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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Resumo: 16ª Rodada (2ª parte)

Hoje é dia Di María: argentino salva o Real Madrid e evita primeira fuga do Barcelona na competição (getty images)


As rodadas de fim de ano são sempre menos movimentadas. Com o frio, as equipes entram mais cautelosas, para diminuir um pouco os riscos de lesão. Não obstante, esse final de ano ainda reservou tempestades de neve para toda a Europa, roubando algumas partidas do final de semana. Na Itália e na Inglaterra, muitos jogos foram adiados. Sorte para a Espanha, que não teve nenhum jogo sequer suspenso.

No domingo, apenas o jogo na Andaluzia entre Málaga e Atlético de Madrid foi intenso. Tentando se recuperar do baque da eliminação na Liga Europa, os rojiblancos não tiveram nenhuma dificuldade para bater os malagueses. No jogo que encerrou a rodada, o Real Madrid passou por dificuldades - não previstas por muitos - e bateu o Sevilla graças a um gol de Di María, que, praticamente sem ângulo, jogou no canto esquerdo de Palop. Confira o resumo dos jogos de domingo.

Real Madrid 1x0 Sevilla
A perseguição continua. Até os 30min do segundo tempo, o Real Madrid via o Barcelona abrir quatro pontos de vantagem na liderança do Campeonato Espanhol e ensaiar sua primeira fuga na competição. O cenário pirou com a expulsão de Ricardo Carvalho. Mas um belo gol do argentino Di María mudou tudo. O time merengue supriu a inferioridade numérica e venceu o Sevilla mesmo sem jogar bem. O triunfovdeixou os comandados de José Mourinho com 100% de aproveitamento em casa e manteve a equipe na cola do rival. O Sevilla segue com uma campanha modesta: é o décimo primeiro colocado e vem de cinco derrotas consecutivas, uma marca negativa que não acontecia desde 2000, dois anos antes de Josep Maria Del Nido assumir a presidência.

Os blancos viram seu setor ofensivo bater cabeça e sofrer para furar a defesa do Sevilla. Em um primeiro tempo marcado por apenas três finalizações – duas dos donos da casa –, o time merengue encontrou dificuldade para armar boas jogadas ofensivas. Em vários momentos, viu Benzema interferir no andamento da jogada ao ficar constantemente em impedimento. Se já não bastasse ter criados poucas chances no ataque, os blancos ainda terminaram o primeiro tempo levando um susto. Após falta, Casillas espalmou para o meio da área e Romaric foi interceptado por Pepe na hora da finalização, que provavelmente morreria nas redes.

O segundo tempo foi bem insonso, e tudo se complicou para o time de Mourinho após a expulsão de Ricardo Carvalho. Porém, aos 32 minutos, os merengues acharam o gol salvador. Özil fez boa jogada pela direita, infiltrou na área e rolou para trás. Pedro León tentou o arremate de fora da área, a bola explodiu na defesa do Sevilla e sobrou para Di María. Mesmo sem ângulo, o argentino bateu bem na saída de Palop e marcou o único gol da partida.

A Arbitragem de Clós Gomez foi bastante controversa e Mourinhou elaborou uma lista com treze erros garrafais do árbitro. O Real Madrid passou por um sufoco, muito por causa da suspensão de Xabi Alonso. A ausência de Xabi deixou um enorme vazio, que ninguém conseguiu suprir. Khedira e Lass formaram uma volância demasiadamente plana e encontraram dificuldades para construir jogadas.

Málaga 0x3 Atlético de Madrid
O Atlético de Madrid chegava ao La Rosaleda com o intuito de se recuperar após a eliminação precoce na Liga Europa. Ou seja, entrou pressionado em campo. Apesar de fora de casa e com o atacante uruguaio Forlán apenas como opção no banco, o Atlético de Madrid começou melhor. Marcava bem e saia com rapidez para o ataque. Diante disso, saiu em vantagem no marcador. Aos 22min, Tiago subiu de cabeça e fez 1 a 0.

Após isso, o elenco colchonero recuou, e o Málaga cresceu um pouco em campo. Tinha mais posse de bola, mas falhava na finalização. O goleiro De Gea, por exemplo, teve pouco trabalho na primeira parte. Aliás, os anfitriões acertaram apenas um chute na etapa inicial. Os anfitriões voltaram com uma postura diferente e tentaram pressionar. Mas dava espaços para o Atléti, que ‘mataram’ o jogo num curto espaço de tempo. Aos 21min, Dominguez ampliou de cabeça. Apenas três minutos mais tarde, Tiago também cabeceou para selar a vitória do Atlético de Madrid.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Liga Europa: Dúvidas antes do dérbi de Madrid

O gol de Tiago amenizou, mas as dúvidas quanto a este time do Atlético de Madrid ainda são grande (AP)

Nesta edição da Liga Europa os espanhóis têm mostrado certa irregularidade. Em quatro rodadas, nenhum dos quatro times do país da Europa Meridional venceram, juntos, em uma mesma rodada. Nesta rodada, Atlético de Madrid e Sevilla saíram dos seus respectivos confrontos com os três pontos, enquanto que Villarreal e Getafe foram derrotados. No estádio Lerkendal, na Noruega, o Atlético de Madrid (2º, 7) venceu pela segunda vez consecutiva o Rosenborg (4º, 3). Porém, ao contrário do jogo no Vicente Calderón, o triunfo de hoje deixou muitas dúvidas e um golaço de Tiago nos últimos cinco minutos não deixaram-as explodirem. No jogo que antecede o dérbi contra o Real Madrid, Quique Sanchéz Flores fez algumas rotações e, com Forlán no banco, foi a campo com um inédito e estranho 4-3-3, com Simão e Agüero nos flancos. Na zaga, preferiu poupar Valera e deslocou Ujfalusi à lateral, com Domínguez fazendo a dupla com Perea. Com Forlán em má fase, a missão de mandar as bolas às redes fica por conta de Aguero, e o genro de Maradona não tem desapontado. Com três gols nos últimos três jogos, Kun marcou logo no início de jogo, após culminar jogada de Simão. O gol deu mais tranquilidade para os rojiblancos, que passaram a priorizar a posse de bola.

No segundo tempo, invertendo a alteração que mudou no duelo entre as duas equipes há duas semanas, Quique Florés tirou o atacante argentino e lançou a campo Forlán. Entretanto, a mudança na postura dos dois time foi clara. O Atlético de Madrid passou a praticar um futebol infâme, enquanto que o Rosenborg crescia a cada minuto. Aí, passou a brilhar a estrela de De Gea, que, mesmo falhando no gol de empate, a cada dia torna-se ídolo da torcida. Individualmente, o Rosenborg foi tomando conta do jogo, orquestrados por Henriksen, que empatou o jogo após receber passe de Iversen e aproveitar falha de Antonio López, que não estava na cobertura. O Rosenborg chegava sempre com perigo pelo meio, onde Paulo Assunção esteve em noite infeliz, e pela esquerda, com Antonio López sempre chegando atrasado. Porém, valeu o ditado de que quem não faz, leva. Tiago roubou a bola de Sare, passou por Demidov e, ao invés de tocar para Forlán que estava livre, acertou um chutaço no ângulo de Orlund. Quique segurou o time, trocando Diego Costa por Camacho, e, nos minutos finais, trocou a tática para um 4-3-2-1. Com a vitória, basta um triunfo contra o Áris, no Vicente Calderón, para os colchoneros passarem de fase.

Na Grécia, a torcida de Salônica lotou o estádio de Toumbas para ver seu time, Paok (2º, 7) vencer o Villarreal (3º, 6) e complicar a vida dos Amarillos, que terão que entrar nos dois últimos jogos restantes com a obrigação de somar seis pontos. O Villarreal começou o jogo com muita intensidade, e, em menos de doze minutos, teve pelo menos três chances de abrir o placar, com Altidore e Borja Valero. Garrido resolveu poupar Cazorla e Rossi e os seus substitutos, Cani e Altidore não cumpriram o mesmo papel. Nilmar, bem marcado por Cirillo, não teve muitas chances e praticou um futebol muito aquém do mostrado na Liga Espanhola. Na volta à segunda etapa, o cenário mudou: se o PAOK havia mostrado uma postura defensiva na primeira etapa, os gregos voltaram com um futebol dessemelhante ao mostrado na primeira etapa, e o ímpeto ofensivo cresceu. Percebendo isso, Garrido resolveu colocar Rossi em campo, mas de nada adiantou. Após cobrança de escanteio, Vierinha, de apenas 1,73m, subiu mais alto que Mussachio e Capdevilla para abrir o placar e definir a vitória grega. Garrido arriscou, colocando Monteiro no lugar de Mussachio e alterando a tática para um 3-2-2-3, mas Kresic fechava na porteira anfitriã. No último minuto, Capdevilla ainda arriscou um chute da entrada da área, que passou à direita do gol de Kresic.

Pelo Grupo J, o Sevilla (1º, 9) deu um passe importantíssimo rumo à fase de 16 avos. Aproveitando-se do empate entre Borussia (3º, 4) e PSG (2º, 8), os sevillistas golearam o saco de pancadas do grupo, Karpaty (4º, 0). O time de Gregório Manzano voltou a vencer no Ramón Sanchéz Pizjuan por competições europeias após três derrotas. Em campo, querendo esquecer a derrota humilhante sofrida para o Barcelona na última rodada da Liga, o Sevilla começou aniquilador. Num 4-2-2-2, com Negredo e José Carlos na frente, auxiliados por Alfáro e Diego Capel, o Sevilla chegou ao primeiro gol em menos de dez minutos. Após falha de Milosevic, Negredo cruzou pontualmente na cabeça de Alfáro, que testou firme para as redes. O ex-Tenerife sofreu a falta do segundo gol, de Cigarini e marcou o seu doblete, mostrando ser uma boa opção para Manzano no período que Jesus Navas se encontrar fora, por lesão. A de se destacar a bela partida do canterano José Carlos. O garoto participou muito bem das infiltrações pela lado direito e Fedetskyiv não conseguia pará-lo.

A Europa está trágica para o Getafe (4º, 3). Com uma derrota humilhante diante do Stuttgart (1º, 12), as chances dos azulones avançaram de fase são mínimas. Num Coliseum Alfonso Pérez vazio - apenas 2.300 espectadores - o Getafe sucumbiu diante de Marica e não mostrou nem 25% do futebol que tem mostrado neste início de Liga Espanhola. Com o 4-2-3-1 de sempre, Colunga foi facilmente marcado por Tasci e Gebhart, enquanto que Arizmendí e Albín pouco produziram para cima de Molinaro e Funk, respectivamente. A derrota alemã faz com que o Getafe só tenha olhos para o Campeonato Espanhol a partir de agora, mas resta saber como será o baque depois de uma provável eliminação. Boateng, em noite trágica, além do erro no primeiro gol dos die-roten, não conseguiu parar os constantes ataques de Kuzmanovic pelo meio. Sem Dani Parejo, Víctor Sánchez vem assumindo papel importante neste time do Getafe, porém, improvisado de lateral direito, o canterano do Barcelona foi motivo de carnaval de Boka e a falha de posicionamento no gol de Gebhart demonstrou isso.

domingo, 22 de agosto de 2010

Cumprir às expectativas

O Atlético de Madrid conseguiu segurar os seus dois principais jogadores, e ainda trouxe mais dois de enorme qualidade. Resta saber se finalmente os rojiblancos vão almejar algo maior para a nova temporada (elatleticodemadrid.com)

O Atlético de Madrid vem ganhando ao longos desses últimos 10 anos a fama de ser um time perdedor. E não é por enorme zuação dos torcedores rivais, não. Incrivelmente, o Atlético de Madrid sempre montou grandes times, que ganhavam ar de favoritos às competições que disputasse, mas sempre pecava em alguns pontos. Times bons, mas que fracassavam e mostravam uma cara perdedora. Até a temporada passada, quando conquistou a Liga Europa, o Atlético de Madrid estava há 14 anos sem vencer uma única competição qualquer - 46 sem vencer uma competição europeia. Algo que explica o porquê da fama de time perdedor.

Para a nova temporada, o Atlético de Madrid começou muito bem. O Atléti conseguiu se livrar de Pablo, conseguiu segurar a sua ótima dupla de ataque - Forlán e Agüero - e trouxe um lateral esquerdo de altíssima qualidade - Filipe Luís - , para ser titular em uma das posições mais carente do clube. Com a chegada do promissor Fran Mérida, o Atlético segue como uma das equipes mais fortes da Espanha. O problema é que a defesa - leia-se, zagueiros - continua fraca, pois é difícil imaginar que apenas a chegada de Godín resolva os crônicos problemas da retaguarda colchonera. Falta contratar mais um zagueiro e um lateral direito, para evitar as improvisações - ridículas - de Perea e Ujfalusi. O time precisa que o jovem goleiro De Gea amadureça e Simão, Ujfalusi e Antonio López joguem um futebol compatível com a esperança que a diretoria tem neles para dar passos adiantes.

Para o meio-campo, a ótima notícia é que o clube conseguiu mais um ano de empréstimo do português Tiago, que se encaixou perfeitamente no esquema colchonero. Além do gajo, está de retorno a Manzanarez, Mário Suárez, um dos destaques da bela temporada do Mallorca. Mais amadurecido do que na primeira vez que jogou no Atléti, Suárez, caso mostre o seu "verdadeiro" futebol, deve ser titular da meiuca rojiblanca. Diego Costa é outro que está de retorno. Ainda que seja uma icógnita (boatos do Marca dizem que o brasileiro deve retornar ao Valladolid, porém dessa vez em definito), Diego foi um dos destaques da ótima pré-temporada do Atléti e pode até figurar no time titular, caso Quique volte com o 4-3-3 - o que é difícil.

Ainda que este time seja o melhor nos últimos anos, sempre tem alguém que fique com o pé atrás. Os colchoneros podem acabar com essa dúvida no primeiro grande teste na temporada: o jogo da Supercopa da Uefa na sexta, contra a toda poderosa Inter de Milão. Caso vença, o time pode começar a ter uma mentalidade vencedor. Se perder, a fama de perdedora irá continuar, mas ainda terá três campeonatos inteiros para provar o contrário.