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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Guia: Liga BBVA (parte 2)

Na segunda parte do nosso guia para a temporada feito em parceria com Pierre Andrade e Edgley Lemos, do site Futebol Espanhol, damos destaque a mais dez equipes que jogarão a Liga BBVA 2012/2011. Hoje, falaremos do atual campeão Real Madrid, que quebrou a hegemonia do Barcelona após três anos, além do Valencia, o "humano" mais forte, e da dupla andaluza Sevilla, incógnita total, e Málaga, abalado por uma crise interna e externa que durou o verão inteiro. A primeira parte você pode ler aqui. Boa leitura!

Málaga (Victor Mendes)
Cidade: Málaga, Andaluzia
Estádio: La Rosaleda
Em 2011/2012: 4º colocado
O cara: Isco Román (meio-campista, foto)
O treinador: Manuel Pellegrinni
A promessa: Juanmi (atacante)
Principal reforço: -
Principal perda: Santi Cazorla (meio-campista, Arsenal)
Objetivo: vaga em alguma competição europeia
Time base (4-2-3-1): Caballero; Jesus Gámez, Demichelis, Weligton, Monreal; Maresca, Toulalan; Joaquín, Isco, Portillo; Seba Fernández.

Maio de 2012. O Málaga derrota o Sporting Gijón no La Rosaleda por 1x0, gol de Rondón, e sacramenta a quarta vaga para a Uefa Champions League. Nenhum torcedor presente no estádio naquela festa histórica imaginaria que, menos de quatro meses depois, a situação seria dialmetralmente oposto àquela vivida em 2011/2012. Após um ano para firmar na história do clube, a entidade andaluza viveu um verão terrível: o sheikh Abdullah-Al Thani deixou de investir, chegou a, segundo fontes do El Desmarque, colocar o clube à venda, viu quatro jogadores denunciarem o clube à AFE por atraso no salários e, ainda por cima, foi acusado por Villarreal, Osasuna e River Plate por falta do pagamento das compras de Cazorla, Monreal e Buonanotte, respectivamente. A instituição feriu.

As saídas de Cazorla, Rondón e Mathijsen e a péssima pré-temporada é uma tragédia anunciada. Toulalan e Júlio Baptista, lesionados, serão reforços urgentes quando voltarem, mas Pellegrinni sabe o quanto farão falta neste início de temporada: daqui a uma semana, os blanquiazules encaram o Panathinaikos pelo jogo de ida da pré-UCL. O momento é tão ruim que não houve nenhuma aquisição no mercado. Atualmente, falta um zagueiro confiável, um criador de jogadas e um atacante com faro de gol, justamente onde os três que saíram se encaixam. Ou seja, não há alternativas a eles. Pensar em rebaixamento é exagero, mas o objetivo da equipe hoje é uma vaga na Liga Europa, pois está muito abaixo dos candidatos à Champions.

Mallorca (Edgley Lemos)
Cidade: Palma de Mallorca
Estádio: Iberostar
Em 2011/2012: 8º colocado
O cara: José Luís Martí (meio-campista, foto)
O treinador: Joaquín Caparrós
A promessa: Nsue (atacante)
Principal reforço: Antonio López (lateral-esquerdo, Atlético de Madrid)
Principal perda: Gonzalo Castro (meia-atacante, Real Sociedad)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-2-3-1): Aouate; Nsue, Nunes, Bigas, Antonio López; Martí, Javi Márquez; Pereira, Hemed, Alfaro; Víctor.

O Mallorca sofreu um grande êxodo de jogadores ao fim da última temporada: os três principais zagueiros da equipe (Ramis, Chico e Martí Crespí) foram embora. No meio-campo, Tissone, De Guzmán, Chori Castro e Sérgio Tejera deixaram o clube. E como se já não fosse o bastante, a crise econômica que assola a Espanha ainda dificulta as movimentações da equipe no mercado. Apesar da situação caótica, o presidente Serra Ferrer conseguiu contratar Antonio López, lateral esquerdo que estava no Atlético de Madrid, o atacante Arizmendi, vindo do Getafe, e o meio-campista Javi Márquez, cria das canteras do Espanyol. Ferrer ainda prometeu dois zagueiros e um atacante antes da estreia do clube no campeonato.

Caparrós está consciente de que o dinheiro está curtíssimo e de que terá um elenco enxuto para o resto da temporada, por isso improvisou o canterano Pedro Bigas na zaga junto com o lateral Nelson, durante a pré-temporada da equipe. Os torcedores esperam que ao menos se possa ficar no meio da tabela e não ter de passar a angustia de lutar contra o rebaixamento. Solidez e experiência são as palavras que definem a nova versão do Mallorca.

Osasuna (Edgley Lemos)
Cidade: Pamplona, Navarra
Estádio: Reyno de Navarra
Em 2011/2012: 7º
O cara: Puñal (meio-campo)
O treinador: José Luis Mendilíbar
A promessa: Sisi (meio-campo)
Principal reforço: Joseba Llorente (atacante, Real Sociedad)
Principal perda: Raul García (meio-campista, Atlético de Madrid)
Objetivo: Liga Europa
Time base (4-2-3-1): Fernández; Bertrán, Flaño, Rubén, Echaide; Nekounam, Puñal; Sisi, Cejudo, Armenteros; Kike Sola.

Há pelo menos duas temporadas o Osasuna vem fazendo temporadas de meio de tabela para cima. Um dos responsáveis por isso é o treinador Mendilíbar e o outro é o estádio Reyno de Navarra. O técnico faz bom trabalho com os rojillos, que têm um elenco limitado, mas que jogando em seus domínios são praticamente impossível de se bater. No entanto, para esta temporada, a equipe perdeu um dos elementos chave da equipe. Raul García retornou ao Atlético de Madrid, após o término de seu contrato de empréstimo. 

Para repor a saída do meio-campista o Osasuna trouxe Sisi, ex-meio-campo do Valladolid, e Armenteros, meia que estava no Rayo Vallecano. Para o ataque chegou Joseba Llorente, da Real Sociedad, atacante experiente e que pode até fazer dupla com Kike Sola, num 4-4-2. Mendilíbar dificilmente conseguirá substituir Raul García à altura, mas ao menos reforça bem o meio-campo e a defesa, para que a temporada seja tão sólida quanto à última. O objetivo é a Liga Europa, certamente, que escapou por pouco na última temporada.

Rayo Vallecano (Victor Mendes)
Cidade: Vallecas, Madrid
Estádio: Teresa Rivero
Em 2011/2012: 15º colocado
O cara: Javi Fuego (volante, foto)
O treinador: Paco Jémez
A promessa: José Manuel Alcañiz (zagueiro)
Principal reforço: Adrián (volante, Racing Santander)
Principal perda: Michu (meia-atacante, Swansea)
Objetivo: permanência na elite
Time base (4-2-3-1): Rubén; Tito, Amat, Gálvez, Casado; Javi Fuego, Adrián; Lass, José Carlos, Piti; Nicki Bille.

Paco Jémez estreia como treinador de um time de primeira divisão com a árdua tarefa de repetir o milagre que operou Sandoval na temporada passada, na qual o Rayo conseguiu a permanência na elite na última rodada graças a um gol de Tamudo no último piscar da bola. Agora, o buraco é mais embaixo: o elenco é inferior em relação ao que sofreu em 2011/2012 e várias peças-chaves saíram, como Diego Costa, Armenteros, Arribas, Movillas e Michu, principal jogador franjiroyo por dois anos. As continuidades de Javi Fuego e Lass, por outro lado, é a melhor notícia que Paco pôde receber no verão.

Em uma situação econômica delicada, o clube de Vallecas fez um mercado acessível. As contratações de Jordi Amat e Galvez darão segurança à zaga, enquanto Adrián e José Carlos oferecerão qualidades ao meio-campo. A referência é o problema. Sem Diego Costa e Michu, a diretoria fechou com Nickie Billie, que não é uma resposta à altura a perda da dupla. O elenco não é homogêneo, sem muitas opções, foi a pedra do sapato do Rayo na temporada passada e certamente irá voltar a incomodar. Paco, por exemplo, só conta com cinco jogadores à disposição para a defesa. 

Real Madrid (Edgley Lemos)
Cidade: Madrid
Estádio: Santiago Bernabéu
Em 2011/2012: campeão
O cara: Cristiano Ronaldo (meia-atacante, foto)
O treinador: José Mourinho
A promessa: Morata (atacante)
Principal reforço: -
Principal perda: -
Objetivo: título
Time base (4-2-3-1): Casillas; Arbeloa, Pepe, Sergio Ramos, Marcelo; Khedira, Xabi Alonso; Di María, Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema.

Com o título da última temporada, o Real Madrid tem novamente a pressão sobre os ombros. Dessa vez o desafio é manter-se como campeão. Para isso, Mourinho manteve a base do time e se desfez apenas dos jogadores que “ocupavam espaço” no elenco. Pedro Léon, Gago e Altintop deixaram o clube. Dos três, apenas Gago ainda poderia ter chances no elenco, pois, se Khedira se lesionar, Lass sofre com problemas físicos e pode não estar em forma para substituí-lo à altura. Com a provável chegada de Modric, Sahin deve perder mais espaço e também seguir caminho longe de Madrid, mais próximo de Londres (Arsenal) ou Liverpool. Morata, atacante da base, foi promovido ao time principal e é bom ficar de olho, pois o jovem fez boa temporada pelo Real Madrid Castilla (que irá disputar a Liga Adelante) e deseja se firmar no elenco principal.

Mourinho tem consciência de que o título da Liga dos Campeões lhe escapou pelos dedos e que para voltar a competição com chances de ser campeão é preciso ter um time forte. O Real Madrid, junto ao Barcelona, é o time mais forte a disputar a Champions, então basta manter a base da última temporada e reforçar as posições carentes.  E a única posição carente é a lateral direita, que Mourinho delega a Arbeloa, seu jogador de confiança para a posição. O lateral se valorizou com o treinador após a Eurocopa e continua firma na equipe titular. Seu substituto é caseiro: o gajo teria se interessado pela ideia de efetivar Lass à posição após boas partidas do francês em 2011/2012. Com o elenco atual, o Madrid tem condições para ser novamente campeão espanhol e europeu nesta temporada.

Real Sociedad (Pierre Andrade)
Cidade: San Sebastián, País Basco
Estádio: Anoeta
Em 2011/2012: 12º colocado
O cara: Xabi Prieto (meio-campista)
O treinador: Philippe Montanier
A promessa: Rubén Pardo (meio-campista)
Principal reforço: Carlos Vela (meia-atacante, Arsenal)
Principal perda: Mikel Aranburu (aposentado)
Objetivo: Vaga na Liga Europa
Time base (4-2-3-1): Claudio Bravo; Carlos Martínez, Mikel González, Iñigo Pérez, José Ángel; Illarramendi, Zurutuza; Xabi Prieto, Carlos Vela, Griezmann; Agirretxe.

Com a base do time que encantou a Espanha no primeiro turno da La Liga, a Real Sociedad larga como uma das grandes apostas para temporada. Apresentando um futebol ofensivo e de qualidade no toque de bola, os comandados de Philippe Montanier esperam um ano mais estável, passando distante da zona de rebaixamento para a Liga Adelante. O ponto forte da equipe continuará sendo o meio de campo, liderado pelo experiente Xabi Prieto. Carlos Vela, contratado em definitivo junto ao Arsenal, e Agirretxe certamente levarão perigo às defesas adversárias. 

Outra aquisição importante do clube foi o lateral esquerdo José Angel, ex-Roma. Titular no time italiano, Ángel perdeu espaço com a saída de Luis Enrique e decidiu retornar ao seu país natal. Mesmo com essas contratações, se quiser almejar algo a mais do que o meio da tabela, os txuri-urdin terão que se preparar bem fisicamente para aguentar toda a temporada. Nos últimos anos, o time tem caído de rendimento na reta final, deixando escapar as chances de conquistar vagas nas competições européias.

Sevilla (Edgley Lemos)
Cidade: Sevilla, Andaluzia.
Estádio: Ramón Sánchez Pizjuán
Em 2011/2012: 9º colocado
O cara: Álvaro Negredo (atacante, foto)
O treinador: Michel
A promessa: Geoffrey Kondogbia (meio-campista)
Principal reforço: Diego López (goleiro, Villarreal)
Principal saída: Romaric (volante, Zaragoza)
Objetivo: vaga em uma competição europeia
Time base (4-4-2): Diego López; Cicinho, Botía, Spahic, Fernando Navarro; Trochowski, Medel, Jesus Navas, Perotti; Reyes, Negredo.

A instabilidade defensiva custou caro ao Sevilla na última temporada, por isso Del Nido deixou claro que reforçar bem a defesa era prioridade. Trouxe para a atual temporada o ótimo goleiro Diego López, proveniente do Villarreal. Chegaram, ainda, o zagueiro Botía, ex-Sporting Gijón, e o volante Maduro, vindo do Valencia. Além de Cicinho, ex-lateral direito do Palmeiras, que vem sendo chamado pela torcida de “novo Dani Alves”. No entanto, reforçar apenas a defesa não basta para o Sevilla, visto que o time sofre com a falta de um armador. 

Apesar de Rakitic ter muita qualidade, a última temporada foi tenebrosa. Por isso é importante, para o Sevilla, contratar alguém como opção ao croata. Michel, durante os amistosos de pré-temporada, ensaiou uma mudança no esquema tático da equipe para um 4-3-3, explorando as investidas de Návas e Reyes pelas pontas. A falta de um meio-campo armador, no entanto, deve pesar durante a temporada, caso Rakitic não atue bem. A realidade é outra em Nervión: pela primeira vez em oito anos, o Sevilla não irá disputar uma competição europeia.

Valencia (Pierre Andrade)
Cidade: Valencia
Estádio: Mestalla
Em 2011/2012: 3º colocado
O cara: Roberto Soldado (atacante, foto)
O treinador: Mauricio Pellegrino
A promessa: Paco Alcácer (atacante)
Principal reforço: Andrés Guardado (meio-campista, Deportivo)
Principal perda: Jordi Alba (lateral-esquerdo, Barcelona)
Objetivo: Vaga na Champions League
Time base (4-2-3-1): Guaita; João Pereira, Rami, Ricardo Costa, Mathieu; Gago, Banega; Feghouli, Jonas, Guardado; Soldado.

Campeão da “outra liga” de forma consecutiva desde a temporada 2009/10, o Valencia começa esta edição do campeonato tendo sofrido algumas mudanças em seu elenco. A principal delas é à saída de Unai Emery, técnico que ajudou o clube a consolidar-se no terceiro posto da tabela. Para o seu lugar, chega Mauricio Pellegrino. Ex-jogador do clube, El Flaco conta com a experiência de ter sido o auxiliar de Rafa Benítez no Liverpool e Internazionale de Milão, mas nunca dirigiu um time profissional.

Outra ausência que certamente será sentida é a de Jordi Alba. O lateral, revelação da Euro 2012, acertou sua ida para o Barcelona e deixou carente o lado esquerdo da defesa ché. Pro seu lugar, o clube chegou a acertar a contratação de Dídac Vilà, mas uma contusão grave no púbis fez o time desistir da transação. Dos que assinaram com o Valencia, ganham destaque o meia Guardado, ex-Deportivo, e o volante Fernando Gago, ex-Roma e Real Madrid. Além deles, Jonathan Vieira, que veio do Cádiz, e Paco Alcácer, prata da casa, demonstraram na pré-temporada uma ótima qualidade técnica e devem atuar durante o certame.

Valladolid (Victor Mendes)
Cidade: Valladolid, Castilla e Leão
Estádio: José Zorilla
Em 2011/2012: campeão dos play-offs da Liga Adelante
O cara: Javi Guerra (atacante, foto)
O treinador: Miroslav Djukic
A promessa: Javi Navas (meia-atacante)
Principal reforço: Rukavina (lateral-direito, 1860 Munich)
Principal perda: Nauzet (Las Palmas)
Objetivo: permanência na elite
Time base (4-2-3-1): Jaime; Rukavina, Marc Valiente, Rueda, Balenziaga; Álvaro Rubio, Víctor Pérez; Ebert, Óscar, Omar; Javi Guerra.

O vencedor dos play-offs de acesso da Liga Adelante foi a equipe que mais encantou durante a competição. O Valladolid conseguiu associar um futebol atrativo a uma defesa sólida (a melhor da Liga Adelante ao lado do Celta Vigo). Djukic já prometeu não mudar a filosofia que tanto deu certo na segundona no retorno à elite. O plantel renovado ajudará muito na briga contra o rebaixamento. As contratações são interessantes. Rukavina e Ebert, provenientes dos alemães Munich 1860 e Hertha Berlim, chegam para oferecerem qualidade às laterais. Apesar de atuar na lateral-direita, Rukavina tem sido testado na zaga nos amistosos de pré-temporada. Ebert, por outro lado, pode atuar também mais à frente, na linha de três. É provável que ele seja titular na extrema direita.

Se o Valladolid fizer o dever de casa no mercado e não mudar totalmente à primeira derrota, o 4-2-3-1 bem protegido e com Óscar armando as jogadas e Lolo impondo velocidade pela esquerda pode dar samba. Na frente, Javi Guerra é garantia de gol. O calendário prevê dificuldades nos cinco primeiros jogos: Zaragoza (fora), Levante (casa), Athletic Bilbao (f), Bétis (c) e Atlético de Madrid (f). Se, de fato, Djukic honrar as palavras, o Valladolid promete agradar os telespectadores nesta nova temporada.

Zaragoza (Pierre Andrade)
Cidade: Zaragoza, Aragão
Estádio: La Romareda
Em 2011/2012: 16º colocado
O cara: Roberto (goleiro, foto)
O treinador: Manolo Jimenez
A promessa: Jorge Ortí (atacante)
Principal reforço: Romaric (volante, Espanyol)
Principal perda: Lafita (atacante, Getafe)
Objetivo: permanência na elite
Time base (4-4-2): Roberto; Lanzaro, Loovens, Álvaro, Abraham; Apoño, Romaric, Edu Oriol, Montañes; Aranda, Helder Postiga.

Temporada nova, vida nova. Este será o lema do Zaragoza nesta edição do Campeonato Espanhol. Manolo Jimenez continuará no comando da equipe e não tinha como ser diferente. Quando assumiu o posto de treinador, substituindo Javier Aguirre, o Zaragoza se encontrava na última colocação da Liga. Jimenez conseguiu uma sequência de bons resultados, entre elas uma vitória contra o Athletic Bilbao por 2x0, e salvou a equipe do rebaixamento na última rodada.

Para esta temporada, a equipe tende a crescer tecnicamente com as contratações do zagueiro Álvaro Gonzalez, ex- Racing Santander, e do volante Romaric, que veio do Espanyol, mas que pertencia ao Sevilla. Outro que deve se destacar é o arqueiro Roberto, que conseguiu deixar de lado as más atuações e se firmou no gol maño, relegando ao banco o experiente Leo Franco. Aliado a isso, o clube ganhou 8 anos para quitar a dívida de €82 milhões e atualmente se encontra em uma situação financeira estável, o que deve garantir um ambiente mais leve para trabalhar.

Palpites para temporada
Victor Mendes
Campeão: Barcelona
Uefa Champions League: Barcelona, Real Madrid, Valencia e Atlético de Madrid
Liga Europa: Sevilla, Athletic Bilbao e Osasuna
Rebaixados: Rayo Vallecano, Granada e Celta Vigo
Copa do Rei: Real Madrid

Pierre Andrade
Campeão: Real Madrid
Uefa Champions League: Real Madrid, Barcelona, Atlético de Madrid, Valencia
Liga Europa: Real Sociedad, Sevillae Athletic Bilbao
Rebaixados: Valladolid, Rayo Vallecano, Bétis
Copa do Rei: Real Madrid

Edgley Lemos 
Campeão: Barcelona
Uefa Champions League: Barcelona, Real Madrid, Sevilla e Atlético de Madrid
Liga Europa: Valencia, Getafe e Athletic Bilbao
Rebaixados: Mallorca, Rayo Vallecano e Granada
Copa do Rei: Real Madrid

sábado, 2 de junho de 2012

Balanço Final: Análise da temporada (segunda parte)

Abaixo, a continuação da Análise da temporada, com os restantes dos times. Se você quiser conferir a primeira parte, clique aqui. Para saber quem foram as revelações, clique aqui.

GETAFE
Classificação: 11º
Copa nacional: quarta fase (1/32 de final)
Copas europeias: não disputou
Destaque: Miku (foto, Marca)
Revelação: Abdel Barrada
Decepção: Daniel Güiza
Nota da temporada: 6
Se alguém falar que o Getafe não disputou o Campeonato Espanhol, é capaz de muita gente acreditar. O time ficou no meio da tabela toda a temporada, redefinindo o conceito de não chamar a atenção de ninguém. A campanha não teve uma boa fase destacada (a maior série de vitórias foram de duas seguidas, em três momentos diferentes), tampouco uma muito ruim (a maior seqüência de derrotas foi de três, uma vez). O único destaque individual foi o atacante venezuelano Miku Fedor, autor de 12 gols. Tudo bem, o oleiro Moyá também merece menção pelo bom desempenho.

REAL SOCIEDAD
Classificação: 12º
Copa nacional: oitavas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Xabi Prieto (foto, Diário de Navarra)
Revelação: Iñigo Martínez
Decepção: Mikel Aranburu
Nota da temporada: 6
É uma equipe decente, mas que teve dificuldades para deslanchar no campeonato. A falta de uma sequência de bons resultados deixou o time perto da zona de rebaixamento por muito tempo. A defesa foi o destaque, com boas apresentações de Illarramendi, González e De la Bella. O ataque ficou muito dependente da inspiração de Griezmann e Vela, mas a dupla fez o suficiente para garantir um final de temporada mais tranquilo em San Sebastián.

BETIS
Classificação: 13º
Copa nacional: quarta fase (1/32 de final)
Copas europeias: não disputou
Destaque: Beñat (foto, AS)
Revelação: Álex Pozuelo
Decepção: Ustaritz
Nota da temporada: 6,5
A estabilidade quase monótona do Getafe teve como contraponto a trajetória cheia de emoções do Betis. O time de Sevilha começou o campeonato, seu primeiro após retornar da segunda divisão, com quatro vitórias. A torcida até achou que o time podia brigar pela Liga Europa, mas os béticos perderam os cinco jogos seguintes. E a equipe ficou nesses altos e baixos durante quase toda a temporada. Faltou um pouco mais de paciência para gerenciar os jogos e a campanha como um todo. O Betis reagia de forma emocional às partidas, muitas vezes se deixando levar pelo impulso e perdendo oportunidades de fazer bons resultados controlando seus esforços.

ESPANYOL
Classificação: 14º
Copa nacional: quartas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Joan Verdú (foto, Mundo Deportivo)
Revelação: Thievy Bifouma
Decepção: Vladimir Weiss
Nota da temporada: 5
Esteve na briga pela Liga Europa em boa parte do campeonato, mas afundou no final, fazendo um ponto nas últimas cinco rodadas. A defesa foi um problema em toda a temporada, e custou ao time barcelonês pontos fundamentais. No entanto, o ataque também tem sua responsabilidade. A falta de um artilheiro de vocação atrapalhou uma equipe que tinha meias de armação de nível razoável. O único jogador do elenco com essa característica era o uruguaio Pandiani, reserva de 36 anos que segue no clube mais em consideração a seu passado do que pela real capacidade de ajudar durante uma temporada completa.

RAYO VALLECANO
Classificação: 15º
Copa nacional: quarta fase (1/32 de final)
Copas europeias: não disputou
Destaque: Michu (foto, Rayistas)
Revelação: Lass Bangoura
Decepção: David Cobeño
Nota da temporada: 6,5
A campanha do Rayo Vallecano foi um milagre. O time tem um elenco bastante modesto, atrasa salários desde a temporada passada, teve troca de direção e acabou o campeonato sob intervenção para evitar a falência. Mesmo assim, o Rayo ficou boa parte do campeonato no meio da tabela e, mesmo quando o fôlego acabou e o time se afundou numa sequência de seis derrotas, encontrou forças para vencer na última rodada e evitar um rebaixamento que seria mais que compreensível. Destaques? O brasileiro Diego Costa, o argentino Armenteros e a dupla espanhola Michu e Javi Fuego.

ZARAGOZA
Classificação: 16º
Copa nacional: quarta fase (1/32 de final)
Copas europeias: não disputou
Destaque: Hélder Postiga (foto, Reuters)
Revelação: Franco Zuculini
Decepção: Ruben Micael
Nota da temporada: 4,5
O Zaragoza era um caso perdido a um mês e meio do final do campeonato. O time ocupava a lanterna desde o meio do primeiro turno e não parecia ter forças para reagir, ainda que o elenco fosse de um time de meio de tabela. De repente, tudo se encaixou em La Romareda. O trabalho de Manolo Jiménez, que havia assumido a equipe na virada do ano, demorou para fazer efeito, mas acabou aparecendo. O time recuperou a confiança, lideranças como Ponzio, Roberto e Luís García, além do artilheiro Helder Postiga, surgiram e comandaram o crescimento zaragocista. Uma série de cinco vitórias nos últimos seis jogos impulsionou os maños, que escaparam do rebaixamento na última rodada.

GRANADA
Classificação: 17º
Copa nacional: quarta fase (1/32 de final)
Copas europeias: não disputou
Destaque: Carlos Martins (foto, Marca)
Revelação: Álex Carmona
Decepção: Alexandre Geijo
Nota da temporada: 5,5
A regra dos três pontos por vitória salvou o Granada. O time é tecnicamente fraco e não cumpriu a promessa de revelar jogadores (ou de ajudar no desenvolvimento de jovens para seu primo rico, a Udinese), mas teve o mérito de empatar pouco. Com o terceiro pior ataque do campeonato, os andaluzes conseguiram um número alto de vitórias apertadas (das 12, apenas uma foi por mais de um gol de diferença). Mas esses triunfos foram fundamentais: dos times que lutaram contra o rebaixamento, apenas o Rayo Vallecano não perdeu para os granadistas.

VILLARREAL
Classificação: 18º (rebaixado)
Copa nacional: quarta fase (1/32 de final)
Copas europeias: Liga dos Campeões (fase de grupos)
Destaque: Borja Valero (foto, Getty Images)
Revelação: Joselu
Decepção: Nilmar
Nota da temporada: 2
Temporada ridícula. O Villarreal começou o ano sofrendo com contusões de jogadores importantes como Rossi e Nilmar. Isso explica o início ruim no campeonato, mas a incapacidade de reagir é indesculpável. O Submarino Amarillo até teve um brilhareco na metade do segundo turno, quando chegou a abrir uma vantagem que parecia confortável em relação à zona de rebaixamento, mas se acomodou com isso. Por mais que alguns jogadores (como Marcos Senna, Borja Valero e Marchena) mostrassem real disposição de evitar a queda, faltou futebol. O esquema tático era burocrático e o técnico Miguel Ángel Lotina, contratado no final da temporada para evitar o rebaixamento, primou pela série de escolhas equivocadas. Tentou endurecer um time que, por vocação, joga com leveza e foi punido com a queda à segunda divisão após mais de uma década na elite.

SPORTING DE GIJÓN
Classificação: 19º (rebaixado)
Copa nacional: quarta fase (1/32 de final)
Copas europeias: não disputou
Destaque: David Barral (foto, David Barral)
Revelação: Alejandro Gálvez
Decepção: Sebastián Egurén
Nota da temporada: 3,5
O Sporting de Gijón sobreviveu nas duas últimas temporadas devido a sua defesa. O técnico Manolo Preciado montou um esquema para tomar poucos gols e, com isso, conseguir vitórias apertadas para garantir uma temporada segura. Mas, em 2011/12, essa retaguarda não funcionou. O time foi uma peneira atrás, e não estava preparado para compensar isso com seu ataque. Tornou-se um alvo fácil para qualquer adversário, mesmo os da parte de baixo da tabela. As trocas de treinadores no segundo turno (entraram Iñaki Tejada, Javier Clemente e Manolo Sánchez) só deixou a equipe mais confusa, sem esquema e sem planejamento claro para buscar a reação. Na base da raça, o time venceu três jogos entre a 34ª e a 37ª rodadas, mas já chegou ao último jogo matematicamente rebaixado – e com a segunda defesa mais vazada do campeonato.

RACING DE SANTANDER
Classificação: 20º (rebaixado)
Copa nacional: oitavas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Christian Stuani (foto, Racinguistas)
Revelação: Álvaro González
Decepção: Lautaro Acosta
Nota da temporada: 3
Equipe muito fraca, que conseguiu passar o segundo turno inteiro sem uma vitória sequer. Excetuando o atacante uruguaio Stuani, artilheiro da equipe com 9 gols, nada funcionou. Nem seus jogadores símbolos, como o goleiro Toño e o meia-atacante Munitis, tiveram uma boa temporada para liderar um time tecnicamente ruim e taticamente sem direção. Uma queda traumática, que indica a necessidade de mudanças profundas para a disputa da segunda divisão na próxima temporada.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Alarme disparando

O Zaragoza de Javier Aguirre é o lanterna da Liga. O mexicano fracassa no futebol espanhol novamente (getty images)

O resumo completo da 16ª rodada você só lerá amanhã. Hoje, iremos adiantar uma breve síntese sobre a jornada baseada no momento ruim de três treinadores. Com as festas de fim de ano aproximando-se, o momento é de pausa e reflexão. Após mais uma rodada ruim para Zaragoza, Atlético de Madrid e Villarreal, os três respectivos treinadores não sabem se comerão o panettone: Javier Aguirre, Gregório Manzano e Juan Carlos Garrido estão vendo suas batatas a ponto de explodirem.

O domingo foi nefastos para o trio, que sabiam que seus adversários diretos haviam sido favorecidos na rodada. Desde Aguirre, que vê o Zaragoza colista (lanterna, em espanhol) após um novo esperpento contra o Mallorca, até Manzano, que chegou ao segundo revés na semana e o enésimo na temporada, jogando em Barcelona contra o Espanyol. Aguirre já não sabe mais o que fazer. O Zaragoza tem um elenco para, sem dúvidas, ficar no meio da tabela, e não brigar por rebaixamento. Fez um bom mercado, repatriando alguns bons jogadores e contratando à custo zero valores que adicionam talento ao plantel. Mas o momento é negro. Apenas duas vitórias em 15 jogos. A lanterna é merecida, ainda mais com o Racing Santander ensaiando uma reação após a saída de Héctor Cúper.

Para piorar a situação, saíram os exames médicos de Rúben Micael, um dos nomes que escaparam das vaias da torcida após o apito final do árbitro no último domingo. O lateral sofreu uma lesão de grau 1 nos ligamentos do tornozelo direito e não volta mais neste ano. A previsão é voltar aos gramados apenas no final de janeiro. Os aficionados parecem estar ao lado do treinador mexicano, em dentrimento do presidente Agapito Inglesias. Um grupo de torcedores maños protestaram contra o presidente após a partida contra o Mallorca. "Zaragoza sim; Agapito não!", Agapito demissão" e "Não volte nunca mais, Apagapito", gritaram.

Garrido preocupado. É para estar (getty images)

Na Comunidade Valenciana, Juan Carlos Garrido, por sua vez, não tem o apoio da torcida do Villarreal. Uma temporada catastrófica, com direito a eliminação da Champions com seis derrotas em seis jogos, o Submarino Amarelo naufraga a cada jogo. No fim de semana, empataram com a Real Sociedad no El Madrigal por 1 a 1. O treinador afirmou na coletiva pós-jogo ter visto melhoria no desempenho de sua equipe. A realidade, entretanto, é diametralmente oposto àquela que pensa Garrido. Os amarillos somam apenas três vitórias em 15 jogos, com seis empates e seis derrotas. A zona de rebaixamento está próxima: na 17ª colocação, têm a mesma pontuação do Sporting Gijón, primeiro da zona. "Estamos em uma dinâmica de recuperação", afirmou.

Os problemas do Villarreal estão por todo lado. Apesar de, na última semana, ter recuperado Nilmar, Garrido perdeu Borja Valero, melhor jogador da equipe na temporada, e Cani. Os dois não estiveram no vexame contra o Napoli e, mesmo que a fase de Cani não seja das melhores, o meio-campo inexistiu. Rossi continua fazendo falta, já que Rúben, ao contrário da temporada passada quando supria as ausências do ítalo-americano com boas partidas, não tem aparecido positivamente. Após passar mais de dois meses no 4-2-3-1, o castellonense voltou ao 4-4-2 que foi a fórmula do sucesso na temporada passada. Mas, analisamos: a linha de quatro na temporada passada era formada por Marchena, Cazorla, Borja Valero e Cani. Ontem, tinha Marcos Senna, Bruno, De Guzmán e Hernán Pérez. A diferença é enorme.

Gregório Manzano está prestes a repetir a ação de Di María: cair (getty images)

A semana de Manzano foi tão negra quanto a de Garrido. Ainda que o Atlético de Madrid se mantenha entre os dez primeiros colocados e continua brigando, ainda que poucas forças, por uma vaga na Liga dos Campeões, a planificação feita pela diretoria no verão não admite vaga na Liga Europa como prêmio de consolação. E o pior: hoje, os rojiblancos estão distante até da zona da segunda principal competição europeia. O Málaga, 6º colocado e último da zona, tem 24 pontos, contra 19 do 10º, que é o Atlético de Madrid. Na última quinta-feira, Manzano "subestimou" o Albacete, da segunda divisão B, pela Copa do Rei e mandou a campo uma equipe B, repleta de jovens das canteras. O resultado foi uma derrota por 2 a 0 e a pressão sobre o treinador aumentando a cada jogo. Ainda que seja improvável (o Atlético de Madrid gosta de dar vexames, mas este seria fora do comum), a torcida exige o time titular no jogo da volta para evitar a eliminação precoce na Copa, que Manzano, antes da temporada começar, havia dado atenção especial. "Vamos pela Copa", disse.

Nos próximos três jogos do Atlético de Madrid (Rennes, Bétis e Albacete), Manzano continuará no banco de reservas. O clube, após gastar 40 milhões de euros com Falcão, não tem dinheiro para demiti-lo e confirmou, pelo seu site oficial, que não tomará nenhuma decisão até a parada para as festas. Os colchoneros não têm em mente um substituto pelo treinador, apesar da torcida implorar, a cada jogo, pela volta de Aragonés. Manzano, definitivamente, ganhou uma nova chance de dar a volta por cima.

domingo, 20 de novembro de 2011

13ª rodada: Show de gols

Todos em cima de Teixera Vitienes: o árbitro não assinalou um pênalti claro de Higuaín e deixou os valencianistas indignados (getty images)

Após uma semana de pausa devido aos jogos da Data Fifa, o Campeonato Espanhol voltou com tudo. Nos três jogos que abriram a rodada, à exceção de Villarreal 1 a 0 Bétis, que marcou a recuperação dos amarillos, a tônica foram os gols. No Camp Nou, o Barcelona, que costuma passar sempre por apuros após Data Fifa, mandou a zica para longe e goleou sem problemas o Zaragoza por 4 a 0. No principal jogo da noite, equilíbrio e polêmica foram as palavras-chaves. Num Mestalla lotado, o Real Madrid derrotou o Valencia por 3 a 2, mas um possível pênalti não marcado a favor dos chés aos 47 minutos do segundo tempo foi o principal assunto do fim de semana futebolístico na Espanha. Confira, abaixo, o resumo dos três jogos de sábado.

Valencia 2x3 Real Madrid
Num campo onde o Barcelona deixou dois pontos, o Real Madrid foi fatal e deixou para trás qualquer chance de desperdício de pontos. A comemoração de Mourinho no gol de Cristiano Ronaldo só mostra o quã importante foi a vitória merengue. Sem Kaká e Di María, Mourinho resolveu se preservar: atuando num 4-3-2-1 vistos na temporada passada somente na maratona de jogos contra o Barcelona, o técnico português, que havia acenado com a possibilidade de titularidade de Callejón na linha de três ofensiva, optou por Lass Diarra ao lado de Xabi Alonso e Khedira, para ganhar o combate contra o meio-campo ché. Ainda que Soldado fizesse a lei do ex evaporar ao marcar um doblete, Mourinho ficou extremamente satisfeito ao conseguir seu objetivo: não deixou o meio-campo valencianista ficar com a bola e construir jogadas.

O pós-jogo ficou marcado por polêmicas. O Valencia ainda não engoliu o pênalti não marcado por Teixera Vitienes e um vídeo capturado pela La Sexta mostra muito bem Higuaín colocando propositadalmente a mão na bola, evitando o que seria o gol de empate ché. Os jogadores também ficaram indignados pela comemoração provocativa de Mourinho no gol de Sergio Ramos, e Alba e Albelda chegaram a discutir com o gajo. Mathieu, por sua vez, foi claro: "Mourinho não respeitou o Valencia". Unai Emery, contudo, não deu uma opinião mais claro sobre o assunto. "Eu não posso dizer nada a respeito, pois discuti com Xabi Alonso", disse o treinador. A vitória no Mestalla marcou um registro histórico para o técnico de Setubal: chegou a 11 vitórias consecutivas, seu melhor registro na carreira, e igualou a melhor sequência de vitórias de Guardiola no Barcelona. O próximo desafio será duro: no Bernabéu, os merengues farão o dérbi da capital contra o Atlético de Madrid.

Barcelona 4x0 Zaragoza
Dificuldades após a Data Fifa, saia de mim. Com Piqué e Puyol juntos novamente na zaga, o Barcelona não passou por dificuldades contra o Zaragoza e ganhou moral para a visita que fará a Milão para o jogo decisivo contra o Milan, no meio da semana, decidindo o primeiro lugar do grupo H da Liga dos Campeões da Uefa. Messi e Fàbregas voltaram a se entender: o meio-campista fez boa jogada e tocou para La Pulga concluir e chegar ao décimo-quinto gol na competição. A curiosidade por conta da partida ficou pelo fato de Piqué, Fàbregas e Messi iniciarem uma partida juntos pela primeira vez desde a divisão de base. Os três, que representam a geração 88' dos blaugranas, ainda não haviam começado uma partida desde que Cesc retornou à Catalunha.

A outra boa notícia que Guardiola poderia receber na partida foi o gol de Villa, que começou no banco. El Guaje revelou após a partida que Pep havia dito, minutos antes de colocá-lo em campo, que ele iria entrar para marcar. Dito e feito: após jogada de Cuenca, que começou como titular novamente, o camisa sete testou firme às redes de Roberto. Na comemoração, o primeiro abraço foi de Messi, acabando com as dúvidas que os dois andavam brigados. Os azulgrenás seguem imparável em casa: já foram 30 gols pró e nenhum recebido. Os maños, por sua vez, voltaram à má fase que o assolou no início da Liga. Após ganhar algumas gordurinhas, o Zaragoza voltou a cair de produção, retornando à zona de rebaixamento.

Villarreal 1x0 Bétis
O contra-ataque nunca foi uma característica do Villarreal. Mas foi essa jogada, concluida por Borja Valero, que decidiu a vitória contra o Bétis, que em um pesadelo sem fim. Após sentir o gostinho da liderança, o momento dos andaluzes é preocupante. A oito rodadas sem marcar (472 minutos), a equipe de Pepe Mel já vê a zona de rebaixamento perto. No lado amarillo, a vitória deu uma moral a mais para Garrido, que segue no 4-2-3-1 sem seus principais atacantes, Rossi e Nilmar. Quem vem carregando a responsabilidade é Borja Valero, que decidiu novamente a favor do Villarreal. Agora, os comandados de Garrido irão até Munich para enfrentar o poderoso Bayern com uma pretensão: ganhar e continuar vivo na esperança de jogar a Liga Europa. A obrigação do Submarino Amarelo é pontuar seis vezes dos seis possíveis (Bayern e Napoli são os adversários) para continuar jogando uma competição europeia. Complicado, mas Garrido manteve um discurso otimista e com contornos de clichê: a esperança é a última que morre.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

2ª rodada: Um triplete para começar

Cristiano Ronaldo começa a Liga BBVA do jeito que encerrou a última: marcando gols (reuters)

Na última temporada, Cristiano Ronaldo encerrou uma Liga BBVA de ouro: com 40 gols, tornou-se o maior artilheiro de uma única edição da primeira divisão espanhola. Ontem, na estreia do Real Madrid na nova temporada da la liga, o gajo mostrou que está no mesmo ritmo com o qual terminou o campeonato passado: com um triplete, comandou os merengues à goleada no La Romareda frente ao Zaragoza e, de praxe, assumiu a artilharia ao lado de Soldado, que havia dado show no dia anterior.

Os jogos de domingo também marcaram a primeira polêmica. No Iberostar, o Mallorca venceu o Espanyol com um gol irregular de De Guzmán. Nos novos horários de domingo, os Atléticos decepcionaram: enquanto o Atlético de Madrid sentiu a falta de um atacante de ofício e não passou do zero com o Osasuna, o Athletic Bilbao ficou no 1 a 1 em plena Catedral com o Rayo Vallecano. A expectativa ficou pela estreia do novo Málaga. Entretanto, decepcionados estão aqueles que esperavam uma vitória: contra o rival andaluz do Sevilla, os blanquiazules sucumbiram diante de um inspirado Negredo e perderam por 2 a 1.

Confira, abaixo, a segunda parte do resumo da segunda rodada da liga bbva.

Zaragoza 0x6 Real Madrid
Real Mouravilla. O apelido dado pelo AS após a exibição de gala dos merengues na goleada no La Romareda faz todo o sentido: o Real Madrid de José Mourinho joga bonito e é um dos mais goleadores dos últimos anos. Na temporada passada foram 102 na Liga BBVA - 127 ao total -, enquanto que, na atual, os blancos começam a todo o vapor. O Real Madrid de ontem lembrou um pouco o da gestão de Vicente Del Bosque. Pelo menos nos números: foram 114 jogadas ofensivas, com 490 passes certos e incríveis 39 (!) chutes a gol. Ao Zaragoza, restou se lamentar: para uma equipe que contratou bem no mercado, o trator blanco passou por cima sem piedade. Os aragoneses chutaram apenas seis vezes ao gol.

Cristiano Ronaldo não foi o único destaque merengue na partida. Özil e Benzema não marcaram, mas foram os condutores do Real na partida. O turco-alemão foi essencial à medida em que o Real Madrid precisava de seu futebol. Quando o jogo estava zero a zero, enfiou uma bola na medida para Ronaldo abrir o placar. Depois, conduziu com maestria o jogo. O ex-merengue Guti se derreteu de elogio ao novo camisa: "ele é o verdadeiro craque do time", afirmou em sua conta no twitter. O francês, por sua vez, está a cada jogo deixando de lado a figura de preguiçoso. Onipresente, sufocou muito a saída de bola maña na partida. O artilheiro da equipe na pré-temporada, contudo, não balançou as redes. Mas o protagonismo é todo do camisa sete: com os três de ontem, chegou aos 103 com a camisa merengue, sendo 70 na liga espanhola. E isso tudo, vale lembrar, com apenas três temporadas em Chamartin.

Leia o relato do jogo e veja os gols aqui.

Athletic Bilbao 1x1 Rayo Vallecano
Na estreia de Josu Urrutia e Raúl Martín Presa na presidência de Athletic Bilbao e Rayo Vallecano, respectivamente, o resultado não agradou muito o novo presidente basco. Por outro lado, Presa não tem outro motivo para não estar feliz: no regresso do Rayo Vallecano à primeira divisão, os rojiblancos conseguiram arrancar um ponto em um dos campos mais difíceis da Espanha. Coopero, os franjiroyos foram sufocados durante boa parte dos noventa minutos, mas conseguiram achar um gol com Movilla. Ironicamente, o tento do meio-campista veio sete minutos após o gol marcado por Iturraspe. Notícia que animou o treinador Ramón Sandoval foi a boa partida do jovem Lass. Ainda que seja um jogador com ficha de filial, o ganês demonstrou que está à disposição do treinador e pode gozar de mais minutos na temporada. Sua entrada em campo coincidiu com a reação e o empate do Rayo na Catedral.

Marcelo Bielsa, por sua vez, tem uma coisa do que reclamar: a péssima conclusão de seus comandados na hora de finalizar as jogadas. Foram 14 chutes a gol, onde desses apenas nove foram em direção às redes de Dani. Muniain segue em uma grande fase e é, por enquanto, o jogador que mais tem crescido desde a chegada do chileno ao cargo técnico do Athletic. Susaeta, jogando pelo flanco direito, dessa vez não foi bem, assim como Ander Herrera, tímido em sua estreia. Principal jogador da criação rojiblanca, Ander Herrera atuou em uma posição diferente da que está acostumado a jogar. No suporte a Llorente, o jovem passou em branco.

Sevilla 2x1 Málaga
O Sevilla do primeiro tempo agradou muitíssimo. É verdade que tudo ficou fácil de cara com o gol de Negredo na primeira jogada da partida, com a defesa defendendo com ordem e que o meio de campo não teve muitos problemas para dominar seus visitantes. Medel chegava em tudo e Trochowski tinha mais posse de bola do que teve contra o Hannover. No ataque, Navas era um pesadelo para Eliseu, e Perotti enfrentava Gámez. Só Manu Del Moral estava um pouco apagado, o que contrastava com a inspiração de Negredo, iluminado. O madrilenho marcou o um a zero de cabeça, depois de uma cortesia de Navas. Depois, colocou a bola ao lado da trave, disparou duas vezes, assustou Willy Caballero e marcou o dois a zero depois de um repertório amplo de finalizações e tabelas com os seus companheiros, recebendo um passe de Perotti e colocando no gol, sem necessidade de parar a bola. Ele sozinho fez a partida ficar tranqüila para o Sevilla e fez com que as dúvidas aparecessem para um desacertado Málaga.

O Málaga teve a posse de bola; porém, não causava danos. Armado no 4-2-3-1, Toulalan e Apoño não geraram jogo. Bateram cabeça durante boa parte dos noventa minutos e deixaram o Málaga, na maior parte do jogo, sem criação. Joaquin e Cazorla saíram-se bem. O ex-Villarreal deixou sua marca com extrema categoria após boa cobrança de falta. Julio Baptista, é verdade, fez falta. Semo brasileiro, Pelegrinni optou por uma estranha recuada de Rondón para o centro da linha de três. Outra estranha opção do chileno foi a improvisação de Eliseu na lateral esquerda ao invés de Monreal, contratado no verão. Os rojiblancos deram a volta por cima após a eliminação na Liga Europa. Agora, com Perotti e Negredo iluminados, o Sevilla tem quinze dias para recuperar Rakitic e se rearmar com mais uma contratação.

Atlético de Madrid 0x0 Osasuna
Ainda sem Falcão, que não jogou devido a falta de um documento obrigatório para a inscrição na LFP, o Atlético de Madrid sentiu a falta de um centroavante de ofício e não passou de um empate insonso contra o Osasuna no novo horário da RFEF. O sol do meio-dia desgastou um pouco a equipe comandada por Gregório Manzano, que reclamou após o jogo do novo horário, marcado para atingir o mercado asiático. O domínio rojiblanco foi total. O meio-campo formado por Mário Suárez, Gabi e Tiago dominou por completo a partida, mas faltava um algo a mais.

Como bem disse Leandro Colares, "o Atlético dependia basicamente de uma jogada: as infiltrações em velocidade de Reyes. Fora isso, o repertório da equipe era limitado. Apesar da posse de bola, o 4-3-1-2 de Gregorio Manzano não funcionava. A ineficiência do esquema se justificava principalmente pela configuração de seu meio-campo. Os volantes-meias Tiago e Gabi têm pouca capacidade de armação, e raramente chegam ao ataque. Como conseqüência, Reyes ficava sobrecarregado na armação – função onde não se adapta tão bem – e o time criava pouco." Ontem, Reyes jogou à Messi no Barcelona e mostrou para Manzano que ali não é seu lugar. Se o treinador ainda não tinha justificativa para jogar no 4-3-3, o tem após a estreia.

Mallorca 1x0 Getafe
A primeira polêmica referente a arbitragem veio de Palma de Mallorca. No Iberostar, o jogo foi definido por um lance ilegal do Mallorca. Após chute de De Guzmán, a bola desviou em Moreno, que estava impedido, e acabou enganando Cristian Álvarez. Concentrando suas jogadas pelas verticais, o Mallorca mostrou uma clara proposta no jogo de ontem: marcar sob pressão e aproveitar os contra-ataques. Em relação aos blanquiazules, os bermellones já estão mais preparada para a temporada que está se iniciando. O elenco que Laudrup tem à mão é sim limitado, mas se supera na base da vontade. Os balereas mostraram que podem sim jogarem bonito mesmo sendo limitado tecnicamente. Pocchetino, por outro lado, fez o que pôde para buscar o resultado. Colocou Albín, Sergio Garcia e Thievy em campo, mas nenhum dos três melhorou o ímpeto do Espanyol na partida. Hoje os péricos anunciaram dois bons nomes que irão dar um bom upgrade no onze inicial: Vladimir Weiss e Pandiani.

Getafe 1x1 Levante
Com uma equipe titular totalmente diferente em relação à temporada passada, o Getafe mostrou que tem condições de brigar por alguma competição europeia. Apesar do empate contra os granote, inalterado em relação à última temporada, os azulones mostraram um bom futebol durante 70 minutos, quando venciam com contudência por um a zero. O Levante foi bem similar à equipe do segundo semestre de 2010/2011, jogando muito bem taticamente e complicando a vida dos rivais. Sem Caicedo, Ignácio Martín testou o 4-4-2 com Iborra no suporte a Barkero e Valdo. No entanto, só após a entrada de Aranda na segunda etapa, quando trocou o módulo tático para o 4-3-3, que os levantinos reagiram. Luis García, novo treinador do Getafe (e que reencontrou sua ex-equipe) não se mostrou satisfeito com o resultado. Na coletiva pós-jogo, o treinador declarou que, durante a partida, reprovou mais que aprovou algumas atitudes de seus comandados. E adiantou: fará mudança para a partida contra o Real Madrid.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Guia: Liga BBVA, parte 2

O Real Madrid é a única equipe capaz de acabar com a hegemonia do Barcelona. Enquanto isso, o Málaga está pronto para brigar por LC (AP Photos)

Abaixo, a segunda parte do guia da Liga BBVA, feito em parceria com Pierre Andrade, editor-chefe do site Futebol Espanhol. A primeira parte você pode ler aqui. Boa leitura!


Osasuna (Claudio Araujo)
Cidade: Pamplona, Navarra.
Estádio: Reyno de Navarra
Em 2010/2011: 9º colocado
O cara: Nekounam (meio-campista, foto)
O treinador: José Luis Mendilibar
A promessa: Andrés Fernández (goleiro)
Principal reforço: Raúl García (Atlético de Madrid)
Principal perda: Pandiani (sem clube)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-4-2): Ricardo; Miguel Flaño, Damiá, Roversio, Bertrán; Masoud, Nekounam, Vadócz, Raúl García; Lekic, Kike Sola.

O Osasuna nunca foi de fazer um mercado competente e, de umas temporadas para cá, vem terminando o campeonato em alta. O desta temporada não poderia ter sido diferente, mas os rojillos prometem novamente darem bastante trabalho para equipes que forem visitar o Reyno de Navarra. Em 2010/2011, só perdeu para o Barcelona atuando em seus domínios dentre as equipes que terminaram nas quatro primeiras colocações. O grande ponto de interrogação desta equipe até o momento é o ataque: Pandiani e Aranda, ex-titulares, não renovaram seus contratos e saíram para outros clubes (Pandiani está próximo de um retorno ao Uruguai).

A dupla de ataque que deve estrear contra o Atlético de Madrid não é esperança de muitos gols. Kike Sola, que renovou por mais três anos, passou a pré-temporada inteira sem marcar, enquanto Lekic marcou apenas três vezes em seis jogos. No banco, aparecem duas boas opções para Mendillibar: Ibrahima Baldé e Nino, artilheiro do Tenerife há duas temporadas. O meio-campo continua como o setor mais forte da equipe: além de manter a base da temporada passada, ainda chegou, por empréstimo junto ao Atlético de Madrid, Raúl García. Com um meio-campo forte e um ataque nem tanto, é de esperar que Mendillibar mude o esquema do Osasuna para um 4-2-3-1, que possa unir Puñal, Vadócz e Raúl García na linha de três.

Racing Santander (Pierre Andrade)
Cidade: Santander, Cantabria
Estádio: El Sardinero
Em 2010/2011: 12º colocado
O cara: Pedro Munitis (atacante)
O treinador: Héctor Cuper
A promessa: Julián Luque (meio-campista)
Principal reforço: Acosta (Sevilla)
Principal perda: Giovanni dos Santos (Tottenham)
Objetivo: luta contra o rebaixamento
Time base (4-5-1): Toño; Francis, Torrejón, Álvaro González, Cisma; Kennedy, Colsa, Adrian, Acosta, Munitis; Ariel

Quando o empresário indiano Ahsan Ali Syed se tornou proprietário do Racing, no começo do ano, a torcida se esperançou por dias melhores. Mas não demorou muito para o sonho virar pesadelo. Ali Syed não investiu em contratações e não cumpriu com a promessa da quitação dos débitos. Além disso, deixou de pagar os salários dos jogadores. Afundado em dívidas, o clube teve que recorrer a ley concursal para não fechar as portas.

Os racinguistas ainda viram sua situação piorar quando, ao término da temporada passada, perderam o treinador Marcelino Toral, responsável pela recuperação do clube no campeonato. Os jogadores Henrique e Giovanni dos Santos, dois dos principais atletas do elenco, também abandonaram as dependências do El Sardinero. Os torcedores agora depositam em Munitis suas esperanças de permanecer na elite do futebol espanhol.


Rayo Vallecano (Victor Mendes)
Cidade: Madrid
Estádio: Vallecas
Em 2010/2011: 2º colocado da Liga Adelante
O cara: Raúl Tamudo (atacante, foto)
O treinador: José Ramón Sandoval
A promessa: Provencio (meio-campista)
Principal reforço: Raúl Tamudo (Real Sociedad)
Principal perda: Armenteros (Sevilla)
Objetivo: luta contra o rebaixamento
Time base (4-2-3-1): Cobeño; Juan Carlos, Arriba, Carlos, Casado; Javi Fuego, Michel; Movilla, Daniel Pacheco, Rafa García; Tamudo.

Até a última segunda-feira, o Rayo Vallecano voltava à elite espanhola sem nenhuma ambição. Porém, bastou anunciar a contratação por empréstimo de Raúl Tamudo e, em menor quilate, Daniel Pacheco para os aficionados franjiroyos sonharem na permanência na Liga BBVA. A princípio, o promissor atacante deve jogar mais recuado pela esquerda, aparecendo, às vezes, no meio para armar jogadas para o veterano atacante, ex-Espanyol e Real Sociedad. Os rayistas chegaram a sonhar com Roque Santa Cruz, mas o dinheiro pedido pelo Manchester City foi alto demais e os blanquirojos não tem caixa para pagar.

A crise interna que assolou o clube na temporada passada ainda continua. Enquanto que, na disputa da Liga Adelante, o elenco do Rayo era superior a maioria de seus adversário, conviver com uma situação como essa na primeira divisão será bastante ingrato. José Ramón Sandoval, técnico do Rayo Vallecano, chegou a pedir demissão durante as voltas das férias, mas o pedido foi negado pelo presidente do clube, Raúl Martín Presa. Fato é que o Rayo Vallecano inicia sua volta à primeira divisão de maneira bem negativa.

Real Madrid (Rodrigo Zuckerman)
Cidade: Madrid
Estádio: Santiago Bernabéu
Em 2010/2011: 2º colocado
O cara: Cristiano Ronaldo (meio-campista)
O treinador: José Mourinho
A promessa: Álvaro Morata (atacante)
Principal reforço: Nuri Sahin (Borussia Dortmund)
Principal perda: Adebayor (Manchester City)
Objetivo: título
Time base (4-2-3-1): Casillas; Sergio Ramos, Pepe, Ricardo Carvalho, Marcelo; Xabi Alonso, Khedira (Sahin); Di María, Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema.

José Mourinho vai para sua segunda temporada à frente do Real Madrid com uma única e clara ambição: desbancar o Barcelona do topo do futebol mundial. Novo manager do Real Madrid, Mourinho teve todos os seus pedidos de contratação atendido e só está à espera de Neymar para fechar de vez o Real Madrid 2011/2012, apesar de o brasileiro só chegar, provavelmente, em janeiro de 2012, no mercado de inverno. Campeão da Copa del Rey na temporada passada, Mourinho tem o que se preocupar: a perda do título de Supercopa para o Barcelona, jogando muito melhor e estando numa condição física acima da média, é um dor-de-cabeça para o técnico de Setubal, que, de pouco em pouco, vai achando uma estratégia de parar os blaugrana.

Cristiano Ronaldo continuará sendo o cara do Real Madrid, mas um coadjuvante de luxo está disposto a repartir o protagonismo com o português: Benzema, criticado durante boa parte da temporada passada, é, até o momento, o grande nome do início de temporada merengue e promete disputar a artilharia pau a pau com o português e com Messi. O Real Madrid desta temporada promete ser mais ofensivo em relação à 2010/2011. Dos cinco contratados, três deles têm estilo de jogo ofensivo. A aposta de Mou é Sahin: o português é fã declarado do turco e já é de se esperar que Sahin entre na vaga de Khedira quando voltar de lesão.


Real Sociedad (Pierre Andrade)
Cidade: San Sebastián, País Basco.
Estádio: Anoeta
Em 2010/2011: 15º colocado
O cara: Xabi Prieto (meio-campista, foto)
O treinador: Philippe Montanier
A promessa: Rubén Pardo
Principal reforço: Carlos Vela (Arsenal)
Principal perda: Raúl Tamudo (Rayo Vallecano)
Objetivo: luta contra o rebaixamento
Time base (4-2-3-1): Bravo; Carlos Martínez, Iñigo Martínez, Demidov, De la Bella; Elustondo, Aranburu; Zurutuza, Xabi Prieto, Griezmann; Llorente.

Em seu retorno a principal categoria do futebol espanhol, a Real Sociedad só conseguiu se livrar do rebaixamento para a Liga Adelante na última rodada. Isso se deu, principalmente, pelo bom primeiro turno que os txuri-urdin realizaram, quando chegaram a namorar com os postos de classificação para as competições européias.

Para esta temporada, a direção do clube surpreendeu ao demitir Martín Lasarte, treinador responsável pelo acesso a elite, e contratar o desconhecido Philippe Montanier. Em seu país, costumam-lhe chamar de "o Guardiola francês", uma vez que gosta que seus times retenham a posse de bola. Outra aposta é a contratação de Carlos Vela, eterna promessa mexicana, e que chega emprestado pelo Arsenal. Porém, será do meia-atacante Xabi Prieto a missão de ser a referência do time em campo.

Sevilla (Pierre Andrade)
Cidade: Sevilha, Andaluzia
Estádio: Ramón Sánchez Pizjuán
Em 2010/2011: 5º colocado
O cara: Negredo (atacante)
O treinador: Marcelino Toral
A promessa: Luna (atacante)
Principal reforço: Trochowski (Hamburgo)
Principal perda: Capel (Sporting Lisboa)
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Time base (4-4-2): Palop; Coke, Cárceres, Escudé, Fernando Navarro; Medel, Trochowski, Jesus Navas, Rakitic; Kanouté, Negredo.

Um ataque devastador e uma defesa insegura. Assim pode ser definida a temporada passada do Sevilla, que viu um forte poder ofensivo de nada vale se não tem garantias na retaguarda. Sendo assim, natural que o setor mais reforçado para o vigente ano fosse a defesa. Chegaram o lateral direito Coke e o zagueiro Spahic. Além disso, Del Nido não hesitou em pagar €3 milhões ao Barcelona pela aquisição definitiva do defensor Martin Cáceres.

Porém, vários jogadores deixaram o Ramón Sánchez Pizjuán. Entre eles, Luís Fabiano e Diego Capel. Talvez por isso, a escolha de Marcelino Garcia Toral como treinador. Famoso por trabalhar com times fracos e transformá-los em clubes de meio de tabela, Marcelino terá sua primeira chance em um clube grande. Mas terá que lidar com um elenco curto no Sevilla. Volta e meia trará atletas das divisões de base para repor ausências como as de Jesus Navas, Rakitic e Kanouté, frequentadores assíduos do departamento médico do clube. Negredo continuará como a esperança de gols do time.


Valencia (Pedro Spiacci)
Cidade: Valencia, Comunidade Valenciana
Estádio: Mestalla
Em 2010/2011: 3º colocado
O cara: Roberto Soldado (atacante, foto)
O treinador: Unai Emery
A promessa: Paco Alcácer (atacante)
Principal reforço: Adil Rami (Lille)
Principal perda: Juan Mata (Chelsea)
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Time base (4-2-3-1): Diego Alves; Bruno Saltor, Rami, Ricardo Costa, Mathieu; Banega, Parejo; Pablo Hernández, Piatti, Dani Parejo; Soldado.

O Valencia alcançou o terceiro posto na última Liga Espanhola, garantindo vaga à fase de grupos da Liga dos Campeões 2011-12. Os ches ganharam ótimos reforços para a disputa de La Liga nesta temporada. A defesa recebeu o campeão francês Rami e o goleiro Diego Alves, destaque do Almería nos últimos anos. O meio-campo foi o setor que recebeu mais atenção da diretoria, Dani Parejo (Getafe), Feghouli (Almería), Canales (emprestado pelo Real) e Piatti (Almería) vêm para compor o setor, que sofreu com as baixas importantes: Joaquín foi para o Málaga e Juan Mata, autor de 12 assistências na última liga, para o Chelsea – os mais de 30 milhões arrecadados,não foram utilizados para contratações.

Porém, a permanência de Soldado, artilheiro do time, com 18 gols é a notícia mais animadora para os taronja. O atacante ainda declarou durante a pré-temporada, que vê “a equipe com muita gana de vitória”. O clube conta com bons talentos em sua cantera, que devem ajudar na composição do plantel principal para a temporada, que oferece três competições. O recém-chegado Parejo afirmou que os valencianistas: “vão com tudo nas três frentes”.


Villarreal (Pedro Spiacci)
Cidade: Villarreal, Comunidade Valenciana
Estádio: El Madrigal
Em 2010/2011: 4º colocado
O cara: Giuseppe Rossi (atacante, foto)
O treinador: Juan Carlos Garrido
A promessa: Joselu (meia-atacante)
Principal reforço: Cristian Zapata (Udinese)
Principal perda: Santi Cazorla (Málaga)
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Time base (4-3-1-2): Diego López; Mario Gaspar, Gonzalo, Zapata, Catalá; Cani, Marchena (Marcos Senna), Bruno; Borja Valero; Giuseppe Rossi, Nilmar.

A rivalidade na região de Valencia nunca foi tão grande. Com a queda do Sevilla e do Atlético de Madrid, a briga pela terceira colocação fica polarizada entre Valencia e Villarreal. A grande notícia para o submarino amarillo é a permanência da dupla Nilmar e Rossi, que marcaram 50 dos 91 gols do time na última temporada. A grande perda é a do meia Santi Cazorla, que foi vendido por 21 milhões de euros ao milionário Málaga. Cani e Borja Valero, os outros meio-campistas com mais chegada ao ataque, seguem jogando no Villarreal. Quem também segue nos amarillos é o treinador Juan Carlos Garrido e, com ele, o esquema deve seguir sendo o mesmo 4-3-1-2, onde sempre um homem atua muito preso na meia-cancha.

O comandante disse que ainda esperar mais reforços. Um bom reforço chega para a quarta melhor defesa de La Liga 2010-11: Zapata, que chega da Udinese para ser titular. O plantel segue parecendo curto para um time que disputará três competições nesta temporada. Após eliminar o dinamarquês Odense, pela última eliminatória da Liga dos Campeões, Garrido avisou: “jogar a LC é a ilusão de nossas vidas”.

Zaragoza (Claudio Araujo)
Cidade: Aragão
Estádio: La Romareda
Em 2010/2011: 13º colocado
O cara: Lafita (meio-campista)
O treinador: Javier Aguirre
A promessa: Languardia (zagueiro)
Principal reforço: Barrera (West Ham)
Principal perda: Gabi (Atlético de Madrid)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-2-3-1): Leo Franco; Juárez, Da Silva, Meira, Obradovic; Ponzio, Zuculini; Barrear, Rúben Micael, Lafita; Uche.

A permanência de Javier Aguirre no banco foi o primeiro acerto da diretoria neste mercado, junto com a manunteção de Uche e Lafita. Segurar Gabi e Ander Herrera, no entanto, não foi possível, mas as peças de resposição ficaram de bom tamanho: Zuculini e Barrera chegam para suprir a ausência dos principais jogadores maños na temporada passada. O bom trabalho de Aguirre no segundo semestre da última temporada, salvando os blancos do rebaixamento, mereceu o apoio da diretoria e pode dar boa sequência ao time.

Para reforçar a equipe que passou por maus bocados no primeiro turno no campeonato passado, chegam nove jogadores: além dos citados acima, Mateos, Abraham, Edu Oriol, Carlos, Juárez, Roberto e Ruben Micael foram as principais aquisições. Ainda assim, os torcedores aragoneses não podem se empolgar muito. Uma posição intermediária na tabela deve ser mesmo o destino do time

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Campeones Del Mundo: Álvaro Arbeloa

Apesar de ter sido reserva no título da Eurocopa e da Copa do Mundo, Arbeloa sempre cumpre bem seu papel em seus clubes (AS)

No dia 29 de julho de 2009, o Real Madrid confirmou oficialmente na sua página na web a contratação de Álvaro Arbeloa, procedente do Liverpool, por cinco temporadas. Capitão do Real Madrid Castilla de 2004/2005, Arbeloa foi um dos poucos jogadores que vingaram daquela excelente equipe. Mesmo assim, foram raras as aparições do lateral na equipe principal naquela temporada. Na equipe Castilla, Arbeloa já demonstrava a versatilidade que o caracteriza hoje, mas atuava na maioria das partidas como zagueiro e, então com 21 anos, era um dos jogadores mais experientes do time.

Nascido em Salamanca, mudou-se para Zaragoza com apenas quatro anos de idade. Em sua nova cidade, ingressou à categoria de base do Zaragoza com 12 anos, onde ficou até os 18, até partir para a capital. No Real Madrid Castilla, conseguiu o grande feito de fazer parte do elenco que subiu da Segunda División B à Liga Adelante, jogando em uma equipe com jogadores como Granero, De La Red, Soldado, Negredo e Mata. Porém, entre 2004 e 2006, mesmo sendo o jogador mais elogiado da filial, Robocop disputou apenas duas partidas com a equipe principal e, sem muitas oportunidades, acabou rumando para o Deportivo La Coruña. Em julho de 2006, desembarcou na Galícia para assinar contrato com os blanquiazules.

Entretanto, sua aventura no Deportivo não durou muito, pois no último dia do mercado de inverno (em janeiro de 2007), o Liverpool desembolsou cerca de 4 milhões de euros para tirá-lo de La Coruña (o Real Madrid recebeu 50% da taxa). Mesmo sendo contra, Joaquin Caparrós, técnico do Deportivo à época, não conseguiu segurar Arbeloa na equipe. Na terra dos Beatles, foram boas atuações, que renderam convocações para a Fúria, até então treinada por Luis Aragoneses. A consagração de Arbeloa no Liverpool veio, ironicamente, contra uma equipe espanhola. No duelo contra o Barcelona, em pleno Camp Nou, os reds venceram por 2 a 1 de virada e Robocop foi eleito o melhor em campo, devido, principalmente, ao fato de ter anulado Lionel Messi, na época uma promessa ainda, é verdade, mas que estava voando (três dias depois, Messi viria a marcar um hat-trick ante o Real Madrid).

Após eliminar os blaugrana, os reds passaram por Olympiacos e Chelsea até chegar à final contra o Milan, reeditando a final de Istambul, em 2005. Com Kaká jogando o melhor futebol do mundo, Benitez optou por um meio-campo mais forte para combater, e Arbeloa acabou sentando no banco de reservas. Ao final, o Milan acabou vingando a derrota de dois antes e o Liverpool de Arbeloa ficou com o vice-campeonato. Em maio de 2009, teve uma forte discussão com uma das bandeiras do Liverpool, Carragher, em campo e os dois tiveram que serem separados pelos companheiros de equipe. Sem muito espaço na equipe, Arbeloa pouco a pouco ia se desligando do clube de Anfield Road, onde marcou apenas dois gols em 98 jogos.

Cegamente enlouquecido com o projeto Galáticos 2.0, Florentino Pérez não tardou a repatriar Arbeloa, mesmo contando com Sergio Ramos para a lateral direita. Polivalente, já atuou em todos os setores defensivos da retaguarda merengue, mas tem sido utilizado mais na lateral direita. Com Mourinho, Arbeloa tem sido mais utilizado em jogos mais pesados, devido ao fato do gajo não "confiar" muito em Marcelo em jogos assim. Pela seleção nacional, fez parte do plantel vencedor da Eurocopa e da Copa do Mundo. Convocado pela primeira vez à Fúria em janeiro de 2008, só foi estrear em Março desse ano, porque acabou se lesionando e tendo que ser cortado. De lá para cá, Arbeloa, assim como Casillas, Capdevilla e Xabi Alonso, foi convocado para todas as partidas da Fúria.

Álvaro Arbeloa
Nome completo: Álvaro Arbeloa Coca
Data de nascimento: 17 de janeiro de 1983, em Salamanca, Espanha.
Posição: Lateral direito.
Clubes: Zaragoza, Real Madrid Castilla, Deportivo La Coruña, Liverpool, Real Madrid
Títulos: Copa do Rei 2010/2011, Eurocopa 2008 e Copa do Mundo 2010.