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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Surpresas

O início de temporada sempre gera bastante surpresas. Na temporada passada, Real Sociedad, Bétis e Levante fizeram parte deste grupo. O Bétis chegou a liderar a Liga, mas perdeu o fôlego ainda no primeiro turno, assim como a Real Sociedad. O Levante foi longe e hoje disputa a Liga Europa. Em 2012/11, Mallorca e Rayo Vallecano são as equipes que surpreendem. O principal motivo dessa surpresa é comum entre a dupla: perderam seus principais jogadores e não conseguiram repôr à altura, mas funcionam ao natural.

 Enquanto Michu brilha na Premier League, o Rayo Vallecano não tem sentindo sua falta... por enquanto (Zimbio)

O Rayo Vallecano já vem chamando a atenção desde a temporada passada. Após viver uma grave crise financeira durante quase uma temporada, os franjiroyos driblaram todas as adversidades e, como num filme de drama, se salvaram do rebaixamento na última rodada e aos 48 minutos do segundo tempo. Se administrativamente a crise persistia, em campo as coisas caminharam muito melhor que a encomenda. Nesta temporada, para fazer caixa, a venda de seu principal craque, Michu, foi obrigatória. O meio-campista marcou 17 gols na temporada passada e mostrou um verdadeiro repertório de dribles e passes. Ele comprova sua qualidade neste início de Premier League pelo Swansea, onde marcou quatro gols em três jogos. Outra grande perda do mercado foi a não-renovação do empréstimo de Diego Costa, que caiu como uma luva no esquema de José Ramón Sandoval no mercado de inverno, mas voltou ao Atlético de Madrid.

A principal mudança em relação à equipe da temporada passada é uma defesa mais sólida preparada pelo treinador. Em 2011/12, o Rayo teve a pior, com 76 gols sofridos. Em três jogos na Liga 12/13, sofreu apenas 1. Ontem, os rayistas seguraram o veloz ataque do Sevilla com um jogador a menos durante quase um tempo do jogo. É cedo para chegar a uma conclusão definitiva, mas a equipe de Vallecas tende a fazer uma temporada mais segura se seguirem à risca a proposta de Sandoval. O presidente Raúl Martín Presa está bastante animado, e o discurso é de permanência na elite. Desse jeito, com uma bola parada que dá resultados e uma defesa mais eficiente, o Rayo pode fazer uma temporada mais acessível. Cada um sabe no que pode acreditar e investir.

Em Palma de Mallorca, o último dia de mercado trouxe boa notícia. Para esse colunista, a aquisição do mexicano Giovanni dos Santos foi a melhor do deadline. Num Mallorca tão carente de drible e sem extremos genuínos, ele chega como peça-chave. Se ao menos repetir as atuações da passagem pelo Racing Santander, quando evitou o rebaixamento da equipe cantabriano de uma maneira melhor que a de Canales em 2010, Gio irá valer o investimento. A responsabilidade no Ono Estadi é maior: substituir Gonzalo Castro, principal jogador mallorquín nas últimas cinco temporadas. O uruguaio se transferiu para a Real Sociedad no verão e deixou uma grande lacuna em Mallorca. 

A parceria do meio-campista criado nas canteras do Barcelona com Hemed tende a funcionar com à medida que os jogos passarem e colher frutos aos bermellones. O israelense começou a temporada à toda: anotou três dos quatro gols do Mallorca nas três primeiras rodadas. É cedo para profetizer como será a temporada dos baleares, mas Caparrós, novamente, merece elogios por manter um padrão de jogo mesmo sem Chori Castro. Novamente, o andaluz mostra qualidade e trabalho positivo em equipes com elenco limitados. Após projetar um Sevilla e Athletic Bilbao que viriam a fazer sucesso com Juande Ramos e Marcelo Bielsa, ele começa a transformar o Mallorca em competitivo. Naturalmente, não no mesmo tom de suas ex-equipes, mas ainda assim as respostas são as melhores possíveis.

Seleção da 3ª rodada
Andrés Fernandez (Osasuna), Demichelis (Málaga), Rami (Valencia), Marchena (Deportivo), Adriano (Barcelona); Camacho (Málaga), Xavi (Barcelona), Juanlu (Levante); Susaeta (Athletic Bilbao), Barrada (Getafe), Cristiano Ronaldo (Real Madrid). Treinador: Paco Jémez (Rayo Vallecano)

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Guia: Liga BBVA (parte 2)

Na segunda parte do nosso guia para a temporada feito em parceria com Pierre Andrade e Edgley Lemos, do site Futebol Espanhol, damos destaque a mais dez equipes que jogarão a Liga BBVA 2012/2011. Hoje, falaremos do atual campeão Real Madrid, que quebrou a hegemonia do Barcelona após três anos, além do Valencia, o "humano" mais forte, e da dupla andaluza Sevilla, incógnita total, e Málaga, abalado por uma crise interna e externa que durou o verão inteiro. A primeira parte você pode ler aqui. Boa leitura!

Málaga (Victor Mendes)
Cidade: Málaga, Andaluzia
Estádio: La Rosaleda
Em 2011/2012: 4º colocado
O cara: Isco Román (meio-campista, foto)
O treinador: Manuel Pellegrinni
A promessa: Juanmi (atacante)
Principal reforço: -
Principal perda: Santi Cazorla (meio-campista, Arsenal)
Objetivo: vaga em alguma competição europeia
Time base (4-2-3-1): Caballero; Jesus Gámez, Demichelis, Weligton, Monreal; Maresca, Toulalan; Joaquín, Isco, Portillo; Seba Fernández.

Maio de 2012. O Málaga derrota o Sporting Gijón no La Rosaleda por 1x0, gol de Rondón, e sacramenta a quarta vaga para a Uefa Champions League. Nenhum torcedor presente no estádio naquela festa histórica imaginaria que, menos de quatro meses depois, a situação seria dialmetralmente oposto àquela vivida em 2011/2012. Após um ano para firmar na história do clube, a entidade andaluza viveu um verão terrível: o sheikh Abdullah-Al Thani deixou de investir, chegou a, segundo fontes do El Desmarque, colocar o clube à venda, viu quatro jogadores denunciarem o clube à AFE por atraso no salários e, ainda por cima, foi acusado por Villarreal, Osasuna e River Plate por falta do pagamento das compras de Cazorla, Monreal e Buonanotte, respectivamente. A instituição feriu.

As saídas de Cazorla, Rondón e Mathijsen e a péssima pré-temporada é uma tragédia anunciada. Toulalan e Júlio Baptista, lesionados, serão reforços urgentes quando voltarem, mas Pellegrinni sabe o quanto farão falta neste início de temporada: daqui a uma semana, os blanquiazules encaram o Panathinaikos pelo jogo de ida da pré-UCL. O momento é tão ruim que não houve nenhuma aquisição no mercado. Atualmente, falta um zagueiro confiável, um criador de jogadas e um atacante com faro de gol, justamente onde os três que saíram se encaixam. Ou seja, não há alternativas a eles. Pensar em rebaixamento é exagero, mas o objetivo da equipe hoje é uma vaga na Liga Europa, pois está muito abaixo dos candidatos à Champions.

Mallorca (Edgley Lemos)
Cidade: Palma de Mallorca
Estádio: Iberostar
Em 2011/2012: 8º colocado
O cara: José Luís Martí (meio-campista, foto)
O treinador: Joaquín Caparrós
A promessa: Nsue (atacante)
Principal reforço: Antonio López (lateral-esquerdo, Atlético de Madrid)
Principal perda: Gonzalo Castro (meia-atacante, Real Sociedad)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-2-3-1): Aouate; Nsue, Nunes, Bigas, Antonio López; Martí, Javi Márquez; Pereira, Hemed, Alfaro; Víctor.

O Mallorca sofreu um grande êxodo de jogadores ao fim da última temporada: os três principais zagueiros da equipe (Ramis, Chico e Martí Crespí) foram embora. No meio-campo, Tissone, De Guzmán, Chori Castro e Sérgio Tejera deixaram o clube. E como se já não fosse o bastante, a crise econômica que assola a Espanha ainda dificulta as movimentações da equipe no mercado. Apesar da situação caótica, o presidente Serra Ferrer conseguiu contratar Antonio López, lateral esquerdo que estava no Atlético de Madrid, o atacante Arizmendi, vindo do Getafe, e o meio-campista Javi Márquez, cria das canteras do Espanyol. Ferrer ainda prometeu dois zagueiros e um atacante antes da estreia do clube no campeonato.

Caparrós está consciente de que o dinheiro está curtíssimo e de que terá um elenco enxuto para o resto da temporada, por isso improvisou o canterano Pedro Bigas na zaga junto com o lateral Nelson, durante a pré-temporada da equipe. Os torcedores esperam que ao menos se possa ficar no meio da tabela e não ter de passar a angustia de lutar contra o rebaixamento. Solidez e experiência são as palavras que definem a nova versão do Mallorca.

Osasuna (Edgley Lemos)
Cidade: Pamplona, Navarra
Estádio: Reyno de Navarra
Em 2011/2012: 7º
O cara: Puñal (meio-campo)
O treinador: José Luis Mendilíbar
A promessa: Sisi (meio-campo)
Principal reforço: Joseba Llorente (atacante, Real Sociedad)
Principal perda: Raul García (meio-campista, Atlético de Madrid)
Objetivo: Liga Europa
Time base (4-2-3-1): Fernández; Bertrán, Flaño, Rubén, Echaide; Nekounam, Puñal; Sisi, Cejudo, Armenteros; Kike Sola.

Há pelo menos duas temporadas o Osasuna vem fazendo temporadas de meio de tabela para cima. Um dos responsáveis por isso é o treinador Mendilíbar e o outro é o estádio Reyno de Navarra. O técnico faz bom trabalho com os rojillos, que têm um elenco limitado, mas que jogando em seus domínios são praticamente impossível de se bater. No entanto, para esta temporada, a equipe perdeu um dos elementos chave da equipe. Raul García retornou ao Atlético de Madrid, após o término de seu contrato de empréstimo. 

Para repor a saída do meio-campista o Osasuna trouxe Sisi, ex-meio-campo do Valladolid, e Armenteros, meia que estava no Rayo Vallecano. Para o ataque chegou Joseba Llorente, da Real Sociedad, atacante experiente e que pode até fazer dupla com Kike Sola, num 4-4-2. Mendilíbar dificilmente conseguirá substituir Raul García à altura, mas ao menos reforça bem o meio-campo e a defesa, para que a temporada seja tão sólida quanto à última. O objetivo é a Liga Europa, certamente, que escapou por pouco na última temporada.

Rayo Vallecano (Victor Mendes)
Cidade: Vallecas, Madrid
Estádio: Teresa Rivero
Em 2011/2012: 15º colocado
O cara: Javi Fuego (volante, foto)
O treinador: Paco Jémez
A promessa: José Manuel Alcañiz (zagueiro)
Principal reforço: Adrián (volante, Racing Santander)
Principal perda: Michu (meia-atacante, Swansea)
Objetivo: permanência na elite
Time base (4-2-3-1): Rubén; Tito, Amat, Gálvez, Casado; Javi Fuego, Adrián; Lass, José Carlos, Piti; Nicki Bille.

Paco Jémez estreia como treinador de um time de primeira divisão com a árdua tarefa de repetir o milagre que operou Sandoval na temporada passada, na qual o Rayo conseguiu a permanência na elite na última rodada graças a um gol de Tamudo no último piscar da bola. Agora, o buraco é mais embaixo: o elenco é inferior em relação ao que sofreu em 2011/2012 e várias peças-chaves saíram, como Diego Costa, Armenteros, Arribas, Movillas e Michu, principal jogador franjiroyo por dois anos. As continuidades de Javi Fuego e Lass, por outro lado, é a melhor notícia que Paco pôde receber no verão.

Em uma situação econômica delicada, o clube de Vallecas fez um mercado acessível. As contratações de Jordi Amat e Galvez darão segurança à zaga, enquanto Adrián e José Carlos oferecerão qualidades ao meio-campo. A referência é o problema. Sem Diego Costa e Michu, a diretoria fechou com Nickie Billie, que não é uma resposta à altura a perda da dupla. O elenco não é homogêneo, sem muitas opções, foi a pedra do sapato do Rayo na temporada passada e certamente irá voltar a incomodar. Paco, por exemplo, só conta com cinco jogadores à disposição para a defesa. 

Real Madrid (Edgley Lemos)
Cidade: Madrid
Estádio: Santiago Bernabéu
Em 2011/2012: campeão
O cara: Cristiano Ronaldo (meia-atacante, foto)
O treinador: José Mourinho
A promessa: Morata (atacante)
Principal reforço: -
Principal perda: -
Objetivo: título
Time base (4-2-3-1): Casillas; Arbeloa, Pepe, Sergio Ramos, Marcelo; Khedira, Xabi Alonso; Di María, Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema.

Com o título da última temporada, o Real Madrid tem novamente a pressão sobre os ombros. Dessa vez o desafio é manter-se como campeão. Para isso, Mourinho manteve a base do time e se desfez apenas dos jogadores que “ocupavam espaço” no elenco. Pedro Léon, Gago e Altintop deixaram o clube. Dos três, apenas Gago ainda poderia ter chances no elenco, pois, se Khedira se lesionar, Lass sofre com problemas físicos e pode não estar em forma para substituí-lo à altura. Com a provável chegada de Modric, Sahin deve perder mais espaço e também seguir caminho longe de Madrid, mais próximo de Londres (Arsenal) ou Liverpool. Morata, atacante da base, foi promovido ao time principal e é bom ficar de olho, pois o jovem fez boa temporada pelo Real Madrid Castilla (que irá disputar a Liga Adelante) e deseja se firmar no elenco principal.

Mourinho tem consciência de que o título da Liga dos Campeões lhe escapou pelos dedos e que para voltar a competição com chances de ser campeão é preciso ter um time forte. O Real Madrid, junto ao Barcelona, é o time mais forte a disputar a Champions, então basta manter a base da última temporada e reforçar as posições carentes.  E a única posição carente é a lateral direita, que Mourinho delega a Arbeloa, seu jogador de confiança para a posição. O lateral se valorizou com o treinador após a Eurocopa e continua firma na equipe titular. Seu substituto é caseiro: o gajo teria se interessado pela ideia de efetivar Lass à posição após boas partidas do francês em 2011/2012. Com o elenco atual, o Madrid tem condições para ser novamente campeão espanhol e europeu nesta temporada.

Real Sociedad (Pierre Andrade)
Cidade: San Sebastián, País Basco
Estádio: Anoeta
Em 2011/2012: 12º colocado
O cara: Xabi Prieto (meio-campista)
O treinador: Philippe Montanier
A promessa: Rubén Pardo (meio-campista)
Principal reforço: Carlos Vela (meia-atacante, Arsenal)
Principal perda: Mikel Aranburu (aposentado)
Objetivo: Vaga na Liga Europa
Time base (4-2-3-1): Claudio Bravo; Carlos Martínez, Mikel González, Iñigo Pérez, José Ángel; Illarramendi, Zurutuza; Xabi Prieto, Carlos Vela, Griezmann; Agirretxe.

Com a base do time que encantou a Espanha no primeiro turno da La Liga, a Real Sociedad larga como uma das grandes apostas para temporada. Apresentando um futebol ofensivo e de qualidade no toque de bola, os comandados de Philippe Montanier esperam um ano mais estável, passando distante da zona de rebaixamento para a Liga Adelante. O ponto forte da equipe continuará sendo o meio de campo, liderado pelo experiente Xabi Prieto. Carlos Vela, contratado em definitivo junto ao Arsenal, e Agirretxe certamente levarão perigo às defesas adversárias. 

Outra aquisição importante do clube foi o lateral esquerdo José Angel, ex-Roma. Titular no time italiano, Ángel perdeu espaço com a saída de Luis Enrique e decidiu retornar ao seu país natal. Mesmo com essas contratações, se quiser almejar algo a mais do que o meio da tabela, os txuri-urdin terão que se preparar bem fisicamente para aguentar toda a temporada. Nos últimos anos, o time tem caído de rendimento na reta final, deixando escapar as chances de conquistar vagas nas competições européias.

Sevilla (Edgley Lemos)
Cidade: Sevilla, Andaluzia.
Estádio: Ramón Sánchez Pizjuán
Em 2011/2012: 9º colocado
O cara: Álvaro Negredo (atacante, foto)
O treinador: Michel
A promessa: Geoffrey Kondogbia (meio-campista)
Principal reforço: Diego López (goleiro, Villarreal)
Principal saída: Romaric (volante, Zaragoza)
Objetivo: vaga em uma competição europeia
Time base (4-4-2): Diego López; Cicinho, Botía, Spahic, Fernando Navarro; Trochowski, Medel, Jesus Navas, Perotti; Reyes, Negredo.

A instabilidade defensiva custou caro ao Sevilla na última temporada, por isso Del Nido deixou claro que reforçar bem a defesa era prioridade. Trouxe para a atual temporada o ótimo goleiro Diego López, proveniente do Villarreal. Chegaram, ainda, o zagueiro Botía, ex-Sporting Gijón, e o volante Maduro, vindo do Valencia. Além de Cicinho, ex-lateral direito do Palmeiras, que vem sendo chamado pela torcida de “novo Dani Alves”. No entanto, reforçar apenas a defesa não basta para o Sevilla, visto que o time sofre com a falta de um armador. 

Apesar de Rakitic ter muita qualidade, a última temporada foi tenebrosa. Por isso é importante, para o Sevilla, contratar alguém como opção ao croata. Michel, durante os amistosos de pré-temporada, ensaiou uma mudança no esquema tático da equipe para um 4-3-3, explorando as investidas de Návas e Reyes pelas pontas. A falta de um meio-campo armador, no entanto, deve pesar durante a temporada, caso Rakitic não atue bem. A realidade é outra em Nervión: pela primeira vez em oito anos, o Sevilla não irá disputar uma competição europeia.

Valencia (Pierre Andrade)
Cidade: Valencia
Estádio: Mestalla
Em 2011/2012: 3º colocado
O cara: Roberto Soldado (atacante, foto)
O treinador: Mauricio Pellegrino
A promessa: Paco Alcácer (atacante)
Principal reforço: Andrés Guardado (meio-campista, Deportivo)
Principal perda: Jordi Alba (lateral-esquerdo, Barcelona)
Objetivo: Vaga na Champions League
Time base (4-2-3-1): Guaita; João Pereira, Rami, Ricardo Costa, Mathieu; Gago, Banega; Feghouli, Jonas, Guardado; Soldado.

Campeão da “outra liga” de forma consecutiva desde a temporada 2009/10, o Valencia começa esta edição do campeonato tendo sofrido algumas mudanças em seu elenco. A principal delas é à saída de Unai Emery, técnico que ajudou o clube a consolidar-se no terceiro posto da tabela. Para o seu lugar, chega Mauricio Pellegrino. Ex-jogador do clube, El Flaco conta com a experiência de ter sido o auxiliar de Rafa Benítez no Liverpool e Internazionale de Milão, mas nunca dirigiu um time profissional.

Outra ausência que certamente será sentida é a de Jordi Alba. O lateral, revelação da Euro 2012, acertou sua ida para o Barcelona e deixou carente o lado esquerdo da defesa ché. Pro seu lugar, o clube chegou a acertar a contratação de Dídac Vilà, mas uma contusão grave no púbis fez o time desistir da transação. Dos que assinaram com o Valencia, ganham destaque o meia Guardado, ex-Deportivo, e o volante Fernando Gago, ex-Roma e Real Madrid. Além deles, Jonathan Vieira, que veio do Cádiz, e Paco Alcácer, prata da casa, demonstraram na pré-temporada uma ótima qualidade técnica e devem atuar durante o certame.

Valladolid (Victor Mendes)
Cidade: Valladolid, Castilla e Leão
Estádio: José Zorilla
Em 2011/2012: campeão dos play-offs da Liga Adelante
O cara: Javi Guerra (atacante, foto)
O treinador: Miroslav Djukic
A promessa: Javi Navas (meia-atacante)
Principal reforço: Rukavina (lateral-direito, 1860 Munich)
Principal perda: Nauzet (Las Palmas)
Objetivo: permanência na elite
Time base (4-2-3-1): Jaime; Rukavina, Marc Valiente, Rueda, Balenziaga; Álvaro Rubio, Víctor Pérez; Ebert, Óscar, Omar; Javi Guerra.

O vencedor dos play-offs de acesso da Liga Adelante foi a equipe que mais encantou durante a competição. O Valladolid conseguiu associar um futebol atrativo a uma defesa sólida (a melhor da Liga Adelante ao lado do Celta Vigo). Djukic já prometeu não mudar a filosofia que tanto deu certo na segundona no retorno à elite. O plantel renovado ajudará muito na briga contra o rebaixamento. As contratações são interessantes. Rukavina e Ebert, provenientes dos alemães Munich 1860 e Hertha Berlim, chegam para oferecerem qualidade às laterais. Apesar de atuar na lateral-direita, Rukavina tem sido testado na zaga nos amistosos de pré-temporada. Ebert, por outro lado, pode atuar também mais à frente, na linha de três. É provável que ele seja titular na extrema direita.

Se o Valladolid fizer o dever de casa no mercado e não mudar totalmente à primeira derrota, o 4-2-3-1 bem protegido e com Óscar armando as jogadas e Lolo impondo velocidade pela esquerda pode dar samba. Na frente, Javi Guerra é garantia de gol. O calendário prevê dificuldades nos cinco primeiros jogos: Zaragoza (fora), Levante (casa), Athletic Bilbao (f), Bétis (c) e Atlético de Madrid (f). Se, de fato, Djukic honrar as palavras, o Valladolid promete agradar os telespectadores nesta nova temporada.

Zaragoza (Pierre Andrade)
Cidade: Zaragoza, Aragão
Estádio: La Romareda
Em 2011/2012: 16º colocado
O cara: Roberto (goleiro, foto)
O treinador: Manolo Jimenez
A promessa: Jorge Ortí (atacante)
Principal reforço: Romaric (volante, Espanyol)
Principal perda: Lafita (atacante, Getafe)
Objetivo: permanência na elite
Time base (4-4-2): Roberto; Lanzaro, Loovens, Álvaro, Abraham; Apoño, Romaric, Edu Oriol, Montañes; Aranda, Helder Postiga.

Temporada nova, vida nova. Este será o lema do Zaragoza nesta edição do Campeonato Espanhol. Manolo Jimenez continuará no comando da equipe e não tinha como ser diferente. Quando assumiu o posto de treinador, substituindo Javier Aguirre, o Zaragoza se encontrava na última colocação da Liga. Jimenez conseguiu uma sequência de bons resultados, entre elas uma vitória contra o Athletic Bilbao por 2x0, e salvou a equipe do rebaixamento na última rodada.

Para esta temporada, a equipe tende a crescer tecnicamente com as contratações do zagueiro Álvaro Gonzalez, ex- Racing Santander, e do volante Romaric, que veio do Espanyol, mas que pertencia ao Sevilla. Outro que deve se destacar é o arqueiro Roberto, que conseguiu deixar de lado as más atuações e se firmou no gol maño, relegando ao banco o experiente Leo Franco. Aliado a isso, o clube ganhou 8 anos para quitar a dívida de €82 milhões e atualmente se encontra em uma situação financeira estável, o que deve garantir um ambiente mais leve para trabalhar.

Palpites para temporada
Victor Mendes
Campeão: Barcelona
Uefa Champions League: Barcelona, Real Madrid, Valencia e Atlético de Madrid
Liga Europa: Sevilla, Athletic Bilbao e Osasuna
Rebaixados: Rayo Vallecano, Granada e Celta Vigo
Copa do Rei: Real Madrid

Pierre Andrade
Campeão: Real Madrid
Uefa Champions League: Real Madrid, Barcelona, Atlético de Madrid, Valencia
Liga Europa: Real Sociedad, Sevillae Athletic Bilbao
Rebaixados: Valladolid, Rayo Vallecano, Bétis
Copa do Rei: Real Madrid

Edgley Lemos 
Campeão: Barcelona
Uefa Champions League: Barcelona, Real Madrid, Sevilla e Atlético de Madrid
Liga Europa: Valencia, Getafe e Athletic Bilbao
Rebaixados: Mallorca, Rayo Vallecano e Granada
Copa do Rei: Real Madrid

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Balanço Final: Análise da temporada (primeira parte)

 Cristiano Ronaldo dá o ok: ele foi a estrela do Real Madrid campeão da Liga Espanhola (getty images)

Real Madrid x Barcelona, Barcelona x Real Madrid. O Campeonato Espanhol tem se limitado a isso nas últimas quatro temporadas. Ainda assim, a temporada 2011/12 teve suas novidades. Primeiro, que o vencedor do duelo entre os dois gigantes não foi catalão. Segundo, porque o segundo pelotão da Espanha mostrou força. Se não o fez em La Liga, usou a Liga Europa para tal. Valencia, Atlético de Madrid e Athletic Bilbao chegaram às semifinais da segunda competição de clubes do continente, sendo que os dois últimos decidiram o título. E, na parte de baixo da tabela, o que parecia uma luta que se definiria rapidamente viu mudanças de última hora, com um gol no último minuto da última rodada rebaixando uma das principais forças do país desde a virada do século.

REAL MADRID
Classificação: campeão (vaga na Liga dos Campeões)
Copa nacional: quartas de final
Copas europeias: Liga dos Campeões (semifinais)
Destaque: Cristiano Ronaldo (foto, Getty Images)
Revelação: nenhuma
Decepção: Kaká
Nota da temporada: 8,5
O Real Madrid só se sentirá plenamente satisfeito quando voltar a conquistar a Liga dos Campeões. Aí, a torcida terá certeza que o clube atingiu seu potencial, que o dinheiro investido realmente deu retorno. Mas, tirando o fato de a LC ter ido para Londres, a temporada 2011/12 foi muito positiva para os merengues. O clube recuperou o título espanhol e, melhor ainda, mostrando autoridade e superioridade diante do Barcelona. Só o fato de ter deixado o grande rival para trás já legitima o trabalho de José Mourinho, e dá confiança para o trabalho seguir seu curso natural em Chamartín.

BARCELONA
Classificação: vice-campeão (vaga na Liga dos Campeões)
Copa nacional: campeão
Copas europeias: Liga dos Campeões (semifinais)
Destaque: Lionel Messi (foto, Getty Images)
Revelação:
Decepção: Pedro Rodríguez
Nota da temporada: 7
O Barcelona caiu na Liga dos Campeões por uma fatalidade (Messi perdeu um pênalti) e levou a Copa do Rei, mas a temporada termina com um sabor amargo no Camp Nou. O Barcelona deu sinais de desmotivação durante o Campeonato Espanhol, perdendo pontos bobos por falta de concentração. Além disso, mostrou vulnerabilidade no jogo de volta contra o Real Madrid e um raro descontrole emocional contra o Chelsea, sobretudo no jogo de volta das semifinais da LC. Para completar o ano ruim (na verdade, um ano “menos bom”), o técnico Pep Guardiola anunciou que não ficará em Les Corts. O clima não termina bom, e há uma expectativa de que a próxima temporada será mais turbulenta.

VALENCIA
Classificação: 3º (vaga na Liga dos Campeões)
Copa nacional: semifinais
Copas europeias: Liga dos Campeões (fase de grupos) e Liga Europa (semifinais)
Destaque: Roberto Soldado (foto, Getty Images)
Revelação: Bernat
Decepção: Dani Parejo
Nota da temporada: 7
Não foi bom, mas não foi ruim. O Valencia ficou no quase em boa parte da temporada. No Campeonato Espanhol, despontou como terceiro colocado com folga, mas teve uma série de maus resultados que obrigou o time a suar nas rodadas finais para evitar o vexame de perder uma vaga ganha na Liga dos Campeões. Na Liga dos Campeões, só foi eliminado na última rodada da fase de grupos (perdendo para o Chelsea, que se tornaria campeão). Na Copa do Rei, deu muito trabalho ao Barcelona (que também se tornaria campeão) e, na Liga Europa, caiu nas semifinais para o Atlético de Madrid (que, adivinha!, também se tornaria campeão). Tecnicamente, também foi um time que ficou no quase. A dupla de ataque (Jonas e Soldado) funcionou muito bem. A defesa teve seus bons momentos. O problema é que o meio-campo se ressentiu da temporada fraca de Pablo Hernández e não deu o dinamismo que o time precisou em alguns momentos. Nas más fases, até o cargo do técnico Unai Emery foi contestado pela torcida, mas é um time com boa estrutura para o futuro.

MÁLAGA
Classificação: 4º (vaga na Liga dos Campeões)
Copa nacional: oitavas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Santiago Cazorla (foto, Getty Images)
Revelação: José Récio
Decepção: Diego Buonanotte
Nota da temporada: 7,5
Pelo dinheiro gasto pelos donos catarianos, o mínimo que se exigia do Málaga era classificar para a Liga dos Campeões. Bem, o objetivo foi cumprido e a nota 7,5 se deve muito a isso. Mas não é um time brilhante, que jogue um futebol proporcional ao dinheiro que custou. O ataque é econômico, mas se virou bem com as bolas paradas de Cazorla (9 gols direto, 4 assistências) e o oportunismo de Rondón (11 gols, 4 assistências). A dupla compensou a baixa produtividade de jogadores como Julio Baptista e Ruud van Nilstelrooy e a própria falta de motivação de veteranos contratados apenas pela grife. A própria vaga na LC só chegou devido ao bom aproveitamento em casa (só Barcelona e Real Madrid foram melhores) e à perda de foco de Atlético de Madrid e Athletic Bilbao devido à Liga Europa.

ATLÉTICO DE MADRID
Classificação: 5º (vaga na Liga Europa)
Copa nacional: quarta fase (1/32 de final)
Copas europeias: Liga Europa (campeão)
Destaque: Radamel Falcao García (foto, Reuters)
Revelação: Thibaut Courtois
Decepção: Silvio
Nota da temporada: 8
Nenhuma equipe foi tão instável na temporada espanhola. O Atlético de Madrid teve altos e baixos muito agudos, o que dificulta uma avaliação muito clara do que o time fez durante nos últimos 12 meses. O ataque dependeu demais de Adrián e Diego na armação e Falcao García na finalização. Na defesa, os colchoneros sofreram na primeira metade do campeonato, quando Gregorio Manzano não estabelecia seu quarteto titular. Com a entrada de Diego Simeone, a linha Juanfran-Miranda-Godín-Filipe Luís se consolidou, a produção defensiva aumentou consideravelmente e a equipe cresceu como um todo. Aí veio a arrancada que levou ao título da Liga Europa e quase a uma vaga na Liga dos Campeões. No final, o saldo é positivo, ainda que seria melhor se não tivesse perdido tempo na primeira metade da temporada.

LEVANTE
Classificação: 6º (vaga na Liga Europa)
Copa nacional: quartas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Barkero (foto, Mundo Deportivo)
Revelação: Nabil El Zhar
Decepção: Asier del Horno
Nota da temporada: 8,5
Nenhum clube espanhol superou mais as expectativas iniciais que o Levante. O segundo clube de Valência deu uma arrancada nas rodadas iniciais, bateu o Real Madrid, e chegou a ocupar a liderança. Claro que não aguentou muito tempo, mas teve fôlego para brigar por uma vaga na Liga dos Campeões até a última rodada. E tudo isso com um time velho: dos 15 jogadores que mais atuaram na temporada, dez tinham mais de 30 anos. Um fato notável, de uma equipe tecnicamente fraca, mas que soube se montar em torno de uma defesa aguerrida.

OSASUNA
Classificação:
Copa nacional: oitavas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Álvaro Cejudo (foto, El País)
Revelação: Ibrahima Baldé
Decepção: Damiá
Nota da temporada: 6,5
Faltou uma pincelada de técnica. O Osasuna é uma equipe muito aguerrida, que consegue bons resultados em casa (apenas Real Madrid e Barcelona perderam menos como mandante) e sempre fica no meio da tabela. Mas, quando precisa de um pouco mais de talento para brigar por uma vaga em competições europeias, fica pelo caminho. É um time de jogo pesado e lento, que precisa de mais dinamismo em alguns momentos. Mas, quando pode colocar a partida em seus termos, tem bons resultados. Curiosidade: os navarros foram os últimos do Campeonato Espanhol em aproveitamento de passes (67,1%, menos até que o Racing de Santander), mas o primeiro em vitórias nos duelos pelo alto (18,6 por jogo).

MALLORCA
Classificação:
Copa nacional: quartas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Gonzalo Castro (foto, Bermellones)
Revelação: Pedro Bigas
Decepção: Akihiro Ienaga
Nota da temporada: 7
Equipe que fez campanha discreta, praticamente se instalando no meio da tabela. Não fez nada de notável, até vencer quatro jogos seguidos na reta final e, de repente, se colocar na briga por um lugar na Liga Europa. Não teve sucesso, mas já foi muito para um time de elenco enxuto e pouco talento. O brilho ficou com a defesa, a quinta melhor do campeonato, que segurou a onda de um ataque pouco produtivo (o sexto pior).

SEVILLA
Classificação:
Copa nacional: oitavas de final
Copas europeias: Liga Europa (fase preliminar)
Destaque: Jesús Navas (foto, Getty Images)
Revelação: Antonio Luna
Decepção: José Antonio Reyes
Nota da temporada: 5
Já foi um time empolgante e brilhante, mas o Sevilla de hoje é um arremedo do bicampeão da Copa da Uefa no final da década passada. A equipe é burocrática e joga sem a confiança e a motivação de quem se considera capaz de brigar por um lugar na Liga dos Campeões. Além disso, há tempos não apresenta um talento que empolgue pelo potencial. A aposta em Reyes não funcionou, Kanouté foi inoperante e nunca pareceu um candidato viável às primeiras posições, mesmo quando a pontuação permitira sonhar.

ATHLETIC BILBAO
Classificação: 10º
Copa nacional: vice-campeão (vaga na Liga Europa)
Copas europeias: Liga Europa (vice-campeão)
Destaque: Fernando Llorente (foto, Getty Images)
Revelação: Ibai Gómez
Decepção: Carlos Gupergui
Nota da temporada: 7
Foi o terceiro time do campeonato em posse de bola e o quarto em acerto de passes. Foi também o clube que recebeu menos cartões vermelhos, apenas dois (empatado com Mallorca, Rayo Vallecano e Granada). É uma equipe que joga bonito, e se orgulha disso. Ainda assim, a classificação final não mostra isso. O Athletic de futebol vistoso e envolvente que Marcelo Bielsa montou, que teve jovens de talento como Muniain ganhando mais espaço no cenário internacional, que bateu o Manchester United duas vezes, só apareceu no Campeonato Espanhol em poucos momentos. Compreensível. Com um elenco enxuto, o técnico argentino teve de priorizar as competições no calendário. Preferiu as que o Athletic tinha chance de título (Liga Europa e Copa do Rei, foi vice em ambas) e deixou o segundo turno do Espanholão em segundo plano. As chances de classificação para a Liga dos Campeões, um objetivo viável, se perdeu. Mas é um grupo de futuro.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

13ª rodada: Ironias do destino

Diego comemora: o brasileiro ressuscita junto com o Atlético de Madrid, que obteve uma vitória importante ante o Levante (clubeatleticodemadrid.com)

Sevilla 1x2 Athletic Bilbao
18 anos depois, o Athletic Bilbao triunfou no Ramón Sánchez Pizjuan. O Athletic ganhou porque o seu treinador, Marcelo Bielsa, venceu o duelo ante Marcelino, treinador do Sevilla, desde o início. Buscou o ponto fraco anfitrião: o meio de campo débil, inconstante e desassistido, e foi por aí que atacou, que centralizou os seus esforços. Superpovoou essa medular para não dar alternativas aos sevillistas, que se mantiveram na partida até o gol do dois a um e que mostraram uma nula capacidade de reação. Bielsa ganhou a partida através da disposição da equipe, e Marcelino perdeu no seu manejar de peças e pela falta de recursos, desde as laterais. Nenhuma alteração tática, de homens e de posições deram outro rumo à partida. Nulos, todos os sevillistas acompanharam a superioridade basca até o fim do jogo. Isso é mais do que uma decepção. O Sevilla de hoje está em ruínas, se desmanchou feito espuma.

Marcelo Bielsa deu um autêntico nó tático em Marcelino, antes e durante a partida. Não só pela atitude de sua equipe de ir buscar a partida desde o minuto um, enquanto os sevillistas se mantinham à espera de algo indefinido. O que de início parecia uma estratégia defensiva do Athletic, com cinco defensores, prontamente se convertera em uma superioridade avassaladora no meio de campo. Aos quatro meio-campistas bascos, se somavam mais dois alas (Iraola e De Marcos) ante Fazio e Trochowski, pouco ou nada ajudados pelos seus atacantes e longe demais de seus pontas. Então, pouco poderiam fazer. O resultado prontamente deu razão ao Athletic, apesar do gol de Navas e do empate, o que não foi justo de acordo com o que estava sendo visto em campo. Esse gol, que poderia ter sido o motivador sevillista, serviu foi para analgésico. Nem Marcelino e nem os jogadores entendiam o que acontecia, o porquê do domínio, controle de bola e o porquê da superioridade basca.

Atlético de Madrid 3x2 Levante
A uma semana do dérbi da capital, o Atlético de Madrid ressuscitou. A vitória importante contra o Levante deu uma injeção de ânimo aos rojiblancos, que vão com tudo para encarar o Real Madrid no Bernabéu. Reyes, relegado ao banco de reservas para a entrada de Salvio, mostrou por que tem que ser o titular da posição: revolucionou as jogadas ofensivas atleticanas e mudou a cara do jogo. Outro nome que apareceu após muito tempo foi Diego. O brasileiro, que andava sumido, marcou o gol que sentenciou a partida e deu uma aula de maestria no meio-campo. A defesa, entretanto, voltou a falhar. A vitória aconteceu, mas os colchoneros voltaram a deixar mostras de debilidade defensiva. Mesmo sem pouco atacar, o Levante marcou dois. Imagina contra o poderoso ataque do Real Madrid, que tem como principal trunfo o contra-ataque?

Granada 2x1 Mallorca (jogo suspenso)
Quis o destino que, no dia em que a direita espanhola obteve a maior vitória eleitoral pós-Franco, com a vitória absoluta de Mariano Ranjoy, do PP, sobre Zapatero, a violência marcasse a rodada da Liga BBVA. O jogo entre Granada e Mallorca, interrompido aos 18 minutos do segundo tempo com uma vitória momentânea dos andaluzes por 2 a 1, foi suspensa por uma ataque de um aficionado granadense, que jogou um guarda-chuva no bandeirinha. A polícia local foi rápida e logo pegou o "torcedor", que foi retirado do estádio e levado a uma delegacia. Quique Pina, presidente do Granada, informou após o jogo que o responsável pelo acidente é menor de idade (15 anos), que foi levado a uma clínica de reabilitação no fim da noite. O imprevisto aconteceu logo após o gol da virada rojiblanca, marcada por Martins, que homenageou seu filho, com uma doença grave. A RFEF informou hoje que o reinício da partida será jogado com portas fechadas, mas ainda sem uma data definida. A competição multou o Granada em 6 milhões de euros.

domingo, 6 de novembro de 2011

12ª rodada: Quem manda aqui somos nós

O dono da cidade: Valencia vence dérbi local contra o Levante e ultrapassa os rivais na tabela, ficando a quatro pontos do líder Real Madrid. Brigará por título? (getty images)

Três jogos abriram a décima-segunda rodada da Liga BBVA. Entre eles, destaque para o dérbi valenciano mais importante dos últimos anos: Levante e Valencia entraram no Ciutat de Valencia pela primeira vez em um dérbi onde as duas equipes chegavam em posições favoráveis na tabela. O resultado final foi uma decepção para os torcedores granotas: o Levante foi derrotado em casa por 2 a 0 e deixou de vez as primeiras posições. O Valencia, por sua vez, chegou aos 24 pontos e, de praxe, ultrapassou os rivais locais, ganhando moral para o próximo desafio: a quatro pontos do Real Madrid, receberá na próxima rodada os merengues, querendo diminuir a diferença e se estabelecer na briga pelo título. Nos outros jogos, dois 0-0 insonssos entre Mallorca-Sevilla e Bétis-Málaga.

Levante 0x2 Valencia (Victor Mendes)
A cidade de Valencia tem um novo dono: o tradicional Valencia venceu o dérbi local e já está à frente na tabela dos ex-líderes do campeonato. A vitória foi motivo de zoação da Curva Nord, torcida organizada ché, que entoaram após o jogo que "Valencia é blanquinegra!". Em um dérbi quente, o Levante começou melhor e teve a oportunidade de abrir o placar cedo: após boa jogada de Barkero pela direita, Koné chutou de primeira para bela defesa de Guaita. À medida que o Valencia foi tomando conta da posse de bola, os chés começavam a criar mais oportunidades reais. E em uma enfiada de bola sensacional de Tino Costa para Jordi Alba, o lateral saiu na cara de Munúa, mas acabou travado por um desastrado Javi Venta, que marcou contra a própria porteira. Tino Costa ainda viria a aparecer positivamente na segunda etapa: o volante arriscou um chute de longe e Munúa aceitou, no gol que sentenciou o resultado.

O argentino, que inventou o um a zero e marcou o dois a zero, fez uma partida impecável e foi com justiças eleito o melhor em campo. Num período de vacas magras para os armadores do Valencia, com as lesões de Banega e Canales, o argentino substituiu à altura seu compatriota na volância e mostrou a Unai Emery que é uma excelente opção no período de baixa de Banega. Feghouli, substituto de Canales, voltou a fazer uma partida notável: escalado pelo flanco direito no 4-4-2 - tática que foi bastante elogiado pelos críticos espanhóis -, o francês mostrou o futebol que o consagrou no Grenoble e levou a Paterna. Um verdadeiro furacão para Juanfran, que não conseguiu pará-lo em nenhum momento.

Outro ponto destacável na partida ché foi a dupla de zaga formada por Rami e Víctor Ruíz, que vai esbanjando confiança. A atuação soberba da dupla é uma esperança de Unai Emery para parar o poderoso ataque do Real Madrid, próximo adversário do Valencia. Derrotado e, agora, na quarta colocação, o Levante perdeu também a invencibilidade em casa. Juan Ignácio Martínez colocou uma equipe bastante ofensiva, mas seu 4-2-3-1, inicialmente, foi a campo para fechar os espaços blanquinegros. Entretanto, como bem destacou Ballesteros após a partida, faltou aos azulgrenás mais agressividade. Nem de longe o Levante lembrou a equipe que vinha encantando nos jogos anteriores. Acuados, os granotes pareciam sentir o peso de um dérbi importante e foram engolidos por um Valencia que, a cada jogo, vai encontrando o caminho do sucesso.

Mallorca 0x0 Sevilla
O melhor Mallorca desde a chegada de Joaquín Caparrós ao comando técnico balear não foi o suficiente para bater Javi Varas, surpresa mais do que positiva da temporada. Em mais uma grande partida do goleiro andaluz, o Sevilla conseguiu levar um ponto suado a Nervion. Se não vence fora de casa há quatro partidas, ao menos Marcelino Toral tem algo a comemorar: não tem sofrido gols. Escudé e principalmente Spahic têm atuado com bastante solidez e a retranca feita contra o Barcelona já havia sido notável. Um dos méritos do treinador foi ter recuperado o bom futebol de Jesus Navas e se conseguir tal feito com Rakitic seria uma boa. O croata está distante do futebol que o levou à seleção do campeonato passado feito pelo blog no Balanço Final e está longe da forma física ideal. Na ausência de Negredo e Rakitic, o treinador optou estranhamente por jogar com Manu Del Moral na referência. Pelo lado balear, como bem destacou Caparrós, essa é a linha a seguir, mas falta concluir com mais êxitos.

Bétis 0x0 Málaga
Em uma das piores partidas da temporada, Bétis e Málaga fizeram um clássico regional sem nenhuma emoção e sem nenhum gol. O empate teve sabor quase que igual para as duas equipes: enquanto o Málaga vai perdendo o contato com o pelotão da Champions e vê Rayo Vallecano e Espanyol se aproximarem na tabela, o Bétis somou seu sétimo jogo sem conhecer os três pontos. Após viver um paraíso, os verdiblancos já sem veem no inferno: com 13 pontos, está a quatro pontos da primeira equipe da zona de rebaixamento, o Granada. A boa notícia para os anfitriões foi a boa partida da promessa Pozuelo, que começou como titular e saiu de campo aplaudido para a entrada de Matilla. Jogando aberto pela direita, o jogador, que foi comparado a Messi quando mais novo, levou perigo duas vezes à meta de Caballero. O Málaga, por sua vez, sentiu a goleada sofrida para o Levante há quatro rodadas. Desde a partida contra os granotes, quando vivia uma boa fase, os blanquiazules não conseguem atuar com brilhantes. Apesar de ter à disposição jogadores com talento, falta algo a mais para a equipe de Pellegrini, que, pelo incrível que pareça, não está preocupado com os últimos resultados.

domingo, 30 de outubro de 2011

11ª rodada: Tarde do alívio

O sorriso voltou: após três jogos sem marcar, Messi desencantou em alto estilo (getty images)

Nos quatro jogos que abriram a décima-primeira rodada da Liga BBVA, três deles tiveram sabor de redenção, alívio. Na Comunidade Valenciana, Valencia e Villarreal derrotaram Rayo Vallecano e Getafe e voltaram a vencer após três e oitos jogos, respectivamente. Alívio maior para o treinador amarillo Juan Carlos Garrido, que estava muito ameaçado, viu o nome de Rafael Benítez ser bastante especulado e conseguiu tirar a equipe da zona de rebaixamento.

No Camp Nou, o Barcelona voltou a convencer. O "alívio" da vez foi de Messi, que não marcava há três jogos e marcou um triplete, se isolando no Pichichi. No último jogo da noite, a Real Sociedad, que já havia tirado dois pontos do Barcelona, até fez um bom segundo tempo, mas foi castigada pelo primeiro tempo horrível e não conseguiu segurar o Real Madrid no Anoeta. Com a vitória e a derrota do Levante (na segunda parte do resumo), os blancos assumiram a liderança da competição.

Barcelona 5x0 Mallorca
Crise é a palavra certa para definir um meia-atacante (leia-se: não-centroavante) que, mesmo criando oportunidades, não marcava há três partidas? Se, em determinado momento, especulações quanto a Messi foram criadas, sobretudo que ele precisava de descanso por não estar na forma física ideal, La Pulga respondeu os críticos em alto estilo: melhor em campo, anotou um hat-trick em apenas 30 minutos e definiu a goleada do Barcelona. As boas notícias começam a aparecer no ambiente azulgrená: além dos gols de Messi, Guardiola já tem à disposição Puyol e Piqué, que estiveram no banco contra os baleares. Alexis Sánchez, mesmo sem alta, irá voltar na terça-feira contra o Viktória Pilsen, pela Champions League.

Numa data marcado pelas estreias de Raúl e Iniesta - há 17 e 9 anos, respectivamente -, dois canteranos que estão começando a ter chance com Guardiola chamaram a atenção: Cuenca e Deulofeu, visto como grande esperança dos aficionados para ser o chefe de uma próxima geração vitoriosa do Barcelona. O primeiro, que já havia sido titular contra o Granada, foi convocado para uma partida da equipe A pela quarta vez consecutiva e começa a mostrar seus dotes: no início da segunda etapa, recebeu bom passe de Thiago Alcântara, passou por Aouate e marcou seu primeiro gol com a camisa azulgrená. O hispano-brasileiro, aliás, foi indicado ao prêmio Golden Boy, entregue pelos italianos do Tuttosport. Segundo a imprensa espanhola especula, Thiago é o favorito para receber o prêmio, que já foi conquistado por Messi (2005) e Fàbregas (2006).

Derrotado, o Mallorca chegou ao Camp Nou animado. Impussionados pelos seus últimos resultados, os baleares, contudo, decepcionaram. Acuados, não levaram perigo à meta de Valdés em nenhum momento e correram atrás da bola os noventa minutos. Na última temporada, o Mallorca de Laudrup havia tirado pontos do Barcelona na Catalunha, mas dessa vez foi bem diferente: mesmo sem Iniesta, Fàbregas, Xavi, Pedro, Puyol e Piqué, o Barcelona voltou a ser dominante e não deu espaços aos isleños.

Villarreal 2x0 Rayo Vallecano
A tarde do alívio foi a melhor possível para o Villarreal. Após quebrar a racha negativa de oito jogos sem vitória, o Submarino Amarelo também deixou a zona de rebaixamento. Na semana em que a imprensa inglesa especulou com força que Benítez poderia substituir Garrido no comando técnico amarillo, o treinador voltou a escalar o 4-2-3-1 da partida contra o Real Madrid. Borja Valero, nome da partida, atuou mais centralizado, no suporte a Marco Rúben. Pelo lado franjiroyo, a equipe do treinador José Ramón Sandoval teve uma maior posse de bola e o domínio territorial em boa parte da segunda etapa. Mas a lesão de Tamudo fez com que a boa partida rayista caísse por água baixa. Sem referência na frente, o Rayo viu o ímpeto do Villarreal crescer. A dupla de zaga composta por Jordi e Arribas também se comportava bem, mas o gol de Bruno evidenciou os problemas que a equipe passa pelo alto.

Ironicamente, o Villarreal voltou a vencer justamente sem seus dois principais jogadores: lesionados, Rossi e Nilmar só voltarão a jogar juntos na próxima temporada, já que o ítalo-americano rompeu o ligamento do tendão esquerdo na partida contra o Real Madrid e só volta em 2012/2013. Mesmo com a vitória, a praga de lesões continua: Camunãs, Cani, Marcos Senna e Marco Rúben se lesionaram e estão de fora do jogo decisivo contra o Manchester City. Situação preocupante é a de Cani, que irá ficar seis semanas fora. Sem três atacantes de ofício disponível, Garrido só tem à disposição o chileno Hernán Pérez.

Real Sociedad 0x1 Real Madrid
A comemoração de Mourinho após o apito final do árbitro Undiano Mallenco representa bem o que foi o jogo em San Sebastián. Um tempo bom de cada equipe e uma maior eficiência do Real Madrid definiu a vitória blanca. Melhor na primeira etapa, os merengues conseguiram o gol da vitória logo aos oito minutos, com Higuaín. O gol do argentino jogou por água abaixo a proposta de jogo de Phillipe Montanier: com cinco jogadores de defesa e dois volantes defensivos (atuou no 5-4-1), o francês mudou totalmente seu estilo de jogo para tentar parar o Real Madrid; mas acabou castigado com o gol cedo de La Pipita. A má fase dos atacantes txuri-urdin continuam: já são cinco jogos sem marcar e, nos últimos cinco gols, os artífices foram os jogadores de defesa.

Com a vitória, que garantiu consequentemente a liderança momentânea aos blancos, o Real Madrid encerrou um outubro perfeito. No mês 10, foram seis vitórias em seis jogos, com uma parcial de 20 gols pró e um gol contra. A melhor notícia que poderia receber Mourinho foi, sem dúvidas, a volta do bom futebol de Kaká. Outubro é um mês mágico para Mourinho: a última derrota do treinador de Setubal nesse mês foi para o Manchester City, em 2006, quando Mou ainda treinava o Chelsea. Nas quatro linhas, partida notável de Fábio Coentrão. Com Marcelo poupado, o português jogou pela segunda vez na lateral (a primeira foi no superclássico contra o Barcelona) e, ao contrário da partida no Camp Nou, mostrou boas facetas. Participou constantemente das jogadas ofensivas e protegeu o lado esquerdo da defesa com eficiência. Estrada e, depois, Griezmann não conseguiram bordar por ali.

Valencia 3x1 Getafe
Após três jogos sem vitória, o Valencia voltou a vencer, e com um protagonista inesperado: o francês Feghouli aproveitou bem a chance dada por Unai Emery e marcou duas vezes, sendo o responsável pela vitória ché. O autor do terceiro gol também andava sumido: após um início de temporada turbulento, com direito a expulsão e afastamento, Aduriz voltou a se reencontrar com as redes, num momento no qual o Getafe parecia mais próximo do empate do que o Valencia do terceiro gol. Os azulones sentiram a falta de seu principal destaque neste início de Liga, Pedro León. O meio-campista lesionou o joelho esquerdo e foi operado em Barcelona neste final de semana, ficando de fora dos gramados por dois meses.

No lado valenciano, mais uma partida excepcional de Banega. Após a lesão de Canales, o argentino ficou sobrecarregado de armar as jogadas, mas não tem decepcionado. Após começar a temporada de uma maneira preguiçosa, o camisa dez vem atuando muito bem, e voltou a ganhar moral com a torcida. Para substituir Canales, o Valencia está próximo de fechar com o mexicano Andrés Guardado, do Deportivo. O meio-campista já afirmou que não irá renovar contrato com o clube galego e, segundo informou a Cadena Ser neste final de semana, o clube valenciano já iniciou as negociações com o agente do jogador para assinar um pré-contrato com o clube. Ainda que não tenha a característica de um armador, Guardado cairia como uma luva num meio-campo que ainda não viu Piatti engrenar.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Mais problemas

A família Nadal, representada por Miguel Ángel Nadal, se desligou do Mallorca: os problemas não param (Marca)

As diversas desavenças entre Michael Laudrup, ex-treinador do Mallorca, e Serra Ferrer, vice-presidente do clube, valeu o cargo do dinamarquês, que foi oficialmente demitido do clube de Palma de Mallorca no início da semana passada. Em sua despedida, o ex-jogador afirmou, entre inúmeros motivos de sua decisão de deixar o cargo de treinador, que não concordava com a política de contratações do clube, que, segundo ele, não cumpriu com as palavras ditas antes do início da temporada.

A decisão de Laudrup de deixar o clube aconteceu um dia depois do seu assistente Erik Larsen ser demitido por dizer que Serra Ferrer é uma "pessoa ruim". O ex-jogador dinamarquês tinha criticado a decisão do clube de vender vários jogadores, incluindo o atacante Pierre Webó e o meio-campista Jonathan De Guzman durante a última janela de transferências. O clube de Palma de Mallorca é um dos vários da Espanha que teve de buscar proteção contra a falência nos últimos anos (lembrem-se da perda da vaga na Liga Europa passada, por dívidas enormes com a Uefa e o governo espanhol). Sua nova diretoria, portanto, adotou uma política de austeridade. "Eu não vim aqui pelo dinheiro. Eu vim porque era um bom projeto", disse Laudrup, em suas palavras finais.

Os problemas internos, que quase minaram as duas últimas temporadas do Mallorca, continuam imperando no clube mallorquino. Logo após a demissão de Laudrup, membros da Federação de Peñas Mallorquistas se reuniram nos arredores do Iberostar Estadio para discutir sobre os problemas do club. Em um dos assuntos em pauta, os sócios-torcedores chegaram a um consenso unanime e pediram, diretamente ao clube, a demissão de um dos conselheiros da chapa de Ferrer, Gabriel Cerdàs, que, segundo eles, não tem respeito a imagem do clube e aos outros membros da comissão técnica. Apesar do clima de tensão pairando sobre o ambiente do Mallorca, em uma reunião entre os dirigentes do clube nenhum membro da comissão-técnica foi demitido, apesar do pedido das peñas e da especulação da imprensa espanhola de que Ferrer iria demitir Pedro Terrasa, diretor geral do clube que foi acusado publicamente pelo vice-presidente pelo principal responsável pela crise interna com a qual vive o clube.

Para completar uma crise sem fim, a família Nadal, representada pelo ex-jogador Miguel Ángel Nadal, se desligou oficialmente do clube, em anúncio feito hoje à tarde, como o Marca havia especulado há uma semana. "Lamentamos a imagem que está sendo projetada nestes últimos dias", afirmou o presidente do Mallorca, Jaume Cladera, que garantiu que, apesar das divergências, a família do tenista Rafael Nadal seguirá tendo 10% das ações do clube. Os problemas extracampo, contudo, não vêm afetando muito o desempenho dos baleares dentro de campo: os bermellones ocupam a décima-colocação, com duas vitórias, um empate e três derrotas.

Injeção de ânimo?

Em 2004, Ferrer era presidente do Bétis e Caparrós treinador do Sevilla. Hoje, os dois estarão do mesmo lado no clube balear (LFP)

Para o lugar de Michael Laudrup, Serra Ferrer anunciou na última quinta-feira um velho conhecido dele e do futebol espanhol: o andaluz Joaquín Caparrós, ex-Deportivo, Sevilla e Athletic Bilbao. Coincidentemente, o vice-presidente do Mallorca é sócio do Bétis, enquanto o novo treinador é sócio do Sevilla. Durante a temporada 2004/2005, os dois se "encontraram" no outro lado da moeda: enquanto Ferrer caminhava para sua segunda temporada à frente da presidência verdiblanca, Caparrós acumulava êxitos com os nervionenses. Os dois nunca foram amigos, é verdade, mas sempre manteram a educação em público. Agora, "jogarão" juntos no mesmo lado por um único motivo: ajudar o Mallorca.

Em campo, Caparrós, que costuma utilizar o 4-4-2 com dois volantes e dois meias no suporte aos atacantes, deverá apostar no 4-2-3-1 variando para o 4-1-4-1 de Laudrup. A defesa deverá seguir a mesma com o canterano Pedro Bigas na esquerda, enquanto Cáceres e Kevin não voltarem de suas respectivas lesões. O meio-campo, aliás, deverá ter algumas alterações: Michel Pereira deverá aparecer no lugar de Nsue, que iniciou muito mal a temporada, e Alfaro deve ser deslocado para a linha de três, abrindo espaço para Victor no ataque. Os primeiros jogos de Caparrós sob o comando rojo irá requer uma série de atenção e concentração: Valencia, Atlético de Madrid, Sporting Gijón e Barcelona. Uma prova de fogo para o treinador.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Guia: Liga BBVA, parte 1

Atual tricampeão, o Barcelona segue como favorito para mais um título espanhol (reuters)

Se a AFE e a LFP entrarem em acordo, a greve do futebol espanhol irá chegar ao fim e, enfim, a Liga BBVA irá dar seu pontapé. Se confirmado o fim da huelga, Sporting Gijón e Real Sociedad entrarão no El Molinón, nas Astúrias, para abrir oficialmente a temporada 2011/2012 da primeira divisão espanhola. A novidade nos bastidores em relação às temporadas passadas está nos horários da partida. A fim de mais atenção no mercado asiático, a RFEF preparou o domingo de Liga BBVA com cinco horários diferentes (todos no horário de brasília: 07h, 11h, 13h, 15h e 17h), além de partida as segundas.

Em campo, na parte de cima, algo não muda: Barcelona e Real Madrid seguem como máximo favoritos ao título da competição. Enquanto o Barcelona manteve a base tricampeã espanhola e campeão europeu na temporada passada, Mourinho, novo manager do Real Madrid, teve todos os pedidos de contratações atendido e tem em mãos um Real Madrid mais forte em relação à temporada passada.

Em tese, a terceira força espanhola nesta temporada é o Málaga, bastante reforçado, que não jogará nenhuma competição europeia e se dedicará inteiramente ao campeonato. Segunda equipe que mais contratou no mercado, os blanquaizules prometem brigar pau-a-pau com Valencia, Villarreal, Sevilla e Atlético de Madrid por uma das vagas na Champions League. Este último também promete uma temporada melhor: após perder De Gea e Agüero, a cúpula colchonera não perdeu tempo e, com o dinheiro da venda dos dois, reforçou o Atléti com Falcão García e Rúben Micael, além do brasileiro Diego, que chega para ser o armador que a equipe necessitava. Alguém aposta no Athletic Bilbao surpreendendo?

Assim como para a Liga Adelante, o Quatro Tiempos montou um preview do campeonato, dividido em duas partes, e com um convidade especial: Pierre Andrade, editor-chefe do site Futebol Espanhol. A segunda parte entra ao ar amanhã. Recomendamos também o guia da Trivela, dividido em duas partes, que foi produzido por Ubiratan Leal. Para ver o preview da Liga Adelante, escrito por Victor Mendes, clique aqui (parte 1) e aqui (parte 2). Boa leitura!

Atualizado: A LFP e a AFE chegaram a um acordo e a greve está terminada. Teremos rodada no final de semana.


Athletic Bilbao (Victor Mendes)
Cidade: Bilbao, País Basco.
Estádio: San Mamés (Catedral)
Em 2010/2011: 6º colocado, classificado à Liga Europa.
O cara: Fernando Llorente (atacante, foto).
O treinador: Marcelo Bielsa
A promessa: Ibai Gómez (atacante)
Principal reforço: Ander Herrera (Zaragoza)
Principal perda: Ustaritz (Real Bétis)
Objetivo: vaga na Liga Europa
Time base (4-4-2): Iraizoz; Iraola, Mikel San José, Amorebieta, Gabilondo; Gurpegui, Javi Martínez, Ander Herrera, Susaeta; Toquero, Llorente.

O novo presidente do clube, Josu Urrutia, resolveu apostar na base que vem de bons resultados nas últimas duas temporadas e que conquistou a vaga na Liga Europa em 2010/2011. No mercado de reposição, apenas um jogador chegou: o bom volante Ander Herrera, destaque do Zaragoza na temporada passada e autor de um excelente europeu sub-21. Entretanto, o Athletic Bilbao é uma incógnita. Os leones vêm de trabalhos consistentes sob o comando de Joaquín Caparrós, mas mudou a diretoria e a filosofia do departamento de futebol, além de Marcelo Bielsa chegar ao comando técnico para substituir Caparrós.

Com o chileno, há quem especula que os euskaras possam jogar no 3-4-3, tática preferida do treinador. Entretanto, no primeiro teste da temporada, contra o Trabzonspor, o 4-4-2 da época de Caparrós foi mantido. A força da equipe continuará concentrada no meio-campo e no ataque, onde Fernando Llorente será mais uma vez a referência. Após muitas investidas da Premier League (principalmente do Tottenham), El Rey León decidiu ficar. Atenção também para Muniain: com ficha especial para a equipe A, El Principe irá aparecer mais vezes na equipe titular nesta temporada. Aurtenetxe e Borja Ekiza foram os outros jovens inseridos no elenco principal.

Atlético de Madrid (Pierre Andrade)
Cidade: Madrid
Estádio: Vicente Calderón
Em 2010/2011: 7º colocado
O cara: Falcão Garcia (atacante)
O treinador: Gregório Manzano
A promessa: Pedro Martí (atacante)
Principal reforço: Falcão Garcia (Porto)
Principal perda: Kun Agüero (Manchester City)
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Time base (4-3-3): Joel; Silvio, Godín, Dominguez, Filipe Luís; Mario Suárez, Gabi, Tiago; Reyes, Arda Turan, Falcão

Entra ano, sai ano, o Atlético de Madrid começa a temporada como possível terceiro colocado e termina de forma surpreendente. Positivamente ou não. E nesta não deve ser diferente. José Luis Caminero assumiu o cargo de Secretário Esportivo do clube e decidiu implantar uma reformulação. Para isso, investiu em jogadores novos e com potencial. E é assim que o Atlético tem reconstruído o time desde que Agüero, Forlán e De Gea decidiram deixar a ribeira de Manzanares rumo a voos maiores.

Para reforçar o elenco, chegaram Falcão, Arda Turan, Adrián, Gabi, Silvio, Courtois, Miranda e Salvio. Quase um time inteiro. E ainda pode chegar mais alguns. Mesmo assim, a torcida anda bem pessimista para a próxima temporada. Após sonhar com Rafa Benítez no comando do time, Gregorio Manzano não foi bem digerido, e tentará a todos custo apaga a má impressão deixada na temporada 2003/04, quando dirigiu a equipe a uma modesta sétima colocação.

Barcelona (Victor Mendes)
Cidade: Barcelona, Catalunha
Estádio: Camp Nou
Em 2010/2011: 1º colocado, campeão
O cara: Lionel Messi
O treinador: Josep Guardiola
A promessa: Thiago Alcântara (meio-campista)
Principal reforço: Francesc Fàbregas (Arsenal)
Principal perda: Bojan Krkic (Roma)
Objetivo: título
Time base (4-3-1-2): Víctor Valdés; Daniel Alves, Piqué, Puyol, Abidal; Busquets, Xavi, Iniesta; Messi; Villa, Pedro.

Melhor equipe do mundo, o Barcelona continua o time a ser batido tanto em âmbito nacional quanto na Europa. A base campeã europeia foi mantida e dois jogadores de nível chegaram para brigar por uma vaga na equipe titular: Alexis Sánchez e Cesc Fàbregas. Com o fim da novela Fàbregas, Guardiola está, fatalmente, com uma dor de cabeça enorme para encaixá-lo no onze inicial. A ascensão de Thiago também dará uma versatilidade maior no setor de armação. Já falamos sobre a possibilidade de uma mudança tática, mas nos primeiros jogos da temporada, Guardiola não pareceu muito adepto a trocar uma fórmula que ele mesmo construiu.

A zaga, entretanto, não teve uma atenção maior no mercado: com Puyol e Piqué passando por muitos problemas físicos, as improvisações de Abidal e Mascherano (vista com frequência no final da temporada passada) continuarão acontecendo. Thiago Silva foi especulado com força e chegou, inclusive, a noticiar que estava negocionado com os blaugrana, mas o Milan não liberou o brasileiro. Fontás foi promovido à equipe principal, mas Milito deixou a equipe rumo ao Indepediente. No mais, o estilo de jogo continua o mesmo. É favorito a qualquer competição que venha a disputar.


Bétis (Rodrigo Zuckerman)
Cidade: Sevilha, Andaluzia.
Estádio: Benito Villamarín.
Em 2010/2011: campeão da Liga Adelante
O cara: Jonathan Pereira (atacante, foto)
O treinador: Pepe Mel
A promessa: Ezequiel Calvente (meio-campista)
Principal reforço: Ustaritz (Athletic Bilbao)
Principal perda: Emana (Al-Hillal)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-4-2): Casto; Isidoro, Chica, Ustaritz, Nelson; Aruz, Iriney, Mario, Momo; Jonathan Pereira, Molina.

Após duas temporadas no purgatório, o Bétis volta à Liga BBVA de ares renovados e sem muitas ambições. O mercado verdiblanco foi bastante elogiado: com a grana muito curta e tendo que vender algumas peças-chaves do título da Liga Adelante, o Bétis soube contratar e trouxe bons valores, sobretudo para a zaga, setor não muito confiável na temporada passada. As chegadas de Ustaritz e Chica para formar a dupla de zaga titular dará um bom upgrade na equipe andaluz. Jogadores de nome – e que tinham muito peso na folha salarial – finalmente deixaram o clube, como Emana, Belenguer e Odonkor.

Para o ataque, Jonathan Pereira irá substituir Emana como principal referência na frente. Para fazer dupla com o camisa nove, três nomes irão disputar uma vaga: o recém-chegado Jefferson Monteiro, além de Molina e Ruben Casto. Molina larga na frente por ter sido o segundo principal artilheiro do elenco na temporada passada, mas o baixinho abusado e o veloz equatoriano estão firme na disputa. Resta aos torcedores a esperança de que o elenco encontre um padrão de jogo rapidamente para se consolidar no meio da tabela.

Espanyol (Rodrigo Zuckerman)
Cidade: Barcelona, Catalunha
Estádio: Cornellà El-Prat
Em 2010/2011: 8º colocado
O cara: Luis García (atacante)
O treinador: Maurício Pochettino
A promessa: Thievy (atacante)
Principal reforço: Albín (Getafe)
Principal perda: Osvaldo (Roma)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-2-3-1): Kameni; Galán; Dídac Vila, Forlín, Mattioni; Baena, Javi López; Dátolo, Verdú, Albín; Luis García.

Após falhar na hora que não poderia na temporada passada, o Espanyol jogou fora a tentativa de chegar a uma competição europeia. Na atual temporada, as notícias não são tão animadoras. Callejón e Osvaldo, principais jogadores da equipe, não estavam muito satisfeito com a situação econômica do clube e rumaram para Real Madrid e Roma, respectivamente. A base da equipe titular em 2010/2011 foi mantida, mas o elenco ainda continua bastante curto. A falta de reposição sabotou a campanha passada quando o departamento médico começou a ficar cheio, um risco que continua forte em Cornellà-El Prat.

A defesa é inexperiente, mas tem nomes promissores como Felipe Mattioni, Héctor Moreno, Dídac (emprestado pelo Milan) e Raúl Rodríguez. Verdù e Dátolo estruturam o meio-campo e o ataque tem capitão Luis García. Albín, principal contratação do clube no verão, chega com a responsabilidade de ser o substituto natural de De La Peña, que se aposentou, e Callejón. Se a condição física do time seguir boa durante o ano todo, os pericos darão trabalho aos grandes.

Getafe (Rodrigo Zuckerman)
Cidade: Madrid
Estádio: Coliseum Alfonso Pérez
Em 2010/2011: 16º colocado
O cara: Guiza (atacante)
O treinador: Luis García
A promessa: Pablo Sarabia (meio-campista)
Principal reforço: Guiza (Fenerbahçe)
Principal perda: Dani Parejo (Valencia)
Objetivo: vaga na Liga Europa
Time base (4-2-3-1): Codina; Cata Díaz, Lopo, Mané, Miguel Torres; Casquero, Juan Rodríguez; Diego Castro, Lacen, Pedro Ríos; Guiza.

Após uma temporada infernal, a diretoria do Getafe agiu bem para que a equipe volte a brigar por Liga Europa. As perdas de Dani Parejo e Albín serão consideráveis em campo, é claro, mas as peças de reposições tem tudo para substituir à altura a dupla. Guiza, confirmado nesta semana, chega para ser titular e com promessas de gols. Artilheiro da Liga BBVA em 2007/2008, o atacante quer voltar à Fúria e, provavelmente, auxiliado por um ótimo Diego Castro, tem tudo para balançar muitas vezes as redes adversárias.

O meio-campo é o setor mais forte da equipe: totalmente reformulado, conta com nove jogadores à disposição de Luis García. O presidente Ángel López tem bastante méritos no bom mercado feito pela equipe do subúrbio Madrid: dos dez jogadores contratados no verão, metade deles foram a custo zero. As promessas Sarabia (Real Madrid) e Albertazzi (Milan) chegam para brigar por vaga na equipe titular, o que pode fazer Luis García pensar em uma mudança de módulo. O 4-4-2 pode ser uma opção, com Arizmendí ou Adrián Colunga fazendo dupla com Guiza.


Granada (Cláudio Araujo)
Cidade: Granada, Andaluzia.
Estádio: Los Carménes
Em 2010/2011: campeão dos play-offs de acesso da Liga Adelante
O cara: Alex Geijo (atacante, foto)
O treinador: Fabriciano González
A promessa: Nyom (zagueiro)
Principal reforço: Pamarot (Hércules)
Principal perda: Jonathan Mensah (Arles-Avignon)
Objetivo: luta contra o rebaixamento
Time base (4-4-2): Figueiras; Cortés, Pamarot, Mainz, Guilherme; Romero, Lucena, Abel Gómez, Benítez; Geijo, Mollo.

Depois do título dos play-offs da Liga Adelante, o Granada de Geijo retorna à primeira divisão espanhola após 44 anos com ambições em médio prazo, mas para isso terá antes de se safar de voltar de onde veio. Fabriciano já tem o elenco em suas mãos e agora terá trabalho para encaixar nomes que chegam para o time titular.

Pamarot e Cortés (vindos do Hércules) chegam para serem titulares na zaga, enquanto na frente Alex Geijo continuará sendo a esperança de gols. O promissor Molo faz Fabriciano apostar num esquema diferente do utilizado na Liga Adelante: o 4-4-2, em dentrimento do 4-5-1 utilizado na temporada passada. Os andaluzes jogaram um dos futebol mais vistoso da segunda divisão espanhola em 2010/2011, mas precisa de um algo a mais para a disputa da elite. Um bom meia para jogar pelo flanco direito seria uma opção.

Levante (Victor Mendes)
Cidade: Valencia, Comunidade Valenciana
Estádio: Ciudad de Valencia
Em 2010/2011: 15º colocado
O cara: Barkero (meio-campista)
O treinador: Juan Ignacio Martinez
A promessa: El-Zhar (atacante)
Principal reforço: Barkero (Numancia)
Principal perda: Caicedo (Lokomotiv de Moscou)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-4-2): Munúa; Ballesteros, Javi Venta, Nano, Del Horno; Farinós, Barkero, Pallardó, Xavi Torres; Rubén Suárez, Aranda.

Em 2010/2011, após um excelente segundo turno, o Levante conseguiu a manunteção na elite espanhola. Os gols de Caicedo foram extremamente necessários para o objetivo dos blaugrana, até então treinados por Luis García. Entretanto, os dois principais nomes da campanha valenciana na temporada passada já não integram mais a concentração da equipe. Para o lugar de Caicedo, o bom Aranda (Osasuna) chega para assumir a vaga de titular no ataque.

O franco-marroquino El Zhar (Liverpool) e o atacante brasileiro Wellington (18 anos, revelado no Fluminense, com passagem pelas categorias de base do Arsenal) podem ser boas surpresas. A política de contratação do clube segue a mesma tendência dos anos anteriores: a contratação de jogadores mais experientes. Se repetir o bom futebol do segundo turno da temporada passada, os granotes conseguirão pela segunda vez consecutiva a permanência na Liga BBVA.


Málaga (Victor Mendes)
Cidade: Málaga, Andaluzia
Estádio: La Rosaleda
Em 2010/2011: 11º colocado
O cara: Júlio Baptista (meio-campista, foto)
O treinador: Manuel Pellegrini
A promessa:Isco Román (atacante)
Principal reforço: Van Nistelrooy (Hamburgo)
Principal perda: Quincy (Al-Sadd)
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Time base (4-2-3-1): Caballero; Gamez, Demichelis, Mathijsen, Monreal; Camacho, Toulalan; Joaquín, Cazorla, Júlio Baptista; Van Nistelrooy.

60 milhões de euros foram gastos pelo sheikh Abdullah Al-Thani para reforçar o Málaga, equipe que mais chamou a atenção no mercado. Na temporada passada, recebeu uma onda de investimentos para escapar do rebaixamento. Agora, chegaram jogadores no atacado para buscar a Liga dos Campeões. E é preciso se dar um crédito aos malaguistas: escolheram bons nomes. Cazorla, Toulalan e Buonanotte dão talento e juventude ao meio-campo. A defesa, com Demichelis e Mathijsen, é um pouco pesada, mas o time tem elementos para brigar no segundo escalão do Campeonato Espanhol.

Adepto do 4-2-3-1, Pellegrini terá "problemas" para escalar a equipe na nova temporada. Com muitos jogadores de bom valor no meio-campo, disputas para o time titular estão em aberto. Nas coletivas da pré-temporada, o chileno tem procurado dizer que não há nada em mente para a estreia na Liga - que ironicamente será contra o Barcelona. Nem mesmo Júlio Baptista, grande herói na temporada passada, está com a sua vaga cravada na equipe titular, mesmo após, ao término de 2010/2011, Pellegrini ter dito que seria eternamente grato ao brasileiro. Rondón, artilheiro da equipe na Liga passada, irá disputar uma vaga no ataque com van Nistelrooy, que vem se destacando na pré-temporada. O elenco já está fechado; as interrogações, abertas.