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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Procura-se um centroavante

 Cazorla, Marcos Senna e Rossi abraçados com Nilmar se aproximando: bons tempos, Villarreal (getty images)

Em 2010/2011, o Villarreal encantou. Em quarto lugar na Liga Espanhola e semifinalista da Liga Europa, onde caiu para o futuro campeão Porto, a equipe apresentou um dos mais belos futebol da Espanha - atrás somente, claro, de Barcelona e Real Madrid. Era um futebol coeso, inteligente, preciso, que tinha na ligação meio-ataque seu principal trunfo. Com Cazorla, Rossi, Nilmar, Cani e Borja Valero no auge da forma, a equipe voava em campo. Uma temporada depois, o Submarino Amarelo mostrou sua face mais decepcionante. A saída de Cazorla representou, dentro de campo, o afogamento de todo o time, sem trocadilho. Para piorar a situação, ainda viu Nilmar e Rossi, seus principais atacantes, se lesionarem. O ítalo-americano até hoje não voltou. O nível futebolístico, como esperado, decaiu e a consequência foi fatal: o rebaixamento à Liga Adelante.

Por ironia do destino, os amarillos ainda presenciaram o sucesso de Cazorla no Málaga: o meio-campista foi um dos principais responsáveis pela ida do clube blanquiazul à Uefa Champions League, competição na qual, há seis anos, o Villarreal chegara à semifinal. Para a disputa da Liga Adelante, o clube precisa fazer uma reformulação em todos os setores. No gol, precisa achar um goleiro confiável após a saída do bom Diego López ao Sevilla. A zaga, um desastre na temporada passada, pode perder sua principal referência, o capitão Gonzalo, prestes a acertar com o Bétis. Para a lateral direita, o clube já confirmou o retorno de Javi Venta, que irá entrar no lugar de Ángel, que não quis renovar. Quem também optou por não renovar foi o xerifão Marchena. A lateral esquerda também é um problema: Zapata e até Mussacchio passaram por ali, mas nenhum se firmou. A ausência de Capdevila também é bastante sentida.

O meio-campo, que não é mais o mesmo, teve duas perdas significativas: De Guzmán, emprestado ao Swansea, e Bruno Soriano, que pode estar de partida ao Atlético de Madrid. A notícia boa é que Marcos Senna, Cani e Borja Valero (que, a bem da verdade, está indeciso), pilares de um setor que carece de fantasia, estão dispostos a ajudar a equipe a disputar a segundona. Borja Valero faz as vezes de armador, mas não é um necessariamente. Pelo visto, irá continuar exercendo essa posição na nova temporada. Até com treinadores a fase é negra. Um dia após anunciar o nome de Manolo Preciado, o cantabriano sofreu um ataque cardíaco e, infelizmente, veio a falecer. Sem condições de contratar um nome top, a diretoria resolveu efetivar Julio Velázquez, ex-treinador do Villarreal C e B, à equipe principal.

Contudo, nenhuma posição preocupa mais que o ataque. Hoje, a equipe só tem à disposição, de referência, Uche, que retornou após um empréstimo ao Granada. Nilmar foi vendido ao Al Rayyan, Marco Rúben rumou ao Dínamo Kiev e Martinuccio não teve seu empréstimo renovado. Hernán Pérez pode fazer essa função, embora suas características seja mais adequadas as de segundo atacante. A diretoria foi a Buenos Aires tentar fechar com Viatri, mas um desacordo na hora de finalizar as bases salarias fizeram o Boca Juniors desistir de negocioar seu centroavante. O jeito deveria ser depositar todas as esperanças em Rossi. Deveria, porque o ele é incógnita. Após romper os ligamentos do joelho duas vezes consecutivas, muito provavelmente ele não será o mesmo jogador de duas temporadas. A velocidade, seu principal atributo, deverá cair bastante. Além disso, o italiano deverá perder parte da temporada: sua operação está marcada para agosto e o retorno aos gramados, para fevereiro apenas.

Em suma, dois fatores vão definir o teor da temporada dos amarillos: as necessárias contratações à cada setor do campo e o preenchimento do potencial do time. A última temporada de Marcos Senna serviu para renascer o jogador, que vinha de duas temporadas negativas em sequência. Por ironia do destino, a boa fase do hispano-brasileiro foi justamente no período de queda do Villarreal, mas ele poderá (como será) o mais importante jogador do time na Liga Adelante. Rossi é um ponto de interrogação e não pode-se tê-lo como esperança de algo. Até se adaptar novamente, vai demorar. Em uma breve comparação com o Deportivo da temporada passada, o Villarreal leva a pior. Os galegos, pelo menos, manteram uma peça-chave de cada posição e não precisaram se reestruturarem. O Submarino Amarelo é obrigado a fazer isso, embora as condições financeiras seja ingrata. A pressão para retornar à elite é grande. A torcida se acostumou a ver a equipe a brigar firme por Champions League, a bater de frente com os grandes e ver fases decisivas das competições europeias. Após anos estáveis, o nível de exigência no El Madrigal aumentou demais.

sábado, 2 de junho de 2012

Balanço Final: Análise da temporada (segunda parte)

Abaixo, a continuação da Análise da temporada, com os restantes dos times. Se você quiser conferir a primeira parte, clique aqui. Para saber quem foram as revelações, clique aqui.

GETAFE
Classificação: 11º
Copa nacional: quarta fase (1/32 de final)
Copas europeias: não disputou
Destaque: Miku (foto, Marca)
Revelação: Abdel Barrada
Decepção: Daniel Güiza
Nota da temporada: 6
Se alguém falar que o Getafe não disputou o Campeonato Espanhol, é capaz de muita gente acreditar. O time ficou no meio da tabela toda a temporada, redefinindo o conceito de não chamar a atenção de ninguém. A campanha não teve uma boa fase destacada (a maior série de vitórias foram de duas seguidas, em três momentos diferentes), tampouco uma muito ruim (a maior seqüência de derrotas foi de três, uma vez). O único destaque individual foi o atacante venezuelano Miku Fedor, autor de 12 gols. Tudo bem, o oleiro Moyá também merece menção pelo bom desempenho.

REAL SOCIEDAD
Classificação: 12º
Copa nacional: oitavas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Xabi Prieto (foto, Diário de Navarra)
Revelação: Iñigo Martínez
Decepção: Mikel Aranburu
Nota da temporada: 6
É uma equipe decente, mas que teve dificuldades para deslanchar no campeonato. A falta de uma sequência de bons resultados deixou o time perto da zona de rebaixamento por muito tempo. A defesa foi o destaque, com boas apresentações de Illarramendi, González e De la Bella. O ataque ficou muito dependente da inspiração de Griezmann e Vela, mas a dupla fez o suficiente para garantir um final de temporada mais tranquilo em San Sebastián.

BETIS
Classificação: 13º
Copa nacional: quarta fase (1/32 de final)
Copas europeias: não disputou
Destaque: Beñat (foto, AS)
Revelação: Álex Pozuelo
Decepção: Ustaritz
Nota da temporada: 6,5
A estabilidade quase monótona do Getafe teve como contraponto a trajetória cheia de emoções do Betis. O time de Sevilha começou o campeonato, seu primeiro após retornar da segunda divisão, com quatro vitórias. A torcida até achou que o time podia brigar pela Liga Europa, mas os béticos perderam os cinco jogos seguintes. E a equipe ficou nesses altos e baixos durante quase toda a temporada. Faltou um pouco mais de paciência para gerenciar os jogos e a campanha como um todo. O Betis reagia de forma emocional às partidas, muitas vezes se deixando levar pelo impulso e perdendo oportunidades de fazer bons resultados controlando seus esforços.

ESPANYOL
Classificação: 14º
Copa nacional: quartas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Joan Verdú (foto, Mundo Deportivo)
Revelação: Thievy Bifouma
Decepção: Vladimir Weiss
Nota da temporada: 5
Esteve na briga pela Liga Europa em boa parte do campeonato, mas afundou no final, fazendo um ponto nas últimas cinco rodadas. A defesa foi um problema em toda a temporada, e custou ao time barcelonês pontos fundamentais. No entanto, o ataque também tem sua responsabilidade. A falta de um artilheiro de vocação atrapalhou uma equipe que tinha meias de armação de nível razoável. O único jogador do elenco com essa característica era o uruguaio Pandiani, reserva de 36 anos que segue no clube mais em consideração a seu passado do que pela real capacidade de ajudar durante uma temporada completa.

RAYO VALLECANO
Classificação: 15º
Copa nacional: quarta fase (1/32 de final)
Copas europeias: não disputou
Destaque: Michu (foto, Rayistas)
Revelação: Lass Bangoura
Decepção: David Cobeño
Nota da temporada: 6,5
A campanha do Rayo Vallecano foi um milagre. O time tem um elenco bastante modesto, atrasa salários desde a temporada passada, teve troca de direção e acabou o campeonato sob intervenção para evitar a falência. Mesmo assim, o Rayo ficou boa parte do campeonato no meio da tabela e, mesmo quando o fôlego acabou e o time se afundou numa sequência de seis derrotas, encontrou forças para vencer na última rodada e evitar um rebaixamento que seria mais que compreensível. Destaques? O brasileiro Diego Costa, o argentino Armenteros e a dupla espanhola Michu e Javi Fuego.

ZARAGOZA
Classificação: 16º
Copa nacional: quarta fase (1/32 de final)
Copas europeias: não disputou
Destaque: Hélder Postiga (foto, Reuters)
Revelação: Franco Zuculini
Decepção: Ruben Micael
Nota da temporada: 4,5
O Zaragoza era um caso perdido a um mês e meio do final do campeonato. O time ocupava a lanterna desde o meio do primeiro turno e não parecia ter forças para reagir, ainda que o elenco fosse de um time de meio de tabela. De repente, tudo se encaixou em La Romareda. O trabalho de Manolo Jiménez, que havia assumido a equipe na virada do ano, demorou para fazer efeito, mas acabou aparecendo. O time recuperou a confiança, lideranças como Ponzio, Roberto e Luís García, além do artilheiro Helder Postiga, surgiram e comandaram o crescimento zaragocista. Uma série de cinco vitórias nos últimos seis jogos impulsionou os maños, que escaparam do rebaixamento na última rodada.

GRANADA
Classificação: 17º
Copa nacional: quarta fase (1/32 de final)
Copas europeias: não disputou
Destaque: Carlos Martins (foto, Marca)
Revelação: Álex Carmona
Decepção: Alexandre Geijo
Nota da temporada: 5,5
A regra dos três pontos por vitória salvou o Granada. O time é tecnicamente fraco e não cumpriu a promessa de revelar jogadores (ou de ajudar no desenvolvimento de jovens para seu primo rico, a Udinese), mas teve o mérito de empatar pouco. Com o terceiro pior ataque do campeonato, os andaluzes conseguiram um número alto de vitórias apertadas (das 12, apenas uma foi por mais de um gol de diferença). Mas esses triunfos foram fundamentais: dos times que lutaram contra o rebaixamento, apenas o Rayo Vallecano não perdeu para os granadistas.

VILLARREAL
Classificação: 18º (rebaixado)
Copa nacional: quarta fase (1/32 de final)
Copas europeias: Liga dos Campeões (fase de grupos)
Destaque: Borja Valero (foto, Getty Images)
Revelação: Joselu
Decepção: Nilmar
Nota da temporada: 2
Temporada ridícula. O Villarreal começou o ano sofrendo com contusões de jogadores importantes como Rossi e Nilmar. Isso explica o início ruim no campeonato, mas a incapacidade de reagir é indesculpável. O Submarino Amarillo até teve um brilhareco na metade do segundo turno, quando chegou a abrir uma vantagem que parecia confortável em relação à zona de rebaixamento, mas se acomodou com isso. Por mais que alguns jogadores (como Marcos Senna, Borja Valero e Marchena) mostrassem real disposição de evitar a queda, faltou futebol. O esquema tático era burocrático e o técnico Miguel Ángel Lotina, contratado no final da temporada para evitar o rebaixamento, primou pela série de escolhas equivocadas. Tentou endurecer um time que, por vocação, joga com leveza e foi punido com a queda à segunda divisão após mais de uma década na elite.

SPORTING DE GIJÓN
Classificação: 19º (rebaixado)
Copa nacional: quarta fase (1/32 de final)
Copas europeias: não disputou
Destaque: David Barral (foto, David Barral)
Revelação: Alejandro Gálvez
Decepção: Sebastián Egurén
Nota da temporada: 3,5
O Sporting de Gijón sobreviveu nas duas últimas temporadas devido a sua defesa. O técnico Manolo Preciado montou um esquema para tomar poucos gols e, com isso, conseguir vitórias apertadas para garantir uma temporada segura. Mas, em 2011/12, essa retaguarda não funcionou. O time foi uma peneira atrás, e não estava preparado para compensar isso com seu ataque. Tornou-se um alvo fácil para qualquer adversário, mesmo os da parte de baixo da tabela. As trocas de treinadores no segundo turno (entraram Iñaki Tejada, Javier Clemente e Manolo Sánchez) só deixou a equipe mais confusa, sem esquema e sem planejamento claro para buscar a reação. Na base da raça, o time venceu três jogos entre a 34ª e a 37ª rodadas, mas já chegou ao último jogo matematicamente rebaixado – e com a segunda defesa mais vazada do campeonato.

RACING DE SANTANDER
Classificação: 20º (rebaixado)
Copa nacional: oitavas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Christian Stuani (foto, Racinguistas)
Revelação: Álvaro González
Decepção: Lautaro Acosta
Nota da temporada: 3
Equipe muito fraca, que conseguiu passar o segundo turno inteiro sem uma vitória sequer. Excetuando o atacante uruguaio Stuani, artilheiro da equipe com 9 gols, nada funcionou. Nem seus jogadores símbolos, como o goleiro Toño e o meia-atacante Munitis, tiveram uma boa temporada para liderar um time tecnicamente ruim e taticamente sem direção. Uma queda traumática, que indica a necessidade de mudanças profundas para a disputa da segunda divisão na próxima temporada.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Difícil de explicar, fácil de entender

 Os jogadores lamentam: o Villarreal está rebaixado para a Liga Adelante (getty images)

Há seis anos, a comunidade de Castellón lamentava o fato de não poder ver seu representante na final da Liga dos Campeões. Um pênalti desperdiçado por Riquelme, que, segundo muitos torcedores, foi o melhor jogador a vestir a camisa amarilla, deixou a equipe comandada por Manuel Pellegrini a um passo de chegar a final de Paris contra o Barcelona. Ontem, exatamente às 21h50 local, após o apito final de Estrada Fernández, a lamentação tornou-se lágrimas. Seis anos depois de viver seu auge, o estopim de uma crise que começou cedo, logo no início da temporada, teve conhecimento: o El Madrigal presenciou o rebaixamento do Villarreal à Liga Adelante.

Com perdão do trocadilho: o Submarino Amarelo afundou. Como diz o título do texto, a queda é difícil de explicar, mas fácil de entender. Nada deu certo na temporada. Mesmo possuindo um elenco forte para, pelo menos, disputar Liga Europa, as ausências de Cazorla, Capdevilla e Rossi foram sentidas. A bem da verdade, a lesão do ítalo-americano logo na introdução da temporada não seria tão sentida se, junto com ele, Nilmar não tivesse ido junto. Quando soube que ficaria sem seus principais atacantes, tudo começou a desandar. Enquanto Rossi continuou patinando no Departamento Médico, Nilmar voltou. Entretanto não era nem a sombra daquele atacante veloz e ágil que infernizava as defesas. 

Um dos principais motivos para a queda foi a atuação do setor defensivo no andamento da temporada. Frágil e sempre muito desprotegido, principalmente pelo estilo de jogo ofensivo da equipe, concedeu 60 gols. Dessa maneira, ficou difícil para o ataque compensar na frente. No entanto, esse setor também foi problema. Principal responsável pelos méritos do time nos últimos anos, a ligação meio de campo-ataque inexistiu. Sem Rossi, custou para arranjar um atacante decente, sobretudo após retorno abaixo da média de Nilmar. Lotina chegou a jogar no 4-2-3-1 em detrimento do 4-4-2 que tanto deu frutos positivos ao clube. Marco Rúben foi o artilheiro da temporada com 9 gols. A exemplo de comparação, o vice-artilheiro da temporada passada, Nilmar, marcou 13 (Rossi, o artilheiro, anotou 20). O gaúcho, em queda livre, anotou apenas quatro em 2011/2012. Os testes foram múltiplos. Martinuccio foi contratado por empréstimo junto ao Fluminense no inverno; Hernán Pérez foi muito utilizado; e até o canterano Joselu teve que ser efetivado para ajudar, num claro sinal de desespero.

A crise econômica também afetou dentro de campo. Sem um substituto natural para Cazorla, vendido ao Málaga, onde irá disputar a Champions League, para fazer caixa, custou aos amarillos criarem jogadas. Borja Valero foi a força motriz do ataque até dezembro, criando jogadas impensáveis para qualquer outro jogador do elenco e decidindo com gols. Mas ele enfrentou um período bem improdutivo entre janeiro e abril, quando caiu substancialmente de produção. Incapaz de criar oportunidades com a frequência de 2011, o Borja Valero de 2012 foi bem menos brilhante. Todavia, ainda conseguiu ser melhor que Cani, decepcionante à medida que se tornava-se o principal jogador da equipe devido as lesões dos principais. A temporada de Marcos Senna é a mais irônica. Mal e relegado à reserva em 2010/2011, quando os castellonenses terminaram em 4º e foram semifinalistas da Liga Europa, o brasileiro naturalizado espanhol deu a volta por cima justamente no pior momento do clube desde sua chegada. Senna domina o meio-campo, ataca e defende com a mesma eficiência e consegue ser ainda melhor do que em 2007/2008, quando foi vice-campeão e premiado com uma vaga à Eurocopa.

Contratado em fevereiro, após as demissões de Juan Carlos Garrido e José Molina, Miguel Ángel Lotina encarou uma situação que, negativamente, tem sido corriqueira em sua carreira. É o quinto rebaixamento do treinador, antes rebaixado com Logronês, Celta Vigo, Real Sociedad e Deportivo La Coruña, igualando as marcas de Fernando Vázquez e Lucien Müller. O do Villarreal foi semelhante ao do Celta Vigo 2003/2004 de Lotina e o Deportivo da temporada passada do basco. Os celestes, há oito temporadas, começaram o ano na Champions League e terminaram rebaixados, exatamente como os amarillos. Os galegos, por sua vez, foram rebaixados, mas deixaram a sensação de azar justamente por possuírem, entre os postulantes ao descenso, a melhor equipe, assim como o Villarreal 2011/2012. A Liga Adelante também sofre as consequências da queda amarrila. O Villarreal B, em 13º na tabela, é automaticamente rebaixado à Segunda B pelo fato do regulamento não permitir a participações de dois times da mesma instituição numa mesma divisão.

O desmanche no elenco deverá ser grande. Para fazer caixa, será necessário vender. Rossi, Nilmar, Borja Valero, Cani, Mussachio, Marco Rúben serão nomes eternamente ligado às especulações durante o verão. O brasileiro já havia recebido propostas da Roma e do futebol brasileiro nos últimos mercados, mas o clube não quis vender. Agora, será obrigado. Marcos Senna, Ángel e Gonzalo afirmaram querer continuar a fim de ajudar no retorno à elite. Renovar com as bandeiras do clube, os nomes mais benquistos pela torcida, indica que o Villarreal imagina estar de volta à elite em 2013/14. Porém, tudo é incógnita. E o meio-campo e ataque, principais setores da equipe? Como será o mercado? Quem fica? Quem sai? Quem chega? Tudo é incógnita.

A família Roig, responsável pelas ações do clube, viveu um drama na noite passada. A tragédia se personificou em Fernando Roig. O máximo acionista e presidente do clube castellonense acompanhou a partida nas tribunas do El Madrigal ao lado de seu filho José Manuel Llaneza, vice-presidente. Durante anos, o Villarreal sempre foi exemplo de gestão esportiva e econômica. Também dentro de campo, praticando um futebol charmoso, atraente, valente, com a busca pela posse de bola. Bastou uma temporada de adversidade tanto interna como externamente para tudo cair por água abaixo. Após o término da partida, Roig desceu ao gramado, onde, sob lágrimas, foi ovacionado pela torcida, que não se esquece do que ele fez pelo clube nesses últimos dez anos. Fora do estádio, os gritos dos aficionados para os jogadores foram de mercenários. Não é hora de buscar culpado ou desculpas. Aos torcedores amarillos, a boa notícia é que Roig não vai abandonar o projeto. A Liga BBVA perde um time que desempanhava um belo futebol, mas o espera ansiosamente pelo retorno.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Há futuro para o Villarreal

Reprovado pela torcida, Molina dá a volta por cima, recupera o bom futebol do Villarreal e começa a cair nas graças dos aficionados (getty images)

Na estreia do ex-jogador José Molina no comando técnico do Villarreal, o Submarino Amarelo ficou no empate com um gosto de derrota contra o Valencia. O Submarino Amarelo reencontrou o bom futebol, chegou a abrir 2 x 0, mas sofreu o empate na etapa final. O time jogou bem por cerca de 60 minutos e deixou boas impressões, o que gerou bastante expectativa. Expectativa essa que foi por água abaixo na rodada depois. Os amarillos viram pela frente um novo Atlético de Madrid e saíram da capital espanhola surrados: 3 x 0.

Os dois últimos jogos ratificaram que à medida que as rodadas passam o Villarreal vai se reencontrando com o futebol de outros tempos. A posse de bola aumentou consideravelmente no novo ano, as trocas de passes voltaram a ficar rápidas e, sobretudo, envolventes e o ataque, mesmo desfalcado de Nilmar e Rossi, não tem deixado a desejar. Não que o torcedor tenha visto um futebol incontestável e de encher os olhos, mas já é possível perceber que este time tem margem de crescimento. O discursso adotado por Molina é comprometimento e grupo, seguido de qualidade técnica. Trabalhar em equipe sempre. Dessa forma, o ex-goleiro resgatou os ânimos de uma equipe que fechou 2011 como decepção.

A forma com a qual o Villarreal segurou o Barcelona mostra muito bem que o elenco está junto com Molina. As duas linha de quatro fecharam o meio-campo, congestionando o setor onde o Barcelona mais gosta de atuar. Xavi e Fàbregas inexistiram por ali e Messi, em má noite, teve que ir buscar a bola atrás para tentar criar algo, como faz na seleção argentina. No setor defensivo, uma brava atuação de Diego López, que foi muito bem quando exigido, sobretudo nos minutos finais, quando fez uma bela defesa em chute de Messi. Oriol, na lateral esquerda, talvez tenha sido o melhor em campo. Ajudou com contudência a defesa e subiu ao ataque sempre levando bastante perigo. Joselu e Marco Rúben, no ataque, fizeram uma partida fraca, tecnicamente. Não faltou esforço e, volta e meia, Rúben voltava para marcar, mas o jogo baseado na defesa fez com que a bola pouco chegasse em seus pés.

Para o Villarreal, o empate teve um gosto paradoxal. Foi comemorado porque tirou pontos da melhor equipe do mundo (que, pelo visto, vai ficar sem a Liga Espanhola), mas com a vitória do Granada ante o Bétis, hoje cedo, representou a volta do Submarino Amarelo à zona de rebaixamento. Nada que abale o início de trabalho de Molina, que já tem o grupo em suas mãos. A capacidade de continuar apostando no que parece certo, como bancar jogadores mais técnicos e analisar o que está errado, não ter medo de recuar uma equipe que, historicamente, é conhecido por praticar um futebol voltado ao jogo defensivo e manter um padrão tático único levam, até o momento, Molina ao gosto da torcida, que reprovou a ida do torcedor no dia do anúncio do presidente Fernando Roig. O treinador, que venceu o câncer à época de jogador do Deportivo, tem tudo para vencer novamente as adversidades da vida.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Copa envenenada

Autor de um doblete, Pablo Infante foi o responsável pela queda de Garrido no Villarreal (AS)

Lembram dos três treinadores que estavam com suas batatas quase explodindo? Pois bem, uma delas explodiu, por fim. Juan Carlos Garrido não aguentou a mais um vexame do Villarreal e acabou demitido do comando técnico dos amarillos. A derrota no El Madrigal na noite desta quarta talvez foi uma das mais vergonhosas da história do clube da Comunidade Valenciana: 2 a 0 para o pequeno Mirandés, da Segunda Divisão B (referente a, aqui no Brasil, terceira divisão). Garrido sai pelas portas do fundo devido à péssima temporada que o Villarreal faz até o momento, mas seria oportunismo esquecer dos belos trabalhos de outrora. Auxíliar técnico de Ernesto Valverde em 2009/2010, chegou à equipe A após levar o Villarreal B a um acesso histórico: a Liga Adelante, onde a filial milita até hoje.

Curiosa e ironicamente, Garrido chegou ao comando da equipe principal da mesma situação com a qual o Submarino Amarelo vive hoje. Há duas temporada, após um primeiro turno decepcionante, quando chegou a ficar na lanterna por três rodadas, a diretoria resolveu demitir Valverde e apostar em Garrido. Deu certo: o Villarreal fez um segundo turno excelente e, da 20ª colocação, terminou em sétimo, copando uma vaga na Liga Europa. Em 2010/2011, foi responsável por fazer dos amarillos uma equipe com um dos futebol mais bonito da Espanha, lembrando em certas ocasiões o Barcelona. Jogando com muita intensidade, com a bola nos pés e prezando pela posse de bola, terminou a temporada na quarta colocação, o que deu direito a voltar à Champions League após três temporadas, e caiu na Liga Europa para o futuro campeão Porto na semifinal.

O treinador, obviamente, também tem parcelas de culpa pelo momento negro que vive o Villarreal. Não conseguiu, em momento algum da temporada, achar um padrão de jogo semelhante ao da temporada passada e alternativas a Cazorla, homem do meio-campo na temporada passada. Improvisou De Guzmán na posição de Santi, mas foi um desastre. Tentou apostar em Hernán Pérez, mas o jovem não tem metade da qualidade do ex-amarillo. Em alguns pontos, acabou sendo vítima. O DM desta temporada está lotado: mais de treze jogadores do elenco sofreram e/ou sofrem com as lesões. Rossi e Nilmar, os pilares, só jogaram três partidas juntos nesta temporada. O ítalo-americano, vale lembrar, não volta mais em 2011/2012.

Agora, a diretoria corre atrás pelo substituto. Evitar uma tragédia, já que o rebaixamento é provável, é a missão. Um treinador que conheça bem a Liga Espanhola, para que não tenha perca tempo com adaptação, é o objetivo. A situação é preocupante. Luis Aragonés seria o preferido dos diretores, ainda mais agora que o Atlético de Madrid deve acertar com Simeone. Míchel e Víctor Fernández, diretores esportivos amarillos, correm contra o tempo para começar os contatos com o treinador. Em sua despedida, Garrido não mostrou-se magoado com o presidente Fernando Roig. Pelo contrário. "Disse pare ele que entendo sua decisão. Já esperava isso. Fazemos uma temporada ruim e a única coisa que eu tenho a fazer é agradecer a esse maravilhoso clube. Peço desculpas pela forma desastrosa e vergonhosa com a qual caímos na Copa", disse. O treinador aproveitou para dizer que não crê que os jogadores forçaram sua demissão. "Não creio nisso. Eu tinha o grupo na mão, todos éramos muitos amigos. Após o jogo, estavam todos tocados nos vestiários", finalizou.

As outras zebras
Viva a Copa! Fortes emoções reservaram os jogos desta quarta na competição espanhola. Além do Villarreal, Atlético de Madrid, Zaragoza e Bétis deixaram precocemente a competição. Justamente as equipes com os treinador com o alarme disparando. Gregorio Manzano deve seguir Garrido e ser demitido no Atléti. Os rojiblancos decepcionaram e perderam para o Albacete por 1 a 0. Especularam o brasileiro Felipão como substituto, mas talvez o nome mais certo é de Simeone, que já teve passagem pelo clube de Manzanares. Javier Aguirre, por sua vez, faz uma temporada desastrosa, mas tem o apoio dos aficionados. Para eles, o principal responsável pela fase negra do Zaragoza é Agapito Inglesias, presidente maño. O futuro do mexicano, entretanto, é uma incógnita. Os blancos foram eliminados pelo Alcorcón, que havia chamado a atenção do mundo futebolístico ao eliminar o Real Madrid na Copa 2009/2010 com direito a poker.

O Bétis de Pepe Mel foi a outra equipe danificada pelas zebras na noite copera. A eliminação, entretanto, não parece que será tão dramática nos arredores do Benito Villamarín. Mel quer seus jogadores centrados na Liga, onde a equipe está no meio da tabela. Fica o registro que, na temporada passada, os verdiblancos caíram de cabeça erguida ao ser eliminado pelo vice-campeão Barcelona, derrotando-o na Andaluzia por 3 a 1.

Veja os resultados dos jogos da volta da fase 16 avos da Copa del Rey
Atlético de Madrid 0-1 Albacete (1-2)
Athletic Bilbao 1-0 Oviedo (1-0)
Real Madrid 5-1 Ponferradina (2-0)
Villarreal 0-2 Mirandés (1-1)
Levante 4-1 Deportivo (1-3)
Osasuna 1-1 Almería (3-1)
Espanyol 4-2 Celta Vigo (0-0)
Bétis 1-2 Córdoba (0-1)
Sporting Gijón 0-2 Mallorca (1-0)
Rayo Vallecano 4-3 Racing Santander (2-3)
Málaga 2-2 Getafe (1-0)
Granada 2-1 Real Sociedad (1-4)
Sevilla 2-1 San Roque (1-0)

*Em negrito, todos os classificados
** Entre parênteses, os resultados dos jogos de ida
***Hoje, mais dois jogos encerram esta fase: Valencia-Cádiz e Barcelona-L'Hospitalet. No Mestalla, qualquer empate com gols classifica os amarillos, já que o jogo da ida foi um empate por 0 a 0. No Camp Nou, o Barcelona repleto de canteranos vai mais tranquilo: venceu na ida por 1 a 0.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Alarme disparando

O Zaragoza de Javier Aguirre é o lanterna da Liga. O mexicano fracassa no futebol espanhol novamente (getty images)

O resumo completo da 16ª rodada você só lerá amanhã. Hoje, iremos adiantar uma breve síntese sobre a jornada baseada no momento ruim de três treinadores. Com as festas de fim de ano aproximando-se, o momento é de pausa e reflexão. Após mais uma rodada ruim para Zaragoza, Atlético de Madrid e Villarreal, os três respectivos treinadores não sabem se comerão o panettone: Javier Aguirre, Gregório Manzano e Juan Carlos Garrido estão vendo suas batatas a ponto de explodirem.

O domingo foi nefastos para o trio, que sabiam que seus adversários diretos haviam sido favorecidos na rodada. Desde Aguirre, que vê o Zaragoza colista (lanterna, em espanhol) após um novo esperpento contra o Mallorca, até Manzano, que chegou ao segundo revés na semana e o enésimo na temporada, jogando em Barcelona contra o Espanyol. Aguirre já não sabe mais o que fazer. O Zaragoza tem um elenco para, sem dúvidas, ficar no meio da tabela, e não brigar por rebaixamento. Fez um bom mercado, repatriando alguns bons jogadores e contratando à custo zero valores que adicionam talento ao plantel. Mas o momento é negro. Apenas duas vitórias em 15 jogos. A lanterna é merecida, ainda mais com o Racing Santander ensaiando uma reação após a saída de Héctor Cúper.

Para piorar a situação, saíram os exames médicos de Rúben Micael, um dos nomes que escaparam das vaias da torcida após o apito final do árbitro no último domingo. O lateral sofreu uma lesão de grau 1 nos ligamentos do tornozelo direito e não volta mais neste ano. A previsão é voltar aos gramados apenas no final de janeiro. Os aficionados parecem estar ao lado do treinador mexicano, em dentrimento do presidente Agapito Inglesias. Um grupo de torcedores maños protestaram contra o presidente após a partida contra o Mallorca. "Zaragoza sim; Agapito não!", Agapito demissão" e "Não volte nunca mais, Apagapito", gritaram.

Garrido preocupado. É para estar (getty images)

Na Comunidade Valenciana, Juan Carlos Garrido, por sua vez, não tem o apoio da torcida do Villarreal. Uma temporada catastrófica, com direito a eliminação da Champions com seis derrotas em seis jogos, o Submarino Amarelo naufraga a cada jogo. No fim de semana, empataram com a Real Sociedad no El Madrigal por 1 a 1. O treinador afirmou na coletiva pós-jogo ter visto melhoria no desempenho de sua equipe. A realidade, entretanto, é diametralmente oposto àquela que pensa Garrido. Os amarillos somam apenas três vitórias em 15 jogos, com seis empates e seis derrotas. A zona de rebaixamento está próxima: na 17ª colocação, têm a mesma pontuação do Sporting Gijón, primeiro da zona. "Estamos em uma dinâmica de recuperação", afirmou.

Os problemas do Villarreal estão por todo lado. Apesar de, na última semana, ter recuperado Nilmar, Garrido perdeu Borja Valero, melhor jogador da equipe na temporada, e Cani. Os dois não estiveram no vexame contra o Napoli e, mesmo que a fase de Cani não seja das melhores, o meio-campo inexistiu. Rossi continua fazendo falta, já que Rúben, ao contrário da temporada passada quando supria as ausências do ítalo-americano com boas partidas, não tem aparecido positivamente. Após passar mais de dois meses no 4-2-3-1, o castellonense voltou ao 4-4-2 que foi a fórmula do sucesso na temporada passada. Mas, analisamos: a linha de quatro na temporada passada era formada por Marchena, Cazorla, Borja Valero e Cani. Ontem, tinha Marcos Senna, Bruno, De Guzmán e Hernán Pérez. A diferença é enorme.

Gregório Manzano está prestes a repetir a ação de Di María: cair (getty images)

A semana de Manzano foi tão negra quanto a de Garrido. Ainda que o Atlético de Madrid se mantenha entre os dez primeiros colocados e continua brigando, ainda que poucas forças, por uma vaga na Liga dos Campeões, a planificação feita pela diretoria no verão não admite vaga na Liga Europa como prêmio de consolação. E o pior: hoje, os rojiblancos estão distante até da zona da segunda principal competição europeia. O Málaga, 6º colocado e último da zona, tem 24 pontos, contra 19 do 10º, que é o Atlético de Madrid. Na última quinta-feira, Manzano "subestimou" o Albacete, da segunda divisão B, pela Copa do Rei e mandou a campo uma equipe B, repleta de jovens das canteras. O resultado foi uma derrota por 2 a 0 e a pressão sobre o treinador aumentando a cada jogo. Ainda que seja improvável (o Atlético de Madrid gosta de dar vexames, mas este seria fora do comum), a torcida exige o time titular no jogo da volta para evitar a eliminação precoce na Copa, que Manzano, antes da temporada começar, havia dado atenção especial. "Vamos pela Copa", disse.

Nos próximos três jogos do Atlético de Madrid (Rennes, Bétis e Albacete), Manzano continuará no banco de reservas. O clube, após gastar 40 milhões de euros com Falcão, não tem dinheiro para demiti-lo e confirmou, pelo seu site oficial, que não tomará nenhuma decisão até a parada para as festas. Os colchoneros não têm em mente um substituto pelo treinador, apesar da torcida implorar, a cada jogo, pela volta de Aragonés. Manzano, definitivamente, ganhou uma nova chance de dar a volta por cima.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Ataque invejável

Higuaín e Benzema se abraçam: sociedade entre os dois no ataque madridista tem dado certo (AP Photos)

Na temporada passada, Cristiano Ronaldo polarizou os gols no Real Madrid. O português (53 gols) terminou a campanha com 23 gols a mais que o vice-artilheiro da equipe, Benzema (30). O francês só começou a vingar a partir de fevereiro, após a chegada de Adebayor. A lesão de Higuaín, que vinha seguindo de perto o gajo, condicionou o ataque merengue, que chegou a ter Cristiano Ronaldo atuando como falso nove, numa tentativa de Mourinho evitar a gastança no inverno. Na atual temporada, para felicidade de Mourinho, La Pipita e o francês têm feito bonito: os dois, juntos, já marcaram 24 gols (12 para cada) e seguem de perto Cristiano Ronaldo, que tem 18. O diferencial para o português estar à frente dos dois é que, no sistema de rotações imposto por Mourinho do meio para frente, ele não entra, jogando a maioria dos jogos.

Ontem, com a classificação à fase mata-mata da Champions League já garantida, e tendo um adversário de nível inferior pela frente (Dínamo Zagreb), Mourinho testou algo que já estava aguardado há tempos: Benzema e Higuaín juntos no ataque desde o início. Sem Cristiano Ronaldo, o técnico de Setubal foi a campo num inédito 4-4-2 (que já havia sido utilizado outras duas vezes). O resultado foi positivo: os blancos não deram chances ao rival, golearam por 6 a 2 e tanto Benzema quanto Higuaín deixaram suas marcas. O francês marcou duas vezes, enquanto Higuaín, que marcou uma vez, ficou com o prêmio de gol mais bonito da noite. A sociedade Benzema-Higuaín tem dado muito certo desde que passara a ser utilizada. Em 211 minutos juntos, já foram sete gols.

Mourinho tem à disposição uma artilharia pesada em plena forma. O tridente goleador do Madrid, formado por Benzema, Higuaín e Cristiano Ronaldo, é uma maquina de gols. Já são 42 gols em 19 partidas oficiais, o que representa o melhor trio ofensivo da Europa no momento. Aliás, vale lembrar, contra o Dínamo Zagreb os dois atuaram até o fim. A outra boa notícia que Mourinho recebeu foram as boas partidas de Özil e Callejón. O turco-alemão não andava muito bem e vivia de lampejos do Özil 2010/2011, um dos destaques da temporada. O grito, no quarto gol merengue, representou um desabafo. O espanhol, por sua vez, já havia sido o protagonista do jogo em Valencia mesmo sem ter sido ao menos utilizado nos noventa minutos: Mourinho subiu em suas costas no gol de Ronaldo, numa espécie de cavalinho.

A boa partida da dupla de ataque dá mais opções a Mourinho, que não é nada afeito a rodízios, mas se vê obrigado a mudar sempre, devido a qualidade de seu elenco. Com a lesão de Di María, que segue como dúvida para o superclássico, e a ainda inconstância de Özil, o português pode testar, em maiores desafios, o 4-4-2 utilizado contra o Dínamo, com Cristiano Ronaldo, Kaká, Higuaín e Benzema juntos. Na parte defensiva, Sergio Ramos e Pepe vêm formando uma defesa sólida, com Arbeloa fazendo partidas notáveis (ainda que seja o ponto fraco da equipe merengue) e Marcelo e Coentrão em ótima fase na lateral esquerda. Assim, Mourinho vai, a cada jogo, encontrado a equipe ideal para o confronto da temporada contra o Barcelona, no dia 10 de dezembro.

Vergonha espanhola
O Villarreal entrou na Allianz Arena eliminado, mas com chances de conseguir ao menos uma classificação à Liga Europa. O resultado, contudo, foi mais uma catastrófica derrota: 3 a 1 contra o poderoso Bayern de Munich, que aparece como opções a Real Madrid e Barcelona na briga pelo título. Com cinco derrotas em cinco jogos, o Villarreal vai fazendo uma campanha pior até que a do Atlético de Madrid há duas temporadas. Para piorar, o departamento médico amarillo recebeu mais um jogador para sua extensa lista. Com uma lesão muscular, Catalá será baixa por seis semanas. Páreo duro para o Submarino Amarelo, que recebe o Napoli na última rodada com a pretensão de somar ao menos um pontinho, e terminar a pior campanha de uma equipe espanhola em competições europeias nos últimos anos.

domingo, 20 de novembro de 2011

13ª rodada: Show de gols

Todos em cima de Teixera Vitienes: o árbitro não assinalou um pênalti claro de Higuaín e deixou os valencianistas indignados (getty images)

Após uma semana de pausa devido aos jogos da Data Fifa, o Campeonato Espanhol voltou com tudo. Nos três jogos que abriram a rodada, à exceção de Villarreal 1 a 0 Bétis, que marcou a recuperação dos amarillos, a tônica foram os gols. No Camp Nou, o Barcelona, que costuma passar sempre por apuros após Data Fifa, mandou a zica para longe e goleou sem problemas o Zaragoza por 4 a 0. No principal jogo da noite, equilíbrio e polêmica foram as palavras-chaves. Num Mestalla lotado, o Real Madrid derrotou o Valencia por 3 a 2, mas um possível pênalti não marcado a favor dos chés aos 47 minutos do segundo tempo foi o principal assunto do fim de semana futebolístico na Espanha. Confira, abaixo, o resumo dos três jogos de sábado.

Valencia 2x3 Real Madrid
Num campo onde o Barcelona deixou dois pontos, o Real Madrid foi fatal e deixou para trás qualquer chance de desperdício de pontos. A comemoração de Mourinho no gol de Cristiano Ronaldo só mostra o quã importante foi a vitória merengue. Sem Kaká e Di María, Mourinho resolveu se preservar: atuando num 4-3-2-1 vistos na temporada passada somente na maratona de jogos contra o Barcelona, o técnico português, que havia acenado com a possibilidade de titularidade de Callejón na linha de três ofensiva, optou por Lass Diarra ao lado de Xabi Alonso e Khedira, para ganhar o combate contra o meio-campo ché. Ainda que Soldado fizesse a lei do ex evaporar ao marcar um doblete, Mourinho ficou extremamente satisfeito ao conseguir seu objetivo: não deixou o meio-campo valencianista ficar com a bola e construir jogadas.

O pós-jogo ficou marcado por polêmicas. O Valencia ainda não engoliu o pênalti não marcado por Teixera Vitienes e um vídeo capturado pela La Sexta mostra muito bem Higuaín colocando propositadalmente a mão na bola, evitando o que seria o gol de empate ché. Os jogadores também ficaram indignados pela comemoração provocativa de Mourinho no gol de Sergio Ramos, e Alba e Albelda chegaram a discutir com o gajo. Mathieu, por sua vez, foi claro: "Mourinho não respeitou o Valencia". Unai Emery, contudo, não deu uma opinião mais claro sobre o assunto. "Eu não posso dizer nada a respeito, pois discuti com Xabi Alonso", disse o treinador. A vitória no Mestalla marcou um registro histórico para o técnico de Setubal: chegou a 11 vitórias consecutivas, seu melhor registro na carreira, e igualou a melhor sequência de vitórias de Guardiola no Barcelona. O próximo desafio será duro: no Bernabéu, os merengues farão o dérbi da capital contra o Atlético de Madrid.

Barcelona 4x0 Zaragoza
Dificuldades após a Data Fifa, saia de mim. Com Piqué e Puyol juntos novamente na zaga, o Barcelona não passou por dificuldades contra o Zaragoza e ganhou moral para a visita que fará a Milão para o jogo decisivo contra o Milan, no meio da semana, decidindo o primeiro lugar do grupo H da Liga dos Campeões da Uefa. Messi e Fàbregas voltaram a se entender: o meio-campista fez boa jogada e tocou para La Pulga concluir e chegar ao décimo-quinto gol na competição. A curiosidade por conta da partida ficou pelo fato de Piqué, Fàbregas e Messi iniciarem uma partida juntos pela primeira vez desde a divisão de base. Os três, que representam a geração 88' dos blaugranas, ainda não haviam começado uma partida desde que Cesc retornou à Catalunha.

A outra boa notícia que Guardiola poderia receber na partida foi o gol de Villa, que começou no banco. El Guaje revelou após a partida que Pep havia dito, minutos antes de colocá-lo em campo, que ele iria entrar para marcar. Dito e feito: após jogada de Cuenca, que começou como titular novamente, o camisa sete testou firme às redes de Roberto. Na comemoração, o primeiro abraço foi de Messi, acabando com as dúvidas que os dois andavam brigados. Os azulgrenás seguem imparável em casa: já foram 30 gols pró e nenhum recebido. Os maños, por sua vez, voltaram à má fase que o assolou no início da Liga. Após ganhar algumas gordurinhas, o Zaragoza voltou a cair de produção, retornando à zona de rebaixamento.

Villarreal 1x0 Bétis
O contra-ataque nunca foi uma característica do Villarreal. Mas foi essa jogada, concluida por Borja Valero, que decidiu a vitória contra o Bétis, que em um pesadelo sem fim. Após sentir o gostinho da liderança, o momento dos andaluzes é preocupante. A oito rodadas sem marcar (472 minutos), a equipe de Pepe Mel já vê a zona de rebaixamento perto. No lado amarillo, a vitória deu uma moral a mais para Garrido, que segue no 4-2-3-1 sem seus principais atacantes, Rossi e Nilmar. Quem vem carregando a responsabilidade é Borja Valero, que decidiu novamente a favor do Villarreal. Agora, os comandados de Garrido irão até Munich para enfrentar o poderoso Bayern com uma pretensão: ganhar e continuar vivo na esperança de jogar a Liga Europa. A obrigação do Submarino Amarelo é pontuar seis vezes dos seis possíveis (Bayern e Napoli são os adversários) para continuar jogando uma competição europeia. Complicado, mas Garrido manteve um discurso otimista e com contornos de clichê: a esperança é a última que morre.

domingo, 30 de outubro de 2011

11ª rodada: Tarde do alívio

O sorriso voltou: após três jogos sem marcar, Messi desencantou em alto estilo (getty images)

Nos quatro jogos que abriram a décima-primeira rodada da Liga BBVA, três deles tiveram sabor de redenção, alívio. Na Comunidade Valenciana, Valencia e Villarreal derrotaram Rayo Vallecano e Getafe e voltaram a vencer após três e oitos jogos, respectivamente. Alívio maior para o treinador amarillo Juan Carlos Garrido, que estava muito ameaçado, viu o nome de Rafael Benítez ser bastante especulado e conseguiu tirar a equipe da zona de rebaixamento.

No Camp Nou, o Barcelona voltou a convencer. O "alívio" da vez foi de Messi, que não marcava há três jogos e marcou um triplete, se isolando no Pichichi. No último jogo da noite, a Real Sociedad, que já havia tirado dois pontos do Barcelona, até fez um bom segundo tempo, mas foi castigada pelo primeiro tempo horrível e não conseguiu segurar o Real Madrid no Anoeta. Com a vitória e a derrota do Levante (na segunda parte do resumo), os blancos assumiram a liderança da competição.

Barcelona 5x0 Mallorca
Crise é a palavra certa para definir um meia-atacante (leia-se: não-centroavante) que, mesmo criando oportunidades, não marcava há três partidas? Se, em determinado momento, especulações quanto a Messi foram criadas, sobretudo que ele precisava de descanso por não estar na forma física ideal, La Pulga respondeu os críticos em alto estilo: melhor em campo, anotou um hat-trick em apenas 30 minutos e definiu a goleada do Barcelona. As boas notícias começam a aparecer no ambiente azulgrená: além dos gols de Messi, Guardiola já tem à disposição Puyol e Piqué, que estiveram no banco contra os baleares. Alexis Sánchez, mesmo sem alta, irá voltar na terça-feira contra o Viktória Pilsen, pela Champions League.

Numa data marcado pelas estreias de Raúl e Iniesta - há 17 e 9 anos, respectivamente -, dois canteranos que estão começando a ter chance com Guardiola chamaram a atenção: Cuenca e Deulofeu, visto como grande esperança dos aficionados para ser o chefe de uma próxima geração vitoriosa do Barcelona. O primeiro, que já havia sido titular contra o Granada, foi convocado para uma partida da equipe A pela quarta vez consecutiva e começa a mostrar seus dotes: no início da segunda etapa, recebeu bom passe de Thiago Alcântara, passou por Aouate e marcou seu primeiro gol com a camisa azulgrená. O hispano-brasileiro, aliás, foi indicado ao prêmio Golden Boy, entregue pelos italianos do Tuttosport. Segundo a imprensa espanhola especula, Thiago é o favorito para receber o prêmio, que já foi conquistado por Messi (2005) e Fàbregas (2006).

Derrotado, o Mallorca chegou ao Camp Nou animado. Impussionados pelos seus últimos resultados, os baleares, contudo, decepcionaram. Acuados, não levaram perigo à meta de Valdés em nenhum momento e correram atrás da bola os noventa minutos. Na última temporada, o Mallorca de Laudrup havia tirado pontos do Barcelona na Catalunha, mas dessa vez foi bem diferente: mesmo sem Iniesta, Fàbregas, Xavi, Pedro, Puyol e Piqué, o Barcelona voltou a ser dominante e não deu espaços aos isleños.

Villarreal 2x0 Rayo Vallecano
A tarde do alívio foi a melhor possível para o Villarreal. Após quebrar a racha negativa de oito jogos sem vitória, o Submarino Amarelo também deixou a zona de rebaixamento. Na semana em que a imprensa inglesa especulou com força que Benítez poderia substituir Garrido no comando técnico amarillo, o treinador voltou a escalar o 4-2-3-1 da partida contra o Real Madrid. Borja Valero, nome da partida, atuou mais centralizado, no suporte a Marco Rúben. Pelo lado franjiroyo, a equipe do treinador José Ramón Sandoval teve uma maior posse de bola e o domínio territorial em boa parte da segunda etapa. Mas a lesão de Tamudo fez com que a boa partida rayista caísse por água baixa. Sem referência na frente, o Rayo viu o ímpeto do Villarreal crescer. A dupla de zaga composta por Jordi e Arribas também se comportava bem, mas o gol de Bruno evidenciou os problemas que a equipe passa pelo alto.

Ironicamente, o Villarreal voltou a vencer justamente sem seus dois principais jogadores: lesionados, Rossi e Nilmar só voltarão a jogar juntos na próxima temporada, já que o ítalo-americano rompeu o ligamento do tendão esquerdo na partida contra o Real Madrid e só volta em 2012/2013. Mesmo com a vitória, a praga de lesões continua: Camunãs, Cani, Marcos Senna e Marco Rúben se lesionaram e estão de fora do jogo decisivo contra o Manchester City. Situação preocupante é a de Cani, que irá ficar seis semanas fora. Sem três atacantes de ofício disponível, Garrido só tem à disposição o chileno Hernán Pérez.

Real Sociedad 0x1 Real Madrid
A comemoração de Mourinho após o apito final do árbitro Undiano Mallenco representa bem o que foi o jogo em San Sebastián. Um tempo bom de cada equipe e uma maior eficiência do Real Madrid definiu a vitória blanca. Melhor na primeira etapa, os merengues conseguiram o gol da vitória logo aos oito minutos, com Higuaín. O gol do argentino jogou por água abaixo a proposta de jogo de Phillipe Montanier: com cinco jogadores de defesa e dois volantes defensivos (atuou no 5-4-1), o francês mudou totalmente seu estilo de jogo para tentar parar o Real Madrid; mas acabou castigado com o gol cedo de La Pipita. A má fase dos atacantes txuri-urdin continuam: já são cinco jogos sem marcar e, nos últimos cinco gols, os artífices foram os jogadores de defesa.

Com a vitória, que garantiu consequentemente a liderança momentânea aos blancos, o Real Madrid encerrou um outubro perfeito. No mês 10, foram seis vitórias em seis jogos, com uma parcial de 20 gols pró e um gol contra. A melhor notícia que poderia receber Mourinho foi, sem dúvidas, a volta do bom futebol de Kaká. Outubro é um mês mágico para Mourinho: a última derrota do treinador de Setubal nesse mês foi para o Manchester City, em 2006, quando Mou ainda treinava o Chelsea. Nas quatro linhas, partida notável de Fábio Coentrão. Com Marcelo poupado, o português jogou pela segunda vez na lateral (a primeira foi no superclássico contra o Barcelona) e, ao contrário da partida no Camp Nou, mostrou boas facetas. Participou constantemente das jogadas ofensivas e protegeu o lado esquerdo da defesa com eficiência. Estrada e, depois, Griezmann não conseguiram bordar por ali.

Valencia 3x1 Getafe
Após três jogos sem vitória, o Valencia voltou a vencer, e com um protagonista inesperado: o francês Feghouli aproveitou bem a chance dada por Unai Emery e marcou duas vezes, sendo o responsável pela vitória ché. O autor do terceiro gol também andava sumido: após um início de temporada turbulento, com direito a expulsão e afastamento, Aduriz voltou a se reencontrar com as redes, num momento no qual o Getafe parecia mais próximo do empate do que o Valencia do terceiro gol. Os azulones sentiram a falta de seu principal destaque neste início de Liga, Pedro León. O meio-campista lesionou o joelho esquerdo e foi operado em Barcelona neste final de semana, ficando de fora dos gramados por dois meses.

No lado valenciano, mais uma partida excepcional de Banega. Após a lesão de Canales, o argentino ficou sobrecarregado de armar as jogadas, mas não tem decepcionado. Após começar a temporada de uma maneira preguiçosa, o camisa dez vem atuando muito bem, e voltou a ganhar moral com a torcida. Para substituir Canales, o Valencia está próximo de fechar com o mexicano Andrés Guardado, do Deportivo. O meio-campista já afirmou que não irá renovar contrato com o clube galego e, segundo informou a Cadena Ser neste final de semana, o clube valenciano já iniciou as negociações com o agente do jogador para assinar um pré-contrato com o clube. Ainda que não tenha a característica de um armador, Guardado cairia como uma luva num meio-campo que ainda não viu Piatti engrenar.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

10ª rodada: Encantando

Jogando bonito, o Real Madrid encanta: contra o Villarreal, o resultado foi construído com meia hora de jogo (getty images)

Real Madrid 3x0 Villarreal
Encantador é a palavra que define o futebol do Real Madrid. Jogando numa intensidade bem alta, os merengues passaram com facilidade pelo Villarreal. O resultado foi construído nos primeiros 31 minutos de jogo, quando o Real Madrid, marcando sob pressão, não deixou o Villarreal tocar a bola e sair para o jogo. Di María, melhor em campo, lançou Benzema a mais de 30 metros para o francês fazer o primeiro gol, tocou entre Musacchio e Bruno para Kaká ampliar e, após um contra-ataque perfeito, deixou o seu e carimbou o resultado. A velha incógnita sobre os três homens titulares da linha de três parece estar chegando ao fim com a bela partida do argentino e do brasileiro. Özil, pelo visto, deve deixar de vez a titularidade, embora Mourinho, após a partida, voltara a afirmar que, nesse Real Madrid, não há jogadores titulares e reservas: com talento à disposição, todos irão jogar.

Derrota e na antepenúltima colocação, a palavra rebaixamento já começa a virar realidade no ambiente do Villarreal. Jogando um futebol feio, totalmente oposto aos dos últimos anos, o Villarreal não consegue emplacar e, principalmente, fazer seu jogo de passes fluir com naturalidade. Falta um Cazorla, que De Guzmán, inexplicavelmente adiantado, obviamente não consegue suprir. E, quando a fase não é boa, nada vai bem. Substituido por Marco Rúben logo na volta do intervalo, Rossi rompeu os ligamentos do tendão direito e foi operado na quinta-feira. Resultado: o ítalo-americano estará de quatro a seis meses de baixa. Sem Nilmar, também lesionado, Garrido, com a batata muito quente, terá que abrir a cabeça para escalar o ataque para enfrentar o Rayo.

Athletic Bilbao 3x0 Atlético de Madrid (Claudio Araujo)
Na melhor partida do Athletic Bilbao desde a chegada de Marcelo Bielsa, os bascos convenceram. O time do País Basco foi melhor no primeiro tempo, mas não conseguiu aproveitar as chances que teve. As melhores foram do centroavante Fernando Llorente, que não conseguia transformá-las em gols. A segunda etapa foi mais movimentada, com o Athletic voltando a desperdiçar oportunidades. Até que aos 22 minutos, Llorente finalmente abriu o placar, em boa jogada individual. Logo depois, aos 25', o artilheiro voltou a marcar, dessa vez após receber belo cruzamento de Toquero. Com o jogo caminhando para o fim, Diego fez falta perigosa perto da área do Atlético, que Ander cobrou e Toquero tratou de colocar para o fundo do gol, fazendo 3 a 0.

Enquanto o Athletic Bilbao bai dando boas vindas à boa fase, no Atlético de Madrid o clima é quente nos bastidores. Após ser substituido por Manzano, Reyes insultou o treinador no banco de reservas. Arrependido, o jogador pediu desculpas publicamente na sexta-feira, justificando que estava de cabeça quente no momento. De cabeça quente devem estar os aficionados colchoneros. Quem acompanha futebol pelos números estão preocupados com a situação do Atléti. No ano do rebaixamento rojiblanco, o Atléti apresentava números similares aos que apresenta hoje. Nas primeiras 10 rodadas da Liga, logrou 3 vitórias, um empate e cinco derrotas, tendo os mesmos 10 pontos que atualmente. A diferença é que, à essa altura da temporada, aquele Atlético apresentava uma vitória a mais (mas vale lembrar que este Atlético tem um jogo a menos).

Levante 3x2 Real Sociedad (Claudio Araujo)
O líder da Liga BBVA também vence com emoções. A Real Sociedad precisou de apenas três minutos para abrir o placar diante do Levante, que entrou em campo brigando pela liderança, mas encontrou muitas dificuldades diante dos visitantes, que impuseram forte ritmo nos primeiros minutos de bola rolando. Após a batida de Aranburu, Munúa espalmou para frente e o Estrada pegou o rebote para converter. Depois de ver o mesmo Aranburu dos primeiros minutos de jogo errar o cabeceio no início da segunda etapa, o Levante conseguiu igualar o placar apenas aos 11 minutos, quando Nano arrematou e o zagueiro Demidov desviou contra as próprias redes. Menos de cinco minutos depois, a glória foi encontrada pela cabeça de Valdo, que recebeu grande lançamento de Barkero e saltou mais alto que De La Bella para virar a favor do Levante que, a partir de então, só administrou o resultado.

A questão é que o time se acuou demais no campo de defesa e deixou o Real Sociedad fazer seu jogo com cruzamentos na área e muita movimentação. O resultado não podia ser diferente: aos 41, depois de exercer certa pressão, Iñigo Martínez voltou a deixar o placar igualado. E foi justamente Rúben, que entrou para cadenciar o jogo no meio-de-campo, o homem do gol da vitória do Levante sobre o Real Sociedad. Em cobrança de falta a mais de 40 metros de distância, o time da casa conseguiu se sobrepor ao adversário e anotou o tento da vitória, para a festa da torcida de Valencia, que levantou das cadeiras e comemorou a vitória e a liderança da Liga Espanhola.

Granada 0x1 Barcelona (Claudio Araujo)
O Barcelona não encontrou a facilidade esperada para bater o Granada. Com Iniesta e Villa no banco, Guardiola começou com Fàbregas e Cuenca, grande novidade do onze inicial. O canterano saiu-se bem em seu debut como titular da equipe blaugrana e, certamente, ganhou pontos com Guardiola. Dentrou de campo, a equipe de Guardiola tinha dificuldades de invadir a área adversária, mas não demorou para abrir o placar devido à falta de pontuaria e ao goleiro Roberto. O gol só veio aos 33 minutos, quando Xavi cobrou falta com perfeição. Acuado, o Granada pouco produziu durante o primeiro tempo. Foram só dois chutes de fora da área que pouco incomodaram Valdés. Os anfitriões voltaram com uma postura ainda mais defensiva para a etapa final, que se intensificou com a expulsão de Romero Gómez, aos cinco minutos. O Barça continuava a construir as jogadas, porém pecava nas finalizações. Keita, Iniesta e David Villa entraram em campo, mas não conseguiram mudar o panorama da partida. Antes do apito final, o Granada ainda perdeu mais um jogador expulso: González Benítez.

Sevilla 2x2 Racing Santander
É curioso e paradoxal que em um começo de Liga tão cheio de obstáculos, um calendário complicado, repleto de rivais diretos, com um Sánchez-Pizjuán lotado em um dia de semana contra o lanterna, foi ele mesmo quem roubou os primeiros pontos sevillistas em Nervión. E resulta curioso, além disso, que seja a única equipe, junto com o Villarreal, que conseguira fazer mais de um gol em Javi Varas. É curioso, ou talvez nem tanto. Porque esse Sevilla que já deixou claro que quando quer defender, defende como ninguém,t ambém evidenciou nesses nove primeiros encontros de Liga que atacar é complicado. Custa a encontrar fórmulas, vias de penetração nas zagas rivais. Tem pouca clareza para fazer o gol e, até o momento, os gols conseguidos pelos nervionenses foram rentabilizados no máximo em pontos. Se a isso for somado o cansaço (nove dos onze titulares no Camp Nou jogaram novamente), a equipe nervionense esteve com ausência de idéias. Portanto, foi mais lógico o empate. O Sevilla conseguiu ao menos se manter invicto, após nove partidas, o que não é pouco. Porém, perdeu uma chance de ouro para começar a fazer uma gordura e se estabilizar nas posições mais altas da tabela. Talvez isso dependa da margem de melhora do Sevilla no ataque. Porque é evidente que para os objetivos planejados, o time precisará atacar, e bem.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

9ª rodada: Fazendo história

Ballesteros comemora com Juanlu: o Levante convenceu contra o Villarreal e chegou à liderança (getty images)

O 23 de outubro de 2011 certamente será um dia que entrou na história do segundo principal clube de Valencia. É a data na qual, pela primeira vez em seus 102 anos de história, o Levante pôde comemorar a liderança da Liga BBVA, após aproveitar o fato de o Barcelona ter empatado contrao Sevilla. Jogando à Barcelona e com o azulgrená já tradicional, os levantinos fizeram do El Madrigal, casa de seu rival regional, Villarreal, seu palco de felicidades. um 3 a 0 para não deixar mais dúvidas quanto a capacidade de seu elenco. A rodada também marcou o crescimento do futebol do Athletic Bilbao, que conseguiu um bom empate no Mestalla contra o Valencia, o novo tropeço do Atlético de Madrid, que só empatou em Madrid contra o Mallorca, e a confirmação da boa fase do Espanyol, que derrotou o Racing Santander na Cantábria.

Villarreal 0x3 Levante
Um líder de escândalos. Sem cerimônia, o Levante encurralou o Villarreal no El Madrigal e venceu facilmente por três gols de diferença. A derrota assou mais a batata de Juan Carlos Garrido, que, dizem, poderá ser demitido em caso de uma provável derrota para o Real Madrid, na quarta-feira. O Levante foi bem do início ao fim. Após assustar com Barkero, de falta, logo aos dois minutos, os azulgrenás chegaram ao um a zero após um belo contra-ataque, concluído por Juanlu. O externo esquerdo chegou ao doblete no fim da primeira etapa, em mais uma bela jogada da equipe comandada por Juan Ignácio Martínez. Em jogada de Barkero, meio-campista que vive ótima fase, Koné cruzou e Juanlu, que se desmarcou de Marchena, bateu firme às redes de Diego López.

O zagueiro espanhol viveu uma semana negra: após marcar um gol contra contra o Manchester City que complicou a vida do Villarreal na partida, o campeão mundial deixou Juanlu livre no momento do segundo tento levantino, que jogou por água abaixo uma provável reação amarilla. No segundo tempo, o Submarino Amarelo naufragou de vez. Sem opção, Garrido colocou Rúben no lugar de Marchena na volta do intervalo, mudando equipe para um 3-4-3, e deixou mais espaços para o Levante penetrar. Koné, que passou a ficar mais solto, deu o golpe final: após receber na entrada da área, passou por Gonzalo e fuzilou a meta de Diego López. A superioridade do Levante em campo é diretamente proporcional ao momento que vive o Villarreal. Acostumado a fazer a bola correr, os amarillos provaram do próprio veneno: correram atrás da bola e tiveram apenas 44% da posse de bola.

Valencia 1x1 Mallorca
Em jogo marcado por dois golaços (Muniain para o Athletic Bilbao e Soldado para o Valencia), o resultado final teve sabor mais doce para o Athletic Bilbao do que para o Valencia. Apesar de ter dominado o jogo inteiro e sofrido o empate aos 48 minutos da segunda etapa, o Athletic Bilbao sai do Mestalla satisfeito. O estilo de jogo de Bielsa vai começando a funcionar e, de pouco em pouco, os resultado vão saindo. Na coletiva pós-jogo, o argentino ficou contente com o resultado e afirmou que, apesar do gol sofrido nos acréscimos, o placar foi justo por cada equipe ter feito um tempo bom. A atuação do árbitro Clos Gómez foi bastante controversa e prejudicou os bascos.

O árbitro anulou um gol legal de Susaeta e deixou de marcar um pênalti clarrísimo em Susaeta. No lado valenciano, as dúvidas prosseguem. Após emplacar o terceiro jogo sem vitória, Unai Emery ainda recebeu uma péssima notícia: Canales saiu lesionado e será baixa por três meses. Dentro de campo, a saída de El Principito deixou os chés numa situação muito ruim. Sem seu principal armador, Unai Emery deverá escalar Banega mais adiantado ou utilizar Jonas mais centralizado, como no início da Liga.

Atlético de Madrid 1x1 Mallorca
Jogo com cara de dèjá vu. Tropeçando nos mesmos pecados, o Atlético de Madrid voltou a dominar uma partida, mas não conseguiu somar três pontos. Após quebrar a racha negativa de seis jogos sem marcar, os atleticanos tiveram que correr atrás do prejuizo, dessa vez. Com três minutos de jogo, o Mallorca já vencia, após gol de Hemed de pênalti. De nada adiantou, portanto, o domínio territorial dos rojiblancos. Para se ter uma noção do que foi o jogo, o Atléti chutou 15 bolas às redes de Aouate, mas, ironicamente, só marcou de pênalti, convertido por Falcão García. Na próxima rodada, os colchoneros terão um duro desafio: visitarão o Athletic Bilbao na Catedral. Na 9a colocação e após bons investimentos no mercado, o Atlético de Madrid novamente vai fazendo uma campanha decepcionante, até o momento.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Virtualmente eliminado

Agüero comemora, para desespero de Gonzalo, ao fundo: o Villarreal está próximo da eliminação precoce na Champions (getty images)

O Villarreal viajou a Manchester com a sensação de final de campeonato. Contra o poderoso Manchester City, líder da Premier League, o Submarino Amarelo fez sua melhor partida na temporada, chegou, inclusive, a estar vencendo por um a zero, mas sucumbiu nos finais da primeira e segunda etapa e saiu da Inglaterra virtualmente eliminado da Champions League. Com nenhum ponto em três jogos, sonhar com a Liga Europa também complicou: Manchester City e Napoli, seus "concorrentes", estão com quatro e cinco pontos, respectivamentes. Aos amarillos, restam fazer uma returno perfeito e saber o usar o fator casa: irá enfrentar os azuis de Manchester e Napoles no El Madrigal. O Bayern lidera o grupo com folgas: com sete pontos, já está praticamente classificado à próxima fase.

Curiosamente, o gol que decretou a vitória mancuniana veio através de um velho conhecido dos aficionados amarillos: Agüero, que entrou em meados do segundo tempo, sacramentou a virada dos anfitriões e chegou ao seu oitavo gol em dez partidas contra a equipe de Castilla e Leão. David Silva, que vive bela fase, passou em branco e, bem marcado pelo meio-campo amarillo nos primeiros quarenta e cinco minutos da partida, passou a crescer apenas no segundo tempo, com a saída de Nasri, muito marcado por Zapata, que liberou o espanhol para jogar mais aberto à esquerda. A defesa do Villarreal se comportou muito bem, mas falhou em dois lances capitais que decidiram a partida: no gol de empate do City, marcado por Marchena contra, e no de Kun, quando, mal posicionado, deixou três jogadores dos sky blues sozinhos (Silva chegou a desviar) e Agüero completou.

O capitão Gonzalo Rodríguez se comportou, de fato, como um capitão. Limpo e seguro, foi um dos melhores em campo. Dzeko, isolado no 4-2-3-1 de Roberto Mancini, foi anulado pelo camisa dois. Marchena foi do céu ao inferno: o ex-Valencia fazia uma partida bastante correta até o momento que, numa jogada de infelicidade e falta de comunicação com Diego López, cortou para o gol um cruzamento de Kolarov. Talvez faltou ao Villarreal mais ousadia. Atuando num inédito 4-2-3-1 (até pela lesão de Nilmar), o Submarino Amarelo dominou o City na primeira etapa e levaram muito perigo à meta de Hart. No segundo tempo, Garrido recuou demais o Villarreal, chamando o Manchester para cima. Ao tirar De Guzmán e Cani, dois dos melhores em campo, e colocar o canterano Gullón e Mário, o treinador deu um tiro pela culatra: além de perder em experiência, Garrido mudou o módulo tático da equipe paraum 4-4-1-1, o suficiente para tirar, praticamente, Rossi da partida, que ficou mais isolado do que já estava.

O pós-jogo foi marcado por polêmicas. José Manuel Llaneza, vice-presidente do Villarreal, acusou Agüero de zombar do clube e dos jogadores no caminha para os vestuários. "O que o Agüero fez foi falta de ética, respeito e, acima de tudo, companheirismo", esbravejou Llaneza. "É uma pena que um jogador tão talentoso como Agüero tenha uma cabeça tão pequena", disse Marchena. Por sua vez, Agüero negou qualquer tipo polêmica: "todos conhecem minha trajetória e minha conduta. Não sou e jamais farei isso", afirmou Kun. José Ortiz, zagueiro do Almería, colocou mais lenha no fogo ao afirmar que, em 2007, o atacante já havia tido uma atitude semelhante a este após uma vitória do Atlético de Madrid. Os castellonenses, agora, não poderão nem pensar em empatar: se ainda pensa em classificação - muito improvável, agora - terão que somar, no mínimo, sete pontos dos nove possíveis.

A Espanha que dá certo

Benzema e Özil, melhores em campo, comemoram: enquanto o Villarrel está praticamente fora, os merengues estão a um empate da classificação (getty images)

Diante de um Lyon tímido e omisso e sentindo a falta do artilheiro Lisandro López, o Real Madrid passou como um rolo compressor e aplicou 4 a 0 em Santiago Bernabéu para disparar na liderança do Grupo D da Liga dos Campeões. A postura agressiva do time espanhol, que tinha toque de bola e capacidade de chegar à frente, rendeu os tentos marcados por Benzema, Khedira, Özil e Sérgio Ramos.

Mesmo com o ótimo final de semana de Kaká e Higuaín, Mourinho fez jus às palavras ditas após a partida contra o Racing Santander, no qual havia afirmado que, com tanto talento à disposição, não existe jogador titular e reserva: iniciou o jogo com Benzema e Di María, em dentrimento da dupla citada acima. O francês voltou a ser uma pedra no sapato de sua ex-equipe: além de ser um dos melhores em campo, ao lado de Özil, marcou o primeiro gol e deu a assistência para o tento de Khedira. O turco-alemão, por outro lado, lembrou Zidane, dominando o meio-campo e deixando Cristiano Ronaldo e Benzema na cara de Lloris por muitas vezes.

Se, por um lado, o craque português não marcou um dos últimos 12 gols do Real Madrid nas últimas três partidas, isso serve para mostrar que uma possível "CR7dependência" inexiste. Ao contrário da temporada passada, quando o gajo foi disparado o artilheiro merengue, na atual temporada os gols estão bem divididos: Cristiano Ronaldo permanece como o máximo artilheiro, com nove gols, mas seguido de perto por Higuaín (9), Benzema (6) e Kaká (4). O que surpreende nesta seca de Ronaldo é uma versão mais solidária do craque: foram cinco passes para gols nesses 12 tentos.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

5ª rodada: Reerguendo-se

Nilmar dribla Aouate, antes de chutar para o gol vazio e sacramentar a (primeira) vitória do Villarreal. Garrido continua pressionado, mas pode respirar um pouco (AS)

Villarreal 2x0 Mallorca
Juan Carlos Garrido conseguiu respirar. Após entrar em campo pressionado pelos péssimo resultados obtidos nos últimos jogos, sobretudo no último final de semana (derrota para o fraco Granada), o Villarreal enfim chegou à sua primeira vitória na Liga Espanhola. Contra o Mallorca, o treinador não inventou: escalou o óbvio (meio-campo com Bruno, Borja Valero, Cani e De Guzmán) e resolveu parar de improvisar Marchena na volância. Na frente, Rossi e Nilmar fizeram o que todos os torcedores amarillos esperam deles: gols. Apesar de ainda estar pressionado, Garrido valorizou muito a vitória: "foram três pontos importantes", disse após o jogo.

Apesar da vitória, o Villarreal passou perto de complicar uma partida que já estava em suas mãos. Nos minutos finais, diminuiu o ritmo da partida e passou a chamar mais o Mallorca para seu campo de defesa. Esperto, Laudrup percebeu isso e sacou Alfaro para colocar Tissone, trocando o módulo do Mallorca para um 4-3-3 bastante ofensivo. Contudo, já era demasiado tarde para os bermellones conseguirem uma reação e o Villarreal confirmou a vitória. A vitória foi a primeira no El Madrigal após quatro meses. Enquanto Garrido respira, Laudrup começa a ficar com as cordas entre o pescoço. O Mallorca chegou ao terceiro jogo sem vitória e pode terminar a rodada na zona de rebaixamento. O ataque não funciona: marcou apenas um gol em quatro jogos.

Real Sociedad 1x0 Granada
Após poupar alguns jogadores no último final de semana e perder a invencibilidade no campeonato espanhol, Philippe Montanier foi com força total encarar o Granada e voltou a somar três pontos. Em um jogo bastante movimentado, Estrada decidiu a partida após um belo chute, sem chances para Roberto. Illarramendi continua sendo uma grata surpresa: o canterano dominou o meio-campo rojiblanco e participou de quase todas as jogadas ofensivas da equipe blanquiazul. Mariga, seu companheiro na volância, também atuou muito bem: soberbo, mostrou grande contudência defensiva ao roubar muitas bolas no meio.

O Granada fez uma boa partida, mas pecou por desperdiças muitas oportunidades. Só no primeiro tempo, quando jogou melhor que a Real, foram três, ora por defesas de Bravo, ora por chutes mal dados de seus jogadores. Faltou mais participação de Uche. Autor do gol na vitória contra o Villarreal, o nigeriano passou despercebido durante os minutos no qual esteve em campo e foi incapaz de rematar às redes do goleiro basco. Os rojiblancos foram uma das equipes que demonstraram o futebol mais belo da Liga Adelante passada, entretanto falta ser mais incisivo na primeira divisão. Dani Benítez, destaque da equipe na temporada passada, ainda não mostrou a que veio.

Osasuna 0x0 Sevilla
A redenção do Osasuna ficou no quase. Melhor em campo durante os noventa minutos, os rojones, além de não conseguirem marcar nas redes de Javi Varas, ainda lamentaram-se de não ter um pênalti assinalado, quando Perotti colocou claramente a mão esquerda na bola. O dia foi dos extremos: Cejudo, pelo lado do Osasuna, e Jesus Navas, pelo lado sevilistas, foram os melhores em campo. Em compensação, os atacantes não brilharam. Após começar a Liga muito bem, Negredo voltou a ter uma atuação abaixo da média e não foi uma referência nas jogadas ofensivas nervionenses. Kike Sola e Nino, pelo lado navarro, também não foram muito bem.

Apesar de ter sido pressionado o jogo inteiro, a zaga sevillista mostrou segurança. Spahic, novamente, voltou a justificar os milhões pagos pela diretoria rojiblanca. Marcelino Toral, após acenar com a possibilidade da improvisação do croata, voltou a mandá-lo à sua posição original. Esse Sevilla contraditório, de bons números e pobres sensações, ainda tem muitas deficiências. A equipe é estática demais, se posiciona mal às vezes e ocupa de maneira deficiente os espaços do campo durante a partida. Porém, nem tudo está ruim, e não pode estar, já que ganhou duas partidas e empatou uma. O Sevilla não anda bem, mas ganha e soma pontos. E também ganha tempo para trabalhar e melhorar, pois isso faz falta.