcar gols. Foi o goleador disparado da Liga Espanhola com 32 gols em 33 jogos, e ainda assinalou mais três tentos em outras competições, tornando-se desta vez o artilheiro maior da Europa de forma isolada. Forlán ainda se ressentia, porém da falta de conquistas coletivas. Tal feito só veio em maio deste ano e contou com sua participação decisiva. Nos jogos finais, contra Valencia, Liverpool e Fulham, Forlán foi o responsável por cinco dos seis gols que o Atléti marcou, sendo que dois deles foram na final que terminou 2 a 1 para os Colchoneros.

Copa 2010: a consagração
Depois de uma atuação tímida na estreia contra os franceses, Forlán foi decisivo em praticamente todos os jogos. Contra a África do Sul, marcou duas vezes, na vitória que deixou os uruguaios muito próximos das oitavas de final. No dois jogos seguintes, passou em branco, mas participou ativamente das jogadas que deram a vitória por 1 a 0 e 2 a 1 contra México e Coreia do Sul.

A partir daí, Forlán fez três jogos perfeitos, com gols em todos os jogos. Primeiro, foi autor do gol de empate contra Gana nas quartas, na memorável classificação por pênaltis. Depois, na semifinal e na decisão de terceiro lugar, marcou nas derrotas por 3 a 2 contra a Holanda e Alemanha, sendo este último uma obra-prima de voleio, considerado o mais belo gol da competição, fechando com chave de ouro uma participação brilhante da desacreditada seleção uruguaia.

Por todos esses ingredientes, o prêmio de melhor jogador do torneio não poderia ter ficado em outras mãos, pois Forlán, além de desequilibrar em campo, foi o principal responsável pela recuperação da auto-estima de um futebol que, nos últimos 40 anos, estava completamente desacreditado. Os uruguaios agradecerão para sempre.

Diego Forlán
Nome completo
: Diego Forlán Corazo
Data de nascimento: 19/05/1979
Local de nascimento: Montevidéu, Uruguai
Clubes: Peñarol, Danubio/URU, Independiente/ARG, Manchester United, Villarreal e Atlético Madrid

domingo, 29 de agosto de 2010

Resumo: 1ª Rodada

Para tirar o Barcelona do topo, o Real Madrid contratou Mourinho. Mas a maneira que o time jogou contra o Mallorca é a mesma da gestão de Pellegrini (getty images)

A primeira rodada da Liga Espanhola não é o melhor momento para se tirar opiniões de o que pode ser a temporada de um clube. Também não é o melhor momento para se tirar satisfações ou elogiar ao extremo uma equipe. Mas o que os torcedores viram do Real Madrid em Palma de Mallorca, contra o Mallorca, requer mais preocupação do que otimismo.

No Ono Estadi, entrava um Mallorca totalmente desacreditado por parte dos acompanhantes da Liga após a péssima pré-temporada e a venda dos principais jogadores. Porém, os baleares jogaram na base da raça, da vontade, do amor à camisa e seguraram o Real Madrid de José Mourinho. Com o 4-3-2-1 prometido, Mourinho surpreendeu ao colocar Canales no lugar de Özil O primeiro tempo foi bem parelho, com chances claras para as duas equipes. O Real Madrid procurava abrir o espaço da zaga bermellona, bem postada em campo, com a habilidade de Cristiano Ronaldo. E foi com o português que os blancos criaram as suas melhores chances na primeira etapa, que ainda viu Gonzalo Castro acertar um belo chute de esquerda rente à trave esquerda de Casillas. No segundo tempo, Mourinho lançou mão do recheado banco de reservas para mudar o jogo. Entraram em campo Karim Benzema, Mesut Özil e Sami Khedira. As alterações melhoraram a equipe, que passou a criar mais jogadas pelos lados do campo e conseguir penetrações, especialmente com os passes de Özil. Apesar da pressão, o time não conseguiu marcar e ficou no empate sem gols.

E quem está sorrindo à toa com o empate do Real Madrid, é, sem dúvidas, o Barcelona. Principal rival do time da capital, os blaugranas não precisaram se esforçar muito para saírem do El Sardinero com uma vitória convincente. Logo aos dois minutos de jogos, Messi recebeu passe de Iniesta, passou por Henrique - jogador do Barcelona cedido ao Racing Santander por uma temporada - e, com a perna direita, deu um sútil toque para encobrir o goleiro Toño. No time titular culé, Guardiola surpreendeu ao colocar Iniesta na direita, dando mais liberdade para o meio-campista. E foi o camisa 8 blaugrana o autor do segundo gol da partida. Após tabela entre Messi e Villa, Messi disputou a bola no alto com Toño, que espalmou pra frente. Percebendo o goleiro adiantado, Iniesta o encobriu fazendo dois a zero. Ainda na primeira etapa, pênalti duvidoso que Delgado Ferreira marcou de Maxwell em Francis. Na cobrança, Valdés pulou firme para pegar o chute de Tchité. Villa ainda iria esperar para marcar o seu primeiro gol oficial com a camisa azulgrená. No finalzinho da primeira etapa, o Guaje recebeu belo passe de Xavi e colocou no cantinho de Toño. Quando correu para comemorar, Villa percebeu que teve seu gol - corretamente - anulado pelo bandeirinha. Mas não havia jeito: aos 17 minutos, Messi fez boa jogada pelo meio e abriu para Daniel Alves, que descia pela direita. O brasileiro levantou a cabeça e cruzou na cabeça de Villa, que, sem sair do chão, cabeçeou firme para, enfim, marcar o terceiro do Barcelona e o seu primeiro gol oficial com a camisa azulgrená.

O Barcelona começou bem sua largada rumo ao terceiro título consecutivo, feito que os blaugranas só conseguiram uma vez na história, e com Guardiola como jogador do time ( 1990-91, 1991-92 e 1992-93). Após três anos na Liga Adelante, 25 mil torcedores foram ao estádio Anoeta para prestigiar o retorno da Real Sociedad à primeira divisão da Liga Espanhola. E foram recompensados. Os bascos sofreram um pouco no começo do jogo, quando o Villarreal, embalado pela classificação à fase de grupos da Liga Europa, começou melhor a partida, pressionando. A partir dos 15 minutos do primeiro tempo, o jogo passou a ficar mais equilibrado, com ambas as equipes perdendo boas oportunidades de gol. As coisas começaram a mudar na segunda etapa. A Real Sociedad voltou com mais vontade dos vestiários, e passou a dominar o adversário. Até que aos 12 minutos, Xabi Prieto recebeu belo passe de calcanhar de Joseba Llorente - ex-jogador do Villarreal - e chutou no contra-pé de Diego López para abrir o placar. A entrada do equatoriano Montero no submarino amarelo animou um pouco o time, graças ao perigo que o Villarreal levava com as suas finalizações, mas não alterou o resultado. E da-lhe festa no Anoeta.

Para completar a festa que vive o País Basco, o Athletic Bilbao derrotou o Hércules, no jogo que abriu a Liga BBVA 10-11. Contando com o apoio da fanática torcida, o Hércules, de volta à Liga BBVA depois de 13 anos, não pôde contar com Haedo Valdéz, principal contratação dos blanquiazules para a temporada, que ficou de fora da partida por lesão. Velthuizen, Sarr e Pulhac tampouco foram pro jogo, por estarem sem ritmo de jogo. O jogo também foi uma nostalgia para os torcedores herculanos: o último jogo de Liga BBVA que o estádio Rico Pérez havia presenciado, há 13 anos, foi exatamente uma partida contra o Athletic Bilbao - que terminou empatada por um a um. Na partida, vimos um Hércules pecando demais nas finalizações. Aos 25 minutos, Portillo recebeu belo passe de Abel Aguilar e, cara a cara com Iraizoz, bateu em cima do arqueiro basco. Com Javi Martínez pouco participativo, a criação do Athletic Bilbao se via nula e os leones foram acurraçados pelos blanquiazules. O Athletic fez um péssimo primeiro tempo, mas voltou à segunda etapa letal: na saída de jogo, Llorente, aproveitando falta cruzada à área por Susaeta, abriu o placar para os Leones. Apesar de saírem vencedores, o Athletic Bilbao levou uma péssima notícia para casa: após choque violento com Sendoa, Toquero acabou levando a pior. Fritzler, um dos reforços do time de Alicante, que fez boa partida, acabou sendo expulso, após fazer falta boba em Javi Martínez. Inicio ruim do Hércules, que na próxima rodada enfrenta o Barcelona, no Camp Nou. Derrota à vista?

O sábado também viu as estreias de Valencia e Sevilla. Os chés, cheios de dúvidas para uma temporada que não terá Silva e Villa e que terá que contar, sobretudo, com uma ótima temporada de Mata e Pablo Hernández, aproveitaram os numerosos erros da defesa do Málaga para conseguir o triunfo por três a um. Excelente partida de Joaquín, autor de dois gols, que pareceu voltar aos melhores tempos, levando a sete de Villa em suas costas. Em campo, um Valencia aniquilador e em busca da vitória. Logo aos 40 segundos de partida, Banega e Albelda tiveram chance de estrear o marcador. Os dois deram bastante dificuldades para Sandro Silva e Fernando, que não estavam conseguindo acompanhá-los. Nos flancos, Vicente e Joaquín ganhavam todas de seus marcadores. E o primeiro gol logo saiu. Em uma de suas maiores virtudes, o cabeçeio, Áduriz aproveitou cruzamento de Banega para testar firme às redes de Munúa. O Málaga viria a dar um duro golpe nos chés no final da primeira etapa: em cobrança de falta, Sebastián Fernández, um dos estreantes da noite, venceu César para igualar o marcador. O gol do Málaga mudou o rumo da partida, e o início da segunda etapa foi bem distinto daquele visto no primeiro tempo. Quando o Valencia era sufocado, eis que apareceu Joaquín para decidir. Primeiro, o espanhol fez linda jogada pela esquerda, ao melhor estilo Villa, para marcar o segundo gol do Valencia; depois, recebeu de Áduriz para chutar firme e pôr pontos finais na vitória valenciana.

No jogo de encerramento do sábado, entrava um Sevilla pressionado pelos vexames sofridos nos últimos jogos - mais precisamente, um Antonio Álvarez pressionado. Os rojiblancos se recuperaram da duríssima semana vivida a base de gols ante o Levante, rival ideal para esses momentos. Pelo menos isso foi o que foi visto na noite de sábado. E o fez se sobrepondo ao duro golpe de levar um gol sem ao menos merecer, graças ao controle de jogo no meio de campo e ao oportunismo goleador de Konko, que marcou duas vezes. Os jogadores de Álvarez se dispõem de tempo suficiente a partir de agora para se reajustarem e esquecerem definitivamente do desastre europeu e da horrível imagem no Camp Nou.

O domingo viu dois empates insonsos e sonolentos entre Almería e Osasuna e Deportivo e Zaragoza. Os dois por zero a zero. Na Catalunha, Osvaldo, que teve seu empréstimo renovado pelo Espanyol por mais uma temporada, deu show! O ítalo-argentino continua fazendo gols providenciais para o esquecimento de Tamudo, que transferiu-se à Real Sociedad. Dessa vez, um doblete na bela vitória dos péricos sobre o Getafe por três a um. O outro gol foi marcado por Dátolo, jogador contratado para dar o upgrade no meio-campo que Nakamura não deu. No encerramento da rodada, um super Atléti! A despedida de Jurado, que fez boa partida, foi marcado por uma goleada dos rojiblancos por quatro a zero.

Pelo resultado, os Colchoneros lideram La Liga, por terem ficado sem sofrer gols. A vitória começou a ser construída ainda no primeiro tempo. O primeiro gol surgiu logo aos 11 minutos: após escanteio, Raúl García ajeitou com o pé para o chute forte de José Manuel Jurado, que foi no ângulo direito do goleiro Juan Pablo. Depois, Diego Forlán ampliou, aos 40, completando jogada de Sergio Agüero. O próprio Forlán ampliou a vitória, marcando aos 17 minutos do segundo tempo. Jurado fez jogada individual pela direita, e tocou a Tomas Ujfalusi, que cruzou rasteiro para que o uruguaio completasse, com o gol vazio. E, finalmente, nos acréscimos, aos 48 minutos, Simão Sabrosa completou a goleada, ao cortar para o meio e bater da meia-lua, no ângulo esquerdo de Juan Pablo, marcando belo gol.

CRAQUES DA RODADA:
Diego Forlán (Atlético de Madrid)
Lionel Messi (Barcelona)
Osvaldo (Espanyol)
Joaquín (Valencia)

domingo, 22 de agosto de 2010

Cumprir às expectativas

O Atlético de Madrid conseguiu segurar os seus dois principais jogadores, e ainda trouxe mais dois de enorme qualidade. Resta saber se finalmente os rojiblancos vão almejar algo maior para a nova temporada (elatleticodemadrid.com)

O Atlético de Madrid vem ganhando ao longos desses últimos 10 anos a fama de ser um time perdedor. E não é por enorme zuação dos torcedores rivais, não. Incrivelmente, o Atlético de Madrid sempre montou grandes times, que ganhavam ar de favoritos às competições que disputasse, mas sempre pecava em alguns pontos. Times bons, mas que fracassavam e mostravam uma cara perdedora. Até a temporada passada, quando conquistou a Liga Europa, o Atlético de Madrid estava há 14 anos sem vencer uma única competição qualquer - 46 sem vencer uma competição europeia. Algo que explica o porquê da fama de time perdedor.

Para a nova temporada, o Atlético de Madrid começou muito bem. O Atléti conseguiu se livrar de Pablo, conseguiu segurar a sua ótima dupla de ataque - Forlán e Agüero - e trouxe um lateral esquerdo de altíssima qualidade - Filipe Luís - , para ser titular em uma das posições mais carente do clube. Com a chegada do promissor Fran Mérida, o Atlético segue como uma das equipes mais fortes da Espanha. O problema é que a defesa - leia-se, zagueiros - continua fraca, pois é difícil imaginar que apenas a chegada de Godín resolva os crônicos problemas da retaguarda colchonera. Falta contratar mais um zagueiro e um lateral direito, para evitar as improvisações - ridículas - de Perea e Ujfalusi. O time precisa que o jovem goleiro De Gea amadureça e Simão, Ujfalusi e Antonio López joguem um futebol compatível com a esperança que a diretoria tem neles para dar passos adiantes.

Para o meio-campo, a ótima notícia é que o clube conseguiu mais um ano de empréstimo do português Tiago, que se encaixou perfeitamente no esquema colchonero. Além do gajo, está de retorno a Manzanarez, Mário Suárez, um dos destaques da bela temporada do Mallorca. Mais amadurecido do que na primeira vez que jogou no Atléti, Suárez, caso mostre o seu "verdadeiro" futebol, deve ser titular da meiuca rojiblanca. Diego Costa é outro que está de retorno. Ainda que seja uma icógnita (boatos do Marca dizem que o brasileiro deve retornar ao Valladolid, porém dessa vez em definito), Diego foi um dos destaques da ótima pré-temporada do Atléti e pode até figurar no time titular, caso Quique volte com o 4-3-3 - o que é difícil.

Ainda que este time seja o melhor nos últimos anos, sempre tem alguém que fique com o pé atrás. Os colchoneros podem acabar com essa dúvida no primeiro grande teste na temporada: o jogo da Supercopa da Uefa na sexta, contra a toda poderosa Inter de Milão. Caso vença, o time pode começar a ter uma mentalidade vencedor. Se perder, a fama de perdedora irá continuar, mas ainda terá três campeonatos inteiros para provar o contrário.

domingo, 1 de agosto de 2010

Balanço Final: Atlético de Madrid

Com um péssimo início - com uma eliminação na fase de grupos da UCL sem nenhuma vitória - o Atlético de Madrid deu a volta por cima e foi campeão da Liga Europa (getty images)

ATLÉTICO DE MADRID

Técnicos
: Abel Resino e Quique Sánchez Flores
Competição europeia: Liga dos Campeões (caiu na fase de grupos) e Liga Europa (campeão) Copa do Rei: vice-campeão
Destaque: Diego Forlán (atacante)
Artilheiro: Diego Forlán (18 gols)
Nota da temporada: 7,5

Um início tenebroso, eralção a partir da metade do primeiro turno. A diferença é que os colchoneros, na segunda metade da temporada, perceberam que era mais interessante apostar na Copa do Rei e na Liga Europa do que investir na recuperação no Campeonato Espanhol.

Partidas excelentes como a vitória sobre o Barcelona (a única derrota dos campeões) se alternaram com desempenho terrível como as duas derrotas para o Málaga. A boa note fica pelo título da Liga Europa, que acabou com um jejum de 14 anos sem título no Vicente Calderón.

domingo, 11 de julho de 2010

La Liga na Copa

O trio culé está perto de fazer história com a conquista inédita de Copa do Mundo pra Espanha (getty images)


Com as atenções voltadas à Copa do Mundo, o rítmo de postagens do Quatro Tiempos caiu muito. Fizemos uma pausa na nossa matéria especial sobre o Balanço Final dos 20 clubes da Liga BBVA 09/10 (iremos continuar após o término do Mundial) para voltarmos a nossa atenção para a competição que pára o Mundo.

Na matéria de hoje, traremos uma compilação com uma avaliação do desempenho de cada jogador que atua na Espanha e participou da Copa do Mundo da África do Sul. Boa leitura!

David Villa, Xavi Hernandez e Andrés Iniesta
Os três jogadores é a base do sucesso espanhol na Copa do Mundo. Um decide; o outro organiza de modo perfeito o meio-campo; o terceiro outro dá uma maior movimentação na meiuca roja. O trio do Barcelona 10/11 vêm fazendo grandes jogos e são candidatíssimos ao título de melhor da Copa e do Mundo.

Na estreia da Espanha na Copa, a fama de "amarelona" - que, após a classificação à final, já foi esquecida por alguns - voltou à tona novamente. A derrota da Suiça, num jogo onde a Espanha foi bem, trouxe um pouco de dúvidas sobre os "pilares" espanhóis. Tanto Xavi quanto Iniesta não chegavam no ápice de sua forma, e Villa estava muito sobrecarregado após uma temporada em que pouco foi poupado no Valencia. Veio a segunda rodada, e Villa começou a decidir. Na vitória por 2 a 0 sobre Honduras, o Guaje foi autor de um doblete providencial para o resultado da partida e poderia ter feito um hat-trick se não tivesse desperdiçado uma cobrança de pênalti.

Só na terceira rodada, na partida decisiva contra o Chile, que os três protagonistas rojo começaram a aparecer. A Espanha venceu por 2 a 1, e tanto Villa como Iniesta marcaram os gols da vitória espanhola. Na final contra a Holanda, Villa, Xavi e Iniesta terão dois concorrentes direto na briga pelo título de melhor da Copa: os craques Robben e Sneijder.

Robben e Sneijder

Por incrível que pareça, Florentino Pérez deve estar coçando a cabeça neste momento. "Chutados" do Real Madrid pelo seu novo presidente, Robben e Sneijder tornaram-se protagonistas de seus novo clubes e levaram-o a uma final de Champions League - desejo incontrolável de Florentino Pérez -, vencida pela Inter de Sneijder e Diego Milito.

Sneijder é um dos poucos craques que brilharam durante 2009-10 e mantém o alto nível na África do Sul: se boa parte dos grandes jogadores não fizeram a diferença para suas seleções, a campanha da Holanda tem sua marca. Com Arjen Robben indisponível no início da Copa, o interista decidiu os primeiros jogos para sua seleção e, mesmo após a volta do ponta do Bayern de Munique, continua sendo o principal jogador holandês no torneio: fez os gols decisivos contra Eslováquia e Brasil, é um dos vice-artilheiros da Copa (com quatro gols) e já foi eleito como melhor em campo por três vezes no torneio.

Caso leve a Holanda ao título mundial e alcance um feito que três fantásticas gerações da Oranje - a de Johan Cruyff e Johan Neeskens; a de Marco van Basten, Ruud Gullit e Frank Rijkaard; e a de Dennis Bergkamp, dos irmãos De Boer e van der Sar - não conseguiram, Sneijder entra em outro patamar na história do futebol de seu país. Com o fracasso da Argentina de Messi e com a consagração com seu clube, já é taxado como favorito ao primeiro prêmio unificado entre Fifa e France Football de melhor jogador do mundo, que será concedido no dia 10 de janeiro de 2011: o Bola de Ouro Fifa.

Kaká, Messi, Cristiano Ronaldo e Higuaín
Os três primeiros foram uma das grandes decepções da Copa. Kaká encerra uma temporada totalmente pífia. Sem títulos, com lesões, com altas críticas, etc. Cristiano Ronaldo foi bem na temporada pelo Real Madrid, mas pouco fez na Copa do Mundo. Já Lionel Messi fez uma boa primeira fase de Copa, mas saiu da competição vendo a Argentina ser goleada e sem ter feito um gol. Como prêmio de consalação pro gênio argentino, fica que ele encabeçou a lista de melhores jogadores da Copa - que deve ser vencida pelos protagonistas dos primeiros tópicos da matéria.

Higuaín foi, em boa parte da Copa, 8 e 80. Fez uma estreia péssima, onde perdeu gols incríveis, e marcou um hat-trick contra a Coreia do Sul, na segunda rodada. Poupado contra a Grécia, voltou contra o México e fez mais um. Na eliminaçao albioceleste, contra a Alemanha, sumiu, assim como o time todo.

Forlán
Forlán foi, sem dúvidas, um dos maiores jogadores desta Copa. Levou o Uruguai a uma mítica semifinal de Copa - 40 anos depois de sua última participação nesta fase.. O ídolo da torcida colchonera é um dos artilheiros da competições e também está cotado para ser o melhor da competição. Com a eliminação do Uruguai nas semifinais pra Holanda, as chances de Diego Forlán ser eleito o melhor da Copa abaixou demais. Para alguns, mesmo com o não título da seleção uruguaia, o uruguaio é, sim, o melhor jogador desta Copa do Mundo.